Palavras de Edificação 08

(Revista bimestral editada entre 1980 e 1997)

 

ÍNDICE


SEU PARA SEMPRE

UMA SINGULAR PROVA DE UMA PROFECIA

SOBRE O EVANGELHO DE MATEUS

SOBRE A PRIMEIRA EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS

SOBRE O LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SOBRE CONFISSÃO, DISCIPLINA E RESTAURAÇÃO

GOZO INEFÁVEL

CONTRASTES ENTRE ISRAEL E A IGREJA

A INSTITUIÇÃO DO MATRIMÔNIO

 

SEU PARA SEMPRE


Todo aquele que, sinceramente crer no Senhor Jesus Cristo, no seu coração, fica sendo propriedade de Deus. Ele é uma “nova criatura” (2 Co 5:17) em Cristo Jesus. É, por isso, que, nunca há razão alguma para pôr em dúvida a nossa segurança em Deus, porque Deus nunca poderia esquecer-Se ou abandonar a Sua própria obra. Deus não fez isso em relação à Sua obra terrena, na natureza, muito menos o faria em relação com a Sua nova obra, que são os que crêem em Cristo.


Quando Deus observou a Sua primeira obra da criação, não foi propriamente para a julgar, mas simplesmente para afirmar “que era muito bom” (Gn 1:31). E, assim, quando Deus olha para o crente, ainda que possa ser o mais fraco de todos, Ele o vê como Sua própria obra e, de forma alguma, irá repudiá-la, nem mesmo abandoná-la.

Deus é como uma Rocha. Ele é inalterável e seguro. A Sua obra é perfeita e o crente é feitura Sua. Por essa razão Deus selou o crente com o Espírito Santo.

 

Pensamento:

A medida de amor divino atuando na nossa alma, pode calcular-se pela medida de amor que testemunhamos para com o nosso irmão na fé, ainda que seja o mais contencioso que tivermos conhecido.


Quando deixamos de nos julgar a nós mesmos, interrompe-se a nossa comunhão com Deus.


Cada desejo do coração do Senhor Jesus, terá a força de um mandamento para aquele cujo coração houver sido tocado pelo amor ao seu Senhor.


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UMA SINGULAR PROVA DE UMA PROFECIA


Um coronel do exército da Turquia pediu, ao sr. Cyrus Hamlin, uma evidência de que a Bíblia é a Palavra de Deus. E sabendo que o coronel era uma pessoa muito viajada, o sr. Hamlin perguntou-lhe:


  • O Sr. por acaso já visitou o local da antiga torre de Babel?

  • Sim – respondeu-lhe o outro; e até lhe posso contar um incidente curioso sobre esse local. Ali há muita caça, e, uma vez pedi a alguns árabes que me acompanhassem numa caçada naquela região, durante uma semana. Mas para meu grande espanto, logo no primeiro dia, antes que o Sol se pusesse, quiseram voltar para trás. Insisti com eles mas sem resultado.

  • Aqui há perigo – diziam-me eles. Nenhum de nós se atreve a passar aqui a noite, porque há fantasmas que saem dos sepulcros e nos assaltam. Não há árabe algum que fique aqui quando anoitece, neste local de Babel!


Depois de ter ouvido aquilo o sr. Hamlin pegou sua Bíblia e leu em Isaías 13:19-20: "E Babilônia, o ornamento dos reinos, …será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada, nem reedificada de geração em geração; nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tão pouco os pastores farão ali deitar os seus rebanhos”.


O coronel, ao ouvir aquela leitura ficou espantado.

  • Você está lendo a própria realidade das coisas – disse ele.

  • É verdade, replicou-lhe o sr. Hamlin, mas repare que essas palavras foram escritas dois séculos antes que Babilônia tivesse sido mesmo destruída… "E novas coisas eu vos anuncio, e, antes que venham à luz, vo-las faço ouvir" (Is 42:9)

 

Pensamento:

Satanás nunca pode permanecer em pé quando é confrontado com a pura Palavra de Deus.


A vida mundana é um enganoso sistema que Satanás desenvolveu entre os homens para lhes fazer crer que são felizes sem Deus.

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SOBRE O EVANGELHO DE MATEUS

(continuação do número anterior)

Capítulo 6:1-13

Como vimos anteriormente, os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus apresentam os princípios enunciados pelo Senhor Jesus a respeito do Seu reino, princípios esses que põe bem a claro que o caráter do reino de Cristo nada tem de semelhante com os reinos dos homens.


Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando pois deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola seja dada ocultamente; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (vs.1-4). Evidentemente que não convém ao crente que seja a glória humana, a vaidade e o prestígio, que o levem a fazer obras boas e de justiça. Mas antes, se o fizer, que seja unicamente para a glória do seu Bendito Deus e Criador e seu Redentor, tal como lemos também em Mateus 5:16 “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.


E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e fechando a tua porta ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis pois a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós Lho pedirdes” (vs.5-8). Realmente não é bom que se manifeste o orgulho humano no cristão. Ele deve antes orar recolhidamente e com discrição ao seu Pai, O qual também o “vê em oculto”, quer dizer, não de forma aparente e visível. Além disso, não convém orar Àquele que tudo sabe e conhece de uma forma muito longa e com muitas repetições. Porque Ele, que nos conhece, já sabe de antemão o que sairá dos nossos lábios.


"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu Nome; venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no céu; O pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém" (vs.9-13). Consideremos um pouco este modelo de oração, vulgarmente chamado o "Pai nosso". Esta oração não é feita em nome de Cristo (Jo 14:13-14; 16:23-24). Foi ensinada pelo Senhor Jesus aos Seus, quando esperava o estabelecimento do Seu reino neste mundo, com sede em Jerusalém, "a cidade do grande Rei" (Sl 48:2).


É muito importante notar que "a Igreja" ainda não tinha sido anunciada como tal e muito menos existia. Ela era o "mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus" (Ef 3:9). Por isso, o "Pai nosso" não é propriamente uma oração cristã baseada em esperanças celestiais, divinas, mas antes solicita o estabelecimento do reino de Deus aqui embaixo, neste mundo: "venha o Teu Reino" (v.10).


Contudo, o cristão deve orar assim: "Ora vem, Senhor Jesus". O cristão deve pedir: "Tira-nos deste mundo que está na maldade" (Jd 1:21; Ap 3:10; 22:20).


"Seja feita a Tua vontade, …na Terra" (v.10).


Tal como, nos dias de Noé, hoje em dia a Terra está cheia de violência e de corrupção. Para que a vontade de Deus se faça na Terra, primeiro Ele terá que a julgar; e o Juiz será o Senhor Jesus, porque "o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (Jo 5:22).


Como podemos então pedir julgamento sobre a Terra, quando a Palavra de Deus diz: "Rogamo-vos pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus" (2 Co 5:20)? É porque hoje, ainda estamos na "dispensação da graça de Deus” (Ef 3:2).


"O pão nosso de cada dia nos dá hoje” (v.11). É um pedido; mas para Ele o cristão já possui uma promessa: "O meu Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus" (Fp 4:19).


"Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" (v.12). A medida do perdão esperado por Deus é aquela que se oferece ao próximo, ou seja, numa base de reciprocidade. Mas o perdão "judicial" de Deus, outorgado ao pecador arrependido, não depende do passado do pecador; ele é perdoado inteiramente: "perdoando-vos todas as ofensas" (Cl 2:13). E depois, o filho de Deus, agradecido, há de mostrar a sua nova natureza e perdoar ao próximo. E não só ao próximo como até ao seu inimigo.


"Não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal" (v.13).


Sendo a "carne” fraca, convém que o crente ore, pedindo a Deus que o guie em santidade, e o guarde puro, e fiel à verdade.


A "carne" é o inimigo de dentro, por assim dizer; mas há os inimigos exteriores: "rogai;para que sejamos livres de homens dissolutos e maus" (2 Ts 3:1-2).

(continua, querendo Deus)


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SOBRE A PRIMEIRA EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS

Pergunta:

Como se pode compreender a passagem de 1 Coríntios 15:29-32?


Resposta:

O versículo 29 relaciona-se com o versículo 19: "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Porque se batizam eles então pelos mortos? Porque estamos nós a toda hora em perigo?"


Os versículos 20 a 28, inclusive, tratam da certeza da ressurreição de Cristo; da Sua vinda para recolher, para tirar os Seus do mundo; do Seu reinado de mil anos; do Seu triunfo sobre os inimigos de Deus, inclusive a própria morte; e, finalmente do reino entregue pelo Filho ao Pai, já que nada mais haverá que sujeitar, e então "Deus seja tudo em todos".


Pois bem, o cristão neste mundo terá que sofrer e alguns crentes mesmo "até à morte" (Ap 2:10). Se Cristo não tivesse ressuscitado, como seria triste a sorte do cristão! Humanamente seria o mais miserável dos homens deste mundo, pois tendo deixado tudo por amor a Cristo, também nada teria no outro mundo se não houvesse ressurreição.


Para que, então, batizar-se em Cristo? Quer dizer: para que serve alistar-se nas fileiras do exército do Senhor, tornando-se um candidato à morte, preenchendo um lugar deixado vazio quando um outro soldado for morto pelos inimigos de Cristo? É isso que quer dizer: "se batizam pelos mortos" (v.29). Alistar-se nas fileiras do Senhor, tomando o lugar de outro, já morto pelo seu testemunho fiel. É uma expressão figurativa.


Os homens, com as suas falsas idéias, torceram completamente o significado da passagem . Por exemplo, os mórmons (cujo fundador foi um enganador, um "falso profeta", um polígamo, o qual vivia com cinquenta mulheres, e que se chamava Joseph Smith) ensinam que se uma pessoa morre fora da igreja dos mórmons está perdida, segundo eles. Porém um parente pode batizar-se em lugar da pessoa defunta (pagando evidentemente, uma determinada quantia ao sacerdote mórmon) e o morto ficará salvo. Isso é mentira! "Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9:27).


E, quanto ao batismo com água, uma pessoa que professa ser cristã, não se pode considerar tal, enquanto não se batizar. Pedro chama isso a "indagação de uma boa consciência para com Deus"; e a boa consciência apóia-se na "ressurreição de Jesus Cristo; o qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se-Lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências" (1 Pd 3:21-22).

 

Pensamento:

Não há doutrina falsa que não ataque, de uma forma ou de outra, clara ou disfarçadamente, a Pessoa de Cristo.


As coisas que estorvam a nossa comunhão com o Deus da luz são aquelas que se escondem nas trevas, o domínio do diabo.


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SOBRE O LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

(continuação do número anterior)

Capítulo 27:10-13


Paulo os admoestava "dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas" (v.10).


Paulo viu-se obrigado a avisá-los, pois que, tendo sido inspirado divinamente, compreendeu o perigo iminente. Isto faz-nos pensar no aviso dado aos anciãos de Éfeso: "Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si" (At 20:29-30).


Damo-nos nós conta, queridos filhos de Deus, que se abandonarmos a doutrina que Paulo expressou por inspiração divina, se recusarmos andar na verdade, a qual Deus entregou à Igreja por seu intermédio, então haveremos de naufragar tal como esse navio? Há muitos cristãos que lêem os quatro evangelhos, e o livro dos salmos, mas que se cansam de estudar as cartas de Paulo, as quais contém instruções indispensáveis para a vida da Igreja.


Lembremo-nos desta exortação: "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade [com o amor – ARA] que há em Cristo Jesus" (2 Tm 1:13). Nós temos que reter estas coisas não só como doutrinas – o que é muito necessário e importante – mas ainda fazê-lo "na fé e na caridade [com o amor – ARA]". Porque a verdade que conhecemos deve manifestar o Seu poder nas nossas vidas para a glória do Senhor.


"Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo" (v.11). Apesar do aviso cauteloso de Paulo, os encarregados da navegação preferiram fazer segundo as suas próprias previsões, e recusar a opinião de Paulo; tal como aqueles da Ásia {"os que estão na Ásia todos se apartaram de mim" (2 Tm 1:15)}. E como isso foi verdade realmente, não só depois da morte dos apóstolos, como até ainda antes!


"E, como aquele porto não era cômodo para invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fênix, que é um porto de Creta que olha para a banda do vento da África e do Coro {sudoeste}" (v.12).


O lugar de "Bons Portos" (v.8) não foi considerado por eles como sendo "cômodo" (quer dizer: espaçoso e conveniente). Lemos então que "os mais deles foram de parecer que se partisse dali".


Por analogia, não podemos esperar que a verdade de Deus, seja bastante "cômoda" para a maioria das pessoas. Se procurarmos nas Escrituras veremos que, claramente, nunca a maioria escolheu o caminho da obediência. Não é verdade que; são sempre poucos os que querem obedecer a Deus? Cuidemos em não seguir forçosamente a maioria. Mas, com um coração sincero façamos de Cristo o Objeto dos nossos corações, e façamos da Sua Palavra o guia para os nossos pés. Nesse caminho assim gozaremos então da doce paz, ainda que talvez em companhia não muito numerosa.


Por algum tempo, depois de ter dado o seu aviso, Paulo calou-se, e não disse mais nada. A História da Igreja mostra-nos que a “doutrina de Paulo” e “a chamada celestial da Igreja” se perderam por muitos séculos após a morte de Paulo.


Mas “Paulo ainda estava a bordo…” e assim as preciosas verdades de que temos falado, foram ignoradas ainda que estando na Bíblia, e isto por muitos séculos, e não foram compreendidas, nem postas em prática.


"E, soprando o Sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam, e fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta" (v.13). Entretanto a nave levantou âncora com rumo a Fênix, um porto espaçoso e conveniente – era um grande centro comercial! E tal é também o gesto de muitos cristãos: ter uma igreja “à moda de Fênix”, quer dizer: uma igreja mundana.


E, estranhamente, o vento soprava brandamente. Até parecia que Deus lhes dava o que queriam. Não ouvimos nós também muitos cristãos que andam em caminhos de desobediência à Palavra de Deus, falar dos “ventos que sopram” a seu favor, e de supostas bênçãos que dizem receber? E, por vezes, assim parece que têm razão; o mesmo acontecia no tempo em que a igreja primitiva começou a deslizar para os compromissos com o mundo. Mas, tal como já dissemos, é o tempo que põe as coisas à prova. E foi assim também na nossa narrativa sagrada.


O que eles pensavam ter obtido, não era mais do que aquilo que eles no fundo pretendiam no seu pensamento, mas não era a realidade. Perguntemos a nós mesmos sempre, queremos que sejam os nossos próprios propósitos e planos a realizarem-se, ou preferimos que sejam, de fato, antes os de Deus?

Sabemos que temos a verdade, porque temos a Palavra de Deus dirigindo os nossos intentos, ou será que no fundo não estamos mais do que seguindo unicamente as nossas próprias idéias, e dessa forma estamos achando que temos razão? Que bom é poder dizer: "Assim disse o Senhor" (Ez 33:27; 1 Sm 10:18; Jr 26:18, 31:37), e andar no caminho que Ele nos assinalou!

Quanto significado ter estas palavras: "Fazendo-se de vela" (v.13). Que dia mais triste, na história da Igreja primitiva do que aquele em que deixou os "Bons Portos" (v.8) para ir para "Fênix" (v.12). Notemos também que eles "foram de muito perto costeando Creta" (v.13).


É que a verdade nem sempre é logo abandonada de vez. Há cristãos que acham, por vezes, que não há nenhuma diferença entre este, e aquele determinado grupo religioso, porque todos, enfim, adoram o mesmo Deus, etc. Mas o que devemos ver, é se um certo grupo religioso realmente "fez-se de vela", e se está a afastar-se, um quilometro, um metro que seja da verdade.


Geograficamente Fênix não está longe de Bons Portos. Muitas vezes a distância entre a Igreja e o mundo parece ser só de "um passo" (1 Sm 20:3), mas quão perigoso é esse passo! É como aquela viagem de Atos, carregada de perigos.


Aqueles não chegaram a Fênix; porque o Senhor ama muito os Seus filhos, e não deixa que eles se sintam "comodamente" no mundo…

(continua, querendo Deus)


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SOBRE CONFISSÃO, DISCIPLINA E RESTAURAÇÃO


Pergunta:

Há alguma diferença entre o pedir ao Pai que sejamos perdoados dos nossos pecados e o confessá-los?


Resposta:

Sim, há uma grande diferença. Não podemos corretamente pedir o perdão dos nossos pecados quando já sabemos que somos perdoados por amor do Seu Nome. Somos perdoados por toda a eternidade (1 Jo 2:12).


Mas, se queremos andar em comunhão com Deus é imprescindível que confessemos os nossos pecados, pois "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1 Jo 1:9).


Pergunta:

Como devemos tratar um irmão na fé, a quem tenha sido aplicada medida disciplinar, por algum motivo daqueles que são mencionados em 1 Coríntios 5:11-13?


Resposta:

A primeira coisa, é que a igreja, ou seja a assembléia local com a qual a pessoa culpada está identificada, se humilhe. Leia-se 1 Coríntios 5:2 que mostra qual deve ser a atitude da igreja.


O Nome do Senhor Jesus Cristo, Cabeça da Igreja, foi desonrado. E o pecado de um membro, é o pecado de todos. "Israel pecou", disse o Senhor a Josué quando "Acã pecou”. E Israel foi derrotado no combate, pois, a maldade que tinha sido praticada no seu seio, não tinha sido devidamente julgada e condenada (Js 7:11).


Em segundo lugar, uma vez posto fora "esse mal" (não é chamado "irmão" visto não se poder conceber que um irmão em Cristo possa cometer tal pecado; veja-se o v.11“com o tal nem ainda comais”), há que o deixar afastado, para que se arrependa mais profunda e sinceramente. O fim de toda a disciplina, é a recuperação total daquele que foi disciplinado. Não convém sequer comer com esse tal.


É claro que, o comer uns com os outros, é a expressão da amizade e da comunhão. Por isso, no seio da própria família daquele que é culpado, haverá que respeitar os laços de parentesco. A esposa não vai recusar comer com o marido, o qual é a cabeça da família e do casal (1 Co 10:3), nem também com um filho, que não seja casado, e que more no seu lar. Em Levítico 21:1-3, temos um princípio que uma mente espiritual saberá aplicar a cada caso. Contudo, entre a congregação não convém que, aquele que pecou, seja tratado como se nada tivesse acontecido.


Pergunta:

Se um irmão crente, que foi disciplinado, não confessou todos os pecados que cometeu, antes deixou alguns por confessar, que devemos fazer como responsáveis pela sua recuperação e restabelecimento?


Resposta:

Levítico 13:12-13 dá-nos uma instrução muito significativa: "Se a lepra florescer de todo na pele, e a lepra cobrir toda a pele do que tem a praga, desde a sua cabeça até aos seus pés, quanto podem ver os olhos do sacerdote, então o sacerdote examinará, e eis que, se a lepra tem coberta toda a sua carne, então declarará limpo o que tem a mancha; todo se tornou branco; limpo está".


O significado desta passagem, bastante surpreendente, expressa-se nas palavras: "todo se tornou branco". A "carne viva" (Lv 13:16) já não aparece; a força da lepra deixou de operar. Quer dizer que desde a raiz dos cabelos até à planta dos pés tudo saiu; nada há oculto.


E, assim, uma pessoa que confessa só parte dos seus pecados que desonram o Nome do Senhor, e que continua a esconder outros pecados, não se mostrou verdadeiramente arrependida, e, por isso, não se acha de forma digna de ser restaurada, de ser reabilitada na congregação. O Salmo 32:1-5 ensina-nos que não é possível esconder de Deus o pecado. É preciso confessá-lo todo de uma vez. Então, depois que essa "lepra" se tiver tornado "toda branca", há perdão e restauração.


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GOZO INEFÁVEL


O bondoso Senhor teve por bem visitar-me ontem na minha solidão. Hoje, a Sua palavra “para que o vosso gozo se cumpra” (Jo 16:24; 1 Jo 1:4), está se aprofundando no meu coração.


Ele exorta-nos ao gozo, ao pleno gozo: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.Tenho-vos dito isto, para que o Meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra.Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a Minha alegria completa em si mesmos" (1 Jo 1:4; Jo 15:11; 16:24; 17:13).


Abramos os nossos corações a essa influência santificadora, e procuremos experimentar “o gozo inefável”(1 Pd 1:8). Não nos deu Ele uma inteira segurança? Em Cristo não somos nós já os próprios filhos de Deus? Somos amados de Deus como o é o Seu Filho Jesus Cristo, o Filho do Seu amor divino e eterno. Ele pensa em nós dia e noite, sem interrupção e todos os Seus pensamentos, são todos pensamentos de amor (Jr 29:11). O Seu olhar está fixo em nós continuamente; é como se não tivesse mais nada a fazer. Os Seus poderosos braços, rodeiam-nos, protegendo-nos cuidadosamente como o Seu único tesouro do Seu coração amoroso.


"Ó minha alma! Não crês nisto? Se não, porque é que dizes que tens fé quando afinal não a praticas? Mas se crês nisto, então crê com uma convicção que seja mais forte do que a vista dos olhos. (Hb 11:1)" (Extraído de uma carta de John Dickie).

 

Pensamento:

Uma das primeiras evidências da nova natureza espiritual do crente é a obediência à Palavra de Deus.


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CONTRASTES ENTRE ISRAEL E A IGREJA

(continuação do número anterior)


O sacerdócio.

Em Israel, o sumo sacerdote, o pontífice, era da tribo de Levi, dos descendentes de Arão. Foram feitos sacerdotes "sem juramento”. Tinham que oferecer sacrifícios, primeiro por si mesmos e depois pelo povo, repetindo isso frequentemente. Serviam, segundo o "mandamento da lei carnal", nesta Terra. Devido à morte não podiam ser permanentes. Como eram homens "fracos" todos morreram.


A entrada na presença de Deus

Em Israel ninguém podia entrar na presença de Deus; só o sacerdote e este ainda apenas uma vez por ano; e nem podia fazê-lo se não fosse com sangue, o qual ele “oferecia por si mesmo e pelos pecados do povo” (Hb 9:7). Nenhum outro israelita tinha liberdade para entrar na presença de Deus.

Que contraste com o privilégio e com a liberdade de entrada que todo o cristão tem na presença do seu Senhor. E por que? Sim, porque o "sangue de Jesus Cristo", foi derramado. "Tendo pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne" (Hb 10:19-20).


O Sumo Sacerdote

O sumo sacerdote de Israel era um homem pecador; tinha que oferecer sacrifícios por si mesmo; e com o tempo também morria.

Em contrapartida, o nosso Sacerdote, Jesus Cristo, foi "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; que não necessitasse, como os (outros) sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez Ele, uma vez, oferecendo-Se a Si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre” (Hb 7:26-28).


A morte, trazia fim à intercessão sacerdotal do pontífice em Israel. Mas o nosso Pontífice ressuscitado dos mortos, não morre mais; "portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7:25).


O sacerdote em Israel desempenhou as funções do seu sacerdócio na Terra; mas nós cristãos "temos um Sumo Sacerdote tal, que está sentado nos céus à destra do trono da majestade" (Hb 8:1).


Para a Igreja o pontífice é o Filho de Deus. Segundo a carne, era da linhagem de Davi da tribo de Judá. Foi feito Sacerdote "com juramento": "Jurou o Senhor, e não Se arrependerá: Tu és Sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl 110:4). Ele é "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores”.


Não teve que oferecer primeiro sacrifícios por Si mesmo, porque nunca pecou, nem por pensamentos, nem por palavras, nem por obras. Pelos pecadores ofereceu um "só sacrifício para sempre", quando Se ofereceu "a Si mesmo". Ele serve atualmente como Sumo Sacerdote "à direita do trono da majestade nos céus", e "segundo a virtude da vida incorruptível". Ele não morrerá nunca. "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7 a 10).

(continua, querendo Deus)


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A INSTITUIÇÃO DO MATRIMÔNIO

(continuação do número anterior)


Uma Nova Relação

Com a chegada ao lar de um filho, um bem precioso, aparece um novo vínculo. O jovem casal já não se ocupa apenas consigo mesmo: são agora pai e mãe de uma criatura. Deu-se no lar uma grande mudança. Com o nascimento do primeiro filho, formou-se um círculo de afetos inteiramente novo.


É, na verdade, um tempo de alegrias, e que nos fez pensar no regozijo que há no coração de Deus, quando os pobres pecadores se voltam para Ele, e com uma fé viva, crêem no Senhor Jesus Cristo, tornando-se filhos da família de Deus Pai.


Os jovens pais, têm agora um objeto comum para os afetos. Para unir mais os seus corações, não há nada melhor do que o nascimento do primeiro filho.


Com certeza, eles hão de amar todos os filhos que tiverem, com o mesmo amor de pai e de mãe. Mas, o nascimento do primeiro filho, é o que abre um novo interesse, despertando o afeto paterno, e ao mesmo tempo dando um sentimento de responsabilidade. Quando, pela primeira vez, a mãe segura nos seus braços esse filho querido, sua própria carne, e seu próprio sangue, nascem nela maravilhosos afetos maternos. E, o jovem pai, então, sente o que é verdadeiramente ser pai quando, com carinho, sustenta nos seus braços o seu próprio filho ou filha.


Esses benditos afetos são de Deus; foi Ele quem os pôs no coração dos homens. Não possuí-los, seria na verdade evidenciar um triste vazio, e demonstraria o quanto podemos estar embebidos do espírito mau dos "últimos dias" (Tg 5:3), quando os homens forem "sem afeto natural” (2 Tm 3:3), seja paternal ou maternal.


É normal, que os pais estejam solícitos pelos seus filhos, e que desejem dar-lhes boas coisas. O Senhor referiu-Se a isso, quando disse: "Se, vós pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que Lhos pedirem" (Mt 7:11). Muitos pais, devem recordar-se disto, quando buscam o melhor para os seus filhos. Ainda que, haja pais que tenham poucos bens neste mundo, contudo, sempre podem mostrar afeto para com os seus filhos; e, o afeto pode ver-se, e, talvez, sentir-se ainda mais, quando não se podem dar presentes. Não é a criança que tem sempre tudo, quanto o seu coração pode desejar, que é a mais feliz. Frequentemente, as crianças mais felizes, e contentes são aquelas que têm poucos brinquedos.


Os pais devem ter sabedoria, no seu afã afetivo, de querer dar-lhes muita coisa boa. O interesse no bem estar, e o cuidado com as atividades dos filhos, e o dar-lhes, nem que sejam pequenas lembranças, significam mais para as crianças, do que o gasto de muito dinheiro em guloseimas, brinquedos caros que se esquecem, passados os dias. Há ofertas, também, de valor inestimável, coisas que o dinheiro não pode comprar, e que os pais Cristãos podem e devem dar-lhes: são os tesouros da sabedoria da Palavra de Deus, o sábio conselho, e a educação moral.


Os pais afetuosos devem cuidar, de não fazer um ídolo, do herdeiro que Deus lhes deu. Por vezes, até,acontece que Deus chama para Si um filho, que era amado extremamente pelos seus pais, que quase o idolatravam.


O novo parentesco de um primeiro filho, alarga-se também a outros membros da família: provavelmente, os jovens pais têm também os seus pais e mães que, pela primeira vez, se tornam avôs e avós.

O ser avô traz, também, os seus próprios gozos e compensações, porque tem ocasião de mostrar afeto aos "filhos dos seus filhos", também. Os avozinhos podem ser uma real ajuda, e uma verdadeira influência para o bem; mas talvez haja uma tendência, ainda maior, do que com os pais, para prejudicar os netos com demasiada indulgência. É preciso, também, muita sabedoria para se ser bom avozinho…

(continua, querendo Deus)

 

Pensamento:

Todo o sistema deste mundo está debaixo da direção de Satanás, o "deus" e o príncipe deste mundo.


Se não vemos Cristo nas Escrituras, é porque nos escapa o verdadeiro sentido da Bíblia.


Ló é a figura do crente que se comprometeu com a vida mundana. Ele não conseguiu modificar a forma de pensar de Sodoma; foram antes as pessoas de Sodoma que conseguiram transformá-lo.

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