A Criação de Filhos - Parte II

Atualizado: Mai 18

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ÍNDICE

A Criação de Filhos - Parte 2

H. E. Hayhoe

A Família

G. H. Hayhoe

A Palavra de Deus

W. J. Prost

Não Há Nada Para Nossos Filhos

W. J. Prost

Quando as Leis São Contrárias à Escritura

W. J. Prost

Caminhos de Prazer, Rotas da Paz

B. Conrad

Uma Ocupação Adequada

P. Wilson

Educação

H. E. Hayhoe

Ó mulher... seja feito para ti, como tu queres

J. G. Deck


A Criação de Filhos – Parte 2


Os relacionamentos naturais formam belas imagens da sabedoria dos caminhos de Deus. Os pais têm autoridade dada por Deus (Ef 6:1), mas é autoridade a ser usada com sabedoria amorosa para fazer o bem ao filho todos os dias de sua vida. Aqui o amor é o motivo da autoridade usada corretamente. O amor de Deus moveu Seu coração para nos dar este conhecimento de Si mesmo para guiar nossos pés por um mundo cheio de maldade, que tem a sutileza de um inimigo, usando a natureza caída dentro de nós, para nos conduzir nos caminhos do pecado e loucura.


O filho de Deus não precisa conhecer o mal sutil do mundo para evitá-lo. Ele precisa de “uma vereda plana” (Sl 27:11 – ARA). O livro de Provérbios fornece isso, dando-nos a sabedoria de Deus para nossa caminhada. Aquele que tudo sabe e tem o conhecimento de tudo, nos deu nesse livro o caminho da sabedoria em todos os vários relacionamentos que vivemos, as provações e as contrariedades que encontramos no decorrer do caminho da vida. Quão precioso é ter a sabedoria de Deus para nos dirigir!


Que aqueles que frequentam a escola e a faculdade sempre se lembrem de que as coisas que pertencem à revelação estão além da razão. Um homem deve ser mestre em um assunto para conhecê-lo corretamente, mas ele não pode ter um conhecimento assim de Deus. Deus e Sua sabedoria estão totalmente além do homem.

H.E. Hayhoe

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A Família


Uma palavra para os pais

Sem dúvida, todo pai Cristão sente dificuldade para criar uma família para o Senhor em dias como vivemos. Não podemos esperar que fique mais fácil à medida que a vinda do Senhor se aproxima, pois as trevas estão aumentando. Precisamos da luz e da sabedoria da Palavra de Deus e da força do alto, porque “maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4:4 – JND). Não temos força ou sabedoria própria.


Sabedoria de Provérbios e das epístolas de João

Quanto ao ensino, correção, advertência e até disciplina de nossos filhos (quando necessário), obtemos, no livro de Provérbios, a sabedoria de Deus para isso. É muito importante que leiamos este livro cuidadosamente e com oração, pois não podemos ser mais sábios do que Deus. No entanto, acredito que haja dois lados na educação de nossos filhos. Provérbios nos dá um lado, mas creio que encontramos o outro nas epístolas de João. Temos a tendência de ser unilaterais, e a maioria de nós falha agindo dessa maneira. A Palavra de Deus nunca nos desequilibra, mas sim as nossas próprias vontades! O livro de Provérbios traz diante de nós mais particularmente a ”formação” (ou “treinamento”) de nossos filhos. As epístolas de João são o padrão para nossa própria conduta com eles e o caráter que exibimos diante deles. Isso é muito importante, pois é nossa própria conduta que dá peso ao que dizemos a eles.


A primeira epístola de João começa com o conhecimento do Pai. Sim, Deus nosso Pai quer que O conheçamos, e o Senhor Jesus pôde dizer: “Quem Me vê a Mim vê o Pai” (Jo 14:9). Que exemplo! Vamos aplicá-lo a nós mesmos como pais. Nossos filhos realmente nos conhecem? Um pai sábio cuidará, desde o início da vida de seus filhos, para que eles o conheçam. Se falharmos nessa intimidade com nossos filhos, começamos mal. Eu acredito que há muitas crianças que não conhecem seus pais como deveriam.


Comunhão

A próxima coisa é que Deus, nosso Pai, deseja ter comunhão conosco como Seus filhos. “E a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo 1:3). Ele quer compartilhar Seus pensamentos conosco, e devemos compartilhar nossos pensamentos com nossos filhos. Eles devem aprender primeiro o conhecimento de Cristo como Salvador, mas à medida que ficam mais velhos, devemos compartilhar com eles todos os nossos interesses na vida. Se não o fizermos, então eles buscarão seus interesses e felicidade em outro lugar, fora de casa.


Gozo

Continuando, lemos: “E estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo seja completo” (1 Jo 1:4 – KJV). Deus, nosso Pai, quer que nosso gozo seja completo, e nossos filhos devem saber que buscamos seu verdadeiro gozo e felicidade na vida. Mesmo a nossa disciplina deve ter esse fim em vista. Qualquer coisa que seja para seu benefício e acrescente à sua verdadeira felicidade, devemos nos esforçar em dar a eles, desde que isso não seja inconsistente com o caráter de Deus. Às vezes, como pais, podemos manter nossos filhos longe de tudo e não dar nada em troca. Vamos entender uma coisa: se devemos tirar algo deles para a glória de Deus, que asseguremos a eles que tal atitude é para seu próprio bem e bênção. Vamos procurar compensar de outras maneiras. O lar deve ser um lugar feliz para eles – o lugar mais feliz da sua infância.


Que instrução é para nós, como pais — primeiro, que nossos filhos devam nos conhecer; segundo, que devam conhecer nossos pensamentos; e terceiro, que devam saber que buscamos sua absoluta alegria e felicidade. Acredito que essas três coisas são de extrema importância, se quisermos começar bem com nossa família. O amor é a fonte principal, e nada dará certo se não for assim para o Cristão, toda obediência é fundada no amor. O Senhor Jesus disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15). E toda a verdadeira obediência no lar Cristão, por parte dos filhos, deve ser fundada no amor também.


Luz

Agora veremos o caráter de Deus, nosso Pai, como Luz. “Deus é luz, e não há n’Ele treva nenhuma. Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1 Jo 1:5-6). Deus, nosso Pai, quer que conheçamos Seu caráter de santidade, pois não podemos ter comunhão com Ele de nenhuma outra forma. Isso é muito importante com nossos próprios filhos também. Depois que aprenderam as três primeiras coisas que mencionamos (e eles podem aprendê-las muito cedo), devem aprender que há um certo caráter adequado para nosso lar, como lar Cristão. Pecado e felicidade não podem andar juntos em nossa vida, nem podem andar juntos em nosso lar. O caráter piedoso de nossa família deve ser cuidadosamente mantido. Muitos pais Cristãos colheram tristezas, tendo permitido coisas em seu lar, que são contrárias à Palavra de Deus. Deus, nosso Pai, nunca diminui o padrão para Sua família. Que Ele nos ajude a guardar isso em nosso lar!


Realidade

Isso nos leva ao próximo ponto. Deus quer a sinceridade. Ele diz que fingir ser o que alguém não é, é de fato mentira, e que aqueles que caminham na escuridão em trevas não podem ter comunhão com Ele. Alguns pais dirão que, se tornarmos o padrão de piedade muito alto, então nossos filhos farão as coisas proibidas secretamente. Se nossos filhos realmente conhecerem nosso coração, eles desejarão nossa comunhão acima de tudo. Sentirão que simplesmente não podem fingir ser o que não são, em nossa presença. E assim, embora a luz da presença de Deus, nosso Pai, manifeste o pecado, mesmo assim podemos estar em Sua presença, não escondendo nada. Por quê? Porque Seu amor perfeito encontrou um jeito: “O sangue de Jesus Cristo Seu Filho nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7). Que confiança isso dá!


Perdão

Depois disso, é feita provisão para o nosso fracasso como filhos de Deus. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9). E assim, em nosso lar, onde a luz e o amor têm seu lugar certo, tudo fica manifesto e, então, tratado na luz e com amor. Quando nossos filhos reconhecem que fizeram algo errado, então devemos perdoá-los, como Deus nosso Pai nos perdoa. O perdão está em nosso coração o tempo todo, mas, governamentalmente, não podemos mostrá-lo até que confessem seu pecado.


Este, portanto, é o segundo grupo de três coisas importantes relacionadas com a família de Deus, que gostaria de aplicar como padrão para o lar Cristão. Já comentamos sobre os três primeiros anteriormente. São eles: conhecer o Pai, ter comunhão com o Pai, e saber que Deus, nosso Pai, busca nosso gozo completo. O segundo grupo de três é: conhecer o caráter santo de Deus, nosso Pai, saber que devemos ser sinceros e não esconder nada, e então saber que foi feita provisão completa para o nosso fracasso, ou seja, o perdão manifestado quando o reconhecemos. Isso estabelece seis aspectos, e o Senhor Jesus Cristo é o centro e a perfeição de tudo isso. Tal como com o castiçal de sete hastes no tabernáculo (Êx 25:32 – ACF), havia uma no centro e três hastes de cada lado. Assim é aqui, Cristo é o centro. Ele deve ter a preeminência em tudo. Ele é o “tudo em todos” do Cristianismo, e, a menos que Ele seja o centro de toda a nossa educação familiar, ela irá sucumbir, mais cedo ou mais tarde.


“Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa” (2 Cr. 15:7).


Mães

Talvez as mães permitam algumas palavras também neste momento. Você está interessada, tanto quanto ou mais do que seu marido, em relação ao padrão de Deus para a vida no lar, pois o lar é sua esfera particular. Você é o guia nele (1 Tm 5:14). E quão importante é o plano que Deus nos deu, não para uma casa de coisas materiais, mas para um lar distinguido pela luz e pelo amor! É o caráter do lar que o torna o que ele realmente é.


E você, querida mãe Cristã, pode ser a genuína companheira de seu marido na construção deste lar de luz e amor, ou pode destruí-lo. Pode incentivar seu marido e apoiá-lo em seu amor e correção dos filhos ou pode opor-se a ele e impedi-lo. Isso é muito importante. Você exerce uma influência tremenda no lar, de muitas maneiras muito maior do que a de seu marido. Está com os filhos mais do que ele, e eles a olham. Você pode fazer mais do que ele para construir ou destruir o lar.


Seu importante lugar

“Cessa, filho meu, ouvindo a instrução, de te desviares das palavras do conhecimento” (Pv 19:27). Não dê ouvidos ao conselho do mundo, nem mesmo ao de alguns Cristãos que podem rejeitar “o conselho de Deus contra si mesmos” (Lc 7:30), porque os condena. Demonstra sabedoria o buscar graça para exercer o lugar de ajudante (não de cabeça) que Deus lhe deu no lar. Esse é um lugar maravilhoso. Mesmo que seu marido falhe em cumprir seu papel como cabeça, peça ao Senhor por graça para cumprir o seu. O fracasso dele não muda seu lugar ou responsabilidade, nem muda o dele. Ele precisa de sua ajuda e orações. Infelizmente, todos nós falhamos como maridos, mas encontrar defeitos e culpar uns aos outros não resolverá as coisas, nem ajudará a construir o lar, mas certamente ajudará a “destruí-lo”. Quanto precisamos da graça e força que vêm do alto, especialmente quando surgem dificuldades, mas não vamos nos afastar do padrão divino. Pode haver quem leia estas linhas e tenha marido incrédulo, e certamente o Senhor lhe dará graça nestas coisas, se você olhar para Ele, para que, como diz Pedro, “se algum não obedece à Palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra” (1 Pe 3:1).


Prove a bênção

Pondere bem essas coisas, querida mãe Cristã, e que Deus a abençoe e aos seus queridos filhos. Agindo de acordo com a Palavra de Deus, você pode provar a bem-aventurança de andar nos caminhos d’Ele, e seu marido e filhos dirão de você o que é dito da esposa e mãe descrita em Provérbios 31:28-29: “Levantam-se seus filhos, e chamam-na bem-aventurada; como também seu marido, que a louva, dizendo: Muitas filhas agiram virtuosamente, mas tu a todas és superior”.


Que isso seja dito a seu respeito, não só enquanto os filhos são pequenos, mas sobretudo à medida que forem crescendo, pois quanto mais amarem ao Senhor, mais amarão você! Seu trabalho, então, será recompensado mesmo aqui, e os últimos anos de vida serão felizes para você e seu marido, caso o Senhor nos deixe aqui mais um pouco.

“Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra tem uma recompensa” (2 Cr 15:7).

G. H. Hayhoe (adaptado)

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A Palavra de Deus


Em outros artigos desta edição de “O Cristão”, já comentamos sobre a importância da sabedoria de Deus, conforme encontrada em Sua Palavra, a Bíblia. Devemos entender que a sabedoria de Deus não é meramente uma melhoria ou um acréscimo à sabedoria do homem; antes, é o exato oposto da sabedoria do homem. Quando consideramos qualquer assunto moral ou espiritual, a Palavra de Deus deve ser nossa fonte de sabedoria e nosso guia. As Santas Escrituras sempre exaltam a Cristo e, em última análise, Cristo é a sabedoria de Deus para o caminho do crente.


Como pais, podemos ter visto a importância da Palavra de Deus em nossa própria vida e a necessidade da orientação dela na criação de nossos filhos. Mas todos desejaríamos que nossos filhos sentissem a mesma reverência, necessidade e desejo pela Escritura. Como isso pode ser alcançado?


A Palavra tecida em nossa vida

Em primeiro lugar, é importante que nossos filhos vejam os princípios e as instruções da Bíblia interligados na própria estrutura de nossa vida, seja no lar, em nossa vida profissional, na educação ou em nossa vida de assembleia. Eles devem ver claramente que ler a Palavra de Deus não é meramente um ritual religioso, mas uma Palavra viva para nós, destinada a ser, na realidade, uma parte de todos os aspectos de nossa vida.


Pais Cristãos piedosos vão querer ter um tempo de leitura privada da Palavra de Deus e oração. Isso é importante, pois todos devemos, em última análise, alimentar-nos de Cristo individualmente antes de o fazermos com outros. Isso é verdade inclusive na família. Quando a vida é agitada, isso pode ser difícil, mas como todos sabemos, é muitíssimo necessário ler a Palavra de Deus diariamente e orar. Maria de Betânia sentou-se aos pés do Senhor e ouviu Sua Palavra, e quando sua irmã Marta reclamou com o Senhor que Maria a havia deixado para servir sozinha, Sua resposta foi: “Mas uma só [coisa] é necessária” (Lc 10:42). É o mesmo conosco hoje; os “cuidados desta vida” nunca devem nos privar de tempo individual na Palavra de Deus e em oração.


Lendo a Palavra

Em segundo lugar, é importante que leiamos a Palavra de Deus com nossos filhos. Visto que normalmente nos alimentamos mais de uma vez por dia, é bom ter as Escrituras diante de nós pela manhã e à noite também. Um pai pode muitas vezes ter que ir trabalhar de manhã cedo e nem sempre é prático para ele ler com os filhos nessas circunstâncias. Nesse caso, a mãe deve assumir. Lembro-me bem de minha própria mãe lendo a Bíblia para nós na mesa do café da manhã e enfatizando sua importância. Então, depois do jantar, meu pai assumia e lia a Palavra de Deus. À medida que fui crescendo, vi outro lado de meu pai que não conhecia antes. Ele trabalhava para um fazendeiro próspero e, na minha adolescência, no verão, também fui contratado para trabalhar com ele. Demorávamos apenas meia hora para o almoço, mas meu pai comia rápido, para ter tempo de ler, não só a Bíblia, mas também um livro de ministério. Quando eu estava com ele, ele lia em voz alta para que eu pudesse tirar proveito também. Isso me impressionou profundamente quando jovem e me motivou a fazer o mesmo.


Além disso, quando lemos as Escrituras para nossos filhos, várias coisas são muito importantes. Em primeiro lugar, deve ficar claro para eles que é para nosso prazer, e não apenas um dever a ser cumprido. Deve ser um momento relaxante, quando a família pode desfrutar da Palavra de Deus juntos, assim como eles desfrutam da comunhão durante uma refeição.


Leia tudo da Palavra

Em terceiro lugar, um irmão mais velho, há muito tempo com o Senhor, costumava nos dizer: “Não hesite em ler com seus filhos qualquer parte da Palavra de Deus. Ela nos adverte e expõe a maldade do coração natural do homem, mas nunca desperta a carne em nós ou provoca maus pensamentos em nossas mentes”. Esse é um bom conselho, pois os pais às vezes podem ser tentados a pular certas passagens da Palavra de Deus que revelam os detalhes sórdidos do pecado e falam de coisas que podemos considerar desnecessárias para nossos filhos ouvirem. Lembremo-nos de que “Toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16 – ACF). É muito melhor para as crianças ouvirem essas coisas no contexto da Palavra de Deus (dentro dos limites do que sua faixa etária pode entender) do que fazer com que aprendam essas coisas do mundo quando vão para a escola ou, mais tarde, no local de trabalho.


Finalmente e imprescindível, a Palavra de Deus deve ser trazida ao nível deles e explicada a eles de uma forma que possam entender. É claro que há partes da Bíblia que as crianças podem não entender imediatamente, mas quando “enchei de água essas talhas” (Jo 2:7), podemos contar com o Senhor para transformá-la em vinho mais tarde.


A morte de um filho

Podemos ver uma ilustração da importância disso, em figura, na vida de Eliseu. A mulher sunamita, de 2 Reis 4, havia sido muito bondosa com Eliseu, a ponto de construir para ele um quarto especial na casa dela, onde ele ficava sempre que passava por ali. Como resultado, o Senhor deu a ela um filho. Mais tarde, porém, enquanto o filho estava na fazenda com o pai, adoeceu repentinamente e morreu mais tarde naquele dia. Sua mãe imediatamente o deitou na cama de Eliseu, em seu quarto, e então cavalgou para o Monte Carmelo para se encontrar com o profeta.


Eliseu instruiu seu servo Geazi a pegar seu cajado (de Eliseu) e colocá-lo no rosto da criança. Geazi fez o que lhe foi pedido, mas teve que voltar e relatar que “não havia nele voz nem sentido” (2 Rs 4:31). O cajado era bom e pertencia a Eliseu, mas era rígido e inflexível; não trouxe vida à criança. Como aplicação, o cajado pode representar para nós a Palavra de Deus apresentada a uma criança, mas de uma forma que não se adapta à sua idade e entendimento. Da mesma forma, quando consideramos seu comportamento subsequente no próximo capítulo, é duvidoso se Geazi teve o discernimento espiritual e o cuidado piedoso que eram necessários nessa situação.


O modo de transmitir vida

Quando Eliseu chega até a criança e a encontra morta, ele faz algo diferente. Em primeiro lugar, ele “orou ao Senhor”. Então ele “deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu” (2 Rs 4:33-34). Ele se adaptou ao tamanho da criança, apresentando diante de nós a necessidade dos adultos descerem ao nível de uma criança, mental e espiritualmente. Ele não usou um cajado, mas sim seu próprio corpo. De maneira semelhante, Paulo poderia dizer aos coríntios: “Vós sois a carta de Cristo [...] escrita [...] não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração” (2 Co 3:3). Como resultado, a vida estava voltando, mas era um processo. O mesmo ocorre com frequência com a salvação de crianças pequenas. Novamente, está registrado que Eliseu “voltou, e passeou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele” (2 Rs 4:35). Esse intervalo fala de mais exercícios perante o Senhor, e novamente Eliseu se sente levado a descer ao nível da criança e curvar-se sobre ela (JND). Desta vez, há evidências de vida muito distintas, pois “então, o menino espirrou sete vezes e o menino abriu os olhos” (v. 35).


Primeiros sinais de vida

É interessante e instrutivo notar que o verdadeiro sinal de vida foram os espirros da criança sete vezes. Pode parecer uma evidência incomum de vida, mas, no entanto, é clara e definitiva. Cadáveres não espirram! Assim é frequentemente quando os filhos vêm ao Senhor pela primeira vez. No início, pode não haver uma confissão oral clara de Cristo como Salvador; antes, eles podem dizer ou fazer algo, talvez de uma forma um pouco incomum, mas o que eles dizem ou fazem nos diz claramente que agora eles têm uma nova vida em Cristo. Em nossa história, Eliseu entrega a criança à mãe, pois era a responsabilidade dela continuar seu trabalho de criá-lo para o Senhor.


Mais uma vez, podemos ver que esse incidente nos mostra que é necessário um exercício real para levar a Palavra de Deus a nossos filhos, e um esforço real deve ser feito para trazer a Escritura ao nível deles, explicando de uma forma que os ajude a entender. No entanto, em todas essas coisas, devemos lembrar que, embora tenhamos nossa responsabilidade de levar a Palavra de Deus a nossos filhos da maneira certa, em última análise, não é nossa fidelidade que traz bênçãos a eles, mas sim a graça soberana de Deus. Se houver alguma bênção na vida de nossos filhos, não podemos assumir o crédito por isso. É a graça de Deus que salva e guarda, e a Ele deve ser todo o louvor.

W. J. Prost

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Não Há Nada Para Nossos Filhos


Como pais, é natural que desejemos comunhão Cristã para nossos filhos, e é uma coisa feliz quando há outros filhos de lares Cristãos com quem isso pode acontecer. É bom quando há outras crianças em nossa assembleia local com quem nossos filhos podem passar algum tempo juntos, desfrutando não apenas das coisas do Senhor, mas também de atividades naturais. Esse é um presente maravilhoso de Deus! No entanto, nestes dias de pequenas coisas, com assembleias que às vezes são reduzidas a “dois ou três reunidos em [Seu] nome”, esse tipo de comunhão nem sempre existe. É triste dizer que se tornou muito comum os pais virarem as costas para o que sabem estar conforme a Palavra de Deus, a fim de buscar um caminho mais amplo, que inclua maior comunhão com outros filhos de origem Cristã.


A dedicação de Ana

Se olharmos para a Palavra de Deus, veremos um exemplo no Velho Testamento que deve nos encorajar a não tomar esse caminho. Quando Ana orou pela primeira vez por um filho, ela jurou que se o Senhor lhe desse um filho, “ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida” (1 Sm 1:11). No devido tempo, o Senhor graciosamente concedeu seu pedido, e quando Samuel foi desmamado, Ana cumpriu seu voto. Está registrado que quando “o menino era ainda muito criança”, “ela [...] o trouxe à casa do SENHOR, a Siló” (1 Sm 1:24). No próximo versículo (v. 25), está registrado que “eles [...] trouxeram o menino a Eli”. Como sabemos, daquele ponto em diante, Samuel viveu na casa de Deus em Siló, tendo Eli como seu guardião e instrutor, e ele via sua mãe apenas uma vez por ano, quando ela lhe trazia “uma túnica pequena” (1 Sm 2:19).


Enfrentando a imoralidade

Do lado humano, Siló pode ter parecido ser o pior lugar para se apresentar uma criança pequena. O comportamento sacrílego e imoral dos filhos de Eli era bem conhecido e de natureza tão notória que “os homens abominavam a oferta do SENHOR” (1 Sm 2:17 – KJV). Mais do que isso, Eli, embora o sacerdote ancião do Senhor, não conteve o comportamento terrível de seus filhos. Ele os reprovou, mas não fez mais nada. Ana poderia confiar seu filho, em sua tenra idade, a homens como este? Da mesma forma, nestas circunstâncias, Samuel também seria privado da companhia de outras crianças, incluindo seus próprios irmãos. Podemos muito bem imaginar que Ana orou muito fervorosamente por seu filho e por aqueles sob os quais ele vivia.


Mas os olhos de Ana não estavam nos sacerdotes que oficiavam na casa de Deus; antes, seus olhos estavam no Senhor que habitava naquele tabernáculo. Ela havia confiado n’Ele para lhe dar um filho e agora podia confiar que Ele cuidaria dele, mesmo em um lugar onde os sacerdotes não eram apenas infiéis, mas pecadores. E assim aconteceu, pois Samuel cresceu para ser o “homem de Deus para aquela situação crítica”, representando o Senhor entre um sacerdócio fracassado e, mais tarde, um rei fracassado (Saul), e o legítimo rei de Deus (Davi).


Comunhão com outros

Assim pode ser para nós hoje. Se procurarmos falhas em nossos irmãos, iremos encontrá-las em cada um deles. Se a comunhão com outras crianças, para encorajar nossos próprios filhos, governar nosso coração, sem dúvida seremos tentados a ir em lugares onde houver mais disso, mesmo que isso signifique comprometer (ou, abandonar) a verdade de Deus. Mas se nossos olhos estiverem antes no Senhor no meio, confiaremos que Ele cuidará de nossos filhos sob estas circunstâncias. Ao mesmo tempo, faremos todos os esforços para buscar a comunhão de outras crianças de vez em quando, quando ela puder ser obtida, mas apenas dentro da esfera que honre o Senhor e Sua Palavra.

W. J. Prost (adaptado de uma reunião aberta, conferência de Toronto, 1967)

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Quando as Leis São Contrárias à Escritura


Uma das questões que os Cristãos hoje enfrentam, com cada vez mais frequência, é como reagir quando os governos aprovam leis que são contrárias aos princípios da Palavra de Deus. Essas leis podem impactar muitas áreas de nossa vida, e não estou me referindo a países onde a perseguição aberta é comum e onde os Cristãos são rotineiramente maltratados. Em vez disso, estou me referindo aos chamados países “livres”, onde a liberdade de religião supostamente existe e onde os Cristãos não são perseguidos abertamente.


Por exemplo, no Canadá, na província de Ontário, os médicos devem, por lei, encaminhar pacientes para aborto, contracepção, cirurgia transgênero ou suicídio assistido, mesmo que o médico se oponha conscienciosamente a esses procedimentos. A realidade de que o encaminhamento torna o médico um “cúmplice do fato” não é considerada objeção viável.


Leis que conflitam

No contexto da criação dos filhos, outras leis foram promulgadas em algumas jurisdições que tornam difícil para os pais Cristãos obedecerem à Palavra de Deus. No Canadá, foi proposta uma lei (embora ainda não aprovada pelo Parlamento) que tornaria ilegal os pais enviarem uma criança para aconselhamento, se a criança expressasse uma preferência de gênero diferente de seu sexo biológico. (Aconselhamento ilegal seria aquele que visasse orientar as crianças a respeito de seu sexo biológico, em vez de permitir que escolhessem seu sexo).


Mais difundidas são as leis que proíbem os pais de baterem em seus filhos. A Suécia foi o primeiro país a proibir as palmadas em 1979 e, até hoje, mais de 50 países no mundo seguiram o exemplo. A lista inclui vários países da Europa Ocidental, como Holanda, França, Portugal e Alemanha, bem como alguns países da Europa Oriental, África e América do Sul. A palmada é ilegal também na Nova Zelândia.


Currículos questionáveis

Em outras situações ainda, os pais Cristãos às vezes ficam preocupados com o conteúdo dos currículos nas escolas públicas, especialmente nas áreas de homossexualidade e educação sexual. Em algumas nações, o ensino doméstico é permitido, o que contorna a dificuldade, mas em outras nações isso é ilegal. Como os pais Cristãos devem reagir em tais situações? Se desobedecerem à lei, podem ser mandados para a prisão, mas pior ainda, podem ser declarados pais inadequados e ter seus filhos tirados à força.

Não há resposta fácil para esses dilemas e, antes de tudo, devemos estar sempre diante do Senhor a respeito deles. A Escritura é clara que “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29), mas devemos ser cuidadosos ao interpretar o que “obedecer a Deus” significa em cada situação. Somente o Senhor pode nos dar sabedoria sobre como devemos reagir. Vamos considerar a questão das palmadas.


Disciplina precoce

Em primeiro lugar, um irmão mais velho, há muito tempo com o Senhor, costumava dizer: “Se a disciplina começar cedo na vida de uma criança, a maioria das palmadas acontecerá antes que a criança possa sequer se lembrar delas especificamente”. Isso é muito verdadeiro. Se a vontade das crianças for moldada aos dois ou três anos de idade, elas provavelmente não precisarão de palmadas frequentes depois disso.


Em segundo lugar, as palmadas devem ser o último recurso na punição. A Escritura diz: “A vara e a repreensão dão sabedoria” (Pv. 29:15), e uma vez que a vontade da criança seja moldada adequadamente em uma tenra idade, a repreensão pode ser tudo o que seja necessário na maior parte do tempo. Conheci lares onde os pais achavam que, quando alguma coisa errada era cometida, uma surra era sempre necessária, com base no princípio de que “toda transgressão” deve receber “uma justa retribuição” (Hb 2:2), mesmo que a criança tivesse obviamente aprendido a lição por meio da reprovação. Tal atitude ao criar os filhos não tem base na Palavra de Deus.


Situações intoleráveis

Terceiro, se a situação torna-se intolerável, alguns pais até consideraram a mudança para outra jurisdição onde as leis eram diferentes. Claro, este é um grande passo, mas certamente preferível a perder os filhos para que sejam levados pelas autoridades. No passado, muitos Cristãos fugiram de países onde a perseguição religiosa estava presente, e é bem conhecido que os Pais Peregrinos que vieram para a América buscavam principalmente a liberdade de culto. O Senhor pode tornar essa opção possível para nós em alguns casos.


Finalmente, alguns pais podem decidir obedecer à lei e não bater em seus filhos. Não sejamos críticos deles, pois embora a Palavra de Deus ensine o uso do castigo corporal, isso não é tão importante quanto a consistência. Existem outras maneiras de disciplinar as crianças, e a consistência em moldar seu comportamento é mais importante do que o tipo de disciplina.


Outras opções

Com relação aos currículos nas escolas públicas, mais uma vez, muita oração é necessária. É angustiante para os pais Cristãos saber que seus filhos podem ser submetidos desde tenra idade a um ensino na área da educação sexual que é contrário à Palavra de Deus e que podem ser expostos àqueles que mantêm e ensinam o casamento do mesmo sexo ou a prática aberta da homossexualidade. É especialmente difícil quando esses assuntos são ensinados a crianças em tenra idade, quando suas mentes são muito impressionáveis.


Em alguns casos, pode ser possível que as crianças sejam dispensadas de assistir a essas aulas, mas nem sempre é possível. Em outros casos, pode ser possível mandar os filhos para uma escola particular, mas nem todos os pais podem pagar. Às vezes, a única solução é os pais encorajarem os filhos a falar sobre o que ouviram na escola e depois abrir a Palavra de Deus sobre o assunto. Com muita oração e na dependência do Senhor, podemos confiar que Ele usará Sua Palavra no coração deles que se oporá ao que é contrário a ela. Sem dúvida, todos nós já ouvimos falar de crianças de lares Cristãos que tiveram que resistir ao ensino ateísta dos regimes comunistas, e o fizeram fielmente. Nesses casos, os pais não tinham outro recurso senão o Senhor e Sua Palavra.


Novamente, é impossível dar um remédio para cada circunstância, pois cada situação é única. Mas o Senhor, que conhece todas as nossas dificuldades nestes últimos dias, pode dar sabedoria do alto, se Lhe pedirmos. Estamos realmente em “tempos perigosos” (KJV) mencionados em 2 Timóteo 3 e podemos esperar que as coisas piorem com o passar do tempo. No entanto, se houver um desejo sincero de agradar ao Senhor, lembremo-nos de que “Ele será a estabilidade dos teus tempos” (Is 33:6 – JND) e que permitirá “humilhar-nos perante o nosso Deus, para buscar Lhe o caminho certo para nós, para nossos pequeninos” (Ed 8:21 – JND).

W. J. Prost

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Caminhos de Prazer, Rotas da Paz


No céu onde Deus habita sempre houve plenitude divina: pureza perfeita, amor divino e felicidade eterna. Naquele lar de luz e amor, Deus Se deleitava com os filhos dos homens desde a eternidade, mesmo “antes que os montes fossem firmados [...] ainda Ele não tinha feito a Terra” ou estabelecido seus fundamentos. De acordo com Seu propósito eterno, alguns entre os filhos dos homens, não só entrarão e desfrutarão da felicidade desta habitação divina, mas também do “gozo em Deus” (Rm 5:11 – KJV). Por causa do Calvário, isso pode e será assim.


Criação favorecida por Deus

O homem é a criação especial e favorecida por Deus. Embora os anjos se sobressaiam em força e habitem reinos espirituais, apenas o homem é mencionado ser feito à Sua semelhança; dotado com capacidade de interagir com Deus, de uma forma que o resto da criação não pode, com inteligência, com interesse para entender coisas abstratas, e com a capacidade de experimentar pensamentos comuns com Ele.


Os seis dias da criação são marcados com as palavras importantes, “E disse Deus”, maravilhoso precursor daquele futuro, quando a Palavra em Si se tornaria carne e habitaria entre nós, expressando em Sua própria Pessoa toda a plenitude da divindade. Incomparável criação do homem por Deus, em contraste com outras coisas criadas, foi Sua comunicação ao homem “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo [...] comunicando ao homem o que deveria ser e o que deveria fazer.


Uma nova criação

Infelizmente, como sabemos, muito rapidamente a bondade do homem se foi na sua queda, “como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada que cedo passa” (Os 6:4). Ainda assim, o Oleiro havia formado o vaso, como era Seu direito livre de fazer, a fim de que em Seu conselho o primeiro homem fosse substituído na roda do Oleiro pelo segundo Homem, o Senhor vindo do céu, na plenitude do tempo. Isso foi assegurado pela ressurreição de entre os mortos; há um Homem ressuscitado e glorificado no céu hoje, Ele mesmo o princípio de uma nova criação e somente Ele ali, por enquanto, as Primícias de uma colheita vindoura.


Gêneros masculino e feminino

Outro aspecto único da criação do homem por Deus é a declaração de que haveria homem e mulher, cada um diferente do outro e complementares um do outro para que fossem, em certo sentido, um. “Macho e fêmea os criou, e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados” (Gn 5:2). Embora saibamos, a partir de Gênesis 6:19 e da observação, que os animais também foram criados com esses dois gêneros complementares, é somente com o anúncio da criação do homem que essa distinção é imediatamente evidenciada: uma vez, após a declaração de que o homem foi feito à imagem de Deus (Gn 1:27) e depois, novamente após a declaração de que o homem foi feito à semelhança de Deus (Gn 5:1). Parece que Deus escolheu exibir as glórias naturais de Seus seres criados, e da humanidade em particular, com esta polaridade de homem e mulher. Como o apóstolo Paulo lembrou aos coríntios, o homem é “a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão” (1 Co 11:7). Deus poderia ter criado a humanidade com um único gênero e perpetuado a raça dos homens de acordo com tal sistema; Ele poderia ter criado a humanidade com vários gêneros. Ele não fez nada disso; Ele nos criou homem e mulher. É a glória do homem reconhecer e receber luz de Alguém superior a ele e ordenar adequadamente seus pensamentos e caminhos. Isso é excelência no homem. A vida do crente em Cristo é “ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2:10), pois ele aprende alegremente a se comportar na casa de Deus e a andar de maneira correta neste mundo, de acordo com a Palavra de Deus “E disse Deus”.