Palavras de Edificação 18

(Revista bimestral publicada originalmente em Novembro/Dezembro1988)

ÍNDICE


"Leva-me Tu, correremos após Ti”

Sobre o Evangelho de Mateus (Cont.)

Capítulo 11:1-15

A meditação Transcendental

A Borboleta, uma Maravilha

A Fé e a Incredulidade

Negue-se a si mesmo

Sobre a Primeira Epístola aos Coríntios (Cont.)

Capítulo 3:1-23

Contrastes entre Israel e a Igreja (Cont.)

Suas respectivas Missões

Cristo glorificado em Nós

Escolhido pelo Amo

Confirmados na Presente Verdade (Cont.)

O Perdão Governamental

Dois Terremotos Excepcionais

A Família Supremamente Feliz

Adoração

Que denominação é esta?

Voltando ao fundamento

O Caminho da Bênção

"Leva-me Tu, correremos após Ti"

(Ct 1:4)


Quanto mais conhecermos de Cristo, mais desejaremos conhecer. Quando estamos mais perto d'Ele, mais perto ainda nós queremos chegar. Aprendamos com Paulo que disse: "Para conhecê-Lo" (Fp 3:10); no entanto, não houve ninguém na Terra que O conhecesse melhor. E, outra vez, ele disse "para que possa ganhar a Cristo" (Fp 3:8); não obstante, nunca houve outro santo mais certo do seu prêmio do que Paulo. Mesmo quando estava prisioneiro em Roma e tinha miséria, podia dizer com verdade: "para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Fp 1:21). Que experiência tão rica! Que confiança tão tranquila! Que gozo ilimitado é expresso na sua carta aos filipenses!

A.M.

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SOBRE O EVANGELHO DE MATEUS

(continuação do número anterior)


Capítulo 11:1 a 15

"E, aconteceu que, acabando Jesus de dar instruções aos Seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles. E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos, a dizer-lhe: És Tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que se não escandalizar em Mim" (vs.1-6).

João Batista sofria por causa da justiça, "porque Herodes tinha prendido João, e tinha-o manietado e encerrado no cárcere por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe; porque João lhe dissera: Não te é lícito possuí-la" (Mt 14:3-4). Era o mesmo João que tinha dado testemunho de que Jesus era o “Filho de Deus” (Jo 1:32-34). Estava no cárcere e, ouvindo as obras maravilhosas que Cristo fazia, pensava talvez: "Se Ele é o Messias, porque me deixa assim encarcerado!". Então, enviou os seus discípulos para perguntarem se Ele era o Messias.


A resposta de Jesus deu-lhe a entender que sim; porém o Senhor acrescentou uma mensagem que ninguém – nem sequer os mensageiros, – a não ser o próprio João, teria podido entender: "Bem-aventurado é aquele que se não escandalizar em Mim”. Noutras palavras: "João, não duvides de Mim, tão pouco do Meu poder. Se ainda permito que permaneças no cárcere de Herodes, tu, confia em Mim”. E lembra-te, João, do testemunho que destes: "É necessário que Ele cresça e que eu diminua" (Jo 3:30). Ainda que tenhas que morrer, confia em Mim. Terás um galardão sobremodo grande.


"E, partindo eles, começou Jesus a dizer às turbas, a respeito de João: Que fostes ver no deserto? uma cana agitada pelo vento? Sim, que fostes ver? Um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis. Mas, então que fostes ver? um profeta? Sim, vos digo Eu, e muito mais do que profeta; Porque, é este de quem está escrito: Eis que diante da Tua face envio o meu anjo, que preparará diante de Ti o Teu caminho. Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele" (vs.7-11).


Ainda que o bendito Senhor tivesse dado a João – duma forma muito suave – uma palavra de admoestação, no entanto reivindicou-o enfaticamente perante o povo: "um profeta? Sim, e muito mais do que profeta". Pois os profetas de outrora tinham profetizado de João! (Veja Is 40:3; Ml 3:1; Mt 3:1-3).


"Mas, aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele". Esta afirmação surpreendente do Senhor Jesus requer a nossa consideração atenta. Há que lê-lo no seu contexto: "E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos para ouvir ouça" (vs.12,15).


"O reino dos céus" não é o céu. O reino está aqui embaixo na Terra, pois nesta esfera o Senhor havia de mencionar a existência de "contenda (discórdia)" (Lc 22:24), de uma "árvore" imunda (Mt 12:33), de "fermento" (1 Co 5:8) e de "peixe" mau (Mt 7:10). Não há, nem haverá, absolutamente nada dele no céu. O reino está aqui, mas o Rei está lá, já que foi rejeitado pelos seus súditos, os judeus.


"Todos os profetas e a Lei" profetizaram do reino glorioso do Messias, do Filho do Homem, que havia de vir. Porém, com a vinda de João Batista, houve uma mudança; o reino foi anunciado: "Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus" (Mt 3:2). João não esteve no reino, mas com o seu anúncio ele terminou seu testemunho, e o Senhor permitiu que ele fosse martirizado por Herodes, para que ganhasse "uma melhor ressurreição" (Hb 11:35). Ora, o Rei não veio em manifestação gloriosa e para exercer o Seu reinado, mas sim em humilhação e servindo o homem. Os judeus, representados pelos seus líderes, os sacerdotes e anciãos, esbarraram com Ele e O rejeitaram. Porém, os valentes arrebataram o reino. Um escritor disse: "Ora, a energia do Espírito impeliu os homens a abrirem caminho por meio de cada dificuldade, e de toda a oposição dos líderes da nação e do povo cego, para que a todo o custo alcançassem o reino dum Rei rejeitado pela incredulidade cega e obstinada daqueles que O deviam ter recebido. Era preciso… essa violência para entrar no reino".

(J.N.Darby)


Quando apareceu "um anjo do Senhor", e Zacarias, disse-lhe que o seu filho, João Batista, iria "adiante d'Ele (do Messias, Jesus) no espírito e virtude (poder) de Elias" (Lc 1:11, 17). Por isso, Jesus ratificou que João Batista tinha desempenhado essa comissão, e não que era o próprio Elias. Era uma verdade que só os que tinham fé e discernimento podiam entender: "quem tem ouvidos para ouvir ouça".


Mas, há outro aspecto da nova posição, estabelecida no mundo pela morte expiatória e pela ressurreição de Cristo, uma posição na qual cada crente n'Ele entra agora (enquanto que o rei está oculto no céu, esperando a Sua manifestação gloriosa). O israelita esperava a redenção (Lc 2:38); porém o Cristão já a tem cabalmente consumada (Hb 9:12; Ap 1:5,18; 5:9). O israelita tinha que oferecer muitos sacrifícios e recorrer ao sacerdote levítico continuamente. Porém, o Cristão tem um Grande Sumo Sacerdote, o qual “Se deu a Si mesmo (como a oferta) por nossos pecados” (