Alguns meses antes de eu nascer, meu pai se encontrou com um estrangeiro que era novo para nosso pequeno povoado do estado de Kansas, nos Estados Unidos. Ao papai fascinou este encantador forasteiro e logo o convidou a viver com nossa família. O estrangeiro foi aceito rapidamente e estava na casa para dar-me as boas vindas ao mundo, uns meses depois do meu nascimento.
Ao crescer nunca questionei seu lugar na família. Ao meu parecer, sendo jovem, cada membro tinha seu lugar especial. Meu irmão, cinco anos mais velho, era meu exemplo. Minha irmã mais jovem me deu a oportunidade de fazer o papel de “irmão mais velho”, e desenvolver a arte de ser brincalhão. Meus pais eram instrutores e completavam um ao outro - mamãe me ensinou a amar a Palavra de Deus, e papai me ensinou a obedecê-la. Porém o estrangeiro era nosso fofoqueiro. Ele podia tramar os contos mais fascinantes; aventuras, mistérios e comédias eram práticas diárias. Ele podia encantar toda família durante horas cada dia.
Se eu quisesse saber algo sobre política, história, ou ciência, ele conhecia tudo. Ele sabia do passado, entendia do presente, e aparentemente podia prever o futuro. Os quadros que ele podia desenhar eram tão naturais que às vezes se ria ou se chorava ao vê-los.
Ele era um amigo da família inteira. Ele nos introduziu, ao meu pai, ao meu irmão e a mim, ao nosso primeiro jogo de beisebol de ligas maiores. Sempre estava animando-nos para ver os filmes de cinema e nos apresentou a várias das estrelas do cinema.
O estrangeiro era um orador incessante. Parecia que meu pai não se importava, porém, às vezes mamãe se levantava silenciosamente para ir ao seu quarto para ler sua bíblia e orar, enquanto nós seguíamos absorvidos com uma das histórias de lugares distantes. Me pergunto agora se talvez ela, algumas vezes, não tenha orado para que o estrangeiro saísse de casa.
Meu pai governava em casa com certas convicções morais. Porém este estrangeiro nunca sentia a obrigação em honrá-las. A profanidade, por exemplo, nunca foi permitida em nossa casa - nem de nossa parte, nem de nossos amigos, nem dos adultos. Nosso velho visitante, entretanto, usava ocasionalmente palavras sujas que queimavam os ouvidos e faziam que papai se retorcesse. Pelo que sei o estrangeiro nunca foi confrontado por isso. Papai tão pouco permitia o álcool em casa - nem para cozinhar. Porém, o estrangeiro pensava que necessitávamos de uma melhor educação e nos encaminharia a outros estilos de vida.
Ao lembrar disso agora, creio que certamente foi pela graça de Deus que o estrangeiro não nos influenciou ainda mais. Várias vezes ele se opunha aos valores de meus pais. Porém, raras vezes foi repreendido e nunca foi tirado da casa.
Faz mais de trinta anos desde que o estrangeiro entrou na casa de meus pais ainda jovens. Não é tão atraente ao meu pai como naqueles anos anteriores. Porém, se eu entro na casa de meus pais hoje vejo o nosso velho visitante, sentado ali em seu canto, esperando que alguém o escute falar e veja desenhar seus quadros.
Seu nome? Sempre o chamamos de... 'Televisão'.
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