Palavras de Edificação 27

(Revista bimestral publicada originalmente em Maio/Junho 1990)

ÍNDICE


O mesmo Senhor Descerá do Céu

Um Breve Estudo sobre 1 Tessalonicenses

Capítulo Primeiro – A Fé, o Amor e a Esperança

Capítulo Segundo – As Dificuldades

Capítulo Terceiro – Com Todos os Seus Santos

Capítulo Quarto – O Mesmo Senhor

Capítulo Quinto – Conservados Irrepreensíveis

O Falso Messias

A Nova Esperança

Para que são os Milagres

A última Trombeta

O fim de uma Jornada

O Prego

Filhinhos, Guardai-vos dos Ídolos. Amém.

1 João 5:21

Andar com Deus

"O MESMO SENHOR DESCERÁ DO CÉU"


Um Breve Estudo sobre 1 Tessalonicenses

A volta do Senhor, amado irmão, é o assunto que gostaria de tratar. Antes da vinda do Senhor a este mundo, as Escrituras não mostravam muita coisa acerca do céu. Porém, tão logo Ele aqui chegou, veio do céu um testemunho dirigido aos pastores de ovelhas, que anunciava haver “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na Terra entre os homens, a quem Ele quer bem” (Lc 2:14 – ARA). E a primeira palavra a testemunhar do Senhor veio do céu – pela voz de Deus – dizendo: "Tu és Meu Filho amado, em Ti Me tenho comprazido" (Lc 3:22). Em João 17 encontramos o Senhor aqui na Terra conversando com Seu Pai no céu acerca do Seu povo celestial, com o coração transbordando de amor e cuidado para com os Seus. Então, depois de tudo consumado e de volta ao céu a fim de Se assentar à destra do Seu Pai, a glória pôde brilhar vinda das alturas, pois Deus quis que a glória do Seu amado Filho fosse vista. Essa glória foi a que literalmente brilhou quando Estêvão foi martirizado; ele viu o Filho do homem olhando para si e pôde falar com Ele. Na epístola aos Hebreus, vemos coisas maravilhosas pois este Homem, Jesus, está no céu. Todas as coisas tão diferentes que encontramos naquela epístola são apresentadas pelo Espírito Santo a fim de alimentar a nossa alma com coisas celestiais. Se minha cidadania é celestial, o que mais poderia esperar? Que deveria haver uma porção maior das coisas deste mundo em minha mente? Mais das coisas deste mundo em meu coração? Ou deveria eu esperar que houvesse mais das coisas do céu em minha mente; mais das coisas do céu em meu coração? Oh! Certamente meu desejo deve ser que haja mais das coisas celestiais em minha mente e mais das coisas celestiais em meu coração!


Possuo, por assim dizer, o melhor de minha porção neste exato momento. Nós ainda não chegamos à casa do Pai, mas já temos o coração do Pai. E o que é melhor possuirmos – a casa do Pai ou o coração do Pai? Certamente que é o coração do Pai! Iremos, evidentemente, entrar na casa do Pai e então, com toda a certeza, poderemos conhecer melhor o coração do Pai; mas então, assim como agora, tratar-se-á do mesmo assunto, da mesma canção.


Vamos agora tratar da volta do Senhor, para o que gostaria de me valer da epístola aos Tessalonicenses, a qual traz revelações a respeito desta verdade. Ali encontramos, por assim dizer, uma lâmpada a derramar sua luz sobre todas as circunstâncias, sobre tudo o que encontramos neste mundo.


Capítulo Primeiro – A Fé, o Amor e a Esperança

Gostaria de me referir a dois versículos do primeiro capítulo, mas antes devo lembrar que a primeira epístola aos Tessalonicenses trata da vinda do Senhor para o Seu povo, enquanto que a segunda epístola nos fala da Sua vinda para o mundo.


"Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações. Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho da caridade (amor), e da paciência da esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai" (1 Ts 1:2-3). Estas três palavras, fé, amor e esperança; e, aquelas que as acompanham, com seu significado enfatizado por estarem juntas, como obra da fé, trabalho do amor e paciência da esperança, nos mostram claramente como se encontravam os tessalonicenses, e quais as características que devemos ter.


Vejamos a "obra da vossa fé" ou, como diz em outra versão, a "operosidade da vossa fé" (ARA). Conhecendo a essência daquilo que temos diante de Deus, nossa fé pode trabalhar enquanto ainda estamos aqui neste mundo. Quando subirmos para o lar, então, teremos descanso, mas enquanto estivermos aqui deve haver a “operosidade da fé”.


Em seguida encontramos "trabalho do amor" (TB). Podemos notar que entre os tessalonicenses havia trabalho conectado com o amor que possuíam. Havia muitas coisas pelas quais eles tinham que passar. Os tempos eram difíceis. Porém, uma vez mais podemos encontrar esperança conectada a isso, e não somente esperança mas "paciência da esperança". Não era algo que deveria sofrer desgaste. Tinha que durar e efetivamente durou.


Há, porém, outra coisa que iremos notar: tudo isso estava "diante de nosso Deus e Pai". Eu não somente tenho “fé, esperança e amor”, mas estou revestido de tudo isto diante de Deus. Ele olha para mim não apenas para ver se estas coisas estão com sua luz emanando de mim, mas procura ver se é em Sua presença que estas três coisas estão brilhando. Os pobres efésios perderam seu “primeiro amor” (Ap 2:4). Havia abundância de obras, mas quando Deus olhou para seu coração não encontrou nele o amor. A “obra da fé, o trabalho de amor e a paciência da esperança” são coisas que devem estar juntas diante de Deus nosso Pai.


Mais adiante lemos: "não temos necessidade de falar coisa alguma; porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro. E esperar dos céus a Seu Filho, a Quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" (1 Ts 1:8-10). A fé dos tessalonicenses dava testemunho do que tinha sido o trabalho de Paulo entre eles, e assim testemunhando, aguardavam o Filho de Deus vindo dos céus. Se o coração não pudesse obter a certeza de que Aquele que vem é o Libertador da ira que está por vir, essa vinda não seria suportada. Mas você sabe que somos "guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo" (1 Pe 1:5) e, sendo assim guardados por Deus para uma salvação assegurada, podemos pacientemente esperá-la, e não apenas esperar pela salvação, mas esperar por uma determinada Pessoa, o próprio "Jesus, que nos livra da ira futura" (1 Ts 1:10).


É este, amado irmão, o fulgor da esperança que tenho. No que diz respeito a mim mesmo, posso não estar com tudo tão correto quanto poderia desejar; posso não ter tudo em ordem em minha própria casa, e é com tristeza que o digo. Mas há um algo mais além! Ele diz, "Certamente cedo venho" (Ap 22:20). E Ele certamente virá! Ele é Aquele cuja volta está nos planos de Deus. O propósito de Deus é que Ele venha e que, assim vindo, possa colocar todos os inimigos de Deus sob Seus pés, e estabelecer um novo céu e uma nova Terra onde habita a justiça. Ele será fiel a Seu Deus e Pai; certamente cumprirá tudo o que Deus Lhe deu para fazer.


Não nos admira que quando olhamos para o nosso andar à luz de Sua vinda, nos consideramos indignos d'Ele. Eu não poderia esperar que nos sentíssemos de outra maneira. Mas eu gostaria que pudéssemos ter sempre, diante de nossa mente, a Pessoa do Senhor Jesus Cristo, levantando-Se de Seu lugar à direita do Pai a fim de vir nos buscar. Creio que bem cedo isto iria tornar o nosso andar mais consistente e colocaria as nossas afeições, nosso coração e pensamentos em perfeita ordem.


Acaso não é esta uma radiante esperança? Ele virá, e em Sua vinda irá reivindicar a Igreja para Si, pois diz em João 14:2-3: "Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também". Ele ainda não cumpriu Sua promessa feita a Pedro. Pedro já está com o Senhor, mas ainda não foi levado para a casa do Pai, e não o será até irmos todos juntos estar lá com Ele. Será que não há algo de afetuoso nisto? Acaso não existe nada de adorável na idéia de irmos estar na casa do Pai? Será que não existe nada de maravilhoso acerca do coração daquele Filho que, embora tendo estado assentado por quase dois mil anos à direita de Deus, continua pensando em voltar para o Seu povo aqui? Porventura não há algo extremamente amoroso em tudo isto?


Ele virá sobre a nuvem de glória. Ele virá para levar Seu povo para o lar. Nós nunca O vimos, mas então poderemos vê-Lo. Não podemos ficar sem Ele, e Ele não ficará sem nós! Nós O veremos com nossos próprios olhos! Nós O escutaremos com nossos próprios ouvidos! Em tudo seremos semelhantes a Ele na glória.


Capítulo Segundo – As Dificuldades

No primeiro capítulo os tessalonicenses passavam por uma difícil noite. Paulo nos mostra que só depois de nos encontrarmos fora de perigo, é que podemos enxergar com clareza tudo o que passamos. Então, no segundo capítulo, Paulo toma as dificuldades pelas quais ele próprio teve que passar e, enquanto as contempla, não vê nenhuma delas separada de Cristo. Ele lhes diz: – Sofri tortura ao tentar chegar a vocês, e vocês têm sofrido coisas terríveis na minha ausência, mas quando estivermos no lar, na glória, então não haverá dificuldade alguma para eu estar com vocês! Todas estas dificuldades que passei, que foram permitidas para me manter longe de vocês, não existirão mais, e naquele dia vocês serão minha glória e meu gozo – e do Senhor também. Isto é uma verdade, e que bendita verdade; nós a receberemos juntamente com Ele. Nenhuma porção da glória ou da graça deixará de fluir por meio d'Ele, e eu direi: – Oh! Conheço Aquele que cumpriu todas as coisas, o Responsável por toda esta glória!


Um trabalha em uma direção, outro em outra, mas, quaisquer que sejam os resultados, tudo se encontra verdadeiramente subordinado a Ele. Foi o Companheiro de Jeová (Zc 13:7) Quem cumpriu tudo. Foi Ele Quem executou todo o trabalho. E que gozo será para Ele ver os pequenos círculos ao redor de cada obreiro. Aqui, Paulo, cercado por seus queridos tessalonicenses, sua glória e coroa; e ali, mais adiante, algum outro obreiro, com o seu círculo ao seu redor; e em todos eles Cristo irá ver tudo o que a Sua própria graça produziu.


Não creio que meditamos o suficiente, a respeito daquela comunhão na glória, como réplica de nossa comunhão aqui neste deserto. Todos os detalhes, e dificuldades da jornada pelo deserto terão seu correspondente na glória; será nossa coroa de regozijo em Cristo. É verdade que isto tem o seu lado triste, mas, como diz Paulo: "Porventu