Qual o Teu Destino? (1ª parte)

Atualizado: Mar 8


Título do original inglês: Whither Bound? – Diversos Autores. Editado originalmente por A. C. Groth.


Índice - 1ª parte

  1. Qual o teu destino?

  2. O que sucedeu numa trincheira

  3. Os lenhadores

  4. Dormindo na canoa

  5. A favor ou contra

  6. A volta do soldado ferido

  7. O filho pródigo

  8. A graça de Deus

  9. Não é para mim!

  10. Ganho pelo amor

  11. O avarento de Marselha

  12. A pérola inigualável

  13. Dois morreram por mim

  14. A mão cicatrizada

  15. Seu Salvador ou seu Juiz?




QUAL O TEU DESTINO?

AVANÇANDO, tão depressa! Sim, mas que destino tens? Será para a glória eterna De felicidade e bens? Avançando, tão depressa, Sim, mas que destino tens? Avançando, tão ligeiros, — Nada o tempo pode sustar! — Alguns há que estão seguindo Para o glorioso Lar, Avançando! Bem alegres, Cristo é Guia pra os levar. Avançando, pra desgraça — Muitos seguem rumo tal, Desprezando o perigo Da sua alma imortal, Avançando, indiferentes, Para a perdição total. Eis veloz, com passo certo, Breve o tempo vai findar. Pecador! Ouve o convite, Cristo pode a vida dar Vem a Cristo, sem demora; Só Jesus pode salvar!

O QUE SUCEDEU NUMA TRINCHEIRA

CERTA MANHÃ, estávamos defendendo uma trinchei­ra, bombardeados, como de costume, pelo fogo inimigo. De repente, vimos uma nuvem negra de fumaça ao explodir um projétil cujos estilhaços zuniam ao passar por nossos pés. Então o pobre companheiro Bertrand caiu por terra. James "Pequeno" (que tinha quase dois metros de altura!) e outro soldado saltaram para a cova produzida pela explosão e levantaram-no, verificando logo que seu estado era desesperador. Não havia posto de socorro perto, e alguns soldados juntaram uns sacos vazios, dos que tinham estado cheios de areia, e um velho capote, e encostaram neles o Bertrand, no fundo da trincheira, para morrer.

Passado pouco tempo, James ficou surpreendido ao ouvir uma voz perguntando: ­­­­– Pode me dizer qual o caminho para o Céu? – James saltou para perto de Bertrand e respondeu: – O caminho para o Céu? Sinto muito, meu amigo, mas não sei! Vou perguntar aos outros.


Voltou ao banco de tiro e perguntou ao companheiro mais próximo, mas este também ignorava o caminho. A pergunta foi passando de um para outro: "O Bertrand está morrendo e quer saber qual o caminho para o Céu; você pode informar?". A pergunta passou por dezesseis soldados naquela trincheira, sem que qualquer deles pudesse explicar ao amigo moribundo como ele poderia ser salvo! Imagine!

Dezesseis jovens criados num país que se diz Cristão, e nenhum deles podia prestar auxílio a um amigo na hora da morte! É muito triste ver um amigo morrer sem poder ajudá-lo! De nada serve consolá-lo com aquilo que se supõe ou se imagina! Ah, não, o que ele necessita é a verdade! Quantos há como aqueles dezesseis! E você, o que diria? Será que você poderia abrir o velho livro da Palavra de Deus, a Bíblia, e mostrar-me o lugar onde claramente se explica o Caminho que Deus indica para o Céu?

O décimo sexto soldado saltou do banco de tiro e foi correndo para o próximo posto, onde outro se mantinha alerta. Este sentiu uma mão batendo em suas costas e ouviu o companheiro, que gritava: ­­– Há um dos nossos que foi atingido; está prestes a morrer e deseja saber o caminho para o Céu. Você pode dizer-lhe? Virando-se, o interrogado respondeu, com um sorriso iluminando seu rosto: ­– Sim, eu posso! Enfiando a mão no bolso da camisa, tirou um Novo Testamento e, abrindo-o rapidamente, observou: – Vê este versículo sublinhado a lápis? Coloque seu dedo neste versículo. Diga a ele que é este o caminho. O décimo sexto soldado voltou correndo, passou a men­sagem e o Novo Testamento de um para outro e, logo depois, James "Pequeno" o tinha em sua mão. Novamente aproximou-se de Bertrand, que jazia imóvel. Tocou-lhe no ombro e vagarosamente Bertrand abriu os olhos. – Está aqui, Bertrand, querido amigo; aqui esta o caminho para o Céu: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEIe crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16). Logo, uma imensa paz expressou-se no rosto de Bertrand que, com a voz sufocada, procurava dizer: – Todo aquele... Depois, mostrou-se calmo e sereno. De repente, dando um último suspiro, exclamou: – TODO AQUELE! — e morreu.

Que grande mudança, passar de um campo de batalha para a presença de Cristo! “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.12) Querido amigo, eu, que também fui soldado, e que também já encontrei o Caminho, desejo assegurar a você que isto é a verdade: JESUS é, verdadeiramente, o Salvador real; JESUS, que disse, "Eu sou a Porta; se alguém entrar por Mim, salvar-se-á" (João 10.9); JESUS que morreu para nos levar a Deus; Ele próprio, que está agora assentado à destra de Deus, coroado de honra e de glória; Ele é o único Salvador e o único Caminho para o Céu. Ele mesmo disse: "EU SOU o Caminho, e a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim" (João 14.6).


OS LENHADORES

AO AMANHECER de um dia de outono, dois homens seguiam através de um pinheiral. A cada lado se erguiam os troncos, direitos como colunas, e, muito acima das cabeças daqueles homens, os ramos formavam densa cobertura verde. O tapete de relva que pisavam amortecia o som de seus passos.

Timothy era baixo e corcunda, com os braços compridos e fortes. Apesar de sua deformidade física, e da barba e cabelos escuros emaranhados, era amável. Com o rosto voltado para cima contemplava Raymond. Este, recém-chegado ao acampamento, era mais novo, alto e forte, e andava orgu­lhosamente ereto. Era louro, de feições bem marcadas e olhos azuis. – Raymond, você tem muito que agradecer. – Eu? – Sim – e Timothy recusou-se alegremente a prestar atenção no tom de escárnio na voz do companheiro. – Nada sei de sua vida, dos anos que ficaram para trás, nem sei o que fez você vir para este lugar; mas é alto e forte, conhece livros e deve ter tido muitas oportunidades. Os rapazes aqui são diferentes, mas tudo demonstra que você já teve sorte na vida, Raymond.

Logo chegaram a uma clareira no bosque. Timothy atirou o casaco ao chão, pegou no machado e começou, com golpes fortes, a cortar um pinheiro alto. Raymond ficou parado, em profunda meditação. Oportunidades? Sim, de fato não lhe tinham faltado, mas não as havia aproveitado. "Nin­guém tem o direito de se intrometer na minha vida", pensou consigo, procurando esquecer-se dos conselhos de seu idoso pai. "Bem, já me encontro livre das velhas superstições; contudo às vezes me pergunto se esta liberdade vale o preço que paguei para a obter..."

O acampamento Haskin estava situado no norte de Minnesota. Havia apenas três semanas que Raymond chegara. Os homens eram rudes e incultos. Muitos deles tinham o vício da em­briaguez, enquanto que o praguejar e o desprezo pelo dia do Senhor eram constan­tes e não se constituía uma exceção à regra.

Timothy havia sido membro do grupo por mui­tos anos. Apesar de sua falta de inteligência e de sua deformidade física, era popular entre seus companheiros. Surpreendia a todos sua amizade pelo alto Raymond, manifestando a sua admiração por este de muitas, embora modestas formas, assim merecendo do jovem amável complacência. Certo dia, quando caía forte nevasca por já ter chegado o inverno, Raymond e Timothy trabalhavam com um nume­roso grupo de lenhadores. De repente, uma árvore enorme tombou, caindo com grande estrondo. Acima do barulho destacou-se um grito de horror e sofrimento. Era Timothy, o pobre aleijadinho. Por desgraça fora colhido por um grande ramo da árvore, que agora o prendia ao solo. Raymond foi o primeiro a chegar perto dele. Com todo o cuidado, os homens libertaram-no, encontrando o pobre corpo encurvado horri­velmente mutilado. – Parece que estou no fim, rapazes – disse ele, esforçando-se por dominar a voz. – Ah, Raymond, fique perto de mim. Ai! tenham cuidado! Levaram-no ao acampamento. Um homem montou logo a cavalo, para ir à aldeia mais próxima, a quase cinquenta quilômetros de distância, a fim de chamar um médico. Todos recearam que Timothy não estaria vivo quando o médico chegasse, tão intenso era o seu sofrimento. Quando o deitaram numa cama tosca, perto do braseiro, olhou ansiosamente para os rostos dos seus companheiros. – É a morte, rapazes. Falem-me de Deus. Nunca me falaram dEle. Um silêncio estranho desceu sobre o grupo de homens, silêncio interrompido apenas pelo barulho do vento lá fora. Timothy tornou a falar: – Raymond, fale-me dEle. Com certeza você deve saber, pois é diferente de todos nós. Todos fitaram o jovem. Este inclinou-se mais para Ti­mothy, perguntando-lhe: – O que é que você quer ouvir? – Tudo a respeito de Deus. Como pode ver, pouco sei. Será que não pode falar dEle? Faça uma oração por mim. O rosto de Raymond tomou-se pálido e austero. Seu pai pregava o Evangelho, e ele mesmo já havia estudado a Bíblia. Mas, pela influência de um colega de escola ateu, e pela leitura de livros que este lhe emprestava, a dúvida havia se introduzido na mente de Raymond. Dominado pela ideia de superioridade do seu intelecto, o jovem havia se firmado nessa atitude até chegar o dia em que zombara da fé de sua falecida mãe e negara a existência de Deus. Resolvera des­prender-se de tudo aquilo que o ligava ao lar paterno. Escre­veu ao pai uma carta arrogante anunciando-lhe sua mudança de pensamento, e saiu para o mundo, sem deixar vestígio de seu paradeiro.

Seguiram-se dias tenebrosos. Teve que aprender quão vazia é a vida sem esperança em Deus. Teve saudades da voz do seu querido pai; porém o orgulho não permitia que regressasse ao lar e pedisse perdão. No seu desespero, fez-se contratar pelo capataz do acampamento de lenhadores de Haskin.

Tudo isso voltou-lhe à memória num momento. Este pobre companheiro moribundo estava pedindo-lhe que rogasse a Deus por ele. Soltou dos lábios um gemido. – Timothy; não posso! Eu... – e calou-se, incapaz de dizer que não acreditava no Deus a Quem, na hora da morte, até Timothy queria voltar-se. – Não pode? Ora, eu julgava que você O conhecesse! Raymond não podia mais suportar. Saiu correndo pela porta, em plena nevasca. Andou de um lado para o outro na floresta, sem fazer caso do vento ou da neve. Enfrentou e lutou com o problema do relacionamento do homem com o seu Deus. Estava a sós com Deus. Naquela hora desapareceu o seu ateísmo. As teorias da ciência, nas quais havia deposi­tado a sua confiança, desmoronaram-se debaixo de seus pés. Só ficava um alicerce inabalável. Começava a escurecer no quarto onde Timothy estava deitado, quando a porta se abriu e Raymond entrou. Com passo firme, aproximou-se do moribundo. – Timothy; estive em contato com Deus. Ele perdoou- me, apesar de todo o meu pecado. Agora venho falar a você do Seu amor. Com simplicidade e ternura, contou a história do amor de Deus, que O levou a enviar Seu Filho amado ao mundo para morrer pelos pecadores, levando sobre Si os pecados de todos os que depositem a sua confiança nEle como Salvador de suas almas.


“Deus prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). “O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (1 João 1.7).

Outros se aproximaram, reunindo-se em volta da cama. Poderiam eles duvidar da verdade das palavras faladas, quan­do contemplavam o brilho no rosto de Timothy? – Posso ver – disse ele. Raymond ajoelhou-se. Um após outro, aqueles homens rudes caíram de joelhos. Nunca Raymond orara como nessa hora. Deus estava com ele. Em torno de si estavam homens que, no dizer de Timothy, nunca tiveram uma chance na vida. Raymond orava com uma fé nascida da certeza absoluta da prontidão da boa vontade de Deus para salvar. – Está tudo bem – murmurou Timothy. – Vou para Ele, Raymond! Conta a todo mundo... – Sim, Timothy, vou passar a minha vida contando a todos. – Graças Te dou, meu Deus. – disse o moribundo com a voz já enfraquecida. Mais alguns momentos, e tudo estava terminado. Raymond voltou-se, então, para os companheiros: –Timothy já partiu, rapazes! Vocês ouviram a minha promessa a Timothy. Peço que me perdoem pelo espírito que tenho manifestado para com todos, e permitam que eu inicie o meu serviço pregando a vocês. – Muito bem; queremos ouvir — respondeu o que era capataz. — Quando chegarmos onde está o Timothy, dese­jaremos ter ouvido. Então Raymond contou a história, tão antiga, mas sem­pre atual, de Jesus e do Seu amor. Naquela noite, antes de se deitar, Raymond escreveu uma longa carta ao pai. Ficaria onde estava até receber resposta a essa carta. Na noite seguinte começou a reunir seus companheiros para contar-lhes a história de Cristo, da Sua morte e ressurreição. Chegou a terceira noite. No fim da palestra, simples, mas tocante, que Raymond dirigira, a porta abriu-se e entrou um estranho, homem alto e magro, com cabelos brancos como a neve. – Meu pai! — exclamou Raymond. – Meu querido filho! Vim aqui para ajudá-lo! — E Raymond foi envolto nos braços de seu pai. O trabalho assim iniciado no acampamento de Haskin continuou, até que setenta almas foram levadas ao conheci­mento do Senhor Jesus como Salvador.

DORMINDO NA CANOA

HÁ ALGUNS ANOS, perto das Cataratas do Niágara, havia um jovem que trabalhava como guia de turistas. Um dia, não tendo o que fazer, amarrou sua canoa num lugar bem acima das cataratas e deitou-se dentro dela para descansar. Embalado no seio das águas sempre agitadas, adormeceu. Julgava ter amarrado o barco com segurança, mas, com o constante balançar, a corda desprendeu-se e, finalmente, a canoa começou a ser levada pela correnteza, com seu tripu­lante inconsciente do que se passava. As pessoas que se encontravam na margem, percebendo o grave perigo em que o jovem se encontrava, gritavam em alta voz, na esperança de o acordar para que se salvasse, enquanto a correnteza não fosse forte demais. Porém, foi em vão que se esforçaram.

Em dado momento o barco encalhou num rochedo que sobressaía no meio do rio. Ao notarem isso, os observadores redobraram seus esforços para despertar o adormecido, gri­lando freneticamente: – Agarre no rochedo! Salte para a rocha! Porém, o pobre rapaz continuou dormindo, inconsciente do perigo iminente que o ameaçava. Não demorou para que a forçada correnteza afastasse o barco do rochedo e o levasse a grande velocidade para as cataratas. O infeliz só foi acor­dado pelo estrondo ensurdecedor das grandes massas de água, pelas quais foi arrastado para a morte.

Que horror! Dormindo na canoa! Tranquila e incons­cientemente deslizando para as garras da morte! Só de pensar nisto já nos faz estremecer. Contudo, isto serve para descrever muito nitidamente a indiferença das almas em nossos dias, muitas das quais completamente despreocupadas quanto ao seu rumo fatal; profundamente adormecidas nos seus peca­dos e, talvez, embaladas na maré dos prazeres terrestres ou encantadas por infundada confiança numa vida sem defeito, ou numa religião professa. TODOS DORMINDO NA CA­NOA!

“O deus deste século cegou os entendimentos dos in­crédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evange­lho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus" (2 Coríntios 4.4). “Desperta, tu que dormes" (Efésios 5.14). Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa" (Atos 16.31).

A FAVOR OU CONTRA

Uma Cena no Tribunal de Pequenos Delitos em Manchester JÁ DISSE que não o roubei. Comprei-o! — repelia, até que por fim os magistrados se viram obrigados a mandai que se calasse. Deduzia-se que Kelly fora preso, acusado de ter roubado um relógio de bolso. Não ha via dúvida alguma de que o relógio tinha sido roubado o que fora encontrado em po­der de Kelly, o que consti­tuía, na opinião tanto dos policiais como dos magis­trados, prova suficiente para o condenar. Justamen