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  • A Criação de Filhos - Parte II

    Baixe esta revista digital nos formatos: EPUB - MOBI ÍNDICE A Criação de Filhos - Parte 2 H. E. Hayhoe A Família G. H. Hayhoe A Palavra de Deus W. J. Prost Não Há Nada Para Nossos Filhos W. J. Prost Quando as Leis São Contrárias à Escritura W. J. Prost Caminhos de Prazer, Rotas da Paz B. Conrad Uma Ocupação Adequada P. Wilson Educação H. E. Hayhoe Ó mulher... seja feito para ti, como tu queres J. G. Deck A Criação de Filhos – Parte 2 Os relacionamentos naturais formam belas imagens da sabedoria dos caminhos de Deus. Os pais têm autoridade dada por Deus (Ef 6:1), mas é autoridade a ser usada com sabedoria amorosa para fazer o bem ao filho todos os dias de sua vida. Aqui o amor é o motivo da autoridade usada corretamente. O amor de Deus moveu Seu coração para nos dar este conhecimento de Si mesmo para guiar nossos pés por um mundo cheio de maldade, que tem a sutileza de um inimigo, usando a natureza caída dentro de nós, para nos conduzir nos caminhos do pecado e loucura. O filho de Deus não precisa conhecer o mal sutil do mundo para evitá-lo. Ele precisa de “uma vereda plana” (Sl 27:11 – ARA). O livro de Provérbios fornece isso, dando-nos a sabedoria de Deus para nossa caminhada. Aquele que tudo sabe e tem o conhecimento de tudo, nos deu nesse livro o caminho da sabedoria em todos os vários relacionamentos que vivemos, as provações e as contrariedades que encontramos no decorrer do caminho da vida. Quão precioso é ter a sabedoria de Deus para nos dirigir! Que aqueles que frequentam a escola e a faculdade sempre se lembrem de que as coisas que pertencem à revelação estão além da razão. Um homem deve ser mestre em um assunto para conhecê-lo corretamente, mas ele não pode ter um conhecimento assim de Deus. Deus e Sua sabedoria estão totalmente além do homem. H.E. Hayhoe voltar ao Índice A Família Uma palavra para os pais Sem dúvida, todo pai Cristão sente dificuldade para criar uma família para o Senhor em dias como vivemos. Não podemos esperar que fique mais fácil à medida que a vinda do Senhor se aproxima, pois as trevas estão aumentando. Precisamos da luz e da sabedoria da Palavra de Deus e da força do alto, porque “maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4:4 – JND). Não temos força ou sabedoria própria. Sabedoria de Provérbios e das epístolas de João Quanto ao ensino, correção, advertência e até disciplina de nossos filhos (quando necessário), obtemos, no livro de Provérbios, a sabedoria de Deus para isso. É muito importante que leiamos este livro cuidadosamente e com oração, pois não podemos ser mais sábios do que Deus. No entanto, acredito que haja dois lados na educação de nossos filhos. Provérbios nos dá um lado, mas creio que encontramos o outro nas epístolas de João. Temos a tendência de ser unilaterais, e a maioria de nós falha agindo dessa maneira. A Palavra de Deus nunca nos desequilibra, mas sim as nossas próprias vontades! O livro de Provérbios traz diante de nós mais particularmente a formação (ou “treinamento”) de nossos filhos. As epístolas de João são o padrão para nossa própria conduta com eles e o caráter que exibimos diante deles. Isso é muito importante, pois é nossa própria conduta que dá peso ao que dizemos a eles. A primeira epístola de João começa com o conhecimento do Pai. Sim, Deus nosso Pai quer que O conheçamos, e o Senhor Jesus pôde dizer: “Quem Me vê a Mim vê o Pai” (Jo 14:9). Que exemplo! Vamos aplicá-lo a nós mesmos como pais. Nossos filhos realmente nos conhecem? Um pai sábio cuidará, desde o início da vida de seus filhos, para que eles o conheçam. Se falharmos nessa intimidade com nossos filhos, começamos mal. Eu acredito que há muitas crianças que não conhecem seus pais como deveriam. Comunhão A próxima coisa é que Deus, nosso Pai, deseja ter comunhão conosco como Seus filhos. “E a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1:3). Ele quer compartilhar Seus pensamentos conosco, e devemos compartilhar nossos pensamentos com nossos filhos. Eles devem aprender primeiro o conhecimento de Cristo como Salvador, mas à medida que ficam mais velhos, devemos compartilhar com eles todos os nossos interesses na vida. Se não o fizermos, então eles buscarão seus interesses e felicidade em outro lugar, fora de casa. Gozo Continuando, lemos: “E estas coisas vos escrevemos, para que a vosso gozo seja completo” (1 Jo 1:4 – KJV). Deus, nosso Pai, quer que nosso gozo seja completo, e nossos filhos devem saber que buscamos seu verdadeiro gozo e felicidade na vida. Mesmo a nossa disciplina deve ter esse fim em vista. Qualquer coisa que seja para seu benefício e acrescente à sua verdadeira felicidade, devemos nos esforçar em dar a eles, desde que isso não seja inconsistente com o caráter de Deus. Às vezes, como pais, podemos manter nossos filhos longe de tudo e não dar nada em troca. Vamos entender uma coisa: se devemos tirar algo deles para a glória de Deus, que asseguremos a eles que tal atitude é para seu próprio bem e bênção. Vamos procurar compensar de outras maneiras. O lar deve ser um lugar feliz para eles – o lugar mais feliz da sua infância. Que instrução é para nós, como pais — primeiro, que nossos filhos devam nos conhecer; segundo, que devam conhecer nossos pensamentos; e terceiro, que devam saber que buscamos sua absoluta alegria e felicidade. Acredito que essas três coisas são de extrema importância, se quisermos começar bem com nossa família. O amor é a fonte principal, e nada dará certo se não for assim para o Cristão, toda obediência é fundada no amor. O Senhor Jesus disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15). E toda a verdadeira obediência no lar Cristão, por parte dos filhos, deve ser fundada no amor também. Luz Agora veremos o caráter de Deus, nosso Pai, como Luz. “Deus é luz, e não há n’Ele treva nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1 Jo 1:5-6). Deus, nosso Pai, quer que conheçamos Seu caráter de santidade, pois não podemos ter comunhão com Ele de nenhuma outra forma. Isso é muito importante com nossos próprios filhos também. Depois que aprenderam as três primeiras coisas que mencionamos (e eles podem aprendê-las muito cedo), devem aprender que há um certo caráter adequado para nosso lar, como lar Cristão. Pecado e felicidade não podem andar juntos em nossa vida, nem podem andar juntos em nosso lar. O caráter piedoso de nossa família deve ser cuidadosamente mantido. Muitos pais Cristãos colheram tristezas, tendo permitido coisas em seu lar, que são contrárias à Palavra de Deus. Deus, nosso Pai, nunca diminui o padrão para Sua família. Que Ele nos ajude a guardar isso em nosso lar! Realidade Isso nos leva ao próximo ponto. Deus quer a sinceridade. Ele diz que fingir ser o que alguém não é, é de fato mentira, e que aqueles que caminham na escuridão em trevas não podem ter comunhão com Ele. Alguns pais dirão que, se tornarmos o padrão de piedade muito alto, então nossos filhos farão as coisas proibidas secretamente. Se nossos filhos realmente conhecerem nosso coração, eles desejarão nossa comunhão acima de tudo. Sentirão que simplesmente não podem fingir ser o que não são, em nossa presença. E assim, embora a luz da presença de Deus, nosso Pai, manifeste o pecado, mesmo assim podemos estar em Sua presença, não escondendo nada. Por quê? Porque Seu amor perfeito encontrou um jeito: “O sangue de Jesus Cristo Seu Filho nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7). Que confiança isso dá! Perdão Depois disso, é feita provisão para o nosso fracasso como filhos de Deus. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9). E assim, em nosso lar, onde a luz e o amor têm seu lugar certo, tudo fica manifesto e, então, tratado na luz e com amor. Quando nossos filhos reconhecem que fizeram algo errado, então devemos perdoá-los, como Deus nosso Pai nos perdoa. O perdão está em nosso coração o tempo todo, mas, governamentalmente, não podemos mostrá-lo até que confessem seu pecado. Este, portanto, é o segundo grupo de três coisas importantes relacionadas com a família de Deus, que gostaria de aplicar como padrão para o lar Cristão. Já comentamos sobre os três primeiros anteriormente. São eles: conhecer o Pai, ter comunhão com o Pai, e saber que Deus, nosso Pai, busca nosso gozo completo. O segundo grupo de três é: conhecer o caráter santo de Deus, nosso Pai, saber que devemos ser sinceros e não esconder nada, e então saber que foi feita provisão completa para o nosso fracasso, ou seja, o perdão manifestado quando o reconhecemos. Isso estabelece seis aspectos, e o Senhor Jesus Cristo é o centro e a perfeição de tudo isso. Tal como com o castiçal de sete hastes no tabernáculo (Êx 25:32 – ACF), havia uma no centro e três hastes de cada lado. Assim é aqui, Cristo é o centro. Ele deve ter a preeminência em tudo. Ele é o “tudo em todos” do Cristianismo, e, a menos que Ele seja o centro de toda a nossa educação familiar, ela irá sucumbir, mais cedo ou mais tarde. “Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa” (2 Cr. 15:7). Mães Talvez as mães permitam algumas palavras também neste momento. Você está interessada, tanto quanto ou mais do que seu marido, em relação ao padrão de Deus para a vida no lar, pois o lar é sua esfera particular. Você é o guia nele (1 Tm 5:14). E quão importante é o plano que Deus nos deu, não para uma casa de coisas materiais, mas para um lar distinguido pela luz e pelo amor! É o caráter do lar que o torna o que ele realmente é. E você, querida mãe Cristã, pode ser a genuína companheira de seu marido na construção deste lar de luz e amor, ou pode destruí-lo. Pode incentivar seu marido e apoiá-lo em seu amor e correção dos filhos ou pode opor-se a ele e impedi-lo. Isso é muito importante. Você exerce uma influência tremenda no lar, de muitas maneiras muito maior do que a de seu marido. Está com os filhos mais do que ele, e eles a olham. Você pode fazer mais do que ele para construir ou destruir o lar. Seu importante lugar “Cessa, filho meu, ouvindo a instrução, de te desviares das palavras do conhecimento” (Pv 19:27). Não dê ouvidos ao conselho do mundo, nem mesmo ao de alguns Cristãos que podem rejeitar “o conselho de Deus contra si mesmos” (Lc 7:30), porque os condena. Demonstra sabedoria o buscar graça para exercer o lugar de ajudante (não de cabeça) que Deus lhe deu no lar. Esse é um lugar maravilhoso. Mesmo que seu marido falhe em cumprir seu papel como cabeça, peça ao Senhor por graça para cumprir o seu. O fracasso dele não muda seu lugar ou responsabilidade, nem muda o dele. Ele precisa de sua ajuda e orações. Infelizmente, todos nós falhamos como maridos, mas encontrar defeitos e culpar uns aos outros não resolverá as coisas, nem ajudará a construir o lar, mas certamente ajudará a “destruí-lo”. Quanto precisamos da graça e força que vêm do alto, especialmente quando surgem dificuldades, mas não vamos nos afastar do padrão divino. Pode haver quem leia estas linhas e tenha marido incrédulo, e certamente o Senhor lhe dará graça nestas coisas, se você olhar para Ele, para que, como diz Pedro, “se algum não obedece à Palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra” (1 Pe 3:1). Prove a bênção Pondere bem essas coisas, querida mãe Cristã, e que Deus a abençoe e aos seus queridos filhos. Agindo de acordo com a Palavra de Deus, você pode provar a bem-aventurança de andar nos caminhos d’Ele, e seu marido e filhos dirão de você o que é dito da esposa e mãe descrita em Provérbios 31:28-29: “Levantam-se seus filhos, e chamam-na bem-aventurada; como também seu marido, que a louva, dizendo: Muitas filhas agiram virtuosamente, mas tu a todas és superior”. Que isso seja dito a seu respeito, não só enquanto os filhos são pequenos, mas sobretudo à medida que forem crescendo, pois quanto mais amarem ao Senhor, mais amarão você! Seu trabalho, então, será recompensado mesmo aqui, e os últimos anos de vida serão felizes para você e seu marido, caso o Senhor nos deixe aqui mais um pouco. “Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa” (2 Cr 15:7). G. H. Hayhoe (adaptado) voltar ao Índice A Palavra de Deus Em outros artigos desta edição de “O Cristão”, já comentamos sobre a importância da sabedoria de Deus, conforme encontrada em Sua Palavra, a Bíblia. Devemos entender que a sabedoria de Deus não é meramente uma melhoria ou um acréscimo à sabedoria do homem; antes, é o exato oposto da sabedoria do homem. Quando consideramos qualquer assunto moral ou espiritual, a Palavra de Deus deve ser nossa fonte de sabedoria e nosso guia. As Santas Escrituras sempre exaltam a Cristo e, em última análise, Cristo é a sabedoria de Deus para o caminho do crente. Como pais, podemos ter visto a importância da Palavra de Deus em nossa própria vida e a necessidade da orientação dela na criação de nossos filhos. Mas todos desejaríamos que nossos filhos sentissem a mesma reverência, necessidade e desejo pela Escritura. Como isso pode ser alcançado? A Palavra tecida em nossa vida Em primeiro lugar, é importante que nossos filhos vejam os princípios e as instruções da Bíblia interligados na própria estrutura de nossa vida, seja no lar, em nossa vida profissional, na educação ou em nossa vida de assembleia. Eles devem ver claramente que ler a Palavra de Deus não é meramente um ritual religioso, mas uma Palavra viva para nós, destinada a ser, na realidade, uma parte de todos os aspectos de nossa vida. Pais Cristãos piedosos vão querer ter um tempo de leitura privada da Palavra de Deus e oração. Isso é importante, pois todos devemos, em última análise, alimentar-nos de Cristo individualmente antes de o fazermos com outros. Isso é verdade inclusive na família. Quando a vida é agitada, isso pode ser difícil, mas como todos sabemos, é muitíssimo necessário ler a Palavra de Deus diariamente e orar. Maria de Betânia sentou-se aos pés do Senhor e ouviu Sua Palavra, e quando sua irmã Marta reclamou com o Senhor que Maria a havia deixado para servir sozinha, Sua resposta foi: “Mas uma só [coisa] é necessária” (Lc 10:42). É o mesmo conosco hoje; os “cuidados desta vida” nunca devem nos privar de tempo individual na Palavra de Deus e em oração. Lendo a Palavra Em segundo lugar, é importante que leiamos a Palavra de Deus com nossos filhos. Visto que normalmente nos alimentamos mais de uma vez por dia, é bom ter as Escrituras diante de nós pela manhã e à noite também. Um pai pode muitas vezes ter que ir trabalhar de manhã cedo e nem sempre é prático para ele ler com os filhos nessas circunstâncias. Nesse caso, a mãe deve assumir. Lembro-me bem de minha própria mãe lendo a Bíblia para nós na mesa do café da manhã e enfatizando sua importância. Então, depois do jantar, meu pai assumia e lia a Palavra de Deus. À medida que fui crescendo, vi outro lado de meu pai que não conhecia antes. Ele trabalhava para um fazendeiro próspero e, na minha adolescência, no verão, também fui contratado para trabalhar com ele. Demorávamos apenas meia hora para o almoço, mas meu pai comia rápido, para ter tempo de ler, não só a Bíblia, mas também um livro de ministério. Quando eu estava com ele, ele lia em voz alta para que eu pudesse tirar proveito também. Isso me impressionou profundamente quando jovem e me motivou a fazer o mesmo. Além disso, quando lemos as Escrituras para nossos filhos, várias coisas são muito importantes. Em primeiro lugar, deve ficar claro para eles que é para nosso prazer, e não apenas um dever a ser cumprido. Deve ser um momento relaxante, quando a família pode desfrutar da Palavra de Deus juntos, assim como eles desfrutam da comunhão durante uma refeição. Leia tudo da Palavra Em terceiro lugar, um irmão mais velho, há muito tempo com o Senhor, costumava nos dizer: “Não hesite em ler com seus filhos qualquer parte da Palavra de Deus. Ela nos adverte e expõe a maldade do coração natural do homem, mas nunca desperta a carne em nós ou provoca maus pensamentos em nossas mentes”. Esse é um bom conselho, pois os pais às vezes podem ser tentados a pular certas passagens da Palavra de Deus que revelam os detalhes sórdidos do pecado e falam de coisas que podemos considerar desnecessárias para nossos filhos ouvirem. Lembremo-nos de que “Toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16 – ACF). É muito melhor para as crianças ouvirem essas coisas no contexto da Palavra de Deus (dentro dos limites do que sua faixa etária pode entender) do que fazer com que aprendam essas coisas do mundo quando vão para a escola ou, mais tarde, no local de trabalho. Finalmente e imprescindível, a Palavra de Deus deve ser trazida ao nível deles e explicada a eles de uma forma que possam entender. É claro que há partes da Bíblia que as crianças podem não entender imediatamente, mas quando “enchei de água essas talhas” (Jo 2:7), podemos contar com o Senhor para transformá-la em vinho mais tarde. A morte de um filho Podemos ver uma ilustração da importância disso, em figura, na vida de Eliseu. A mulher sunamita, de 2 Reis 4, havia sido muito bondosa com Eliseu, a ponto de construir para ele um quarto especial na casa dela, onde ele ficava sempre que passava por ali. Como resultado, o Senhor deu a ela um filho. Mais tarde, porém, enquanto o filho estava na fazenda com o pai, adoeceu repentinamente e morreu mais tarde naquele dia. Sua mãe imediatamente o deitou na cama de Eliseu, em seu quarto, e então cavalgou para o Monte Carmelo para se encontrar com o profeta. Eliseu instruiu seu servo Geazi a pegar seu cajado (de Eliseu) e colocá-lo no rosto da criança. Geazi fez o que lhe foi pedido, mas teve que voltar e relatar que “não havia nele voz nem sentido” (2 Rs 4:31). O cajado era bom e pertencia a Eliseu, mas era rígido e inflexível; não trouxe vida à criança. Como aplicação, o cajado pode representar para nós a Palavra de Deus apresentada a uma criança, mas de uma forma que não se adapta à sua idade e entendimento. Da mesma forma, quando consideramos seu comportamento subsequente no próximo capítulo, é duvidoso se Geazi teve o discernimento espiritual e o cuidado piedoso que eram necessários nessa situação. O modo de transmitir vida Quando Eliseu chega até a criança e a encontra morta, ele faz algo diferente. Em primeiro lugar, ele “orou ao Senhor”. Então ele “deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu” (2 Rs 4:33-34). Ele se adaptou ao tamanho da criança, apresentando diante de nós a necessidade dos adultos descerem ao nível de uma criança, mental e espiritualmente. Ele não usou um cajado, mas sim seu próprio corpo. De maneira semelhante, Paulo poderia dizer aos coríntios: “Vós sois a carta de Cristo [...] escrita [...] não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração” (2 Co 3:3). Como resultado, a vida estava voltando, mas era um processo. O mesmo ocorre com frequência com a salvação de crianças pequenas. Novamente, está registrado que Eliseu “voltou, e passeou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele” (2 Rs 4:35). Esse intervalo fala de mais exercícios perante o Senhor, e novamente Eliseu se sente levado a descer ao nível da criança e curvar-se sobre ela (JND). Desta vez, há evidências de vida muito distintas, pois “então, o menino espirrou sete vezes e o menino abriu os olhos” (v. 35). Primeiros sinais de vida É interessante e instrutivo notar que o verdadeiro sinal de vida foram os espirros da criança sete vezes. Pode parecer uma evidência incomum de vida, mas, no entanto, é clara e definitiva. Cadáveres não espirram! Assim é frequentemente quando os filhos vêm ao Senhor pela primeira vez. No início, pode não haver uma confissão oral clara de Cristo como Salvador; antes, eles podem dizer ou fazer algo, talvez de uma forma um pouco incomum, mas o que eles dizem ou fazem nos diz claramente que agora eles têm uma nova vida em Cristo. Em nossa história, Eliseu entrega a criança à mãe, pois era a responsabilidade dela continuar seu trabalho de criá-lo para o Senhor. Mais uma vez, podemos ver que esse incidente nos mostra que é necessário um exercício real para levar a Palavra de Deus a nossos filhos, e um esforço real deve ser feito para trazer a Escritura ao nível deles, explicando de uma forma que os ajude a entender. No entanto, em todas essas coisas, devemos lembrar que, embora tenhamos nossa responsabilidade de levar a Palavra de Deus a nossos filhos da maneira certa, em última análise, não é nossa fidelidade que traz bênçãos a eles, mas sim a graça soberana de Deus. Se houver alguma bênção na vida de nossos filhos, não podemos assumir o crédito por isso. É a graça de Deus que salva e guarda, e a Ele deve ser todo o louvor. W. J. Prost voltar ao Índice Não Há Nada Para Nossos Filhos Como pais, é natural que desejemos comunhão Cristã para nossos filhos, e é uma coisa feliz quando há outros filhos de lares Cristãos com quem isso pode acontecer. É bom quando há outras crianças em nossa assembleia local com quem nossos filhos podem passar algum tempo juntos, desfrutando não apenas das coisas do Senhor, mas também de atividades naturais. Esse é um presente maravilhoso de Deus! No entanto, nestes dias de pequenas coisas, com assembleias que às vezes são reduzidas a “dois ou três reunidos em [Seu] nome”, esse tipo de comunhão nem sempre existe. É triste dizer que se tornou muito comum os pais virarem as costas para o que sabem estar conforme a Palavra de Deus, a fim de buscar um caminho mais amplo, que inclua maior comunhão com outros filhos de origem Cristã. A dedicação de Ana Se olharmos para a Palavra de Deus, veremos um exemplo no Velho Testamento que deve nos encorajar a não tomar esse caminho. Quando Ana orou pela primeira vez por um filho, ela jurou que se o Senhor lhe desse um filho, “ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida” (1 Sm 1:11). No devido tempo, o Senhor graciosamente concedeu seu pedido, e quando Samuel foi desmamado, Ana cumpriu seu voto. Está registrado que quando “o menino era ainda muito criança”, “ela [...] o trouxe à casa do SENHOR, a Siló” (1 Sm 1:24). No próximo versículo (v. 25), está registrado que “eles [...] trouxeram o menino a Eli”. Como sabemos, daquele ponto em diante, Samuel viveu na casa de Deus em Siló, tendo Eli como seu guardião e instrutor, e ele via sua mãe apenas uma vez por ano, quando ela lhe trazia “uma túnica pequena” (1 Sm 2:19). Enfrentando a imoralidade Do lado humano, Siló pode ter parecido ser o pior lugar para se apresentar uma criança pequena. O comportamento sacrílego e imoral dos filhos de Eli era bem conhecido e de natureza tão notória que “os homens abominavam a oferta do SENHOR” (1 Sm 2:17 – KJV). Mais do que isso, Eli, embora o sacerdote ancião do Senhor, não conteve o comportamento terrível de seus filhos. Ele os reprovou, mas não fez mais nada. Ana poderia confiar seu filho, em sua tenra idade, a homens como este? Da mesma forma, nestas circunstâncias, Samuel também seria privado da companhia de outras crianças, incluindo seus próprios irmãos. Podemos muito bem imaginar que Ana orou muito fervorosamente por seu filho e por aqueles sob os quais ele vivia. Mas os olhos de Ana não estavam nos sacerdotes que oficiavam na casa de Deus; antes, seus olhos estavam no Senhor que habitava naquele tabernáculo. Ela havia confiado n’Ele para lhe dar um filho e agora podia confiar que Ele cuidaria dele, mesmo em um lugar onde os sacerdotes não eram apenas infiéis, mas pecadores. E assim aconteceu, pois Samuel cresceu para ser o “homem de Deus para aquela situação crítica”, representando o Senhor entre um sacerdócio fracassado e, mais tarde, um rei fracassado (Saul), e o legítimo rei de Deus (Davi). Comunhão com outros Assim pode ser para nós hoje. Se procurarmos falhas em nossos irmãos, iremos encontrá-las em cada um deles. Se a comunhão com outras crianças, para encorajar nossos próprios filhos, governar nosso coração, sem dúvida seremos tentados a ir em lugares onde houver mais disso, mesmo que isso signifique comprometer (ou, abandonar) a verdade de Deus. Mas se nossos olhos estiverem antes no Senhor no meio, confiaremos que Ele cuidará de nossos filhos sob estas circunstâncias. Ao mesmo tempo, faremos todos os esforços para buscar a comunhão de outras crianças de vez em quando, quando ela puder ser obtida, mas apenas dentro da esfera que honre o Senhor e Sua Palavra. W. J. Prost (adaptado de uma reunião aberta, conferência de Toronto, 1967) voltar ao Índice Quando as Leis São Contrárias à Escritura Uma das questões que os Cristãos hoje enfrentam, com cada vez mais frequência, é como reagir quando os governos aprovam leis que são contrárias aos princípios da Palavra de Deus. Essas leis podem impactar muitas áreas de nossa vida, e não estou me referindo a países onde a perseguição aberta é comum e onde os Cristãos são rotineiramente maltratados. Em vez disso, estou me referindo aos chamados países “livres”, onde a liberdade de religião supostamente existe e onde os Cristãos não são perseguidos abertamente. Por exemplo, no Canadá, na província de Ontário, os médicos devem, por lei, encaminhar pacientes para aborto, contracepção, cirurgia transgênero ou suicídio assistido, mesmo que o médico se oponha conscienciosamente a esses procedimentos. A realidade de que o encaminhamento torna o médico um “cúmplice do fato” não é considerada objeção viável. Leis que conflitam No contexto da criação dos filhos, outras leis foram promulgadas em algumas jurisdições que tornam difícil para os pais Cristãos obedecerem à Palavra de Deus. No Canadá, foi proposta uma lei (embora ainda não aprovada pelo Parlamento) que tornaria ilegal os pais enviarem uma criança para aconselhamento, se a criança expressasse uma preferência de gênero diferente de seu sexo biológico. (Aconselhamento ilegal seria aquele que visasse orientar as crianças a respeito de seu sexo biológico, em vez de permitir que escolhessem seu sexo). Mais difundidas são as leis que proíbem os pais de baterem em seus filhos. A Suécia foi o primeiro país a proibir as palmadas em 1979 e, até hoje, mais de 50 países no mundo seguiram o exemplo. A lista inclui vários países da Europa Ocidental, como Holanda, França, Portugal e Alemanha, bem como alguns países da Europa Oriental, África e América do Sul. A palmada é ilegal também na Nova Zelândia. Currículos questionáveis Em outras situações ainda, os pais Cristãos às vezes ficam preocupados com o conteúdo dos currículos nas escolas públicas, especialmente nas áreas de homossexualidade e educação sexual. Em algumas nações, o ensino doméstico é permitido, o que contorna a dificuldade, mas em outras nações isso é ilegal. Como os pais Cristãos devem reagir em tais situações? Se desobedecerem à lei, podem ser mandados para a prisão, mas pior ainda, podem ser declarados pais inadequados e ter seus filhos tirados à força. Não há resposta fácil para esses dilemas e, antes de tudo, devemos estar sempre diante do Senhor a respeito deles. A Escritura é clara que “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29), mas devemos ser cuidadosos ao interpretar o que “obedecer a Deus” significa em cada situação. Somente o Senhor pode nos dar sabedoria sobre como devemos reagir. Vamos considerar a questão das palmadas. Disciplina precoce Em primeiro lugar, um irmão mais velho, há muito tempo com o Senhor, costumava dizer: “Se a disciplina começar cedo na vida de uma criança, a maioria das palmadas acontecerá antes que a criança possa sequer se lembrar delas especificamente”. Isso é muito verdadeiro. Se a vontade das crianças for moldada aos dois ou três anos de idade, elas provavelmente não precisarão de palmadas frequentes depois disso. Em segundo lugar, as palmadas devem ser o último recurso na punição. A Escritura diz: “A vara e a repreensão dão sabedoria” (Pv. 29:15), e uma vez que a vontade da criança seja moldada adequadamente em uma tenra idade, a repreensão pode ser tudo o que seja necessário na maior parte do tempo. Conheci lares onde os pais achavam que, quando alguma coisa errada era cometida, uma surra era sempre necessária, com base no princípio de que “toda transgressão” deve receber “uma justa retribuição” (Hb 2:2), mesmo que a criança tivesse obviamente aprendido a lição por meio da reprovação. Tal atitude ao criar os filhos não tem base na Palavra de Deus. Situações intoleráveis Terceiro, se a situação torna-se intolerável, alguns pais até consideraram a mudança para outra jurisdição onde as leis eram diferentes. Claro, este é um grande passo, mas certamente preferível a perder os filhos para que sejam levados pelas autoridades. No passado, muitos Cristãos fugiram de países onde a perseguição religiosa estava presente, e é bem conhecido que os Pais Peregrinos que vieram para a América buscavam principalmente a liberdade de culto. O Senhor pode tornar essa opção possível para nós em alguns casos. Finalmente, alguns pais podem decidir obedecer à lei e não bater em seus filhos. Não sejamos críticos deles, pois embora a Palavra de Deus ensine o uso do castigo corporal, isso não é tão importante quanto a consistência. Existem outras maneiras de disciplinar as crianças, e a consistência em moldar seu comportamento é mais importante do que o tipo de disciplina. Outras opções Com relação aos currículos nas escolas públicas, mais uma vez, muita oração é necessária. É angustiante para os pais Cristãos saber que seus filhos podem ser submetidos desde tenra idade a um ensino na área da educação sexual que é contrário à Palavra de Deus e que podem ser expostos àqueles que mantêm e ensinam o casamento do mesmo sexo ou a prática aberta da homossexualidade. É especialmente difícil quando esses assuntos são ensinados a crianças em tenra idade, quando suas mentes são muito impressionáveis. Em alguns casos, pode ser possível que as crianças sejam dispensadas de assistir a essas aulas, mas nem sempre é possível. Em outros casos, pode ser possível mandar os filhos para uma escola particular, mas nem todos os pais podem pagar. Às vezes, a única solução é os pais encorajarem os filhos a falar sobre o que ouviram na escola e depois abrir a Palavra de Deus sobre o assunto. Com muita oração e na dependência do Senhor, podemos confiar que Ele usará Sua Palavra no coração deles que se oporá ao que é contrário a ela. Sem dúvida, todos nós já ouvimos falar de crianças de lares Cristãos que tiveram que resistir ao ensino ateísta dos regimes comunistas, e o fizeram fielmente. Nesses casos, os pais não tinham outro recurso senão o Senhor e Sua Palavra. Novamente, é impossível dar um remédio para cada circunstância, pois cada situação é única. Mas o Senhor, que conhece todas as nossas dificuldades nestes últimos dias, pode dar sabedoria do alto, se Lhe pedirmos. Estamos realmente em “tempos perigosos” (KJV) mencionados em 2 Timóteo 3 e podemos esperar que as coisas piorem com o passar do tempo. No entanto, se houver um desejo sincero de agradar ao Senhor, lembremo-nos de que “Ele será a estabilidade dos teus tempos” (Is 33:6 – JND) e que permitirá “humilhar-nos perante o nosso Deus, para buscar Lhe o caminho certo para nós, para nossos pequeninos” (Ed 8:21 – JND). W. J. Prost voltar ao Índice Caminhos de Prazer, Rotas da Paz No céu onde Deus habita sempre houve plenitude divina: pureza perfeita, amor divino e felicidade eterna. Naquele lar de luz e amor, Deus Se deleitava com os filhos dos homens desde a eternidade, mesmo “antes que os montes fossem firmados [...] ainda Ele não tinha feito a Terra” ou estabelecido seus fundamentos. De acordo com Seu propósito eterno, alguns entre os filhos dos homens, não só entrarão e desfrutarão da felicidade desta habitação divina, mas também do “gozo em Deus” (Rm 5:11 – KJV). Por causa do Calvário, isso pode e será assim. Criação favorecida por Deus O homem é a criação especial e favorecida por Deus. Embora os anjos se sobressaiam em força e habitem reinos espirituais, apenas o homem é mencionado ser feito à Sua semelhança; dotado com capacidade de interagir com Deus, de uma forma que o resto da criação não pode, com inteligência, com interesse para entender coisas abstratas, e com a capacidade de experimentar pensamentos comuns com Ele. Os seis dias da criação são marcados com as palavras importantes, “E disse Deus”, maravilhoso precursor daquele futuro, quando a Palavra em Si se tornaria carne e habitaria entre nós, expressando em Sua própria Pessoa toda a plenitude da divindade. Incomparável criação do homem por Deus, em contraste com outras coisas criadas, foi Sua comunicação ao homem “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo [...]” comunicando ao homem o que deveria ser e o que deveria fazer. Uma nova criação Infelizmente, como sabemos, muito rapidamente a bondade do homem se foi na sua queda, “como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada que cedo passa” (Os 6:4). Ainda assim, o Oleiro havia formado o vaso, como era Seu direito livre de fazer, a fim de que em Seu conselho o primeiro homem fosse substituído na roda do Oleiro pelo segundo Homem, o Senhor vindo do céu, na plenitude do tempo. Isso foi assegurado pela ressurreição de entre os mortos; há um Homem ressuscitado e glorificado no céu hoje, Ele mesmo o princípio de uma nova criação e somente Ele ali, por enquanto, as Primícias de uma colheita vindoura. Gêneros masculino e feminino Outro aspecto único da criação do homem por Deus é a declaração de que haveria homem e mulher, cada um diferente do outro e complementares um do outro para que fossem, em certo sentido, um. “Macho e fêmea os criou, e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados” (Gn 5:2). Embora saibamos, a partir de Gênesis 6:19 e da observação, que os animais também foram criados com esses dois gêneros complementares, é somente com o anúncio da criação do homem que essa distinção é imediatamente evidenciada: uma vez, após a declaração de que o homem foi feito à imagem de Deus (Gn 1:27) e depois, novamente após a declaração de que o homem foi feito à semelhança de Deus (Gn 5:1). Parece que Deus escolheu exibir as glórias naturais de Seus seres criados, e da humanidade em particular, com esta polaridade de homem e mulher. Como o apóstolo Paulo lembrou aos coríntios, o homem é “a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão” (1 Co 11:7). Deus poderia ter criado a humanidade com um único gênero e perpetuado a raça dos homens de acordo com tal sistema; Ele poderia ter criado a humanidade com vários gêneros. Ele não fez nada disso; Ele nos criou homem e mulher. É a glória do homem reconhecer e receber luz de Alguém superior a ele e ordenar adequadamente seus pensamentos e caminhos. Isso é excelência no homem. A vida do crente em Cristo é “ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2:10), pois ele aprende alegremente a se comportar na casa de Deus e a andar de maneira correta neste mundo, de acordo com a Palavra de Deus “E disse Deus”. Confusão de gênero Deus não é Autor de confusão; é Seu deleite ver a ordem moral e a felicidade que ela proporciona ao homem, como o apóstolo Paulo disse aos colossenses, “regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo” (Cl 2:5). Por causa da importância de tal revelação, há oposição satânica até mesmo à ordem natural do homem e da mulher. A própria Igreja tem sido submetida a “espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4:1), que procuram introduzir aquilo que desonra a Deus e cria confusão e infelicidade no homem. O mundo ocidental, antes imerso na luz e nas bênçãos da revelação de Deus em Cristo, parece estar na vanguarda agora da, assim chamada, confusão de gênero e depravação moral, obscurecendo a mente dos homens para a integridade natural e a luz espiritual. É neste mundo que vivemos e criamos nossos filhos e, portanto, é mais importante do que nunca que apresentemos a eles o caminho da fé e da sabedoria de concordar com todas as coisas conforme são apresentadas na Palavra de Deus. O contraste exterior que se observa entre o caminho dos filhos da luz e os das trevas está se tornando maior no mundo ocidental, com o mal chamado bem e o bem mal, e trevas como luz e luz como trevas (Is 5:20). “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso” (Rm 3: 4). Escolha de gênero Está na moda hoje em dia pensar que alguém pode simplesmente escolher mudar de gênero como alguém poderia mudar de residência ou ocupação, como se Deus estivesse errado no caso desse alguém. Oferecer escolha aos jovens quando não há escolha, com o apoio institucional dessa loucura, agora protegida por decreto do governo, perpetua a confusão com consequências devastadoras para os jovens assim induzidos. Os homens caídos continuam a professar-se sábios e, assim, mostram que se tornaram loucos (Rm 1:22) com o coração obscurecido. “Porque o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é torpe” (Ef 5:12), só que agora a grande mudança na opinião pública, que influencia as ações dos homens deste mundo, tirou essas coisas do sigilo para a luz do dia. Degradação moral Foi declarado que os caminhos morais de Deus não mudam com as dispensações, desde os dias sob a lei até os dias atuais da graça. Como um jovem lendo os livros de Moisés, pode-se perguntar: “Quem faria uma coisa dessas que é proibido aqui?” No entanto, infelizmente, à medida que avançamos na vida, vemos ou ouvimos que essas coisas são feitas. Quando o homem escolhe desistir de Deus, para que Ele não esteja em todos os seus pensamentos, Deus, em Seus caminhos governamentais, entrega o homem à degradação moral. Em nossa mente, é benéfico chamar as coisas como Deus as chama, em vez das referências “liberalistas” usadas hoje. Aqueles que se envolvem em relações íntimas com outras pessoas do mesmo sexo, são chamados de “violadores de si mesmos com a espécie humana”, na Bíblia em inglês, uma tradução “educada” de palavras gregas, que são bastante diretas. Esse comportamento moralmente condenado é colocado em uma lista junto com várias outras atividades iníquas que são contrárias ao reino de Deus e à sã doutrina (1 Co 6:9; 1 Tm 1:10). Este assunto irrelevante, nem um mero “tom de cinza”, mas é uma base moral que justifica o reforço da Palavra de Deus em nossa casa e na assembleia. Frequentemente, há a objeção de que alguns são “programados dessa forma” ou predispostos a tal comportamento. A carne em nós pode se apresentar de certa maneira em um, diferente do que em outro, mas “o que é nascido da carne é carne”, e é nosso dever e disciplina julgar a nós mesmos para que “não sejamos condenados com o mundo”. Deus não é o Autor de nenhuma confusão moral, e não podemos dizer que Deus tenta qualquer homem com o mal (Tg 1:13). É “de dentro, do coração dos homens” que essas coisas procedem (Mc 7:21), mas “Ele dá mais graça”, e a maravilhosa liberdade do evangelho é que a graça capacita o crente a andar em santidade, não mais ser mantido sob o domínio do pecado (Rm 6:14). Sermos compreensivos uns com os outros, pois cada um de nós lida com a batalha da carne contra o Espírito de uma forma ou de outra (Gl 5:17). Distinção cultural Outro desafio sentido pelos crentes no mundo ocidental hoje é a tentativa deliberada na cultura que nos cerca de eliminar quase toda forma de distinção entre homens e mulheres. Na verdade, falar sobre as características da feminilidade e da masculinidade é, muitas vezes, incorrer em desprezo e censura. Lemos em Deuteronômio 22:5 “A mulher não usará roupa de homem, nem o homem, veste peculiar à mulher” (ARA). Independentemente de a conduta ser direcionada ao israelita, podemos aplicar essa passagem, figurativamente, ao caráter, e como uma exortação para encorajar o caráter feminino em nossas meninas e moças e o caráter masculino em nossos meninos e rapazes. Paulo tinha o mesmo pensamento em mente quando exortou os coríntios a “portai-vos varonilmente e fortalecei-vos” (1 Co 16:13). A Palavra de Deus é certa É em face desse vento cultural contrário que nós e nossos filhos devemos recorrer constantemente à clareza e refrigério da Palavra de Deus. O Deus que, “abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos” (1 Tm 6:17) ordenou graciosamente a vida do homem para sua bênção, pois Ele é bom e deseja, mesmo em um sentido natural, encher nosso coração “de mantimento e alegria” (At 14:17). A cultura ocidental, que antes se alinhava amplamente com a ordem natural e adequada mostrada na Palavra de Deus, cada vez mais despreza essa ordem. No entanto, a Palavra de Deus é certa, estabelecida para sempre no céu, transcende e durará mais do que todas as normas culturais dos homens. O destino dos homens e mulheres redimidos é ser “como os anjos de Deus no céu”, sem se casar nem se dar em casamento. Mas Deus tornou nobre o relacionamento do homem e da mulher, como uma figura para o relacionamento mais elevado e doce de todos, o de Cristo com a Igreja como Sua noiva celestial. Enquanto isso, neste mundo, como filhos da luz e filhos do dia, é claramente nosso privilégio honrar o Senhor, ocupando adequadamente os lugares que nos são designados como homem ou mulher. É característico de quem possui vida em Cristo ter confiança implícita na sabedoria e bondade de Deus. “A sabedoria é justificada por todos os seus filhos” (Lc 7:35), e “Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz” (Pv 3:17). Aqueles que têm a noção do que Deus é por eles, e, que o caminho da sabedoria, de acordo com a luz da Sua Palavra, é o caminho melhor e feliz, caminharão pela fé em Seus preceitos. B. Conrad voltar ao Índice Uma Ocupação Adequada Um grande perigo para o sistema educacional atual é sua política de ensinar nossos filhos a serem grandes no mundo. Em todos os aspectos, isso se opõe à vocação celestial e ao caráter do Cristão. As crianças são ensinadas a escalar e se destacar socialmente, economicamente e em todos os campos de atuação. O que nós, como Cristãos, devemos almejar é atravessar o mundo com a menor contaminação possível, olhando para Jesus como Aquele que correu toda a corrida da fé e “assentou-Se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2). Devemos ter uma certa quantidade de educação do mundo, e algumas ocupações podem exigir treinamento especializado além da demanda legal, mas para o Cristão, sua educação, em qualquer quantidade necessária, deve ser subordinada ao seu viver para glorificar a Deus durante o trânsito por um mundo ímpio. Ela nunca deve ser usada como um trampolim para nos tornarmos grandes neste mundo onde nosso Senhor foi expulso. É quase traição a Ele buscar ser grande na casa de Seus inimigos. É salutar lembrar que quanto mais alto chegamos neste mundo, mais perto chegamos de sua cabeça, o deus e príncipe dele. É mais fácil prosseguir com Deus de maneira modesta, tranquila e despretensiosa do que em um lugar importante neste mundo. Quando o Senhor foi expulso do mundo, Sua partida não causou nenhuma agitação em seu curso. Que os Cristãos possam andar como Ele. Conselho e ajuda Quando consideramos a necessidade de proteger nossos filhos contra a filosofia mundana que os ensinaria a ser grandes no mundo que odeia nosso Senhor, pode ser bom adicionar algumas palavras sobre a necessidade de aconselhamento e ajuda a eles na escolha de uma ocupação adequada para vida. Isso não deve ser feito sem muita oração por sabedoria e orientação divinas. Os pais devem ser capazes, por experiência e observação, a ajudar a apontar o caminho certo para eles. Existem algumas ocupações que não poderiam ser assumidas por um Cristão sem séria perda espiritual; um filho ou filha deve ser avisado(a) sobre isso. Depois, há outros que podem ser aceitáveis em si mesmos, mas que não se adéquam ao seu temperamento ou capacidade. Seria tolice tentar fazer um jovem ser um contador se ele não tem aptidão para lidar com números, ou fazer de um filho um homem de negócios que simplesmente não tenha habilidade nessa área. Provérbios 22:6 (JND) nos diz: “Instrua a criança de acordo com o teor [estilo] do seu caminho”. Isso inclui o reconhecimento das habilidades naturais de cada criança para encorajá-la nesse caminho. Os pais não devem tentar “forçar um pino quadrado em um buraco redondo”. Algumas pessoas podem trabalhar bem com as mãos, e que não conseguem trabalhar em nada mais. Não há desonra ligada ao trabalho manual honesto. Algumas pessoas têm enfrentado duras lutas ao longo da vida, tentando fazer algo para o qual não estão preparadas. É bom quando alguém pode ter um meio de ganhar o seu sustento de modo que possa “nele permanecer com Deus” (1 Co 7:24 – JND). E seja o que for – negócio, profissão ou trabalho manual – deve ser apenas um meio de ganhar a vida enquanto passamos pelo mundo; nossa principal preocupação deve ser fazer tudo para a glória de Deus. Ambições Há um princípio traiçoeiro que frequentemente atua no coração dos pais Cristãos, ou seja, buscar grandes coisas para seus filhos. Muitas vezes se contentam em passar pelo mundo com pouco para si próprios, mas se esforçam para ajudar seus filhos a alcançar maiores alturas. Às vezes os pais podem mesmo tentar realizar suas próprias ambições frustradas em suas crianças. O profeta Jeremias foi instruído a falar assim com Baruque: “Procuras tu grandezas? Não as busques” (Jr 45:5). Não podemos perguntar com o mesmo espírito: “Procuras grandes coisas para seus filhos? não as busque”, mas sim, que eles possam passar por este mundo com piedade e contentamento, honrando a Deus e glorificando a Cristo. Um querido pai Cristão que ajudou seus filhos a alcançar lugares altos, mais tarde viu, para sua tristeza, que isso foi feito para grande perda e dano espiritual deles, e foi ouvido a lamentar por seu filho: “Eu preferiria que ele estivesse varrendo as ruas da cidade”. Influência mundana Ló pode ter desejado para seus filhos as vantagens que Sodoma oferecia, mas foi para a ruína deles. Quantos pais levaram seus filhos ao mundo e então, quando perceberam o que havia acontecido (pois tais passos costumam ser quase imperceptíveis no início), procuraram tirá-los, mas descobriram que era impossível. Ló levou sua família para Sodoma e perdeu alguns de seus filhos lá, e aqueles que foram “salvos [...] como pelo fogo” foram uma vergonha e uma desonra para ele. Oh, que os pais Cristãos percebam o perigo do mundo para seus filhos, e usem todo cuidado para mantê-los longe dele e instruí-los sobre como devem viver nele! Nos dias de Josué, os israelitas corriam o perigo de servir aos ídolos dos pagãos, assim como hoje os Cristãos são tentados a servir ao mundo e a seus objetivos, mas Josué resumiu o assunto em poucas palavras e colocou-o claramente diante deles. Ele colocou Jeová, o Deus de Israel, de um lado e todos os ídolos do outro, e disse-lhes: “Escolhei hoje a quem sirvais” (Js 24:15). Eles iriam servir a um ou a outro. Nosso Senhor mesmo disse: “Nenhum servo pode servir a dois senhores [...] Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lc 16:13). Que haja mais pais como Josué, que possam falar por si e por suas famílias: “porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js 24:15). Que o Senhor nos conceda todo esse propósito de coração, por um lado, e um grande senso de nossa própria fraqueza, por outro, para que possamos lançar a nós mesmos e nossas famílias n’Ele por Sua ajuda para “andar e agradar a Deus” (1Ts 4:1). P. Wilson (adaptado de A Instituição do Matrimônio) voltar ao Índice Educação Educação e natureza do homem A educação não muda a natureza moral do homem. “A carne para nada aproveita” (Jo 6:63). Cristo é a sabedoria de Deus (1 Co 1:24, 30). Para a fé, Sua morte é o completo fim do primeiro homem, e Sua vida é o padrão do novo homem para sua caminhada neste mundo para a glória de Deus. Que possamos ler a preciosa revelação de Deus, a Bíblia, acreditar nela, e nela meditar e buscar Sua graça para andar na luz e sabedoria dela. Sabedoria de Deus e sabedoria do homem A sabedoria de Deus é perfeita por causa de Seu conhecimento perfeito de todas as coisas. “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis, os Seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi Seu conselheiro?” (Rm 11:33, 34). O homem “nunca pode descobrir as coisas que pertencem à revelação”. Este é simplesmente o tema do livro de Eclesiastes. Mostra-nos a extensão da sabedoria do homem “debaixo do Sol”, à parte da revelação de Deus. “Criação e ressurreição são duas coisas que pertencem à revelação”. A sabedoria do homem nunca poderia descobrir uma ou outra, como vemos em Atos 17:23-32. Então, a sabedoria de Deus não é uma extensão da sabedoria do homem, nem é um aprimoramento dela. É sempre o oposto da sabedoria do homem. A menos que aceite a revelação da verdade encontrada na Palavra de Deus, o homem faz do mundo em que vive o horizonte de todos os seus pensamentos, esforços e ações. Toda a sua vida é governada por esses motivos mundanos. Mas, a voz da sabedoria, conforme encontrada na Palavra, nos ensina a sentar aos pés de Jesus, como Maria fez, e ouvir a palavra de Sua boca, para que possamos aprender a sabedoria de Deus. H. E. Hayhoe voltar ao Índice Poema: Ó mulher… seja feito para ti, como tu queres. Ó mulher, está teu coração de mãe Cheio, muitas vezes dolorido, angustiado, Olhando ao peito o teu pequeno bem Mas ao futuro teus olhos são lançados? Queridos como são, e adoráveis também, São como as primeiras flores da primavera, Tu sabes que sob tanta formosura, porém, Há os germes mortais que o pecado gera. Queres tu proteger teus bebês do mal, Para eles, tua vida renuncia; Mas, oh, tua fraqueza sabes, é tal, Que em teu braço tu jamais confia! “Que futuro meus filhos queridos terão?” O pensamento vaga em tua mente; Irão quebrar de dor teu coração, Ou coroar tua cabeça alegremente? Mãe, tu tens um refúgio bem perto, Da virgem o Filho, Jesus, o Senhor; Aquele que pisou aqui o deserto, Mas imaculado e santo Se mostrou. Também Ele sobre o seio de uma mãe, O nome dela balbuciou um dia. Infância, juventude, idade adulta abençoadas, Tornou-se o Homem, e a tudo isso viu Maria. Mãe, olha o rosto do teu Salvador, Também Suas mãos, pés e o Seu lado; Como não ver a pura graça e amor Se por seus queridos morreu e foi na cruz abandonado? Oh, coloque então teus tenros cordeiros No peito d’Aquele pastor amável; O futuro deles entregue ao Seu cuidado, E descanse em Sua sabedoria estável Mãe, quão multiplicada será tua alegria, Para teus medos, que grande consolo, então; Pois ao criá-los agora, em doce harmonia, Teus filhos serão os servos que n’Ele descansarão; Ainda olhe para Ele, e confie, e ore Pois Aquele que segue ouvindo teu pleito; "Será como tu queres," e ainda O ouço dizer, "Mulher, assim será feito." J.G. Deck voltar ao Índice “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra” (1 Jo 1:4) voltar ao Índice

  • Para Que Te Vá Bem

    Pensamentos Sobre o Namoro e Casamento ÍNDICE Três Decisões Importantes A Base Bíblica para o Casamento O Casamento Divórcio Este é um Assunto Sério Procurando um Cônjuge Então Você Encontrou Alguém Pensamentos Finais Decisão de Não se Casar Homossexualidade Comportamentos Destrutivos O Que Fazer Quando Erramos? Epílogo PARTE I Três Decisões Importantes Tem sido dito que as três decisões mais importantes que tomamos na vida dizem respeito a: primeiro, nossa salvação; segundo, a assembleia; e terceiro, o casamento. Sem dúvida, existem outras escolhas importantes, mas não são tão cruciais como essas. O trabalho que almejamos ter, certamente afetará nossa vida, mas, embora possa não ser fácil, mudar de carreira é ao menos algo possível de se fazer. Em contraste, quando se trata da principal decisão, a salvação, as consequências são eternas, e isso não é algo que possamos tratar de modo leviano. É da maior importância que resolvamos essa questão em primeiro lugar e acima de tudo. De fato, se você não é salvo, não precisa deste livreto, você precisa do evangelho. Sem demora, ajoelhe-se diante de Deus que é justo e santo, reconheça que é um pecador, totalmente perdido aos Seus olhos, e receba esse presente gratuito da salvação por meio de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6:23). “Jesus Cristo, o nazareno, Aquele a Quem vós crucificastes e a Quem Deus ressuscitou dentre os mortos... porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:10, 12 – ACF). “Mas Deus prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Rm 5:8-9). “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo” (At 16:31). “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação”? (Hb 2:3). Aos olhos da Cristandade a segunda decisão, a assembleia, é algo insignificante e sem consequência. Certamente admitem que se deve escolher uma boa igreja que ensine a Bíblia, que seja apropriada e com programações que atendam às necessidades de cada um. No entanto, apesar das opiniões predominantes, não é para frequentarmos igreja de nossa escolha, pois Deus tem a Sua Igreja! Estar indeciso quanto à verdadeira natureza da Igreja e da comunhão para qual fomos chamados (1 Co 1:9), conduz a um fundamento duvidoso sobre o qual construiremos um casamento e uma família. Nosso relacionamento com o Senhor deve ter maior prioridade em nossa vida do que qualquer outro vínculo terreno que tenhamos. Não é minha intenção neste livreto abordar o assunto da verdade da Igreja, mas eu encorajaria o leitor a considerar cuidadosamente o caráter da Igreja como encontrado na Palavra de Deus, e perguntar: Estou reunido de acordo com os princípios das Escrituras, ao nome do Senhor Jesus Cristo? A mesa com a qual estou identificado é a Mesa do Senhor, ou é a mesa dos homens? Esta é a Ceia do Senhor, ou é, como Paulo teve de dizer aos Coríntios, nossa própria ceia? (Mt 18:15-20; 1 Co 10:15-22, 11:17-34). Estamos nos lembrando do Senhor em Sua morte; isto é importante para mim ou não? Onde isto está na minha lista de prioridades? Reconheço que nosso entendimento dessas coisas possa ser limitado, todavia, estamos dispostos a confiar totalmente nosso caminho a Deus e permitir que Ele direcione nossos passos? “Entrega o teu caminho ao Senhor; confia n’Ele, e Ele tudo fará” (Sl 37:5). Se você está indeciso quanto à assembleia – talvez se contendo por não querer se comprometer – então este é um sinal claro de que não está preparado para dar um passo em direção ao matrimônio. Quanto à terceira decisão, felizmente, um número significativo de Cristãos ainda vê o casamento como uma instituição sagrada – por instituição, quero dizer um relacionamento estabelecido por Deus. Além disso, provavelmente existe um amplo consenso entre os Cristãos fundamentalistas de que o casamento é um compromisso vitalício. Infelizmente, a realidade não corresponde à crença. Entre 40% e 50% dos casamentos, mesmo entre aqueles que se identificam como Cristãos, terminam em divórcio. De fato, as taxas de divórcio para os chamados Cristãos fundamentalistas são na realidade mais altas que a média. Como Cristãos, eles não crêem que devam morar juntos, e assim se casam às pressas, e por muitas razões erradas. Como resultado, geralmente encontram-se pensando em se divorciar. (N. do A.: O que igualmente não é bíblico, como veremos adiante). A instituição do casamento está sendo atacada como nunca antes. Certamente, o homem sempre encontrou uma maneira de enfraquecer aquilo que Deus estabeleceu, mas a própria natureza do casamento está sendo agora questionada. Não se trata mais de um relacionamento estabelecido por Deus, entre um homem e uma mulher, mas da união de dois indivíduos comprometidos. De certa forma, não devemos nos surpreender. O foco tem sido colocado sobre com quem nos casamos, e assim, o porquê tomou um lugar secundário. Talvez você pergunte: O casamento não é sobre com quem? Não é esta a pergunta? Quem é aquele que vai realizar meus sonhos? Cada romance, cada roteiro de Hollywood, concentra-se em encontrar a garota perfeita ou o belo príncipe. O número de pessoas com quem dormiram ao longo do caminho não importa e, quando finalmente vai começar o verdadeiro relacionamento, os créditos do filme começam a rolar! No entanto, eu sugeriria, como outros fizeram antes de mim, que se entendermos o porquê do casamento, o quem se torna mais fácil de se identificar. Voltar ao índice A Base Bíblica para o Casamento Começarei citando do discurso da cerimônia tradicional de casamento, algumas partes podem parecer familiares. Durante séculos, os Cristãos que falam inglês prestam muita atenção ao seu conteúdo. Apesar da inconstância do homem, foi amplamente aceito como a visão Cristã do casamento. Apesar de toda a sua história e associações incertas, ele contém muita verdade. “Amados, estamos aqui reunidos na presença de Deus e diante desta congregação, para unir este Homem e esta Mulher pelo santo Matrimônio; um estado honroso, instituído por Deus no tempo da inocência do homem, simbolizando para nós a união mística que existe entre Cristo e Sua Igreja; que Cristo adornou e embelezou com Sua presença, e o primeiro milagre que Ele realizou, em Caná da Galileia; e é recomendado por São Paulo que seja honrado entre todos os homens; e, portanto, não deve ser empreendido por ninguém, nem tomado pelas mãos, imprudente, leviana ou arbitrariamente, para satisfazer desejos e apetites carnais dos homens, como bestas brutais que não têm entendimento; mas com reverência, discreta e conscientemente, sobriamente e no temor de Deus; considerando devidamente as causas pelas quais o Matrimônio foi ordenado. Primeiro, foi ordenado para a procriação de filhos, para serem criados na doutrina e admoestação do Senhor, e para louvor ao Seu santo Nome. Em segundo lugar, foi ordenado como um remédio contra o pecado e para evitar a fornicação; para que pessoas que não tenham o dom da castidade possam se casar e manter-se membros imaculados do corpo de Cristo. Em terceiro lugar, foi ordenado para o relacionamento mútuo, ajuda e conforto, que um teria do outro, tanto na prosperidade quanto na adversidade. Em cujo estado sagrado essas duas pessoas presentes vêm agora para se unir. Portanto, se alguém conhece alguma causa justa, pela qual eles não podem ser legalmente unidos, fale agora, ou então, se calem para sempre”. A citação acima é da Solemnization of Matrimony do Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra. Este livro representa a liturgia oficial da Comunhão Anglicana desde 1662. Embora tenham sido feitas tentativas para revisá-lo, as mudanças nunca foram ratificadas; para isso, é necessária a aprovação do parlamento do Reino Unido. Isso não quer dizer que não haja alternativas; o Livro de Serviço Alternativo de 1980 e os Livros de Adoração Comum de 2000 fornecem cerimônias atualizadas. Não é surpresa que as versões modernas enfraqueçam a original. Por exemplo, todas as referências à fornicação foram removidas; tal é a natureza do relativismo teológico moderno. Não é minha intenção endossar o Livro de Oração Comum de 1662, ou o contrário. Certamente a própria noção de rituais formalizados é contrária à Palavra de Deus, sem mencionar uma casta sacerdotal para administrá-los. Não obstante, acho notável que esse ensino exista dentro dos impressos dessa denominação, especialmente dada a hostilidade com que seriam recebidos por muitos dos membros de hoje. Os rituais não podem e não conseguem preservar a verdade; os livros de liturgia não a sustentam. Devemos descansar totalmente na Palavra de Deus. Pode não parecer muito interessante ou particularmente fascinante examinar a base bíblica para o casamento em um livro sobre como encontrar um cônjuge. No entanto, é essencial se desejarmos obter a perspectiva correta sobre o assunto. É o fundamento sobre o qual tudo repousa. O Plano de Deus na Criação “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele... Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:18, 24). É muito claro que a ordem de Deus na criação era de que o homem tivesse uma esposa. O relacionamento deles seria especial, indo além da mera companhia, eles seriam uma só carne. Deveria ser monogâmico, senão teria sido escrito esposas. O que encontramos em Gênesis antecede a lei em mais de três mil anos. Quando o Senhor Jesus veio, cerca de 1500 anos após a lei de Moisés, encontramos Ele citando as mesmas Escrituras para Seus discípulos: “Não tendes lido que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:4-6). E novamente, nesta presente dispensação da graça, o apóstolo Paulo cita Gênesis: “Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne” (1 Co 6:16). “Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne” (Ef 5:31). Fica claro no versículo em Coríntios que, em parte, a expressão numa só carne implica uma união sexual. Deus escolheu criar homens e mulheres para serem criaturas sexuais e com desejos sexuais. Ele também deixou claro que esses desejos só devem ser satisfeitos no relacionamento matrimonial. “Mas, por causa da prostituição [fornicação – JND], cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (1 Co 7:2). Os planos de Deus não são arbitrários e o homem não é mais sábio que Deus. Claramente, esta é uma área em que homens e mulheres ostentam hoje em dia a sua chamada liberdade. Não precisamos procurar provas na sociedade para ver a destruição que isso causa, pois acredito que as evidências sejam claras. Antes, precisamos descansar na Palavra de Deus e em Sua sabedoria. O engenheiro conhece o funcionamento interno da máquina que projetou, assim, certamente o Criador conhece muito mais Sua criatura. A ordem de Deus, conforme estabelecido na criação, ainda permanece; nada mudou sobre isso. Essas não são ordenanças legais estabelecidas pela Lei Mosaica, pois claramente elas são anteriores à Lei. Quando os irmãos se reuniram em Jerusalém para discutir a posição dos Cristãos gentios com respeito à lei, eles apresentaram a seguinte frase: “Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição [fornicação – JND], do que é sufocado e do sangue” (At 15:20). Este não é um resumo da conduta Cristã, mas sim, diretrizes necessárias para os povos gentios daqueles dias, entre os quais essas coisas eram um comportamento aceito (At 15:28). Deus criou Eva para ser a ajudadora e contraparte de Adão. A expressão adjutora, são duas palavras no hebraico: a primeira significa ajuda, já a segunda poderia ser traduzida como seu oposto. Eva era a contraparte perfeita de Adão – não que ela se tornaria assim, mas que Deus a criou para ser assim. Deus criou a mulher para ser o complemento perfeito para o homem. Não se trata de superioridade ou inferioridade. A esposa não é uma cidadã de segunda classe. No entanto, Deus os contemplou com papéis diferentes, necessidades diferentes e temperamentos diferentes. Apesar dessas diferenças, o homem e a mulher, pelo desígnio de Deus, respondem exatamente às necessidades do sexo oposto. Essa função complementar se estende a múltiplas facetas da vida conjugal. Uma vez que estamos discutindo o plano de Deus para o casamento na criação, é necessário abordar brevemente o assunto da liderança – mais sobre isso será abordado mais tarde. Isso é importante, pois diz muito sobre o tipo de homem que deveríamos ser. Também diz muito sobre as características que uma mulher deveria procurar num marido. Para os homens que lerem este livreto, deve ficar claro desde o início que a liderança nos fala de responsabilidade e não de privilégio. “Cristo é a Cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a Cabeça de Cristo... também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão... Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor” (1 Co 11:3, 9, 11). Esses versículos, da primeira epístola de Paulo aos Coríntios, explicam a base da liderança do homem. Também traz de maneira maravilhosa o relacionamento complementar de que tenho falado, entre o marido e a mulher. A Família Como observamos, a união matrimonial é uma união sexual. O fruto desse relacionamento são os filhos. Deus pretendia que os filhos fossem criados dentro dos limites de um casamento. Esta é a ordem que Deus estabeleceu. “Quero pois que as que são moças se casem...” e então que elas “... gerem filhos” (1 Tm 5:14). Qualquer outro conceito é totalmente estranho à Escritura. Os filhos devem ser uma bênção e uma herança, não o produto acidental do desejo. “Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão” (Sl 127:3). Os filhos devem ser criados na doutrina e admoestação do Senhor (Ef 6:4). Por parte deles, devem ouvir “a instrução de teu pai,” e não deixes “a doutrina de tua mãe” (Pv 1:8). O ambiente familiar deve ser caloroso, carinhoso e acolhedor para a criança, onde o amor entre os pais é evidente. Se colocarmos nossas próprias necessidades egoístas antes do compromisso do casamento, o ambiente do lar será frágil. As famílias ocupam um lugar único aos olhos de Deus. Por toda a Escritura, vemos Deus abençoando famílias. É importante que procuremos seguir o plano de Deus para o casamento em benefício de nossos filhos e da unidade familiar como um todo. Deveria ser nosso desejo entregar aos nossos filhos uma herança divina. Amor e Conforto Mútuos Eva foi criada como uma adjutora para Adão. Embora eu tenha mencionado que isso vai além do companheirismo, certamente o inclui. “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn 2:18). Como homem, este mundo teria sido um lugar solitário para Adão sem Eva. “Eis que és formosa, ó amiga minha [meu amor – JND], eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas” (Ct 1:15). A palavra hebraica usada para amor neste versículo quer dizer realmente companheira; é a forma feminina para amigo. Este é um ponto importante a ser observado; aquele com quem nos casamos deve ser nosso amigo – este, acredito, é o plano de Deus. Lemos sobre Isaque e Rebeca: “E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe” (Gn 24:67). Rebeca era um consolo para seu marido. Por outro lado, quando chegamos à história de Elcana e Ana, vemos Elcana sendo um consolo para sua esposa que não tinha filhos: “Porém a Ana dava uma parte excelente; porquanto ele amava Ana, porém o Senhor lhe tinha cerrado a madre” (1 Sm 1:5). (N. do A: Elcana dificultou as coisas para si e para Ana por ter duas esposas, o que é contrário ao plano de Deus; isso era sem dúvida uma fonte do sofrimento de Ana. Penina provavelmente era a segunda esposa de Elcana; ele talvez tenha se casado com ela porque Ana era estéril). “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque, se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4:9-12). A Escritura deixa perfeitamente claro que o casamento não deve ser algo sem amor. Lemos: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25). Também a esposa é exortada a amar o marido – ou, mais especificamente, a ser enamorada de seu marido. “Ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem (N. do A: A palavra grega usada em Tito vem de phileo e não de agapao; ela deve mostrar afeto; marido e filhos nem sempre são muito agradáveis!) seus maridos, a amarem seus filhos” (Tt 2:4). Muitos ressaltaram que o amor é uma ação, não um sentimento, e isso certamente é verdade. No entanto, nem por um momento acredito que Deus pretendeu que fosse uma ação sem emoção. Isso seria algo fora do comum. Se realmente amamos alguém, então os interesses dele serão os nossos, haverá empatia por essa pessoa, as coisas que agradam a ela também nos agradarão e será nosso desejo honrá-la. Cristo e a Igreja Até agora, a autoridade bíblica e os propósitos para o casamento que examinamos – a ordem de Deus na criação, o estabelecimento de famílias e o conforto e companherismo mútuos – nascem, em geral, de nossas necessidades temporais. Há, no entanto, algo que é de um caráter muito maior que qualquer coisa que consideramos até agora. “Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à Igreja; Porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da Igreja” (Ef 5:29-32 – ARF). O casamento deve refletir algo do caráter da união espiritual entre Cristo e a Igreja. Nestes versículos, a expressão uma só carne traz diante de nós um pensamento diferente; fala agora do corpo físico e do cuidado que é dirigido a ele. Ninguém nunca negligencia seu próprio corpo – nós o alimentamos, lavamos, tratamos e vestimos – alguns mais do que outros! Esse também é o cuidado de Cristo por Seu corpo, a Igreja, e deve ser o cuidado do marido por sua esposa (Ef 5:28-29). Também lemos, em conexão com Cristo e Sua Igreja, que Ele é “para ser o Cabeça sobre todas as coisas, O deu à Igreja” (Ef 1:22 – ARA) – observe que diz à Igreja e não sobre a Igreja. Para entender a distinção, pense novamente no corpo natural. A cabeça coordena todas as atividades; o cérebro recebe estímulos, por exemplo de dor, de outros membros do corpo e guia e orienta o todo a responder adequadamente. Quando a medula espinhal é rompida, o corpo não morre – o coração, o fígado e os demais órgãos continuam funcionando, ainda que de maneira imperfeita, pois o corpo fica paralisado; já não pode mais receber direção da cabeça. Nem a Igreja nem o casamento florescerão em tal estado de paralisia. Um casamento funcional é um organismo vivo, dois agindo juntos como um, com o marido provendo a liderança. Eles agem, não por suas próprias necessidades egoístas, mas como um reflexo do amor e graça que Cristo derramou sobre Sua Igreja. Eles são “co-herdeiros da graça da vida” (1 Pe 3:7). É claro que falo de um casamento Cristão – um casamento no Senhor. Embora eu mencione dois agindo em conjunto, em tal relacionamento haverá, de fato, três; o Próprio Senhor será parte integrante do casamento. Alguém comparou isso a um triângulo com o Senhor na ponta superior e o casal representado em cada lado que converge para a ponta; quanto mais próximo o marido e a esposa estiverem d’Ele, mais perto estarão um do outro. “O cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4:12). Esse aspecto do casamento deveria nos fazer parar e pensar. Há algo maior aqui. Casamento não é sobre minhas necessidades; além disso, não se trata apenas das necessidades dele e das necessidades dela; há algo a mais que Deus deseja realizar em um casamento. Embora eu tenha abordado o que é natural primeiro, ao refletirmos sobre o lado espiritual das coisas, começamos a perceber que essa deveria ser a força motriz por trás do relacionamento. Não pretendemos negligenciar o natural, mas ele assumirá uma perspectiva diferente e, eu sugeriria, uma perspectiva correta, quando vivermos para o espiritual. Um último ponto deve ser abordado: A Escritura liga diretamente o casamento e a Igreja. Muitas vezes, encontramos a verdade da Igreja e o comportamento na assembleia, relacionados ao casamento e à família. Os dois são inseparáveis. Novamente, eu reiteraria a importância de ser claro quanto à assembleia antes de iniciar-se o relacionamento matrimonial. Voltar ao índice O Casamento Falamos sobre a instituição do casamento sendo algo de Deus, mas o que define um casamento? A Escritura distingue entre ser solteiro, noivo (N. do A: Comprometido) e casado. Com a mesma certeza, não lemos sobre uma cerimônia de casamento específica. No entanto, não devemos interpretar isso como significando que um reconhecimento oficial do casamento não seja esperado. Pelo contrário, os exemplos que encontramos na Escritura sugerem exatamente o oposto. O servo de Abraão passou por um procedimento elaborado, incluindo a troca de presentes, para obter uma esposa para Isaque (Gn 24). O casamento de Boaz com Rute foi testemunhado nos portões da cidade – o local onde os procedimentos judiciais eram realizados (Rt 4). O Senhor sancionou o casamento em Caná por Sua presença (Jo 2). A esse respeito, existem várias referências a festas de casamento nos evangelhos. Uma cerimônia oficial, diante das testemunhas, para reconhecer um casamento está firmemente estabelecida na Escritura. Um relacionamento de união estável, não importa quão fiel seja, começa com fornicação. “Seja honrado o matrimônio por todos, e seja o leito sem mácula; pois aos fornicários e adúlteros, Deus os julgará” (Hb 13:4 – TB). O vínculo matrimonial em si é especialmente mencionado neste versículo, não apenas o relacionamento matrimonial já existente. Os Votos de Casamento Embora hoje seja decididamente popular escrever os próprios votos de casamento – alguns excepcionais, outros menos dignos de elogios – voltarei aos votos ingleses tradicionais (substitua o nome do homem no lugar de H. e o nome da esposa no lugar de M.): Eu H. tomo a M. como minha Esposa, para tê-la e mantê-la a partir de hoje, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na doença ou na saúde, para amar e cuidar, até que a morte nos separe, de acordo com a santa ordenação de Deus, e dou testemunho que isso é verdade. Eu M. tomo a H. como meu Esposo, para tê-lo e mantê-lo a partir de hoje, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na doença ou na saúde, para amar e cuidar, até que a morte nos separe, de acordo com a santa ordenação de Deus, e dou testemunho que isso é verdade. Embora não seja minha intenção falar longamente sobre a natureza e o caráter do voto matrimonial, ele tem alguma relação com o assunto em questão. Apesar de podermos adaptar os votos nos dias de hoje para dizer exatamente o que queremos que eles digam, fiz referência a esses votos tradicionais, pois eles têm um conteúdo bíblico. Antes de abordarmos o assunto de escolher um cônjuge, precisamos pensar a que somos chamados na Escritura para nos comprometer em um relacionamento matrimonial. O marido deve amar sua noiva “como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25). “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Ef 5:28). O amor mencionado aqui é incondicional. O versículo diz assim como “Cristo... Se entregou”. “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Ninguém negligencia seu corpo, mesmo quando não está bem; de fato, em tais momentos, ele o cobre de cuidados, nutre e o preza (Ef 5:29). Em Colossenses, lemos: “Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura” (Cl 2:19 – ARA). Deus previu que as esposas nem sempre serão tão amáveis; no entanto, o mandamento ainda permanece, o marido deve demostrar amor, independentemente da circunstância. Por outro lado, às esposas é dito: “sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a Cabeça da Igreja: sendo Ele próprio o Salvador do corpo. De sorte que, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido” (Ef 5:22-24). A propósito, este versículo não quer dizer que o marido assume o lugar do Senhor na vida de sua esposa; o marido não toma e não pode assumir essa posição. Esta é a mesma expressão usada em “servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens” (Ef 6:7). Sempre que fazemos algo “como ao Senhor”, torna-se muito mais fácil e agradável. No contexto do versículo no capítulo 6, refere-se a servos e senhores. Meu chefe pode não ser muito agradável, mas ainda posso fazer meu trabalho como ao Senhor. Certamente, confiamos que o marido é amoroso e gentil, mas, independentemente de sua simpatia, sua liderança deve ser honrada, porque é isso que o Senhor pediu à esposa. O segredo para um casamento feliz e saudável é expresso no versículo “cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido” (Ef 5:33). Como parte do relacionamento complementar que Deus previu entre homens e mulheres, Ele escolheu definir a mulher para ser amada e o homem para ser respeitado e honrado. Não podemos ficar esperando que o outro aja. Se cuidarmos de nossa responsabilidade, então com frequência será surpreendente como o outro responderá. Quando nosso comportamento é recompensado dessa maneira, isso só deve servir para nos esforçar ainda mais. Isso por sua vez, incentiva o outro a exercer sua responsabilidade. E assim o casamento se torna uma parceria próspera, e não um relacionamento disfuncional entre duas pessoas que moram juntas. Voltar ao índice Divórcio Escrever sobre o divórcio em um livro sobre casamento é lamentável, mas necessário. Até agora, consideramos a base bíblica para o casamento e um pouco da bênção que Deus planejou para a humanidade. É igualmente importante reconhecer que um casamento bíblico é um compromisso para a vida toda. Antes de entrarmos em um casamento, precisamos ouvir o que Deus tem a dizer sobre romper esse vínculo. Encontramos nosso Senhor abordando o assunto do divórcio quatro vezes em três evangelhos separados – Mateus, Marcos e Lucas. Se algo é repetido quatro vezes, deveria chamar nossa atenção. O evangelho de Mateus nos dá o tratamento mais completo sobre o assunto. Citando em parte: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la? Disse-lhes Ele: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas ao princípio não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt 19:6-9). Apesar de uma previsão para o divórcio sob a Lei Mosaica, este não era o plano de Deus desde o início. Exceto no caso de fornicação por parte de um cônjuge infiel, não há fundamento bíblico para o divórcio. Ao ouvir isso, os discípulos ficaram descrentes: “Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar” (Mt 19:10). Parece que as pessoas daquela época tinham uma visão bastante liberal do divórcio (N. do A.: O abandono por parte de um cônjuge incrédulo é possivelmente a única exceção. No entanto, a circunstância abordada pelo apóstolo Paulo no sétimo capítulo de Primeira a Coríntios fala de uma situação na qual nenhum dos dois era salvo antes do casamento) – não muito diferente dos dias atuais. O Senhor não repreende Seus discípulos, mas simplesmente aponta que nem todo homem é capaz de viver uma vida celibatária. Ou seja, se você não pode aceitar um compromisso para a vida toda, então não se case; mas para a maioria, isso não seria possível. Se um casal busca o divórcio que seja contrário à Palavra de Deus, os dois ficam em uma posição complicada. Nenhum dos dois fica livre para se casar novamente, não importa quem iniciou a separação. Se se casarem novamente, cometerão adultério. Eles criaram uma situação para si mesmos que não podem desfazer. Pode haver uma restauração parcial e ainda pode haver bênção, mas a circunstância deles permanece. O casamento é literalmente até que a morte os separe. A morte da esposa ou do marido põe em liberdade o cônjuge vivo; ele ou ela pode se casar novamente. “De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera, se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for doutro marido” (Rm 7:3). Da mesma forma, o casamento não se estende além da morte: “Porque, na ressurreição, nem casam, nem são dados em casamento; mas serão como os anjos no céu” (Mt 22:30). Voltar ao índice Este é um Assunto Sério Analisamos material suficiente da Palavra de Deus para reconhecer que: Deus pretendia que homens e mulheres se casassem; de fato, muitos de nós acharia muito difícil viver uma vida (moralmente correta) fora do casamento. “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se” (1 Co 7:9). O casamento é, portanto, não apenas para a felicidade, mas para a nossa santidade e para a glória de Deus. Para a maioria de nós, podemos fazer uma escolha de quem será nosso cônjuge; portanto, apenas uma oportunidade de construir um relacionamento saudável e produtivo para o Senhor. Claramente, a decisão que tomamos sobre nossa companhia e cônjuge vitalício é a mais séria possível. Não é algo que deva ser feito às pressas. Por outro lado, também é uma decisão que provavelmente não podemos evitar. Ninguém está sugerindo que isso deva ser doloroso ou difícil. Deveria ser um momento feliz e alegre em nossa vida. Muito, no entanto, dependerá de como faremos essa busca. Voltar ao índice PARTE II Introdução Nesta seção, consideraremos como encontrar um cônjuge em potencial e, tendo encontrado essa pessoa, como podemos saber se ela é a pessoa certa. Muito é direcionado somente ao homem ou somente à mulher, no entanto, existe aquilo que se aplica a ambos. Eu o encorajaria a ler tudo; e saberá quando algo falar a seu coração – independentemente do gênero ao qual os comentários possam ter sido endereçados. Confio que as coisas específicas ao homem ou à mulher serão inequívocas. Voltar ao índice Procurando um Cônjuge Talvez você esteja pensando: Para Adão foi fácil! Ele nem precisou procurar uma esposa. Deus deu a Adão a garota mais surpreendente e bonita que alguém poderia imaginar – pelo menos, não acredito que não seja razoável supor isso. Além disso, Eva não teve de esperar por um marido, lá estava ele! Antes de deixarmos nos levar pelo quão simples isto foi para Adão e Eva, lembremo-nos do que aconteceu a seguir. Dentro de um curto período de tempo, talvez dias, Eva foi tudo, mas não uma ajuda para Adão e, ainda pior, Adão falhou em sua liderança. Quão rápido o pecado entrou e estragou esse belo relacionamento estabelecido por Deus. Apesar das fraquezas de nossos antepassados – fraquezas que herdamos – a promessa de Deus ao homem permanece: “O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência do Senhor” (Pv 18:22). Encontrar implica uma procura. Embora andemos pela fé e não por vista, ainda assim, andamos. A fé não é inativa. Perseguir nossas próprias vontades não é fé; mas dar um passo na dependência do Senhor é fé. Pedro pode ter afundado, mas pelo menos ele saiu do barco. Ele tinha pouca fé – e muita autoconfiança – no entanto, ele deu passos em direção àquelas ondas tempestuosas. Não tenho dúvida de que Deus sabe tudo, incluindo com quem nos casaremos, mas isso não significa dizer que nosso cônjuge será entregue à nossa porta, embalado em papel de embrulho marrom e amarrado com fitas vermelhas ou em papel de seda branco e laços cor de rosa. Não, na vida existem exercícios profundos, erros e talvez até lágrimas, mas no devido tempo, se estivermos apoiados no Senhor, haverá alegria e felicidade pela manhã. Convido você a ler Cantares de Salomão (N. do A.: Aliás, Cantares de Salomão não descreve um relacionamento pré-marital; é a restauração do cônjuge à plena confiança e amor do noivo; a intimidade descrita está dentro do casamento. Se tivermos isso em mente, as lições contidas nesse livro serão interpretadas corretamente) para ver como isso é verdade, tanto em nossa vida espiritual quanto também em coisas naturais. E então, rapazes, se vocês desejam uma esposa, preparem-se para algumas ondas – nem tudo será um navegar suave! E quanto à garota? O livro de Provérbios – de onde acabamos de citar – é, em muitos aspectos, dirigido aos jovens rapazes (Pv 1:4). Os nove primeiros capítulos são especialmente a orientação de um pai e de uma mãe para seu filho. Mas a Escritura não fala nada da garota desejando um marido? Certamente que sim, e consideraremos alguns exemplos posteriormente. Por enquanto, proponho este versículo: “[ela] fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Co 7:39). A partir disso, podemos concluir que a mulher fará uma escolha – com quem quiser. Do ponto de vista da Escritura, seu papel pode ser mais passivo, mas também não é totalmente inativo. Seu comportamento será a chave para quem ela atrai. Os passos que tomar serão igualmente importantes e exigirão tanta fé quanto do jovem rapaz, se ela procura encontrar um marido com a aprovação de Deus. Como Começar A procura deve começar em oração. Talvez isso pareça um clichê, mas não é. Eu posso ouvir alguns dizerem: Mas eu oro por um parceiro adequado há anos, e nada acontece! Há muitas razões pelas quais o Senhor não responde à oração da maneira que gostaríamos. Talvez seja falta de dependência. Nossas orações são misturadas com fé? Estamos procurando pelas razões corretas? Talvez não estejamos prontos para o casamento. Existe alguma necessidade em nossa vida que deva ser tratada primeiro? Pode até ser que Deus tenha outros planos para nós. Eu sugeriria a qualquer pessoa que se encontre nessa posição, que ore verdadeiramente, com toda sinceridade, e pergunte: Por que minha oração não foi respondida? “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tg 1:5). A oração é, ou não é genuina. Com muita frequência, faz-se oração e não se espera pela resposta. Também podemos orar com a atitude de que já temos a resposta. Nesse caso, não estamos realmente orando, mas apenas buscando alguma indicação para confirmar nossa crença. “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11:9). Rapazes: “Casa e riquezas são herdadas dos pais; mas a mulher prudente vem do Senhor” (Pv 19:14 – AIBB). Se você quer uma esposa prudente, então ela deve vir do Senhor. A propósito, prudente não significa tímida; significa sábia, inteligente e habilidosa. Talvez exista uma tendência de achar que uma garota espiritual, inteligente e responsável vinda do Senhor não seja divertida. E assim, pode até haver relutância em pedir orientação ao Senhor. Se você está tendo este tipo de pensamento, isso me faz questionar se seu coração está pronto. Pare e pense por um momento: Deus poderia nos dar a resposta errada? Além disso, que tipo de cônjuge você está procurando; alguém para amar e cuidar, respeitar e honrar? Ou é alguém que possa cumprir suas concupiscências. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4:3). Correndo o risco de ser repetitivo, permita-me dizer novamente: Deus conhece nossas necessidades e sabe como melhor satisfazê-las. Mas Deus quer que possamos satisfazê-las dentro de um relacionamento amoroso, não em uma união egoísta. Eventualmente, a garota que o atrai fisicamente antes de casar-se, não saiba como se comportar no casamento. Tudo o que ela sabe sobre sexualidade diz respeito a conseguir um homem, e não há compreensão da beleza da intimidade piedosa. Embora grande parte do parágrafo anterior tenha sido dirigido aos rapazes, existem princípios comuns que também são aplicáveis às garotas. Da mesma forma, desconfie do rapaz que é ligado ao físico; está ele realmente interessado em você ou apenas em seu corpo? Deve haver uma conexão mais forte do que a parte física para que um casamento funcione. “Bom seria que o homem não tocasse em mulher” (1 Co 7:1). Deus é bastante direto quando se trata de nossas próprias escolhas: “O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda sabiamente escapará” (Pv 28:26). Muitas pessoas foram livradas da miséria por, finalmente, se submeterem a Deus, apesar de terem começado em obstinada independência. O melhor, é claro, é começar e terminar a busca na dependência de Deus. No Senhor Um Cristão nunca deveria se casar com alguém que não é salvo. “Fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Co 7:39). “Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Co 6:14 – AIBB). Um Cristão que não namore um incrédulo não se casará com um incrédulo. Não subestime sua suscetibilidade. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4:23). Sejamos claros; Deus nunca nos levará a essa união. É fácil, especialmente quando estamos profundamente apegados a alguém, pensar que o Senhor poderia estar nos usando para a salvação dessa pessoa ou para conduzi-la à assembleia. É, no entanto, perigoso misturar emoções dessa natureza com um desejo de evangelizar. Por mais genuíno que seja o nosso desejo, nossa visão é facilmente ofuscada. Além disso, precisamos reconhecer que um casamento no Senhor vai além de apenas encontrar um cônjuge Cristão. Significa que o casal deseja reconhecer completamente a autoridade do Senhor sobre seu relacionamento. Onde procurarmos determinará com quem nos casaremos. Se procurarmos na academia, no trabalho ou na faculdade, nos exporemos a problemas. Não digo que seja impossível se casar com alguém que encontramos em um desses locais, mas, se o fizermos, criaremos imediatamente uma dificuldade antes mesmo do casamento começar. Partindo da suposição de que eles sejam Cristãos, onde adoram? Em que creem? Como foram criados? Todas essas coisas devem vir juntas num casamento. No livro de Êxodo, vemos o princípio de Deus para encontrar uma esposa. “E foi-se um varão da casa de Levi e casou com uma filha de Levi” (Êx 2:1). E para as mulheres que procuram um marido: “Sejam por mulheres a quem bem parecer aos seus olhos, contanto que se casem na família da tribo de seu pai. Assim, a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo” (Nm 36:6‑7). No segundo caso, essa ordenança se refere especificamente a uma família que tem somente filhas e nenhum filho. Como a herança do pai passou para as filhas, elas não deveriam se casar fora de sua tribo. Dessa maneira, a terra era preservada dentro da tribo e não perdida por herança. Talvez haja a objeção de que não estamos sob lei! Isso é verdade, mas um importante princípio espiritual permanece. Quando alguém se casa com alguém de fora da assembleia, muitas vezes esse casal vai deixar a assembleia. Infelizmente, como frequentemente acontece nesses casos, a herança espiritual desse indivíduo, que poderia ter sido passada para as crianças, é perdida. Como sabemos se alguém é Cristão? Se ele não pode dar uma clara confissão de sua fé, então este é certamente um começo ruim. Além disso, que tipo de Cristãos eles são? Só porque estão na assembleia, ou mesmo que estejam à mesa do Senhor, infelizmente, isso pode não significar muito. Eles oram? Leem suas Bíblias? Entendem o que leem e, se não entendem, o que fazem sobre isso? Se um indivíduo está lutando espiritualmente, isso não terminará após o casamento; em vez disso, seu parceiro será atraído para essa mesma luta. Desde nossa infância, cantamos: Leia sua Bíblia, ore todos os dias, Ore todos os dias, ore todos os dias. Leia sua Bíblia, ore todos os dias, E você crescerá, crescerá, crescerá. Hinário Let’s Sing About Jesus nº 36 Isso é algo real? Estamos crescendo? Se não lemos nossa Bíblia e nem oramos todos os dias – e não quero dizer por horas seguidas, qualidade é mais importante que quantidade – então por que devemos imaginar que atrairemos alguém com essas características? Naturalmente, estou assumindo que você está procurando alguém com esses atributos. Lembre-se de que geralmente encontramos o que estamos procurando. Deus espera que o homem seja... bem, um homem! “Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos” (1 Co 16:13). Está tudo muito bem em se casar com um homem que tenha peitoral como de um fisiculturista, mas a força física desaparece; e quanto à força espiritual dele? Ele é um levantador de pesos, ou se contenta em ser um peso leve? O que Você Está Procurando? Um cônjuge! Sim, entendi; mas vamos tentar este exercício mental simples: imagine o garoto ou a garota dos seus sonhos. Se você não é do tipo visual (e, a propósito, mesmo que seja), pense nas qualidades que estão no topo da sua lista – afinal, as qualidades devem ser mais importantes do que a aparência! Agora, pergunte-se honestamente: Onde tem estado meu foco? Tem sido nas minhas necessidades – aquelas coisas que me satisfarão; aquilo que me fará feliz? Antes de avançarmos, vamos esclarecer: seu cônjuge não te satisfará e você não o satisfará. Com base nos princípios das Escrituras expostos na primeira seção deste livreto, Deus criou homens e mulheres para formar um relacionamento complementar; precisamos encontrar alguém para nos complementar e não somente para nos satisfazer. Agora, em vez de perguntar o que há no relacionamento para mim, que tal perguntar: O que há no relacionamento para meu futuro cônjuge? Ou, mais importante: O que há nele para o Senhor? “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). “Para que em tudo Deus seja glorificado” (1 Pe 4:11). O casamento não está incluído nesses versículos? O casamento não tem a ver com o eu. Até que deixemos esse modo egoísta de pensar, uma grande parceria é apenas um sonho romântico. No dia do casamento, não tenho dúvidas de que a noiva e o noivo estarão subconscientemente pensando no que os aguarda. Ah, eu tenho certeza de que não colocariam dessa maneira – mas o pensamento velado está ali. Francamente, a menos que tenham tratado isso antes, eles realmente têm pouca ideia do que realmente sejam as necessidades do outro. Apesar do fato de que nós – homens e mulheres – vivemos no mesmo planeta, assim como nos entendemos um ao outro, às vezes parece que viemos de mundos diferentes. Obviamente, isso não é verdade – temos um Criador que sabia muito bem o que estava fazendo. No entanto, quanto menos suposições fizermos sobre o sexo oposto e mais estivermos dispostos a aprender um com o outro, mais felizes seremos. Não suponha que se estou satisfazendo minhas necessidades, então claramente devo estar satisfazendo as dela (ou dele) – isto está errado! Tem a Bíblia alguma indicação do que deveríamos procurar em um cônjuge? Com certeza! Vamos começar com a garota. Que qualidades ela deveria procurar em um homem? Uma vez que o marido deve ser o cabeça, certamente ela deve procurar qualidades adequadas a esse papel. Homens mandões são maridos ruins – liderança não é ditadura. Procure alguém que possa prover orientação espiritual e prática em casa, que seja capaz de liderar e dirigir e, quando solicitado, tome as decisões difíceis. Curiosamente, muitas das qualidades exigidas para um presbítero e diácono representam traços desejáveis no marido. De fato, alguém que não seja um bom marido e pai, não está qualificado espiritualmente para assumir um papel de supervisão ou mesmo de serviço na assembleia. “...marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia” (1 Tm 3:2‑4). Pense no homem descrito por esses versículos – e naqueles que não têm essas características. De acordo com as Escrituras, o marido deve prover para sua esposa e filhos. Isso não significa dizer que a esposa não pode ajudar – de fato, ela pode muito bem ajudar, principalmente antes de ter filhos. No entanto, o apóstolo fala de modo firme sobre a responsabilidade do homem: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus [não provê para os seus – JND] e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1 Tm 5:8 – ARA). Em Provérbios lemos: “Prepara fora a tua obra, e apronta-a no campo, e então edifica a tua casa” (Pv 24:27). Eu questionaria os motivos de um jovem que esteja procurando uma garota, quando ele não tem meios para mantê-la. A responsabilidade recai sobre quem? Sobre ele ou ela? As palavras que Noemi falou a sua nora vêm à mente: “Minha filha, não te hei de buscar descanso, para que fiques bem?” (Rt 3:1 – ARA). Noemi não estava procurando um marido rico para Rute, para que então ela pudesse se acomodar com servos prontos a servi-la; este não é o descanso que ela procurava. A noiva em Cantares de Salomão descreve assim aquele descanso: “Eis que és formoso, ó amado meu, como amável és também; o nosso leito é viçoso. As traves da nossa casa são de cedro, e os caibros de cipreste” (Ct 1:16-17 – AIBB). Ele era formoso e gentil, com certeza, mas além disso, ele proveu descanso, segurança e abrigo. Para algumas mulheres isso pode ser traduzido como maturidade e força. Confio, no entanto, que você é mais sábia do que isso; o físico é uma avaliação superficial de um homem (ou mulher). E sobre o homem; existem versículos semelhantes que descrevem o que procurar em uma esposa em potencial? Certamente existem. Provérbios 31 imediatamente vem à mente. “Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis. O coração do seu marido está nela confiado, e a ela nenhuma fazenda faltará. Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida” (Pv 31:10-12). Esta sim, é uma ajudadora! Se o capítulo 31 de Provérbios descreve a mulher a ser procurada, o capítulo 5 descreve aquela que deve ser evitada. “Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite; mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios. Os seus pés descem à morte; os seus passos firmam-se no inferno” (Pv 5:3-5). A palavra estranha neste contexto não significa esquisita. Sem dúvida, essa mulher tem muito charme natural. Ela é estranha porque não tem nada em comum com um jovem piedoso. Encontramos advertências e exortações semelhantes no Novo Testamento: “E, além disto, aprendem também a andar ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convém. Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa e não deem ocasião ao adversário de maldizer” (1 Tm 5:13-14). Embora possa não ser o principal papel da esposa ser provedora da família, o que ela está fazendo enquanto permanece solteira? Ela é uma fofoqueira intrometida? “Ocupai-vos até que eu venha” deve ser verdade para todos os servos de Deus – homem ou mulher (Lc 19:13 – KJV). A mulher virtuosa, de Provérbios 31, é trabalhadora, complementando a renda do marido na medida do possível; suas mãos são mencionadas sete vezes. Nesta economia moderna, essa atividade pode ser mais mental do que manual e não há nada de anti-bíblico nisso. Há muitos outros versículos que poderíamos recorrer com relação ao marido e à esposa em potencial. Se você está procurando um cônjuge piedoso, a Escritura fornece um retrato detalhado. Apaixonando-se Até agora, eu não disse uma palavra sobre romance ou sobre apaixonar-se. Talvez alguns estejam perguntando: Não devemos seguir nosso coração? Apesar dessa fala ter sido usada inúmeras vezes na mídia popular, a resposta curta é: não! “Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e perverso: quem o conhecerá” (Jr 17:9). Dito isto, no entanto, não significa necessariamente que não haverá romance, ou que ninguém irá se apaixonar. Seria um relacionamento triste se tudo fosse conduzido como se fosse uma transação comercial, onde há uma lista de requisitos, certas qualidades que devem ser atendidas, e o acordo é então fechado. De fato, se não houver afeto, se o coração não estiver comprometido – se não houver química, como as pessoas dizem, certamente algo estará faltando. Em Cantares de Salomão, a sulamita (Ct 6:13) está tão tomada por seus sentimentos que ela diz: “Desfaleço de amor” (Ct 2:5) – ou como diríamos: Estou doente de amor. É um estado que ela não deseja perturbar: “não acordeis nem desperteis o meu amor, até que ele o queira” (v. 7 – AIBB). As três vezes em que encontramos essa última expressão em Cantares de Salomão (Ct 2:7, 3:5, 8:4), marcam o fim de uma cena. Em cada caso, no entanto, segue-se um tempo de atividade renovada, e vemos um maior desenvolvimento nos afetos da noiva e na compreensão do noivo. Por mais que desejemos, não se pode andar em estado de euforia, sem apetite e incapaz de dormir. Em última análise, a realidade deve retornar e pensamentos racionais devem nos guiar. Infelizmente, estar doente de amor geralmente acompanha a paixão, especialmente quando os sentimentos de alguém não são correspondidos. A pessoa acredita que não pode viver sem o outro; que aquela pessoa é a única que a fará feliz. Sem ele(a), estará incompleto – ele(a) me faz uma pessoa completa. Tais sentimentos não são apenas exagerados, mas prejudiciais. Somente Deus pode nos fazer completos, só Ele é suficiente para atender às nossas necessidades. O mundo retrata esse amor como um ideal elevado. É o tipo de amor Romeu e Julieta, o amor pelo qual vale a pena morrer (N. do A.: Romeu e Julieta eram dois adolescentes imaturos e impetuosos). Tais sentimentos, no entanto, não são a representação do amor verdadeiro. Esse tipo de amor é superficial e egoísta, como uma nuvem no meio dos relâmpagos. Uma garota ou um rapaz em tal condição não é de todo racional, de fato, eles carregam as características de alguém cuja mente está como que embriagada. Como resultado, as ações são mal interpretadas, os pontos fortes e fracos são julgados erroneamente, e a paixão prospera em sua própria ilusão. O amor verdadeiro corre fundo como um rio transbordando suas margens. A maioria está ciente de que as palavras gregas para o amor, agape e phileo, ocorrem com frequência no Novo Testamento. De fato, existem outras duas palavras gregas que também significam amor. A primeira raramente aparece no grego antigo e seria desconhecida para a maioria, enquanto a segunda sem dúvida será reconhecida por todos. Eros é um amor apaixonado com desejo sensual. Também é esse amor à primeira vista, a paixão que temos considerado. A palavra erótico deriva de eros. É interessante notar que eros não aparece sequer uma vez no Novo Testamento. Isso não quer dizer que maridos e esposas não devam sentir paixão ou desejo um pelo outro. No entanto, quando tais sentimentos são mencionados nas Escrituras, formas alternativas de expressão são usadas no lugar de eros. Quando a natureza do amor verdadeiro é assim desvirtuada, então o desejo de realizar esse amor será equivocado. Paixão desta natureza pode levar a escolhas muito ruins. Amnon, filho de Davi, acreditava que amava sua meia-irmã Tamar; sua beleza o cativou (leia 2 Samuel 13). Ele ficou tão atormentado por ela que ficou doente. Ele desejava Tamar para si mesmo, mas não via como obtê-la. Infelizmente, Amnon tinha um amigo, Jonadabe, que sabia exatamente como se aproveitar dos sentimentos de Tamar. Apelando à sua compaixão feminina, Tamar é atraída para o quarto de Amnon, onde ele estava deitado fingindo estar doente. Sozinho com Tamar, forçou-a a deitar-se com ele. Tendo obtido seu objetivo, o ódio de Amnon por Tamar excedeu sua paixão anterior. Existem inúmeras lições a serem aprendidas dessa história. Esse tipo de amor não é confiável. É egoísta, enquanto o amor verdadeiro se preocupa com a outra pessoa. Quem conscientemente machucaria alguém que amasse? O ódio de Amnon ao final não é atípico; já tendo satisfeito sua luxúria com Tamar, ele não precisa mais dela. Rapazes – por nem um minuto acreditem na mentira de que garotas secretamente desejam ser maltratadas. O “não” dito por Tamar deveria ter sido suficiente – e certamente teria sido para qualquer homem que realmente a amasse. Davi deveria ter protegido Tamar, em vez disso, ele a enviou para Amnon. De sua parte, Tamar deveria ter deixado o quarto com todos os demais, como José fez (Gn 39:12), em vez de ficar sozinha com Amnon. Nesta história, Deus revela a crueldade que se esconde no fundo do coração do homem. Alguns podem achar que este é um exemplo extremo, e que a paixão geralmente não termina em estupro – e eu concordo. No entanto, não vamos ignorar os muitos princípios a serem extraídos dessa passagem. Deus em Sua sabedoria a registra para nosso aprendizado. Mesmo quando essa paixão ardente não termina de modo tão terrível, é equivocada e levará alguém a um beco sem saída; não a confunda com amor verdadeiro. Alguns Exemplos Bíblicos Não apenas podemos encontrar muitos versículos que nos dão as qualidades que deveriam caracterizar o marido ou a esposa, mas também temos exemplos bíblicos de indivíduos procurando um cônjuge – felizmente, alguns mais felizes do que a história que acabamos de considerar. Infelizmente, o espaço não permite um exame completo dessas passagens, mas teremos uma visão geral rápida para confirmar os princípios que estabelecemos. Começaremos com a procura de Abraão por uma esposa para seu filho Isaque (Gn 24). A opinião moderna dessa história é que, embora fosse apropriada para a cultura da época, ela não se aplica nos dias atuais. Ao contrário, eu acredito que os princípios contidos no relato são tão aplicáveis atualmente quanto quando foram escritos. Nesse caso, o pai envia seu servo para procurar uma esposa para seu filho. Agora, não vou sugerir que, como pais, arranjemos casamentos para nossos filhos. Dito isto, é mais apropriado orar por nossos filhos, tanto em busca do seu bem-estar quanto para que possam ser guiados a uma esposa ou marido adequados. A procura do servo começa com conselhos e oração piedosos (Gn 24:3-14). Era muito importante para Abraão que a garota fosse da mesma família – em nosso caso, isso significaria alguém da família de Deus. Ao chegar à cidade de Naor, o servo dedica um tempo para observar as garotas no poço. Rebeca é percebida por ser trabalhadora, gentil e generosa. Além disso, se interpretarmos a água em sua aplicação tipológica, ela poderia estar nos falando da Palavra de Deus – esta era a ocupação dela. A declaração de Rebeca sobre sua família é clara e concisa: “Eu sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a Naor” (Gn 24:24). Quando um indivíduo não pode dar uma clara confissão de fé, esse é um aviso claro. E, como se tudo isso não bastasse, Rebeca era bonita e pura. Rebeca era a garota! Não é de admirar que o servo tenha ficado completamente impressionado (Gn 24:15-21). Quando chegamos a Isaque e seu filho Jacó, não vemos o mesmo nível de preocupação no pai ou mesmo no filho, e o resultado reflete isso. “E Isaque chamou a Jacó, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de Canaã: Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de Labão, irmão de tua mãe” (Gn 28:1-2). A instrução inicial tem semelhanças com a dada por Abraão, no entanto, quando Jacó conhece Raquel, a única qualidade mencionada que ele observou foi: “Raquel era de formoso semblante e formosa à vista” (Gn 29:17). Jacó ficou impressionado com a figura e a boa aparência de Raquel. Não acredito que tenhamos lido sobre Jacó buscando a direção de Deus, de fato, no capítulo anterior, ele está com medo na presença de Jeová e pensa que pode fazer um acordo com Ele. A paixão não é um bom indicador para um casamento bem-sucedido. No capítulo seguinte, Gênesis 30, encontramos Raquel fazendo exigências despropositadas ao marido, e um Jacó zangado respondendo sem empatia ou preocupação por sua esposa. Raquel era idólatra, desonesta, enganosa e invejosa (Gn 30:1, 31:30-35) – características não tão desejáveis a serem descobertas em sua esposa. No entanto, Jacó, um homem carnal, encontrou o que procurava. Não quero sugerir que este par não fosse a vontade de Deus para Jacó, nem que Jacó realmente não amava a Raquel. Jacó tinha muito a aprender sobre si mesmo; ele era cego em relação a seus próprios defeitos, e sua paixão pela atraente Raquel, também o cegava em relação a ela. Temos uma perspectiva bastante diferente quando chegamos à história de Rute. Antes de prosseguirmos, no entanto, há um ponto a ser observado. A intenção principal dessas porções das Escrituras não é de nos instruir sobre como encontrar um(a) companheiro(a). Rute forma um elo importante na linhagem de Davi e, consequentemente, do Messias. O livro também é profético; Rute tipifica a restauração de Israel. No entanto, os detalhes incidentais em cada um desses relatos nos apresentam princípios divinos que podemos seguir em relação ao nosso assunto. Desde o início, aprendemos muito sobre o caráter de Rute. A história começa com sua fidelidade a Noemi e a seu Deus – “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1:16). Embora moabita, ela havia entrado no aprisco de Israel pela fé em Deus Jeová (Rt 2:12) e, como tal, a graça a tornava uma parceira elegível. Da mesma forma, alguém salvo de uma condição ímpia e encontrado na assembleia, é igualmente elegível. No entanto, sempre que houver diferenças significativas nos antecedentes, elas devem ser trabalhadas. Assim como Rebeca e Raquel, Rute não fica ociosa em casa; ela sai para o campo para colher. Embora o lado prático das coisas seja importante, se novamente reconhecermos o ensino alegórico – de um conjunto de coisas espirituais, especialmente na assembleia – a lição para nós é ainda mais significativa. De sua parte, Boaz não ignora Rute; a boa reputação dela a precedeu (Rt 2:11). Boaz é gentil e atencioso; ele dá comida e água à Rute e estende sua proteção a ela. Ao fazer isso, ele conforta essa estrangeira, pois ele fala ao coração dela (Rt 2:8-14). Verdadeiramente, essas são as raras qualidades a serem procuradas em alguém pretendido. Rute responde ao incentivo de Boaz e rapidamente se junta às suas moças durante toda a colheita (Rt 2:23). É interessante notar que Boaz tenha dito: “aqui te ajuntarás com as minhas moças”, mas Rute o cita dizendo: “Com os moços que tenho te ajuntarás” (Rt 2:8, 21). Talvez ela estivesse esperançosa em encontrar um jovem adequado e considerasse Boaz fora de seu alcance. Não se desvalorizem; vocês poderiam dar um passo de maneira imprudente! Naomi responde sabiamente: “Melhor é, filha minha, que saias com as suas moças, para que noutro campo não te encontrem” (Rt 2:22). Por uma questão de brevidade, deixarei que meus leitores se familiarizem com a história completa. No entanto, pode-se perguntar por que Noemi, que tinha sido tão cuidadosa com o caráter de Rute, a instruiu a descer para a eira. Ela deveria ir lá depois que os homens tivessem comido e bebido, ao final do dia. Quando Boaz se deitou para dormir, Rute foi instruída a descobrir seus pés e deitar-se junto a ele. Nesse caso, acredito, que agora é Boaz que precisava de algum encorajamento. Lembre-se, ele era muito mais velho que Rute e, concebivelmente, temia que essa jovem garota não o quisesse. Rute não apenas deu a ele o incentivo de que precisava, mas também o lembrou de sua obrigação perante a lei para consigo (Rt 3:9-13). No lado negativo das coisas, também encontramos exemplos de homens e mulheres na Bíblia que seguiram o coração. “E desceu Sansão a Timnata: e, vendo em Timnata a uma mulher das filhas dos filisteus, subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timna, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher. Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Tomai-me esta, porque ela agrada aos meus olhos” (Jz 14:1-3). Jovem rapaz, se você procurar uma mulher deste mundo que o agrade, você a encontrará! Sansão rejeitou o conselho de seus pais e conseguiu sua esposa. Não demora, no entanto, para que ela seja dada a outro homem. Sansão então toma uma prostituta antes de finalmente se estabelecer com Dalila – outra filisteia (Jz 16). A história de Dalila é vergonhosa, e acho que não existem muitos lugares neste mundo em que seu caráter não seja conhecido. Se formos levados pela concupiscência de nossos olhos e pela concupiscência da carne, por que deveríamos esperar um resultado melhor do que o de Sansão? Lemos a respeito de Sansão orando apenas duas vezes – e nas duas vezes ele estava no limite (Jz 15:18, 16:28). Que diferença teria feito se ele tivesse orado antes e se tivesse ouvido os conselhos de seus pais. Encontramos um conto triste semelhante com Diná: “E saiu Diná, filha de Léia, que esta dera a Jacó, a ver as filhas da terra. E Siquém, filho de Hamor, heveu, príncipe daquela terra viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a” (Gn 34:1). Assim como o homem, se uma garota procura um rapaz nesse mundo, ela encontrará o que está procurando. Os homens deste mundo acham as garotas Cristãs atraentes – e por que não achariam? Eles seriam tolos se não achassem. Uma garota Cristã deveria ter todas as qualidades que naturalmente atraem um homem – elas são puras, gentis, atenciosas, comprometidas, honestas, trabalhadoras, e a lista continua. Oro para que você não sacrifique sua vida a um jugo desigual, as coisas podem ser agradáveis a princípio, mas no final haverá tristeza. Quando andamos em desobediência à Palavra de Deus, o resultado não pode ser evitado. Rapazes, Assumam a Liderança! Nos exemplos bíblicos que consideramos, é o homem que toma a iniciativa de procurar uma esposa. Não apenas acredito que isso esteja correto e apropriado sob a perspectiva da Escritura, mas quando homens e mulheres aceitam suas responsabilidades dadas por Deus, eles crescem e prosperam. Rapazes, se vocês querem ver uma garota responder, corteje-a! A noiva expressa bem isso no Cantares de Salomão: “Leva-me tu, correremos após ti” (Ct 1:4). Por outro lado, um jovem que se recusa a assumir a liderança – a agir como pretendente – demonstra falta de maturidade. O versículo: “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher” (Gn 2:24), é encontrado quatro vezes na Escritura. O jovem deve estar pronto – espiritual, emocional e praticamente – para se afastar de seus laços anteriores, para assumir seu lugar como marido e chefe de uma nova casa. Isaque era bastante velho antes de Abraão, seu pai, procurar uma esposa para ele. A essa altura, ele estava pronto, tanto emocionalmente quanto na prática, para sustentar uma esposa. Alguns homens, quando jovens, se envolvem em relacionamentos com namoradas que claramente podem não chegar a lugar algum – exceto, talvez, a problemas! Os hormônios estão muito à frente de sua maturidade – ainda há muito crescimento e desenvolvimento que precisam ocorrer antes que eles estejam em condições de ter uma esposa. Claramente, nem todo jovem é intrépido, do tipo conquistador. Alguns são tímidos e reticentes. Eu entendo isto. É preciso uma boa dose de coragem para abordar uma garota. Independentemente disso, em algum momento, o rapaz deve mostrar alguma iniciativa. Não presuma que a liderança sempre deve ser caracterizada pelo impulso agressivo, associado ao temperamento do tipo conquistador. De fato, isso pode ser um verdadeiro balde de água fria. Existem outros estilos de liderança. Um servo líder coloca os outros em primeiro lugar, ajudando-os a crescer e brilhar de acordo com suas habilidades individuais. Que garota não responderia a isso? Eu já disse isso e vou repetir: Rapazes, comecem de joelhos! Em segundo lugar, observem. Observem como uma garota se comporta em sua família, na assembleia, em conferências bíblicas e em outras atividades. Se uma garota é desrespeitosa ou desdenha seu pai ou mesmo seus irmãos, é um forte indicador de como ela tratará os homens em geral. Os ambientes de grupo são uma maneira descontraída de interagir com outros jovens sem dar a impressão errada. Não tenha medo de iniciar uma conversa. Se o primeiro interesse que você mostra a uma garota é expresso pela pergunta: Você quer sair comigo? Ela provavelmente olhará pra você com uma expressão confusa e perguntará: Por quê? Conversar não é fácil para alguns rapazes – nem mesmo bater um papo. Para uma pessoa tímida, a conversa pode até ser um obstáculo. Quando as palavras falham, a tendência é preencher as lacunas com conversa sobre si mesmo. Pode não haver intenção de parecer centrado em si mesmo, mas isso pode facilmente ocorrer dessa maneira. Interesse-se pela outra pessoa, pergunte sobre ela – mas não a interrogue. Assuma a liderança na conversa e faça perguntas que demonstrem um interesse genuíno pelo que ela está dizendo. Se você não pode demonstrar interesse por outra pessoa, como espera passar sua vida com ela? Claramente, duas pessoas tímidas juntas é uma cena dolorosa de se ver! Às vezes, o foco em ter de inventar algo para falar torna-se penoso. Tente praticar uma atividade juntos, pois isso pode ajudar a quebrar esse constrangimento. Em todas as suas conversas, seja aberto e honesto. Não leve uma garota a desacreditar suas intenções. Certamente nem todos os rapazes são introvertidos. Não, há muitos que vão para o outro extremo. Eles tentarão bater papo com qualquer garota bonita que apareça em seu caminho. A busca por uma esposa não é um esporte! Corações estão envolvidos; talvez não o seu, mas possivelmente o da garota com quem você está flertando. Enganar uma garota não é amoroso nem gentil. Uma garota sábia guardará seu coração e não cairá na língua do bajulador: “a boca lisonjeira obra a ruína” (Pv 26:28). Não pretendo sugerir que não se possa falar com uma garota a menos que ela seja a pessoa certa, mas isso deveria ser feito de uma maneira que indique claramente suas intenções. Se é apenas para ser amigável, mantenha-o assim; não fique flertando! Num tom mais amplo: seja um cavalheiro! Isso não está muito na moda, especialmente nos dias de hoje. Atos de bondade, antes considerados corretos e adequados, não apenas foram abandonados pelos homens, mas em muitos casos, são rejeitados pela mulher. Todavia, independentemente da etiqueta moderna (ou da falta dela), as mulheres respondem ao respeito. O ato de abrir uma porta para uma garota ou oferecer-se para carregar algo pesado indica que você se importa com ela. “Amai-vos cordialmente uns aos outros” (Rm 12:10). Eu sugeriria à garota que essas coisas funcionam melhor quando não são exigidas; por outro lado, mostre sua gratidão quando um gesto é apreciado. Provocar pode ser divertido, mas apenas se ambas as partes estiverem gostando. Para todos nós, existem coisas que estão fora dos limites; aprenda a ler a outra pessoa e não brinque com coisas que magoam ou sejam grosseiras. Rapazes, puxar o rabo de cavalo ou a trança das garotas ficou na escola primária; tal comportamento é imaturo e, embora possa chamar a atenção dela, não a agradará. “Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos” (Ef 4:32). Meninas, Vocês Podem Ajudar! A garota certamente tem algo a dizer sobre seu futuro marido – afinal, é ela quem vai dizer: sim ou não! “Irás tu com este varão? Ela respondeu: Irei” (Gn 24:58). No entanto, não é característico de uma garota ser a que sai em busca. Seu papel é de atração, enquanto o papel dos rapazes deveria ser de ação. Então, como atrair um companheiro adequado? “Lava-te pois, e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce à eira” (Rt 3:3). Aparência e conduta são importantes. Isso pode parecer superficial, mas francamente, um livro é julgado pela capa. Rapazes são visuais; eles respondem ao que vêem. As garotas descobrem isso desde muito jovens, mas, embora entendam, parecem ter pouca compreensão do que realmente está se passando num cérebro masculino. Vivemos em um dia em que as garotas estão expondo cada vez mais seu corpo. Inquestionavelmente, isso provocará uma resposta visceral em um rapaz, mas é isso mesmo que você quer? Embora possa parecer paradoxal, estilos sedutores que provocam são tão estimulantes – e até mais – do que os estilos de se expor. Aliás, este último é um desestímulo para qualquer homem que se submeta ao Senhor. Procure ser bonita, não sensual – há tempo e lugar para isso dentro da santidade do casamento. A Escritura é clara quanto a vestimenta de uma mulher: “Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas ou vestidos preciosos” (1 Tm 2:9). No caso de você achar que Paulo (N. do A.: Tais opiniões sobre o apóstolo Paulo estão em desacordo com a inspiração das Escrituras Sagradas. Paulo não escreveu com base em seus preconceitos; recebemos as Escrituras em sua totalidade como Deus a inspirou (1 Tm 3:16) tinha uma visão deturpada das mulheres, ouça a Pedro – um homem casado: “Considerando a vossa vida casta, em temor. O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestidos” (1 Pe 3:2-3). Isso pode parecer tão desatualizado e fora de moda – mas acho que não precisa ser interpretado dessa maneira. A Escritura não diz o que vestir, mas descreve o caráter do que você deve vestir. Surpreendentemente consistente com esses versículos, as pesquisas nos dizem que os homens não gostam de maquiagem pesada ou jóias excessivas – embora eu perceba que os gostos variam consideravelmente. Se você deseja mais orientação da Escritura sobre estilo, então cabelos compridos estão definitivamente na moda! “Se a mulher tiver o cabelo comprido, é para ela uma glória” (1 Co 11:15 – TB). No que diz respeito à percepção dos rapazes, nunca saiu de moda! É claro que, para uma mulher piedosa, o comprimento do vestido e do cabelo vai muito além da moda ou de ser atraente – é uma questão de obediência à Palavra de Deus e de fazer o que é agradável ao Senhor. Embora a mulher virtuosa de Provérbios 31 não tenha nada de deselegante, ela conclui: “Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.” (Pv 31:30 – ARF). Um livro será aberto e, finalmente, será julgado pelo seu conteúdo. Uma mulher bonita com um espírito desprezível é uma companheira miserável. Você pode ser capaz de se vestir, mas nunca poderá esconder a agitação espiritual interior. Por outro lado, uma mulher piedosa que está em paz, e está caminhando reservadamente com o Senhor, brilhará com uma beleza que não pode ser replicada pela vestimenta. Rute não somente se vestia, ela também se lavava. Havia uma condição de coisas que acompanhavam sua aparência. Então, como alguém coloca essas coisas em prática? Uma planta vai parecer murcha e gasta se nunca tiver água o suficiente; a pessoa deve começar com oração e leitura. Em ambos os casos, as citações que dei acima estão incompletas. Paulo continua dizendo “mas (como convém a mulheres que se dizem piedosas) com boas obras” (1 Tm 2:10 – TB). Pedro acrescenta: “Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” (1 Pe 3:4). Imagino que algumas garotas (e rapazes) estão imaginando uma mulher tímida que tem medo de mostrar seu rosto – mas isso é consistente com os exemplos bíblicos que encontramos? Considere: Sara, Débora, Rute, Raabe, Maria, Priscila, Febe – e as mulheres que “receberam pela ressurreição os seus mortos” (Hb 11:35). Se você pretende ser uma adjutora, você precisará mostrar um pouco de firmeza. Se contrastarmos as palavras de Pedro com Provérbios 7 – “esta era alvoroçadora, e contenciosa” (v. 11) – então, acredito, começamos a ver algo do que ele está falando. Você preferiria ser, “alvoroçadora, e contenciosa”, ou, ser conhecida pelo seu “espírito manso e quieto”? Não busque impressionar os rapazes. Lembre-se, isso também vale para rapazes que procuram impressionar as garotas. Sempre que nos propusermos a impressionar, invariavelmente fracassaremos. Agir como “o cara” não vai fazer com que os rapazes gostem de você – afinal, eles estão procurando por uma garota! Naturalmente, um homem tem a necessidade de ser útil. Se você não tem necessidade de um marido, então por que um homem olharia para você? As histórias de uma donzela em perigo, resgatada pelo belo príncipe em seu cavalo, não surgiram do nada; de alguma forma elas refletem nossa mente dada por Deus. Uma observação positiva que podemos fazer sobre Jacó é que ele levantou a pedra do poço e deu de beber ao rebanho de Raquel (Gn 29:8-10). Cavalheirismo já existia naqueles dias. Se você deseja encorajar um jovem, talvez pudesse pedir ajuda a ele! Pode ser uma ajuda espiritual – e não seria maravilhoso, especialmente se fosse sincero? Mas também poderia ser algo prático. Por outro lado, não faça de todo telefonema, e de toda mensagem de texto, uma ocasião para expressar seus problemas. Você quer que ele fique animado quando ligar, não é? Não se insinue a um homem. Mas, por outro lado, se você não oferecer nenhum incentivo, transmitirá a mensagem – você não é o certo pra mim. Uma mulher que deseja um marido não se isolará. Ela estará nas reuniões de assembleia e nas conferências bíblicas. Ela estará ocupada procurando servir o Senhor em qualquer capacidade que tenha. Há uma história no final do livro de Juízes que oferece orientação para homens e mulheres jovens (Jz 21:16-23). Os homens de Benjamin procuraram esposas. Eles foram encorajados a irem para Siló na época da festa de Jeová. Foi lá que Deus colocou Seu nome em Israel – o tabernáculo poderia ser encontrado em Siló. Certamente este seria um bom lugar e ocasião para encontrar uma esposa. Foi dito aos homens de Benjamin: “Ide, e emboscai-vos nas vinhas. E olhai, e eis aí, saindo as filhas de Silo a dançar em ranchos, saí vós das vinhas, e arrebatai cada um sua mulher das filhas de Silo” (Jz 21:20-21). Isso pode soar engraçado e curioso, mas resumindo, eu confio no que foi dito. Rapazes, olhem onde vocês encontrarão garotas piedosas; e então as observem. De novo, por onde você anda? É nos vinhedos onde os frutos podem nascer para Deus? Meninas, se sua vida para o Senhor transparece em uma alegria para todos verem, vocês atrairão o tipo certo de homem. Finalmente, rapazes, mostrem alguma iniciativa e vão atrás daquela garota! Voltar ao índice Então Você Encontrou Alguém Quem é Ele(a)? É quase certo que a pessoa com quem você se casará, será relativamente uma desconhecida, por mais estranho que possa parecer. Seu pai, mãe, irmão, irmã e os avós a conhecerão melhor do que você a conhece. Você provavelmente não vai reconhecê-la logo pela manhã, ou saber como ela se comportará antes da primeira xícara de café. Que tal quando essa pessoa for privada de dormir, noite após noite por causa de um bebê com cólicas? De modo mais prático, será que ela tem paciência? A maioria de nós fica com raiva de vez em quando; mas como isto lhe parece? “Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espírito do que o que toma uma cidade” (Pv 16:32). Não gostamos quando uma pessoa começa a agir como criança, fazendo birra, ou quando se torna violenta ou verbalmente abusiva. Por outro lado, raiva e frustração podem ser tratadas de forma madura – mesmo que isso signifique ter que dar uma volta no quarteirão para se acalmar. Se você é do tipo que se intimida diante de uma explosão de raiva (e não há nada de errado com isso) então não se case com uma pessoa propensa a tais explosões. Talvez você seja capaz de lidar com isso uma ou duas vezes, quem sabe até 50 vezes, mas 50 anos pode ser mais do que você humanamente suportaria. Como se sentiria se seu cônjuge falasse assim com as crianças? Você vai se casar com uma pessoa, não com sua aparência, nem seu dinheiro, nem sua posição. “Eis que és gentil e agradável, ó amado meu” (Ct 1:16). Muitos neste mundo são lindos, mas não são tão agradáveis. Você precisa conhecer com quem está se casando. Você só pode fazer isso por meio da comunicação – e eu não quero dizer apenas cartinhas de amor, mas conversando sobre assuntos relevantes. Quando as coisas ficam sérias entre um casal, é essencial irem além daquele estágio onde cada um está adivinhando o que o outro está pensando; onde nenhum dos dois está disposto a dizer muito, pois não têm certeza de seu próprio compromisso. Os livros exploram bastante essa situação porque criam uma tensão e crise na história. Embora possa funcionar bem para um romance, isso não é tão divertido na vida real. Se você não pode falar sobre questões cruciais antes do casamento, o que faz você pensar que será capaz de fazê-lo depois? A habilidade de comunicação requer esforço e depende muito de como fazemos isso. Não comece uma conversa com, Precisamos conversar. Isso é o que os pais dizem às crianças. Tente expressar seus sentimentos e onde você está – isso parecerá menos ameaçador. Se for a garota falando, não se surpreenda se o rapaz não responder nada! Ele provavelmente quer pensar sobre isso. Por outro lado, meu jovem, não pense que precisa consertar a garota! Ela provavelmente não está pedindo uma solução. Ela não é um carro que precisa de reparos! Ofereça algumas palavras de encorajamento – algo que indique que você entendeu o que acabou de ouvir. A propósito, neste cenário poderíamos inverter os papéis e o conselho ainda valeria, embora a maneira como expus seja o padrão mais comum. As pessoas vêm com conexões, e, goste ou não, você será inserido no mundo delas quando se casar. Se você não puder tolerar a família da outra pessoa, isso será difícil. Você poderia escolher viver longe, mas o que o faz pensar que a pessoa com quem você está se casando é completamente desprovida dos traços familiares que você acha que são tão censuráveis? Oh, Eu sei: Ele (ou ela) é diferente, não se parece com o resto da família. Com certeza! Mas, será mesmo? Isso não será tão verdadeiro quanto você espera; apenas certifique-se de que não está cego pelo seu amor. Labão era um homem desonesto e astuto e sua filha tinha algumas dessas mesmas características familiares. Em uma observação mais positiva, Raquel era a mãe de José. Talvez alguns desses atributos que admiramos em José foram aprendidos com sua mãe, pois ele não tinha muita semelhança com seu pai, Jacó. Compatibilidade Uma das razões mais comuns dadas para o divórcio (onde seja necessária uma razão) é o da incompatibilidade de gênios. Simplificando, duas pessoas que são incompatíveis. A compatibilidade deve ser considerada em muitos níveis: de fé, espiritual, intelectual, temperamental, financeiro, recreativo e assim por diante. Haverá itens que são inegociáveis, como fé por exemplo, e haverá coisas que são menos críticas. É importante decidir o que é vital e o que não é. Se você não pode viver sem isso, então provavelmente é vital! Para citar uma referência literária: “Deixe-me aconselhá-la a pensar melhor sobre isso. Eu sei a sua disposição, Lizzy. Eu sei que você não poderia ser nem feliz nem respeitável, a menos que realmente estimasse seu marido; a menos que você o visse como a um superior. Seus joviais talentos a colocariam em maior perigo em um casamento desigual. Você mal poderia escapar do descrédito e da miséria. Minha filha, deixe-me não ter a dor de vê-la incapaz de respeitar seu parceiro na vida” (Orgulho e Preconceito, Jane Austen). Mais uma vez percebo o quanto a sociedade mudou os padrões Cristãos antes aceitos. Quando Jane Austen escreveu esta peça de literatura popular, não era para expressar visões radicais – seus escritos se inclinam para a observação satírica de seus semelhantes, seres humanos, e não para a derrubada das normas sociais. Esses sentimentos agora são amplamente vistos como sendo totalmente ultrapassados e certamente humilhantes para as mulheres. No entanto, o conselho do Sr. Bennett para sua filha, Elizabeth é, em geral, sólido. Teria sido bom se Austen tivesse focado em qualidades espirituais e não intelectuais – afinal, ela era filha de um pastor anglicano. É fundamental que a mulher escolha um homem a quem ela possa realmente estimar como sua cabeça; que possa alegremente admirar, honrar e respeitar. A compatibilidade intelectual não deve ser ignorada, mas devemos olhar além dos diplomas universitários. Casais de estilos de vida amplamente divergentes tornaram-se parceiros felizes no casamento porque compartilhavam um vínculo intelectual e curiosidades em comum, apesar das grandes diferenças na formação educacional. Se nos voltarmos agora para o homem, confio que esteja procurando uma adjutora. A que ele escolheu será uma ajuda espiritual ou um peso morto? Ou pior ainda, sua esposa será um desencorajamento espiritual? Não se case com seu ministério; se o seu campo de missão são as ovelhas perdidas deste mundo, case-se com uma pastora! “Mas Mical, a outra filha de Saul, amava a Davi” (1 Sm 18:20) e ainda assim ela não foi de nenhuma ajuda espiritual para ele. De fato, lemos que Saul a entregou a Davi, para que ela lhe service “de laço” (1 Sm 18:21). Eles não eram nem um pouco compatíveis espiritualmente. Você nunca vai discernir essas coisas a menos que esteja disposto a discutir assuntos espirituais juntos. Se há alguém que você está vendo atualmente, te pergunto: Você já orou com ele(a)? Já leram a Bíblia juntos? Talvez tudo pareça tão estranho, mas realmente, por que deveria haver constrangimento com alguém que professamos amar e que retribui nossas afeições? Mais que provável, nossos pensamentos estão longe; estamos muito ocupados planejando o que vamos fazer a seguir. É importante se divertir juntos – um casamento não vai durar se não gostarmos da companhia um do outro – mas há coisas mais fundamentais. Precisa haver aquela base sobre a qual o casamento repousa. Quando as crianças vêm, as coisas ficam bagunçadas muito rapidamente, a menos que a questão da compatibilidade em questões de fé seja resolvida muito antes do casamento. As questões financeiras são a principal fonte de conflito em cerca de 40% dos casamentos; para outros 50% é uma causa secundária de dificuldade. É importante para o casal entender que tipo de gestores de dinheiro eles são. O dinheiro é usado na Escritura como exemplo de fidelidade em coisas materiais (Mt 25:14-30). Devemos ser bons administradores dos recursos que Deus nos deu, não importa se pouco ou muito. Dinheiro não é simplesmente sobre atender às necessidades de alguém. Esperar que as necessidades de alguém sejam sempre atendidas não é prático nem bíblico; criar uma criança dessa forma é desastroso. Por outro lado, se vemos nossos recursos financeiros como pertencentes ao Senhor, então isso muda tanto a maneira como administramos nosso dinheiro quanto como o gastamos. Quando Abraão falou com seu servo, ele deu esta instrução: “Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento” (Gn 24:8). Embora isso esteja relacionado com Isaque não voltar à Mesopotâmia, acredito que há uma aplicação mais ampla. Se a esposa não está disposta a seguir seu marido, reconhecerá ela sua liderança? Além disso, se o homem pretende sustentar sua esposa – como é seu dever – seu emprego pode não permitir que ele se mude. É interessante notar que quando o servo de Abraão se apresentou a Labão, deixou claro que Isaque era um homem de posses; alguém que poderia sustentar uma esposa (Gn 24:35-36). Agora, uma garota não deve esperar que seu marido ofereça uma situação tão confortável como aquela que está acostumada. No entanto, se houver uma mudança significativa nas circunstâncias, isso deve ser discutido abertamente. Não estou sugerindo que o dinheiro seja o baluarte para o casamento, mas já que os dois estão nisso juntos, deveriam tentar fazer juntos um pouco de economia. Construir uma casa é uma responsabilidade conjunta. Muitos casais jovens começaram a vida de casados sem nunca terem sequer considerado o custo de administrar uma casa. Tudo isso pode parecer constangedoramente cotidiano, e nada romântico, e ainda assim estas são algumas das principais razões de conflito que as pessoas alegam quando este ocorre no casamento. Você não pode viver apenas de amor! Existem muitas outras áreas da vida onde as diferenças aparecerão: Você é uma coruja noturna ou uma pessoa matinal? É pontual ou nem tanto? Tem mania de arrumação ou é bagunceira? Espontânea ou planejadora meticulosa? Não ignore simplesmente essas diferenças; você vai ter de decidir se pode viver com essas diferenças ou não. Pequenas coisas podem crescer rapidamente e se tornar feridas graves, a menos que se tenha a capacidade e a graça de ignorar as fraquezas do outro. Uma pessoa que é sempre pontual pode ver a pontualidade como uma questão de integridade – abandonar esse hábito pode tocá-la muito pessoalmente. Aquele que não é pontual pode ver os horários como um objetivo, mas não uma promessa. Você pode conciliar a diferença? Alguém está disposto a mostrar um pouco de paciência quando o outro está atrasado? Você está pronto para dar ao outro ou a si mesmo mais tempo para que não estejam habitualmente atrasados? E as coisas que gostamos de fazer no nosso tempo livre? Talvez um goste de estar longe das multidões apreciando a natureza nas montanhas, enquanto o outro prefere estar no shopping com a agitação das pessoas. Claramente, essas são coisas onde as concessões adequadas podem criar uma relação viável. Nem toda atividade precisa ser feita em conjunto – mesmo no casamento. Um tempo sozinho é importante. No entanto, se não houver semelhanças, eu perguntaria: O que os une? Marido e mulher devem prover conforto mútuo e apoio um para o outro. Se não há interesses compartilhados, isso pode levar a um casamento muito solitário. O Pai ou Mãe de Seus Filhos As crianças e a família são uma das razões bíblicas para o casamento. Sendo assim, certamente precisamos passar algum tempo pensando na composição da unidade familiar. Isso começa com a escolha do cônjuge. Aquele com quem escolhermos nos casar será o pai ou a mãe dos nossos filhos. Acho que isso é bastante óbvio, mas vamos pensar um pouco sobre isso. Você vê seu namorado agindo como um pai? Ele pode ser um rapaz divertido agora, nada além de essencialmente um garoto, mas ele vai crescer? Ele vai ser a cabeça espiritual que você deseja? Ou ele vai sair com os amigos quando as coisas ficarem desagradáveis, deixando você trocando as fraldas sujas? De repente, sua infantilidade não é tão cativante – você tem um menino; você precisa de um homem. “Qual ave que vagueia longe do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando longe do seu lugar” (Pv 27:8). Talvez eu tenha direcionado injustamente meus comentários para o futuro pai. Embora o instinto materno possa ser forte para muitas mulheres (Is 49:15), há garotas que se casam sem nunca ter considerado as responsabilidades de guiar a casa (1 Tm 5:14). Afinal, garotas também querem se divertir. Criar filhos não é uma ocupação de meio período. Ambos os pais têm um trabalho importante a fazer. Inicialmente, a mãe tem um forte papel biológico sobre o qual ela tem pouca escolha, mas a maternidade vai muito além da biologia. O pai, além de cuidar e prover para a mãe e filho, tem um papel fundamental a desempenhar na manutenção da vida que ele ajudou a conceber. Você pode ver a pessoa com quem deseja se casar como o pai ou mãe de seus filhos? Embora eu já tenha abordado a questão de um jugo desigual, se ainda há alguém contemplando tal união, pense novamente! Não só é desobediência voluntária, mas as crianças, sem exceção, sofrerão mais. Como você vai lidar com isso quando seu cônjuge questionar tudo o que você diz sobre o Cristianismo – e ele vai questionar. Não sugiro que será de uma forma mesquinha; pode até ser, mas é mais provável que tudo seja muito racional. Mas isso não vai facilitar as coisas. Razão não é fé, e a razão nunca levará à fé. No início deste livreto, abordei três questões fundamentais. As duas primeiras relacionadas à fé e à assembleia. Estas são questões cruciais que devemos resolver em nossa vida individual; elas também devem ser resolvidas na vida de um casal bem antes de se casarem. Mesmo que ambos sejam salvos, estão de acordo de que as crianças precisam ser criadas na assembleia? Quando esta pergunta não é respondida, há o perigo de que a família deixe a assembleia. Já considerou a composição genética de seus futuros filhos? Certamente, há condições médicas que poderão requerer considerações, mas estas são relativamente incomuns. Nossos filhos são o produto de nossos genes combinados. Isso afeta a cor dos olhos e da pele, a altura, o tipo de cabelo e todas as outras características físicas. Também pode afetar qualidades menos tangíveis. Experiências nos moldam, e, sem dúvida, o trabalho de Deus dentro de nós é transformador. No entanto, somos vasos de barro e refletimos as fraquezas da humanidade pecaminosa. Procure por pontos fortes complementares e pense duas vezes sobre a composição de traços negativos. Tanto Jacó quanto Raquel eram enganadores e, seja por criação ou natureza, essa tendência foi claramente expressa em seus filhos. Eu Vou Mudá-lo(a)! Duas declarações são frequentemente ouvidas: Eu posso mudar, e Eu posso mudá-lo(a). Pode mesmo? Não estou falando só de uma marca de pasta de dente. Na verdade, não podemos e você também não pode. Estou convencido que mudanças são difíceis. Sim, nós mudamos, mas não mudamos a nós mesmos. Somente Deus traz mudanças, não nossa esposa ou marido. Quando percebemos que o custo de não mudar excede em muito o custo da mudança, é só então que estamos prontos para mudar. Muitas vezes a dor envolvida em tais circunstâncias não é algo que desejaríamos a ninguém. Temos um Deus amoroso que não inflige dor de bom grado, mas Ele infligirá e permitirá que a dor faça realizar Seu plano em nossa vida (Lm 3:32-33). Já parou para pensar que a dor é necessária? Leprosos não têm sensibilidade ao tato; como consequência, se machucam sem perceber. O resultado final é uma lenta destruição do corpo – eles perdem dedos das mãos e dos pés; se queimam e feridas se formam, tudo porque eles não sentem dor. Podemos agradecer a Deus pela dor; é uma maneira pela qual sentimos que fizemos más escolhas. Vamos orar para que nunca nos tornemos insensíveis, como um leproso, ao toque de Deus. No entanto, ninguém com qualquer sensibilidade voluntariamente inflige dor sobre si mesmo. Todos nós fazemos escolhas. Podemos tornar as coisas fáceis ou difíceis. Podemos tanto procurar caminhar de acordo com a vontade de Deus ou de acordo com a nossa própria vontade. Parece que alguns têm que seguir o caminho difícil. Você pode entrar em um casamento apressado, apaixonado pela pessoa que você acredita que vai fazer você feliz, e então suportar os anos de provação que vão junto com essa escolha. Sim, se você se arrepender e se voltar para Deus, aprenderá com isso; será uma pessoa mudada, e ainda poderá resultar em uma bênção maravilhosa. Mas não vamos esquecer, haverá um custo; você está criando uma circunstância da qual não pode escapar. Esse é realmente o caminho que quer tomar? O Conselho dos Outros Vivemos em uma cultura onde a escolha de um cônjuge é individual; ninguém mais vai fazer essa escolha por você. Mas ainda assim, ignorar o conselho dos outros seria tolice. Lemos sobre Rebeca: “E a donzela correu e fez saber estas coisas na casa de sua mãe” (Gn 24:28). Deve ter havido uma relação feliz entre mãe e filha – ela correu! Rute claramente consultou e confidenciou a Naomi e devo acrescentar, valeu a pena. É um comportamento Cristão normal para uma criança conversar com seus pais e buscar seus conselhos. “Filho meu, guarda o mandamento de teu pai, e não deixes a lei de tua mãe” (Pv 6:20). Quando os pais têm preocupações, elas devem ser cuidadosamente ponderadas diante do Senhor e não, raivosamente, descartadas como sendo irrelevantes. Se alguém se comporta assim, é um mau sinal para a relação matrimonial. Quão melhor quando a resposta dos pais é: “Do Senhor procedeu este negócio” (Gn 24:50). Considere o conselho de ambos os pais. É fácil escolher quem queremos ouvir. Quando há consenso, de uma forma ou de outra, certamente isto é um forte indicador. A dor de um rompimento não é nada comparada a uma vida de arrependimentos e tristezas. É tarde demais quando estiver gemendo “no teu fim, quando se consumirem a tua carne e o teu corpo, e digas: Como aborreci a correção! e desprezou o meu coração a repreensão! E não escutei a voz dos meus ensinadores, nem a meus mestres inclinei o meu ouvido!” (Pv 5:11-13). Mesmo que apenas os pais de um dos dois se oponham à relação, isso pode representar uma grave divisão na família. Como você vai lidar com isso? Você já falou com os avós? A sabedoria deles, juntamente com uma perspectiva incomparável, poderia ser inestimável. Aliás, como seu namorado ou namorada interage com os pais, irmãos e avós dele ou dela? Se o jovem não é gentil e amável com sua própria mãe, então por que ele trataria sua esposa de forma diferente? É bom, também, observar como seu namorado ou namorada interage com tua família e especialmente com teus pais. Ele ou ela os tratam com respeito ou com descaso? Claro, se você falou mal de teus pais, então essa pessoa provavelmente também falará. Se este for o caso, você precisa acertar as coisas em casa, antes de prosseguir com o relacionamento. E o conselho dos amigos? Você pode contar com um verdadeiro amigo para conselhos fiéis. “Leais são as feridas feitas pelo amigo” (Pv 27:6 – ARF). Cuidado, no entanto, com alguém que eventualmente deseja o melhor para você – que seus sonhos possam se tornar realidade. Pegos na emoção do momento, seus conselhos não serão objetivos. Se nossos amigos são tão rebeldes quanto nós, então seus conselhos podem ser muito ruins – como com Jonadabe e Amnon. Razões Ruins para se Casar A decisão de se casar é séria; decisão que biblicamente não pode ser anulada quando as coisas não saem como esperamos. Casar porque estamos sozinhos, ou porque não há mais ninguém que nos queira, é uma péssima ideia. A felicidade que tanto desejamos é improvável de ser encontrada em tal união. Pior ainda, a angústia em que poderia resultar, excederá em muito a solidão que uma vez sentimos. Casar por piedade, ou porque pensamos que podemos consertar alguém, também são receitas para o desastre. Uma garota pode ser atraída por um rapaz inepto porque acredita que ele só precisa de um pouco de amor – peço encarecidamente, não faça isso. Quantos corações foram partidos – não apenas da garota ou do rapaz – mas dos pais e avós, por causa de tais uniões tão mal consideradas. Casar para escapar de casa sugere necessidades mais profundas que devem ser abordadas; essas questões serão simplesmente levadas para a relação matrimonial. Este é o único lugar onde eu vou encorajá-lo a se casar por amor; amor verdadeiro por parte de ambos – amor altruísta que deseja o melhor para a outra pessoa. Busque uma relação que traga glória e honra a Deus; uma união que Ele possa realmente abençoar. Sinais de Alerta Se você acordar de manhã pensando: Será que ela ainda está brava comigo? Será que ele vai falar comigo hoje? Certamente, estes não são bons sinais! Se a sua cara metade não é alguém com quem você possa falar livremente, alguém com quem possa compartilhar seu coração; se não há objetivos comuns; e um desejo de estar juntos; se não há emoção quando o número dele aparece no seu celular, então há algo faltando no relacionamento. Se as características que irritam em uma pessoa superam aquelas que atraem, estes são sinais claros de alerta! Pense nas coisas que você faz: elas estão fluindo de um afeto que você tem pelo seu namorado ou namorada, ou é para obter uma reação? É surpreendente como as pessoas podem mudar quando querem dar certa impressão, mas tal engano não dura muito tempo. Se você só vai às reuniões da assembleia e conferências bíblicas simplesmente para estar com uma determinada pessoa, então isso não é bom sinal para a relação. Esta encenação começará a se desvendar com o tempo. Por outro lado, uma relação forte será estabelecida se você estiver nas reuniões porque quer estar lá; porque você quer aprender e crescer, e porque vocês juntos valorizam a Palavra de Deus. Tal relação tem sua base em uma rocha; há um objetivo comum do mais alto caráter. O casamento requer esforço, mas deve começar com o pé direito. Certamente ninguém quer que a lua-de-mel acabe depois da primeira semana. Embora haja, sem dúvida, muitos sinais de alerta, especialmente comportamento e ações contrárias ao que escrevi até agora, vou tocar em apenas um outro, o ciúme. Ciúme é uma palavra interessante. Tem os dois lados, um lado bom e um ruim. Deus tem ciúmes do Seu povo, e certamente não é inapropriado ter uma inquietação por ciúme de quem você ama. No entanto, dito isso, o ciúme que toma a forma de despeito desconfiado é muito destrutivo. “Duro como a sepultura [é] o ciúme” (Ct 8:6). “Mas quem é capaz de resistir ao ciúme?” (Pv 27:4 – JND). O ciúme é como uma erva daninha que cresce até sufocar a vida. Os relacionamentos devem ser construídos sobre confiança; se você não pode confiar em uma pessoa, então, francamente, não há muito de um relacionamento. Eu acrescentaria esta ressalva: quando professamos estar em um relacionamento com outra pessoa, então nosso comportamento deve mudar. Um rapaz, que está vendo uma garota em particular, não deveria flertar com outras que cruzam seu caminho; as coisas já não são como eram antes. Se não houver apego especial, isso deve ser esclarecido e refletido em sua conduta. Não mantenha uma garota em uma coleira enquanto você explora outros interesses. Embora eu tenha usado o exemplo de um rapaz com uma garota, o inverso é igualmente verdadeiro. Se você professa ter apego a certo jovem, então aja de acordo com isso, ou então esclareça a confusão. Não deixe deliberadamente uma pessoa na dúvida. Voltar ao índice Pensamentos Finais Talvez a essa altura, você esteja extremamente desencorajado. Como encontrarei uma companhia adequada? Não é meu desejo desencorajar, mas sim, “para que te vá bem” (Rt 3:1 – TB). Lembre-se: você não encontrará um cônjuge perfeito. Não somos perfeitos – sim, em Cristo somos – mas até sairmos desta cena, a carne ainda está em nós. Mesmo que se execute tudo perfeitamente, não devemos esperar um casamento sem problemas. “Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia, os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos” (1 Co 7:28). Um casamento é algo que construímos. A vida não termina com a última página do romance, ou quando nos filmes os créditos rolam na tela; esse é só o começo. De certa forma, a parte fácil acabou e os verdadeiros desafios estão por vir. A menos que vocês tenham orado sobre isso, a menos que vocês tenham pensado nisso, a menos que vocês tenham planejado isso juntos, e procurado o conselho dos outros, vocês terão algumas surpresas infelizes. É um pouco tarde procurar a direção de Deus depois do casamento. Sim, oramos juntos no casamento, mas se esperamos até lá, esperamos demais. A oração não substitui o mal planejamento; a oração é parte integrante de todo o processo. Comece a orar agora. Um bom casamento é um investimento, mas pagará ricos dividendos. É um investimento no tempo, na comunicação e, mais importante, no crescimento espiritual conjunto. Desde que Cristo seja o centro da relação, e havendo um sentimento de amor e de boa vontade um em relação ao outro, diferenças e dificuldades podem ser superadas. Voltar ao índice PARTE III Decisão de Não se Casar “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se” (1 Co 7:7-9). Casar-se não é para todos. Para alguns, esta pode ser uma decisão consciente, para outros, uma circunstância em que eles se encontram. O apóstolo Paulo nunca se casou, pelo que sabemos, e isso lhe deu grande liberdade em seu ministério. Ele sofreu muitas coisas que nunca pediria a uma esposa que suportasse. Nem o casamento nem o celibato são mandamentos; os sistemas religiosos dos homens perverteram o que é de Deus “proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1 Tm 4:3). Há vantagens em se permanecer solteiro; por exemplo, não estar preso em preocupação com seu cônjuge. A Escritura não fala disso de forma egoísta, mas como um meio de servir ao Senhor. Esta decisão não se limita aos homens, mas também pode ser a escolha de uma mulher. “Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher. Também há diferença entre uma esposa e uma virgem. Há diferença entre a mulher casada e a virgem: a solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido. E digo isto para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor sem distração alguma” (1 Co 7:33-35). O casamento não é algo mundano, mas é para este mundo; é apenas para este tempo e não para a eternidade. Tenha em mente, no entanto, que ter uma esposa não impede o ministério de alguém. Pedro era um homem casado: “Não temos nós direito de levar conosco uma mulher irmã, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas [Pedro]?” (1 Co 9:5). Temos outro lindo exemplo em Áquila e Priscila. Para muitos que se encontram solteiros, não é por escolha. Isso pode vir a ser uma verdadeira provação. A vida parece estar passando por eles e ainda não encontraram o par certo. Se alguns se encontram nesta situação, ou mesmo se acreditam que isso seja de sua própria escolha, eu os encorajaria a estar diante do Senhor sobre isso. Irritar-se com o próprio destino na vida nunca leva a um espírito feliz. O Senhor tem planos para você. Talvez Ele não deseje que você permaneça solteiro para o resto de sua vida, no entanto, o momento não é o certo. “Deleita-te também no Senhor, e Ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia n’Ele, e Ele tudo fará” (Sl 37:4-5). Enquanto isso, mantenha-se ativo e ocupado. Ajudar os outros, viajar, ser um testemunho para o Senhor em qualquer posição que Ele te coloque. Não faço pouco caso desta circunstância, mas estar contente em qualquer estado que sejamos encontrados é uma condição feliz; estar casado e infeliz é uma provação terrível. Voltar ao índice Homossexualidade As Escrituras falam de amor entre indivíduos do mesmo gênero. “A alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi: e Jônatas o amou, como à sua própria alma” (1 Sm 18:1). Em sua morte, Davi escreve sobre Jônatas: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres” (2 Sm 1:26). Este mundo é obcecado por sexo. A mente natural é totalmente pervertida. Assim que se fala em amor, assume-se que há uma união sexual. Amor agape, parece, é desconhecido, e o amor eros toma o seu lugar. O fato de o amor de Davi por Jônatas exceder o amor das mulheres indica que ele era inteiramente sem motivos sexuais. “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis: antes o seu entendimento e consciência estão contaminados” (Tt 1:15). A Bíblia é perfeitamente clara quanto à posição de Deus em relação a toda imoralidade, e isso inclui relacionamentos sexuais entre indivíduos do mesmo gênero. “Quando também um homem se deitar com outro homem como com mulher, ambos fizeram abominação” (Lv 20:13). Traga isso à tona, no entanto, e objeções violentas são levantadas imediatamente. Será mencionado que a Lei Mosaica também proíbe comer carne de porco e ostras: Também estamos sujeitos a esses estatutos? A isso eu responderia: A lei diz: “Não furtarás” (Êx 20:15) e será que é correto roubar hoje? “Não adulterarás” (Êx 20:14). O adultério é aceitável? Que tal, “Não matarás” (Êx 20:13)? Os princípios morais da lei são tão válidos hoje quanto eram quando foram escritos. No Novo Testamento, encontramos a confirmação disso: “Aquele que furtava, não furte mais” (Ef 4:28). “Seja honrado o matrimônio por todos, e seja o leito sem mácula; pois aos fornicários e adúlteros, Deus os julgará” (Hb 13:4 – TB). “Que nenhum de vós padeça como homicida” (1 Pe 4:15). Em distinto contraste, a liberdade do Cristão em relação às restrições alimentares da Lei de Moisés é perfeitamente esclarecida: “Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças. Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças” (1 Tm 4:3-4; veja também At 10:10-15). Embora a Lei mosaica não seja a regra de vida do Cristão (a graça vai muito além de suas reivindicações), existe um uso correto e adequado da lei: ela traz todas as coisas contrárias aos seus princípios morais para debaixo da condenação. “A lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores... para os fornicários, para os sodomitas... e para o que for contrário à sã doutrina” (1 Tm 1:9-10). O Novo Testamento não nos deixa em dúvida quanto à posição do Cristão em relação à homossexualidade. “Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm 1:26-27). “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus” (1 Co 6:9-10). “Assim como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se corrompido como aqueles e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Jd 7). O Senhor Jesus descreveu a natureza do relacionamento matrimonial aos Seus discípulos. Gostaria novamente de chamar sua atenção para o capítulo 19 do Evangelho de Mateus. “Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez... e serão dois numa só carne” (Mt 19:4-5). Curiosamente, nessa mesma porção, o Senhor observa: “há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe” (Mt 19:12). Alguns homens não têm um desejo sexual por mulheres. É uma condição em que nasceram; não há sugestão de que algo os mudará. Isso não está errado – na verdade, poderia ser usado para a glória de Deus. De maneira alguma, porém, isso fala de homossexualidade. Um relacionamento homossexual não se justifica com base em nossos desejos naturais ou na falta deles. Da mesma forma, o desejo de um homem por uma mulher não justifica a fornicação ou o adultério. Além disso, simplesmente porque algo é consensual, não o torna moral ou correto aos olhos de Deus. Eu mal toquei a superfície deste assunto; este é um daqueles sobre os quais a Escritura está longe de ser silenciosa. O homem, no entanto, encontrará uma maneira de justificar seu comportamento, é sua natureza: “pecado é iniquidade [ausência de lei – JND]” (1 Jo 3:4). Não importa como os governos escolham redefinir o casamento, isso é apenas um disfarce para o homem de independência obstinada a um Deus santo e justo. Voltar ao índice Comportamentos Destrutivos A palavra grega para prostituta é porne. Quando combinada com grapho, a palavra que significa “escrever”, chegamos à palavra em Português pornografia. O Senhor Jesus no Sermão da montanha disse: “Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5:28). No Jardim do Éden, Adão e Eva estavam nus, mas quando o pecado entrou e seus olhos se abriram, o que era belo e perfeito aos olhos de Deus se tornou uma fonte de concupiscência. Deus providenciou roupas para Adão e Eva, não porque estavam com frio, mas para cobri-los. Vivemos um tempo em que a pornografia está acessível ao toque de um botão. No passado, o esforço e a vergonha para se conseguir esse material impediam a maioria dos jovens de obtê-lo. A pornografia, como qualquer outra compulsão, é altamente viciante. Traz uma resposta fisiológica que não é diferente do efeito de uma droga. Infelizmente, hoje uma geração de jovens tem sido afetada por esse vício. Além de sua óbvia natureza pecaminosa, também é altamente destrutivo. Quando um homem olha para sua esposa, há uma conexão que vai muito além do físico; existe um forte laço emocional que une os dois. Quando a pornografia é vista, uma mulher é reduzida a um mero objeto de sexualidade e perversão. Uma mulher que se faz objeto de pornografia se desvaloriza; isso destrói sua auto-estima. Em vez de se ver como Deus a vê, e reconhecer o valor que Ele atribuiu a ela, a medida de seu valor é determinada pelos olhos maliciosos de homens corruptos. Jovens garotas, se alguma de vocês está namorando um homem que tem um problema com pornografia – e, infelizmente, homens Cristãos foram apanhados nesta epidemia – cuidado! Seria sensato e apropriado interromper o relacionamento até que o assunto fosse completamente julgado. O vício não cessará com o casamento e, na verdade, você estará dentro de um relacionamento adúltero. Além disso, as coisas que ele viu – e que erroneamente ele acredita que você apreciará – serão totalmente degradantes. Vivemos em um mundo de fantasia. Experiências que antigamente só podiam ser lidas, ou mais recentemente, testemunhadas em um filme, agora podem ser experimentadas virtualmente pela tecnologia moderna. Tal como acontece com o assunto que acabamos de considerar, essas coisas atraem a carne. Só porque não estamos efetivamente fazendo algo, não o torna correto ou aceitável. “Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem [têm comum deleite – JND] aos que as fazem” (Rm 1:32). Ter prazer em matar alguém, mesmo que seja virtual, é ao mesmo tempo pervertido e pecaminoso. Os vícios resultam da agitação que a atividade proporciona; por um momento, a pessoa se sente bem. Tira-o da sua realidade presente e de todos os seus conflitos – é uma forma de escapismo. Há prazer no pecado por um tempo (Hb 11:25). À medida que o homem se distancia de Deus, a necessidade de tais diversões aumenta e Satanás fica mais do que feliz em provê-las. Qualquer dependência, seja de drogas ou álcool, pornografia ou videogames impuros, será destrutiva para o casamento. Muitas dessas coisas parecem atormentar os homens, mas não se limitam a eles. Uma garota que viveu em uma dieta de romances tolos terá uma visão distorcida do verdadeiro amor romântico. Esses livros são apenas outra forma de fantasia. Como em qualquer vício, quando o efeito desaparece, a dose deve ser aumentada. A literatura erótica agora está sendo aceita como convencional e é especialmente popular entre as mulheres. Voltar ao índice O Que Fazer Quando Erramos? É importante reconhecer a seriedade do pecado aos olhos de um Deus santo. A graça não diminui o padrão de Deus – longe disso. De fato, são aqueles que buscam obter aceitação diante de Deus pelas obras, ou guardando a lei, que tentam inventar desculpas ou limitar o alcance da lei (N. do A.: Como vemos no caso do intérprete da Lei na parábola do Bom Samaritano - Lc 10:29). É somente no evangelho da graça de Deus que temos a revelação completa da justiça divina. Não há absolvição do pecado; devemos julgar o pecado como Deus o vê. Uma vez que o pecado é reconhecido sob essa luz, começamos a ver algo do seu horror. O verdadeiro arrependimento é tomar o lado de Deus contra si mesmo. Se eu realmente reconheço que Cristo sofreu por mim na cruz, isso não me deixará indiferente ao pecado – no entanto, eu vejo minha libertação lá. Pelo contrário, isso me dará uma ternura maior de espírito e de sentimento. Erro não é tratado por meio de penitência, promessas renovadas ou por auto repreensão. Deve haver confissão e abandono das coisas que levaram ao erro (Pv 28:13). “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9). O verdadeiro arrependimento se manifestará em um coração quebrantado e contrito (Sl 51:17); quebrantado por ter desonrado ao Senhor, e contrito por causa do erro. Não é o desejo de Deus nos levar ao desânimo onde tudo é desesperança – isso é obra de Satanás. Antes, é a advocacia do Senhor que nos leva, primeiramente, ao arrependimento pela aplicação de Sua Palavra, e depois, em segundo lugar, a uma condição de verdadeira restauração (Lc 22:61-62; Jo 21:15-19). Tenha em mente que isto é um processo e não algo pontual. “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7:10). O pecado é invariavelmente acompanhado de consequências, e nas coisas morais elas podem ser significativas (Gl 6:7). No entanto, isso não impede a restauração. Pode certamente significar mudança de circunstâncias, mas se julgarmos o pecado e nos voltarmos totalmente para o Senhor, seremos abençoados. Davi pecou do modo mais abominável. Ele cometeu adultério com Bate-Seba; causou a morte de Urias, o hitita; e por tudo isso, uma criança nasceu. No Salmo 51, lemos a oração de Davi de confissão e humilhação. No final, houve bênção: O filho de Bate-Seba, Salomão, sentou-se no trono de Davi. No entanto, o preço que Davi pagou foi alto. Ele perdeu a criança concebida por seu adultério; seu filho Amnon foi morto; Absalão morreu como resultado da insurreição e, finalmente, Adonias morreu por sua pretensão ao trono. Quem foi restaurado no Senhor deve ser recebido como tal (2 Co 2:6-8). As lições profundas que esse indivíduo terá aprendido deixarão uma marca indelével em sua alma. Tal pessoa pode muito bem ser de maior serviço ao Senhor após a queda do que antes, pois a fraqueza que levou ao erro foi reconhecida e julgada. Pedro foi totalmente restaurado ao Senhor e a seus irmãos. Por outro lado, quando alguém cai repetidamente no pecado – especialmente quando é o mesmo pecado – é questionável se a coisa já foi realmente julgada. O arrependimento deve ser acompanhado pela ação; não são simplesmente palavras. “Por seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16) é um aviso solene, mas verdadeiro. Quando se trata de casamento, seria imprudente e possivelmente não bíblico entrar em um relacionamento com uma pessoa que, repetidamente, cai em pecado, especialmente quando é de caráter moral ou viciante. Voltar ao índice Epílogo O casamento é uma instituição estabelecida por um Deus Santo para a bênção da humanidade. Por não ficar satisfeito com o que Deus deu, o homem redefiniu o relacionamento matrimonial para se adequar à sua própria natureza pecaminosa. Independentemente do que o raciocínio humano possa decidir, se andarmos em obediência à Palavra de Deus, as bênçãos que dela provêm são nossas para desfrutarmos. No entanto, não deveríamos ver o casamento simplesmente como algo para nosso próprio bem e bênção; é uma honra a Deus e traz glória ao Seu nome. “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16). Isso deve ser verdade em relação a tudo o que fizermos e, por falar nisso, a todos os relacionamentos em que nos envolvermos – e principalmente naquele entre marido e mulher. Além disso, dentro do relacionamento matrimonial deve haver uma expressão desse amor e respeito que existe entre Cristo e Sua noiva, a Igreja. Infelizmente, muitos casamentos Cristãos são baseados em desejos egoístas. Eles não foram concebidos com muita consideração, nem pelas necessidades da outra pessoa, nem para a glória de Deus. A Cristandade deve assumir grande parte da culpa pelo colapso do relacionamento matrimonial. No entanto, mesmo nos casamentos mais estranhos, bênção e felicidade ainda são possíveis quando o Senhor realmente se torna o foco do marido e da mulher – mesmo quando parece haver pouco em comum. Este livreto foi escrito para quem procura um cônjuge. Embora possa parecer negativo, com muitos avisos e muitos conselhos, este é um passo importante com sérias consequências. Não precisa ser complicado nem frustrante, mas o resultado dependerá da maturidade e da atitude dos envolvidos. Se colocarmos Deus em primeiro lugar em nossa vida, e aquele que professamos amar em segundo lugar, um final feliz estará prestes a ser visto. “E Isaque trouxe-a [Rebeca] para a tenda de sua mãe Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe” (Gn 24:67). VOLTAR AO ÍNDICE

  • A PRESENÇA e PODER do ESPÍRITO de DEUS

    Cinco Grandes Coisas que o Espírito faz no Crente (Walla Walla, Washington – 27 de junho de 2003) ÍNDICE Introdução O Selo do Espírito O Penhor do Espírito A Unção do Espírito A Lei do Espírito Ser Cheio do Espírito INTRODUÇÃO Vamos ler João 14:16-17: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará Outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade; … vós O conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” Gostaria de falar sobre a presença e o poder do Espírito de Deus, e como esse grande recurso (de termos uma Pessoa divina habitando dentro de nós) é capaz e está disposto a nos ajudar em nosso caminho Cristão. Temos sido abençoados com muitas provisões maravilhosas de Deus para nos ajudar em nosso caminho por este mundo. A segunda epístola de Pedro 1:3, diz que Ele “nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade”. Porém o maior de todos esses é o dom da habitação permanente do Espírito em nós. Quando o Senhor Jesus estava prestes a voltar ao céu, Ele anunciou aos Seus discípulos que a vinda do Espírito de Deus, como o “Consolador”, seria conhecida de duas maneiras: Ele habitaria “com” eles. Ele estaria “neles”. Estas são as duas maneiras pelas quais o Espírito reside na Terra hoje. Quero falar particularmente sobre esta última – a presença do Espírito “no” crente – e mostrar como Ele é capaz e está disposto a nos ajudar em nosso caminho para o céu. Então, vejamos agora algumas das funções do Espírito de Deus que habita em nós e como Ele trabalha para o nosso bem e bênção. Gostaria de apontar pelo menos cinco coisas diferentes que o Espírito faz por nós, ajudando-nos a viver para a glória de Deus. Voltar ao índice O SELO DO ESPÍRITO Vamos ver primeiro em Efésios 1:13: “Em Quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo n’Ele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”. Esta passagem nos diz quando o Espírito vem habitar em uma pessoa – é quando cremos no evangelho de nossa salvação. Se você não creu no Senhor Jesus Cristo e não depositou sua fé na obra consumada de Jesus na cruz, você não é salvo e, portanto, não poderia ter esse grande dom de Deus. No entanto, assim que uma pessoa crê no evangelho de sua salvação, o Espírito de Deus entra para selar essa pessoa e habitar nela a partir daquele momento. Existem muitas ideias confusas sobre como o Espírito de Deus é recebido. Algumas pessoas acreditam que devem se reunir e orar, chorar e pedir a Deus que lhes dê o Seu Espírito. Alguns cantam repetidas vezes: “Senhor, dá-me o Espírito, dá-me o Espírito...”. Elas frequentemente se esforçam até alcançar um incontrolável frenesi, pedindo a vinda do Espírito. Mas, posso dizer-lhe que não é assim que o Espírito de Deus é recebido. A Escritura que acabamos de ler estabelece isso para nós; diz que o Espírito é recebido ao crermos no evangelho de nossa salvação. Receber o Espírito não é algo que devemos suplicar e implorar a Deus. Não! Recebemos o Espírito, como um selo, imediatamente após crermos no evangelho da graça de Deus, e somos habitados por Ele a partir desse momento em nossa vida. Aqui encontramos a primeira grande função do Espírito de Deus. Tendo vindo habitar no crente, o Espírito coloca o selo de Deus sobre ele como pertencendo a Cristo. O selo do Espírito é o meio pelo qual o crente recebe a certeza de sua salvação – “tendo n’Ele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”. Esta, eu digo, é a primeira obra que o Espírito de Deus faz no crente – para dar-lhe a certeza de que é salvo. Novamente, confio que todos nós aqui ouvimos e cremos no evangelho. Eu espero que você saiba que Jesus Cristo morreu por você na cruz e que Ele levou seus pecados; e que você sabe com certeza que é salvo. Este não é um sentimento caloroso indistinto que o Espírito nos dá, mas um entendimento do fato, estabelecido na alma. A presença residente do Espírito de Deus está em todo Cristão. Como mencionado, a habitação do Espírito não ocorre com um enorme estrondo de trovão, ou com alguma experiência sensorial ou outro sentimento; é algo silencioso que ocorre quando, por fé, recebemos o Senhor Jesus como nosso Salvador. O selo do Espírito é como um fazendeiro que vai ao mercado de pecuária e compra algumas cabeças de gado. Ao comprar os animais, ele coloca neles sua marca (seu selo) para mostrar que agora lhes pertencem. A ilustração fica aquém da verdade completa do selo do Espírito, porque os animais não saberiam que tiveram uma mudança de proprietário. Ao crente, por outro lado, é dado esse conhecimento. É verdade que um Cristão pode perder a alegria de sua salvação (Sl 51:12), mas ele não perde o conhecimento de que é salvo. Deixe-me perguntar: “Você tem em sua alma a certeza abençoada de que pertence ao Senhor Jesus? Você sabe, sem sombra de dúvida, que está seguro para a eternidade por causa do sangue derramado do Senhor Jesus Cristo?” Isso acontece quando cremos no evangelho de nossa salvação e descansamos na obra consumada de Cristo na cruz. Se é assim, então o Espírito de Deus, como Convidado divino, passou a residir em sua alma e a dar-lhe a certeza de sua salvação. Voltar ao índice O PENHOR DO ESPÍRITO Agora vamos olhar para outra coisa – o penhor do Espírito. Efésios 1:14 diz: “O Qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória”. Esta segunda obra do Espírito de habitar em nós, como o “penhor”, é nos dar uma antecipação do céu – o gozo da porção que é nossa em Cristo. O “selo” do Espírito me faz saber que sou Sua possessão, mas o “penhor” do Espírito me faz saber que também tenho possessões! O selo me diz que eu pertenço a Ele, mas o penhor me diz que existem coisas que pertencem a mim. Hoje em dia, quando você compra um imóvel, o corretor pede o pagamento da “caução em dinheiro (penhor)” – um adiantamento, que é um pagamento parcial antecipado. Isso mostra que você realmente pretende fazer a compra e não desistirá mais tarde. Portanto, o Espírito de Deus, a nós dado como o “penhor”, é um sinal de que Deus tem toda a intenção de concluir a transação no tempo combinado. Até que Cristo venha nos levar para casa em glória, o objetivo do Espírito é ocupar-nos com nossa porção em Cristo – para nos dar a conhecer quão ricamente fomos abençoados (1 Co 2:12). Ele deseja colocar diante de nós toda a sorte de bênçãos que são nossas em Cristo para que possamos desfrutar de nossa porção antes de chegarmos lá. Que privilégio maravilhoso é ter o Espírito habitando em nós! Ele nos ajuda a desfrutar da terra para onde estamos indo antes de lá chegarmos. Ele toma as coisas de Cristo e nos mostra, enquanto ainda estamos aqui neste mundo – dando-nos uma amostra do céu (Jo 16:14). O Sr. H. P. Barker tinha uma bela ilustração dessa obra do Espírito. Ele planejava fazer uma viagem para além do mar e prometeu levar seu filho com ele. Para a diversão do menino a bordo do navio, comprou-lhe uma luneta – não um brinquedo, mas um instrumento apropriado para o uso. Quando a viagem estava quase no fim, houve o rumor de que a terra estava à vista. O Sr. Barker disse que não podia ver nada, mas seu filho com a luneta podia ver as colinas com bastante clareza. Em seguida, ele pôde avistar o contorno das colinas, mas seu filho exclamou: “Pai, eu posso ver casas no porto e as pessoas andando no cais!” A luneta lhe dera uma visão mais clara da terra para onde estavam indo. Isso permitiu-lhe ter vislumbres dela antes que lá chegassem. É isso que o Espírito Santo, como “penhor”, faz por nós. Ele nos permite desfrutar agora das grandes coisas que constituem nossa porção eterna a nós reservadas no céu (1 Pe 1:4). George Cutting também fez uma boa ilustração do “penhor do Espírito”. Ele contou sobre um fazendeiro que comprou algumas ovelhas no mercado e, trazendo-as para casa, entregou-as ao capataz da fazenda, dizendo-lhe para colocá-las no curral em frente ao celeiro. Então lhe pediu que fosse ao campo e cortasse um pouco de capim e colocasse no curral para que as ovelhas pudessem desfrutar dele. Depois disse: “De manhã, vamos soltá-las nesse campo, para que possam desfrutar dele plenamente!” Essa é uma bela ilustração do que o Espírito está fazendo por nós agora. De manhã (quando o Senhor vier), seremos libertados, por assim dizer, para a nossa porção em nosso estado glorificado. Enquanto isso, o Espírito está deixando cair “alguns punhados” (Rt 2:16) das coisas de Cristo e dando-as para que nos alimentemos enquanto ainda estamos aqui. O que sabemos sobre o quão ricamente fomos abençoados? Quanto dessas coisas apreciamos? Acredito que, se realmente nos apoderássemos de algumas dessas coisas, não estaríamos tentando encontrar nossa satisfação e prazer nas coisas deste mundo. Voltar ao índice A UNÇÃO DO ESPÍRITO Agora vamos ver outra função da habitação do Espírito – a “unção”. Em 1 João 2:18-21, 24-27 lemos: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo”. Aqui temos a “unção” do Espírito de Deus. A ideia da obra do Espírito como uma “unção” é para dar-nos discernimento para o caminho e poder para caminhar nele. Aqui em 1 João 2, a partir do versículo 18, João está falando com os “filhinhos” – os bebês da família. Ele tem muito a lhes dizer, e imagino que seja porque, sendo novos na fé, eles eram mais suscetíveis aos perigos no caminho. Ele lhes diz três coisas. Primeiro, que era “a última hora” e o testemunho Cristão estava em ruínas. Ele ressalta que tinham surgido muitos maus mestres que rejeitaram o ensino dos apóstolos e estavam desviando crentes incautos. Quão cuidadoso o crente precisa ser nestes últimos dias! Em segundo lugar, ele diz “sabeis tudo”. Uma vez que eles tinham a “unção” do Espírito, não precisavam de ninguém para ensiná-los, porque o Espírito que habitava neles lhes daria a conhecer ou discernir entre a verdade e o erro. O fato de o Espírito de Deus ser capaz de nos ensinar a verdade não significa que esses bebês em Cristo conheciam todas as doutrinas do Cristianismo. Se fosse assim, Deus os teria estabelecido para serem mestres na assembleia. Não, eles não conheciam as Escrituras tão bem – e foi por isso que João não lhes disse: “Provem pela Palavra de Deus os mestres que vêm a vocês”. Eles ainda não tinham uma descrição sólida da verdade, sendo meros bebês, e não poderiam fazer isso. Mas lhes disse que tinham o Espírito de Deus habitando no coração deles, e como Unção, o Espírito lhes daria a capacidade de discernir entre a verdade e o erro quando lhes fossem apresentados. Assim, quando os maus mestres chegassem a eles com suas falsas doutrinas, teriam a capacidade de discernir se isso era certo ou não. Eu tenho visto exemplos desse discernimento em jovens convertidos que foram confrontados com mercadores de má doutrina. As falsas doutrinas não fizeram esses jovens crentes tropeçar. Eles disseram: “Eu não achei que era correto, e não sei o que poderia ter feito para mostrar-lhes, baseado na Bíblia, que aquilo não era correto, mas tinha a sensação de que aquilo não era de Deus”. João enfatiza esse ponto com os novos crentes, lembrando-lhes de que tinham o Espírito de Deus habitando neles, e Ele lhes daria a saber se tais coisas eram verdade ou não. Terceiro, ele lhes disse que permanecessem no “que desde o princípio” ouviram (v. 24). Depois, ele diz no versículo 27: “permanecei n’Ele” (ARA) – no Senhor –, e pediu que mantivessem comunhão com Ele, porque houve muitos jovens, e até mesmo idosos que se desviaram. Não há garantia, apenas porque o Espírito de Deus habita em nós, de que não seremos desviados por aqueles que nos querem seduzir. É preciso haver comunhão diária com o próprio bendito Senhor, o que é resultado de um bom estado de alma. Tampouco devemos olhar para esses versículos e pensar que não precisamos dos dons que Deus deu à Igreja – isto é, homens levantados pelo Senhor para nos ensinar e nos ajudar no caminho (Ef 4:11). Alguns podem dizer: “Uma vez que tenho o Espírito, tudo o que preciso é das Escrituras, e o Espírito me ensinará. Eu não preciso de livros de ministério! Não preciso daquilo que os homens dizem sobre as Escrituras!” Quero avisar a cada um de nós que essa não é uma boa atitude a ser adotada. Se Deus levantou mestres para nos instruir na verdade e nos ajudar no caminho, precisamos nos valer deles. É por isso que vamos às reuniões para ouvir a Palavra explanada. Não estou minimizando o poder do Espírito para nos instruir, mas quando Deus nos deu esses dons – seja no ministério escrito, no ministério gravado ou em reuniões presenciais – não deveríamos colocá-los de lado como se não precisássemos deles. Alguns falam dessa forma, mas é para desculpar a própria preguiça. Então, vamos tirar essa ideia da cabeça agora mesmo. Não é isso que o versículo 27 está ensinando. O que o apóstolo está dizendo no versículo 27 é que, quando o erro ou a verdade nos são apresentados, existe em cada crente a capacidade de discernir o que é certo e o que é errado, como resultado do Espírito que nele habita. Isso ocorre porque temos uma percepção em nossa alma, da voz do Pastor; isto é, se estivermos caminhando em comunhão com Ele. Voltar ao índice A LEI DO ESPÍRITO Veja Romanos 8:1-2. “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus… Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”. Esta é outra função da habitação do Espírito. Observe que a última metade do versículo 1, como está na versão Almeida Revista e Corrigida, não está nos manuscritos originais. As melhores traduções corretamente a deixam de fora, porque o versículo está falando de nossa posição em Cristo – e não do nosso estado. Essas palavras aparecem, corretamente, mas ao final do versículo 4, onde diz: “para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Isso tem a ver com o nosso estado, que pode mudar, dependendo do nosso andar. Nossa posição, por outro lado (v. 1), nunca muda. Este primeiro versículo diz que os crentes estão “em Cristo”. Esta é uma expressão usada por Paulo em suas epístolas para indicar a posição de aceitação do crente diante de Deus. Estar “em Cristo” é estar no lugar de Cristo diante de Deus. É a posição de todo Cristão. O mesmo lugar de aceitação que Cristo ocupa diante de Deus pertence ao crente. Se você é um Cristão, você está em Cristo diante de Deus. Isso não descreve o que somos, mas onde estamos. Como mencionado, estamos no lugar de Cristo diante de Deus. Essa posição de aceitação é verdadeira para todo Cristão, seja seu estado bom ou ruim. Todo Cristão tem uma posição igual diante de Deus como estando “em Cristo”. O assunto aqui, neste capítulo, é a libertação do pecado – da atividade da natureza pecaminosa que habita em nós. Paulo inicia seu tratado sobre libertação falando da aceitação do crente (v. 1). Ele menciona isso para mostrar como o Espírito de Deus (Quem agirá por nós em libertação) é recebido. No momento em que o crente descansa em fé na obra consumada de Cristo, o Espírito de Deus vem nele habitar. Portanto, o versículo 1 é aceitação, e o versículo 2 é libertação. Aqui temos outra função do Espírito de Deus no crente. É mencionada como “a lei do Espírito de vida”. O Espírito de Deus está habitando em nós não apenas para dar certeza da salvação, antecipação das coisas celestiais e discernimento no caminhar. Ele também está aqui para nos dar poder para caminharmos para glória de Deus. Como “a lei do Espírito de vida”, Ele é o Provedor desse poder. O poder do Espírito de Deus no crente exerce libertação das obras da natureza caída (“a carne”) que existe em todas as pessoas neste mundo. A natureza caída quer fazer apenas a sua própria vontade, que é pecar. Mas o Espírito de Deus está lá para suplantar tais obras, para que possamos viver uma vida santa para Deus. Libertação da natureza interior de pecado, ninguém pode conhecer enquanto viver neste mundo; mas a libertação de seu poder, todos podem conhecer, se agirem de acordo com os princípios dessas Escrituras que estão diante de nós. Então, antes de tudo, o apóstolo fala de como essa grande libertação e poder podem ser ativos em nossa vida. Ele começa nos versículos 1 e 2, estabelecendo a posição e o estado Cristão normal. O Espírito é mencionado neste capítulo muitas vezes – dando-nos tudo o que precisamos para o caminho – seja nos controlando, nos confortando, nos conduzindo, nos guiando etc. Este capítulo é um maravilhoso tratado sobre o Espírito de Deus. No capítulo 7 de Romanos, o Espírito não é mencionado, e você vê uma alma lutando com a natureza pecaminosa. Mas quando você chega ao capítulo 8, vê o Espírito de Deus mencionado muitas vezes, tendo Seu lugar apropriado na vida do crente, e não há luta alguma. Isso ocorre porque “a inclinação do Espírito é vida e paz” (v. 6). Agora, o aspecto que o Espírito de Deus é visto aqui é dar poder e libertação da “lei do pecado e da morte”. A “lei do pecado e da morte” é o agir interior da velha natureza (a carne) que quer fazer suas próprias coisas e viver para pecar; e só produz morte moral na vida do crente. Mas Deus traz à vida do crente esse grande e novo princípio chamado “a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus”, para ajudá-lo a viver acima (e não como escravo) das propensões (tendências) da natureza caída pecaminosa. No versículo 3, temos a morte de Cristo aplicada à própria natureza pecaminosa – ou seja, ao PECADO. Quando “pecado” (singular) é mencionado nos escritos de Paulo, está se referindo à natureza pecaminosa que todos temos – com suas tendências, desejos e concupiscências pelo pecado. Quando menciona “pecados” (plural), está se referindo ao fruto dessa velha natureza – as ações que produz. Como o crente deve viver acima dessas tendências da natureza pecaminosa, para que viva uma vida santa para a glória de Deus? Pelo poder que Deus proveu por meio da presença interior permanente do Espírito de Deus – e agradecemos a Ele por isso! Para ilustrar isso, pense na lei científica da gravidade. Todo objeto está sendo atraído para baixo em direção ao centro da Terra por uma força invisível chamada gravidade – isso acontece em toda a Terra; é algo universal. É chamada de lei da gravidade, ou o princípio da gravidade. Pegue qualquer objeto sólido em sua mão – digamos um livro; segure-o com o braço esticado e solte-o, e o que acontece? Cai no chão. Se o fizéssemos dez vezes seguidas, cairia no chão toda vez. Isto é um princípio universal e não há nada que possamos fazer para mudá-lo. Em relação ao nosso tema da natureza pecaminosa (“a lei do pecado e da morte”), ela também é um princípio universal, estando presente em todo ser humano que vive neste planeta. Quando é solta, quer fazer uma coisa: cair em direção ao pecado. Levando nossa ilustração um pouco mais além, suponhamos que quiséssemos mudar as coisas, para que quando soltássemos o livro, ele não caísse no chão pelo poder da gravidade. Suponhamos que prendêssemos o livro a alguns balões cheios de gás hélio (que é mais leve que o ar) e que tivéssemos balões suficientes para que a força de elevação deles fosse maior que o peso do livro. Agora, o que aconteceria quando largássemos o livro? Começaria a subir em vez de cair. E por que isto? Seria porque o princípio da gravidade foi eliminado ou tornado inativo por causa dos balões? Não! A gravidade ainda está lá, mas adotamos um princípio inverso para atuar no livro – uma força mais poderosa. A gravidade ainda está ativa, mas a força ascendente dos balões é maior que a força descendente da gravidade e, consequentemente, nosso livro não cai mais, porém sobe pelo efeito do gás hélio. Isso ilustra o que Deus fez com o crente. A natureza caída não é removida quando uma pessoa é salva. Deus achou oportuno nos deixar aqui neste mundo com a natureza caída ainda em nós, e o estado de nosso coração está constantemente sendo testado por ela. Em vez de remover a natureza caída, Deus fez uma provisão completa para que vivamos livres do poder dessa coisa má. “O Espírito de vida em Cristo Jesus”, como o hélio, é trazido à nossa vida para anular a força de atração da natureza pecaminosa. Isso é libertação! O versículo 3 é trazido para mostrar que Deus encerrou Seu tratamento com a velha natureza caída. Ele não está procurando nada de bom nela porque provou que ela não é capaz de produzir o bem. Ele a “condenou” na morte de Cristo. E isso nos ensina que também não devemos procurar nada de bom na natureza caída. Não devemos nos surpreender ou nos decepcionar quando essa natureza se mostra e age. Precisamos entender que Deus tratou judicialmente com ela na cruz, e Ele não está mais procurando por algo bom da carne. E também precisamos julgá-la, se permitirmos que ela aja em nossa vida (1 Jo 1:9). Agora não há razão para a carne agir na vida do crente por causa dessa provisão por meio da presença interior do Espírito de Deus. Ele realmente é o poder para viver uma vida santa. Voltar ao índice O FRUTO DO ESPÍRITO Agora veja Gálatas 5:22-25 para mais um grande benefício do Espírito habitando em nós. “Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança; Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito”. A seguir, veja 2 Coríntios 3:17-18: “Ora o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, contemplando a glória do Senhor, com cara descoberta, somos transformados na mesma imagem de glória em glória, como pelo Senhor o Espírito” (JND). Aqui é outra coisa. O Espírito de Deus habita no crente para produzir fruto em sua vida. Nota: a palavra é “fruto”, não frutos. Embora haja nove partes diferentes, há apenas um fruto. O que o Espírito gostaria de fazer na sua vida e na minha é produzir conformidade moral com Cristo (para nos tornar semelhantes a Cristo). As nove partes do “fruto do Espírito” são as características de Cristo – Seu caráter exibido nos santos. Como isso acontece? O Espírito de Deus escreve Cristo nas “tábuas de carne do coração”, como diz 2 Coríntios 3:3; e como Cristo está impresso em nosso coração, nos tornamos mais semelhantes a Ele; e isso se mostrará no caráter de nossa vida. Agora, o que ele está dizendo aqui, no versículo 17 de 2 Coríntios 3, é que o Senhor é o “Espírito” de todas as Escrituras do Velho Testamento. Ou seja, Ele é a essência de tudo o que está escrito nelas. A palavra “espírito” é usada em outro lugar da mesma maneira – veja Apocalipse 19:10 – “o testemunho de Jesus é o espírito de profecia”. De qualquer forma, quando tomamos as Escrituras do Velho Testamento, devemos ver Cristo lá, porque quando Deus as escreveu, Ele tinha Cristo diante de Si. Se quisermos ler as Escrituras e delas tirar alimento, também devemos ter Cristo diante de nós (Compare João 5:39). Paulo está falando da leitura das Escrituras do Velho Testamento, no versículo 14, e está dizendo que o Senhor é o espírito de todas essas passagens do Velho Testamento. Mas agora ele diz: “e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade”. Temos agora (no Cristianismo) a habitação do Espírito, e Ele nos dá liberdade para olharmos para o rosto do Senhor Jesus Cristo, onde Ele está agora em glória. E como estamos ocupados com Cristo e em nosso lugar n’Ele, o versículo 18 nos diz que o Espírito realiza uma obra silenciosa em nós – escrevendo Cristo sobre o coração e, assim, somos transformados à Sua imagem. Em outras palavras, somos feitos como Cristo moralmente. Paulo acrescenta, “de glória em glória”; isso significa que esse trabalho vai um pouco de cada vez – passo a passo, um pouco aqui e um pouco ali. E é assim que somos transformados – como a conformidade moral a Cristo é produzida em nós. À medida que crescemos e progredimos em nossa vida Cristã, nos tornaremos mais parecidos com Cristo! Esta é apenas outra grande função do Espírito de Deus – tornar-nos moralmente semelhantes a Cristo, o Filho de Deus. Tem sido dito que Deus amou tanto o Seu Filho que propôs encher o céu de filhos tais como Ele. Ele está atualmente no processo de levar “muitos filhos à glória” (Hb 2:10). Na medida em que estamos ocupados com o Filho de Deus, essa transformação pelo Espírito ocorre. Vimos cinco coisas diferentes nas quais o Espírito de Deus, estando presente em nós, faz: Ele nos dá a certeza de nossa salvação. Ele nos faz conhecer e desfrutar de nossas bênçãos. Ele nos dá discernimento para o caminho. Ele nos dá poder para viver uma vida santa para a glória de Deus. Ele nos transforma na mesma imagem do Senhor. Voltar ao índice SER CHEIO DO ESPÍRITO Agora, vamos ver sobre ser cheios do Espírito. Alguém pode perguntar: “Se todas essas coisas são o resultado de ter-se o Espírito habitando em si, por que há tão pouco de Cristo em mim? Por que desfruto tão pouco de minhas bênçãos? Por que luto com a carne e tenho tão pouco poder para viver uma vida santa para Cristo?” Passemos a Efésios 5:8-21: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais: cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração… Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus”. Aqui temos a resposta para essas perguntas – precisamos ser cheios do Espírito! Não basta ter a presença permanente do Espírito; precisamos ser cheios do Espírito. Ser “cheio do Espírito” significa ter o Espírito de Deus no controle de todas as partes de nossa vida. Veja que não há exortação na Escritura que nos diga que devemos ser habitados pelo Espírito (porque Deus faz isso acontecer quando cremos no evangelho de nossa salvação, como já observamos), mas há uma exortação na Escritura para ser cheio do Espírito, e isso é algo completamente diferente. Uma coisa é possuirmos o Espírito de Deus, mas outra é o Espírito de Deus nos possuir! Ou seja, permitir que Ele tenha controle de todas as partes de nossa vida. Às vezes você ouve esse assunto de dar ao Senhor todas as partes de nossa vida, apresentado de uma maneira como se os Cristãos tivessem feito isso, mas que talvez pudessem estar escondendo alguma pequena parte para si, para fazer sua própria vontade – e que esse pedacinho reservado para si os estaria impedindo de ter progresso espiritual. Você sabe, isso pode ser verdade para alguns, mas, na verdade, a maior parte de nós nem chegou tão longe! Vivemos nos dias em que, na maioria das vezes, seria mais correto dizer que a maior parte da vida dos Cristãos é vivida só para si e apenas um pouco para Cristo. Nossa vida é frequentemente preenchida com nossos próprios interesses e ambições, e isso, é claro, impede o Espírito de Deus de trabalhar em nós e então não obtemos o benefício dessas coisas maravilhosas que estamos considerando. Portanto, estar cheio do Espírito é algo essencial – algo de que todos precisamos! Na Alemanha, há muitos anos, um órgão de tubos de renome mundial foi construído em uma grande catedral – era uma coisa magnífica! Um dia, houve um visitante que entrou naquela catedral e perguntou se poderia tocar o órgão. O zelador disse ao visitante que não estava autorizado a permitir que estranhos tocassem o instrumento. O visitante insistiu e persistiu e, finalmente, o zelador permitiu que ele se sentasse junto ao instrumento. Imediatamente, a música mais linda saiu daquele órgão e encheu a catedral. O zelador ficou atônito e paralisado em seu lugar, em admiração, enquanto ouvia os maravilhosos sons reverberando pelo edifício. Depois que o visitante tocou por algum tempo e estava prestes a sair, o zelador correu até ele e perguntou: “Quem é você?” Ele respondeu: “Mendelssohn” – era o grande compositor em pessoa! Então o zelador ficou envergonhado e disse: “Olha só; eu estava aqui recusando a um homem de tal reputação e habilidade, e o maior compositor da Europa, de tocar este órgão! Eu tenho vergonha de mim mesmo”. Eu gosto de pensar nessa história com relação à presença do Espírito de Deus. Muito maior do que qualquer compositor famoso, o Espírito de Deus – pois Ele é uma Pessoa Divina – entrou em nosso coração porque fomos salvos, selados e habitados por Ele ao crermos no evangelho. Mas , assim como o zelador, não estaríamos nós proibindo o maior Compositor de todos a sentar-Se e tomar os controles de nossa vida para criar, por assim dizer, uma “linda música” para a glória de Deus? É assim que acontece hoje em dia com muitos Cristãos. Se formos honestos, teremos de admitir que resistimos de modo que o Espírito não tem a oportunidade de encher nossa vida com o que seria para a glória de Deus e para nossa bênção. Precisamos nos render ao Senhor e ser cheios do Espírito, permitindo que Ele tenha seu lugar de direito em nossa vida. Não vamos nos arrepender disso. Ele irá encher nosso coração com as coisas de Cristo e nos tornar as pessoas mais felizes e satisfeitas neste mundo. Eu observei em Atos 2, que o encher-se do Espírito está associado à comunhão, e no capítulo 4 está associado à oração e à Palavra de Deus, e no capítulo 7, o encher-se do Espírito está associado ao testemunhar por Cristo, e no 11º capítulo está associado a ministrar às necessidades dos santos. E em Efésios 5, o encher-se do Espírito está ligado ao cantar e salmodiar (melodiar – JND) em nosso coração. Se estivermos ocupados com essas coisas, então seremos cheios do Espírito. Voltar ao índice Por que Há Falta de Poder em Nossa Vida Vamos voltar a Romanos 8 por um momento, porque quero focar um pouco mais em como somos responsáveis por deixar o Espírito de Deus fazer Sua obra em nós e nos encher. Romanos 8:13 diz: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes [colocardes na morte – JND] as obras do corpo, vivereis”. O que o apóstolo está estabelecendo nos versículos que antecederam o versículo 13 é que existe uma forma de libertação prática contínua para os Cristãos. Uma coisa é ter o Espírito de Deus presente em nóscomo poder para libertação, e outra coisa bem diferente é O ter agindo por nós de uma maneira sustentada e em andamento em nossa vida. O que Paulo está colocando diante de nós aqui, nos versículos 5-11, é que existem dois domínios ou esferas: uma esfera de coisas que pertencem à carne e uma esfera de coisas que pertencem ao Espírito. Em primeiro lugar, ele fala das “coisas da carne”, de uma maneira abstrata – sem entrar em detalhes, mas todos sabemos o tipo de coisas pelas quais a carne busca; não preciso listá-las aqui. Então, em segundo lugar, ele fala das “coisas do Espírito”, novamente de maneira abstrata ou geral, sem dar detalhes. São as coisas que têm a ver com os interesses de Cristo neste mundo. Poderia ser estudar as Escrituras, orar, cantar e fazer melodia em nosso coração, ir a reuniões bíblicas ou reuniões de oração, escrever cartas a irmãos Cristãos, visitar pessoas com uma palavra de encorajamento, pregar o evangelho ou distribuir folhetos do evangelho, etc. Essas coisas têm a ver com a variedade de assuntos relacionados a Cristo e Seus interesses, Quem é o centro de todo o conselho e propósito de Deus. Essas duas esferas são exatamente opostas uma à outra. É como uma estrada que se ramifica e cada um viaja para longe do outro. Uma leva ao que é verdadeiramente “vida e paz” e a outra leva à “morte” – morte moral. Então ele conclui nos versículos 12 e 13, mostrando-nos que temos de viver na esfera certa, se quisermos o poder do Espírito em nossa vida. Ele também adverte: “se viverdes segundo a carne, morrereis!” Esta é uma palavra solene! Querido jovem, você ouviu isso? Se você vive na esfera da carne, isso levará à morte moral em sua vida! A questão é: “Em qual dessas duas esferas estamos vivendo?”. É isso que quero apresentar a vocês, queridos jovens. Vocês sabem, se vivermos nossa vida desde a manhã até à noite na esfera das coisas que pertencem à carne, não podemos esperar ter o fluir do Espírito de Deus em nossa vida. Não teremos em nossa vida aqueles resultados práticos de que falamos. Simplificando, se você passa o dia todo jogando bola, e depois vai a uma pizzaria onde está tocando um rock “colossal” – e talvez ouça um pouco disso dentro do seu carro durante o caminho. E depois disso, você vai para casa e liga a TV. Então, como ainda resta um pouco de tempo antes de ir para a quarto, você joga alguns jogos de computador e lê uma revista ou duas. E então você vai para a cama. O que aconteceu é que você viveu seu dia basicamente na esfera das coisas naturais e das coisas que têm a ver com a carne. Não estou dizendo que todas essas coisas são pecaminosas, mas certamente não são as coisas do Espírito, que são aquelas que pertencem aos interesses de Cristo. Deixe-me perguntar: “Isso se parece com um dia da sua vida?” Observe o que diz no versículo 5: “Os que são segundo a carne, põem a sua mente nas coisas da carne” ( TB). Colocar a “mente” em algo implica “prestar atenção” nisso. Os que prestam atenção às coisas da carne são segundo a carne. É onde vive o homem perdido: ele não conhece outro domínio. Mas é possível que os Cristãos também vivam nessa esfera de coisas. O que ele está dizendo no versículo 13 é que, se você viver segundo a carne, você vai morrer. Agora, a maneira como a morte é mencionada aqui é diferente da maioria dos outros lugares da Bíblia. A morte, como sabemos, sempre carrega a ideia de separação. A ideia da morte neste versículo é de que a comunhão com Deus é rompida – há uma separação em nossa comunhão prática e nossa vida se torna um fracasso. Ele não está falando sobre morte física ou espiritual aqui, mas de uma morte moral que ocorre na vida do crente. Ele está dizendo que se você vive nessa esfera da carne, pode esperar que isso trará morte em sua vida. Mas se você vive na esfera do Espírito, haverá plenitude de poder para viver para a glória de Deus. Isto é o que é ser cheio do Espírito. Os fatos são manifestamente simples; passamos muito tempo na esfera errada cuidando das coisas da carne – é hora de entrarmos na esfera certa. Qual é o objetivo da sua vida? O que ocupa seu tempo primordialmente? Este ponto que estou tocando agora é a razão pela qual há uma “pane de energia” na vida de muitos Cristãos. Você sabe, foi dito que “se agradarmos a carne, impediremos o Espírito” – e todos sabemos que isso é verdade. Se nos dirigirmos para as coisas relacionadas à esfera da carne, não podemos esperar que o Espírito de Deus esteja trabalhando de maneira apreciável em nossa vida. E lembre-se de que o encher do Espírito de hoje, não servirá para amanhã! Devemos deixar o Espírito de Deus ter o controle de nossa vida todos os dias. Não podemos dizer: “Bem, passei algum tempo no dia do Senhor indo à reunião e lendo a Palavra – isso deve ser o suficiente para a semana”. Não, antes devemos procurar viver na esfera do Espírito todos os dias. A Escritura apresenta essas várias funções do Espírito como Cristianismo normal. É normal que um Cristão ande de modo a agradar a Deus e tenha as coisas de Cristo diante de si todos os dias de sua vida. É normal que um Cristão viva na esfera do Espírito. Mas nós, Cristãos, muitas vezes vivemos muito abaixo disso – e pagamos o preço por isso. Leia 2 Reis 4:1-7 para ver um exemplo disso. A mulher havia se endividado e, consequentemente, os credores estavam vindo para levar seus dois filhos como escravos. “E Eliseu lhe disse: Que te hei eu de fazer? Declara-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite. Então disse ele: Vai, pede para ti vasos emprestados a todos os teus vizinhos, vasos vazios, não poucos. Então entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o azeite em todos aqueles vasos, e põe à parte o que estiver cheio …Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto”. Agora, que significado essa passagem poderia ter sobre o nosso assunto? Bem, você vê aqui que havia um estado de pobreza. Essa mulher precisava de ajuda, sendo carente; ela só tinha uma botija de azeite em seu nome. O azeite aqui é um tipo do Espírito de Deus, como o é em toda a Palavra de Deus. Eliseu então realizou um milagre: vemos que, enquanto ela despejava nos vasos vazios, o suprimento de azeite não parava nem diminuía, mas continuou até que todos os recipientes vazios estivessem completamente cheios! Agora, deixe-me fazer a seguinte pergunta: Você percebeu o que houve na história para iniciar o fluir do azeite, liberando aquele enorme suprimento valioso? Foi quando ela fechou a porta! Eliseu insistiu que ela fechasse a porta quando estivesse dentro da casa com seus filhos. Ela teve de primeiro fechar a porta e depois começar a derramar o azeite. Esse era o segredo para liberar esse grande suprimento de azeite – o começo desse maravilhoso milagre. Você sabe o que isso ensina? Isso nos ensina que precisamos ter nossas portas fechadas para a comunhão com o mundo – e para as coisas que pertencem à carne! Quando nossas portas estão fechadas para essas coisas, o Espírito de Deus estará livre para derramar do Seu suprimento infinito de poder que precisamos para nossa vida Cristã. Um último versículo antes de encerrarmos: Deuteronômio 33:24-25: “E de Aser disse: Bendito seja Aser com seus filhos, agrade a seus irmãos, e banhe em azeite o seu pé”. Você pode dizer: “Isso é uma coisa estranha de se dizer”. Mas quando você entende a figura, faz todo o sentido! Então, aqui estava uma exortação para Aser mergulhar seu pé no azeite. Esta é uma figura para nós de “andar no Espírito”, é claro! Gálatas 5:16 diz: “Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne”. “Andar no Espírito” é andar na esfera das coisas do Espírito – que, como estávamos falando, é a esfera das coisas relacionadas aos interesses de Cristo. Qual foi o resultado? Continua dizendo: “O ferro e o metal será o teu calçado; e a tua força será como os teus dias”. Quando seu pé foi mergulhado no azeite, seus calçados se tornaram como “ferro e metal”. Isso nos traz a ideia de que haverá um andar muito estável – deixando-o muito firme sobre seus pés. Outra ideia sobre o uso de calçados de ferro é que eles, sem dúvida, deixariam uma marca muito visível no caminho atrás de nós – havendo um testemunho muito definido em nosso andar. É o que acontece quando um homem está andando no poder do Espírito de Deus – ele tem uma caminhada estável e consistente e deixa um testemunho para trás para que todos vejam! É muito óbvio quando uma pessoa está cheia do Espírito – você pode ver. É por isso que a embriaguez é contrastada com o encher do Espírito em Efésios 5:18: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”. Ambas as condições são evidentes pela maneira como uma pessoa caminha e fala. Quando um homem está dominado por muito vinho, você pode ver pelo seu andar cambaleante e sua conversa arrastada, e assim acontece quando uma pessoa vive no reino da carne – é evidente em seu andar e em seu falar. E é igualmente assim quando andamos na esfera do Espírito; quando uma pessoa vive nessas coisas, você percebe. Há algo sobre a maneira como ela anda e fala. E tudo está relacionado a dar a Cristo Seu lugar apropriado como Senhor acerca de tudo em nossa vida. Isso é ilustrado na vida do profeta Eliseu. Ele passou pela casa da mulher sunamita, e ela disse ao marido que havia notado haver algo na maneira como o homem andava que a fazia crer que era um homem de Deus – e ela estava certa (2 Rs 4:9). Voltar ao índice Extinguindo e Entristecendo o Espírito Agora, frequentemente perguntam: “Qual é a diferença entre ‘extinguir’ e ‘entristecer’ o Espírito?” Em primeiro lugar, eu diria, sem hesitar, que essas duas coisas são algo que você definitivamente não quer fazer. Queremos deixar que o Espírito de Deus tenha Seu lugar de direito em nossa vida – qualquer coisa que atrapalhe Sua obra em nós deve ser evitada. Portanto, não queremos “entristecer” nem “extinguir” o Espírito. Diz em 1 Tessalonicenses 5:19: “Não extingais o Espírito”. Isso ocorre porque o Espírito de Deus gostaria de nos usar como canais pelos quais Ele pudesse trabalhar para a bênção dos outros. O Senhor disse: “Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios d'água viva correrão do seu ventre. E isto disse Ele do Espírito que haviam de receber os que n’Ele cressem” (Jo 7:38). Deus deseja trabalhar por meio de nós pelo Espírito, e nossa responsabilidade é permitir ao Espírito essa liberdade. Não devemos impedi-Lo em Sua obra. Meu tio costumava ilustrar isso, pedindo-nos que pensássemos em uma mangueira de jardim com água passando por ela, que alguém pega e dobra para que o fluxo de água seja interrompido. Isso é como extinguir o Espírito; o fluxo do Espírito sendo interrompido em nós. Ele pode querer nos levar a fazer algo para a glória de Deus e nós não o fazemos – resistimos. Talvez seja dar um hino na reunião, ou talvez entregar um folheto do evangelho a alguém – e não o fazemos. Estamos extinguindo o Espírito. Isso é ilustrado na história do servo de Abraão, que é uma figura do Espírito de Deus, que foi enviado para buscar uma noiva (Rebeca) para Isaque (Gn 24). É uma figura do Espírito sendo enviado a este mundo para chamar uma noiva para Cristo. Tendo obtido permissão de Betuel (pai de Rebeca), o servo quis levá-la imediatamente a Isaque. No entanto, a mãe e o irmão tentaram detê-lo. Eles tinham outros objetivos para ela, e essas coisas impediram o servo de fazer a jornada. Esta é uma pequena figura de extinguir o Espírito. O servo então disse: “Não me detenhais, pois o Senhor tem prosperado o meu caminho; deixai-me partir, para que eu volte a meu senhor” (Gn 24:56). É isso que o Espírito está nos dizendo: “Não Me detenhais”. Ele quer conduzir nosso coração após Cristo e nos usar em bênção para os outros, e não quer que nada se interponha no caminho. Há pouco tempo, comprei um aparelho profissional de fazer milk-shake. Eu havia notado a marca e modelo quando estávamos em um restaurante e fomos e compramos um para nossa família. Quando eu o trouxe para casa, estava todo empolgado. Tiramos da caixa e ligamos, mas não funcionou. Eu não conseguia descobrir o que havia de errado com ele e estava ficando chateado. Por fim, perdi a paciência dizendo: “Olha só; você gasta muito dinheiro em algo e, quando o recebe, ele nem sequer funciona!” Então um dos meus filhos disse: “Calma, pai, está bem aqui. Vê isso? É uma chave de segurança!” Oh! Sim, é claro, a chave de segurança deve ser ligada! E quando foi ligada, a eletricidade fluiu pelo cabo e houve energia na máquina. Saiba você que é o mesmo conosco. Se quisermos ter um fluxo contínuo de poder do Espírito de Deus em nossa vida, não deve haver nada que O atrapalhe, e a permissão de coisas carnais em nossa vida é o que mais atrapalha o Espírito. Então, diz em Efésios 4:30: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no Qual estais selados para o dia da redenção”. Entristecer o Espírito é fazer algo que Ele não nos levou a fazer. É o pecado que entristece o Espírito. Ele é uma Pessoa divina que sente as coisas; e quando vamos e fazemos algo que Ele não nos levou a fazer, O entristecemos. O próximo versículo (v. 31) lista algumas dessas coisas. “Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias e toda a malícia seja tirada de entre vós”. Voltar ao índice Colocando de forma simples; extinguir o Espírito é não fazer algo que Ele gostaria que fizéssemos, e entristecer o Espírito é fazer algo que Ele não nos levou a fazer. Por isso, insisto, queridos jovens, ao encerrarmos este pequeno estudo sobre o Espírito que habita em nós, que, se vocês quiserem ter proveito dos benefícios da presença do Espírito nas várias funções que vimos, terão de viver na esfera correta – então vocês serão cheios do Espírito de Deus e sua vida será de valor para a glória de Deus. VOLTAR AO ÍNDICE

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