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Jerusalém (Junho de 2017)


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ÍNDICE


Tema da Edição

W. J. Prost

D. C. Buchanan

W. J. Prost

H. L. Rossier (adaptado)

E. Dennett (adaptado)

W. J. Prost

J. N. Darby

Adaptado de Walter Scott – Bible Handbook

W. J. Prost

Bernard de Morlaix, 1146

 

Jerusalém


Nesta edição olharemos para o passado de Jerusalém, o presente e seu futuro, incluindo tanto a Jerusalém terrenal quanto a Jerusalém celestial. Pense em como ela é hoje, e veja como ela será no futuro.


“Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Zelei por Sião com grande zelo. Voltarei para Sião e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém chamar-se-á a cidade de verdade, e o monte do SENHOR dos Exércitos, monte de santidade. Eis que salvarei o Meu povo da terra do Oriente e da terra do Ocidente; e trá-los-ei, e habitarão no meio de Jerusalém; e serão o Meu povo, e Eu serei o seu Deus em verdade e em justiça. E há de acontecer, ó casa de Judá e ó casa de Israel, que, assim como fostes uma maldição entre as nações, assim vos salvarei, e sereis uma bênção; Assim como pensei fazer-vos mal, quando vossos pais Me provocaram à ira, diz o SENHOR dos Exércitos, e não Me arrependi, assim pensei de novo em fazer bem a Jerusalém e à casa de Judá nestes dias. Eis as coisas que deveis fazer: falai verdade cada um com o seu companheiro; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas; amai, pois, a verdade e a paz. Virão muitos povos e poderosas nações buscar, em Jerusalém, o SENHOR dos Exércitos e suplicar a bênção do SENHOR” (Tirado de Zacarias 8)

 

A História de Jerusalém


Embora o que sabemos definitivamente sobre a história de Jerusalém data de aproximadamente 1000 a.C., é certo que a cidade já existia, de alguma forma, muito antes disso. Sabemos que os jebuseus habitavam na área de Jerusalém antes da conquista hebraica de Canaã, e que eles não foram completamente vencidos até o tempo de Davi. Na história egípcia, a cidade é mencionada com outro nome, isso aproximadamente no ano 1400 a.C. Indo ainda mais atrás, o título de Melquisedeque, que foi contemporâneo de Abraão, era de “rei de Salém” (veja Gn 14:18). Mesmo que a Palavra de Deus não diga diretamente isso, provavelmente Salém se refere à Jerusalém. Assim, é muito provável que a cidade já existisse pelo menos em 2000 a.C. Isto a torna uma das cidades mais antigas do mundo.


Talvez nenhuma outra cidade no mundo tenha sido o alvo de tanto interesse por vários povos e objeto de tantos ataques. Ela foi destruída pelo menos duas vezes, atacada mais cinquenta vezes, e capturada e recapturada quarenta e quatro vezes. E ainda continua a ser perseguida até os dias atuais. Não é nossa intenção explanar a história da cidade em detalhes, mas apenas conhecer a linha temporal de alguns princípios e eventos em sua história, que podem nos ajudar a entender como Deus tem trabalhado e continua a trabalhar nesta cidade, que a Escritura chama de “a cidade do SENHOR” (Is 60:14) e de “a cidade amada” (Ap 20:9).


De Davi ao cativeiro

Mesmo após Josué ter derrotado a maioria dos cananeus, os jebuseus continuaram a ocupar o lugar onde ficava Jerusalém, e foi somente quando Davi se tornou rei que eles foram finalmente expulsos. Então Davi fez de Jerusalém a capital da nação de Israel. Sob o reinado de Salomão, a cidade alcançou o seu apogeu, com o belo templo, a casa de Salomão e “a casa do bosque do Líbano”, que era provavelmente uma edificação dedicada a fins administrativos. Porém tendo Israel se afastado do Senhor, Deus acaba por rejeitá-los, e Jerusalém foi conquistada pelo rei babilônico, Nabucodonosor, aproximadamente no ano de 605 a.C. Este evento inaugurou o “tempos dos gentios”, e Jerusalém estaria, em maior ou menor medida, sob o controle dos gentios por mais de 2.500 anos. Quando o rei fantoche Zedequias renegou o juramento que tinha feito e se revoltou contra Nabucodonosor, a cidade foi grandemente destruída no ano 587 a.C. Depois sob o domínio dos Persas, aproximadamente 520–515 a.C., o templo foi reconstruído e, aproximadamente 450 a.C., os muros foram reconstruídos. Tudo isto foi feito pelos Judeus que tinham retornado do cativeiro da Babilônia, porém ainda estavam sob o domínio dos gentios.


Desde os Tempos dos Gentios

Depois que os Persas foram conquistados por Alexandre, o Grande (332 a.C.), a cidade esteve sob o domínio dos gregos, de uma forma ou de outra, até a revolta dos Macabeus que, por um curto período de tempo, restabeleceu Jerusalém como a Capital do reino Judeu. Porém não foi algo que permaneceria, porque os romanos, sob o comando de Pompeu, conquistaram a área em 63 a.C. Como bem sabemos, a terra de Israel estava sob o domínio dos romanos quando nosso Senhor veio a este mundo, e continuou até ao sétimo século d.C., quando os muçulmanos capturaram a cidade. Exceto por dois breves períodos (1099–1187 d.C. e 1229–1244 d.C.), quando as cruzadas conquistaram Jerusalém, ela ficou sob o domínio muçulmano até 1917, quando os britânicos tomaram a cidade durante a Primeira Guerra Mundial.


Anos Recentes

Quando o Estado de Israel foi proclamado em 1948, a cidade estava dividida entre Israel e Jordânia, porém durante a Guerra dos Seis Dias em 1967, Israel recapturou a parte oriental da cidade e, desde então, existe um controle militar em toda a cidade.


Hoje Judeus, muçulmanos e Cristãos têm grande interesse em Jerusalém, e os olhos de todo o mundo estão constantemente focados nela. Apesar de Israel ter um controle militar sobre ela, existe apenas uma apreensiva trégua entre as várias facções conflitantes. Sabemos que, não somente Jerusalém, mas fundamentalmente toda a terra de Israel, será novamente devastada pelo rei do Norte durante a grande tribulação, trazendo uma terrível destruição. Mas o dia está chegando, quando ela será novamente a “cidade de Paz”, como seu nome significa. Somente quando o nosso Senhor Jesus Cristo tiver o Seu devido lugar é que isto acontecerá. Naquele glorioso dia, no Milênio, de fato será a “alegria de toda a Terra” e “a cidade do grande Rei” (Sl 48:2).

W. J. Prost

 

Perspectivas de Jerusalém


Nenhuma outra cidade é o ponto focal de tantos conflitos como Jerusalém. Judeus, Cristãos e muçulmanos reivindicam esta cidade como parte de sua religião. Desde 691 d.C. Os muçulmanos têm seu santuário sagrado, o “Domo da Rocha”, no lugar do templo de Herodes, a nação de Israel agora tem o muro das lamentações, e próximo dali está a “Rotunda da Ressurreição” na Igreja do Santo Sepulcro. Sendo considerada como sagrada pelas três religiões, muitas guerras têm sido travadas para ganhar o controle do monte do templo. Com todas as contendas, é difícil conceber que o nome Jerusalém signifique “A cidade de Paz”. Os jebuseus a chamava de “Jebus”, e foi uma das últimas cidades a ser tomada deles nos tempos do rei Davi. Ela tem vários nomes nas Escrituras: “Sião”, “A cidade de Davi”, “Monte Moriá”, “Ariel” e “Oásis de Justiça”, apenas para citar alguns. Isaías fala de Jerusalém recebendo o “cálice da vacilação [atordoamento – ARA]da mão do Senhor, ainda depois, no mesmo capítulo, ele é retirado dela (Is 51:17, 22). Então em Zacarias 12:2 a profecia afirma que o Senhor irá fazer de Jerusalém um “copo de tremor” para os inimigos de Israel que fazem cerco contra Jerusalém. Na verdade, Jerusalém é o ponto focal dos projetos de Deus para o mundo.


A destruição de Jerusalém

Após Sua rejeição em Jerusalém, o Senhor Jesus chorou sobre a cidade e pronunciou sua destruição, “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (Mt 23:37). Em seguida, no evangelho de Lucas, Ele acrescentou sobre o templo, “Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que se não deixará pedra sobre pedra que não seja derribada” (Lc 21:6). O templo foi destruído cerca de 40 anos mais tarde. Deus permitiu que o templo durasse tempo o suficiente para que um testemunho claro de Cristo fosse pregado naquela cidade. Então, porque os Cristãos foram perseguidos, eles espalharam o Cristianismo por todo o mundo. Os Cristãos deixaram Jerusalém e levaram o evangelho para novas áreas, estendendo-se por todo o mundo. A rejeição do Messias trouxe julgamento – a destruição de Jerusalém. Somente nos últimos anos, já na minha geração, Deus permitiu que os Judeus tivessem a cidade de volta com uma certa medida de controle. O Senhor disse que ela iria ser pisada pelos gentios até que os “tempos dos gentios” fossem cumpridos (Lc 21:24). Muita especulação é feita, tanto entre os Cristãos quanto entre os Judeus sobre a construção de um novo templo.


A profecia de Ezequiel

Ezequiel profetizou que o templo de Jerusalém seria derrubado três vezes: “Eu o transtornarei, transtornarei, transtornarei; também o que é não continuará, até que venha Aquele a Quem pertence o direito; e Lho darei a Ele” (Ez 21:27 – TB). O templo foi destruído duas vezes. Será que não podemos concluir que o templo será construído novamente e destruído mais uma vez, antes que o Senhor venha, que é Quem tem o direito sobre ele? O cenário está sendo montado para que tudo isso aconteça; o principal obstáculo é o santuário que os muçulmanos têm neste local.


Outros artigos desta publicação irão relatar a história das guerras e ocupações da cidade de Jerusalém por várias nações. No ano de 1099 os Cristãos tomaram Jerusalém dos muçulmanos pela primeira vez. Anos depois outras cruzadas foram feitas pelos Cristãos para retomar a cidade dos muçulmanos e reivindicá-la para a fé Cristã. Anos mais tarde, após a reforma Cristã, muitos reis e pessoas de grande riqueza fizeram peregrinações à Jerusalém como um símbolo de homenagem à cidade. Isso leva à questão de como nós Cristãos devemos considerar a cidade de Jerusalém. Será que ela deve ser considerada por nós como um local sagrado, ou ela é somente para os Judeus? Cristãos devem tomar para si a causa de remover o santuário sagrado dos muçulmanos do monte do templo? Jerusalém tornou-se realmente o ponto de discórdia entre estas três religiões. Eventos dos dias atuais indicam que não estamos longe do tempo quando esse tema se tornará um assunto de guerra. Para responder a estas perguntas, é necessário entender a diferença entre a vocação terrenal de Israel e a vocação celestial da Igreja.


Uma nova Jerusalém

Nós, genuinamente, apreciamos o zelo de nossos antepassados Cristãos, que não entendiam a diferença entre a Jerusalém terrenal para Israel e a Jerusalém celestial para a Igreja. Eles procuraram, em nome de Cristo, possuir e preservar a cidade na Terra para àqueles que criam na fé Cristã sem este entendimento. Mas agora, no último século e meio, Deus nos deu mais esclarecimento. Temos um ensino claro sobre o chamado celestial da Igreja como distinto dos caminhos dispensacionais de Deus para com Israel. Devemos muito àqueles que buscaram essas verdades que nos elevam acima da esfera terrenal, para que possamos apreciar a cidade celestial para a qual somos chamados. Isto muda completamente a perspectiva das coisas pelas quais lutamos. “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da Terra” (Cl 3:1-2). “Mas chegastes ao monte Sião [o monte de graça], e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos” (Hb 12:22). Nosso Salvador subiu ao céu e nos prometeu a Jerusalém celestial. Enquanto cremos que o Senhor irá trazer todo Israel de volta para serem abençoados ao redor de Si mesmo em Jerusalém na Terra, Cristãos não são chamados para lutarem em guerras santas de combate físico, pela Jerusalém na Terra. Temos uma cidade melhor, uma Jerusalém celestial. Nossa guerra é espiritual (Ef 6:12). Ao dizer estas coisas, não estamos de nenhuma maneira, buscando desanimar o povo escolhido de Deus, os Judeus. Ele prometeu abençoar àqueles que os abençoar e amaldiçoar àqueles que os amaldiçoar. Mas não confundamos as promessas para Israel com aquelas dirigidas aos Cristãos. Que possamos nos apossar daquilo que o Senhor nos deu para desfrutarmos.


A volta dos Judeus

A providência de Deus está permitindo que muitos Judeus retornem para a terra que foi prometida a eles. Isso foi predito na Escritura quando é mencionada a figueira, que é uma figura de Israel como nação. “Aprendei, pois, esta parábola da figueira: quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, às portas” (Mt 24:32-33). A restauração dos Judeus à sua terra é do nosso interesse, não porque nos envolve, mas porque esses eventos precedem as bênçãos que virão para Israel. Mas isto não é incentivo para que os Cristãos construam um templo para uma nação que ainda rejeita a Jesus Cristo como o seu Messias. Ninguém, além do próprio Senhor Jesus, será capaz de torná-la novamente em uma cidade de paz.


Poucas nações são favoráveis ao Estado de Israel hoje. Quase todos os anos resoluções são levadas às Nações Unidas contra Israel. Entre as denominações protestantes existem diversas opiniões sobre a nação de Israel. Entre muitas denominações Cristãs, entretanto, existe um grande apoio a Israel. Algumas vão longe o bastante até chegarem ao ponto de querer ajudá-los a reconstruir o templo em Jerusalém.


Outro templo

Eventos mostram que provavelmente um templo será reconstruído em Jerusalém, e a Escritura aparenta indicar que isto realmente ocorrerá. Se isso acontecer com os Judeus sendo ainda incrédulos, podemos ter certeza que este templo será derrubado, como vimos em Ezequiel. Deus não permitirá que esta obra prospere, já que ela não dará ao Senhor Jesus Cristo o Seu devido lugar. Porém o nosso lugar como Cristãos não é o de ficar construindo edifícios em uma cidade na Terra, temos a doce certeza de que a qualquer momento o Senhor Jesus virá buscar o Seu povo celestial, a Igreja, para a casa do Pai no arrebatamento (1 Ts 4:16-17).


A Jerusalém celestial

Existe uma visão profética da Igreja de Deus durante o reino milenar de Cristo em Apocalipse 21:9-27. Ela é apresentada como uma cidade descendo do céu para administrar, em justiça, através das doze portas. Esta será a porção dos santos celestiais. Embora a linguagem em Apocalipse seja simbólica, é fácil entender em nossa mente qual é o tipo de relacionamento celestial que teremos com Cristo, enquanto Ele reina sobre a Terra. Também haverá uma cidade da Jerusalém terrenal, onde todas as nações irão trazer suas glórias para honrar ao Senhor, e águas de bênçãos fluirão para todos que vierem adorar ao Senhor na Jerusalém terrenal (Zc 14). Então ela será a “cidade de paz”. Que Ele possa nos ajudar a andar de acordo com nosso chamado celestial.

D. C. Buchanan

 

Jerusalém – “O Senhor Está Ali”


No Velho Testamento, Jerusalém claramente era o lugar onde Jeová tinha posto Seu nome e onde Seu templo seria finalmente construído. “Porém escolhi Jerusalém para que ali estivesse o Meu nome” (2 Cr 6:6). Israel era a nação que foi especialmente escolhida por Deus para receber o conhecimento do Deus verdadeiro, pois “as Palavras de Deus lhe foram confiadas” (Rm 3:2). Eles deveriam ser um farol de conhecimento espiritual e instrução para outras nações. Como eles eram o povo escolhido, o templo de Deus em Jerusalém deveria ser “Casa de Oração para todos os povos” (Is 56:7). De uma forma limitada, isso aconteceu durante o reinado de Salomão, que prefigurava o reinado de Cristo em glória milenar. Naquele tempo, outras nações reconheceram a bênção de Deus sobre Salomão e sua sabedoria, de modo que “todos os reis da Terra procuravam ver o rosto de Salomão, para ouvirem a sua sabedoria que Deus lhe dera no seu coração” (2 Cr 9:23). Lemos que a rainha de Sabá, entre outras coisas, ficou impressionada com “a sua subida pela qual ele subia à Casa do SENHOR” (2 Cr 9:4).


O declínio de Salomão

Mas, como bem sabemos, o declínio começou na segunda metade do reinado de Salomão, e suas mulheres estrangeiras “lhe perverteram o coração para seguir outros deuses” (1 Rs 11:4). Isto trouxe o julgamento de Deus e resultou na divisão do reino, logo após o filho de Salomão, Roboão, subir ao trono. É triste dizer que o declínio continuou, embora Deus tenha dado ao reino de Judá bons reis e grandes avivamentos. Porém, finalmente, o pecado de Israel tornou-se tão grande que Deus não poderia mais suportá-lo. Primeiro o reino de Israel (o reino do norte) foi levado ao cativeiro pelos assírios (cerca de 721 a.C.), e então o reino de Judá foi levado cativo pelos babilônios (cerca de 605 a.C.). A bela cidade de Jerusalém foi destruída, seu templo demolido e seus muros derrubados, e grande parte da cidade foi queimada. Finalmente, setenta anos depois, o rei persa, Ciro, ordenou que o templo fosse reconstruído, e mais tarde os muros da cidade também foram reparados, porém Israel não era mais uma nação soberana, e a glória “Shekinah” de Deus não era mais vista no templo.


A rejeição de Jesus

Vários profetas foram enviados aos Judeus que retornaram do cativeiro, porém chegou um momento em que Deus foi compelido a dizer: “Que farei? Mandarei o Meu Filho amado; talvez, vendo-O, O respeitem” (Lc 20:13). Este foi o último teste para Israel, e sabemos bem que o Filho de Deus foi rejeitado, expulso e crucificado. O lamento de nosso Senhor sobre Jerusalém é muito emocionante: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Eis que a vossa casa se vos deixará deserta. E em verdade vos digo que não Me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito Aquele que vem em nome do Senhor!” (Lc 13:34-35). Desde então, a profecia de Oséias tem sido cumprida: “Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício, e sem estátua, e sem éfode ou terafins” (Os 3:4).


A última glória

Mas Jerusalém será “pisada pelos gentios” para sempre? Paulo nos responde esta pergunta em Romanos 11:1: “Rejeitou Deus o Seu povo? De modo nenhum!” Todas as promessas de Deus dadas no Velho Testamento a respeito da futura glória terrenal de Israel certamente serão cumpridas. Virá uma época quando “o SENHOR bramará de Sião e dará a Sua voz de Jerusalém” (Jl 3:16) contra os inimigos de Israel. Quando o Senhor tiver destruído os inimigos de Israel, “Habitarão nela, e não haverá mais anátema, porque Jerusalém habitará em segurança” (Zc 14:11 – TB). Deus então restabelecerá o Seu povo terrenal em sua terra, e eles reconhecerão o seu Messias, o mesmo a Quem crucificaram. Naquele tempo certamente dirão: “Bendito Aquele que vem em nome do SENHOR” (Sl 118:26). Outras nações também dirão: “Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à Casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os Seus caminhos, e nós andemos pelas Suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a Palavra do SENHOR, de Jerusalém” (Mq 4:2). O templo glorioso do Milênio será construído, e a profecia de Ageu será cumprida: “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ag 2:9).


O centro de governo

Naquele tempo, Jerusalém será a capital de Deus na Terra e o Seu centro de governo. Durante a maior parte de sua história, Jerusalém era comparativamente pequena, pelo menos geograficamente, mas pela descrição em Ezequiel 48, nos parece que no Milênio, a cidade e o complexo do templo serão muito maiores do que anteriormente. Até mesmo os gentios serão envolvidos na reconstrução da cidade: “E os filhos dos estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis Te servirão” (Is 60:10). A cidade terá uma magnificência de acordo com Aquele que estará ali, e ao mesmo tempo haverá bênçãos em plenitude como resultado. Há vários anos um amigo meu que estava visitando Jerusalém equivocadamente dirigiu seu carro alugado (com placas israelenses) até o bairro árabe da cidade. Quase que imediatamente as crianças na rua pegaram pedras e atiraram no carro. Em um dia por vir, todo esse ódio e violência desaparecerá, “E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão” (Zc 8:5).


Porém o mais importante de tudo, podemos ler que “Voltarei para Sião e habitarei no meio de Jerusalém” (Zc 8:3). Como somos lembrados no título deste artigo, “o nome da cidade desde aquele dia será: O SENHOR Está Ali” (Ez 48:35).

W. J. Prost

 

A Casa de Jeová


Salomão é colocado diante de nossos olhos em seu trono, em uma postura, por assim dizer, imutável; a paz reina, os conselhos de Deus em relação ao Seu Rei são cumpridos, e este Rei é o próprio Deus.


Esta cena de paz e bem-estar tem seu ponto de partida no monte Moriá, um detalhe – que possamos notar isto de maneira clara – que está faltando no livro dos Reis: “E começou Salomão a edificar a Casa do SENHOR em Jerusalém, no monte Moriá, onde o SENHOR Se tinha mostrado a Davi, seu pai, no lugar que Davi tinha preparado na eira de Ornã, o jebuseu” (2 Cr 3:1). Foi em Moriá, antes de tudo, que Abraão tinha oferecido Isaque sobre o altar e o recebeu novamente em figura pela ressurreição. Ali, tudo o que a santidade de Deus exigia tinha sido fornecido. Em seguida, foi em Moriá onde, por ocasião da falha de Davi, a graça se exaltou sobre o julgamento. O reinado de paz de Salomão é assim estabelecido após a ressurreição, no princípio de graça, assim como o futuro reino do Cristo ressurreto será baseado inteiramente na graça que triunfou na cruz. Após o sacrifício em Moriá e em virtude da perfeição pessoal do soberano monarca, este último pode, a partir de então, entrar em seu templo. As portas eternas levantarão suas cabeças para deixar o Rei da glória passar (Sl 24:7). Ele terá uma rica entrada em Seu próprio reino. Só em Crônicas encontramos a imensa altura do pórtico do templo (2 Cr 3:4).


A mobília

Mais um detalhe característico: Aqui, vemos apenas palmeiras e correntes nas paredes da casa; as palmeiras são símbolos da paz triunfante, as correntes, que também adornam os pilares aqui, não são mencionadas em nenhum outro lugar senão nos ombros e no peitoral do sumo sacerdote. Elas unem firmemente as várias partes e parecem simbolizar a solidez do vínculo que une o povo de Deus. Não há mais flores parcialmente abertas, símbolo de um reinado que está começando a florescer, como no livro dos Reis. Aqui, o reinado está definitivamente estabelecido; não há mais querubins escondidos sob o ouro das paredes; eles aparecem apenas no véu. Não há mais pensamentos secretos, nem mais conselhos ocultos de Deus; eles são agora manifestados na Pessoa de Cristo, mas fixados no véu – Sua carne é entregue à morte. No lugar santíssimo, dois querubins com as asas estendidas “e estavam postos em pé, e os seus rostos virados para a casa” (2 Cr 3:13), um fato mencionado apenas aqui; eles contemplam a ordem do povo de Deus estabelecida a partir de agora. As colunas Jaquim e Boaz (“Ele estabelecerá” e “n’Ele está a força”) são essenciais para esta cena, emblemas de um reinado estabelecido a partir deste tempo e dependente inteiramente do poder que está em Cristo.


Outro detalhe interessante: Salomão “também fez dez mesas e pô-las no templo, cinco à direita, e cinco à esquerda” (2 Cr 4:8). Primeira Reis 7:48 menciona apenas uma mesa. Não é impressionante ver os pães da mesa da proposição assim multiplicados por dez? Salomão é visto como estando assentado “no trono do SENHOR” (1 Cr 29:23); Israel aumentou sob o seu reinado; eles permaneceram as mesmas tribos, mas aumentaram infinitamente aos olhos de Deus, que as contempla e as governa. O verdadeiro Salomão, o próprio Cristo, é o Autor dessa multiplicação (2 Cr 4:8). No Milênio, Israel estará completo, conforme apresentado a Deus por Cristo, como uma oferta que agrada a Deus.


A arca

Em 2 Crônicas 5, a arca é levada da cidade de Davi para a magnífica casa que Salomão preparou para recebê-la. O tabernáculo e todos os seus vasos, que estavam em Gibeão, juntaram-se à arca no templo; assim, a lembrança da jornada no deserto sempre permaneceria perante Deus. Não nos é dito sobre os vasos do pátio; mais importante ainda, nada nos é dito sobre o altar de bronze que foi feito por Moisés e onde Deus, em graça, veio para Se encontrar com um povo pecador. Este altar do deserto é substituído pelo altar de Salomão, que corresponde ao altar de Davi, montado na eira de Ornã. O altar de Salomão é mencionado no livro dos Reis somente quando tudo tinha sido concluído (1 Rs 8:22). Os livros de Reis, como dissemos, têm outro objeto em vista ao invés de adoração. A arca finalmente encontrou um lugar de descanso, mas o cenário milenar, que esses capítulos prefiguram, não é o eterno e definitivo descanso para o trono de Deus. Os varais não desapareceram, embora sua posição ali indique que a arca deixará de viajar. Toda a cena de bênção milenar descrita aqui terminará quando os novos céus e a nova Terra forem estabelecidos.

H. L. Rossier (adaptado)

 

A Nova Jerusalém


Em Apocalipse 21:9-11, lemos: “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa [noiva – ARA], a mulher do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E tinha a glória de Deus”. Nesta porção da Escritura, temos o caráter da cidade durante o Milênio e sua relação com a Terra milenar.


A primeira coisa que nos deparamos é com o contraste entre essa parte da Escritura e aquela em Apocalipse 17:1: “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas”. Neste capítulo, é descrita a Babilônia, enquanto no capítulo 21, a Nova Jerusalém. A primeira é a cidade do homem, e a segunda a cidade de Deus; a primeira é a expressão do que é o homem e a outra a perfeição dos pensamentos de Deus.


A cidade é a noiva

Outra coisa a ser observada é que a cidade é “a noiva, a mulher do Cordeiro” (ARA). Isso determina seu caráter. É a Igreja que Cristo agora apresentou a Si mesmo “Igreja gloriosa” (Ef 5:27) tendo a glória de Deus. Também podemos observar que ela é vista descendo do céu da parte de Deus (v. 10). A cidade desce para a Terra milenar, mas repousa sobre ela no céu. Posicionada acima da cidade terrenal, ela será um objeto visível de luz e glória. Isto talvez explique a linguagem com a qual o profeta aborda a Jerusalém terrenal: “Nunca mais te servirá o Sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a Lua te alumiará; mas o SENHOR será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória” (Is 60:19).


É divina em sua origem, e celestial em seu caráter. Ela desce do céu da parte de Deus.


“E tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente” (Ap 21:11). A Igreja é glorificada juntamente com Cristo na glória de Deus e, como tal, é aqui manifestada. Nos versículos 18-19, é dito que a construção dos seus muros e o primeiro fundamento são jaspe. A glória de Deus é, portanto, a estabilidade e a segurança, bem como a luz e a beleza da cidade celestial. Mas o muro excluiu tudo o que era impróprio para essa glória, assim como manteve tudo o que é de acordo com ela (v. 11).


Os doze portas

A característica seguinte é que tinha “doze portas, e, nas portas, doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos de Israel. Da banda do levante, tinha três portas; da banda do norte, três portas; da banda do sul, três portas; da banda do poente, três portas. E o muro da cidade tinha doze fundamentos e, neles, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (vs. 12-14). Tudo isto se refere ao muro da cidade, e sua característica distinta é o número doze – doze anjos, doze tribos e doze apóstolos. Os anjos se tornam os porteiros da grande cidade, o fruto da obra de redenção de Cristo em glória. As doze portas são a completa perfeição humana no governo e poder administrativo, porque a porta era o lugar de julgamento. O caráter disso é notado pelos nomes das doze tribos; este caráter de poder era encontrado ali. Havia doze fundamentos, e estes eram os doze apóstolos do Cordeiro. Assim, a manifestação criativa de poder, o poder governamental e a assembleia, uma vez fundada em Jerusalém, são trazidos juntamente para a santa cidade, a sede organizada do poder celestial.


Características

Então é ela medida (vs. 15-17), indicando que é reconhecida e apropriada por Deus. Assim vemos que a cidade é em formato de um cubo, igual em todos os lados – perfeição finita. Depois, temos os materiais com os quais a cidade e os fundamentos foram formados. A cidade, em sua natureza, foi formada em justiça divina e santidade – ouro transparente como vidro. As pedras preciosas, ou a exibição variada da natureza de Deus, agora brilhavam em glória permanente e adornavam os fundamentos da cidade. As portas tinham a beleza moral que atraía a Cristo na assembleia, e de uma maneira gloriosa. Aquilo sobre o qual os homens caminhavam, em vez de trazer perigo de contaminação, era em si mesma justa e santa; a rua era de ouro “transparente como vidro”. Não havia nenhum templo, pois um templo falaria de um lugar especial onde Deus Se manifestava àqueles que se aproximavam para adorar. Mas tudo isso é passado; nosso lugar é na luz como Deus está na luz. Além disso, não há necessidade de luz criada. Quando Deus Se revela, Sua glória ilumina a cidade, e o Cordeiro é a sua luz.


Relação com a Terra

Quanto à relação da cidade com a Terra milenar, nos é dito que “as nações andarão à sua luz, e os reis da Terra trarão para ela a sua glória e honra” (Ap 21:24). A nova Jerusalém reluzirá com um brilho tão insuperável, que as nações caminharão em sua luz. Ela estará suspensa, acima da Jerusalém terrenal, e dali transmitirá os raios da glória de Deus. Além disso, os reis da Terra prestarão suas homenagens, trazendo sua glória e honra como oferta a ela, assim reconhecendo-a como o objeto do deleite de Deus.


É então acrescentado que “as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite. E a ela trarão a glória e honra das nações” (Ap 21:25-26). Não podemos deixar de nos impressionar com a semelhança entre esta linguagem e aquela dirigida à Jerusalém terrenal pelo profeta: “E as tuas portas estarão abertas de contínuo: nem de dia nem de noite se fecharão, para que tragam a ti as riquezas das nações, e, conduzidos com elas, os seus reis” (Is 60:11). Sem dúvida, haverá uma relação íntima entre as duas cidades, embora deva sempre ser lembrado que uma cidade é celestial e a outra terrenal em seu caráter. As portas abertas são um emblema da perfeita segurança da cidade – não apenas a ausência do mal, mas a impossibilidade de sua entrada.


A água da vida

Em seguida, temos o rio da água da vida e a árvore da vida. “E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações” (Ap 22:1-2). Tudo isso novamente fala da relação da cidade com a Terra milenar e revela a fonte da vida e bênção milenar. O trono de Deus e do Cordeiro é a fonte, como sempre, da graça e da vida, e as folhas da árvore da vida são para a cura das nações. Somente os glorificados se alimentarão dos doze frutos da árvore. Adão depois de sua queda foi expulso do jardim, e Deus “pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gn 3:24). Agora a árvore da vida está no meio da rua da cidade dourada, e os santos glorificados encontram em seu fruto sustento e gozo. Nesta condição, eles reinarão para todo o sempre, associados a Cristo em todas as glórias de Sua realeza e reino.


Comunicação

Nós não tocamos na questão da comunicação entre as esferas celestial e terrenal. Que tal comunicação existirá não há sombra de dúvida, mas a maneira exata que Cristo irá governar sobre a Terra como Rei, a Escritura se cala. Entretanto, nos é dito que: “o principado está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de Davi e no Seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Is 9:6-7).

E. Dennett (adaptado)

 

A Esposa e a Cidade


Na descrição da Nova Jerusalém (Ap 21:9-27), podemos ver que a noiva é mostrada como uma cidade. Isso está de acordo com seu caráter milenar, pois enquanto a Igreja é certamente a noiva de Cristo, seu caráter no reino é o da administração. “Reinarão com Ele [Cristo] mil anos” (Ap 20:6). Durante esse tempo, o reino neste mundo será governado a partir da Jerusalém terrenal, mas a autoridade final virá de Cristo e Sua Igreja, a quem a administração será dada naquele tempo. Por esta razão, as portas da cidade são nomeadas com os nomes das doze tribos de Israel, mostrando o caráter administrativo da cidade, enquanto seus fundamentos são os doze apóstolos do Cordeiro.


A atual administração está comissionada aos anjos eleitos, mas “não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos” (Hb 2:5). Os anjos alegremente darão um passo atrás naquele dia, para abrir caminho para Cristo e Sua Igreja. Então, haverá posições de administração dadas como recompensas, de acordo com nossa diligência neste dia da rejeição de Cristo (veja Lc 19:17, 19; também Mt 19:28).


Contudo, na descrição do estado eterno (Ap 21:1-8), vemos a cidade retratada como uma noiva. Naquele tempo, “quando [Cristo] tiver entregado o reino a Deus, ao Pai” (1 Co 15:24), o caráter administrativo da Igreja terá cessado. É verdade que ela continua sendo uma cidade, mas agora, por toda a eternidade, ela é retratada como uma noiva. Mesmo depois de mil anos, ela ainda aparece “ataviada como noiva adornada para o Seu Esposo” (Ap 21:2 – ARA). Seu caráter administrativo pode cessar, mas o frescor e a gozo que a caracterizam como uma noiva permanecerão para sempre.

W. J. Prost

 

A Jerusalém Celestial


A descrição de um estado (condição)

Observe esta bela circunstância na Jerusalém celestial. Ninguém aparece lá. Não há multidão, não há habitante. A cidade em si é a esposa, a esposa do Cordeiro. Mas tem a glória de Deus; isto é, a glória de Deus e do Cordeiro são tão inteiramente tudo que as pessoas estão absorvidas, como se estivessem, por assim dizer, perdidas na glória que existe lá, e a descrição se torna não das pessoas, mas do estado em que elas estavam. A glória divina era tudo – o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro sendo o templo – o Senhor Deus Todo-Poderoso, a luz, e o Cordeiro iluminando-o. As nações andam em sua luz; lá encontramos pessoas. Na cidade não há nada além de glória divina.

J. N. Darby

 

Jerusalém – “Pisada pelos Gentios”


Talvez seja interessante fazermos uma pequena consideração a respeito de Jerusalém depois de Tito tê-la destruído. Como sabemos pela Escritura, a cidade e o templo ainda irão ser reconstruídos, a cidade habitada pelo antigo povo de Deus e será levada à bênção (veja Is 62:6-7; Ez 48:35).


Nada foi ouvido sobre Jerusalém por cerca de 50 anos após sua destruição realizada por Tito. Nos tempos de Adriano (117 – 138 a.C.) ela se tornou novamente o centro de várias revoltas feitas pelos Judeus. Como o lugar onde a cidade se encontrava era naturalmente de grande força, Adriano pensou em reconstruir a cidade, e fazer uma fortaleza dela para prevenir que os Judeus novamente fizessem dela um ponto de encontro para suas revoltas, mas aparentemente os Judeus já tinham reconstruído a cidade parcialmente. Eles já estavam prontos para a revolta, e uma conspiração generalizada havia se formado. Barcoquebas “o filho da estrela”, que alegou ser a estrela que sairia de Jacó (Nm 24:17), foi coroado como rei em Beter pelos Judeus, e era tido pelo povo como sendo o Messias. Multidões se aglomeravam ao redor dele; eles se tornaram senhores de Jerusalém e tentaram reconstruir o templo. Adriano, percebendo que suas tropas não poderiam interromper a revolta, mandou chamar Juliano Severo da Grã-Bretanha para continuar a guerra. Este conflito durou dois anos até que Jerusalém fosse tomada e, somente depois de uma feroz batalha, Barcoquebas foi morto.


Judeus morrem

Beter ainda existe, e desde que a cidade foi grandemente fortificada, os Judeus expulsaram os romanos diversas vezes, mas eram obrigados a se rederem por causa da fome e de doenças. É dito que mais de meio milhão de Judeus morreram aqui e ali, e consideravelmente mais do que esses ainda morreram na guerra ao todo. As perdas dos romanos também foram imensas, tendo em vista quão numerosos e furiosos eram os Judeus.


Barcoquebas era rico e suficiente estabelecido que pôde fazer moedas com as inscrições que diziam “Jerusalém a Santa” ou “Pela liberdade de Jerusalém”, mas o tempo para Deus favorecer Sião ainda não tinha chegado: tudo falhará até lá, e este falso cristo foi morto.


Adriano reconstruiu a cidade como uma colônia romana e a chamou de Ælia Capitolina (136 d.C.), e um templo para o Capitólio de Júpiter foi erguido no local do templo de Deus. Somente Cristãos e pagãos eram permitidos em Jerusalém; Os Judeus foram proibidos de entrar sob pena de morte, e esta lei permaneceu por muito tempo em vigor.


Os Judeus recebem permissão

No quarto século os Judeus receberam permissão para visitar as redondezas, e depois permitidos a entrarem na cidade uma vez por ano para chorar por causa da sua desolação e profanação. Jerônimo fala das multidões de miseráveis em trajes esfarrapados que choravam no muro ocidental do templo, e que pagavam os soldados para que permitissem que prolongassem sua visita.


Ela manteve o nome de Ælia depois que Constantino construiu o “Martírio” no suposto lugar da crucificação. Ele destruiu um templo para Astarte (ou Astarote), a Vênus fenícia, e construiu um oratório no local.


Em 326 d.C. a imperatriz Helena, mãe de Constantino, visitou a cidade e várias igrejas foram construídas.


Uma tentativa de construir o templo

Em 362 d.C. os Judeus fizeram uma tentativa de reconstruir o templo em Jerusalém, com o apoio do imperador apóstata Juliano, cujo objetivo parece ter sido o de desacreditar o Cristianismo e refutar as Escrituras que falam dele como suplantando o judaísmo. O trabalho foi iniciado com grande zelo, e até as mulheres levavam o entulho em seus aventais. Algumas fundações foram assentadas, mas um severo redemoinho e terremoto as abalaram, e o fogo explodiu do chão e queimou durante o dia todo. Os trabalhadores aterrorizados correram para uma igreja próxima, mas as portas se fecharam por si só, e muitos foram consumidos pelo fogo. Alguns se abrigaram em um pórtico, mas ele caiu durante a noite e os esmagou. Este relato não é dado simplesmente pelos inimigos dos Judeus; um nobre romano também o relata e o atribui à causa sobrenatural. Se tudo isso é verdade, mostra que o tempo estabelecido por Deus certamente não chegou para se reconstruir o templo.


Em 437 d.C. os muros foram reconstruídos pela imperatriz Eudóxia. Havia rancorosa inveja e conflitos entre Judeus e Cristãos. Os Judeus se deleitavam em comprar escravos Cristãos, e recusavam sua redenção a não ser por um preço muito elevado.


614 – Jerusalém foi tomada e saqueada pelos persas sob Crosroes II.

628 – É retomada por Heraclius.

637 – A cidade é rendida ao califa Omar.

1.077 – Capturada e saqueada pelos Carismus.

1.096 – Capturada pelo califa do Egito.

1.099 – Tomada pelas Cruzadas.

1.187 – Retomada por Saladino.

1.229 – Cedida aos Cristãos no tratado com o imperador Frederico II.

1.243 – Capturada pelas hordas Carismianas.

1.277 – Nominalmente anexada ao reino da Sicília.

1.517 – Passou ao domínio do sultão Otomano.

1.542 – Os muros atuais construídos por Solyman. Jerusalém é parte do império otomano até 1917.

1.917 – Passou ao domínio britânico.

1.948 – Jerusalém dividida entre Israel e Jordânia.


A Profecia do Senhor

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste [Eis que a vossa casa se vos deixará desolada” – JND] (Mt 23:37-38). Também lemos que “Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21:24). Estes tempos não serão cumpridos até que nosso Senhor apareça em poder e glória, no final da grande tribulação. O Cristão tem uma esperança diferente, além de todos os tempos e circunstâncias, de esperar por seu Senhor do céu, que disse: “Certamente, cedo venho”. Que a resposta do coração seja: “Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20).




 

Atenção Plena [Mindfulness]


É bem possível que muitos de nossos leitores não estejam familiarizados com o título deste artigo. Eu mesmo não sabia exatamente o que era até pouco tempo atrás. No entanto, acredito que represente um ataque um tanto sinistro e potencialmente perigoso de Satanás, não apenas a adultos desavisados, mas também a nossos filhos que frequentam as escolas públicas.


De acordo com a Universidade da Califórnia, em Berkeley, “mindfulness” significa “manter uma consciência momento a momento dos nossos pensamentos, sentimentos, sensações corporais e ambiente circundante. A atenção plena [mindfulness] também envolve aceitação, o que significa que prestamos atenção a nossos pensamentos e sentimentos sem julgá-los – sem acreditar, por exemplo, que existe um modo ‘certo’ ou ‘errado’ de pensar ou sentir em um determinado momento. Quando praticamos a atenção plena, nossos pensamentos sintonizam o que estamos sentindo no momento presente, em vez de repetir o passado ou imaginar o futuro”.


Sua origem

Isso não é algo novo, pois originou-se no budismo e tem sido praticado por adeptos dessa religião por 2.500 anos. Está relacionado com a meditação transcendental, que foi popular nos anos 1970 e tem suas raízes no hinduísmo. Embora os dois estejam um tanto ligados, tendo objetivos semelhantes, eles não são os mesmos, pois embora o objetivo da meditação atenção plena seja de ter os pensamentos no momento presente, o processo da meditação transcendental envolve transcender o próprio pensamento e experimentar um estado de “consciência pura”. Mas ambos foram introduzidos na sociedade ocidental, supostamente de forma secular (não religiosa), com o objetivo de reduzir o estresse e a ansiedade e promover a calma e a concentração. Ambos também podem ter conotações demoníacas.


O indiscutível defensor da atenção plena é um homem chamado Jon Kabat-Zinn, professor emérito da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts. Sua pesquisa concentrou-se nas interações “mente e corpo” para a cura e, em 1979, recrutou pacientes com doenças crônicas que não respondiam bem aos tratamentos tradicionais, para participar de seu recém-formado programa de redução de estresse de oito semanas, agora chamado de Redução do Estresse pela Mente (MBSR). O que também é interessante é que ele atua no conselho do Mind and Life Institute [Instituto da Mente e Vida], um grupo que organiza diálogos entre o Dalai Lama, cientistas e acadêmicos ocidentais para promover uma compreensão mais profunda da mente e das emoções.


Desde os anos 1980, e como resultado do trabalho de Kabat-Zinn e outros, o conceito de mindfulness como parte integrante da medicina tem crescido, e agora há uma publicação regular intitulada Mindful. Por alguns anos, Kabat-Zinn tem sido o instrumento para liderar a introdução de aulas de atenção plena nas escolas públicas, e isso tem se tornado popular na América do Norte, no Reino Unido e em outras partes da Europa. Um artigo em uma edição recente da TIME apresentava fotografias de crianças passando por rituais de respiração e outros exercícios em salas de aula de escolas públicas em uma grande cidade dos EUA. Em 2014, as aulas de atenção plena foram introduzidas em pelo menos uma região escolar em Toronto, no Canadá e, desde então, outras classes semelhantes foram iniciadas em outras escolas canadenses. Escolas no Reino Unido e em outras partes da Europa também estão começando a adotar tal treinamento.


Benefícios Medicinais

Tem sido reconhecido há muitos anos que o exercício físico e a respiração controlada são benéficos na redução do estresse. Também é bem conhecido que nós, na sociedade ocidental, muitas vezes precisamos “parar para cheirar as rosas”, em vez de buscar continuamente um estilo de vida frenético e muitas vezes estressante. No entanto, existem perigos em entidades como a atenção plena, das quais precisamos estar cientes. Em particular, os pais devem saber a que seus filhos estão sendo submetidos nas escolas.


Em primeiro lugar, o uso de tudo isso é realmente uma tentativa do homem de “se recompor” por seus próprios esforços. O verdadeiro problema neste mundo é o pecado. Mas a palavra “pecado” é estranha ao ensino da atenção plena, pois ensina que não devemos julgar nossos pensamentos como certos ou errados, mas, antes, deixá-los fluir da maneira que quiserem. O “eu” está no fundo da questão, pois, como disse um líder educacional, “se as crianças não aprenderem a tomar conta de si mesmas, isso terá um impacto enorme em nossos custos com saúde”.


As conexões religiosas

Mas o aspecto mais sério de coisas como atenção plena e meditação transcendental é sua forte conexão com as religiões orientais. A maioria dos exercícios usados é tirada da ioga e, embora existam muitas formas de ioga, ela claramente tem suas origens no hinduísmo. Isto é trazido à tona por um comentário de um colunista agnóstico em uma importante revista americana: “Eu acabei em um canto do estado de Nova York com muitas aulas de ioga, do tipo com uma pequena estátua de um deus hindu na frente da sala”. É bem conhecido que o quarto estágio da ioga tem conexões definitivas com o ocultismo. Os ocidentais tentaram abstrair os exercícios de ioga de suas origens hindus, mas os dois não são fáceis de separar. Como já observamos, a atenção plena originou-se na religião budista e, embora seus exercícios possam parecer inofensivo, todo o processo abre a porta para a aceitação desse falso e satânico pensamento religioso. Enquanto seus seguidores possam afirmar que é totalmente não religioso, e talvez realmente acreditem nisso também, ainda existem histórias bem documentadas para mostrar que indivíduos insuspeitos têm sido seduzidos para o pensamento da Nova Era, fenômenos psíquicos e, finalmente, o pensamento religioso oriental. Apesar de ser negado por seus seguidores, ioga e atenção plena são essencialmente religiosos.


Em guarda

Talvez adultos Cristãos fortes possam fazer esses exercícios e evitar conexões erradas, mas e quanto a nossos filhos? Como todos sabemos, eles são muito impressionáveis em seus anos de formação, e é aí que Satanás é engenhoso, introduzindo coisas como a atenção plena nas escolas públicas. Em alguns distritos escolares fala-se em torná-lo obrigatório. Aqueles de nós que somos pais precisamos estar em guarda.


Os puristas não têm ilusões sobre as conexões religiosas de atenção plena, e estão perturbados que coisas como ioga e atenção plena estão sendo consideradas puramente seculares (não religiosos). Um professor de zen americano, David Loy, comentou recentemente: “Se a atenção plena deve fazer uma verdadeira mudança cultural, ela deve olhar além das necessidades pessoais de serenidade, boa saúde ou sucesso […] À medida que as pessoas praticam a atenção plena, elas se envolvem em algo mais profundo, ou procuram mais, ou até mesmo se voltam para o budismo”. Stephen Batchelor, um ex-monge budista e promotor de uma abordagem secular ao budismo, comparou a integração da atenção plena com o Cavalo de Tróia, no sentido de que “as pessoas não sabem o que estão recebendo, não é muito diferente de praticar ioga para tonificar os braços e também descobrem a iluminação espiritual”. Há um perigo especial de que nossos filhos possam ser enganados por esse novo tipo de Cavalo de Tróia. (Se algum de vocês não estiver familiarizado com a expressão “cavalo de Tróia”, uma simples pesquisa no computador contará a história que há por trás dela).


Sem “Nones”

A verdadeira razão por trás de tudo isso é que, em grande parte da sociedade ocidental, o homem desistiu de Deus, e isso deixou um vazio em sua vida. O homem foi criado com uma parte consciente de Deus em seu ser, e ele anseia por aquilo que irá satisfazer esse desejo. É por isso que as pessoas hoje que se classificam como “nones” [expressão em inglês] – aquelas que não são afiliadas a nenhuma religião ou crença definida – se rotulam como “espirituais, mas não religiosas”. Quando a vida não tem sentido, o homem procura algo espiritual para preencher o vazio, e isso explica a maneira tão rápida e geral com que tantos respondem a introdução de tais entidades como atenção plena. Mas esta não é a resposta correta ao stress que resulta frequentemente da vida moderna. Isto pode dar um alívio temporário, e este sempre é o caminho usado por Satanás, pois na verdade ele é um mentiroso desde o princípio.


O jugo do Senhor

A vida é estressante, e os fardos do caminho deste mundo podem ser muito pesados. Isto é muito real nas vidas das crianças de hoje em dia, porque nos últimos 25-30 anos, muitas forças se combinaram para tirar a inocência e perspectiva despreocupada que eles tinham na maioria do mundo ocidental. Mas a Palavra de Deus não nos recomenda a “posição de lótus” (uma posição em que a pessoa fica sentada de pernas cruzadas com os pés colocados na coxa oposta). Ela nos diz: “Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, e Ele te susterá” (Sl 55:22). Melhor do que a “posição de lótus” é a posição “ajoelhado”, pois Deus certamente dará a graça para quaisquer circunstâncias que Ele permitir em nossas vidas. Ele diz: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mt 11:29-29).

W. J. Prost

 

A Jerusalém Celestial


Jerusalém de ouro, com leite e mel abençoada,

Sob tua contemplação desaparecem o coração e a voz oprimidos;

Não conheço, oh, não conheço, que alegrias nos esperam lá,

Que esplendor de glória, que êxtase além de comparação!


Que esperar, pobres andarilhos, ter nossa casa no alto!

Que os vermes devessem procurar moradas além do céu estrelado

E agora nós lutamos a batalha, mas então vestiremos a coroa

De completo, eterno e calmo renome.


E agora vigiamos e lutamos, e agora vivemos em esperança,

E Sião em sua angústia com Babilônia deve lidar;

Mas aquele em Quem agora confiamos será então visto e conhecido,

E aqueles que O conhecem e O veem, O terão para si mesmos.


A vida breve é ​​aqui nossa porção, tristeza breve, cuidados de curta duração;

A vida que não tem fim, a vida sem lágrimas, está lá.

Oh feliz retribuição! Trabalho passageiro, descanso eterno;

Para os mortais e para os pecadores, uma mansão com a benção.


Jerusalém a gloriosa! Glória dos eleitos!

Ó querida e futura visão que os corações ansiosos esperam!

Já agora pela fé te vejo, mesmo aqui teus muros distingo;

Para ti meus pensamentos são acesos, e lutam, e suspiram, e anseiam.


Ali está o trono de Davi, e ali, despreocupado,

O grito dos que triunfam, o canto dos que festejam;

E eles, que com seu Líder, venceram na batalha,

Para sempre e para sempre estarão trajados em alvas vestes.


Bernard de Morlaix, 1146


 

“Mas chegastes ao monte Sião [o monte da graça], e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial”

Hebreus 12:22



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