Palavras de Edificação 09

Atualizado: há 5 dias

(Revista bimestral editada entre 1980 e 1997)

ÍNDICE


O PERIGO

CONSOLO

SOBRE O EVANGELHO DE MATEUS (Cont)

CRISTO É TUDO EM TODOS

A INSTITUIÇÃO DO MATRIMÔNIO (Cont)

QUE TRISTE ESCRAVATURA

SOBRE O LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS (Cont)

CONTRASTE ENTRE ISRAEL E A IGREJA (Cont)

“CONFIRMADOS NA PRESENTE VERDADE” (2 Pe 1:12)

ACONTECIMENTOS FUTUROS

OS PÁSSAROS – CRIATURAS MARAVILHOSAS (Cont)

O SEGREDO

O PERIGO


Nada há mais perigoso para o Cristão do que o desejo de alcançar "fama". É um laço do diabo. Têm havido muitos servos de Deus que se inutilizaram em consequência dos seus esforços humanos como fim de manter um "nome".

Se eu tiver adquirido uma determinada reputação, em qualquer dos diversos serviços que presto ao Senhor – ou como um ativo evangelista, ou como mestre capaz, ou escritor hábil e claro, ou homem de oração, ou homem de fé, ou como uma pessoa verdadeiramente santa e consagrada, e também amiga de fazer bem aos outros, etc., enfim se tiver ganhado prestígio num destes campos qualquer – fico sob o perigo iminente de naufragar na fé.


É, porque o inimigo procura sempre, tornar a minha própria reputação, um objetivo a alcançar em si mesmo, em vez de ser Cristo o único objetivo a procurar. Sem me dar conta disso, vou esforçando-me por manter o meu bom nome, em vez de procurar a glória do nome de Cristo à minha volta. Isso me ocupará com pensamentos humanos, em vez de me manter olhando diretamente para Deus.

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CONSOLO


Quando nos sentimos realmente consolados, é porque, anteriormente sentimos um verdadeiro pesar e tristeza. São, somente, "os tristes" a quem o Senhor Jesus consola (Is 61:2).

Quando o “CONSOLADOR” começa a Sua obra numa alma, começa-a por uma profunda convicção de “pecado” (Jo 16:7-8).

Cada verdadeira consolação espiritual, não é mais do que uma tristeza que é suavemente “consolada” (Mt 5:4).


Por outro lado, quando a alegria é obra do Espírito Santo, é sempre acompanhada de ações de graças, e também de uma profunda humildade, de um sincero arrependimento, de um amor fervoroso, de uma negação de si mesmo, sem limite, de uma obediência dedicada, e consagrada.

(Extraído de "Palavras de Fé, Esperança e Amor", por J.D.)


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SOBRE O EVANGELHO DE MATEUS

(continuação do número anterior)

Capítulo 6:16-34


"E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareçam que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Porém tu, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto. Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em oculto; e teu Pai, que vê em oculto, te recompensará" (vs.16-18). Desta passagem, podemos concluir, que Deus considera os motivos. "Porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por Ele são as obras pesadas na balança" (1 Sm 2:3).


"Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (vs.19-21). Como é que um crente em Cristo pode estabelecer tesouros no céu? É possível, porque até o próprio Senhor o afirma. Com certeza que a "pobre viúva" fez isso quando "deitou todo o sustento que tinha. na arca do tesouro" (Lc 21:1-4).


E, o mesmo, fizeram "as igrejas da Macedônia" quando "em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade" (2 Co 8:1-2). E também os filipenses, porque Paulo escreveu-lhes dizendo: "nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente.não que procure dádivas, mas procuro o fruto que abunde para vossa conta (quer dizer: um tesouro no céu)" (Fp 4:15-17).


Finalmente, ainda que não sejamos naturalmente muito generosos, contudo podemos dar de acordo com a Palavra: "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria" (2 Co 9:7).

"A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas" (vs.22-23). Se, na nossa vida não houver outro motivo, além da glória de Deus, e de fazer a Sua vontade, então sim, teremos luz espiritual na nossa peregrinação terrestre. Mas, se estivermos motivados por outra coisa qualquer: o mundanismo, o egoísmo, a concupiscência da carne, etc., não poderemos ter luz; ao contrário, nos acharemos numa via tenebrosa.


"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom" (v.24). "Mamom" é uma palavra aramaica, que quer dizer: "riquezas". E, nesta passagem, isso é personificado como um "senhor".


"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer e pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado (quase meio metro) à sua estatura? E, quanto ao vestido, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis pois inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram.) De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis pois pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" (vs.25-34). A lição que o Senhor aqui nos ensina, é a de confiar plenamente nos cuidados, nas atenções que nunca falham da parte do nosso Deus e Pai. E, termina com uma exortação importante, de procurarmos primeiramente o reino de Deus e a Sua justiça.


Ele sempre será fiel à Sua promessa, como diz Paulo: "segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus" (Fp 4:19).

(continua, querendo Deus)


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CRISTO É TUDO EM TODOS


“Tenho em Cristo:

um AMOR que é insondável;

uma VIDA que não acaba na morte;

uma JUSTIÇA que nunca falha;

uma PAZ inefável;

um DESCANSO que nada poderá perturbar;

um GOZO que nunca acabará;

uma ESPERANÇA que nunca nos deixará enganados;

uma GLÓRIA que nunca será diminuída;

uma LUZ que nada poderá obscurecer;

uma FELICIDADE que nunca será interrompida;

uma FORTALEZA que nunca enfraquecerá;

uma PUREZA que nunca será manchada;

uma SABEDORIA que não tem limite…”


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A INSTITUIÇÃO DO MATRIMÔNIO

(continuação do número anterior)


Outra vez Novas Responsabilidades

Este precioso bebê, que abriu as fontes dos afetos no coração dos seus jovens pais, trouxe-lhes também novas e grandes responsabilidades. Tal como a mãe de Moisés, que foi encarregada pela filha de Faraó de criar Moisés (Êx 2:5-10), assim os pais Cristãos hão de criar os seus filhos, para o Senhor. E, esta ocupação, vai pedir muito tempo, e muita dependência do Senhor.

Neste mundo ímpio, que piora dia a dia, o encargo de criar os filhos é coisa muito séria. Muitos ventos contrários soprarão. E, é só pela sabedoria divina que se encontra nas Escrituras Sagradas, que os jovens pais poderão dirigir-se no bom caminho. Todos os santos de Deus, em todas as idades, sempre precisaram de um caminho traçado por Deus, para a sua conduta, mas a questão de criar uma família é coisa especialmente importante.


Não convém que, os pais se atrasem no desempenho, e no exercício das suas responsabilidades, perdendo anos valiosos, para a formação moral dos seus filhos. Há que aproveitar todo o tempo disponível: "Remindo o tempo; porquanto os dias são maus" (Ef 5:16).


Certa vez, uma mãe jovem foi visitar um ancião, servo do Senhor, e perguntou-lhe, em que idade deveriam, ela e o marido, começar a ensinar a criança. E a resposta foi:

  • Que idade ela tem?

A mãe respondeu; e o ancião respondeu:

  • Olhe, pois, todo esse tempo já foi perdido.

A nós, custa-nos, sobretudo aos pais, pensar que o nosso inocente, e terno filho, já tenha dentro de si a raiz de uma natureza má. Mas, o fato é que, efetivamente ele nasceu com uma natureza, capaz de produzir tristes frutos, que o levarão bem longe de Deus. As suas inclinações naturais já se encontram nele, e à medida que se desenvolve e cresce, também vai se despertando a sua capacidade em as manifestar. Temos que nos lembrar que, transmitimos ao nosso filho, à nossa descendência, o coração ímpio, e a vontade perversa, que herdamos dos nossos pais e antepassados. "Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem" (Pv 27:19).


"O que é nascido da carne é carne" (Jo 3:6). Nós passamos aos nossos filhos, a mesma carne que nós temos – sem a menor diferença, nem para pior, nem para melhor. Não podemos dar-lhes uma vida nova. Essa vida nova, eles terão que a receber da mesma forma que nós: têm que nascer de novo. O Espírito de Deus, tem que trabalhar nos seus corações, gerando-lhe uma nova vida com novos desejos:


Mas, pelo fato de assim ser vamos ficar inativos, por nos sentirmos incapazes? Vamos cruzar os braços, e pensar que nada poderemos fazer, até que o Espírito de Deus opere nos nossos filhos? De forma alguma!


O necessário é, que os pais dobrem os joelhos dando graças a Deus pela criança que receberam, e, peçam, numa sincera súplica, que ela possa ser trazida ao conhecimento da salvação pelo Senhor Jesus Cristo o mais cedo possível. Esta deve ser uma oração, nascida do coração de todos os pais Cristãos, e, que deve constantemente subir até Deus nosso Pai. E, é preciso que a façamos com fé, contando com Ele. Isso é assunto de suma importância nas nossas orações, desde o dia em que a criança nasce.


Qual será o modo de viver e serviço da criança?

O mundo propõe muitos livros sobre educação de filhos. Mas para os pais Cristãos, estes não devem merecer uma confiança absoluta. É verdade, podem ser muito bem feitos numa perspectiva de sabedoria humana. Mas esta, nunca, não pode comparar-se com a sabedoria divina.


É muito melhor, buscar a verdadeira sabedoria de Deus "que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto" (Tg 1:5). Se nos faltar, pois, sabedoria, (e certamente que sim) peçamo-la a Deus, que nunca deixará de ajudar um coração que confia n'Ele. É muito melhor, sermos dependentes de Deus, do que ir ao mundo pedir auxílio.


Devemos, sempre, lembrar-nos que a Palavra de Deus, contém a sabedoria que vem de cima. É dela que vêm estas palavras dirigidas aos pais: "Não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4). A Bíblia tem sempre imensas ligações objetivas. Aí vemos exemplos, de homens e mulheres, que souberam criar seus filhos no temor de Deus. Aí encontramos avisos solenes, nas histórias daqueles que fracassaram nessa responsabilidade.


No seu tempo, Abraão tinha uma casa disciplinada. Ele não só andava pela fé, como tinha os seus filhos, e a sua casa, "depois dele" (Gn 18:19) mesmo, vivendo dentro da disciplina; e, por isso, teve aprovação especial do Senhor: "E disse o Senhor: Ocultarei Eu a Abraão o que faço? Porque Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para obrarem com justiça o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado" (Gn 18:17-19). E, foi, desta maneira, que ele obteve o título de "amigo de Deus" (Tg 2:23).


Anrão e Joquebede foram fiéis nas suas vidas, e os seus três filhos, Miriã, Arão e Moisés, foram grandemente consagrados ao Senhor. Na época em que Moisés nasceu, o povo de Israel achava-se em circunstâncias muito difíceis; eles eram escravos maltratados no Egito, e um decreto de Faraó condenou à morte os meninos que nascessem. Mas os pais de Moisés, agiram pela fé, diante de Deus, e protegeram o seu precioso "filho" tanto quanto puderam. Eis aqui, um bom exemplo para os pais. Aliás, não são muitos os anos, em que, os pais podem proteger a "herança do Senhor" (Sl 127:3) da influência perniciosa deste mundo ímpio. Por isso, é muito importante, aproveitar toda a oportunidade para fortalecer os filhos, contra as más influências que os ameaçam.


Não podemos, evidentemente, dar aos nossos filhos fé para que andem no caminho de Deus, como, tão pouco, podemos dar-lhes uma vida nova, mas quando os criamos na disciplina e nos conselhos do Senhor, eles aprenderão aquilo que agrada ao Senhor.


Moisés foi instruído pelos seus pais, nos caminhos do Senhor, e nos Seus propósitos, de uma forma tão correta, que quando sua mãe teve que o entregar aos cuidados da sua benfeitora real, para que fosse ensinado nas escolas do Egito, ele, apesar disso, pôde andar pela fé, por si próprio, pois embora "Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras" (At 7:22), ele não deixou por isso de unir a sua sorte à dos povos de Deus, desprezado e escravizado como era. "Deixou o Egitoporque tinha em vista a recompensa" (Hb 11:26-27).


O conselho de criar os filhos na disciplina, e na admoestação do Senhor é dirigido aos pais; eles são tidos como responsáveis imediatos. Mas as mães têm uma grande influência nas vidas dos seus filhos, porque estão mais em contato com eles, sobretudo nas idades mais novas. Por isso, ambos, devem ter o mesmo pensamento nestas coisas. O mal certamente acontecerá quando a mãe puxa de um lado e o pai do outro. "Joquebede" parece ter tido um papel proeminente na educação de Moisés. Também é de notar que na história dos reis de Judá e de Israel, frequentemente, lemos isto: "e era o nome de sua mãe" (Lv 24:11; 1 Rs 14:21, 31; 2 Cr 12:13; …) É como se, o Espírito de Deus, chamasse a nossa atenção para o papel que desempenhou, a mãe, na primeira fase da educação dos filhos.


"Timóteo" (2 Tm 1:5) muito cedo foi também educado nos caminhos de Deus; desde menino já conheceu as Sagradas Escrituras. É mencionada a piedade de sua mãe e da sua avó. Uma instrução destas é como lenha que se põe na lareira; só falta um fósforo para acendê-las, e logo o fogo se ateia. E, quando a mente da criança está alimentada com a Palavra de Deus, viva e eficaz, tudo o que depois falta é, tão somente, a operação vivificadora do Espírito de Deus, para implantar uma nova vida no seu ser. Nessa altura, todas as riquezas, da Palavra de Deus, acumuladas já na sua mente, servem-lhe como uma “lâmpada para os meus (seus) pés…, e luz para o meu (seu) caminho” (Sl 119:105).

(continua, querendo Deus)


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QUE TRISTE ESCRAVATURA


“Um homem já idoso foi internado num hospital de Londres. Ao examiná-lo, acharam um pequeno saco de dinheiro amarrado ao seu corpo. Foi em vão que procuraram convencê-lo e deixar depositar esse dinheiro no cofre forte do hospital pois ele insistia em querer levar esse tesouro consigo para a sepultura, pois disse que doutra maneira não ficaria tranquilo.”


Chegou a hora da morte, e enquanto ia desfalecendo, de repente gritou:

  • O meu dinheiro! O meu dinheiro!

Que triste escravidão! "Não podeis servir a Deus e a Mamom [às riquezas – ARA]" (Mt 6:24).

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SOBRE O LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

(continuação do número anterior)

Capítulo 27:14-26


"Mas não muito depois deu nela um pé de vento, chamado euro-aquilão. E, sendo o navio arrebatado, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa. E, correndo abaixo de uma pequena ilha chamada Clauda, apenas pudemos ganhar o batel. E, levado este para cima, usaram de todos os meios, cingindo o navio; e, temendo darem à costa na Sirte, amainadas as velas, assim foram à toa. E, andando nós agitados por uma veemente tempestade, no dia seguinte aliviaram o navio. E ao terceiro dia nós mesmos, com as nossas próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio" (vs.14-19).


Uma brisa austral, que soprava suavemente, não durou muito tempo, e imediatamente, numa brusca mudança, sobreveio um vento sudeste muito forte chamado "euro-aquilão" (v.14).


Tal, é a situação que se dá, quando prestamos ouvidos aos avisos dos homens, e deixamos de lado a verdade divina, cumprindo antes com as nossas próprias intenções. O navio não pôde "navegar (resistir) contra o vento" (v.15). Semelhantemente, a história sagrada, nos mostra que sucessivamente muitas más doutrinas, se introduziram na igreja primitiva, e aqueles Cristãos que preferiram continuar na "grande casa" juntamente com os "vasospara desonra" (2 Tm 2:20-21), depressa se encontraram sem força para poder resistir, e escapar: e, "assim foram à toa" (v.17). Mesmo os homens mais consagrados a Deus, naqueles anos após a morte dos apóstolos, não puderam emendar o mal que foi feito.


Isto, é também um aviso para nós, nos nossos tempos. Se deixarmos entrar, no nosso meio, ainda que seja um só pouco de mal, será apenas uma questão de tempo, e o "navio" estará tão perdido que nada mais se poderá fazer dele (1 Co 5:6).

Como já dissemos, as tentativas para salvar o navio foram inúteis; e, a situação em vez de melhorar, ia de mal a pior: "no dia seguinte aliviaram o navio", quer dizer, atiraram pela borda todas as coisas menos necessárias. Nestes dias perigosos, vigiemos em relação àqueles que pretendem que “lancemos fora" as coisas "menos necessárias" segundo eles, e que são afinal as coisas que dizem respeito à glória de Cristo, e à Sua obra de redenção completa (e este ponto sempre foi atacado pelas doutrinas de erro); e são também as coisas da verdade da Igreja, tão preciosa ao coração de Cristo, que "amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela" (Ef 5:25). Não é, então, de se admirar que, depois de terem deitado fora essa carga, no dia seguinte deitassem fora também "a armação" (v.19), ou seja, tudo aquilo que, era precisamente necessário para uma boa e normal condução da embarcação. Isso corresponde ao abandono da verdade divina. É algo que, pode tornar-se gradual, à medida que abandonamos os "Bons Portos" (v.8).


Que o Senhor nos faça apreciar a verdade, e que, procuremos andar no caminho da obediência à Palavra de Deus, custe o que custar.


"E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos" (v.20).


Este versículo, corresponde aos "séculos de escuridão" na história da igreja. Esta perdeu a sua chamada celestial, e "nem sol nem estrelas" voltaram a brilhar por "muitos dias". Só Deus pôde levantar de novo um testemunho, de acordo com a Sua própria mente, do meio daquelas trevas.


"E, havendo já muito que se não comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e perdição. Mas agora vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio. Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de Quem eu sou, e a Quem sirvo esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas: importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos os que navegam contigo. Portanto, ó varões, tende bom ânimo: porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito. É contudo necessário irmos dar numa ilha" (vs.21-26).


Paulo, cujo aviso foi desprezado (v.10), tornou agora a falar, após um tempo dilatado de silêncio. O cristianismo, não teria chegado ao estado de confusão, em que se acha, se tivesse obedecido e posto em prática a doutrina de Paulo, exposta nas suas epístolas divinamente inspiradas, como está escrito: "a igreja; da qual eu estou feito ministro" (Cl 1:24-25).


Deus revelou àquele Seu servo fiel, o que ia acontecer naquela ocasião. Da mesma forma, o servo fiel do Senhor, hoje em dia, sabe o que vai acontecer no mundo, visto que tem o Espírito de Deus e a Palavra de Deus, a Bíblia, enquanto os filhos do presente século mau permanecem nas trevas.


Que bom é poder afirmar como Paulo: "Creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito" (v.25).

(continua, querendo Deus)


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