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  • TROMBETAS (Janeiro de 2022)

    Baixe esta revista digital nos formatos: PDF - EPUB - MOBI ÍNDICE Trombetas DBC As Duas Trombetas de Prata F. G. Patterson O Som Alegre Bible Treasury A Trombeta e a Harpa W. Brockmeier A Festa das Trombetas G. C. Willis Festa de Sonido das Trombetas P. Wilson A Trombeta, a Lâmpada e a Espada W. J. Prost Tocando Sua Própria Trombeta W. J. Prost A Trombeta de Chifres de Carneiro, As Trombetas de Prata e a Última Trombeta W. E. O Alarme da Trombeta E. Dennett Os Juízos das Trombetas H. Smith O Uso de Duas Trombetas J. L. Erisman Você Está Pronto? C. E. T. Trombetas Trombetas eram usadas em ocasiões alegres e nas guerras. Havia duas trombetas feitas de prata que os sacerdotes usavam, e instruções eram dadas de como tocar sons diferentes para reunir os príncipes, para convocar toda a congregação ou como um alarme para a guerra. Na dedicação do templo, Salomão tinha 120 sacerdotes tocando trombetas. O uso de trombetas estabelece a proclamação pública dos direitos de Deus em Seu povo, seja em sua direção ou em seu relacionamento com Ele. Na promulgação da lei, um alto sonido de trombeta procedia do monte, mui forte, de modo que todo o povo estremeceu. No exército romano, quando estava prestes a partir, a trombeta soava três vezes: na primeira trombeta, eles desarmavam suas tendas; na segunda, eles punham-se em ordem; quando a última trombeta soava, eles partiam. Quando o Senhor Jesus vier buscar os Seus santos, será com a voz de arcanjo e com a trombeta de Deus (1 Ts 4:16). A “última trombeta” soará na ressurreição dos santos (1 Co 15:52). Dicionário Bíblico Conciso (adaptado) As Duas Trombetas de Prata Sendo completa a redenção, o Cristão é visto sob três condições distintas, que nunca são confundidas na Palavra de Deus. Primeiro, ele é visto como possuidor da vida eterna em Cristo. “Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho” (1 Jo 5:11). Esse dom de Deus está baseado no fato de que toda a culpa do Cristão é removida. A morte não é mais para ele o salário do pecado, mas a entrada para o seu descanso eterno. Segundo, ele também é colocado nos lugares celestiais na Pessoa de Cristo: Ele “nos vivificou juntamente com Cristo [...] e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2:5-6). Nisto, ele tem um novo lugar com Deus. Terceiro, há uma jornada entre esses dois pontos – uma corrida para correr, um alvo para alcançar, embora já alcançado se ele olhar para si mesmo como estando em Cristo. O Cristão prossegue para o alvo pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Ele deve trabalhar para entrar no descanso de Deus e para conservar firme o princípio de sua confiança até o fim (Fl 3:14; Hb 3:6; 4:11). A condição de três partes Compreender essa visão de três partes do estado do Cristão é de grande importância para entender as Escrituras e tirar proveito dos seus ensinamentos de uma maneira correta. Há advertências e exortações dirigidas a ele durante a corrida que não se aplicariam à sua posição diante de Deus. Essas advertências e “ses” da Escritura provam seu coração se não estiver firmado na redenção, visto que para ele pareceriam fazer o fim algo incerto. Israel também tinha essa condição de três partes. Mas eles não começaram como nós, com um novo lugar com Deus; eles tinham que alcançá-lo no final. Israel foi tirado, por redenção, do Egito e trazido para Canaã. Mas eles também tiveram que passar pelo deserto para o seu descanso. As duas trombetas de prata Antes de começar a jornada, Moisés recebeu ordem para fazer duas trombetas de prata: “Faze duas trombetas de prata; de obra batida as farás; e te serão para a convocação da congregação e para a partida dos arraiais” (Nm 10:2). A orientação visível de Deus pela coluna de nuvem e de fogo estava lá dia e noite continuamente. Então veio o testemunho de Sua Palavra nesta figura diante de nós, dado por meio daquelas trombetas de prata, pelas variadas notas que eram tocadas. Finalmente, a arca do concerto ia adiante do arraial. Aquelas três coisas expressavam a direção de Deus para Israel – Seus mandamentos, em seguida Sua Palavra, e então Ele mesmo. Mas havia mais nas trombetas de prata do que tudo isso. No livro de Números, descobrimos que elas são os únicos instrumentos que o Senhor indicou que fossem feitos neste livro, na jornada no deserto. A prata pode apontar para a redenção, quando o livro em questão trata de tal coisa. Mas em Números, onde é a jornada que está diante de nós, essas trombetas são o meio pelo qual Deus se comunicava com Seu povo. Eu sugeriria que a trombeta é o testemunho de Sua Palavra, enquanto a prata é a imutabilidade de Seus caminhos. A prata aqui, então, tem este significado: a imutabilidade de Seus caminhos, tão abundantemente provada durante a memorável jornada de Israel. Lemos sobre quatro toques (ou notas) distintos dessas trombetas em Números 10 e encontramos essas notas ecoadas pelo Espírito na epístola aos Hebreus. Em Israel, o povo estava sob a liderança de Moisés e Aarão, o apóstolo e sumo sacerdote de Israel, em sua vocação terrenal. Agora, o Cristão certamente está sob a liderança de Cristo – o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão. As notas das trombetas A primeira nota das trombetas em Números era “para a convocação da congregação” de Israel, quando eles deveriam ser reunidos para as atividades necessárias daquele dia. Em Hebreus, isso encontra seu antítipo nas palavras: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia” (Hb 10:25). O segundo toque era “para as jornadas da congregação”. “Segundo a ordem do SENHOR, se alojavam e, segundo a ordem do SENHOR, partiam” (Nm 9:23 – ACF). Quão abençoado saber que nenhum movimento era realizado e nenhum lugar de parada era escolhido no deserto, senão “segundo a ordem do Senhor”. Não importava para onde a direção da jornada apontava, “segundo a ordem do Senhor”, ou quanta demora parecia haver, até que outra ordem para marchar fosse soada do lugar de descanso, somente Canaã era o alvo! Aqueles toques das trombetas são uma figura do que temos em Hebreus: “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso” (ARA), “[...] corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé”. A terceira ocasião em que lemos sobre o som das trombetas, trata-se de um “alarme” (TB). Essa palavra foi traduzida no Salmo 89:15 como “o som alegre” (ACF), mas se trata de ambos, pois era ouvida quando o inimigo estava em movimento e, para o ouvido acostumado, era um “som alegre”. O Senhor dos Exércitos estava com Seu povo; nenhum inimigo poderia pegá-los desprevenidos. Mas era um “alarme” também, pois despertava os fiéis para a necessidade de vigilância contra um inimigo atento e, para o inimigo, era o “alarme” de iminente derrota e ruína. Para o dia da alegria “Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o SENHOR vosso Deus” (Nm 10:10 – ACF). Este era o quarto “sonido de trombetas” no deserto – os “dias de alegria” foram ali marcados, e sobre os “holocaustos” e “ofertas pacíficas” o som era ouvido. Quão repleto é o final de Hebreus (cap. 9-12) do valor d’Aquele em Quem todas as ofertas encontraram seu correspondente “uma vez” e “para sempre”! É um dia de alegria para o qual somos chamados ali: “[...] comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força” (Ne 8:10). Ou, como a epístola aos Hebreus coloca: “Mas não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com outros, pois com tais sacrifícios é que Deus se agrada” (Hb 13:16). Assim, encontramos Números com seus tipos e Hebreus com suas interpretações, encaixando-se com a perfeição das comunicações de Deus à nossa alma. “Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Co 10:11). A trombeta caracterizava, então, o ponto de partida da jornada do povo de Deus. Se eles tivessem dado ouvidos ao seu alegre som, teriam conhecido a bem-aventurança do “povo que conhece o som alegre”. “Andará”, diz o salmista, “ó SENHOR, na luz da Tua face” (Sl 89:15). F. G. Patterson (adaptado) O Som Alegre “Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó SENHOR, na luz da Tua face” (Sl 89:15). Qual é o som alegre falado aqui? A palavra hebraica é t’ruhah – o som de uma trombeta. Mas nem todo som da trombeta era assim chamado. Para reunir o povo à porta da tenda da congregação, tal som não era necessário. O toque de uma única trombeta para os príncipes se reunirem não era esse. Para chamar Israel para suas festas e jejuns, a trombeta soava, mas não com o toque como é referido aqui. Mas se fosse para a congregação desarmar as suas tendas, enquanto estava acampada no deserto, o acampamento ser desfeito e o povo se manter próximo ao símbolo da presença divina, uma vez que a arca precedia o arraial ou viajava em seu meio, então esse som especial era ouvido. Além disso, se a terra fosse invadida, eles deveriam soar o alarme, o qual parece ter participado do caráter deste som. Além dessas ocasiões especiais, havia dois momentos em que o som t'ruhah da trombeta era regularmente ouvido: um, no quinquagésimo ano, no décimo dia do sétimo mês, para proclamar o advento do Ano do Jubileu (Lv 25:9-10); o outro, anualmente, no primeiro dia daquele mesmo mês, chamado o dia do sonido de trombetas (ARA) ou, como na KJV, um dia de tocar as trombetas (Nm 29:1). Não é o anúncio das festas judaicas em geral, como muitas vezes é entendido; para elas, nenhum toque de trombeta como esse era soado. A referência é certamente ao primeiro dia do sétimo mês, quando, após uma pausa nas festas desde o dia de Pentecostes, a trombeta soava para anunciar ao povo o início de Tisri[1], em que o dia da expiação e a festa dos tabernáculos seriam celebrados, e o ano do jubileu seria, de tempos em tempos, proclamado. Olhando para o salmo de um ponto de vista dispensacional, essa explicação será encontrada de acordo com as circunstâncias do povo neste, o terceiro, livro dos Salmos. Eles são restaurados à sua terra, os cativos regressam (Salmo 85); o dia do sonido das trombetas teve seu cumprimento; eles são reunidos novamente em torno do centro que Deus designou na Terra, mas ainda não se entra na bênção completa. Por isto, o salmista, pelo espírito de profecia, implora. Suas promessas a Davi não estão cumpridas. Mas, restaurados à sua terra, eles imploram por elas, de modo que podem dizer: “Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó SENHOR, na luz da Tua face”. Bible Treasury, Vol. 6 A Trombeta e a Harpa O toque da trombeta surpreende aqueles que estão adormecidos, mas a música da harpa ajuda a nos acalmar para dormir. A importância do ensino claro na assembleia para que todos possam ser edificados é comparada com as diferenças de sons dos instrumentos musicais, especificamente a trombeta e a harpa. “E mesmo coisas inanimadas que fazem som, seja flauta ou harpa, a menos que deem sons distintos, como se saberá o que se toca com a flauta ou com a harpa? Porque, se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha?” (1 Co 14:7-8 – KJV). Na jornada de Israel pelo deserto, as trombetas foram um importante meio de comunicação. Era imperativo que houvesse uma distinção entre um chamado para congregar e um alarme. Os movimentos de Israel teriam sido marcados por caos e desordem se as trombetas não tivessem soado corretamente (Nm 10:1-10). As trombetas eram feitas de prata, simbolizando os direitos do Senhor sobre nós pela redenção. A prata era usada como dinheiro de expiação (Êx 30:12,15; 38:25; 1 Pe 1:18). O autor do hino expressou essa verdade muito bem quando escreveu: Eu amo reconhecer, Senhor Jesus, Tuas divinas reivindicações sobre mim; Comprado com Teu sangue mais precioso, De quem posso eu ser, senão Teu. Os vários toques da trombeta Os filhos de Israel deviam tocar a trombeta em várias ocasiões. Da mesma forma, o crente é responsável por declarar as reivindicações do Senhor sobre ele em todas as épocas, sejam dias de felicidade ou dias de angústia. O ministério que nos exercita a reconhecer, na prática, a autoridade do Senhor em nossa vida pode ser comparado ao sonido de uma trombeta. O toque da trombeta surpreende aqueles que estão dormindo e é muito necessário quando há letargia e preguiça espiritual. O som da trombeta também é estimulante. Quão bom ouvir um ministério que nos dá direção, refrigera nosso espírito, acelera nossos passos e nos encoraja a seguir em frente. Na Escritura, o toque da trombeta frequentemente está relacionado com a vitória (Js 6:20; Jz 7:20; 1Ts 4:16). É um grande testemunho quando as almas se posicionam publicamente a favor de Cristo e confessam Seu nome em meio ao escárnio e ao ridículo. Mau uso da trombeta Existe o perigo, no entanto, de mau uso da trombeta. Uma trombeta tocada na hora errada pode ser muito dissonante e rude. Também é importante que uma distinção seja feita em como ela é soada. Às vezes, uma trombeta é soada na esperança de energizar o povo de Deus a fazer progresso espiritual e unir-se nos interesses de Deus. Em vez disso, um alarme soou e o povo de Deus confunde o barulho com um chamado para a batalha. Equívocos e atrito são o resultado. Devemos lutar fervorosamente pela fé, mas com que cautela a trombeta deve ser usada para que uma mensagem errada não seja enviada! O ministério dos profetas da antiguidade tinha o caráter de uma trombeta. A missão deles era chamar o povo de Deus ao arrependimento por meio de um ministério que lidasse fielmente com seu estado espiritual. A atitude do povo era de indiferença às reivindicações de Deus, enquanto continuavam em um curso obstinado de concupiscência, arrogância e impudência. No entanto, esses mesmos profetas trouxeram mensagens de alegria e esperança. É um tempo bem gasto examinar os escritos de Isaías, Jeremias, Joel, Ageu, Malaquias, bem como dos outros profetas, para encontrar essas palavras de consolo. Essa linha de ministério corresponderia à harpa. O som da harpa Enquanto uma trombeta despertaria alguém do sono, uma harpa ajudaria a adormecer. O Senhor Se deleita em que tenhamos descanso e paz em Sua presença. Davi usou a harpa para aliviar Saul do perturbador espírito maligno. Que influência que acalma é trazida por alguém que está andando em comunhão com o Senhor! Quão raro é o ministério da harpa! Para que a harpa dê seu belo som, as cordas devem estar esticadas. O Senhor frequentemente aperta as cordas de nossa vida para que possamos dar um som belo e verdadeiro. Pode ser por meio de provações, problemas de saúde, dificuldades financeiras, tristezas familiares, problemas de assembleia, demandas seculares, pressões sociais, perda de entes queridos, rejeição, isolamento ou incompreensão. O Senhor trabalha em nós para que sintamos necessidade d’Ele e nos aproximemos d’Ele. Paulo escreveu, em 2 Coríntios 1:4, sobre o consolo que recebeu de Deus, e isso o habilitou a ser um consolo a outros. Se alguém falasse, apenas em teoria, do consolo de Deus, sem alguma experiência prática de primeira mão, soaria tão discordante quanto uma harpa frouxamente afinada. Deus insiste em realidade. Precisamos tanto do ministério da trombeta para nos estimular quanto do ministério da harpa para nos acalmar. É necessário cuidado para não dedilhar a harpa quando a trombeta deveria ser tocada, nem tocar a trombeta quando o som suave da harpa é necessário. Que possamos buscar a mente do Senhor para saber como e quando usar as duas. “Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação [a trombeta] e consolação [a harpa]” (1 Co 14:3). W. Brockmeier A Festa das Trombetas As primeiras quatro festas aconteciam perto umas das outras no início do ano; isso fica claro a partir de Levítico 23. Em seguida, vinha o momento de colher até que o último molho fosse cortado (Pentecostes), mesmo que ainda houvesse bons grãos caídos nos cantos dos campos. Procuraremos agora, com a ajuda de Deus, examinar as três últimas festas. Todas elas aconteciam próximas umas das outras, no sétimo mês. O mesmo Senhor que agora é glorificado no Céu como Cabeça da Igreja também reinará na Terra como Rei de Israel e Senhor de toda a criação. Ele será honrado acima nos Céus e embaixo na Terra, e todos se unirão para reconhecer a Jesus de Nazaré, “Senhor de todos”. Por essas razões, sugerimos que as últimas festas tenham talvez um duplo significado. Seu significado principal é, sem dúvida, uma exposição dos eventos que virão sobre esta Terra, mas parece que as últimas festas também têm uma aplicação secundária que pode predizer eventos relacionados com a Igreja no céu, pois nunca devemos esquecer que a porção de Israel é a Terra, mas a porção da Igreja é sempre nos céus. A última série de festas A Festa das Trombetas dá início à última série de “festas fixas de Jeová” (TB). Em Números 10:2, Deus ordenou a Moisés que fizesse duas trombetas de prata. Esta festa era um momento especial de soar essas trombetas. Foi chamada “um memorial de sonidos de trombetas” (Lv 23:24 – TB). Isso não nos fala daquela notável trombeta que será tocada em um dia vindouro? Então, “Ele enviará os Seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais ajuntarão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24:31 – ARA). Lemos em Isaías 18:3-7, “Vós todos, habitantes do mundo e moradores da Terra, quando uma bandeira for levantada nos montes, olhai, e, quando uma trombeta for soada, ouvi! [...] Naquele tempo, será levado a Jeová dos Exércitos um presente de um povo disperso e assolado [...] ao lugar do nome de Jeová dos Exércitos, o monte Sião” (JND). Existem muitas outras passagens que nos mostram que a Festa das Trombetas prediz aquele toque da trombeta que chamará Israel de volta à sua própria terra. A Festa das Trombetas Mas, na Festa das Trombetas, não é o próprio Deus quem toca a trombeta? Se Deus, em Sua graça, fala em se lembrar novamente de Seu povo, não é verdadeiramente Deus que toca a trombeta para chamar Seu povo a se lembrar d’Ele? Israel se esqueceu de seu Deus e O abandonou, e agora parece que Deus se esqueceu, abandonou e rejeitou o Seu povo. Mas isso é somente na aparência. Paulo pergunta: “Rejeitou Deus o Seu povo?” E a resposta é clara e decisiva: “Deus não rejeitou o Seu povo, que antes conheceu” (Rm 11:1-2). O dia está próximo quando a trombeta soará, mostrando que Deus novamente se lembra de Israel e do Seu concerto com eles. Pobre Israel, quão pouco eles sabem sobre descanso e alegria agora, com toda a turbulência em sua terra! Mas, embora saibamos que Israel deve primeiramente passar pelos mais terríveis juízos, ainda assim, o seu descanso e alegria logo virão. Não pode ser possível que as primeiras notas daquela trombeta de prata, ou seu eco do alto, estejam começando a cair nos ouvidos de Israel? O chamado da trombeta vindo do céu Mas se até mesmo o eco das notas de longe estão começando a soar, nos dizendo que a trombeta de prata está “para tocar”, regozijemo-nos e levantemos a cabeça, e esperemos com mais anseio pela nota de outra trombeta que parece ser um repique curto e forte: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1 Co 15:52). Não, não é a trombeta que chama Israel de volta à sua terra que nós, a Igreja, estamos esperando, mas pelo próprio Senhor Jesus, pois “o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4:16-17). E novamente: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co 15:51-52). Que dia de gozo, alegria e descanso será para a Igreja! Então estaremos para sempre com o Senhor. Seremos como Ele, pois O veremos como Ele é. Então, já não mais através de um espelho, obscuramente, mas face a face! E os entes queridos que partiram antes serão ressuscitados primeiro, e estaremos juntos novamente para não mais nos separarmos! A trombeta após a colheita Na Festa das Trombetas, o Senhor adverte especialmente contra qualquer “obra servil” feita naquele dia. Quão diferente do ensino de alguns de que é somente por nossos próprios esforços em vigiar e vencer que podemos ao menos ter esperança de ver aquele dia ou ouvir aquela trombeta! Tais mestres pouco sabem o valor da redenção anunciada naquelas notas da trombeta de prata, tampouco sabem a inutilidade de sua própria obra servil em se fazerem aptos para aquele dia. Não, não é o medo de sermos deixados para trás naquele dia que Deus coloca diante de nós motivo para nos mantermos limpos aqui, mas a bendita esperança de vê-Lo e ser como Ele. “E qualquer que n’Ele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro” (1 Jo 3:3). A Festa das Trombetas segue a colheita descrita em Levítico 23:22. Cremos que a colheita simboliza a vinda do Senhor para a Sua Igreja, mas as trombetas de prata desta festa não podem senão trazer à nossa mente a trombeta que chama a Igreja para estar para sempre com o Senhor e estão, evidentemente, intimamente relacionadas com ela. A Festa das Trombetas acontecia no primeiro dia do mês; esse é o período em que a lua fica mais escura e menor. A estrela da manhã aparece pouco antes do amanhecer, quando a noite é mais escura. Portanto, irmãos, conforme vemos a Igreja professa piorando, conforme a vemos ficando mais escura e mais fria, e cada vez mais parecida com o mundo, vamos olhar para cima e aguardar com mais fervor pela Estrela da Manhã e escutar mais atentamente o som da trombeta. O Senhor sempre deixa claro que Sua vinda é iminente. “Porque ainda um poucochinho de tempo, e O que há de vir virá e não tardará” (Hb 10:37). Que estejamos sempre, diariamente e a cada hora, esperando por Ele, e que nosso coração sempre esteja clamando: “Amém! Ora vem, Senhor Jesus!”. G. C. Willis (adaptado) Festa de Sonido das Trombetas As primeiras quatro festas de Jeová – a Páscoa, a Festa dos Pães Asmos, a Festa das Primícias e o Pentecostes – foram cumpridas na história de Israel. As últimas três, ainda a serem cumpridas – a Festa de Sonido das Trombetas, o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos –, começam com o que Israel hoje chama de Rosh Hashaná – o sonido das trombetas. (Para uma discussão mais completa das festas de Jeová, o leitor é direcionado à edição de maio de 2009 de The Christian (bibletruthpublishers.com/the-seven-feasts-may-2009/the-christian-volume-05/lpv24902-24907). Embora os judeus celebrem esta festa como uma alegre ocasião em seu calendário de festas religiosas, eles mal percebem que ela também deve ter um cumprimento. O tempo de sua execução típica está se aproximando, mas duas coisas devem preceder sua realização: a vinda do Senhor para a Igreja e os sete anos agitados que se seguirão – dos quais a última metade é designada como “o tempo de angústia para Jacó”. Como estamos nas vésperas da volta da Igreja para casa, o verdadeiro “memorial de sonido das trombetas” para Israel está próximo. Tão certo como as primeiras festas tiveram um cumprimento literal, da mesma forma acontecerá com as três últimas. Rosh Hashaná O principal significado da figura de Rosh Hashaná é o chamado de retorno de Israel quando o Senhor vier com Seus santos em poder e grande glória. Então, “Ele enviará os Seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mt 24:31). “E será, naquele dia, que se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria e os que foram desterrados para a terra do Egito tornarão a vir e adorarão ao SENHOR no monte santo, em Jerusalém” (Is 27:13). Ocasiões das trombetas As trombetas eram tocadas em Israel em várias ocasiões, conforme descrito em Números 10. Elas poderiam ser usadas para convocar a congregação ou apenas para convocar os príncipes; podiam soar um alarme em preparação para a guerra, anunciar dias de alegria ou o início dos meses. Em Joel 2, está escrito: “Tocai a trombeta em Sião e soai o alarme no Meu santo monte; tremam todos os moradores da Terra, pois o dia do Senhor vem, pois está perto” (v. 1 – KJV). Esse versículo não é o que Rosh Hashaná significa, pois é um alarme a ser soado quando o Senhor voltar para executar juízo, quando Ele trará todas as nações contra Jerusalém para sua destruição. Isso precederá a convocação de Israel para o memorial de sonido das trombetas. Mais tarde, em Joel 2 (v. 15), outros sons da trombeta devem ser ouvidos: “Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembleia solene. Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu aposento. Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a Teu povo, ó SENHOR, e não entregues a Tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; […] Então o SENHOR terá zelo da sua terra, e se compadecerá do Seu povo” (vs. 15-18 – KJV). Esta última citação significa uma humilhação nacional perante Deus em todos os aspectos – político, religioso e familiar. Quando o Senhor chamar os judeus de volta com Seu propósito de abençoar, será para humilhação e arrependimento. Ainda hoje, os judeus consideram os 10 dias após o Rosh Hashaná como dias de penitência e o sábado após a celebração deles do Ano Novo como “Shabat Shuvá” (o sábado do arrependimento). P. Wilson A Trombeta, a Lâmpada e a Espada É muito claro, pela história de Gideão, que Deus usou um homem que era pequeno aos seus próprios olhos. Então o Senhor o humilhou ainda mais, até ao ponto em que ele teve que ouvir ele mesmo sendo comparado a um “pão de cevada” (Jz 7:13). As lições que ele aprendeu na escola de Deus o prepararam para o serviço, ao mesmo tempo em que faziam com que Gideão fosse nada e o Senhor tudo. Mas, por outro lado, a força e a glória do Senhor foram soberanas; a vitória foi conquistada, e o Senhor recebeu a glória. Vemos os resultados de Deus trabalhando com Gideão na maneira como ele se aproximou da batalha. Com apenas 300 homens, ele não podia esperar obter, por força humana, a vitória sobre os midianitas e amalequitas, que estavam no vale “como gafanhotos em multidão”. Consequentemente, Gideão não arma seus homens da maneira normal, com armas tais como lanças e espadas. Não, ele reconheceu o poder do Senhor e os equipou: “na mão esquerda as tochas e na mão direita, as trombetas” (Jz 7:20 – ARA). Ambas as mãos estavam ocupadas; não havia mão com a qual segurar uma arma. Então, eles deviam tocar as trombetas e quebrar os cântaros que cobriam suas lâmpadas, enquanto clamavam: “Pelo SENHOR e Gideão!” (Jz 7:18). Nenhuma menção foi feita à espada, pois Gideão havia aprendido que seria o Senhor quem alcançaria a vitória. Assim foi, pois o inimigo se autodestruiu; os homens de Gideão não precisaram levantar uma arma. Os trezentos Mas então, quando os 300 homens seguiram as instruções de Gideão, os encontramos dizendo, “Espada do SENHOR, e de Gideão!” (Jz 7:20). Eu sugiro que há dois pensamentos aqui. Em primeiro lugar, Gideão é agora um tipo de Cristo – o único que sempre age com perfeição. Mesmo o mais fiel de Seus servos não age com a perfeição de seu Mestre. Os homens de Gideão, por mais fiéis que fossem e bravos soldados, não haviam passado pelo mesmo treinamento que Gideão. Eles mencionaram a espada, embora não tenham sido instruídos a fazê-lo. Eles não haviam conhecido o Senhor da mesma forma que Gideão. Mas não havia uso para a espada? Sim, certamente, pois quando a vitória foi conquistada, ainda havia inimigos para lidar. Havia ainda 15.000 que restaram do exército dos midianitas e outros, os quais Gideão precisou perseguir. Os príncipes e reis de Midiã ainda estavam foragidos e precisavam ser capturados e executados. Também, é triste dizer, houve aqueles de Sucote e Penuel, em Israel, que negaram ajuda a Gideão quando ele perseguia os reis de Midiã. Foi tão somente justo que juízo fosse executado contra eles. As espadas certamente foram bem utilizadas em todas essas situações. O tesouro em vasos de barro Tudo isso tem uma lição para nós também. O equivalente Cristão à história de Gideão é encontrado em 2 Coríntios 4:6-7: “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. O tesouro é Cristo, assim como as luzes carregadas pelo exército de Gideão, mas é uma luz em um vaso de barro – nós mesmos. Com frequência, o Senhor precisa quebrar o vaso de barro para que a luz possa brilhar. Não é agradável ter nosso vaso de barro quebrado, mas vale a pena, pois assim Cristo brilha mais intensamente. Então o poder de Deus é manifestado e Ele recebe a glória. Nossa força não é a nossa, mas a do Senhor, para que não alcancemos a vitória por meios humanos. A luz e a trombeta (que anuncia que Deus está trabalhando) são tudo o que é necessário. Mas então, quando a vitória é conquistada, temos o que a Escritura chama de “espada do Espírito” (Ef 6:17), que é a Palavra de Deus. Mais precisamente, é a Palavra de Deus que lemos, na qual meditamos e andamos. Nós a usamos na guerra espiritual, mas reconhecendo que a vitória já foi conquistada para nós por nosso Senhor e Mestre. Então, usamos a espada para manter nosso lugar no gozo das coisas celestiais e em conflito com as “hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6:12). W. J. Prost Tocando Sua Própria Trombeta Muito frequentemente, constatamos, entre o povo de Deus hoje, que há um reconhecimento de uma dificuldade, mas nenhum poder para lidar com a situação – um reconhecimento, talvez, de que há algo errado em nossa vida; um reconhecimento, talvez, de que o inimigo tomou aquilo que pertence por direito ao Senhor; um reconhecimento de que coisas que não estão de acordo com a mente de Deus estão entrando sorrateiramente. No entanto, parece não haver poder para lidar com a situação. Aqui em 1 Samuel 13, encontramos um jovem chamado Jônatas. Não nos é dito quantos anos ele tinha, mas o encontramos tomando os mil homens que lhe foram entregues e ferindo a guarnição dos filisteus. Digo aos jovens, e especialmente aos jovens irmãos aqui, que isto deve ser um encorajamento para o seu coração e para o meu. Jônatas evidentemente não estava preocupado com o número de homens com que tinha de lidar; ele saiu por conta própria com os mil homens que lhe foram entregues e obteve a vitória. O poder do Senhor ainda está lá! Portanto, não desanime pelo fato de você ver fracasso ao seu redor. Reconhecemos isso. Você verá fracasso em outros; você verá fracasso em seus irmãos; você verá fracasso nos jovens que andam com você; e, acima de tudo, você verá fracasso em si mesmo. Mas isso não deve nos desanimar, porque Deus nos deu as maneiras e os meios de lidar com isso. E, se há um coração verdadeiro e julgamento próprio diante de Deus, então Ele se deleita em conceder o poder para sair e lidar com a dificuldade ou problema. Observe o que aconteceu aqui. Jônatas não contou a ninguém sobre a vitória. Os filisteus souberam dela sem nenhum problema. “Saul tocou a trombeta por toda a terra, dizendo: Ouçam os hebreus”. Qual foi o resultado? “Então, todo o Israel ouviu dizer: Saul feriu a guarnição dos filisteus”. Às vezes, quando você sai e faz algo para o Senhor, outra pessoa tenta levar o crédito por isso. Aqui vemos que um homem que não tinha ele mesmo a energia, que não tinha a mente do Senhor ou o poder espiritual para sair e lidar com a situação, quando seu filho saiu e fez isso, ele leva o crédito. Frequentemente vemos isso acontecendo nas coisas de Deus. Creio que esta é uma categoria com a qual precisamos ter cuidado – um homem que toma o crédito para si mesmo por aquilo que outros fizeram. Vamos nos certificar de que não caímos nessa categoria. Por outro lado, não encontramos Jônatas levantando a voz para tentar esclarecer as coisas. Nunca tente se defender. Ainda me lembro de um irmão mais velho nos dizendo isso repetidas vezes: “Nunca se defenda!” Jônatas simplesmente segue em frente com o Senhor, contente em deixar o que ele havia feito para a aprovação do Senhor. Nos dias em que vivemos, vemos homens fazendo uma grande exibição das coisas, simbolizado aqui pelo toque de uma trombeta, e às vezes isso se arrasta para dentro da Igreja de Deus. Às vezes há mais exibição exterior do que poder espiritual por trás. Aqui estava um jovem que se contentou em agir para o Senhor e não se preocupou com quem soube disso ou como ficaram sabendo disso; ele deixou que o Senhor o justificasse. W. J. Prost (de uma pregação para jovens, 1985) A Trombeta de Chifres de Carneiro, As Trombetas de Prata e A Última Trombeta 1. A trombeta de chifres de carneiro – juízo Abra em Josué 6 e veja aqueles sacerdotes marchando atrás dos homens armados ao redor da cidade de Jericó por sete dias, e no sétimo dia eles rodeiam a cidade sete vezes. Ouça aqueles sonidos altos, roucos, de despertar, que eles tocam com aquelas trombetas de chifres de carneiro. Esgotados e cansados de marchar ao redor da cidade, será que eles esperavam derrubar as fortes muralhas de Jericó com aqueles sonidos fracos? Havia alguns que se abrigaram na casa de Raabe, o único lugar seguro naquela cidade, onde o cordão de escarlata estava pendurado na janela, mas a cidade, como um todo, desprezou os avisos. Finalmente, chega o momento – a última nota soou –, foi dada a ordem para levantar o grito de vitória; o grande poder de Deus derruba as paredes, enquanto a espada do juízo faz a sua obra mortal sobre os habitantes. Assim será com este mundo. Agora veja outro exemplo no livro de Jonas. Jonas é enviado àquela grande cidade de Nínive para anunciar o juízo vindouro, porque a maldade dela subiu até Deus. Ouça a nota alta e alarmante que ele soa: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida”. Graças a Deus, a nota que Jonas soou foi eficaz. O povo ouviu, se arrependeu e foi salvo do juízo que ele anunciou. Assim é neste grande mundo ímpio e perverso. Ouça novamente aquele longo e alto sonido, de assustar a alma, que o apóstolo soou em Atos 17:30-31: “Deus ordena a todos os homens em todos os lugares que se arrependam, porquanto designou um dia, no qual Ele julgará o mundo com justiça, por meio do varão que Ele ordenou” (KJV). A trombeta de chifre de carneiro já soou sua nota de aviso. Se você perecer no lago de fogo, você se lembrará de que ouviu o juízo ser anunciado, mas não deu atenção, e então você está perdido, eternamente perdido. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (At 16:31). 2. As trombetas de prata – graça Agora que ouvimos os solenes sonidos de juízo, deixe-me voltar sua atenção para as doces notas da graça. Primeiro, leia Números 10, com suas duas trombetas de prata. A prata tipifica a graça na expiação. O povo de Israel tinha que dar metade de um siclo para fazer expiação por suas almas (Êx 30:11-16). Essas trombetas de prata eram para a convocação da congregação, bem como para outros usos, e somente os sacerdotes podiam tocar essas trombetas ou as de chifres de carneiros. Homens consagrados a Deus devem fazer a obra de Deus. E não está Ele reunindo Sua assembleia agora? Ele está fazendo com que Seus servos toquem, através das trombetas de prata, as doces notas da graça e reúnam os Seus amados – aqueles comprados por Seu sangue – neste mundo, antes que a última trombeta soe para chamá-los para outro mundo. Graças a Deus que Ele está fazendo isso. Abra em Levítico 25:9-10 – “Farás passar a trombeta [...] no Dia da Expiação [...] e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores [...] e tornareis, cada um à sua possessão, e [...] à sua família”. Como isso é precioso; as trombetas de prata soam sua doce nota no ano do Jubileu, no Dia da Expiação. Tudo é baseado na expiação. Que ano de alegria! Quão precioso para o pobre e cansado escravo, ao sair de sua servidão “um homem livre”. Ah, a liberdade só é valorizada quando a escravidão é sentida. A liberdade do evangelho só é mais apreciada quando o trabalho penoso e a escravidão do diabo foram experimentados. Quão abençoado é ouvir o próprio Senhor soar aquela doce nota na sinagoga em Lucas 4:18: “[Ele] enviou-me [...] para proclamar libertação aos cativos [...] para pôr em liberdade os oprimidos” (ARA). A redenção foi cumprida, e agora Ele diz a Seus servos: Ide e tocai a nota da graça, para “das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão dos pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em Mim” (At 26:18 – ACF). O evangelho da graça de Deus está ressoando por toda parte, suave e docemente por meio das trombetas de prata. 3. A última trombeta – glória Agora, apenas uma palavra sobre a última trombeta (1 Co 15:51-52). “Eis aqui vos digo um mistério: [...] nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta”. Por meio da misericórdia do Senhor, alguns de nós fomos despertados pelos fortes, solenes e alarmantes sonidos de juízo; então, ouvimos as doces e abençoadas notas prateadas da graça e tivemos paz em nossa alma. Agora estamos esperando o soar da “última trombeta” para nos convocar à glória. Quão consolador, para os que confiaram em Cristo, saber que estaremos lá com Cristo para sempre. Esperamos o soar da última trombeta para nos chamar de volta. Suponho ser isto uma figura romana. A primeira trombeta era para desmontar suas tendas; a segunda trombeta era para entrar em ordem de marcha; a última trombeta era para marchar. Quão precioso é o pensamento de que tudo está pronto para soar a última trombeta. Não esperamos a morte, nem procuramos sinais. Esperamos pelo próprio Senhor; aguardamos a última trombeta. Então as tristezas cessarão, então as provações terminarão, então os cansados peregrinos entrarão na casa do Pai e estarão para sempre com o Senhor. Oh, a alegria de encontrá-Lo! Quem consegue expressá-la? E a última trombeta é o anúncio de que Aquele que vem chegou, e marchamos para encontrá-Lo – ou, como diz o Espírito, “Seremos arrebatados [...] a encontrar o Senhor nos ares” (1 Ts. 4:17). Quão precioso é o pensamento de que é Ele mesmo Quem está vindo: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu” (TB). Estou certo de que o anseio em nossa alma pela Sua vinda precisa ficar mais forte novamente. Ainda um pouquinho mais de tempo, e a nota de boas-vindas soará no ar. Num momento, teremos ido embora – arrebatados, transformados –, nosso corpo de humilhação conforme o Seu corpo de glória (Fp 3:21), e entraremos naquelas cortes acima, para compartilhar a glória para sempre. Estaremos com Aquele que nos amou e Se entregou por nós, e a Quem seja a glória para todo o sempre. Amém. W. E. O Alarme da Trombeta Durante a construção do muro ao redor de Jerusalém nos dias de Neemias, havia o trompetista. “Aquele”, diz Neemias, “que tocava a trombeta estava ao meu lado” (Ne 4:18 – TB). O uso das trombetas sagradas pode ser extraído de Números 10. Foi para “a convocação da congregação e para a partida dos arraiais”. Além disso, em tempos de guerra, um “alarme” devia ser soado – um alarme que não apenas reunia o povo, mas que também subia diante de Deus, chamando-O – para que eles fossem salvos de seus inimigos. E era uma ordem que somente os sacerdotes tocassem as trombetas – somente aqueles que, por sua proximidade, conheciam e estavam em comunhão com a mente do Senhor. Assim, aqui, aquele que tocava a trombeta deveria estar com Neemias, e, portanto, somente tocá-la por ordem de seu mestre. Era para Neemias discernir o momento de tocá-la e o trompetista captar a primeira indicação da mente e da vontade de Neemias. Da mesma forma, agora, somente aqueles que estão vivendo no gozo de seus privilégios sacerdotais, em proximidade e em comunhão com a mente de Cristo, sabem como soar um alarme. Tocar por sua própria vontade ou por sua própria apreensão do perigo seria apenas produzir confusão, afastar os edificadores do trabalho deles e, assim, fazer a obra do inimigo. Para serem capazes de soar no momento certo, eles devem estar com o seu Senhor e com os olhos sobre Ele. E. Dennett Os Juízos das Trombetas A abertura do sétimo selo é seguida de silêncio no céu pelo espaço de meia hora; há algo intensamente solene nisso. Por longas eras, o mal tem aumentado, mas finalmente Deus está prestes a intervir, e o silêncio das eras será rompido pelas trombetas de Deus que anunciam Seus juízos. Os juízos sob os primeiros selos foram de caráter providencial, mas, com a abertura do sétimo selo, vemos uma intervenção mais direta de Deus. O som de uma trombeta simbolizaria o fato de que Deus está anunciando diretamente que Seus juízos estão prestes a cair sobre o homem. João vê sete anjos que estavam diante de Deus, aos quais são dadas sete trombetas. Parece, assim, que o último selo abrange todo o período dos juízos sob as sete trombetas e, então, nos leva até o tempo sob a sétima trombeta, quando os reinos deste mundo se tornam os reinos de nosso Senhor e do Seu Cristo (Ap 11:15-18). O juízo da primeira trombeta Este juízo sob o primeiro anjo, tocando a primeira trombeta, cai sobre a Terra, provavelmente usado como um símbolo para apresentar uma porção do mundo próspera e ordenada em contraste com as nações incivilizadas expressas pelo mar. A “terça parte” neste e nos três juízos de trombeta seguintes limitariam o juízo a uma área restrita. A partir do capítulo 12:4, isso parece indicar a esfera do Império Romano revivido. Pode ser a parte ocidental do Império Romano em contraste com a sexta trombeta, que está relacionada com o Eufrates ou porção oriental, enquanto a sétima trombeta nos fala de um juízo universal (Ap 11:15-18). Este juízo recai sobre as árvores e a erva verde. Frequentemente, na Escritura, as árvores são usadas como um símbolo para mostrar grandes homens da Terra, enquanto a erva verde fala de prosperidade. Parece, portanto, que o juízo da primeira trombeta cai sobre a Europa, ou parte ocidental do Império Romano, lidando em juízo com os líderes e varrendo toda a prosperidade. A segunda, terceira e quarta trombetas No juízo da segunda trombeta, João viu “lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo”. Na Escritura, sabemos que uma montanha é usada para simbolizar um grande poder estabelecido há muito tempo. Esta trombeta, portanto, pareceria predizer a esmagadora destruição de um grande poder mundial que, em sua queda, trará ruína e morte sobre um terço das nações, visto que seu canal de subsistência é destruído pelo comércio sendo paralisado pela destruição dos navios. O juízo que segue o soar da terceira trombeta é simbolizado pela queda de uma grande estrela sobre a terça parte dos rios. Porventura uma grande estrela não descreve algum líder de pensamento proeminente a quem os homens recorreram buscando orientação? A queda de uma grande estrela ardente parece indicar que, no juízo de Deus, algum líder intelectual tem permissão para apresentar falsos ensinos que envenenam a mente dos homens, trazendo amargura e morte moral, ou separação de Deus, sobre uma terça parte da Terra. O juízo da quarta trombeta é apresentado sob a figura de uma terça parte do sol, e da lua, e das estrelas sendo ferida com escuridão. O sol, a lua e as estrelas são usados na Escritura para apresentar diferentes graus de autoridades governamentais ordenadas por Deus. Esses símbolos não sugerem que uma terça parte dos poderes políticos será ferida, deixando as pessoas em escuridão e confusão em todas as esferas da vida? Os últimos três juízos de trombeta Os três últimos juízos da trombeta são distintos dos primeiros quatro pelo anúncio do anjo voando pelo meio do céu, dizendo em alta voz: “Ai! Ai! Ai dos que habitam sobre a Terra, por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar!” (Ap 8:13). Podemos notar que os primeiros quatro juízos de trombeta trataram sobretudo das circunstâncias da vida, simbolizadas pelas árvores, os rios, o sol, lua e estrelas. Os três últimos juízos de trombeta são mais severos e terríveis em seu caráter, na medida em que caem sobre os homens ao invés de suas circunstâncias. Eles trazem ai para aquela classe especial mencionada como os que habitam sobre a Terra – aqueles que, como Caim, saem da presença do Senhor e procuram construir um mundo sem Deus. Nos tempos desses juízos, Deus selará como Seus um grande número de Israel, que será preservado para o reino de Cristo. O juízo da quinta trombeta, ou primeiro ai, cai sobre os “homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte” (ARA) – a porção apóstata da nação de Israel. Engano satânico Este terrível juízo parece ser um engano satânico que obscurece a mente dos homens. Este ensino maligno é apresentado sob o símbolo de um enxame de gafanhotos que, com poder irresistível, varre tudo diante deles, deixando miséria em seu rastro. O gafanhoto natural destrói a erva e tudo o que é verde e acaba com as árvores. Mas a influência maligna apresentada por esses gafanhotos simbólicos envenena as mentes dos homens, assim como um escorpião envenena o corpo. Tamanha será a miséria mental a que os homens serão levados que eles buscarão a morte, mas não a acharão. As mesmas pessoas que uma vez foram chamadas para ser testemunhas do Deus verdadeiro buscarão, ao caírem neste engano satânico, encontrar alívio para a mente tentando se livrar de todo o conhecimento de Deus. Essa má influência afetará os homens por um período limitado, pois o poder de ferir durará apenas cinco meses. O líder desse terrível engano será Satanás, o anjo do abismo. Não podemos concluir que os juízos da quinta e sexta trombeta apresentam o forte engano de que fala o apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 2:8-12? Uma voz do altar de ouro Uma voz vinda do altar de ouro diante de Deus chama o sexto anjo, ou segundo juízo de ai. Isso novamente nos lembra que todos estes juízos são dirigidos a partir do céu, e que o mal em sua plenitude é contido até ser chegado o momento para juízo. Este juízo é muito semelhante ao último; mas é dito que este segundo ai cai sobre “a terça parte dos homens”, uma expressão que é usada no capítulo 12:4 para mostrar a esfera do Império Romano, que abrangeria a Cristandade professa. A menção do Eufrates indicaria que esse juízo vem do Oriente, pois esse rio é a barreira natural entre o Oriente e o Ocidente. Parece que essa barreira será removida e alguma influência maligna do Oriente varrerá a esfera da Cristandade professa. Como resultado, a terça parte dos homens é morta, apresentando, provavelmente, não a morte física, mas que os homens são conduzidos a toda a miséria da apostasia, ou morte moral para com Deus. Aparentemente, haverá alguns que escaparão desse terrível engano, mas, mesmo assim, eles não se arrependem, pois é evidente no versículo final que, como nos dias anteriores ao dilúvio, o mundo estará entregue à violência e à corrupção. A sétima trombeta Para o soar da sétima trombeta, devemos passar para Apocalipse 11:14. Ela não traz algo novo sendo infligido semelhante às trombetas anteriores. Em vez disso, grandes vozes no céu proclamam aquilo que é o fim de todos os juízos de Deus – o estabelecimento do reino “de nosso Senhor e do Seu Cristo”. Aqui, toda a soberba oposição do homem é suprimida e o reino do Senhor por meio do Seu Ungido é estabelecido. Uma vez estabelecido, o Seu domínio permanece. A reação no céu, simbolizada pelos vinte e quatro anciãos, é de adoração, mas na Terra “iraram-se as nações” (Ap 11:18), pois o coração natural do homem não mudou. Quando a era do evangelho se encerrar e a ira vier, trazendo consigo o justo juízo, ela se estenderá por um longo período, terminando apenas no “tempo dos mortos, para que sejam julgados” (Ap 11:18) – a cena final da ira no grande trono branco. Todo pecado é destrutivo de uma forma ou de outra. Conforme o homem se tornou cada vez mais inventivo e obstinado, seus poderes de destruição aumentaram. Essas falsas ideias atingem o mundo moral, político e até mesmo o material, e hoje os líderes estão intoxicados com elas, resultando em violência incontrolável. “Os que destroem a Terra” (v. 18), sob o manto de melhorar as condições, seja materialmente, socialmente ou religiosamente, estão se tornando cada vez mais numerosos e poderosos. O estabelecimento do glorioso reino de nosso Senhor significará a destruição de todos eles. Então, finalmente, a era de ouro da Terra começará. H. Smith (adaptado) O Uso de Duas Trombetas Em relação a levar questões perante a assembleia, sempre ouvi sendo ensinado por aqueles de uma geração passada que era preciso mais de uma voz para levar um assunto à assembleia. Um homem não poderia se levantar e dizer: “Agora, é isto o que devemos fazer”. Isso estava fora de ordem; precisava-se de duas vozes. O irmão Potter costumava se referir às trombetas de prata que foram feitas, em Números 10. Ali diz que, quando eles tocavam as duas trombetas, toda a assembleia seria reunida, mas uma trombeta reunia os anciãos. O irmão Potter costumava insistir nisso. Assim, um único irmão tentar convocar a assembleia realmente não está de acordo com o ensino da Escritura. J. L. Erisman Você Está Pronto? Uma lição do exército romano Nas colinas distantes o dia amanhece, Uma branca neblina, do riacho, aparece, No acampamento romano, um silêncio crasso, Só o ronco do que dorme e, do vigia, o passo; Mas ouçam esse som alto, claro e estridente, Das notas da trombeta, acordando a todos de repente. De ponta a ponta do arraial ressoa, E, nas colinas ao longe, seu som ecoa; Aquela cena tranquila se transforma agora, Agitação e vida na quietude de outrora, Com guerreiros saindo em sua armadura brilhante, Saudando os primeiros raios do amanhecer vibrante. Selas nos cavalos, bagagens embaladas, Mastros empilhados, das tendas desmontadas, Cavalos e homens, cavalaria e infantaria Prontos, esperando quando a marcha se inicia; Mas ouçam, outra vez, a trombeta tocando, Disparado o acampamento, soldados se agrupando. Sem quebrar a formação, agora é só aguardar, O clangor da trombeta, terceira vez a tocar, É ouvida; a terceira, a ÚLTIMA trombeta forte; Antes que cessem suas notas ou seu eco se esgote, Uma voz é ouvida; e clama, VOCÊS estão prontos? Em alto e alegre tom, respondem: prontos ESTAMOS. Mas o tempo se abrevia, está chegando a hora Pode ser até mesmo antes da próxima aurora, Quando o próprio Senhor, com Seu brado celestial, Com voz de arcanjo e com a trombeta final, Os Seus Santos, para si, nos ares, convocará; Meu leitor ou ouvinte, você lá estará? Pois o chamado da trombeta só poderá ser ouvido Por quem, como Senhor, O tiverem recebido, Por aqueles que, por simples fé, puderam ver, Em Seu precioso sangue que Ele verteu ao morrer, Que suas culpas são removidas, seus PECADOS PERDOADOS, Passando das trevas à luz, em filhos do dia transformados. “Ante a última trombeta” (pois a trombeta soará, E de ponta a ponta do mundo seu som ecoará), E os mortos em Cristo primeiro ressuscitarão E os que estiverem vivos, ainda na Terra, serão Arrebatados juntos com eles no ar. Meu leitor ou ouvinte, VOCÊ lá estará? C.E.T “O mesmo Senhor descerá [...] com a trombeta de Deus: e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Ts 4:16) [1] N.T.: Primeiro mês do calendário civil judaico, geralmente coincidindo com partes de Setembro até Outubro.

  • Palavra de Edificação 30

    (Revista bimestral publicada originalmente em Setembro/Outubro 1991) ÍNDICE E teve Compaixão deles Espere! Fora do Arraial – Longe do Arraial "E TEVE COMPAIXÃO DELES" Marcos 6:34 Em um mundo de miséria e necessidade, quão bom é conhecermos Alguém cujo coração sofreu isso tudo, tomando sobre Si as dores, e cujas emoções de profundo amor são tão expressivas que podemos vê-las e conhecê-las nestas palavras: "E teve compaixão deles". Aquela bendita face expressava, claramente, o palpitar de uma misericórdia divina a revolver o Seu interior. O coração se expressava antes mesmo que a mão se movesse para aliviar aquilo que Seus olhos contemplavam. Não se tratava de um sentimento passageiro, uma emoção de momento. A dor da miséria humana encontrou morada permanente no coração de Jesus, e Ele, que é "o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Hb 13:8), embora esteja agora no trono de Deus em glória, ainda tem "compaixão deles", enquanto olha para nós e assimila toda a miséria e necessidade que sobem em incessante súplica, e com uma intensidade cada vez mais profunda, ao trono de misericórdia. Se o Pastor de Israel Se moveu de compaixão, enquanto olhava para os filhos de Abraão, e os via "como ovelhas que não têm pastor" (Mc 6:34), quão profunda deve ser a emoção com que agora o Senhor Jesus contempla os filhos de Deus mais uma vez espalhados! Que terrível estrago os "lobos cruéis" (At 20:29), fizeram no "rebanho"! Como os pregadores de coisas pervertidas atraíram "os discípulos após si" (At 20:30)! Quanta divisão, e ofensa generalizada, trouxeram aqueles que "não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre"! (Rm 16:18). Certamente tudo isso aparece com força perante Ele que "amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela" (Ef 5:25). Mas será que tudo se resumia no fato de ser, o povo de Jeová, "como ovelhas que não têm pastor" (Mc 6:34)? Acaso não foram eles próprios que haviam pecado? Terá o coração deles sido "reto para com Ele"? Teriam eles sido "fiéis ao Seu concerto"? Ele sabia muito bem que tinham sido exatamente o contrário; a longa e triste história daquele povo perverso e obstinado estava toda diante d'Ele, "mas Ele, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade" (Sl 78:37-38). E será que, a Igreja do Deus vivo, tem sofrido apenas em razão de falsos mestres e guias maus? Acaso terão os filhos de Deus uma história melhor que a dos filhos de Israel? Terão sido menos perversos e obstinados? Terão todos, juntamente, guardado a Sua Palavra? E será que o seu coração têm sido “reto para com Ele”, que os redimiu com Seu próprio sangue? Quão bem Ele sabe que os privilégios mais elevados e as promessas melhores apenas revelaram um pecado mais profundo, e, na mesma proporção, menos ainda foi correspondido o Seu amor! Certamente todo coração conhece isto. Quão doce, então, em nossos dias, nos voltarmos para Aquele cuja compaixão não termina e que "como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim" (Jo 13:1)! Quão bom era estarem ali, e poder contar com aquele coração profundamente comovido de amor e perdão profundos, que "começou a ensinar-lhes muitas coisas" (Mc 6:34). É certo que hoje Ele fala a nós lá do céu, mas é o mesmo céu que está aberto para nós, e não existe distância para a fé. A ruína e a ignorância encontram-se ao nosso redor. Podemos, tão somente, perceber a primeira e ministrar à segunda, enquanto permanecemos com Ele que, acima de todo mal, vê tudo e apenas aguarda o momento para o ministério do amor. Aqueles que, em qualquer medida, servem às ovelhas de Cristo nestes últimos e derradeiros dias, precisam ponderar muito nestas palavras, dirigidas a alguém no passado, "executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um a seu irmão" (Zc 7:9), enquanto, acima de tudo, permaneçam bem no espírito d'Aquele que é "misericordioso e fiel Sumo Sacerdote" (Hb 2:17), que, rodeado de fraqueza, e tocado com os mesmos sentimentos que temos, pode "compadecer-Se ternamente dos ignorantes e errados" (Hb 5:2). C. Wolston (1834-1923) voltar ao Índice ESPERE! Gostaria de falar sobre algo que, creio eu, se puder ser aprendido enquanto somos jovens, será para nós de grande auxílio. Sei, porém, que esta característica é também muito necessária para os anos mais avançados de nossa vida. Vamos ler 1 Samuel, capítulo 10, versículos 6 ao 8 (É quando o povo escolhe um rei. Tendo Saul sido escolhido para ser o rei; Samuel fala com Saul) "E o Espírito do Senhor se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e te mudarás em outro homem. E há de ser que, quando estes sinais te vierem, faze o que achar a tua mão, porque Deus é contigo. Tu porém descerás diante de mim a Gilgal, e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocaustos, e para oferecer ofertas pacíficas: ali sete dias esperarás, até que eu venha a ti, e te declare o que hás de fazer". Foi dito a Saul que ele seria um outro homem. E foram dadas a ele instruções específicas (note o versículo 8): "ali sete dias esperarás, até que eu venha a ti, e te declare o que hás de fazer". Foi dada a ele uma ordem bem específica. No versículo 7 diz, "E há de ser que, quando estes sinais te vierem, faze o que achar a tua mão". Mas no versículo 8, não é assim; trata-se de uma instrução específica: "sete dias esperarás, até que eu venha para sacrificar holocaustos, oferecer ofertas pacíficas e te declarar o que hás de fazer". Passemos, agora, ao capítulo 13 para ver o que fez Saul; o contexto é dado nos versículo 5 ao 7: "E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel: trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à borda do mar; e subiram, e se acamparam em Micmas, ao oriente de Bete-Áven. Vendo pois os homens de Israel que estavam em angústia (porque o povo estava apertado), o povo se escondeu pelas cavernas, e pelos espinhais, e pelos penhascos, e pelas fortificações e pelas covas, e os hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade: e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo veio atrás dele tremendo". Agora Saul encontra-se em dificuldade. Ele está no lugar certo – Gilgal; é o lugar para onde recebeu ordens de se dirigir. Mas, agora ele encontra-se realmente pressionado, pois os inimigos se ajuntaram para lutar contra ele. Versículo 8: "E esperou sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se espalhava dele". A situação está ficando cada vez pior; o povo começa a se dispersar, abandonando-o. A pressão vai ficando cada vez maior. Versículo 9: "Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. E sucedeu que, acabando ele de oferecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar". O fardo que trago agora em meu coração está expresso em uma só palavra – Espere! Saul achou que não podia esperar. A pressão estava sobre ele – verdadeira pressão; real responsabilidade com o povo de Deus, pois eles estavam se dispersando. Ele achou que não poderia esperar por Samuel, conforme ele lhe havia dito que fizesse (Samuel havia dito, "Espere sete dias até que eu venha"). Então, ele ofereceu o holocausto. E, vemos nos versículos 11 e 12, qual foi a reação de Samuel: "Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmas, eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do Senhor não orei: e violentei-me, e ofereci holocausto. Então disse Samuel a Saul: Obraste nesciamente". Querido jovem, espere pelo Senhor! Sinto que isto é muito necessário nestes últimos dias de fraqueza, quando tudo parece estar saindo errado. Olhe para Saul; pense nele: Ele tinha todos os motivos para não esperar. Ele apresenta a Samuel todos os seus motivos – motivos válidos; eles pareciam razoáveis; mas estavam em direta desobediência àquilo que Samuel, o profeta do Senhor, lhe havia dito que fizesse. Então, ele diz (e sinto por Saul), "violentei-me". Porém Samuel o interrompe bruscamente, dizendo: "Obraste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou" (1 Sm 13:13). Vivemos numa época de terrível pressão. Eu sei disso, em Hong Kong – há apenas uma semana, um jovem me disse o mesmo: "A vida nos pressiona tanto; que simplesmente não me sobra tempo". Precisamos separar um tempo para permanecermos em silêncio diante do Senhor, para buscarmos a Sua mente, conhecer a Sua vontade. Um irmão de Hong Kong disse, "Não se engane; Deus não é um advogado. Algumas pessoas tratam Deus como se fosse um advogado, para o qual correm quando estão com problema; e quando não têm problemas, simplesmente não vão visitá-Lo". Você não pode tratar Deus desta maneira; você tem que separar um tempo para permanecer em silêncio. Você já teve uma experiência como a que eu tive? Sentado, pela manhã, com sua Bíblia aberta; você lê as palavras, mas não há nada ali – parece não haver nenhuma mensagem para você. Você já passou pela experiência de ter que agir, encontrando-se sob pressão? Você sente que deve agir; você vê a situação ao seu redor se desintegrando, e diz, "Se não agir agora, vai ficar pior". Mas, será que você esperou pelo Senhor? Quando, então, você age, poderá dizer, "Eu o fiz com uma ordem recebida diretamente do Senhor"? Você age em uma tranquila dependência do Senhor? Ao tomar sua decisão, você ora acerca dela? Samuel disse a Saul, "Obraste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou – (você não esperou)" (1 Sm 13:13). Eu sei que podemos ser preguiçosos, como Saul (como nos foi apontado), em 1 Samuel 14:2, sentado “debaixo da romeira”. Mas, com frequência é tão fácil nos anteciparmos, sem que estejamos conscientes de qual seja a vontade do Senhor. Querido jovem, eu rogo a você: assegure-se de antemão. Há também o outro lado. Não quero distorcer toda a cena enfatizando apenas um lado. Houve ocasiões, em minha experiência pessoal, em que ficaria temeroso em afirmar que Deus havia me falado para fazer algo em particular – como dizer, "Esta é a vontade do Senhor; tenho certeza disto". A razão pela qual o Senhor permite esta incerteza é que, se eu soubesse vinte e quatro horas por dia qual é a vontade do Senhor, seria a pessoa mais orgulhosa na face da Terra. Porém, as vezes, não tenho tanta certeza. Em tais situações, antes de agir, gosto de, serenamente, dizer ao Senhor, "Chegou a hora de agir; não estou querendo forçar a Tua mão; acho que isto é o que Tu desejas que eu faça. Agora, Senhor Jesus, vou dar um passo; por favor, esteja à vontade para interferir em minha vida e me impedir se não for esta a Tua vontade". Então, se encontro um obstáculo, tenho que ficar bem atento; para ver se é Satanás, que está querendo me impedir; ou, se é o próprio Senhor, tentando fazer-me parar de fazer algo que não é de Sua vontade. Assim, começamos com esta pequena história acerca de Saul – ele não conseguia esperar! Isto é algo que me toca muito. Estou sempre tão ocupado, e tão enrolado – como disse um irmão certa vez, "Somos como carrinhos de brinquedo; você dá corda neles, até fazer com que a mola do mecanismo fique bem enrolada, coloca-os no chão e lá se vão. Você não pode pará-los; se param, ao bater numa cadeira, suas rodinhas continuam girando". É fácil ficarmos assim atualmente, pois vivemos sob pressão. Nossa vida é muito ocupada, não somente profissionalmente, mas também socialmente. Você tem reservado um tempo para permanecer em silêncio com o Senhor? Talvez você diga, "Não posso; vivo muito ocupado; parece haver sempre alguma coisa para fazer a cada noite da semana". Por que você não assume um compromisso com o Senhor por uma noite? E, se alguém lhe fizer um convite, "Venha à minha casa para fazermos algo", você dirá, "Desculpe-me, mas já tenho um compromisso". Onde? Na quietude da presença do Senhor. Fique a sós com Ele e, nessa quietude, ore e leia. Tenho experimentado ser isto tão útil em minha vida, que quando me encontro em Hong Kong sob verdadeira pressão, saio para as montanhas – para a Estrada do Reservatório; longe, onde ninguém possa me encontrar. Gosto de caminhar por aquelas trilhas silenciosas; às vezes me ajoelho no caminho e oro; às vezes caminho em silêncio, orando ao Senhor e dizendo, "Estou sendo pressionado; não entendo a situação; parece estar ficando cada vez pior, Senhor. Será que Tu podias falar comigo, e me ajudar?" Eu não exijo que o Senhor me responda em cinco minutos. Ele não recebe ordens. Mas após haver rogado a Ele, procuro estar certo de me colocar na escuta. Quando algum irmão ou irmã fala comigo, ou quando estou sentado durante a reunião, e um versículo vem à minha mente, procuro me certificar do que se trata aquela passagem. E não somente isto, mas recorro à Palavra de Deus para procurá-la, e ver o que vem antes e o que está depois daquele versículo. Às vezes descubro que o assunto da passagem se encaixa perfeitamente em minha necessidade. Então posso dizer com toda a certeza: "Sinto que esta é a voz do Senhor para mim". Separe um tempo para permanecer em silêncio junto ao Senhor – para esperar por Ele na situação em que se encontra. Saul aqui não podia esperar, e por isso Samuel disse, "Obraste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou". Qual foi o resultado? Ele diz (final do versículo 13): "porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre. Porém agora não subsistirá o teu reino: já tem buscado o Senhor para Si um homem segundo o Seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja chefe sobre o Seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou". Às vezes não se trata tanto de termos feito a coisa errada, mas por tê-la feito muito depressa; não esperamos pelo tempo do Senhor. Assim, meu desejo é o de encorajar a cada um de nós, principalmente aos jovens, para que aprendam, enquanto são jovens, a separar um tempo para permanecer em silêncio diante do Senhor. Você pode encontrar o seu próprio lugar. Para mim é a encosta de uma montanha; para você poderá ser em sua casa ou apartamento; pode ser o seu quarto – qualquer lugar onde o seu coração possa se sentir à vontade e em quietude. Por exemplo, eu não poderia usar meu escritório, pois está com pilhas de coisas esperando ser resolvidas. Provavelmente eu me sentaria ali e diria, "Muito bem, eu já gastei meus cinco minutos, agora tenho que voltar ao trabalho". Devemos sair de perto de tudo o que nos pressiona, e estar disponíveis por um tempo com o Senhor. Portanto, o juízo veio rápido sobre Saul, porque ele não podia esperar! No entanto, querido jovem, quero soar um alarme. Um irmão nos falou acerca do capítulo 14 de 1 Samuel, e eu gostaria de apontar duas coisas que encontramos ali: Antes de mais nada, Saul estava sentado “debaixo da romeira” (1 Sm 14:2), enquanto Jônatas estava conquistando a vitória. Agora preste atenção nos versículos 18 ao 20: "Então Saul disse a Aía: Traze aqui a arca de Deus (porque naquele dia estava a arca de Deus com os filhos de Israel). E sucedeu que, estando Saul ainda falando com o sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos filisteus ia crescendo muito, e se multiplicava, pelo que disse Saul ao sacerdote: Retira a tua mão. Então Saul e todo o povo que havia com ele se ajuntaram, e vieram à peleja; e eis que a espada dum era contra o outro, e houve mui grande tumulto". Você pode notar a atitude de Saul aqui; ele pede a arca do Senhor, mas ele não espera por uma resposta. Ele não pode esperar. Sabe por que? Porque não creio que Saul pertencesse ao Senhor; ele não era um "homem salvo". (Suponho que não é muito correto usar este termo no Antigo Testamento; mas você sabe o que quero dizer – inconverso.) Portanto, se você não conhece o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, você está exatamente como Saul. Trata-se de uma característica marcante, naqueles que não conhecem ao Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, o fato de não poderem esperar pelo Senhor ou buscar Sua direção para as suas vidas. Saul não podia esperar. Esta é uma característica da velha natureza – inquietude; nunca pode esperar; está sempre muito depressa; ou muito devagar; mas nunca está na hora certa. A razão disto, é que uma pessoa que ainda não está salva não possui o Espírito Santo habitando nela, e não pode compreender as coisas de Deus. Portanto eu insisto com você, se ainda não conhece o Senhor Jesus, não seja como Saul: ele tentou mostrar uma boa fachada, mas não adiantou. Sua velha e inquieta natureza sempre acabava se precipitando. Ele não podia esperar que o sacerdote recebesse a mensagem; ele disse, "sai da minha frente, eu vou sair à batalha". Mais tarde, ele quis matar Jônatas, aquele que havia salvo o povo de Deus (1 Sm 14:36-45). Ele estava sempre fazendo a coisa errada. Querido jovem, para seu proveito, dê uma olhada na história de Saul; é uma história de tormento, de tormento verdadeiro. Ele fez a coisa errada no momento errado. Se você ler todo o livro de Samuel, encontrará uma divisão: até um certo ponto a Bíblia parece apresentar as coisas boas de Saul; mas então, do momento que o Senhor lhe disse para guerrear contra os Amalequitas, a mim parece, quando leio isso, que ele fez tudo errado. Não significa que Saul era um homem mau; era apenas a revelação de que uma pessoa não salva não é capaz de viver para Deus, ou de fazer a Sua vontade. Vamos segui-lo até o final, capítulo 28, versículos 5 e 6 (a mesma situação – inimigos; pressão…): "E, vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu, e estremeceu muito o seu coração. E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor lhe não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas". Ele encontra-se agora em real dificuldade. Como já foi dito, muitas pessoas tratam a Deus como seu advogado; quando estão em dificuldade, entram em contato com Ele; quando não estão, permanecem longe d'Ele. Mas Deus não é para ser tratado desta forma. Por isso diz, que o Senhor não lhe responderia, "nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas". Nenhuma resposta havia para Saul. Não há resposta antes que você conheça o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador – é preciso que você seja uma pessoa salva para poder desfrutar de comunhão; para desfrutar de uma conexão com o Senhor. Não é de admirar que você não receba uma resposta se ainda não está salvo, se ainda não pertence a Ele. Ele ama você, sim; mas você não tem nada a ver com a vontade de Deus. Você deve vir a Ele como um pobre pecador, e dizer, "Senhor Jesus, eu me entrego a Ti como meu Salvador e Senhor". O que fez Saul? Desta vez, ele é realmente insensato! Ele vai procurar uma mulher que tem um espírito mau. Veja o versículo 15 ao 20, onde Samuel sobe: "Samuel disse a Saul: Por que me desinquietaste, fazendo-me subir? Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, e nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer. Então disse Samuel: Por que pois a mim me perguntas, visto que o Senhor te tem desamparado, e Se tem feito teu inimigo? Porque o Senhor tem feito para contigo como pela minha boca te disse, e tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu companheiro Davi. Como tu não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste o fervor da Sua ira contra Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto. E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus. E imediatamente Saul caiu estendido por terra, e grandemente temeu por causa daquelas palavras de Samuel: e não houve força nele; porque não tinha comido pão todo aquele dia e toda aquela noite". É o fim! Não há esperança para ele! Por que? Ele não pertencia ao Senhor. Tudo começou com aquele pequeno detalhe que desejo frisar bem aqui – espere por instruções vindas do Senhor; isto é extremamente necessário em todos os detalhes de nossa vida. Espere pelo Senhor. É preciso muita energia para esperar em quietude; para tão somente esperar pelo Senhor. Vimos como era Saul: ele disse, "Eu não podia esperar mais; eu me violentei". Sempre há desculpas, mas Deus não aceita desculpas. Você pode sentir-se obrigado a agir; mas tente, sempre, ficar em silêncio com o Senhor, assim você pode entender o que Ele quer que você entenda, e para que assim você possa perguntar a Ele qual é o Seu momento certo e a Sua maneira de agir naquela circunstância. Agora, vamos dar uma olhada numa segunda pessoa, em 2 Reis, capítulo 6. Trata-se da história de Acabe; houve grande fome pois o rei da Síria havia subido e cercado Samaria. Versículos 25 ao 27: "E houve grande fome em Samaria, porque eis que a cercaram, até que se vendeu uma cabeça dum jumento por oitenta peças de prata, e a quarta parte dum cabo de esterco de pombas por cinco peças de prata. E sucedeu que, passando o rei pelo muro uma mulher lhe bradou, dizendo: Acode-me, ó rei meu senhor. E ele lhe disse: Se o Senhor te não acode, donde te acudirei eu, da eira ou do lagar?". Em outras palavras, ele disse, "Se o Senhor não ajuda você, quem poderá ajudar? Eu não posso". Outra pessoa que não era salva! Então, ele fica sabendo a respeito das duas mulheres e de seus dois filhos, e fica aterrorizado com a condição a que chegou o povo de Deus. O versículo 31 mostra sua reação: "E disse: Assim me faça Deus, e outro tanto, se a cabeça de Eliseu, filho de Safate, hoje ficar sobre ele". Então, ele vai cortar a cabeça de Eliseu para resolver o problema. Agora, no versículo 33: "E, estando ele ainda falando com eles, eis que o mensageiro descia a ele; e disse: Eis que este mal vem do Senhor, que mais pois esperaria do Senhor?"; (ou, como diz na tradução de John Nelson Darby): "Por que, pois, esperaria eu mais pelo Senhor?” (ver 2 Rs 6:33 – AIB). É algo terrível de se dizer, não é mesmo? – "este mal, ou esta situação em minha vida, vem do Senhor; por que deveria eu ainda esperar por Ele? Ele não está resolvendo o meu problema; afinal Ele não está me ajudando em nada". Com certeza, você e eu que conhecemos e amamos o Senhor nunca diríamos uma coisa como esta; mas esta é uma resposta de quem não conhece o Senhor. “Este mal vem do Senhor (ele reconhece o fato); porque deveria eu esperar ainda mais? É melhor eu cuidar de mim mesmo”. Mas ainda que o rei quisesse, ele não podia fazer nada a respeito daquela situação; as tropas do inimigo estavam ao redor da cidade; ele não tinha meios para mudar a situação. Então, ele diz: "Eis que este mal vem do Senhor, por que, pois, esperaria eu mais pelo Senhor?". Desejo encorajar a cada um de nós a esperar no Senhor. Em algumas situações é necessário nos acalmarmos, e ficar em silêncio, e tão somente esperar que o Senhor trabalhe em nós. Passemos, agora, a duas pessoas no livro de Gênesis, as quais tiveram que esperar. Primeiro, Abrão, no capítulo 12. Aqui o Senhor chamou Abrão, quando ele estava com setenta e cinco anos de idade, para que saísse da terra de Harã e fosse à terra de Canaã. E, o Senhor prometeu que daria a Abrão um filho por meio de Sarai, sua esposa. Mas o tempo foi passando; vamos passar ao capítulo 16: "Ora Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Hagar. E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra pois à minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai". Sarai também reconhecia a mão do Senhor em suas circunstâncias. Não acredito, que exista alguém, que não admita o fato de que nossas vidas estão nas mãos do Senhor. No entanto, às vezes nos esquecemos disto. Deveríamos trazer isto à memória, e então, talvez, não cairíamos no erro de Sarai. Ela disse, "O Senhor me tem impedido de gerar" (Gn 16:2). Portanto, ela tinha uma solução para o problema; era uma solução dolorosa – trouxe dor e sofrimento àquela família. Por que? Porque ela não podia esperar! Abrão também era responsável; mas era Sarai quem não podia esperar. Mais tarde, quando puder, leia os capítulos inteiros, e veja todo o problema que resultou por Abrão tomar a serva egípcia. Versículo 4: "E ele entrou a Hagar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos". Os resultados chegam rápido! Se você não espera pelo Senhor, logo vêm os resultados; e são bem dolorosos. Tenho somente uma coisa a dizer: espere pelo Senhor. E se você tiver que agir, será um mau sinal se agir por um instinto de desespero. Se você não sabe com clareza qual é a vontade do Senhor, você, ou não deveria agir de maneira nenhuma, ou deveria agir com um espírito quebrantado, em grande humilhação, pois não conhece a vontade do Senhor. Ele quer que você conheça a Sua vontade; Ele está desejoso de comunicá-la a você. Com frequência leva tempo, até que o Senhor tire do nosso caminho alguns dos obstáculos, antes de nos comunicar a Sua vontade. Isto com certeza é uma grande misericórdia do Senhor, quando Ele perscruta o meu coração, e me conhece no mais íntimo do meu ser – até mesmo melhor do que eu próprio me conheço – e diz, "Se eu disser a você para fazer algo, sei que você se rebelará. Sua primeira reação será de completa rebeldia contra o que eu lhe disser para fazer; e você vai desobedecer; e ficará em apuros". Por isso, às vezes, Ele esconde de nós a percepção da Sua vontade; Ele não nos diz qual é a Sua vontade, pois Ele sabe que, antes de qualquer outra coisa, devemos estar preparados. Ele tem que quebrar nossa vontade, para que, quando Ele disser, "Por favor, faça isto para Mim", ou, "Esta é a maneira que quero que tal situação seja tratada", então estaremos desejosos de ser um instrumento nas Suas mãos. Esta é a chave, acredito, para se compreender a vontade do Senhor; temos que dizer, "Senhor, tenho que saber o que fazer; mas qualquer outra coisa que Tu desejares me dizer, estarei pronto para escutar". Porém, devo alertar você, algumas vezes as coisas poderão ser bem dolorosas; pois Ele falará com você, a respeito de você mesmo, e sua obstinada teimosia. E Ele tem os Seus próprios métodos, e as Suas próprias maneiras, de quebrar essa obstinada teimosia. Ele tem o Seu próprio método para tornar nossos ouvidos desejosos de ouvir o que Ele tem a dizer. Aqui, portanto, Sarai agiu; ela não podia esperar. O Senhor havia prometido, mas ela não podia esperar; e ela trouxe um bocado de dor e sofrimento àquela família. Passe para o capítulo 17: "Sendo pois Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-poderoso, anda em minha presença e sê perfeito". Versículo 6: "E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti". Noventa e nove anos de idade! Quanto tempo você já esperou por sua oração? Abraão saiu de Harã quando tinha setenta e cinco anos; portanto ele esperou vinte e quatro anos. Quanto tempo você esperou pelo Senhor em sua vida – 24 horas? Isto pode parecer horrível em certas ocasiões. Vinte e quatro meses? Dois anos parece ser um longo tempo para ficar esperando pelo Senhor. Abrão esperou um longo tempo; mas ele recebeu a bênção no final! Certo, havia Hagar e Ismael – uma tribulação e uma dor. Mas, pela graça de Deus, ele foi guardado e preservado de maneira que pudesse esperar até o fim. Pela graça de Deus, cada um de nós tenha paciência para esperar em silêncio no Senhor, sabendo que a Sua escolha é a melhor; e que Ele fará tudo da Sua maneira e no Seu tempo; e então será perfeito. Havia um irmão em uma assembléia que estava passando por problemas em seu casamento. Outro irmão nunca havia lhe falado nada a respeito; mas queria fazê-lo, pois o amava e desfrutava de um relacionamento muito bom com ele. Um terceiro irmão estava se mudando justamente naquela época, e os dois o estavam ajudando em sua mudança, e trabalharam até tarde. Saíram, por volta das 10:30, aqueles dois irmãos e mais um ajudante. Pararam no caminho para deixar o ajudante em sua casa, e continuaram somente os dois no automóvel. Ele queria falar algo, mas conhecia o seu temperamento de fazer as coisas sem antes refletir, e falar rápido demais. Em vez de fazê-lo, orou silenciosamente em seu coração: "Senhor, eu poderia falar agora; estamos só nós dois, mas quero que Tu me dê a oportunidade." Então, eles continuaram viagem por mais dez minutos. Conversaram acerca de tudo o que há debaixo do sol, exceto sobre o assunto que ele queria falar. Quando faltavam apenas três ou quatro minutos para chegar em casa, o irmão que estava com o problema trouxe o assunto à tona. Ele disse, "Você ficou sabendo de mim e minha esposa, e dos problemas que estamos passando em nosso casamento?" Agora ele estava contente de não ter falado antes, pois naquele momento o irmão lhe contou algumas coisas que foram muito úteis na compreensão da situação, e o ajudaram a falar com sabedoria no seu aconselhamento. Será que esperamos no Senhor em nossas oportunidades? Se assim o fizermos, então poderemos falar com um coração tranquilo; não com um coração despreparado; e nem agindo por impulso. Versículos 17, 18: "Então caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E conceberá Sara na idade de noventa anos? E disse Abraão a Deus: Oxalá que viva Ismael diante de teu rosto!" O velho problema – porque ele não estava disposto a esperar. Querido jovem, você pode arruinar toda a sua vida; você pode estragar toda a direção do Senhor, se você se apressar. Tente gastar um tempo a sós com Ele, orando em quietude, descobrindo qual é a vontade do Senhor. Espere pelo Senhor; não corra na frente d'Ele. Aqui Abraão está surpreso que o Senhor possa ajudá-lo. Às vezes em nossa vida, sentimos que simplesmente não há solução para nosso problema. Mas não sabemos do que o Senhor é capaz; como Ele pode curar; como Ele pode guiar e direcionar para bênção. Espere por Ele! Capítulo 21, versículos 5-7: "E era Abraão da idade de cem anos, quando lhe nasceu Isaque seu filho. E disse Sara: Deus me tem feito riso; todo aquele que o ouvir, se rirá comigo. Disse mais: Quem diria a Abraão, que Sara daria de mamar a filhos? Porque lhe dei um filho na sua velhice". O final da história – pela graça de Deus! Pode ser o final da história para você também nos seus problemas, e em sua vida. "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto" (Is 55:6). Espere por Ele. Busque em seu coração a percepção de conhecer qual é a vontade do Senhor para você, em sua vida e na situação em que se encontra. Sara disse, "Quem pensaria, quem jamais teria dito a Sara que ela iria ter um filho?" Há muitos irmãos mais velhos que podem dizer pela graça de Deus, "Esta é a minha história – eu nunca teria sonhado da graça de Deus em minha família, e da bênção de Deus em minha vida." Desejo encorajá-lo: Deus é bom. Ele quer a sua bênção; Ele quer fazer a sua vida repleta; Ele quer fazer de você uma bênção para os amigos que o rodeiam. Espere por Ele em toda situação! Vamos passar agora à última pessoa, cuja história é talvez a mais bela de todas – José. Ele, também, teve que esperar muito. Abra no Salmo 105:17-20: "Mandou perante eles um varão, que foi vendido por escravo: José, cujos pés apertaram com grilhões, e a quem puseram em ferros: até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou. Mandou o rei, e o fez soltar; o dominador dos povos, e o soltou". Todos nós conhecemos a história de José; o tempo não permitiria que a lêssemos toda aqui. José teve um sonho que seus irmãos, sua mãe e seu pai se inclinariam diante dele. Ele foi repreendido por isso; desprezado por isso; odiado por isso. Então ele foi, em amor, buscar por seus irmãos; e eles o pegaram, e o lançaram numa cova. O que ele havia feito de errado? Nada. Este Salmo nos diz que Deus o enviou. Querido jovem, com bastante frequência, na situação em que nos encontramos, podemos dizer, "Eu preferiria não estar aqui. Eu não gosto de estar em uma pequena reunião; eu gostaria de estar numa grande assembléia, onde houvesse muita comunhão". Deus lhe enviou; Ele o colocou naquela situação. Talvez seja um emprego; seja o que for, Ele o colocou nessa situação; espere por Ele. Ele planejou uma bênção para você, e para outros. Espere por Ele! Então José foi vendido, e levado para o Egito. Abra em Gênesis 42:21 (seus irmãos estão falando): "Então disseram uns aos outros: Na verdade, somos culpados acerca de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos rogava; nós porém não ouvimos, por isso vem sobre nós esta angústia". Os irmãos diziam, "vimos a angústia de sua alma". Às vezes, também, ficamos angustiados – quando nos sentimos como se tivéssemos presos nas circunstâncias. Note, quando ele estava na prisão, e explicou o sonho para o copeiro-mor, em Gênesis 40:14; "Porém lembra-te de mim, quando te for bem; e rogo-te que uses comigo de compaixão, e que faças menção de mim a Faraó, e faze-me sair desta casa". Então, no versículo 15, podemos dar uma pequena olhada em seu coração: "Porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tão pouco aqui nada tenho feito para que me pusessem nesta cova". Você pode ver dentro de seu coração? Ele sentia-se prisioneiro, porém injustamente. Mas, espere pelo Senhor. Qual é o final da história? Abra no capítulo 45:5: "Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou diante da vossa face". O que, José: Você quer dizer que Deus enviou você para ser vendido pelos seus irmãos – para ser traído? Acaso foi Deus Quem enviou você para aquelas masmorras escuras? "Sim, Deus me enviou". Querido jovem, eu quero confortar o seu coração – muitas situações que agora você não entende, quando ficar mais velho, e voltar-se para olhar atrás, irá entender; você verá o propósito de Deus em sua vida. Espere por Ele; creia n'Ele! Gostaria, também, de deixar com você aquela pequena palavra em Provérbios 3:5-6: ali diz, "Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento". Não tenha a tendência de se apoiar em seu próprio discernimento. "Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas". Isto é algo que você pode fazer: em todos os teus caminhos – nos pequenos detalhes – reconhece-O; coloque-O em primeiro lugar. Então vem a promessa, "Ele endireitará as tuas veredas". Ao terminar, vamos abrir em Romanos 5. Leia desde o versículo 3 (estes são os resultados de se esperar): "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações". Tribulação – nos gloriamos nela; nos alegramos por ela. "Por que você se alegra com a tribulação?" Porque sabemos "que a tribulação produz a paciência (ou perseverança)". É agradável vermos alguém que pode seguir serenamente sob o fogo da tribulação, e não entrar em colapso – apenas seguir em quietude, caminhando com o Senhor; fazendo o bem àqueles que estão ao seu redor; feliz; contente por estar onde o Senhor o colocou. Sabemos que a tribulação produz perseverança, e que daquela perseverança (paciência) vem a experiência. Qual é o proveito da experiência? Porque, da experiência provém a esperança. Você olha para trás e diz, "O Senhor fez provisão para mim naquela tribulação; eu esperei por Ele e Ele me livrou – Ele corrigiu a situação”. Portanto, há esperança. "E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5:5). Podemos não estar certos da vontade do Senhor; mas estamos certos de uma coisa: Ele nos ama. Esperemos por Ele! Robert Pilkington Oakbrook, Illinois – julho de 1986 voltar ao Índice FORA DO ARRAIAL – LONGE DO ARRAIAL "Saiamos pois a Ele fora do arraial, levando seu vitupério" (Hb 13:13). Poderíamos fazer várias perguntas em relação a este versículo da Bíblia. A quem foi dirigido este apelo? Por que foi dirigido? Pode ser aplicado a nós? E, se for para nós, qual é o seu motivo e significado? Busquemos a resposta a estas perguntas no temor do Senhor e para proveito de nossas almas. Este versículo, assim como toda a epístola aos Hebreus, foi escrito para os judeus convertidos ao Cristianismo. Existem muitas razões para se crer que seu autor foi o apóstolo Paulo. Embora Paulo fosse o apóstolo dos gentios, nesta ocasião o Espírito de Deus o utilizou para redigir uma admoestação direta e especial aos judeus que haviam se arrependido, reconhecendo que sua nação havia rechaçado o seu Messias. Embora tendo aceitado ao Senhor Jesus como seu Salvador, os judeus recém-convertidos continuavam, naturalmente, ligados ao templo, aos ritos e costumes do judaísmo. Haviam sido criados nesse sistema, uma boa parte do qual fora instituído pelo próprio Deus. Mas agora, a partir da rejeição ao Senhor Jesus – da rejeição do testemunho do Espírito Santo a respeito de Cristo glorificado – Deus passou a desaprovar completamente esse sistema. O Cristianismo nunca foi um mero complemento do judaísmo, ou a sua continuidade, mas tratava-se de algo inteiramente novo. Deus estava chamando para fora, de entre os judeus e gentios, um povo para o céu, com esperanças celestiais – nunca terrenais (At 15:14). Os Cristãos viriam a ser um povo na Terra à espera da vinda do Senhor do céu. Não deveriam ter uma religião de formas e cerimônias, tal como os judeus tinham, porém deveriam adorar a Deus em espírito. Os formalismos e ritos haviam de ser substituídos por sacrifícios espirituais. Tudo estava sendo encaminhado de forma a estabelecer um marcante contraste em relação ao que existia anteriormente. A forma judaica não somente tinha que ser abandonada, como também o próprio Deus iria julgar essa nação culpada, que teve a ousadia de dizer "O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" (Mt 27:25). A sentença anunciada em Mateus 22:7, "enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade", foi prontamente executada. Deus estava executando juízo sobre esse povo culpado e dirige, nesta tão bela e instrutiva epístola aos hebreus, uma ordem àqueles que creram dentre os judeus, para que se separassem totalmente daquilo que em breve iria ser objeto do juízo de Deus. Toda a epístola é formada de contrastes. O seu objetivo e propósito era de revelar aos judeus Cristãos que agora eles tinham algo melhor. A palavra melhor é repetida muitas vezes neste livro. Eles não perderiam nada ao abandonarem as fórmulas exteriores, ordenanças e cerimônias de sua religião, trocando-as pelo espiritual e celestial, porque tudo resultaria em algo melhor. Há muito proveito, quando se lê Hebreus, em se constatar que todos os serviços que Deus dera aos judeus eram apenas tipos e sombras das coisas melhores que agora tinham chegado. Tudo o que tinha conexão com o santuário terrestre, havia servido com o propósito de assinalar as benditas realidades, que agora haviam sido introduzidas. Portanto, eles não estariam perdendo ao se voltarem às coisas melhores relacionadas com Cristo na glória; a tudo aquilo que havia realizado mediante Sua morte e ressurreição. Com tal fundamento estabelecido na epístola, o Espírito Santo afetuosamente os chama a saírem a Cristo, "fora do arraial". Israel foi muitas vezes chamado de "arraial". Logo que os israelitas foram redimidos e tirados do Egito, encontramos em Êxodo 14:19 que; "o anjo de Deus, que ia adiante do exército (ou “arraial” – JND) de Israel, se retirou, e ia atrás deles". Esta expressão – “arraial” – era facilmente compreendida pelos judeus convertidos como uma referência a Israel e a Jerusalém. Eles foram chamados a sair “fora do arraial”, porém não somente isto. O apelo é para que definitivamente se dirigissem a “Ele” (Cristo). Disto se deduz que o Senhor Jesus está “fora do arraial”. Quando Cristo veio ao mundo, achegou-Se a Israel – "veio para o que era Seu, e os Seus não o receberam" (Jo 1:11). Finalmente, depois de haver sido apresentado àquele povo em cada aspecto da Sua Pessoa, de acordo com as promessas e profecias (Rei, Sacerdote, Profeta, Messias, Salvador etc.), teve que deixá-los dizendo "Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta" (Mt 23:38). Posteriormente Ele foi conduzido para fora do centro religioso – Jerusalém – sendo crucificado "fora da porta" (Hb 13:12). Vemos, portanto, que o Senhor Jesus já não se encontrava mais conectado com o arraial de Israel e sua religião de sombras. Em Hebreus 13:13, de que estamos falando, provavelmente exista uma alusão à cena descrita em Êxodo 33:7, quando Moisés, divinamente ensinado, "tomou… a tenda, e a estendeu para si fora do arraial, desviada longe do arraial", porque aquele arraial havia se transformado em um lugar contaminado. Deus não podia permanecer um minuto sequer em um lugar que havia sido profanado por causa da presença, e adoração, do bezerro de ouro (Êx 32). Moisés compreendeu os pensamentos de Deus e não somente levou a arca para “fora do arraial”, mas a levou para “longe do arraial” (Êx 33:7). Assim foi também nos dias em que a epístola aos hebreus foi escrita aos judeus Cristãos. O arraial estava contaminado e havia sido rejeitado por Deus e, consequentemente, Cristo estava separado de todo aquele sistema. Por isso os judeus Cristãos foram exortados a sair para fora do arraial, ao próprio Senhor Jesus. Os que deram ouvidos ao apelo daqueles dias, deixaram o templo, e finalmente deixaram também Jerusalém, antes que fosse incendiada e destruída no ano 70, pelos exércitos do império romano, tal como o Senhor havia anunciado em Mateus 22:7. Então a separação entre o Cristianismo e o judaísmo foi definitiva. É muito triste constatarmos, hoje, que aquele Cristianismo, do início, acabou caindo sob a influência do judaísmo, retrocedendo a uma religião de formalismos exteriores, cerimônias e rituais reconhecidamente imperfeitos. Vimos, então, que o apelo para que saíssem do arraial, para Cristo, foi feito primeiramente aos Cristãos em Jerusalém, e por eles atendido. Eles encontraram as coisas melhores, as coisas superiores no Cristianismo, e tiveram que abandonar os meros símbolos e figuras que, na época de Israel, apontavam para Cristo. E tiveram que sair a “Ele”, que estava agora fora de todo o sistema judeu. Passemos, agora, às perguntas que nos dizem respeito: Este convite de sair para “fora do arraial” pode aplicar-se a nós? E, se assim for, Qual é o seu verdadeiro significado e aplicação? Aplica-se aos dias de hoje? Para responder melhor a estas perguntas devemos antes indagar algo: Existe, nos dias de hoje, algo que corresponda ao “arraial” do tempo de Israel? Infelizmente sim, temos que admitir; e isso é muito triste. Existe algo que em muitos aspectos corresponde ao "arraial" que existia no tempo de Israel. E é a vasta profissão da Cristandade de nossos dias. O Cristianismo não reteve por muito tempo o seu caráter celestial, porém foi influenciado pelo judaísmo, que era uma religião terrenal. No Novo Testamento não encontramos qualquer evidência de que a Igreja de Deus na Terra praticasse algum rito de um tabernáculo terrenal. Israel teve uma religião dada por Deus, mas em conformidade com o homem na carne. Assim, o homem não precisava de um novo nascimento para desfrutar e apreciar a magnificência do templo (Lc 21:5), seu mobiliário grandioso, seus sacrifícios, seus sacerdotes em trajes de gala, seus cantores bem treinados etc. Todas essas coisas davam prazer à carne do homem natural. Mas o Cristianismo nunca as reconheceu como tendo sido dadas por Deus para si. Na Bíblia, jamais lemos de um templo Cristão, mas, ao contrário, o Senhor disse à mulher samaritana que já não existiria um lugar terrenal para a adoração, mas que viria a hora "e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade" (Jo 4:21-24). Era isto que deveria caracterizar esta época. Os primeiros Cristãos se reuniam em casas particulares, e até no terceiro andar, como encontramos quando Paulo pregou em Troas (At 12:12; At 20:5-11; Rm 16:5). Lemos que o Senhor e os apóstolos cantaram um hino, antes de saírem, na noite em que Ele foi traído, porém, não se faz menção em todo o Novo Testamento, nem nesta oportunidade e nem em outras, do uso de instrumentos musicais, relacionando-os com adoração ou serviço Cristão. Encontramos, isto sim, exortações para cantarmos melodias com nosso coração ao Senhor, cantando com entendimento na assembléia, porém jamais com a ajuda de instrumentos musicais. Por outro lado, o uso de instrumentos musicais era bastante adequado à dispensação passada e formava parte do cerimonial judaico. O judaísmo tinha sacerdotes que se colocavam entre o povo e Deus. O povo, como uma entidade, não podia aproximar-se de Deus. No Cristianismo autêntico todas as pessoas salvas são sacerdotes, e estão plenamente qualificadas para oferecer, diretamente a Deus, “sacrifícios espirituais” (1 Pe 2:5). Porém, hoje em dia se conta com ministros, sacerdotes e outros mais que se colocam como superiores sobre todo o povo, dividindo a Igreja de Deus em clérigos e leigos. Isto nunca esteve na mente de Deus que fez com que todos, "pelo sangue de Cristo", se aproximassem d'Ele (Ef 2:13). Contemplando o panorama atual, encontraremos a Cristandade dotada de esplêndidos edifícios, grandiosas decorações, ornamentos especiais, etc, que não passam de imitação do Antigo Testamento, da época dos símbolos e das sombras "dos bens futuros" (1 Co 10:11; Hb 10:1). Hoje se ouve música instrumental da mais alta qualidade, e exalta-se os talentos mais refinados, supostamente úteis para a adoração ao Senhor. Pode-se ver o clero e cada aspecto de uma religião terrenal, porém o caráter celestial é perdido! Trata-se do mundo e do judaísmo mesclados com o Cristianismo para satisfazer ao homem natural. Não é preciso que alguém seja salvo para desfrutar dos majestosos edifícios, grandiosas cerimônias ou magníficos oradores, como ocorre com a atual Cristandade professa. As verdades de Deus foram corrompidas e alteradas de uma maneira que pudessem ser aceitas pela maioria, e adaptadas ao homem natural, tal qual ele é. A verdade é abandonada, e tudo o que importa é que o número de membros aumente! E há algo mais; toda o tipo de pecado e maldade entra às escondidas nesse sistema, de tal forma que a verdade de Deus está sendo negada em muitas partes do "arraial". O arraial de hoje está muito pior e corrompido, em comparação com aquele do tempo de Moisés, quando ele tirou a tenda, não só para “fora do arraial”, mas para “longe do arraial”. O Senhor Jesus e a verdade da vocação celestial do Cristão se acham fora do campo de profissão Cristã ou "arraial" de nossos dias. Amado irmão Cristão! Você escutou o chamado do Senhor para sair a “Ele, fora do arraial”? Para gozar de Sua aprovação nestes dias é preciso que você obedeça a tal chamado. Os muitos lados do arraial encontram-se, hoje, contaminados e a tendência é de se distanciarem cada vez mais da verdade. Além disso, o nosso Senhor está do lado de fora e faz um convite para você vir para onde Ele está. Algumas pessoas, vendo a corrupção dentro da esfera da profissão Cristã, têm decidido separar-se totalmente, e andar sozinhas, e por sua própria conta. Mas isso, não é o que Deus quer que façamos. A exortação é que saiamos a “Ele”. Deve existir um lugar e, bendito seja Deus, existe este lugar “fora do arraial”, onde o Senhor está no meio e para onde você é atraído. Na segunda epístola a Timóteo, onde são descritas as horríveis condições dos últimos dias, temos a direção que deve seguir todo aquele que quiser agradar ao Senhor. É exortado a separar-se (1º passo) dos "vasos de… desonra", e reunir-se (2º passo) “com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (2 Tm 2:19-22). Você não deve caminhar sozinho. Um carvão solitário apaga-se rapidamente. Quando você se encontra cercado pelo mal, não é apenas chamado a distanciar-se dele, mas também deve buscar a direção do Senhor para que o guie para o lugar onde Ele está. O “arraial”, e tudo o que lhe pertence, satisfaz única e tão somente ao homem carnal. Cada um de nós tem uma natureza que se recreia nas coisas formosas, boa música, oratória convincente, etc. Mas Cristo, o Senhor que está fora, chama a você e a mim. Por quê? Onde? Como? E com quem? "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí, estou Eu no meio deles" (Mt 18:20). Alguns argumentam que há Cristãos fiéis no arraial. Cremos verdadeiramente que há, mas o que se deve fazer diante de uma convocação de Deus? Quando Moisés, na sua época, levou a arca do testemunho a uma grande distância, não resta dúvida de que no arraial ficaram alguns israelitas veneráveis, inclusive alguns que profetizavam ali. Da mesma forma pode haver os mais excelentes pregadores e ministros no arraial religioso de nossos dias, e sem dúvida o admitimos também. Mas se Deus tem chamado você para fora, este deve ser o seu lugar. Deixemos os que permanecem no arraial nas mãos do Senhor, sabendo que "O Senhor conhece os que são Seus" (2 Tm 2:19), mas o seu lugar, e o meu também, não é somente fora, mas também, pela graça de Deus, longe do contaminado "Cristianismo judaico". Que Deus nos conceda graça de conservamos tal distância, não com um espírito de orgulho ou de autossuficiência, porém com nossa cabeça inclinada de vergonha, por termos dado tão pouco valor a nosso Senhor e ao lugar onde Ele está. Confessemos quão pouco temos desfrutado de um andar em santidade, segundo a soberana vocação celestial à qual Ele nos chamou. Nossos fracassos e nossas fraquezas não são motivos para nos aproximarmos daquilo que está corrompido. O andar com o Senhor em uma verdadeira separação tem que custar a algo, mas lembre-se que ao chamado de Hebreus se acrescenta: "Levando Seu vitupério" (opróbrio, vergonha). Está você preparado para isso? Está disposto a levar um pouco de afronta por amor ao Seu Nome? Os discípulos, em Atos 5:41, estavam "regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo Nome de Jesus" (leia 2 Tm 3:12). Será que a aprovação de seu Senhor e Mestre não é suficiente para sustentá-lo em meio a tal vitupério? Alguns poderão não compreender o que você faz, inclusive podem chamá-lo de exclusivista, fanático, fechado, mas pergunte a si mesmo solenemente: Devo agradar ao Senhor ou aos homens? Amado leitor. Se Deus em Sua graça tem chamado você ao lugar onde o Senhor Jesus está – “fora do arraial” – você deve buscar Sua ajuda para um andar santo e digno d'Aquele que está ali. Logo você poderá ser tentado a regressar ao arraial onde deixou bons amigos ou, talvez, para ouvir a pregação de homens bem dotados. Mas a voz de Deus em exortação para os que receberam Sua aprovação é: "Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa" (Ap 3:11). Devemos valorizar ao máximo a Palavra de Deus e retê-la, isto não seria dito nas Escrituras se não existisse o perigo de nos esquecermos de tudo o que já temos. "Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor" (Gl 2:18). Autor Desconhecido voltar ao Índice

  • Palavra de Edificação 29

    (Revista bimestral publicada originalmente em Julho/Agosto 1991) ÍNDICE O Cristão e a Guerra O Espírito Santo – Sua Pessoa, Sua Vinda, e Sua Obra Prefácio O Espírito Santo O Batismo do Espírito Santo A Unção do Espírito O Selo do Espírito O Penhor do Espírito Cheios do Espírito Os Dons do Espírito Conclusão A Posição e a Condição do Crente A Expectativa Perguntas e Respostas Volte ! Como ser Feliz O Casaco de Peles O CRISTÃO E A GUERRA Nosso Senhor Jesus Cristo deixou-nos um exemplo para que seguíssemos os Seus passos. Poderíamos nós seguir as Suas pegadas em um campo de batalha? Somos chamados a andar como Ele andou. Será que ir à guerra é andar como Ele andou? Oh! Falhamos em muitas coisas; mas se nos perguntam se é correto um Cristão ir à guerra, podemos responder apenas fazendo referência a Cristo. Como Ele procedeu? Acaso Ele veio para destruir vidas humanas? Não foi Ele Quem disse que "os que lançarem mão da espada à espada morrerão"? (Mt 26:52). Ele também disse, "não resistais ao mal" (Mt 5:39). Como podemos conciliar tais palavras com a ida à guerra? Mas alguém poderá dizer: – O que seria de nós se todos adotassem tais princípios? A isto respondemos; se todos adotássemos tais princípios celestiais não haveria mais guerra e, portanto, não precisaríamos mais lutar. Mas não cabe a nós ficar debatendo a respeito dos resultados da obediência. Temos, apenas, que obedecer à Palavra de nosso bendito Mestre, e andar nas Suas pegadas; e se o fizermos, com toda certeza jamais alguém nos verá indo à guerra. Há aqueles que citam o versículo da Palavra de Deus, "o que não tem espada, venda o seu vestido e compre-a" (Lc 22:36), como sendo uma permissão para ir à guerra. Mas qualquer mente simples, pode ver que este versículo nada tem a ver com a questão. Ele se refere a uma nova ordem de coisas, na qual os discípulos teriam que entrar quando o Senhor fosse levado. Enquanto Ele estava com eles, nada lhes faltava; mas então eles teriam que enfrentar, na Sua ausência, o pleno embate com a oposição do mundo. Resumindo, essas palavras tinham uma aplicação totalmente espiritual. Procura-se usar com frequência o fato de o centurião de Atos 10 não ter sido aconselhado a renunciar ao seu cargo. Não é do feitio do Espírito de Deus colocar as pessoas sob um jugo. Ele não diz ao que acaba de se converter: – Deixe isto e aquilo. A graça de Deus vai se encontrar com o homem onde ele está, e leva-lhe uma salvação completa; e, a partir de então, o ensina como andar de modo a expressar as palavras e os modos de Cristo, em todo o seu poder santificador e formador do caráter do Cristão. Porém, há ainda aqueles que costumam dizer: – Acaso o apóstolo, em 1 Coríntios 7:20, não nos diz para permanecer “na vocação em que foi chamado”? Sim; porém com esta cláusula que mostra claramente os limites dessa vocação: "diante de Deus" (1 Co 7:24). Isto faz uma diferença substancial. Suponha que um carrasco se converta; poderia ele continuar na sua vocação? Talvez alguém diga que este é um caso extremo. Certamente, mas é um caso que pode ocorrer, e prova quão falho é argumentar utilizando 1 Coríntios 7. Isto prova que há vocações em que uma pessoa não poderia permanecer como estando "diante de Deus". Finalmente, no que se refere a esta questão, temos que simplesmente perguntar: – Acaso ir à guerra é permanecer diante de Deus ou andar nas pegadas de Cristo? Se for, então que os Cristãos procedam assim; mas se não for, então o que fazer? C.H.Mackintosh (1820-1896) "Things New and Old" – Feb. 1876 voltar ao Índice O ESPÍRITO SANTO – Sua Pessoa, Sua Vinda e Sua Obra Prefácio Este breve esboço a respeito do Espírito Santo não busca apresentar qualquer novidade, mas o autor sentiu a necessidade de apresentar aos amados santos de Deus o ensino das Escrituras sobre este importante assunto. Que este esboço possa levar o leitor a uma cuidadosa meditação sobre as passagens bíblicas que são constantemente citadas neste estudo. Aqueles que desejam um ministério que dê uma explanação mais ampla do assunto devem buscá-lo nos escritos de J. N. Darby, W. Kelly e Dr. W. T. P. Wolston. Que o Senhor abençoe abundantemente Sua própria Palavra a todos os que venham a ler este esboço. H. E. Hayhoe (1881-1962) O ESPÍRITO SANTO Sua Pessoa, Sua Vinda e Sua Obra Uma busca cuidadosa nas Escrituras irá mostrar que toda obra de Deus tem sido, e sempre será, em Trindade. É sempre Deus o Pai, em Seu propósito; Cristo, o Filho, como Aquele que executa esses propósitos, e o Espírito, o poder, Cujos propósitos são executados. O Espírito Santo é Eterno (Hb 9:14). Ele é uma Pessoa, não apenas uma influência, pois o Senhor Jesus diz em João 14:16, "E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará Outro Consolador, para que fique convosco para sempre". Ele convence “o mundo do pecado”, e avisa “do juízo” prestes a vir (Jo 16:8-11). Ele guia “em toda a verdade”; Ele glorifica a Cristo, e cuida das coisas de Cristo, e as mostra para nós (Jo 16:13-14). Ele, o Espírito Santo, fala em João 16:13, Atos 13:2, 1 Timóteo 4:1 e Apocalipse 14:13. Ele reparte a cada um conforme Ele quer (1 Co 12:11). Ele “ajuda as nossas fraquezas”; e intercede pelos santos (Rm 8:26). Ele possui os pensamentos de Deus, por isso temos a mente do Espírito, conforme a vontade de Deus (Rm 8:27). Ele é o Espírito de verdade – sendo as próprias palavras das Escrituras a expressão do Espírito (Jo 16:13; 1 Co 2:13). O que caracteriza esta presente dispensação (que começou no dia de Pentecostes e terminará com a vinda de Cristo como Noivo para a Sua noiva), é a presença do Espírito Santo de Deus sobre este mundo como uma Pessoa divina. Ele habita na casa professante da cristandade (At 2:2; 1 Co 3:16-17; Ef 2:22). Ele também habita em cada crente (1 Co 6:19). Ele é para nós a Testemunha de tudo o que Cristo é, e de tudo o que Ele fez para a glória de Deus. É pelo Espírito, também, que somos levados à privilegiada posição de aceitação em Cristo e de glória vindoura juntamente com Ele. Ele pode ser entristecido por nossa conduta, mas nunca nos deixará (Ef 4:30; Jo 14:16). Toda obra de Deus é, como sempre foi, pelo Espírito. No Antigo Testamento, o Espírito de Deus foi o poder na criação (Gn 1:2, Sl 104:30). O Espírito de Deus desceu sobre os santos do Antigo Testamento, mas não habitou neles (2 Cr 15:1). Algumas vezes isso aconteceu mesmo com aqueles que não pertenciam à família de fé, como Balaão e Saul, no Antigo Testamento (Nm 24:2; 1 Sm 10:10), e Caifás, no Novo Testamento (Jo 11:51). A vida eterna, agora recebida por fé, é desfrutada pelo poder de um Espírito não entristecido (Jo 7:37-39). O entendimento das coisas de Deus é fruto de um andar na presença de um Espírito não entristecido (1 Co 2:15). O Espírito de Deus irá sempre ocupar a mente, e encher o coração com Cristo, nunca com o próprio "eu", salvo nos casos em que o "eu" precise ser julgado. Isto nos mantém humildes e alegres. Humildes por sermos tão pouco conformados a Ele, e alegres por Ele nos amar tanto, Nascidos do Espírito. A cada um da família da fé, sempre foi dado vida pelo Espírito (Ez 11:19; Ez 36:26-27; Jo 3:5; 6:63). Agora todo crente tem, "vida… com abundância" (Jo 10:10). Trata-se de vida em Cristo ressuscitado (Jo 20:22), de forma que possuímos uma vida sobre a qual o pecado não tem domínio (Rm 6:14), sobre a qual a morte não tem nenhum direito (1 Co 3:22), e sobre a qual Satanás não tem qualquer poder (1 Jo 5:18). Essa vida será manifestada na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme 1 Tessalonicenses 4:15-17. Os santos do Antigo Testamento possuíam vida pelo Espírito, mas não aquela vida à qual as Escrituras se referem como, "vida abundante". A vinda do Espírito Santo e Sua habitação em nós deu-nos o conhecimento de filiação, que significa um parentesco consciente, que nos capacita a dizer: "Aba, Pai" (Gl 4:6). Uma vez de posse desta vida, temos comunhão de pensamento em unidade de vida, por termos vida no Filho que nos revelou o Pai. O Espírito testifica d'Ele e da Sua obra, de modo que, por meio da fé, possamos nos regozijar do conhecimento do parentesco que hoje temos. Somos nascidos de Deus (1 Jo 5:1), participantes da natureza divina (2 Pe 1:4; Ef 4:24), e habitados pelo Espírito Santo (1 Co 6:19). O Batismo do Espírito Santo O batismo do Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes, quando todo aquele grupo reunido no andar superior da casa recebeu o Espírito Santo. Naquela ocasião o Espírito Santo "encheu toda a casa" (At 2:2), e encheu também cada um dos que estavam na casa (v.4). As "línguas repartidas" (At 2:3), demonstravam o propósito de Deus em fazer tanto judeus como gentios um em Cristo, enquanto que o fato de serem "como que de fogo", (figura de um juízo), nos faz lembrar que "a santidade convém à Tua casa, Senhor, para sempre" (Sl 93:5). Isto tornou-se evidente no julgamento de Ananias e Safira (At 5). Algo similar ao batismo com o Espírito aconteceu quando os gentios foram publicamente recebidos, em Atos 10:44 e 11:15. É a isso que se refere 1 Coríntios 12:13, quando foi dada a Paulo a revelação da verdade da Igreja como sendo o corpo de Cristo. Uma vez que a Igreja foi formada, o batismo com o Espírito não se repete em nossos dias. Hoje os crentes são “acrescentados”, à medida em que cada um recebe o Espírito Santo individualmente, como consequência de sua fé em Cristo e na Sua obra (Ef 1:13). É bom frisar que, em nossos dias, o Espírito não é dado pela imposição de mãos. Além disso, mesmo na igreja primitiva, o Espírito nem sempre foi recebido desta maneira (At 10:44), mas Deus usou este meio em ocasiões especiais para preservar a Igreja dos grupos nacionais independentes entre si. Foi o cumprimento de João 11:52. Podemos ver isto quando os samaritanos foram recebidos (At 8:17). Também quando foi recebido Saulo de Tarso, para que a ele pudesse ser dada a verdade de que os crentes em Cristo são “um com Ele”, e para que Saulo pudesse se identificar com eles (At 9:4,28). Vemos isto novamente quando alguns gentios, que conheciam apenas o batismo de João, foram recebidos (At 19:6). "Há um só corpo e um só Espírito"(Ef 4:4). Preciosa Verdade! A Unção do Espírito A unção do Espírito é dada para o serviço (Lc 4:18). O sacerdote em Israel era ungido para o serviço (Êx 29). A unção era para separar pessoas para o Senhor, ou, no caso da adoração de Israel, coisas usadas na adoração. Hoje, nós que somos salvos, somos ungidos pelo Espírito (2 Co 1:21; 1 Jo 2:27). O Selo do Espírito O selo do Espírito serve para marcar aqueles que crêem, como sendo de Cristo (2 Co 1:21-22). Sendo assim, é dito que "se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é d'Ele"(Rm 8:9), para um homem até estar selado pelo Espírito, não pode ser manifestadamente declarado sendo de Cristo, mesmo que uma obra de Deus pelo Espírito possa ter começado em sua alma (Fp 1:6). Todo crente, uma vez selado, é selado até “o dia da redenção” (Ef 4:30). O Penhor do Espírito O penhor do Espírito significa que o Espírito que habita no crente é a garantia de que, com absoluta certeza, estaremos na glória vindoura, para os privilégios que Ele procura trazer para que desfrutemos desde já (2 Co 1:22; 2 Co 5:5; Ef 1:14). Cheios do Espírito Somos exortados a “nos encher do Espírito” (Ef 5:18), pois quando estamos assim cheios, nos rendemos à energia do Espírito que deseja ocupar nossa mente e preencher o nosso coração com Cristo, na glória da Sua Pessoa, e na plenitude da Sua obra. Sua obra perfeita glorificou a Deus, e tornou possível que a graça viesse a nós em toda a plenitude dos propósitos de Deus. Para nos rendermos, é necessário que mortifiquemos os desejos do corpo, a fim de podermos viver no poder do Espírito, e quando estamos assim cheios, vivemos para Cristo (Rm 8:13). Não se trata de algo que é feito de uma vez para sempre, mas trata-se da aplicação prática e diária da verdade (Lc 9:23; 2 Co 4:10). Uma pessoa cheia do Espírito não estará ocupada consigo mesma, e nem tampouco com o próprio Espírito, mas com Cristo, Aquele de Quem o Espírito fala (Jo 16:13-14). Estevão é um maravilhoso exemplo disto (At 7:55). Os Dons do Espírito Alguns dos dons do Espírito foram dados para "sinais", e, como tal, serviram para confirmar a Palavra para aqueles que eram incrédulos (At 14:3; 1 Co 14:22). Eles não eram para ser utilizados, mesmo quando possuídos, exceto para edificação. Quando se tratava de falar em línguas, devia-se permanecer em silêncio a menos que alguém pudesse interpretar o que era falado, de forma a edificar a assembléia (1 Co 14:27-28). Quanto ao dom de línguas do versículo acima citado, não existe promessa de sua continuação, nem de qualquer um dos outros dons de sinais (1 Co 12:28-31). A continuidade é prometida para aqueles dons que expressavam o amor de Cristo para com a Igreja (Ef 4:11-16). O dom de línguas servia para demonstrar a unidade de todos os crentes de todas as nações, unidade formada por Deus através da vinda do Espírito (At 2:4-11; 1 Co 12:13). Visto que a Igreja de Deus falhou de forma tão significante em expressar exteriormente esta unidade, o dom de línguas, assim como todos os dons de sinais, já não são manifestos em nossos dias. Aqueles que professam possuir estes dons devem ser provados à luz das Escrituras. O dom de línguas na Bíblia não se tratava da manifestação de línguas ininteligíveis, mas línguas bem conhecidas e faladas neste mundo (At 2:8). Quando se tratava de efetuar curas, ninguém saía desapontado. Todos eram curados (At 5:16). É bom testar aqueles que afirmam ter o dom de línguas e de cura hoje, por meio dessas Escrituras (1 Co 4:19-20). Além do mais, "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas". O Espírito de Deus não força um homem a falar a qualquer hora, ou de qualquer maneira, e quando alguém ministra, seu ministério deve ser objeto de um julgamento espiritual por parte de seus irmãos. Além disso, aqueles que falam línguas, devem falar um de cada vez, caso contrário, haverá confusão (1 Co 14:27-33). Os dons do Espírito não se tratam de “habilidades santificadas”, mas de uma verdadeira comunicação daquilo que não era possuído anteriormente, embora colocado em um vaso preparado por Deus para esse uso. Os dons apresentados em 1 Coríntios 12 eram as várias manifestações do Espírito, ali dispostas por Deus, e administradas pelo Senhor, e suas operações eram pelo Espírito. Seu uso devia ser para edificação (1 Co 14). Quando a Igreja de Deus se transformou numa "grande casa", a palavra em 1 João 4:1 é: "provai se os espíritos são de Deus". Duas coisas devem caracterizar o verdadeiro ministério pelo Espírito: primeiro, deve haver a confissão da verdadeira Deidade e Humanidade de Jesus Cristo; segundo, deve haver submissão à doutrina dos apóstolos conforme é dada na Palavra. Isto é muito importante (1 Jo 4:2,6). Conclusão Todo crente é habitado pelo Espírito, e sabe disso pelo amor de Deus que é derramado em seu coração (Ef 1:13; 1 Co 6:19; Rm 5:5). Toda bênção Cristã é um dom. Não recebemos essas bênçãos por nossos próprios esforços ou orações. Nós as recebemos quando a fé recebe a Cristo, e crê no evangelho da Sua graça (Ef 1:3). Aqueles que creram no evangelho no dia de Pentecostes, receberam também o dom do Espírito (At 2:38). O nosso desfrutar daquilo que temos recebido depende do nosso andar (Rm 15:13; Ef 4:30; 1 Co 2:15). Andemos cuidadosamente, em oração, submissos à Palavra, e julgando tudo aquilo que possa impedir a ação do bendito Espírito de Deus em nos mostrar as coisas que pertencem a Cristo. É importante lembrar que as Escrituras são inspiradas pelo Espírito de Deus (2 Pe 1:21), e que o Espírito nunca guiará alguém por um caminho contrário à Palavra. H. E. Hayhoe (1881-1962) Qual foi o motivo que Tu, Deus de Amor, Nos deste o Espírito, o Consolador, Que enchendo de paz e de amor divinal, Selou corações com um Selo eternal? Foi o amor, foi o amor, infinito amor! Que a Ti motivou, nosso Pai, Deus de amor! Amor que o Espírito em graça nos deu, O Consolador que assim nos proveu. "HINO nº12" (hinar.io) voltar ao Índice A POSIÇÃO E A CONDIÇÃO DO CRENTE Apresentamos aqui, algo acerca dos mais maravilhosos e proveitosos princípios, que nos levam a um correto entendimento espiritual da posição, e da condição do crente, diante de Deus. A ignorância que existe acerca destes pontos é algo que entristece, já que a má compreensão da posição e condição do Cristão diante de Deus, pode resultar em confusão e falsas doutrinas. Certa vez, perguntaram a um pregador se determinada forma de agir de um crente alteraria seu estado diante de Deus. – Sim – respondeu ele – afetará a sua condição, mas não a sua posição perante Deus. – O que quer dizer isto? Conduziremos o leitor, às passagens da Palavra de Deus, que tratam deste assunto tão importante. Primeiramente, citaremos três passagens que falam da nossa POSIÇÃO diante de Deus: "Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis" (1 Co 15:1). "Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus" (Rm 5:1-2). "Por Silvano, vosso fiel irmão, como cuido, escrevi abreviadamente, exortando e testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes" (1 Pe 5:12). A posição do convertido é como Deus o vê em Cristo Jesus. Por conseguinte, o crente se encontra, diante Deus, em toda a perfeição de Cristo Jesus. E como Deus vê a Seu Filho amado? Sem defeito, sem mancha, sempre perfeito. Como Deus nos vê? Em Cristo Jesus nos vê salvos, lavados com o Seu sangue e também sem defeitos, sem manchas e para sempre perfeitos. Já que nossa "vida está escondida com Cristo em Deus" (Cl 3:3), temos muitas prerrogativas, tais como, a de não sermos chamados a juízo por nossos pecados, e a certeza assegurada de que o Senhor nos guardará para o bendito dia da Sua vinda e ressurreição dos que são Seus. Esta confiança está clara nas palavras do apóstolo Paulo a Timóteo: "porque eu sei em Quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia" (2 Tm 1:12). Vejamos pois qual é a condição do crente. Citaremos, primeiro, seis passagens que se referem à nossa CONDIÇÃO espiritual: "E espero no Senhor Jesus que em breve vos mandarei Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo dos vossos negócios. Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado. Porque todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus" (Fp 2:19-21). "Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho" (Fp 4:11). "Tíquico, irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor, vos fará saber o meu estado" (Cl 4:7). "Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins. Assim me embruteci, e nada sabia; era como animal perante Ti. Todavia estou de contínuo contigo; Tu me seguraste pela minha mão direita" (Sl 73:21-23). "Porque receio que, quando chegar, vos não ache como eu quereria, e eu seja achado de vós como não quereríeis: que de alguma maneira haja pendências, invejas, iras, porfias, detrações, mexericos, orgulhos, tumultos; que, quando for outra vez, o meu Deus me humilhe para convosco, e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da imundícia, e prostituição, e desonestidade que cometeram" (2 Co 12:20-21). Qual é a condição do crente perante Deus? É tal como Ele nos vê em nosso decorrer diário. Como andamos? Falhamos a cada passo, e sempre temos que ser disciplinados e corrigidos. Pecamos em palavras, em atos e em pensamentos, sendo “tentado… atraído… pela sua própria concupiscência” (Tg 1:12-16). Além disso, pecamos muitas vezes, por não fazer o que devíamos ou seja, por negligência (Tg 4:17). A Palavra de Deus não estaria completa se nos ensinasse, tão somente, como ser salvos, sem nos mostrar, também, como deveríamos andar depois de convertidos a Cristo. Recomendamos, pois, ao crente que tiver dificuldade em compreender isto, que faça a si mesmo esta pergunta quando ler algo em sua Bíblia: "Este versículo fala de minha posição, ou de minha condição perante Deus?” Como existe uma grande diferença entre, ambos, os gêneros, convém esquadrinhar mais as Escrituras para chegar a melhores conclusões. Tomemos como exemplo 1 Coríntios 1:2, onde o apóstolo se dirigiu aos crentes chamando-os de "santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso", enquanto que no capítulo 3:3, os qualificou de "carnais", pois, "havendo entre vós inveja, contendas e dissensões". Na primeira parte, ao chamá-los "santificados" (separados) por Ele e para Sua glória, se está considerando a posição perante Deus. Mas o seu modo de andar, ou seja a sua condição estava sujeita à crítica construtiva do apóstolo Paulo, pois os encontrou completamente "carnais" e andando "segundo os homens", pelo que necessitavam ser corrigidos e exortados. Também em Colossenses 2:10, lemos: "E estais perfeitos n'Ele". Isto se refere à posição perfeita que cada crente tem em Cristo. Jamais poderíamos "melhorar" uma posição tão privilegiada, pois o crente já é completo n'Ele. Mas, lamentavelmente, o nosso modo de andar ou condição não está no mesmo nível de nossa posição, pois jamais poderemos dizer que estamos sem pecado (1 Jo 1:10). No que se refere à posição atual dos crentes perante Deus, Ele sempre os contempla como se já estivessem na glória. Em Efésios 2:6, esta verdade tão preciosa nos é confirmada: "e nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus". Sublime benção! Mas Colossenses 3:5, nos exorta, quanto a nossa condição terrenal, admoestando-nos a mortificar os "nossos membros que estão sobre a Terra". Assim, vemos que os crentes, ao mesmo tempo, se situam no céu (sua posição) e na Terra (sua condição). A epístola de Paulo aos Efésios, é a porção mais extraordinária de toda a Bíblia naquilo que se refere à posição e condição do crente. A epístola se divide em seis capítulos. Os três primeiros tratam na nossa posição nos lugares celestiais em Cristo, e terminam com a palavras "Amém", ao final do capítulo 3. "Amém", significa: "Assim seja". A segunda parte da epístola, começa com a palavra "andar": "Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação a que fostes chamados" (Ef 4:1). E, é a nossa condição, que é tratada nos três capítulos finais da epístola. É óbvio, que existe na Palavra de Deus, muito mais instruções referentes à condição do crente perante Deus, do que à sua posição perante Ele. Assim deve ser, sua condição é terrenal e temporária, enquanto que, a sua posição é celestial, eterna e perfeita. Cristo, em Sua morte na cruz do Calvário, a fez assim. É o dom gratuito de nosso Deus para pobres pecadores como nós. Devemos ser "um povo… zeloso de boas obras" (Tt 2:14), não para que sejamos salvos, mas porque já somos salvos. É o desejo constante do Pai (o Espírito Santo atua também continuamente com igual propósito), que nossa condição esteja sempre em conformidade com nossa posição gloriosa e celestial (Rm 6:12-14 e 2 Tm 2:21-22). voltar ao Índice A EXPECTATIVA Amado, paremos um pouco para considerar quanto tempo ainda resta até que vejamos a face do Senhor! Sua face, Sua própria face, Aquele que é "o mais distinguido entre dez mil" (Ct 5:10 – ARA), o "totalmente desejável" (Ct 5:16) – Jesus, nosso Senhor. Alguns de nós ainda são jovens; outros já estão velhos, mas mesmo que Ele não venha nos buscar no tempo de vida que nos resta aqui, Ele não tardará. Se for este o caso, é certo que no máximo em pouquíssimos anos já estaremos vendo Jesus. Pode ser o caso de você se encontrar deitado em seu leito, o corpo perecendo à medida em que se aproximam os seus últimos momentos. Então, seriam momentos nos quais sua alma, deveria tão somente estar se esforçando para vislumbrar a Sua Pessoa. Ele iria sorrir para você, enquanto seus amigos poderiam notar a beleza do Senhor brilhando em seu semblante, e testemunhariam de seu sorriso de saudação correspondendo ao dEle, à medida em que seu espírito se apressasse para estar para "sempre com o Senhor" (1 Ts 4:17). O que é esta vida? “É um vapor que surge por um pouco, e então se desvanece” (Tg 4:14). Sim, é certo, mas trata-se do tempo que você dispõe para conhecer o Senhor, e passar a ansiar por vê-Lo. Volte, irmão, ao amor de Jesus. Sim, pois muitas de nossas primaveras já se passaram. Acaso não é igualmente certo que aquela antiga doçura de dedicada afeição que tínhamos para com Ele já se foi? Será que não O amamos mais como antes? Será que a medida de nosso amor para com Ele, assim como a qualidade deste amor, diminuiu? Ele conhece todas as coisas; deixemos que Ele responda e acatemos isso em silêncio. Muito embora o frescor de outrora tenha se acabado, assim como o vigor de nossa infância já não se encontra em nosso rosto, estamos ganhando em anos, e cada ano que passa nos declara: – Estamos mais perto do lar, mais perto do Senhor Jesus. – Aqueles que já viveram até à meia-idade, já viveram o suficiente para ter seus corações partidos. Parece ser, esta, uma das maiores razões de sermos deixados a viver por vários anos na escola da vida. Pudemos presenciar nossos pais morrendo, pudemos ver o espírito de nossos filhos subindo para o lar, e pudemos sentir a presença do Senhor à beira do leito de morte, tanto de velhos como de jovens. Já vivemos o suficiente para que, por muitas vezes, nosso coração fosse sarado por Sua mão, à medida em que fomos sendo quebrantados pelas tristezas da vida. E, a cada ano que passa, o céu não somente fica mais perto, mas também mais precioso ao nosso coração; mais tesouros são depositados lá à medida em que os anos vão passando, e cada época de nossa vida nos ensina coisas acerca de Jesus que nunca teríamos imaginado se não fossem as tristezas. Ele é tão real, como alguém que é o mais amado em nosso coração; tão perto quanto um amigo que se fez mais próximo do que um irmão. Portanto, paremos para avaliar qual o maior tempo que ainda possamos ter que ficar aqui até que vejamos Sua face. Sabemos qual é o menor tempo que ainda pode nos restar: "num momento, num abrir e fechar de olhos" (1 Co 15:52); sim, podemos subir para o lar antes mesmo do próximo "tic" do relógio, pois Ele virá e não tardará. Mas pensemos no maior tempo, quanto poderia ser? Fique um pouco a sós com o Senhor, e considere o que será Sua saudação, e seu encontro com Ele, podendo olhar bem nos Seus olhos! O que é a vida? É um momento privilegiado, para glorificar o Senhor neste mundo. Somos deixados aqui para andarmos como Ele andou – para brilhar como luzes no mundo, e isto por Ele – para sermos Sua carta, conhecida e lida por todos os homens. E quanto mais pensamos em vê-Lo, mais iremos desejar agradá-Lo. Seria demais dizer que, muitos que pertencem ao Senhor, possuem uma barreira entre suas afeições e o coração do Senhor? Existe um obstáculo. Não estão brilhando. Tais pessoas têm paz por meio do sangue de Cristo, mas Sua paz não está preenchendo seus corações. Não há proveito algum em esconder a verdade – muitos do povo de Deus não estão, neste exato momento, em comunhão pessoal com Cristo. Falta expressão às afeições espirituais. Há características próprias do Cristianismo, mas o olho espiritual carece de brilho; Jesus não Se encontra próximo àquela alma; Cristo não está habitando no coração pela fé. Para tal pessoa não está sendo o céu na Terra, e tampouco há um anseio por Cristo. Inteligência espiritual não é o mesmo que afeição espiritual, e sem o amor que move esta afeição, a lâmpada está obscurecida. Volto a dizer, fique a sós com o Senhor; medite naquele momento que se seguirá à vida neste mundo, quando iremos ver Sua face. Que bálsamo é isto, para a presente aflição espiritual! Alguns sugerem um tipo de cura para a condição da alma, outros sugerem outra, mas todas falham a não ser esta: Jesus, e somente Ele. Damos graças a Deus pelas doutrinas, e agradecemos mais ainda por ser cada doutrina uma porta que se abre para a presença do Senhor. Estaremos nós do lado de fora destas portas? Muitos de nós estão! Sabem muito bem como são tais portas. Existe a porta de madeira de acácia, a de prata, a de ouro – o conhecimento de Sua humanidade sem mácula, Seu sangue redentor e a glória do Pai por meio d'Ele. Experimente abrir a porta de Sua humanidade, e contemple-O! Diante de você está o Homem perfeito. Abra a porta de prata da redenção e veja Suas feridas, outrora se esvaindo em sangue. Abra a porta de ouro e olhe para Ele, no lugar onde Ele mesmo Se encontra em glória nas alturas. Nosso coração precisa tão somente de Jesus; busquemos mais Sua bendita companhia. Sua presença irá derramar santo esplendor sobre nosso ser. Um pouco mais, e caminharemos junto com Ele em alvas vestes. Hoje mesmo nossas palavras estariam expressando a única língua do céu, se apenas nos deixássemos estar em Sua presença. Que mudança ocorreria em nós, se nosso coração estivesse conformado a Cristo. As contendas de palavras cessariam, o orgulho se desvaneceria, o pecado seria confessado, e os homens reconheceriam que havíamos "estado com Jesus" (At 4:13). H.F. Witherby (1838-1907) Christian Treasury Jan/87 voltar ao Índice PERGUNTAS E RESPOSTAS P: Ficaria contente se você dissesse algo sobre a passagem em Romanos 8:28 que diz: ”todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto”. Acaso as acusações do inimigo, e do nosso próprio coração, contribuem juntamente para nosso bem? Não são coisas agradáveis de se levar. De que maneira elas contribuem para o nosso bem? R: A passagem supõe que já exista a consciência da perfeita liberdade da graça na qual, como crentes, nós nos encontramos – "Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1) – "A lei do espírito da vida, …me livrou da lei do pecado e da morte" (Rm 8:2), – "Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito" (Rm 8:9); – O Espírito habita em nós e "testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros…" (Rm 8:16-17); mas ainda não estamos de posse da herança, exceto naquilo que se refere a sabermos que ela é nossa, e nos encontramos numa criação que geme, ainda sujeita aos efeitos do pecado do homem: estamos ligadas a ela por um corpo que ainda está sujeito à morte, enquanto aguardamos a adoção, isto é, a redenção de nosso corpo. Fomos redimidos; nosso corpo está habitado pelo Espírito, que nos liga com Cristo nos céus, mas no corpo estamos ligados a uma criação que geme. Fomos salvos na esperança da glória vindoura, e aprendemos em paciência a esperar por ela; numa tal condição, não sabemos o que orar como convém, mas o sentimento divino produzido em nosso coração pelo Espírito, se expressa por um gemido inexprimível; mas na qual o Espírito entra, e Deus, que perscruta o coração, encontra em nós a mente do Espírito "que segundo Deus intercede pelos santos" (Rm 8:27). Numa condição assim, embora não saibamos o que orar como convém, sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus. Sua pergunta, se "as acusações do inimigo, e do nosso próprio coração, contribuem juntamente para nosso bem" não caberia aqui; embora Deus possa fazer (e sem dúvida Ele faz), com que elas sejam transformadas para contribuírem para nossa bênção, pois o inimigo foi calado para sempre no que se refere à nossa aceitação para com Deus. O próprio Deus nos justificou, de forma que o Espírito Santo pergunta no versículo 33: "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?". Ninguém. "Quem os condenará?" (Rm 8:34). Não poderia haver, e nem há efetivamente, acusação contra aqueles que estão em Cristo Jesus. Quanto às acusações de nosso próprio coração, não temos nada que possa satisfazê-las. Se tivéssemos algo, seria um mau indício. Sabemos que não importa quão profunda seja a descoberta do mal que há em nosso coração, Cristo já o suportou todo, e o pôs de lado para sempre. Não fazemos um juízo suficientemente mau de nós mesmos. A partir do momento que descobrimos que em nós "não habita bem algum" (Rm 7:18), e nos apossamos de um claro conhecimento do que somos, que Cristo morreu por nós, e que Ele nos libertou completamente e para sempre; começando a não nos preocupar conosco – teremos chegado à conclusão que tudo o que nos dizia respeito já foi tratado. O Espírito, que habita em nós, é entristecido com a mais tênue sombra de fracasso ou pecado e, portanto, não leva nossa alma a desfrutar (e nem poderia levar) da posição e da porção que temos. Ele faz com que nos voltemos para olhar o nosso próprio coração a fim de vermos o mal que há nele, e exercitarmos o auto-julgamento em nós mesmos a esse respeito; talvez seja isso que podemos confundir como "acusações do nosso próprio coração". A passagem nos mostra, portanto, que em uma tal condição, Deus faz com que “todas as coisas contribuam juntamente para o (nosso) bem” (como um precioso consolo em meio às dificuldades e provações) – e desta maneira nosso coração é tranquilizado, na consciência de que os propósitos de Deus são cumpridos em Seu povo e a favor do Seu povo. F.G. Patterson (1832-1887) Scripture Notes and Queries – 1871 voltar ao Índice VOLTE! "E Jesus lhes disse: Eu Sou o Pão da vida; aquele que vem a Mim não terá fome; e quem crê em Mim nunca terá sede. …Tudo o que o Pai Me dá virá a Mim; e o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (Jo 6:35,37). Que convite de amor Cristo nos faz! O mundo nos faz muitos convites, e promete uma paz fundamentada em coisas efêmeras que não duram uma vida. Mas o Senhor oferece algo que não passa: "Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá" (Jo 14:27). Conta-se que Abraham Lincoln, ao ser eleito presidente dos Estados Unidos, preparava-se para embarcar no trem que o levaria a Washington e, voltando-se para a multidão que o acompanhara à estação, disse: – Certo rei ordenou a seus sábios que escrevessem uma frase que pudesse ser usada em qualquer ocasião. E a frase que eles escolheram é a mesma que posso usar nesta ocasião: "Isto também é passageiro". Muitas vezes somos tentados a voltar ao mundo, vivendo à sua maneira e desfrutando de suas ilusórias "vantagens". Assim desejavam os israelitas durante a peregrinação no deserto, quando estavam enjoados do “maná”. Aquilo que no princípio tinha para eles o “sabor como bolos de mel” (Êx 16:31), acabou lhes parecendo ter o intragável “sabor de azeite fresco” (Nm 11:8). Eles se lamentavam, dizendo: "Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; cousa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos" (Nm 11:4-6). Quanto engano havia nesse lamento! No Egito eles não passavam de escravos, pois "os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; assim lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo" (Êx 1:13-14). O mesmo ocorre conosco; logo nos esquecemos de que éramos escravos de Satanás e queremos voltar ao nosso estado anterior, achando que "comíamos de graça". Que triste engano! O mundo tem tanto a oferecer para o Cristão, como o Egito tinha para o povo de Israel. Nada havia para eles no Egito, além de dura escravidão. Mas, assim como o povo foi libertado da escravidão, nós também fomos libertados pelo sangue de Cristo, escapando do juízo que cairá sobre este mundo e sobre aqueles que rejeitarem o favor de Deus. Mas, como os israelitas, após termos sido salvos nos encontramos em um deserto, seco e árido, onde Deus nos sustenta com o "pão da vida" (Jo 6:35), que desceu do céu (Jesus), e com a água que saiu da Rocha "e a pedra era Cristo" (1 Co 10:4). Quão triste é para nosso Senhor, que sofreu tanto para nos salvar, ver os Seus redimidos desejosos de voltarem ao seu estado anterior! O quanto vale para nós todo o Seu sacrifício? Nossos olhos, sempre se ocupam com aquilo que nos parece de maior valor; e que valor tem para nós o sangue de Cristo derramado em nosso favor? Pilatos, ao apresentar o Senhor à multidão, perguntou: "Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado" (Mt 27:22). E você, o que fará de Jesus, seu Salvador? Judas O vendeu por “trinta moedas de prata” (Mt 26:15), o valor de um escravo (Êx 21:32). Quanto vale o Senhor para você? Haverá alguma coisa neste mundo, ou mesmo o mundo todo, cujo valor exceda o d'Aquele que deu Sua vida por você? Se você se afastou d'Ele, saiba que Ele não Se afastou de você. Como o "filho pródigo" de Lucas 15:11, você já deve ter percebido que este mundo só pode lhe oferecer comida de porcos. Mas, o Pai está esperando por você de braços abertos, desejoso de lhe dar o melhor: "o pão da vida" (Jo 6:35). Volte agora mesmo. Confesse a Ele o seu pecado e, ainda que deseje culpar outros por seu afastamento, é com o Pai que você interrompeu sua comunhão, e é com Ele que deve se reconciliar em primeiro lugar. "…tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que Eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento" (Os 11:3-4). M.Persona voltar ao Índice COMO SER FELIZ Querido Cristão, jovem ou velho, conserve um relacionamento íntimo com Deus. Quando você descobrir que falhou e pecou, não faça pouco caso disso. Trata-se de algo sério, pois interrompe a sua comunhão, e nada poderá disfarçar essa perda. Portanto, reconheça logo e confesse a seu Pai, e receba o Seu perdão (1 Jo 1:9). Se foi um caso de falhar para com outros, então não hesite em confessar isto a eles, não importa quão humilhante possa ser. Isto, manterá a sua consciência límpida e exercitada, além de promover a comunhão e aumentar o seu gozo. "O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Pv 28:13). Leia a Palavra de Deus. Uma grande razão para o fracasso de muitos que pertencem ao povo querido do Senhor está em não lerem suas Bíblias. Eles parecem não ter apetite para isto. Um capítulo, de manhã e à noite, parece ser tudo o que eles acham necessário. Se eles tratassem seus corpos com uma dieta tão limitada, cedo entrariam em colapso. É excelente cultivar um apetite pela Palavra. Leia bastante, e intercale sua leitura com muita oração em busca de esclarecimento e auxílio, e para que a graça a transforme em bem em sua alma (Sl 1:2-3). Carregue, constantemente, com você uma edição ou porção de bolso. Não se envergonhe de ser visto lendo-a. Deixe que ela seja o seu conselheiro. Ali está a sabedoria; ali há luz; tudo o que você precisa está ali. É a voz de Deus, a qual o Espírito Santo faz com que seja ouvida no silêncio do mais íntimo de sua alma, para guiá-lo e aconselhá-lo. É também a comida da nova vida, portanto, "Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo" (1 Pe 2:2); do contrário você acabará se tornando um anão espiritual (Sl 119:11). Que você possa ler, grifar, assimilar e digerir sua Bíblia, com muito fervor e oração. Não fique desencorajado se não parecer estar aprendendo muito a cada vez. Você adquirirá o suficiente para a sua necessidade, e descobrirá sempre que tem o suficiente para dar a outros se tiver um coração pronto a fazê-lo. "A alma generosa engordará, e o que regar também será regado" (Pv 11:25). Portanto, quanto mais você der, mais receberá para dar, e maior será o seu gozo em dar. Ore muito. Todos os homens de Deus são homens de muita oração. Eles vivem no espírito de oração e, sempre que acham uma oportunidade, têm prazer em se afastar, sem que os outros percebam, para falarem com Deus. A oração, é a expressão da dependência do Cristão para com Deus. Trata-se da fraqueza humana se apegando à força do Todo-poderoso, ligando-se a Ele com expressivo terno amor. Apóie-se n'Ele totalmente. Trate Deus como seu Pai. Exercite, para com Ele, uma confiança sem restrições. Nunca pense que algo possa ser muito trivial, ou sem valor para Ele Se ocupar. "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós" (1 Pe 5:7). Benditas palavras! "Toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós". Não negligencie sua oração a sós. No momento em que você começa a negligenciar isto, esteja certo de que há algo errado. Pare, imediatamente, e examine-se, procurando se assegurar de ter o impedimento removido, caso contrário o resultado será uma queda. Não viva para ser visto pelos outros, mas para ser visto por Deus. Procure as respostas à oração, e volte para dar graças. Não se esqueça de ser agradecido. Faça com que estas coisas tornem-se um hábito constante em sua alma e sua felicidade estará assegurada. (Fp 4:6-7). "Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e para todo o sempre. Amém" (Jd 1:24-25). Gospel Truth Publications voltar ao Índice O CASACO DE PELES O vento gelado já se fazia sentir, e as densas nuvens prenunciavam um inverno rigoroso. Buscando precaver-se contra o frio, o caçador dirigiu-se à floresta a fim de matar um urso, do qual planejava fazer um bom casaco de peles. Não demorou muito para encontrar um grande urso vindo em sua direção. O caçador levantou sua arma e, mirando no grande animal, preparou-se para atirar. - Espere! – gritou o urso, – por que você quer me matar? - Porque estou com frio – disse o caçador, – e preciso de um casaco. O urso, mostrando-se dócil e amigo, retrucou: – Compreendo o seu problema, mas entenda que eu também tenho um problema a resolver, estou com muita fome. Que tal se nós conversássemos a respeito e, juntos, procurássemos uma solução para nossos problemas? Tenho certeza de que poderemos chegar a um consenso! O caçador concordou prontamente e, sentando-se ao lado do urso, começou a discutir com ele um meio de chegar a uma solução que deixasse ambos satisfeitos. No final, o caçador acabou bem agasalhado com a pele do urso, e o urso pôde satisfazer sua fome. Nós sempre saímos perdendo quando tentamos dialogar com o pecado. Ele acabará por nos consumir. "Seduziu-o com a multidão das suas palavras, com as lisonjas dos seus lábios o persuadiu. E ele segue-a logo, como boi que vai ao matadouro, e como o louco ao castigo das prisões; até que a flecha lhe atravesse o fígado, como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que ele está ali contra a sua vida" (Pv 7:21-23). voltar ao Índice

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