Nuvens (Agosto de 2021)

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ÍNDICE

Nuvens

Dicionário Bíblico Conciso

O Arco na Nuvem

H. C. Anstey

O Arraial e a Nuvem

Things New and Old

A Manhã Sem Nuvens

J. N. Darby

Entrando na Nuvem

W. T. P. Wolston

A Transfiguração

Christian Friend

Este Mesmo Jesus

W. J. Prost

Eis Que Venho! Nas Nuvens

W. T. Turpin

Vestido com Uma Nuvem

Christian Friend

Uma Nuvem Branca

E. Dennett

Apenas Um Dia Comum

Poema

Obedecer

Hino 129



Nuvens


Como o véu celestial da presença de Deus, as nuvens ocupam um lugar importante na Escritura – Sua carruagem e o esconderijo de Seu poder. Agradou a Deus manifestar Sua presença a Israel em uma nuvem. A coluna de nuvem guiou o povo de Israel através do deserto (Êx 40:34-38). Quando construíram o tabernáculo, Jeová prometeu aparecer na nuvem sobre o propiciatório (Lv 16:2). Em ocasiões especiais, Jeová descia em uma nuvem e falava com Moisés (Nm 11:25). Na dedicação do Templo, “a nuvem” encheu a casa para que os sacerdotes não pudessem ministrar por causa dela, “porque a glória de Jeová enchera a Casa de Jeová” (1 Rs 8:10-11 – JND). Este símbolo visível da glória de Deus é muitas vezes chamado de Shekinah. A palavra não ocorre na Escritura, mas é frequentemente usada como referindo-se a morada ou local de descanso de Jeová. No monte da transfiguração, uma nuvem cobriu os presentes, “E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; a Ele ouvi” (Lc 9:34-35). Na ascensão, uma nuvem recebeu o Senhor fora da vista dos discípulos. No arrebatamento, os mortos e os santos vivos serão arrebatados nas nuvens para encontrar o Senhor nos ares. Quando vier para julgar, Ele virá com nuvens. O poderoso Deus que habita na luz inacessível, ao homem manifestou sua presença coberta por nuvens.


Dicionário Biblico Conciso

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O Arco na Nuvem


“E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a Terra, aparecerá o arco nas nuvens” (Gn 9:14).


Neste dia da graça, há sempre um arco na nuvem. Nós podemos estar, e às vezes estamos, tão ocupados com o que é mais manifesto (a nuvem) que não discernimos seu acompanhamento celestial, mas ele está lá. Luzente e fascinante, se projeta do céu à Terra. “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28). Sim, todas as coisas, este é o arco na nuvem. Que grande extensão essas palavras “todas as coisas” abrem para nós! Até mesmo a dor é serva de Deus para o bem de um crente, assim como um terremoto no mundo, ou mesmo uma convulsão moral ou heresia na Igreja (1 Co 11:19).


Um grande e forte vento pode “fender os montes” e “quebrar as penhas diante do Senhor” (1 Rs 19:11). Isso pode ser seguido por um terremoto, e o terremoto, por um fogo, e embora possamos dizer que tudo isso é “a nuvem visível”, não devemos estar totalmente ocupados com ela. A questão para nós é: O que o Senhor tem a nos dizer com isso? O objetivo para Ele é o Seu povo, e devemos ouvir a “voz mansa e delicada”. Este é o arco na nuvem. Se Deus varreu o homem uma vez no julgamento do dilúvio, a nuvem, qualquer que seja a forma que assuma, está novamente declarando Sua avaliação a respeito do primeiro homem. Se a misericórdia se declarou e nós somos poupados, ainda assim não devemos esquecer que Sua avaliação do que somos permanece registrada, e aquela mesma nuvem testemunha isso novamente. No entanto, o arco na nuvem declara a fidelidade d’Ele à Sua promessa, pois “A Sua misericórdia dura para sempre” (Sl 106:1 – ARA).


O terreno da misericórdia

Estamos no terreno da misericórdia e, se nos esquecermos disso, Ele não Se esquece. “Não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus usar a Sua misericórdia” (Rm 9:16 – ARA). Nós olhamos para a nuvem, Deus olha para o arco. Que graça há nisso! Ele diz, “E o arco estará na nuvem; e Eu olharei para isso” (Gn 9:16 – JND). O arco fala da imutável fidelidade e misericórdia de Deus quando tudo termina para o homem. Este é o terreno em que estamos com Deus.


Eu trago uma nuvem [...] Eu coloco Meu arco”. Não podemos separar os dois, nem olhar para um e não para o outro. Se é bom para nós sermos lembrados de que o homem (ele mesmo e suas obras) só é digno de julgamento, é bom também sermos lembrados do que Deus é, ou a alma será dominada pelo desespero. E então, “Afastai-vos […] do homem, cujo fôlego está no seu nariz” (Is 2:22) e vamos olhar para o que Deus vê: “Eu olharei para isso”.


Esta é a maneira de obter os pensamentos de Deus. Vemos que, apesar da nuvem, Deus é “por nós”. Somente quando temos pensamentos tão elevados – os pensamentos de Deus – devemos ser lembrados do que somos, não para nos levar ao desespero, mas para nos manter humilhados e nos apoiar sempre e somente n’Aquele que nos recebeu em graça.


O arco na nuvem

Em todos os exercícios do caminho Cristão, Deus deseja que vejamos o arco na nuvem. Pense nisto em sua provação atual (tudo permitido por Ele), naquela que mais o aflige, e cuja existência talvez nenhum Cristão conheça. Estas palavras foram escritas para você. É uma provação na assembleia, uma provação nos negócios, uma provação no lar ou individualmente com você mesmo? “E acontecerá que, quando eu trouxer uma nuvem sobre a Terra, o arco será visto na nuvem” (Gn 9:14 – KJV). Faça um esforço para vê-lo. Isso o colocará em paz com Deus e, assim, alegrará seu caminho de peregrinação. A nuvem pode ser escura e sombria, mas há uma beleza nela pintada por Suas próprias mãos, e ela lhe diz, apesar de tudo, o que Ele é para você. E, lembre-se, quer você o veja ou não, o arco está lá.


“Sendo necessário”

Deus vê como “sendo necessário” (1 Pe 1:6) as provações que permite à Igreja. Devemos estar com Ele para aprender isso. Toda a experiência do deserto é para aprendermos o que somos e o que Deus é. A inclinação natural do coração é sempre crescer orgulhoso e independente. Deus, que conhece o coração, vê isso. A respeito do coração do homem, “quem o conhecerá? Eu, o Senhor esquadrinho o coração” (Jr 17:9-10). Ele o conhece, nos revela a nós mesmos, nos corrige, e tudo para o bem – “para nosso proveito”. Que possamos, cada um de nós, ser assim com Ele, a fim de apreendermos Sua mente em qualquer provação, pois o bem vem de Deus, mesmo quando está sob a forma de sofrimento. Se o coração se afastar do Senhor (e isso acontece quando confiamos no homem), seremos “como o arbusto solitário no deserto” (Jr 17:5-6 – ARA), e não veremos vir o bem. Devemos olhar para uma provação e falar sobre ela como sendo “apenas outra nuvem”, caso contrário, não veremos o bem nas mãos que certamente está trabalhando por meio da prova a nosso favor, nem que isso seja, “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12:6). A palavra para nós é: “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” (Tg 4:10). Tudo vem d’Ele, “para te humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem” (Dt 8:16). Lembremo-nos de Sua Palavra: “E o arco estará na nuvem; e Eu olharei para isso”. “Nós mudamos; Ele nunca muda.”


H.C. Anstey (adaptado)

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O Arraial e a Nuvem


“E no dia em que foi levantado o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo sobre a tenda do testemunho; e à tarde estava sobre o tabernáculo com uma aparência de fogo até à manhã. Assim era de contínuo: a nuvem o cobria, e de noite havia aparência de fogo. Mas sempre que a nuvem se alçava de sobre a tenda, os filhos de Israel partiam; e no lugar onde a nuvem parava, ali os filhos de Israel se acampavam. Segundo a ordem do SENHOR se alojavam, e segundo a ordem do SENHOR partiam [...] cumpriam o seu dever para com o SENHOR, segundo a ordem do SENHOR por intermédio de Moisés” (Nm 9:15-18, 23 – ACF).


É impossível conceber um quadro mais adorável de absoluta dependência da orientação divina do que o apresentado no parágrafo anterior. Não havia pegadas nem ponto de referência em todo aquele “grande e terrível deserto”. Eles foram totalmente comandados por Deus, em cada passo do caminho.