Paciência (Outubro de 2021)

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ÍNDICE


Paciência

Christian Truth

Paciência para Hoje

W. J. Prost

A Paciência de Cristo

J. N. Darby

Paciência e Sabedoria

H. Anstey

Poder na Paciência

F. C. Blount

Paciência na Pressão

F. W. Lavington

Paciência da Esperança

W. J. Prost

Dando Fruto com Paciência

J. N. Darby

Esperei Pacientemente por Jeová

J. N. Darby

O Homem de Dores, da Paciência e da Alegria

F. G. Patterson

Fé e Paciência

Young Christian

Necessitais de Paciência

E. H.



Paciência


Depressa, preocupe-se, espere! A maioria sabe o significado das duas primeiras palavras! “Oh, anda logo! Estou com muita pressa, não posso esperar!”, é uma expressão frequentemente repetida. A pressa não traz preocupação e causa desperdício de energia?


Quem não se lembra, quando éramos crianças, do espírito de impaciência que nos movia a ajudar o açafrão a sair da sua cobertura de prata?[1]. Nós desejávamos muito vê-lo abrir, mas (que lástima!) nossos dedos infantis apressavam a obra de Deus e acabavam estragando aquilo que teria sido belo se tivesse tido todo o tempo destinado por Deus para abrir. Quantas crianças pedem a fruta que não está madura e não aceitam não como resposta! Ela está bonita, mesmo verde; deve estar boa. Porém, ainda não está madura.


O “extra” do ano passado pode ter sido um de preocupação e inquietação. E, se tivermos nos rendido a isso, a nossa paz foi perturbada, o nosso espírito afligido e a comunhão perdida. Provações vieram e se foram; será que aprendemos, em alguma medida, a verdade de Isaías 28:16, “Aquele que crer não se apressará” (AIBB)? Crer no Senhor e em Seu poder dá paciência, e acalma-se o espírito questionador de “por quê?” e “como?” para que descanse.


Nas Escrituras, tanta coisa é dita sobre esperar no Senhor – tanta coisa incentivando a paciência. “Espere no Senhor o dia todo” (Sl 25:5; 27:14). Deus, não o homem, está no controle das circunstâncias da nossa vida. “Espera somente em Deus (Sl 62:5).


Sem pressa, sem preocupação, podemos andar, e paciência podemos ter, se “esperarmos no SENHOR”.


Christian Truth, Vol. 20 (adaptado)



Paciência para Hoje


A paciência sempre foi um ingrediente importante na vida Cristã. Uma observação interessante é que a paciência (ou perseverança) não é mencionada no Velho Testamento, embora, sem dúvida, essa qualidade fosse necessária e exercitada entre os crentes do Velho Testamento. Por exemplo, Abraão não recebeu herança neste mundo, “nem ainda o espaço de um pé” (At 7:5), e ele espera pacientemente por ela na ressurreição. No entanto, nesta dispensação da graça, nós recebemos promessas muito maiores – promessas de bênçãos celestiais – e somos exortados várias vezes quanto a ter paciência ao esperar pelo cumprimento delas. Ainda assim, quão frequentemente esta necessária virtude parece nos escapar!


Sem reclamar

Paciência pode ser definida como suportar o que é incômodo ou doloroso, sem reclamar. Essa é uma qualidade que está desaparecendo rapidamente no mundo de hoje – um mundo em ritmo acelerado e cada vez mais egocêntrico. É claro que, superficialmente, há muitos motivos para ficarmos impacientes hoje, e todos nós poderíamos fazer uma lista do que mais nos irrita. Para alguns, pode ser algo tão simples como operadores de telemarketing; para outros, podem ser falhas constantes encontradas ao navegar em sites da internet. Outros acham que os engarrafamentos são um verdadeiro problema, ou longas filas que precisam ser enfrentadas para conseguir as coisas necessárias. Ainda outra frustração é que muitas vezes as pessoas não fazem o que deveriam fazer, causando atrasos e perda de tempo aos outros. A atual pandemia de COVID-19 agravou o problema grandemente, visto que longas filas se tornaram ainda mais longas, mercadorias frequentemente não estão disponíveis e restrições à nossa socialização, viagens e entretenimento tornaram-se rotina.


Muitos neste mundo estão prontos para ser pacientes, desde que tudo corra bem dentro de um prazo razoável. Margaret Thatcher observou certa vez: “Sou extraordinariamente paciente, desde que eu consiga o que quero no final”. No entanto, cada um tem a sua própria definição de quanto tempo pode esperar para que algo aconteça, e agora estamos testemunhando como a paciência de muitos está, como diz o ditado, “se esgotando”. As restrições da COVID foram, em sua maioria, respeitadas nos países ocidentais, mas, com o passar do tempo, mais e mais pessoas estão desrespeitando a lei. O problema se agravou com vários exemplos de líderes que impõem regulamentações sobre os outros enquanto, secretamente, eles mesmos ignoram as mesmas regras. A desculpa e explicação de costume supostamente resolvem o assunto: “Eu estava agindo com o coração, não com a cabeça”.


Rebeldia e raiva

Muito mais graves do que essas condutas são as reações extremas de alguns, que, cheios de impaciência e frustração, assumem uma atitude ou de desespero ou de rebeldia, associada com a raiva. Isso resulta em coisas como violência doméstica, comportamento agressivo, violência no trânsito e, em alguns casos, assassinato em massa, muitas vezes associado com o suicídio do criminoso. Esse tipo de comportamento, por sua vez, está causando preocupação entre muitos, à medida que percebem o mundo caindo no caos.


Tudo isso é sentido tanto por crentes como por incrédulos, mas certamente nossa reação deve ser diferente. Sim, nós realmente sentimos o estado de coisas deste mundo, e de fato somos sensíveis ao estado geral de incivilidade, ódio e impaciência que estão dominando este mundo. O mundo ao nosso redor pode exercer certo grau de paciência, mas com o tempo ela “se esgotará”, pois o horizonte deste mundo é somente a vida aqui embaixo. Se os negócios desta vida são afetados muito severamente, a frustração acaba explodindo em desobediência e, no fim, violência.


Vários versículos no Novo Testamento colocam a paciência diante de nós. Ela é um dos resultados positivos da tribulação (Rm 5:3); é um dos resultados de se ter uma firme esperança futura (Rm 8:25); é uma das qualidades que aprovou o apóstolo Paulo e outros como ministros de Cristo (2 Co 6:4); de fato, foi um dos sinais fundamentais de um apóstolo (2 Co 12:12). Era uma das características dos crentes diante de perseguições (2 Ts 1:4); é como corremos a carreira do caminho Cristão (Hb 12:1); finalmente, e mais importante, é algo característico do nosso bendito Senhor e Mestre (2 Ts 3:5). Em vista de tudo isso, a paciência deve ser parte de nós como Cristãos, pois temos uma esperança além deste mundo, e “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). É somente por um “poucochinho de tempo”, até que o Senhor venha para nós, e, então, a eternidade transcenderá o tempo.


Indolência ou indiferença

Entretanto, é importante notar que paciência (ou perseverança) não é indolência ou indiferença. Algumas vezes o que se faz passar por paciência é, na realidade, uma atitude de “Não me importo”, em que a preguiça nos domina, e desistimos. E, assim, não fazemos nada de positivo em nossa vida. Não, paciência para o crente não significa passividade ou resignação. Pelo contrário, o crente que está andando com o Senhor estará firmemente desfrutando do Senhor em sua alma e, ao mesmo tempo, desejando fazer a obra do Senhor aqui, seja ela qual for. Seu coração, alma e mente estarão ativos, mesmo que ele possa, temporariamente, estar impossibilitado em relação ao serviço ativo, assim como Paulo, quando estava na prisão. Ele aceita com paciência o que o Senhor permite em sua vida, mas espera em dependência por portas a serem abertas para ele.


O prêmio final

A maioria das falsas religiões neste mundo também enfatiza a paciência, como se fosse uma virtude em si mesma, ainda que não haja nada para se ganhar com ela. Isto é o que Satanás faz; ele defende a paciência, mas não há nada na outra ponta. É como esperar em uma longa fila, apenas para descobrir que, quando finalmente chega a sua vez, não há nada para você. É essa mentalidade que tem levado muitos neste mundo a adotarem a atitude que Paulo expôs em 1 Coríntios 15:32: “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Se não há nada além deste mundo, e o futuro parece sombrio, então, vamos, sim, imprudentemente aproveitar o momento. Porém, Cristianismo significa renunciar à satisfação presente para se ter um ganho futuro. O apóstolo João exemplifica essa atitude quando fala, “Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na paciência, em Jesus” (Ap 1:9 – JND). A tribulação, o reino e a espera paciente por ele, estão todos ligados entre si, e no nome do nosso Salvador – Jesus. A paciência do Cristão será bem recompensada! “O Senhor direcione o vosso coração ao amor de Deus e à paciência de Cristo” (2 Ts 3:5 – JND).


W. J. Prost



A Paciência de Cristo