Palavras de Edificação 16

(Revista bimestral editada entre 1980 e 1997)

ÍNDICE


As Orações Respondidas

A Redenção

Sobre a Primeira Epístola aos Coríntios (Cont.)

Capítulo 1:18-31

A Quem se pode Batizar

A Instituição do Matrimônio (Cont.)

Outros Problemas

Sobre o Evangelho de Mateus (Cont.)

Capítulos 9:36 a 10:20

Espera!

Contrastes entre Israel e a Igreja

Alimentação para Israel

Alimentação para a Igreja

Milagres do Corpo Humano – As Células

O Tigre Domado

O Sepulcro Selado

AS ORAÇÕES RESPONDIDAS


"Esperei com paciência no Senhor, e Ele Se inclinou para mim, e ouviu meu clamor" (Sl 40:1).


Quando oramos, não devemos nos esquecer, de que, nossas orações hão de ser respondidas. Algumas, são respondidas, exatamente como desejamos; outras de uma forma diferente do que tínhamos desejado – de uma forma melhor! Algumas, por uma mudança em nós mesmos; outras por uma mudança noutras pessoas. Algumas, são respondidas, ao recebermos mais força para suportar as provas; e outras pelo fim das provas. Algumas imediatamente; outras nos anos vindouros; e algumas esperam o seu cumprimento na eternidade.

Pensamento:

"Se esperamos em Deus, não há nenhum perigo, mas se nos arriscamos precipitadamente, Ele nos deixará colher as consequências."


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A REDENÇÃO


A redenção significa que somos resgatados por um preço, da nossa situação de escravidão, e postos em liberdade. O verdadeiro conhecimento da redenção faz-nos desfrutar uma paz perfeita, em dependência constante do Redentor.


Israel foi redimido do Egito quando atravessou o Mar Vermelho; e logo cantou. Da mesma forma nós "nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:11). Esperando a “redenção do nosso corpo” (Rm 8:23). Esta se realizará quando o Senhor vier buscar-nos e revestir os mortos e os vivos com corpos glorificados (1 Co 15:51-54; Fp 3:21). É assim que esperamos "a redenção da possessão de Deus" (tudo quanto Cristo terá adquirido por meio da Sua grande obra redentora – Ef 1:14), quando a nova geração gozar da bem-aventurança do resgate (Rm 8:19-22).

Os incrédulos não serão redimidos, mas terão que se curvar e confessar a Cristo como Senhor, antes de serem lançados nas trevas exteriores (Is 45:23; Rm 14:11; Fp 2:10; Mt 22:13).

Pensamento:

"O encanto do pecado desaparece no momento em que é cometido”.

(J.G.Bellet)


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SOBRE A PRIMEIRA EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS

(continuação do número anterior)


Capítulo 1:18-31

"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela Sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes, pela loucura da pregação" (vs.18-21).


O pecador perdido que abre os seus olhos para a luz, e, se arrepende dos seus pecados, apega-se à cruz como a sua única esperança de salvação do inferno, e depressa descobre que é o "poder de Deus", do Deus Onipotente. O sábio, na sua própria opinião, não se sente culpado de nada; ouve de Cristo crucificado numa cruz por amor dos pecadores, e diz: "é loucura"; porém acaba por se perder. O Deus vivo e verdadeiro, disse da sabedoria deste mundo: "é loucura". Não serve. Ela pode deleitar o homem até à sua morte, e então o que? "Depois o juízo"! O sábio não pensa nisso. Mas agradou a Deus salvar os que crêem por meio daquilo a que os sábios chamam: "a loucura". A essência, o tema do que se prega (não o ato de pregar), é dizer: Cristo crucificado, e recebê-Lo pela fé, é o que nos salva.


"Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus com gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus" (vs. 22-24).


Quantas vezes os judeus tentaram o Senhor Jesus, pedindo-Lhe sinais, ou seja, obras milagrosas! Como eram incrédulos, Ele "Lhesdisse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas". E qual foi o significado do dito sinal, de Jonas lançado vivo na terra depois de ter estado "três dias e três noites no ventre da baleia"? (Mt 12:39-40). Cristo ressuscitado dentre os mortos!


No que diz respeito aos gregos (não os bárbaros, gente sem educação, tão pouco os citas, ou seja, os incultos, mas sim gente muito inteligente que se orgulhava da sua sabedoria), temos um exemplo do seu caráter e da sua reação ao evangelho de Cristo em Atos 17:18-32, passagem da qual citamos aqui apenas uma parte: "E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele (Paulo); e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição".Imediatamente Paulo, tendo-os repreendido pela sua idolatria, lhes disse: "Deus ...anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-O dentre os mortos. E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez".

Paulo chamou a atenção aos Coríntios, “Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Co 1:25); porque, sendo chamados por Deus, entre eles não haviam: “muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres” (1 Co 1:26) (não digo que não havia nenhum). Porém estes eram uma exceção: a grande maioria daquela igreja numerosa (At 18:9-10) era de condição pouco elevada. Notemos aqui a mudança na sua forma de os designar: Paulo falou dos de alta categoria como de pessoas, mas ao designar os demais, não escreveu: "os loucos”, “os fracos”, “os vis”, “os desprezíveis”, mas usou a forma impessoal: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as (coisas) fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as (coisas) desprezíveis, e as (coisas) que não são, para aniquilar as que são. Para que nenhuma carne se glorie perante Ele" (1 Co 1:27-29). Quantas evidências existem da direção infalível do Espírito Santo nos escritos inspirados por Deus!


"Mas vós sois d'Ele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (vs. 30-31).


Nenhuma carne pode se enaltecer na Sua presença, visto que tudo é de Deus: a posição permanente: “em Jesus Cristo”; o que Deus o fez em nosso favor e para sempre: “sabedoria, justificação e redenção”. O grego buscava sabedoria humana; em contraste Deus fez de Cristo a nossa sabedoria divina; e quanto à justificação, à santificação e à redenção, o grego nem sequer tinha pensado nestas virtudes divinas conferidas aos crentes em Cristo Jesus. Se pudesse fazer comparações entre as quatro, estas últimas são mais importantes que a sabedoria, mas ela é mencionada em primeiro lugar para envergonhar a sabedoria humana.


É maravilhosa a posição divina do crente: unido a Cristo Jesus o qual é, por Deus, constituído a Sua sabedoria, justificação, santificação e redenção! Convém então que "Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor". Parece que Paulo se referiu à passagem em Jeremias 9:23-24.

(Continua, se Deus quiser)

Pensamento:

"Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz" (Mt 6:22). Se for assim contigo, haverá luz no teu caminho – não luz que dure dez anos, mas um passo de cada vez, e imediatamente o passo seguinte.

(J.N.Darby)

Pensamento:

Ele não Se envergonha de nos chamar "irmãos". Envergonharíamos nós de O confessar como nosso Senhor e Mestre abertamente diante de todo o mundo? "Até quanto estareis vós entre dois pensamentos?" Confessai-O quanto antes e decididamente. Esforçai-vos e confiai em Deus para as consequências. Eu sei por experiência que uma confissão franca e corajosa de pertencer a Cristo é mais da metade da luta terminada… Eu afirmo, …que se um homem, na força do Senhor, disser ao seus companheiros e amigos, "Eu sou de Cristo, e tenho que agir para Ele", não sofrerá o que devem sentir outros que avançam timidamente, com medo e temerosos de confessar a Quem desejam servir.

(J.N.Darby)


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A QUEM SE PODE BATIZAR


Pergunta:

"Pode-se batizar alguém que professa fé em Cristo, mas que não seja casado com a pessoa com quem vive num lar, sem que seu matrimônio esteja legalizado?


Resposta:

Antes da conversão do pecador, Deus não reconhece nada nele a não ser o pecado. Romanos 3:10-19, 23 estabelece que não há nada de bom no pecador culpado e sujeito ao juízo de Deus.


Leiamos as seguintes Escrituras acerca de batismos do princípio desta dispensação da graça de Deus: Aos judeus, culpados da crucificação de Cristo, o seu Messias, Pedro (inspirado por Deus) disse: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, e vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (At 2:38-39). Que aconteceu? "De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas" (At 2:41).


Como tinham vivido aquelas três mil pessoas? Vida de pecado! Algumas quebraram a lei de Moisés num ponto, outras tantas noutro. Eram pecadores, que tinham cometido toda a espécie de pecado.


Aos gentios Pedro "mandou que fossem batizados em nome do Senhor" (At 10:48). E, como tinham vivido antes esses gentios, inclusive soldados romanos? Vida de pecado!


E acerca dos samaritanos? "Como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres" (At 8:12). Como tinham vivido antes aqueles samaritanos? Vida de pecado!


E aos que tinham sido batizados por João Batista (mas não com o batismo Cristão), "Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus" (At 19:4-5).


Nestas quatro passagens do Livro de Atos, está estabelecido que a confissão de fé no Senhor Jesus Cristo, e o batismo com água, se sucedem uma à outra, sem levar em conta o estado anterior das pessoas, seja em relação ao estado civil (o matrimônio), à profissão e outras relações cotidianas.


E no caso de Simão, o mago, diz que "creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito" (At 8:13). Simão batizou-se; fez profissão de fé em Jesus Cristo, mas não está escrito que se arrependeu do seus pecados. Manifestou-se como falso (At 8:18-24).


Nem Filipe nem outro varão, foi tido como culpado por ter batizado Simão. Ele mesmo foi o culpado, por ter sido um enganador, por não ter se arrependido, e por ter feito uma falsa confissão de fé.


Agora, no caso mencionado de um Cristão vivendo com outra pessoa sem se casar, apresenta-se a questão: Há quanto tempo têm vivido assim? Se ele tem conhecimento da vontade de Deus, quer dizer, que é preciso que os Cristãos respeitem a ordem civil e que se casem, e não têm querido obedecer, então, trata-se de uma pessoa que não está obedecendo aos "mandamentos do Senhor Jesus" (Jo 15:10). Não convém batizá-la. Porém (e este é um caso triste em certas nações, especialmente nas províncias e nos lugares isolados), existem convertidos que se batizam e procuram imediatamente se casarem conforme a lei civil, mas descobrem que a injustiça e a avareza prevalecem entre as autoridades, juízes e outras, e o preço pedido pelo ato do casamento está tão caro que os pretendentes não podem pagá-lo. Só Deus pode operar nessas situações. Ele pode mover o coração de outros Cristãos a contribuírem para pagar o preço do ato.


Em resumo: o Senhor opera pelo que Ele mesmo traz e não pelo que Ele encontra no pecador destituído da glória de Deus. Mas, uma vez convertido e feito morada do Espírito Santo, o crente tem, não só novos desejos, mas também poder suficiente para poder conduzir a sua vida, seja em relação ao matrimônio, à bebida, ao trabalho (um carrasco não pode continuar com o seu trabalho de cortar as cabeças dos criminosos), etc.

(J.H.Smith)

Pergunta:

"Pode-se batizar em qualquer tipo de água, contida no mar, num rio, num lago ou numa tina?"


Resposta:

Não é o tipo de água que tem importância, nem o local onde se encontra, mas sim o significado espiritual de ser submergido nela para a pessoa batizada.

Romanos 6:4 diz: "De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida".


Quanto à quantidade de água necessária, a própria palavra "batismo" (escrita latina, não grega), quer dizer: "mergulho", "afundar", "submergir". Por isso é que lemos as seguintes passagens do Novo Testamento:

  • "E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água" (Mt 3:16).

  • "Ora João batizava também em Enom, junto à Salim, porque havia ali muitas águas" (Jo 3:23).