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Jesus Cristo Nosso Senhor (Janeiro de 2013)

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Revista mensal publicada originalmente em janeiro/2013 pela Bible Truth Publishers

ÍNDICE

 

          Bible Treasury

          E. Dennett (adaptado)

          Words of Truth, 1:66 (adaptado)

          W. T. P. Wolston

          Bible Treasury (adaptado)

          W. J. Prost

Autor desconhecido

          Christian Truth, 1:241 (adaptado)

          Bible Treasury

          Christian Truth, 13:30

          Bible Treasury

E. M. Clarkson

Jesus Cristo Nosso Senhor

 

Um relacionamento correto com o Senhor começa com "o temor do Senhor". Um respeito reverente a Ele e uma completa submissão a Ele O colocam em Seu devido lugar e nos colocam em nosso devido lugar.

 

Somos colocados em conexão com o Senhor Jesus não apenas em Seu caráter de graça, mas também de senhorio. Qual é a primeira marca que Ele imprimiu em seu coração? Esta – que Jesus deve ser conhecido e honrado como Senhor; Eu pertenço a Ele; Eu devo me entregar a Ele em tudo. Você está fazendo sua própria vontade ou a d’Ele? Se você tem grandes pensamentos acerca da graça, magníficos pensamentos da glória vindoura, mas não disse: "Senhor, que queres que eu faça?” você não está no terreno correto. Você precisa chegar a isso: “Meus próprios planos não valem nada; Eu agora pertenço a Outro”. Se você tem grandes pensamentos acerca da graça, ela o ensinou a renunciar sua própria vontade à de Deus? Se você tem grandes pensamentos acerca de seus privilégios, percebe também a sua responsabilidade? Se você está falando de glória, isso está ligado à obediência? Você pode ter pensamentos corretos, bem arrumados, como para uma longa viagem, mas eles não lhe servirão se não houver em você o espírito de obediência.

 

Bible Treasury

Jesus Cristo Nosso Senhor

 

Assim que conhecemos Jesus Cristo como nosso Salvador e Redentor, também nos é ensinado que Ele é nosso Senhor. Seu senhorio é universal e diz respeito a todos os homens, embora Ele sustente esse relacionamento principalmente com os crentes. O apóstolo Pedro declarou essa verdade no dia de pentecostes. “Saiba,” ele disse, “pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a Quem vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo” (At 2:36). O próprio Senhor Jesus, depois de Sua ressurreição, diz: "É-Me dado todo o poder no céu e na Terra” (Mt 28:18). Por outro lado, Pedro, tratando com outro aspecto dessa verdade, nos fala de falsos mestres "os quais introduzirão heresias destruidoras, negando até ao Senhor que os comprou” (2 Pe 2:1 – TB).

 

Temos, então, duas coisas: primeiro, que Deus fez de Cristo o Senhor no terreno da redenção, dando-Lhe essa posição de supremacia universal em resposta à Sua apreciação da obra que Cristo realizou por Sua morte, e, segundo, que Cristo adquiriu senhorio sobre tudo por meio da compra. Este pensamento encontramos em uma das parábolas: "o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo” (Mt 13:44). A consequência é que Ele é o Senhor de tudo, tendo “poder [autoridade – ARA] sobre toda a carne” pela determinação de Deus (Jo 17:2; At 10:36; Rm 14:9).

 

No entanto, quando nós, como crentes, falamos de Cristo como "nosso” Senhor, expressamos outro pensamento, porque então trazemos a ideia de relacionamento – o relacionamento de servos. É o mesmo senhorio, mas nós, pela graça de Deus, fomos levados a reconhecê-lo, para nos curvarmos diante d’Ele nesse caráter, para aceitar Sua autoridade e governo e tomar o lugar de sujeição. Este foi um dos objetivos de Sua morte, como Paulo nos diz: "Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:15). Veja também Romanos 14:7‑9. Portanto, reconhecemos, pela graça de nosso Deus, não apenas que Cristo é o Senhor de todos, mas também que Ele é, de uma maneira mais íntima, o nosso Senhor; e isso não apenas em virtude de Sua designação como tal, como Cristo rejeitado e agora como Homem glorificado, mas também porque Ele adquiriu essa posição sobre nós por meio da redenção. Portanto, é nossa alegria confessá-Lo como Senhor, e quão solene é lembrar que todos, mesmo aqueles que O rejeitam neste dia de graça, um dia serão constrangidos pelo poder – poder capaz de sua destruição – de confessá-Lo também como Senhor (Fp 2:10-11). O que mais incumbe a nós, que somos crentes, é reconhecer, declarar e estar sujeito à Sua autoridade, para que em alguma medida possamos ser testemunhas d’Ele neste dia de Sua rejeição.

 

Visto que Cristo ocupa esta posição, quais são nossos privilégios e responsabilidades com referência a Ele nesse caráter?

 

Adoração 

A primeira coisa a ser mencionada é a adoração, pois é diante d’Ele como Senhor que frequentemente nos prostramos em adoração. Isso é ensinado, em princípio, em um dos salmos: "Ele é teu Senhor; adora-O” (Sl 45:11). Assim também na passagem já citada dos filipenses – todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é "o Senhor, para glória de Deus Pai". Os teólogos se esforçam para argumentar que Cristo deve ser adorado igualmente com o Pai é adorado, na medida em que Ele é Deus, assim como Homem. Isso é verdade, mas, ao mesmo tempo, perde o ensino da Escritura sobre Sua posição atual e a adoração que é devida a Ele nessa posição. Ele é Deus, mas a maravilha e a característica de Sua posição atual é que Ele a ocupa como Homem. Foi o mesmo Jesus que os Judeus crucificaram que agora é feito Senhor e Cristo; Ele, como Homem, tomou a glória que possuía com o Pai antes que o mundo existisse. É um grande erro supor que Ele era Homem aqui abaixo e Deus no céu, como se as duas naturezas pudessem ser divididas. A verdade é que, se podemos fazer a distinção, Ele era verdadeiramente Homem enquanto esteve aqui embaixo, e foi a apresentação de Deus para nós, enquanto agora, embora nunca perca Sua divindade essencial, Ele Se assenta à destra de Deus como Homem. Assim, embora seja perfeitamente verdade que nós O adoramos como Deus, pois toda a adoração que sobe a Deus é necessariamente oferecida a Ele – na medida em que o termo Deus inclui todas as Pessoas da Deidade – é antes como Homem que Ele está na glória de Deus, Cristo Jesus, nosso Senhor, que nos inclinamos diante d’Ele em louvor e adoração.

 

Oração 

Assim como nós O adoramos, também oramos a Ele como Senhor. Existem dois exemplos impressionantes desse princípio registrados nas Escrituras. Quando Estêvão foi martirizado pelos Judeus enfurecidos, é dito: "Apedrejavam, pois, a Estêvão que orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7:59). Paulo também, falando do espinho na carne, diz: “Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:8-9). Agora, é evidente que foi a Cristo a Quem ele se dirigiu como Senhor, pois acrescenta: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo”. Esses exemplos fornecem instruções mais importantes sobre o caráter em que Cristo deve ser tratado em oração. É como Senhor – não como "Jesus” ou "Cristo", como infelizmente às vezes se ouve. Um momento de consideração nos mostrará a adequação disso. Dirigirmo-nos a Ele em nossas orações simplesmente pelo nome “Jesus” ou pelo termo “Cristo”, ao nos prostrarmos diante d’Ele, é certamente esquecer tanto o nosso lugar como suplicantes quanto o Seu lugar como Senhor. Isso tem cheiro de uma indevida familiaridade e irreverência, embora se admita livremente que isso possa ser feito sem o menor sentimento desse tipo. Seja como for, nunca devemos esquecer Sua exaltação e dignidade ao nos aproximarmos d’Ele em oração ou súplica. Os instintos espirituais de um filho de Deus serão suficientes para ensinar a cada um que Ele sempre deve ser tratado com o título de Senhor. É apropriado que Ele receba este título e que nós o rendamos a Ele. O anjo usou esse título quando acalmou o temor das mulheres no sepulcro na manhã da ressurreição e da maneira mais significativa. Ele disse: “Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia” (Mt 28:5‑6). Assim, ele lembrou-lhes que Jesus, a Quem elas buscavam, era o Senhor.  Portanto, tenhamos sempre o cuidado de lembrar o que é devido Àquele diante de Quem nos inclinamos e de Quem buscamos graça e bênção.

 

Somos Seus servos 

O termo relacionado a "Senhor” é "servo". Portanto, somos especialmente lembrados pelo termo "nosso Senhor” de que somos Seus servos. Nós somos Seus servos porque Ele nos comprou com Seu próprio sangue, e, portanto, somos absolutamente Sua propriedade. Assim, Paulo se deleita em se chamar um servo (escravo – JND) de Jesus Cristo (Rm 1:1; Fp 1:1).

 

Nesse caso, será imediatamente observado que a vontade do Senhor é nossa única lei. É de fato a característica do Cristão que ele não tem vontade; no momento em que sua vontade está ativa, a carne aparece. Assim, ele tem (ou seja, deveria ter) absolutamente nenhuma vontade. Ele pode dizer com o apóstolo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). O Senhor também nos mostrou esse caminho. “Porque Eu desci do céu, não para fazer a Minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou” (Jo 6:38). Por isso, é dito que Ele, de fato, “esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo [escravo – JND](Fp 2:7). Assim como Ele não tinha vontade, mas todo pensamento, palavra e ação eram governados pela vontade do Pai, também nós, em todas as coisas, devemos respeitar a Sua vontade.

 

Nossa responsabilidade, então, como servos é a de obediência. Como o Senhor disse a certos mestres: "E por que Me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que Eu digo?” (Lc 6:46), ou, como disse aos discípulos: “Vós Me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque Eu o sou. Ora, se Eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13:13-14 – ARA). Então, assim que Cristo nos for revelado como nosso Salvador e o reconhecermos como nosso Senhor, devemos tomar a atitude de Saulo quando ele disse: "Senhor, que queres que eu faça?” (At 9:6; 22:10). A partir desse momento, devemos aceitar o lugar de obediência à Sua vontade, e não apenas aceitá-lo, mas encontrar nossa alegria nele, assim como Ele mesmo disse que a Sua comida era fazer a vontade de Seu Pai e realizar a Sua obra (João 4:34).

 

Seu senhorio universal 

Temos uma responsabilidade adicional relacionada ao senhorio de Cristo. Como já mencionamos, Ele é o Senhor de todas as coisas (Atos 10:36 – JND). Portanto, não apenas temos que, como crentes, assumir a posição de obediência, mas também devemos reconhecer Sua autoridade sobre todos os que estão conectados conosco – sobre nossa família e nosso lar. É uma questão de crescente importância saber se a doutrina do senhorio universal de Cristo não tem sido excessivamente negligenciada. O estado das famílias de muitos crentes exige que tal doutrina seja considerada de modo imperativo. É um erro fatal, no qual muitos caem, supor que os membros não convertidos de nossa família não tenham relacionamento algum com Cristo. Ele é o Senhor de tudo, e eles estão sob a responsabilidade de confessar, como os crentes estão sob a obrigação de sustentar esse senhorio. O governo de Cristo deve ser mantido por todo o círculo de responsabilidade dos santos. É nisso que as famílias dos santos devem apresentar um contraste completo com as famílias do mundo e, assim, ser um testemunho vivo da autoridade de um Cristo rejeitado e ausente – Cristo nosso Senhor.

 

Suas reivindicações sobre os perdidos 

Novamente, se lembrássemos que Aquele que é nosso Senhor também é o Senhor universal, isso nos daria muito mais poder para lidar com os homens. Ao acusá-los do pecado de rejeitar a Cristo, com que frequência eles fogem do assunto dizendo que não tiveram nada a ver com o ato de Judeus e romanos quase 2.000 anos atrás. Nesses casos, o fato do atual senhorio de Cristo deve ser pressionado sobre eles. Acaso eles reconhecem o lugar que foi dado a Ele por Deus? Acaso eles confessam e se submetem à Sua autoridade? Então, eles ficam convictos de estarem recusando e rejeitando agora Aquele que foi feito tanto Senhor como Cristo. Essa arma, se usada com habilidade no poder do Espírito, pode alcançar muitas consciências e levar pessoas ao arrependimento diante de Deus. Junto com essa verdade, eles devem ser informados de que, se persistirem em se recusar a confessar Cristo agora, no dia da graça, devem confessá-Lo diante do grande trono branco, para sua destruição eterna. A responsabilidade do homem nunca deve ser negligenciada, pois sua consciência precisa ser alcançada. Também não devemos esquecer de apresentar a graça, a misericórdia e o amor de Deus, pois certamente toda apresentação do evangelho deve ser a expressão de Seu próprio coração. Embora reconheçamos e insistamos nessas coisas, ainda pode ser perguntado se pressionamos suficientemente as reivindicações de Cristo como Senhor. O homem é reconhecido em toda parte, e Cristo repudiado. Mas se o homem permanece indiferente e rejeita Suas reivindicações, ele deve finalmente dobrar os joelhos diante d’Ele, quando Cristo estiver assentado como Juiz no grande trono branco. Quão melhor é se reconciliar com Ele agora e confessar e adorá-Lo como Senhor.

 

E. Dennett (adaptado)

“Tu Nem Ainda Temes a Deus?”

 

O caso do ladrão na cruz que creu é uma ilustração extraordinariamente bela da poderosa obra de Deus em uma alma – a mudança total no homem. Além disso, temos nesta cena a poderosa obra de Cristo por ele, que lhe permitiu ocupar o seu lugar com Cristo naquele mesmo dia.

 

O caso do outro ladrão também é verdadeira e profundamente solene – uma alma que passa deste mundo para outro, aproximando-se dos portais de uma eternidade da qual não há retorno com um escárnio nos lábios e a provocação em sua boca dirigida ao Bendito: "Se Tu és o Cristo, salva-Te a Ti mesmo, e a nós". Quão profundamente solene é a hora final da breve vida de um homem aqui, sem Cristo, sem fé, pecando contra sua própria alma. Bem se diz dos ímpios: “não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força. Não se acham em trabalhos como outros homens” (Sl 73:4-5).

 

Vejamos a mesma hora na vida do outro ladrão – a hora mais brilhante que já conhecera. “Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus?” – grande ilustração da obra de Deus na alma. Começou com apenas uma pequena palavra, mas uma palavra pela qual se lê um coração que havia sido ensinado nos caminhos da sabedoria, pois “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria” (Pv 9:10). Temos nesta pequena palavra uma obra preciosa de Deus em sua alma. Dizem os ímpios: "Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3:18). Deus não está em nenhum de seus pensamentos. "Tu nem ainda temes a Deus?” Aqui estava a raiz dessa poderosa mudança neste homem: o santo temor de Deus. Deus tinha o devido lugar em seus pensamentos, embora ainda não O conhecesse como Salvador. Era como o comentário de Abraão sobre os homens de Gerar: “Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por amor da minha mulher". Foi o temor de Deus que guardou o coração de José, quando estava na terra de seu exílio: “como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra Deus?” É isso que guarda o coração em um mundo de pecado. É o princípio da sabedoria. Sua ausência deixa espaço para as ações da vontade corrupta e perversa do homem.

 

Podemos perguntar como estamos nisso? Podemos dizer que esse santo temor de Deus tem sido o guia e formador de todos os pensamentos e intenções de nosso coração, as ações de nossa vida e os motivos que têm governado nossos caminhos? Tudo isso têm sido governados pelo temor do Senhor? O temor de Deus tem refreado nossa vontade? Jó era um homem que "temia a Deus e se desviava do mal"; Cornélio, aquele que era "temente a Deus com toda a sua casa". "Então aqueles que temeram ao SENHOR falaram frequentemente um ao outro; e o SENHOR atentou e ouviu; e um memorial [livro de memória – TB] foi escrito diante d’Ele, para os que temeram o SENHOR, e para os que se lembraram do Seu nome” (Ml 3:16). Foi a prova da fé de Abraão: “porquanto agora sei que temes a Deus” (Gn 22:12). Ora, esse "O temor do SENHOR é fonte de vida, para desviar dos laços da morte” (Pv 14:27). “O temor do SENHOR encaminha para a vida” (Pv 19:23), e vemos isso de maneira notável no ladrão na cruz. Isso o levou a tomar seu verdadeiro lugar diante de Deus. Bendita paz – reconhecer, de maneira completa, nossa verdadeira e apropriada condição diante de Deus e, assim, levar a sentença de morte para nossa alma, como ele fez. Como a obra de Deus se tornou mais e mais brilhante, até que ele estivesse com Cristo no paraíso! Deus tinha Seu verdadeiro lugar em sua alma, e ele estava em seu verdadeiro lugar diante de Deus!

 

Words of Truth, 1:66 (adaptado)

Experiência de Fé – O Temor do Senhor

 

No Salmo 34, o rei Davi nos dá a mais bela instrução sobre o segredo de uma vida feliz, com progresso e bênçãos.  Ele diz: “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” (v. 11). Davi também escreveu: “O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente” (Sl 19:9). Eu acho que isso lhe dá a nota principal da Escritura, no que diz respeito ao temor do Senhor. Sem isso, você não pode progredir em santidade ou santificação prática. Acredito que Davi nos ensina o verdadeiro segredo disso. Tal condição não nos afasta do Senhor; pelo contrário, é o caminho do progresso. Outro escritor – Salomão – diz: "Bem-aventurado o homem que continuamente teme” (Pv 28:14). Não é o medo do juízo e da ira, mas é aquele temor santo e bendito na alma, que o Espírito de Deus sempre produz, um temor de que venhamos a falhar em andar em tudo o que Lhe agrade.

 

Os livros poéticos 

O Livro de Provérbios fala frequentemente do "temor do Senhor". Nos Provérbios, Deus nos dá o suprimento do bom entendimento. Ler um capítulo de Provérbios todos os dias de sua vida ajudará a preservá-lo de muita tristeza e problemas em seu caminho. Quero apontar o caminho, na estrutura da Bíblia, na qual ele está conectado. Os dois livros seguintes, Eclesiastes e Cantares de Salomão, têm algo a dizer ao coração. Você tem consciência nos Salmos, entendimento em Provérbios e, nos próximos dois livros, o coração. Eles se complementam. Em Eclesiastes Salomão fala do coração, apenas para confessar que está vazio, e em Cantares de Salomão está mais do que cheio. Em Eclesiastes, o coração é grande demais para o objeto – o mundo, tudo sob o Sol – e, em Cantares, o Objeto – Cristo – é grande demais para o coração. Um livro é dor no coração, e o outro é o descanso do coração. O segredo da paz e alegria divinas é encontrado em Cantares de Salomão. É ocupação com o amor e a Pessoa de Cristo.

 

O livro de Provérbios 

Mas agora sobre Provérbios. Você encontra sete vezes neste livro qual é o temor do Senhor. "O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução” (Pv 1:7). O temor do Senhor é o primeiro passo para o conhecimento e o progresso. Agora passe para o capítulo 8. "O temor do SENHOR é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu odeio” (Pv 8:13). Coisas que Ele odeia, e que nós também devemos odiar, ou o Seu temor não está em nós. A seguir, temos: “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência [entendimento – ARC](Pv 9:10). Há uma grande diferença entre conhecimento e sabedoria. O conhecimento pode me ensoberbecer, mas a sabedoria nunca me ensoberbecerá. Conhecimento é a apreensão da verdade, mas sabedoria é a capacidade de usar a verdade. É a maneira pela qual a alma, guiada por Deus, pode usar de forma correta e divina o que lhe foi dado. Então, “O temor do SENHOR aumenta os dias, mas os perversos terão os anos da vida abreviados” (Pv 10:27). É muito semelhante em seu tom ao que encontramos no Salmo 19. Em seguida lemos: "O temor do SENHOR é fonte de vida, para desviar dos laços da morte” (Pv 14:27). É uma maneira segura, de valor inestimável, de escapar das armadilhas de Satanás. Sexto, lemos: “O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade” (Pv 15:33). Aqueles que têm sabedoria estão sempre dispostos a aprender; são apenas os tolos que não precisam de instrução. E agora por último: “O temor do SENHOR encaminha para a vida; aquele que o tem ficará satisfeito, e não o visitará mal nenhum” (Pv 19:23). A satisfação permanente é um doce fruto deste santo temor. Você descobrirá agora que esse versículo combina com o nosso salmo da melhor maneira possível.

 

W. T. P. Wolston

Santidade, Certeza e Temor

 

A santidade na vida é a consequência da salvação. Ele "nos salvou e nos chamou com uma santa vocação” (2 Tm 1:9 – TB). Sendo nascido de Deus e tendo recebido a Cristo como vida, o princípio da santidade está em todo crente, embora seu desenvolvimento consciente e exercício prático aconteça quando a questão da justificação for resolvida. As afeições do coração são fixadas em Cristo como Aquele que tanto nos amou e a Si mesmo Se entregou por nós. Ele é recebido no coração, e assim somos santificados e crescemos em tudo n’Ele, o Cabeça, sendo Seu andar a única medida verdadeira do nosso.

 

E aqui é que entra a diligência da alma, não em conexão com redenção e justificação, mas antes com o desenvolvimento de nossa própria salvação com temor e tremor. É perfeitamente evidente que não podemos desenvolver nossa redenção; Cristo consumou a obra e Deus a aceitou como completa. Não há mais oferta pelo pecado. Onde, então, está o desenvolvimento da salvação? O Cristão é visto de duas maneiras na Escritura; primeiro, como estando em Cristo e, portanto, como Cristo diante de Deus; ele tem confiança no dia do juízo, porque como Cristo é, nós também somos neste mundo.

 

Segundo, quase todos os Cristãos passam por um período mais longo ou mais curto de exercícios e testes. Eles são homens na Terra, mesmo que sejam verdadeiramente homens em Cristo. Não há dúvida de que se eles estão realmente em Cristo, Cristo os guardará e nunca perecerão; ainda assim, são testados e provados em sua vida aqui embaixo, e têm muito a ouvir, muito a corrigir e muito a aprender sobre si mesmos. Ao mesmo tempo, eles também aprendem do terno e fiel amor de Deus e o que é estar morto com Cristo para o pecado e para o mundo; eles aprendem mais sobre a plenitude de Cristo e como crescer em tudo n’Ele.

 

Em nosso curso aqui abaixo, a prova da realidade é apenas a seriedade que desenvolve a salvação final com temor e tremor, pois as armadilhas e os perigos são reais no caminho, embora exista a promessa de sermos guardados ao longo dele. Mas é uma coisa solene ser o cenário de conflito entre a obra de Deus em nós e o poder das trevas, embora a vitória por meio de Cristo seja certa. Portanto, é um processo moral na alma humana; é um teste, uma prova, uma peneiração, um ensino, uma ajuda: Aprendemos sobre nós mesmos e sobre Deus, e produzimos frutos preciosos. Aprendemos não apenas a glória na salvação e na esperança da glória, mas nas tribulações e, finalmente, no próprio Deus, a Quem, dessa forma, chegamos a conhecer.

 

O Cristão, todo verdadeiro crente, então, é redimido e está em Cristo, onde não há "se". Mas ele também está, de fato, no caminho para a glória e precisa alcançar a meta de obtê-la. Ele tem a promessa de ser guardado, mas é exercitado moralmente ao longo do caminho na dependência, na graça, na vigilância e diligência, a verdadeira prova de que isso é uma realidade para ele. É um lugar que pertence a quem é redimido, onde ele aprende os caminhos de Deus e desenvolve sua salvação com temor e tremor, pois está sempre em perigo quanto ao seu caminho diário rumo à glória, embora seja dependente e conte com a fidelidade d’Aquele que o guarda. A graça de Cristo é suficiente para ele, e o Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza.

 

Bible Treasury (adaptado)

Aqueles que Desprezam o Senhorio

 

Ao escrever a respeito das condições que vieram sobre a Cristandade e ainda viriam no futuro, Pedro e Judas mencionam aqueles que “desprezam as autoridades”. Pedro diz que haverá aqueles “que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades [o senhorio – JND](2 Pe 2:10). Judas fala daqueles que já haviam se infiltrado na profissão do Cristianismo, dizendo que “estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua carne, e rejeitam a dominação [o senhorio – JND](Jd 8). Juntamente com a propensão a desprezar o senhorio, Pedro e Judas descrevem muitas outras práticas violentas e corruptas que caracterizam aqueles que desprezam o senhorio. Enquanto muitos condenariam as práticas violentas e imorais descritas, é fato que praticamente todas elas podem ser atribuídas ao desprezo e resistência à autoridade.

 

Autoridade e governo 

Por fim, toda autoridade deve ser rastreada até o próprio Deus e é derivada d’Ele. Antes do dilúvio no tempo de Noé, o homem não estava sob governo. Na época da queda do homem, ele obteve uma consciência, porque comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. Posteriormente, Deus permitiu que ele visse como ele se sairia com esse conhecimento e, por um período de mais de 1.500 anos, o mundo seguiu seu curso sem governo. O guia do homem era sua consciência. O resultado foi que “A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a Terra de violência” (Gn 6:11), e Deus a destruiu por um dilúvio. Depois disso, Deus instituiu o governo na Terra, e essa autoridade dada por Deus continua até hoje. Durante o tempo dos juízes em Israel, a Escritura nos diz que “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Jz 17:6), e dessa vez está registrado em 2 Crônicas que “naqueles tempos não havia paz, nem para o que saía, nem para o que entrava, mas muitas perturbações sobre todos os habitantes daquelas terras” (2 Cr 15:5). Por essa razão, Paulo nos lembra: “Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13:1). O próprio Senhor Jesus lembrou a Pilatos: “Nenhum poder terias contra Mim, se de cima não te fosse dado” (Jo 19:11). O homem caído não pode seguir seu curso sem governo, pois suas tendências pecaminosas devem ser mantidas sob controle pela ameaça de punição.

 

Desobediência aos pais 

Nos últimos dias em que estamos vivendo, tudo isso atingiu uma intensificação que talvez seja pior do que nunca. As tendências que já estavam começando a aparecer nos dias de Judas agora amadureceram a ponto de lermos em 2 Timóteo que o desprezo do senhorio começa com crianças que são "desobedientes a pais e mães” (2 Tm 3:2). Essa desobediência aos pais continua no sistema escolar público em grande parte do mundo ocidental, onde a falta de disciplina é a norma. Privadas do poder de aplicar a punição corporal, as escolas são praticamente incapazes de impor a ordem na sala de aula. O resultado foi uma rejeição generalizada da autoridade desde a infância, e isso é confirmado pelo número de jovens que agora estão sendo acusados de crimes graves, incluindo agressão, roubo à mão armada e até homicídio.

 

Uma afronta a Deus

O que tudo isso significa para o mundo e para o crente hoje? Antes de tudo, devemos reconhecer que, ao desprezar e rejeitar o senhorio, o homem está, em última análise, desafiando o próprio Deus. Como toda autoridade é afinal ordenada e derivada do próprio Deus, o desprezo do senhorio é uma afronta ao próprio Deus. Não devemos nos surpreender com isso, pois Deus nos disse em Sua Palavra que é uma característica do homem natural que "Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3:18). Quando as reivindicações de Deus são abandonadas e a Palavra de Deus é desconsiderada, o resultado é uma reversão ao que caracteriza o homem na carne, a saber, nenhum temor a Deus. Depois que a Igreja for chamada para o lar, a atitude será: “Com a nossa língua prevaleceremos; são nossos os lábios; quem é senhor sobre nós?” (Sl 12:4). Sabemos por profecia que isso se tornará cada vez pior, culminando no anticristo, “o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2:4). Embora o verdadeiro anticristo não se manifestará até muito tempo depois que formos chamados para casa na vinda do Senhor, certamente veremos a condição deste mundo se agravando, pois "agora muitos se têm feito anticristos” (1 Jo 2:18).

 

Abandonando a Deus 

Segundo, e ainda mais importante, devemos reconhecer que a condição do mundo sempre foi aquela que impactou e se infiltrou na Igreja de Deus. Judas reconheceu isso em seus dias, pois isso já estava acontecendo. Ela acelerou hoje e é solene perceber que a descrição dos últimos dias em 2 Timóteo 3:1‑8 não é uma descrição do mundo pagão, mas sim da Cristandade que tende cada vez mais a abandonar a Deus e Suas reivindicações. Aqueles que tiveram o testemunho mais brilhante do evangelho agora estão renunciando a ele. Enquanto nós, que somos verdadeiros crentes, ficamos verdadeiramente horrorizados quando vemos isso acontecendo, devemos perceber que corremos o risco de absorver uma atitude que despreza o senhorio. À medida que a condição da Cristandade se deteriora, o espírito democrático que tem movido o mundo ocidental há vários séculos tende a promover a atitude: "Ninguém vai me dizer o que fazer". Certamente o homem abusou e continua a abusar da autoridade que Deus instituiu, seja no lar, na assembleia ou no governo. No entanto, a Palavra de Deus nos diz para respeitar e obedecer à autoridade, a menos que entre em conflito com as reivindicações de Deus. A Igreja de Deus não é uma democracia, pois enquanto todos somos responsáveis, Deus instituiu autoridade aí, bem como no lar e no governo, e somos exortados a nos submeter a ela.

 

Submissão à autoridade 

O crente tem uma nova vida em Cristo e, portanto, deseja ver a justiça manifestada. Enquanto aqueles que pertencem a Cristo podem tolerar a injustiça no mundo, eles esperam coisas melhores de seus irmãos. Quando parece haver uma falha em mostrar o espírito de Cristo e agir de maneira justa na assembleia de Deus, podemos reagir tanto rejeitando a autoridade quanto pensando que temos o direito de nos separar da assembleia de Deus. Chamar à atenção, de maneira respeitosa, para a injustiça diante daqueles que são responsáveis por ela é bastante apropriado, mas rejeitar a autoridade não é de Deus, pois é, em última análise, uma afronta ao próprio Deus. Certamente o Senhor está acima de tudo, e como Ele está no meio, podemos confiar n’Ele para corrigir o que é visto como errado.

 

Orgulho 

Ao falar de submissão à autoridade, talvez seja oportuno mencionar aquilo que muitas vezes se coloca como obstáculo tanto à autoridade apropriada quanto à submissão a ela, a saber, o orgulho. Estamos vivendo um dia em que há literalmente uma epidemia de orgulho, e isso afeta todas as esferas de autoridade neste mundo. O homem está tão cheio de si mesmo que parece que quase qualquer restrição à sua própria vontade é recebida com uma reação terrível de ira. Na América do Norte, essa atitude resultou em um aumento de crimes violentos, com coisas como fúria no trânsito, tiroteios e agressões de todos os tipos. Se não estivermos vigilantes, essa atitude pode passar para dentro da Igreja de Deus e pode afetar tanto os que estão na liderança e autoridade quanto os que estão em posição de se submeter. Podemos agradecer que o orgulho entre os crentes geralmente não se manifeste em comportamento violento, mas pode gerar uma disposição pecaminosa em nosso coração. Pode haver uma atitude teimosa e destituída de graça por parte dos que estão em posição de autoridade, e isso, por sua vez, pode causar uma reação hostil e inflexível por parte dos que estão em posição de se submeter. Precisamos estar prontos para julgar essa atitude diante do Senhor.

 

Desculpas 

Se temos agido mal ao recusar obedecer à autoridade ou talvez tenhamos demonstrado falta de graça no exercício da autoridade, devemos lembrar “que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14:12). Do lado humano, o sentimento do erro na presença do Senhor nos dará a graça necessária para pedir desculpas àquele a quem prejudicamos. É difícil admitir quando estamos errados e, infelizmente, desculpas são raras no mundo de hoje. Mas é o caminho das bênçãos e permite que um relacionamento feliz seja restaurado. Sem dúvida, Pedro tinha isso em mente quando disse: “sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade” (1 Pe 5:5). Isso é especialmente necessário para os que estão em posição de autoridade, pois podem sentir que é "abaixo da sua dignidade” pedir desculpas aos que estão sob eles. No entanto, admitir nosso erro aumenta nosso respeito e autoridade entre os que estão sob nós, em vez de diminuí-lo. Como alguém já disse: "O sinal mais seguro de arrependimento diante de Deus é humildade diante dos homens".

 

W. J. Prost

 O Temor do Senhor

 

"Encaminha para a vida” (Pv 19:23).

"É fonte de vida” (Pv 14:27).

"É o princípio do conhecimento” (Pv 1:7).

"É o princípio da sabedoria” (Pv 9:10).

“(Por ele) os homens se desviam do pecado” (Pv 16:6).

"Aumenta os dias” (Pv 10:27).


Autor desconhecido

Os Últimos Dias – Santidade Prática

 

O Espírito Santo fala de Cristo – da salvação comum. Seu trabalho é tomar as coisas de Cristo e mostrá-las para nós. Mas Ele está no lugar de serviço na Igreja e, portanto em Judas, quando há desordem às portas, Ele se afasta e exorta "a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” (AIBB). Não é pela ortodoxia que os santos são exortados a lutar, mas pela santidade da fé.  Somos exortados "a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” (AIBB), contra os "homens ímpios” descritos como aqueles "que convertem em dissolução [libertinagem – ARA] a graça de Deus", os "homens ímpios” que negam, não o Pai e o Filho, mas o "SENHOR” Jesus Cristo. Note! São os que negam Jesus Cristo, não como Salvador, mas como SENHOR; isto é, aqueles que praticamente se opõem à Sua autoridade – que "rejeitam a dominação” ou o senhorio – que rejeitam restrições. Judas não está falando de Jesus como Salvador, mas de Jesus como Senhor; governo é o pensamento na mente do Espírito Santo aqui. Deveríamos receber isso como uma palavra sã e salutar. Acaso não é mau quando um santo não exerce essa verificação contínua em seus pensamentos, sua língua, suas ações? Não devemos dizer que nossos pensamentos, lábios, mãos ou pés nos pertencem. Eles devem ser considerados como estando sob senhorio.  Não devemos desprezar o domínio.

 

Indulgência própria 

A Epístola de Judas coloca cada um de nós em uma torre de vigia santa, para vigiar, não contra um espírito que fosse contradizer os preciosos mistérios de Deus (as palavras de Pedro e João fazem isso), mas contra as tendências do coração natural para se gratificar. O Espírito de Deus está ativo, e o santo deve estar em plena, viva e santa atividade. Se Pedro colocou você olhando em uma direção – vigiando contra as formas e ações da mente infiel – Judas ergue outra torre de vigia, da qual devemos olhar e nos proteger contra os caminhos de indulgência própria e contaminadores que corromperiam todo o homem moral – uma vigilância contra o espírito que rejeita o senhorio de Jesus sobre os pensamentos e movimentos de Seu povo. E observe como ele descreve esses desprezadores ímpios das dominações. “Estes são manchas em vossas festas de amor apascentando-se a si mesmos sem temor”.  A ausência desse "temor” indica esse estado de frouxidão moral do qual falo. Imaginamos que temos o direito de seguir nosso próprio caminho em alguma coisa? Não temos tal direito. Como alguém disse: “No momento em que você faz algo porque é sua própria vontade, você pecou”. Fazer a nossa própria vontade é a própria essência da rebelião contra Deus.

 

Desprezar o domínio 

Ele então volta à profecia de Enoque. O que é ela?  É uma profecia que o Senhor vem visitar aqueles que estão sob o poder do espírito infiel? Não, mas para executar juízo sobre os ímpios, "por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram". É sobre a impiedade que o juízo está previsto cair. Se eu tomar minha própria vontade como regra de minhas ações e, assim, "desprezar a dominação", estou (no princípio da minha mente) no caminho do juízo do qual Enoque profetizou. Se Cristo é um Salvador, Ele também é um Senhor.

 

Mas novamente, lembremo-nos: é Jesus que deve ser nosso Senhor – Aquele que nos amou e a Si mesmo Se entregou por nós – Aquele que salvou Seu povo. E Ele deve ser servido, não no espírito de servidão ou na mera observância de ritos e ordenanças religiosas, mas no espírito de liberdade e do amor – um espírito que pode confiar n’Ele em todos os momentos e que pode levar toda a consciência de falha e fracasso a um trono de graça por meio d’Ele, com feliz ousadia. Nunca vigiemos de algum modo contra Ele, mas inteiramente por Ele, pois Ele “não nos deu o espírito de temor mas... de amor” (2 Tm 1:7). Que possamos vigiar, portanto, para que Ele seja glorificado em nós por um serviço livre e feliz agora enquanto Ele estiver ausente, que nós sejamos glorificados n’Ele quando Ele aparecer para nos levar para Si (João 14:3).

 

 Christian Truth, 1:241 (adaptado)

Falsos Profetas

 

“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4:1).

 

O reconhecimento do senhorio de nosso Salvador com a devida lealdade e obediência é o que nos levaria a "provar se os espíritos são de Deus". Felizes são aqueles que olham totalmente para o Seu bom prazer para serem dirigidos. Este é um tempo em que a lealdade a Ele é colocada à prova, porque Satanás enganará com crescente injustiça. O engano começa com a incredulidade no senhorio de Jesus Cristo. Insubmissão ao Senhor e comprometimento com o mundo levam a recomendar o que é religião terrenal.

 

Somos instruídos a provar "os espíritos” – a prová-los pela obra dos profetas que falam por meio desses espíritos. Primeiro, eles precisam ser provados por sua obra, os quais não confessam Jesus vindo em carne e, portanto, Senhor de todos os homens. Segundo, eles falam como sendo do mundo. Estas são duas coisas muito claras, de modo que não há motivo para que os homens sejam enganados. Obedecer a Jesus como Senhor nos fará rejeitar aquilo que Ele rejeita e manter a boa confissão da esperança que Ele deu.

 

Não devemos supor que o fato de serem falsos profetas “do anticristo” faça com que os que são animados por esse espírito falem como homens possuídos, agindo de modo violento e insano; nesse caso, eles seriam rapidamente suspeitos ou desconsiderados. Para persuadir os homens, eles devem propor alguma vantagem, algo que honre a humanidade. Eles dizem que o homem em sua própria honra e dignidade possui verdadeira nobreza, que a morte não é juízo de Deus.

 

O homem foi formado por Deus de forma que algum reconhecimento d’Ele é natural e necessário como condição correta de sua existência. Rejeitá-Lo completamente é desnaturar-se a si mesmo. Mas eles não reconhecem o senhorio de Jesus. Na política, o homem se considera autossuficiente, como disse o egípcio sobre o Nilo: "O meu rio é meu, e eu o fiz para mim". Essa característica simples é suficiente para provar os espíritos e produz um julgamento abrangente. Mas Deus julga todas as coisas em verdade e estabelece uma regra simples para julgar, e todos aqueles que não estão em Cristo serão achados fora d’Ele. A palavra deles será como do mundo, independente de Deus. Estes são os que falam pelo espírito do anticristo. E o apóstolo diz: "muitos falsos profetas se têm levantado no mundo".

 

Mas se o espírito do anticristo estiver em ação, o mesmo produzirá um falso profeta muito acima do resto. Quão sábio é o arqui-inimigo! Mas você tem aqui, na descrição dos falsos profetas e suas obras, as marcas seguras de seu começo, e elas levam a um fim solene.

 

O falso profeta 

O desenvolvimento do estado atual está levando ao tempo em que haverá um grande falso profeta – o anticristo (Dn 11:36; 2 Ts 2; Ap 13:11). O poder que ele receberá de Satanás será muito grande. Sua missão será recomendar a besta a quem Satanás dá seu poder, trono e grande autoridade. Ele, o falso profeta, enganará a humanidade por meio de sinais, maravilhas e prodígios, fazendo até descer fogo do céu aos olhos dos homens, para levá-los a obedecer à besta que sobe do mar, a qual Satanás estabeleceu imperialmente como a glória e o orgulho do homem.

 

Haverá um grande motivo para muitos caírem em seu engano por causa dos milagres e maravilhas que são feitos. Eles serão atribuídos a Deus, mas assim os homens darão crédito a Satanás e serão enganados. A Escritura é clara sobre o assunto: que, como os milagres foram realizados no início do Cristianismo, assim os milagres no fim dos tempos serão realizados pelo maligno, não por Deus. Os homens então não descobrirão o engano, mas se maravilharão e adorarão. O falso profeta encontrará, sem dúvida, seus representantes, que com o mesmo engano recomendarão a mesma mentira àqueles sujeitos a eles, não a Deus – de fato todos aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto. O Cristianismo não cairá na ignorância como caiu o paganismo, mas na apostasia – na total confiança da inteligência humana e no ódio contra Cristo. O falso profeta receberá seu destino com o cabeça do império romano, como aprendemos em Apocalipse 17.

 

Quem é Senhor sobre nós? 

Não é dito que os profetas mencionados em 1 João 4 fazem milagres. A tarefa deles é mais comum; o seu caráter principal é que eles não confessam Jesus Cristo vindo em carne. Eles dizem, por assim dizer: "quem é senhor sobre nós?” (Sl 12:4). Eles falam como se fossem do mundo e de sua religião. Mas chegará o tempo em que, ouvindo o engano da injustiça, serão enlaçados nas mãos do inimigo por meio de falsos milagres. Por fim, o grande falso profeta, e os que estão ligados a ele, levarão os homens à última medida de engano e rebelião contra o Senhor. O tempo não está longe. Está escrito que nos últimos tempos falsos profetas virão à Terra e falarão pelo poder do anticristo. E isto está escrito para advertir e vivificar aqueles que confessam o Senhor, para que eles também não sejam enganados. "Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve” (1 Jo 4:4-5).

 

Bible Treasury

Lidando com o Mal

 

Precisamos buscar um senso tão profundo da santidade de Deus quanto já temos da Sua misericórdia. Conhecemos o poder do pecado por experiência, mas somente na presença de Deus podemos aprender sua culpa e nessa presença os erros triviais que nos causaram alguma tristeza são vistos em toda a sua depravação quando trazidos à luz.

 

Alguém disse que não temos um pensamento correto sobre o pecado até que percebamos o quanto custou a Deus tirá-lo, e isso só podemos aprender por meio da meditação em oração sobre os sofrimentos do Senhor Jesus. “No lugar onde se degola o holocausto se degolará a expiação do pecado perante o SENHOR; coisa santíssima é. O sacerdote que a oferecer pelo pecado a comerá; no lugar santo se comerá” (Lv 6:25-26).

 

Podemos entender muito pouco de tudo o que o Senhor Jesus deve ter sentido pelo contato com o mal, porque estamos muito acostumados com a sua presença, mas Sua alma imaculada deve ter recuado com indizível repulsa diante da imunda mancha de nossa culpa, visto que a angústia do Getsêmani revela a agonia de Sua antecipação de ser feito pecado por nós e das suas consequências.

 

Não ousamos discorrer sobre aquelas horas que Deus ocultou em trevas aos olhos dos homens. O coração contrito olha de volta para a cruz para ali obter uma percepção adequada do que o pecado é aos olhos de Deus. É um assunto mais adequado para um coração penitente sondando na presença de Deus do que para a tinta e a pena.

 

O temor do Senhor é a primeira lição da sabedoria (Pv 15:33; 1:7), e o temor do Senhor é odiar o mal (Pv 8:13). Se esta lição não for aprendida, estamos fora da estimativa do pecado de Deus e não temos um senso adequado de Sua santidade.

 

Christian Truth, 13:30

 Como Cristo é o Filho de Davi e o Senhor de Davi?

 

Como Cristo era ao mesmo tempo Filho de Davi e Senhor de Davi? Como Homem, ele era Filho de Davi, mas era muito mais do que isso. Para ser o Senhor de Davi, Ele deve ser uma Pessoa divina, mas mais do que isso, Ele é exaltado naquela posição. O senhorio de Cristo repousa não só em ser uma Pessoa divina, mas porque foi rejeitado como Filho de Davi. Deus O exaltou para ser o Senhor e Cristo. Isso abre toda a questão do tratamento de Israel a Cristo, bem como da atitude de Jeová em relação a Ele. No Salmo 110, lemos "Diz Jeová ao meu Senhor: Senta-Te à Minha mão direita, Até que Eu ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés” (TB). Aqui não é Deus enviando Seu Filho amado para a vinha de Israel, mas, quando Ele foi expulso, Deus O levantou à Sua mão direita no céu. Assim, implica reconhecer que Israel deve ter rejeitado o Messias e que, sendo rejeitado, Deus O coloca à Sua direita no céu. Esta, evidentemente, é a chave da posição atual de Israel e deixa espaço para o chamado da Igreja; em uma palavra, é o mistério da Pessoa de Cristo e os conselhos de Deus que seguem Sua rejeição.

 

Bible Treasury

Isto Eu Sei


 Não sei o que me aguarda

Em meu caminho de peregrinação;

Não conheço a estrada de amanhã,

Nem vejo além de hoje;

Mas isto eu sei que meu Salvador conhece

O caminho que não posso ver;

E posso confiar em Sua mão ferida

Para me guiar e cuidar de mim.

 

Não sei o que pode acontecer,

Seja Sol ou chuva;

Não sei o que me aguarda,

Se o prazer ou a dor;

Mas isto eu sei que meu Salvador sabe,

E seja o que for,

Ainda posso confiar em Seu amor para me dar

O que for melhor para mim.

 

Não sei o que me espera,

Ou o que o amanhã trará;

Mas com a alegre saudação da fé,

Saúdo suas asas que se abrem:

Pois isto eu sei que em meu Senhor

Todas as minhas necessidades serão supridas;

E posso confiar no coração d’Aquele

Que nunca me decepcionou.

E. M. Clarkson

 “Jesus Cristo, o Nazareno... Ele é a pedra que foi rejeitada... E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”

Atos 4:10-12





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