Edificando (Maio de 2022)

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ÍNDICE

Edificando

J. L. Erisman

A Silenciosa Construção do Templo de Saromão

D. C. Buchanan

Um Grande Edifício

Messages of Love, Bible Talks

A Casa de Deus

N. Simon

Uma Grande Casa

N. Simon

Bons e Maus Construtores

P. Wilson

Edificando-vos a Vós Mesmos

H. H. Snell

Um Edifício Inacabado

W. J. Prost

Caos e Anarquia no Horizonte

W. J. Prost

Deus É o Dono do Edifício

J. L. Erisman

O Edifício de Cristo e o Edifício do Homem

J. N. Darby

Edificação e Progresso

J. N. Darby

A Pedra Viva

S. Medley


 


Edificando


Deus nos fala de um edifício que é construído com pedras vivas. “E, chegando-vos para Ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. […] E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina […] Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:4-9).


Nunca houve um edifício construído neste mundo, além daquele mencionado aqui, que tenha sido construído com “pedras vivas”. Este edifício é construído com pedras vivas para mostrar o que está acontecendo dentro. É para que “anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”. Normalmente, quando você constrói um edifício, é por causa da privacidade, mas aqui está um que é para anunciar as virtudes d’Aquele que chamou você. É somente usando pedras vivas que isso pode ser feito.


J. L. Erisman


 

A Silenciosa Construção do Templo de Salomão


Quando o bispo Heber leu seu belo poema, “Palestina”, em manuscrito, para o Sir Walter Scott, seu amigo observou que, ao falar do templo de Salomão, ele havia esquecido de se referir ao silêncio que prevaleceu durante sua construção. O poeta imediatamente se retirou por alguns minutos e introduziu as seguintes belas linhas:


“Nenhum aço de operário, nenhum pesado machado ressoou; Como uma alta palmeira, a silenciosa estrutura brotou.”


Essa extraordinária circunstância tem sido frequentemente observada. É vista como uma indicação do profundo senso que Salomão tinha do caráter sagrado da obra, e deu origem a muitas meditações piedosas e úteis. Outra pessoa comenta desta forma: “Era para ser o templo do Deus da paz, portanto nenhuma ferramenta de ferro deveria ser ouvida nele: tranquilidade e silêncio convêm e são propícios aos exercícios religiosos. A obra de Deus deveria ser feita com o máximo de cuidado e o mínimo de barulho possível; o templo foi derrubado com machados e martelos; os que fizeram isso bramaram ‘no meio dos lugares santos’ (Sl 74:4,6), mas ele foi construído em silêncio. Clamor e violência geralmente atrapalham, e nunca avançam a obra de Deus”. Esses pensamentos são profundamente dignos de consideração, especialmente daqueles que nunca conseguem afirmar suas próprias opiniões sem atacar violentamente as dos outros. Nem fazem qualquer coisa para Deus sem convidar a multidão para vir ver o zelo que eles têm pelo Senhor dos Exércitos.


As pedreiras de Jerusalém

O fato em si, no entanto, recebeu recentemente uma notável confirmação de sua veracidade. O Sr. Douglas, um cavalheiro escocês, escrevendo para o Athenaeum em 3 de maio passado, afirma que, durante uma visita recente a Jerusalém, ele soube por um hebreu muito inteligente que havia extensas pedreiras debaixo da cidade e que havia evidências abundantes de que dessas pedreiras foram obtidas as pedras empregadas na construção e reconstrução do templo. Ele as havia visitado algum tempo antes, com dois ingleses, e descobriu que as pedreiras continham materiais suficientes para construir os muros e a cidade de Jerusalém. Extraímos a seguinte afirmação:


“Quando suficientemente em seu interior, nos vimos em uma imensa abóbada e em cima de uma pilha que, de forma bastante evidente, era formada pelo acúmulo das minúsculas partículas provenientes do acabamento final dos blocos de pedra. Ao descer essa pilha, entramos, por um grande arco, em outra abóboda, igualmente vasta e separada da primeira por enormes pilares. Esta abóbada, ou pedreira, descia gradualmente até outra e depois outra, cada uma separada da outra por imensas divisórias de pedra, que tinham sido deixadas para reforçar a sustentação dos tetos em forma de abóboda. Em algumas das pedreiras, os blocos de pedra que tinham sido extraídos jaziam parcialmente lavrados; alguns dos blocos ainda estavam presos à rocha; em alguns, os trabalhadores tinham somente começado a esculpir e, em outros, a linha do arquiteto era nítida na face lisa da parede da pedreira. O modo como os blocos foram retirados era semelhante ao usado pelos antigos egípcios, como visto nas pedreiras de arenito de Hagar Tilsilis e nas pedreiras de granito de Sevene. O arquiteto primeiro desenhou o contorno dos blocos na face da pedreira; os trabalhadores, então, os esculpiram em toda a sua espessura, separando-os inteiramente uns dos outros e deixando-os presos por suas cascas apenas à parede sólida. Passamos entre duas e três horas nessas pedreiras. Nossas inspeções foram, no entanto, principalmente no lado em direção ao Vale de Josafá. Nosso guia informou que mais a oeste ficava uma pedreira do peculiar mármore avermelhado tão comumente utilizado como calçamento nas ruas de Jerusalém. A partir do local onde nós entramos, a descida era gradual; entre algumas das pedreiras, porém, havia amplos lances de degraus, cortados da rocha sólida. Eu não tinha meios de avaliar a distância entre os tetos das abóbadas e as ruas da cidade, exceto que baseado na descida a espessura devia ser enorme. O tamanho e a extensão dessas escavações confirmaram plenamente a opinião de que elas deram pedras suficientes para construir não apenas o templo, mas toda a Jerusalém.”


Os trabalhadores de Salomão

“A situação dessas pedreiras – o modo como as pedras foram retiradas – e a evidência de que as pedras foram totalmente preparadas e esculpidas antes de serem removidas podem provavelmente lançar luz sobre os versículos da Escritura em que é dito: ‘E [Salomão] fez deles setenta mil carreteiros e oitenta mil cortadores na montanha, como também três mil e seiscentos inspetores, para fazerem trabalhar o povo’ (2 Cr 2:18). E outra vez: ‘Edificava-se a casa com pedras preparadas; como as traziam, se edificava, de maneira que nem martelo, nem machado, nem nenhum outro instrumento de ferro se ouviu na casa quando a edificavam’” (1 Rs 6:7).


Dificilmente poderia ter sido previsto que, em um período tão distante daquele em que o templo foi erigido, qualquer evidência surgiria para assim confirmar a declaração sobre o silêncio observado na construção. No entanto, esse testemunho veio, por assim dizer, dos mortos para confirmar a palavra da verdade.


Bible Treasury, Vol. 1 (1868)


 

Restabelecimento do remanescente


O livro de Esdras relata a história dos judeus que retornam para a sua pátria após 70 anos sob o domínio dos reis da Babilônia. Ele demonstra os caminhos de Deus com um remanescente que retorna após o fracasso geral naquilo que havia sido a eles confiado. O processo começou com a ordem de Ciro, rei da Pérsia, para que os judeus retornassem para Jerusalém e reedificassem a casa do seu Deus. No segundo versículo de Esdras, Ciro diz que o Deus do céu lhe havia dado os reinos da Terra e o havia encarregado de edificar uma casa em Jerusalém. Ele convida o povo judeu para ir a Jerusalém “e edifique a casa do SENHOR, Deus de Israel”. O convite era individual, e muitos responderam juntamente com suas famílias. Outros os ajudaram com bens, mas ficaram na Babilônia. Cerca de 50.000 voltaram, mas isto era apenas um retorno parcial – um remanescente. Ciro enviou com eles utensílios do templo que tinham sido mantidos na Babilônia desde o cativeiro. Cada pessoa foi incumbida de algo para levar de volta a Jerusalém.


Eles edificam um altar

A primeira coisa que fizeram ao chegarem à cidade arruinada de Jerusalém foi edificar um altar para o Senhor. Eles celebraram a festa dos tabernáculos e começaram os holocaustos diários, com outros sacrifícios e ofertas. Louvaram ao Senhor e começaram a construir as fundações do templo. Não lemos sobre qualquer oposição no capítulo 3, mas isso não durou muito. Os inimigos na terra enfraquecem as mãos dos edificadores e contratam conselheiros contra eles. A continuação nos capítulos 4 a 6 é uma lição de como Deus trabalha com os governantes do mundo em relação ao remanescente do Seu povo para a sua preservação e testemunho para o Seu nome.


A ordem para parar

Os adversários de Judá levantaram oposição ao longo dos sucessivos reinados dos reis da Pérsia. Durante o curto reinado de Assuero (Esmérdis), uma carta foi enviada a ele pelos adversários dos homens de Judá, e, como consequência, o rei emitiu uma ordem para que parasse a construção. Os adversários prontamente subiram para Jerusalém e fizeram os homens de Judá cessarem pela força e poder. Então a construção cessou até o segundo ano do reinado de Dario (Histaspes). Embora a ordem histórica dos eventos com relação a esses reis não esteja claramente evidente, está claro que Deus permitiu repentinas mudanças de reis no império medo-persa naquele período. Entre outras razões, isso aconteceu em prol do remanescente de Israel em Jerusalém.


Agora podemos perguntar: por que o Senhor permitiria uma dificuldade como essa ordem do rei para parar a construção? Por que essa mudança do decreto original? Não havia Deus movido Ciro a abrir a porta para os judeus voltarem e edificarem o templo? Deveriam eles se submeter à autoridade dos reis gentios? Este foi um teste vindo de Deus. Ele estava esquadrinhando o coração deles para prová-los e para fortalecer a fé deles n’Ele. Não era suficiente que os judeus edificassem somente segundo as diretrizes de Ciro. A reedificação do templo devia ser em uma base mais sólida. Eles deviam agir com fé em Jeová. Eles eram o povo de Deus, representantes de Jeová. Ele os estava restabelecendo como Seus sacerdotes em Jerusalém, mas os reis gentios continuariam a governar. Deus estava sobre todos eles. Os judeus, sendo um remanescente buscando recuperar o que havia sido perdido, não podiam simplesmente retornar e continuar a partir de onde estavam as coisas antes do cativeiro. Deus os havia castigado e removido do lugar privilegiado que tinham, por causa do pecado e do fracasso. Essas coisas precisavam ser tratadas. Deus estava usando os adversários deles para fazer com que eles tratassem essas questões. Ele permitiu que o rei ordenasse uma parada na obra. Eles precisavam comprar a verdade.


As profecias de Ageu e Zacarias

Naquele tempo, Ageu e Zacarias profetizaram, em nome do Deus de Israel, aos que estavam em Jerusalém e Judá. Ageu disse-lhes, antes de qualquer coisa, “Considerai os vossos caminhos” (Ag 1:5 – ACF). Eles continuaram edificando suas próprias casas, mas não a do Senhor. Então Ageu transmitiu a mensagem do Senhor: “Eu sou convosco” (Ag 1:13). Depois de passar por esses exercícios de alma, eles receberam um mandato diretamente do Senhor. Era apropriado que eles obedecessem e prosseguissem com a construção. Deus comunicou a eles por meio dos dois profetas. Ele podia dar ordens por meio dos profetas, bem como por meio dos reis dos gentios. Isso levanta a questão: Deveriam eles obedecer ao rei? Ou deveriam obedecer ao profeta? Zorobabel e Jesua, juntamente com os profetas, começaram a edificar novamente.


“Quais são os nomes?”

Tatenai, o governador da região vizinha, ficou sabendo disso e veio perguntar quem lhes havia dado ordem para edificar. Eles queriam saber os nomes daqueles que estavam edificando, sem dúvida, para que pudessem ser denunciados. A resposta dada à pergunta mostra o fruto do exercício pelo qual eles passaram. Eles simplesmente deixam da forma como havia sido colocado: “E quais são os nomes dos homens que construíram este edifício?”. Em outras palavras, os nomes dos construtores eram insignificantes. Nenhum nome é dado. A verdadeira questão era a ordem para edificar. Para fundamentar isso, os homens de Judá devem voltar e reconhecer sua história passada. Então eles dizem: “Nós somos servos do Deus dos céus e da terra e reedificamos a casa que foi edificada muitos anos antes; porque um grande rei de Israel a edificou e a aperfeiçoou. Mas, depois que nossos pais provocaram à ira o Deus dos céus, Ele os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, o caldeu, o qual destruiu esta casa e transportou o Seu povo para Babilônia. Porém, no primeiro ano de Ciro, rei de Babilônia, o rei Ciro deu ordem para que esta Casa de Deus se edificasse” (Ed 5:11-13). Este foi um reconhecimento da comunhão que tinham com Deus e do fracasso deles, no passado, nessa comunhão, o qual trouxe o juízo de Deus sobre eles. O pequeno remanescente não assumiu um lugar elevado em relação à sua própria justiça; antes, eles assumiram o lugar de servos do Deus do céu e da Terra. Foi Ele que fez Nabucodonosor levá-los. Agora eles haviam retornado debaixo da autoridade de Deus e da de Ciro. Essa é a posição que todo remanescente deve tomar.


A resposta do rei

Quando esses assuntos foram enviados em uma carta ao rei Dario, que havia recentemente se tornado governante, o rei solicitou uma busca nos arquivos. Verificou-se que, de fato, Ciro havia feito um decreto a respeito da casa de Deus em Jerusalém. O decreto foi feito cerca de 17 anos antes. Então, o rei enviou uma resposta de volta para Tatenai, o governador. Foi dito a Tatenai, em termos claros, que permitisse que os judeus edificassem; além disso, a ele foi ordenado que ajudasse com as despesas. Provisões também deveriam ser dadas para a construção, incluindo animais para os “holocaustos ao Deus dos céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalém” (Ed 6:9 – ACF). “O coração do rei [está] na mão do Senhor”, e o Senhor moveu o coração dele para permitir que a construção continuasse.


A posição do remanescente

O remanescente de judeus tomou o seu devido lugar ao reconhecerem o seu fracasso passado e voltarem-se para o Senhor. Ele lhes deu a Sua palavra pelos profetas para edificarem, e eles começaram a edificar, mesmo sem outra ordem do rei. Ele honrou a fé deles. Quantas vezes gostamos de resolver os problemas com nossas próprias mãos quando as coisas dão errado. Mas eles não enviaram uma carta ao rei para contradizer a carta de seus inimigos. Por outro lado, quando a adversidade vem, podemos simplesmente desistir, fazendo muito pouco, ou nada. Eles se levantaram e edificaram quando tudo era contrário. O pequeno remanescente demonstrou sua fé no Senhor, tendo julgado em si mesmos o que seus antepassados não haviam julgado. A ordem para parar de edificar foi permitida para que tudo isso se concretizasse.


Nosso lugar no testemunho Cristão hoje é como o do remanescente dos judeus que retornaram a Jerusalém. Tal lugar não pode se basear na premissa de que somos melhores do que os outros, ou temos melhor ensino e piedade. Tampouco devemos desistir de edificar por falta de ajuda de outros. Deus quer que edifiquemos Sua casa. Ele nos chamou para edificar (1 Co 3:9-10; 2 Tm 2:15). Quando a oposição vem, devemos olhar para Ele com fé. Ele disse, “Pois onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18:20). Individualmente, quando O ouvimos dizer, “Eu estou convosco”, podemos contar com Ele para abrir as portas, como Ele disse àqueles que guardaram a Sua palavra e não negaram o Seu nome em Filadélfia. “Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar” (Ap 3:8).


D. C. Buchanan


 

Um Grande Edifício


Lucas 21:5-20

Os discípulos falaram a Jesus da beleza das pedras do templo, que deviam ser algo esplêndido de se observar, embora não fossem as mesmas ou talvez não tão perfeitas quanto as do primeiro templo, para o qual o rei Davi preparou o mais caro e durável material.


Este templo (o templo de Herodes) foi construído sobre a mesma fundação, levou muitos anos para ser concluído e era muito admirado por todo o povo. Toda a sua força e beleza eram para ensinar a grandeza de Deus, cuja sabedoria e poder colocaram primeiro a rocha, o ouro, a prata e o cobre na Terra.


Aquelas rochas sólidas lembravam o povo de que Aquele que as formara era sua força e refúgio e que deviam confiar n’Ele. As altas colunas brilhantes falavam de Sua santidade e glória, assim como toda a ornamentação de ouro, prata e pedras preciosas bem caras, como as que são usadas em joias. Mais ouro e mais prata estavam no interior.


A arca dourada, um belo baú feito de madeira e coberto de ouro, tanto por fora como por dentro, e com uma peça de ouro puro no topo, na qual estavam as belíssimas figuras esculpidas chamadas “querubins”, parece que foi perdida quando o primeiro templo foi despojado. Mas cópias das palavras de Deus a todos os profetas ainda eram mantidas, e com elas o povo podia aprender mais ainda do que com o próprio templo.


Edifício belo, mas coração feio

Mas os homens que tinham encargo no templo não criam nas palavras de Deus nem pensavam em Sua glória e santidade. Eles ensinavam as suas próprias leis ao povo em vez das de Deus (Mt 15:9) e eram desonestos, ganhando dinheiro para si mesmos e tirando dos pobres (Lc 19:46). Eles não deram honra a Jesus, o Filho de Deus, a quem deveriam ter coroado e adorado como Rei.


Por causa de tal maldade, Jesus não pôde admirar a beleza do edifício. Ele sabia que tudo devia ser destruído e disse aos discípulos: “Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que se não deixará pedra sobre pedra que não seja derribada” (Lc 21:6).


Aquelas eram palavras muito tristes para aqueles homens que tanto valorizavam o templo, mas eles sabiam que Jesus lhes disse o que era verdade e perguntaram a Ele quando isso aconteceria. Não está escrito que Ele lhes tenha dito o tempo, mas apenas que Ele disse: “Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a sua desolação” (Lc 21:20). Deus lhes deu tempo para se arrependerem, mas por fim permitiu que exércitos cercassem Jerusalém e derrubassem o magnífico templo, como Jesus havia dito.


Desde que Cristo foi rejeitado naquele templo, Deus não mandou ninguém construir um grande edifício, porém Ele tem uma “casa”, mas a d’Ele é muito diferente. Ela é feita de todas as pessoas no mundo que creem em Seu Filho. Ele é chamado a “Pedra Viva [...] para com Deus eleita e preciosa”. Aqueles que vêm a Ele são “edificados casa espiritual” e pelo Espírito Santo devem dar a Ele louvor, para que mais conheçam o Seu amor e poder do que poderiam conhecê-Lo por meio daquele templo judaico (At 17:24; 1 Pe 2:4-5).


Messages of Love, Bible Talks


A Casa de Deus


A Palavra de Deus apresenta a Igreja sob a figura de um edifício – a casa de Deus. Quando se trata da casa de Deus, há um continuum entre o Velho e o Novo Testamento. Deus habitou entre o Seu povo Israel, e o lugar da Sua habitação (seja o tabernáculo ou o templo) foi chamado a casa de Deus: “Todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram e vieram à casa de Deus, e choraram, e assentaram-se ali perante o SENHOR” (Jz 20:26 – KJV). Enquanto esses eram edifícios físicos, estabelecidos em uma localização geográfica, a Igreja é um edifício espiritual: “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual” (1 Pe 2:5). Ainda há uma fundação e pedras, mas não desta Terra. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2:20). Ao escrever sua epístola, Pedro, sem dúvida, recordou as palavras do Senhor: “Que tu és Pedro [uma pedra], e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja” (Mt 16:18). A Igreja é agora a casa de Deus. É a habitação de Deus na Terra para o tempo presente, e ela substitui todas as outras habitações. “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2:22). Também observamos que o apóstolo Paulo se refere à Igreja como o templo de Deus: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3:16). O mesmo edifício está em vista, mas com essa expressão, a santidade de Deus é enfatizada.


Deus habitando entre eles

Só depois que os filhos de Israel foram redimidos do Egito é que temos algum pensamento sobre Deus habitando entre eles (Êx 15:17). Era necessário que eles fossem libertados daquele país idólatra e do seu príncipe. No deserto, no Monte Sinai, Deus deu a Moisés o projeto do tabernáculo – um modelo do qual eles não deviam se desviar (Êx 25:40; Hb 8:5). Embora construído por homens, a capacidade deles foi dada por Deus por meio do Seu Espírito (Êx 31:2-3). A engenhosidade humana não teve nenhum papel em sua construção. Todas essas coisas anunciavam o que estava por vir. “Ora, também a primeira [aliança] tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre [...] que é uma alegoria para o tempo presente” (Hb 9:1,9 – ACF). Esses princípios, tirados do Velho Testamento, são úteis para a nossa compreensão do Novo. Em todo o livro de Hebreus, o apóstolo contrasta a figura terrena do tabernáculo com a realidade presente que temos no Cristianismo.


O edifício enquanto construído por Deus

Ao considerar a Igreja como a casa de Deus, devemos distinguir, como faz a Escritura, entre o edifício que Deus está formando (que no final será visto em toda a sua perfeição e beleza) e o presente testemunho da Igreja aqui na Terra (aquele que vemos atualmente). Quanto ao primeiro, lemos: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Ef 2:20-21). Este edifício é perfeito. É deste edifício que Cristo falou aos Seus discípulos: “e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Cristo não é apenas o fundamento e a principal pedra da esquina, mas também é o construtor. Nada contrário será adicionado ao edifício de Deus. Vemos esse edifício em seu esplendor celestial no final de Apocalipse: “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus” (Ap 21:9-10 – ARA).


O edifício construído pelo homem

Em contraste com o edifício perfeito, o apóstolo Paulo nos apresenta uma outra perspectiva: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará” (1 Co 3:10‑13). Embora a fundação permaneça segura, os homens adicionaram a ela materiais de construção seriamente defeituosos. Tal como acontece com as suas grandes catedrais, a Cristandade tornou-se um impressionante edifício, mas não segundo a Palavra de Deus. Adicionou-se muita coisa que Deus no final julgará e destruirá.


O testemunho de Deus

Enquanto o corpo nos conecta com Cristo nos lugares celestiais, a casa, como a habitação de Deus por meio do Espírito, está aqui na Terra. Os crentes, de qualquer época, formam a casa de Deus (Ef 2:22). Como tal, ela é o vaso do presente testemunho de Deus para este mundo. Pedro descreve nossa função nesta casa espiritual para com Deus (1 Pe 2:5) e para com o homem. Em relação ao último, ele diz: “para que anuncieis as virtudes [excelências – JND] d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9). Existe uma conduta adequada à casa de Deus, como também havia no Velho Testamento. Paulo instrui Timóteo em relação ao comportamento apropriado na casa de Deus: “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa, mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3:14‑15). A Igreja deveria manter e exibir as verdades do Cristianismo.


Enquanto algo confiado à responsabilidade do homem, a casa de Deus está sujeita a juízo: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus” (1 Pe 4:17). Cristo é Filho sobre a Sua própria casa (Hb 3:6). Temos uma responsabilidade quanto à casa, não porque a casa é nossa, mas sim porque a casa não é nossa. É à autoridade de Cristo que devemos estar sujeitos.


N. Simon


 

Uma Grande Casa


Ao olhar para trás, mais de 2.000 anos de história da Igreja, nos perguntamos: Como a Igreja se saiu? Ela tem sido, na prática, um testemunho do um só corpo? Ela cumpriu fielmente suas responsabilidades quanto à casa de Deus? Examinaremos o que a Escritura tem a dizer sobre essas duas questões. No entanto, se nossos olhos estiverem abertos para a condição das coisas, devemos confessar que a Igreja falhou miseravelmente. A Igreja não representou fielmente a si mesma neste mundo – de fato, o fracasso entrou muito cedo em sua história. A ruína da Igreja é completa neste mundo moderno, com a sua multiplicidade de seitas e variedade de doutrinas.


A parte em ruína

Antes de prosseguirmos, será necessário ser claro quanto ao que queremos dizer quando falamos da ruína. É também igualmente necessário saber o que não queremos dizer. Alguns rejeitam a expressão, a ruína da Igreja, não tanto por causa do que ela descreve, mas, antes, por causa da forma como ela é expressada. Por ruína, estamos nos referindo ao testemunho da Igreja neste mundo – o que as pessoas veem e chamam de Igreja; aquilo que professa ser o corpo de Cristo. Não estamos nos referindo ao que Deus está estabelecendo, que é perfeito aos Seus olhos. J. N. Darby, a quem muitos se opuseram sobre este assunto, escreveu: “Em certo sentido, é impossível que a Igreja possa ser arruinada; mas existe confusão em algumas mentes entre os propósitos de Deus e uma presente dispensação na qual o homem é colocado sob responsabilidade. Ao falar da ruína da Igreja, falamos dela enquanto aqui embaixo, estabelecida para manifestar a glória de Cristo em unidade na Terra, e devemos lembrar que ali somos colocados e, uma vez nessa responsabilidade, ali devemos permanecer”.


A parte perfeita

Tire um momento para considerar a Igreja como o corpo de Cristo. Esse corpo é perfeito, indivisível, e Cristo é sua cabeça. No entanto, na prática, a Igreja representou isso perante o mundo? A Igreja honrou a liderança de Cristo? A Igreja foi diligente em manter a unidade do Espírito Santo no vínculo unificador da paz? (Ef 4:3). Quando Paulo escreve, “Para que não haja divisão no corpo” (1 Co 12:25), isso não carrega consigo uma responsabilidade? Paulo tem o cuidado de dizer corpo, não assembleia – o último termo poderia ter ficado ambíguo se alguém escolhesse assim fazê-lo. Não, é aquele corpo do qual ele antes falou: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo” (1 Co 12:12).


Vimos anteriormente que Paulo, em sua primeira carta a Timóteo, seu jovem companheiro e cooperador, deu instruções sobre a conduta adequada à casa de Deus (1 Tm 3:15). Nessa carta, Timóteo foi orientado a tratar os erros que estavam avançando (1 Tm 1:3-4, etc.). Havia uma boa luta e um sério empenho no bom combate da fé (1 Tm 1:18; 6:12 – ARA). O caráter da segunda carta de Paulo é notavelmente diferente. Paulo havia combatido o bom combate e sua carreira estava quase no fim (2 Tm 4:7). Timóteo agora estava precisando de encorajamento (2 Tm 1:4-6); ele corria o risco de ser consumido pelas dificuldades do dia. Falatórios profanos estavam levando a uma maior impiedade; mestres tinham se desviado da verdade, e a fé de alguns tinha sido pervertida (2 Tm 2:16-18). Havia uma aparência de piedade, mas o poder dela era negado (2 Tm 3:5). A casa de Deus havia se tornado uma grande casa admitindo doutrinas e pessoas que desonravam a Deus: “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra” (2 Tm 2:20). Agora não há instrução para que a casa fosse purificada do erro, mas, em vez disso, Timóteo deveria purificar-se de tudo o que fosse contrário à sã doutrina e à piedade. Não podemos sair da casa de Deus, pois somos parte dela; mas podemos encontrar um lugar tranquilo, por assim dizer, no telhado, na presença do Senhor. “É melhor morar num canto de telhado do que ter como companheira em casa ampla uma mulher briguenta” (Pv 21:9 – ACF).


O fracasso durante os dias dos apóstolos

O fracasso começou no tempo dos apóstolos, e eles documentaram isso como aviso e para nossa instrução. Ambos os apóstolos Paulo e João tiveram que contrapor falsos ensinamentos – enquanto uns procuravam misturar princípios judaizantes da lei com o evangelho (Gálatas), outros estavam introduzindo os ensinamentos filosóficos e místicos dos gentios (Colossenses, epístolas de João). Má doutrina leva a uma decadência moral (1 Co 15:32). Os partidos e as dissensões criados por falsos mestres resultaram em conflito e, no final, divisão (1 Co 1:10, 11:18). Por fim, a casa de Deus tornou-se a morada da verdade e do erro, do que é real e da mera profissão, e a expressão prática da unidade do corpo de Cristo se foi.


Ao expor a ruína iminente, os apóstolos não pretendiam nos desanimar; tampouco escreveram para que tivéssemos uma desculpa, mas, sim, para que tivéssemos direção em um dia mau. Não é nosso papel nos ocuparmos com debates religiosos vãos que fomentam contenda e dúvidas (1 Tm 1:4; 2 Tm 2:23). Porém, mais uma vez, o crente não deve se render à maré crescente do erro. Há um caminho seguro de obediência colocado para nós na Palavra de Deus. Timóteo, de sua parte, deveria despertar o dom que estava adormecido (2 Tm 1:6); deveria instruir homens fiéis para que pudessem ensinar a outros (2 Tm 2:2); por fim, ele deveria se purificar dos vasos de desonra. Por si próprio, ele deveria fugir das paixões da mocidade – um caminho de obediência não pode ser mantido enquanto estamos perseguindo nossos desejos naturais – de modo que ele pudesse ser livre para trilhar um caminho de justiça, fé, amor e paz com outros que igualmente invocavam o Senhor com um coração puro (2 Tm 2:22).


N. Simon


 

Bons e Maus Construtores


Todo Cristão está edificando, e em 1 Coríntios 3 ele é exortado: “veja cada um como edifica”. O Espírito de Deus aqui usa a figura da construção para expressar o testemunho do Cristianismo neste mundo. Nem todos os operários fazem uma boa construção; alguns deles evidentemente edificam com entusiasmo e zelo, mas colocam materiais muito pobres no edifício. Podemos ver facilmente que este não é o edifício de que nosso Senhor falou em Mateus 16, quando Ele disse que sobre a rocha da confissão de Pedro – “Cristo, o Filho do Deus vivo” – Ele edificaria a Sua Igreja. Cristo jamais colocará materiais ruins em Seu edifício, e nada jamais destruirá o que Ele edificar. Ele está edificando a Sua Igreja, e esta obra está inteiramente em Suas mãos. Ela é composta de todo verdadeiro crente n’Ele, nesta era.


Agora, há aquele outro edifício que os homens constroem no mundo – o Cristianismo, confiado às mãos dos homens. Não há outro fundamento além de Jesus Cristo (v. 11). Apartar-se desse fundamento seria deixar o próprio Cristianismo. Cada crente está dentro do escopo do Cristianismo neste mundo, e cada um está edificando algo neste testemunho. Podemos não ter ponderado isso seriamente antes, mas estamos adicionando algo a esse edifício. A escritura diante de nós agora é: “veja cada um como edifica sobre ele” (v. 10). Por que haveria necessidade de tal exortação? O versículo 12 fornece a resposta, listando alguns dos materiais que estão sendo colocados no edifício; estes se dividem em duas classes: “ouro, prata, pedras preciosas” e “madeira, feno, palha”.


O teste do fogo

O padrão usado para testar os materiais da construção é um padrão divino – o teste do fogo. Cada pedaço de material que entrar naquele edifício vai passar pelo fogo, pois lemos: “o fogo provará qual seja a obra de cada um” (v. 13). Portanto, somente materiais à prova de fogo serão considerados.


É solene pensar que cada um de nós está, dia após dia, edificando algo que será provado pelo fogo – o fogo de Deus que consumirá tudo o que não está de acordo com Sua mente e Sua Palavra. Sendo assim, podemos muito bem perguntar como podemos edificar coisas que resistirão ao calor do Seu criterioso juízo naquele dia. Podemos perguntar: Quais são exatamente o “ouro, prata, pedras preciosas” com os quais devemos edificar? E quais são justamente os materiais combustíveis que devemos evitar colocar neste edifício do Cristianismo na Terra?


Para responder isso, podemos primeiro observar que as coisas que resistirão ao teste do fogo são, comparativamente, muito pequenas em volume. Um fardo de feno daria uma contribuição considerável para qualquer parede. O feno atende muito bem ao que se propõe, e alguns tipos de feno são muito melhores e mais caros do que outros, mas nenhum deles é um material de construção à prova de fogo adequado. Com madeira também é rápido construir, e ela logo cria um visual diante dos olhos do homem, mas não serve para este edifício. Ouro, prata e pedras preciosas fazem pouco volume, mas depois que o fogo tiver passado, eles restarão, e seu construtor receberá galardão.


De acordo com Sua Palavra

Ó companheiro Cristão, de quem queremos aprovação? Queremos fazer um show e impressionar a homens, ou simplesmente agradar a Deus e deixar os resultados com Ele? Não busquemos apelo popular ou aquilo que tenha aprovação humana. Procuremos comunicar “coisas espirituais por meios espirituais” (1 Co 2:13 – JND). Os homens podem agir com base no princípio de que os resultados justificam qualquer meio usado, mas a Palavra de Deus diz: [Ninguém] é coroado se não militar legitimamente”, ou, em outras palavras, “madeira, feno, palha” serão queimados, e somente “ouro, prata, pedras preciosas” sobrevivem ao fogo. Aquele que edificou com estes últimos receberá galardão, ou será “coroado”, como na ilustração de um atleta (veja 2 Timóteo 2:5 – ARA).


Que o Senhor conceda graça a cada um de nós para buscar mais e mais testemunhar para Ele neste mundo, e em todas as coisas fazer tudo de acordo com a Sua Palavra e em devoção ao Seu nome. Então, não será uma questão de procurar fazer coisas grandes diante dos homens, ainda que pretensamente por causa d’Ele, mas de fazer tudo tendo em vista o dia que em breve declarará de que “tipo” foi a obra – não o “quanto”. Cada um de nós pode buscar encorajar outros e falar d’Ele com frequência.


P. Wilson, adaptado de Christian Truth, 1:134-139


 

Edificando-vos a Vós Mesmos


Os crentes instintivamente sentem a necessidade de ser edificados. Sua alma procura por alimento, e eles estão cientes de que seu homem interior requer renovação; eles, portanto, desejam conhecer as coisas de Deus conforme estabelecidas nas Escrituras da verdade para proveito e bênção deles. Mas todos precisam aprender segundo o princípio de que Deus é Aquele que dá, e nós somos apenas receptores; que nada temos em nós mesmos e, ainda assim, possuímos todas as coisas em Cristo.


Existem três maneiras pelas quais a edificação nos é apresentada nas epístolas:


1. Temos dons de mestres, pastores, etc., provenientes de um Cristo que ascendeu em glória, para o aperfeiçoamento dos santos, tendo em vista a obra do ministério, e para a edificação do corpo de Cristo (Ef 4:12).


2. Temos os exercícios saudáveis dos diferentes membros do corpo, ajustados e ligados pelo auxílio de todas as juntas a partir da Cabeça, fazendo o aumento do corpo para edificação de si mesmo em amor (Ef 4:16).


3. Temos a edificação própria, ou edificar-se a si mesmo, em nossa santíssima fé (Jd 20). É este terceiro caráter da edificação que consideramos ser de tal importância, neste momento, que nos propomos a fazer algumas observações.


Edificação própria

Muitas vezes acontece de, onde houve o ministério mais fiel e mais espiritual da verdade, haver aqueles que tiraram pouco proveito de tais vantagens. Por que isso acontece? Não seria porque confiaram em ser edificados por outros e negligenciaram edificarem-se a si mesmos? Poucos de nós temos proveito duradouro de qualquer ministério, a menos que recebamos a verdade da boca de Deus. Quando há a ausência de tal exercício de alma diante de Deus, muitas vezes isso indica alguma confiança carnal em vez de um humilde estado de dependência do Senhor. Fazemos bem em refletir a fundo se estamos lidando intelectualmente com a verdade divina ou sendo guiados e ensinados pelo Espírito de Deus.


Deveria ser uma questão diária o quanto estamos ocupados em edificarmo-nos a nós mesmos na nossa santíssima fé. Todos sabemos da necessidade que nosso corpo tem de limpeza contínua e de receber frequentes suprimentos de alimentos, mas e a nossa alma? Estamos procurando meticulosamente nos manter incontaminados no mundo? O julgamento próprio diante de Deus é algo habitual em nós? Vamos à Palavra da verdade eterna manhã após manhã e a ingerimos como alimento para a renovação do nosso homem interior? Se assim for, então pode ser que estejamos nos edificando na nossa santíssima fé. E podemos ter certeza de que aqueles que estão se edificando a si mesmos valorizarão grandemente ser edificados por outros e terão proveito com as ministrações divinamente dadas destes.


Além disso, esta exortação quanto a nos edificarmos a nós mesmos, que ocorre em Judas, parece levar consigo uma alta voz para nós, pois Judas traça a ruína da Igreja desde o seu início, e no final ele se dirige àqueles que estão ao lado de Deus neste tempo de declínio e fracasso. Ele diz: “Vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé”. Um povo fiel ao Senhor em um tempo mau é assim reconhecido e chamado a ser diligente na edificação de si mesmo.


A vossa santíssima fé

A fé também não é falada aqui, como no início desta epístola, como “a fé que uma vez foi dada aos santos”, mas como “a vossa santíssima fé”. Não é meramente que devemos estar mantendo um conjunto de princípios ou doutrinas; mas recebendo em nosso coração o ministério das abundantes riquezas da graça divina. Somos, assim, libertados da autoridade das trevas, transportados para o reino do Filho do Seu amor e, pelo Espírito, unidos a Ele onde Ele agora está. Uma obra foi feita por Aquele que nos libertou de nossa antiga posição em Adão e nos fez sentar juntamente nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Somos, assim, trazidos a uma posição totalmente nova, de modo que agora, em Cristo Jesus, nós, que estávamos longe, somos aproximados pelo sangue de Cristo, trazidos à uma posição de favor no Amado e abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo. Quão verdadeiro é que recebemos abundância de graça e o dom da justiça e reinaremos em vida com Cristo.


A partir desse simples olhar para a verdade, é de admirar que ela seja chamada “a vossa santíssima fé”? Pode alguma bênção conhecida na Terra exceder a isso? Cada passo também do nosso caminho foi considerado para que possamos nos regozijar na esperança da glória, como herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, e esperar pelo Filho de Deus vindo do céu. Sem dúvida, “a fé” é propriedade comum de todos – “a fé que uma vez foi dada aos santos” – para benção comum de todos. E é a nossa fé, aquela que mais particularmente diz respeito a nós e ministra a nós – “a vossa santíssima fé”; aquela maravilhosa revelação da graça divina, que se fez conhecida quando Jesus veio e declarou o Pai, e, segundo o Seu conselho e propósito, realizou a redenção.


Testemunho divino misturado com a fé

É, então, na nossa santíssima fé que devemos nos edificar, meditando na Palavra de Deus, com a direção e ensino do Espírito, e tornando-a nossa, misturando a fé com este testemunho divino. A pergunta tão repetida, portanto, deve estar com todo crente: “Quanto estive ocupado hoje em me edificar?”, pois “o homem interior é renovado de dia em dia” (KJV). Sem dúvida, ele também será alguém que ora, pois é acrescentado: “Orando no Espírito Santo”. E onde há realidade, aqueles que oram estarão satisfeitos com nada menos que orar de acordo com a direção e os desejos do Espírito Santo, os quais, nós sabemos, serão sempre de acordo com a verdade. Também nos mantermos no amor de Deus é indispensável; pois toda a nossa paz e força fluem da consciência de que somos objetos do amor divino. Finalmente, podemos estar “esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (v. 21). Onde há a ausência do edificar a nós mesmos, não devemos ficar surpresos se a oração declina, se o gozo do amor de Deus é pouco conhecido e a expectativa da misericórdia de nosso Senhor se torna fraca. É fácil seguir em uma rotina de ordem exterior, porém de que tudo isso vale se o Senhor não tem nosso coração e não estamos nos edificando sobre a nossa santíssima fé?


Separação

Nós não estamos realmente nos edificando se somos descuidados em relação à obediência à Palavra de Deus. Por exemplo, não devem os que são filhos de Deus se recusar a se colocar em jugo com os incrédulos? Mas o que acontece com aqueles que não tomam esse lugar de separação, mas estão mais ou menos “sob jugo” com aqueles que eles sabem que são incrédulos? Geralmente não é manifesto que, em vez da bênção de Deus, eles veem muitos de seus planos se frustrarem e suas expectativas nunca se concretizarem? Eles estavam esperando ter a bênção do Pai sem andar em obediência à vontade d’Ele.


A mesma coisa é verdade no que diz respeito ao mundo. É-nos dito: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2:15). Mesmo um filho de Deus não terá o gozo desta preciosa relação com o Pai, se o seu coração amar aquilo que está sob o juízo d’Ele. Mas onde há aqueles que se recusam a estar “sob jugo” com os incrédulos, não apenas no que diz respeito ao casamento, mas também no que diz respeito a tudo o mais (enquanto sempre prontos para fazer o bem a todos os homens), mas saem do meio deles e recusam todas as associações impuras, esses, então, conscientemente, desfrutam da bênção de seu Pai. Eles veem aquelas preciosas palavras se cumprirem em sua feliz experiência: “Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2 Co 6:17-18).


H. H. Snell (adaptado)


 

Um Edifício Inacabado


Em outros artigos desta edição de O Cristão, vimos vários aspectos sobre edificar, conforme delineado na Palavra de Deus. Um desses tipos de edificação diz respeito a nos edificarmos na nossa “santíssima fé” (Jd 20). Encontramos uma ilustração relacionada, porém ligeiramente diferente, sobre edificar, no evangelho de Lucas, que diz o seguinte:


“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.” (Lc 14:28-30)


Nessa passagem, o Senhor Jesus está falando de modo solene às multidões que O seguiam quando Ele esteve aqui neste mundo como Homem, pois muitos ficaram impressionados com Suas graciosas palavras e Seus milagres. Ele está salientando a eles que, enquanto a salvação é um dom de Deus, o discipulado tem um custo envolvido. Aqueles que quisessem seguir o Senhor Jesus estariam seguindo um Cristo rejeitado e deviam estar preparados para desistir de tudo o mais, se necessário, a fim de dar a Ele o primeiro lugar em sua vida. Eles deviam estar prontos para “aborrecer”, não apenas seus parentes mais próximos, mas também a própria vida, se quisessem ser Seus discípulos (Lc 14:26). Sem dúvida, alguns acharam isso um preço alto a pagar, e lemos em João 6:66 que, após o Senhor Jesus revelar claramente ao povo que Ele deveria sofrer e morrer, “muitos dos Seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com Ele”.


O testemunho dado

Na passagem diante de nós em Lucas 14, o Senhor Jesus usa duas ilustrações para mostrar o que envolvia segui-Lo e os perigos que isso acarretaria. A primeira dessas ilustrações está em edificar, enquanto a segunda é a guerra. Não falaremos sobre a guerra por enquanto, mas nos concentraremos no edificar. Edificar aqui refere-se à própria vida e como o nosso Cristianismo aparenta para o mundo ao nosso redor. Será que o que edificamos é consistente com o que o nosso Senhor e Mestre ensina? Será que somos vistos pelo mundo à nossa volta como seguindo Aquele cujo nome afirmamos levar? É instrutivo notar que o edifício descrito aqui é uma torre – algo que pode ser visto de longe. Na Escritura, uma torre às vezes é uma figura de testemunho para este mundo.


Em Lucas 14, grandes multidões seguiam o Senhor Jesus, sem dúvida atraídas por Seus milagres e Sua graça, e isso traz o evangelho diante de nós. Nosso Senhor não veio para condenar o mundo, mas para que “o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3:17). No entanto, como já mencionamos, Ele precisa então trazer diante dessas multidões o custo de seguir Aquele que foi rejeitado.


Um bom final

Talvez todos nós tenhamos visto uma casa ou um edifício de algum tipo que foi iniciado, mas não terminado. Como lemos em nosso capítulo, as pessoas geralmente sabem quem iniciou o edifício e, sendo o homem o que ele é, começam a zombar daqueles que iniciaram, mas não conseguiram terminar. A visão de um edifício inacabado traz vergonha e desonra aos responsáveis.


Da mesma forma, muitos amados crentes começam bem no caminho Cristão, mas então descobrem que o custo é alto. A reprovação deste mundo, a falta de respeito e a perda de oportunidades se combinam para fazer com que o edifício seja abandonado. Lembro-me de uma situação assim. É sobre um jovem que cresceu numa assembleia local e que tinha começado bem. Ele era bem mais velho do que eu, em pelo menos 45 anos. Ele estava envolvido com uma pequena livraria Cristã, pregava o evangelho e, em todos os sentidos, andava bem como Cristão. Mas ele era bonito, inteligente, um excelente empresário e, acima de tudo, possuía maneiras exemplares e traquejo social que faziam com que ele encontrasse favor neste mundo. Ele acabou abandonando seu serviço Cristão, deixou de frequentar a assembleia local e, por 40 anos, mergulhou nas atividades empresariais e sociais deste mundo. Fico feliz em dizer que, mais tarde em sua vida, quando o Senhor permitiu que ele contraísse uma grave doença que lhe deu apenas alguns anos de vida, ele felizmente foi restaurado. Mas que perda para aqueles 40 anos! Lembro-me bem de como ele exortou seus filhos já adultos a não seguirem o mesmo caminho.


A força do Senhor

Surge a questão: Conseguimos ter recursos suficientes para terminar o edifício na nossa própria força? A resposta é claramente: Não. Se tentarmos na nossa própria força percorrer o caminho que o Senhor traçou para nós, sempre falharemos. Sempre deixaremos a torre inacabada, e o mundo zombará. O apóstolo Pedro teve que aprender isso da maneira mais difícil, quando disse com tamanha confiança que, mesmo que tivesse que morrer com o Senhor, ele nunca O negaria. Todos sabemos o que aconteceu, pois Pedro teve que aprender que sua própria determinação e força nunca resistiriam neste mundo.


Qual, então, é a reposta? Precisamos da ajuda do Senhor e da força do Senhor. Só Ele poderia passar por tudo o que o homem fez a Ele e permanecer fiel. Agora Ele quer nos dar a Sua força, para que possamos completar o edifício. Pedro aprendeu isso e mais tarde em sua vida entregou a vida pelo Senhor, porque ele andou na força do seu Senhor, não na sua própria. Muitos outros amados crentes completaram sua carreira, como fez o apóstolo Paulo, porque, como ele mesmo disse, “Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece” (Fl 4:13). Ele também pôde nos dizer que o Senhor disse a ele: “o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Quando percebemos nossa própria fraqueza, olhamos para o Senhor em busca de Sua força e então podemos completar o edifício, para Sua glória.


W. J. Prost


 

Caos e Anarquia no Horizonte


Enquanto escrevo isso em 7 de fevereiro de 2022, uma entrevista com Avigdor Liberman, o ministro das Finanças de Israel, acaba de ser publicada no “Jerusalem Post”, um proeminente jornal diário de língua inglesa sediado em Jerusalém. Os comentários dele são totalmente pessimistas e, embora muitos outros possam partilhar os mesmos pensamentos, temos de dar a ele crédito por ter tido a coragem de expressar publicamente as suas opiniões. O conteúdo da entrevista é muito instigante, e as conclusões dele podem bem repercutir entre os crentes que estão familiarizados com a profecia. Sei que este artigo levará vários meses para aparecer na revista O Cristão, mas é improvável que a verdade do que Liberman disse irá mudar durante esse tempo, a não ser talvez para pior.


A entrevista foi cheia de avisos terríveis. O mundo, disse ele ao entrevistador, precisa acordar imediatamente, pois, caso contrário, será jogado em um período sombrio de caos e anarquia. Ele explicou que havia quatro catalisadores por trás dessa ameaça.


Inteligência artificial

Em primeiro lugar, está o surgimento de mais tecnologia acionada por inteligência artificial. Existem jovens hackers, disse ele, que são capazes de fazer coisas com seus computadores e celulares que eram inimagináveis há apenas alguns anos. Dentro de uma década, ele disse, as crianças terão software, como o Pegasus da NSO (um spyware desenvolvido por um grupo de Israel), em seus telefones para poderem usar como quiserem. “São desenvolvimentos tecnológicos que não têm nenhuma supervisão ou coordenação”, disse ele. “Não há nenhuma forma de regulação global, e eles nos levam a lugares que são potencialmente assustadores.”


Criptomoedas

O segundo catalisador é a ascensão das criptomoedas em todo o mundo. Existem, ele observou, 15.000 diferentes tipos de criptomoedas hoje. “Qualquer número de pessoas se juntam e criam uma moeda digital”, disse ele. “Existem mercados de criptomoedas no Irã para evitar sanções e lavar dinheiro, que podem ser usados para financiar o terrorismo e o crime.” Muitos países no mundo não têm como lidar com isso. O que acontece, advertiu ele, se grandes corporações multinacionais saírem com sua própria moeda? Os cidadãos perderão a confiança em sua economia, na sua liderança e no próprio Estado. Não há instituição monetária que sozinha consiga regular 15.000 moedas digitais diferentes, especialmente quando os países estão fazendo com elas o que querem.


A “dark web”

O terceiro catalisador, segundo Liberman, é o que está acontecendo na dark web, um local de encontro para criminosos e atividades terroristas. Liberman disse que conheceu a dark web a partir de suas funções como ministro da Defesa e presidente do Comitê de Defesa e Relações Exteriores do Knesset.


“Isso se torna ainda mais complicado, com consequências de longo alcance, devido à capacidade de espalhar notícias falsas e teorias da conspiração”, disse ele. “O que estamos vendo nas redes convencionais é brincadeira de criança comparado com a dark web, onde há uma concentração de psicopatas criminosos, terroristas e espiões instalados na mesma rede.”


A ordem internacional

O quarto catalisador, explicou ele, é a ruptura e o colapso da ordem e dos sistemas internacionais. Um exemplo disso, disse ele, pode ser visto em Viena, onde as superpotências mundiais continuam a negociar com o Irã em busca de um novo acordo nuclear. Elas conversam com os iranianos ao mesmo tempo em que o Irã está fornecendo mísseis balísticos e drones aos houthis no Iêmen e ordenando que eles ataquem os Emirados Árabes Unidos. “Ninguém é responsabilizado mais. Vemos um enfraquecimento das superpotências globais e de sua capacidade de criar ordem e valores.”


Quando lhe perguntaram o que ele faria, Liberman disse que “precisamos superar os problemas diários regulares em cada país para parar essas tendências. Há apenas uma chance, que é regular e coordenar juntos com todos os ‘big players’ trabalhando em uníssono”. O que isso significa, explicou ele, é fazer com que o G7 – um fórum político intergovernamental composto pelo Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – trabalhe com a Rússia e a China para encontrar maneiras de regular uma nova ordem mundial e parar o curso em direção ao caos global. Ele admitiu abertamente que não tem certeza de que isso funcionará.


Profecia

Embora saibamos que a profecia não se aplica propriamente ao período da Igreja e que, portanto, não será realmente cumprida até que a Igreja seja chamada ao lar, na vinda do Senhor para nós, no entanto quando ouvimos uma entrevista como esta, parece quase como se a profecia estivesse sendo cumprida diante de nossos olhos. A maioria de nós jamais esperava ver a condição deste mundo ir tão longe antes de sermos chamados ao lar.


O espaço não nos permitirá entrar em muitos detalhes, mas sabemos a partir de Apocalipse 6 que, depois que a Igreja é levada para estar com Cristo, Deus permitirá eventos que sistematicamente irão “tirar a paz da terra” (v. 4 – ARA). Haverá também escassez de alimentos (vs. 5-6) e, por fim, uma ruptura do governo e da autoridade (vs. 12-13). O sol representa autoridade suprema, a lua representa autoridade derivada, e as estrelas possivelmente representam indivíduos que são proeminentes no governo. Esses eventos provavelmente ocorrerão durante os primeiros 3 anos e meio da semana da tribulação e serão de natureza mais providencial. Eles servem como avisos ao homem, pois mais tarde, sob a trombeta e finalmente as taças de juízo (Ap 16), o homem verá a mão de Deus diretamente na completa ruptura do governo, negócios e comércio e na permissão de uma avalanche de poder satânico a engolir este mundo.


As preocupações de Liberman não devem ser menosprezados; elas são uma solene avaliação da condição deste mundo e baseiam-se em observações sólidas de alguém que esteve no governo por muitos anos. Infelizmente, ele não mencionou o Senhor em sua entrevista nem Lhe deu crédito por permitir todas essas coisas para exercitar nosso coração e avisar o homem quanto ao juízo vindouro. Mas os crentes hoje podem olhar para os acontecimentos mundiais e, à luz da profecia, podem ver como o Senhor está fazendo o homem se dar conta da terrível realidade do que está por vir.


As grandes potências

No entanto, o remédio dele de fazer com que as grandes potências trabalhem juntas para trazer ordem e responsabilização de volta a este mundo, simplesmente, não vai acontecer. Pode haver algumas medidas temporárias colocadas em prática, mas as grandes potências de hoje estão ocupadas demais com os seus próprios interesses para trabalharem em conjunto pelo bem comum. A Rússia tem a sua própria agenda, procurando reforçar a sua influência global, e, enquanto escrevo, está reunindo tropas na fronteira da Ucrânia, procurando forçar a OTAN a concordar com as suas exigências. A China está adquirindo sistematicamente o controle sobre países menores por meio da chamada diplomacia da “armadilha da dívida”. Ao conceder grandes empréstimos sob certas condições a Estados financeiramente vulneráveis, ela não apenas aumentou a sua influência sobre eles, como também enredou alguns em armadilhas de dívida que corroem a soberania. Os Estados Unidos estão dilacerados pela polarização interna, e é muito improvável que o grupo G7 estará disposto a agir em conjunto para estabilizar a situação. O vírus COVID-19 complicou ainda mais toda a situação, fazendo com que as nações estejam ocupadas com sua própria saúde e bem-estar.


O amargo e o doce

Tudo isso simplesmente aponta para o cumprimento da profecia, e, embora devamos lamentar por este mundo e pelos terríveis juízos que estão por vir, por outro lado, podemos olhar “para cima [...] porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21:28). Este mesmo princípio é ilustrado em Apocalipse 10:9-10, onde o livrinho do juízo era, na boca de João, “doce como mel”, mas depois de comê-lo, ele disse: “meu ventre ficou amargo”. A alegria de ser levado para casa para estar com o Senhor é temperada com a tristeza pelo juízo que se seguirá. Mas com tudo isso nosso bendito Senhor e Mestre terá o Seu lugar de direito. Dessa forma, podemos amar “a Sua vinda” (2 Tm 4:8), pois “havendo os Teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça” (Is 26:9).


W. J. Prost


 

Deus É o Dono do Edifício


Deus é dono desse edifício, e Ele tomou sua morada ali pelo Espírito. Há uma coisa que eu gostaria que vocês notassem, quer olhemos para ele como o corpo de Cristo, a Igreja, ou como o edifício; gostaria de enfatizar Aquele que está ali. Quando é uma questão de olhar para ele como o corpo, o Senhor Jesus disse: “Aí estou Eu no meio”. Isso é dito do corpo, como a assembleia. Quando é uma questão de olhar para ele como o edifício, então se fala dele como a habitação de Deus pelo Espírito. Há uma diferença entre os dois. Isto é, o Senhor estando no meio e o Espírito Santo estando no edifício. A razão pela qual me sinto pressionado a mencionar essas coisas é que, acredito eu, muitas vezes, isso é perdido de vista.


J. L. Erisman


 

O Edifício de Cristo e o Edifício do Homem


Há uma diferença entre o edifício de Cristo e o edifício do homem, ou seja, onde os homens eram os ministros de Deus. Nestes dias, esta é uma distinção muito importante onde perguntas de igreja vieram de Roma para irmãos, acreditem, em todos os lugares. Cristo diz, “Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja”: ali eu tenho o edifício de Cristo. É claro que, contra este, Satanás não pode prevalecer, mas ele ainda não está todo construído, pois está em andamento; por isso, Pedro, que faz alusão a ele (1 Pe 2:4-5), não menciona ninguém trabalhando. Paulo diz: “Cresce para templo santo no Senhor”. Ali é Cristo edificando, mas aqui é o homem trabalhando; e, assim que vemos responsabilidade, temos um possível fracasso. “Veja cada um como edifica.” Isso nunca poderia ser dito do que Cristo está edificando. Mas o que foi feito pelo sistema do papado e toda a doutrina da Igreja é identificar com o edifício de Cristo aquilo que está relacionado com o edifício do homem. Contra a Sua obra, as portas do inferno não prevalecerão; ao passo que, quando é a coisa estabelecida na Terra, temos, “veja cada um como edifica”, onde ele não diz que as portas do inferno não prevalecerão contra ela.


J. N. Darby


 

Edificação e Progresso


Note que em 2 Pedro e Judas, ambos insistem em nossa edificação e progresso, tendo em vista a decadência da Igreja e o juízo vindouro. Isso para que se possa, julgando o estado exterior, entrar em um relacionamento mais próximo com Deus, em comunhão com o que Ele é e Seus caminhos em Cristo como Senhor. Temos as preciosas promessas como fé preciosa, mas olhamos para o futuro chamados pela glória, e assim estamos crescendo, mas isso no conhecimento de Deus que nos chamou. Temos todas as coisas necessárias à vida e à piedade, mas é por meio daquilo segundo o qual somos chamados que há, de forma inteligente, uma participação na natureza divina, isto é, nossa alma sendo formada moralmente no que essa natureza é – sua semelhança. Verdadeiro mal do qual escapamos.


J. N. Darby


 


A Pedra Viva


Em Cristo a salvação firme está; A Rocha Eterna perdurará; Não pode a fé ser derrotada Que sobre a “Pedra Viva” está firmada.


Lugar não há para outra esperança; N’Ele o nosso olhar e nossa confiança; Outros fundamentos repudiamos, E sobre a “Pedra Viva”, Cristo, edificamos.


Que se erga n’Ele, ordenado está, Um templo para o louvor de Jeová, Composto por todos os santos, que além Da “Pedra Viva” outro Salvador não têm.


Veja-o aumentar, o vasto edifício; Que grande obra! Que plano sábio! Fascinante estrutura! Que insondável poder! Que sobre a “Pedra Viva” o faz crescer.


Mas estime muito Seu precioso nome; Sua graça e Sua glória assim proclame: Por nós, condenados, desprezados, à deriva, Ele Se entregou, a “Pedra Viva”.


S. Medley


 


“Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece”

(Fl 4:13)


 

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