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Sofrimentos (Abril de 2005)


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Revista mensal publicada originalmente em abril/2005 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


J. N. Darby – The Sufferings of Christ

J. G. Bellett, adaptado de The Northern Witness

W. Kelly

D. C. Buchanan

W. J. Prost

Conforto no Sofrimento

The Bible Herald, 1877

Autor desconhecido

 

Os Sofrimentos de Cristo


Lucas 24:26

Multidões de santos olham para todos os sofrimentos de Cristo com um sentimento amoroso do valor infinito que eles têm, e acreditam que todos foram suportados por amor a eles e como o meio de suas bênçãos. Eu apenas posso orar a Deus para que esse sentimento possa ser aprofundado neles e também em mim. Nunca poderemos sentir isso em toda a sua profundidade.


Sofrendo por causa da justiça

Cristo, sabemos, sofreu da parte dos homens. Ele foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e familiarizado com a dor. O mundo O odiou antes que odiasse Seus discípulos. O odiava porque Ele dava testemunho de que suas obras eram más. Ele era “luz”, e aquele que faz o que é mal odeia a luz, nem vem para a luz, porque suas obras são más. Em uma palavra, Cristo sofreu por causa da justiça. O amor que fez com que o Senhor ministrasse aos homens no mundo e testificasse do seu mal trouxe apenas mais tristeza sobre Ele. Em troca de Seu amor Ele recebeu ódio. Este ódio do homem contra Ele nunca diminuiu até a Sua morte. Cristo sofreu da parte dos homem por amor à justiça. Sofrer pela justiça pode ser a sua feliz porção. Sofrer pelo pecado é, no que diz respeito ao Cristão, a parte que pertence somente a Cristo.


Sofrendo no Getsêmani

Um peso de outro caráter veio sobre o Senhor – a antecipação de Seus sofrimentos na cruz e seu caráter verdadeiro e iminente. Sobre a senda de Sua vida, a morte estava ali. Assim foi no Getsêmani, quando estava ainda mais perto, o príncipe deste mundo veio e Sua alma estava profundamente triste até a morte. Ainda não havia o abandono de Deus, embora estivesse sendo tratado com o Pai sobre o cálice que se caracterizava por ser abandonado por Deus. Mas no Getsêmani tudo estava se aproximando. Foi quando o poder das trevas e a profunda agonia do Senhor se manifestaram em poucas (mas poderosas) palavras e suor como se fossem gotas de sangue. O cálice que Seu Pai Lhe deu para beber, Ele não o beberia? Nunca meditaremos o suficiente sobre o caminho de Cristo aqui. Podemos nos deter em torno do local e aprender o que nenhum outro lugar ou cenário pode nos ensinar – uma perfeição que é aprendida apenas com Ele e vinda d’Ele somente.


Os sofrimentos expiatórios

Nunca teremos um senso profundo o suficiente da intensidade do sofrimento do Senhor em Sua obra expiatória, a qual nenhuma palavra humana é competente para expressar (pois na linguagem humana expressamos apenas nossos próprios sentimentos) – o que significava para Ele o beber do cálice da ira divina. Nada pode ser misturado ou confundido com isso. A ira divina contra o pecado, realmente sentida e verdadeiramente sentida na alma d’Aquele que, por Sua perfeita santidade e amor a Deus e sentido o amor de Deus em seu valor infinito, pudesse saber o que era a ira divina e o que era ser feito pecado diante de Deus, d`Aquele também que era, em virtude de Sua Pessoa, capaz de sustentá-lo, permanece totalmente separado e sozinho.


Mas a divina majestade de Deus, Sua santidade, Sua justiça, Sua verdade, tudo em Sua própria natureza suportou contra Cristo quando foi feito pecado por nós. Tudo o que Deus era, era contra o pecado, e Cristo foi feito pecado. Nenhum conforto de amor enfraqueceu a ira ali. Nunca o Cristo obediente foi tão precioso, mas a Sua alma devia ser oferecida pelo pecado e suportá-lo judicialmente diante de Deus. No final das três horas de escuridão, isto é expresso pelo Senhor nas palavras do Salmo 22: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Aqui o Senhor sofreu para que nem uma gota do que Ele tomou sobre Si pudesse permanecer para nós. Isto tinha sido miséria eterna e ruína para nós. Sua própria perfeição divina em amor passou por ela sem um raio de conforto vindo de Deus ou do homem.


O amor O trouxe para a cruz, bem sabemos isto, mas Sua dor ali não teve qualquer gozo presente de uma ministração de amor. Ele não estava lidando com o homem, mas sofrendo em seu lugar, em obediência, de Deus e para o homem. Por isso, foi um sofrimento absoluto e não suavizado – a cena, não de bondade ativa, mas do abandono de Deus.


Ele sofreu debaixo da mão de Deus na cruz. Ali sofreu – o Justo pelos injustos –, isto é, Ele sofreu, não porque Ele era justo, mas porque éramos pecadores e Ele estava levando nossos pecados em Seu próprio corpo no madeiro. No que diz respeito ao abandono que sofreu de Deus, Ele pôde dizer: Por que Me desamparaste? Porque n`Ele não havia motivo algum. Nós podemos dar a solene resposta. Em graça, Ele sofreu – o Justo pelos injustos –, pois Ele havia sido feito pecado por nós.


Os sofrimentos de amor

Seu coração de amor deve ter sofrido muito com a incredulidade do homem infeliz e de Sua rejeição pelo povo. Lemos do Seu suspiro ao abrir os ouvidos surdos e soltou a língua presa (Mc 7:34), e quando os fariseus pediam um sinal (cap. 8:12), do Seu profundo suspiro em espírito. Assim, de fato, em João 11 no sepulcro de Lázaro, Ele chorou e gemeu dentro de Si mesmo ao ver o poder da morte sobre os espíritos dos homens e a incapacidade deles se libertarem, assim como Ele chorou, também sobre Jerusalém, quando viu a amada cidade pronta para rejeitá-Lo no dia de sua visitação. Tudo isso foi o sofrimento do amor perfeito, movendo-se por uma cena de ruína, em que a obstinação e a falta de coração fecharam cada caminho contra esse amor que trabalhava tão fervorosamente em seu meio. Dessa tristeza (bendito seja Deus) e do gozo que a ilumina, somos permitidos, em nossa pequena medida, a participar. É a tristeza do amor em Si.


O próprio pecado deve ter sido uma fonte contínua de tristeza para a mente do Senhor. Quão mais santo e mais amoroso Ele era, mais terrível era o pecado para Ele.


Outra fonte de tristeza talvez fosse mais humana, mas não menos verdadeira – me refiro a violação de toda delicadeza que uma mente perfeitamente sintonizada poderia sentir. Eles ficam encarando e olhando para Mim. O insulto, o desprezo, o engano, os esforços para capturá-Lo em Suas palavras, a brutalidade e a zombaria cruel não caíram sobre um espírito insensível, embora divinamente paciente. Eu não falo nada sobre deserção, traição e negação – Ele procurava por alguém que sentisse piedade d’Ele, e não havia ninguém, e por consoladores, mas não encontrava nenhum – além do que invadia cada sentimento delicado de Sua natureza como um Homem. A repreensão partiu Seu coração. Não creio que houvesse um único sentimento humano (e todos os sentimentos mais delicados de uma alma perfeita estavam ali) que não foram violados e pisados em Cristo.


Também as tristezas dos homens estavam em Seu coração. Ele suportou as fraquezas e carregou as enfermidades deles. Não houve nenhuma tristeza ou aflição que Ele tenha encontrado que Ele não a suportou e carregou em Seu coração como sendo Sua própria. Em todas as aflições deles, Ele foi aflito. É de infinito valor que eu possa saber, em todas as minhas tristezas, tentações e provações, mesmo aquelas que vem por minha causa e fraquezas, que Ele as sente ou comigo ou por mim. Cristo entrou nos sofrimentos que surgem do amor ativo no mundo, e a tristeza que surge do sentimento de castigo em relação ao pecado e estes misturados com a pressão do poder de Satanás sobre a alma e o terror da ira prevista. Nós sofremos por nossa insensatez e sob a mão de Deus, mas Cristo entrou nela. Ele tem empatia por nós.


J. N. Darby – The Sufferings of Christ

 

Aflições e Consolações


A primeira epístola de Pedro

Há três coisas na primeira parte desta epístola: primeiro, o apóstolo contempla os santos em tempos de várias aflições; segundo, Deus mostra a mente que deveríamos ter para passar por essas aflições; e terceiro, Ele fornece os consolos para tal tempo.


Provações indefinidas

A primeira prova que ele contempla é a prova da fé (1 Pe 1:5-13). A forma de provação aqui é que a mão de Deus está tratando com nossa fé. A provação é para exercitar a alma nos princípios de fé. Pode ser uma circunstância ou desapontamento, mas é algo que liga o coração aos objetos de fé. E é muito belo que a sabedoria do Espírito deixe a prova indefinida, e ela só é conhecida como sendo a prova de fé. Ela pode causar peso no presente, mas o apoio que Deus provê para esta prova de fé é o olhar para frente. No dia da Aparição de Cristo esta fé que tem sido polida pelo fogo será encontrada em louvor, honra e glória.


Note novamente as três coisas aqui: a prova de fé, o exercício do coração que ela produz e o conforto do Senhor no coração durante a provação. A provação exercita o coração para ele se unir à eternidade e ao céu. O Senhor consola o coração sob tal provação, dirigindo-o para a Aparição de Jesus, e o Senhor aconselha o coração a mostrar como se comportar sob provação. O Espírito de Deus não nos diz para tirarmos conclusões sobre a provação, mas nos diz para nos submetermos a ela e nos regozijarmos na esperança a que ela nos está levando.


Provações definidas

No capítulo 2 você encontra uma provação bem definida. Há conforto provido e dever prescrito em meio a ela. Esse tipo de provação e sofrimento não é deixado indefinido, mas é um sofrimento que é comumente conhecido na vida humana. É um sofrimento causado pela forma dura e má que somos tratados por outros. Pode ser um servo sofrendo sob a mão de um senhor duro ou alguém sofrendo sob a mão de um vizinho ou parente mal-intencionado. Esses são sofrimentos bem conhecidos e frequentemente experimentados nesta vida. O conforto é que o Espírito de Deus conhece nossa pequena irritação oculta, e nenhuma delas, não importa quão pequena ou comum, está além de Sua empatia. Embora nossa natureza sinta o sofrimento, a fé percebe o olhar invisível de Deus, esperando com complacência a paciência perseverante do servo. A vida de Jesus foi como um servo que sofria o dia todo por causa da dureza de um patrão maligno. Ele foi injuriado e maltratado por um mundo apóstata, porém não ameaçou, mas Se entregou Àquele que julga retamente. O apóstolo nos fala docemente das cenas mais comuns da vida humana e as dignifica com as empatias de Cristo. Pode alguma coisa ser mais preciosa que isso?


Sofrendo pela justiça

Agora olhe para o terceiro capítulo, onde temos outro sofrimento. “Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados” (v. 14). Quando seguimos um caminho de integridade e retidão, mantendo-as a todo custo, por causa de nossa fidelidade ao Senhor em fazer o que é certo, nós iremos sofrer. Este é outro tipo de provação. O Espírito de Deus nos conforta, dizendo-nos para santificar o Senhor Deus em nosso coração – para lembrar como Cristo esteve na mesma condição.


Com esse pensamento, ele nos aponta para os dias de Noé. Ele por um longo período esteve preparando a arca. Ele parecia o tolo de sua geração. Há um belo elo entre a preparação da arca por Noé e o que deveria ser a condição de nossa alma. Devemos ter uma boa consciência, não apenas uma boa consciência moral, mas uma consciência liberta. A ressurreição de Jesus Cristo nos dá uma boa consciência para com Deus, liberta nossa consciência de toda a culpa e de todo o medo de um julgamento vindouro. Assim como todo golpe do martelo de Noé lhe dizia que ele estaria seguro no “dia do juízo”, assim, nas provações da justiça, continuamos mantendo uma boa consciência. Não devemos desistir de uma boa consciência moral. Independentemente do que isso possa custar ou talvez precisemos sofrer, não devemos desistir da retidão. O que nos apoia neste caminho é saber que tudo está estabelecido entre nós e Deus para a eternidade pela ressurreição de Jesus Cristo. Nossa consciência tem paz eterna.


A provação da santidade

No capítulo 4, há outro tipo de sofrimento. Logo em seu início, não vemos a prova da justiça, mas da santidade. Qual é a diferença? Justiça é retidão de conduta exteriormente no mundo, santidade é a pureza e castidade interior. Neste mundo nós temos que lutar tanto a batalha da santidade interior como a batalha da justiça [retidão] exterior. E qual é o nosso conforto neste conflito? Em breve daremos conta a Ele que está pronto para julgar os vivos e os mortos, e enquanto estamos vivendo nosso tempo, não o fazemos à concupiscência dos homens, mas à vontade de Deus. Esse é o nosso conforto.


O sofrimento dos mártires

Mais adiante no capítulo, encontramos outra forma de sofrimento que chamaremos de “sofrimento dos mártires”. Não é o sofrimento pela provação da fé, ou o sofrimento vindo de um senhor maldoso ou de um relacionamento ruim, ou o sofrimento da justiça nem a provação da santidade em nossos membros, mas sim o que chamamos de sofrimento dos mártires. “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis” (1 Pe 4:12-13).


“Não estranheis”, diz Ele, pois quando você está indo para a prisão ou a morte, você está na jornada com o Salvador para o Calvário. Você e eu podemos não estar preparados para isso, mas não devemos medir os pensamentos do Espírito com nossas realizações. É apenas um pouco de dor por um tempo, até que Sua glória apareça. Observe o espírito alegre aqui: “Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus”. É uma coisa feliz quando o mártir está a caminho da morte; você deve ver o Espírito de glória repousando sobre sua cabeça. Oh amado! Aqueles que sofrem esta perseguição sabem, mesmo na masmorra, que a mão de Deus está ajustando uma coroa de glória para sua fronte! “Sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado” [ACF]. Não sabemos o que um dia pode trazer, mas Jesus sabe e Ele proverá.


A poderosa mão de Deus

No último capítulo, encontramos no versículo 6: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a Seu tempo vos exalte”. Não podemos dizer de que forma essa “potente mão” pode nos humilhar ao remover todo o suporte exterior, e assim frustrando qualquer esperança do coração. Pode ser por caminhos terríveis que Deus nos humilhe e, no que parece ser o pior de tudo, Ele possa parecer estar contra nós. Ele pode parecer Se portar tão contra nossas circunstâncias e nossas alegrias presentes que o coração começa a temer que Deus esteja contra nós. Sua mão é uma “potente mão”, mas deixemos que ela nos conforte em vez de nos assustar. Há um grande conforto nesta palavra “potente”. Não é uma “mão tranquilizante”; é uma “mão poderosa” que parece causar feridas. Mas o Espírito de Deus diz: “Humilhai-vos” sob ela, pois “Ele te exaltará”. Como isso é belo! Veja quão rudemente José falou a seus irmãos. Ele os colocou na prisão e mandou os guardiões tomarem conta deles, mas em segredo ele chorou e, no devido tempo, os “exaltou”.


“Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade” (1 Pe 5:7). Oh, que conforto há nessas palavras! Acredito que as lágrimas de José em segredo tenham uma forte mensagem para nossos ouvidos, porque elas nos dizem o que o coração de Deus está sentindo enquanto Sua mão está lidando conosco asperamente. O diabo nos tentará a duvidar de Deus em tal momento. Ele dirá, não se “humilhe” sob essa mão. Nós devemos resistir ao diabo assim como Jesus sempre fez.


“E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à Sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá. A Ele seja a glória e o poderio, para todo o sempre” (1 Pe 5:10-11). Assim, a poderosa energia do Espírito Santo carrega o apóstolo Pedro, você e eu, assim como aqueles “estranhos”, através de toda variedade de provações humanas. Se é o exercício indefinido e a prova da fé, se está suportando o sofrimento da dureza e má natureza daqueles que estão ao nosso redor, ou da manutenção da retidão e uma boa consciência, ou das lutas entre carne e Espírito, ou sofrimento dos mártires, ou permanecendo sob a mão de Deus, ou o próprio diabo, a poderosa energia do Espírito de Deus fornece força e consolação. Que o Senhor nos preserve da incredulidade e mantenha nosso coração com o senso dessas realidades eternas.


J. G. Bellett, adaptado de The Northern Witness

 

Gemidos e Glória


Romanos 8:18-27

A maneira pela qual a esperada glória superou totalmente os sofrimentos na mente do apóstolo é reconfortante e instrutivo para se notar. Isto não é porque ele não sofreu, ou que os sofrimentos são agradáveis, mas o sofrimento logo acabará! “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). Não é apenas que ele sabe que chegará ao descanso e gloria, mas é o sentido da glória que tem agora em comparação com seus sofrimentos. Ele é como uma pessoa que está tão cheia das brilhantes esperanças do amanhã que está passando pelo hoje tão rápido quanto pode.


A glória é revelada em nós

“A glória que em nós há de ser revelada” é a nossa glória e, no entanto, é a glória de Deus. Deus considera justo que, se estivermos sofrendo, também devamos estar na glória. “Se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados”. Se a nossa parte é estar sofrendo, também é assim em relação à glória a ser revelada. Pelo poder do Espírito Santo, há a sensação de que a glória é realmente nossa. Se um homem tem a sensação de algo ser dele, ele estará se aproximando dele o mais rápido possível. Se seu coração está nesse estado, cheio do Espírito Santo, ele passará pelo mundo como um anjo passaria por ele. Este é o “presente século mau”, então ele não se demora, mas está com pressa para passar.


Aflições e glória

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Co 4:17). Para alguém cuja mente percebe a eternidade, não há espaço para mais nada sobre este presente século mau. Nós nunca percebemos a eternidade, até que a enchamos com o amor do Pai e a glória de Cristo. Se pensarmos na eternidade de outra forma, apenas olhamos para um mero vácuo. Ficamos perplexos por um lado e cheios de glória por outro. Ao nos encontrarmos na glória de Deus, dificilmente sabemos como apreendê-la – “um peso eterno de glória mui excelente”. A glória é uma coisa bendita que é nossa, para que possamos apreciá-la dessa maneira.


“As aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”. Isso não é algo para se orgulhar da “glória que em nós há de ser revelada”, não é uma mudança de tempo, mas a glória está presente em sua mente e ele percebe a glória. “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente” – os sofrimentos atuais haviam perdido seu poder impeditivo, porque ele viu o poder de Deus neles e suportou as aflições de acordo com o poder de Deus. O melhor é fazer com que o coração associe-se conscientemente a toda aquela formosa cena. E se tivermos nosso coração sempre ocupado com Cristo e com a glória, nós também estaremos sempre lá.


A esperança da glória

Surpreendentemente, a alma se torna suave quando está feliz no Senhor! Toda a aspereza é removida. Os santos não podem brigar por serem felizes no Senhor, embora possam brigar quanto à doutrina ou disciplina. Todos devemos olhar para a frente e ter o coração cheio da glória. O efeito disso é colocar o sofrimento em um lugar como indigno de ser comparado com a glória que será revelada em nós. Não é a glória essencial divina, é claro, mas a glória manifestada. Nos regozijamos na esperança da glória de Deus. Deus tem filhos e manifestará Seus filhos em Sua glória. Quando Ele transfigurar a todos eles, Ele os manifestará. Então, e não até então, a criatura é introduzida na liberdade da glória dos filhos de Deus. A criação não é inteligente sobre a liberdade da glória. Eles também devem esperar, pois eles não serão trazidos de volta à liberdade até que o homem seja. Quando o homem caiu, toda a criação foi envolvida. Toda a miséria da criatura, seja doença, sofrimento corporal, e assim por diante, veio pelo homem, então toda a libertação vem pelo homem. Então haverá uma bênção sobre o fruto do solo e não uma maldição.


Enquanto isso, o Cristão sofre. Mas veja como o poder energizante do Espírito Santo o enche com essa “ardente expectação”. Ele vê o amor de Deus e o pensamento de Deus na coisa que está chegando, que seu pescoço está esticado, por assim dizer, procurando por ela. Deus é um Criador fiel, e assim Ele abençoará de acordo com isso.


O Espírito Santo ajuda

O Espírito Santo inspira toda a criação com esperança, para que todos estejam atentos à manifestação dos filhos de Deus. É isso que eles esperam. Eles gemem, mas não de forma inteligente. Nós temos a chave para o gemido. “O mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E Aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é Ele que segundo Deus intercede pelos santos”.


“A mesma criatura será libertada da servidão da corrupção”. Tudo ligado a isso – doença, morte, sofrimento. “A criação ficou sujeita à vaidade”. Ele chama isso de vaidade. Pegue como exemplo a chicotada de cavalos para ver o quão rápido eles podem ir ou quanto eles podem carregar: Isso é gemido e vaidade da “criatura”. A menos que Deus os sustentasse, como poderiam os anjos testemunharem tudo isso? Veja o que é chamado de proeza militar. Pense em milhares sendo mortos pelos seus companheiros em uma única briga! O homem anda em vão e labuta para a morte, gastando assim todas as suas forças para morrer! A criatura está sujeita à vaidade e não pode sair dela até ser trazida para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Há mais vileza e miséria, suponho, no mundo civilizado do que em qualquer outro lugar. Más paixões surgem e se mostram de várias formas. As pessoas são mantidas por mero poder ou influência. Os homens estão dizendo: “Paz, paz”, e todo o tempo tremendo de medo, procurando pelas coisas que estão vindo sobre a Terra, pois elas devem vir, e só Deus sabe o que vai acontecer em pouco tempo.


A esperança da vinda de Cristo

“Toda a criação geme e está juntamente com dores de parto”. Quão surpreendente é que os Cristãos possam continuar tentando melhorar o mundo, com tantas Escrituras dizendo o contrário! Quando Cristo estava aqui, tudo o que saía de Seu coração foi parado; eles se afastaram d’Ele e O rejeitaram. Embora Ele tivesse expulsado toda uma legião de demônios de suas terras, eles não poderiam suportar Sua presença, mas “rogaram-lhe que Se retirasse do seu território”. Quando Ele for manifestado em glória, então isto será revelado em nós. É a percepção desta glória que nos torna aptos para entrar na tristeza da criação que geme ao redor. A esperança de Cristo, vindo em glória, nos eleva acima de tudo.


Quando tenho o Espírito Santo, posso estar cheio de gozo e cheio de esperança, mas isso não impede meu gemido como uma criatura. Quanto mais eu me regozijo, mais sinto que este corpo miserável é um vaso de barro que não pode manter o tesouro.


A redenção do corpo

Cristo foi “declarado Filho de Deus em poder... pela ressurreição dos mortos”; assim somos declarados filhos e esperamos ser ressuscitados por Cristo. Nunca devemos confundir o gemido aqui mencionado com o gemido da alma por sua própria salvação. Isto nós já temos. A redenção do corpo também é a nossa esperança, pois Cristo nos é feito, de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção. A redenção vem por último, como em si mesma compreendendo tudo, e não apenas da alma. O resultado total é a salvação. Eu tenho apenas o fervor disso agora. Eu devo esperar pacientemente por isso.


Abraão não tinha onde colocar o pé, embora Deus lhe tivesse dado toda a terra. Quando a esperança é estabelecida, você prossegue hoje em silêncio, esperando que Ele venha. O Espírito Santo fixou nosso coração nesta esperança, e nós estamos esperando por isto. Enquanto nós gememos, o próprio Espírito Santo geme, de modo que embora seja uma criação gemendo, nós temos a Sua companhia. Se você gemer, esses gemidos estão de acordo com Deus e são tão divinos quanto suas esperanças, embora de uma maneira diferente. Mas como o Filho Se tornou um Homem e, como um Homem aqui em baixo, tinha esses sentimentos, assim o Espírito Santo habita em mim, e estes gemidos são preciosos, porque estes gemidos são a intercessão positiva do Espírito Santo, “e Aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito”, de modo que, se Deus examinar meu coração, Ele encontrará o Espírito Santo ali.


A empatia de Deus

É maravilhoso como o próprio Deus tem empatia em tudo, enchendo-nos com Suas esperanças, Seus sofrimentos e afeições. Se é Deus Quem ouve, Ele escuta. Quão completamente Ele veio para possuir a alma do homem! Assim meu coração geme, enquanto é dito: “o mesmo Espírito intercede por nós”. É um grande conforto saber que eles não são gemidos egoístas em mim, porque enquanto estou gemendo tudo ao meu redor é o gemido do Espírito em nós.


W. Kelly

 

Atitudes Contrastantes no Sofrimento


Dois homens destacam-se como exemplos no modo como reagiram ao sofrimento. O primeiro exemplo é Caim, que considerou os sofrimentos grandes demais para suportar. O segundo exemplo é Jó, que se considerava bom demais para sofrer tanto. Essas duas atitudes extremas contrastam com nosso bendito Senhor.


Caim disse: “É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo” (Gn 4:13 – ARA), quando ele foi confrontado com o julgamento de Deus por seu pecado de homicídio. O primogênito e herdeiro de Adão mediu a punição de acordo com sua própria capacidade. Ele rejeitou o justo julgamento de Deus, embora Deus em misericórdia estivesse procurando por ele, buscando sua restauração. Caim escolheu sair “da presença do Senhor”. Ele então construiu uma cidade. Mas não havia remédio para a situação, vivendo separado de Deus, nem mesmo isso excluiu a tristeza de sua vida. “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação”, mas “mas a tristeza do mundo produz morte” (2 Co 7:10). O remédio era ir a Deus com o problema porque era grande demais para ele.


Quando o Senhor Jesus, o verdadeiro Primogênito, foi confrontado com a contemplação do julgamento de Deus pelo pecado no Jardim do Getsêmani, Ele orou: “Meu Pai, se não é possível passar de Mim este cálice sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade” (Mt 26:42). Como Caim, Ele sentiu a grandeza do julgamento, mas em perfeita submissão à vontade de Seu Pai Ele o aceitou como vindo d’Ele. Ele não fugiu das consequências, mas Se submeteu ao julgamento de Deus pelo pecado, que foi a morte.


“Havia um homem na Terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1:1). Este homem foi testado com sofrimentos atormentadores que o levaram a dizer: “Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão” (Jó 34:56). Esta queixa veio a tona depois de muito tempo. Mesmo que ele tenha provado que a avaliação de Satanás quanto ao seu comportamento estava errada, ele desenvolveu uma atitude errada. Ele culpou a Deus e se justificou. Ele era bom demais para todos. Se o castigo de Caim era grande demais para ele, Jó era bom demais para o castigo. Ambas as atitudes obstruem a maneira de Deus abençoar aqueles que estão sofrendo.


“Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas, O qual não cometeu pecado, nem na Sua boca se achou engano, O qual, quando O injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-Se Àquele que julga justamente” (1 Pe 2:21-23). Em contraste com Jó, o Senhor Jesus não considerou a Sua própria justiça como razão para evitar o sofrimento. Embora Ele nunca pecou para merecer qualquer sofrimento, ainda assim Ele pacientemente suportou isto. Em relação à Sua justiça, Ele a confiou a Ele que julga retamente. Este é o exemplo que Ele nos deixou para seguir.


D. C. Buchanan

 

Tsunami – a Questão do Sofrimento


Romanos 8:22

O recente tsunami que devastou o sul da Ásia, em 26 de dezembro de 2004, mais uma vez concentrou a atenção do mundo no sofrimento humano. O terrível evento foi tão repentino quanto devastador, deixando o mundo em estado de choque. Em vista de tudo isso, os meios de comunicação se sentiram compelidos a levar as várias visões das principais religiões do mundo quanto ao significado de tudo isso e por que Deus permite que tais coisas aconteçam. A questão do sofrimento neste mundo e as razões pelas quais Deus permite isso têm sido objeto de controvérsia por milhares de anos. Jó, como indivíduo, lutou com essa questão em seus dias, e os homens discutiram sobre o assunto muitas vezes ao longo dos séculos.


É natural querer respostas a estas perguntas, pois este mundo tem sido um lugar de incalculável sofrimento desde que o pecado entrou nele. A Escritura nos diz que “assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5:12). Os verdadeiros Cristãos, pelo menos, aceitam isso, mas quando tal terrível devastação ocorre como aconteceu na Tailândia, Indonésia, Sri Lanka, Índia e outros lugares, talvez questões sejam levantadas até nas mentes dos crentes. Milhares de pessoas, particularmente crianças pequenas, morreram, enquanto outras que sobreviveram perderam tudo o que tinham neste mundo, incluindo suas casas, possessões, sustento e família.


O cético

O cético raciocina que, se Deus fosse todo-poderoso e todo amoroso, Ele interviria para parar esse sofrimento, e se Ele não é, então Ele não é verdadeiramente Deus. Ele então prossegue, em seu raciocínio equivocado, para negar que existe um Deus, ou pelo menos para levantar uma questão sobre Sua existência. De fato, um artigo sobre o recente tsunami em uma publicação bem conhecida concluiu com a observação de que “inumeráveis vozes clamam a Deus. O milagre, se houver, pode ser que muitos ainda creem”.


Infelizmente, mesmo aqueles que tomam o lugar de líderes no mundo Cristão às vezes fazem comentários muito perturbadores. David Hart, supostamente um teólogo ortodoxo, descreveu a conversa sobre os conselhos inescrutáveis de Deus como “odiosa” e a sugestão de que tais desastres servem aos bons propósitos de Deus como “blasfêmia”.


Como em toda questão de natureza moral e espiritual, somente a Palavra de Deus pode nos dar uma resposta, e creio que temos respostas definitivas na Bíblia para as questões que surgem quando coisas como fomes, terremotos e inundações caem sobre o mundo. Toda a nossa curiosidade pode não ser satisfeita, mas Deus nos dá tudo o que precisamos saber para reagir de maneira correta e honrar Suas reivindicações sobre nós.


O propósito de Deus

A Escritura nos dá pelo menos três razões pelas quais o sofrimento está neste mundo, e para sabermos a primeira razão devemos nos voltar para Efésios 1:9-10: “descobrindo-nos o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si mesmo, de… congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na Terra”. Deus teve em Seus conselhos, em uma eternidade passada, a exaltação e a glória de Seu amado Filho, e todos os Seus caminhos como Homem neste mundo são dirigidos a esse supremo fim.


Embora certamente Deus não tenha prazer no sofrimento que o pecado produziu, permanece o fato de que Ele foi mais glorificado e, em última instância, o homem foi mais abençoado do que se o pecado nunca tivesse entrado no mundo. O mal é permitido para a maior manifestação da glória de Deus e para o conforto eterno de Seu povo. Em Seus caminhos que são “inescrutáveis” Deus pode permitir que o mal tenha seu resultado completo, pois permite a manifestação completa de Seu amor e, por fim, Seu pleno triunfo sobre o mal. Se o mal ascender a alturas aparentemente impossíveis, devemos lembrar que “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5:20). Se não houvesse necessidade de salvação, o Senhor Jesus Cristo nunca teria tido a glória que é agora d’Ele tendo em vista a redenção, e Deus não teria sido glorificado quanto à questão do pecado, como Ele agora tem sido em virtude da obra de Cristo realizada na cruz. Por causa da humilhação que o Senhor Jesus sofreu, Filipenses 2:9 nos diz: “Pelo que também Deus O exaltou soberanamente e Lhe deu um nome que é sobre todo o nome”. Sua exaltação é diretamente proporcional ao sofrimento, como um hino tão bem coloca: “Completo o gozo, como feroz a ira”.


O coração de Deus

Juntamente com esta razão para o sofrimento está a segunda razão, a saber, que o homem aprendeu o coração de Deus por meio do sofrimento de um modo que ele nunca poderia ter conhecido, se o pecado não tivesse entrado neste mundo. Se o homem tivesse vivido para sempre no Jardim do Éden, ele poderia ter tido o prazer da presença de Deus em feliz comunhão, mas ele nunca teria conhecido as profundezas do amor no coração de Deus. Se não houvesse pecado e sofrimento resultante, o homem nunca teria experimentado o conforto de Deus no sofrimento.


O ápice de tudo isso é encontrado na encarnação e sofrimento do Senhor Jesus. “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb 2:14-15). Aquele que estava acima de tudo, voluntariamente veio a este mundo de pecado e quando Ele experimentou exteriormente todo o sofrimento que o pecado produziu, Ele morreu na cruz do Calvário para que Ele seja Aquele que “tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).


Para o homem natural cuja mente é delimitada pelo tempo, o sofrimento neste mundo às vezes parece insuportável. Mas “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pe 3:8). Nos conselhos de Deus, o sofrimento do homem, que é por alguns milhares de anos, é como alguns dias, mas a bênção que flui da cruz durará por toda a eternidade. O homem foi feito para a eternidade, não apenas para o tempo, e Deus quer que tenhamos uma visão eterna das coisas.


As advertências de Deus

Finalmente, Deus usa o sofrimento neste mundo para advertir os homens do julgamento vindouro e trazê-los para Si mesmo em arrependimento. Isso é revelado em Lucas 13:1-5, onde alguns disseram ao Senhor Jesus dos galileus, “cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios”. Ao responder-lhes, o Senhor também Se referiu a dezoito pessoas sobre as quais a torre de Siloé, evidentemente, havia caído, matando-as. Em ambos os casos, Sua observação foi: “se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis”. Foi um aviso para preservá-los do julgamento vindouro.


Em relação ao recente tsunami que devastou o sul da Ásia, somos lembrados de uma mensagem semelhante em Amós 5:8: “Procurai... o que chama as águas do mar e as derrama sobre a Terra; O Senhor é o Seu nome”. Enquanto os homens podem raciocinar sobre as causas naturais de tais desastres, devemos lembrar que não existem causas secundárias com Deus e que Ele permite tais coisas para advertir os homens.


Alguns podem perguntar por que Deus escolhe fazer de alguns um exemplo, quando o mundo inteiro merece o julgamento de Deus. A mídia noticiou mais de uma vez que os danos do tsunami na maioria dos casos ocorriam em áreas de pobreza desesperada, onde os afetados eram menos preparados para lidar com isso. Mas Deus é soberano, e certamente é Sua prerrogativa julgar alguns para que muitos outros possam temer e se voltar para Ele.


Embora não queiramos destacar nenhuma parte do mundo como sendo mais culpada diante de Deus, ainda assim é perceptível que muitas das áreas atingidas pelo tsunami foram lugares onde os Cristãos são perseguidos e onde a pregação do evangelho é pelo menos fortemente desestimulada, se não expressamente proibida, pelos governos. Desde aquele evento terrível, a destruição generalizada nestes países abriu o caminho para muitas organizações Cristãs e crentes individuais para mostrar o amor de Deus em áreas de onde eles teriam sido anteriormente proibidos. Não só eles foram capazes de trazer ajuda material, mas também a maravilhosa notícia da graça de Deus. Somente a eternidade revelará a bênção que resultou disso.


As reações e consequências

Surge então a questão quanto àqueles que não se arrependem. E se o homem rejeitar a voz de Deus em tudo isso? Mais uma vez, a mídia noticiou as duas reações comuns daqueles que enfrentam problemas sem Deus – seja esmagador sofrimento ou amarga ira. Outros, particularmente adeptos de falsas religiões como o hinduísmo e o budismo, continuam a viver com medo de fantasmas, enquanto oferecem sacrifícios e realizam rituais, supostamente para por para descansar os espíritos errantes dos mortos. É triste dizer que há muitos que não ouvirão a voz do Senhor falando com eles nessas tragédias e que continuarão a rejeitar o evangelho. O governo da Índia rejeitou a ajuda internacional, e não há dúvida de que pelo menos parte da razão para isso é o medo de espalhar o evangelho por trabalhadores Cristãos estrangeiros.


Paulo comenta sobre esse tipo de tristeza em 2 Coríntios 7:10, quando ele diz: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte”. Quando o homem aceita o sofrimento neste mundo vindo das mãos de Deus e depois olha para Ele por esta razão, ele reconhece a suprema autoridade e poder de Deus. Ele admite sua dependência de Deus e sua responsabilidade para com Ele. Então seu coração está aberto para ver sua verdadeira condição aos olhos de Deus. O resultado é o arrependimento para a salvação, e, portanto, não devemos nos arrepender da tristeza, pois é ela que traz o homem para a presença de Deus, com benção resultante. Por outro lado, a tristeza experimentada sem referência a Deus opera a morte, e este é o triste resultado para aqueles que não trazem Deus em seus pensamentos.


Que nós, que conhecemos o Senhor, possamos ver essas calamidades presentes à luz da Palavra de Deus, por um lado, vendo-as como a voz de Deus para este mundo, mas, por outro lado, vendo que tudo está caminhando para o dia em que Deus vai “congregar em Cristo todas as coisas” (Ef 1:10). O julgamento é necessário para a reivindicação pública do caráter santo de Deus, mas o estado eterno de bênção será para a satisfação eterna de Seu coração.


W. J. Prost

 

Conforto no Sofrimento


Não existe nenhum conforto igual ao saber que Cristo passou por todos os nossos sofrimentos. Esta foi a maneira que Deus encontrou a necessidade e desejo da nossa natureza. Supondo que Adão nunca tivesse caído, nunca poderíamos falar de Deus com o conforto que podemos desde que Ele veio em empatia, por meio da encarnação do nosso bendito Senhor. O Senhor Jesus tendo Se tornado um Homem é a fonte de todo o consolo. O Senhor entrou até as profundezas de todo sofrimento para nos dar toda a profundidade de consolo e para que possamos saber que Deus conhece o remédio para o nosso caso. Ele nos deixa ver os sentimentos de Jesus enquanto entra no nosso sofrimento, e isso forma o canal para que todo o Seu amor flua para dentro de nossa alma.


The Bible Herald, 1877

 

Dá-nos um Coração como o Teu


Que graça, ó Senhor, e que beleza brilharam

Em torno de Teus passos abaixo!

Que amor paciente foi visto em toda

Tua vida e morte de aflição!


Para sempre em Teu coração sobrecarregado

Um peso de tristeza pairava;

No entanto, nenhuma palavra rude e murmurante

Escapou da Tua língua silenciosa.


Teus inimigos podem odiar, desprezar, insultar,

Teus amigos provam ser infiéis;

Ainda incansável em perdão,

Teu coração só poderia amar.


Oh, dê-nos corações para amar como amas

Como Tu, ó Senhor, para sofrer

Muito mais pelos pecados dos outros, do que todas

As ofensas que recebemos.


Um Contigo mesmo, que todos os olhos

De Teus irmãos, vejam em nós

Aquela gentileza e graça que brotam

Da união, Senhor, Contigo.


Autor desconhecido

 

Jesus disse: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”

Mateus 11:28

 

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