Palavras de Edificação 28

(Revista bimestral publicada originalmente em Julho/Agosto 1990)

 

ÍNDICE


Servir ao Senhor ajudando os outros

As duas Naturezas do Crente

As duas Naturezas

A Verdade Dispensacional

Resumo Profético

Introdução

Resumo Profético

 

SERVIR AO SENHOR AJUDANDO OS OUTROS


Teremos notado, alguma vez, o trabalho importante de um irmão chamado Onesíforo? Podemos aprender dele uma lição muito proveitosa, em especial nestes dias em que há muitos filhos de Deus isolados, sendo-lhes muito difícil, senão impossível, reunirem-se com outros crentes para comunhão com o povo do Senhor.


Paulo, escrevendo a respeito de tal servo, disse: "Onesíforomuitas vezes me recreou, e não se envergonhou das minhas cadeias. Antes, vindo ele a Roma, com muito cuidado me procurou e me achou" (2 Tm 1:16-18). Resumindo, temos esta referência dos bons e oportunos serviços desse irmão em favor do apóstolo, e, algo muito sugestivo para os que tiverem o coração repleto de Cristo.


"Quanto me ajudou" (2 Tm 1:18). Vemos que este estimado homem de Deus, qual brisa matinal, fresca e suave, confortou o coração do grande apóstolo. Se alguma vez Paulo pôde sentir-se contristado e abatido, ali estava esse irmão para o confortar, com amor, enquanto reanimava o espírito do apóstolo, solidarizando-se com ele nas suas prisões.

Teremos nós consolado algum irmão que traga coração abatido? Teremos procurado reanimá-lo a fim de poder continuar no caminho? Se assim for, devemos continuar a fazê-lo sempre que possível.


Vejamos como Paulo trata com pormenores aquilo que Onesíforo lhe fez: "Com muito cuidado me procurou e me achou" (2 Tm 1:17). Irmãos, existem hoje inúmeros filhos de Deus espalhados por toda a parte, os quais podemos buscar e achar. É possível que eles necessitem ser procurados e achados. Tal serviço, será considerado por Aquele que foi ao encontro da mulher samaritana junto ao poço de Sicar. Ele conhece-os, e não deseja esquecê-los. Mais do que isto, Ele deseja ver-nos saindo à procura deles, fazendo-os recordar dos laços que nos unem uns aos outros e todos nós a Cristo, na Sua glória.


Onesíforo ajudou o apóstolo tanto em Roma como em Éfeso. De que maneira não sabemos. Mas o Senhor o sabia. E qualquer serviço realizado pelos Seus servos era precioso, como o próprio Senhor testifica disso na Sua Palavra, dizendo: "quando o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes" (Mt 25:40). Queira Deus que estejamos sempre preparados, com coração desejoso de O servir, enquanto ajudamos aqueles que são Seus.


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AS DUAS NATUREZAS NO CRENTE


Este breve artigo foi escrito com o desejo de auxiliar as almas ansiosas, pois o Senhor quer que conheçamos e desfrutemos de nossa completa salvação. Romanos 8:23 nos mostra que devemos esperar pela “redenção de nosso corpo”, que se dará por ocasião da vinda do Senhor, mas podemos nos regozijar no conhecimento, que agora temos, de que Deus removeu nossos pecados por meio do precioso sangue de Cristo, e também naquilo que Ele fez com respeito à natureza caída que trazemos em nós, (chamada de "velho homem") – (Ef 4:22; Cl 3:9).


Quanto mais desejamos agradar ao Senhor, maior fica nosso conflito interno, até que obedeçamos, assim como ocorreu com Israel na antiguidade, à ordem que foi dada: "Estai quietos e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará" (Êx 14:13). Toda bênção espiritual é um dom, não alcançada por nossos próprios esforços. É o conhecimento de Seu amor, e do que Ele fez por nós que nos constrange a viver para Ele. "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8:16).


As duas Naturezas

O Senhor Jesus Cristo disse: "Necessário vos é nascer de novo" (Jo 3:7), e eu gostaria de tratar deste assunto tão importante, além daquilo que se refere às duas naturezas no crente, e à razão pela qual o crente peca. A Bíblia nos mostra isso. É uma grande bênção sabermos que Deus não apenas perdoou nossos pecados, mas também nos colocou em uma nova posição diante d'Ele. As Escrituras nos explicam o que Ele fez no que se refere à nossa velha natureza caída e pecaminosa, a qual todos recebemos em consequência de nosso nascimento natural, e como Ele nos deu uma nova natureza, com novos desejos, de maneira que podemos andar diante d'Ele em santa liberdade.


Há muito o que aprender, neste terceiro capítulo de João, acerca da necessidade deste novo nascimento. Em nossos dias há muitas pessoas que se referem ao novo nascimento como uma espécie de mudança que ocorre na vida de alguém, que é chamada de "experiência Cristã", naqueles que experimentam uma mudança de vida. Mas quando a Bíblia nos fala do novo nascimento, é porque Deus verdadeiramente dá, uma nova vida, àquele que crê no Senhor Jesus. Não se trata de um aprimoramento da velha vida, mas uma vida completamente nova – “nascer de novo (nascer do alto – Nota KJV) (Jo 3:3,7) – e isso é o que o Senhor estava trazendo diante de Nicodemos. “Nascer de novo” é ter uma nova vida proveniente de Deus, e veremos também que a vida que Deus dá é a vida de Cristo. Ele a dá a todo aquele que crê. É evidente que a conseqüência disso será uma mudança, pois a nova vida deseja agradar a Deus.


Nicodemos veio ao Senhor com a intenção de aprender alguma coisa. Sem dúvida alguma o Senhor Jesus era e é um Mestre maravilhoso, mas o que o pecador precisa, antes de mais nada, é receber uma nova vida, e por isso o Senhor respondeu: "aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (Jo 3:3). O homem havia sido ensinado sob a lei, pois "a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom" (Rm 7:12). Todos aqueles preceitos que foram dados ao homem no Antigo Testamento vieram de Deus. Mas não davam uma nova vida, as Escrituras dizem: "se dada fosse uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei" (Gl 3:21). Em outro versículo diz: "Quem dera que eles tivessem tal coração que Me temessem, e guardassem todos os Meus mandamentos todos os dias" (Dt 5:29). Isto significa, a lei exige do homem algo que ele não tem o desejo, e nem tem o poder para dar. Ele precisa de uma nova vida.


Por que então Deus deu a lei? Bem, quando você conversa com várias pessoas acaba percebendo que elas não crêem naquilo que Deus diz a respeito do homem, e por isso Ele teve que nos mostrar isso. Deus diz, "enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e perverso: quem o conhecerá?" (Jr 17:9). O apóstolo Paulo disse: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Rm 7:18). Em nosso estado natural não existe nada para Deus. Nosso coração está em inimizade com Deus, como diz na Bíblia: "a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" (Rm 8:7).


O que provou a lei e por que foi escrita sobre tábuas de pedra? O homem tem um coração endurecido, e Deus sabia que o homem não poderia viver de acordo com os Seus mandamentos, mas o homem pensava que podia. Se tenho um filhinho, que tem uma mala pesada, que ele pensa ser capaz de carregar, como posso provar a ele que não é capaz? Deixo-o tentar! Israel pensava poder cumprir os requisitos de Deus, pois assim disseram: "Tudo o que o SENHOR tem falado, faremos" (Êx 19:8). Mas eles falharam miseravelmente assim como nós.


O que o Senhor está mostrando em João 3, é que deve haver uma operação de Deus na alma. Houve uma obra de Deus para nós na cruz do Calvário, mas deve haver uma obra que aconteça dentro de nós, pois o coração natural do homem nunca irá atender aos clamores de Deus. O Senhor está dizendo a Nicodemos que ele deve “nascer de novo (nascer do alto – Nota KJV) (Jo 3:3,7). Ele deve receber uma nova vida, e Deus usa Sua preciosa Palavra, aplicada pelo Espírito de Deus, para fazer isso. Tudo fica muito claro em 1 Pedro 1:22-23, onde lemos: "Purificando as vossas almas na obediência à verdade ('por intermédio do Espírito' – KJV, ARF) … sendo de novo geradospela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre". Outrora éramos pecadores e tendo somente uma natureza caída e pecaminosa, mas quando Deus introduziu a Sua Palavra em nossa alma, pelo poder do Espírito de Deus, fomos gerados ou nascidos de novo, recebendo uma nova vida proveniente de Deus. É por esta razão que passamos a desejar coisas diferentes.


Entretanto, isto, não é um aperfeiçoamento daquela natureza caída que possuímos. Deus não a melhora; Ele a condena, conforme aprendemos em Romanos 8:3; "Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne". Ele perdoa nossos pecados, mas não a natureza que nos leva a pecar. Ela permanecerá conosco enquanto estivermos neste corpo. Mesmo naquele que foi salvo há cinqüenta anos, a natureza caída não melhorou nem um pouquinho, e nunca irá melhorar. Esta é a razão pela qual os Cristãos pecam. Permitem a natureza caída agir, e com o auxílio do Senhor iremos, mais adiante, buscar nas Escrituras o caminho da libertação.


Nicodemos deveria saber, como mestre em Israel, que toda história como nação provou que, apesar de tudo o que Deus havia feito por eles como nação, seu coração endurecido estava inalterado. Num dia futuro, quando Deus finalmente introduzi-los na bênção, Ele irá tirar "da sua carne o coração de pedra" e dar a eles "um coração de carne" (Ez 11:19). Então, nascerá a nação "de uma só vez" (Is 66:8). Quando Nicodemos perguntou "Como pode ser isso?" (Jo 3:9), o Senhor trouxe, duas coisas importantes, diante dele. Primeiro Ele falou da glória da Sua Pessoa, pois, ao mesmo tempo em que falava com Nicodemos, Ele estava também no céu, conforme diz: "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu" (Jo 3:13). Ele é Deus tanto quanto Homem, e o valor da Sua obra está na glória da Sua Pessoa. É por Ele ser Deus que pode ser nosso Salvador (Is 43:10-11). Então, Ele falou da Sua obra na cruz como o Filho do Homem, erguido ali pelos pecadores. Fora dessas duas coisas não há bênção para o homem caído, e então, depois disso, O Senhor Jesus falou aquelas benditas e maravilhosas palavras: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16).


Vemos, então, como O Senhor estava trazendo a Nicodemos a necessidade de “nascer de novo”, a necessidade de receber uma nova vida, e também mostrando a ele que a velha natureza não pode ser aperfeiçoada. Aquela velha natureza é chamada de "velho homem". Em Efésios 4:21-24 vemos que: "se é que O tendes ouvido, e n'Ele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade". Também em Colossenses 3:3-4 encontramos: "Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória". E ainda, em 1 João 3:9: "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a Sua semente permanece n'Ele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus". No capítulo 3 de João vimos a necessidade do novo nascimento, e aqui nestas passagens vemos o que Deus diz a respeito do “velho homem” e do “novo homem”.


Qual é o resultado de ser nascido de Deus? Bem, após você haver colocado sua confiança no Senhor Jesus Cristo, seu corpo torna-se como uma casa com dois inquilinos. Antes, você tinha só uma natureza, a natureza caída com a qual nascemos neste mundo. Mas o Senhor Jesus disse que, a menos que venhamos a “nascer de novo”, nunca poderemos entrar no reino de Deus. Portanto, quando depositamos nossa confiança n'Ele, Ele nos dá uma nova vida, e essa vida, conforme nos é dito nos versículos que acabamos de citar, é "criada em verdadeira justiça e santidade". É a vida de Cristo e não pode pecar. Quão maravilhoso é isto! Não significa que o “velho homem” foi aperfeiçoado, pois ele ainda "se corrompe pelas concupiscências do engano", conforme acabamos de ler. Sempre age do mesmo modo, pois "o que é nascido da carne é carne" (Jo 3:6), e novamente o Senhor diz: "O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita" (Jo 6:63). Podemos ver que, se o “velho homem” (o velho inquilino) detém o domínio em nosso corpo, então pecamos. O fato de Deus prover sempre o suficiente para sermos restaurados, não é desculpa para pecarmos. Deus cuida de nós em todos os aspectos, tanto no que diz respeito aos nossos pecados quanto ao que se refere à natureza que os produz, e Seu desejo é que conheçamos e nos regozijemos em Sua graciosa provisão.


Em Romanos 6 nos é mostrado o que Deus fez com nossa "velha natureza", chamada algumas vezes de "a carne”, "velho homem" e "pecado" ou "pecado na carne". No versículo 6 somos informados que "nosso homem velho foi com Ele crucificadopara que não sirvamos mais ao pecado". O pecado é a raiz, e os pecados são os frutos, assim como uma macieira e as frutas que ela produz. A natureza da macieira é produzir maçãs. Você pode colher todas as suas maçãs, mas no próximo ano ela produzirá maçãs novamente. O Senhor Jesus, levou "Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro" (1 Pe 2:24). Mas era necessário que Ele fizesse algo a respeito daquele “velho homem” que me fazia pecar. Aqui encontramos o que Ele fez, ou seja, "nosso velho homem foi com Ele crucificado" então vemos que encontrou o seu fim diante d'Ele em Sua morte. O batismo é uma figura disto, conforme é dito: "sepultados com Ele pelo batismo na morte" (Rm 6:4). O “velho homem” está “condenado” (Rm 8:3), “crucificado” (Rm 6:6) e “sepultado” (Rm 6:4). Na cruz do Calvário o Senhor Jesus não somente levou meus pecados, mas Sua morte foi o fim de minha posição diante d'Ele como um filho de Adão. Deus não vê mais o crente como um filho do caído Adão, pois morremos para aquela posição e entramos em uma nova posição diante d'Ele pela ressurreição do Senhor Jesus (Rm 6:9-11).


Talvez, pudéssemos ilustrar esta nova posição, através de uma mudança de cidadania. Sendo um cidadão do país em que você nasceu, ao cruzar a fronteira de outro país, você terá que declarar sua cidadania. Agora, supondo que você mudou sua cidadania e, sendo aceito, naturalizado como um cidadão do outro país. Então, quando cruzasse a fronteira, teria uma posição inteiramente nova aos olhos do oficial da fronteira. Para ele você não existirá mais na sua antiga posição de cidadão deste país, pois se encontra e permanece agora em uma nova e firme posição. Assim, também, Deus o vê agora em uma posição diferente, já que você “nasceu de novo” e entrou para a família de Deus. Mesmo que você carregue o “velho homem” dentro de si, estando agora com "dois inquilinos" em seu corpo, Deus o vê apenas em sua nova posição, aquela que você ocupa perante Ele.


Ele o vê como uma pessoa que morreu para sua velha posição, e é agora "nova criatura" em Cristo (2 Co 5:17).


Deus nos apresenta o lado prático disto nos versículos que se seguem. Temos que nos “considerar mortos para o pecado, mas vivos para Deus” (Rm 6:11). Antes de sermos salvos, nossas mãos faziam aquilo que nossa velha natureza desejava fazer, e nossos olhos contemplavam todas as coisas que nossa natureza caída, “o velho homem”, queria ver, porque nosso corpo estava sob o controle daquele “velho homem”. Agora Deus dá ao crente uma nova vida, o “novo homem” que deseja agradá-Lo, e Ele nos diz: "Considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus" (Rm 6:11). Agora, quando a tentação nos assedia, podemos dizer: – Não! Estamos mortos para aquelas coisas que a natureza caída deseja praticar. Podemos ceder nossos membros para executarem aquilo que o “novo homem” deseja fazer, coisas que são agradáveis ao Senhor. Permita-me dizer aqui que se você não tem nenhum desejo de agradar ao Senhor você não é um crente, pois se você é nascido de novo então possui em si mesmo a própria vida de Cristo.


– Ah! – você exclama – Mas às vezes sinto o desejo de fazer aquilo que é errado! Isto não significa que sua nova vida deseje fazer o que é errado; o que ocorre é que você está permitindo que o “velho homem” (o velho inquilino) permaneça em atividade. Deus diz: "Considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6:11). O “velho homem” não detém mais o direito sobre o corpo. Deus afirma que estamos mortos para o pecado, e por isso lemos em 2 Co 4:10: "Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos". Muitos Cristãos têm dúvidas acerca de sua salvação por não terem sido "ensinados, como está a verdade em Jesus" (Ef 4:21). Ficam surpresos quando percebem que, após terem sido salvos, continuam a desejar aquilo que é errado. Então Satanás lhes diz: – Talvez você não esteja salvo pois alguns de seus antigos desejos permanecem em você… Mas acaso o Senhor não disse: "o que é nascido da carne é carne" (Jo 3:6)? O apóstolo Paulo teve que dizer: "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Rm 7:18). Ele continuava a possuir aquela natureza caída dentro de si, mesmo tendo sido salvo por muitos anos.


No capítulo 7 de Romanos a questão deste conflito é tratada de uma maneira prática. A pessoa que é apresentada naquele capítulo está buscando conseguir libertação debaixo da lei. Já “nasceu de novo”, possuindo assim uma nova vida, mas não está desfrutando de sua nova posição. O Espírito de Deus traz o assunto à tona para nos revelar o caminho de libertação da lei e do “velho homem”. Por todo o capítulo, até o versículo 18, essa pessoa está chamando o “velho homem” de "eu", e em outra parte chama o novo homem de "eu". É por isso que se encontra em tal conflito, pois está pensando que os "dois inquilinos" têm os mesmos direitos; mas eles não têm! O velho homem deve ser considerado morto. O novo homem é o único inquilino genuíno, com o direito de dizer o que deve ser feito no corpo, e este novo homem é a vida de Cristo.


Existem três coisas importantes que nos são apresentadas aqui. Primeiro, devemos aprender esta grande e importante lição: "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Rm 7:18). Acaso você já teve algum mau pensamento brotando em sua mente, e o repudiou imediatamente dizendo: – Nunca pensei que um Cristão poderia pensar desta maneira? – Se você creu verdadeiramente neste versículo não ficaria surpreso em ver que sua velha natureza (o “velho homem”), não mudou desde que você foi salvo. Precisamos aprender isto. Precisamos perceber isto. O inimigo de nossas almas, que trabalha naquele “velho homem”, tenta nos transtornar trazendo maus pensamentos diante de nós, e nossa velha natureza responde. Alguém disse, certa vez, que seu velho relógio nunca o desapontou, porque nunca confiou nele. Você confia em sua velha natureza agora, só porque está salvo? Você pensa que pode se colocar nos caminhos das tentações e permanecer confiante. A Bíblia diz: "O que confia no seu próprio coração é insensato" (Pv 28:26). A velha natureza não melhora – nunca! Lembre-se do que é dito, "que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum". Quem disse isto? O amado apóstolo Paulo, um dos homens mais piedosos que já viveu, pois seu “velho homem” não era nem um pouco melhor do que o de qualquer outro crente.


Agora, atente a uma segunda coisa em Romanos 7:20. "Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim". Ele aprendeu que não há nada de bom na carne (o “velho homem”), mas existe aqui algo de maravilhoso para nos apossarmos. Ele não se refere mais ao “velho homem” como "eu". Deixe-me ilustrar isto desta forma. Há uma pessoa que acaba de ser salva, tendo deixado muitos de seus velhos pecados, pois passou a viver para agradar a Deus. Um dia alguém lhe pede para fazer algo que ele fazia nos seus dias de incredulidade, mas que agora ele sabe ser errado. Ele responde: – Não; eu não quero mais fazer aquilo, pois sou um Cristão. – Porém, após ele haver se recusado, algo acontece. Satanás sussurra em seu ouvido: – Você não disse a verdade; você queria fazer aquilo, e disse ao seu amigo que não queria… Terá ele falado uma mentira? Não! Ele apenas deixou que o inquilino genuíno – o “novo homem” – atendesse à porta! Acaso a nova vida nele desejava fazer aquilo? Não! O que havia nele que desejava tal coisa? Bem, ele poderia dizer, – “Não sou mais eu, mas o pecado que habita em mim”. Continuamos a ter aquela velha natureza, mas deveríamos deixar o “novo homem” atender à porta. Sim, ele disse a verdade, pois o “velho homem” não é mais "eu", agora é o “novo homem” o verdadeiro "eu", a “vida de Jesus” que há em cada crente; a vida que sempre agrada a Deus e não pode pecar. Deixe que sempre o “novo homem” tome as decisões e elas serão decisões acertadas, pois embora o “velho homem” esteja em nós, e nunca melhore, ele não é mais o "eu" em sua vida. Que bendito livramento!


Chegamos agora à terceira coisa nos versículos 22-25. "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor". Mesmo sabendo daquelas duas coisas que acabamos de considerar, ele diz que o conflito continua; ele diz que deseja agradar ao Senhor mas este conflito me faz muito infeliz. A natureza caída continua tentando me arrastar para as coisas que são erradas. Mas após dizer: "Miserável homem que eu sou!", ele diz, "QUEM me livrará do corpo desta morte?" Ele olha para fora de si, para o Senhor Jesus Cristo, em busca de libertação e então tem a pronta resposta. Começa então a dar graças. Isto é de grande importância. Você já tentou expulsar maus pensamentos, e acabou por vê-los de volta piores do que nunca? Alguém disse, certa vez, que se você tentar lutar com um limpador de chaminés, ficará tão sujo quanto ele!


O que Deus está nos dizendo aqui? Que podemos nos desviar daqueles maus pensamentos que vêm por intermédio do “velho homem”, e deixar que o Espírito de Deus, por meio do “novo homem”, nos ocupe com Cristo. Podemos agradecer a Deus por termos sido introduzidos, pela obra do Senhor Jesus, em uma nova posição perante Ele, onde podemos nos considerar já mortos para o pecado, e onde o “novo homem” encontra o seu gozo e livramento ao desviar o nosso olhar de nós mesmos para Cristo.


Permita-me usar de uma ilustração para ajudar a esclarecer este ponto. Suponhamos que eu planeje construir uma garagem para meu automóvel, e tenho uma pilha de tábuas que venho guardando para esta finalidade. Decido contratar um carpinteiro para construí-la para mim, e peço que ele utilize estas tábuas para a construção. Ele examina a pilha de tábuas, e depois de alguns minutos volta dizendo: – Examinei sua pilha de tábuas, e tenho más notícias para você. Suas tábuas estão todas podres. Não há nenhuma peça boa em toda a pilha! – O que foi que ele fez? Acaso ele tentou melhorá-las? Não! Ele as condenou. Preste atenção no versículo 3 de Romanos 8, e verá que foi isto o que Deus fez com nossa velha natureza – o “velho homem”. "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne". Meu carpinteiro condenou minha pilha de tábuas, mas então ele me diz: – Tenho uma boa notícia para você; trouxe a quantidade de madeira nova e boa que você irá precisar para construir sua garagem, e isto não lhe custará absolutamente nada. É um presente. – Eu, que havia ficado tão triste quando ele me disse que minha velha pilha de tábuas estava podre, pois dependia dela, vejo agora minha miséria ser transformada em gratidão, e exclamo: – Muito obrigado! – Veja a força dos versículos em Romanos 7: "Miserável homem que eu sou!" e em seguida, "Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor" (v. 24,25). Deixei de olhar para mim e olhei para Cristo, e me regozijando naquilo que Ele fez, encontro-me cheio de gratidão.


Temos aquela pilha de “madeira podre” dentro de nós – o “velho homem”, e alguns Cristãos tornam-se miseráveis pensando nisso, e como ela ainda quer assumir o controle de seu corpo. Deixemos de olhar para nós mesmos, e passemos a dar graças a Deus por nos enxergar “em Cristo”. "Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1 – ARA). Você está se condenando por ter uma natureza caída? Deus diz que nos vê “em Cristo Jesus” e "santos e irrepreensíveis diante d'Ele em caridade (amor – ARF)" (Ef 1:4). É realmente triste descobrir quão má é a velha natureza, mas isto deveria apenas levar-nos a ficar mais agradecidos pela libertação, conhecendo nossa nova posição diante de Deus, em razão daquela bendita obra realizada para nós no Calvário.


Deixe-me continuar um pouco mais com a ilustração acerca do carpinteiro. Depois que ele se foi, começo a pensar naquela velha pilha de tábuas. Estão todas podres mesmo? Talvez haja alguma tábua boa na pilha…, então, me ponho a mexer na pilha para ver se existem algumas tábuas que não estão podres, pois há muito que contava com elas. Naquele momento o carpinteiro chega, e me pergunta o que estou fazendo. Eu explico a ele o quão mal me senti, quando disse que toda a pilha de tábuas estava podre. Achei então que poderia encontrar algumas peças em bom estado no meio. – Ah! – exclama ele – Você está se aborrecendo por nada. Por que não agradece simplesmente pela nova pilha de tábuas, em vez de ficar procurando alguma tábua boa entre as velhas?


Você, querido leitor, está procurando por algo de bom na velha natureza? Deus já desistiu disso há muito tempo, e se você desistir agora será uma pessoa feliz. O carpinteiro pega então uma lona e joga sobre a pilha de madeira podre. Certamente não irá melhorar sob a lona, mas ele diz para considerar como se não estivesse ali. Isso é o que significa "considerai-vos como mortos para o pecado" (Rm 6:11). Podemos dizer que a velha natureza – o “velho homem” – não sou mais "eu, mas o pecado que habita em mim" (Rm 7:20). Nossa posição diante de Deus é “em Cristo”.


Como podemos ser libertados da atividade daquela natureza caída em nós? Isto nos é explicado em Romanos 8:2: "Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte". Se estivesse segurando um livro em minha mão e o soltasse, à lei da gravitação o faria cair. Como posso me livrar da lei sem mudar a lei, ou o peso do livro? Se eu amarrasse ao livro um balão de gás hélio, ele subiria. Não teria mudado à lei da gravitação nem o peso do livro, mas introduzi uma nova lei. O gás hélio é mais leve do que o ar. Desta forma, o livro está livre da lei da gravitação.


Apliquemos isto à nossa vida. Quando alguns pensamentos ruins se introduzem em sua mente, como você fará para livrar-se deles? Você não pode mudar a natureza caída. Ela sempre age da mesma maneira. Não há nada de bom nela. Mas se você permitir que o Espírito de Deus, por meio do novo homem, o mantenha ocupado com Cristo, você estará livre. O Espírito de Deus trabalhando no novo homem encherá seu coração com Cristo. Ele lhe mostrará o que Cristo fez por você, o que Ele está fazendo por você como seu Advogado e Sumo Sacerdote, e o que fará por você quando o tornar eternamente feliz na casa do Pai. Portanto, quando os maus pensamentos vêm à sua mente, lembre-se de que você não pode mudar a natureza caída, mas pode deixar que o Espírito de Deus trabalhe no novo homem. Pense no que você possui em Cristo. Regozije-se no fato que Deus o vê em Cristo. Esta é a única maneira de se livrar da atividade do velho homem dentro de você. De nada adianta tentar expulsar aqueles maus pensamentos, pois logo estarão de volta. É como lutar com o limpador de chaminés. Afaste-se deles, dando graças pelo caminho de Deus para a libertação e regozije-se no Senhor.


Quão maravilhoso é saber que Deus, não apenas perdoou nossos pecados, mas condenou aquela natureza caída. Ela foi crucificada com Seu Filho. Ele nos enxerga em uma nova posição diante de Si; uma posição de "nenhuma condenação" (Rm 8:1), mortos e ressuscitados com Cristo. Regozijemo-nos! Demos graças! Ele nos deu uma nova vida, a própria vida de Cristo que será nossa para sempre no céu. Quando você “nasceu de novo” você recebeu esta nova vida. Você nasceu do alto e o novo homem é criado em justiça e verdadeira santidade. Deus deseja que você, como Cristão, viva uma vida de santa liberdade e gozo na posição na qual Ele o colocou.


Não estamos nos referindo, neste momento, ao que o crente deve fazer, caso deixe a natureza pecaminosa agir, mas apenas ao que Deus fez em relação à velha natureza. Mas, talvez seja de auxílio acrescentar alguns comentários a respeito disso. Se permitirmos o pecado em nossa vida, Deus providenciou “um Advogado… ,Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2:1), e devemos confessar nosso pecado, reconhecendo que deixamos o “velho homem” agir. Isto não é para restaurarmos nossa posição diante de Deus, pois ela é sempre “em Cristo”, mas para sermos restaurados à comunhão com Deus em nossa alma. Que completa provisão nos foi feita, para todas nossas necessidades “em Cristo”!


Quão importante é, que leiamos a Palavra de Deus, e que oremos, pois se negligenciamos isto, o inimigo conhece nossos pontos fracos, e virá, e trabalhará naquele “velho homem”, levando-nos a pecar. Isto irá roubar nosso gozo no Senhor, e se não confessarmos os pequenos pecados, eles em breve se tornarão grandes pecados pelos quais poderemos vir a ser colocados sob a mão de Deus em disciplina, ou até mesmo, possam nos levar a disciplina da assembleia ou igreja de Deus. Não nos é dito que devamos confessar maus pensamentos, pois o simples fato de nos afastarmos já é a forma de julgá-los, mas se permiti-los em nossa vida, então, precisamos confessar “(confessarmos) nossos pecados” para sermos restaurados (1 Jo 1:9).


Um verdadeiro crente nunca pode se perder, mas pode, como Davi na antiguidade, perder o gozo da salvação de Deus e desonrar o Senhor. A oração do salmista é boa para todos nós. "Quem pode entender os próprios erros? expurga-me Tu dos que me são ocultos. Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim: então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão. Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor. Rocha minha e Libertador meu!" (Sl 19:12-14).

Gordon H. Hayhoe (1911-2003)

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A VERDADE DISPENSACIONAL


A Verdade Dispensacional é aquela que tem a ver com as diferentes dispensações. O período cíclico de tempo é tido como 7.000 anos: 4.000 anos antes de Cristo e 3.000 anos depois de Cristo. Antes disso havia a eternidade; depois disso haverá mais uma vez o estado eterno.


Deus sempre existiu. Talvez não possamos entender isto, mas cremos pois a Palavra de Deus nos diz. Jeová significa O Eterno. Ele é infinito. Ele não precisa nos explicar todas as coisas. Se entendêssemos tudo seríamos iguais a Ele. Mas somos finitos; Deus é infinito. O que é maravilhoso em tudo isso é que Deus Se compraz em ter junto de Si um grupo de redimidos por toda a eternidade. Mas é necessário que sejam redimidos (Jo 3:16). Deus terá um povo celestial e terá também um povo terrenal; por isso é necessário compreendermos as dispensações.

J.T.Armet (1859-1923)


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RESUMO PROFÉTICO


Introdução

Uma das coisas mais interessantes e úteis para qualquer Cristão, é ver ou traçar um resumo da profecia. Deus é um Deus de ordem. Isto é surpreendentemente demonstrado em Seu universo. Tudo está colocado, é sustentado, e se move de acordo com Deus.


O plano de Deus no tempo e por toda a eternidade não podia ser diferente. Há uma ordem perfeita determinada em Seus propósitos para que Seu Filho – o Filho do homem – seja exaltado nos céus e na Terra com as Suas criaturas ao Seu redor para Sua glória e louvor.


É aqui que entram as dispensações. A última dispensação é chamada dispensação da plenitude dos tempos. Será o reino de 1.000 anos que nos é revelado em Apocalipse 20. Isto nos dá uma idéia dos períodos de tempo no artigo de J.T. Armet que você acabou de ler. “Um dia para o Senhor é como mil anos” (2 Pe 3:8).


Os tempos ou dispensações são os vários testes com os quais Deus provou o primeiro homem. Cada teste que se sucedia era mais favorável ao homem, mas em cada um deles o homem mostrava ser um completo fracasso. Procurou-se fazer da consciência um modo de ajudá-lo, e de fato nos ajuda de uma certa forma em nosso comportamento. A consciência permaneceu, e à ela foi adicionado o governo, o qual continua conosco e se faz necessário.


Uma nação escolhida – Israel – foi testada por um determinado período (dispensação) sob a lei. Começou e terminou como um teste (Rm 10:4). Desde que Cristo completou a obra redentora, Deus está reunindo um povo para os céus por meio da pregação do evangelho.


Muitos profetas previram eventos no Antigo Testamento. Enquanto o povo celestial está sendo agora reunido, o tempo não está sendo considerado profeticamente. Quando Cristo vier, e levar Seus santos celestiais para fora deste mundo, a profecia reassumirá o seu curso.


O Resumo Profético coloca diante de nós, em ordem, muito daquilo que Deus revelou concernente ao futuro. Consideremos bem o que Deus nos desvendou em Sua Palavra acerca de dispensações e profecia. Isto confirma a fé em certeza e solidez, além de nos firmar em Cristo, o qual é o fundamento de todos os propósitos e desígnios de Deus.

C.Buchanan (1917-2012)


Resumo Profético

Relação dos principais acontecimentos proféticos envolvendo a Igreja e Israel: a ressurreição dos salvos, o arrebatamento, a volta dos judeus à sua terra, o Império Romano revivido, a grande tribulação, o antiCristo, a besta, a derrocada da Cristandade professa, o reino milenar, Armagedom, a vinda de Cristo, o juízo final etc.

  1. A volta de Judá e Benjamim à sua terra natal nos coloca em tempos proféticos (Is 17 - 18). Sua volta é sem que creiam na Palavra de Deus, e isso os levará a um desesperador infortúnio (Is 17:9-11).

  2. Esperamos para qualquer momento a vinda do Senhor Jesus Cristo para arrebatar os crentes para os céus, para estarmos Consigo (1 Ts 4:15-18). Esse evento será a primeira parte da primeira ressurreição dos santos, incluindo tanto aqueles que estão vivos como aqueles que morreram na fé desde os dias do Éden (1 Co 15).

  3. O Espírito de Deus faria antes com que o nosso coração se fixasse no Assunto principal: o Filho do homem, Cristo; Aquele que irá reger todas as nações no Seu tempo determinado, com o qual estarão os santos arrebatados. Ele será o Centro de toda a glória e isto será notório a todos (Ap 12:5).

  4. O Senhor Jesus, o Filho do homem, se assentará nos céus, em Seu trono de juízo, em conformidade com Seus atributos de Criador e Redentor (Ap 4:11; 5:7-10).

  5. O início da angústia, tribulação e dor de Jacó (Judá), por ocasião do arrebatamento da Igreja, incluirá muitos eventos tais como invasões, terremotos, guerras civis, fome, pestes e morte. O dinheiro não terá nenhum valor e será desprezado. A agricultura em moldes primitivos substituirá os métodos modernos (Is 7:21-25).

  6. O príncipe do povo romano (ou líder dos povos ocidentais) fará uma aliança por sete anos para proteção de Judá, porém a romperá na metade dos sete anos, deixando-os indefesos contra o ataque do inimigo (Dn 9:27).

  7. Uma guerra nos céus entre os anjos, fará com que Satanás seja lançado fora dos céus, em direção à Terra, trazendo grande tribulação. A "hora da tentação" na Europa ocidental, e a grande tribulação para Judá irão ocorrer de forma generalizada e simultânea (Ap 3:10). Sabendo que o seu tempo se abrevia, Satanás introduzirá falsos profetas com seus sinais e maravilhas para enganar, se possível fora, os próprios eleitos (Ap 12:7-9; Mt 24:24).

  8. Durante esse período haverá indizível sofrimento sob uma compulsória idolatria, com a apostasia debilitando a civilidade e tornando a vida pública e privada intolerável; pais e filhos se denunciando mutuamente e despedaçando o lar (Mc 13:12). O comércio será imensamente afetado, resultando em profunda instabilidade no mundo dos negócios (Ap 8:9).

  9. O evangelho do reino será pregado” a todas as nações sobre a Terra (Mt 24:14).

  10. Entre os judeus, o amor para com Deus se esfriará, mas o verdadeiro remanescente que crer no Evangelho do Reino permanecerá (Mt 24:13). Todas as doze tribos serão seladas antes que se dê início ao tempo de tribulação (Ap 7:1-12).

  11. Os homens ricos que juntaram tesouros para si próprios experimentarão as consequências na grande tribulação, mas os santos oprimidos serão confortados pela esperança da vinda do Senhor em Seu reino (Tg 5:1-6; Ap 9:4).

  12. A mulher, ou Catolicismo, se colocará em uma posição imperial, controlando o império romano, uma comunidade de nações ocidentais, compelindo à idolatria as massas de súditos romanos (Ap 8:8-9). Desta maneira ela estará "assentada sobre uma besta" (Ap 17:3-7).

  13. Será visto “um Cordeiro sobre o Monte Sião” reunindo o remanescente de Judá para o reino vindouro. Os “cento e quarenta e quatro mil”, um número simbólico, serão preservados durante o juízo e nesse ínterim aprenderão os cânticos dos céus por meio dos santos celestiais (Ap 14:1-5).

  14. O evangelho eterno será pregado, chamando os homens a se lembrarem de seu Criador, a temerem a Deus e darem glória a Ele, pois a hora do Seu juízo está para chegar (Ap 14:6-7).

  15. O império romano será encabeçado pela besta, o imperador. Dez poderes, chamados de “dez chifres”, receberão poder da besta por uma hora e, havendo se tornado reis, entregarão seu poder e forças à besta. Unidos, eles odiarão a prostituta e, tornando-a desolada e nua, comerão a sua carne e por fim a queimarão no fogo. Esses eventos mostram que essa mulher que estava montada na besta, controlando-a, tornar-se-á nojenta aos dez chifres que se empenharão em derrubá-la (Ap 17:3-6,16).

  16. Embora seja permitido que os propósitos enganadores de Satanás amadureçam, a mulher finalmente será julgada por Deus por intermédio dos propósitos dos dez reis (Ap 19:2).

  17. (A história de Acabe e Jezabel ilustram de uma maneira figurada a conexão entre a besta e a mulher – 1 Rs 21).

  18. Após a ascensão da primeira besta, descrita acima, em seu caráter diabólico (a besta pessoal), uma segunda besta se levantará em Jerusalém, onde a apostasia gentílica e judaica estarão centralizadas, que será chamada de homem de pecado ou anticristo. A adoração do anticristo, imposta a todos, trará indizível angústia sobre a consciência dos judeus, não em suas circunstâncias, porém em sua mente e coração. Esse será o primeiro "ai" (Ap 9:1-12).

  19. O segundo "ai" cairá sobre a besta, na forma de um incontável exército de guerreiros montados em cavalos que cruzarão o Eufrates vindos do oriente para matar e espalhar falsas doutrinas – ateísmo, islamismo, etc. – pela Europa oriental (Ap 9:12-21).

  20. Babilônia, a grande cidade, antes conectada com a mulher e com a cristandade degenerada, cairá na mais baixa degradação e se tornará num covil de demônios, os agentes ativos do anticristo, para enganar e apostatar completamente as nações (Ap 18:2).

  21. Os céus se encherão de alegria, como nunca antes, por ocasião das “bodas do Cordeiro” (Ap 19:7-8). Os homens serão forçados pelo anticristo a adorarem a besta. Como resultado eles receberão sua "marca" que trará servidão por toda a terra (Ap 13:16-18 – ARA).

  22. O império romano (Dn 7), com uma fúria e crueldade inigualáveis, sujeitará toda a terra sob sua tirania (Dn 7:7-8). Essa terrível e medonha besta, extremamente poderosa, devorará e esmigalhará a terra profética, além de pisar o restante (aqueles que se encontram fora da terra profética) com seus pés (Dn 7:7).

  23. Naquele tempo se dirá: "Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" (Ap 13:4).

  24. Enquanto isso, Deus irá empregar os assírios como Sua vara de juízo para que passem através da terra de Judá e invadam o Egito, um antigo inimigo. Os aliados dos assírios saquearão Jerusalém (Dn 11:40-45).

  25. Em Jerusalém e cercanias, metade das pessoas será tomada pelo juízo, e, a outra metade deixada para o reino (Zc 14:1-3). Por toda a terra dois terços serão mortos e um terço poupado (Zc 13:8-9).

  26. Os últimos mártires, fiéis ao Senhor e que não aceitaram a marca da besta, serão mortos, o que trará as sete últimas pragas. Então a segunda ou última parte da primeira ressurreição fechará a porta dos céus para sempre (Ap 20:4; Ap 15:1-2).

  27. Quando os céus estiverem completos, com todos os convidados presentes, “a ceia das bodas do Cordeiro” terá lugar (Ap 19:9).

  28. A paz nos céus estará assegurada (Hb 12:22-23) antes que Cristo venha para estabelecer a justiça e trazer paz sobre a terra (Lc 19:38).

  29. Os navios de Quitim (marinha ocidental) afligirão a Assíria e a Pérsia (Nm 24:24).

  30. O reino da besta cairá em desordem e confusão quando Satanás for acorrentado, dando início ao dia do Senhor (Ap 20:1-2).

  31. A besta e o anticristo serão vencidos em Armagedom e “lançados vivos no ardente lago de fogo” (Ap 19:20).

  32. Em Armagedom as quatro monarquias de Daniel 7 cairão juntas. Aqueles reinos que mantiveram Israel cativo por muitos anos encontrarão seu fim na destruição do império romano, e o remanescente fiel de Judá será libertado (Dn 2:35,45; Jl 2:18-19).

  33. A destruição chegará até a Europa e suas colônias, e irão perecer pela espada, não deixando vivos nem mesmo aqueles que poderiam sepultar os mortos por todo o império romano (Jr 25:29-33).

  34. O Senhor porá “os Seus pés sobre o Monte das Oliveiras” (Zc 14:4). O arrependimento das duas tribos por haverem se apartado de Jeová, e o fato de o Senhor estabelecer o Seu reino em Judá anunciarão um novo dia para Israel (Zc 12:7).

  35. As dez tribos perdidas retornarão, chorando, à sua terra nativa de Israel (Jr 50:4).

  36. O assédio das tribos pagãs contra Israel continuará por quarenta e cinco dias, durante os quais Israel aprenderá a confiar totalmente no Senhor como Aquele que os guardará do mal (Zc 12:2; Is 27:2-3).

  37. Gogue (Rússia, a grande Assíria), e todas as suas hostes marcharão em direção a Josafá (o vale do juízo), onde no lagar do dia do Deus Todo-poderoso serão esmagados. É ali, sobre as montanhas de Israel, que os exércitos de Gogue serão exterminados e sepultados. Gogue será lançado no lago de fogo (Ap 16:14; Ez 38; Is 30:31-33).

  38. Esta será a humilhação de todas as nações, e todo olho verá Jeová, quando Ele vem dos céus com todos os Seus santos, para por fim à disputa de Sião (Is 34:8; Ez 38).

  39. O lagar significa juízo, que se estende por cerca de trezentos e vinte quilômetros, de Megido até Edom, o último campo de batalha do grande dia do Deus Todo-poderoso (Ap 14:19-20).

  40. O Senhor separará as ovelhas dos bodes. As ovelhas são aqueles de todas as nações que cuidaram dos servos do Senhor (Mt 25:33).

  41. Após o completo livramento, Israel, família por família, chorará por seus pecados e desobediência como nação. Esse será um arrependimento nacional (Ez 20:43; Zc 12:12-14).

  42. O Filho do homem Se assentará no Seu trono de glória por sobre a Terra para reinar em justiça em Sião que tanto amou (Jr 23:5). "Mas o juízo voltará a ser justiça, e hão de segui-lo todos os retos de coração" (Sl 94:15) – (Veja também Sl 99).

  43. O dia milenial trará uma nova ordem na divisão das tribos de Israel quando se assentarem em sua própria terra (Ez 40-48).

  44. Os sacrifícios serão restabelecidos, não para salvação, mas para levar os olhos a contemplarem a poderosa redenção já consumada, que salvou Israel do eterno "ai" (Ez 40-48).

  45. No final “Satanás será solto”, e guiará homens ao ataque contra a “cidade amada” de Jerusalém. Fogo vindo dos céus destruirá os rebeldes que haviam participado da bênção milenial (Ap 20:7-10).

  46. Satanás encontrará o seu destino no “lago de fogo” (Ap 20:10).

  47. O “grande trono branco”, o último tribunal, encerrará os desígnios de Deus sobre a Terra. Todos os que permaneceram em suas sepulturas, rejeitadores do testemunho de Deus quanto ao sacrifício, dentre todas as eras, serão ressuscitados para serem julgados e serem lançados no “lago de fogo” (Ap 20:11-15).

  48. Aqueles que foram poupados, ainda vivendo sobre a Terra por ocasião do juízo de fogo sobre os rebeldes, serão colocados em uma nova Terra. O primeiro céu e a primeira Terra serão queimados com grande estrondo (2 Pe 3:10 – JND; Ap 21:1).

C.E.Lunden (1904-1995)

Christian Treasury Fev/90

Ah! terra orgulhosa! Que angústias por ti esperam!

Tais como nunca antes no passado viste!

Mais que as agonias que sempre te dilaceram,

Desde as mais breves até aquela que ainda persiste.

H. Bonar (1808-1889)

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