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  • Edificando (Maio de 2022)

    Baixe esta revista digital nos formatos: EPUB - MOBI ÍNDICE Edificando J. L. Erisman A Silenciosa Construção do Templo de Saromão D. C. Buchanan Um Grande Edifício Messages of Love, Bible Talks A Casa de Deus N. Simon Uma Grande Casa N. Simon Bons e Maus Construtores P. Wilson Edificando-vos a Vós Mesmos H. H. Snell Um Edifício Inacabado W. J. Prost Caos e Anarquia no Horizonte W. J. Prost Deus É o Dono do Edifício J. L. Erisman O Edifício de Cristo e o Edifício do Homem J. N. Darby Edificação e Progresso J. N. Darby A Pedra Viva S. Medley Edificando Deus nos fala de um edifício que é construído com pedras vivas. “E, chegando-vos para Ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. […] E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina […] Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:4-9). Nunca houve um edifício construído neste mundo, além daquele mencionado aqui, que tenha sido construído com “pedras vivas”. Este edifício é construído com pedras vivas para mostrar o que está acontecendo dentro. É para que “anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”. Normalmente, quando você constrói um edifício, é por causa da privacidade, mas aqui está um que é para anunciar as virtudes d’Aquele que chamou você. É somente usando pedras vivas que isso pode ser feito. J. L. Erisman A Silenciosa Construção do Templo de Salomão Quando o bispo Heber leu seu belo poema, “Palestina”, em manuscrito, para o Sir Walter Scott, seu amigo observou que, ao falar do templo de Salomão, ele havia esquecido de se referir ao silêncio que prevaleceu durante sua construção. O poeta imediatamente se retirou por alguns minutos e introduziu as seguintes belas linhas: “Nenhum aço de operário, nenhum pesado machado ressoou; Como uma alta palmeira, a silenciosa estrutura brotou.” Essa extraordinária circunstância tem sido frequentemente observada. É vista como uma indicação do profundo senso que Salomão tinha do caráter sagrado da obra, e deu origem a muitas meditações piedosas e úteis. Outra pessoa comenta desta forma: “Era para ser o templo do Deus da paz, portanto nenhuma ferramenta de ferro deveria ser ouvida nele: tranquilidade e silêncio convêm e são propícios aos exercícios religiosos. A obra de Deus deveria ser feita com o máximo de cuidado e o mínimo de barulho possível; o templo foi derrubado com machados e martelos; os que fizeram isso bramaram ‘no meio dos lugares santos’ (Sl 74:4,6), mas ele foi construído em silêncio. Clamor e violência geralmente atrapalham, e nunca avançam a obra de Deus”. Esses pensamentos são profundamente dignos de consideração, especialmente daqueles que nunca conseguem afirmar suas próprias opiniões sem atacar violentamente as dos outros. Nem fazem qualquer coisa para Deus sem convidar a multidão para vir ver o zelo que eles têm pelo Senhor dos Exércitos. As pedreiras de Jerusalém O fato em si, no entanto, recebeu recentemente uma notável confirmação de sua veracidade. O Sr. Douglas, um cavalheiro escocês, escrevendo para o Athenaeum em 3 de maio passado, afirma que, durante uma visita recente a Jerusalém, ele soube por um hebreu muito inteligente que havia extensas pedreiras debaixo da cidade e que havia evidências abundantes de que dessas pedreiras foram obtidas as pedras empregadas na construção e reconstrução do templo. Ele as havia visitado algum tempo antes, com dois ingleses, e descobriu que as pedreiras continham materiais suficientes para construir os muros e a cidade de Jerusalém. Extraímos a seguinte afirmação: “Quando suficientemente em seu interior, nos vimos em uma imensa abóbada e em cima de uma pilha que, de forma bastante evidente, era formada pelo acúmulo das minúsculas partículas provenientes do acabamento final dos blocos de pedra. Ao descer essa pilha, entramos, por um grande arco, em outra abóboda, igualmente vasta e separada da primeira por enormes pilares. Esta abóbada, ou pedreira, descia gradualmente até outra e depois outra, cada uma separada da outra por imensas divisórias de pedra, que tinham sido deixadas para reforçar a sustentação dos tetos em forma de abóboda. Em algumas das pedreiras, os blocos de pedra que tinham sido extraídos jaziam parcialmente lavrados; alguns dos blocos ainda estavam presos à rocha; em alguns, os trabalhadores tinham somente começado a esculpir e, em outros, a linha do arquiteto era nítida na face lisa da parede da pedreira. O modo como os blocos foram retirados era semelhante ao usado pelos antigos egípcios, como visto nas pedreiras de arenito de Hagar Tilsilis e nas pedreiras de granito de Sevene. O arquiteto primeiro desenhou o contorno dos blocos na face da pedreira; os trabalhadores, então, os esculpiram em toda a sua espessura, separando-os inteiramente uns dos outros e deixando-os presos por suas cascas apenas à parede sólida. Passamos entre duas e três horas nessas pedreiras. Nossas inspeções foram, no entanto, principalmente no lado em direção ao Vale de Josafá. Nosso guia informou que mais a oeste ficava uma pedreira do peculiar mármore avermelhado tão comumente utilizado como calçamento nas ruas de Jerusalém. A partir do local onde nós entramos, a descida era gradual; entre algumas das pedreiras, porém, havia amplos lances de degraus, cortados da rocha sólida. Eu não tinha meios de avaliar a distância entre os tetos das abóbadas e as ruas da cidade, exceto que baseado na descida a espessura devia ser enorme. O tamanho e a extensão dessas escavações confirmaram plenamente a opinião de que elas deram pedras suficientes para construir não apenas o templo, mas toda a Jerusalém.” Os trabalhadores de Salomão “A situação dessas pedreiras – o modo como as pedras foram retiradas – e a evidência de que as pedras foram totalmente preparadas e esculpidas antes de serem removidas podem provavelmente lançar luz sobre os versículos da Escritura em que é dito: ‘E [Salomão] fez deles setenta mil carreteiros e oitenta mil cortadores na montanha, como também três mil e seiscentos inspetores, para fazerem trabalhar o povo’ (2 Cr 2:18). E outra vez: ‘Edificava-se a casa com pedras preparadas; como as traziam, se edificava, de maneira que nem martelo, nem machado, nem nenhum outro instrumento de ferro se ouviu na casa quando a edificavam’” (1 Rs 6:7). Dificilmente poderia ter sido previsto que, em um período tão distante daquele em que o templo foi erigido, qualquer evidência surgiria para assim confirmar a declaração sobre o silêncio observado na construção. No entanto, esse testemunho veio, por assim dizer, dos mortos para confirmar a palavra da verdade. Bible Treasury, Vol. 1 (1868) Restabelecimento do remanescente O livro de Esdras relata a história dos judeus que retornam para a sua pátria após 70 anos sob o domínio dos reis da Babilônia. Ele demonstra os caminhos de Deus com um remanescente que retorna após o fracasso geral naquilo que havia sido a eles confiado. O processo começou com a ordem de Ciro, rei da Pérsia, para que os judeus retornassem para Jerusalém e reedificassem a casa do seu Deus. No segundo versículo de Esdras, Ciro diz que o Deus do céu lhe havia dado os reinos da Terra e o havia encarregado de edificar uma casa em Jerusalém. Ele convida o povo judeu para ir a Jerusalém “e edifique a casa do SENHOR, Deus de Israel”. O convite era individual, e muitos responderam juntamente com suas famílias. Outros os ajudaram com bens, mas ficaram na Babilônia. Cerca de 50.000 voltaram, mas isto era apenas um retorno parcial – um remanescente. Ciro enviou com eles utensílios do templo que tinham sido mantidos na Babilônia desde o cativeiro. Cada pessoa foi incumbida de algo para levar de volta a Jerusalém. Eles edificam um altar A primeira coisa que fizeram ao chegarem à cidade arruinada de Jerusalém foi edificar um altar para o Senhor. Eles celebraram a festa dos tabernáculos e começaram os holocaustos diários, com outros sacrifícios e ofertas. Louvaram ao Senhor e começaram a construir as fundações do templo. Não lemos sobre qualquer oposição no capítulo 3, mas isso não durou muito. Os inimigos na terra enfraquecem as mãos dos edificadores e contratam conselheiros contra eles. A continuação nos capítulos 4 a 6 é uma lição de como Deus trabalha com os governantes do mundo em relação ao remanescente do Seu povo para a sua preservação e testemunho para o Seu nome. A ordem para parar Os adversários de Judá levantaram oposição ao longo dos sucessivos reinados dos reis da Pérsia. Durante o curto reinado de Assuero (Esmérdis), uma carta foi enviada a ele pelos adversários dos homens de Judá, e, como consequência, o rei emitiu uma ordem para que parasse a construção. Os adversários prontamente subiram para Jerusalém e fizeram os homens de Judá cessarem pela força e poder. Então a construção cessou até o segundo ano do reinado de Dario (Histaspes). Embora a ordem histórica dos eventos com relação a esses reis não esteja claramente evidente, está claro que Deus permitiu repentinas mudanças de reis no império medo-persa naquele período. Entre outras razões, isso aconteceu em prol do remanescente de Israel em Jerusalém. Agora podemos perguntar: por que o Senhor permitiria uma dificuldade como essa ordem do rei para parar a construção? Por que essa mudança do decreto original? Não havia Deus movido Ciro a abrir a porta para os judeus voltarem e edificarem o templo? Deveriam eles se submeter à autoridade dos reis gentios? Este foi um teste vindo de Deus. Ele estava esquadrinhando o coração deles para prová-los e para fortalecer a fé deles n’Ele. Não era suficiente que os judeus edificassem somente segundo as diretrizes de Ciro. A reedificação do templo devia ser em uma base mais sólida. Eles deviam agir com fé em Jeová. Eles eram o povo de Deus, representantes de Jeová. Ele os estava restabelecendo como Seus sacerdotes em Jerusalém, mas os reis gentios continuariam a governar. Deus estava sobre todos eles. Os judeus, sendo um remanescente buscando recuperar o que havia sido perdido, não podiam simplesmente retornar e continuar a partir de onde estavam as coisas antes do cativeiro. Deus os havia castigado e removido do lugar privilegiado que tinham, por causa do pecado e do fracasso. Essas coisas precisavam ser tratadas. Deus estava usando os adversários deles para fazer com que eles tratassem essas questões. Ele permitiu que o rei ordenasse uma parada na obra. Eles precisavam comprar a verdade. As profecias de Ageu e Zacarias Naquele tempo, Ageu e Zacarias profetizaram, em nome do Deus de Israel, aos que estavam em Jerusalém e Judá. Ageu disse-lhes, antes de qualquer coisa, “Considerai os vossos caminhos” (Ag 1:5 – ACF). Eles continuaram edificando suas próprias casas, mas não a do Senhor. Então Ageu transmitiu a mensagem do Senhor: “Eu sou convosco” (Ag 1:13). Depois de passar por esses exercícios de alma, eles receberam um mandato diretamente do Senhor. Era apropriado que eles obedecessem e prosseguissem com a construção. Deus comunicou a eles por meio dos dois profetas. Ele podia dar ordens por meio dos profetas, bem como por meio dos reis dos gentios. Isso levanta a questão: Deveriam eles obedecer ao rei? Ou deveriam obedecer ao profeta? Zorobabel e Jesua, juntamente com os profetas, começaram a edificar novamente. “Quais são os nomes?” Tatenai, o governador da região vizinha, ficou sabendo disso e veio perguntar quem lhes havia dado ordem para edificar. Eles queriam saber os nomes daqueles que estavam edificando, sem dúvida, para que pudessem ser denunciados. A resposta dada à pergunta mostra o fruto do exercício pelo qual eles passaram. Eles simplesmente deixam da forma como havia sido colocado: “E quais são os nomes dos homens que construíram este edifício?”. Em outras palavras, os nomes dos construtores eram insignificantes. Nenhum nome é dado. A verdadeira questão era a ordem para edificar. Para fundamentar isso, os homens de Judá devem voltar e reconhecer sua história passada. Então eles dizem: “Nós somos servos do Deus dos céus e da terra e reedificamos a casa que foi edificada muitos anos antes; porque um grande rei de Israel a edificou e a aperfeiçoou. Mas, depois que nossos pais provocaram à ira o Deus dos céus, Ele os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, o caldeu, o qual destruiu esta casa e transportou o Seu povo para Babilônia. Porém, no primeiro ano de Ciro, rei de Babilônia, o rei Ciro deu ordem para que esta Casa de Deus se edificasse” (Ed 5:11-13). Este foi um reconhecimento da comunhão que tinham com Deus e do fracasso deles, no passado, nessa comunhão, o qual trouxe o juízo de Deus sobre eles. O pequeno remanescente não assumiu um lugar elevado em relação à sua própria justiça; antes, eles assumiram o lugar de servos do Deus do céu e da Terra. Foi Ele que fez Nabucodonosor levá-los. Agora eles haviam retornado debaixo da autoridade de Deus e da de Ciro. Essa é a posição que todo remanescente deve tomar. A resposta do rei Quando esses assuntos foram enviados em uma carta ao rei Dario, que havia recentemente se tornado governante, o rei solicitou uma busca nos arquivos. Verificou-se que, de fato, Ciro havia feito um decreto a respeito da casa de Deus em Jerusalém. O decreto foi feito cerca de 17 anos antes. Então, o rei enviou uma resposta de volta para Tatenai, o governador. Foi dito a Tatenai, em termos claros, que permitisse que os judeus edificassem; além disso, a ele foi ordenado que ajudasse com as despesas. Provisões também deveriam ser dadas para a construção, incluindo animais para os “holocaustos ao Deus dos céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalém” (Ed 6:9 – ACF). “O coração do rei [está] na mão do Senhor”, e o Senhor moveu o coração dele para permitir que a construção continuasse. A posição do remanescente O remanescente de judeus tomou o seu devido lugar ao reconhecerem o seu fracasso passado e voltarem-se para o Senhor. Ele lhes deu a Sua palavra pelos profetas para edificarem, e eles começaram a edificar, mesmo sem outra ordem do rei. Ele honrou a fé deles. Quantas vezes gostamos de resolver os problemas com nossas próprias mãos quando as coisas dão errado. Mas eles não enviaram uma carta ao rei para contradizer a carta de seus inimigos. Por outro lado, quando a adversidade vem, podemos simplesmente desistir, fazendo muito pouco, ou nada. Eles se levantaram e edificaram quando tudo era contrário. O pequeno remanescente demonstrou sua fé no Senhor, tendo julgado em si mesmos o que seus antepassados não haviam julgado. A ordem para parar de edificar foi permitida para que tudo isso se concretizasse. Nosso lugar no testemunho Cristão hoje é como o do remanescente dos judeus que retornaram a Jerusalém. Tal lugar não pode se basear na premissa de que somos melhores do que os outros, ou temos melhor ensino e piedade. Tampouco devemos desistir de edificar por falta de ajuda de outros. Deus quer que edifiquemos Sua casa. Ele nos chamou para edificar (1 Co 3:9-10; 2 Tm 2:15). Quando a oposição vem, devemos olhar para Ele com fé. Ele disse, “Pois onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18:20). Individualmente, quando O ouvimos dizer, “Eu estou convosco”, podemos contar com Ele para abrir as portas, como Ele disse àqueles que guardaram a Sua palavra e não negaram o Seu nome em Filadélfia. “Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar” (Ap 3:8). D. C. Buchanan Um Grande Edifício Lucas 21:5-20 Os discípulos falaram a Jesus da beleza das pedras do templo, que deviam ser algo esplêndido de se observar, embora não fossem as mesmas ou talvez não tão perfeitas quanto as do primeiro templo, para o qual o rei Davi preparou o mais caro e durável material. Este templo (o templo de Herodes) foi construído sobre a mesma fundação, levou muitos anos para ser concluído e era muito admirado por todo o povo. Toda a sua força e beleza eram para ensinar a grandeza de Deus, cuja sabedoria e poder colocaram primeiro a rocha, o ouro, a prata e o cobre na Terra. Aquelas rochas sólidas lembravam o povo de que Aquele que as formara era sua força e refúgio e que deviam confiar n’Ele. As altas colunas brilhantes falavam de Sua santidade e glória, assim como toda a ornamentação de ouro, prata e pedras preciosas bem caras, como as que são usadas em joias. Mais ouro e mais prata estavam no interior. A arca dourada, um belo baú feito de madeira e coberto de ouro, tanto por fora como por dentro, e com uma peça de ouro puro no topo, na qual estavam as belíssimas figuras esculpidas chamadas “querubins”, parece que foi perdida quando o primeiro templo foi despojado. Mas cópias das palavras de Deus a todos os profetas ainda eram mantidas, e com elas o povo podia aprender mais ainda do que com o próprio templo. Edifício belo, mas coração feio Mas os homens que tinham encargo no templo não criam nas palavras de Deus nem pensavam em Sua glória e santidade. Eles ensinavam as suas próprias leis ao povo em vez das de Deus (Mt 15:9) e eram desonestos, ganhando dinheiro para si mesmos e tirando dos pobres (Lc 19:46). Eles não deram honra a Jesus, o Filho de Deus, a quem deveriam ter coroado e adorado como Rei. Por causa de tal maldade, Jesus não pôde admirar a beleza do edifício. Ele sabia que tudo devia ser destruído e disse aos discípulos: “Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que se não deixará pedra sobre pedra que não seja derribada” (Lc 21:6). Aquelas eram palavras muito tristes para aqueles homens que tanto valorizavam o templo, mas eles sabiam que Jesus lhes disse o que era verdade e perguntaram a Ele quando isso aconteceria. Não está escrito que Ele lhes tenha dito o tempo, mas apenas que Ele disse: “Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a sua desolação” (Lc 21:20). Deus lhes deu tempo para se arrependerem, mas por fim permitiu que exércitos cercassem Jerusalém e derrubassem o magnífico templo, como Jesus havia dito. Desde que Cristo foi rejeitado naquele templo, Deus não mandou ninguém construir um grande edifício, porém Ele tem uma “casa”, mas a d’Ele é muito diferente. Ela é feita de todas as pessoas no mundo que creem em Seu Filho. Ele é chamado a “Pedra Viva [...] para com Deus eleita e preciosa”. Aqueles que vêm a Ele são “edificados casa espiritual” e pelo Espírito Santo devem dar a Ele louvor, para que mais conheçam o Seu amor e poder do que poderiam conhecê-Lo por meio daquele templo judaico (At 17:24; 1 Pe 2:4-5). Messages of Love, Bible Talks A Casa de Deus A Palavra de Deus apresenta a Igreja sob a figura de um edifício – a casa de Deus. Quando se trata da casa de Deus, há um continuum entre o Velho e o Novo Testamento. Deus habitou entre o Seu povo Israel, e o lugar da Sua habitação (seja o tabernáculo ou o templo) foi chamado a casa de Deus: “Todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram e vieram à casa de Deus, e choraram, e assentaram-se ali perante o SENHOR” (Jz 20:26 – KJV). Enquanto esses eram edifícios físicos, estabelecidos em uma localização geográfica, a Igreja é um edifício espiritual: “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual” (1 Pe 2:5). Ainda há uma fundação e pedras, mas não desta Terra. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2:20). Ao escrever sua epístola, Pedro, sem dúvida, recordou as palavras do Senhor: “Que tu és Pedro [uma pedra], e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja” (Mt 16:18). A Igreja é agora a casa de Deus. É a habitação de Deus na Terra para o tempo presente, e ela substitui todas as outras habitações. “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Ef 2:22). Também observamos que o apóstolo Paulo se refere à Igreja como o templo de Deus: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3:16). O mesmo edifício está em vista, mas com essa expressão, a santidade de Deus é enfatizada. Deus habitando entre eles Só depois que os filhos de Israel foram redimidos do Egito é que temos algum pensamento sobre Deus habitando entre eles (Êx 15:17). Era necessário que eles fossem libertados daquele país idólatra e do seu príncipe. No deserto, no Monte Sinai, Deus deu a Moisés o projeto do tabernáculo – um modelo do qual eles não deviam se desviar (Êx 25:40; Hb 8:5). Embora construído por homens, a capacidade deles foi dada por Deus por meio do Seu Espírito (Êx 31:2-3). A engenhosidade humana não teve nenhum papel em sua construção. Todas essas coisas anunciavam o que estava por vir. “Ora, também a primeira [aliança] tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre [...] que é uma alegoria para o tempo presente” (Hb 9:1,9 – ACF). Esses princípios, tirados do Velho Testamento, são úteis para a nossa compreensão do Novo. Em todo o livro de Hebreus, o apóstolo contrasta a figura terrena do tabernáculo com a realidade presente que temos no Cristianismo. O edifício enquanto construído por Deus Ao considerar a Igreja como a casa de Deus, devemos distinguir, como faz a Escritura, entre o edifício que Deus está formando (que no final será visto em toda a sua perfeição e beleza) e o presente testemunho da Igreja aqui na Terra (aquele que vemos atualmente). Quanto ao primeiro, lemos: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Ef 2:20-21). Este edifício é perfeito. É deste edifício que Cristo falou aos Seus discípulos: “e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Cristo não é apenas o fundamento e a principal pedra da esquina, mas também é o construtor. Nada contrário será adicionado ao edifício de Deus. Vemos esse edifício em seu esplendor celestial no final de Apocalipse: “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus” (Ap 21:9-10 – ARA). O edifício construído pelo homem Em contraste com o edifício perfeito, o apóstolo Paulo nos apresenta uma outra perspectiva: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará” (1 Co 3:10‑13). Embora a fundação permaneça segura, os homens adicionaram a ela materiais de construção seriamente defeituosos. Tal como acontece com as suas grandes catedrais, a Cristandade tornou-se um impressionante edifício, mas não segundo a Palavra de Deus. Adicionou-se muita coisa que Deus no final julgará e destruirá. O testemunho de Deus Enquanto o corpo nos conecta com Cristo nos lugares celestiais, a casa, como a habitação de Deus por meio do Espírito, está aqui na Terra. Os crentes, de qualquer época, formam a casa de Deus (Ef 2:22). Como tal, ela é o vaso do presente testemunho de Deus para este mundo. Pedro descreve nossa função nesta casa espiritual para com Deus (1 Pe 2:5) e para com o homem. Em relação ao último, ele diz: “para que anuncieis as virtudes [excelências – JND] d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9). Existe uma conduta adequada à casa de Deus, como também havia no Velho Testamento. Paulo instrui Timóteo em relação ao comportamento apropriado na casa de Deus: “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa, mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3:14‑15). A Igreja deveria manter e exibir as verdades do Cristianismo. Enquanto algo confiado à responsabilidade do homem, a casa de Deus está sujeita a juízo: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus” (1 Pe 4:17). Cristo é Filho sobre a Sua própria casa (Hb 3:6). Temos uma responsabilidade quanto à casa, não porque a casa é nossa, mas sim porque a casa não é nossa. É à autoridade de Cristo que devemos estar sujeitos. N. Simon Uma Grande Casa Ao olhar para trás, mais de 2.000 anos de história da Igreja, nos perguntamos: Como a Igreja se saiu? Ela tem sido, na prática, um testemunho do um só corpo? Ela cumpriu fielmente suas responsabilidades quanto à casa de Deus? Examinaremos o que a Escritura tem a dizer sobre essas duas questões. No entanto, se nossos olhos estiverem abertos para a condição das coisas, devemos confessar que a Igreja falhou miseravelmente. A Igreja não representou fielmente a si mesma neste mundo – de fato, o fracasso entrou muito cedo em sua história. A ruína da Igreja é completa neste mundo moderno, com a sua multiplicidade de seitas e variedade de doutrinas. A parte em ruína Antes de prosseguirmos, será necessário ser claro quanto ao que queremos dizer quando falamos da ruína. É também igualmente necessário saber o que não queremos dizer. Alguns rejeitam a expressão, a ruína da Igreja, não tanto por causa do que ela descreve, mas, antes, por causa da forma como ela é expressada. Por ruína, estamos nos referindo ao testemunho da Igreja neste mundo – o que as pessoas veem e chamam de Igreja; aquilo que professa ser o corpo de Cristo. Não estamos nos referindo ao que Deus está estabelecendo, que é perfeito aos Seus olhos. J. N. Darby, a quem muitos se opuseram sobre este assunto, escreveu: “Em certo sentido, é impossível que a Igreja possa ser arruinada; mas existe confusão em algumas mentes entre os propósitos de Deus e uma presente dispensação na qual o homem é colocado sob responsabilidade. Ao falar da ruína da Igreja, falamos dela enquanto aqui embaixo, estabelecida para manifestar a glória de Cristo em unidade na Terra, e devemos lembrar que ali somos colocados e, uma vez nessa responsabilidade, ali devemos permanecer”. A parte perfeita Tire um momento para considerar a Igreja como o corpo de Cristo. Esse corpo é perfeito, indivisível, e Cristo é sua cabeça. No entanto, na prática, a Igreja representou isso perante o mundo? A Igreja honrou a liderança de Cristo? A Igreja foi diligente em manter a unidade do Espírito Santo no vínculo unificador da paz? (Ef 4:3). Quando Paulo escreve, “Para que não haja divisão no corpo” (1 Co 12:25), isso não carrega consigo uma responsabilidade? Paulo tem o cuidado de dizer corpo, não assembleia – o último termo poderia ter ficado ambíguo se alguém escolhesse assim fazê-lo. Não, é aquele corpo do qual ele antes falou: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo” (1 Co 12:12). Vimos anteriormente que Paulo, em sua primeira carta a Timóteo, seu jovem companheiro e cooperador, deu instruções sobre a conduta adequada à casa de Deus (1 Tm 3:15). Nessa carta, Timóteo foi orientado a tratar os erros que estavam avançando (1 Tm 1:3-4, etc.). Havia uma boa luta e um sério empenho no bom combate da fé (1 Tm 1:18; 6:12 – ARA). O caráter da segunda carta de Paulo é notavelmente diferente. Paulo havia combatido o bom combate e sua carreira estava quase no fim (2 Tm 4:7). Timóteo agora estava precisando de encorajamento (2 Tm 1:4-6); ele corria o risco de ser consumido pelas dificuldades do dia. Falatórios profanos estavam levando a uma maior impiedade; mestres tinham se desviado da verdade, e a fé de alguns tinha sido pervertida (2 Tm 2:16-18). Havia uma aparência de piedade, mas o poder dela era negado (2 Tm 3:5). A casa de Deus havia se tornado uma grande casa admitindo doutrinas e pessoas que desonravam a Deus: “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra” (2 Tm 2:20). Agora não há instrução para que a casa fosse purificada do erro, mas, em vez disso, Timóteo deveria purificar-se de tudo o que fosse contrário à sã doutrina e à piedade. Não podemos sair da casa de Deus, pois somos parte dela; mas podemos encontrar um lugar tranquilo, por assim dizer, no telhado, na presença do Senhor. “É melhor morar num canto de telhado do que ter como companheira em casa ampla uma mulher briguenta” (Pv 21:9 – ACF). O fracasso durante os dias dos apóstolos O fracasso começou no tempo dos apóstolos, e eles documentaram isso como aviso e para nossa instrução. Ambos os apóstolos Paulo e João tiveram que contrapor falsos ensinamentos – enquanto uns procuravam misturar princípios judaizantes da lei com o evangelho (Gálatas), outros estavam introduzindo os ensinamentos filosóficos e místicos dos gentios (Colossenses, epístolas de João). Má doutrina leva a uma decadência moral (1 Co 15:32). Os partidos e as dissensões criados por falsos mestres resultaram em conflito e, no final, divisão (1 Co 1:10, 11:18). Por fim, a casa de Deus tornou-se a morada da verdade e do erro, do que é real e da mera profissão, e a expressão prática da unidade do corpo de Cristo se foi. Ao expor a ruína iminente, os apóstolos não pretendiam nos desanimar; tampouco escreveram para que tivéssemos uma desculpa, mas, sim, para que tivéssemos direção em um dia mau. Não é nosso papel nos ocuparmos com debates religiosos vãos que fomentam contenda e dúvidas (1 Tm 1:4; 2 Tm 2:23). Porém, mais uma vez, o crente não deve se render à maré crescente do erro. Há um caminho seguro de obediência colocado para nós na Palavra de Deus. Timóteo, de sua parte, deveria despertar o dom que estava adormecido (2 Tm 1:6); deveria instruir homens fiéis para que pudessem ensinar a outros (2 Tm 2:2); por fim, ele deveria se purificar dos vasos de desonra. Por si próprio, ele deveria fugir das paixões da mocidade – um caminho de obediência não pode ser mantido enquanto estamos perseguindo nossos desejos naturais – de modo que ele pudesse ser livre para trilhar um caminho de justiça, fé, amor e paz com outros que igualmente invocavam o Senhor com um coração puro (2 Tm 2:22). N. Simon Bons e Maus Construtores Todo Cristão está edificando, e em 1 Coríntios 3 ele é exortado: “veja cada um como edifica”. O Espírito de Deus aqui usa a figura da construção para expressar o testemunho do Cristianismo neste mundo. Nem todos os operários fazem uma boa construção; alguns deles evidentemente edificam com entusiasmo e zelo, mas colocam materiais muito pobres no edifício. Podemos ver facilmente que este não é o edifício de que nosso Senhor falou em Mateus 16, quando Ele disse que sobre a rocha da confissão de Pedro – “Cristo, o Filho do Deus vivo” – Ele edificaria a Sua Igreja. Cristo jamais colocará materiais ruins em Seu edifício, e nada jamais destruirá o que Ele edificar. Ele está edificando a Sua Igreja, e esta obra está inteiramente em Suas mãos. Ela é composta de todo verdadeiro crente n’Ele, nesta era. Agora, há aquele outro edifício que os homens constroem no mundo – o Cristianismo, confiado às mãos dos homens. Não há outro fundamento além de Jesus Cristo (v. 11). Apartar-se desse fundamento seria deixar o próprio Cristianismo. Cada crente está dentro do escopo do Cristianismo neste mundo, e cada um está edificando algo neste testemunho. Podemos não ter ponderado isso seriamente antes, mas estamos adicionando algo a esse edifício. A escritura diante de nós agora é: “veja cada um como edifica sobre ele” (v. 10). Por que haveria necessidade de tal exortação? O versículo 12 fornece a resposta, listando alguns dos materiais que estão sendo colocados no edifício; estes se dividem em duas classes: “ouro, prata, pedras preciosas” e “madeira, feno, palha”. O teste do fogo O padrão usado para testar os materiais da construção é um padrão divino – o teste do fogo. Cada pedaço de material que entrar naquele edifício vai passar pelo fogo, pois lemos: “o fogo provará qual seja a obra de cada um” (v. 13). Portanto, somente materiais à prova de fogo serão considerados. É solene pensar que cada um de nós está, dia após dia, edificando algo que será provado pelo fogo – o fogo de Deus que consumirá tudo o que não está de acordo com Sua mente e Sua Palavra. Sendo assim, podemos muito bem perguntar como podemos edificar coisas que resistirão ao calor do Seu criterioso juízo naquele dia. Podemos perguntar: Quais são exatamente o “ouro, prata, pedras preciosas” com os quais devemos edificar? E quais são justamente os materiais combustíveis que devemos evitar colocar neste edifício do Cristianismo na Terra? Para responder isso, podemos primeiro observar que as coisas que resistirão ao teste do fogo são, comparativamente, muito pequenas em volume. Um fardo de feno daria uma contribuição considerável para qualquer parede. O feno atende muito bem ao que se propõe, e alguns tipos de feno são muito melhores e mais caros do que outros, mas nenhum deles é um material de construção à prova de fogo adequado. Com madeira também é rápido construir, e ela logo cria um visual diante dos olhos do homem, mas não serve para este edifício. Ouro, prata e pedras preciosas fazem pouco volume, mas depois que o fogo tiver passado, eles restarão, e seu construtor receberá galardão. De acordo com Sua Palavra Ó companheiro Cristão, de quem queremos aprovação? Queremos fazer um show e impressionar a homens, ou simplesmente agradar a Deus e deixar os resultados com Ele? Não busquemos apelo popular ou aquilo que tenha aprovação humana. Procuremos comunicar “coisas espirituais por meios espirituais” (1 Co 2:13 – JND). Os homens podem agir com base no princípio de que os resultados justificam qualquer meio usado, mas a Palavra de Deus diz: “[Ninguém] é coroado se não militar legitimamente”, ou, em outras palavras, “madeira, feno, palha” serão queimados, e somente “ouro, prata, pedras preciosas” sobrevivem ao fogo. Aquele que edificou com estes últimos receberá galardão, ou será “coroado”, como na ilustração de um atleta (veja 2 Timóteo 2:5 – ARA). Que o Senhor conceda graça a cada um de nós para buscar mais e mais testemunhar para Ele neste mundo, e em todas as coisas fazer tudo de acordo com a Sua Palavra e em devoção ao Seu nome. Então, não será uma questão de procurar fazer coisas grandes diante dos homens, ainda que pretensamente por causa d’Ele, mas de fazer tudo tendo em vista o dia que em breve declarará de que “tipo” foi a obra – não o “quanto”. Cada um de nós pode buscar encorajar outros e falar d’Ele com frequência. P. Wilson, adaptado de Christian Truth, 1:134-139 Edificando-vos a Vós Mesmos Os crentes instintivamente sentem a necessidade de ser edificados. Sua alma procura por alimento, e eles estão cientes de que seu homem interior requer renovação; eles, portanto, desejam conhecer as coisas de Deus conforme estabelecidas nas Escrituras da verdade para proveito e bênção deles. Mas todos precisam aprender segundo o princípio de que Deus é Aquele que dá, e nós somos apenas receptores; que nada temos em nós mesmos e, ainda assim, possuímos todas as coisas em Cristo. Existem três maneiras pelas quais a edificação nos é apresentada nas epístolas: 1. Temos dons de mestres, pastores, etc., provenientes de um Cristo que ascendeu em glória, para o aperfeiçoamento dos santos, tendo em vista a obra do ministério, e para a edificação do corpo de Cristo (Ef 4:12). 2. Temos os exercícios saudáveis dos diferentes membros do corpo, ajustados e ligados pelo auxílio de todas as juntas a partir da Cabeça, fazendo o aumento do corpo para edificação de si mesmo em amor (Ef 4:16). 3. Temos a edificação própria, ou edificar-se a si mesmo, em nossa santíssima fé (Jd 20). É este terceiro caráter da edificação que consideramos ser de tal importância, neste momento, que nos propomos a fazer algumas observações. Edificação própria Muitas vezes acontece de, onde houve o ministério mais fiel e mais espiritual da verdade, haver aqueles que tiraram pouco proveito de tais vantagens. Por que isso acontece? Não seria porque confiaram em ser edificados por outros e negligenciaram edificarem-se a si mesmos? Poucos de nós temos proveito duradouro de qualquer ministério, a menos que recebamos a verdade da boca de Deus. Quando há a ausência de tal exercício de alma diante de Deus, muitas vezes isso indica alguma confiança carnal em vez de um humilde estado de dependência do Senhor. Fazemos bem em refletir a fundo se estamos lidando intelectualmente com a verdade divina ou sendo guiados e ensinados pelo Espírito de Deus. Deveria ser uma questão diária o quanto estamos ocupados em edificarmo-nos a nós mesmos na nossa santíssima fé. Todos sabemos da necessidade que nosso corpo tem de limpeza contínua e de receber frequentes suprimentos de alimentos, mas e a nossa alma? Estamos procurando meticulosamente nos manter incontaminados no mundo? O julgamento próprio diante de Deus é algo habitual em nós? Vamos à Palavra da verdade eterna manhã após manhã e a ingerimos como alimento para a renovação do nosso homem interior? Se assim for, então pode ser que estejamos nos edificando na nossa santíssima fé. E podemos ter certeza de que aqueles que estão se edificando a si mesmos valorizarão grandemente ser edificados por outros e terão proveito com as ministrações divinamente dadas destes. Além disso, esta exortação quanto a nos edificarmos a nós mesmos, que ocorre em Judas, parece levar consigo uma alta voz para nós, pois Judas traça a ruína da Igreja desde o seu início, e no final ele se dirige àqueles que estão ao lado de Deus neste tempo de declínio e fracasso. Ele diz: “Vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé”. Um povo fiel ao Senhor em um tempo mau é assim reconhecido e chamado a ser diligente na edificação de si mesmo. A vossa santíssima fé A fé também não é falada aqui, como no início desta epístola, como “a fé que uma vez foi dada aos santos”, mas como “a vossa santíssima fé”. Não é meramente que devemos estar mantendo um conjunto de princípios ou doutrinas; mas recebendo em nosso coração o ministério das abundantes riquezas da graça divina. Somos, assim, libertados da autoridade das trevas, transportados para o reino do Filho do Seu amor e, pelo Espírito, unidos a Ele onde Ele agora está. Uma obra foi feita por Aquele que nos libertou de nossa antiga posição em Adão e nos fez sentar juntamente nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Somos, assim, trazidos a uma posição totalmente nova, de modo que agora, em Cristo Jesus, nós, que estávamos longe, somos aproximados pelo sangue de Cristo, trazidos à uma posição de favor no Amado e abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo. Quão verdadeiro é que recebemos abundância de graça e o dom da justiça e reinaremos em vida com Cristo. A partir desse simples olhar para a verdade, é de admirar que ela seja chamada “a vossa santíssima fé”? Pode alguma bênção conhecida na Terra exceder a isso? Cada passo também do nosso caminho foi considerado para que possamos nos regozijar na esperança da glória, como herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, e esperar pelo Filho de Deus vindo do céu. Sem dúvida, “a fé” é propriedade comum de todos – “a fé que uma vez foi dada aos santos” – para benção comum de todos. E é a nossa fé, aquela que mais particularmente diz respeito a nós e ministra a nós – “a vossa santíssima fé”; aquela maravilhosa revelação da graça divina, que se fez conhecida quando Jesus veio e declarou o Pai, e, segundo o Seu conselho e propósito, realizou a redenção. Testemunho divino misturado com a fé É, então, na nossa santíssima fé que devemos nos edificar, meditando na Palavra de Deus, com a direção e ensino do Espírito, e tornando-a nossa, misturando a fé com este testemunho divino. A pergunta tão repetida, portanto, deve estar com todo crente: “Quanto estive ocupado hoje em me edificar?”, pois “o homem interior é renovado de dia em dia” (KJV). Sem dúvida, ele também será alguém que ora, pois é acrescentado: “Orando no Espírito Santo”. E onde há realidade, aqueles que oram estarão satisfeitos com nada menos que orar de acordo com a direção e os desejos do Espírito Santo, os quais, nós sabemos, serão sempre de acordo com a verdade. Também nos mantermos no amor de Deus é indispensável; pois toda a nossa paz e força fluem da consciência de que somos objetos do amor divino. Finalmente, podemos estar “esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (v. 21). Onde há a ausência do edificar a nós mesmos, não devemos ficar surpresos se a oração declina, se o gozo do amor de Deus é pouco conhecido e a expectativa da misericórdia de nosso Senhor se torna fraca. É fácil seguir em uma rotina de ordem exterior, porém de que tudo isso vale se o Senhor não tem nosso coração e não estamos nos edificando sobre a nossa santíssima fé? Separação Nós não estamos realmente nos edificando se somos descuidados em relação à obediência à Palavra de Deus. Por exemplo, não devem os que são filhos de Deus se recusar a se colocar em jugo com os incrédulos? Mas o que acontece com aqueles que não tomam esse lugar de separação, mas estão mais ou menos “sob jugo” com aqueles que eles sabem que são incrédulos? Geralmente não é manifesto que, em vez da bênção de Deus, eles veem muitos de seus planos se frustrarem e suas expectativas nunca se concretizarem? Eles estavam esperando ter a bênção do Pai sem andar em obediência à vontade d’Ele. A mesma coisa é verdade no que diz respeito ao mundo. É-nos dito: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2:15). Mesmo um filho de Deus não terá o gozo desta preciosa relação com o Pai, se o seu coração amar aquilo que está sob o juízo d’Ele. Mas onde há aqueles que se recusam a estar “sob jugo” com os incrédulos, não apenas no que diz respeito ao casamento, mas também no que diz respeito a tudo o mais (enquanto sempre prontos para fazer o bem a todos os homens), mas saem do meio deles e recusam todas as associações impuras, esses, então, conscientemente, desfrutam da bênção de seu Pai. Eles veem aquelas preciosas palavras se cumprirem em sua feliz experiência: “Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2 Co 6:17-18). H. H. Snell (adaptado) Um Edifício Inacabado Em outros artigos desta edição de O Cristão, vimos vários aspectos sobre edificar, conforme delineado na Palavra de Deus. Um desses tipos de edificação diz respeito a nos edificarmos na nossa “santíssima fé” (Jd 20). Encontramos uma ilustração relacionada, porém ligeiramente diferente, sobre edificar, no evangelho de Lucas, que diz o seguinte: “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.” (Lc 14:28-30) Nessa passagem, o Senhor Jesus está falando de modo solene às multidões que O seguiam quando Ele esteve aqui neste mundo como Homem, pois muitos ficaram impressionados com Suas graciosas palavras e Seus milagres. Ele está salientando a eles que, enquanto a salvação é um dom de Deus, o discipulado tem um custo envolvido. Aqueles que quisessem seguir o Senhor Jesus estariam seguindo um Cristo rejeitado e deviam estar preparados para desistir de tudo o mais, se necessário, a fim de dar a Ele o primeiro lugar em sua vida. Eles deviam estar prontos para “aborrecer”, não apenas seus parentes mais próximos, mas também a própria vida, se quisessem ser Seus discípulos (Lc 14:26). Sem dúvida, alguns acharam isso um preço alto a pagar, e lemos em João 6:66 que, após o Senhor Jesus revelar claramente ao povo que Ele deveria sofrer e morrer, “muitos dos Seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com Ele”. O testemunho dado Na passagem diante de nós em Lucas 14, o Senhor Jesus usa duas ilustrações para mostrar o que envolvia segui-Lo e os perigos que isso acarretaria. A primeira dessas ilustrações está em edificar, enquanto a segunda é a guerra. Não falaremos sobre a guerra por enquanto, mas nos concentraremos no edificar. Edificar aqui refere-se à própria vida e como o nosso Cristianismo aparenta para o mundo ao nosso redor. Será que o que edificamos é consistente com o que o nosso Senhor e Mestre ensina? Será que somos vistos pelo mundo à nossa volta como seguindo Aquele cujo nome afirmamos levar? É instrutivo notar que o edifício descrito aqui é uma torre – algo que pode ser visto de longe. Na Escritura, uma torre às vezes é uma figura de testemunho para este mundo. Em Lucas 14, grandes multidões seguiam o Senhor Jesus, sem dúvida atraídas por Seus milagres e Sua graça, e isso traz o evangelho diante de nós. Nosso Senhor não veio para condenar o mundo, mas para que “o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3:17). No entanto, como já mencionamos, Ele precisa então trazer diante dessas multidões o custo de seguir Aquele que foi rejeitado. Um bom final Talvez todos nós tenhamos visto uma casa ou um edifício de algum tipo que foi iniciado, mas não terminado. Como lemos em nosso capítulo, as pessoas geralmente sabem quem iniciou o edifício e, sendo o homem o que ele é, começam a zombar daqueles que iniciaram, mas não conseguiram terminar. A visão de um edifício inacabado traz vergonha e desonra aos responsáveis. Da mesma forma, muitos amados crentes começam bem no caminho Cristão, mas então descobrem que o custo é alto. A reprovação deste mundo, a falta de respeito e a perda de oportunidades se combinam para fazer com que o edifício seja abandonado. Lembro-me de uma situação assim. É sobre um jovem que cresceu numa assembleia local e que tinha começado bem. Ele era bem mais velho do que eu, em pelo menos 45 anos. Ele estava envolvido com uma pequena livraria Cristã, pregava o evangelho e, em todos os sentidos, andava bem como Cristão. Mas ele era bonito, inteligente, um excelente empresário e, acima de tudo, possuía maneiras exemplares e traquejo social que faziam com que ele encontrasse favor neste mundo. Ele acabou abandonando seu serviço Cristão, deixou de frequentar a assembleia local e, por 40 anos, mergulhou nas atividades empresariais e sociais deste mundo. Fico feliz em dizer que, mais tarde em sua vida, quando o Senhor permitiu que ele contraísse uma grave doença que lhe deu apenas alguns anos de vida, ele felizmente foi restaurado. Mas que perda para aqueles 40 anos! Lembro-me bem de como ele exortou seus filhos já adultos a não seguirem o mesmo caminho. A força do Senhor Surge a questão: Conseguimos ter recursos suficientes para terminar o edifício na nossa própria força? A resposta é claramente: Não. Se tentarmos na nossa própria força percorrer o caminho que o Senhor traçou para nós, sempre falharemos. Sempre deixaremos a torre inacabada, e o mundo zombará. O apóstolo Pedro teve que aprender isso da maneira mais difícil, quando disse com tamanha confiança que, mesmo que tivesse que morrer com o Senhor, ele nunca O negaria. Todos sabemos o que aconteceu, pois Pedro teve que aprender que sua própria determinação e força nunca resistiriam neste mundo. Qual, então, é a reposta? Precisamos da ajuda do Senhor e da força do Senhor. Só Ele poderia passar por tudo o que o homem fez a Ele e permanecer fiel. Agora Ele quer nos dar a Sua força, para que possamos completar o edifício. Pedro aprendeu isso e mais tarde em sua vida entregou a vida pelo Senhor, porque ele andou na força do seu Senhor, não na sua própria. Muitos outros amados crentes completaram sua carreira, como fez o apóstolo Paulo, porque, como ele mesmo disse, “Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece” (Fl 4:13). Ele também pôde nos dizer que o Senhor disse a ele: “o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Quando percebemos nossa própria fraqueza, olhamos para o Senhor em busca de Sua força e então podemos completar o edifício, para Sua glória. W. J. Prost Caos e Anarquia no Horizonte Enquanto escrevo isso em 7 de fevereiro de 2022, uma entrevista com Avigdor Liberman, o ministro das Finanças de Israel, acaba de ser publicada no “Jerusalem Post”, um proeminente jornal diário de língua inglesa sediado em Jerusalém. Os comentários dele são totalmente pessimistas e, embora muitos outros possam partilhar os mesmos pensamentos, temos de dar a ele crédito por ter tido a coragem de expressar publicamente as suas opiniões. O conteúdo da entrevista é muito instigante, e as conclusões dele podem bem repercutir entre os crentes que estão familiarizados com a profecia. Sei que este artigo levará vários meses para aparecer na revista O Cristão, mas é improvável que a verdade do que Liberman disse irá mudar durante esse tempo, a não ser talvez para pior. A entrevista foi cheia de avisos terríveis. O mundo, disse ele ao entrevistador, precisa acordar imediatamente, pois, caso contrário, será jogado em um período sombrio de caos e anarquia. Ele explicou que havia quatro catalisadores por trás dessa ameaça. Inteligência artificial Em primeiro lugar, está o surgimento de mais tecnologia acionada por inteligência artificial. Existem jovens hackers, disse ele, que são capazes de fazer coisas com seus computadores e celulares que eram inimagináveis há apenas alguns anos. Dentro de uma década, ele disse, as crianças terão software, como o Pegasus da NSO (um spyware desenvolvido por um grupo de Israel), em seus telefones para poderem usar como quiserem. “São desenvolvimentos tecnológicos que não têm nenhuma supervisão ou coordenação”, disse ele. “Não há nenhuma forma de regulação global, e eles nos levam a lugares que são potencialmente assustadores.” Criptomoedas O segundo catalisador é a ascensão das criptomoedas em todo o mundo. Existem, ele observou, 15.000 diferentes tipos de criptomoedas hoje. “Qualquer número de pessoas se juntam e criam uma moeda digital”, disse ele. “Existem mercados de criptomoedas no Irã para evitar sanções e lavar dinheiro, que podem ser usados para financiar o terrorismo e o crime.” Muitos países no mundo não têm como lidar com isso. O que acontece, advertiu ele, se grandes corporações multinacionais saírem com sua própria moeda? Os cidadãos perderão a confiança em sua economia, na sua liderança e no próprio Estado. Não há instituição monetária que sozinha consiga regular 15.000 moedas digitais diferentes, especialmente quando os países estão fazendo com elas o que querem. A “dark web” O terceiro catalisador, segundo Liberman, é o que está acontecendo na dark web, um local de encontro para criminosos e atividades terroristas. Liberman disse que conheceu a dark web a partir de suas funções como ministro da Defesa e presidente do Comitê de Defesa e Relações Exteriores do Knesset. “Isso se torna ainda mais complicado, com consequências de longo alcance, devido à capacidade de espalhar notícias falsas e teorias da conspiração”, disse ele. “O que estamos vendo nas redes convencionais é brincadeira de criança comparado com a dark web, onde há uma concentração de psicopatas criminosos, terroristas e espiões instalados na mesma rede.” A ordem internacional O quarto catalisador, explicou ele, é a ruptura e o colapso da ordem e dos sistemas internacionais. Um exemplo disso, disse ele, pode ser visto em Viena, onde as superpotências mundiais continuam a negociar com o Irã em busca de um novo acordo nuclear. Elas conversam com os iranianos ao mesmo tempo em que o Irã está fornecendo mísseis balísticos e drones aos houthis no Iêmen e ordenando que eles ataquem os Emirados Árabes Unidos. “Ninguém é responsabilizado mais. Vemos um enfraquecimento das superpotências globais e de sua capacidade de criar ordem e valores.” Quando lhe perguntaram o que ele faria, Liberman disse que “precisamos superar os problemas diários regulares em cada país para parar essas tendências. Há apenas uma chance, que é regular e coordenar juntos com todos os ‘big players’ trabalhando em uníssono”. O que isso significa, explicou ele, é fazer com que o G7 – um fórum político intergovernamental composto pelo Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – trabalhe com a Rússia e a China para encontrar maneiras de regular uma nova ordem mundial e parar o curso em direção ao caos global. Ele admitiu abertamente que não tem certeza de que isso funcionará. Profecia Embora saibamos que a profecia não se aplica propriamente ao período da Igreja e que, portanto, não será realmente cumprida até que a Igreja seja chamada ao lar, na vinda do Senhor para nós, no entanto quando ouvimos uma entrevista como esta, parece quase como se a profecia estivesse sendo cumprida diante de nossos olhos. A maioria de nós jamais esperava ver a condição deste mundo ir tão longe antes de sermos chamados ao lar. O espaço não nos permitirá entrar em muitos detalhes, mas sabemos a partir de Apocalipse 6 que, depois que a Igreja é levada para estar com Cristo, Deus permitirá eventos que sistematicamente irão “tirar a paz da terra” (v. 4 – ARA). Haverá também escassez de alimentos (vs. 5-6) e, por fim, uma ruptura do governo e da autoridade (vs. 12-13). O sol representa autoridade suprema, a lua representa autoridade derivada, e as estrelas possivelmente representam indivíduos que são proeminentes no governo. Esses eventos provavelmente ocorrerão durante os primeiros 3 anos e meio da semana da tribulação e serão de natureza mais providencial. Eles servem como avisos ao homem, pois mais tarde, sob a trombeta e finalmente as taças de juízo (Ap 16), o homem verá a mão de Deus diretamente na completa ruptura do governo, negócios e comércio e na permissão de uma avalanche de poder satânico a engolir este mundo. As preocupações de Liberman não devem ser menosprezados; elas são uma solene avaliação da condição deste mundo e baseiam-se em observações sólidas de alguém que esteve no governo por muitos anos. Infelizmente, ele não mencionou o Senhor em sua entrevista nem Lhe deu crédito por permitir todas essas coisas para exercitar nosso coração e avisar o homem quanto ao juízo vindouro. Mas os crentes hoje podem olhar para os acontecimentos mundiais e, à luz da profecia, podem ver como o Senhor está fazendo o homem se dar conta da terrível realidade do que está por vir. As grandes potências No entanto, o remédio dele de fazer com que as grandes potências trabalhem juntas para trazer ordem e responsabilização de volta a este mundo, simplesmente, não vai acontecer. Pode haver algumas medidas temporárias colocadas em prática, mas as grandes potências de hoje estão ocupadas demais com os seus próprios interesses para trabalharem em conjunto pelo bem comum. A Rússia tem a sua própria agenda, procurando reforçar a sua influência global, e, enquanto escrevo, está reunindo tropas na fronteira da Ucrânia, procurando forçar a OTAN a concordar com as suas exigências. A China está adquirindo sistematicamente o controle sobre países menores por meio da chamada diplomacia da “armadilha da dívida”. Ao conceder grandes empréstimos sob certas condições a Estados financeiramente vulneráveis, ela não apenas aumentou a sua influência sobre eles, como também enredou alguns em armadilhas de dívida que corroem a soberania. Os Estados Unidos estão dilacerados pela polarização interna, e é muito improvável que o grupo G7 estará disposto a agir em conjunto para estabilizar a situação. O vírus COVID-19 complicou ainda mais toda a situação, fazendo com que as nações estejam ocupadas com sua própria saúde e bem-estar. O amargo e o doce Tudo isso simplesmente aponta para o cumprimento da profecia, e, embora devamos lamentar por este mundo e pelos terríveis juízos que estão por vir, por outro lado, podemos olhar “para cima [...] porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21:28). Este mesmo princípio é ilustrado em Apocalipse 10:9-10, onde o livrinho do juízo era, na boca de João, “doce como mel”, mas depois de comê-lo, ele disse: “meu ventre ficou amargo”. A alegria de ser levado para casa para estar com o Senhor é temperada com a tristeza pelo juízo que se seguirá. Mas com tudo isso nosso bendito Senhor e Mestre terá o Seu lugar de direito. Dessa forma, podemos amar “a Sua vinda” (2 Tm 4:8), pois “havendo os Teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça” (Is 26:9). W. J. Prost Deus É o Dono do Edifício Deus é dono desse edifício, e Ele tomou sua morada ali pelo Espírito. Há uma coisa que eu gostaria que vocês notassem, quer olhemos para ele como o corpo de Cristo, a Igreja, ou como o edifício; gostaria de enfatizar Aquele que está ali. Quando é uma questão de olhar para ele como o corpo, o Senhor Jesus disse: “Aí estou Eu no meio”. Isso é dito do corpo, como a assembleia. Quando é uma questão de olhar para ele como o edifício, então se fala dele como a habitação de Deus pelo Espírito. Há uma diferença entre os dois. Isto é, o Senhor estando no meio e o Espírito Santo estando no edifício. A razão pela qual me sinto pressionado a mencionar essas coisas é que, acredito eu, muitas vezes, isso é perdido de vista. J. L. Erisman O Edifício de Cristo e o Edifício do Homem Há uma diferença entre o edifício de Cristo e o edifício do homem, ou seja, onde os homens eram os ministros de Deus. Nestes dias, esta é uma distinção muito importante onde perguntas de igreja vieram de Roma para irmãos, acreditem, em todos os lugares. Cristo diz, “Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja”: ali eu tenho o edifício de Cristo. É claro que, contra este, Satanás não pode prevalecer, mas ele ainda não está todo construído, pois está em andamento; por isso, Pedro, que faz alusão a ele (1 Pe 2:4-5), não menciona ninguém trabalhando. Paulo diz: “Cresce para templo santo no Senhor”. Ali é Cristo edificando, mas aqui é o homem trabalhando; e, assim que vemos responsabilidade, temos um possível fracasso. “Veja cada um como edifica.” Isso nunca poderia ser dito do que Cristo está edificando. Mas o que foi feito pelo sistema do papado e toda a doutrina da Igreja é identificar com o edifício de Cristo aquilo que está relacionado com o edifício do homem. Contra a Sua obra, as portas do inferno não prevalecerão; ao passo que, quando é a coisa estabelecida na Terra, temos, “veja cada um como edifica”, onde ele não diz que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. J. N. Darby Edificação e Progresso Note que em 2 Pedro e Judas, ambos insistem em nossa edificação e progresso, tendo em vista a decadência da Igreja e o juízo vindouro. Isso para que se possa, julgando o estado exterior, entrar em um relacionamento mais próximo com Deus, em comunhão com o que Ele é e Seus caminhos em Cristo como Senhor. Temos as preciosas promessas como fé preciosa, mas olhamos para o futuro chamados pela glória, e assim estamos crescendo, mas isso no conhecimento de Deus que nos chamou. Temos todas as coisas necessárias à vida e à piedade, mas é por meio daquilo segundo o qual somos chamados que há, de forma inteligente, uma participação na natureza divina, isto é, nossa alma sendo formada moralmente no que essa natureza é – sua semelhança. Verdadeiro mal do qual escapamos. J. N. Darby A Pedra Viva Em Cristo a salvação firme está; A Rocha Eterna perdurará; Não pode a fé ser derrotada Que sobre a “Pedra Viva” está firmada. Lugar não há para outra esperança; N’Ele o nosso olhar e nossa confiança; Outros fundamentos repudiamos, E sobre a “Pedra Viva”, Cristo, edificamos. Que se erga n’Ele, ordenado está, Um templo para o louvor de Jeová, Composto por todos os santos, que além Da “Pedra Viva” outro Salvador não têm. Veja-o aumentar, o vasto edifício; Que grande obra! Que plano sábio! Fascinante estrutura! Que insondável poder! Que sobre a “Pedra Viva” o faz crescer. Mas estime muito Seu precioso nome; Sua graça e Sua glória assim proclame: Por nós, condenados, desprezados, à deriva, Ele Se entregou, a “Pedra Viva”. S. Medley “Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece” (Fl 4:13)

  • Palavras de Edificação 35

    (Revista bimestral publicada originalmente em Julho/Agosto 1992) ÍNDICE O Chamado de Deus Segurança, Certeza e Gozo Qual Classe você está Viajando? Incerteza O Caminho da Salvação Você Crê no Filho de Deus? O Conhecimento da Salvação O Gozo da Salvação Perguntas e Respostas Invalidez Datas Bíblicas Deu Tudo Pensamentos – Se você Quiser O CHAMADO DE DEUS A Família de Deus, nos dias que antecedem o dilúvio, trilham um caminho de peregrinos. Eles deixam o mundo para Caim. Não há neles nenhum sentimento de disputa, nem tampouco o menor indício de queixa. Eles não dizem, e nem pensam em dizer, "Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança" (Lc 12:13). Nos hábitos da vida e princípios de conduta, eles são tão distintos de seu irmão infrator (Caim) que parece pertencer a uma outra raça; é como se vivessem em outro mundo. A família de Caim é que faz toda a história do mundo. Eles constroem as cidades, eles promovem as artes, eles conduzem os negócios, eles inventam seus prazeres e passatempos. Mas em nada disso é encontrada a família de “Sete” (Gn 5:3). Os daquela geração chamam às suas cidades por seus nomes; os desta se fazem chamar pelo nome do Senhor. Os daquela fazem tudo o que podem para tornar o mundo seu, e não do Senhor; os da outra fazem tudo o que podem para se fazerem do Senhor, e não mais pertencerem a si mesmos. Caim escreve seu próprio nome sobre a terra; “Sete” (Gn 5:3), escreve o nome do Senhor sobre si. Podemos bendizer ao Senhor por este vigoroso perfil de estrangeiros celestiais vivendo na Terra, e rogar por graça para experimentarmos em nossa alma, e em nossa vida, um pouco do seu poder. Temos uma lição a aprender disso. Os instintos de nossa mente renovada nos sugerem que sigamos o mesmo caminho celestial com igual certeza e clareza. O chamado de Deus nos indica esse caminho, e todo o Seu ensino exige que o trilhemos. Os passatempos e os propósitos, os interesses e os prazeres, dos filhos de Caim nada significam para esses peregrinos. Como ocorre ainda hoje, eles deixam isso bem claro; rejeitam a idéia de que este mundo seja capaz de lhes trazer satisfação. Eles estão descontentes com o mundo, e não se esforçam nem um pouco para inverter esta situação. É nisto que está fundamentada a separação moral do caminho de Caim, e de sua casa. Eles não estavam preocupados com o país que os cercava, mas procuravam uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Eles se opõem completamente ao caminho de Caim, e têm um claro discernimento do caminho de Deus. O Senhor deseja que sigamos esse mesmo padrão, estando no mundo, mas não sendo do mundo; somos do céu, embora ainda não estejamos lá (exceto no que diz respeito à nossa posição em Cristo). Paulo, no Espírito Santo, quer que sejamos assim, seguindo o exemplo daqueles: "a nossa cidade está nos céus" (Fp 3:20). Pedro, no mesmo Espírito, quer que sejamos "peregrinos e forasteiros", abstendo-nos "das concupiscências carnais" (1 Pe 2:11). Tiago nos convoca, no mesmo Espírito, a saber que "a amizade do mundo é inimizade contra Deus" (Tg 4:4). E João nos separa como de um só golpe: "Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno" (1 Jo 5:19). J. G. Bellett (1795–1864) voltar ao Índice SEGURANÇA, CERTEZA E GOZO Da Salvação Eterna Qual Classe você está Viajando? Quando estamos numa estação ferroviária ouvimos, com certa frequência, a seguinte pergunta: "Em que classe você está viajando?" Você, leitor, com toda a certeza está de viagem – de viagem para a eternidade – e pode ser que neste momento esteja muito próximo da estação final: a Morte. Permita-me, então, que lhe pergunte: "Nesta jornada pela vida, qual classe você está viajando?" Há somente três diferentes classes, e vou explicar quais são; a fim de que você possa responder à minha pergunta, como que diante de Deus; sim, diante “d'Aquele a Quem certamente todos nós temos que prestar contas”. Primeira classe: viajam aqueles que estão salvos e sabem disso. Segunda classe: viajam aqueles que não têm certeza da salvação, mas estão ansiosos para ter certeza. Terceira classe: viajam aqueles que não estão salvos e são totalmente indiferentes pelo assunto. Novamente, repito a pergunta: "Qual classe você está viajando?" Oh, a loucura da indiferença, como é importante que você possa responder claramente a esta pergunta, quando as questões eternas estão em discussão! Há pouco tempo atrás, numa viagem que fiz de trem, no momento em que o trem se preparava para partir da estação, vi chegar um homem que se precipitou ofegante para dentro do vagão onde eu me encontrava. – Você passou perto! – exclamou um dos passageiros. – É verdade – respondeu o homem respirando com dificuldade – mas ganhei quatro horas e por isso valeu a pena correr por isso. "Ganhei quatro horas"! Ao ouvir estas palavras não pude deixar de pensar comigo mesmo: "Se para ganhar quatro horas valeu a pena fazer tão grande esforço! E a eternidade?" Contudo, não existem milhares de pessoas, que embora sejam bastante prudentes em tudo o que se refere aos seus interesses mundanos, mas estão cegos quando alguém lhes fala das questões eternas? Apesar do infinito amor de Deus para com os pecadores, manifestado na morte de Jesus Cristo na cruz; apesar do Seu declarado ódio ao pecado; da evidente brevidade da vida humana; dos terrores do julgamento depois da morte; da solene probabilidade de sofrer insuportáveis remorsos ao achar-se no inferno, separado para sempre de Deus; apesar de tudo isso, muitos correm para o seu triste fim tão descuidados como se não existisse nem Deus, nem morte, nem julgamento, nem céu, nem inferno! Que Deus tenha misericórdia de você, leitor, se você for uma dessas pessoas, e que neste momento Ele abra os seus olhos para que você reconheça o perigo que é continuar despreocupadamente no caminho, à beira escorregadia do abismo, que conduz à perdição eterna. Caro leitor, acredite ou não, a sua situação é desesperadora. Não deixe, portanto, de enfrentar o quanto antes a questão da Eternidade, e do destino que você terá nela. Lembre-se, a procastinação não é apenas um “ladrão”, mas um “assassino”, e poderá ser fatal. Lembre-se, que o costume de deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, é sempre prejudicial, e neste caso poderá ter consequências desastrosas. Quão verdadeiro é o ditado: "A estrada do mais tarde conduz à cidade do nunca"! Rogo, pois, encarecidamente, querido leitor, que não continue a viajar em um caminho tão enganoso e perigoso, pois está escrito na Bíblia Sagrada: "Eis aqui agora o dia da salvação" (2 Co 6:2). Incerteza Talvez você diga: – Não sou indiferente aos interesses da minha alma; longe de mim tal pensamento, mas a minha maior inquietação exprime-se por outra palavra: INCERTEZA. Por esta razão, encontro-me entre os passageiros da segunda classe de que é falado. Pois bem, amigo leitor, tanto a indiferença como a incerteza são filhas dos mesmos pais: a incredulidade. A indiferença provém da incredulidade no que diz respeito ao pecado e a ruína do homem; às suas consequências presentes e eternas. A incerteza, com sua consequente inquietação, provém da incredulidade acerca do infalível remédio que Deus, soberamente, oferece a você. Estas páginas são escritas, especialmente àqueles que, como você, desejam ter a completa e incontestável certeza da salvação. Até certo ponto, posso compreender bem a inquietação de sua alma, e estou convencido de que quanto mais sincero interesse você tiver sobre esse assunto importante, maior será a sua sede, para ter a certeza de que está real e eternamente salvo da ira divina, dirigida contra o pecado. "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mt 16:26), disse o Senhor Jesus. Suponhamos que, o único filho de um amoroso e devotado pai encontra-se viajando de navio. Chega, entretanto, a notícia de haver naufragado, numa costa estrangeira, o navio em que ele se encontrava. Quem poderá descrever a angústia que a incerteza produz no coração daquele pai enquanto não se certificar, por um testemunho fidedigno, de que o seu filho está são e salvo? Ou, ainda, uma outra hipótese; você está longe de casa. A noite é escura e fria, você está seguindo por um caminho desconhecido. Ao chegar a uma bifurcação, você encontra alguém e lhe pergunta qual é o caminho que conduz ao povoado aonde deseja chegar, e ele, indicando um dos caminhos, responde: "Parece-me que é aquele, mas não tenho certeza; espero não estar enganado". Você ficaria satisfeito com uma resposta tão vaga e indecisa? Decerto que não. Você precisaria ter certeza, do contrário cada passo que desse naquela direção só aumentaria a sua inquietação. Por isso, não admira que tenha existido homens que, sentindo-se pecadores expostos à ira divina, não conseguiram mais dormir, e nem mesmo comer, enquanto a questão da salvação de sua alma não estivesse resolvida. Perder nossos bens é muito, Perder nossa saúde é mais, Mas a perda de nossa alma é tal; Que homem nenhum pode restaurar jamais. Pois bem, amigo leitor, há três coisas que, com o auxílio do Espírito Santo, desejo mostrar a você, as quais, na própria linguagem das Sagradas Escrituras são as seguintes: “O caminho da salvação” (Atos 16:17); “O conhecimento da salvação” (Lucas 1:77); “A alegria da tua salvação” (Salmo 51:12). Estas três coisas, embora intimamente ligadas, baseiam-se, todavia, cada uma delas, em verdades diferentes, de modo que é muito possível uma alma conheça qual é o caminho da salvação, sem contudo ter o conhecimento de estar pessoalmente salva; ou mesmo conhecer que está salva, sem possuir contudo a alegria que deve acompanhar esse conhecimento. O Caminho da Salvação A primeira parte da Bíblia Sagrada, o Antigo Testamento, está repleto de figuras ou símbolos de coisas espirituais, como diz o apóstolo Paulo: "Tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito" (Rm 15:4). Vejamos, pois, qual o sentido espiritual de uma dessas figuras contidas no Antigo Testamento, no livro de Êxodo, onde se lêem estas palavras em relação à lei dada por Deus, por intermédio de Moisés, ao seu povo na antiguidade: "Porém tudo o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com cordeiro; e se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça: mas todo o primogênito do homem entre teus filhos resgatarás" (Êx 13:13). Com estas palavras em mente, voltemos, em pensamento, a uns três mil anos atrás, e vamos supor que nos encontramos perto de dois homens (um sacerdote de Deus e um pobre camponês israelita), que conversam seriamente. Nossa atenção é atraída pelos gestos e pela maneira de ambos, que demonstra estarem tratando de um assunto importante; e não é difícil de ver que o assunto da conversa é um jumentinho que está tremendo ao lado deles. – Vim perguntar – diz o pobre israelita – se não pode ser feita uma exceção a meu favor, só desta vez. Este animal é o primogênito de uma jumenta que tenho e, embora eu saiba o que diz a lei de Deus a seu respeito, espero que haja misericórdia e seja poupada a vida do jumentinho. Sou apenas um pobre em Israel e não posso pensar em perder este animal. O sacerdote, porém, responde com firmeza: – A lei de Deus é clara e não admite dúvidas: "TUDO o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com cordeiro; e se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça". Por que, então, você não traz um cordeiro? – Ah, senhor, não tenho nenhum cordeiro! – replica o homem. – Então vá comprar um e traga-o aqui; ou certamente a cabeça do jumento será cortada. O cordeiro deve ser morto ou o jumento deve ser morto. – Ai de mim! – exclama o pobre homem chorando – neste caso todas as minhas esperanças estão perdidas, pois sou muito pobre e não posso de maneira alguma comprar um cordeiro. Mas, durante a conversa, aproxima-se uma terceira pessoa que, ouvindo a triste história do homem, volta-se para ele e lhe diz bondosamente: – Não fique desanimado, pois posso resolver o seu problema. Temos em casa um cordeiro que é muito querido de todos os de minha família, pois não tem nem uma única mancha nem defeito algum, e nunca se extraviou; vou já buscá-lo. Pouco depois o homem está de volta, trazendo o cordeiro que em seguida é morto e o seu sangue derramado. O sacerdote volta-se então para o pobre israelita e lhe diz: – Agora você pode levar o seu jumentinho para casa e ficar certo de que não precisará matá-lo. Graças ao seu amigo, o cordeiro morreu no lugar dele e, portanto, o jumentinho fica, com toda a justiça, totalmente livre. Ora, querido leitor, acaso você não vê nisto um quadro divino da salvação do pecador? Em consequência dos seus pecados a justiça de Deus exige a sua morte, isto é, o seu justo castigo. A única alternativa que resta a você é a morte de um substituto aprovado por Deus. Você jamais poderia, de si mesmo, providenciar o necessário para sair da desesperada situação em que se encontra. Deus, porém, na Pessoa de Seu amado Filho, supriu, Ele próprio, um Substituto: "Eis o Cordeiro de Deus", disse João aos seus discípulos ao contemplarem o bendito e imaculado Salvador. "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1:29). E, com efeito, Jesus subiu ao Calvário, "levado como a ovelha para o matadouro" (At 8:32), e ali "padeceu uma vez pelos pecados, o Justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1 Pe 3:18). "O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação" (Rm 4:25). De modo que Deus, ao justificar o ímpio que crê em Jesus; ao absolvê-lo de toda a culpa, em nada sacrifica as justas exigências do Seu trono dirigidas contra o pecado. Ele é absolutamente “Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26). Bendito seja Deus, por nos dar um tal Salvador e uma tal salvação! Você crê no Filho de Deus? Se você responder: "Sim! Como um pecador condenado tenho encontrado n'Ele Aquele em Quem posso confiar com toda a segurança. Creio verdadeiramente n'Ele!", neste caso posso lhe assegurar que, perante Deus, o grande valor do sacrifício e morte de Cristo, conforme Deus o aprecia, aproveita tanto à sua alma como se você mesmo tivesse sofrido, em si mesmo, a condenação merecida. Oh, que admirável salvação é esta! Não é grande, grandioso, divino – digno do próprio Deus? Por ela Deus satisfaz os desejos do Seu bondoso coração, dá glória ao Seu amado Filho, e assegura a salvação do pobre pecador que n'Ele crê. Que maravilha de glória e graça! Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que assim ordenou que o Seu próprio Filho amado faça toda a obra e receba todo o louvor; e que nós, crendo n'Ele, não somente alcançamos todas as bênçãos, mas também gozaremos eternamente a bem-aventurada companhia d'Aquele que assim nos abençoou! "Engrandecei ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o Seu nome" (Sl 34:3). Mas, talvez você pergunte ansiosamente: "Como é que ainda não tenho completa certeza da minha salvação, embora já não confie mais em mim mesmo, nem nas minhas obras, mas só, única e inteiramente em Cristo e na Sua obra? Como é que, se um dia os sentimentos do meu coração me dizem que estou salvo, no dia seguinte me vejo assaltado de dúvidas? Sou como um navio surpreendido pela tempestade, sem poder achar ancoradouro seguro em nenhuma parte". Ah! eis aí o seu engano, e vou explicar o por que. Porventura, você já ouviu falar de algum capitão que procurasse ancorar seu navio lançando a âncora para dentro do próprio navio? Nunca! Ele sempre a lança para fora! Vejamos, então, o seu caso. Pode ser que você já esteja completamente convencido de que a segurança de sua alma, quanto ao julgamento divino, depende somente da morte de Cristo; porém você imagina, ao mesmo tempo, que são os seus sentimentos que hão de lhe dar a CERTEZA da sua participação nos benefícios dessa morte. Vamos olhar novamente para a Bíblia, pois quero que você veja nela o modo como, pela Sua Palavra, Deus nos dá: O Conhecimento da Salvação Antes, porém, de procurarmos o versículo que você deve ler com cuidadosamente, o qual nos ensina COMO UM CRENTE PODE SABER QUE TEM A VIDA ETERNA? Permita-me citá-lo de maneira errada, ou seja, da maneira que muitos parecem entendê-lo: "Estes alegres sentimentos vos dou a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus". Compare agora isto com a bendita e imutável Palavra divina, e permita Deus que você possa se firmar nela, para dizer com Davi: “Odeio os pensamentos vãos, mas amo a Tua lei” (Sl 119:113 – ARF). Ora, o versículo de que falei é 1 João 5:13 (ARA), está escrito assim: "ESTAS COISAS VOS ESCREVI, a fim de SABERDES que TENDES a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus". A história sagrada do Antigo Testamento, nos relata um acontecimento, que explica exatamente o modo pelo qual nós podemos ter a inabalável certeza da salvação, que o versículo acima nos fala. Esse acontecimento é a saída do povo de Israel da terra do Egito, o que lemos em Êxodo 12. Como podiam os primogênitos do povo de Israel saber, com toda a certeza, que estavam seguros durante aquela noite da Páscoa, quando Deus derramava Seu julgamento sobre o Egito? Vamos supor que nos encontramos no Egito nessa solene ocasião, e que visitamos duas das casas dos israelitas. Na primeira casa encontramos toda a família aterrorizada e cheia de receios, dúvidas e incertezas: – Qual é o motivo de tanta palidez e medo? – perguntamos. – Ah! – responde o primogênito, – o anjo da morte vai atravessar a terra do Egito esta noite, e não sei o que será de mim quando chegar a meia-noite. Só depois que o anjo exterminador tiver passado por nossa casa, e a hora do juízo tiver terminado, que saberei que estou salvo, mas antes disso não sei como posso ter a certeza de que nada me há de acontecer. Os nossos vizinhos do lado dizem que têm certeza da sua segurança, mas acho que isso é ter muita presunção. O melhor que eu posso fazer é passar esta longa e sombria noite esperando que tudo me saia bem. – Porém – perguntamos – o Deus de Israel não providenciou um meio de segurança para o Seu povo? – Certamente que sim – responde ele – e nós já usamos esse meio. O sangue de um cordeiro de um ano, cordeiro sem defeito algum, já foi devidamente espargido com um molho de hissopo sobre a verga e ombreiras da porta; mas apesar disso, não temos ainda plena certeza de que eu esteja seguro. Deixemos agora esta pobre gente, atribulada e cheia de dúvidas, e entremos na casa ao lado. Que notável contraste se apresenta logo à nossa vista! A paz e o gozo brilham em todos os rostos. Ali estão todos com “os lombos cingidos,… e o cajado na mão”, comendo “o cordeiro assado no fogo”, e com “os sapatos nos pés” já prontos para caminhar (Êx 12:8-12). – Qual é o motivo de tão grande tranquilidade em noite tão solene? – perguntamos. – Ah! – respondem todos – estamos apenas esperando as ordens de marcha de Jeová, nosso Deus, para sairmos de viagem, quando então daremos um último adeus ao açoite do tirano e à cruel escravidão do Egito. – Mas esperem! Vocês estão se esquecendo de que à meia-noite o anjo de Deus vai percorrer a terra do Egito, ferindo de morte os primogênitos? – Sabemos disso muito bem, mas o nosso filho primogênito está perfeitamente seguro. O “sangue” (Êx 12:7) foi espargido na porta, segundo a vontade e ordem do nosso Deus. – Mas também os vizinhos fizeram o mesmo, – respondemos, – e contudo estão todos tristes, porque não têm nenhuma certeza de segurança. – Ah – diz o primogênito com firmeza – mas nós temos mais do que o “sangue” espargido; temos também uma confiança absoluta na inabalável Palavra do nosso Deus (Êx 12:8-14). Deus disse: "Quando Eu vir o sangue, passarei por vós" (Êx 12:13 – ARA). Deus descansa satisfeito com o sangue lá fora, e descansamos aqui dentro na SUA PALAVRA. O “sangue” espargido nos dá segurança. A Palavra proferida por Deus nos dá a certeza da “salvação”. Há alguma coisa que possa tornar-nos mais seguros do que o “sangue” espargido, ou mais certeza do que a Palavra escrita por Deus? Nada, absolutamente nada. Eis a razão da nossa paz! Ora, leitor, qual destas duas famílias você acha que estava mais ao abrigo da espada do anjo da morte? Talvez você diga que era a segunda, onde todos gozavam daquela tranquila confiança? Não, você está enganado. Ambas estavam igualmente seguras. A segurança de ambas dependia, não dos sentimentos dos que estavam dentro da casa, mas sim da maneira como Deus apreciava o sangue espargido fora da casa, sobre a porta. Se você quiser ter a certeza da sua própria salvação, não dê atenção aos seus sentimentos, mas sim ao testemunho infalível da Palavra de Deus. "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em Mim TEM a vida eterna" (Jo 6:47). A fim de esclarecer mais este ponto, vou me valer de um simples exemplo tirado da vida cotidiana. Um certo agricultor no interior, não tendo pastagem suficiente para seu gado, e ouvindo dizer que uma bela pastagem próxima à sua casa está para alugar, comunica ao proprietário seu interesse em arrendá-la. Passa-se algum tempo sem que receba resposta do proprietário. Certo dia, um vizinho visita o agricultor e lhe diz: – Estou certo de que ele alugará a pastagem a você. Você não se lembra de que no último ano o proprietário enviou-lhe um presente, e não recorda também da maneira como o cumprimentou quando passou por sua casa há alguns dias?" E com essas boas palavras a mente do agricultor, se encheu de esperança! No dia seguinte encontra-se com outro vizinho, que durante a conversa lhe diz: – Receio que você não poderá usar aquela pastagem. Ouvi dizer que o sr. Fulano também a quer, e você sabe como ele é amigo do proprietário. Esta notícia faz desvanecer a esperança do pobre agricultor; e assim continua ele; um dia muito esperançoso, outro dia cheio de dúvidas. Por fim recebe uma carta pelo correio, e ao reconhecer a letra do proprietário da pastagem, abre-a com viva ansiedade; mas à medida que vai lendo, o sobressalto vai se transformando em satisfação que se lhe retrata no rosto. – Está tudo resolvido, – exclama ele à sua esposa; – acabaram-se as dúvidas e os receios! O proprietário diz que me arrenda a pastagem por todo o tempo que eu quiser, e em condições muito favoráveis. Isto me basta; agora já não me importo mais com a opinião de ninguém, seja lá quem for; a palavra do proprietário assegura-me a posse. Quantas pobres almas há por aí, às quais acontece o mesmo que aconteceu ao agricultor; andam confusos e perturbados porque escutam as opiniões dos homens, ou se ocupam com os pensamentos e sentimentos de seu próprio coração traiçoeiro, e é somente ao receber a Palavra de Deus, como sendo a Palavra de Deus, as dúvidas que os atribulam cedem imediatamente lugar à CERTEZA. Quando Deus fala, deve haver certeza, seja Ele pronunciando a condenação do incrédulo, ou a salvação do crente. “Para sempre, ó Senhor, a Tua Palavra permanece no céu” (Sl 119:89). As Escrituras dizem: “Quem crê n'Ele não é julgado; o que não crê já está julgado” (Jo 3:18 – ARA). Não pode haver dúvida, nem em um caso nem em outro, pois é Deus Quem o diz, e para o crente de coração sincero a Palavra de Deus resolve tudo. "Porventura diria Ele, e não o faria? ou falaria, e não o confirmaria?" (Nm 23:19). Deus tem falado, e o crente, satisfeito, pode dizer: Mais provas não exijo eu Nem mais demonstração; Já sei que Cristo padeceu Para minha salvação. O crente pode acrescentar: “E que Deus assim o diz”. Mas, talvez haverá alguém que ainda pergunte: "Como hei de saber com certeza se tenho a verdadeira fé?" A esta pergunta temos que responder com outra pergunta: "Você tem fé no verdadeiro Salvador: isto é, no bendito Filho de Deus?" A questão não é saber se a sua fé é muita ou pouca, forte ou fraca, mas se a Pessoa em quem você confia é digna de confiança. Há alguns que se agarram a Cristo com uma energia semelhante à do homem que se afoga. Há outros, porém, que apenas tocam, por assim dizer, na orla do Seu vestido; mas os primeiros não estão mais seguros do que os últimos. Todos fizeram a mesma descoberta, isto é, que em si mesmos são totalmente indignos de confiança, mas que devem seguramente confiar em Cristo, tranquilamente confiar na Sua Palavra, e descansar com toda a confiança no valor eterno de Sua obra consumada. É isto que significa crer n'Ele, e é Sua a promessa: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em Mim tem a vida eterna" (Jo 6:47). Portanto, tenha certeza; de que a sua confiança não esteja depositada em suas obras bem intencionadas, ou em seu arrependimento e penitências, ou em quaisquer outros atos religiosos, nem mesmo em seus sentimentos piedosos, nem na educação moral que possa ter recebido, nem em quaisquer outras coisas semelhantes. É até possível que você confie firmemente em algumas destas coisas, ou em todas elas juntas, e contudo venha a perecer eternamente; não se deixe enganar com nada que venha da carne. A fé em nosso Senhor Jesus Cristo, por mais fraca que seja, salva eternamente, ao passo que a fé em outra coisa ou pessoa qualquer, mesmo que seja muito forte, é apenas fruto de um coração enganoso – é apenas o inimigo disfarçado no abismo da perdição eterna. Deus, no Evangelho, simplesmente apresenta a você o Senhor Jesus Cristo, e diz: "Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo" (Mt 3:17). É como se Deus dissesse: "Ainda que você não possa confiar em si mesmo, pode contudo confiar sem receio em Jesus". Bendito, três vezes bendito Senhor Jesus! Quem não há de confiar em Ti e exaltar o Teu nome? – Creio deveras n'Ele, – disse-me um dia uma jovem, com certa tristeza, – todavia não me atrevo a dizer que estou salva, com receio de estar dizendo uma mentira. Esta jovem era filha de um açougueiro em uma pequena cidade do interior. Era dia de mercado, e seu pai ainda não havia retornado do mercado. – Suponhamos agora – disse-lhe eu – que quando seu pai voltar, você lhe pergunte quantas ovelhas comprou hoje, e ele responda: "Dez". Suponhamos ainda que logo em seguida entre um freguês e lhe pergunte: "Quantas ovelhas seu pai comprou hoje?" Porventura você responderia: "Não me atrevo a dizer, com receio de mentir"? Nisto, a mãe da menina, que escutava nossa conversa, disse com certa indignação: – Isso seria o mesmo que dizer que seu pai é mentiroso. Então, querido leitor, você não percebe que essa menina, embora bem intencionada, estava fazendo, realmente, do Senhor Jesus um mentiroso, quando dizia: "Eu creio no Filho de Deus, porém não me atrevo a dizer que tenho a vida eterna, porque receio estar dizendo uma mentira"? Que incredulidade! Quando o próprio Cristo disse: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em Mim tem a vida eterna” (Jo 6:47). – Mas, – alguém poderá dizer, – como posso ter a certeza de que realmente creio? Tenho me esforçado muitas vezes para crer, e olhei em meu íntimo para ver se o tenho conseguido; mas quanto mais olho para minha fé, menos pareço ter. Meu amigo, você está olhando na direção errada para descobrir isso, e o fato de você dizer que se esforça para crer, demonstra claramente que você está no caminho errado. Deixe-me, portanto, apresentar-lhe outro exemplo para explicar melhor este ponto. Suponhamos que você se encontre, certa noite, em sua casa, e entre alguém dizendo que o chefe da estação da estrada de ferro acaba de morrer esmagado por um trem. Acontece, porém, que esse homem, que lhe traz a notícia, há muito tempo é tido em toda a vizinhança como muito desonesto e mentiroso. Você acreditaria nele, ou se esforçaria para acreditar nele? – Decerto que não! – você me responderá prontamente. – E por que não? – Porque eu o conheço bem demais para saber que é um mentiroso. – Mas, – pergunto – como é que você sabe que não crê no que ele disse? Será que para isso você precisou examinar sua fé? – Não; é porque sei que o homem que me dá a notícia não é digno de confiança. Pouco depois entra um outro indivíduo e diz: – O chefe da estação foi, hoje, atropelado por um trem e ficou esmagado. Após ele sair, escuto você dizer prudentemente: – Agora estou quase crendo que seja verdade, pois conheço este homem desde pequeno e pelo que me lembre, só me enganou uma vez. – Ora, – pergunto eu de novo, – será que desta vez você sabe que quase crê por ter examinado sua própria fé? – Não; é porque tenho em conta o caráter de quem me dá a notícia. Este homem acaba de sair de sua casa e entra um terceiro. Este, que é um amigo que lhe inspira a mais absoluta confiança, não faz mais do que confirmar a notícia. Desta vez então você diz: – Agora é que creio, João; por ser você quem está me afirmando isto, eu posso crer. Insisto ainda na minha pergunta, que como você há de recordar, é apenas um eco da sua: – Como é que você pode saber, agora, que crê tão confiantemente no que disse o seu amigo João? – É porque conheço bem a João e o seu caráter – você me responde. – Nunca, em toda a sua vida, me enganou, e não a julgo capaz de fazê-lo. Pois bem, é justamente por esta razão que eu também sei que creio no Evangelho: é por ele me ser mandado pelo próprio Deus. O apóstolo João diz: "Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de Seu Filho testificou… quem a Deus não crê mentiroso O fez: porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu" (1 Jo 5:9-10). E Paulo diz: "Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça" (Rm 4:3). Em certa ocasião uma alma ansiosa disse a um servo de Deus: – Ah! senhor, eu não posso crer! – ao que com sabedoria e quietude o pregador respondeu: – É verdade?… E em QUEM você não pode crer? – Esta simples pergunta foi suficiente para lhe abrir os olhos. Até ali tinha pensado que a fé era alguma coisa misteriosa que deveria sentir dentro de si, e que sem senti-la não poderia ter certeza da sua salvação; a fé do crente faz com que ele olhe, não para si mesmo, mas, ao contrário, para Cristo e para a Sua obra consumada no Calvário, e o leve a ouvir silenciosamente o testemunho de um Deus fiel sobre ambos. É o olhar exterior que traz a paz interior. Quando um homem se volta para o Sol, a sua sombra fica atrás dele; assim também quando olhamos para Cristo glorificado no céu, não mais podemos olhar para nós mesmos. Assim, vimos que a bendita PESSOA do Filho de Deus ganha a nossa confiança; a Sua OBRA CONSUMADA nos dá segurança eterna; e a PALAVRA de Deus, acerca de todo o que n'Ele crê, nos dá a certeza inalterável de tal segurança. Encontramos em Cristo e na Sua obra "o caminho da Salvação” (Atos 16:17); e na Palavra de Deus "o conhecimento da Salvação” (Lucas 1:77). – Mas se salvo – poderá dizer, – se tenho a vida eterna, como é que tenho sentimentos tão inconstantes, perdendo com frequência toda a minha alegria e consolação, achando-me sem paz e quase tão triste como antes de ter sido convertido? – Esta pergunta nos leva a tratar de nosso terceiro ponto que é: O Gozo da Salvação A Palavra de Deus nos ensina que, enquanto o crente é salvo da ira futura pela obra de Cristo, e que tem a certeza da salvação pela Palavra de Deus, conserva a consolação e alegria pelo poder do Espírito Santo que habita nele. “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6:19). Convém lembrar que todo salvo, ainda, tem dentro de si, segundo as Sagradas Escrituras, "a carne",isto é, a natureza pecaminosa com que nascemos, e que começa a se manifestar desde a nossa mais tenra infância, no colo da mãe. O Espírito Santo no crente resiste à "carne", e fica entristecido sempre que ela se manifesta por pensamentos, palavras ou obras. Quando o crente está andando “dignamente diante do Senhor” (Cl 1:10), o Espírito Santo produz em sua alma o Seu bendito fruto – tais como “caridade, gozo, paz” (Gl 5:22). Porém quando o crente anda de maneira carnal, mundana, o Espírito Santo é entristecido (Ef 4:30), e como consequência, falta, na vida do crente, este fruto espiritual. Permita-me, expor sua situação, como crente, da seguinte forma: A obra de Cristo e a sua salvação: Ficam em pé ou caem juntamente; O seu caminhar e o seu gozo: Ficam em pé ou caem juntamente. Se fosse possível a obra de Cristo cair por terra (e, Bendito seja Deus, nunca, nunca acontecerá), sua salvação cairia juntamente com ela. Porém, quando por qualquer descuido, você não tiver um andar digno de um Cristão, (fique atento, pois pode muito bem acontecer), seu gozo cairá junto. Em Atos dos Apóstolos, está escrito a respeito dos primeiros discípulos: "andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo" (At 9:31); e também: "os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo" (At 13:52). Depois de sermos convertidos, o nosso gozo espiritual será sempre proporcional ao caráter espiritual do nosso andar. Você percebe agora, leitor, em que consiste o seu engano? Você tem confundido – duas coisas muito diferentes – que são: a segurança da salvação, e o gozo que resulta dela. Se porventura você entregar-se à sua vontade-própria, ao seu temperamento forte, ou aos prazeres mundanos, etc., o Espírito Santo Se entristecerá e logo você perderá sua alegria espiritual, e talvez pense ter perdido também a sua segurança. Repito, porém, mais uma vez: Sua SEGURANÇA, depende da obra de Cristo POR você. Sua CERTEZA, sobre a Palavra que Deus PARA você. Seu GOZO, ao não entristecer o Espírito Santo EM você. Quando, sendo filho de Deus, você faz algo que entristece o Espírito Santo de Deus, sua comunhão com Deus Pai e com o Seu bendito Filho, ficará no momento, praticamente suspensa; e enquanto você, arrependido, não reconhecer e confessar o seu pecado a Deus, aquela comunhão e aquele gozo não lhe serão restaurados. Suponhamos que uma criança qualquer faz uma maldade. Sentindo que praticou o mal e desconfiando que seus pais já saibam do ocorrido, ela mostra logo em seu rosto que algo está errado. Meia hora antes ela estava alegre desfrutando, juntamente com os pais, um passeio no jardim, agradando-se naquilo que agradava a eles também, e admirando aquilo que eles também desfrutavam. Em outras palavras, ela estava em comunhão com eles; tinham todos os mesmos sentimentos. Mas agora tudo isso mudou, como uma criança travessa, e desobediente, a encontramos agora em um canto, toda triste. Após a confissão penitente de seu erro, os pais lhe garantiram perdão; mas seu orgulho e egoísmo a mantém ali soluçando. Onde está agora a alegria que essa criança tinha há meia hora? Desapareceu completamente. Por que? Porque, foi interrompida a comunhão entre ela e seus pais, devido à sua maldade. Mas o que é feito do parentesco que, há meia hora, existia entre ela e seus pais? Porventura desapareceu isto também? Acaso cessou ou se interrompeu? Certamente que não. Seu parentesco depende do seu nascimento. Sua comunhão depende do seu comportamento. Passado, porém, algum tempo, ela sai do canto, onde tinha permanecido, e já arrependida e com o coração quebrantado, humilha-se e confessa toda a sua falta, do princípio ao fim, de modo que os pais percebem que ela odeia agora, tanto quanto eles, a sua desobediência e travessura. Então, tomando-a nos braços, cobrem-na de beijos. Sua alegria é restaurada, porque sua comunhão é restaurada. Quando Davi pecou tão gravemente no caso da esposa de Urias, ele não disse: “Torna a dar-me da Tua salvação”, mas, "Torna a dar-me a alegria da Tua salvação" (Sl 51:12). Notemos que não pediu que lhe fosse restituída a salvação, mas a alegria da salvação. Imaginemos agora o caso de outra maneira. Suponhamos que enquanto seu filho está no canto, soluçando e sem dar provas de querer restaurar a comunhão com seus pais, alguém dá um grito de "fogo!" O que seria dele então? Porventura seus pais o deixariam ali no canto para ser consumido pelo fogo que devora a casa? Impossível! Muito provável que ele fosse a primeira pessoa que os pais tirariam para fora da casa e que pusessem a salvo. Você sabe perfeitamente que o amor do parentesco é uma coisa, e que o gozo da comunhão é outra inteiramente diferente. Ora, quando o crente peca, sua comunhão com Deus Pai é interrompida, e o gozo é perdido até que, com o coração contrito, se volte para o Pai em auto-julgamento, e Lhe confesse seus pecados. Então, confiando na Palavra de Deus, sabe que está perdoado; porque a Sua Palavra claramente diz que: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e Justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1 Jo 1:9). Querido filho de Deus, tenha sempre em mente estas duas importantes verdades: que não há nada tão forte como o LAÇO DE PARENTESCO; e não há nada tão frágil como o LAÇO DA COMUNHÃO. Todo o poder e conselho da Terra e do inferno reunidos não podem quebrar o primeiro; ao passo que basta apenas um pensamento impuro, ou uma palavra leviana, para quebrar imediatamente o segundo. Se você estiver com sua alma atribulada, em algum momento, humilhe-se perante Deus, e examine a sua consciência; e quando detectar a causa que lhe roubou a alegria, traga-a imediatamente à luz, confesse o seu pecado a Deus, seu Pai, e julgue-se a si mesmo, pelo seu descuido, e pela falta de vigilância da sua alma que permitiu entrar às escondidas o inimigo. Mas não confunda nunca, nunca, a sua segurança com o seu gozo. Não imagine, entretanto, que o julgamento de Deus é menos severo contra o pecado do crente, do que contra o do incrédulo. Ele não tem dois modos diferentes de tratar com o pecado, e Deus não poderia passar pelos pecados do crente sem julgá-lo; assim como, Ele não poderia passar pelos pecados do incrédulo que rejeita o Seu precioso Filho. Há, porém, entre os dois casos esta grande diferença: Os pecados do crente eram todos conhecidos por Deus, havendo-os lançado sobre Cristo, o Cordeiro divino, quando Este foi crucificado no Calvário. Ali, de uma vez para sempre, a grande “questão criminal” de sua culpa, foi levantada e resolvida – o julgamento do castigo, que o crente merecia, caindo sobre o seu bendito Substituto. "Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro" (1 Pe 2:24). No segundo caso, o incrédulo, que rejeita o Senhor Jesus Cristo, há de sofrer, ele próprio, as consequências eternas dos seus pecados no lago de fogo. Agora, quando um crente comete uma falta, a “questão criminal” do pecado não pode ser suscitada novamente contra ele, porque o próprio Jesus, constituído agora o Juiz de todos, é Quem a resolveu de uma vez para sempre sobre a cruz; porém a questão da comunhão é levantada dentro dele pelo Espírito Santo, todas as vezes que o crente O entristece. Permita-me, em conclusão, servir de outro exemplo: Imaginemos uma noite serena e magnífica, com a Lua brilhando em seu maior esplendor. Um homem está olhando atentamente para um lago profundo, em cuja superfície a Lua se reflete admiravelmente e, dirigindo-se a um amigo que está ao seu lado, lhe diz: – Como a Lua está linda esta noite, tão cheia e brilhante! De repente, seu companheiro joga uma pedra no lago, e exclama: – Que é isto? a Lua fez-se em pedaços, e os seus fragmentos estão batendo uns contra os outros na maior desordem! – Que absurdo! – responde seu companheiro. – Olhe para cima e você verá que a Lua não mudou em coisa alguma. A superfície da água do lago, que a reflete, é que sofreu mudança, ficando agitada. Amigo crente, aplique a você mesmo este simples exemplo. O seu coração é o lago. Quando não há permissão para o mal, o bendito Espírito de Deus toma as glórias e preciosidades de Cristo, e revela a você para sua consolação e gozo, mas no momento em que você acolhe em seu coração um mau pensamento, ou que de seus lábios escapa uma palavra vã, sem logo ser julgada, o Espírito Santo começa a agitar a superfície do lago, e a sua felicidade e gozo se desvanecem fazendo com que você fique inquieto e perturbado, até que, com espírito quebrantado diante de Deus, Lhe confesse seu pecado que tem sido a causa da sua perturbação. Assim será restaurado o sossego de seu espírito, e você desfrutará, mais uma vez, do gozo da comunhão com Deus. Enquanto o seu coração se sente tão inquieto. Porventura, a obra de Cristo mudou? Não, de maneira nenhuma. Então sua salvação não sofreu alteração. A Palavra de Deus mudou? Certamente que não. Então permanece inabalável a certeza da sua salvação. Então, o que mudou? Ora, a ação do Espírito Santo em você mudou, em vez de tomar as glórias de Cristo, e encher seu coração com o sentimento de Sua dignidade, Ele Se entristece de deixar essa preciosa ocupação para encher a sua consciência com o sentimento do seu próprio pecado e indignidade. Ele o privará de Sua consolação e de Seu gozo enquanto você mesmo não se julgar, reprovando o mal que Ele julga e reprova. Quando isso acontece, sua comunhão com Deus é restaurada novamente. Que, pela graça do Senhor, tenhamos sempre uma santa vigilância sobre nós mesmos, a fim de não entristecermos "o Espírito Santo de Deus, no Qual estais selados para o dia da redenção" (Ef 4:30). Querido leitor, por mais fraca que seja a sua fé, fique certo de que o bendito Senhor em Quem você tem depositado sua confiança jamais mudará. "Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Hb 13:8). A obra consumada de Cristo jamais mudará: "tudo quanto Deus faz durará eternamente: nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar" (Ec 3:14). A Palavra por Deus pronunciada jamais mudará. "Secou-se a erva, e caiu a sua flor: mas a Palavra do Senhor permanece para sempre" (1 Pe 1:24-25). Assim, o objeto de nossa confiança, o fundamento de nossa segurança, e a base de nossa certeza, são igualmente inalteráveis. Com confiança então podemos já cantar (Hino 72 – Hinário – “Ó Deus e Pai”): Ó Deus e Pai, Te agradecemos A paz, perdão e Teu amor, Com gratidão reconhecendo Que temos parte em Teu favor. Mais uma vez, deixe-me perguntar: "Qual classe você está viajando?" Eleve a Deus o seu coração e dê-Lhe já, sem demora, a sua resposta. “Seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso” (Rm 3:4). "Quem a Deus não crê mentiroso o fez: porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu" (1 Jo 5:10). "Aquele que aceitou o Seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro" (Jo 3:33). Querido leitor, meu desejo é que a alegre certeza de possuir esta salvação tão grande encha o seu coração e domine toda a sua vida, agora e até que Jesus venha. G. Cutting (1843–1934) voltar ao Índice PERGUNTAS E RESPOSTAS P: A que se aplica o termo "reino dos céus" (Mt 13:44)? R: O termo "reino dos céus", se aplica ao estado de coisas durante a ausência do Rei. P: Trata-se de uma condição onde predomina o bem sem mistura? R: Muito pelo contrário. “Um inimigo” (Mt 13:28) tem trabalhado. Ele introduziu “fermento” (Mt 13:33) na “massa” (Gl 5:9). Ele “semeou joio no meio do trigo" (Mt 13:25). P: O “joio” é bom? R: Não, o “joio” são os falsos professantes. P: O “fermento” é bom? R: Não, é má doutrina, maus princípios e má influência. A “massa” é boa, o “trigo” é bom, a “pérola” (Mt 13:45-46) é boa, o “tesouro” (Mt 13:44) é bom, e alguns dos “peixes” (Mt 13:47) são bons. Mas há coisas boas e más no reino – na igreja professa – na Cristandade. Cristianismo é como a neve que desce em sua pureza das nuvens. Cristandade é a feia e detestável lama produzida pela mistura da poluição da terra com a neve pura. Não devemos confundir a Igreja, ou assembléia de Deus, com o “reino dos céus”, e nem o corpo de Cristo com a Cristandade. Os resultados mais desastrosos resultam dessa confusão. Ela leva à negação de toda disciplina piedosa na assembléia. Nos é dito que o “joio” e o “trigo” devem crescer juntos. P: É verdade, mas onde? R: No campo. P: Mas o campo é a Igreja? R: Não, o Senhor nos afirma distintamente: "O campo é o mundo" (Mt 13:38). P: Devemos arrancar o “joio”? R: Não, os anjos farão isso no tempo apropriado que ainda virá. P: Devemos tolerar na assembléia os que são reconhecidamente “joio”? R: Deus nos livre! "Tirai pois dentre vós a esse iníquo" (1 Co 5:13). C.H.Mackintosh (1820-1896) voltar ao Índice INVALIDEZ Todos nós temos uma ou outra deficiência. Algumas são visíveis, outras apenas o Senhor conhece; podem ser resultantes de responsabilidades familiares, outras são fardos mentais ou emocionais. Ninguém é perfeito, e ninguém está livre de fardos. A questão não é se tenho alguma deficiência, mas o que ela está me causando? De certa forma, nós achamos que as pessoas da Bíblia eram pessoas especiais, diferentes de nós hoje, mas não é assim. Quase todos aqueles que você encontra nas páginas das Escrituras tiveram que superar uma deficiência antes de terem sido usados por Deus. Em mais de um caso, Deus deliberadamente deu deficiências a crentes, e foi isso que os capacitou. Um bom exemplo disso, é “Jacó” (Gn 25:19-34). Ele era sempre cheio de planos; alguém que tinha sempre algum "truque escondido na manga da camisa" – [N.T. – “Veio teu irmão astuciosamente e tomou a tua bênção. Disse Esaú: Não é com razão que se chama ele Jacó? Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura e agora usurpa a bênção que era minha” (Gn 27:35-36 – ARA)], – e que nunca deixaria que alguém levasse a melhor sobre ele. Se ele tivesse continuado nesse caminho de auto-suficiência, teria se arruinado. Mas certa noite, o Senhor veio e lutou com Jacó e lhe deu uma deficiência, o deixou coxo – [N.T. – “Ficando ele só; e lutava com ele um homem,… Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó,… Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares. Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó. Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. {Israel: significa, Um príncipe de Deus – KJV}… E o abençoou ali .… Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva.… E manquejava de uma coxa”] – (Gn 32:24-32). Aquele foi o momento que mudou sua vida – um lembrete permanente de que era Deus Quem estava no controle de tudo. A vitória começa no coração. Se nosso coração está cheio de rebeldia, auto-piedade e amargura, então estamos mal. O clamor do coração de Jacó era "Não te deixarei ir, se me não abençoares". Para ele era Deus ou nada! Quando foi que Jacó recebeu a bênção? Quando ele foi feito inválido! Ele não iria deixar ir embora, Aquele que havia tocado bem no ponto em que estava sua força natural. Me apego Àquele que me tornou inválido, a fim de que Ele possa ter o Seu lugar em meu coração! The Christian Newsletter nº 144 voltar ao Índice DATAS BÍBLICAS A vida humana vem sendo encurtada pela metade, muitas vezes. O homem que viveu por mais tempo após o “dilúvio” (Gn 6:17; Gn 7:6), foi “Héber”, que viveu 464 anos, um pouco mais do que a metade da idade de “Metusala” (Gn 5:27 – Matusalém), 969 anos, que foi quem viveu mais tempo, dentre os homens que viveram antes ou depois do“dilúvio” (Gn 6:17; Gn 7:6). O tempo mais longo que alguém já viveu, após a dispersão ocorrida em Babel, foi o de “Reú”, que viveu 239 anos (Gn 11:20-21), um pouco mais que a metade da idade de “Héber”. No deserto, a vida foi novamente encurtada para quase metade da idade de “Abraão” (Sl 90:10). O bendito Senhor foi tirado "no meio" ou na metade de Seus dias como homem (Sl 102:24). As Escrituras não fornecem um registro do nascimento ou da morte de nenhum dos descendentes de “Caim”, mas apenas registram os seus feitos (Gn 4). “Sete” (Gn 5:3), terceiro filho de Adão, viveu 912 anos, em quem a linhagem da graça teve continuidade, foi contemporâneo de todos os patriarcas antediluvianos, com exceção de “Noé” (Gn 5:29). “Matusalém” (Gn 5:27), foi contemporâneo de “Adão” (Gn 2:7-20) por mais de 200 anos, e de “Noé” (Gn 5:29), por cerca de 600 anos. “Enoque” (Gn 5:22), que andou com Deus, foi contemporâneo de Adão por cerca de 300 anos, e de “Noé” (Gn 5:29), por igual período, e assim, a verdade e revelação de Deus que dispunham, foi passada adiante por um período de 1656 anos. Christian Treasury Volume 5 – Dez/90 voltar ao Índice DEU TUDO Charles T. Studd, foi um dos maiores jogadores de cricket da Inglaterra; seu sucesso e popularidade só cresciam. Ele planejava devotar sua vida àquele esporte. No entanto, ele encontrou o Senhor Jesus Cristo um dia, e curvou-se a Ele como seu Senhor e Salvador. Isso mudou completamente toda sua vida. Ele conheceu o Senhor Jesus Cristo quando estudava no Trinity College em Cambridge, Inglaterra. Após sua conversão, ele leu um artigo escrito por um ateu, e aquele artigo serviu para aguçar ainda mais a realidade de sua fé. O escritor declarava simplesmente que se cresse naquilo que os Cristãos professavam crer, ele daria tudo para colocar em prática a sua fé. "Pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória…" (Fp 3:8), escreveu o escritor ateu. "Eu consideraria que iria valer a pena uma vida de sacrifícios para ganhar uma alma para o céu…" eu sairia por todo o mundo pregando, quer fosse oportuno ou não, e minha mensagem seria: "Que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?" (Mc 8:36). O raciocínio daquele escritor ateu marcou Charles T. Studd de uma maneira tão convincente, que ele decidiu viver uma vida em conformidade com aquilo que professava crer. A fama e as riquezas que lhe pertenciam foram trocadas por uma vida cheia de frutos como missionário na China e na África. O que aconteceria, meu amigo, se nós também nos determinássemos a viver uma vida compatível com aquilo que cremos? The Christian Newsletter nº 125 voltar ao Índice PENSAMENTOS Se Você Quiser Se você quiser ser miserável, olhe para dentro de si. Se você quiser ser distraído, olhe ao seu redor. Se você quiser ser feliz, olhe para cima! O teste para qualquer ministério é: "Porventura leva o coração a se ocupar com Cristo?" Caminhamos sobre terreno perigoso todas as vezes que formulamos alguma doutrina baseada no Antigo Testamento, sem que haja suporte no Novo Testamento. Há quatro passos que levam o crente a escorregar para o “mundo”: Ter “amizade do mundo” (Tg 4:4); ser manchado pelo “mundo” (Tg 1:27); “amar o mundo” (1 Jo 2:15-17) e ser conformado “com este mundo” (Rm 12:2). Tome cuidado! (Hb 2:1). Há um "índice" onde podem ser lidos todos os assuntos de nosso coração: “(nossa) língua” (Tg 3:6). Se você não reconhecer o senhorio de Cristo, jamais encontrará o verdadeiro lugar de reunião. Uma pessoa é sábia se aprende com seus próprios erros, mas será mais feliz se aprender com os erros dos outros. Uma Bíblia que está caindo aos pedaços geralmente é de alguém que não está caindo aos pedaços. O diabo tem o maior prazer em arrumar a cama de quem vai dormir irado. A melhor maneira de cumprir o "irai-vos, e não pequeis" de Efésios 4:26; é não irar-se com nada a não ser com o pecado. Mostre-me um coração que está aguardando por Cristo, e eu lhe mostrarei um par de mãos ocupadas com Ele. “O fruto do Espírito” (Gl 5:22; Ef 5:9), não é algo que possamos produzir por nossas próprias forças. Somente a vida de Cristo em nós é que pode produzi-lo. As duas grandes atividades de um santo são a fé e o amor, e ambas são exercidas fora de mim mesmo: fé para confiar n'Aquele que me ama, e amor para servir àqueles que Ele ama. Dar ao Senhor, e em Seu nome a outros, não se trata de algo que nós fazemos; trata-se do resultado do que nós somos. Nos caminhos de Deus não há atalhos. "Eu nunca prego um sermão, sem pensar na possibilidade do Senhor usá-lo para chamar o último dos santos, que completará o número dos eleitos de Deus, e acarretará na volta do Senhor". D. L. Moody (1837-1899) voltar ao Índice

  • Palavras de Edificação 34

    (Revista bimestral publicada originalmente em Maio/Junho 1992) ÍNDICE A Cruz e a Glória Os Dez Mandamentos O Primeiro Mandamento Mosaico O Segundo Mandamento Mosaico O Terceiro Mandamento Mosaico O Quarto Mandamento Mosaico O Quinto Mandamento Mosaico O Sexto Mandamento Mosaico O Sétimo Mandamento Mosaico O Oitavo Mandamento Mosaico O Nono Mandamento Mosaico O Décimo Mandamento Mosaico A Humanidade sem Pecado do Senhor Jesus Cristo Sepultar ou Cremar os Mortos? Perguntas e Respostas (continuação nº 33) Quando Eu for Velho A Causa da Morte Tudo ou Nada Datas Bíblicas Pensamentos A CRUZ E A GLÓRIA No Novo Testamento Deus nos revelou duas verdades maravilhosas – a cruz e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Que assunto solene e bendito para ocupar nosso coração – a morte do Filho de Deus sobre a cruz do Calvário na Terra, e Sua glorificação à mão direita da Majestade nas alturas. Quão pouco nossa alma penetra nestas coisas tão preciosas, embora a glória de Deus, e o destino eterno de toda a raça de Adão, dependam delas. Sem a morte de Cristo não há salvação; e sem a ressurreição, a Sua morte teria sido em vão. A morte de Cristo foi o ato voluntário de um Homem perfeito, sem pecado e santo. A morte não tinha poder sobre Ele, pois a morte é o salário do pecado, “e n'Ele não há pecado” (1 Jo 3:5). E “o poder da morte” é de Satanás (Hb 2:14 – ARA). Mas Satanás não tinha poder algum sobre Ele. "Se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em Mim" (Jo 14:30). Mas Jesus entregou Sua vida para a glória do Pai, para a salvação do que era Seu, e para a redenção da criação. O fundamento de tudo isso foi perfeitamente estabelecido em Sua morte. Deus foi infinitamente glorificado, e o juízo pelo pecado foi suportado pelo Santo de Deus. Ele clamou, "Está consumado. E, …entregou o espírito” (Jo 19:30). Mas, no entanto, se tudo terminasse ali, a cruz demonstraria tão somente que o homem manifestou sua própria vontade contra o Cristo de Deus, e Satanás teria tido a vitória. Mas onde está o Senhor agora? Ele foi colocado na sepultura, porém Deus O ressuscitou de entre os mortos, e Lhe deu glória. A maior vitória do inimigo provou ser a sua maior derrota. A cruz está vaga, a sepultura está vazia, e Cristo está ressuscitado! A ressurreição de Cristo é o triunfo completo e eterno sobre todo o poder do inimigo. Toda a questão de pecado, pecados, Satanás, morte, julgamento, inferno, encontrou resposta na cruz. A ressurreição é o testemunho de Deus para todo o universo do fato que as Suas santas reinvindicações foram todas perfeitamente satisfeitas, de uma vez para sempre, e que Ele Se encontra infinitamente glorificado na obra de Seu Filho. Ele exaltou, à Sua destra, o bendito Homem que fez tal obra. Aquele que foi crucificado, é agora Aquele que está glorificado. A cruz foi trocada pelo trono. Jesus foi feito ambos: Senhor e Cristo. Bem cedo, toda criatura inteligente celebrará o Seu louvor, e O terá por digno como Homem em Seu lugar exaltado. Nunca devemos separar a glória da cruz. Se me ocupar somente com Cristo na cruz, e com minha morte com Ele ali, ficarei muito aquém de desfrutar a bênção e o privilégio que me pertencem como Cristão. Se estiver ocupado com Cristo em glória, e minha associação com Ele ali, e esquecer da cruz, irei me tornar altivo, e insensato em meu andar e caminho. O conhecimento do evangelho da glória de Cristo envolve a responsabilidade correspondente. Se Cristo, o Amado em glória, for a medida de minha aceitação diante de Deus, Cristo, e Cristo somente, será o padrão e o modelo para meu andar e caminho. Que Deus, em Sua rica graça, dê a cada amado leitor Cristão destas linhas para entrar cada vez mais em nossa maravilhosa posição diante de Deus, e a andarmos, em nossa vida e circunstâncias diárias, de modo digno de nosso elevado chamamento, até que contemplemos nosso Salvador face a face. E.H.Chater (1845-1915) Christian Truth Dez/84 voltar ao Índice OS DEZ MANDAMENTOS Seu conteúdo moral e sua aplicação para o cristão Amados Irmãos, tenho o propósito de considerar aqui o assunto dos dez mandamentos e sua aplicação moral para o Cristão. Mas antes vamos ler algumas passagens das Escrituras: "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2:16). “Porque eu pela lei estou morto para a lei, para viver para Deus” (Gl 2:19). “Todos aqueles pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo vivera da fé. Ora a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá” (Gl 3:10-12). “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14). A razão pela qual lemos estes versículos é a seguinte: ao considerar o assunto dos dez mandamentos, é possível que alguns pensem que vou aplicá-los de uma maneira legalista como se nós, nesta dispensação da graça de Deus, estivéssemos sob a lei. Não! Nós estamos sob a graça – a pura graça soberana – não há nada legalista nela. Lemos no capítulo 20 de Êxodo a augusta lei de Deus, "as dez palavras" (Êx 34:28 – ARA) dadas aos filhos de Israel, por meio de Moisés, no monte Sinai. Nosso propósito é identificar a que correspondem essas "dez palavras" no Novo Testamento. Dos dez mandamentos, oito são negativos e dois positivos; nove de caráter moral e um cerimonial. A natureza de Deus é imutável e, como consequência, vemos que os nove mandamentos que são essencialmente de caráter moral têm seu correspondente no cristianismo. Vamos procurar identificá-los. O Primeiro Mandamento Mosaico O primeiro mandamento se encontra em Êxodo 20:3: "Não terás outros deuses diante de Mim". Este encabeça a lista; e, é fundamental. Era um elemento essencial da dispensação judaica, e a revelação Cristã preserva esta verdade inviolada. Lemos em 1 Coríntios 8, no final do versículo 4, "que não há outro Deus, senão um só". Quão clara e inequívoca é esta afirmação! Vamos ler o versículo 6: "Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de Quem é tudo e para Quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo Qual são todas as coisas, e nós por Ele". Então, quando uma "testemunha de Jeová" vier à sua porta para desafiá-lo quanto à fé que você professa de Cristo como sendo Deus, leia para ele 1 Coríntios 8:4-6. Confessamos a um só Deus, mas aprouve Àquele um só Deus revelar-Se em três Pessoas. Filipe rogou ao Senhor Jesus: "Senhor, mostra-nos o Pai". Quão maravilhosa foi a resposta do nosso Senhor! "Quem Me vê a Mim vê o Pai… estou no Pai, e o Pai em Mim" (Jo 14:8-11). Vamos ler agora a primeira epístola de João, capítulo 5, versículo 20; "Sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em Seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna". Oh! quão preciso! Estas declarações são tão resplandecentes como um cristal; JESUS É DEUS. Sim, no cristianismo conhecemos a um só Deus. Às vezes Ele é manifestado como o Pai, às vezes como o Filho, e às vezes como o Espírito (compare com Atos 5:3-4). Assim, no Cristianismo, nos achamos de pleno acordo com o primeiro mandamento de Moisés: "Não terás outros deuses diante de Mim". O Segundo Mandamento Mosaico Voltando agora a Êxodo 20, lemos o segundo mandamento: "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na Terra, nem nas águas debaixo da Terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás: porque Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que Me aborrecem. E faço misericórdia em milhares aos que Me amam e guardam os Meus mandamentos" (Êx 20:4-6). "Não farás para ti imagem". Vamos agora ler 1 Coríntios 10:14: "portanto, meus amados, fugi da idolatria". Também o versículo 7: "Não vos façais pois idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar". Estamos vivendo numa época que se prepara para a chegada do "homem do pecado" (2 Ts 2:3). O mundo está prestes a mergulhar na mais terrível idolatria, como jamais se conheceu. Os próprios judeus se entregarão a uma idolatria sete vezes pior do que a que antes cometiam (Mt 12:43-45). As demais nações do mundo seguirão o mesmo caminho, e esta tendência já se vê hoje em dia. Você já notou o rápido aumento na comercialização de figuras e estatuetas nas mais diferentes lojas? Entre elas você encontrará réplicas exatas de ídolos pagãos. Percebe-se que tudo isso está promovendo a preparação de condições ideais para a adoração de ídolos e a adoração da imagem da besta (Ap 13). Quando o homem não se importa com Deus, com o verdadeiro “conhecimento de Deus” (Rm 1:28), como é revelado na Sua Palavra, logo cai na idolatria. Esta tem sido a história do homem. Por trás do aparentemente inocente ídolo de barro ou madeira, estão a presença e o sinistro poder de um demônio. Trata-se, verdadeiramente, de adoração a demônios. Compare 1 Coríntios 10:20 e veja também Apocalipse 9:20. Encontramos, assim, no capítulo 10 de 1 Coríntios uma solene admoestação para que nós, Cristãos, fujamos de qualquer coisa que possa ter a aparência de idolatria. Ajoelhar-se diante de imagens não tem nenhum lugar no Cristianismo. Isto que afirmamos está de pleno acordo com o segundo mandamento. O Terceiro Mandamento Mosaico Novamente voltemos a ler Êxodo 20; e desta vez o versículo 7: "Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão". Vamos ler Tiago 5:12: "Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela Terra nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação". Quão plenamente isto comprova o terceiro mandamento mosaico! Vamos detalhar um pouco mais este assunto. Não acredito, que entre meus leitores, esteja alguém que tome deliberadamente o nome do Senhor em vão; mas notemos que Tiago trata deste assunto como mais do que uma mera proibição, exortando-nos a que "a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação". Com isto diante de nós, qual de nós pode dar-se por inocente? Para poder alcançar plenamente a vitória no assunto de obediência à Palavra de Deus, precisamos fazer da oração de Davi nossa súplica diária: "Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação de meu coração perante a Tua face, Senhor. Rocha minha e Libertador meu!" (Sl 19:14). Penso, especialmente, naqueles que são jovens e na formação de seu vocabulário. Convém, enquanto jovem, eliminar totalmente do vocabulário toda palavra agressiva, rude ou profana. Nunca permita que tais palavras sejam ouvidas em sua boca. Preste atenção a esta exortação da Palavra de Deus. Devemos conservar o nosso falar limpo e puro, no lar, na escola, no trabalho, para que o mesmo possa ser aprovado perante o tribunal de Cristo. O Quarto Mandamento Mosaico "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar" (Êx 20:8). Tenho que confessar que não pude encontrar coisa alguma que pudesse ser o correspondente a este mandamento no Cristianismo. Não existe. Lembremo-nos de que a palavra "shabbat", que significa "repouso", é usada pela primeira vez em Êxodo 16:23, com relação ao recolhimento do maná pelos filhos de Israel. Não era para ser recolhido no sábado, o sétimo dia. Este dia foi designado como um dia de descanso. Mas quando entramos na dispensação Cristã, ou economia Cristã, se preferir, não encontramos nenhuma instrução para que se observe tal dia. Há apenas uma menção ao "shabbat" em todo o conjunto de epístolas do Novo Testamento: "Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados" (Cl 2:16). Mas preste atenção para a declaração qualificativa do versículo 17: "Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo". Evidentemente, a única razão de se ter mencionado o sábado foi para mostrar que ele não faz parte da revelação Cristã. Pelo contrário, mostra que foi somente uma sombra do que havia de vir. Porém, quanto ao nosso dia de repouso, sabemos que Hebreus 4:9 diz: "Portanto resta ainda um repouso para o povo de Deus". Não podemos dizer que o "shabbat" (o descanso) foi trocado pelo domingo. O "shabbat" sempre foi o sétimo dia da semana; o domingo é o primeiro dia da semana e, assim sendo, nunca poderia ser o "shabbat". Nós Cristãos esperamos nosso dia de repouso que será quando o Senhor nos levar à casa de Seu Pai, para que descansemos em Seu amor. O descanso está no final de uma jornada. Alguém poderá fazer a seguinte pergunta: "E quanto ao dia do Senhor, o primeiro dia da semana; esse não seria o nosso dia de repouso?". Deveremos responder, "Não!". Então qual é o lugar que o domingo deve ocupar em nossas vidas? Porventura a própria expressão, "o dia do Senhor", não responde a esta pergunta? Este dia pertence ao Senhor; e devemos usá-lo para Ele. É o dia em que nos reunimos para partir o pão. O termo "o dia do Senhor" aparece no original apenas uma vez na Bíblia; em Apocalipse 1:10. A palavra em grego aqui, pode ser traduzido como "dominical" (NT.: Em Apocalipse 1:10 a palavra grega é kuriakos, que aparece 2 vezes apenas na Escritura, e significa “pertencente ao Senhor”. Em latim é dominica, significando “dominical”. Assim, o “dia do Senhor” aqui refere-se ao “dia dominical” – o domingo. A outra utilização dessa palavra é em 1 Coríntios 11:20, referindo-se à “ceia dominical”). Poderíamos traduzir o versículo da seguinte forma: "Eu fui arrebatado em espírito no dia dominical". Encontramos também a mesma palavra grega no texto relativo à “ceia do Senhor” (1 Co 11:20), ou, como deveria ser chamada, a ceia dominical. Acaso não é significativo que o único uso desta palavra grega "dominical" no Novo Testamento esteja conectado à ceia e ao dia? Portanto celebra-se a “ceia do Senhor”, no “dia do Senhor”. “O dia do Senhor” se distingue definitivamente dos demais dias por várias passagens bíblicas. Nosso Senhor Jesus ressuscitou de entre os mortos “no primeiro dia da semana” (Lc 24:1; Mc 16:9); Ele apareceu aos Seus discípulos neste dia; tornou a aparecer a eles no segundo dia do Senhor depois de Sua ressurreição. Notamos que o Espírito Santo desceu no “dia de Pentecostes” (At 2:1), que era também o “primeiro dia da semana”. Os discípulos se reuniram para “partir o pão… no primeiro dia da semana” (At 20:7). O apóstolo exortou aos Coríntios que cada um separasse sua oferta para os santos pobres “no primeiro dia da semana” (1 Co 16:2). Todas estas passagens demonstram que no Cristianismo “o primeiro dia da semana” remove totalmente o "shabbat" judaico. Quão impróprio seria que “a Igreja de Deus” (At 20:28; 1 Tm 3:15; 1 Co 10:32;…), celebrasse como seu dia aquele durante o qual seu Senhor e Salvador esteve sob o poder da morte e do sepulcro! Mas quão glorioso é nos reunirmos “no primeiro dia da semana”, o dia de Sua vitória sobre o sepulcro! Quão doce e precioso é dar-Lhe este “primeiro dia da semana”, o Seu dia! Gostaria de dizer algo aos que são jovens. Me entristeço ao ver que muitos estão empregando o dia dominical para as habituais tarefas cotidianas. Talvez você me diga que não pensaria em sair de casa “no dia do Senhor” para cortar a grama do jardim, ou, talvez, para lavar roupa neste dia. Mas vamos dar uma olhada dentro de casa. Você talvez seja um estudante, e isto é perfeitamente correto e faz parte de sua vida. E espero que esteja indo bem com suas tarefas escolares. Mas – preste atenção – será que suas tarefas escolares são tão importantes ao ponto de impedi-lo de dispor apropriadamente “o dia do Senhor” a Ele, a Quem o dia pertence? Talvez você responda: – Se eu não estudar “no dia do Senhor”, não conseguirei tirar a nota que preciso. Talvez não, mas ainda assim, o que é mais importante para você, uma boa nota ou a aprovação do Senhor? Procuremos, pela graça de Deus, dar ao Senhor o Seu dia. Talvez algum jovem me pergunte: – Bem, como então hei de empregar “o dia do Senhor”? Eu sei como alguns de nossos queridos jovens irmãos e irmãs empregam o tempo disponível “no dia do Senhor”. Aproveitam várias oportunidades para evangelizar, em visitas a hospitais e outras instituições para distribuir folhetos e falar às pessoas individualmente acerca do Senhor ou em pregações ao ar livre. Outros, fazem isto em visitas aos doentes e aos encarcerados. Há, ainda, alguns que dedicam uma parte “do dia do Senhor” para escrever cartas de encorajamento a seus amigos Cristãos, ou talvez a seus parentes e amigos inconversos, enquanto outros se ocupam em empacotar literatura Cristã para ser enviada pelo correio, àqueles que possam ter suas almas auxiliadas por algum folheto ou livreto. Não; não há nenhum sábado, nenhum dia de repouso para os Cristãos, senão um dia em que podemos estar livres para servirmos ao Senhor. Que o Senhor nos dê uma consciência terna, para que esse dia seja verdadeiramente o dia que pertence a Ele. O Quinto Mandamento Mosaico "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá" (Êx 20:12). Comparando este mandamento com Efésios 6:2-3, vemos que ele é citado palavra por palavra. No Cristianismo não se espera menos dos filhos do que era exigido pela lei. Quão bendito é vermos os filhos de pais Cristãos procurando colocar em prática este pedido da Palavra de Deus, conforme é dado aqui na epístola aos Efésios. Eles jamais terão ocasião de se lamentar por terem procurado dar a seus pais esta posição de respeito. Deus não lhes será devedor; pois colherão a Sua benção em suas próprias vidas. O Sexto Mandamento Mosaico "Não matarás" (Êx 20:13). Lemos agora em 1 Pedro 4:15: "Que nenhum de vós padeça como homicida". A padrão divino de Deus quanto a tirar a vida de outro ser humano não é menos estrita sob a revelação Cristã do que o foi sob o Judaísmo. Não se pode tolerar o homicídio na dispensação Cristã. O Sétimo Mandamento Mosaico O próximo na sequência é o bem conhecido sétimo mandamento: "Não adulterarás" (Êx 20:14). Lemos em Hebreus 13:4: "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará". Logo em 1 Co 6:9-11: "Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus". Antes de sua conversão a Deus, alguns daqueles santos de Corinto, aos quais Paulo estava escrevendo, haviam violado o divino código moral. Mas não é maravilhoso que Deus tenha encontrado, por meio do sacrifício de Seu amado Filho no Calvário, um modo de limpar a mais vil de toda mancha do pecado, e fazer dele um filho de Deus? Somos santificados, separados para Deus, justificados – considerados como se nunca houvéssemos sido culpados. Eu gosto de recordar a definição dada por uma menina para o termo "justificado". Quando sua professora lhe perguntou qual o significado da palavra, ela respondeu usando algumas partes da própria palavra: "Significa que sou JUSTa como se nunca tivesse peCADO." Ela estava certa. É assim que Deus nos vê. Repare que no versículo 11 toda a Trindade Se ocupa nesta questão: "mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus". Não obstante, jamais consideremos levianamente a gravidade da imoralidade diante dos olhos de Deus. Ele não mudou nem um pouco Sua atitude desde a Sua solene declaração feita no Sinai. Escutemos hoje Sua admoestação: "aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará" (Hb 13:4). Estamos vivendo os últimos dias, muito próximo do fim da presente dispensação da graça de Deus. Existe um abandono universal dos padrões de moralidade. Alguns de nós que somos mais velhos temos presenciado uma mudança tremenda durante nossa vida. Talvez alguns daqueles que são mais jovens abriguem a idéia de que a atual falta de moralidade sempre existiu tal como é no dia de hoje. Não é este o caso. Não digo que esses pecados não se cometiam; sim, foram cometidos, mas antigamente havia uma medida de censura pública contra os tais, e aqueles que os cometiam eram considerados como pessoas que caíam em desgraça. Mas agora, se aceitarmos "Hollywood" como norma, tais violações do código moral são quase consideradas como insígnias de honra. Esses heróis e heroínas de Hollywood não perdem sua aceitação nos círculos sociais por causa de sua conduta. Mas, queridos jovens, lembrem-se enquanto vocês viverem, de que os padrões divinos de Deus nestes assuntos não se modificam nem um pouco sequer. Ele é o Deus três vezes Santo, que não deixa o pecado impune. Irmãos, que não baixemos os marcos delimitadores nestes assuntos. Mantenhamos as padrões divinos exatamente como Deus os estabeleceu, e nunca erraremos. Quanto mais tempo permanecermos neste mundo, mais difícil será para nos mantermos fiéis aos desígnios de Deus neste assunto tão solene. Deus continua a falar com toda a autoridade e dignidade de Quem conhece o fim desde o princípio. Sua admoestação é: "Foge destas coisas" (1 Tm 6:11). O Oitavo Mandamento Mosaico "Não furtarás" (Êx 20:15). Vamos ler agora Efésios 4:28: "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade". O roubar se condena tanto na dispensação Cristã como na Judaica. A Igreja em Éfeso havia recebido a verdade mais elevada que Deus jamais havia entregado a assembléia alguma. Deve ter havido uma condição tal que os qualificava para que fossem os depositários de tão maravilhosa verdade. Mas ainda assim, após os assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, Deus tem que descer o teor da epístola ao nível humilhante da carne que havia neles, e passar a falar-lhes a respeito do ato de roubar. Tal é o homem! A lei só fez a proibição: "Não furtarás". Mas o Cristianismo sobrepuja a isso e insiste que devemos trabalhar, fazendo o que é bom, para podermos dar ao que padece necessidade. Quão formoso! Porém note-se, é o fazer o que é bom. Ganhar o pão com o trabalho não é por si só fazer o que é bom. Será que você está fazendo o que é bom, isto é, aquilo que tem a aprovação de Deus? Conhecíamos um irmão em Cristo, que agora já está com o Senhor, que antes de se converter era balconista em um bar. Ganhava seu pão cotidiano honestamente com seu trabalho. Mas depois de entregar-se ao Senhor, se deu conta de que não fazia o que era bom; buscou outro emprego e o achou. Não roubamos, é o lado negativo. Para que tenhamos o que dar, façamos o que é bom; este é o lado positivo no Cristianismo. Você sabe que a Palavra de Deus fala dos “pobres… santos” (Rm 15:26); e que não há nada que possa ser considerado biblicamente incoerente nestas duas palavras: "pobres" e "santos". Então tenhamo-las presentes em nossa memória para assim cumprirmos a vontade de Deus. O Nono Mandamento Mosaico "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êx 20:16). O que equivale a isto, encontra-se em Efésios 4:25: "Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo". Notemos também em Romanos 13:9-10: "Não darás falso testemunho… O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor". A demanda Cristã neste assunto é igual à da lei, porém sobrepuja em muito as exigências da lei, e manifesta o amor ao próximo. O Décimo Mandamento Mosaico "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma do teu próximo" (Êx 20:17). Agora vamos ler Hebreus 13:5: "Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque Ele disse: não te deixarei, nem te desampararei". O décimo mandamento foi o que matou o apóstolo Paulo. Ele parecia ser capaz de atender aos outros nove, mas reconheceu: "eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás… Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou" (Rm 7:7-11). Paulo descobriu o que todos nós descobrimos: que cobiçar é tão natural quanto respirar. Porém a verdade revelada do Cristianismo condena a cobiça não menos severamente do que o fez a lei de Moisés. Quantas tragédias funestas temos visto entre os santos de Deus, que sacrificaram tudo para prosperar neste mundo! A cobiça é egoísmo. "Contentando-vos com o que tendes". Isto, obviamente, não quer dizer que se você está vivendo hoje em pobreza, terá que viver sempre nela. Não, não se trata disso; o significado desta exortação é que deveríamos nos sujeitar às nossas circunstâncias, e estarmos contentes nelas até ao tempo quando aprouver a Deus alterá-las. Em outras palavras, não fique o tempo todo a se lamentar porque as coisas não estão como você gostaria que fossem. Não viva gemendo e reclamando; esteja contente. E se aprouver a Deus melhorar suas circunstâncias atuais, dê-Lhe graças por isso. "Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isto contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, oh homem de Deus, foge destas coisas" (1 Tm 6:6-11). Quão verdadeira é a Palavra de Deus! Não temos visto todas estas afirmações das Escrituras confirmadas na vida dos santos? Às vezes nossos jovens acham que devem buscar alcançar o nível de vida que vêem nos outros. O resultado disso é a cobiça de uma coisa após outra. A verdade é, que o fato de, vivermos na época mais próspera que o mundo jamais conheceu, tem contribuído para acelerar o desejo de querermos sempre mais. Quanto mais tivermos, mais vamos querer ter. Não há limite. Mas, quão diferente é o Espírito de Cristo! O espírito d'Ele é de dar, e não o de receber. Assim nos ensinou: "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (At 20:35). Porém, não estou dizendo que devemos dar tudo o que temos. Houve apenas um homem, que é mencionado na Bíblia, a quem o Senhor deu esse conselho – o jovem rico de Lucas 18. E disse isso para que ele se desse conta do câncer que lhe corroía a própria alma – a cobiça. Não, irmãos, as possessões terrenais não constituem o segredo da felicidade. A felicidade é um estado de espírito. É o desfrutar de Cristo, Sua Pessoa e Sua Obra, que conserva o coração em descanso e paz. Tenho encontrado pessoas, santos de Deus, que nada possuem das coisas deste mundo, e ainda assim irradiam felicidade. Eles têm a Cristo. Em resumo, no Cristianismo não estamos sob a lei, porém sob a graça. Não estamos sob a letra dos dez mandamentos. Estamos sob o seu equivalente moral ensinado nas Epístolas, exceto no caso do único mandamento que era cerimonial; ou seja, o “shabbat”. Não existe nada que tenha o seu equivalente no Cristianismo. Os outros nove mandamentos – quanto ao seu conteúdo moral – nós os temos, mas não na forma de "fareis" e "não fareis". Mas, como a expressão da nova natureza que temos, como nascidos de Deus. Jamais nos lamentaremos se assim os respeitarmos. Será para nosso bem agora e por toda a eternidade. “Para que a justiça da lei se cumprisse em nós” (Rm 8:4); assim o fruto do Espírito será produzido em amor para com Deus, e para com todos que são nascidos de Deus. "O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13:10). C. H. Brown (1884-1973) voltar ao Índice A HUMANIDADE SEM PECADO DO SENHOR JESUS CRISTO "Porque n'Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Cl 2:9). "Para que em tudo tenha a preeminência" (Cl 1:18). Antes de começarmos a falar em detalhes acerca deste assunto tão importante que é a Humanidade sem pecado do Senhor, é importante que chamemos a atenção para a glória de Sua bendita Pessoa. Ele é o “Verbo” eterno (Jo 1:1). Ele é o “Filho unigênito, que está no seio do Pai” (Jo 1:18). Ele é Aquele por meio de Quem todas as coisas foram criadas e é Quem sustenta “todas as coisas, pela Palavra do Seu poder” (Hb 1:2-3). Ele foi o “deleite” do Pai desde a eternidade (Pv 8:30 – JND), e “todos os anjos” são convocados a adorá-Lo como Homem (Hb 1:6). Os sábios do oriente também se prostraram, e “O adoraram”, como Criança (Mt 2:11). Tendo estes pensamentos em mente, certamente, torna-se algo solene falar de Sua perfeita humanidade e devemos fazê-lo como adoradores, "levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo" (2 Co 10:5). O mistério de Sua gloriosa Pessoa está além da compreensão humana, como diz a Palavra: "Ninguém conhece o Filho, senão o Pai" (Mt 11:27). Portanto, uma vez que sabemos apenas aquilo que nos tem sido revelado pela Palavra, é importante que não nos aventuremos além das Escrituras da verdade, seja em nossos pensamentos, seja em nossos comentários acerca d'Ele. Agora vamos, primeiramente, notar o que as Escrituras nos dizem acerca do primeiro homem, Adão, em inocência no jardim do Éden. Ele não tinha o conhecimento do bem e do mal antes de haver pecado, mas encontrava-se simplesmente num lugar de obediência (Gn 2:16-17). Quando foi criado, Adão não tinha uma natureza caída, tampouco tinha ele uma natureza santa, pois a santidade é a aversão ao mal e o deleitar-se no bem. Ele tinha uma natureza inocente, e isto ele perdeu com a queda – para nunca mais a recuperar, pois foi expulso do Éden, para nunca mais voltar (Gn 3:22-24). Os bebês que agora nascem neste mundo não nascem com uma natureza inocente, mas com uma natureza caída (Sl 51:5). Quando chegou o tempo do Senhor Jesus nascer, conforme a promessa, a mensagem dada a Maria, a virgem, foi: "Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Lc 1:35). Ele não era inocente, ou sem o conhecimento do bem e do mal; Ele era e é Santo. Ele é o Filho de Deus. Ele é o "Cordeiro sem defeito e sem mácula" (1 Pe 1:19 – ARA). As Escrituras afirmam: "Nele não existe pecado" (1 Jo 3:5 – ARA) – isto é, não existe a natureza pecaminosa (N.T.: “Nele o pecado não está” – JND). Ele podia dizer: "Se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em Mim" (Jo 14:30). O Senhor Jesus, bendito seja Seu nome, tinha somente uma natureza santa como Homem neste mundo, assim como Ele era Santo desde a eternidade (Hb 13:8; Sl 111:9). Nós, que fazemos parte da raça de Adão, somos todos nascidos “em pecado” (Sl 51:5; Tg 1:14), e temos dentro de nós uma natureza caída. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3:6). É, portanto, necessário para o homem nascer de novo para estar apto para o reino de Deus. A vida que Deus nos dá quando nascemos de novo é a vida do próprio Cristo; por isso lemos "Cristo que é a nossa vida" (Cl 3:4). Nos é dito que esta vida (chamada de "o novo homem") "é criado em verdadeira justiça e santidade" (Ef 4:24). Lemos também que "qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a Sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus" (1 Jo 3:9). Estas passagens deixam, portanto, bem claro que Deus comunica ao crente a vida de Cristo que é criada em justiça e verdadeira santidade, e que não pode pecar. Todavia, encontramos em nossos dias aqueles que, embora devessem ser claros com respeito à Pessoa de Cristo, ensinam a terrível doutrina de que Cristo poderia pecar, embora esses mesmos reconheçam que Ele não o tenha feito. Até mesmo o pensamento disso causa uma profunda tristeza no coração daqueles que O amam e adoram como Deus Filho. Um versículo que é usado erroneamente para apoiar tal ensino é Hebreus 4:15, onde lemos: "Porque não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado". Acontece que, na realidade, este versículo nega enfaticamente o pensamento de que Cristo poderia pecar. Esta passagem existe para nos mostrar que o Senhor Jesus, como um Homem perfeito, sentiu plenamente tudo aquilo que um homem justo poderia sentir neste mundo de pecado, embora Ele próprio fosse "sem pecado" (ou "à parte do pecado" – JND; "com exceção do pecado" – VC Bíblia de Jerusalém). Ele sentiu fome, sede, cansaço e opróbrio, embora em Si mesmo fosse perfeitamente Santo. Quando o diabo veio a Ele, como aconteceu na tentação no deserto, não houve, dentro do Senhor, uma resposta à tentação, pois "n'Ele não há pecado" (1 Jo 3:5). Quando Ele Se recusou a transformar as pedras em pães sem uma ordem de Seu Pai, Ele continuou a sentir fome pois Ele era um Homem perfeito, e desta maneira "Ele mesmo, sendo tentado, padeceu" (Hb 2:18). Isso não sugere, por um momento sequer, que houvesse qualquer tendência n'Ele para desobedecer a Seu Pai. Ele tomou o lugar de um homem, e assim “aprendeu”, o quanto custa, “a obediência” (Hb 5:8). Alguns afirmam que a palavra "tentado" perde o seu significado se não implicar a possibilidade de pecar. No entanto, tal afirmação é contrária às Escrituras e uma terrível desonra a Deus, pois as Escrituras não somente falam do Senhor Jesus como Homem sendo tentado, mas também que os homens tentaram a Deus nos tempos do Antigo Testamento (Sl 95:8-9). Porventura isto sugere que Deus poderia pecar? Que possamos ser guardados de tal desonra à Divindade. Nenhum verdadeiro filho de Deus poderá acalentar tal pensamento, a menos que não tenha compreendido a desonra que é para Deus e para o Seu Filho uma doutrina tão terrível. Como poderíamos descansar sobre Sua Palavra para nossa salvação se fosse assim? Graças a Deus que nos é dito que "é impossível que Deus minta" (Hb 6:18). Portanto, a tentação do Senhor Jesus foi apenas para provar Quem Ele era como Homem aqui. Satanás foi ao primeiro homem, com suas tentações. Adão, e Adão cedeu; ele caiu. Satanás veio, então, com suas tentações ao Segundo Homem – “o Senhor é do céu” (1 Co 15:47) – mas encontrou Alguém aqui que tinha somente uma natureza santa e que respondeu a todas as tentações como um homem em completa dependência o faria; pela Palavra de Deus. Quando nós, como Cristãos possuindo a vida de Cristo, respondemos com a Palavra de Deus às tentações de Satanás, nós vencemos também. Infelizmente, entretanto, ainda temos a velha natureza caída tanto quanto a nova vida, e por isso é possível cedermos. "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência" (Tg 1:14). Este versículo não se aplica ao Senhor Jesus pois Ele é Deus e, portanto, lemos "Deus não pode ser tentado pelo mal" (Tg 1:13). Alguns poderão aludir ao que o Senhor Jesus disse a Seu Pai no Jardim do Getsêmani: "Não se faça a Minha vontade, mas a Tua" (Lc 22:42). Agora, isto é muito precioso quando visto à luz do seu verdadeiro significado. O Senhor Jesus, sendo O Santo, recuou daquele lugar onde seria feito pecado, onde Ele estava naquelas três horas de trevas (2 Co 5:21). Mas Ele era o perfeito Obediente, que veio para fazer a vontade de Seu Pai a qualquer custo. Vemos aqui a luz e o amor brilhando em todo o seu resplendor – o Senhor Jesus abominando o pecado, pois o pecado era tão contrário à Sua santa e bendita vontade, mas, em amor e obediência, fazendo a vontade de Seu Pai ao ir até a cruz para sofrê-la para que Deus pudesse ser glorificado e o pecado pudesse ser removido para sempre. Em vez de tentarmos sondar o divino mistério da Pessoa do Senhor Jesus, que era Deus perfeito, e Homem perfeito, prostremo-nos em adoração como os sábios de outrora. Há duas coisas, claramente, ensinadas nas Escrituras: primeiro, a completa ruína do primeiro homem pela queda, resultando que seu desejo é inimizade contra Deus; e segundo, que Deus começa de novo, com Seu bendito e santo Filho, o Senhor Jesus Cristo, e Seu desejo era somente fazer “a vontade do (de Seu) Pai” (Mt 21:31; Jo 5:30; Jo 6:39). Quando Deus começa uma obra na alma de um homem, Ele lhe dá primeiro uma nova vida, e tudo aquilo que é aceitável e agradável a Ele flui daquela nova vida. "Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus" (Jo 1:13). "Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8:8). Se estamos esclarecidos quanto à gloriosa Pessoa do Senhor Jesus, em Quem toda a plenitude da Divindade teve o prazer de habitar, e quanto às duas naturezas no crente, seremos, sem dúvida alguma, guardados do horrível erro que é negar a humanidade sem pecado do Filho de Deus. Que o Senhor possa guardar o coração e a mente do Seu povo, nestes dias de provações, de tudo e todos que atacam a Pessoa ou a obra do Seu amado Filho. G. H. Hayhoe (1911-2003) voltar ao Índice SEPULTAR OU CREMAR OS MORTOS? Chegou-nos um pedido para escrever alguma coisa sobre cremação. Qual é o pensamento de Deus para este assunto? O costume entre os Israelitas era de sepultar os mortos, havendo até mesmo instruções na lei quanto ao sepultamento de um criminoso; “O seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia:porquanto o pendurado é maldito de Deus: assim não contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança” (Dt 21:23). A importância do sepultamento é acentuada em Eclesiastes 6:3: "Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos e se a sua alma se não fartar do bem, e além disso não tiver um enterro, digo que um aborto é melhor do que ele". No Novo Testamento vemos que quando Herodes decapitou a João, os discípulos de João "levaram o corpo, e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus" (Mt 14:12). Profeticamente, foi escrito acerca do Senhor Jesus que esteve "com o rico na sua morte" (Is 53:9). Vemos isto ternamente cumprido por José de Arimatéia e Nicodemos. "Tomaram pois o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro. E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto. Ali pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus" (Jo 19:40-42). No início do período Cristão no livro de Atos, notamos que as primeiras três pessoas que morreram foram sepultadas. As duas primeiras foram Ananias e Safira; “E, levantando-se os mancebos, cobriram o morto, e transportando-o para fora, o sepultaram.… E logo caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os mancebos, acharam-na morta, e a sepultaram junto de seu marido” (At 5:6,10). Então, em Atos 8:2, vemos que "uns varões piedosos foram enterrar Estêvão". Vemos, portanto, que a prática Cristã é sepultar, e não cremar, os mortos. Em nítido contraste a isso, o versículo em Amós 2:1 chama nossa atenção: "Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Moabe, e por quatro, não retirarei o castigo, porque queimou os ossos do rei de Edom, até os reduzir a cal". Essa extrema expressão de ódio de um contra o outro, atraiu o castigo de Deus. Vemos também que o próprio Deus, no julgamento final da besta, a entrega para ser queimada (Daniel 7:11; Apocalipse 19:20). Todo crente pertence a Deus, pois a Palavra diz: "Não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (1 Co 6:19-20). A esperança do crente, é a vinda do Senhor, para nós enquanto ainda estamos vivos. Todos os crentes que morreram serão ressuscitados e nós seremos transformados, conforme nos é dito em Filipenses 3:20-21: "Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas". Aprendemos, então, que este corpo que Deus nos deu para viver é precioso para Deus – pertence a Ele – e deveremos tratá-lo cuidadosamente e respeitosamente, tanto enquanto vivermos, como também na morte. Os ímpios tentam, com frequência, fugir de Deus e do juízo vindouro ao recomendar que seus corpos sejam queimados, e as cinzas sejam espalhadas pelo oceano. Tudo em vão. Nosso Salvador, como Filho do Homem, é apresentado no primeiro capítulo de Apocalipse como Juiz. Nos versículos 17 e 18 Ele diz: "Eu sou… o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte (o lugar onde está o corpo) e do inferno (hades, o lugar dos espíritos que partiram)" (Ap 1:17,18). Ele usará essas chaves primeiro na ressurreição do justo e então, mais tarde, na ressurreição do injustos; “há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos” (At 24:15). Não estamos sob a lei, mas sob a graça. Deus nos tem revelado o Seu pensamento tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. A maneira apropriada de se tratar o corpo é o sepultamento, e não a cremação. C. Buchanan (1917-2012) Christian Treasury – Dez/1990 voltar ao Índice PERGUNTAS E RESPOSTAS Continuação nº 33 P: O que dizem as Escrituras quanto ao estado da alma do crente após a morte, e antes da vinda do Senhor? Porventura, aqueles que "dormem em Cristo" podem vê-Lo agora, ou não poderão fazê-lo até que o corpo e a alma sejam reunidos? R: "Morrer é ganho" disse o apóstolo (Fp 1:21). Portanto o crente leva vantagem com a morte do corpo. Se o estado de separação do corpo e da alma fosse meramente um sono da alma, como poderia o apóstolo ter usado tal expressão? Certamente, ele teria preferido permanecer e trabalhar para o seu Senhor no corpo, do que cair no sono enquanto aguardasse por Seu retorno. No mesmo capítulo encontramos que "estar com Cristo" (Fp 1:23), é a condição de alguém cujo corpo dorme no pó; "É ainda muito melhor" (Fp 1:23). A expressão "em Jesus dormem" não dá o sentido correto de 1 Tessalonicenses 4:14 que é "dormem por meio de Jesus". A morte em si nos pertence, pois Jesus a anulou para nós. Nós já morremos na Sua Pessoa. Quando, por conseguinte, o corpo morre, nos é dito apenas que ele foi posto a dormir por meio de Jesus. Deixamos o nosso tabernáculo terrestre, e o resultado é “habitar com o Senhor”, pois "temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor" (2 Co 5:8). Certamente tal palavra ou pensamento jamais seria compatível com um mero dormir. "Habitar com o Senhor" é, com certeza, ganho. O crente, estando já morto e ressuscitado (“em Cristo Jesus” – Ef 2:6), tem agora a morte como sua amiga. Quanto a vermos o Senhor enquanto estivermos fora do corpo, lemos no registro do rico e Lázaro (Lucas 16:19-31), que aquele "viu ao longe Abraão" (Lc 16:23), e essa linguagem foi usada pelo Senhor ao falar do estado da alma separada do corpo. Paulo diz, "Não vi eu a Jesus Cristo Senhor nosso?" (1 Co 9:1). Por que iria então sua passagem para fora do corpo impedi-lo de ver ao Senhor? O Senhor teve que abrir os olhos de Seus discípulos para que O reconhecessem após haver ressuscitado. Ainda que nosso corpo pudesse impedir que enxergássemos um Jesus ressuscitado, acaso seria preciso um corpo transformado para que pudéssemos vê-Lo agora? Todavia o Senhor não achou apropriado dar todas as respostas. Sendo assim, busquemos ter, diante de nossa alma, a Ele e Sua vinda, como nossa esperança e gozo. Scripture Notes and Queries F. G. Patterson (1832-1887) voltar ao Índice QUANDO EU FOR VELHO Senhor, Tu sabes, melhor do que eu, que os anos estão se passando, e logo serei um velho. Quando isto acontecer, guarda-me de tornar-me um tagarela, e guarda-me, principalmente, do terrível hábito de pensar que devo sempre dar a minha opinião, a respeito de todo assunto, e em qualquer ocasião. Livra-me do extremo desejo, de pôr ordem nos negócios alheios. Conserva minha mente livre de ficar recitando detalhes sem fim e, em qualquer conversa, dá-me asas para voar direto ao ponto que interessa. Rogo por graça suficiente, para ouvir as histórias das dores de meu próximo. Ajuda-me a suportá-las com paciência. Mas não permita que saia de meus lábios nenhuma palavra acerca de meus próprios sofrimentos e de minhas dores. Estas estão aumentando, e meu prazer em ficar falando delas aos outros aumenta à medida em que os anos passam. Não ouso rogar por uma memória eficaz, mas peço que cresça em mim a humildade e diminua minha oposição às gloriosas lições que tenho a aprender nas ocasiões em que eu possa estar errado. Conserva-me sensível e amável. Não quero me tornar um velho mal-humorado, o que é uma das obras-primas do diabo. Dá-me seriedade, mas não permita que eu me torne rabugento; torna-me prestativo, mas não permita que eu fique "mandão". Com a "vasta bagagem de sabedoria" que acumulei, pode até me parecer um desperdício não usá-la a todo momento, mas Tu sabes, Senhor, que eu gostaria de terminar minha vida tendo, pelo menos, alguns amigos… Dá-me a habilidade para enxergar coisas boas onde for menos provável, e talentos naqueles de quem menos espero. E dá-me, Senhor, a graça de dizer isto a eles. Amém" Autor Desconhecido The Christian Newsletter voltar ao Índice A CAUSA DA MORTE As Escrituras apresentam três razões para a morte física de um Cristão: 1. Um Cristão pode morrer porque sua obra está terminada. Paulo podia dizer: "O tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" (2 Tm 4:6-7). Pedro escreveu: "Sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado" (2 Pe 1:14). A obra deles estava terminada. 2. Um Cristão pode morrer para a glória de Deus. Jesus disse a Pedro que ele seria martirizado, e que por sua morte ele glorificaria a Deus: “mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos; e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que a morte havia ele de glorificar a Deus” (Jo 21:18-19). Muitos mártires morreram para a glória de Deus. 3. Um Cristão pode morrer sob a disciplina de Deus. Paulo tinha uma recomendação de como deveria ser tratado o homem na congregação em Corinto, aquele que estava vivendo em adultério. Ele deveria ser “entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1 Co 5:5). Quando Paulo repreendeu aos Coríntios por sua incredulidade com respeito à Ceia do Senhor, ele disse: "Por causa disto, há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem" (1 Co 11:30). Em Atos 5, Ananias (v.5) e Safira (v.10) foram castigados com a morte física por causa de sua mentira. Os versículos em 1 João 5:16-17 se referem a Cristãos e falam dos que "pecarem para morte". J.Kilcup (1929-2010) voltar ao Índice TUDO OU NADA As “duas pequenas moedas” (Mc 12:42), dadas pela viúva ultrapassaram, na avaliação de Deus, a soma de todas as ofertas. É relativamente fácil dar dezenas, centenas e milhares de nossos tesouros acumulados; mas não é fácil privar a si mesmo de um simples conforto ou de algo supérfluo, isto para não falar de algo que seja verdadeiramente necessário. Mas ela deu todo o seu sustento à casa do seu Deus. Foi isso que a colocou numa afinidade moral de espírito com o próprio Senhor bendito. Mas por que será que o Espírito tomou tanto cuidado em registrar que ela "depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante"? (Mc 12:42 – ARA). Por que Ele não se contentou em dizer "depositou um quadrante"? Ah! isto não atingiria o Seu propósito. Isto não desvendaria algo de rara beleza: o verdadeiro toque de uma devoção total do coração. Se ela tivesse tudo em uma só moeda, ela teria dado tudo ou nada. Tendo o valor em duas moedas, ela tinha a opção de guardar metade para seu próprio sustento. E na verdade, muitos de nós consideraríamos uma devoção extraordinária dar à causa do Senhor metade de tudo o que possuímos neste mundo. Mas aquela pobre viúva tinha todo o seu coração para Deus. Este era o propósito. Não havia reservas quaisquer que fossem. O seu próprio eu e seus interesses estavam completamente fora de cena, e ela lançou todo o seu sustento naquilo que para o seu coração representava a causa de seu Deus. Que Deus nos conceda algo deste espírito! C.H.Mackintosh (1820-1896) Extraído do texto original: “The Two Mites” Things New and Old: Volume 16 voltar ao Índice DATAS BÍBLICAS A vida humana foi encurtada pela metade, diversas vezes. O homem que viveu por mais tempo após o dilúvio foi Héber, que viveu 464 anos, um pouco mais do que a metade da idade de Metusala (Matusalém), 969 anos, que foi quem viveu mais tempo, dentre os homens que viveram antes ou depois do dilúvio. O tempo mais longo que alguém já viveu, após a dispersão ocorrida em Babel, foi o de Reú, que viveu 239 anos, um pouco mais que a metade da idade de Héber. No deserto, a vida foi novamente encurtada para quase metade da idade de Abraão (Sl 90:10). O bendito Senhor foi tirado "no meio" ou na metade de Seus dias como homem (Sl 102:24). As Escrituras não fornecem um registro do nascimento ou da morte de nenhum dos descendentes de Caim, mas apenas registram os seus feitos (Gn 4). Sete, terceiro filho de Adão, em quem a linhagem da graça teve continuidade, foi contemporâneo de todos os patriarcas antediluvianos, com exceção de Noé. Matusalém foi contemporâneo de Adão por mais de 200 anos, e de Noé por cerca de 600 anos. Enoque, que andou com Deus, foi contemporâneo de Adão por cerca de 300 anos, e de Noé por igual período; e então, a verdade e revelação de Deus que dispunham, foi passada de um para o outro num período de 1656 anos. Christian Treasury – Dez/1990 voltar ao Índice PENSAMENTOS Se você quiser ser miserável, olhe para dentro de si. Se você quiser ser distraído, olhe ao seu redor. Se você quiser ser feliz, olhe para cima! Mostre-me um coração que está aguardando por Cristo, e eu lhe mostrarei um par de mãos ocupadas com Ele. O fruto do Espírito não é algo que possamos produzir por nossas próprias forças. Somente a vida de Cristo em nós é que pode produzi-lo. As duas grandes atividades de um santo são a fé e o amor, e ambas são exercidas fora de mim mesmo: fé para confiar n'Aquele que me ama, e amor para servir àqueles que Ele ama. Dar ao Senhor, e em Seu nome a outros, não se trata de algo que nós fazemos; trata-se do resultado do que nós somos. Nos caminhos de Deus não há atalhos. "Eu nunca prego um sermão sem pensar na possibilidade do Senhor usá-lo para chamar o último dos santos, que completará o número dos eleitos de Deus e acarretará na volta do Senhor". D.L.Moody (1837-1899) voltar ao Índice

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