Palavras de Edificação 21

(Revista bimestral publicada originalmente em Maio/Junho 1989)

ÍNDICE


Princípios Divinos sobre o Vestir

Arrependimento e Conversão

Uma Carta a Pais Cristãos

Nosso Quarto: O campo de Batalha da Fé

1 Samuel 17

Nossa Grande Necessidade

Um Corpo

Sinais dos Tempos

No Palco: Rússia!

O Surgimento dos Poderes Asiáticos

Surge o Governador Mundial

Oriente Médio em Foco

Israel: o Palco Central

Abandono da Fé

O Perigo

PRINCÍPIOS DIVINOS SOBRE O VESTIR


"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais". "E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu" (Gn 3:7, 21).


Os pensamentos e caminhos de Deus estão muito acima de nossos pensamentos. A primeira coisa que Adão e Eva fizeram após caírem em pecado, foi cobrir sua vergonhosa nudez com folhas de figueira, e se esconder de Deus. Mas as folhas de figueira não cobriram suficientemente, e então eles também se esconderam de Deus. A nudez na inocência não era vergonhosa, mas após haverem praticado pecado no corpo, tornou-se vergonhoso andarem despidos. O desejo de Adão e Eva de estarem cobertos era bom, mas os meios que usaram para fazê-lo não foram adequados. Foi Deus que, pela morte de outro, não somente cobriu a nudez de ambos, mas também os fez novamente agradáveis à Sua presença, porém agora de uma nova maneira: vestidos com peles.


Esta vestimenta de peles foi confeccionada (por outro, e não por eles) de algo inteiramente fora deles próprios. Pela palavra "vestidos", não somente aprendemos que sua nudez foi com plenamente coberta, como também que eles foram feitos apresentáveis a Deus outra vez, em uma nova e melhor aparência; numa aparência tão bela e aceitável aos olhos de Deus quanto a da origem das vestimentas com que foram vestidos. Foi Deus quem lhes deu novas vestes; esta é a figura do dom de Deus: Seu Filho unigênito para aqueles que O aceitam e são assim vestidos com a justiça de Deus em Cristo. Que grande contraste existe entre a beleza e glória que Cristo nos dá, e aquilo que nossa habilidade procura produzir para tentar esconder nossos pecados e nos fazer agradáveis a Deus.


Aprendemos portanto, nestes dois versículos sobre vestimentas, dois grandes princípios quanto ao vestir-se. Primeiro, que as roupas são para cobrir os nossos corpos nus, e depois, que as vestes nos são dadas por Deus para o propósito de exibirmos algo mais apresentável do que a nossa carne.


Quando nos vestimos de acordo com os preceitos de Deus, cumprimos ambos os princípios. Muitas pessoas hoje, não ultrapassam a primeira intenção do vestir-se, e buscam somente cobrir a sua nudez. Outras se vestem, ainda, de uma maneira tal, que realçam ainda mais a sua nudez, querendo negar, pelo seu proceder, o estado caído em que se encontra o homem (Rm 1:25-26).


Busquemos, em 1 Coríntios 11:3, 7-9, a ordem divina de autoridade, a fim de sabermos para quem devemos nos vestir. "Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. …O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão. Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão". "A cabeça de Cristo é Deus". Quão perfeitamente o Senhor Jesus mostrou esta sujeição a Seu Pai enquanto estava na Terra! Como homem, Ele sempre honrou a autoridade de Seu Pai (a cabeça). Suas próprias palavras são: "Porque Eu desci do céu, não para fazer a Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou" (Jo 6:38); e, "Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por Si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto Ele faz, o Filho o faz igualmente" (Jo 5:19).


Deus exaltou a Cristo "acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a Seus pés, e sobre todas as coisas O constituiu como cabeça da igreja, que é o Seu corpo, a plenitude d'Aquele que cumpre tudo em todos" (Ef 1:21-23). Adão, o primeiro homem, foi a cabeça da primeira criação, mas caiu em pecado. Cristo, o segundo Homem, redimiu a todos os que estavam caídos pelo pecado; e, é agora a cabeça sobre todos. "Cristo é a cabeça de todo o varão" pois o varão é "a imagem e glória de Deus" (Cristo). O homem deve mostrar que Cristo é a cabeça; deve mostrar a glória de Cristo em seu comportamento e modo de vestir. Cristo é digno de ser representado e glorificado na Terra pelo homem, razão pela qual os homens oram e profetizam com a cabeça descoberta. Sua cabeça deve ser vista e deve predominar em relação às das mulheres.


Os homens devem ser cuidadosos para não usarem, em seu próprio benefício, o lugar de proeminência que Deus lhes deu. É para glorificar e manifestar a Cristo, que lhes foi dado este lugar, e creio que o contrário a isto, o fato de ser a tendência geral dos homens, provoca entre as mulheres o movimento de libertação. As mulheres vêem os homens recebendo para si, injustamente, muitas das vantagens, e sentem-se ultrajadas. A solução não é dar aos homens e mulheres a mesma posição, como tem sido frequentemente sugerido, mas o homem deve, isto sim, dar a Cristo o Seu lugar de direito, assim como a mulher deve dar ao homem o seu devido lugar.

O remédio para isto encontramos em Filipenses 2:5-8: "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz". Ele honrou a Seu Pai, e não buscou a Sua própria glória (Jo 8:49-50).

"O varão (é) a cabeça da mulher" pois "a mulher é a glória do varão". O lugar apropriado à mulher é de sujeição ao homem, e é a ele que ela deve render sua própria glória. (1 Co 14:34; 1 Tm 2:11; Ef 5:22-24).


Para a mulher, honrar a Deus é: vestir-se e agir de tal maneira, que demonstre o seu reconhecimento da autoridade do homem. A tendência no mundo é exatamente oposta a isto: as mulheres procuram vestir-se e agir de modo a se exibir; e, atrair a atenção dos homens sobre si. Mas a esposa que obedece à ordem divina, traja-se e conduz-se de modo a destacar seu marido como o proeminente entre os dois. O marido, da mesma maneira, deve glorificar a Cristo que é a cabeça. A mulher que cobre a sua cabeça quando ora ou profetiza (fala para ou por Deus), mostra que é sujeita a seu marido, assim como ele e a igreja são sujeitos a Cristo. A mulher que se recusa a cobrir a sua cabeça, deve ser privada de sua glória, pois os seus cabelos longos são a sua glória. A sua glória pois, não estando sujeita à ordem de Deus, deve ser-lhe tirada. Desta maneira, a falsa igreja em Apocalipse 17 e 18 será despida de sua glória, por causa de sua insubordinação a Cristo.

Os princípios, contidos nos textos já mencionados, deveriam ser suficientes para nos guiar na maneira de nos vestirmos. Mas, há ainda, outras passagens mais explícitas que podem nos ajudar, como 1 Timóteo 2:8-10: "Quero pois que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda. Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras".


Vemos aqui mais uma vez, que Deus quer que seja o homem aquele que age e fala. As mulheres são o inverso disto, e devem mostrar em seu comportamento, e modo de vestir, que estão rendendo toda sua glória aos homens. Vestido de cores ou estilo perturbador, bem como penteados sofisticados, ou jóias caras e pomposas, tendem a fazer notada aquela que as usa. Estas coisas, enfraquecem as mãos piedosas erguidas em oração. Mesmo nos homens, estas coisas, não retratam apropriadamente a Cristo, visto que oferecemos sacrifícios espirituais a Deus.


Os anjos notam em nós a ausência dos adornos convenientes (1 Co 11:10). Não desejaríamos ser a causa de queda de anjos de seu estado de sujeição, nem iríamos querer ser um tropeço para os nossos irmãos.


Pedro nos diz que devemos nos adornar. É falsa a ideia, de que devamos ser negligentes, ou descuidados quanto aos nossos modos e vestimentas, ou até mesmo rejeitar qualquer tipo de adorno. Isto seria uma desonra para Cristo. "Semelhantemente, vós, mulheres sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus" (1 Pe 3:1-4). Aqui aprendemos a adornar primeiramente o homem interior – o coração. O aspecto exterior é corruptível e passará, mas o interior é de grande valor à vista de Deus. Quando o coração, (o homem interior) é correto, a aparência exterior também o será. (Lc 6:45).


Tais ornamentos podem ser usados, até mesmo, para ganhar almas para Cristo. Palavras apenas, podem ser contestadas, mas uma vida piedosa, vivida para Cristo, jamais! Neste aspecto, talvez a mulher tenha mais oportunidades de anunciar a Cristo do que os homens.


Vejamos agora alguns outros pensamentos no Antigo Testamento. Lembremo-nos de que estes versículos foram leis escritas a Israel, mas nós, que estamos sob a graça, podemos obter deles alguns princípios que nos são muito instrutivos.