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Os Olhos (Janeiro de 2023)



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ÍNDICE


Tema da Edição

Young Christian, Vol. 31

Girdle of Truth, Vol. 5 (adaptado)

J. N. Darby (adaptado)

H. F. Witherby

Christian Truth, Vol. 27

W. J. Prost

W. J. Prost

Sidney Gill

Christian Truth, Vol. 20

Echoes of Grace, 2006

W. W. Fereday

W. T. Turpin

G. V. Wigram

G. V. Wilgram

Escrito por uma irmã em seu leito do morte, antecipando a glória

 

Os Olhos

O olho é o órgão da nossa visão moral. O que os olhos veem expressa o estado do coração e da consciência. O coração pecaminoso vê com um desejo insaciável – “os olhos não se fartam” (Ec 1:8). Ele vê com olhos de “concupiscência”; vê com “olhos malignos” (Pv 23:6); vê com uma perspectiva distorcida (um “argueiro” no olho). Um coração incrédulo cega os olhos, de modo que não podem ver. Um ídolo no coração torna os olhos como os de um homem que faz imagens que são “sem entendimento; que tendes olhos, e não vedes” (ARA). O orgulho faz o homem olhar para si mesmo, ele é como Jó, que era “justo aos seus próprios olhos”. Um coração puro produz um “olho simples” (Lc 11:34), que recebe a luz de Deus que ilumina a alma com verdade e amor. Quando Deus abriu os olhos de Adão e Eva, depois de haverem pecado, seus olhos morais mostraram à sua consciência que estavam nus diante dos olhos santos de Deus, e eles tentaram se cobrir. Tendo um coração perfeito de amor, Deus, que é luz, tem olhos perfeitos. Ele vê tudo e compreende perfeitamente o que vê. Leitor, como estão os seus olhos? Esta edição oferece um teste de visão para cada um de nós.


Tema da edição

 

Os Olhos em Jesus ou nas Ondas


Por mais alto que as ondas possam se elevar, não há como afogar o amor e os pensamentos de Cristo em relação a nós. O teste é para a nossa fé. A questão é: será que temos aquela fé que percebe a presença de Cristo de tal maneira que nos mantém calmos e serenos num mar agitado da mesma forma que num mar calmo? Quando Pedro estava afundando na água, na realidade, não era uma questão de mar calmo ou agitado, pois ele, sem Cristo, teria afundado tanto no mar calmo quanto no agitado. O fato era que os olhos estavam nas ondas e não em Jesus, e isso fez Pedro afundar.


Se continuarmos com Cristo, iremos enfrentar toda sorte de dificuldades e muitos mares turbulentos, mas, sendo um com Ele, teremos Sua segurança. Os olhos não devem estar nos eventos, ainda que eles sejam solenes, e eu acho que eles são, mas eu sei que tudo está tão estabelecido e seguro como se o mundo inteiro fosse favorável.


Eu realmente temo a maneira como muitos santos queridos estão olhando para os eventos, e não olhando para Cristo e procurando Cristo. O próprio Senhor é a segurança do Seu povo, e, deixemos o mundo seguir como quiser, nenhum evento pode tocar a Cristo. Estamos seguros no mar, basta não colocarmos os olhos nas ondas, mantendo o coração concentrado em Cristo e nos Seus interesses. Então o próprio diabo não pode nos tocar.


Young Christian, Vol. 31

 

A Candeia do Corpo são os Olhos


Leia Lucas 11:33-36 e Mateus 6:22-23

Quando uma vela é acesa, ela está lá, não importa se as pessoas podem enxergá-la ou não. Um cego não percebe a luz, ainda que ela esteja brilhando muito intensamente. Se um homem gosta de andar em trevas, eu diria que ele tem algum mau motivo em seu coração, ou então seus olhos são maus e não podem suportar a luz. Mas, se meus olhos estão sadios, regozijo-me com a luz. Por isso, a Palavra é desagradável para aquele que não tem uma visão clara, que não tem um olho simples. Quando a alma está sadia, há plena percepção da Palavra; todo o corpo está cheio de luz, não tendo parte alguma em trevas.


Esta é uma palavra muito solene para todos nós. Uma pessoa, com apenas um dia de convertida pode estar cheia de luz, embora possa, em muitas coisas, precisar do ensino de Deus. Contudo, isso se aplica tanto ao recém-nascido em Cristo quanto ao homem crescido. Se tão somente formos fiéis à luz, Deus não nos deixará ser tentados acima daquilo que somos capazes de suportar. Mas existe um ensino de Deus, quando o próprio Deus está na alma; então tudo é visto à luz de Deus.


Se um homem anda de dia, não tropeça; se anda de noite, tem que pensar qual caminho tomar, mas, se anda à luz do dia, pode caminhar despreocupado.


O olho recebe a luz

“Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; ... não tendo em trevas parte alguma”. Quando a vela está lá, vemos tudo ao redor; a luz se mostra, e por si só mostra tudo ao redor.


O olho recebe a luz. A luz nunca varia; é o olho que varia. O olho ou é simples ou é mau. Não é dito simples ou dobre, mas simples ou mau. “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz”. “Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso”. “A candeia [lâmpada – ARA] do corpo são os olhos”. Se Cristo for o meu Objeto, todo o meu corpo será luminoso. Se não, será tudo trevas, uma vez que ou é tudo Cristo ou é tudo mal, por mais religioso que possa parecer.


Se eu tenho somente Cristo como meu Objeto, tudo é simples, ainda que eu possa ter dificuldades a serem superadas. Se eu seguir a Cristo somente, num mundo que se opõe inteiramente a Ele, isso inevitavelmente trará dificuldades no caminho; ainda assim, o caminho será plano e simples.


A luz é colocada no velador, “para que os que entram vejam a luz”. Portanto, a pessoa é forçada a questionar: Você está vendo a luz ou não? Cristo estabeleceu a luz no mundo. Ele estava no mundo, para o mundo, mas o mundo vê a luz? Deus Se manifestou plenamente em Cristo, e, se Cristo Se manifestou para a sua alma, o efeito disso será manifestar a sua condição. Você diz: “Senhor, deixa que primeiro eu vá enterrar meu pai”? (Lc 9:59) Se sim, vem à tona este segredo, de que você possui algo em seu coração que está tendo prioridade sobre Cristo.


Quando meu corpo não é luminoso em quaisquer circunstâncias, eu sei que há algo não simples no meu olho – algo que ainda não cedeu diante do poder de Cristo. Há algo que você ainda não abandonou, ou algo talvez que tenha entrado. Se estou guardando alguma coisa em meu coração além de Cristo, tenho uma má consciência, e, meu olho sendo mau, todo o meu corpo está cheio de trevas. As pessoas geralmente dizem que não conseguem ver: Claro que não conseguem, quando estão tentando ver com outra luz. Além disso, aquilo que elas efetivamente veem será rapidamente abandonado, se não estiverem andando no poder daquilo que agora possuem. Quantas vezes vimos santos que receberam luz e se afastaram dela, tendo até mesmo essa luz sido tirada deles. Tais santos, na verdade, podem ficar com uma consciência mais aliviada, talvez, contudo é em um nível muito mais baixo.


O olho simples

O “olho simples” está relacionado ao estado de nossos desejos e afeições. Mesmo as questões comuns da vida podem ser entraves para um espírito íntegro como o de Maria, sentada aos pés de Jesus e ouvindo Sua Palavra. Mas a advertência é: “Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas”. Se o nosso padrão não é Cristo, a luz que há em nós se tornará trevas. Se tivermos tomado por medida algo que não seja Cristo, e somente Cristo, a maneira como julgamos será errada, e, tendo a luz em nós se tornado trevas, seremos guiados erroneamente e erraremos nosso caminho.


Mas, se o olho está cheio de Cristo e julgamos tudo por essa luz, quando virmos qualquer coisa que não glorifique a Cristo, diremos: “Isso não nos serve”. O vaso pode ser pequeno, mas deve ser inteiramente para Cristo.


Que estejamos caminhando no poder do Espírito Santo e pelo ensino divino do Senhor Jesus Cristo, satisfeitos em caminhar com Ele, não desejando nenhum outro caminho. Tenhamos nossos olhos n’Ele, e somente n’Ele, para que, quando outros objetos forem colocados diante de nós, possamos dizer: “Não serve para mim, pois não é Cristo.” Oh! Que sejamos simples em relação ao mal, em um mundo de maldade. Que estejamos tão ocupados com Cristo que não haja espaço para o mal entrar, não fazendo com que nossa função seja julgar o mal, mas nos manter simples em relação a ele. E que Cristo seja de tal maneira o único Objeto do meu coração e afeições que eu não tenha nenhum canto escuro no íntimo. Que o Espírito Santo faça d’Ele o centro em torno do qual cada pensamento e desejo da minha alma esteja entrelaçado.


Girdle of Truth, Vol. 5 (adaptado)

 

Guiar-te-ei com Meus Olhos


“Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os Meus olhos. Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio, para que se não atirem a ti.” (Sl 32:8-9)


Somos muitas vezes como o cavalo ou a mula, cada um de nós – e isso porque a nossa alma não foi lavrada. Quando há qualquer coisa em que a vontade do homem esteja operando, o Senhor trata conosco, tal como com o cavalo ou a mula, nos refreando. Quando cada parte do coração está em contato com Ele, Ele nos guia com Seus “olhos”. “A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor” (Lc 11:34-36). Enquanto houver qualquer coisa em que o olho não seja simples, não haverá livre comunhão de coração e afeições com Deus; a consequência é que, nossa vontade não sendo subjugada, não somos conduzidos de modo simples por Deus. Quando o coração está em um estado correto, todo o corpo é “luminoso”, e há uma rápida percepção da vontade de Deus. Ele simplesmente nos ensina por Seus “olhos” tudo o que Ele deseja, e produz em nós rapidez de entendimento em Seu temor (Is 11:3 – KJV). Esta é a nossa porção, por ter o Espírito Santo habitando em nós, “rápido entendimento no temor de Jeová” (KJV), um coração que não possui outro objeto, a não ser a vontade e glória de Deus. E é exatamente o que Cristo era: “Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro está escrito de Mim: Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a Tua lei está dentro do Meu coração” (Sl 40:7-8; Hb 10:7). Onde houver isso, pode ser que seja amargo e doloroso no que se refere às circunstâncias do caminho, mas nele haverá o gozo da obediência como obediência. Há sempre gozo, e a consequência – Deus nos guiando pelos olhos d’Ele.


Deus nos guiando por Seus olhos

Antes que qualquer coisa seja feita, se não tivermos esta certeza, antes de entrarmos em qualquer serviço em particular, deveríamos procurar obtê-la, julgando nosso próprio coração quanto ao que pode estar atrapalhando. Suponha que eu comece a fazer uma coisa e encontre dificuldades, vou ter dúvida se essa é a mente de Deus ou não, e, portanto, haverá fraqueza e desânimo. Mas, por outro lado, se eu agir no entendimento da mente de Deus, em comunhão, serei “mais que vencedor”, seja o que for que eu encontre pelo caminho (Rm 8:37). E observe aqui: não só o poder da fé, no caminho da fé, remove montanhas, mas o Senhor também trata moralmente e não me deixará descobrir o Seu caminho, a menos que haja em mim o espírito de obediência. “Se alguém quiser fazer a vontade d’Ele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se Eu falo de Mim mesmo” (Jo 7:17 – ARA). Essa é, precisamente, a obediência da fé. O coração deve estar na condição de obediência, assim como o de Cristo estava: “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade”. O apóstolo fala aos colossenses no sentido de serem “cheios do conhecimento da Sua vontade em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1:9). Aqui está a rapidez de entendimento no temor do Senhor, a condição da própria alma de um homem, apesar de que seu espírito mental será necessariamente demonstrado em ações exteriores, quando essa vontade (a de Deus) for colocada diante dele. Paulo prossegue dizendo: “para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus” (v. 10).


Aqui, então, está o abençoado e gozoso estado de ser guiado pelos olhos de Deus. “Uma comida tenho para comer”, diz nosso Senhor aos discípulos (Jo 4), “que vós não conheceis”. E o que era essa comida? “A Minha comida é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a Sua obra”.


O “cabresto” e o “freio”

O Senhor nos guia, ou melhor, nos controla, de outra maneira, por circunstâncias providenciais, para impedir que sigamos errado, mesmo que sejamos aqueles que não têm entendimento. E devemos ser agradecidos que assim Ele nos trate. Mas é somente [se agirmos] como o cavalo ou a mula. Estando a sua vontade sujeita à d’Ele, Ele diz: “Eu te guiarei com os Meus olhos” – mas, se você não estiver sujeito, “Eu preciso te conter com ‘cabresto e freio’”. Isso, evidentemente, é algo bem diferente.


Que nosso coração seja levado ao desejo de conhecer e fazer a vontade de Deus. Se queremos conhecê-la e fazê-la, então teremos o conhecimento certo e abençoado de sermos guiados por Seus “olhos”. Quando falhamos em conhecer a Sua vontade, podemos ser gratos por Ele intervir para corrigir nosso caminho.


Guiado com e sem entendimento

Há duas formas de ser guiado: com entendimento e sem entendimento. A primeira é nosso abençoado privilégio, mas pode ser que a segunda seja necessária para poder nos humilhar. Em Cristo havia tudo exatamente de acordo com Deus. Em certo sentido, Ele não tinha um caráter. Quando olho para Ele, o que vejo? Uma vida constante que jamais falha – manifestação de obediência. Ele vai até Betânia somente quando era para Ele ir, independentemente dos temores dos discípulos; Ele ainda permanece dois dias no mesmo lugar onde está, depois de ouvir que Lázaro está doente (Jo 11). Ele não tem outra coisa a não ser fazer tudo, cumprir tudo, para a glória de Deus. Um homem é terno e brando; em outro predominam firmeza e decisão. Existe uma grande diversidade de caráter entre os homens. Você não vê isso em Cristo; não há inconstâncias; cada faculdade em Sua Humanidade obedeceu e foi o instrumento dos impulsos que a vontade divina lhe impelia.


A vida divina precisa ser guiada em um vaso que precisa ser constantemente contido. Assim, até mesmo para o apóstolo, a ordem de não ir para Bitínia (At 16:7) não era uma das formas mais elevadas de direção do Espírito. Era uma direção abençoada, mas não o caráter mais elevado de direção que um apóstolo conhecia. Era mais como o domínio do cavalo ou da mula, e não tanto o conhecimento da mente de Deus em comunhão.


Cheio do conhecimento da Sua vontade

Uma grande variedade da direção do Espírito é justamente o que temos em Colossenses 1:9-11, para aqueles em comunhão com Deus. Ali encontramos o indivíduo cheio “do conhecimento da Sua vontade”. O Espírito Santo guia para o conhecimento da vontade divina, e nem mesmo é necessário orar sobre isso. Se eu tenho entendimento espiritual sobre determinada coisa, isso pode ser o resultado de uma grande quantidade de orações anteriores, e não necessariamente das coisas sobre as quais se tem orado no momento. Muitas vezes a pessoa teve que orar sobre uma coisa, porque não estava em comunhão. Posso ter minha mente exercitada sobre aquilo hoje (honesta, verdadeira e graciosamente exercitada), e pode ser que, daqui a cinco anos, eu não tenha nenhuma dúvida sobre o assunto. Quando Deus está nos usando, e estamos livres de nós mesmos, Ele pode colocar em nosso coração para irmos aqui ou ali; dessa forma Deus está nos guiando positivamente. Mas isso pressupõe uma pessoa que esteja andando com Deus, e isso diligentemente; pressupõe morrer para si mesmo. Se estivermos andando humildemente, Deus nos guiará. Eu posso estar em um determinado lugar, e ali alguém pode me dizer: “Você quer ir a tal lugar?” Ora, se eu não tiver a mente de Deus, quanto à minha ida ou não, terei que orar por direção, mas isso, é claro, pressupõe que eu não esteja andando no conhecimento da mente de Deus. Posso ter motivos me puxando num ou noutro sentido, e obscurecendo meu discernimento espiritual. Quando os discípulos falam sobre os judeus terem, pouco tempo antes, procurado apedrejá-Lo e perguntam: “e voltas para lá?” (ARA), o Senhor diz: “Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz” (Jo 11:9-10). Essa é apenas uma aplicação do simples fato de que, se eu andar de noite, devo estar atento às pedras, para que eu não tropece nelas. Assim, Paulo ora pelos filipenses para que o amor deles cresça cada vez mais em conhecimento e em todo discernimento; para que aprovem as coisas excelentes [provem as coisas que diferem]; para que sejam sinceros e sem ofensa até o dia de Cristo, sem um único tropeço em todo o caminho.


Providência

Muitos falam de providência como um guia. A providência às vezes controla, mas, propriamente falando, nunca nos guia; ela orienta as coisas. Se estou indo a um lugar para pregar e descubro, quando chego à estação, que o trem já partiu, Deus determinou coisas em relação a mim (e eu devo ser grato pela interferência), mas isso não é Deus me guiando, pois eu realmente teria ido, se o trem não tivesse saído: minha vontade era ir. Tudo o que recebemos ao sermos guiados pela providência é muito abençoado, mas isto não é ser guiado pelo Espírito de Deus, não é ser guiado pelos “olhos”, mas sim pelo “cabresto” de Deus. Propriamente falando, embora a providência prevaleça, ela não guia.


J. N. Darby (adaptado)

 

Os Olhos da Alma


O que é a fé? A fé é os olhos da alma. Os olhos, simplesmente ao olhar, se apropriam daquilo que está fora deles, assumindo a forma do objeto que está diante de sua visão. Através do cristalino, a aparência daquilo em que se fixa o olhar entra na incrível câmara do olho, em seguida é focada naquela incrível camada de tecido chamada retina, e imediatamente, por meio dos nervos ópticos, a forma daquilo que está do lado de fora é escrita no cérebro em forma e cor vivas. Então aquilo que é visto é transmitido ao entendimento e por apropriação torna-se nosso. Essa janela do olho simplesmente permite que o caráter dos objetos que estão no exterior entrem na câmara da qual ela é a luz.


A Palavra de Deus é aquela em que o Filho de Deus nos é apresentado. Nela nós O vemos. O olho não cria, ele recebe. Assim é a fé. Não labuta nem trabalha, ela recebe. “Olhai para Mim”, diz o Senhor, e todo aquele que olha, vive, pois recebeu Cristo, a Quem a sua fé viu.


A fé ocupa-se daquilo que está fora do crente, e, fazendo isso, Cristo é formado no coração do crente. Ao olharmos para Ele, Ele passa a ser nosso. Há, assim, estabelecida dentro do coração uma resposta Àquele que a fé vê exteriormente. O que contemplamos é, por assim dizer, formado em nosso coração; nos apropriamos de Cristo. Muitos que realmente queriam “ver a Jesus” não O veem, porque seus pensamentos estão voltados para dentro, tentando encontrar o que só pode ser descoberto olhando para fora. Eles fecham os olhos da fé e então usam a mente para procurar descobrir aquilo que nunca poderá ser visto enquanto os olhos estiverem cegos.


H. F. Witherby

 

Um Uso Correto e Incorreto dos Olhos


O primeiro grande ponto a se estabelecer para verificar o erro de qualquer coisa é obter um perfeito conhecimento do que é verdadeiro e certo. Aquilo que é certo deve ser singular, enquanto as falsificações podem ser infinitas em número e variedade. Um banqueiro disse uma vez, ao ser perguntado como ele conhecia uma nota falsa: “Eu nunca considero se uma nota é falsa; eu verifico se ela é verdadeira”. Se eu sei o que é certo, é muito fácil e simples para mim rejeitar o que não condiz com o certo. Muitos se desgastam em vão examinando algo suspeito para poderem ver se os motivos da suspeita existem, enquanto que se eles tivessem simplesmente se mantido naquilo que sabiam que era certo, poderiam ter discernido e rejeitado a falsificação imediatamente, mesmo que não conseguissem dizer os motivos exatos pelos quais eles a rejeitaram. Posso acrescentar que, depois de eu ter rejeitado qualquer pretensão como falsa, posso, então, com o intuito de convencer outros, examinar as imperfeições que provam que ela não é genuína. No entanto, a primeira ocupação dos meus olhos, seja na escolha ou no discernimento, não deve ser com a imperfeição ou o mal.


A ocupação correta para os meus olhos

De que maneira, então, os olhos devem se ocupar? Se consigo decidir a ocupação correta para os meus olhos, consigo facilmente perceber o que não é a ocupação correta.


Aqui reside a causa de tanta indecisão e inconsistência. As pessoas não têm definido para si mesmas o que é correto e, consequentemente, fazem um julgamento de cada proposta com base nos próprios méritos dela, em vez de se basearem nos méritos de um padrão comprovado. Então, a ocupação correta dos olhos deve ser determinada considerando o poder que tem direito de controlá-los. Se o Senhor tem esse direito, então a ocupação deles deve estar de acordo com Sua mente. O envolvimento ou ocupação de qualquer órgão é caracterizado pelo poder que o controla. Se o Senhor controla os meus olhos, eles estão ocupados e envolvidos com o que interessa a Ele. Se meus olhos são controlados por minha própria vontade, eles serão caracterizados por minhas preferências e gostos carnais, e eles são agentes muito ativos em fornecer à mente natural provisão para sua inimizade contra Deus. Eva viu que o fruto proibido era agradável aos olhos, e isso promoveu em seu coração uma inclinação para agir em independência de Deus. É impressionante como o veredito dos olhos nos afeta em tudo e o quanto esse julgamento é fruto do nosso próprio estado de alma.


A concupiscência dos olhos

Duas pessoas podem ver a mesma coisa com impressões totalmente diferentes, mas a impressão transmitida a cada uma tem relação com o estado e a condição específica da pessoa antes de seus olhos agirem de tal maneira. Uma admira, enquanto a outra se afasta, por lhe ser doído ver a mesma cena. O corpo é do Senhor, e os olhos são do Senhor. Ou o Espírito de Deus está usando os meus olhos para abraçar e examinar tudo o que é importante que eu veja em meu caminho, ou a mente natural os está usando para fornecer materiais para o seu próprio sustento, e, portanto, a “concupiscência dos olhos” é classificada com a “concupiscência da carne”, embora ninguém nunca pense que elas poderiam ser colocadas juntas como moralmente iguais. Ambas nos ligam ao mundo, que não é do Pai. A “concupiscência dos olhos” é ainda a mais perigosa das duas, porque é menos temida, mesmo a Escritura estando repleta de advertências sobre os perigos para os olhos. Lembre-se de que os olhos enviam para a alma uma mensagem correspondente ao poder que os usou. Se é o Senhor quem os usa, então uma impressão fornecendo material para a vontade d’Ele é transmitida à alma; se é minha própria mente que os usou, a impressão, ao contrário, fornecerá material para promovê-la. Para um Cristão, essa é uma perda dupla, pois não só o priva do que poderia ter ganhado para o Senhor como também adquire para ele aquilo que impede e bloqueia sua percepção do amor do Pai. Quão pouco nossa alma pondera essas coisas e as levam à sério!


Christian Truth, Vol. 27

 

A Concupiscência dos Olhos


A expressão “a concupiscência dos olhos” é mencionada apenas uma vez na Palavra de Deus, em 1 João 2:16, mas há vários exemplos desse tipo de concupiscência na Bíblia. Nossa primeira mãe, Eva, foi tentada por Satanás no Jardim do Éden dessa maneira, pois ela viu que o fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal era “agradável aos olhos”, e, combinado com outras concupiscências, foi o suficiente para fazê-la desobedecer ao único mandamento que o Senhor havia dado a ela e a seu marido.


Mais tarde, vemos Ló, sobrinho de Abraão, “E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada... como o jardim do SENHOR” (Gn 13:10). Seus olhos o levaram para a perversa cidade de Sodoma, com consequências desastrosas para ele e sua família.


Mais tarde ainda, descobrimos que a esposa de Potifar “lançou os olhos sobre José” de uma maneira imoral, e, porque ele recusou os seus avanços, ela falsamente o acusou, e ele foi preso (Gn 39:7-20). Não precisamos multiplicar os incidentes, mas foi a concupiscência dos olhos de Davi que o fez olhar para uma mulher bonita e cobiçá-la, mesmo ela sendo esposa de outro homem (2 Sm 11:1-5). Muitos outros exemplos poderiam ser dados, onde os olhos foram o meio de despertar a concupiscência na mente de um indivíduo.


Perfeitamente obediente

No entanto, houve Um que foi tentado dessa forma, mas que não cedeu à tentação. Antes de Ele seguir em frente para iniciar Seu ministério terrenal, era necessário provar Quem Ele era. Não poderia haver dúvida quanto à perfeição de Sua natureza e Sua absoluta incapacidade de cometer pecado, mas um teste era necessário para manifestar isso claramente. Assim foi que o Espírito de Deus O levou ao deserto, onde Ele foi tentado sob as piores condições possíveis. Ele estava sozinho no deserto, e por 40 dias não tinha nada para comer. (Em contrapartida, a tentação de Adão e Eva ocorreu nas melhores das condições – eles estavam juntos, tinham o bastante para comer e estavam cercados pelas belezas do Jardim do Éden.)


No entanto, nosso bendito Senhor e Mestre andou em um caminho de dependência de Seu Pai em tudo, e Ele não deixaria esse caminho. Além disso, Ele não manda simplesmente Satanás ir embora, mesmo que, como Deus, Ele tivesse o poder de fazê-lo. Mas nosso Senhor citou a Palavra de Deus para o diabo, e foi o suficiente para derrotá-lo. Ao contrário de todos os outros homens e mulheres na história, não havia nada em nosso Senhor que respondesse às tentações de Satanás, e Satanás foi obrigado a retirar-se. Dessa maneira o Senhor Jesus foi um bom exemplo para nós, pois enquanto vivermos e nos movermos no caminho da obediência, de acordo com a Palavra de Deus, Satanás não terá poder sobre nós.


A última tentação

É interessante notar que, na ordem das tentações de nosso Senhor, como apresentado em Mateus 4, a concupiscência dos olhos é mostrada por último. O último estratagema de Satanás foi apresentar-Lhe todos os reinos deste mundo, dizendo-Lhe que seriam d’Ele se Ele Se prostrasse e o adorasse. Porém, tanto em Lucas 4 quanto em 1 João 2:16, as tentações são apresentadas em uma ordem moral, com a concupiscência dos olhos sendo mencionada em segundo lugar. A concupiscência da carne vem primeiro, pois até mesmo um cego tem a concupiscência da carne. Por outro lado, a concupiscência dos olhos tende a ser a próxima para nós que podemos ver, pois aquilo que nossos olhos captam costuma formar nossos pensamentos e governar nossas ações. Finalmente, entra a soberba da vida, onde Ele é convidado a lançar-se do pináculo do templo, contando com Deus para guardá-Lo do mal.


A concupiscência dos olhos

A concupiscência dos olhos é, e sempre foi, um sério problema para o homem pecador. Satanás sabe disso muito bem e sabe como apresentar as coisas deste mundo sob uma ótica extremamente positiva. É o olho que costuma ser o primeiro a ser atraído por algo neste mundo, mesmo que o objeto também incorpore a concupiscência da carne e a soberba da vida. Pode ser algo bem pequeno, mas, se isso não for suficiente, Satanás sabe bem como “aumentar a aposta” para algo ainda mais bonito.


É importante reconhecer que, em tudo isso, é a “concupiscência” dos olhos que é o problema. O olho em si não é mau, pois Deus nos deu olhos que podem ver a beleza de Sua criação, incluindo a beleza em outro ser humano. Onde eu moro, muitas das árvores que perdem as folhas adquirem lindas cores no outono, e as pessoas geralmente viajam longas distâncias para ver o colorido das árvores no início de outubro. Mas, quando o homem pecou, todas as suas faculdades puderam ser usadas da maneira errada, e nossos olhos particularmente se sobressaem nesse sentido.


O antídoto

Qual é, então, o antídoto para a concupiscência dos olhos? Como vimos, a resposta está sempre no caminho de obediência à Palavra de Deus. Quando somos tentados por essa concupiscência, o pensamento que vem à nossa mente é o de que ceder à concupiscência nos fará mais felizes do que continuar andando em obediência à Palavra de Deus. É uma lição difícil aprender que “a carne para nada aproveita” (Jo 6:63), e, para alguns de nós, parece levar uma vida inteira para aprendê-la.


O grande ponto é perceber que Deus nos deu algo melhor. Todas as concupiscências mencionadas em 1 João 2:16 são “do mundo” e “não do Pai”. O que nós queremos: as coisas do mundo, ou feliz comunhão com Deus nosso Pai? A palavra “concupiscência” implica um intenso desejo por algo, mesmo que já tenhamos o suficiente. Assim, lemos que “havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado” (Tg 1:15). Um desejo por algo pode não ser errado em si, a menos que seja por algo pecaminoso, mas um forte desejo por algo pode nos levar ao excesso, quase ao vício, e é aí que entra o pecado.


Que o Senhor nos mantenha em guarda nestes últimos dias, em que Satanás está cada vez mais ativo. Como já mencionamos, costuma ser por um apelo à nossa visão que Satanás primeiro atrai nossa atenção, e, em seguida, vêm o pecado e suas consequências. Uma atitude de dependência e obediência à Palavra de Deus nos preservará.


W. J. Prost

 

Porque Não Sou Olho


O título deste artigo é tirado de 1 Coríntios 12:16, onde o apóstolo Paulo está discutindo os dons espirituais – seu uso e abuso. Ele ressalta que cada um no corpo de Cristo recebeu um dom particular e tem uma função específica. Se cada um cumpre o seu próprio papel, o corpo de Cristo, assim como o corpo humano, tem um bom desempenho. No entanto, cada um de nós deve se contentar com o papel que o Senhor nos atribuiu e estar disposto a fazê-lo para Sua glória. Como vemos neste capítulo, isso nem sempre acontece.


A discussão destaca os dois problemas comuns no coração humano relacionados aos nossos dons espirituais. Embora possam parecer opostos um ao outro, ambos os problemas têm a mesma raiz – o orgulho.


Baixa autoestima

No primeiro caso, lemos: “E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido?” (1 Co 12:16-17). O olho é uma parte muito importante do nosso corpo, e perder a visão seria um duro golpe para qualquer um de nós. Perder um membro é difícil, mas hoje muito pode ser feito com próteses para compensar a perda. Perder os olhos, no entanto, é perder o que não pode ser substituído, e isso nos prejudica severamente em nossa vida cotidiana. Em sua argumentação, Paulo personifica partes do corpo, a fim de ilustrar as possíveis reações dos membros do corpo de Cristo. No primeiro caso, na reação da orelha em relação ao olho, vemos o exemplo clássico de baixa autoestima. Aqueles que sofrem de baixa autoestima costumam ficar deprimidos e chateados porque sua autoimagem não é o que eles acham que deveria ser. A raiz de tudo isso é o orgulho, pois aqueles que sofrem de baixa autoestima na verdade têm uma autoestima elevada; simplesmente a realidade não corresponde aos seus ideais. Em nosso capítulo, o ouvido acha que seria melhor ser olho, e, como não é olho, ele finge que não é do corpo. Isso é comparável àqueles que não são dotados da maneira que outros são, e que então se recusam a funcionar no corpo. Mas o ouvido é muito necessário no corpo, e alguns podem muito bem sentir que preferem perder a visão em vez da audição. No final das contas, Deus tem o direito de nos colocar no corpo “como [Ele] quis” (v. 18), e devemos nos contentar em ocupar esse lugar para Sua glória.


Elevada autoestima

No entanto, mais adiante neste capítulo, encontramos um exemplo de autoestima elevada. “E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti” (1 Co 12:21). Aqui o orgulho ainda é a raiz do problema, mas na direção oposta. O olho, por ser uma parte muito importante do corpo, ousa dizer à mão, “Não preciso de você”. Em certo sentido, isso é verdade, pois o olho pode funcionar independentemente da mão. Mas deixe um pequeno cisco entrar no olho, e a mão é necessária para tirá-lo. Caso a capacidade de refração do cristalino no olho se deteriore, a mão é necessária para colocar e tirar os óculos ou lentes de contato. Além disso, a mão pode fazer o que o olho não pode fazer. O olho pode ver belas frutas em uma árvore, mas apenas a mão pode colher uma fruta e colocá-la na boca. Cada membro do corpo é necessário.


O resultado dessas duas atitudes erradas causou danos incalculáveis ao corpo de Cristo. Aqueles que sofrem de baixa autoestima tendem, assim como a orelha no versículo 16, a deixar de fazer o que são dotados para fazer, e a perda é sentida por todos. Ou eles são tentados a experimentar fazer aquilo para o qual não são dotados. Novamente, isso apenas causa problemas e não edifica. Por alguns terem falhado em exercitar os dons que receberam, outros, que não foram particularmente dotados daquela maneira, tiveram que assumir e fazer o que podiam, porém eles não podem substituir a perda criada pela ausência daqueles que Deus capacitou para o trabalho.


Uma mescla

Da mesma forma, uma atitude superior de elevada autoestima, como exibido pelo olho no versículo 21, já desencorajou a muitos e fez com que alguns se sentissem inúteis e desnecessários. Alguns que são particularmente dotados podem olhar com superioridade para outros que não são tão dotados e menosprezá-los. Embora seja bom reconhecer o dom e usá-lo, é muito importante reconhecer, como vemos mais adiante no capítulo, que “os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários” (v. 22). Deus “formou [mesclou – KJV] o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela” (v. 24).


É interessante notar que, ao comentar essas coisas nesse capítulo, o Espírito de Deus usa o exemplo do olho em ambos os casos diante de nós – como um objeto de inveja por parte do ouvido e como um exemplo de atitude superior em relação à mão.


W. J. Prost

 

A Complexidade do Olho


“E O que formou o olho, não verá?” (Sl 94:9). “Tu és Deus que me vê” (Gn 16:13 - ACF).


O olho é um órgão muito impressionante – muito mais eficiente do que qualquer câmera. A lente do olho (o cristalino), cercada de fluidos, automaticamente mantém o olho focado. Ela nos permite ver imediatamente e de forma clara um objeto distante ao desviarmos nosso olhar de um livro que estejamos lendo. É a córnea, uma janela transparente e oval na parte frontal do olho, que dobra os raios de luz e os envia para o cristalino.


A pupila é o canal através do qual esses raios de luz viajam. Na luz intensa, ela parece pequena porque se contrai, mas se abre mais à medida que a luz diminui. No escuro, ela fica completamente aberta e pode aumentar sua sensibilidade à luz em cerca de 10.000 vezes. Na verdade, os olhos humanos, quando expostos à escuridão por um tempo, podem ver quase tão bem quanto uma coruja.


Quando o cristalino foca a imagem, ela é então passada para a retina – o revestimento interno do globo ocular. A incrível retina tem a espessura de um pedaço de papel, porém tem dez camadas (como uma cebola). Ela contém cerca de 150 milhões de células bastonetes e cones. A maioria delas é de bastonetes, os quais nos ajudam a enxergar com pouca luz e a separar tons de preto e branco. As células cone nos ajudam a enxergar as cores e a luz intensa. A retina possui muitos vasos sanguíneos, porém a córnea e o cristalino não têm nenhum, porque precisam ser sempre transparentes.


O branco do olho nutre a córnea e por isso tem muitos vasos sanguíneos. Ele produz lágrimas e outro fluido que ajuda a manter os olhos úmidos, liberando água salgada sobre eles. Isso é feito quando piscamos, algo que fazemos cerca de 30.000 vezes por dia. Além de manter os olhos úmidos, piscar ajuda a remover partículas estranhas que podem danificar este órgão sensível.


Tudo no olho é automático. Você já parou para pensar como é incrível podermos ver estrelas a trilhões de quilômetros de distância e ainda, sem pensar, podermos focar em um pequeno objeto a apenas alguns centímetros de distância? Ao observar uma atividade estimulante, o olho enviará milhões de impulsos elétricos instantaneamente para o cérebro, que imediatamente assume o controle para colocar em uso a informação. O olho sempre recebe uma imagem invertida, mas o cérebro a converte para a posição correta.


É difícil entender como alguns podem dizer que o olho se desenvolveu por si só, por meio de um processo de evolução. O olho é na verdade uma das grandes obras-primas do Criador divino. É importante lembrar que nossos olhos não são apenas para esta vida, mas nós também veremos na eternidade. Jó declara: “Eu sei que o meu Redentor vive ... Vê-Lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, O verão” (Jó 19:25, 27). O Senhor disse: “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam Comigo, para que vejam a Minha glória que Me deste” (Jo 17:24).


Essas deleitáveis promessas serão desfrutadas por aqueles que conhecem o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador. Mas os olhos daqueles que O rejeitam O verão apenas como seu Juiz, e não como seu Redentor, e eles enfrentarão o castigo eterno.


Sidney Gill

 

O Quadro de Uma Vida


A sua vida, como você a está pintando? Para a luz do tempo ou da eternidade, para os olhos de Deus ou dos homens, para o céu ou para a Terra? Um tempo atrás, eu estava diante de uma obra-prima de Landseer (um pintor inglês do século XIX) que retratava um pônei da montanha com a crina emaranhada deitado na grama. Examinei-a de perto, e ela parecia nada mais que uma massa mal-acabada de borrões e pinceladas. Ao me afastar cerca de uns seis metros, os borrões e pinceladas desapareceram, e o efeito era perfeito; a crina revolta na verdade parecia se destacar das costas do pônei, tão realista era a imagem. Portanto, é muito importante olhar para uma pintura a partir da distância certa.


Se eu encomendo uma obra de um artista, ele precisa saber se o que se quer é um fino quadro de gabinete que será examinado de perto, ou uma grande pintura para uma galeria. Em um caso, ele pintará todos os detalhes com o maior cuidado e de forma minuciosa; no outro, ele usará suas cores amplamente e com ousadia, para efeito a distância.


A tela da nossa vida

Agora a aplicação disso. Cada um de nós está preenchendo a tela da própria vida, e, assim que o quadro for concluído, ele passará por revisão perante o tribunal de Cristo antes de ser pendurado nos átrios lá do alto. À luz desse trono, ele será examinado de perto, pincelada por pincelada; nada escapará. A vida de muitos Cristãos faz um quadro muito satisfatório perante seus semelhantes, mas que terá, infelizmente, uma aparência diferente naquele grande dia perante o trono.


Paulo sentiu tudo isso e pintou o seu quadro para Deus, não para o homem. “Somos manifestos a Deus”, “a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ... pois Quem me julga é o Senhor” (2 Co 5:11; 1 Co 4:3-4). Palavras como essas nos falam da luz segundo a qual o artista trabalhou e dos olhos para os quais ele pintou.


À luz da Sua presença

Um homem deve pintar seu quadro de acordo com a luz em que este será mostrado. Se será visto de dia, deve ser pintado de dia; se por luz artificial, deve ser pintado de noite. Se o nosso quadro da vida será visto por Deus, ele deve ser pintado à luz da Sua presença. Será que todos nós não trabalhamos demais à luz do tempo do homem, pelo presente louvor uns dos outros?


Se vivermos para a aprovação do homem, provavelmente a conseguiremos, e o aplauso e estima que cobiçamos serão nossos. No entanto, lembre-se dessas solenes palavras, repetidas três vezes pelo Senhor ao falar dos antigos fariseus – “Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. A sentença pronunciada sobre todos os que assim buscam o louvor dos homens é: “Vós não tendes recompensa de vosso Pai, que está nos céus” (Mt 6:1-2, 5, 16).


Todos temos de encarar a pergunta. Nós pintamos nosso quadro para o tempo ou para a eternidade; para qual deles então trabalharemos? Busquemos, enquanto cobrimos a porção diária da tela da nossa vida, aplicar cada pincelada à luz do tribunal vindouro. Melhor ainda, deixe Deus guiar o pincel e movê-lo e direcioná-lo como Ele quiser, pois, somente se Ele trabalhar em nós “tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade”, é que nossa vida encontrará Sua aprovação.


Os olhos de Deus

Nada a não ser a obra de Deus satisfará os olhos de Deus. Mesmo nas coisas naturais, a mais perfeita obra do homem é cheia de falhas. Ninguém que tenha visto pelo microscópio o tecido mais fino que pode ser produzido, comparado com algo como a asa de uma borboleta (onde os grãos de pó são vistos como fileiras das mais belas penas em miniatura, cada uma pendurada em um pino de cristal), poderá esquecer a diferença entre a obra do homem e a obra de Deus. Que se entenda uma coisa: podemos pintar o nosso quadro para se adequar à presente noite do homem ou ao dia eterno de Deus, mas não podemos pintar para ambos.


O tamanho da nossa tela

Um pensamento solene permanece; não sabemos o tamanho da nossa tela. A sua pode estar quase coberta, e você não sabe. Busquemos, então, a partir deste dia, viver, andar e trabalhar apenas para os olhos de Deus, para que haja ao menos algumas pinceladas que resistirão à luz do tribunal de Cristo. O olho verdadeiramente espiritual discernirá o seu objeto e o aprovará; e o seu galardão eterno será certo.


Que momento de surpresas será aquele dia! O nome de um homem pode estar na boca de milhares enquanto ele pinta seu quadro da vida por popularidade. Pode ser que, descobrindo o seu erro a tempo, talvez ele tenha terminado sua vida [pintando] para os olhos de Deus. Que quadro será esse no céu! Uma metade, todos os borrões e cores que não resistirão à luz, e a outra (desconhecida pelo homem), radiante com a beleza de Cristo, que será toda exibida lá. Que todos nós possamos acordar para viver para Deus, e para a eternidade em temor diante d’Ele, e para o Seu louvor somente.


Christian Truth, Vol. 20

 

Monitoramento


As imagens eram claras! A garotinha lutava para escapar do aperto no seu braço, enquanto o homem, determinado, a arrastava. A câmera de vídeo passou despercebida até que o “alerta de criança desaparecida” saiu. Em seguida, a busca por pistas para o desaparecimento dela rapidamente localizou a pequena câmera, e a gravação foi vista – vista e amplamente transmitida na TV.


Os telefones da polícia começaram a tocar: “Eu conheço esse homem!” “Esse é o camarada que trabalha na estação!” “Não pode ser o meu vizinho. Ele parece um homem tão bom!”


Mas era o vizinho aparentemente “bom”; todos que ligavam o reconheciam – seu rosto, suas roupas, até suas tatuagens, e o advogado de defesa nomeado pelo tribunal tinha uma tarefa impossível. Não havia como discutir com a câmera. Infelizmente, apenas o corpo da criança foi encontrado.


Outra câmera despercebida estava ligada uma noite numa pequena loja. O empregado da noite estava sozinho atrás do balcão, quando um jovem entrou à procura de dinheiro ou drogas. O funcionário recusou. O intruso pulou o balcão, com arma na mão, e disparou um tiro – um tiro fatal. Não havia testemunhas – pelo menos, nenhuma testemunha viva –, mas a gravação que estava passando mostrava claramente toda a sequência de eventos. Outra tarefa impossível para um advogado de defesa!


Monitoramento por toda parte

Mesmo os pequenos detalhes da vida cotidiana não escapam desse contínuo monitoramento. Certamente uma cabine de pedágio na rodovia sem operador já tentou muitos motoristas a passar pela cabine sem pagar, apenas para se surpreenderem alguns dias depois ao receberem uma notificação de que sua placa foi fotografada em tal lugar e em tal horário, e a multa é de tanto!


Esses não são incidentes isolados. Nós mal nos damos conta da frequência com que nossas ações são “capturadas por câmeras” – de quantas pequenas câmeras estão instaladas por todo o mundo. A tecnologia tornou possível uma imensa rede de monitoramento, embora ela seja muito, muito limitada. Ela não se compara aos olhos de Deus, que tudo veem.


Deus é onisciente

Isso é algo para se pensar com admiração e espanto. Sabemos que Deus é onisciente: Todos sabemos o que isso quer dizer? Ele sabe tudo. Tudo? Sim, verdadeiramente tudo. Até mesmo os “pensamentos e intenções” do seu secreto coração. “Intenções”? Atos nem sequer cometidos, só pensados? Se Deus pode fazer isso, que pecado pode ser cometido sem o Seu conhecimento? Nenhum!


O Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, disse: “Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz” (Lc 8:17). Se até mesmo os nossos piores e mais pecaminosos pensamentos são conhecidos por Deus, que chance temos de entrar no Seu santo céu, onde nada corrupto ou profano pode entrar? Absolutamente nenhuma, em nossos próprios esforços, nossa própria dignidade, nossa própria bondade.


Perdão

Mas Deus, “que é rico em misericórdia”, providenciou um caminho. Ele deu o Seu Filho, o Seu único Filho amado, para morrer pelos nossos pecados. Isso não é simplesmente extraordinário? A Palavra de Deus, a Bíblia, diz isso muito claramente: “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Mais do que isso, nos é prometido que “todos os que n’Ele creem receberão o perdão dos pecados pelo Seu nome” (At 10:43).


“Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados estão cobertos” (Rm 4:7). Pecados cobertos e perdoados! E é Deus quem os cobre, o mesmo Deus que tudo vê e tudo sabe que diz “jamais Me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades”.


Você já reconheceu para Deus que é um pecador e recebeu esse maravilhoso perdão? Não há entrada no céu sem isso!


Echoes of Grace, 2006

 

A Revelação à Noite


A história da revelação à noite ao menino Samuel sempre atraiu de forma tocante os leitores devotos da Santa Escritura (1 Sm 3). Há lições nela da mais profunda importância para todos nós. Quando os discípulos perguntaram ao Senhor: “Quem é o maior no Reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mt 18:1-3). Ele disse mais do que isso. Seguindo o pensamento, Ele mostrou que o espírito da criança é sempre agradável a Deus. Talvez, se fôssemos mais simples em nossa atitude, mais inquestionáveis em nossa fé e mais prontos para obedecer, aprenderíamos a mente de Deus mais rapidamente.


Nesse capítulo de 1 Samuel, Eli apresenta um solene contraste com o menino Samuel. Não é sem significado que é dito: “os seus olhos começavam já a escurecer, de modo que não podia ver” (Sm 3:2 – AIBB). A enfermidade física era, infelizmente, apenas uma imagem de sua condição espiritual. Lemos em 2 Pedro 1 que o homem que não está “acrescentando” na sua fé é “cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados”. Oh, que terrível isso! Não existe ficar parado nas coisas espirituais; uma pessoa está continuamente indo ou para frente ou para trás. Que o leitor e o escritor tomem cuidado.


Também é sugestivo que a lâmpada de Deus estivesse se apagando no templo. Arão e seus filhos “a conservarão em ordem, desde a tarde até pela manhã, perante o Senhor” (Êx 27:21 – ARA). Por que o fracasso no tempo de Eli? A lâmpada é o símbolo do testemunho, e o testemunho de Israel para as nações estava decadente naquele tempo por causa da condição pecaminosa do povo e da corrupção e fraqueza de seus líderes. Pouco tempo depois, sua nora, antes de morrer, exclamou, “Foi-se a glória de Israel” (1 Sm 4:21), e ela estava certa. Nada é um testemunho para Deus, a menos que seja puro e santo. Isso vale tanto para assembleias quanto para indivíduos.


W. W. Fereday

 

Três Objetos para os Olhos da Fé


Há três grandes objetos sobre os quais repousa os olhos da fé:


  1. A cruz e o jardim com o seu novo sepulcro, lavrado da rocha, no qual o Bem-Aventurado foi colocado e do qual ele saiu ressuscitado e foi glorificado.

  2. O trono do Pai, nos céus, sobre o qual Aquele que levou os meus pecados está agora assentado – em breve estará no Seu próprio trono.

  3. O bendito testemunho do Espírito Santo, o testemunho do Deus vivo, que permanece para sempre.


W. T. Turpin

 

O Olhar Penetrante


O olhar penetrante de Deus não só lê o coração e põe tudo revelado na luz, mas o olhar penetrante de Deus também olha para o crente com toda a afeição com a qual Ele olha para Cristo.


G. V. Wigram

 

Nosso Único Guia Seguro


Cada vez mais fica claro para mim que “Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os Meus olhos” (Sl 32:8) é o único guia correto e seguro para nós. É melhor errar enquanto se procura caminhar com Deus do que seguir em uma estrada plana sem exercitar a fé individual. Devo caminhar com Deus e gastar e me deixar gastar por outros aqui embaixo. Isso não é orgulho; o orgulho logo murchará e morrerá se eu andar no espírito de dependência e obediência a Deus. Além disso, temos que tirar proveito de toda ajuda que Deus nos dá, mas também experimentar todas as coisas e provar o que é de Deus, e apartar o precioso do meio do vil, para que possamos ser usados como Seus porta-vozes.


G. V. Wigram

 

Aquele Lindo Olhar!


Aquele lindo olhar! Aquele lindo olhar!

Do céu distante sobre mim a brilhar;

Uma vez meu pecado o fechou lá na cruz,

Mas se abriu para sempre e, então, me conduz.


Viu minha ruína, as andanças extraviadas

O cativo de Satanás, que fez as escolhas erradas:

Pelos caminhos dos ímpios com uma falsa alegria;

Ah! Seu olhar estava em mim e eu nada sabia.


Me seguiu com misericórdia, nunca com ira me olhou

Irradiou Seu amor, e com pena, então me poupou;

Foi realmente por pena, pois eu não podia atentar

Quanto amor estava brilhando daquele Seu lindo olhar.


Tinha um véu no meu coração, que os meus olhos cegava,

No distante céu acima, eu nada via, nem mesmo olhava;

Até que Deus, Quem ordena, que brilhe aquilo que é escuro,

Com Sua luz iluminou, um coração tão impuro.


Primeiro atraiu-me a Jesus (e eu, com medo, tremendo),

Sua mão levantou o meu rosto, apesar do pecado horrendo,

Pude olhar para o Salvador, que morreu por mim numa cruz,

sentir o olhar do Amado, de Seus olhos em mim, plena luz.


Aquele lindo olhar! Aquele lindo olhar!

Debaixo de seu brilho pleno para sempre irei repousar;

Embora haja trevas que encobrem, e meu corpo possam cercar

Aquele olhar me vê, ainda, no limitado lugar.


Quando bem alto soar a esperada trombeta de Deus,

Que convocará os santos da terra escura, os Seus

Chamando também os vivos num encontro lá no ar,

Com Cristo que os amou, para Sua glória compartilhar,


Não mais através de um espelho, mas então será face a face,

A Ele eu olharei! Testemunhando Sua graça;

Em Sua casa no céu, para sempre vou morar,

Vivendo a eternidade à luz do Seu lindo olhar!


Escrito por uma irmã no leito de morte, antecipando a glória (adaptado)


 

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz”

(Mt 6:22)


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