Palavras de Edificação 06


(Revista bimestal editada entre 1980 e 1997)



ÍNDICE

A ORAÇÃO

O AMOR DE CRISTO

MAIS PRECIOSO DO QUE AS PEDRAS PRECIOSAS

O HOMEM MAU

A MULHER ESTRANHA

SOBRE O LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS (Cont.)

O COLIBRI

SOBRE O EVANGELHO DE MATEUS (Cont.)

EVANGELHOS MENCIONADOS NO NOVO TESTAMENTO

OS PATRIARCAS CONTEMPORÂNEOS

CONTRASTES ENTRE ISRAEL E A IGREJA

CHAMADA PELO SENHOR

A ORAÇÃO


Daniel

"Daniel,três vezes no dia se punha de joelhos, e orava" (Dn 6:10). Por que Daniel dava graças a Deus? Daniel era um cativo na Babilônia, obrigado a viver no meio de um ambiente de luxo e vaidade pagãos que para ele eram antipáticos. A sua querida cidade de Jerusalém estava vazia e abandonada; o seu próprio povo tornara-se indiferente. Ele próprio vivia frequentemente ameaçado de morte. Mas agradecia a Deus, na sua oração, o fato de ter reconhecido pelos livros que as profecias iam se cumprir.


De certa forma, não se passa o mesmo conosco? Os tempos são perigosos e a maldade intensifica-se. Mas sabemos, por meio das profecias, que o reino de Deus está já mais próximo de concretizar-se e que podemos alegrarmo-nos pela breve vinda do Senhor Jesus.

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O AMOR DE CRISTO


"Porque o amor é forte como a morte" (Ct 8:6). O fato é que o amor de Cristo foi ainda mais forte do que a morte, visto que a venceu – Cristo ressuscitou! E o Seu amor continua, até ao dia de hoje, buscando o pecador.


"As muitas águas não poderiam apagar este amor nem os rios afogá-lo" (Ct 8:7). Ouvimos a voz de Cristo, dizendo: "As águas entraram até à Minha alma. Atolei-Me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente Me leva" (Sl 69:1-2). As vagas, as correntes e caudais de água, falam-nos, na Bíblia, do julgamento de Deus que caiu sobre a Pessoa do nosso Substituto que é Jesus, quando Ele Se viu sozinho na cruz, em consequência de, sobre Ele, estar o nosso pecado, que carregou voluntariamente. Mas claro que, depois que o juízo de Deus foi satisfeito e os nossos pecados castigados com a morte de Cristo, Este ressuscitou "pela glória do (Deus) Pai" (Rm 6:4). E imediatamente o amor de Cristo se manifestou, pondo-Se no meio dos Seus discípulos que estavam tristes, desalentados e medrosos, e disse-lhes "Paz seja convosco" (Jo 20:19).


"Saulo (de Tarso), que também se chama Paulo” (At 13:9), também experimentou, mais tarde, o amor de Cristo e exclamou: "Vivo-a na fé do Filho de Deus, O qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim" (Gl 2:20).


Mais tarde, estando na prisão em Roma, orou pelos Éfesos e por nós: "Que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de,poderdes perfeitamente,conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento" (Ef 3:17-19).


Mais adiante Paulo nos disse o que Cristo fez pela Sua igreja: "Cristo amou a Igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a Si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5:25-27).

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MAIS PRECIOSO DO QUE AS PEDRAS PRECIOSAS


As Sagradas Escrituras são tão valiosas que não têm preço, visto que elas – e só elas – contém Cristo e por isso nos transmitem a fé que nos salva.


Um comerciante de diamantes estava preparando a expedição de algumas pedras para a Índia; e a cada uma envolvia, naturalmente, com o máximo cuidado. A última, porém, que era um diamante de muito valor, começou por embrulhá-la com os primeiros três capítulos de João, folhas rasgadas de uma Bíblia já meio desfeita, visto que o seu papel muito suave, era ótimo para esse fim.


O hindu, ao qual a pedra preciosa era enviada, veio assim a receber com ela aquilo que ele apreciou como sendo infinitamente mais precioso que o diamante que comprara: era a folha do Livro da Vida, no qual leu estas palavras:


"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16).


Ficou muito entusiasmado e pôs-se a falar a toda a gente sobre o seu "achado", perguntando-se a si mesmo: "Mas porque é que eu não soube isto antes?"


Pelo poder do Espírito de Deus, a Palavra ia crescendo no seu coração. "Com certeza dizia ele – "todo aquele" – inclui a minha pessoa. Portanto esta salvação é para mim".

Pela fé aceitou essa verdade, continuou falando a outros dela, até que chegou àquele lugar um missionário que julgava encontrar apenas pagãos e – que surpresa! – achou uma assembléia já desenvolvida, constituída por cristãos hindus.


Citação Bíblica:

"Jesus Cristo, ao qual, não O havendo visto, amais; no qual, não O vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso" (1 Pe 1:7-8).

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O HOMEM MAU


"Porquanto a sabedoria entrará no teu coração, e o conhecimento será suave à tua alma. O bom siso te guardará e a inteligência te conservará, para te livrar do mau caminho e do homem:

1. que diz coisas perversas;

2. que deixa as veredas da retidão;

3. que anda pelos caminhos das trevas;

4. que se alegra de mal fazer;

5. que folga com as perversidades dos maus

6. cujas veredas são tortuosas,

7. e desviadas nas suas carreiras" (Pv 2:10-15).



A MULHER ESTRANHA


"Para te livrar da mulher estranha e da estrangeira:

1. que lisonjeia com suas palavras;

2. que deixa o guia da sua mocidade;

3. e se esquece do concerto do seu Deus.

4. Porque a sua casa se inclina para a morte;

5. e as suas veredas para os mortos;

6. todos os que se dirigem a ela não voltarão;

7. e não atinarão com as veredas da vida" (Pv 2:16-19).

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PENSAMENTO:

Você deve deixar que Cristo eclipse todas as coisas e impedir, seja o que for, que possa vir a eclipsar Cristo.


SOBRE O LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

(continuação do número anterior)

Capítulo 26


"Depois Agripa disse a Paulo: Permite-se-te que te defendas. Então Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus; mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; pelo que te rogo que me ouças com paciência" (v.1-3).


"A minha vida, pois, desde a mocidade, qual haja sido, desde o princípio, em Jerusalém, entre os da minha nação, todos os judeus a sabem. Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu. E agora pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado. À qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus. Pois quê? Julga-se coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?" (vs.4-8).


Paulo sustentado na sua mente pelo seu bendito Senhor Jesus, pôde dirigir-se com calma ao rei Agripa, reconhecer a competência deste como autoridade que era, e dar-lhe uma síntese da sua vida antes de se converter. E foi logo diretamente ao centro da questão: a Ressurreição – Deus ressuscita os mortos! E depois continuou o seu discurso, falando do encontro inesperado que tivera com o Senhor.


"Bem tinha eu imaginado que contra o Nome de Jesus nazareno devia eu praticar muitos atos; o que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui. Sobre o que, indo então a Damasco, com poder e comissão dos principais dos sacerdotes, ao meio dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, porque Me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E Ele respondeu: Eu sou Jesus, a Quem tu persegues" (vs.9-15).


Saulo, enfim detido nessa correria louca de perseguição contra Jesus, e os Seus santos, viu subitamente a glória eterna do Senhor Jesus, que sobressaia infinitamente à glória natural do Sol, e caiu em terra e ouviu a pergunta direta dirigida a si mesmo. Deu-se conta nesse mesmo instante que Deus lhe falava, e reconheceu-O como "Senhor", mas queria certificar-se da sua identificação. E logo recebeu a revelação mais extraordinária da sua vida.


"Eu sou Jesus, a Quem tu persegues" (v.15). Em um momento Saulo ficou extremamente surpreendido, humilhado e rendido Aquele Jesus a Quem ele tinha perseguido nas pessoas dos Seus santos. Era o Senhor da glória!


"Mas levanta-te e põe-te sobre os teus pés, porque Te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais Te aparecerei ainda; livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora Te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus: a fim de que recebam a remissão dos pecados, e sorte entre os santificados pela fé em Mim" (vs.16-18).


Aqui está a grande missão dada pelo Senhor ao "principal" dos pecadores – "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores; dos quais eu sou o principal" (1 Tm 1:15).


Foi enviado “aos gentios” (At 22:21) para que:

1) lhes abrisse os olhos,

2) convertessem das trevas à luz e

3) do poder de Satanás a Deus

4) e que recebessem pela fé n'Ele, a remissão dos pecados e

5) sorte (quer dizer: herança) entre os santificados.


Que golpe dirigido, (ainda que indiretamente) por Paulo a todos, o rei e sua esposa, Festo e as outras autoridades da cidade, que estavam presentes. Todos acusados de terem estado cegos, nas trevas e sob o poder de Satanás!


"Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer" (vs.19-23).


Paulo sempre dava testemunho: "tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo" (At 20:21). E na sua defesa perante o rei Agripa fez o mesmo. Desde logo esse e os outros ouvintes se tornaram responsáveis perante Deus por ter ouvido a pregação do Evangelho. Veremos, possivelmente, um ou mais de entre eles quando Cristo vier para arrebatar, do mundo e dos sepulcros, aqueles que são Seus.


Logo que Paulo se pôs a falar de ressurreição, e da de Cristo em particular, e da dos mortos em geral, Festo interrompeu-o.


"E, dizendo ele isto em sua defesa, disse Festo em alta voz: Estás louco, Paulo: as muitas letras te fazem delirar. Mas ele disse: Não deliro, ó potentíssimo Festo; antes digo palavras de verdade e de um são juízo. Porque o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto. Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês" (vs.24-27).


Sem dúvida que, Paulo, sabia bastante das relações do rei Agripa com os judeus antes de ter chegado a ser rei desse setor do império romano. Paulo, sabia que ele não ignorava o que sucedera a Jesus, e que tinha algum conhecimento da mensagem profética, sobre a morte e ressurreição de Cristo.

De outra maneira, não teria podido dirigir-se tão direta e francamente ao rei: "Crês tu nos profetas? Bem sei que crês".


Aqui Paulo não é um vencido, mas um vencedor; não é um prisioneiro, mas um homem livre por Cristo, não medroso, na presença de um tribunal romano, mas plenamente inspirado pelo Espírito Santo e avisando a consciência do próprio rei, que se encontrava perturbado.


"E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!" (v.28).


Note-se que o escritor, inspirado por Deus, não escreveu, nesta frase, "o rei Agripa", mas apenas que: "Agripa disse a Paulo". Perante os olhos do Criador, Agripa não era mais do que um mero "homem". “Deixai-vos pois do homem cujo fôlego está no seu nariz; porque em que se deve ele estimar?" (Is 2:22). A resposta de Agripa indica uma consciência perturbada, mas não mostra arrependimento. Por outro lado Paulo afirma com convicção: