A Criação de Filhos - Parte II (Maio de 2021)

Atualizado: Jul 31

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ÍNDICE

A Criação de Filhos - Parte 2

H. E. Hayhoe

A Família

G. H. Hayhoe

A Palavra de Deus

W. J. Prost

Não Há Nada Para Nossos Filhos

W. J. Prost

Quando as Leis São Contrárias à Escritura

W. J. Prost

Caminhos de Prazer, Rotas da Paz

B. Conrad

Uma Ocupação Adequada

P. Wilson

Educação

H. E. Hayhoe

Ó mulher... seja feito para ti, como tu queres

J. G. Deck


A Criação de Filhos – Parte 2


Os relacionamentos naturais formam belas imagens da sabedoria dos caminhos de Deus. Os pais têm autoridade dada por Deus (Ef 6:1), mas é autoridade a ser usada com sabedoria amorosa para fazer o bem ao filho todos os dias de sua vida. Aqui o amor é o motivo da autoridade usada corretamente. O amor de Deus moveu Seu coração para nos dar este conhecimento de Si mesmo para guiar nossos pés por um mundo cheio de maldade, que tem a sutileza de um inimigo, usando a natureza caída dentro de nós, para nos conduzir nos caminhos do pecado e loucura.


O filho de Deus não precisa conhecer o mal sutil do mundo para evitá-lo. Ele precisa de “uma vereda plana” (Sl 27:11 – ARA). O livro de Provérbios fornece isso, dando-nos a sabedoria de Deus para nossa caminhada. Aquele que tudo sabe e tem o conhecimento de tudo, nos deu nesse livro o caminho da sabedoria em todos os vários relacionamentos que vivemos, as provações e as contrariedades que encontramos no decorrer do caminho da vida. Quão precioso é ter a sabedoria de Deus para nos dirigir!


Que aqueles que frequentam a escola e a faculdade sempre se lembrem de que as coisas que pertencem à revelação estão além da razão. Um homem deve ser mestre em um assunto para conhecê-lo corretamente, mas ele não pode ter um conhecimento assim de Deus. Deus e Sua sabedoria estão totalmente além do homem.

H.E. Hayhoe

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A Família


Uma palavra para os pais

Sem dúvida, todo pai Cristão sente dificuldade para criar uma família para o Senhor em dias como vivemos. Não podemos esperar que fique mais fácil à medida que a vinda do Senhor se aproxima, pois as trevas estão aumentando. Precisamos da luz e da sabedoria da Palavra de Deus e da força do alto, porque “maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4:4 – JND). Não temos força ou sabedoria própria.


Sabedoria de Provérbios e das epístolas de João

Quanto ao ensino, correção, advertência e até disciplina de nossos filhos (quando necessário), obtemos, no livro de Provérbios, a sabedoria de Deus para isso. É muito importante que leiamos este livro cuidadosamente e com oração, pois não podemos ser mais sábios do que Deus. No entanto, acredito que haja dois lados na educação de nossos filhos. Provérbios nos dá um lado, mas creio que encontramos o outro nas epístolas de João. Temos a tendência de ser unilaterais, e a maioria de nós falha agindo dessa maneira. A Palavra de Deus nunca nos desequilibra, mas sim as nossas próprias vontades! O livro de Provérbios traz diante de nós mais particularmente a ”formação” (ou “treinamento”) de nossos filhos. As epístolas de João são o padrão para nossa própria conduta com eles e o caráter que exibimos diante deles. Isso é muito importante, pois é nossa própria conduta que dá peso ao que dizemos a eles.


A primeira epístola de João começa com o conhecimento do Pai. Sim, Deus nosso Pai quer que O conheçamos, e o Senhor Jesus pôde dizer: “Quem Me vê a Mim vê o Pai” (Jo 14:9). Que exemplo! Vamos aplicá-lo a nós mesmos como pais. Nossos filhos realmente nos conhecem? Um pai sábio cuidará, desde o início da vida de seus filhos, para que eles o conheçam. Se falharmos nessa intimidade com nossos filhos, começamos mal. Eu acredito que há muitas crianças que não conhecem seus pais como deveriam.


Comunhão

A próxima coisa é que Deus, nosso Pai, deseja ter comunhão conosco como Seus filhos. “E a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1:3). Ele quer compartilhar Seus pensamentos conosco, e devemos compartilhar nossos pensamentos com nossos filhos. Eles devem aprender primeiro o conhecimento de Cristo como Salvador, mas à medida que ficam mais velhos, devemos compartilhar com eles todos os nossos interesses na vida. Se não o fizermos, então eles buscarão seus interesses e felicidade em outro lugar, fora de casa.


Gozo

Continuando, lemos: “E estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo seja completo” (1 Jo 1:4 – KJV). Deus, nosso Pai, quer que nosso gozo seja completo, e nossos filhos devem saber que buscamos seu verdadeiro gozo e felicidade na vida. Mesmo a nossa disciplina deve ter esse fim em vista. Qualquer coisa que seja para seu benefício e acrescente à sua verdadeira felicidade, devemos nos esforçar em dar a eles, desde que isso não seja inconsistente com o caráter de Deus. Às vezes, como pais, podemos manter nossos filhos longe de tudo e não dar nada em troca. Vamos entender uma coisa: se devemos tirar algo deles para a glória de Deus, que asseguremos a eles que tal atitude é para seu próprio bem e bênção. Vamos procurar compensar de outras maneiras. O lar deve ser um lugar feliz para eles – o lugar mais feliz da sua infância.


Que instrução é para nós, como pais — primeiro, que nossos filhos devam nos conhecer; segundo, que devam conhecer nossos pensamentos; e terceiro, que devam saber que buscamos sua absoluta alegria e felicidade. Acredito que essas três coisas são de extrema importância, se quisermos começar bem com nossa família. O amor é a fonte principal, e nada dará certo se não for assim para o Cristão, toda obediência é fundada no amor. O Senhor Jesus disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15). E toda a verdadeira obediência no lar Cristão, por parte dos filhos, deve ser fundada no amor também.


Luz

Agora veremos o caráter de Deus, nosso Pai, como Luz. “Deus é luz, e não há n’Ele treva nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1 Jo 1:5-6). Deus, nosso Pai, quer que conheçamos Seu caráter de santidade, pois não podemos ter comunhão com Ele de nenhuma outra forma. Isso é muito importante com nossos próprios filhos também. Depois que aprenderam as três primeiras coisas que mencionamos (e eles podem aprendê-las muito cedo), devem aprender que há um certo caráter adequado para nosso lar, como lar Cristão. Pecado e felicidade não podem andar juntos em nossa vida, nem podem andar juntos em nosso lar. O caráter piedoso de nossa família deve ser cuidadosamente mantido. Muitos pais Cristãos colheram tristezas, tendo permitido coisas em seu lar, que são contrárias à Palavra de Deus. Deus, nosso Pai, nunca diminui o padrão para Sua família. Que Ele nos ajude a guardar isso em nosso lar!


Realidade

Isso nos leva ao próximo ponto. Deus quer a sinceridade. Ele diz que fingir ser o que alguém não é, é de fato mentira, e que aqueles que caminham na escuridão em trevas não podem ter comunhão com Ele. Alguns pais dirão que, se tornarmos o padrão de piedade muito alto, então nossos filhos farão as coisas proibidas secretamente. Se nossos filhos realmente conhecerem nosso coração, eles desejarão nossa comunhão acima de tudo. Sentirão que simplesmente não podem fingir ser o que não são, em nossa presença. E assim, embora a luz da presença de Deus, nosso Pai, manifeste o pecado, mesmo assim podemos estar em Sua presença, não escondendo nada. Por quê? Porque Seu amor perfeito encontrou um jeito: “O sangue de Jesus Cristo Seu Filho nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7). Que confiança isso dá!


Perdão

Depois disso, é feita provisão para o nosso fracasso como filhos de Deus. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9). E assim, em nosso lar, onde a luz e o amor têm seu lugar certo, tudo fica manifesto e, então, tratado na luz e com amor. Quando nossos filhos reconhecem que fizeram algo errado, então devemos perdoá-los, como Deus nosso Pai nos perdoa. O perdão está em nosso coração o tempo todo, mas, governamentalmente, não podemos mostrá-lo até que confessem seu pecado.


Este, portanto, é o segundo grupo de três coisas importantes relacionadas com a família de Deus, que gostaria de aplicar como padrão para o lar Cristão. Já comentamos sobre os três primeiros anteriormente. São eles: conhecer o Pai, ter comunhão com o Pai, e saber que Deus, nosso Pai, busca nosso gozo completo. O segundo grupo de três é: conhecer o caráter santo de Deus, nosso Pai, saber que devemos ser sinceros e não esconder nada, e então saber que foi feita provisão completa para o nosso fracasso, ou seja, o perdão manifestado quando o reconhecemos. Isso estabelece seis aspectos, e o Senhor Jesus Cristo é o centro e a perfeição de tudo isso. Tal como com o castiçal de sete hastes no tabernáculo (Êx 25:32 – ACF), havia uma no centro e três hastes de cada lado. Assim é aqui, Cristo é o centro. Ele deve ter a preeminência em tudo. Ele é o “tudo em todos” do Cristianismo, e, a menos que Ele seja o centro de toda a nossa educação familiar, ela irá sucumbir, mais cedo ou mais tarde.


“Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa” (2 Cr. 15:7).


Mães

Talvez as mães permitam algumas palavras também neste momento. Você está interessada, tanto quanto ou mais do que seu marido, em relação ao padrão de Deus para a vida no lar, pois o lar é sua esfera particular. Você é o guia nele (1 Tm 5:14). E quão importante é o plano que Deus nos deu, não para uma casa de coisas materiais, mas para um lar distinguido pela luz e pelo amor! É o caráter do lar que o torna o que ele realmente é.


E você, querida mãe Cristã, pode ser a genuína companheira de seu marido na construção deste lar de luz e amor, ou pode destruí-lo. Pode incentivar seu marido e apoiá-lo em seu amor e correção dos filhos ou pode opor-se a ele e impedi-lo. Isso é muito importante. Você exerce uma influência tremenda no lar, de muitas maneiras muito maior do que a de seu marido. Está com os filhos mais do que ele, e eles a olham. Você pode fazer mais do que ele para construir ou destruir o lar.


Seu importante lugar

“Cessa, filho meu, ouvindo a instrução, de te desviares das palavras do conhecimento” (Pv 19:27). Não dê ouvidos ao conselho do mundo, nem mesmo ao de alguns Cristãos que podem rejeitar “o conselho de Deus contra si mesmos” (Lc 7:30), porque os condena. Demonstra sabedoria o buscar graça para exercer o lugar de ajudante (não de cabeça) que Deus lhe deu no lar. Esse é um lugar maravilhoso. Mesmo que seu marido falhe em cumprir seu papel como cabeça, peça ao Senhor por graça para cumprir o seu. O fracasso dele não muda seu lugar ou responsabilidade, nem muda o dele. Ele precisa de sua ajuda e orações. Infelizmente, todos nós falhamos como maridos, mas encontrar defeitos e culpar uns aos outros não resolverá as coisas, nem ajudará a construir o lar, mas certamente ajudará a “destruí-lo”. Quanto precisamos da graça e força que vêm do alto, especialmente quando surgem dificuldades, mas não vamos nos afastar do padrão divino. Pode haver quem leia estas linhas e tenha marido incrédulo, e certamente o Senhor lhe dará graça nestas coisas, se você olhar para Ele, para que, como diz Pedro, “se algum não obedece à Palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra” (1 Pe 3:1).


Prove a bênção

Pondere bem essas coisas, querida mãe Cristã, e que Deus a abençoe e aos seus queridos filhos. Agindo de acordo com a Palavra de Deus, você pode provar a bem-aventurança de andar nos caminhos d’Ele, e seu marido e filhos dirão de você o que é dito da esposa e mãe descrita em Provérbios 31:28-29: “Levantam-se seus filhos, e chamam-na bem-aventurada; como também seu marido, que a louva, dizendo: Muitas filhas agiram virtuosamente, mas tu a todas és superior”.


Que isso seja dito a seu respeito, não só enquanto os filhos são pequenos, mas sobretudo à medida que forem crescendo, pois quanto mais amarem ao Senhor, mais amarão você! Seu trabalho, então, será recompensado mesmo aqui, e os últimos anos de vida serão felizes para você e seu marido, caso o Senhor nos deixe aqui mais um pouco.

“Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa” (2 Cr 15:7).

G. H. Hayhoe (adaptado)

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A Palavra de Deus


Em outros artigos desta edição de “O Cristão”, já comentamos sobre a importância da sabedoria de Deus, conforme encontrada em Sua Palavra, a Bíblia. Devemos entender que a sabedoria de Deus não é meramente uma melhoria ou um acréscimo à sabedoria do homem; antes, é o exato oposto da sabedoria do homem. Quando consideramos qualquer assunto moral ou espiritual, a Palavra de Deus deve ser nossa fonte de sabedoria e nosso guia. As Santas Escrituras sempre exaltam a Cristo e, em última análise, Cristo é a sabedoria de Deus para o caminho do crente.


Como pais, podemos ter visto a importância da Palavra de Deus em nossa própria vida e a necessidade da orientação dela na criação de nossos filhos. Mas todos desejaríamos que nossos filhos sentissem a mesma reverência, necessidade e desejo pela Escritura. Como isso pode ser alcançado?


A Palavra tecida em nossa vida

Em primeiro lugar, é importante que nossos filhos vejam os princípios e as instruções da Bíblia interligados na própria estrutura de nossa vida, seja no lar, em nossa vida profissional, na educação ou em nossa vida de assembleia. Eles devem ver claramente que ler a Palavra de Deus não é meramente um ritual religioso, mas uma Palavra viva para nós, destinada a ser, na realidade, uma parte de todos os aspectos de nossa vida.


Pais Cristãos piedosos vão querer ter um tempo de leitura privada da Palavra de Deus e oração. Isso é importante, pois todos devemos, em última análise, alimentar-nos de Cristo individualmente antes de o fazermos com outros. Isso é verdade inclusive na família. Quando a vida é agitada, isso pode ser difícil, mas como todos sabemos, é muitíssimo necessário ler a Palavra de Deus diariamente e orar. Maria de Betânia sentou-se aos pés do Senhor e ouviu Sua Palavra, e quando sua irmã Marta reclamou com o Senhor que Maria a havia deixado para servir sozinha, Sua resposta foi: “Mas uma só [coisa] é necessária” (Lc 10:42). É o mesmo conosco hoje; os “cuidados desta vida” nunca devem nos privar de tempo individual na Palavra de Deus e em oração.


Lendo a Palavra

Em segundo lugar, é importante que leiamos a Palavra de Deus com nossos filhos. Visto que normalmente nos alimentamos mais de uma vez por dia, é bom ter as Escrituras diante de nós pela manhã e à noite também. Um pai pode muitas vezes ter que ir trabalhar de manhã cedo e nem sempre é prático para ele ler com os filhos nessas circunstâncias. Nesse caso, a mãe deve assumir. Lembro-me bem de minha própria mãe lendo a Bíblia para nós na mesa do café da manhã e enfatizando sua importância. Então, depois do jantar, meu pai assumia e lia a Palavra de Deus. À medida que fui crescendo, vi outro lado de meu pai que não conhecia antes. Ele trabalhava para um fazendeiro próspero e, na minha adolescência, no verão, também fui contratado para trabalhar com ele. Demorávamos apenas meia hora para o almoço, mas meu pai comia rápido, para ter tempo de ler, não só a Bíblia, mas também um livro de ministério. Quando eu estava com ele, ele lia em voz alta para que eu pudesse tirar proveito também. Isso me impressionou profundamente quando jovem e me motivou a fazer o mesmo.


Além disso, quando lemos as Escrituras para nossos filhos, várias coisas são muito importantes. Em primeiro lugar, deve ficar claro para eles que é para nosso prazer, e não apenas um dever a ser cumprido. Deve ser um momento relaxante, quando a família pode desfrutar da Palavra de Deus juntos, assim como eles desfrutam da comunhão durante uma refeição.


Leia tudo da Palavra

Em terceiro lugar, um irmão mais velho, há muito tempo com o Senhor, costumava nos dizer: “Não hesite em ler com seus filhos qualquer parte da Palavra de Deus. Ela nos adverte e expõe a maldade do coração natural do homem, mas nunca desperta a carne em nós ou provoca maus pensamentos em nossas mentes”. Esse é um bom conselho, pois os pais às vezes podem ser tentados a pular certas passagens da Palavra de Deus que revelam os detalhes sórdidos do pecado e falam de coisas que podemos considerar desnecessárias para nossos filhos ouvirem. Lembremo-nos de que “Toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16 – ACF). É muito melhor para as crianças ouvirem essas coisas no contexto da Palavra de Deus (dentro dos limites do que sua faixa etária pode entender) do que fazer com que aprendam essas coisas do mundo quando vão para a escola ou, mais tarde, no local de trabalho.


Finalmente e imprescindível, a Palavra de Deus deve ser trazida ao nível deles e explicada a eles de uma forma que possam entender. É claro que há partes da Bíblia que as crianças podem não entender imediatamente, mas quando “enchei de água essas talhas” (Jo 2:7), podemos contar com o Senhor para transformá-la em vinho mais tarde.


A morte de um filho

Podemos ver uma ilustração da importância disso, em figura, na vida de Eliseu. A mulher sunamita, de 2 Reis 4, havia sido muito bondosa com Eliseu, a ponto de construir para ele um quarto especial na casa dela, onde ele ficava sempre que passava por ali. Como resultado, o Senhor deu a ela um filho. Mais tarde, porém, enquanto o filho estava na fazenda com o pai, adoeceu repentinamente e morreu mais tarde naquele dia. Sua mãe imediatamente o deitou na cama de Eliseu, em seu quarto, e então cavalgou para o Monte Carmelo para se encontrar com o profeta.


Eliseu instruiu seu servo Geazi a pegar seu cajado (de Eliseu) e colocá-lo no rosto da criança. Geazi fez o que lhe foi pedido, mas teve que voltar e relatar que “não havia nele voz nem sentido” (2 Rs 4:31). O cajado era bom e pertencia a Eliseu, mas era rígido e inflexível; não trouxe vida à criança. Como aplicação, o cajado pode representar para nós a Palavra de Deus apresentada a uma criança, mas de uma forma que não se adapta à sua idade e entendimento. Da mesma forma, quando consideramos seu comportamento subsequente no próximo capítulo, é duvidoso se Geazi teve o discernimento espiritual e o cuidado piedoso que eram necessários nessa situação.


O modo de transmitir vida

Quando Eliseu chega até a criança e a encontra morta, ele faz algo diferente. Em primeiro lugar, ele “orou ao Senhor”. Então ele “deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu” (2 Rs 4:33-34). Ele se adaptou ao tamanho da criança, apresentando diante de nós a necessidade dos adultos descerem ao nível de uma criança, mental e espiritualmente. Ele não usou um cajado, mas sim seu próprio corpo. De maneira semelhante, Paulo poderia dizer aos coríntios: “Vós sois a carta de Cristo [...] escrita [...] não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração” (2 Co 3:3). Como resultado, a vida estava voltando, mas era um processo. O mesmo ocorre com frequência com a salvação de crianças pequenas. Novamente, está registrado que Eliseu “voltou, e passeou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele” (2 Rs 4:35). Esse intervalo fala de mais exercícios perante o Senhor, e novamente Eliseu se sente levado a descer ao nível da criança e curvar-se sobre ela (JND). Desta vez, há evidências de vida muito distintas, pois “então, o menino espirrou sete vezes e o menino abriu os olhos” (v. 35).


Primeiros sinais de vida

É interessante e instrutivo notar que o verdadeiro sinal de vida foram os espirros da criança sete vezes. Pode parecer uma evidência incomum de vida, mas, no entanto, é clara e definitiva. Cadáveres não espirram! Assim é frequentemente quando os filhos vêm ao Senhor pela primeira vez. No início, pode não haver uma confissão oral clara de Cristo como Salvador; antes, eles podem dizer ou fazer algo, talvez de uma forma um pouco incomum, mas o que eles dizem ou fazem nos diz claramente que agora eles têm uma nova vida em Cristo. Em nossa história, Eliseu entrega a criança à mãe, pois era a responsabilidade dela continuar seu trabalho de criá-lo para o Senhor.


Mais uma vez, podemos ver que esse incidente nos mostra que é necessário um exercício real para levar a Palavra de Deus a nossos filhos, e um esforço real deve ser feito para trazer a Escritura ao nível deles, explicando de uma forma que os ajude a entender. No entanto, em todas essas coisas, devemos lembrar que, embora tenhamos nossa responsabilidade de levar a Palavra de Deus a nossos filhos da maneira certa, em última análise, não é nossa fidelidade que traz bênçãos a eles, mas sim a graça soberana de Deus. Se houver alguma bênção na vida de nossos filhos, não podemos assumir o crédito por isso. É a graça de Deus que salva e guarda, e a Ele deve ser todo o louvor.

W. J. Prost

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Não Há Nada Para Nossos Filhos


Como pais, é natural que desejemos comunhão Cristã para nossos filhos, e é uma coisa feliz quando há outros filhos de lares Cristãos com quem isso pode acontecer. É bom quando há outras crianças em nossa assembleia local com quem nossos filhos podem passar algum tempo juntos, desfrutando não apenas das coisas do Senhor, mas também de atividades naturais. Esse é um presente maravilhoso de Deus! No entanto, nestes dias de pequenas coisas, com assembleias que às vezes são reduzidas a “dois ou três reunidos em [Seu] nome”, esse tipo de comunhão nem sempre existe. É triste dizer que se tornou muito comu