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Ana, Mical, Abigail e Bate-Seba (Novembro de 2020)


Baixe esta revista digital nos formatos: PDF - EPUB - MOBI Revista mensal publicada originalmente em novembro/2020 pela pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


Tema da edição

W. Barker (adaptado), Bible Treasury, vol. 18

D. Jacobsen

W. Barker (adaptado)

C. McAdam, Christian Truth , vol. 11

W. J. Prost

H. Smith (adaptado)

W. J. Prost

W. J, Prost

C. H. Mackintosh

J. N. Darby (adaptado)

Present Testimony, vol. 3

E. C. Pressland

J. G. Deck

 

Ana, Mical, Abigail e Bate-Seba


Somos fracos ou somos fortes? O Senhor usa a vida das quatro mulheres nesta edição para nos ensinar algumas lições sobre como ser fortes quando somos fracos. Fazemos bem em ouvir e aprender. Ana era fraca e sabia disso. Ela se voltou para o Senhor e, em Sua força, foi grandemente abençoada. A vida de Mical, Abigail e Bate-Seba foram entrelaçadas com a vida de Davi. Embora às vezes ele tenha falhado, especialmente com Bate-Seba; mesmo assim. podemos aprender com sua vida como uma figura de Cristo na época de Sua rejeição. Teriam elas se apegado a Davi ou se afastaram dele para encontrar sua força nos outros? Considere estas escrituras ao pensar sobre a vida delas e a sua: “Diga o fraco: Eu sou forte” (Jl 3:10). “Ele disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). “Salmo do servo do SENHOR, Davi, o qual falou as palavras deste cântico ao SENHOR, no dia em que o SENHOR o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. E disse: Eu te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha” (Sl 18:1 - ACF). “Eu confiarei e não temerei porque o SENHOR JEOVÁ é a minha força” (Is 12:2). E, finalmente, dos lábios do homem perfeito: “Mas Tu, SENHOR, não Te alongues de mim; força minha, apressa-Te em socorrer-me” (Sl 22:19).


Tema da edição

 

Ana


“Abundância de mantimento há na lavoura do pobre” (Pv 13:23). Noemi, cuja história precede a de Ana, já demonstrou isso. Em seus dias ela tinha apenas uma parte muito pequena da Palavra escrita de Deus, mas essa pequena parte despertou em sua alma a fé na bondade e graça de Deus. Ele providenciou a necessidade de Ana e a de Rute, e também levantou Boaz para cumprir Seus propósitos de misericórdia para com elas. A fé delas agiu sobre isso, e essas pobres viúvas obtiveram uma rica colheita. Que testemunho contra aqueles que agora possuem toda a Palavra de Deus, mas por causa da incredulidade não colhem nada!


O livro de Rute nos mostra em figura uma alma trazida a um novo relacionamento com Deus pela fé por meio da redenção. A história de Ana segue e nos mostra como esses novos relacionamentos se tornam mais profundamente valorizados e apreciados. Ambas eram mulheres de fé e eram ternamente amadas. No entanto, Ana estava nas profundezas da tristeza, enquanto Rute estava feliz. Por que isso aconteceu, e que instrução há nisso para nós?


Propósitos na encarnação

Em Hebreus 2:14-18 aprendemos um propósito duplo na encarnação do Filho de Deus. Ele veio em carne para fazer propiciação pelos pecados do povo e obter para eles a redenção eterna. Mas também, “nos dias de Sua carne” (Hb 5:7), Ele sofreu sendo tentado (à parte do pecado) e assim entrou em todas as aflições de Seu povo, para que pudesse socorrê-los em todas as suas tentações. Esses dois propósitos devem ser mantidos claramente diante da alma: (1) que a redenção é perfeita e segura e (2) que a ajuda adequada em todas as angústias é, ao mesmo tempo, assegurada. Ambos são provas para o homem, seja ele um pecador ansioso ou um santo provado, da provisão abundante feita por Deus em Cristo Jesus. A história de Rute ilustra o primeiro propósito, enquanto a de Ana mostra a necessidade da segunda. Portanto, não basta terminar com a história de Rute; precisamos seguir em frente para a de Ana Por toda a Escritura temos essas distinções importantes quanto à experiência mantida. Os cânticos de gozo, os adufes e as danças quando o povo de Israel foi totalmente libertado do Egito se encaixam perfeitamente no final do livro de Rute. Os três dias sem água e a amargura em Mara (Êx 15:22-27) estão mais de acordo com os livros de Samuel.


Rute e Ana

Assim, encontramos essas coisas repetidas com grande variedade de detalhes, mas com perfeita unidade de propósito. Rute e Noemi se regozijam perante o Senhor, mas Ana, antes que ela possa cantar, deve derramar sua alma em segredo perante o Rei e chorar amargamente. Qual é então o propósito de Deus nisso? Vamos encontrá-lo expresso em breves termos, mas mais explícitos, no Salmo 81:6-7. No versículo 6 temos a grande libertação efetuada pela redenção. Falando de Israel, o Senhor diz: “Tirei de seus ombros a carga; as suas mãos ficaram livres dos cestos”. Eles estavam livres, não mais trabalhando sob o chicote de Faraó e seu povo, e o dia de sua libertação foi o dia de seu noivado com Jeová (Jr 2:2). Mas no versículo 7 é outra coisa: “Clamaste na angústia, e te livrei; respondi-te do lugar oculto dos trovões”. Aqui está o problema que estamos considerando, mas por que “o lugar secreto do trovão” (TB)? A forma da expressão é marcante e evidentemente destinada a despertar a atenção. Não é meramente a linguagem elevada da poesia. Ana, descobriremos, obteve sua resposta no e vindo do “lugar secreto do trovão”. Ela teve que abandonar todas as esperanças das leis naturais, e isso dá sentido e força a essa marcante expressão. Jó descreve bem o poder de Deus conforme manifestado na natureza. Ele expõe isso em estilo magnífico em sua resposta a Bildade em Jó 26. O último é o versículo que coroa tudo: “Eis que estes são os limites de Seus caminhos; mas que sussurro de palavra ouvimos d’Ele! E o trovão de Seu poder, quem pode entender?” (Jó 26:14 – JND).


As respostas às orações de fé

Nestas duas passagens da Escritura, temos Suas obras na natureza e a revelação d’Ele que essas obras produzem diferenciadas de Sua resposta ao clamor de Seu povo em apuros e o consequente conhecimento que eles tinham d’Ele. Como o soar de um sussurro, assim é o testemunho de Deus nas obras da natureza, por mais maravilhosas que sejam. Como a voz do trovão, assim é Sua resposta à oração que crê. É impossível para o que pede não ouvir e não se regozijar: “Deus... existe, e que é galardoador dos que O buscam” (Hb 11:6). À medida que o naturalista prossegue em suas pesquisas, ele deve discernir as fronteiras dos caminhos de Deus, captar algum sussurro d’Ele, mas não é assim que o Senhor responde ao chamado de Seu povo em apuros. Eles comandam o trovão de Seu poder e aprendem a entendê-lo e a louvar Aquele de Quem é a voz.


Ana tinha um problema que nenhuma ciência poderia resolver; no entanto, o futuro da nação, e podemos dizer do mundo inteiro, dependia de sua solução. A mais rica provisão de misericórdia para o homem no homem havia falhado. O sacerdócio, totalmente corrupto, ensinou o povo a transgredir, e um abrangente julgamento era iminente. Deve-se confiar em Deus para que aja fora do curso da natureza, como no caso de Abraão: “Deus, o Qual vivifica os mortos” (Rm 4:17). A negação dos milagres é uma tentativa de silenciar a voz do Todo-Poderoso, uma tentativa tão cruel para o homem quanto audaciosa para Ele. Se Ana tivesse sido mãe, como Penina, ela teria sido grata ao Senhor, mas nunca O teria adorado nos magníficos acordes de seu cântico. Não foi um mero sussurro d’Ele que evocou tais notas arrebatadoras de louvor. Em seu Samuel (pedido a Deus), ela ouviu Sua voz, não nas leis da natureza, mas respondendo às suas lágrimas e aos seus clamores desde o “lugar secreto do trovão”. Quem dera todos nós soubéssemos mais sobre isso! Há poucos agora, é de se temer, que têm a singularidade de propósito de Ana em seus desejos – poucos que fazem tais orações ou que podem entoar tal cântico. O Senhor multiplique tais indivíduos, pois nunca foram tão necessários.


W. Barker (adaptado), Bible Treasury, vol. 18

 

Lágrimas de Ana


A respeito de Ana, lemos em 1 Samuel 1:6-7: “Sua competidora excessivamente a irritava … quando ela subia à casa do Senhor”. Que estado de coisas é este – esta mulher de fé, sendo tão testada! Ela sobe à casa do Senhor, onde deveria ter tido alívio, mas, em vez disso, a escuridão das dúvidas apresentadas pelo adversário quanto à bondade de Deus atormentava cada pensamento dela. Sem dúvida, ela tinha grande confiança em Deus, mas mesmo os filhos de Deus mais fiéis estão sujeitos a dúvidas e perguntas que, se não julgadas, nos tirariam da segurança e do gozo de Sua presença.


Seu marido

O primeiro a ouvi-la chorar é o seu marido, que tem coração e vontade de lhe dar o que puder. O problema era que ele tinha a capacidade de ouvir e entrar no choro dela, mas não tinha recursos para atender a sua necessidade. A única coisa que ele poderia oferecer a ela era dele mesmo e limitado à sua própria experiência. “Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1 Sm 1:8). Quantas vezes nos voltamos para outra pessoa bem-intencionada – alguma outra fonte de conforto –, enquanto ignoramos o fato de que os recursos desses consoladores são tão limitados quanto os nossos.


O mal-entendido de Eli

A segunda pessoa a ouvi-la chorar foi Eli, e talvez ele não achasse possível que alguém verdadeiramente piedoso viesse orar no templo, pois ele havia se transformado em uma sede do mal. Ele pensou que ela era apenas mais uma pessoa bêbada e perturbada. Ele tinha os recursos, mas a incapacidade de ouvir. Quantas vezes buscamos consolo em uma fonte que não podia penetrar na amargura de nossas próprias almas! “O coração conhece a sua própria amargura” (Pv 14:10). Em vez de consolo, recebemos críticas ou uma desconsideração da dor que estamos sentindo.


O Senhor ouviu

Ah, mas o terceiro ouvido que ouviu seu clamor foi o do Senhor. Ana diz em 1 Samuel 1:26-27: “eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR. Por este menino orava eu; e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu Lhe tinha”. Sim, Eli ficou por perto, mas ela o ignora e dá todo o crédito ao Senhor. Foi o Senhor Quem a ouviu, mas só Ele poderia responder à sua dor. Somente o Senhor poderia preencher o vazio.


Minhas lágrimas em Teu odre

Quantas vezes somos como Ana, esquecendo que somos “um com Ele” e que nossas lágrimas são Suas lágrimas. Ele nos comprou com Seu próprio sangue. “Põe as minhas lágrimas no Teu odre” (Sl 56:8). Que sejamos como a sunamita em 2 Reis 4, que contornou os dois primeiros “altares” e não se contentou até que ela se curvou aos pés do Doador de todo o bem e que fez da dor dela a Sua dor. Que possamos nos lembrar de apresentar nossas lágrimas e nossas tristezas somente em nosso verdadeiro altar. É lá, e somente lá, que encontraremos graça para nosso tempo de necessidade e provisão divina que nos dará consolo duradouro.


“Aquele que confia em Jeová, a benignidade o cercará” (Sl 32:10 – TB).


“Confiai n’Ele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante Ele o vosso coração” (Sl 62:8).


“Bendito seja o Deusde toda consolação” (2 Co 1:3).


D. Jacobsen

 

Oração de Ana


Muitas vezes falamos do cântico de Ana, mas na Escritura lemos: “Então, orou Ana” (1 Sm 2:1). Podemos nos perguntar por que sua ação de graças é chamada de oração. É muito significativo que foi em Siló, na reunião anual de adoração e sacrifício ao Senhor, que a dor de Ana era inconsolável. Quando seu marido a pressionou a participar dos sacrifícios de suas ofertas pacíficas, ela só pôde chorar; ela não podia comer. E por quê? A oferta pacífica tinha um significado especial, pois nela o Senhor condescendeu em trazer os adoradores à comunhão com Ele. Uma porção selecionada era chamada de “manjar da oferta” e devia ser consumida no holocausto e com a oferta de manjares, antes que eles ou os sacerdotes participassem do que lhes era reservado. Tudo apontava para Cristo e para o infinito deleite que Deus encontrou n’Ele – em Sua vida e morte - e os crentes, redimidos por Seu sangue, deveriam participar desse deleite divino. Poderia haver comida para Ana nesta oferta se não houvesse para o Senhor?


O estado das coisas em Siló

Qual era então o estado das coisas em Siló? Os sacerdotes abertamente deixaram de lado a vontade revelada de Deus e instituíram um costume próprio (1 Sm 2:13-17). O adorador consciencioso pode pleitear que Deus seja honrado pela obediência à Sua Palavra, mas ele pleiteia em vão. Mais do que isso, os sacerdotes, com violência insolente, tomavam das ofertas tudo o que desejavam – “Agora a hás de dar; e, se não, por força a tomarei” era a ameaça deles. Até mesmo o sumo sacerdote Eli, embora protestasse, permitiu que essas coisas continuassem e tornou-se participante do pecado. “honras a teus filhos mais do que a Mim”, disse-lhe o Senhor, “para vos engordardes do principal de todas as ofertas do Meu povo de Israel” (1 Sm 2:29).


Como aqueles que temiam a Deus poderiam ter comunhão com tudo isso? Os homens abominavam a oferta do Senhor, e os que prosseguiam com a forma exterior o faziam com impiedosa indiferença à santidade de Deus e à autoridade de Sua Palavra. Este foi o caso de Penina, que aproveitou esta oportunidade pública para provocar Ana; e com mais confiança, pois ela poderia apontar para seus muitos filhos como prova da bênção do Senhor, enquanto a esterilidade de Ana deve ser uma indicação segura de Seu desagrado. Isso intensificou, não apenas sua dor, mas seu isolamento. No meio de uma multidão de adoradores externos e na presença de Eli ela estava sozinha, mas sozinha com Deus.


O sacerdócio

Ainda assim, ela estava sob a lei, e o sacerdócio levítico ocupava um lugar de grande importância em conexão com a lei. O sumo sacerdote intercedeu por eles, obteve conselho do Senhor para eles e no dia da expiação os representou. Mas Ana teve de corrigir Eli, embora com mansidão, como lhe convinha, e ele aceitou a repreensão. Pessoalmente, Eli era piedoso e gracioso, embora sua fraqueza culposa como sumo sacerdote, juiz e pai trouxesse julgamento sobre si mesmo e sua casa.


Oração por um filho

Sozinha, Ana implorou ao Senhor, e podemos deduzir de seu voto muito do que estava exercitando sua alma. Havia a ausência do eu, uma coisa muito abençoada na oração; toda a sua preocupação era com a glória do Senhor e o serviço de Seu povo. Ela ansiava por um filho, para que pudesse dá-lo ao Senhor para ser um meio de bênção para Israel, numa época em que aqueles que haviam sido dados para esse fim estavam servindo a si mesmos. Sendo seu marido da tribo de Levi, esse desejo estava de acordo com o espírito da lei (Números 3), mas há algo extremamente comovente em sua oração. Ela implorou por apenas um filho: “SENHOR dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da Tua serva, e de mim Te lembrares, e da Tua serva te não esqueceres, mas à Tua serva deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha” (1 Sm 1:11). Estavam corrompidos o serviço e a adoração a Deus pelos levitas? Embora ainda no início da história de Israel, parece que sim. Certamente o Espírito de Deus nas orações e lágrimas de Ana estava expressando as necessidades do remanescente piedoso naquele povo, e também encorajando todos na mesma tristeza na Igreja de Deus.


Esperança para a nação

Agora entramos em uma cena de grande interesse. Em meio aos males e à previsão de julgamentos iminentes daquela triste época, ela e Samuel parecem ser a única esperança para a nação. Sansão havia falhado com sua grande força, e Eli em sua posição exaltada. Que esperança pode haver em uma mulher fraca e em uma criança ainda mais fraca? A resposta certamente está em oração, e nisso Ana e Samuel são um; Samuel é a continuação de Ana. Se ignorarmos a divisão dos capítulos um e dois, podemos ler: “E ele adorou ali ao Senhor. Então orou Ana” (1 Sm 1:28-2:1). Antes de deixar a criança em Siló, nós os vemos adorando juntos. Foi um momento doloroso para uma mãe, mas sua vontade foi quebrada e seu coração estava cheio. Ela, com efeito, começa as orações e o serviço de seu filho com seus louvores, pois a ação de graças é inseparável de tais orações.


A Salvação do Senhor

O fundamento de tudo é a conhecida e desfrutada salvação do Senhor. Por causa disso, seu coração exultou n’Ele, como as hostes celestiais, em Sua santidade. Sem Sua salvação, o que vale a prosperidade natural de Penina, ou mesmo a exaltada posição dos sacerdotes? Não são essas coisas externas que são consideradas, mas ações, pois o Senhor é um Deus de conhecimento. Por que então as vantagens externas são tão cobiçadas pelo homem? Os arcos dos poderosos serão quebrados, os cheios ficarão vazios, os frutíferos definharão. A graça, por outro lado, levanta os caídos e os cinge com força, os famintos são satisfeitos, as estéreis se alegram com os filhos. Assim, o caminho do Senhor é humilhar aqueles que Ele exaltará, abaixar aqueles que Ele vai levantar. Onde o propósito e o orgulho do homem murcham, a fé pode crescer, e “o coração dos sábios está em casa de luto” (Ec 7:4). Ana provou isso, e ela os vê, embora humildes aqui – feitos para sentar-se com príncipes e herdar o trono de glória. Esta é a salvação como Ana a conhecia, vinda d’Aquele que tão ternamente tratou com ela.


E então aqueles que o rejeitam ou negligenciam? Como eles vão escapar? Se estiverem vivos quando o Senhor vier reivindicar a Terra, eles serão despedaçados (Salmo 2), enquanto os mortos serão julgados diante do grande trono branco. Ana parece distinguir, assim, entre “os que contendem com o Senhor” – aqueles que estarão dispostos contra Ele para a batalha – e “os ímpios” – todos aqueles sem Cristo. Nós também fazemos esta distinção clara, do preciso ensino de Apocalipse 19:11-21; 20:11, 15.


Louvor

Mas o julgamento não é um final adequado para declarações exaltadas como essas; consequentemente, "o Seu Ungido" – o Messias, é introduzido. Antes que ela orasse, o novilho que ela trouxera com seu filho havia sido sacrificado, e o testemunho dos sofrimentos de Cristo e Sua obra expiatória havia sido dado. Ela não pode encerrar sua oração sem falar das glórias que se seguirão: “o SENHOR ... dará força ao Seu Rei, e exaltará o poder do Seu Ungido” (1 Sm 2:10). Quando consideramos os tempos e pensamos na fraqueza da mulher, esta é uma porção maravilhosa da Palavra de Deus, mas tornada por Deus a primeira das bênçãos para Seu amado povo, que estava em um estado humilde. A princípio, Ana ficou sobrecarregada com as dificuldades. Quando ela encontrou toda a sua força no Senhor, tão grande foi seu gozo n’Ele, que em toda essa oração ela nunca nomeou ou mesmo mencionou seu filho. Com nossa maior luz e privilégios, quão poucos são como ela nisso! Quão importante é para nós estar na brilhante certeza da salvação, ter o coração cheio de louvor e contemplar a glória!


W. Barker (adaptado)

 

Poder da Fé - O Cântico de Ana


É somente quando entramos no futuro que obtemos poder para caminhar com firmeza no caminho correto no presente. É o que está além da cena presente que deve tomar posse do coração e formar a base de nosso poder espiritual aqui neste mundo presente. E é maravilhoso o poder que isso dá, se o coração estiver nisso!


Há palavras quase iguais usadas no cântico de Ana como no de Maria em Lucas 1. Há a maior fraqueza humana possível em ambos os casos, mas também temos o que dá grande poder, que é fé. Devemos olhar para o que está diante de nós, se quisermos andar corretamente no presente. Aqueles que brilhavam dessa maneira geralmente eram aqueles que tinham uma grande apreensão dos propósitos de Deus para Seu povo. A fala de Ana é notável – uma fonte de louvor e inteligência. Isso traz toda a força dessa palavra: “O segredo do SENHOR é para os que O temem; e Ele lhes fará saber o Seu concerto” (Sl 25:14). A glória estava prestes a partir de Israel, mas no meio de tudo isso temos uma mulher de fé, e foi a fé dela mesma, pois nem a fé de Elcana nem a de Eli perceberam isso. A fé de Ana foi muito além de toda a ruína. Não foi apenas o nascimento de uma criança, mas Deus estava prestes a trazer uma libertação para Israel e, finalmente, para toda a criação de Deus. Quando ela diz: “Meu coração exulta no Senhor”, ela está fora de suas circunstâncias imediatas. As últimas notas de seu cântico abordam a extremidade do tempo e os propósitos de Deus em relação à criação.


A confirmação da promessa

É importante para nós não limitarmos nossos pensamentos pelas pequenas circunstâncias que nos cercam; Deus tem conselhos sobre a Igreja, o mundo e a criação, e podemos tomar essas coisas em espírito. Não há uma única promessa que Deus tenha feito em Sua Palavra que não seja nossa em Jesus Cristo. Cada promessa de Deus é nossa n’Ele. O que nos permite guardar a palavra de Sua paciência é a certeza de que todas essas coisas já são nossas. Não somos apenas como aqueles que esperam algo incerto; temos a confirmação da promessa na Pessoa do Senhor Jesus Cristo.


Pelo menos seis vezes Samuel é mencionado como aquele que estava na casa do Senhor, ministrando ali e crescendo lá. Quão poucos em Israel pensaram alguma coisa sobre Samuel então ou o conectaram com a destruição dos filisteus e com o estabelecimento do conselho de Deus! E quando Simeão tomou o Senhor Jesus em seus braços, quem relacionou o vindouro dia de glória com aquela pequena Criança? Fé apenas. O segredo do Senhor está com aqueles que O temem, e que maravilhoso segredo é esse! Podemos ficar desanimados se olharmos para as coisas ao nosso redor, mas observe a fé de Ana e Maria – corações transbordando em louvor e olhando para o fim dos tempos. Quaisquer que sejam as circunstâncias, temos Cristo à direita de Deus – a âncora da alma – e temos o segredo do Senhor, Seus pensamentos e conselhos. Não vamos nos limitar a nossas pequenas circunstâncias, mas lembre-se de que estamos ligados a todos os interesses do Senhor Jesus Cristo.


C. McAdam, Christian Truth , vol. 11

 

Mical, Filha de Saul


Quando lemos a história de Mical, filha de Saul, ela parece ser uma figura desprezível. No entanto, se lermos toda a história, fica claro que ela também foi uma mulher que teve grandes oportunidades – oportunidades que ela desperdiçou porque não era uma mulher de Deus. Dessa forma, ela serve de advertência para todos nós, pois, embora não sejamos responsáveis pelas forças que agem sobre nós durante nossos anos de formação, somos responsáveis diante de Deus pela maneira como reagimos às circunstâncias de nossa vida.


Lemos pela primeira vez sobre Mical em 1 Samuel 14:49, onde ela é mencionada como a filha mais nova do rei Saul, sendo sua filha mais velha Merabe. Mais tarde, quando Golias se apresentou a Israel, exigindo um homem para lutar com ele, Saul prometeu, entre outras recompensas, dar sua filha como esposa ao homem que matasse Golias. Quando Davi o matou, foi prometida a ele a filha de Saul, Merabe (1 Sm 18:17), mas então Saul decidiu entregá-la a outro homem. No entanto, Saul foi informado de que sua filha Mical realmente amava Davi, e Saul propôs dá-la a Davi em vez de Merabe.


Dada a Davi como esposa

Em ambas as uniões propostas, no entanto, Saul estava claramente usando suas filhas como peças em sua trama para tentar fazer com que Davi fosse morto pelos filisteus. Ele pouco se importava com os sentimentos delas, mas disse a respeito de Mical: “Eu lha darei, para que lhe sirva de laço e para que a mão dos filisteus venha a ser contra ele” (1 Sm 18:21). Embora percebamos que esse tratamento humilhante das mulheres não era incomum no Velho Testamento, as duas jovens devem ter se sentido desvalorizadas pelo fato de seu pai se desfazer delas apenas para seus próprios fins.


No entanto, é claramente afirmado que “Mical, a outra filha de Saul, amava a Davi” (1 Sm 18:20). O quão profundo foi esse amor é questionável. A Escritura não diz isso explicitamente, mas em vista de sua conduta subsequente, o amor de Mical parece ter sido bastante superficial – o tipo de atração que uma jovem pode ter por um herói popular, que acabara de se destacar matando um gigante inimigo sozinho, com suas mãos. No entanto, ela se tornou esposa de Davi, e por um tempo eles evidentemente viveram juntos.


Ela salvou a vida dele

Encontramos Mical mencionada novamente pouco tempo depois, quando o ódio de Saul por Davi aumentou a ponto de ele tentar matá-lo. Durante esse tempo, Mical ajudou Davi a escapar das mãos de Saul, primeiro advertindo-o e depois deixando-o sair de casa por uma janela. Ela então fez uma imagem para colocar na cama dele e disse que Davi estava doente. Ela mentiu novamente mais tarde, dizendo a seu pai que Davi a forçou, sob ameaça de morte, a ajudá-lo a escapar.


O que é digno de nota aqui é que o amor de Mical por Davi não era profundo o suficiente para segui-lo na sua rejeição. Ela o ajudou a escapar das mãos de seu pai, mas permaneceu onde estava. Nisso ela era muito diferente de Abigail, que prontamente deixou um lar rico e seguiu Davi na sua rejeição. Davi posteriormente tornou-se um fugitivo por vários anos, e Mical foi dada a outro homem como sua esposa. Aqui estava outro movimento errado da parte de Saul, pois está explicitamente registrado que “Saul tinha dado sua filha Mical, mulher de Davi, a Palti, filho de Laís” (1 Sm 25:44). Novamente, Mical provavelmente não teve voz no assunto.


Reunida com Davi

Vemos Mical novamente unida a Davi quando Abner propôs ajudar Davi a se tornar rei de todo o Israel. Davi concordou em aceitar a ajuda de Abner, mas uma de suas condições era que sua esposa Mical fosse devolvida a ele. Consequentemente, ela foi tirada de seu segundo marido e reunida a Davi (2 Sm 3:13-16). Se foi sábio para Davi insistir nisso é novamente questionável, pois ele se casou com duas outras esposas durante sua rejeição. Parece que Mical e seu segundo marido estavam felizes um com o outro e provavelmente viveram juntos por 10 a 15 anos.


Mical desprezou o rei Davi

Finalmente, vemos Mical algum tempo depois, quando Davi trás a arca de Deus a Jerusalém, para guardá-la em uma tenda que ele havia preparado para ela. Ela esteve na casa de Abinadabe em Quiriate-Jearim por muitos anos, e Davi e os anciãos de Israel queriam trazê-la para Jerusalém. O evento foi uma ocasião de gozo e foi acompanhado por danças, júbilo, música e sacrifícios. Davi participou livremente de tudo isso, e a Escritura registra que “Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo o rei Davi, que ia bailando e saltando diante do SENHOR, o desprezou no seu coração” (2 Sm 6:16). Mais do que isso, ela confrontou Davi com seu sarcasmo e desprezo, e ela obviamente sentiu que tudo isso estava abaixo de sua dignidade como rei.


O que é significativo aqui são duas coisas. Em primeiro lugar, é evidente que Mical não participou da alegria, embora milhares tenham se reunido, a convite de Davi, para compartilhar a alegria de trazer a arca para Jerusalém. Em segundo lugar, ela não podia entrar na alegria de seu marido, pois seu coração estava nas coisas naturais, não no Senhor. A resposta de Davi às acusações dela foi simples: “perante o Senhor me tenho alegrado” (2 Sm 6:21). O que era devido ao Senhor não dependia da aprovação do homem; Davi expressaria sua alegria no Senhor de maneira prática, mesmo sendo Ele o rei. O triste final da atitude de Mical e palavras duras sobre a alegria de Davi foi que ela caiu sob o governo de Deus, e está registrado que “Mical, filha de Saul, não teve filhos, até ao dia da sua morte” (2 Sm 6:23).


Em tudo isso, vemos uma mulher que poderia ter sido a esposa de Davi e muito possivelmente ter tido um lugar na linhagem real de nosso Senhor Jesus. Se ela estivesse disposta a seguir Davi em sua rejeição e aprender com ele como confiar no Senhor e amá-Lo, sua vida poderia ter sido muito diferente. Mas, como seu pai, ela preferia as coisas deste mundo, e não há registro de que o Senhor tenha significado algo para ela. Ela recebeu verdadeiras oportunidades, mas as jogou fora. Sua vida é uma lição para todos nós.


W. J. Prost

 

Abigail


Entrelaçados na história da conturbada vida de Davi, existem muitos excelentes caracteres, mas não há um, talvez, que tenha um caráter mais bonito do que Abigail, a carmelita. Seu nome significa “causa de deleite”, e certamente sua história prova que ela era uma fonte de deleite para o coração de Davi.


No momento em que ela entra em cena, Davi, embora o ungido do Senhor, é um homem perseguido, escondido nas cavernas da Terra, embora cercado por um bando de fiéis seguidores (1 Sm 22:1-2). No decorrer de suas andanças, ele e seus seguidores fizeram o bem, pois os pastores de Nabal, marido de Abigail, reconheceram que Davi e seus homens “têm-nos sido muito bons”. Eles protegeram seus pastores e seus rebanhos noite e dia, de modo que, enquanto Davi e seus homens estivessem por perto, eles não perderam nada.


Nabal

Este Nabal era um homem rico e de alta posição social. Ele era, aos olhos do mundo, um homem “mui poderoso” – alguém que podia receber visita como um rei (1 Sm 25:2-3, 36). Aos olhos de Deus, entretanto, ele era um homem grosseiro e “maligno em obras” – alguém que não tolerava interferência de outros. Ele professa não ter conhecimento de Davi, pois pergunta: “Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé?” Sem dúvida, ele sabia da grande vitória de Davi sobre Golias e como as mulheres cantaram seus louvores, mas parece que ele considerava Davi como alguém cuja cabeça foi virada por seus grandes feitos e canções de mulheres e, aspirando ao trono, tornou-se um servo rebelde que se separou de seu mestre, o rei Saul. Se algum relato da unção de Davi por Samuel chegou aos seus ouvidos, ele evidentemente o tratou com total indiferença. Para Nabal, Davi era apenas um servo fugitivo.


Bom entendimento

Quando Davi apela a Nabal, em um dia de abundância, para fazer alguma recompensa pelos benefícios recebidos, os jovens de Davi são expulsos com insultos. Davi, indignado com tal tratamento, se prepara para se vingar. Isso traz Abigail para a cena. Ela é descrita como uma mulher formosa e “de bom entendimento”. Ela evidentemente havia considerado o povo e eventos de sua época, e o Senhor lhe dera entendimento. Ela ouve falar da loucura de seu marido por um dos jovens de sua casa e imediatamente age com fé, sem consultar o marido. A natureza podia ver em Davi apenas um servo fugitivo; a fé vê, no perseguido e necessitado Davi, o rei vindouro. Assim, ela assume seu lugar como súdita do rei e age com deferência em sua presença. Ela prepara seu presente e, tendo encontrado Davi, caiu a seus pés, prostrou-se até o chão e reconheceu Davi como seu senhor. Ela fica do lado de Davi contra seu marido e o rei Saul. Ela reconhece que Nabal, embora seu marido e um grande homem no mundo, está agindo de maneira ímpia e tola, e que Saul, embora seja o rei reinante, é apenas “algum homem” que se opõe ao ungido de Deus. Ela vê que Davi, embora caçado e em pobreza, sua vida está “atada nos feixe dos que vivem” e vindo para uma herança gloriosa.


O dia da rejeição

Como Jônatas, ela tinha uma posição elevada neste mundo como esposa de um homem “mui poderoso”, mas, em contraste com Jônatas, ela não foi impedida, por sua posição social, de se identificar com Davi no dia de sua rejeição. Em vista daquela glória e em confiança no rei, ela pode dizer: “quando o SENHOR fizer bem a meu senhor, lembra-te, então, da tua serva”. Essas palavras lembram aquela cena muito maior, quando um ladrão à beira da morte, olhando além das terríveis circunstâncias do momento para a glória vindoura, com confiança no Rei, pôde dizer: “lembra-Te de mim quando vieres no Teu reino” (Lc 23:42 – ARA). Assim, a nobre Abigail e o ladrão humilde, com a mesma fé, olham além do presente e agem e falam à luz do futuro. O futuro justifica a fé deles. Davi, embora em circunstâncias de deserto, age com dignidade real, como um rei com um súdito. Ele dispensa Abigail com sua bênção depois de ter aceitado seu presente, ouvido seus pedidos e aceitado sua pessoa.


Fim de Nabal

Voltando para o marido, Abigail o encontra se rebaixando em um banquete de bebedeira. Quando sóbrio, ele é informado do que aconteceu, e imediatamente “se amorteceu nele o seu coração, e ficou ele como pedra”. Cerca de dez dias depois o Senhor o feriu. Tendo obtido sua liberdade pela morte, Abigail se torna a esposa de Davi. Ela deixa sua alta posição, com sua facilidade e conforto, para se associar a Davi em seus sofrimentos e peregrinações. Nesse novo caminho, ela realmente conhecerá sofrimento e privação, até ser levada cativa pelos inimigos de Davi em Ziclague. Mas ela também compartilhará seu trono no dia de seu reinado em Hebrom (1 Sm 30:5; 2 Sm 2:2).


Filho Maior de Davi

Nesta comovente história, vemos um prenúncio do Filho maior de Davi – Aquele que foi desprezado e rejeitado pelos homens. É verdade que há muito em Davi que o revela como um homem de paixões semelhantes às nossas; ele pode, em um momento precipitado, cingir sua espada para se vingar de Nabal. Pedro, com o mesmo espírito, desembainhará sua espada para defender seu Mestre. Mas o próprio Cristo, na presença de Seus inimigos, dirá: “Mete a tua espada na bainha”. Em cada figura existem esses contrastes, servindo apenas para mostrar que nenhuma figura pode apresentar plenamente a perfeição de Jesus. Cristo é a substância, e somente Ele é perfeito.


Se em Davi podemos ver uma figura de Cristo, vemos em Nabal uma imagem da atitude do mundo para com Cristo, seja nos dias de Sua carne ou durante Sua posição atual à direita de Deus. É um mundo voltado para o ganho presente, festa e prazer. Por tal mundo, Cristo é um Homem desprezado e rejeitado – Aquele em Quem não vê beleza e de Quem não sente necessidade. De fato, pode assumir uma profissão cristã, mas, embora se revista do nome de Cristo, coloca o próprio Cristo fora de suas portas. No entanto, tal é a longanimidade da graça de Cristo que, como Davi apelou a Nabal, mesmo assim Ele está à porta da igreja professa e bate.


Comunhão com os sofrimentos de Cristo

Se, no entanto, no meio desta Cristandade que rejeita a Cristo, houver alguém que ouça Sua voz e abra a porta para Cristo, quão rica será sua bênção! No presente, tais pessoas conhecerão a doce comunhão com Ele no dia de Sua rejeição, pois o Senhor pode dizer àquele que Lhe abre a porta: “entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, Comigo” (Ap 3:20). No futuro, aqueles que cearam com Cristo no dia da Sua rejeição reinarão com Ele no dia da Sua glória, pois o Senhor pode dizer: “Ao que vencer, lhe concederei que se assente Comigo no Meu trono” (Ap 3:21).


De tudo isso, Abigail foi um exemplo brilhante. Quando o mundo de sua época bateu a porta na cara de Davi, ela abriu sua porta e colocou sua generosidade à disposição dele. Ela teve sua brilhante recompensa, pois desfrutou de doce comunhão com Davi como sua esposa, no dia de sua reprovação; ela se sentou com ele em seu trono, no dia de sua glória.


Feliz é o vencedor

Feliz de nós se aceitarmos o aviso de Nabal e seguirmos o exemplo de Abigail. Felizes, de fato, se nos separarmos de todo o coração das corrupções da profissão Cristã, a fim de nos reunirmos a Cristo no lugar exterior de Sua reprovação. A Cristandade está fazendo grandes esforços para produzir uma unidade profana, na qual o próprio Cristo estará fora. Eles terão se unido para serem vomitados da boca de Cristo. É bom que os verdadeiros santos sejam despertados para a solenidade do dia em que vivemos e ouçam a voz do Senhor quando Ele diz: “Sai dela, povo Meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas” (Ap 18:4).


Aqueles que obedecem às palavras do Senhor descobrirão, assim como Abigail em seus dias, que os laços da natureza, posição social e autoridades religiosas mundanas terão de ser superados. Se, no entanto, como Abigail formos vencedores, encontraremos o lugar exterior com Cristo, uma das mais profundas bênçãos presentes e da mais alta glória futura.


H. Smith (adaptado)

 

O Caráter de Bate-Seba


Quando o nome de Bate-Seba é mencionado na Palavra de Deus, notamos que muito pouco, ou nada, é explicitamente dito sobre seu caráter. Sua beleza é mencionada quando Davi a notou pela primeira vez se banhando, e está claro que, como mulher madura, ela foi capaz de interceder por seu filho Salomão quando seu meio-irmão Adonias tentou usurpar o reino no final da vida de Davi. Mas, além dessas observações, nada é dito sobre sua personalidade, temperamento ou espiritualidade. Sempre que se fala dela, é em conexão com outra, e mesmo no Novo Testamento, na genealogia de nosso Senhor, ela é referida simplesmente como “da que foi mulher de Urias” (Mt 1:6). No entanto, podemos certamente extrair algo das várias referências a ela e podemos ter certeza de que ela era uma mulher de fé.


Quando Davi a notou pela primeira vez, ela estava se lavando (ou tomando banho), provavelmente ao ar livre, atrás de sua casa, e provavelmente a única maneira de alguém poder vê-la era de cima. Alguns têm avançado com a ideia de que ela era possivelmente uma gentia, já que seu marido Urias era um heteu, mas como a Escritura é omissa sobre esse ponto, podemos descartar esse pensamento como irrelevante. Outros a caracterizaram como uma sedutora, que tomava banho dessa maneira propositalmente para atrair o tipo errado de atenção para si mesma. Não há evidência bíblica para isso, e acredito que também podemos descartar esse pensamento. De fato, tudo o que a Escritura diz sobre seu encontro com Davi e o adultério subsequente aponta para ela como uma vítima da concupiscência de Davi, onde havia um grande desequilíbrio de poder. Quando ela foi convocada para comparecer perante Davi, ela não pôde recusar e, embora pudesse ter resistido aos avanços dele, novamente, o desequilíbrio de poder teria dificultado isso. Não que a desculpemos; apenas retratamos a situação como aconteceu.


Seu casamento com Davi

O que é mais impressionante sobre o relacionamento dela com Davi é que, depois que Urias foi morto, Davi não a rejeitou como algo sem valor. Ele se casou com ela e, mesmo depois que seu primeiro filho morreu com apenas uma semana de idade, ele teve vários outros filhos com ela. Davi estava evidentemente muito apaixonado por ela e a tratou bem como sua esposa.


Mais do que isso, descobrimos que ela deu a Davi outro filho, Salomão, que significa “pacífico”. Está registrado que “o Senhor o amou” (2 Sm 12:24) e enviou o profeta Natã, que acrescentou outro nome, Jedidias, que significa “amado de Jeová”. Bate-Seba também teve outros filhos, incluindo um que se chamava Natã, sem dúvida em homenagem ao profeta Natã (Seu nome é encontrado na genealogia de nosso Senhor no evangelho de Lucas, que é geralmente aceito como sendo a genealogia de Maria). Por causa do amor especial e favor do Senhor concedido a Salomão, ficou claro para Davi que ele o sucederia como rei. Novamente, embora a Escritura não o diga explicitamente, tudo isso certamente indicaria que houve, da parte de Bate-Seba, um arrependimento completo por seu adultério com Davi e a manutenção de uma caminhada piedosa perante o Senhor.


Integridade moral e sabedoria

No entanto, o que realmente confirma seu caráter, integridade moral e sabedoria é encontrado em Provérbios 31. Aqui nos são dadas as palavras do rei Lemuel, que quase certamente é o rei Salomão. Lemuel significa “criado para Deus” ou “dedicado a Deus”, e o nome Lemuel pode muito bem ter sido um nome afetuoso com o qual Bate-Seba chamava a Salomão. A mãe é evidentemente Bate-Seba, e o que ela ensinou a ele é caracterizado como uma profecia. Ao criar Salomão, acredito que Bate-Seba estava na corrente dos pensamentos de Deus e percebeu que um dia seu filho seria rei sobre todo o Israel. Assim, ela teve o cuidado de instruí-lo bem e, para fazer isso, ela deve ter recebido a sabedoria do Senhor.


Seus avisos

Em primeiro lugar, ela lhe dá três advertências solenes. Ele deveria evitar mulheres com moral frouxa que o levariam a um comportamento pecaminoso, ele deveria evitar o uso excessivo de álcool e ele deveria ter o cuidado de realizar julgamentos justos em seu reino. Tudo isso é muito importante, pois quantos governantes nos anais da história tropeçaram ao permitir que uma ou mais dessas coisas arruinassem suas vidas! Já é bastante ruim quando um indivíduo na vida privada se envolve nessas coisas, mas quando um governante se permite cair em tais pecados, todo o seu reino é afetado. É muito significativo que a primeira dessas advertências diga respeito à imoralidade, que bem sabemos caracterizara Davi e Bate-Seba em seu relacionamento inicial. Na época em que este capítulo foi escrito, Salomão e Bate-Seba certamente haviam testemunhado os desastres na família de Davi que resultaram disso, e Bate-Seba deu um aviso necessário a seu filho.


“Uma mulher virtuosa”

Do versículo 10 até o final do capítulo, encontramos as características de “uma mulher virtuosa” – provavelmente a descrição mais completa do espírito e disposição adequados de uma mulher piedosa encontrada em toda a Bíblia. Tudo isso saiu da boca de Bate-Seba e certamente indica um coração que seguia o Senhor e um desejo de ver seu filho segui-Lo também. Ela menciona vários atributos importantes e, como os princípios morais de Deus não mudam com as dispensações, essas características são válidas para sempre.


Em primeiro lugar, no versículo 10, ela tinha virtude: isto é, ela era pura; a palavra “virtuosa” implica força e coragem, pois é preciso coragem moral para viver de forma contrária ao espírito e ao estilo deste mundo. Então, nos versículos 11-12, ela era digna de confiança, especialmente em relação ao marido. Esta é uma característica que o marido valoriza muito e talvez seja superada apenas pela pureza. Terceiro, nos versículos 13-15, ela é trabalhadora. Ao governar sua casa, nada importante é negligenciado.


No versículo 16, descobrimos que ela tinha habilidade para negócios. Como já foi mencionado com frequência, a mulher não é inferior ao homem e, em certas áreas, a habilidade da esposa pode superar a do marido. Mas notamos que sua capacidade empresarial é exercida tendo como base a casa; era seu marido que era conhecido “nas portas” (v. 23), não ela. No versículo 18, ela tinha sabedoria e percepção; ela tem a confiança de que sua mercadoria era boa. No versículo 20 ela exibe sua bondade; ela percebe que nem todos são capazes de cuidar de si mesmos tão bem quanto ela cuida de sua casa e estende a mão aos pobres. No versículo 21 ela tem a precaução de se preparar para o inverno e preparar as coisas necessárias com antecedência. Em todas essas atividades, alguém notou que suas mãos são mencionadas sete vezes e sua boca apenas uma vez.


O caráter de uma mulher

Finalmente, encontramos talvez o melhor comentário de todos. Aqui estava uma mulher que a própria Escritura diz ser “mui formosa”, mas seu conselho para o filho não é olhar para a aparência exterior, mas sim para o caráter de uma mulher. “Enganosa é a graça, e vaidade, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada” (v. 30). Sem dúvida, seu marido a elogiaria, mas no versículo seguinte vemos o louvor que vem de suas próprias obras. Percebemos que é o marido dela que era conhecido “nas portas”, mas no versículo 31 lemos: “louvem-na nas portas as suas obras”. Certamente isso nos mostra que, embora Deus não pretendesse que a mulher assumisse o governo público, ainda assim seu governo consistente e piedoso do lar resultaria em “as suas obras” – isto é, seus filhos homens – sendo um crédito e louvor para ela, como eles assumiram responsabilidades como homens. No registro dos reis de Judá e Israel, na maioria das vezes o nome da mãe é mencionado, pois o Senhor sabe quanta influência ela exerce sobre seus filhos, seja para o bem ou para o mal.


Como já observamos, todos esses conselhos vieram de Bate-Seba. Isso nos confirma a obra de Deus que ocorreu em sua alma e que lhe deu graça, sabedoria e coragem moral para se encarregar da instrução de Salomão, que seria uma figura de Cristo em Seu reinado milenar.


W. J. Prost

 

Consertando Erros Pessoais


“Vendo, pois, Aitofel que se não tinha seguido o seu conselho ... foi para sua casa e para a sua cidade, e pôs em ordem a sua casa, e se enforcou: e morreu, e foi sepultado na sepultura de seu pai” (2 Sm 17:23).


Que triste fim para Aitofel, que era conselheiro do rei (1 Cr 27:33)! Seu conselho que ele deu naqueles dias era como se um homem tivesse consultado a Palavra de Deus (2 Sm 16:23). Evidentemente, ele era um homem de habilidade e utilidade incomuns para Davi, ocupando uma posição-chave no reino e muito respeitado por sua sabedoria. O que então aconteceu para levá-lo a um ponto tão baixo? Quando Absalão quis usurpar o trono, descobrimos que ele mandou chamar Aitofel (2 Sm 15:12), que evidentemente veio prontamente e com total apoio a Absalão. Mais do que isso, quando lhe pediram que desse conselho sobre o melhor meio de derrotar Davi, Aitofel não apenas aconselhou contra Davi, mas quis pessoalmente liderar um exército contra ele (2 Sm 17:13). Por que esse homem, tão próximo de Davi, se voltou tão completamente contra ele? Acredito que a resposta seja encontrada na comparação de 2 Samuel 11:3 e 23:34.


Relações familiares e armadilhas

Aitofel era o avô de Bate-Seba, esposa de Urias, o heteu. Ele provavelmente foi um dos poucos que conhecia toda a verdade sobre o pecado de Davi com Bate-Seba e sua subsequente tentativa de encobri-lo arranjando a morte do marido dela, Urias. Podemos apenas imaginar a desilusão e a raiva que tão facilmente devem ter enchido sua alma. Sem dúvida, ele sentiu que o pecado de Davi o tornava incapaz de ser rei por mais tempo. Quando Absalão, que parecia ser mais justo, apareceu, Aitofel prontamente o apoiou contra Davi.


Quão intensamente sentimos isso quando um erro grave é cometido, talvez por aqueles a quem mais respeitamos e confiamos! Quando o erro afeta um membro de nossa própria família, sentimos isso ainda mais. A ira por justiça surge em nossos corações e talvez nosso primeiro pensamento seja vingar o mal. Infelizmente tais coisas aconteceram muitas vezes na história do povo de Deus, seja em Israel ou na história da Igreja.


Não podemos defender as ações de Davi e descobrimos que o Senhor lidou com elas da maneira mais solene. O primeiro filho nascido de Davi e Bate-Seba morreu, e Davi também foi informado pelo profeta Natã que a espada nunca se afastaria de sua casa. Está claro que Deus não passou por cima do que Davi havia feito, embora tenha perdoado seu pecado (2 Sm 12:13).


Endireitando as coisas

No entanto, quantas vezes nós, como Aitofel, resolvemos o problema com nossas próprias mãos, em vez de contar com Deus para consertar as coisas! Aitofel parecia ter muita razão para suas atitudes e ações, mas ele agiu sem a mente de Deus e assim se rebelou contra o legítimo rei de Deus. Como Davi não levantaria a mão contra Saul, porque ele era o ungido do Senhor, assim Aitofel errou ao apoiar a rebelião contra Davi.


Semeando e colhendo

Como resultado, Deus permitiu que o bom conselho de Aitofel fosse rejeitado em favor do conselho de Husai. Sabendo muito bem que o resultado seria uma derrota certa para Absalão, Aitofel comete suicídio. Que isso seja uma lição para o nosso coração, se formos tentados a tentar corrigir um erro! Isso não significa que devemos tolerar o mal, seja individualmente ou na assembleia. Mas tomemos cuidado para não usar a energia humana para realizar o que só o Senhor pode fazer.


Perdoar e servir

Compare a história de Aitofel com a de seu filho Eliam. Não sabemos muito sobre ele, embora fosse o pai de Bate-Seba, conforme aprendemos em 2 Samuel 11:3. Não ouvimos falar dele novamente até que seja dado o registro dos valentes de Davi em 2 Samuel 23. É evidente que ele permaneceu fiel a Davi, embora tivesse ainda mais motivos para ficar perturbado do que Aitofel.


Ele não é mencionado em conexão com a rebelião de Absalão, mas é mencionado na lista dos valentes de Davi. Embora, sem dúvida, sentindo o mal causado à filha, ele evidentemente se submeteu ao que Deus havia permitido e continuou a servir a Davi. Como resultado, ele ocupa um lugar de honra em uma lista muito seleta daqueles que se destacaram no serviço de Davi. O mal feito a Eliam permaneceu e certamente ele não poderia esquecê-lo. A presença de Bate-Seba na corte de Davi seria uma lembrança contínua do que havia acontecido.


Erros corrigidos aqui ou ali?

Somente no final da vida de Davi é que Eliam é mencionado e seu nome honrado. Portanto, erros podem ser cometidos aqui, erros sérios, mas talvez tenhamos que esperar até o tribunal de Cristo para que sejam corrigidos. Certamente valerá a pena naquele dia, quando recebermos a aprovação de nosso bendito Mestre por nosso serviço a Ele. É fácil ser tentado a seguir outro caminho que pode parecer estar lidando com o mal, mas se for feito sem a mente do Senhor, não prosperará. Podemos muito bem nos encontrar como Aitofel, perdendo mais oportunidades de servir nosso Davi porque não deixamos os assuntos com o Senhor.


Bênção de falhas

É encorajador ver como Deus traz bênçãos mesmo em caso de falha tão grave. Sabemos que Salomão, herdeiro do trono de Davi, nasceu de Bate-Seba, e está registrado que o Senhor o amou (2 Sm 12:24). Além disso, notamos que Davi teve outros filhos com Bate-Seba, entre eles um chamado Natã (1 Cr 3:5). Podemos supor que ele recebeu o nome de Natã, o profeta que havia falado fielmente a Davi sobre seu fracasso. Este é provavelmente o mesmo Natã mencionado em Lucas 3:31.


É geralmente aceito que a genealogia em Mateus até Salomão é a genealogia de José, sendo a linhagem do rei legítimo. A dada em Lucas é provavelmente a genealogia de Maria, e é impressionante que ela também seja descendente de um filho de Bate-Seba, embora não de um que se sentou no trono.


Bem podemos dizer com o apóstolo Paulo: “Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis, os Seus caminhos!” (Rm 11:33). Que Deus nos dê a graça de nos submetermos aos Seus caminhos, sabendo que não são os nossos caminhos e que a verdadeira bênção está sempre em nos submetermos a Ele. Naquele dia tudo valerá a pena!


W. J, Prost

 

“Cante, Ó Estéril”


A mulher estéril é sempre apresentada na Escritura como figura da condição arruinada e desamparada da natureza. Não há capacidade de fazer nada para Deus – nenhuma energia para produzir qualquer fruto para Ele; tudo é morte e esterilidade. Essa é a verdadeira condição de todo filho de Adão. Ele não pode fazer nada por Deus nem por si mesmo, no que diz respeito ao seu destino eterno. Ele é enfaticamente “sem força”“uma árvore seca”. Tal é a lição que nos ensina a mulher estéril.


No entanto, o Senhor fez com que Sua graça superasse todas as fraquezas e necessidades de Ana, e colocou um cântico de louvor em sua boca. Ele a capacitou a dizer: “Meu poder está exaltado no Senhor: minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na Tua salvação” (1 Sm 2:1). É uma graça especial do Senhor fazer com que a mulher estéril se regozije. Só Ele pode dizer: “Canta alegremente, ó estéril que não deste à luz! Exulta de prazer com alegre canto e exclama, tu que não tiveste dores de parto! Porque mais são os filhos da solitária do que os filhos da casada, diz o SENHOR” (Is 54:1).


Ana percebeu isso e, em pouco tempo, a viúva Israel também perceberá, “Porque o teu Criador é o teu marido; SENHOR dos Exércitos é o Seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor” (Is 54:5). O belo cântico de Ana é o reconhecimento agradecido da alma pelos atos de Deus em referência a Israel. “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o esterco, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória” (1 Sm 2:6-8). Tudo isso será mais plenamente exemplificado em Israel nos últimos dias, como agora é exemplificado na pessoa de todo aquele que, por meio da graça, é levantado de sua condição arruinada na natureza para a bem-aventurança e paz em Jesus.


C. H. Mackintosh

 

Abigail Comparada com Jônatas


Abigail assume um lugar muito mais humilde do que Jônatas, e um lugar que, mesmo na época, reconheceu Davi muito mais plenamente. Não é um amigo como Jônatas, mas uma alma submissa, tomando seu próprio lugar diante dele, que em espírito dá a Davi seu lugar de acordo com Deus. É exatamente isso que deve distinguir o espírito da assembleia e do Cristão. Em Jônatas vemos o remanescente sob o aspecto judaico. Mas Abigail entra no espírito dos propósitos de Deus a respeito de Davi, embora ele agora estivesse em perigo. Davi, embora totalmente submisso a essas circunstâncias adversas, pode agir de acordo com a fé que o reconhece como rei legítimo; ele ouve a voz dela e aceita sua pessoa.


Vamos destacar as características da fé de Abigail. Tudo depende de sua apreciação por Davi; seu título como reconhecido por Deus; sua perfeição pessoal; e o que lhe pertencia de acordo com os conselhos de Deus. É isso que forma o julgamento de um Cristão; em tudo ele aprecia Cristo. Abigail pensa nele de acordo com todo o bem que Deus falou dele. Ela o vê lutando nas batalhas de Deus, onde outros só o veem como um rebelde contra Saul; e tudo isso de coração. Ela julga Nabal e o considera já julgado por Deus por causa disso, pois com ela tudo é julgado de acordo com sua conexão com Davi. Deus realiza esse julgamento dez dias depois, embora Nabal estivesse em paz em sua própria casa e Davi um exilado e rejeitado. No entanto, a relação de Abigail com Nabal é reconhecida até que Deus execute o julgamento. Ela julga Saul: ele é apenas “algum homem”, porque sua fé considera Davi como rei. Todo o seu desejo é que Davi se lembre dela. Jônatas diz, quando sai para Davi: “Eu serei contigo o segundo”; e Davi fica na floresta, enquanto Jônatas volta para sua casa. Deus havia julgado a família de Saul; Jônatas permanece com eles e compartilha sua ruína.


Isso é importante para um Cristão. Por exemplo, ele respeita o Cristianismo oficial, na medida em que se baseia na autoridade de Deus (que no mundo é a religião de Deus, enquanto Deus a suporta), e não se opõe a ela. Quanto à fé e à caminhada pessoal, isso não é de forma alguma o verdadeiro Cristianismo, assim como Saul era apenas “algum homem” para a fé de Abigail.


J. N. Darby (adaptado)

 

Abigail e Davi


Jônatas nunca se separou do sistema em que se encontrava, nunca se uniu a Davi, embora o amasse, e nunca compartilhou seus sofrimentos. Mas Abigail se identifica com ele; os relacionamentos existentes não a impedem de reconhecer Davi, e ela se une a ele após a morte do marido. Jônatas prefigura o caráter do remanescente de Israel que reconhece o futuro rei e se junta a ele, mas não vai além; é o reino. Jônatas não sofre com Davi e não reina com ele. Ele permanece com Saul e, quanto a essa posição, sua carreira termina com Saul. Abigail e até mesmo os descontentes que se juntaram a Davi compartilham seus sofrimentos. Abigail se separa completamente do espírito de seu marido; e é por causa da fé e sabedoria dela que Davi poupou a vida de Nabal. Deus julga o último, e então Abigail se torna a esposa de Davi. Historicamente, Davi quase falhou em sua alta posição. Na verdade, é por causa do remanescente fiel, a Abigail da nação louca (os gentios – veja Deuteronômio 32:21), que o próprio Israel foi poupado. A conexão do Senhor com a Igreja é no caráter de pura graça, não no do vingador (como a seguir com Israel). Neste momento é Davi, quem, durante a sua rejeição, se cerca daqueles que serão os companheiros e a comitiva da sua glória no reino; mas ele também toma uma esposa.


Present Testimony, vol. 3

 

Grupos de Cinco de Abigail


Verificou-se que esse pensamento de responsabilidade em conexão com o número cinco se refere principalmente às relações entre os homens; é o aspecto da responsabilidade de um homem para outro. O número dez carrega muito o mesmo pensamento de responsabilidade, mas é principalmente com referência a Deus e em relação às Suas reivindicações.


Em 1 Samuel 25:18, Abigail leva múltiplos de cinco a Davi: 200 (5 x 40) pães, 5 ovelhas, 5 medidas de trigo tostado; 100 cachos de passas, 200 pastas de figos. E (v. 42) ela tomou cinco moças como suas servas pessoais quando se tornou a esposa de Davi.


E. C. Pressland

 

Os Pequeninos - Ele os abençoou

Marcos 10:13-16


Posso me aproximar de Ti com meu pequeno?

Seria humilhante demais colocá-lo aos Teus pés?

Senhor, Teus discípulos com tom de desdém

Ordenaram-me que levasse embora meu doce bebê;

Mas, ah! Eu me sinto, no fundo do meu coração de mãe,

Mais compassivo do que eles, meu Senhor, Tu és também.


Pois Tu, ó Senhor, Tu mesmo foste uma criança,

Envolta em Tuas faixas; mas mesmo assim,

Teu nome era JESUS, santo, imaculado;

E entraste, como nós homens pecadores,

Neste mundo de aflição como uma criança indefesa;

Não foi, Senhor, para mostrar para os bebês Tua graça?


Não peço porção mundana para meu filho;

Não procuro de Ti ouro, posição ou fama;

Salve-o do pecado; das selvagens paixões humanas;

Um interesse em Teu amor é tudo o que reivindico;

Senhor, torna-o Teu – somente Teu – é meu apelo,

Para amar, servir e viver somente para Ti.


J. G. Deck

 

“A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”


2 Coríntios 12:9

 





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