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  • Tesouros (Junho de 2019)

    Baixe esta revista digital nos formatos: PDF - EPUB - MOBI ÍNDICE Tesouros Tema da edição Seus Tesouros – Celestiais e Terrenais W. J. Prost Tesouros Escondidos D. C. Buchanan O Tesouro Escondido Christian Truth O Tesouro e o Coração W. Kelly Todos os Tesouros da Sabedoria e do Conhecimento W. J. Prost Tesouro em Vaso de Barro W. T. Turpin Tesouro em Vasos de Barro W. Potter A Recuperação de Tesouros W. J. Prost Nossas Próprias Coisas ou o Tesouro d’Ele? J. B. Dunlop Faze o Que Queres Hino 118 Tesouros “No princípio, criou Deus”. Como Criador, tudo pertence a Ele. Todo tesouro é d’Ele. Luz, vida e amor, todos vêm d’Ele. Ele é o que dá toda boa dádiva. Deus deu a Seu Filho o que Seu Filho estimava – Ele deu você e eu a Ele. Então Ele veio a este mundo como o bom Pastor daqueles que Lhe foram dados. Quando Ele veio, “Ele era rico”, enquanto você e eu éramos pobres, miseráveis, infelizes e cegos. Amando-nos e sendo nosso Pastor, “por amor de vós [Ele] se fez pobre, para que, pela Sua pobreza, enriquecêsseis”. Deus deu por nós Seu principal tesouro, que ficou pobre, para que pudéssemos tê-Lo como nosso tesouro e, assim, sermos ricos. Da plenitude d’Aquele que é nosso tesouro, recebemos graça sobre graça (dádiva após dádiva), pois recebemos vida, justiça, o céu, a glória, um noivo perfeito, descanso, paz e, acima de tudo, Ele Próprio – um objeto perfeito para satisfazer o coração durante o tempo e pela eternidade. Que estejamos atentos: Satanás, por outro lado, é um ladrão que veio “roubar, matar e destruir”. Ele não tem tesouro para dar. Ele procurou roubar, matar e destruir nosso Pastor. Falhou! Embora ele não possa nos roubar das mãos do Pastor, que é nosso Tesouro, ele procura enganar nossos corações para nos roubar o desfrute de nosso Tesouro, matar nossos desejos pelas verdadeiras riquezas e destruir nossa capacidade de dar frutos para Deus. Que possamos viver todos os dias ao lado de nosso Pastor, com os olhos fixos n’Ele. Seus Tesouros – Celestiais e Terrenais Na Palavra de Deus, encontramos duas expressões que se referem ao povo de Deus como tesouros. No Velho Testamento, encontramos a frase “propriedade [tesouro – KJV] peculiar” mencionada duas vezes, em referência a Israel (Êx 19:5; Sl 135:4). Não há dúvida de que Israel é o tesouro ao qual essas Escrituras se referem, pois a expressão no Salmo 135 diz: “Porque o SENHOR escolheu para si a Jacó e a Israel, para seu tesouro peculiar”. Israel também é chamado de “Seu próprio povo [peculiar]” (Dt 14:2; 26:18). Nos dois casos, a palavra “peculiar” tem o sentido daquilo que é de valor especial para quem o possui. No Novo Testamento, encontramos a expressão “tesouro escondido num campo” (Mt 13:44), e fica claro pelo contexto que o Senhor Jesus está se referindo à Igreja. A palavra “peculiar” também é aplicada à Igreja em Tito 2:14 (KJV), indicando novamente algo que tem um valor especial. É importante entender a diferença entre esses dois tesouros, pois eles não são os mesmos, mas também não competem entre si. No caso de Israel, é claro que eles foram escolhidos para serem o tesouro peculiar de Deus, mas na linguagem de Êxodo 19:5 encontramos essas palavras adicionais: “Porque toda a Terra é minha”. Israel foi escolhido como o tesouro de Deus na Terra e foi através deles que Deus reivindicou a Terra. Quando as nações foram formadas no princípio, está registrado que “quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações […] pôs os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel” (Dt 32:8). Em um dia vindouro, quando Israel for restaurado nas bênçãos do milênio, Deus mais uma vez reivindicará este mundo através deles. “Eu darei” E sob que condições eles eram Seu tesouro? Alguém colocou muito bem: Quanto à Sua “aliança”, era de uma graça sem igual. Não era proposta nenhuma condição – não foram feitas exigências. Sua palavra a Abraão foi: “EU DAREI”. A terra de Canaã não era para ser comprada pelos feitos do homem, mas para ser dada pela graça de Deus. Evidentemente, Ele não havia prometido a terra de Canaã à semente de Abraão com base em qualquer coisa que Ele previsse neles, pois isso teria destruído totalmente a verdadeira natureza de uma promessa. Teria tornado isso um pacto, e não uma promessa, mas “pela promessa, a deu gratuitamente a Abraão”, e não por meio de um pacto – veja Gálatas 3. Portanto, no começo de Êxodo 19, o povo é lembrado da graça com a qual Jeová até então havia lidado com eles, e são assegurados do que ainda seriam no futuro, desde que continuassem a manter a “aliança” da liberdade e da graça absoluta. “[Vós] sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos”. Como eles poderiam ser isso? Será que seriam “uma propriedade [tesouro – KJV] peculiar” quando assolados pelas maldições de uma lei violada – uma lei que eles haviam violado antes de recebê-la? Certamente que não. Como então eles seriam esse “tesouro peculiar”? Permanecendo na posição em que Jeová os considerava quando obrigou o avarento profeta [Balaão] a exclamar: “Que boas são as tuas tendas, ó Jacó! Que boas as tuas moradas, ó Israel! Como ribeiros se estendem, como jardins ao pé dos rios; como árvores de sândalo o SENHOR as plantou, como cedros junto às águas. De seus baldes manarão águas, e a sua semente estará em muitas águas; e o seu rei se exalçará mais do que Agague, e o seu reino será levantado. Deus o tirou do Egito; as suas forças são como as do unicórnio” (Nm 24:5-8). Por que a lei foi proposta? Mas por que, pode-se perguntar, a lei foi dada a Israel, quando eles não tinham forças para cumpri-la? Deus viu que seria bom e saudável que o homem conhecesse a verdade sobre si mesmo e a natureza e extensão das reivindicações de Deus sobre ele, e, para esse fim, Ele deu a lei. Era o padrão perfeito do que Deus exigia do homem, do que o homem deveria ser, e a proibição daquilo a que o homem era fortemente inclinado. Os dez mandamentos, em sua maior parte, são como uma proibição da vontade humana. “Não farás” ... “não farás” é a voz severa e proibitiva da lei moral. O papel da lei era detectar e registrar as ações do homem e evidenciar seu caráter de transgressor. “Logo, para que é a lei?” diz o apóstolo Paulo, “Foi ordenada por causa das transgressões”. Desde a queda até o momento em que a lei foi dada no Sinai, o homem foi deixado para provar o que é sua natureza decaída sem as restrições da lei: após esse período, vemos o que ele se torna quando sujeito a uma autoridade que proíbe e se opõe aos desejos da carne e da mente. Sem lei, os homens eram bárbaros; sob a lei, são infratores da lei; e quando Cristo veio, cheio de graça e verdade, a Ele rejeitaram e crucificaram. C. H. Mackintosh (adaptado) O tesouro peculiar de Deus Israel era o tesouro peculiar de Deus na Terra, escolhido por graça soberana. É verdade que, quando se submeteram voluntariamente à lei, perderam a bênção nesse terreno, nessa condição. Mas Deus não será frustrado em Seus propósitos, nem deixará de cumprir Sua promessa a Abraão. No dia vindouro, predito na linguagem do Salmo 135, Deus trará Seu tesouro peculiar, Israel, em bênção, mas no mesmo terreno em que Ele fez a promessa a Abraão – Sua graça soberana. A obra consumada de Cristo na cruz já forneceu os meios pelos quais Deus pode fazer isso, e, no dia milenar, Ele exibirá Seu tesouro peculiar nesta Terra. O tesouro escondido no campo Mas onde tudo isso deixa o “tesouro escondido num campo”? É bonito ver como Deus, embora não se esquecendo de Seu tesouro terreno, também pôde encontrar um tesouro celestial, escondido no mesmo mundo que Seu tesouro terreno. Somente Seus olhos podiam vê-lo, mas para tê-lo, Ele comprou todo o campo. Nesse sentido, o tesouro no campo ainda está oculto, pois, embora esteja no mundo, não é do mundo. Não será visto em sua verdadeira glória e beleza até que seja exibido no esplendor celestial, quando a cidade santa descer do céu, proveniente de Deus (Ap 21:9-27). Somente então esse tesouro será totalmente exibido, mas tal exibição não será na Terra. Hoje, enquanto Cristo é rejeitado, esse tesouro ainda está oculto no campo e não é reconhecido pelo mundo. Mas naquele dia, será exibido acima da Terra e para que toda a Terra o veja. Tem caráter celestial, não terreno, e, portanto, seu lugar está nos céus, e todas as suas bênçãos estão nos lugares celestiais. Mas por causa desse tesouro, Deus comprou todo o campo – o mundo – através da obra de Cristo na cruz. O mundo era Seu por direito de criação, mas Satanás usurpou esse direito, e, por causa da rejeição de Cristo, as Escrituras agora o chamam de deus e príncipe deste mundo. Mas está chegando o dia em que Cristo tomará Seu lugar de direito e reivindicará a herança que é Sua de maneira dupla – pelo direito de criação e pelo direito de redenção. Assim, vemos que Deus não é inconsistente em ter dois tesouros, pois um é terreno e o outro é celestial. Na Terra, a bênção foi ordenada “desde a fundação do mundo” (Mt 25:34), enquanto a companhia celestial foi escolhida para a bênção “antes da fundação do mundo” (Ef 1:4). Ambos são Seus tesouros, mas a Igreja é Sua joia – a noiva de Seu amado Filho. Ela terá o primeiro lugar e estará mais próxima do coração de Cristo, pois habitará com Ele onde Ele habita. Mas Deus não esquecerá de Seu povo terreno; eles serão o Seu tesouro peculiar no dia milenar. W. J. Prost Tesouros Escondidos Há algo que nos atrai nos atos de esconder e encontrar tesouros; muitos são cativados por esse fascínio. Esse conceito não é desconhecido por Deus, tanto que Ele escondeu tesouros para nós encontrarmos. “A glória de Deus é encobrir o negócio, mas a glória dos reis é tudo investigar” (Pv 25:2). “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me” (Mt 19:21). Nos dias de Jeremias, quando o reino de Judá se encontrava em estado de decadência, havia dez homens que usaram tesouros escondidos em seus campos para preservar suas vidas da morte por aqueles que eram gananciosos de poder e riquezas. Esses dez tinham tesouros escondidos em seus campos – talvez para mantê-los longe da ameaça iminente de Nabucodonosor. Seja como for, quando Ismael matou Gedalias e esteve a ponto de matar também esses dez por se submeterem aos babilônios, eles disseram: “Não nos mates a nós; porque temos no campo tesouros escondidos, trigo, e cevada, e azeite, e mel. E ele, por isso, os deixou e não os matou, como a seus irmãos” (Jr 41:8). Esses homens foram prudentes em fazer provisão visando o julgamento de Judá que tinha sido pronunciado por Jeremias. Eles aceitaram o fato de que naquele momento Deus não levantaria um rei que os libertaria de Nabucodonosor, o rei gentio. Eles ocultaram suas riquezas do julgamento iminente de Deus sobre a nação de Israel, pois Deus tomaria o governo da terra de Israel e o daria aos gentios. É improvável que suspeitassem que alguns de sua própria nação os cobiçassem com avidez, mas, mesmo assim, os tesouros levaram à preservação de suas vidas. O reino dos céus Voltando agora ao tempo em que o Senhor Jesus veio restabelecer o reino em Israel, descobrimos como Ele foi rejeitado pelo Seu próprio povo. Isso O levou a revelar outra parte do reino de Deus. Em Mateus encontramos 10 parábolas que falam das semelhanças do “reino dos céus”. Elas nos dão uma visão de como o Senhor, enquanto está no céu, está formando um reino durante o tempo presente. Esse reino é distinto do que foi prometido a Israel no Velho Testamento, que sabemos que será estabelecido quando o Senhor vier para reinar em justiça. Os primeiros discípulos não entenderam isso até depois que o Senhor retornou ao céu. A seguinte citação de William Kelly explica como os primeiros discípulos entenderam a transição de sua esperança do reino terreno para o celestial: “A esperança de Israel era o reino em poder quando o Messias reinaria, e todas as classes de pessoas estavam familiarizadas com isso. Assim, com o Messias na Pessoa de Jesus, finalmente e realmente na Terra, o aparecimento do reino de Deus foi visto da maneira mais próxima possível. Para corrigir esse erro, o Senhor contou a parábola das “libras” (Lc 19:11). No entanto, o quão profundamente gravado esse pensamento estava no coração dos judeus é evidenciado pela pergunta que Lhe foi dirigida pelos discípulos em seus últimos momentos com Ele na Terra (At 1:6-9). José de Arimateia, que sepultou o Senhor, aguardava o reino de Deus, e os dois discípulos em sua jornada a Emaús confiaram ao estranho (como pensavam!) as acalentadas esperanças de seus corações, agora arremessadas ao chão por Sua morte (Lc 23:51; Lc 24:21). Sua resposta confirmou que suas esperanças estavam corretas e reviveu as antecipações das futuras bênçãos da nação. “Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?” Sua morte, então, por mais estarrecedora e objeto de tropeço que fosse para Seus discípulos, não impediria o cumprimento das profecias registradas nas Escrituras, pois, como ensinou Paulo à multidão reunida na sinagoga de Antioquia, na Pisídia, as misericórdias de Davi seriam asseguradas através do Rei que reinasse em ressurreição (At 13:34). Tudo isso, no entanto, ainda é futuro, embora o reino exista na Terra agora. O que então caracterizaria a época em que essa condição anômala de coisas deveria durar – o reino existente sem que o poder do rei estivesse em todos os lugares realmente confessado? Os profetas não nos dizem nada sobre isso, portanto o Senhor deu essas parábolas, chamadas de as semelhanças do reino, para explicar essa época – são elas que suprem o elo que faltava nessa corrente. Encontradas em Mateus 13, 18, 20, 22 e 25, elas aparecem somente depois que Sua rejeição pela nação foi inequivocamente declarada. “Por isso”, disse o Senhor, “todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”. “Coisas velhas”, porque ele pode falar do que os profetas previram; “novas”, porque ele pode ensinar o que o Senhor revelou”. W. Kelly (adaptado) Os parágrafos a seguir relatam como o reino dos céus envolve “tesouros escondidos” que podem ser encontrados, e como eles se aplicam a nós. É iminente o tempo em que o Senhor fará a transição da formação de Seu reino celestial para a formação do Seu reino terrenal. Devemos ser servos fiéis e prudentes, aguardando a Sua vinda, ou seja, discernindo o tempo (Veja Mateus 24:45-51). O joio e o trigo (Mateus 13:24-30, 36-43) A primeira semelhança do reino dos céus diz respeito à semeadura e colheita do trigo no campo. O semeador semeia a boa semente, mas o inimigo semeia joio. O objetivo do inimigo é atrapalhar e destruir, mas Deus permite que o joio esconda o verdadeiro tesouro – o trigo. Há um processo de separação no final dos tempos que reunirá o trigo no celeiro e queimará o joio. O trigo representa os filhos do reino, enquanto o joio diz respeito aos falsos professos. O Senhor enfatiza a importância de entender essa parábola em Marcos 4:13 quando diz: “Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?” É necessário entender esta primeira das dez parábolas para viver e trabalhar de maneira inteligente. A parábola revela como Deus está reunindo um povo na Terra para o céu. Quando o Senhor vier e os santos forem arrebatados com Ele, o trigo será recolhido no celeiro e depois “os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça” (v. 43). A semente de mostarda e o fermento (Mateus 13:31-33) As próximas duas parábolas apresentam como o reino dos céus se desenvolve nas mãos dos homens. A semente de mostarda, que é a menor das sementes, se torna uma grande árvore para os pássaros do ar. O objetivo e a utilidade do pé de mostarda não é tornar-se uma grande árvore, mas os homens transformaram a Cristandade em um grande sistema na Terra. A verdadeira grandeza do céu está escondida daqueles que fazem da Cristandade um sistema humano de vida terrena. A mulher que esconde o fermento nas três medidas de farinha corrompe toda a massa até que se torne inútil. Isso mostra os males internos da Cristandade. Eles estão ocultos, mas corrompem todo o testemunho público. Mas, da atual ruína da Cristandade, o Senhor reunirá um povo purificado em Sua vinda. O tesouro escondido no campo e a pérola (Mateus 13:44-46) A próxima parábola revela o que Deus vê escondido no campo. Ele ama e valoriza Seus santos. Eles são o tesouro que Ele vê, e, para obtê-lo sem que outros o saibam, Ele compra todo o campo (o mundo). Assim, em João 17:9, o Senhor ora por eles: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são Teus”. A parábola da pérola que foi descoberta mostra como o valor da pérola era especialmente conhecido pelo comerciante, o que o motivou a vender tudo para obtê-la. Assim, “Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25). As últimas parábolas Enquanto as primeiras parábolas tratam mais das coisas ocultas do reino dos céus, as últimas parábolas trazem diante de nós o que pode ser visto. Elas também falam do processo de separação no final da dispensação do reino dos céus. O que é de grande valor é separado do que é inútil. A rede lançada ao mar reúne peixes de todos os tipos, tanto bons quanto ruins. Portanto, a pregação do evangelho reúne meros professos da fé Cristã, bem como crentes verdadeiros. São os anjos que separam os bons dos maus no fim dos tempos. A parábola do servo perdoado (Mt 18:23-35) é uma ilustração do uso e abuso daqueles que encontram perdão no reino dos céus. A parábola do chefe de família que contrata trabalhadores (Mt 20:1-16) tem a ver com a diferença entre obter coisas pelas “obras”, em contraste com receber a graça de Deus. No reino dos céus, tudo é por graça. A parábola do banquete de casamento do filho do rei (Mt 22:14) ilustra como, depois da nação de Israel ter rejeitado o convite de Deus, Ele enviou um convite incondicional a todos. Ele teria o céu cheio. A última parábola, das dez virgens (Mt 25:1-13), é uma descrição de como haverá uma separação entre os verdadeiros crentes e os meros professos quando o Senhor vier. Somente aqueles que têm óleo em suas lâmpadas irão para o casamento; os falsos professos serão deixados para juízo. Descobrimos, então, que, como os dez homens em Judá esconderam tesouros em seus campos, o que preservou suas vidas, assim o Senhor tem um tesouro escondido no “reino dos céus”. Nós somos esse tesouro para Ele; quando “ouvimos e entendemos”, Ele se torna nosso Tesouro. As parábolas revelam o que está para acontecer quando o Senhor vier. Que Ele nos ajude a tomar posse de nossa verdadeira porção com Ele como participantes de Seu reino celestial. “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6:21). D. C. Buchanan O Tesouro Escondido “Também o Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo” (Mt 13:44). Não duvidamos que a parábola aponte para Cristo como Aquele que encontra um tesouro em Seu povo e, por alegria, vende tudo o que tem para que possa obtê-lo. Assim, lemos: “pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta” (Hb 12:2). “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre, para que, pela Sua pobreza, enriquecêsseis” (2 Co 8:9). Sim, como diz a parábola, Ele vendeu tudo o que possuía e, como prova a passagem de Hebreus 12, tinha em vista a alegria que foi colocada diante de Si – a alegria da qual fala nossa parábola. Devemos, de fato, olhar quem era Cristo e a posição que Ele tinha tanto como Criador quanto como Deus desde a eternidade. Depois, devemos olhar para o nosso Senhor em Sua humilhação, Sua agonia no jardim e Sua vergonhosa morte, antes que possamos ter um vislumbre do que Lhe custou comprar o campo em que estava escondido o tesouro de Seu coração. Mas há outro ponto na parábola. Diz não apenas que o homem comprou o tesouro, mas também que comprou o campo em que o tesouro estava escondido. No mesmo capítulo, nosso Senhor, ao explicar a parábola do semeador, diz: “O campo é o mundo”. Então, nosso Senhor comprou o mundo – toda a humanidade – e aqui reside uma verdade importante. É como um homem rico que vai a uma fazenda de escravos e, depois de pagar um preço por todos os escravos, envia uma proclamação de que, quem quiser, pode ser livre. Infelizmente, porém, alguns dos escravos gostam da terra e da segurança da plantação, e preferem permanecer em escravidão. Assim, nosso Senhor, em Sua morte, comprou toda a humanidade e enviou Seus ministros para que implorassem aos homens que se reconciliassem com Ele. Mas, infelizmente, os homens preferem as correntes de Satanás e as iscas que ele habilmente coloca para eles. Isso ilustra também a diferença entre “comprar” e “redimir”. Muitos agora estão iludindo seus semelhantes com o pensamento da salvação universal, enquanto há uma grande diferença entre a compra de escravos, a oferta de liberdade e a libertação de fato da escravidão. Lemos sobre alguns (almas perdidas) que negam o Senhor que os comprou (2 Pe 2:1), enquanto aqueles que são redimidos, são realmente trazidos para fora do reino de Satanás, “para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1:13). Essa é a parábola do tesouro escondido. Cristo é o comprador; Seus santos são o tesouro; todos os homens são o campo. É chamado de tesouro escondido, pois ninguém poderia ter descoberto que Cristo tinha um tesouro onde tudo era pecado e maldade. A doutrina da Igreja também estivera há muito escondida; Paulo tornou conhecido “o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações” (Cl 1:26). Então todos deveriam ver “qual seja a dispensação do mistério, que, desde os séculos, esteve oculto em Deus” (Ef 3:9). Cristo então suportou a vergonhosa morte da cruz – tendo ficado pobre, vendido tudo o que tinha – mas em breve terá o tesouro junto a Si – uma Igreja gloriosa, sem mancha, ou ruga, ou coisa semelhante! Ao Seu nome seja toda a glória! Christian Truth (adaptado) O Tesouro e o Coração “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12:34). O princípio moral aqui estabelecido por nosso Senhor exige nossa profunda e constante atenção, e mais ainda porque a carne sempre engana, e luta contra esse princípio, visando se entregar a um disfarce que o ignora de forma convincente. Mas andamos por fé, não por vista, e com razão. Onde não há fé, um objeto presente envolve o coração e se torna o tesouro. É o eu de uma forma ou de outra, em que Satanás é o mestre, e não Deus: Qual, então, deve ser o fim para a eternidade? O objeto mais prevalente é o que nosso Senhor chama de “torpe ganância”, pois o dinheiro é o meio mais fácil de se obter ganhos para gratificar as cobiças carnais. Ou pode ser o coração abandonado aos prazeres do pecado por um período. O poder é a ambição de alguns, assim como a fama é de outros. Também pode tomar uma direção religiosa com a mesma prontidão, com um desejo de honra mundana. Desse modo os homens perecem, mesmo onde nenhuma grosseria aparece, mas apenas o mais agradável refinamento. Somente Cristo livra e preserva de todas essas armadilhas. Ele é dado e enviado por Deus para conquistar o coração por Sua graça inefável, adaptando-Se à nossa culpa, miséria e inutilidade através do pecado, para salvar o mais vil do seu mal, reconciliar com Deus, ser tanto vida quanto justiça para aquele que não tinha nenhuma delas, e para associá-lo com o céu. Assim, Ele separa a pessoa do mundo, não apenas em tudo o que é evidentemente mal, mas também em tudo o que afirma ser bom ou melhor, para que não mais vivamos para nós mesmos, mas para Aquele que, por amor de nós, morreu e ressuscitou. E como isso é para a glória do Pai, assim é realizado pelo poder do Espírito que está aqui, enviado agora do céu, desde o Pentecostes, para glorificar Aquele que nunca buscou Sua própria vontade, mas sim a de Deus. Cristo é o verdadeiro tesouro Cristo é, portanto, o verdadeiro tesouro, e para o louvor da glória da graça de Deus, Ele nos fará como Ele diante de Si mesmo, não apenas em natureza, mas em relacionamento, tanto quanto possível. Temos, porém, esse tesouro, por enquanto, em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós mesmos. “Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Co 4:16-18). Portanto, nosso Senhor pede que não acumulemos para nós tesouros na Terra onde a traça e a ferrugem estragam e onde os ladrões cavam e roubam, mas que acumulemos para nós mesmos tesouros no céu onde nem a traça nem a ferrugem estragam e onde os ladrões não cavam nem roubam. “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lc 12:34). O coração segue necessariamente o objeto de sua afeição; Cristo, o Tesouro do Cristão, não era da Terra, mas veio de cima, do céu e acima de tudo. “Aquele que vem de cima é sobre todos” (Jo 3:31). Onde está o nosso tesouro? Portanto, não é apenas o que é o tesouro, mas também para o local onde ele está que o Senhor chama nossa atenção. E dessa verdade do tesouro no céu deriva grande força da ascensão de nosso Senhor para onde Ele estava antes (Jo 6:62), não mais apenas como Filho de Deus, como quando Ele desceu, mas agora também como o Filho do Homem em glória celestial. Esta é a maneira correta e completa pela qual o Cristão O conhece. “Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já O não conhecemos desse modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura (criação – TB) é” (2 Co 5:16-17). O Cristão está unido pelo Espírito a Cristo glorificado, agora que ele repousa na redenção realizada, pois “o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito”. Só podia ser assim nesse momento e nesse lugar. Portanto, tendo morrido com Cristo e ressuscitado juntamente com Ele, somos exortados a procurar as coisas que são de cima, onde Cristo está, sentado à destra de Deus, a fixar nossa mente nas coisas que estão em cima, não nas coisas que estão sobre a Terra, pois morremos e nossa vida está escondida com Cristo em Deus. E esperamos que, quando Cristo, nossa vida, se manifestar, também nós nos manifestaremos com Ele em glória. Nosso coração Podemos notar que em Lucas 12 a conexão dessa verdade é expressa de forma mais ampla (“onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração”), não apenas com o aviso da precariedade de tudo, mas com um tesouro no céu, com a vinda do Senhor como uma esperança presente. “E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, logo possam abrir-lhe” (Lc 12:36). Essas palavras indicam claramente o chamado para estar constantemente aguardando por Ele. No total, o objetivo é inconfundível se estivermos andando no Espírito. Agora levamos o título de “celestiais” (1 Co 15:48-49), e esperamos, fundamentados na mais segura autoridade, que isso se concretize até mesmo em nossos corpos em Sua vinda. Enquanto isso, cuidemos viver, servir, andar e adorar de forma consistente com nossa fé e nossa esperança. Nada menos que isso é o Cristianismo do Novo Testamento, agora que conhecemos muitas das coisas que os discípulos não podiam suportar, até que tivessem redenção através do Seu sangue e do dom do Espírito. Quando o Espírito veio d’Ele do alto, Ele não deixou de guiá-los a toda a verdade. W. Kelly (adaptado) Todos os Tesouros da Sabedoria e do Conhecimento O homem adquiriu uma grande quantidade de conhecimento nas últimas décadas, e o mundo moderno reflete as tremendas mudanças que ocorreram como resultado desse conhecimento. Se o homem tem a sabedoria para usar esse conhecimento da maneira correta é outra questão; muitos hoje sentem que o aumento do conhecimento fez com que o curso deste mundo ficasse fora de controle. Agora temos um mundo com maior abertura, mais complexo e interconectado do que nunca. Os avanços na tecnologia e o aumento do uso das mídias sociais trouxeram uma interação de várias forças – sociais, econômicas, políticas – com as quais o mundo parece incapaz de lidar. O uso da tecnologia moderna na medicina, juntamente com o abandono da Bíblia como autoridade moral final em muitos países ocidentais, levantou questões morais e éticas difíceis de resolver. Um artigo recente da revista Time Magazine resumiu isso dizendo: “O progresso tecnológico e a globalização estão obscurecendo fronteiras e derrubando premissas tradicionais. A ascensão dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento está reconfigurando os balanços de poder, enquanto a ordem internacional do último meio século luta cada vez mais para se adaptar à nova realidade”. Em meio a toda essa confusão resultante desses desenvolvimentos, é revigorante recorrer à Palavra de Deus e ler as palavras de Paulo aos Colossenses: “Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós […] para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus — Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2:1-3). Acesso a toda sabedoria O que os homens não dariam hoje, se pudessem ter acesso a toda a sabedoria e conhecimento necessários para enfrentar os desafios que enfrentam! Deus disponibilizou essa sabedoria e conhecimento, mas é para aqueles que pertencem a Cristo e que desejam procurar por ela. Antes de tudo, essa sabedoria e conhecimento são encontrados no “pleno conhecimento” do mistério de Deus. Este é o mundo d’Ele e, para entender seu curso, precisamos reconhecer o que Ele está fazendo. Em meio a toda confusão nos propósitos e movimentos dos homens, Deus está realizando Seus propósitos, e se virmos quais são os propósitos de Deus, podemos entender o segredo do que está acontecendo. A joia no plano de Deus O mistério de Deus nos é dado em Efésios 1:9-10: “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”. A confusão que vemos ao nosso redor está operando para esse fim, pois Deus tem diante de Si a exaltação de Seu amado Filho como Cabeça sobre todas as coisas. Hoje, o homem está usufruindo deste mundo como acha melhor, e há inúmeras discussões e argumentações sobre coisas como mudança climática, aquecimento global e poluição, bem como seus efeitos na vida vegetal, animal e humana. Mas é tudo do ponto de vista do homem, pois ele procura preservar este mundo, como supõe ser capaz de conseguir, para as gerações futuras. Além disso, já estamos começando a ver “o mar e as ondas rugindo” (Lc 21:25), enquanto as nações competem entre si por domínio e influência neste mundo. Os propósitos de Deus neste mundo – o mundo que Ele criou – não são considerados. Esse mistério não foi revelado no Velho Testamento; estava oculto em Deus, mas agora é uma revelação feita à Igreja, a joia do plano de Deus para o homem, que é Sua criatura. Deus não apenas tem em Seus propósitos a exaltação de Seu amado Filho; neste dia de Sua graça, Ele também está chamando, para fora deste mundo, um povo para formar Sua Igreja, como uma noiva para Seu Filho. Ao entendermos esse mistério, a visão total que temos deste mundo passa a ser formada de acordo com os pensamentos e propósitos de Deus – propósitos que certamente serão realizados. Um tesouro é algo sobre o qual atribuímos um alto valor, e é realmente de grande valor podermos olhar para este mundo e descobrirmos que, ao reconhecermos o mistério de Deus, podemos ter sabedoria e conhecimento para entender para onde tudo está indo, e como percorrer um caminho divino através dele. Mas é um tesouro escondido – sabedoria encoberta. O homem natural não pode encontrá-la, nem pode ser obtida pela inteligência humana. Deve ser procurada, mas o crente, que é habitado pelo Espírito de Deus, possui tudo o que é necessário para encontrá-la. Além disso, ao se referir aos tesouros da sabedoria e do conhecimento, o Espírito de Deus usa a palavra “encoberto” com um propósito. Não é que Deus não esteja disposto a revelar Seus tesouros, mas Ele os revela àqueles que os valorizam. Mesmo entre os crentes, a preciosa verdade do mistério de Deus nem sempre é bem-aceita. Satanás fez um trabalho efetivo de reduzir o Cristianismo ao nível de uma religião mundana, e Deus não revela Seus tesouros a Cristãos mundanos. Não, esses tesouros são para aqueles que os valorizam e estão dispostos a procurá-los. Cheio de conhecimento Juntamente com esse pensamento, está o fato de que aqui a sabedoria é mencionada antes do conhecimento. Normalmente, o conhecimento deve vir primeiro, e encontramos essa ordem em Colossenses 1:9: Para “que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual”. Mas aqui, no capítulo 2, a ênfase está na aceitação do próprio Cristo como a sabedoria de Deus, como vemos em 1 Coríntios 1:24: “Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. Quando somos levados ao ponto de ver Cristo crucificado em total humilhação como revelador da sabedoria de Deus, estamos prontos para aceitar a sabedoria e o conhecimento que são revelados no entendimento do mistério de Deus. Ter essa sabedoria e conhecimento foi muito valioso em qualquer época da história da Igreja, mas é um tesouro muito especial para o mundo de hoje. Antes de tudo, como já mencionamos, podemos olhar para a turbulência e incerteza ao nosso redor e ter os pensamentos de Deus sobre isso – porque está acontecendo e, mais importante, onde tudo terminará. Isso permite que o crente ande em paz, pois enquanto ele está realmente sobrecarregado com o que vê ao seu redor e preocupado com as almas perdidas apanhadas por esse mundo, ele próprio está em paz em sua caminhada Cristã. “Através de cenas de conflito e vida no deserto, caminhamos em paz em nosso caminho” (Little Flock Hymnbook # 12). A aplicação às nossas circunstâncias Segundo, esses tesouros de sabedoria e conhecimento se aplicam igualmente às nossas circunstâncias individuais – nossa educação, nosso trabalho, nossa vida familiar, nossa interação com os outros, sejam crentes ou não – todas essas coisas são governadas pela sabedoria e pelo conhecimento adquiridos a partir do conhecimento completo do mistério de Deus. Ele alcança todos os aspectos da vida Cristã, e é por isso que Paulo estava tão sobrecarregado por causa dos crentes em Colossos e Laodiceia. Havia aqueles que tentavam corrompê-los “por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2:8). Mas Paulo nos lembra que “n’Ele [Cristo] habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2:9). Ao entendermos o que vemos neste mundo e ao ordenarmos nosso próprio caminho através dele, nada mais é necessário além de Cristo. A honra e a glória de Cristo Finalmente, e talvez o mais importante, o “pleno conhecimento do mistério de Deus” (AIB), honra e glorifica a Cristo, Aquele que é o assunto de todos os propósitos de Deus. Os “rudimentos do mundo” exaltam ao homem; o mistério de Deus exalta a Cristo. No primeiro capítulo de Colossenses, Ele é a Cabeça tanto da criação quanto do corpo, a Igreja, “para que em tudo tenha a preeminência” (vs. 18). Quando reconhecemos e compreendemos o mistério de Deus, também reconhecemos que “foi do agrado do Pai que toda a plenitude n’Ele habitasse” (Cl 1:19). Nosso Senhor Jesus Cristo será exaltado e o mistério de Deus compreendido por todos num dia vindouro. É um privilégio entender esse mistério e seus tesouros ocultos e exaltar nosso Senhor Jesus Cristo hoje. W. J. Prost Tesouro em Vasos de Barro Quando nos voltamos para 2 Coríntios 4, encontramos três coisas em conexão com “este ministério”. Elas estão no sétimo versículo. Ali lemos que “temos esse tesouro”, que é em “vasos de barro”, e há o que é chamado de “a excelência do poder”, ou, mais precisamente: “a supremacia [superioridade – JND] do poder”. Essas são três coisas maravilhosas que devemos ter diante de nossos pensamentos. “Esse tesouro”, o que é isso? Não é tanto a estimativa que meu coração forma de Cristo quanto o valor que Deus encontrou n’Ele. Certamente, o Senhor Jesus Cristo deve ser um Tesouro para o Seu povo, mas aqui o Tesouro, que claramente é Cristo, é apresentado mais no sentido de como é visto por Deus. Cristo é Seu Tesouro. Como esse tesouro foi posto no vaso? Lemos: “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (2 Co 4:6). Não é que eu tenha tomado posse, por mim mesmo, do tesouro; trata-se da graça soberana de Deus, tanto em Seus propósitos quanto em Suas ações. No princípio, “Disse Deus: Haja luz. E houve luz” (Gn 1:3). Assim aconteceu também espiritualmente em nossos corações: Deus, em Sua maneira soberana de lidar com as coisas, que ordenou que das trevas a luz brilhasse, é o Deus que brilhou em nossos corações. É o próprio Deus que brilha no coração de um homem, em todo o Seu poder abençoador e iluminador, pois é a “iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (2 Co 4:6). Uma luz do céu Vemos isso em Saulo de Tarso, no caminho para Damasco, um perseguidor com nada além de ódio por Cristo. Ele de repente viu “uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol”, e o Salvador em glória foi revelado em sua alma. Ele é, portanto, o exemplo vivo da maneira como esse tesouro bendito é depositado na alma de um homem. Toda a glória de Deus é assim expressa. Não podemos entender nada sobre a glória de Deus a menos que a vejamos na face de Jesus Cristo, e é na presença dessa glória que nossa consciência é tratada. Se realmente vemos toda a glória de Deus resplandecendo na face de Jesus Cristo, não podemos deixar de ser desafiados nas profundezas de nossa consciência. Então somos convencidos, e a primeira expressão de nosso coração na presença dessa glória deve ser: "Eu me abomino". E, no entanto, isso leva à confiança, pois a glória vista na face de Jesus Cristo é a glória de Deus na redenção. Os vasos de barro Em seguida, lemos que “temos, porém, esse tesouro em vasos de barro”. Nas coisas naturais, quando o homem tem algo valioso, ele geralmente o envolve em algo que é (pelo menos na aparência) também valioso. O baú é tão bonito quanto a joia, mas Deus não faz assim. Ele pega o Seu tesouro, o mais caro, o mais valioso e precioso para Ele, e o coloca no mais desprezível vaso que você poderia imaginar – um pobre e frágil vaso de barro. Mas Ele tem um propósito nisso; dá a Ele a oportunidade de fazer duas coisas. Em primeiro lugar, o deleite d’Ele é fazer com que o tesouro seja tudo, e, em segundo lugar, Ele se agrada em revelar a supremacia do poder. Não existe apenas a glória suprema do tesouro, mas o poder supremo com o qual Ele opera no vaso – o vaso quebrado em pedaços. De fato, o vaso não vale nada até que seja quebrado em pedaços, mas por trás desse pobre vaso há um poder supremo. Todo o poder de Deus vai junto com o pobre vaso, no qual Ele coloca esse tesouro. Mas não temos apenas que aceitar os quebrantamentos que Deus traz sobre nós; além disso, devemos guardar a sentença da cruz, a morte de Cristo, que nos deu liberdade da condenação a que estávamos expostos – devemos manter essa morte sobre nós mesmos. Deus quebra o vaso, mas também devemos manter a sentença de morte sobre ele, “para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4:7). Assim, primeiro temos o vaso de barro, exatamente o que você e eu somos; segundo, um tesouro colocado nele de glória suprema; e terceiro, um poder supremo que está por trás disso. Esse poder está sempre trabalhando em companhia do nada e da fraqueza, além de uma completa negação da carne e do mundo. Caso contrário, não podemos ter poder; não há brilho de Cristo, a menos que o vaso seja inteiramente como argila nas mãos do oleiro. O exército de Gideão A imagem aludida aqui é, sem dúvida, do exército de Gideão. Eles colocaram a luz no cântaro, mas a luz não brilhou até que o cântaro foi quebrado. E sem dúvida o Espírito de Deus alude a esse fato aqui. Você tem o brilho da glória, e você tem o poder supremo que é capaz de brilhar. As duas coisas sempre andam juntas. Quão pouca afeição existe em nossos corações para entrarmos no propósito de Deus; que, em um mundo que rejeitou Seu Filho, houvesse aqueles que deveriam ser a manifestação d’Aquele que o mundo rejeitou, mas que Deus glorificou. Nossos corações desejam isso? Será que podemos Lhe dizer: Eu tenho apenas um desejo, que eu seja sobre a Terra um vaso em que a exibição da glória do Teu Filho, o Senhor Jesus Cristo, seja encontrada em todas as circunstâncias aqui? Deus se deleita em nos ajudar, e teremos o conforto de estar em comunhão com Seu pensamento. É a mais maravilhosa graça de Sua parte nos levar a tal lugar para que possamos ter uma mente semelhante a d’Ele, e nos capacitar por meio de tal poder supremo. O poder supremo Suponha que eu veja alguém se afastando de tudo neste mundo, que não procure nada nele, nem tire nada do mundo. Eu diria: “Que poder supremo é exibido nesse homem!” Se vejo uma criatura pobre e débil deitada em um leito por causa de uma doença, atormentada pela dor, que, em vez de reclamar, demonstra descanso e tranquilidade com a bendita manifestação de Cristo em mansidão e perseverança, digo: “Que poder de superação existe aí!” Não há uma circunstância na vida – seja doença ou saúde, dor ou sua ausência, prosperidade ou perda, provação ou facilidade – para muitas pessoas, não há uma única coisa para quem está satisfeito em ser argila nas mãos do poder supremo. E mais do que isso, é nessas mesmas circunstâncias que Cristo é mais querido para nós, pois somente Ele nos é suficiente para tudo. Além disso, é onde estamos, não onde gostaríamos, que Deus deseja que Seu Filho seja visto em nós. Esse é o testemunho que realmente falta neste momento. Podemos falar de doutrinas e ter clareza sobre elas, mas talvez haja poucas doutrinas praticadas e pouca graça correspondente vista nos proponentes delas. Oh, pela manifestação da verdade em amor – aquela exibição de Cristo que é capaz de calar quem O rejeita e recomendar-se às consciências dos homens! E, portanto, diz o Espírito Santo: “Assim nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade” (v. 2). Os homens seriam forçados a dizer: Embora eu não goste dessas pessoas por serem tão estreitas, ainda assim, ao mesmo tempo, minha consciência é obrigada a dar este testemunho de que eles procuram agradar a Deus. Essa é a manifestação real do poder supremo. Que nossos corações valorizem mais do que nunca esse abençoado ministério, caracterizado como é pelas glórias que tivemos diante de nós! W. T. Turpin (adaptado) Tesouro em Vasos de Barro “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4:6-7). O que é esse tesouro e por que chamá-lo de tesouro? O que é um tesouro? É algo que valorizamos, algo em que o coração está fundamentado. O bendito Salvador disse: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, e, quando temos um tesouro, temos o que é valorizado. O coração está ocupado com ele. O que é esse tesouro de que se fala? Diz que o temos em vasos de barro. Os vasos, que encontramos mais adiante neste capítulo, são estes pobres corpos – da Terra, terrenos. Se o Senhor não vier para resgatá-los daqui a pouco, eles voltarão ao pó da qual foram tirados; nesse caso, o poder de Deus na ressurreição entrará em ação e os tirará do pó novamente. No curso natural das coisas, os vasos de barro são simplesmente esses corpos pobres. Esse tesouro é simplesmente Cristo como vida, e vida eterna. Cristãos verdadeiros são aqueles que conhecem a Cristo como seu Salvador, Cristo como sua vida, Cristo como sua justiça, Cristo agora e Cristo para sempre. Aos olhos de Deus, independentemente do que você seja à vista deste mundo, você não é Cristão se não conhece a Cristo como seu Salvador. O que é um Cristão? Ele é aquele que conhece, confessa e segue a Cristo. Os discípulos ou crentes foram chamados pela primeira vez de Cristãos em Antioquia, não em Jerusalém, e é isso que um Cristão é. Ele é alguém que confessa e segue (em alguma medida fraca, mais ou menos, mas segue) a Cristo. Ele O confessa como seu Senhor, como seu Salvador, como seu Exemplo. Até que ponto, companheiro Cristão, a verdade de que Cristo é nosso Salvador e a verdade de que temos vida eterna e nunca pereceremos – até que ponto isso é um tesouro para sua alma? Não é uma mera doutrina, não se trata de apenas descansar na satisfação de que você nunca perecerá. No caminho das Escrituras, não lhe é perguntado o que é essa verdade para sua consciência, mas para seu coração. É um tesouro? Queridos irmãos Cristãos, de uma maneira muito especial, o ministério da verdade de Deus entre os Cristãos deve ser um ministério para o coração. Deus quer seu coração! Mas Sua maneira de chegar ao coração é através da consciência. Deus nunca para Seu trabalho na consciência. É a consciência que nos faz saber o que somos aos olhos de Deus e que nos faz conhecer nossa necessidade de Sua graça – nossa necessidade do Salvador que Ele encontrou para nós. W. Potter A Recuperação de Tesouros Os “tesouros da Casa do SENHOR” eram os vasos de ouro e prata, dedicados por Davi e Salomão, e cuidadosamente preservados no templo. De tempos em tempos, por causa do pecado de Judá, eles eram incapazes de guardar esses tesouros; e, três vezes foram levados por outros (Sisaque, rei do Egito, Jeoás, rei de Israel, e Nabucodonosor, rei da Babilônia). Pior ainda, quatro vezes é registrado que eles foram entregues a outros, seja para contratar soldados mercenários ou para apaziguar uma potência estrangeira. Eles foram entregues por Asa, Jeoás, Acaz e Ezequias – todos reis de Judá. Mas Deus estava de olho neles e, mais tarde, sob Ciro, rei da Pérsia, eles foram devolvidos aos santos que voltaram a Jerusalém após os 70 anos de cativeiro – veja Esdras 1:7-11. O mesmo aconteceu com os tesouros que foram dados à Igreja – os tesouros de Cristo e nossas bênçãos celestiais que nos foram dadas por Ele. Em vários momentos de sua história, a Igreja perdeu esses tesouros por infidelidade e, pior ainda, algumas vezes eles foram usados como moeda de troca por crentes que queriam um caminho mais fácil neste mundo. Satanás prontamente tornará nosso caminho neste mundo mais livre de problemas se estivermos dispostos a renunciar a alguns dos tesouros de nosso chamado celestial. Mas, novamente, como em Israel, Deus valoriza esse tesouro e está disposto a restaurá-lo para nós. No final da dispensação da graça, Deus ressuscitará aqueles através dos quais Ele tornou esses tesouros disponíveis novamente. A primeira glória da Igreja primitiva não será restaurada, mas esses tesouros, dados por Deus desde o início, podem ser desfrutados mais uma vez por aqueles que desejam seguir a Cristo com todo o coração. W. J. Prost Nossas Próprias Coisas ou o Tesouro d’Ele? Uma das maiores provas da proximidade da vinda do Senhor é (embora tenhamos muito pelo que louvar e agradecer a nosso Deus gracioso) o estado geral baixo e morno de coisas entre nós – mornidão ao próprio Cristo, manifestada de muitas maneiras. E, principalmente, acho que posso dizer, isso se manifesta no fato de que (com exceções que trazem glória a Deus) a maioria “busca o que é seu e não o que é de Cristo Jesus” (Fl 2:21). Ou seja, Ele não tem Seu lugar de direito em nossos corações. Buscamos nossas próprias coisas, e, embora elas não sejam coisas erradas em si mesmas, talvez, ainda assim, o coração esteja indevidamente ocupado com elas; então o Senhor Jesus, como o objeto pelo qual deveríamos viver e servir, se perde. Sua presença é desviada e a alma se coloca, inconscientemente, a uma distância d’Ele. O discernimento espiritual está obscurecido e o poder espiritual está quase acabando. Há pouco cuidado com as coisas de Jesus Cristo como eram antes. Permitam-me, então, queridos irmãos, insistir com vocês, e comigo também, sobre a verdade de que “não somos de nós mesmos”, mas fomos “comprados por bom preço”. E a que preço! Ele Se entregou por nós – Ele próprio! Não somos deixados aqui meramente para viver vidas decentes, morais e respeitáveis, até que o Senhor venha, mas a viver para Ele. Devemos ser testemunhas para Ele, e, de alguma maneira, servir uns aos outros e às almas ao nosso redor, apresentando o nosso corpo como um sacrifício vivo a Deus – um sacrifício diário a Ele, que é o nosso culto racional. “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento” (Rm 12:2). E que coisa mais feliz é essa! Como provamos “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”, quando nos entregamos de coração e de maneira real a Ele, como aqueles que estão vivos dentre os mortos! Como o eu praticamente também se foi, quando nos entregamos “a Deus” e “pelos outros”, e quando então “andamos em amor” (Ef 5)! Que doce sabor para Deus! Como podemos ter a Cristo como um objeto para nossos corações (que é como Ele deveria ser para nós)? É vendo que Seu coração está sempre pensando e cuidando de nós – que somos o Seu tesouro. Como alguém disse: “É tão verdadeiro para Ele, assim como é para nós, que, onde está o Seu tesouro, ali também está o Seu coração”. Sim, queridos filhos de Deus, como é bom ver que Ele está sempre pensando, tendo empatia, vigiando, cuidando e nos amando. Oh, que possamos desfrutar mais disso! Vamos nos julgar a nós mesmos por isso, queridos irmãos, fazendo a oração de Efésios 3, que termina pedindo que conheçamos o amor de Cristo por nós, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus. J. B. Dunlop (adaptado) Faze o Que Queres 9.9.9.9. - Adelaide (Have Thine Own Way, Lord!) 1. Faze o que queres de nós Senhor, Pois és oleiro em seu labor; Do barro, vasos, podes moldar E em nós tesouros ricos guardar. 2.Faze o que queres de nós Senhor, Quebra-nos hoje, com Teu amor; Pra que possamos aqui mostrar A luz ao mundo, negro lugar. 3.Faze o que queres de nós Senhor, Do Teu perfume nos faz o odor; Um doce aroma a quem sentir Que ao mundo, morte, traz o porvir. 4.Faze o que queres de nós Senhor, Encha-nos mais do Consolador; Dóceis, humildes, queremos ser, Sempre cumprindo em nós Teu querer. Hino 118 “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6:21)

  • Sal (Agosto de 2022)

    Baixe esta revista digital nos formatos: PDF - EPUB - MOBI ÍNDICE Sal F. G. Patterson Sal C. E. Lunden A Importância do Sal W. J. Prost Jericó – Graça que Cura C. H. Mackintosh Temperado com Sal C. H. Mackintosh O Sal da Terra e a Luz do Mundo W. Kelly Concerto de Sal W. J. Prost Dois Fatos Solenes W. J. Prost Graça em Energia Espiritual J. N. Darby Graça com Sal Christian Truth O Lugar de Conservação do Sal H. E. Hayhoe O Teste do Sal Present Testimony A Doutrina de Paulo e o Sal F. G. Patterson Sal w.j.p (poema) Sal “Que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1). “Cristo [...] pelo Espírito eterno, Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus” (Hb 9:14). Sua vida foi salgada (provada) pelo fogo e só exalou uma fragrância perfumada a Deus. Sem mel – a doçura da natureza – e sem fermento – o que é azedo e inflado. Ele foi salgado com sal — a santa graça que liga a alma a Deus e permite que o coração recuse tudo o que lhe é apresentado que não seja d’Ele. Em resumo, havia, em Cristo, diante dos olhos de Deus um Homem sem pecado, e Ele era aquilo que ninguém nunca foi, sendo Ele mesmo oferecido a Deus. Em Romanos 8:2-3, somos consagrados a Deus e apresentados a Ele como estando em Cristo. Em Romanos 12, como sacerdotes, para quem as misericórdias de Deus abriram a porta do nosso templo, saímos de toda a corrupção do homem e agora apresentamos nosso corpo, até então escravo do pecado, a Deus, um “sacrifício vivo” como estando em Cristo e Sua vida em nós, “santo”, a que o sal indicava (compare Marcos 9:49-50), e “aceitável”, a graça de Cristo vista em nós (o incenso) – tudo apresentado a Deus como um “culto (serviço sacerdotal) racional”. F. G. Patterson (adaptado) Sal O sal é necessário para a vida, tanto para o homem como para o animal, e é um meio de purificar o corpo. O sal é um componente necessário do sangue humano e animal. “O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido[1], como restaurar-lhe o sabor?” (Lc 14:34 – ARA). O sal não pode temperar a si mesmo. Como não beneficia a si mesmo, destina-se a ser usado por outros. O sal é uma figura do poder da santa graça no homem. Um verdadeiro crente é comparado ao sal que dá sabor ou que tempera, e conserva. Ele age como um sabor moral, e enquanto o crente estiver neste mundo, ele é um preservador. O sal não é algo feito com base em uma mistura, mas é encontrado em seu estado natural. “Também se lhes dê, dia após dia, sem falta, aquilo de que houverem mister: novilhos, carneiros e cordeiros, para holocausto ao Deus dos céus; trigo, sal, vinho e azeite, segundo a determinação dos sacerdotes que estão em Jerusalém” (Ed 6:9 – ARA). Que lição aqui — “dia após dia”! O trigo é Cristo para nosso alimento, enquanto lemos e oramos e somos edificados em nossa fé santíssima. O sal é o poder separador da santidade, que nos mantém afastados do mundo e do mal, por dentro e por fora. O vinho fala da alegria constante de se alimentar de Cristo, o resultado do Espírito Santo no íntimo. O óleo, uma figura do Espírito Santo, nos lembra que estamos selados até o dia da redenção, o penhor que nos assegura o tempo em que teremos corpos glorificados, além de nos dar felicidade presente. A unção é a presença e energia do Espírito de Deus em inteligência e poder. “... e sal à vontade” (Ed 7:22 – ARA). O Espírito Santo dá discernimento espiritual quanto à graça e à devoção. “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4:6). O Senhor Jesus pôde dizer: “[Eu Sou] exatamente o que venho dizendo que Sou” (Jo 8:25 – AIBB). A separação aqui diz respeito ao que dizemos, que deve ser com graça para edificação de outros. Essa é uma finalidade do sal. O sal é o poder interior de energia e de santidade em graça, devoção a Deus e separação do mal. Não há vida sem sal e não há vida no sal. Até a comida não tem sabor sem ele. “Pode-se comer sem sal o que é insípido?” (Jó 6:6). Quão vívida é a imagem diante de nós ao vermos as propriedades do sal de uma maneira moral ou espiritual! O sal limpa ao rejeitar tudo o que está no íntimo que é contrário a Deus. Como o sal tempera e dá sabor, assim faz o crente de uma forma moral. Para alguém cuja vida é um sacrifício, o sal é um conservador. Ele liga a alma a Deus e interiormente preserva do mal por causa do poder da santa graça e da devoção. O crente é comparado ao sal. “Vós sois o sal da Terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?” (Mt 5:13 – ARA). Se ele perder o seu sabor ou o seu propósito aqui, ele não serve para nada. Aqueles que se oferecem a Deus, que foram separados para Ele, são o sal da Terra. O sal para o discipulado[2] é a energia interior que liga e dedica o coração a Deus em um serviço de compromisso e desejo. Assim, o sal é o poder de separação da santidade. O que é bom deve ser temperado com sal. “Ele (Eliseu) disse: Trazei-me um vaso novo e ponde nele sal. E lho trouxeram. Então, saiu à fonte das águas, e deitou nela sal e disse: Assim diz Jeová: Curei estas águas; elas não serão mais a causa de morte nem de esterilidade” (2 Rs 2:20-21 – TB). Aqui encontramos Jericó sob maldição, assim como está o mundo pelo qual passamos. Tudo aquilo que refresca (“águas”) está estragado. Deve haver um novo vaso, uma nova natureza, então deve haver sal nesse novo vaso. Nunca pode haver bênção ou refrigério, a menos que haja devoção pessoal a Cristo, e a menos que a fonte das águas (completa dependência de Deus) seja alcançada, onde a santa graça é exercida. O sal deve ser lançado na fonte das águas. Somente Deus, lançando sal na fonte das águas, pode curar da maldição as águas na cidade, e devemos ter a energia espiritual para fazê-lo. Esta é a energia da fé pessoal que depende inteiramente de Deus. Tanto em adoração quanto em serviço, como numa oferta consagrada, não deve faltar o sal da santa graça e devoção. O Velho Testamento fala de ofertas e sacrifícios. Nem todos se aplicam à expiação. Muitos deles são figuras do crente em sua atividade normal. “Vós sois o sal da Terra” (Mt 5:13). Além disso, aprendemos como o crente deve oferecer sua vida e serviço a Deus aqui embaixo. Tudo isso foi escrito para o nosso ensino. Isso não quer dizer que o homem possa, em si mesmo, prover alguma coisa para Deus nem para si mesmo, mas pode haver devoção, uma resposta do coração, percebida por Deus e muitas vezes um testemunho na Terra para Sua glória. “E, acabando tu de o purificar, oferecerás um bezerro sem mancha e um carneiro do rebanho sem mancha. E os oferecerás perante a face do SENHOR; e os sacerdotes deitarão sal sobre eles e os oferecerão em holocausto ao SENHOR” (Ez 43:23-24). O bezerro fala da grandeza da apreciação do que Cristo, em Sua oferta, é para Deus. O discernimento disso se dá por meio do sal, da inteligência interior, bem como da santa graça e devoção. Quão frequentemente precisamos nos julgar quanto a isso! É justo dar a Deus o máximo em devoção, seja em adoração ou sacrifício, e o sal deve sempre acompanhá-los. “E toda a oferta dos teus manjares salgarás com sal; e não deixarás faltar à tua oferta de manjares o sal do concerto do teu Deus; em toda a tua oferta oferecerás sal” (Lv 2:13). “Porventura, não vos convém saber que o Senhor Deus de Israel deu para sempre a Davi a soberania sobre Israel, a ele e a seus filhos, por um pacto de sal?” (2 Cr 13:5 – AIBB). O reino de Davi foi fundado sobre um pacto de sal, devoção perpétua de responsabilidade. Somente Cristo pode preencher este lugar de eterna devoção e graça quanto ao reino. “Porque cada um será salgado com fogo” (Mc 9:49). O fogo representa o próprio caráter de Deus e é o padrão que testa as pessoas quanto à realidade. Se há falha, Ele corrige; se irrealidade, Ele julga. “E cada sacrifício será salgado com sal” (Mc 9:49). Tudo o que é feito para Cristo é testado para ver se é feito em devoção e pela graça. Os esforços da carne não têm lugar em nenhum sacrifício, seja para adoração ou para serviço. Que essas meditações refresquem nosso espírito para a verdadeira devoção e santa graça. C. E. Lunden (adaptado) A Importância do Sal Cerca de 100 anos atrás, uma empresa em St. Clair, Michigan, EUA, que vendia sal, anunciava seu produto publicando um livreto intitulado “Cento e Um Usos para o Sal Diamond Crystal”. Incluídas em sua lista estavam funções como manter as cores brilhantes em vegetais cozidos, fazer sorvete, remover ferrugem, selar rachaduras, apagar fogo de gordura e tratar uma infinidade de doenças humanas, como dispepsia, entorses, dores de garganta e dores de ouvido. Hoje, o número é de mais de 14.000 usos, pois a lista agora inclui a fabricação de produtos farmacêuticos, o derretimento de gelo nas estradas no inverno, a fabricação de sabão, o amolecimento da água e a fabricação de corantes para têxteis. O sal é tão comum hoje, e relativamente barato, que esquecemos que desde o início da história do homem neste mundo, o sal era uma das mercadorias mais procuradas. Só depois do século XX que o sal se tornou facilmente disponível e barato. A busca pelo sal desafiou os engenheiros por milhares de anos. Rotas comerciais foram estabelecidas, alianças formadas, impérios assegurados e revoluções provocadas — tudo por causa do sal. Durante esses milênios, o sal representava riqueza. Muitos governos o tributaram para captar dinheiro. Era muitas vezes usado como dinheiro, e os exércitos eram pagos com sal. A palavra latina sal tornou-se a palavra francesa solde (pagar), da qual veio a palavra soldado e também a expressão, “vale o seu sal”[3]. Nossas palavras em inglês salary [salário] e salad [salada] são derivadas da mesma raiz, já que os romanos frequentemente usavam sal em verduras. Um conservante O sal é mencionado muitas vezes na Palavra de Deus, e a maioria dessas referências está no Velho Testamento. Como outros artigos nesta edição de O Cristão exporá o significado específico de muitas dessas referências, nos limitaremos, neste artigo, a um aspecto do sal que é bem conhecido: a sua capacidade de conservar. Isso tem sido bem reconhecido ao longo da história. O homem há muito tempo sabe como conservar a carne e alguns vegetais, embalando-os em sal. Mas a Palavra de Deus toma essa mesma função do sal para nos ensinar lições importantes. Uma delas diz respeito ao Mar Salgado (também conhecido como Mar Morto), que surgiu como resultado da destruição de Sodoma e Gomorra. A lição aqui não é tanto o caráter conservador do sal, mas como Deus preservou o Mar Salgado. Não parece que o Mar Salgado existisse antes daquelas cidades perversas serem destruídas. Pelo contrário, a área é descrita como sendo “toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR” (Gn 13:10). Podemos ser tentados a pensar superficialmente nessa expressão, mas lembremo-nos de que a frase “o jardim do Senhor” é usada em apenas um outro lugar na Palavra de Deus. É encontrada em Isaías 51:3, onde o Espírito de Deus descreve a futura bênção de Israel no Milênio. Ali diz que, “o Senhor consolará a Sião: e consolará a todos os seus lugares assolados, e fará o seu deserto como o Éden e a sua solidão, como o jardim do SENHOR”. O Espírito de Deus não exagera em Suas descrições, para que possamos concluir com segurança que a área ao redor de Sodoma e Gomorra era realmente um lugar bonito. No entanto, quando o Senhor “fez chover enxofre e fogo, do SENHOR desde os céus” (Gn 19:24), Ele deixou aquele Mar Salgado como um lembrete solene para nós do terrível julgamento que aguarda aqueles que continuam na impiedade e no pecado. Aqueles que visitaram a área dizem-nos que há muitos minerais no Mar Salgado, e entre eles o enxofre é bastante relevante. (A palavra “sal” na língua portuguesa é geralmente usada para se referir ao cloreto de sódio, ou o que tradicionalmente chamamos de “sal de cozinha”, mas a palavra na verdade tem um significado muito mais amplo. Em termos químicos, um sal é uma combinação de um ácido e uma base, de modo que, por exemplo, bicarbonato de sódio e outros compostos também são tecnicamente “sais”. No entanto, na Bíblia, a palavra “sal” refere-se ao que chamamos de sal de cozinha). Toda a área ao redor do Mar Morto é agora muito árida, e a água que deságua nele vem do Rio Jordão e de outras drenagens terrestres, com quase nenhuma das chuvas, que é inferior a 100 mm por ano. Sodoma e Gomorra O Espírito de Deus refere-se a Sodoma e Gomorra muitas vezes na Bíblia. As duas cidades “Sodoma e Gomorra” são mencionadas juntas 10 vezes na versão Almeida corrigida, enquanto a palavra “Sodoma” é mencionada 46 vezes. Se este mundo precisa de uma lembrança alarmante do julgamento de Deus, Ele certamente a providenciou no Mar Morto e na qualidade conservadora dos sais encontrados nele. O próprio Senhor Jesus Se referiu a Sodoma e a Gomorra quando Ele condenou algumas das cidades onde Suas poderosas obras foram feitas. Mesmo a “National Geographic Society”, que não é conhecida por sua reverência à Palavra de Deus, foi forçada a admitir, há alguns anos, que o Mar Salgado possivelmente apoiou o registro bíblico da destruição de Sodoma e Gomorra. Em resumo, então, podemos dizer que Deus deixou o homem sem desculpas. Por milhares de anos, o Mar Morto tem sido conservado como uma lembrança do julgamento sobre essas cidades perversas, e Deus tem feito com que o clima tenha sido alterado de modo que essa lembrança não possa ser facilmente removida. Como já mencionamos, não só a área é extremamente quente e árida, mas o Mar Morto está a cerca de 430 metros abaixo do nível do mar. Por essa razão, toda a área circundante em Israel e na Jordânia, bem como áreas mais distantes, deságuam nele. Como é triste ver tantos hoje reagindo como os genros de Ló, que, quando foram avisados do julgamento vindouro, consideraram que o mensageiro era um “zombador”! W. J. Prost Jericó — Graça que Cura “Os habitantes da cidade disseram a Eliseu: Eis que a situação desta cidade é agradável, como vê o meu senhor; mas as águas são péssimas, e a terra é estéril. Ele disse: Trazei-me um vaso novo, e ponde nele sal. Eles lho trouxeram. Então, saiu à fonte das águas, e deitou nela sal e disse: Assim diz Jeová: Curei estas águas; elas não serão mais a causa de morte nem de esterilidade. Ficaram as águas sadias até o dia de hoje conforme a palavra que Eliseu proferiu” (2 Rs 2:19-22 – TB). Dificilmente há um pecado que o homem seja capaz de cometer que Deus não o tenha mencionado em Sua Palavra; isso mostra o quão profundamente Ele sabia o que estava no homem. Muitos não têm dúvida de que o homem é um pecador, mas a completa inaptidão do homem para com Deus é uma verdade que poucos admitirão. É essa a verdade que este breve registro de um dos milagres de Eliseu, em nome de Jeová, ilustra de forma impressionante. Sem dúvida, o grande ponto aqui é a prontidão e o poder de Deus, em graça, para trazer cura em Israel, onde tudo é morte e esterilidade. Elias tinha sido a testemunha fiel de Deus contra o terrível afastamento que a nação teve de Deus, mas agora ele tinha subido ao céu, depois de atravessar o Jordão, o rio da morte e julgamento. Eliseu viu isso e sabia qual era o segredo do seu poder. Na primeira atitude de Eliseu depois disso, o encontramos consciente de que Jericó era um lugar de esterilidade e morte. Mas ele sabia também que havia poder em Deus para curar e que quando o povo tomasse sua verdadeira posição de reconhecer tal condição, Ele iria curar. Aqui vemos o homem na sua inaptidão, na sua incapacidade de dar fruto e sem vida espiritual, porque ele está morto em ofensas e pecados. Esterilidade O relato dado ao homem de Deus foi: “A situação... é agradável... mas as águas são péssimas, e a terra é estéril” (v. 19 – TB). O Sol brilhou sobre Jericó, as chuvas desceram do céu, as estações passaram na sucessão apropriada, mas não havia qualquer fruto. Todos os que passavam, embora percebendo sua localização aprazível, não deixavam de ser atingidos por sua perpétua esterilidade. Assim é o homem. Suas circunstâncias são muitas vezes agradáveis; ele está cercado de influências gentis, misericórdias providenciais, e incontáveis confortos e vantagens, mas não há vida para com Deus e, consequentemente, nenhum fruto. Os homens têm que aprender que “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8:7-8). Ele pode ser alguém que apenas professa o Cristianismo, cercado de Cristãos exemplares e exposto à influência de alguns de seus privilégios, mas é infrutífero, como uma figueira estéril. Não há vida; não como alguns a teriam – um pouco de vida e um pouco de fruto. Não, “as águas são péssimas, e a terra é estéril”. Muitos admitirão que o homem não pode fazer nada a menos que seja auxiliado por Deus, como se tivesse algum poder interior de santidade que só precisa de ajuda. No entanto ele precisa, não da ajuda de Deus, mas da vida pois “aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3:3). E quanto a dar fruto, Jesus ensinou até mesmo Seus discípulos que eles devem permanecer n’Ele, como um ramo permanece na videira, ou eles não poderiam dar fruto. Ele disse: “sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). Em Jericó, então, não era uma questão de cavar, adubar ou irrigar a terra, mas a introdução de algo inteiramente novo. O evangelho da graça de Deus não é uma melhoria da religião dos judeus, mas uma ordem de coisas completamente nova. O evangelho não faz exigências ao homem para ser abençoado, mas traz-lhe livremente tudo o que ele precisa. Um novo vaso O profeta diz: “Trazei-me um vaso novo, e ponde nele sal”. Era algo novo, pois estava atendendo à necessidade em pura graça e, como figura, um novo vaso deve ser trazido. O sal ensina-nos várias coisas. É claro, em primeiro lugar, que “o sal é bom”. Em segundo lugar, tem “sabor” e pode temperar ou conservar. Terceiro, ele devia ser misturado com os sacrifícios: “Em toda a tua oferta oferecerás sal” (veja Lc 14:34; Lv 2:13). Sua virtude, sabor e associação com todas as ofertas nos falam claramente da santa graça de Deus para conosco em Cristo Jesus. “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). No entanto, não é o conhecimento da Escritura, mas a sua aplicação à alma que o homem precisa para a cura. Então, lemos que Eliseu saiu “ao manancial das águas e deitou sal nele; e disse: Assim diz o SENHOR: Sararei estas águas; não haverá mais nelas morte nem esterilidade. Ficaram, pois, sãs aquelas águas até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha dito” (2 Rs 2:21-22). Observe aqui as duas coisas nesta ilustração que muitas vezes nos são apresentadas na Escritura para a paz e o descanso da alma: a obra de Cristo e a Palavra de Deus. O sal foi aplicado no manancial, e então foi dito: “Assim diz o SENHOR: Sararei estas águas”. O fundamento da paz é a obra de Cristo na cruz, enquanto a única autoridade para a paz é a Palavra de Deus, e, portanto, deve ser apenas sobre o princípio de fé. A Palavra de Deus declara que “todos os que n’Ele (no Senhor Jesus Cristo) creem receberão o perdão dos pecados pelo Seu nome” (At 10:43), e “jamais Me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades” (Hb 10:17). Assim, alguém que toma o seu lugar por fé diante de Deus como um pecador indefeso e culpado, em seguida, olha para Cristo como o objeto da fé, repousa sobre o sangue de Cristo como o fundamento da paz e descansa sobre a inalterável Palavra de Deus como a autoridade para a paz. Os pecadores são purificados de todo pecado, são justificados de todas as coisas, são filhos de Deus e têm “paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”. Cristo agora está ressuscitado e à direita de Deus na virtude do que Ele fez na cruz por nós, e Ele enviou o Espírito Santo, “para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Co 2:12). C. H. Mackintosh (adaptado) Temperado com Sal “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal” (Cl 4:6). Essas são determinações claras da Escritura – encontradas em conexão imediata com algumas das mais elevadas doutrinas da inspiração. E notaremos que onde o peso completo dessas claras determinações não for permitido sobre a consciência, as verdades superiores não serão desfrutadas. Não posso gozar nem caminhar digno da minha “alta vocação”, se me entregar a conversas tolas e brincadeiras (Ef 5:4)[4]. Eu admito plenamente a necessidade de evitar cuidadosamente toda a falsa aparência de santidade ou restrição carnal. A falsa santidade da natureza é certamente tão ruim quanto sua leviandade, se não pior. Mas por que exibir uma ou outra? O evangelho nos dá algo muito melhor. Em vez de falsa aparência de santidade, o evangelho nos dá verdadeira santidade; em vez de leviandade, nos dá santa alegria. Não há necessidade de falsificar nada, pois se estou me alimentando de Cristo, tudo é realidade, sem nenhum esforço. No momento em que há esforço, tudo é completa fraqueza. Se eu digo que tenho que falar sobre Cristo, torna-se uma terrível escravidão, e eu exibo minha própria fraqueza e loucura. Por outro lado, se a minha alma está em comunhão, tudo é natural e fácil, pois “da abundância do coração, disso fala a boca”. Diz-se que um certo pequeno inseto sempre exibe a cor da folha da qual ele se alimenta. Assim é exatamente com o Cristão. É muito fácil dizer do que ele está se alimentando. Nossa conversa habitual Mas alguns podem dizer que “não podemos estar sempre falando de Cristo”. Eu respondo que, na proporção em que somos guiados por um Espírito não entristecido, todos os nossos pensamentos e palavras estarão ocupados a respeito de Cristo. Se somos filhos de Deus, estaremos ocupados com Ele por toda a eternidade. Por que não agora? Estamos agora tão completamente separados do mundo como estaremos então, mas nem sempre o percebemos, porque não andamos no Espírito. É bem verdade que, ao entrar na questão do hábito de conversação de um Cristão, está-se entrando num terreno inferior, porém, esse é um terreno necessário. Seria muito mais feliz continuar no terreno superior, mas falhamos nisto, e é uma misericórdia que a Escritura e o Espírito de Deus venham ao nosso encontro no nosso fracasso. A Escritura nos diz que estamos assentados em lugares celestiais em Cristo Jesus (Ef 2:6); também nos diz para não roubar. Pode-se dizer que é terreno inferior falar com os homens celestiais sobre roubo, mas é necessário. O Espírito de Deus sabia que não era suficiente nos dizer que estamos assentados nos lugares celestiais; Ele também nos diz como nos conduzir na Terra, e nossa experiência da primeira declaração será evidenciada por nossa exibição aqui da segunda. A minha caminhada aqui prova o quanto eu penetro na minha posição lá. Portanto, posso encontrar na caminhada do Cristão um terreno muito legítimo para lidar com ele sobre a condição real de sua alma diante de Deus. Se sua caminhada é baixa, carnal e mundana, deve ser evidente que ele não está percebendo sua posição alta e santa como um membro do corpo de Cristo e um templo de Deus. Portanto, a todos os que são propensos a entrar em hábitos de conversa leviana, eu diria carinhosa, mas solenemente: Olhem bem para o estado geral de sua saúde espiritual. Sintomas ruins se manifestam – certas evidências de uma doença que se desenvolve dentro deles mesmos pode ter, maior ou menor grau de dano das próprias fontes de vitalidade. Cuidado com o progresso dessa doença. Vá imediatamente ao Grande Médico e participe do Seu precioso bálsamo. Toda sua constituição espiritual pode estar desequilibrada, e nada pode restaurar seu vigor, exceto as virtudes curativas do que Ele tem para lhe dar. A beleza de Cristo Uma nova visão da excelência, preciosidade e beleza de Cristo é a única coisa que levanta a alma de uma baixa condição. Toda a nossa esterilidade surge do fato de termos deixado Cristo escapar. Não é que Ele nos tenha deixado escapar. Não; bendito seja o Seu nome, isso não pode ser. Mas praticamente, nós O deixamos escapar, e nosso vigor tornou-se tão baixo que às vezes é difícil reconhecer qualquer coisa do Cristão em nós, a não ser o mero nome. Não chegamos onde deveríamos chegar em nossa carreira. Não entramos, como deveríamos, no significado do “cálice e batismo” de Cristo; falhamos em buscar comunhão com Ele em Seus sofrimentos, morte e ressurreição. Temos buscado o resultado dessas coisas, como feitas n’Ele, mas não entramos experimentalmente nelas, e por isso, há nosso declínio melancólico do qual nada pode nos recuperar, a não ser entrar mais na plenitude de Cristo. C. H. Mackintosh (adaptado) O Sal da Terra e a Luz do Mundo “Vós sois o sal da terra” (Mt 5:13 – ARA). O sal é a única coisa que não pode ser salgada, porque ele é o próprio princípio conservante; se isso desaparecer, não pode ser substituído. “Caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor?” O sal da terra é a relação dos discípulos aqui com aquilo que já tinha o testemunho de Deus; portanto, o Espírito de Deus usa a expressão “terra” (ou território), que era especialmente verdadeira para a terra judaica naquela época. Agora, em nossos dias, se você fala sobre a terra, fala da Cristandade — o lugar que goza, de fato ou professamente, a luz da verdade de Deus. Isso é o que pode ser chamado de terra. E esse é o lugar que será finalmente a cena da maior apostasia, pois a apostasia só é possível onde a luz foi desfrutada e abandonada. Em Apocalipse, onde os resultados finais do século são apresentados, a terra aparece de uma maneira muito solene, e então temos os povos, e multidões, e nações, e línguas — o que devemos chamar de terras pagãs. Mas a terra significa a cena, outrora favorecida, do Cristianismo professo, onde tem havido todas as energias da mente dos homens em ação. Essa é a cena onde o testemunho de Deus uma vez derramou sua luz — então, ai! foi abandonado à apostasia absoluta. Os fiéis em Israel eram o verdadeiro princípio conservador naquele território; todo o resto, o Senhor dá a entender que não servia para nada. Porém, mais do que isso. Ele dá um aviso solene de que há um perigo de que o sal possa perder o seu sabor. Ele aqui não está falando da questão sobre se um santo pode cair ou não. O Senhor não está aqui levantando a questão da possibilidade de perder a vida, mas Ele está falando de certas pessoas que estão em uma posição favorecida. Entre eles, pode haver pessoas que creram de forma descuidada ou mesmo falsamente, e então haveria o desaparecimento de tudo o que uma vez tiveram. E Ele mostra qual seria o julgamento deles – o mais desprezível possível, a ser proferido sobre aqueles que ocupavam um lugar tão alto sem veracidade. A luz do mundo “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5:14). Esse é outro assunto. Tendo em vista a distinção traçada na série das bem-aventuranças e das perseguições, temos a chave para esses dois versículos. O sal da terra representa o princípio justo. O sal da terra envolve o apego aos direitos eternos de Deus e a manutenção perante o mundo do que é devido ao Seu caráter. Isso se foi quando o que levava o nome de Deus caiu abaixo do que até mesmo os homens consideravam adequado. Você dificilmente pode ler as notícias de hoje sem que encontre escárnio contra o que é chamado de religião. O respeito se foi, e os homens pensam que a condição dos Cristãos é um assunto oportuno para ser ridicularizado por eles. Mas agora, no versículo 14, não temos apenas o princípio de justiça, mas de graça — o jorro e a força da graça. E aqui encontramos um novo título dado aos discípulos, como descritivo de seu testemunho público – “a luz do mundo”. A luz é claramente aquilo que se difunde por si só. O sal é o que deve ser interiormente, mas a luz é o que se dispersa por todo lado. A cidade edificada sobre um monte não pode ser escondida. Ela estava propagando o seu testemunho por toda parte. O homem não acende uma vela para colocá-la debaixo de um alqueire[5], mas em um castiçal, “e dá luz a todos os que estão na casa”. E, “assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (v. 16). Dois testemunhos marcantes Vemos aqui, então, dois esboços marcantes do testemunho dos crentes aqui embaixo, como o sal da terra, a energia que preserva no meio professante, e como a luz do mundo, que sai em atividade e amor para com o pobre mundo. Há também o perigo de o sal perder o seu sabor e de a luz ser colocada debaixo de um alqueire. Imediatamente identificamos o formidável objetivo de Deus neste duplo testemunho. Não é apenas uma questão de bênção das almas, pois não há uma palavra sobre evangelização ou salvação dos pecadores, mas sim a caminhada dos santos. Há uma questão séria que Deus levanta sobre Seus santos, e isso é sobre seus próprios caminhos à parte de outras pessoas. Encontramos abundantemente, em outros lugares, chamados para os não convertidos, e isso é de extrema importância para o mundo, mas o sermão no monte é o chamado de Deus para os convertidos. Trata-se do caráter deles, da posição, do particular testemunho, e se há o pensamento a respeito de outros em todas as partes, não é tanto uma questão de ganhar a esses outros, mas dos santos refletindo o que vem de cima. Essa luz é a que vem de Cristo. Não se trata de deixar suas boas obras brilharem diante dos homens. Quando as pessoas falam sobre esse versículo, elas evidentemente estão pensando em suas próprias obras, e quando esse é o caso, geralmente não há boas obras. Mas mesmo que houvesse, as obras não são luz. A luz é aquela que vem de Deus direta e puramente, sem mistura do homem. Boas obras são fruto da ação da luz sobre a alma, mas é a luz que deve brilhar diante dos homens. Isso é a confissão que o discípulo faz do Senhor; esse é o ponto diante de Deus. Confesse Cristo em tudo. Que esse seja o objetivo do seu coração. Não é apenas certas coisas a serem feitas. A luz brilhando é o grande objetivo aqui, embora fazer o bem deva fluir dela. Boas obras Se o ‘fazer o bem’ é para mim tudo, isso será um pensamento inferior do que aquele que está diante da mente de Deus. Um infiel pode perceber que um homem que está tremendo de frio precisa de um casaco ou cobertor. Mesmo um homem natural pode estar totalmente atento para as necessidades dos outros; mas se eu simplesmente tomar essas obras e torná-las coisas de destaque, eu realmente não faço nada mais do que um incrédulo faria. No momento em que você faz das boas obras, e do seu brilho, o objeto diante dos homens, você se encontra em terreno comum com judeus e pagãos. O povo de Deus está, assim, destruindo o seu testemunho. O que poderia ser pior do que uma coisa feita professamente para Deus, mas que deixa Cristo de fora, e que mostra um homem que ama a Cristo estar em termos confortáveis com aqueles que O odeiam? É contra isso que o Senhor adverte os santos. Eles não devem ficar pensando em suas obras, mas que a luz de Deus brilhasse. Trabalhos se seguirão, e eles serão muito melhores do que se uma pessoa estiver sempre ocupada com eles. E, “assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (v. 16). Faça sua confissão do que Deus é em Sua natureza e do que Cristo é em Sua própria Pessoa e maneira — faça que o seu reconhecimento d’Ele seja aquilo que seja sentido e trazido diante dos homens – e então, quando outros virem suas boas obras, eles glorificarão a teu Pai que está no céu. Em vez de dizerem: “Que homem bom é esse", eles glorificarão a Deus por sua causa. Se a sua luz brilha, os homens conectam aquilo que você faz com a sua confissão de Cristo. W. Kelly (adaptado) Concerto de Sal A expressão “concerto de sal” é usada duas vezes na Palavra de Deus. É usada em primeiro lugar em Números 18:19, em referência às ofertas alçadas dos filhos de Israel. “Todas as ofertas alçadas das coisas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor, eu as tenho dado a ti, a teus filhos e a tuas filhas contigo, como porção, para sempre; é um pacto perpétuo de sal perante o Senhor, para ti e para a tua descendência contigo” (AIBB). As ofertas alçadas faziam parte das ofertas do povo de Israel, e nessa passagem foram dadas a Arão e à sua família, como sacerdotes do Senhor. Foram garantidas a eles, se pudéssemos usar essa palavra, a Arão e à família dele perpetuamente, pois os sacerdotes não tinham herança na terra. Eles deviam ser inteiramente devotados e separados ao Senhor, e o Senhor estava assegurando-lhes que suas necessidades seriam atendidas continuamente. O reino usurpado O segundo uso da frase “um concerto de sal” está em 2 Crônicas 13:5, onde o rei Abias, de Judá, se dirige ao rei Jeroboão, de Israel (as dez tribos), quando esses dois reis entraram em guerra um com o outro. Não nos é dito qual foi o agressor; simplesmente é dito que “houve guerra entre Abias e Jeroboão” (v. 2). No entanto, Abias faz um discurso a Jeroboão, lembrando-o de como ele havia usurpado o reino que pertencia ao pai de Abias, Roboão, e de como Deus havia dado o reino à casa de Davi por “um pacto de sal”. “Porventura não vos convém saber que o Senhor Deus de Israel deu para sempre a Davi a soberania sobre Israel, a ele e a seus filhos, por um pacto de sal?” (AIBB) Havia verdade nisso, pois Deus havia prometido a Davi que sempre haveria uma luz de sua família para se sentar no trono de Israel. O Senhor tinha dito: “Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre” (2 Sm 7:13). Isso se refere a Salomão, mas notamos que Abias convenientemente deixa de fora o próximo versículo, que diz, “e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens” (v. 14). Salomão realmente transgrediu, e Deus de fato o havia visitado, permitindo que adversários viessem contra ele na última parte de seu reinado. Além disso, após a morte de Salomão, foi o Senhor Quem deu parte do reino a Jeroboão, embora ele tenha provado ser um homem infiel. No entanto, estamos nos ocupando com a expressão “um concerto de sal”. A expressão foi usada pela primeira vez pelo Senhor quando Ele falou a Arão sobre as ofertas do povo prometidas a ele e sua família, e essa mesma expressão foi buscada por Abias e usada contra Jeroboão, a quem Abias considerava ser um usurpador. Como vimos, isso era apenas uma meia-verdade. O caráter de conservação do sal Vimos em outros artigos desta edição que uma das funções do sal é seu caráter conservador. A expressão significa, então, que o que foi feito e selado não poderia ser alterado. O que o Senhor disse a Arão não pode ser mudado, e o que Deus disse sobre a família de Davi e o trono de Israel também não pode ser mudado. Sabemos que, no dia milenar, o sacerdócio será restabelecido em Israel e que a família de Arão servirá naquele dia diante do Senhor. Sabemos também que os propósitos de Deus a respeito da família de Davi serão cumpridos em Cristo, embora a família de Davi tenha sido um fracasso em sua responsabilidade, perante o Senhor, ao governar Israel. Finalmente, todo o Israel foi levado ao cativeiro, e o último rei de Judá (Zedequias) foi culpado de fazer um juramento em nome do Senhor e, em seguida, quebrar sua palavra. Mas tudo será aperfeiçoado em Cristo, pois, embora Davi tenha sido compelido a dizer no final de sua vida: “Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus”, ele também pôde continuar dizendo: “contudo, estabeleceu comigo um concerto eterno, que em tudo será ordenado e guardado” (2 Sm 23:5). Quão abençoado é saber que Deus pode fazer um concerto que nunca será mudado e que Ele fez tal concerto com Israel. Ele também não mudará Suas promessas para conosco, pois embora, como Igreja, não estejamos em um relacionamento de concerto com Deus, ainda assim “todas quantas promessas há de Deus são n’Ele sim; e por Ele o Amém, para glória de Deus, por nós” (2 Co 1:20). W. J. Prost Dois Fatos Solenes “Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal” (Mc 9:49). Nesse breve versículo temos duas classes distintas de pessoas e dois fatos solenes trazidos à tona. Em primeiro lugar, é dito que “cada um será salgado com fogo”. E, em segundo lugar, que “cada sacrifício será salgado com sal”. Pode parecer um versículo bastante difícil de entender, mas é simples quando vemos o contexto em que nosso Senhor Jesus fala essas palavras. Primeiramente nos é dito que “cada um será salgado com fogo”. Isso diz respeito a todos os homens, pois inclui até mesmo nosso bendito Senhor Jesus quando Ele estava neste mundo como um Homem. Aqui fala do sal como aquilo que testa tudo de acordo com o santo padrão de Deus e julga tudo sob essa luz. A afirmação traz as santas reivindicações de Deus diante de nós e nos lembra que “cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14:12). Nesse sentido, nosso Senhor Jesus passou por testes no deserto, quando Ele foi tentado pelo diabo antes de iniciar Seu ministério terreno. Satanás fez todo o possível para fazer o Senhor Jesus pecar, a ponto de citar a Escritura para Ele. No entanto, nosso Senhor simplesmente respondeu a ele com a Escritura, e Satanás foi obrigado a se afastar d’Ele na ocasião, pois não podia atraí-Lo para o pecado. Todo sacrifício salgado É por essa razão que lemos em Levítico 2:13 que “toda a oferta dos teus manjares salgarás com sal”. Nosso bendito Senhor teve que ser provado que era perfeitamente imaculado e sem pecado em Sua vida aqui embaixo antes que Ele pudesse ir à cruz do Calvário e sofrer a penalidade do pecado. Durante o Seu ministério terreno, Ele poderia dizer com confiança aos líderes judeus e às pessoas ao Seu redor: “Quem dentre vós Me convence de pecado?” (Jo 8:46). Ninguém aceitou o desafio, pois “n’Ele não há pecado” (1 Jo 3:5). Quanto à humanidade, todos também devem ser salgados com fogo. Para aqueles que rejeitam Cristo como Salvador, esse fogo permanecerá por toda a eternidade — o terrível julgamento de Deus pelo pecado. O Senhor Jesus pôde solenemente advertir àqueles que O ouviram que no inferno “o fogo nunca se apaga”. Isso é repetido três vezes neste capítulo (Mc 9). O julgamento do pecado será eterno, e aqueles que continuam sem Cristo serão de fato “salgados com fogo” para sempre. No entanto, o que dizer de tudo isso para nós que somos crentes? Não estamos salgados com fogo? Sim, estamos, e talvez possamos dizer que isso acontece de duas maneiras. Em primeiro lugar, todos podemos estar gratos por termos sido salgados com fogo na cruz, embora não em nós mesmos; tudo foi feito por nós na Pessoa de Cristo. Visto que todo verdadeiro crente está agora “em Cristo”, estamos onde o fogo já queimou. Não há mais nada para o fogo de Deus queimar, pois Cristo suportou todo o julgamento por nós. Como é precioso saber que o julgamento está atrás de nós e não à nossa frente! A santa natureza de Deus foi completamente satisfeita, e “agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). A prova da realidade Mas então, esse mesmo salgar com fogo tem um efeito sobre você e eu, pois o Senhor nos testa de tempos em tempos, a fim de provar a realidade da nossa salvação. Isso não significa, de modo algum, que possamos perder a nossa salvação; pelo contrário, o Senhor nos “salga com fogo” para provar que somos verdadeiramente salvos. Lemos isso em 1 Pedro 1:7 “para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo”. Depois, em 1 Pedro 4:12, Pedro se refere à “ardente prova que vem sobre vós”. Essas provas são circunstâncias pelas quais o Senhor faz com que passemos, a fim de provar, por um lado, a realidade da nossa fé e, por outro lado, para nos purificar daquilo que não é d’Ele. Naqueles que são verdadeiros, o fogo só queima o que não é de Deus, enquanto que aquilo que provém de Si mesmo permanece. O Senhor quer que sejamos santos, pois Ele diz: “Eu Sou Santo”, e Ele muitas vezes nos “salga com fogo” para realizar isso em nós. Podemos ser gratos por essa purificação que o Senhor faz em nós, embora às vezes não seja agradável no momento. Todos sabemos como o sal às vezes pode arder e irritar, mas pode ser necessário. Salgado com sal Mas agora chegamos à segunda parte do versículo: “cada sacrifício será salgado com sal”. Já apontamos como a oferta de manjares (farinha) deveria sempre ser salgada e como o Senhor Jesus, como a Verdadeira oferta de manjares, teve que ser salgado com fogo. Mas aqui, nesta segunda parte do nosso versículo, o significado é um pouco diferente. O Senhor Jesus foi de fato “salgado com fogo” antes de começar Seu ministério terreno, e isso era necessário para provar Quem Ele era. Mas então, quando Ele esteve entre os homens, vemos Sua vida como o sacrifício perfeito em submissão e serviço. Por essa razão, notamos que a frase diz: “salgado com sal”, não “salgado com fogo”. Cada passo de Seu caminho era uma manifestação de Deus em graça, mas também era “temperado com sal” (Cl 4:6). Suas palavras e Suas obras todas manifestaram Deus em graça, mas a santidade de Deus também foi apresentada. É por isso que Ele foi rejeitado, não por Sua graça, mas sim porque Ele podia dizer: “porquanto dele [do mundo] testifico que as suas obras são más” (Jo 7:7). O sal nunca faltou no sacrifício diário do Senhor Jesus, estivesse Ele no templo, com uma multidão na rua, sozinho com um indivíduo, com Seus discípulos, ou numa casa. Onde quer que Ele estivesse, essa graça santa estava lá, e a mistura adequada de graça temperada com sal era evidenciada. Como nosso coração olha com admiração e louvor ao vermos tudo isso manifestado em nosso abençoado Mestre! Um sacrifício vivo Isso deveria ser o mesmo para nós. Também nós devemos “apresentar o nosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12:1) e, nesse sentido, também nós precisamos ter todo sacrifício salgado com sal. É fácil não se dar ao trabalho de fazer isso, mas simplesmente demonstrar graça e amor a este mundo. O mundo vai gostar disso, pois aprecia aqueles que são honestos, íntegros, prestativos, graciosos e generosos. O mundo gosta daqueles que parecem querer “tornar este mundo um lugar melhor” e, como diz o ditado, que querem “fazer a diferença”. Sim, devemos desejar “fazer a diferença”, mas essa diferença, se for para ser de acordo com a mente de Deus, deve trazer sal — a energia da santidade junto com a graça de Deus. O tipo de diferença que Deus procura é a salvação das pessoas deste mundo, não melhorar o que está sob julgamento. Como vimos, o sal pode tender às vezes a irritar e arder, e descobriremos que o mundo em geral não se importará com isso. No entanto, se Cristo está diante de nós e as reivindicações de Deus têm um domínio sobre nossa alma, então vamos querer honrá-Lo diante dos homens, bem como adverti-los do julgamento vindouro. Se negligenciarmos isso, somos como o sal que “perdeu sua salinidade” (Mc 9:50 – KJV), e então nada pode temperá-lo. Nós realmente não somos úteis neste mundo se negligenciarmos o sal em nosso sacrifício pelo Senhor. Isso é cada vez mais importante, à medida que as trevas aumentam no mundo e a vinda de nosso Senhor se aproxima. W. J. Prost Graça em Energia Espiritual O sal é graça em energia espiritual; isto é, os santos devem ser testemunhas no mundo do poder do amor santo, em vez do egoísmo. O sal é o princípio consagrador de graça: Se isso acabar, o que há para preservar? O sal é mais propriamente graça no aspecto de santa separação para Deus do que nos aspectos de bondade e mansidão, embora, é claro, estes também sejam inseparáveis da graça. Se o sal perder seu sabor, como isso pode ser restaurado? Se eu tiver carne sem sal, posso salgá-la, mas se não houver salinidade no sal, o que posso fazer? Que caráter temos aqui de uma Igreja não espiritual, ou de um santo não espiritual! Como a videira que representa Israel, de nada serve senão desonrar o Senhor (que é seu dono) e ser destruída. A misericórdia, é verdade, pode nos recuperar, mas como santos devemos ter o sabor de Cristo. Tudo o que enfraqueça o apego a Cristo destrói o poder. Não é o pecado grosseiro que causa isso, pois, é claro, ele será encontrado e julgado, mas são as pequenas coisas da vida cotidiana que são passíveis de serem escolhidas antes do que Cristo. Quando o mundo sorrateiramente penetra em nós, o sal perde seu sabor e mostramos que um Cristo rejeitado tem pouco poder aos nossos olhos. J. N. Darby Graça com Sal “Vós sois o sal da terra” (Mt 5:13). Acabei de ler uma declaração de um escritor Cristão no sentido de que o sal da terra precisa ser esfregado, mesmo que doa. Ouvi e li muitas explicações sobre o tema do sal. Geralmente, o esboço segue o mesmo curso: ele tempera, purifica, conserva. Mas alguém deveria nos lembrar de que o sal também irrita. O verdadeiro Cristianismo vivo irrita o mundo. “O mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17:14). A vida piedosa é em si mesma uma repreensão a esta era, e este mundo ressente-se da luz que expõe a sua corrupção. Alguns Cristãos estão passando por vários problemas nos dias de hoje, desenvolvendo um estilo de Cristianismo que não vai irritar este mundo. O único sal que não irrita é o “sal sem sabor”, e nosso Senhor disse que esse sal, seja sal de cozinha ou sal espiritual, “para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens”. Christian Truth, Vol. 35 O Lugar de Conservação do Sal Havia algo que deveria ser incluído em todos os sacrifícios. Era sal. Se você ou eu tivéssemos feito a escolha, teríamos escolhido mel em vez de sal, mas os pensamentos de Deus não são nossos; sempre descobriremos que devemos deixar de lado nossos pensamentos para obter os de Deus. O sal era comumente usado para conservar ou guardar as coisas naqueles dias, e seria uma figura para nós do fato de que tudo relacionado à vida e à morte do Senhor Jesus será preservado para a glória de Deus. A lembrança e as bênçãos que fluem delas permanecerão eternamente. Todos esses sacrifícios são figuras de Cristo, e certamente agora e para sempre nos lembraremos e nos regozijaremos no fruto do que Ele realizou. A graça perfeita n’Ele sempre foi “temperada com sal” e será preservada, mas conosco há muito do ego que está conectado até mesmo com nossas “coisas santas”, e a graça em nós nem sempre é “temperada” como deveria ser de modo a permanecer para a glória de Deus. Em tudo o que dissermos, em todos os nossos contatos com os outros, salvos ou não salvos, que possamos deixar com cada um algo que permaneça para a glória de Deus. Pode doer um pouco, como o sal faz, e assim, às vezes por causa disso, e para escapar do desprezo do mundo, não confessamos o Senhor. Talvez possamos mostrar a graça de Cristo, mas uma pequena palavra ou um folheto evangelistico pode, como o sal, permanecer e ser preservado, sendo fruto para a eternidade; ou uma pequena palavra dita a um companheiro crente pode trazer bênção duradoura para sua alma. Isso é o que significa quando a Escritura diz, “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4:6). H. E. Hayhoe O Teste do Sal O mundo era tão contrário a Cristo, que aquele que não era contra Ele era por Ele. O Filho do Homem devia ser rejeitado. A questão era a fé em Sua pessoa, não o serviço individual a Ele. Triste! os discípulos ainda pensavam em si mesmos: “... o qual não nos segue” (Mc 9:38). Eles deviam compartilhar Sua rejeição; e se alguém lhes desse um copo de água fria, Deus Se lembraria disso. O que quer que os fizesse tropeçar em sua caminhada, mesmo que fosse seu próprio olho ou mão direita, eles fariam bem em cortar; pois não eram as coisas de um Messias terreno que estavam em questão, mas as coisas da eternidade. “Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal” (Mc 9:49). E tudo deve ser provado pela perfeita santidade de Deus, e isso, por meio de julgamento, de uma maneira ou outra. Todos devem ser salgados com fogo — o bom e o mau. Onde houvesse vida, o fogo só consumiria a carne; pois, quando somos julgados, somos castigados pelo Senhor, para que não sejamos condenados com o mundo. Se o juízo alcança os ímpios – e certamente os alcançará – é condenação, um fogo que não se apaga. Mas, para o bom, também havia outra coisa – eles deveriam ser salgados com sal. Àqueles que foram consagrados a Deus, cuja vida foi uma oferta a Ele, não deve faltar o poder da santa graça, que liga a alma a Deus, e interiormente o preserva do mal. O sal não é a gentileza que agrada (o que, sem dúvida, a graça produz), mas a energia de Deus no interior, o que conecta tudo em nós com Deus e dedica o coração ligando-o a Ele, no sentido de compromisso e desejo, rejeitando tudo em si mesmo que é contrário a Ele; é um compromisso que flui da graça, mas que age ainda mais poderosamente por causa disso. Na prática, isso é graça inconfundível, a energia de santidade que se separa de todo o mal, mas por se separar para Deus. Bom é o sal (Mc 9:50) – que fala do efeito produzido na alma, a assim chamada condição da alma, bem como a graça que produz essa condição. Assim, aqueles que se oferecem a Deus, foram separados para Ele — eles são o sal da terra. Mas se o sal perder o sabor, com o que pode ser salgado? Ele é usado para temperar outras coisas, se o sal precisa dele para si mesmo, não há mais nada que possa salgá-lo. Assim é com os Cristãos; se eles que são de Cristo não prestam esse testemunho, onde poderia ser encontrado algo, a não ser nos Cristãos, para prestar ao mundo este testemunho e produzi-lo neles. Então, esse senso de compromisso para com Deus o qual se separa do mal, esse julgamento de todo o mal no coração, deve estar em si mesmo; não se trata de julgar os outros, mas de se colocar diante de Deus, tornando-se assim o sal, tendo-o em si mesmo. Em relação aos outros, deve-se buscar a paz; e a verdadeira separação de todo o mal é o que nos permite caminhar juntos, em paz. Em uma palavra, os Cristãos deveriam manter-se separados do mal e perto de Deus, em si mesmos; e caminhar com Deus em paz uns com os outros. Nenhuma instrução poderia ser mais simples, mais importante, mais valiosa. Ela julga e dirige toda a vida Cristã em poucas palavras. Present Testimony, Vol. 7 A Doutrina de Paulo e o Sal Então, temos a doutrina de Paulo? Podemos nos vangloriar, como todos fazem, de que temos as Escrituras – e certamente isso é bom. Podemos ter confiança de que um sempre Fiel Senhor nunca deixará ou abandonará Seu povo, e que Ele conhece os que são Seus e os manterá até o fim. Mas podemos dizer que temos a doutrina de Paulo para a Igreja – o corpo de Cristo na Terra formado pela presença e batismo do Espírito Santo? Tendo isso, podemos dizer que estamos como membros vivos, agindo sobre a verdade disso por meio do infalível suprimento de graça que Ele dá? Ou nos colocamos sob o caráter daqueles que são descritos como os “que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade”? – Aqueles a quem a verdade alcançou a mente e o intelecto, mas sem fé, e, portanto, sem nenhum valor prático na vida? Podemos dizer da verdade assim como da fé: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem a verdade”? Se ele não tiver demonstrado que ele tem fé na verdade; e assim, aprendeu a agir sobre ela como algo em que ele acredita? Quando a fé tem seu efeito correspondente na vida do homem, isso é sempre um sinal de que ele tem fé na verdade que ele conhece – quando a fé foi posta em prática. Nenhum homem jamais teve o gozo e o poder de uma verdade divina até que a tenha aceitado e andado nela. Muitos estão, portanto, sempre aprendendo e nunca são capazes de chegar a um conhecimento divinamente confirmado da verdade porque a prática é deficiente. A verdade é aprendida no intelecto e a mente natural talvez seja tocada pela beleza e excelência divinas dela e que não podem ser negadas, mas não há fé nela. Não foi aprendida na consciência e na alma; e quando a tribulação ou a perseguição surgem por causa dela, o homem se ofende — talvez a considere não essencial — e renuncia àquilo a que nunca chegou: a um conhecimento divinamente dado. Se alguma vez houve um dia em que tenha existido algo como “sal que perdeu seu sabor”, esse é o dia presente. As mais comoventes, as mais elevadas verdades de Deus tornaram-se os tópicos da conversa do mundo. Elas são sustentadas por muitos de tal modo, no qual a sublimidade e o poder delas são perdidos. Caminhos e comportamentos mundanos são juntados ao conhecimento intelectual das mais altas verdades de Deus; e como o sal que perdeu sua salinidade, pode-se apenas perguntar: “Como restaurar-lhe o sabor? Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora” (Lc 14:34-35 – ARA). “Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, caridade, paciência, perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou. E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece nas coisas que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido” (2 Tm 3:10-14). Que o Senhor abra o entendimento de Seu amado povo em tal dia mau, no meio da confusão e corrupção — quando os homens estão dizendo: “O que é a verdade?” E, ainda que não se importando com a resposta, que eles possam descobrir que existem tais princípios na Palavra de Deus como nenhuma quantidade de fracasso do homem pode jamais tocar, e que são sempre praticáveis para aqueles que desejam humildemente andar com Deus, e guardar a palavra da paciência de Jesus, até que Ele venha. Que eles aprendam a caminhar juntos em unidade, paz e amor na verdade, por causa do Seu nome. Amém. F. G. Patterson Sal Usado por todos para o tempero diário Sal! Encontrado facilmente se preciso for “Tão útil e proveitoso” diz o usuário, Sem tensão ou estresse e de baixo valor. Não era assim em séculos passados, Mas, envolta em batalhas sua aquisição. No comércio, com lutas, seus caminhos trilhados Pelo mar trazido, era tempo de ação. Impostos sobre ele os países impunham De tamanha importância para a vida na Terra; Tratados foram feitos, impérios surgiram No excesso a riqueza, na escassez, a guerra. Mas o sal encontrado na Palavra da vida, Da graça que é santa seriamente nos fala: O amor precioso na graça contida, Graça, que na face de Deus, convém temperada. Na vida divina nos preserva também Que possamos de toda a Terra ser o sal, A graça, Senhor, que em nós seja o ‘amém’ Graça com sal comedida, fala de Ti, não do mal Tu, Salvador, foste o Sal bendito, Que trouxe ao mundo o caminho de Deus Exemplo supremo – o Verbo predito Crivado de insultos, sem culpa morreu. Dê-nos, Senhor, mais de Ti conhecer, De tudo o que foste diante do Pai. E que nesse caminho nos conceda crescer, Em palavras e obras, e em graça que atrai. w.j.p (adaptado) “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4:6). Notas do Tradutor: [1] N. do T.: Sem sabor. [2] N. do T.: Esta palavra significa estritamente “aluno” ou “aprendiz”. O Senhor Jesus tinha Seus discípulos: os apóstolos que Ele escolheu para estar com Ele são chamados de Seus “doze discípulos” (Mt 11:1); mas em outros lugares o termo é aplicado a todos os que seguiram ao Senhor [3] N. do T.: “Worthy is salt”; expressão inglesa que significa “alguém competente que sabe o que está fazendo”. [4] N. do T.: “Chocarrices” (Ef 5:4) é a tradução da palavra grega morologia que significa divertir alguém com gracejos, expondo outros a desprezo – “o bobo da corte”. Efésios 5:4 também menciona “parvoíces” (eutrapelia) que significa brincadeiras vulgares e obscenas. [5] N. do T.: O significado antigo de “alqueire” era bolsas ou cestos que se colocavam atadas sobre o dorso de animais usados para transporte de carga e que pendiam para ambos os lados do animal. O conteúdo desses cestos servia como medida de grãos e que acabou designando a área de terra necessária para o plantio de todas as sementes contidas nessa medida

  • Palavras de Edificação 38

    (Revista bimestral publicada originalmente em Janeiro/Fevereiro 1993) ÍNDICE Marcas da Assembléia Local Por causa dos Anjos 1 Coríntios 11:3-16 A Ordem de Deus para o Homem e a Mulher O Cabelo da Mulher – não é a Cobertura dela Quando a Cobertura da Cabeça é Apropriada? O Arrebatamento Secreto O Homem e a Mulher A Verdadeira Igreja – Corpo e Noiva de Cristo Onde Queres que a Preparemos? O Tribunal de Deus e de Cristo O Sábado Perguntas e Respostas – Céu MARCAS DA ASSEMBLÉIA LOCAL Em Mateus 16:18, Cristo edifica Sua “Igreja”. Em João 11:52, Ele reúne “em UM corpo os filhos de Deus”. Em 1 Coríntios 12:13, “todos…” os crentes são “batizados em UM ESPÍRITO formando UM CORPO”. Em Efésios 4:4, "HÁ UM SÓ CORPO E UM SÓ ESPÍRITO". Tudo isso fala de “UNIDADE” (Ef 4:3). A “Igreja” que Cristo edifica é UMA; “os filhos de Deus” que Ele reúne são UM; o “corpo” é UM. Foi isso que Deus, no poder do Espírito, fez por meio de Cristo. Encontramos também, nas Escrituras, que a assembléia local em uma cidade ou país era a representação local desse “um corpo”, a “Igreja”. Era a assembléia de Deus* naquele local, e estavam reunidos sobre o princípio de que a assembléia de Deus é uma. O nome do Senhor Jesus era Aquele a Quem os santos estavam reunidos.Eles eram reunidos para o Seu Nome no poder do Espírito, e em obediência à Palavra, e, quando reunidos, Cristo estava no meio deles. (Mt 18:20; 1 Co 12:12-13; Ef 4:3-4). Assim era a assembléia local conforme estabelecida por Deus no princípio. As marcas são evidentes, e demonstram que em hipótese alguma tratava-se de uma mera assembléia voluntária formada pela vontade do homem. Que isto fique bem entendido. A vontade do homem não tem lugar nela, exceto naquilo que pode ser introduzido por obra da carne e, assim, contrário a vontade do Espírito de Deus. Uma assembléia formada pela vontade do homem não seria, de forma alguma, uma assembléia de Deus, mesmo que fosse uma imitação perfeita em sua forma exterior e ação. Infelizmente, sabemos muito bem que a carne pode se mostrar de maneira chocante, mesmo na assembléia de Deus! Mas, torno a repetir, uma associação voluntária não é a assembléia de Deus, não importa quão perfeita possa ser a imitação. Sabemos agora que Deus permitiu que a assembléia fosse provada, e não demorou muito para que se introduzisse a triste ruína. A carne apresentou-se em diversas formas e em cismas que brotaram do estado mundano que havia sido permitido seguir sem julgamento na assembléia. Essas cismas estavam conectadas com heresias, isto é, escolas de opinião que Deus permitiu que se levantassem entre eles para manifestar o seu estado. "E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós" (1 Co 11:19). Mas essas heresias são distintamente declaradas como sendo "obras da carne" (Gl 5:19-21). Essas cismas e heresias, não são, de modo algum, "fruto do Espírito" (Ef 5:9; Gl 5:22), manifestado na assembléia de Deus. A.H.Rule (1843-1906) The Christian Shepperd: 1998 (*) O autor usa o termo "assembléia de Deus" no sentido em que é encontrado nas Escrituras, isto é, referindo-se a Igreja, que inclui todos os salvos por Cristo. O autor não está se referindo a uma organização religiosa que arvora para si mesma este nome. voltar ao Índice POR CAUSA DOS ANJOS 1 Coríntios 11:3-16 "3Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.4Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.5Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.6Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.7O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão.8Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão.9Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão.10Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.11Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor.12Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus.13Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?14Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido?15Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.16Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as Igrejas de Deus". Esta porção da Palavra de Deus, que é de grande importância prática, é com frequência mal compreendida. Se Deus fala de qualquer assunto, deve ser porque precisamos conhecê-lo. E quando Deus tiver falado, devemos estar prontos para prestar atenção ao que Ele disse. Além disso, deve-se admitir que Deus é capaz de fazer com que seja claro e simples o que Ele quer dizer, para que não haja nenhuma dúvida. Se, porém, não entendemos, é bem provável que o problema seja conosco. Ou não lemos cuidadosamente, ou estamos com alguma idéia pré-concebida, ou, o que é pior, não vemos porque somos obstinados e não queremos enxergar daquele modo. voltar ao Índice A Ordem de Deus para o Homem e a Mulher No versículo 3 o Espírito de Deus diz, por intermédio do apóstolo, que "Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo". É esta, portanto, a ordem de poder estabelecida por Deus. Deus tem um lugar para cada um (homem e mulher), e certamente não é penoso permanecer nesse lugar. O homem tem o seu lugar como representante de Deus na Terra – "a imagem e glória de Deus" (v.7). A mulher também tem um lugar distinto – não o lugar de proeminência, mas o lugar de sujeição em conformidade com a ordem estabelecida por Deus. Ela pode, no entanto, glorificar a Deus no lugar que lhe é próprio. O homem pode, e infelizmente faz, falhar tristemente em ocupar o seu lugar, mas ainda assim é esse o seu lugar. Ele deve procurar agir diante de Deus em seu devido lugar, e ela deve estar feliz por ocupar seu próprio lugar. Cada um deve julgar um privilégio ocupar o lugar designado por Deus. Deus estabeleceu uma certa ordem por toda a Sua Criação. Os homens e mulheres Cristãos não devem negligenciar essa ordem, porém devem lembrar-se de que são um espetáculo divinamente designado – sim, um espetáculo até mesmo para os “anjos” (v.10). Os anjos estão conhecendo a sabedoria de Deus; sendo espectadores dos caminhos de Deus. O fato de eles estarem observando os caminhos de Deus aqui é também mencionado em 1 Coríntios 4:9 – “pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens”; e em Efésios 3:10 – “pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus”. Há, então, uma regra muito simples a seguir, que demonstrará o lugar que o homem ocupa. Ele 'não deve orar ou profetizar (comunicar o pensamento de Deus a outros) com uma cobertura na cabeça'. Ter a cabeça coberta estragaria a demonstração, diante de outros, do lugar designado por Deus para o homem. Seria o sinal de abandono do lugar de autoridade do homem, e não deixaria a cabeça visível. A regra para a mulher é igualmente simples: ela 'não deve orar ou profetizar sem ter uma cobertura sobre sua cabeça'. Se ela ora sem uma cobertura sobre a cabeça, ela desonra sua cabeça. Seria uma desordem, que estaria sendo testemunhada por anjos. A cobertura sobre sua cabeça é o sinal exterior de sua sujeição. O profetizar exercido por uma irmã é, obviamente, restrito por outras passagens. Ela não deve fazê-lo na assembléia – “As mulheres estejam caladas nas Igrejas; porque lhes não é permitido falar” (1 Co 14:34), nem tampouco ela deve ensinar ou usurpar a autoridade sobre o homem – “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (1 Tm 2:12). O fato de esta simples ordem acerca de cobrir a cabeça ser geralmente menosprezada na cristandade não é desculpa para nenhuma mulher deixar de obedecê-la. Alguns colocam esta passagem de lado por atribuir sua autoria a Paulo; porém foi o Espírito de Deus o divino Autor, e Paulo apenas a escreveu. Ele disse, acerca das coisas que escreveu, que "são mandamentos do Senhor" (1 Co 14:37). Se isto é verdade, então trata-se de algo muito sério resistir a esses mandamentos. “Ouça” a forte linguagem usada: "Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu" (v.6). – “Pois, se a mulher não for coberta, corte-se também o cabelo. Mas se é vergonhoso para uma mulher cortar o cabelo ou rapar-se, que ela seja coberta” (v.6 – JND). Qual é a mulher que gostaria de ter sua cabeça rapada! Ela seria publicamente envergonhada e teria que se esconder. Bem, se é assim, diz a Palavra de Deus, 'que ela traga sobre sua cabeça uma cobertura quando estiver orando ou profetizando'. Não se trata de uma questão de superioridade e inferioridade, mas de posição relativa na Criação. Deus em Sua sabedoria determinou um lugar para cada um conforme Lhe pareceu bem, e bem-aventurados são aqueles que reconhecem isso, e buscam sabedoria e direção de Sua Palavra, para se comportar como convém naquele lugar. O apóstolo, pelo Espírito, voltou à Criação para estabelecer a ordem de Deus desde o princípio. A ordem e o propósito da Criação são colocados diante de nós como a base para a sujeição da mulher ao homem (vs.8-9). Então, nos versículos 14 e 15, ele chama a atenção para aquilo que aprendemos observando a natureza. Isso mostra como é apropriado que uma mulher tenha sua cabeça coberta quando ora. A natureza ensina que o cabelo longo é a glória para a mulher (quão triste é quando mulheres Cristãs cortam seus cabelos à semelhança do mundo), e significa uma posição mais reservada. Ela não deve se mostrar com a ousadia dos homens. Seu cabelo lhe foi dado "em lugar de véu" (v.15). Ele marcou um lugar reservado e subordinado na Criação de Deus. Isso foi obra de Deus, e tem sua bem-aventurança onde não é colocado de lado pela vontade do homem. Devemos nos lembrar que na "nova Criação" (2 Co 5:17 – JND), não há homem nem mulher, mas todos são um em Cristo Jesus. Este, no entanto, não é o ponto aqui, mas os respectivos lugares de cada um neste mundo diante dos olhos de outros – até mesmo dos anjos. voltar ao Índice O Cabelo da Mulher – não é a Cobertura dela Alguns, ao resistir às Escrituras, têm distorcido isso ao tentar provar que o cabelo da mulher é a cobertura requerida. A tentativa de usar indevidamente a instrução divina é tão simplória que não merece comentário. Mas para alguns que talvez tenham sido enganados por essa estranha distorção, é bom chamarmos a atenção para alguns pontos. Se a cobertura de uma mulher pudesse ser entendida como sendo o seu cabelo, então o cabelo do homem seria a cobertura deste também. Assim, evidentemente não é este o significado no caso do homem. Qual é o homem que iria rapar a cabeça para ficar livre de sua cobertura? A própria natureza indica que ele deve ter “cabelos curtos”. E o homem, que deveria ter “cabelos curtos”, "não deve cobrir a cabeça" quando fala a Deus, ou quando fala por Deus. "O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus" (v.7). Como, "não deve cobrir", poderia significar que ele não deve deixar o cabelo crescer como o de uma mulher quando estiver orando? As palavras deste versículo expressam ação ou falta de ação no momento da oração. Trata-se de algo que ele não deve fazer quando estiver orando. Ele pode cobrir a cabeça em outras ocasiões, mas estas instruções referem-se ao momento em que ele "ora ou profetiza" (v.4). Como alguém poderia pensar diferente? Portanto, vemos que no caso do homem o seu cabelo não é a cobertura a que o texto se refere; ele não deve colocar um chapéu ou outra cobertura sobre sua cabeça nesse momento específico. Observe novamente o versículo seis. Fazer do cabelo de uma mulher sua cobertura, em vez de um véu, chapéu ou algum outro objeto, seria algo ridículo. Tal raciocínio faria esse versículo dizer que se uma mulher não tivesse nenhum cabelo sobre sua cabeça, então seu cabelo deveria ser cortado – uma impossibilidade óbvia! A insensatez de buscar provar que o cabelo da mulher é sua cobertura, deveria ficar evidente. No versículo 15 lemos "em lugar de véu". Seu cabelo longo simplesmente marca, na natureza, um lugar mais reservado, um lugar de sujeição. Há alguns, na cristandade, que escrevem num esforço para distorcer as simples instruções, dizendo que "seu cabelo comprido" é a cobertura, e que isto subentende uma proibição de cortar o cabelo curto. Com certeza é triste quando uma mulher Cristã (corta) enrola sua glória, e ao fazer isso, é “conformada com este mundo”. Mas como poderia ela manter seu cabelo (curto) enrolado a maior parte do tempo, para então (deixá-lo comprido) desenrolá-lo quando estivesse orando? Trata-se de uma questão de ela demonstrar e reconhecer o lugar que lhe foi divinamente designado por Deus quando fala para Deus ou por Deus. Isto deve ser feito colocando uma cobertura sobre sua cabeça nesse momento. Obviamente se ela tem cabelos longos o tempo todo, ainda assim há algo a ser feito ao orar. Assim como vimos no caso do homem, Deus falou de uma ação a não ser executada no momento da oração. A mulher, que já tem o seu lugar reservado na natureza, já tem cabelo comprido que marca a sua posição, e agora deve colocar uma cobertura sobre sua cabeça para demonstrar a sua sujeição nesse lugar. Será que isto não é simples o suficiente? O fato de estar descoberta seria, para a mulher, um sinal de que estaria tomando um lugar de autoridade, abandonando a posição que lhe é própria. Seria confusão da ordem estabelecida por Deus, testemunhada por anjos. Deus deu explicações detalhadas para mostrar os motivos de tal regra. Por que tanto esforço para mudar isso? Deve-se temer que o simples ato de se recusar a exibir essa marca exterior de subordinação seja meramente a indicação de que o lugar dado pelo próprio Deus está sendo recusado. voltar ao Índice Quando a Cobertura da Cabeça é Apropriada? Há outros que procuram deixar de lado a aplicação genérica desta instrução divina, dizendo que isso somente se aplica para o momento em que todos encontram-se juntos em assembléia. Este é um grande erro, e é facilmente notado pelo fato de que a uma mulher “não é permitido falar” na assembléia (1 Co 14:34); como, então, ela poderia ser instruída de como agir quando estivesse profetizando na assembléia? Um versículo iria contradizer e anular o outro, se o significado fosse que sua cabeça deveria estar coberta somente quando estivesse em uma reunião. A instrução desta passagem é para os homens e para as mulheres, em todo o tempo, e em todo lugar. Seria igualmente errado para um homem orar a Deus, usando chapéu, tanto na privacidade de seu quarto como em público, e da mesma forma seria impróprio para uma mulher orar sem ter sua cabeça coberta mesmo quando estivesse sozinha em casa. O versículo 16 fortalece as instruções divinas. O que era válido para a assembléia em Corinto valia também para todas as assembléias; não era para ser deixado aberto às opiniões individuais, nem tampouco às decisões locais. E não havia espaço para ninguém contestar – simplesmente não havia permissão para nenhuma outra prática ou costume. O assunto estava encerrado, e não aberto à discussão. Desde que Adão e Eva, no jardim do Éden, desejaram ser "como Deus" (Gn 3:5), e caíram, a exaltação própria tem sido uma das piores ervas daninhas do coração humano. O primeiro casal não estava satisfeito com a parte recebida e, buscando exaltar-se a si mesmo, caiu em miséria e ruína. Bendito contraste com o segundo homem – o Senhor vindo do céu! Ele humilhou-Se a Si mesmo até o mais profundo, e agora Deus O exaltou sobremaneira (Fp 2). Bendito Salvador; que todos nós possamos aprender mais de Ti! Uma palavra mais a respeito da cobertura da cabeça – que o Senhor possa exercitar as mulheres Cristãs a selecionar objeto (chapelaria) que seja realmente uma cobertura, quando for usá-lo(a) com este o propósito. Quão necessário é que ponham-se diante do Senhor ao adquirirem uma cobertura, que seja do agrado d'Ele. P.Wilson (1899-1966) voltar ao Índice O ARREBATAMENTO SECRETO Creio que dispomos de muitos avisos que são suficientes para nos preparar para um evento como este, embora reconheça tratar-se de algo difícil de ser aceito por muitos – refiro-me ao evento aqui descrito como, o arrebatamento secreto dos Santos. Não digo que temos apenas uma figura disso: temos muitas coisas que devem nos preparar para tal evento. Cavalos e carros enchiam o monte, mas o servo do profeta não podia vê-los até que o Senhor o tornou capaz de enxergar – “O Senhor abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2 Rs 6:17). – Nem o próprio profeta presenciaria o vôo de seu mestre, se sua própria alma não tivesse passado por um processo de prova e preparação – “Eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro: e Elias subiu ao céu num redemoinho” (2 Rs 2:1-12). – A Daniel foi concedido olhar para um ser glorioso e celestial, e ouvir sua voz “como a voz de uma multidão”; mas os homens que estavam atrás de si nada viram – “os homens que estavam comigo não o viram: não obstante, caiu sobre eles um grande temor, e fugiram, escondendo-se” (Dn 10:5-7). – A glória no monte santo brilhou somente aos olhos de Pedro, Tiago e João, embora houvesse um brilho como do Sol, capaz de ter iluminado toda a Terra – “Jesus… os conduziu… a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o Seu rosto resplandeceu como o Sol, e os Seus vestidos se tornaram brancos como a Luz” (Mt 17:1-2). – Muitos corpos de santos ressuscitaram, mas somente aqueles a quem foi concedido puderam saber daquela ressurreição; pois os olhos e ouvidos comuns dos homens não puderam participar daquela grande ocasião – “Muitos corpos de Santos que dormiam foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressureição d'Ele, entraram na cidade Santa, e apareceram para muitos” (Mt 27:52-53). – O céu se abriu para Estêvão e ele pode ver a Jesus e Sua glória; mas o povo ali reunido nada viu – “Estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At 7:55-56). – Se Paulo foi ao paraíso no corpo (se no corpo ou fora do corpo não podemos dizer), ninguém viu; – “Conheço um homem em Cristo que há quatorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei: Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu” (2 Co 12:1-4). – Assim como, quando Filipe foi trasladado de Gaza para Azoto, ninguém acompanhou a sua fuga, pois o Espírito o carregou – “O Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco;… E Filipe se achou em Azoto” (At 8:39-40). Na voz e na presença de Jesus, que deteve Saulo em sua jornada a Damasco, não havia palavra para o ouvido de seus companheiros, e nenhuma forma humana houve para seus olhos: para eles tudo não passou de mero clarão e som; mas Saulo viu e ouviu tudo, e durante um tempo conversaram (At 9:7; 22:9; 26:13). Portanto, acaso não foram todas as circunstâncias que acompanham o arrebatamento dos santos assim previstas? No entanto, segredo e silêncio, de uma forma geral, marcaram todas elas. Muitas foram as visões e audições, ressurreições, vôos e ascensões, a glória aqui na Terra, os céus abertos nas alturas, e, ainda assim, o homem ficou alheio a tudo isso. E isso é simples e fácil de entender; pois todas essas coisas pertencem às regiões e energias do Espírito, ficando além do alcance das faculdades naturais do homem. "O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las" (1 Co 2:14). Se o Espírito não quiser, o olho e o ouvido não estarão sintonizados com as aparências e vozes do Espírito. E, deixe-me acrescentar que, além de tudo isso, Jesus ressuscitou; e ressuscitou saindo de um túmulo de pedra maciça, e do meio de uma guarda de soldados atentos; mas nenhum olho ou ouvido humano participou do segredo daquele momento. E a ressurreição de Jesus trata-se das primícias. Foi um fato que passou despercebido; um momento que não foi conhecido. Depois, o anjo desceu, acompanhado de um tremor de terra, e rolou a pedra. Sentou-se, então sobre a pedra em triunfo, lançando a sentença de morte sobre os guardas; e animando as mulheres que amavam e buscavam por Jesus – “E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra, e sentou-se sobre ela.… Mas o anjo,… disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado” (Mt 28:2,5). – Será que isso não nos mostra que, após o silencioso e secreto arrebatamento dos Santos, virá a 'hora determinada para expor' o que aconteceu, quando o poder do Senhor ressuscitado será manifestado, em confusão para o inimigo e em gozo para o ansioso Israel? O arrebatamento secreto de Jesus não afetou os guardas da pedra: eles não estavam cientes disso, e não foram afetados por isso. Foram os resultados disso que afetaram os inimigos e os discípulos, lançando juízo sobre uns e gozo sobre outros. E, depois de haver ressuscitado, embora possa ter andado pela Terra antes, Ele só foi visto por aqueles a quem foi dado a Ele aparecer (At 10:40-41). E Ele podia desaparecer da vista deles quando assim o desejasse, ou aparecer em várias maneiras conforme Lhe aprazia, e ninguém podia rastreá-Lo. Este é o maior exemplo; mas tudo isso são fatos que nos ajudam a compreender como, se o Senhor quiser, o silêncio e o sigilo cercarão a Sua vinda do céu para encontrar Seus santos nos ares. Trecho extraído do livro: “The Return of the Lord Jesus Christ from Heaven to Meet His Saints in the Air” – J.G.Bellet (1795-1864) voltar ao Índice O HOMEM E A MULHER Deus, na Sua sabedoria, designou um lugar apropriado, porém distinto, tanto ao homem como à mulher. Mas isso de forma alguma impede que a mulher dê um testemunho eficaz. Encontramos na Bíblia mulheres testemunhando eficazmente de Cristo (a avó e a mãe de Timóteo, por exemplo – veja 2 Tm 1:5; 3:15). Há, portanto, uma esfera de ação que é apropriada para as mulheres e foi Deus Quem colocou os limites, os quais devem ser respeitados. Um limite está em 1 Coríntios 14:34, onde encontramos a ordem que deve ser respeitada na Igreja ou assembléia. Seria por demais difícil obedecermos simplesmente aquilo que o apóstolo chama de "mandamentos do Senhor"? (1 Co 14:37; 1 Sm 15:22-23). E se quisermos ser achados numa posição de obediência ainda mais excelente, teremos que nos submeter a 1 Timóteo 2:12, e concordar que a mulher não deve ensinar. Se lemos tais coisas com tanta clareza nas Escrituras e deliberadamente as desprezamos, somos culpados de rebelião contra Deus e Sua Palavra, não importa quais sejam os méritos que tenhamos em outros aspectos da vida Cristã (Lc 12:47). Em nossos dias a cristandade tem se desviado muito dos padrões estabelecidos por Deus, desprezando o lugar que Deus estabeleceu para o homem e para a mulher. Isto se deve à aceitação, pelos Cristãos, das idéias, costumes e princípios deste mundo. Temos que ter sempre em mente que, à semelhança dos exemplos que encontramos no Antigo Testamento no final de cada dispensação, a época da Igreja na Terra está igualmente chegando ao fim como um testemunho que, confiado aos cuidados dos homens, também termina em ruína. Como se repetissem um período cíclico, todas as dispensações começaram em grande poder e virtude, terminando em ruína e abandono da verdade. Assim ocorre com a Igreja nestes últimos dias de tristes divisões e abandono da sã doutrina ensinada pelos apóstolos. O papel do homem como cabeça também foi, de certa forma, afetado pelo pecado. Isto é verdade no que diz respeito à qualidade de sua atuação na posição que lhe foi destinada, muito embora isto não justifique, de modo algum, uma inversão dos papéis. Quando os homens estavam medrosos diante do inimigo, Deus permitiu que Débora fosse um instrumento de libertação (Jz 4 e Jz 5). Mas no registro dos heróis da fé apresentado em Hebreus, é Baraque quem tem seu nome registrado (Hb 11:32). Deus demonstra que a responsabilidade pela libertação fora dada ao homem, muito embora ele tenha se escondido atrás de uma mulher. O Éden é o ponto de partida de toda a ruína que vemos hoje. Embora a mulher tenha sido enganada pela serpente, que é o diabo, a responsabilidade maior cabe ao homem por ser a cabeça. Pode-se perguntar: Onde estava o homem enquanto a mulher estava sendo enganada pela serpente? Ele era para estar junto de Eva, mas tudo indica que naquele momento ele estava longe dela, sozinho (e Deus havia criado a mulher para que o homem não ficasse só – "Não é bom que o homem esteja só" – Gn 2:18). De qualquer forma, o homem não foi enganado, mas somente a mulher o foi (1 Tm 2:14). Ele estava plenamente consciente de estar desobedecendo a Deus ao comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, mas tenta culpar a Deus pelo ocorrido ("A mulher que (Tu) me deste…" Gn 3:3-12). O que vemos hoje na cristandade, no que diz respeito à mulher fora da posição que Deus lhe deu, é uma consequência do homem haver abandonado sua posição. Assim como Adão pode ter ido dar uma volta pelo jardim do Éden, cuidando de seus deveres de administrador mas deixando a mulher à mercê do engodo da serpente, hoje o homem abandona cada vez mais sua posição de cabeça, a pretexto de cuidar de seus interesses ou de trazer o pão para seu lar. O resultado disso é que a mulher ocupa cada vez mais uma posição que era devida ao homem (por negligência deste). Assim, não apenas na sociedade e no lar, mas principalmente na Igreja, tudo acaba ficando fora do lugar que Deus determinou. A responsabilidade cabe ao homem; ele é “a cabeça” (1 Co 11:3). Mas a negligência do homem para com a posição que Deus lhe deu não justifica que a mulher assuma uma posição que não lhe cabe. Nosso Deus é um Deus de ordem. Um soldado jamais poderá ocupar a posição de seu capitão por julgá-lo incapaz ou negligente. Talvez o soldado seja muito mais valente e capaz do que seu capitão, porém deve respeitar a hierarquia. Não se trata de quem é melhor ou pior; trata-se de uma ordem estabelecida. Assim é no relacionamento homem-mulher. "Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo" (1 Co 11:3). A mulher não é menos do que o homem por ele ser a cabeça. Trata-se de uma questão de ordem estabelecida por Deus. Quando se trata da esfera de ação da mulher Cristã, pensamos muito naquilo que, segundo as Escrituras, uma mulher não pode fazer; mas o que dizer daquilo que o homem não é capaz? Sim, pois há limites para o homem também. Um homem não tem tanta aptidão para mostrar o amor de Cristo a um enfermo como o tem uma irmã dedicada. Tenho três filhos e reconheço neles um crescimento espiritual, pelo ministério de minha esposa, numa maneira que eu seria incapaz de cumprir. É extremamente eficaz o trabalho de alguém quando é feito dentro da esfera de ação que Deus determinou. Isto é “ouro, prata e pedras preciosas”. O trabalho feito fora das bases estabelecidas por Deus é “madeira, feno e palha” e não subsistirá (1 Co 3:12). Como homens, somos limitados em certos aspectos, e temos que reconhecer que há uma esfera de trabalho que é mais apropriada para as irmãs. Por outro lado, as irmãs são mais frágeis (1 Pe 3:7) e mais suscetíveis a sucumbir ante os ataques do inimigo (1 Tm 2:14). Eva foi enganada, porém Adão não foi. Ele sabia exatamente o erro que estava cometendo, mas seguiu sua mulher. Assim, por serem mais suscetíveis ao engano, o Senhor graciosamente poupa as irmãs de problemas – e à Igreja de erros doutrinários – ordenando que elas não ensinem. Se um filho meu tem problemas de saúde, eu, por amor, irei proibi-lo de participar de brincadeiras violentas. Iríamos nós contrariar o amor e cuidado do Senhor, que coloca os limites para nos poupar de muitos problemas? Sempre que dizemos que alguma coisa está nas Escrituras, 'mas…' que temos uma maneira melhor para agir, estamos nos considerando mais sábios que Deus. Há muitos que alegam que o trabalho de mulheres, pregando e ensinando publicamente, tem dado muitos frutos. "Nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor" (1 Co 4:5). Ao contrário do pensamento humano, nas coisas de Deus os fins não justificam os meios. Em vez de buscarmos grandes resultados, agindo fora do lugar determinado por Deus, é melhor ficarmos dentro dos limites que Ele estabeleceu. Saul tinha bons motivos para agir de forma diferente àquela determinada por Deus. Mas perdeu tudo. "Obraste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou… agora não subsistirá o teu reino"; "Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros" (1 Sm 13:13-14; 15:22). M.Persona (1955) voltar ao Índice A VERDADEIRA IGREJA Corpo e Noiva de Cristo O que significa a palavra "Igreja" (At 7:38 – TB)? A palavra grega significa uma "assembléia" (At 7:38; 19:32,39,41 – JND); “ajuntamento” (At 19:32,39,41 – ARC). Deus tem mais de uma “Igreja”? Não. Ela é chamada "Igreja de Deus, que Ele adquiriu para Si pelo sangue do Seu próprio Filho" (At 20:28 – Versão Bíblia de Jerusalém). Que tipo de pessoas formam a “Igreja”? Só um tipo – pecadores, sejam eles judeus ou gentios, que, diante de Deus, se arrependeram de suas obras más e, pela graça, creram no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, tendo sido selados pelo Espírito Santo – “Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20:21); “Que também nos selou e nos deu penhor do Espírito em nosso coração” (2 Co 1:22 – ARA); “Em Quem também vós estais, depois que ouvistes a Palavra da Verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo n'Ele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13). Irá algum deles se perder? Impossível! Deus "nos elegeu n'Ele (em Cristo) antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d'Ele em caridade (amor)" (Ef 1:4); "Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção" (Ef 4:30). O que formam, em cada localidade, os membros desta única “Igreja”? Juntos, eles formam localmente parte daquela única Igreja. Por exemplo: "À Igreja de Deus que está em Corinto…" (1 Co 1:2). Quando a “Igreja” foi mencionada pela primeira vez? O Senhor disse: "sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16:18). Quando a “Igreja” foi realmente formada? “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes (50 dias depois de haver o Senhor Jesus ressuscitado de entre os mortos), estavam todos reunidos no mesmo lugar” (At 2:1); quando o Espírito de Deus desceu e batizou os crentes individuais em um corpo, unindo-os, como um organismo vivo, a Cristo, sua cabeça exaltada nos céus (At 2). Quem foi o primeiro, a receber a revelação do segredo de que a Igreja estava, como algo vivo, conectada a Cristo? Saulo de Tarso: "Saulo, Saulo, por que ME persegues?" (At 9:4). Saulo, ao perseguir os Cristãos, estava, na verdade, perseguindo a Cristo, a cabeça. A doutrina lhe foi revelada mais tarde. Qual é o relacionamento dos Cristãos com Cristo? Até Deus haver chamado o apóstolo Paulo, nunca “foi manifestado aos filhos dos homens”, a verdade que pecadores, tanto judeus como gentios, que crêem no Senhor Jesus Cristo, “como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas”; que são agora “co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho" (Ef 3:1-6), do qual “Ele é a Cabeça” (Cl 1:18). Trata-se de uma união viva – “O que se ajunta com o Senhor é um mesmo Espírito” (1 Co 6:17). Juntos, esses escolhidos formam a “Igreja” que Cristo amou e pela qual “Se entregou a Si mesmo” (Ef 5:2). Como objeto de Sua afeição, ela é chamada de Sua noiva. Nós, que cremos, somos Seu corpo e Sua noiva. O que Cristo fez pela “Igreja”? Ele amou-a "e a Si mesmo Se entregou por ela" (Ef 5:25). O que Ele está fazendo agora pela “Igreja”? Alimentando-a e sustentando-a; “para a santificar e purificando-a com a lavagem da água”, de uma maneira prática, neste mundo, pela aplicação, em nossa alma, da Palavra de Deus (Ef 5:26,29). O que Ele logo irá fazer pela “Igreja”? Apresentá-la "a Si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível", a tão esperada noiva que Ele ama (Ef 5:27). Qual é o destino da “Igreja”? Ser eternamente amada por Ele, e, na companhia do Senhor Jesus, ser o instrumento para demonstrar a glória do próprio Deus! – “como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:1-2), “Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro… E tinha a glória de Deus…” (Ap 21:9-11). J.H.Smith (1903-1978) voltar ao Índice "ONDE QUERES QUE A PREPAREMOS?" Lucas 22:7-20 Onde devemos celebrar a Ceia do Senhor? Esta pergunta, feita por muitos, traz à tona a tristeza causada pela ruína do testemunho do Corpo de Cristo, que é a “Igreja”. Mas antes mesmo da existência da Igreja – (por ocasião da última ceia, a Igreja ainda não havia sido formada; isto aconteceu somente em “Pentecostes” – At 2), – encontramos esta pergunta sendo feita em Lucas 22, do versículo 7 em diante. Ali encontramos o Senhor ordenando aos Seus discípulos: "Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos" (v.8). E eles fizeram a mesma pergunta: "Onde queres que a preparemos?" (v.9). Esta é a pergunta de uma alma submissa ao Senhor, que deseja fazer a vontade d'Ele acima de tudo. Sabemos que essa seria a última ceia do Senhor com Seus discípulos, antes de morrer numa cruz. E foi nessa ocasião que Ele pediu que fizessem isso em memória de Si; repetindo posteriormente o mesmo pedido a Paulo – “fazei isto em memória de Mim” (1 Co 11:24), já no caráter de uma ordenança àqueles que faziam parte da “Igreja”. Ao receberem a ordem do Senhor, os discípulos não fizeram o que achavam melhor, e nem se dirigiram ao lugar mais próximo de suas casas, ou aonde se sentissem bem. Tampouco, procuraram qualquer lugar que lhes parecesse digno de tal evento, mas, com a simplicidade de uma criança, perguntaram ao Senhor: "Onde queres que a preparemos?" (v.9). E a resposta do Senhor é muito instrutiva, se a aplicarmos espiritualmente a nós nestes últimos dias. Primeiramente, o Senhor ordena que entrassem "na cidade" (v.10). O lugar onde devemos lembrar Sua morte enquanto estamos aqui é neste mundo, em meio a toda a confusão criada pelo homem, mas, como veremos adiante, separados dela. Ali eles encontrariam "um homem, levando um cântaro d'água" (v.10), e deveriam “segui-lo”. Não era comum encontrar “um homem, levando um cântaro d'água”, pois esta era uma tarefa típica das mulheres, “Deixou pois a mulher o seu cântaro, e foi à cidade” (Jo 4:28), “…Eis que Rebeca saía com seu cântaro sobre o seu ombro” (Gn 24:45), e em outras passagens do Antigo Testamento. A menos que esse homem fosse um servo, e isso nos fala do Espírito Santo, pois é neste caráter, de Servo, que Ele Se encontra no mundo, na presente dispensação, levando as pessoas a Cristo (Jo 16:7-15). “Um homem, levando um cântaro d'água” – este é um símbolo da Palavra de Deus, conforme encontramos em Efésios 5:26 – “purificando-a com a lavagem da água”. O homem com o cântaro os levaria a um "grande cenáculo mobilado" (v.12). O cenáculo, que é um apartamento privado interno ou o andar superior de uma casa, nos fala de um lugar que, embora neste mundo, encontra-se acima das coisas da Terra; um lugar elevado. O aposento era um "grande cenáculo" – havia espaço suficiente para todos os convidados, na versão JND o cenáculo é chamado de “câmara do convidado”, podemos traduzir também como “quarto de hóspedes” (Lc 22:11) – e o fato de estar mobilado demonstra que alguém já havia preparado acomodações suficientes para os que ali fossem. Os discípulos, obedecendo às ordens do Senhor, encontram tudo exatamente como lhes foi falado e, "chegada a hora, pôs-Se à mesa, e com Ele os doze apóstolos" (v.14). E, ali, Ele lhes fala da Sua morte – “Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que Padeça” (v.15). Tudo isso é muito instrutivo para nós. Em primeiro lugar, temos que buscar o Senhor quanto ao que devemos fazer, e onde devemos fazê-lo. Ele nos mostrará com certeza. Então devemos seguir o “homem com o cântaro d'água”; uma figura de acompanharmos o Espírito Santo naquilo que Ele leva, ou seja, a Palavra de Deus. Não encontraremos na Palavra coisas do tipo, vá à esta ou àquela denominação, pois não encontramos, na doutrina que foi dada à Igreja, denominações diferentes para aqueles que fazem parte de “um só Corpo” (Ef 4:4). A única distinção era feita quanto à localização geográfica dos crentes – por exemplo: "da Igreja que está em Éfeso" (Ap 2:1); “da Igreja que está em Pérgamo” (Ap 2:12);… Também não encontramos coisas do tipo vá aonde desejar; ou, ao lugar onde se sentir melhor, como se os crentes não tivessem qualquer guia seguro e tivessem que seguir sua própria vontade ou sentimentos – “Não fareis conforme a tudo o que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos” (Dt 12:8), “Guarda-te, que não ofereças os teus holocaustos em todo o lugar que vires; mas no lugar que o Senhor escolher numa das Tuas tribos ali oferecerás os teus holocaustos, e ali farás tudo o que Te ordeno” (Dt 12:13-14); “Naqueles dias não havia rei em Israel: porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21:25). Também não encontramos o conselho que normalmente é dado, vá à Igreja mais próxima de sua casa, que neste tempo de fim tem lançado muitos nas garras de verdadeiros mercenários da fé – “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pe 2:1-2). O que não encontramos na Palavra de Deus não devemos fazer. O que encontramos, – “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em (ao – JND) Meu nome, ali estou Eu no meio deles” (Mt 18:20 – ARA), – é a indicação de que onde estiverem dois ou três reunidos ao Nome do Senhor Jesus (e ao Seu Nome somente) Ele estará no meio, o que equivale dizer que Ele Se porá à mesa com os Seus que ali estiverem. Portanto, é pela Palavra de Deus somente, e não pelos costumes dos homens, ainda que sejam Cristãos, que encontramos o lugar onde Deus quer que celebremos a Ceia. Tal lugar, está acima das coisas deste mundo – (assim como o cenáculo que vimos), – e Deus preparou acomodações para todos os que desejarem se dirigir para ali – (o cenáculo era grande e estava mobilado). Trata-se do lugar onde o Senhor colocou o Seu Nome, e mais nenhum outro; onde Ele é “O Centro” (Mt 18:20 – JND), de todas as atenções e Sua autoridade é reconhecida: “Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o Meu Espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, …Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?” (1 Co 5:4,12). Autor Desconhecido voltar ao Índice O TRIBUNAL DE DEUS E DE CRISTO Não estou ciente se esta expressão, "o tribunal de Deus" (Rm 14:10 – ARA / JND), ou "o tribunal de Cristo" (2 Co 5:10), seja encontrada em mais alguma passagem além de Romanos 14:10 e 2 Coríntios 5:10; na primeira delas com vistas a prevenir-nos contra julgamentos individuais; na segunda com vistas a nos incitar a prática do bem. Este assunto é, em si mesmo, um dos mais solenes e benditos, e mais ainda quando o compreendemos corretamente. Creio que cada ato de nossa vida será então manifestado, perante o tribunal, segundo a graça de Deus e Seus caminhos para conosco, em conexão com os nossos próprios atos, que serão conhecidos então. Lemos que: "cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14:12); e a palavra, nesta passagem, menciona o tribunal em conexão com a exortação aos irmãos para não julgarem uns aos outros por causa dos dias, de comidas, ou qualquer outra dessas coisas. Estou inclinado a pensar que somente os atos estarão sujeitos à manifestação; porém todos os atos privados de nossa vida dependem tão intimamente de nossos sentimentos interiores, que é, de certa forma, difícil distinguir os atos dos simples pensamentos. Os atos manifestam o poder dos pensamentos ou dos sentimentos. Acredito que todos os nossos atos serão ali detalhados, perante o tribunal, todavia, não para nós, como se estivéssemos na carne; portanto, não para a nossa condenação, mas para tornar evidente aos nossos próprios olhos a graça que se ocupou conosco – antes ou depois de termos sido regenerados. Nos conselhos de Deus, sou eleito desde antes da fundação do mundo; portanto, penso que a minha própria história será detalhada diante do tribunal, e, paralelamente, se manifestará a história da graça e da misericórdia de Deus para comigo. O por quê e como fizemos isto ou aquilo, será então manifestado. Para nós a cena será declaratória, e não judicial. Não estamos na carne perante Deus; aos Seus olhos, e pela Sua graça estamos mortos. Mas então, se tivermos andado segundo a carne, teremos que ver o quanto perdemos em bênçãos, e em que perda incorremos. Por outro lado, os caminhos de Deus para conosco, todos eles de sabedoria, misericórdia e graça, serão, pela primeira vez, perfeitamente conhecidos e entendidos por nós. A história de cada um será manifestada em perfeita transparência; será então visto como você fraquejou e como Ele o guardou; como escorregaram seus pés e como Ele ergueu-o novamente; como chegou perto do perigo e da vergonha, e como Ele Se interpôs com Seu próprio braço. Creio que isto seja a noiva se aprontando, e considero o momento maravilhoso. Não haverá, então, carne para ser condenada, mas a nova natureza entrará no pleno conhecimento do cuidado e do amor que, em verdadeira santidade, justiça, e até mesmo em graça, nos seguiu passo a passo por todo o tempo de nossa carreira. Algumas partes de nossa vida, até então inteiramente inexplicáveis, serão completamente reveladas e se tornarão completamente claras; algumas tendências de nossa natureza, que talvez não julguemos ser perniciosas e fatais como são, e por cuja mortificação talvez estejamos agora sujeitos à disciplina, a qual talvez não temos interpretado corretamente, serão então perfeitamente explicadas; e, ainda, as próprias quedas que hoje nos lançam em amarga angústia, serão vistas, então, como aquilo que Deus usou para nos preservar de algo mais terrível. Não creio que, até então, teremos experimentado um conhecimento completo da maldade de nossa carne. Quão bendito é, para nós, saber que então não somente estará tudo terminado quanto à carne, nos conselhos de Deus, mas que também a carne já não estará ligada a nós! Por outro lado, não tenho dúvida, a manifestação da graça de Deus para conosco individualmente será tão magnífica que, mesmo que o senso da perversidade da carne que tivemos, possivelmente pudesse ali entrar, seria totalmente excluído pela grandiosidade da compreensão da bondade divina. Por que não negamos e mortificamos a carne quando pensamos naquela hora? Que o Senhor conceda fazermos sempre mais e mais pela glória da Sua graça. O grandioso assunto do “tribunal de Cristo”, traz a alma a um pleno conhecimento de nossa posição individual. J.N.Darby (1800-1882) voltar ao Índice O SÁBADO A primeira vez que o “sábado” – “shabbat” – é especificamente mencionado na Escritura é em Êxodo 16:23, depois que o maná foi dado do céu; mas o “sábado” – “shabbat” – claramente teve sua origem na santificação e bênção do sétimo dia, após os seis dias na obra de criação. E uma divisão semanal de dias aparentemente existiu até o dilúvio, visto que é distintamente mencionada em conexão com Noé. Também vemos em Marcos 2:27 que: “O sábado foi feito por causa do homem”. Foi uma instituição que expressou a consideração misericordiosa de Deus para com o homem. As palavras “descanso” e “sábado” na passagem de Êxodo não têm artigo, de modo que a frase pode ser traduzida: “Amanhã é descanso, sábado santo a Jeová” (Êx 16:23 – TB). Portanto, em Êxodo 16:25-26 não há artigo – “porque hoje é sábado para Jeová… mas no sétimo dia é sábado” (Êx 16:25-26 – JND): – porém há em Êxodo 16:29 – “Vede, porque o Senhor vos deu o sábado; por isso no sexto dia vos dá pão para dois dias” (JND). – O “sábado” – “shabbat” – foi logo depois decretado definitivamente nos dez mandamentos – “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar… Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus… ao sétimo dia descansou, portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou” (Êx 20:8-11), – e é feita referência a Deus ter descansado no sétimo dia após a obra da criação como a base da instituição. O “sábado”tinha um lugar peculiar em relação a Israel: assim, em Levítico 23 – “Seis dias obra se fará, mas ao sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhuma obra fareis; sábado do Senhor é em todas as vossas habitações” (Lv 23:3), – nas festas do Senhor, nas santas convocações, o “sábado” do Senhor é mencionado pela primeira vez como mostrando a grande intenção de Deus. Deus libertou Israel da escravidão do Egito, portanto Deus ordenou que guardassem o “sábado” – “…O Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado” (Dt 5:15). – O “sábado” era o sinal da aliança de Deus com eles, e pode ser que o Senhor, ao ofender repetidamente os judeus (na visão deles) quebrando o “sábado” por atos de misericórdia, prefigurasse a dissolução que se aproximava do pacto legal (Êx 31:13, 17; Ez 20:12, 20). O “sábado” prefigurou a introdução deles no descanso de Deus; mas, por causa do pecado daqueles que começaram a ir para lá (que desprezavam a terra prometida), Deus jurou em Sua ira que eles não entrariam no Seu descanso (Sl 95:11). Deus propôs trazer Seu povo ao Seu descanso, para quem resta, portanto, a guarda do “sábado” (Hb 4:9 – “um sabatismo” – JND e TB). O “sábado” nunca foi dado às nações da mesma forma que a Israel, e em meio a todos os pecados enumerados contra os gentios, não encontramos a quebra do “sábado” jamais mencionada. No entanto, parece ser um princípio do governo de Deus sobre a Terra que o homem e os animais devam ter um dia a cada sete como repouso do trabalho, todos necessitando dele fisicamente. O “sábado” do Cristão é designado “o dia do Senhor” – [the day of the Lord] do grego: 'Κύριος – kurios' – e é tão distinto em princípio do “sábado” legal judaico quanto a abertura, ou o primeiro dia de uma nova semana é do encerramento de uma anterior. O Senhor permaneceu na morte no “sábado” – “shabbat” – judaico: o Cristão guarda o “primeiro dia da semana”, o dia da ressurreição (Mc 16:9). “O Dia do Senhor” – [the Lord's day], é uma expressão que ocorre apenas em Apocalipse 1:10: João estava “em Espírito no dia do Senhor”. Era o dia da semana em que o Senhor ressuscitou – o dia da ressurreição. É o “primeiro dia da semana” – domingo, o que sugere o início de uma nova ordem de coisas, totalmente distinta daquela ligada ao “sábado” da lei. Era o dia em que os discípulos comumente se reuniam com o propósito expresso de “partir o pão”, Atos 20:7; e embora nenhuma ordenação expressa seja dada a respeito, é um dia especialmente considerado pelos Cristãos. É literalmente 'dia dominical', do grego: 'Κύριακóς – Kuriakos'; uma palavra que ocorre apenas em referência à “ceia do Senhor” em 1 Coríntios 11:20, e para “o dia do Senhor” – [the Lord's day] (Ap 1:10); o termo não deve ser confundido com “o dia do Senhor” – [the day of the Lord] do grego: 'Κύριος – kurios', no sentido em que aparece em 2 Pedro 3:10, e outras passagens; e como acima descrito. Dicionário Bíblico Conciso – George Morrish voltar ao Índice PERGUNTAS E RESPOSTAS Céu As palavras principais assim traduzidas são: 'shâmayim shâmeh' – 'שמה שָׁמַיִם – השמים'; “as alturas”, e 'οὐρανός' – 'הגבהים' – ouranos. Elas são usadas em uma variedade de sentidos; a Escritura fala do “terceiro céu” como sendo a morada de Deus – “Conheço um homem em Cristo que há quatorze anos… foi arrebatado até ao terceiro céu” (2 Co 12:2). Como não pode haver nada acima disso, concluímos que existem três céus: Os Céus Criados – “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1); “E chamou Deus à expansão Céus” (Gn 1:8); “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1); etc. São os céus físicos onde as estrelas brilham – “Que deveras te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus” (Gn 22:17), e onde os pássaros voam – “…todas as aves do céu tinham fugido” (Jr 4:25). A atmosfera na qual os pássaros voam e os relâmpagos aparecem, e de onde a chuva cai – “e até à ave dos céus” (Gn 7:23); “da chuva dos céus beberá as águas” (Dt 11:11); “cujos ramos habitavam as aves do céu” (Dn 4:21); “o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu” (Lc 17:24). Ele passará: “os céus passarão com grande estrondo” (2 Pe 3:10); “os céus, em fogo se desfarão” (2 Pe 3:12). Alguns vêem o espaço aéreo e o espaço exterior, como sendo dois céus diferentes, mas a Escritura não os distingue. O firmamento ou grande expansão em que são vistos o Sol, a Lua e as estrelas – “E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite;… e sejam para luminares na expansão dos céus, para alumiar a terra. E assim foi” (Gn 1:14-15); “E Deus pôs na expansão dos céus para alumiar a terra” (Gn 1:17); “e voem as aves sobre a face da expansão dos céus” (Gn 1:20). O reino da atividade espiritual – “…O Qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3); “ressuscitando-O dos mortos, e pondo-O à sua direita nos céus” (Ef 1:20); “E nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Ef 2:6); “Para que agora, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Ef 3:10); “…nos lugares celestiais” (Ef 6:12). Os Cristãos estão assentados em Cristo nessa esfera com suas bênçãos espirituais (Ef 1:3, 2:6). Satanás também se move nessa esfera e trabalha para impedir o gozo do crente de suas bênçãos (Ef 2:2), e assim há um conflito espiritual lá, e somos instruídos a “Revestir-nos de toda a armadura de Deus” (Ef 6:11-12). A morada ou a habitação de Deus: onde está o Seu trono – “Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus” (Dt 10:14); “Porque o Senhor vosso Deus é Deus em cima nos céus e em baixo na terra” (Js 2:11); “Os céus e até os céus dos céus O não podem conter?” (2 Cr 2:6); “Habitaria Deus na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus Te não poderiam conter” (1 Rs 8:27). É onde Cristo está – “foi elevado ao céu” (Lc 24:51), e onde a alma e o espírito dos redimidos estão com Cristo – “Em verdade te digo que hoje estarás Comigo no Paraíso” (Lc 23:43); “…Estamos sempre de bom ânimo,… (Porque andamos por fé)… e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Co 5:6-8); “…tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fp 1:23); “Aquele que habita nos céus se rirá” (Sl 2:4); “O Senhor está no Seu Santo templo: o trono do Senhor está nos céus” (Sl 11:4); “De maneira nenhuma jureis: Nem pelo céu, porque é o trono de Deus” (Mt 5:34). De onde o Senhor desceu e para onde subiu, e onde foi visto por Estevão – “Ora o Senhor, …foi recebido no céu, e assentou-Se à direita de Deus” (Mc 16:19); “Estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (At 7:55); “O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor é do céu” (1 Co 15:47). A morada dos anjos – “serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22:30); “nem os anjos do céu” (Mt 24:36); “um anjo do céu” (Gl 1:8). É importante ver que, ao formar o atual sistema deste mundo, Deus fez um céu para a Terra, de modo que a Terra fosse governada desde o céu. A bênção da Terra, seja material ou moral, depende de sua conexão com o céu. Essa bênção será completa quando o reino dos céus for estabelecido no Filho do Homem, e Ele virá nas nuvens do céu – “Reinos da terra, cantai a Deus, cantai louvores ao Senhor” (Sl 68:32); “Ó Deus, tu és tremendo desde os teus santuários: o Deus de Israel é o que dá fortaleza e poder ao Seu povo. Bendito seja Deus” (Sl 68:35). É o lugar do poder angelical, “os principados,… as potestades… nos lugares celestiais” (Ef 6:12), sendo angelicais, Satanás e seus anjos, embora caídos, ainda estão entre eles – “E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles” (Jó 1:6); “veio também Satanás entre eles” (Jó 2:1); (Ap 12:7-9). Muito pouco é dito sobre os santos indo para o céu, embora sua cidadania esteja lá agora – “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20); mas eles estão onde Jesus está, e Ele foi para o céu e preparou um lugar para eles. Em Apocalipse, os 24 anciãos são vistos no céu assentados em “tronos” – “E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos” (Ap 4:4). Àquele que está assentado no trono, e ao Cordeiro seja a glória para todo o sempre, Amém. – “E os vinte e quatro anciãos,… prostraram-se e adoraram a Deus, assentado no trono, dizendo: Amém. Aleluia” (Ap 19:4). Os crentes aguardam “novos céus e nova Terra, em que habita a justiça” (2 Pe 3:13); “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21:1). Firmamento – A palavra hebraica é 'râqîyia – רָקִיעַ', que significa “expansão”. É usada para a esfera celestial que pode ser vista olhando para cima, e também simplesmente para a atmosfera em que os pássaros voam. Lemos que Deus chamou o firmamento de “Céus”: este é “céu” em um sentido amplo, pois lemos em outro lugar sobre “as estrelas do céus”, mas também “as aves do céus” (Gn 1:6-20). O salmista fala deles como algo distinto: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19:1 – ARA), “Louvai ao Senhor. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do Seu poder” (Sl 150:1). As criaturas vivas em Ezequiel 1 movem-se em meio ao firmamento: “havia uma semelhança de firmamentos, como um aspecto de cristal ('qerach qôrach – קרח' –> gelo) terrível, estendido por cima, sobre a sua cabeça” (Ez 1:22), mostrando serem eles executores do governo judicial de Deus: (Compare Ez 10:1) – “Depois olhei, e eis que no firmamento, que estava por cima da cabeça dos querubins, apareceu sobre eles como uma pedra de safira, como o aspecto da semelhança dum trono”. Livro: “Definições Doutrinais” – Bruce Anstey; e, Dicionário Bíblico Conciso – George Morrish voltar ao Índice

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