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Graça e Governo (Agosto de 2018)


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Revista mensal publicada originalmente em agosto/2018 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


C. H. Mackintosh (adaptado)

C. H. Mackintosh (adaptado)

W. J. Prost

C. D. Maynard (adaptado)

Christian Truth (adaptado)

H. Smith (adaptado)

J. N. Darby (adaptado)

D. C. Buchanan

W. J. Prost

F. B. Hole

Autor desconhecido

Adaptado

 

Graça e Governo


Graça perdoa – sim, perdoa gratuita, total e eternamente. Porém aquilo que é semeado deve ser colhido. Um homem pode ser enviado por seu mestre para semear um campo com trigo e, por ignorância, frouxidão ou desatenção, semeia algumas ervas daninhas. Seu mestre ouve sobre seu erro e, no exercício de sua graça, ele o perdoa – o perdoa gratuita e plenamente. E agora? O perdão gracioso mudará a natureza da colheita? Certamente que não, e, portanto, no devido tempo, quando as espigas douradas deveriam cobrir o campo, o servo o verá coberto com as ervas daninhas que semeou. A visão das ervas daninhas o faz duvidar da graça de seu mestre? De maneira nenhuma. Como a graça do mestre não alterou a natureza da colheita, nem a natureza da colheita toca, em nenhum momento, a graça do mestre, nem interfere, no menor grau, no seu perdão. As duas coisas são perfeitamente distintas. Além disso, o princípio ainda seria verdadeiro, mesmo que o mestre, pela aplicação de habilidade extraordinária, extraísse da erva um medicamento infinitamente mais valioso do que o próprio trigo. Ainda permaneceria válido que “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). Este versículo é uma declaração breve, mas abrangente, do grande princípio governamental – um princípio sério e prático. “Tudo o que o homem semear”, não importa quem ele é, assim como foi sua semeadura, será sua colheita. A graça perdoa, mas se você semeia ervas daninhas na primavera, você não colherá trigo na hora da ceifa.


C. H. Mackintosh (adaptado)

 

A Graça e o Governo com Adão


Em Gênesis 3 encontramos o homem como um pecador – um pecador arruinado, culpado e nu. Mas aqui também, encontramos Deus a graça para remediar a ruína, para limpar a culpa, e vestir sua nudez. Tudo isso Ele faz de Sua própria maneira. Ele silencia a serpente e a destina à eterna desonra. Ele estabelece a Sua própria glória eterna e fornece tanto a vida como a justiça para o pecador – tudo por meio da Semente ferida da mulher. Ora, isso era graça – graça ilimitada – graça gratuita, incondicional e perfeita – a graça de Deus. O Senhor Deus dá Seu Filho para ser, como “a semente da mulher”, ferido para a redenção do homem – ser morto para fornecer um manto de justiça divina para um pecador nu. Esta, repito, foi a graça da natureza mais inconfundível.


Mas então, que seja cuidadosamente observado que, em conexão imediata com esta primeira grande manifestação de graça, temos o primeiro ato solene do governo divino. Foi a graça que vestiu o homem. Foi o governo que o expulsou do Éden. “E fez o SENHOR Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles [de pele – JND] e os vestiu”. Aqui temos um ato da graça mais pura. Mas então lemos: “E, havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida”. Aqui temos um ato solene de governo. A túnica de pele era a doce garantia da graça. A espada flamejante era o solene emblema do governo. Adão foi o objeto de ambos. Quando ele olhava para a túnica, ele podia pensar na graça divina, porém quando olhava para a espada, ele se lembrava do governo divino.


Por qual razão foi que o Senhor Deus expulsou o homem, se Ele já o tinha perdoado? A graça perdoa, mas as rodas do governo giram em toda a sua terrível majestade. Adão foi perfeitamente perdoado, mas seu pecado produziu seus próprios resultados. A culpa de sua consciência foi removida, mas não o “suor do teu rosto”. Ele foi perdoado e vestido, mas isso foi entre “espinhos e cardos”.


Acontece com muita frequência que a graça e o governo se confundem e, como consequência necessária, a graça é roubada de seus encantos e o governo é destituído de suas dignidades solenes. O pleno e irrestrito perdão dos pecados, que o pecador pode desfrutar, com base na gratuita graça, raramente é apreendido, porque o coração está ocupado com as severas sanções do governo. As duas coisas são tão distintas quanto quaisquer duas coisas podem ser, e essa distinção é claramente mantida no terceiro capítulo do Gênesis, como em qualquer outra seção da Palavra inspirada de Deus. Será que os “espinhos e cardos” com que Adão se viu cercado, em sua expulsão do Éden, interferiram no pleno perdão que a graça anteriormente lhe tinha assegurado? Claro que não. Seu coração havia ficado contente com os brilhantes raios da lâmpada da promessa e ele mesmo vestido com o manto que a graça tinha tecido para ele, antes que ele fosse enviado para uma terra amaldiçoada e que gemia, para ali labutar e lutar, pelo justo decreto do trono do governo. O governo de Deus “expulsou o homem”, mas não antes que a graça de Deus o perdoasse e o vestisse. Isso o enviou para um mundo de profunda tristeza, mas não antes de colocar na mão a lâmpada da promessa para animá-lo nessa tristeza. Ele poderia suportar o solene decreto do governo na proporção em que ele experimentasse a rica provisão da graça.


C. H. Mackintosh (adaptado)

 

Graça em Governo


Muitas vezes tem sido corretamente declarado que a graça e o governo são aspectos separados dos tratamentos de Deus para com o homem, e que enquanto andam juntos, eles não anulam um ao outro. A graça não cancela o governo, mas o governo também não revoga a graça. No entanto, há outra característica mais importante dos caminhos de Deus para conosco, e é que Deus nunca permitirá que o governo se torne mais proeminente do que a Sua graça. Pelo contrário, a graça sempre será predominante, pois Deus Se deleita em abençoar. Alguém comentou com mais propriedade que “Deus é luz, e nós O fizemos um Juiz por causa dos nossos pecados, mas Deus também é amor e ninguém precisa fazer algo para que Ele seja assim”. Quando a necessidade de julgamento e governo houver passado, graça e amor serão celebrados por toda a eternidade.


O bezerro de ouro

Há uma série de ocasiões, tanto no Velho como no Novo Testamento, em que vemos esta preciosa verdade sendo exibida. Quando os filhos de Israel pecaram seriamente ao fazer o bezerro de ouro, o justo julgamento de Deus exigiu que eles fossem consumidos (Êx 32:9-10). Mas Moisés, sem dúvida, com a mente do Senhor, intercedeu pelo povo, e Deus agiu em graça. Sua graça não eliminou Seu governo, pois lemos que “caíram do povo, aquele dia, uns três mil homens” (Êx 32:28). No entanto, Deus em Sua graça foi capaz de continuar com Seu povo e perdoar seu pecado, embora o tabernáculo não estivesse mais no meio do acampamento.


Mais tarde, vemos a mesma graça em relação ao próprio Moisés. Seu pecado de ferir a rocha em vez de falar com ela (Nm 20:7-11) resultou em que não fosse permitido que ele conduzisse o povo para a terra de Canaã. No entanto, o Senhor deu-lhe um sinal de honra, em que Ele o levou até o topo da montanha de Nebo (Pisga), onde ele foi capaz de ver quase toda a terra, de norte a sul. Para ver o máximo da terra como está registrado (Dt 34:1-4), ele teria que ver quase 160 quilômetros em todas as direções. Já que o Monte Nebo fica a apenas 700 metros acima do nível do mar, isso foi um milagre que o Senhor realizou, pois ver esta distância de modo natural a partir dessa altura normalmente teria sido impossível.


Sansão

Chegamos a Sansão, que foi duas vezes libertado de mulheres com as quais ele não deveria ter mantido companhia, mas na terceira vez, quando ele namorou com Dalila, Deus em Seu governo permitiu que ele fosse dominado pelos filisteus. Mas a graça interveio no final, quando Sansão pediu mais uma vez para ser fortalecido pelo Senhor (Jz 16:28). Deus atendeu ao seu pedido, e ao romper as colunas de sustentação do edifício em que ele estava na época, “foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida” (Jz 16:30). Não somente milhares de filisteus foram mortos neste tempo, mas a glória de Deus foi reivindicada, pois os filisteus haviam atribuído sua vitória sobre Sansão ao seu deus Dagom.


Davi

Passaremos agora para Davi, e todos nós estamos familiarizados com o seu pecado com Bate-Seba. A graça de Deus perdoou seu pecado (2 Sm 12:13), mas o governo de Deus exigiu que ele retribuísse quadruplicado. De fato, o próprio Davi pronunciou sua própria sentença (2 Sm 12:6), quando Natã, o profeta, usou uma ilustração para transmitir a Davi a gravidade de seu pecado. Na verdade, Davi pagou quadruplicado, quando quatro de seus filhos morreram após isso – primeiro o bebê que nasceu de Bate-Seba, depois Absalão, Amnom e, por fim, Adonias. No entanto, é evidência da graça de Deus que Adonias não morreu antes de Davi; ele não viveu para ver o resultado final do governo de Deus.


Finalmente, quando chegamos ao Novo Testamento, realmente encontramos a graça de Deus em abundância. Enquanto descobrimos que o governo de Deus continua a operar, ele pode ser chamado de governo do Pai, pois estamos agora em um relacionamento muito mais íntimo com Deus neste dia de Sua graça. A graça de Deus certamente estava ativa no Velho Testamento, mas toda a ordem de coisas antes da cruz era da lei, onde o homem estava sendo testado. Agora, Deus está lidando com este mundo em graça, e os crentes desfrutam de um relacionamento que nunca foi experimentado antes.


Saulo de Tarso

De acordo com essa relação, encontramos o governo do Pai exemplificado no amado apóstolo Paulo. Como Saulo de Tarso, ele merecidamente caiu sob o governo de Deus como incrédulo, pois ele perseguiu a Igreja de Deus. Mas a graça o tomou e fez dele possivelmente o maior servo que o Senhor já teve. No entanto, sua vida, mesmo como Cristão, não foi livre de falhas.


Depois de ministrar aos gentios por muitos anos, ele desejou muito ir a Jerusalém, para buscar a bênção de sua própria nação, os judeus. Apesar do fato de que o próprio Senhor lhe dissera que “porque [os judeus] não receberão o teu testemunho acerca de Mim” (At 22:18) e que o testemunho universal de seus irmãos era que ele não deveria subir a Jerusalém, Paulo foi em frente. Quando estava em Jerusalém, ele até chegou a ponto de participar de um ritual judaico de purificação, junto com quatro homens judeus (At 21:17-26). Isso acabou resultando em uma rebelião dos judeus e na prisão de Paulo pelos romanos.


A prisão de Paulo

Não podemos deixar de admirar o zelo de Paulo por sua própria nação, mas ele sofreu sob o governo de Deus por ir contra a direção expressa de Deus para ele. Ele passou mais de dois anos na prisão em Cesaréia, depois mais dois anos de prisão em Roma, e entre esses períodos de prisão ele teve uma jornada muito perigosa de Cesaréia a Roma. Contudo, em tudo isso, vemos a abundante graça de Deus.


Antes de tudo, o Senhor deu a Paulo duas comunicações muito especiais ao longo do caminho (At 21:11; 27:23-24), assegurando-lhe o Seu amor e cuidado e dizendo-lhe para ter “bom ânimo” e “não temer”. Apesar de seu fracasso, o Senhor confirmou a ele que Ele poderia, e continuaria usando a ele em bênção para outros. Mais do que isso, ele recebeu a oportunidade única de falar em particular e publicamente diante de alguns dos mais altos líderes romanos, como o Senhor havia predito por Ananias (At 9:15). Finalmente, a graça de Deus triunfou em que durante o tempo de Paulo em Roma, ele foi capaz de escrever as chamadas “epístolas da prisão” de Efésios, Colossenses, Filipenses e Filemom (Segunda Timóteo também foi escrita de uma prisão romana, mas não ao mesmo tempo que as outras). Deus prevaleceu para que a Igreja pudesse em todos os séculos ter o benefício do ministério de Paulo, pois não há dúvida de que o que ele escreveu teve um efeito muito mais difundido do que o que ele pregou durante sua vida.


Tudo isso foi realmente o governo do Pai, que por um lado fez o Seu servo sentir o efeito do seu fracasso, mas ainda o encorajou ao longo do caminho e usou tudo para abençoar no final. Enquanto não há desculpa para o nosso fracasso, Deus olha para os motivos do nosso coração e não permite que Satanás prevaleça por meio desse fracasso. Deus é de fato um Deus de governo, de acordo com Seu caráter de luz, mas Seu governo é moderado com Sua graça e triunfa no final.


W. J. Prost

 

Graça e Governo


Há dois princípios distintos nos quais Deus lida com o homem como tal e no qual também lida com o Seu povo – graça e governo. A primeira é a característica bendita de Deus, pois Ele é o “Deus de toda graça”. O evangelho é a grande demonstração desse princípio, Deus toma uma pessoa e a abençoa, sem qualquer referência a como ela se comportou ou ao que ela merece. Para que isso possa ser feito consistentemente com as reivindicações de justiça contra o pecador, a cruz era necessária. O governo é o contrário disso. Ele está consciente do comportamento da pessoa sobre a qual governa e regula sua conduta em relação à pessoa de acordo com os méritos dela. Nós temos este princípio em 1 Pedro 2:14: “Governadores... são... para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem”. Esta palavra aplica-se ao governo humano, mas o princípio é o mesmo, seja qual for a esfera em que o governo é exercido.


Desespero e descuido

É muito importante que nos lembremos de que Deus age em relação a nós como Seu povo em ambos os princípios. Se eu esquecer Sua graça quando tiver falhado, talvez eu me desespere. Se eu esquecer o Seu governo, meu descuido pode aumentar, não me lembrando de que “se viverdes segundo a carne, morrereis” (Rm 8:13), e de que nossa colheita depende da nossa semeadura.


Vemos um exemplo da atuação de Deus nesses dois princípios na história de Abrão. Primeiramente, o chamado de Abrão foi uma demonstração da graça soberana, e o mesmo vale para todos os santos de Deus, mas quando Deus o trouxe para Si mesmo, Ele o trouxe para onde o governo, assim como a graça, seria exercido para com ele, e a mesma coisa acontece conosco quando somos trazidos a Deus.


Abrão não se demorou muito no lugar de favor, antes que, sob a pressão severa das circunstâncias, desistisse de agir sobre o princípio da fé e adotasse o princípio mundano da vista. Ele tinha ido a Canaã em fé, mas lá ele encontrou a fome. Sem consultar Deus, ele fez o que a prudência sugeria e deixou a terra da fome para o Egito, a terra do suprimento.


Agora, Egito e Canaã, respectivamente, representam os dois princípios da vista e da fé. O Egito é um país que extrai seus recursos de si mesmo, tem um rio que o fornece, por assim dizer, independentemente do céu. Canaã, por outro lado, era regada de cima. As características físicas dos países são contrastadas em Deuteronômio 11:10-12. Assim, quando Abrão desceu de Canaã para o Egito, sua ação foi simbólica do que seu coração estava realmente fazendo. Ele estava indo da posição de ser um homem de fé para se tornar um homem do mundo.


Devemos notar que Abrão conseguiu o que ele procurava, pois quando ele retornou do Egito, o vemos e seu companheiro Ló em circunstâncias favoráveis (Gn 13:2; 5). Outra coisa que deve ser destacada é que durante o momento que Abrão estava no caminho da vista, ele renovou um pacto falso com sua esposa Sarai, sugerido pelo príncipe da prudência humana. “Dize, peço-te, que és minha irmã” (Gn 12:13). Isso não o livra de problemas, mas Deus o livra. Isso é pura graça.


A graça reafirma – O governo separa

Mas a graça de Deus é mais claramente mostrada no capítulo 13, pois Deus não o trouxe apenas para fora do Egito, mas a Betel, ao lugar onde sua tenda estava no princípio. E ali, no lugar do altar que ele fez no princípio, ele invocou o nome de Jeová. A graça restabelece a alma em seu brilho original. Mas agora devemos notar os caminhos governamentais de Deus com Abrão em relação a este desvio. Embora sua própria alma tenha sido restaurada a Deus e o princípio da vista fosse julgado em seu coração, ainda assim a marca do Egito apareceu em sua família quando não é mais vista em si mesmo. Abrão era um homem de fé. Ele havia saído do Egito sem qualquer amor pelo Egito, mas não foi assim com seu sobrinho Ló, que ele levou para o Egito com ele. Isso nós vemos no final de Gênesis 13.


Ló é separado

Havia uma parte da terra de Canaã que era como o Egito. Era como o jardim do Senhor, bem regado em toda parte, não pela chuva do céu, mas por um rio “como a terra do Egito” (Gn 13:10). Ló tinha um gosto por uma terra como a do Egito, uma terra que Abrão o tinha levado para ver. Era um lugar onde um homem poderia viver sem depender do céu. Que lugar atraente para nosso coração natural! Abrão poderia abandonar tudo ali, mas não Ló. Ainda se pensa que deve ter sido um dia amargo para Abrão quando ele viu Ló tomando o caminho da vista que ele, infelizmente, tinha uma vez mostrado a ele. O princípio de que marcou o tio por um momento, marcou o sobrinho permanentemente.


Eles se separaram, Ló adotando princípios mundanos, ou egípcios, e Abrão ainda andando diante de Deus, um semeia problemas para si mesmo por causa do governo de Deus, o outro trilhando o caminho, embora tentado pela carne, mas do qual está escrito: “Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz” (Pv 3:17). Que o Senhor nos ajude a andar neles!


Agar é expulsa

Mas este era o fim dos princípios egípcios na família de Abrão? Infelizmente não. A próxima pessoa em quem eles aparecem é Sarai, e aqui o próprio Abrão cai sob eles. Havia na família de Abrão uma serva de Sarai, uma egípcia, e vemos que o princípio que governa a mente de Sarai agora é o mesmo que governava a mente de Abrão naquela época. Ela deu sua empregada para ser a esposa do seu marido. Era um ato que parecia a única saída para uma dificuldade. Não havia pensamento de Deus nisso. O resultado foi um longo problema novamente sob o governo de Deus. Passaram quinze anos até que o resultado desse ato fosse retirado da casa de Abraão, na expulsão da serva e de seu filho. Mas foi com o coração partido que Abraão agiu. Foi apenas neste ponto que o último traço do Egito desapareceu de sua casa.


Tudo isso não é o conto da graça de Deus, mas é uma ilustração do Seu governo. Se Abrão encontrou alivio abandonando os princípios divinos, encontramos nisto dois resultados. Em primeiro lugar, o bendito poder de Deus restaura a alma e, no segundo, o governo de Deus o faz provar a amargura daqueles princípios sobre os quais ele agiu, quando eles aparecem em outros membros de sua família.


Mundanismo

Uma coisa é entrar no mundo e outra completamente diferente é tirar o mundanismo da casa depois de ter permitido que ele entre nela. Ainda assim, a disciplina de Deus não age em ira, mas é a de um pai, a fim de que possamos ser participantes da Sua santidade. “Não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?” (Hb 12:9) É preciso muita graça para sustentar o espírito ao passar pelas consequências governamentais de nossas ações. Ainda assim, é aqui que a graça é ocasionalmente exibida da maneira mais brilhante, humilhando-nos sob a potente mão de Deus, para que Ele nos exalte a Seu tempo (1 Pe 5:6).


C. D. Maynard (adaptado)

 

Objeto da Graça – Sujeito ao Governo


Entre os muitos nomes sob os quais agradou a Deus Se dar a conhecer, nenhum é mais doce para o coração do Cristão do que este: “O Deus de toda a graça” (1 Pe 5:10). Devemos tudo à graça, pois é a fonte primordial de toda bênção. Exclua a graça e você exclui o perdão, a paz, a vida eterna e a glória eterna, pois esses são os dons que a graça traz do tesouro celestial. Abandone o pensamento da graça e nada resta a não ser nossos desertos, a luz do dia se foi e estamos calados em uma noite que nunca terminará. É a graça de Deus que traz salvação a todos os homens (Tt 2:11); pela graça o crente é justificado (Rm 3:24); pela graça ele é salvo (Ef 2:8), e em graça ele está firme (Rm 5:2). A redenção que ele tem em Cristo está de acordo com as riquezas da graça de Deus, pois Ele é rico em graça (Ef 1:7). Além disso, nas eras que se seguirão, Ele mostrará as abundantes riquezas de Sua graça, pela benignidade para conosco por Cristo Jesus (Ef 2:7). Os anjos, principados e poderes verão então a graça em suas vestes de glória. Nunca a graça se mostrará mais bela do que quando as obras de suas mãos forem totalmente vistas ao tomar um pobre pecador do lugar mais baixo de degeneração e manifestá-los em associação com Cristo na glória de Deus.


Paulo pôde exortar bem a Timóteo, dizendo: “fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (2 Tm 2:1). Ele também disse bem aos Hebreus: “porque bom é que o coração se fortifique com graça” (Hb 13:9). E bem poderia ele declarar por si mesmo que seu único desejo era que ele pudesse terminar sua carreira com alegria e seguir o ministério que ele recebeu do Senhor Jesus, para testificar das boas novas da graça de Deus (At 20:24). Vamos exaltar a graça. Vamos coroá-la com guirlandas – a rica, gratuita e ilimitada graça de nosso Deus – pois ela é digna de ser louvada.


Governo

Mas, embora seja verdade que todo crente é colocado na graça imutável de Deus, que ele está sempre ali, e nunca deixará de estar no favor divino, ainda devemos ser lembrados de que a graça não o coloca além da esfera do governo divino. Nesse contexto, suas ações, o estado de sua alma e o modo como ele se comporta a cada hora adquirem uma importância que deve ser sempre destacada. Graça e governo continuam juntos, eles prosseguem em linhas paralelas, e se o crente é o objeto da primeira, ele não está menos sujeito a este último. “Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna” (Gl 6:7-8). Este é um princípio permanente do governo de Deus, a partir da aplicação de que, seja ao lado de advertência ou encorajamento, a graça não exime nenhum.


Exemplos do Velho Testamento

A vida de muitos santos do Velho Testamento nos dá exemplos impressionantes deste grande princípio, pela ajuda dos quais somos capazes de distinguir claramente entre a graça e o governo. E este grande princípio do governo de Deus não muda com a mudança das dispensações. “Porque aos que Me honram honrarei, porém os que Me desprezam serão envilecidos [tidos em pouca conta – TB] (1 Sm 2:30). Que não pensemos que porque estamos debaixo da graça divina, consequentemente estamos além da esfera do governo divino. Não é assim, pois em 1 Pedro 1:17 lemos: “E, se invocais por Pai Aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor”. Acaso estas palavras não nos dizem que se a graça soberana nos colocou em eterno relacionamento com o Pai, dando-nos o lugar de filhos diante d’Ele, portanto o Pai observa nossos caminhos, julga nossas ações e nossos motivos, e trata conosco adequadamente? O que o homem semear, isso também ceifará. Se um santo de Deus semeia na carne, qual será a colheita? Acaso ele colherá paz e alegria no Espírito Santo? Mesmo em coisas naturais, os homens não colhem uvas dos espinheiros, nem figos dos abrolhos (Mt 7:16).


Deus governa

Tendo em vista, então, o fato de que Deus governa entre os homens, perguntamos: para o que estamos semeando? Quais são as coisas nas quais nosso coração e mente vivem? Estamos semeando no Espírito? Damos ouvidos à Palavra de Deus? É o Senhor Jesus Cristo no céu Aquele com Quem estamos cada vez mais ocupados? Há bênção indescritível em estar comprometido com Ele. “Mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna”. Vamos buscar as coisas que estão acima, onde Cristo está assentado à destra de Deus, procurá-las como aquele que busca um tesouro escondido. Depois provaremos as fontes celestes, nós nos sentaremos “Sento-me com grande gozo à Sua sombra” (Ct 2:3 – TB), e Seu fruto será doce ao nosso paladar.


E se existe em nossa alma a humilde consciência de termos nos afastado de Cristo, devemos nos lembrar de que temos a ver com o Deus de toda graça. Por mais baixo que tenhamos afundado, por maior e mais grave que seja o nosso declínio, o pensamento de Deus como o Deus de toda a graça pode nos encorajar a retornar a Ele com um coração suavizado pela lembrança da graça tão imutável, repugnando a nós mesmos que poderíamos ter nos afastado d’Aquele cuja graça é incansável e inesgotável.


Christian Truth (adaptado)

 

O Governo Moral de Deus


Nos primeiros versos de 1 Pedro 3, o apóstolo nos impõe o belo caráter de Cristo que deveria marcar a companhia Cristã, mas depois nos encoraja a abraçar de todo o coração a vida Cristã e a recusar o mal, lembrando-nos dos princípios imutáveis do governo moral de Deus. A essência do governo, seja humano ou divino, é proteger e abençoar aqueles que fazem o bem e punir aqueles que praticam o mal. Com o homem, a corrupção e a violência podem com demasiada frequência arruinar seu governo, fazendo com que o bom sofra e o ímpio escape. Com Deus tudo é perfeito. Seu governo é exercido sem distinção de pessoas, retribuindo a todo homem, crente ou incrédulo, de acordo com seus atos.


A graça de Deus não anula o governo de Deus, nós não escapamos do governo de Deus tornando-nos Cristãos. Embora sejamos os objetos da graça, ainda é verdade que colhemos o que semeamos; não podemos usar o Cristianismo para cobrir o mal.


Uma vida de bem-aventurança

O Cristianismo coloca diante de nós uma vida de bem-aventurança vivida em comunhão com Deus. Esta vida foi vivida em perfeição pelo Senhor Jesus, conforme estabelecido na “vereda da vida” traçada no Salmo 16. É uma vida que tem sua profunda alegria espiritual, pois o Senhor pode dizer desta vida: “As linhas caem-Me em lugares deliciosos”. Se, então, o crente vivesse essa vida e “porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a” (1 Pe 3:10-11). Ao fazê-lo, ele encontrará no governo de Deus que ele é abençoado, ao passo que aquele que pratica o mal sofrerá, pois, de acordo com os princípios imutáveis do governo de Deus, “os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os Seus ouvidos, atentos às suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem males” (v. 12). Além disso, “qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?” (v. 13). Até mesmo o mundo pode apreciar o homem que de maneira quieta prossegue seu caminho fazendo o bem


Governo moral

Podemos, entretanto, perguntar se fazer o bem nos leva a prosperidade e fazer o mal leva a punição, então porque no mundo frequentemente vemos o piedoso sofrer e aqueles que fazem males aparentemente prosperam? Como pode ser que na mesma epístola que nos diz que o favor de Deus está sobre os justos, também temos os sofrimentos do povo de Deus trazidos diante de nós em grande detalhe do que em qualquer outra Escritura? Como é que, imediatamente após a passagem que promete “bons dias” como resultado de fazer o bem, lemos sobre a possibilidade de sofrer por fazer o bem?


Tais perguntas são respondidas se nos lembrarmos que durante este dia de graça o governo de Deus é moral e geralmente não direto e imediato. É verdadeiramente um governo moral no sentido de que o bem é recompensado por bênçãos espirituais e não pela prosperidade material, de modo que, enquanto o apóstolo coloca diante de nós a possibilidade de sofrer por causa da justiça, ele ainda pode acrescentar: “bem-aventurados sois”.


O governo de Deus não é geralmente direto, pois a tristeza e a punição que são as consequências do mal nem sempre são imediatas e visíveis. Para ver o resultado final do governo de Deus – seja na bênção daqueles que fazem o bem ou na punição do malfeitor – devemos olhar além do tempo presente e esperar o mundo vindouro.


Governo oculto

Enquanto o governo de Deus continua em toda a sua perfeição absoluta, no momento está em grande parte oculto, e como alguém disse: “É preciso ter fé para aceitar o fato de que o governo moral de Deus prevalece acima de toda a confusão”. Que o crente se lembre de que, apesar de todas as aparências em contrário, sempre é verdade que fazer o bem levará à bênção e à tristeza. Tanto a bênção quanto a tristeza podem ser experimentadas em medida agora, mas a bênção será totalmente conhecida no mundo vindouro.


H. Smith (adaptado)

 

Semeando e Colhendo


Qualquer que seja o poder onipotente da graça de Deus, precisamos ser lembrados de que Ele sempre mantém Seus princípios morais. Seja qual for o amor e a misericórdia de Deus ao abraçar uma alma, Ele nunca deixa essa alma em seu mal nem trata levianamente com a impiedade. Contudo, a verdade abençoada do evangelho é que Deus é por nós, embora contra nosso mal. Assim, em Seu amor, Ele mantém Sua autoridade em nossa alma, Seu ódio ao pecado e Seu deleite no que é bom. Ele Se ocupa em produzir o reflexo de Sua própria santidade em cada alma que Ele liberta do julgamento vindouro. Porque Deus é verdadeiro, Ele continua o trabalho vigilante de Seu amor em moldar nossa alma à imagem de Cristo enquanto passamos pelo deserto.


Os imutáveis princípios morais de Deus

É importante para nós trazer nossa alma continuamente a este padrão. É impossível superestimar a importância da graça e nosso conhecimento dela, mas quanto mais a valorizamos, mais nos preocupamos em não sacrificar os princípios morais de Deus por causa da graça que Ele nos mostrou. É em vista disso que encontramos as seguintes palavras no final da epístola aos gálatas: “Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos [família – ARA] da fé” (Gl 6:7-10).


Se não estamos fundamentados na graça, podemos achar esses versículos um pouco surpreendentes. Se retirados de seu contexto, podem parecer à primeira vista apoiar o pensamento de que nossa salvação depende de nossa caminhada. É claro em outras Escrituras que esse pensamento é totalmente falso e que o único fundamento sobre o qual podemos estar é Cristo. Esse fundamento não é a obra do Espírito em nós, mas a obra de Cristo por nós. Está inteiramente fora de nós mesmos. Mas há uma obra do Espírito em nós – uma obra constante e séria. Praticamente ela pode ser interrompida ou mesmo eclipsada de tempos em tempos, mas Deus nunca permite que Seu filho escape do governo e disciplina de Seu coração e mão, de modo a produzir uma conformidade moral com Sua própria vontade. Ele não nos trataria como filhos se nos deixasse escapar disso.


Uma colheita mista do bem e do mal

Este princípio é universalmente verdadeiro, seja do incrédulo ou do crente: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. O incrédulo semeia para nada além de si mesmo e colhe o julgamento de Deus sobre si mesmo, onde não há uma única coisa boa que permaneça diante de Deus. Mas e quanto aos crentes? É aí que entra a dificuldade, porque o crente tem uma colheita mista entre o bem e o mal. Satanás se aproveita do mal não julgado de nosso coração para nos levar ao pecado. Pode não ser sempre um pecado grosseiro, mas o mal rebelde de nossa natureza que prefere uma pequena gratificação presente do ego, em vez da obediência e glória de Cristo. O que Deus faz? Naquilo a que nos entregamos em tolerância própria, Deus lida conosco nessa mesma coisa. Sofremos naquilo em que nos agradamos, e a mesma coisa da qual nos poupamos de julgar, isso mesmo se torna a vara de nossa correção. Sejamos gratos por isso, pois temos a certeza de que somos realmente filhos de Deus.


Se não fosse assim, quais seriam as consequências? Eu teria que sofrer no inferno por isso. O que é contrário a Deus deve ser julgado. Se Deus não conduzisse Sua disciplina em minha alma agora, ela teria que ser julgada no inferno. “Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Co 11:32). O mundo sentirá o julgamento de Deus num dia vindouro, mas o crente sente Sua mão castigando agora. Não importa o que seja – posso pensar que seja apenas um pequeno pecado – é impossível que Deus possa ter comunhão com aquilo que não é de Cristo. Que misericórdia que agora é o tempo quando Deus lida com o que não flui do Seu Espírito! Pode ter que se manifestar mais tarde no tribunal de Cristo, mas agora é a hora em que a vara está sobre nós. Se, no momento, parece que Deus não está levando em conta nossos caminhos, Ele está apenas esperando para lidar conosco de uma maneira mais eficaz.


As relações de Deus com nosso estado prático

Não pensemos que nosso Pai é duro. Pode alguma coisa muito dura vir de tal Deus – Aquele que deu Seu próprio Filho para morrer para que pudéssemos ser redimidos? Sabemos que somos filhos de Deus para sempre e nada pode alterar essa preciosa verdade. Mas quanto ao lidar de Deus com nossa alma neste tempo presente, muito depende de nosso estado e conduta prática. É impossível que Deus possa sancionar o que é contrário a Cristo e devemos agradecê-Lo por isso. Faz parte do plano de Sua perfeita bondade para conosco.


Assim, vemos que graça e governo são verdades paralelas, e uma não exclui a outra. Graças a Deus, Sua graça nunca muda, seja salvando, mantendo ou restaurando a nós. Mas um senso daquela graça em nossa alma nos fará abominar o mal que Deus abomina. O contraste entre essa graça e o que era em nós que despertou essa graça nos atrairá para Deus e toda a Sua bondade. Se falharmos nisso (e a tendência está em cada um de nós, em maior ou menor grau), Deus trata conosco em Seu governo.


Que o nosso desejo seja que Cristo seja formado em nós em tudo, não apenas para que tenhamos vida eterna, mas que nosso coração esteja de acordo com o coração d’Ele. Isto é o que Deus tem diante d’Ele, e deveria ser o objetivo de nossas almas. E de acordo com isso “não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido”.


J. N. Darby (adaptado)

 

Uma Vara de Correção ou Amor


Recentemente uma jovem mãe se aproximou de mim com a questão de como ela deveria criar seus filhos durante a dispensação da graça. A dificuldade óbvia que ela enfrentou foi como mostrar graça a sua família e, ao mesmo tempo, levar adiante a disciplina ou a ordem divina no lar. Essa questão tem deixado pais perplexos por muitos anos. A resposta vem em descobrir como Deus combina Sua graça com o Seu governo. Um não interfere no outro, pois eles andam paralelamente um ao lado do outro.


Vamos nos referir a um exemplo que o apóstolo Paulo deu em 1 Coríntios 4. Os coríntios estavam agindo de forma carnal e precisavam de correção. Em vez de se humilharem, ficaram inchados com o assunto: “Mas alguns andam inchados, como se eu não houvesse de ir ter convosco” (v, 18). Parece que eles pensaram que poderiam escapar impunes de sua carnalidade sem qualquer correção. Mas Paulo lembra a eles que ele não iria deixar isso passar. Ele iria até eles e “então conhecerei, não as palavras dos que andam inchados, mas a virtude” (v. 19). Ele iria repreendê-los por seu comportamento.


O Reino de Deus

Ele então continua com as palavras: “o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude”. Deus deu poder para realizar a administração dos princípios do Seu reino. Paulo estava certo de que, quando era necessário exercer disciplina ou algum tipo de governo, ele tinha autoridade ou poder para fazê-lo. Deus estava por trás dele e apoiaria a ação considerada necessária. Tal ação não era para destruir a graça de Deus, mas para reforçá-la. Se os coríntios abusassem da graça, Paulo os lembrava que não os permitiria. Ele iria até eles com uma vara. A vara seria usada de uma maneira governamental para fazê-los perceber que não poderiam escapar dessa prática. A vara que Paulo usaria era para impedi-los de cair sob uma disciplina ainda mais severa do Senhor se eles continuassem em seus caminhos (1 Co 5:5; 11:31-32).


A razão da vara de correção

Assim, o apóstolo coloca as opções diante deles de como eles queriam que ele fosse a eles: “Que quereis? Irei ter convosco com vara ou com amor e espírito de mansidão?” (v. 21). Este versículo traz a razão para o governo. Não há dúvida sobre seu motivo de amor e graça. É evidente que Paulo queria mostrar amor e graça, mas ele não se esquivaria de lidar duramente com eles de maneira governamental se eles se recusassem a se arrepender. A graça era primordial para ele, e a disciplina governamental era o seu “plano B” para levá-los ao julgamento próprio. Caso contrário, a graça não poderia fluir livremente para eles. Nesse caso, ele teria que ir até eles com uma vara.


Que o Senhor nos ajude a entender a interação que a graça e o governo têm um com o outro, de modo a realizá-los em nossas casas e assembleias. Se não fosse pelos caminhos governamentais de Deus conosco, quem de nós teria vindo para apoderar-se de Sua graça? A apreciação real de Sua graça não nos faz agradecidos por Ele ter lidado conosco de maneira governamental! “Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os Teus estatutos” (Sl 119:71). “Bem sei eu, ó SENHOR, que os Teus juízos são justos e que em Tua fidelidade me afligiste” (Sl 119:75). “Porque bom é que o coração se fortifique com graça” (Hb 13:9).


D. C. Buchanan

 

Um Espinho na Carne


Em outros artigos desta edição, falamos principalmente sobre o governo de Deus “depois do fato”, por assim dizer – uma colheita do que semeamos. Isto é, falamos de como Deus, em Sua bondade e sabedoria, exerce o governo em nossa vida como crentes quando fracassamos. Tudo isso é em amor, mas também de acordo com a Sua natureza santa, porque nós pertencemos a Ele. No entanto, há um aspecto dos caminhos de Deus para conosco que é antecipativo – uma sabedoria que prevê como um conjunto de circunstâncias provocará a carne a agir e, em uma combinação de graça e governo, introduzirá aquilo que impedirá o fracasso. Vemos isso exemplificado no espinho na carne que foi dado a Paulo.


Como o vaso escolhido por Deus para receber a revelação especial da verdade da assembleia, Paulo teve um lugar único entre os apóstolos. De acordo com essa revelação, ele “foi arrebatado até ao terceiro céu”, onde ele “ouviu palavras inefáveis [indizíveis – TB] (2 Co 12:2, 4). Tudo isso foi a mais maravilhosa experiência e, até onde sabemos, uma experiência que nenhum outro teve o privilégio de ter. Enquanto Paulo estava desfrutando dessa experiência, ele nem mesmo estava consciente de estar ou não no corpo, e a carne não poderia estar ativa em tal cena como esta. Em vez disso, ele fala de si mesmo como “um homem em Cristo” (2 Co 12:2).


A prevenção

No entanto, quando Paulo voltou à Terra, Deus previu o perigo de que ele se “exaltasse pelas excelências das revelações” (2 Co 12:7). A experiência no terceiro céu, embora mais edificante, não mudou em nada a carne em Paulo, e ele estava tão propenso a ser exaltado em orgulho quanto antes. O Senhor previu isso em Seu fiel servo e, em Sua graça e Seu governo, deu-lhe um espinho na carne para impedir isso. Paulo, a princípio, ficou muito angustiado com esse espinho e, por três vezes, pediu ao Senhor que o removesse (2 Co 12:8). Não nos é dito exatamente o que era, mas evidentemente era algo físico que ele sentia ser um grande obstáculo para ele. Mais tarde, ao ver o efeito desse espinho em impedir a carne de agir, ele pôde dizer: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12:10).


Assim acontece conosco hoje, exceto que muitas vezes não temos consciência disso em nossa vida. Muitas vezes não vemos com clareza como Paulo percebeu, e não discernimos a graça de Deus em Seus caminhos governamentais conosco. Alguém colocou isso dessa forma: “Penso que limitamos nossos pensamentos à remoção da distância entre nós e o Senhor, quando a atividade de nossa carne produziu tal distanciamento. Não pensamos suficientemente em quantas vezes Ele impede uma distância entre Ele e nós. Isso lançaria luz em muitas circunstâncias de nossa história – muitas tristezas, muitos problemas, muitas circunstâncias desfavoráveis que desejávamos de outra forma – se nosso coração estivesse na consciência divina de que havia Alguém que sabe que existe em nós um material carnal a ser trabalhado, de modo que a distância surgisse, e Quem sabe exatamente quando Se interpor. Que luz brilharia sobre nós em muitos dias sombrios! Oh! Que tipo de amor abençoado é que não só pode se curvar para remover a contaminação quando está lá, mas antecipa o funcionamento dessa natureza maligna em mim e coloca um obstáculo no caminho dela! Isso me dá a bem-aventurança de aprender o que é a carne, em comunhão com Deus, em vez de aprendê-la em companhia do diabo, e você deve aprender isso de uma destas duas maneiras. Se você não aprender que tipo de criatura você é em comunhão com Deus, como Paulo fez, então você terá que aprendê-lo em companhia do diabo como Pedro fez! Que solene! Havia, então, por parte do apóstolo, o aprendizado de si mesmo em comunhão com Deus, e havia o amor antecipado do bendito Senhor”.


Não precisamos dizer mais nada, exceto desejar que nosso coração esteja mais sintonizado com o coração do Senhor, para que possamos aprender da carne em nós em comunhão com Ele, em vez de termos Satanás obtendo uma vantagem sobre nós. A amarga experiência de um espinho na carne é muito preferível à amarga experiência de ver a atividade da carne, pois então o poder de Cristo repousa sobre nós e, em nossa fraqueza humana, temos Sua força.


W. J. Prost

 

Em Nosso Favor


A graça nos introduz à vida de devoção e verdadeira piedade, e nos ensina que tal vida de piedade é o segredo de um caminho no qual somos verdadeiramente guiados por Deus e onde nos encontramos sob o Seu santo governo, agindo a nosso favor e não em correção contra nós.


F. B. Hole

 

Jacó


Embora Jacó tivesse que sofrer no governo de Deus por seus pecados, a bênção de Deus em graça havia triunfado sobre tudo o que ele era naturalmente, e foi isso que encheu seu coração ao falar com José no final de sua vida.


No fundo do coração de Jacó, sempre houve o desejo pela bênção de Deus. Ele a valorizava muito, mas tomou seu próprio caminho para obtê-la. A Esaú, que havia desprezado seu direito de primogenitura, foi negado a bênção, mas Jacó a recebeu, não apenas de seu pai, mas da Luz, do Deus de toda a graça que, conhecendo o verdadeiro desejo do coração de Jacó, lhe concederia seu desejo, embora tratando com fidelidade e justiça os seus erros.

 

Aprendendo na Escola de Deus


Por que essa dor, tristeza, e pesar –

Estamos colhendo o que plantamos?

Há cura, luz e alegria

Quando nossas falhas podemos reconhecer;

Deus em graça também ama nos abençoar,

Trabalhando para o nosso bem em cada coisa –

Transformando atos egoístas em canais

Que fluem bênçãos, e em corações que cantam.


Nem sempre é o desagrado de Deus –

Às vezes, apenas um campo de treinamento;

Lições aprendidas por meio de espinhos e provações

Com Seu amor e graça abundam;

Pecadores, pródigos e peregrinos

Aprendem pelo governo com graça –

Que coração Deus tem... que ensina

Quando olhamos para o Seu rosto.

Adaptado

 

“Tudo o que o homem semear, isso também ceifará”

Gálatas 6:7

 

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