Palavras de Edificação 22

(Revista bimestral publicada originalmente em Julho/Agosto 1989)

ÍNDICE


A Mulher: seu lugar nas Escrituras

Eva

Sara

Débora

Mulheres do Novo Testamento

O lugar da Mulher no Ministério

A Mulher fora do seu lugar

Instruções Bíblicas Decisivas

O Divino tipo é arruinado

Concernente a meu Irmão

Um Deus Justo e Salvador

Padrão de Deus

“Tais mulheres devem ser apedrejadas”

Todos Culpados

O Perdão

Se você deseja ter poder sobre seus pecados…

Reunião de Oração

Útil

O Leitor Escreve

A MULHER:

Seu Lugar nas Escrituras


Nossos dias são de muita inquietação. O Movimento Sufragista Feminino obteve sua grande vitória – o voto das mulheres – há alguns anos, e desde então as coisas têm avançado a passos gigantescos. Até mesmo, uma instituição tão conservadora quanto a Igreja Oficial (o autor se refere à Igreja Anglicana, na Inglaterra), está se preparando para dar às mulheres um lugar em seu ministério.


Do ponto de vista político, essa questão não deveria preocupar o Cristão. Sua "política" é celestial, pois "a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp 3:20). Somos, contudo, naturalmente afetados pelo que nos rodeia. A anarquia no mundo tende a induzir a anarquia na igreja. Sendo assim, parece que o momento é propício para um exame deste assunto tão importante – A mulher: seu lugar nas Escrituras.


Primeiramente, o assunto parece dividir-se em duas partes:

1. A mulher: seu lugar na natureza;


2. A mulher: seu lugar na graça.


Torna-se, contudo, impossível separar inteiramente as duas. O lugar da mulher na natureza é uma figura do seu lugar na graça, ou melhor dizendo, do seu relacionamento de mulher Cristã para com Deus. Isto, se destaca, através da própria maneira pela qual a mulher foi criada; foi uma maneira especial em extremo contraste com qualquer outro ser; e, foi também de uma maneira simbólica e ilustrativa. Adão mergulhou num profundo sono – figura da morte de Cristo. Uma costela foi retirada de seu lado, e dela foi feita uma mulher que lhe foi apresentada como ajudadora. É uma figura da igreja – o resultado da morte de Cristo – que Lhe será apresentada como noiva.


A expressão "Ou não vos ensina a mesma natureza" encontrada em 1 Coríntios 11:14, tem uma aplicação bastante ampla. Deus, em Sua sabedoria, colocou grandes diferenças na constituição física, mental e emocional do homem e da mulher. De uma maneira muito evidente Ele os criou para serem distintos, ainda que se complementando. A estatura, força e capacidade de raciocinar, que no homem são mais destacadas, contrastam de uma maneira afortunada com a graça, gentileza e agilidade mental naturais à mulher.


O fato de que "a mulher provém do varão" (1 Co 11:12), demonstra a sua igualdade. Ela não é inferior, mas igual, ajudadora. Entre homem e mulher há semelhança, identidade; entre o homem e a mulher há igualdade, mas com distinção. E, é por isso, que o fato de que "a mulher provém do varão", também proclama a supremacia que Deus concedeu ao homem, além do privilégio que ela tem que conceder ao homem o lugar que Deus lhe deu.

Homem e mulher são iguais moralmente, mas o homem é a cabeça posicionalmente. As Escrituras declaram explicitamente: "Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varãoTodavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor. Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus" (1 Co 11:8-9, 11-12). Que apresentação primorosamente comedida e equilibrada da verdade!


Tudo isto, tem a intenção de ilustrar o relacionamento entre Cristo e a igreja. Em Efésios 5, o relacionamento entre marido e mulher foi desvendado. Deve a mulher se submeter ao marido? Sim, com base na declaração de que "o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja" (Ef 5:23). Da mesma forma, os maridos devem amar suas esposas "como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela" (Ef 5:25). Deve o homem abandonar seu pai e sua mãe para se juntar à sua mulher como uma só carne? Quanto a isto somos lembrados: "Grande é este mistério: digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja" (Ef 5:32).


O leitor verá que desde o princípio, o lugar da mulher na natureza, é uma figura do seu lugar na graça; e constatará ainda, conforme avançarmos, que é uma figura do relacionamento da igreja com Cristo. Que coisa maravilhosa!


Eva

Foi-nos dito: "Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão, não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (1 Tm 2:13-14). Temos aqui, a primeira e mais poderosa advertência, contra a mulher assumir a liderança. Um farol poderoso, bem no começo da viagem do homem através do oceano do tempo.

Em vez de repelir o avanço da serpente, buscando a ajuda e a proteção da cabeça que Deus lhe dera, a mulher agiu com independência. Não há necessidade de explorar a seriedade do ato, nem a indizível tristeza dos seus resultados.


Sara

Depois de Eva, a primeira mulher na Bíblia, a receber mais do que apenas uma observação passageira, foi Sara. Evidentemente, ela era uma mulher de personalidade vigorosa; ela não era um mero objeto, sem capacidade de raciocínio ou vontade própria. Pelo contrário, podemos deduzir que ela foi uma mulher hábil e decidida. Mas ela permanece como o exemplo das "santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos", pois lemos "como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem" (1 Pe 3:5-6). Isto demonstra, claramente, a posição da mulher em relação ao homem, e a prática seguida pelas piedosas mulheres da antiguidade.


Débora

Débora ocupa um lugar de destaque nas Escrituras. Foi uma “profetisa” – também era mulher casada (Lapidote) e “julgava a Israel naquele tempo”. Ela foi uma exceção à regra, mas a exceção comprova a regra. As Escrituras não falam contra o lugar que ela ocupou, mas também não o aprovam. Contudo, é suficiente o que foi dito pela própria Débora para vermos o que ela pensava sobre o assunto – condenou, pelo menos, a negligência dos homens, para não dizermos mais (Jz 4:4-10).


Ela convocou Baraque para que atacasse Sísera. No papel de profetisa, disse-lhe que o Senhor entregaria o inimigo em suas mãos. Mas Baraque, em sua covardia, não quis ir, a não ser que Débora o acompanhasse. Ela prontamente concordou com seu pedido, mas o informou que daquela missão ele não teria nenhuma honra – Sísera seria apanhado pela mão de uma mulher. Certamente, a observação de Débora implicava que, se era motivo de vergonha para Baraque que uma mulher matasse Sísera, não era menos vergonhoso que uma mulher fosse obrigada, pela covardia dos homens, a julgar Israel.


Mulheres do Novo Testamento

Quando nos aproximamos do Novo Testamento, descobrimos a posição das mulheres piedosas, honradas e belas no mais alto grau. A virgem Maria "agraciada; …bendita entre as mulheres" (Lc 1:28); sua prima Isabel, mãe de João Batista; Ana, idosa viúva de oitenta e quatro anos, dedicada ao serviço de Deus, são as mais belas personagens conectadas ao nascimento de Cristo.


Maria, a irmã de Lázaro, assentava-se aos pés do Senhor para ouvir a Sua palavra. Foi ela que O ungiu para o Seu sepultamento, uma ação que jamais perderá a sua fragrância – "onde quer que este Evangelho for pregado, em todo o mundo, também será referido o que ela fez para memória sua" (Mt 26:13). Ela recebeu um elogio que não poderia ser mais elevado: "Esta fez o que podia" (Mc 14:8). Maria Madalena, lhe foi concedida, alta honra de transmitir a maravilhosa mensagem da ressurreição de Cristo aos Seus discípulos: "Dize-lhes que eu subo para o meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus" (Jo 20:17). Pensem nas mulheres que serviam o bendito Senhor Jesus (Lc 8:3). Que honra!