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A Ordem de Deus para o Lar Cristão


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ÍNDICE


 

O Papel do Homem na Ordem de Deus Parte 1


O papel da mulher tem sido o foco de muitos escritos e palestras sobre o assunto da ordem divina na família. Não se tem falado muito sobre o lugar que Deus deu ao homem. Certamente o homem não foi mais fiel que a mulher à ordem de Deus. A Escritura contém muito sobre o papel do homem.


Primeiro, na família, o homem deve ser um exemplo do que Cristo é para a Igreja. Isto é, ele deve ser a cabeça (Ef 5:23). Além disso, ele deve prover os seus (1 Tm 5:8); ele deve amar sua esposa como seu próprio corpo (Ef 5:28, 33); ele deve dar honra a sua esposa (1 Pe 3:7); ele deve prestar à esposa a devida benevolência (1 Co 7:3). Quanto ao que não deve fazer, ele não deve tratar sua esposa com amargura (Cl 3:19 – ARA) e não deve provocar a ira de seus filhos, e assim desencorajá-los (Cl 3:21).


O fracasso dos maridos em aceitar e cumprir suas responsabilidades dadas por Deus contribuiu para o surgimento de movimentos feministas que não estão de acordo com a ordem de Deus. Como maridos, devemos perceber que, quando negamos nosso verdadeiro papel na família, nossas esposas podem ser tentadas a abandonar o papel que Deus lhes deu e a se rebelar contra a submissão aos homens. Isso não está acontecendo apenas no mundo, mas também entre os Cristãos hoje.


O homem como cabeça

Liderança indica responsabilidade, bem como autoridade perante o Senhor. Não é uma posição de poder ditatorial. As Escrituras afirmam categoricamente que o marido é a cabeça da esposa. Mas ele é a cabeça da esposa como Cristo é a cabeça da Igreja (Ef 5:23). Toda instituição de sucesso tem um chefe. A forma como a cabeça exerce suas responsabilidades determina o clima da instituição, seja ela qual for. O Senhor tem o cuidado de mostrar ao homem a maneira pela qual sua responsabilidade de liderança deve ser administrada; deve ser feito com o mesmo tipo de amor sacrificial que Cristo, como cabeça, mostra à Sua Igreja. Não se pensa em o marido assumir poderes arbitrários de decisão e ação simplesmente porque ele é a cabeça. Ele deve lembrar que recebeu uma ajudante. Sua esposa não é uma escrava nem uma empregada, mas uma ajudante, dada a ele por Deus. Ela é aquela com quem ele deve compartilhar tudo o que surgir em conexão com suas responsabilidades. Eles oram como coerdeiros da graça da vida (1 Pe 3:7). Para a família Cristã, o marido impõe respeito como cabeça por seu modo de vida, não por insistir em sua posição como cabeça.


Quando surgem diferenças de opinião entre marido e mulher, como certamente surgirão, devido a origens diferentes, personalidades diferentes etc., isso pode se tornar uma verdadeira bênção se houver espera no Senhor e um exercício profundo de qual opinião é realmente consistente com a vontade do Senhor, em vez de o marido emitir arbitrariamente uma declaração. A sua ajudante pode ser mais espiritual do que ele em assuntos espirituais e mais prática do que ele em outros assuntos.


Na Igreja, os presbíteros são instruídos a não agir como senhores sobre a herança de Deus, mas a serem exemplos (1 Pe 5:3). O mesmo princípio parece ser bom para a família. Com base nesta Escritura parece que os presbíteros na assembleia devem ter, por seu exemplo, um tal impacto espiritual que imponham respeito e não precisem forçar decisões ou comportamento. Da mesma forma, quando há uma diferença de opinião na família, e o marido for incapaz de persuadir sua esposa da sabedoria de sua opinião, não deveria ele se preocupar com sua caminhada diária? Talvez em seus tratamentos do dia-a-dia ele não esteja gerando o respeito espiritual que deveria como marido Cristão. De qualquer forma, se ele tiver que agir como um ditador para que o que ele acredita ser a vontade do Senhor seja realizado em sua casa, há algo seriamente fora de ordem no lar. Este é um motivo certo para um profundo exame de consciência.


É bom lembrar que o marido é a cabeça da esposa e que ele será responsabilizado pelo que acontecer em sua casa. Para evitar divergências, por fraqueza natural ou porque seu testemunho tem pouco peso espiritual, o marido às vezes se esquiva dessa responsabilidade e, assim, obriga sua ajudante a assumi-la. Nesse caso, nenhum dos dois estará desempenhando seu papel de acordo com a ordem que Deus designou para eles. Como resultado, uma grande bênção espiritual pode ser negada à família.


Gênesis 18 nos dá um exemplo de um lar bem organizado que recebeu a bênção de Deus. A respeito desse lar, o Senhor diz: “Porque Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do SENHOR, para agirem com justiça e juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (v. 19). Observe neste capítulo quão bem Abraão e Sara trabalharam juntos como um.


Parece apropriado neste estágio advertir o jovem Cristão sobre o perigo de escolher uma ajudante errada. As qualidades que ele deve buscar em uma esposa são aquelas que a tornariam uma forte auxiliadora em assuntos espirituais bem como em outros. Ao mesmo tempo, a jovem Cristã deve ser capaz de respeitar seu futuro marido como cabeça do lar. Para esta chamada “era da iluminação”, quando os jovens Cristãos estão sendo vítimas do pensamento corrompido do mundo, é sábio para aqueles que planejam se casar saber onde cada um se posiciona nesta importante questão de liderança e tudo o que isso implica.


O homem como provedor

Deus deu algumas responsabilidades específicas ao marido como cabeça.


Ele deve prover as necessidades financeiras da família, assim como Cristo, a Cabeça da Igreja, provê para ela. As atuais condições econômicas, como inflação e alto desemprego, aumentaram a pressão social para manter altos padrões de vida e tornaram difícil para uma pessoa sustentar uma família. Isso não altera o fato de que o apóstolo Paulo coloca a responsabilidade de sustentar a família sobre os ombros do marido (1 Tm 5:8). Como princípio bíblico, se o marido se preparou diligentemente, o orçamento familiar é organizado com oração e o desejo de ser fiel à ordem de Deus está presente, podemos contar com o Senhor para fazer com que a renda do marido Cristão cubra as despesas de sua casa.


Quanto à questão de saber se a esposa deve trabalhar para complementar a renda do marido, podemos apenas reconhecer os princípios da Escritura como tendo autoridade sobre o assunto. Pode haver exceções, mas não podemos ignorar o direcionamento geral da Palavra sobre esta importante questão de hoje. O que nos parece prático ou o que está sendo feito pela maioria não entra realmente na resposta a esta questão. Onde quer que os deveres específicos da esposa sejam listados nas Escrituras, a esposa é vista no ambiente doméstico (1 Tm 5:14; Tt 2:4-5; Pv 31). De fato, a mulher casada é exortada a ser diligente no trabalho do lar (Tt 2:5 – JND). Essas escrituras devem ser ignoradas apenas porque não endossam a prática comum da esposa deixar o ambiente do lar, e até mesmo os filhos, para trabalhar no mundo? Certamente não! No caso da Igreja Cristã, que tantas vezes ignorou as provisões feitas por sua Cabeça e tentou suprir suas próprias necessidades, ocorreu um afastamento da Palavra de Deus. Os mesmos resultados podem ser esperados na família Cristã, se a ordem de Deus for negligenciada.


Para muitos Cristãos pode não ser uma questão de ignorar a Palavra de Deus, mas uma preocupação em aplicá-la corretamente em nosso mundo moderno. Podemos ser gratos por aqueles que têm essa preocupação em vez de aceitar rigidamente certas crenças, mas não nos esqueçamos de que os princípios da Palavra de Deus não mudam com o tempo. Convém a cada um de nós examinar as Escrituras em busca desses princípios e estar na presença do Senhor quanto à sua aplicação em nossa vida. Se fizermos isso, saberemos qual é a Sua vontade para nós (Jo 7:17). Devemos simplesmente praticar e afirmar os princípios da ordem de Deus conforme os encontramos nas Escrituras. Se fizermos isso por amor não fingido por Cristo, não desenvolveremos pontos de vista rígidos ou intolerância para com aqueles que não concordam totalmente conosco.


Dois extremos perigosos são observados entre os maridos Cristãos, em relação ao seu papel como assalariado e provedor de sua casa. Primeiro, muitas vezes há falta de preparação para o papel e, segundo, o próprio papel se torna um ídolo. Na primeira situação, o marido pode não ser capaz de prover, forçando assim sua esposa a assumir um papel que não é propriamente dela, e que a levará a negligenciar as funções que o Senhor pretendeu que ela cumprisse. No segundo caso, o marido estará tão ocupado que se ausentará desnecessariamente de casa, negligenciando assim alguns de seus deveres dados por Deus e forçando sua esposa a assumi-los.


A preparação para o papel de provedor começa muito antes do casamento. Salomão diz em um de seus provérbios: “Prepara o teu trabalho fora, e põe o teu campo em ordem, e depois edifica a tua casa” (Pv 24:27 – JND). Há um princípio importante aqui. O jovem Cristão é instruído a preparar-se para o dia em que as responsabilidades do lar serão suas. Isso introduz questões muito relevantes, como a quantidade de escolaridade necessária, o tipo de ocupação a ser escolhida, a economia de dinheiro, etc. Essas são questões para exercício e fé individuais, mas o ministério relacionado a elas é extremamente necessário nas assembleias Cristãs hoje.


O sistema de escolas públicas está treinando jovens para assumir um “papel cooperativo”, no qual seu cônjuge contribuirá para o sustento da família. A sociedade encoraja o jovem a satisfazer seus desejos antes do casamento, a dirigir carros caros, viajar e geralmente se entregar a todos os luxos. Por outro lado, é uma época de benefícios previdenciários, acompanhada pela tendência dos jovens de “abandonar” e “fazer suas próprias coisas”. Nenhuma dessas forças desenvolve incentivos para que o jovem se prepare para o dia em que será o sustentador responsável de uma família.


O Cristão que deseja ser fiel à ordem de Deus em sua vida familiar requer uma preparação que este mundo não encoraja ou entende. Os jovens Cristãos precisam ser instruídos a aprender diligentemente um ofício ou outra ocupação e aprender a economizar para que, quando tiverem família, possam sustentá-los na devida ordem Cristã. Confiamos que os homens de Deus fornecerão tal instrução em seu ministério, mesmo que o assunto e a substância não sejam populares entre os Cristãos.


No polo oposto estão os jovens Cristãos que se casam bem preparados para ganhar a vida, com talento para o sucesso econômico e amor pelos desafios do mundo empresarial moderno. Muitas vezes, ganhar dinheiro é um jogo que eles gostam muito. O perigo é que eles ficam tão envolvidos com o objetivo de ganhar dinheiro que suas famílias são negligenciadas. Falta orientação espiritual e ensino no lar. A esposa passa longas horas em casa sem a companhia do marido. Ela deve arcar com a responsabilidade total e a pressão de lidar com as crianças desde o início da manhã até tarde da noite, enquanto seu marido literalmente se diverte no escritório. Ele acalma sua própria consciência dizendo a si mesmo que deve fazer isso para ser um bom provedor. Quando ele é honesto consigo mesmo, ele admite que é realmente seu próprio ego que ele está alimentando. As Escrituras advertem: “O que se dá à cobiça perturba a sua casa” (Pv 15:27).


Um belo exemplo para quem se vê transformando a função de assalariado em um ídolo é o do escravo que conquistou a liberdade (Veja Êxodo 21:1-6). Ele representa o jovem marido que se preparou para o futuro. Ele está no limiar da liberdade e do sucesso, mas volta atrás. O escravo, que havia trabalhado tanto para este momento em que poderia mostrar o que ele valia, agora perde para sempre sua liberdade e chance de competição porque ama seu mestre, sua esposa e seus filhos. Quantas famílias Cristãs mais felizes haveria hoje, se todo jovem marido e pai Cristão fosse restringido pela mesma devoção ao Senhor Jesus, a sua esposa e a seus filhos.


Amor

Nossa consideração dos princípios bíblicos relevantes para o convívio na família Cristã tem se concentrado no homem como cabeça da família e no homem como o sustentador dela. Gostaríamos agora de considerar o aspecto de um homem amando e honrando sua esposa.


O número de versículos nas Santas Escrituras que ordenam ao marido Cristão amar, honrar e agir com bondade para com sua esposa certamente indica a importância dessa responsabilidade. As Escrituras não nos exortariam repetidamente a fazer algo se não houvesse perigo de não o fazermos. Não é verdade que, como maridos Cristãos, podemos ser cuidadosos em manter nossa posição como cabeça e provedores da família, mas somos muito menos cuidadosos em amar e honrar nossa esposa? Também não é verdade que a falha em fazê-lo rebaixou a imagem do papel que Deus deu à esposa, aos olhos do mundo? Em vez de ser vista em uma posição de honra e respeito, ela frequentemente é retratada em uma posição degradante de escrava do chefe de família.


Não é incomum ouvir feministas argumentarem que a mulher foi degradada e oprimida pelo ensino Judaico-Cristão. Tais declarações falsas ocorrem até mesmo na literatura de muitos periódicos evangélicos. O apóstolo Paulo, que recebeu seus ensinamentos por revelação especial do próprio Senhor, é frequentemente o alvo especial de acusações porque ele supostamente degrada as mulheres em seus escritos. Quando o Senhor Jesus estava na Terra, Ele respondeu a esse tipo de argumento com a declaração simples, mas verdadeira: “Errais, não conhecendo as Escrituras”. Sem dúvida, os argumentos das feministas podem ser recebidos com a mesma refutação, mas é triste que nossa falha em adequadamente amar e honrar nossas esposas dê substância aos argumentos daqueles que se opõem às Escrituras. Isso certamente acontece se desempenharmos nossa posição como cabeça da família sem o amor e a honra que são devidos a nossas esposas.


Quando Paulo exorta o marido a amar sua esposa como Cristo também amou a Igreja (Ef 5:25), ele dá ao marido um exemplo de devoção absoluta. O fato de a Igreja não ser perfeita não diminui em nada Seu amor e cuidado, mas a torna ainda mais um objeto de Sua devoção e serviço. Há na esposa que Deus deu ao marido, como há em todos nós, imperfeições e coisas que ofendem. Mas essas coisas permitem ao marido mostrar a natureza de Cristo e amar sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela.


Paulo teve que dizer aos maridos colossenses para amarem suas esposas e não tratá-las “asperamente [com amargura – ARA] (Cl 3:19 – TB). Isso indica a tendência do marido de culpar a esposa pelos pequenos problemas cotidianos que aparecem no lar. É provável que o marido pergunte por que isso é assim ou não. A crítica vem facilmente de nossos ingratos lábios e coração. O marido precisa ser lembrado de que todos nós, não apenas a esposa, ofendemos (Tg 3:2). Ele também precisa lembrar que sua esposa lhe foi dada como um favor concedido por Deus (Pv 18:22). Um espírito de gratidão e apreciação deve ser visto no marido, em vez de um espírito de crítica e procurador de falhas. Um princípio fundamental para orientar qualquer tipo de convívio Cristão e que pode ser útil ao marido para ajudá-lo a evitar a amargura em relação à esposa encontra-se em Filipenses 2:3: “cada um considere os outros superiores a si mesmo”. O convívio familiar, como o convívio na assembleia, poderia ser muito mais agradável e consistente com nossa profissão Cristã se houvesse um maior senso de nossa própria completa indignidade aos olhos de Deus.


O apóstolo Paulo vai ainda além de dar ao marido um exemplo da profundidade e grau de amor que deve ser manifestado por sua esposa. Ele chega ao ponto de explicar como esse amor deve ser colocado em prática: “os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo” (Ef 5:28). Quantas vezes o marido mostra a atitude de que ele é o número um. Seu trabalho pode facilmente ser julgado mais importante do que o trabalho de sua esposa em casa. É tão fácil para o marido ficar tão voltado aos problemas do escritório que as coisas que estão perturbando a esposa em casa são consideradas insignificantes ou talvez nem ainda sejam consideradas. Ele pode até levar esse espírito ao ponto de gastar dinheiro em coisas que deseja ou de que precisa, sem levar em consideração aquelas coisas que aliviariam as tarefas diárias de sua esposa em casa ou coisas que simplesmente iluminariam um pouco a vida dela.


No que diz respeito a amar nossas esposas como a nosso próprio corpo, existe uma prática no mundo e que está se tornando perceptível nas famílias Cristãs, que deve ser evitada. Esta é a prática do marido seguir um hobby, esportes ou outros interesses que envolvem muito tempo longe de sua família e de sua esposa. Deve haver moderação em todas as coisas, mas qualquer coisa que nos separe de nossas esposas e famílias, especialmente quando é apenas por prazer, não parece exemplificar amar nossa esposa como nosso próprio corpo. Talvez cuidar dos filhos e dar à nossa esposa um pouco de tempo para seus hobbies, ou para tarefas necessárias, como fazer compras, esteja mais de acordo com essa exortação. No casamento, marido e mulher são uma só carne (Ef 5:31). O marido não é apenas responsável pelo fardo financeiro de manter sua esposa, mas também é responsável por “nutrir e cuidar” da esposa com quem Deus o uniu, assim como ele alimenta e cuida de seu próprio corpo (Ef 5:29).


O quinto capítulo de Efésios simplesmente não pode ser encerrado até que o marido seja exortado a que ele, como indivíduo, ao contrário dos maridos em geral, ame sua esposa como a si mesmo (Ef 5:33). Se minha esposa fosse questionada, ela diria que sente ser o objeto de tal atenção? Não parece consistente com o direcionamento das Escrituras já mencionadas que a esposa deva simplesmente saber que seu marido a ama. Não deveria haver expressões diárias disso, sacrifícios diários por parte do marido e gozo diário do amor juntos? Tudo isso está no amor de Cristo por sua Igreja, o Exemplo perfeito do amor do marido por sua esposa.


Honra

A atitude do marido para com a esposa também é o assunto dos escritos do apóstolo Pedro. Pedro diz ao marido com muita firmeza que ele deve honrar sua esposa. Essa exortação parece vir para contrastar o convívio do marido e da esposa Cristãos com a do incrédulo, em particular o pagão. Estes últimos não tinham conhecimento do verdadeiro significado do casamento. Eles não tinham entendimento do amor pelo qual o casamento deveria ser moldado. Portanto, a esposa não esperava muito respeito ou honra. Ela pode até estar em uma ordem social inferior à do marido. Ela pode ter sido apenas uma das várias esposas mantidas pelo marido para a satisfação das paixões de sua natureza caída. Não é de surpreender que algumas dessas ideias e hábitos se apeguem aos novos crentes. Na verdade, eles ainda são vistos hoje em países que estiveram sob a influência do Cristianismo por séculos. Pedro desejava esclarecer o assunto para esses novos crentes, e todos nós nos beneficiamos dessas Escrituras (1 Pe 3:1-7).


O marido é exortado a coabitar com a esposa com entendimento (v. 7). O marido Cristão recebe entendimento do verdadeiro significado do amor e do casamento e do exemplo de Cristo e Sua Igreja. Esse conhecimento coloca imediatamente a esposa em um lugar de honra, uma pessoa a ser nutrida (N. do T.: A palavra grega ektrephō significa educar até a maturidade, isto é, (geralmente) cuidar ou treinar, criar, nutrir, e aparece duas vezes na Escritura: em Efésios 5:9 e 6:4.) e amada. Não há mais níveis sociais diferentes. Ela é uma herdeira junto com ele, embora um vaso mais fraco, da graça da vida. O casamento agora é honroso e a expressão do amor físico está sujeita à instrução divina, com o prazer do marido e da esposa igualmente considerados (Hb 13:4; 1 Co 7:1-5). Tudo isso traz novas dimensões ao significado do casamento e também confere novas responsabilidades ao marido Cristão, que devem continuar por toda a vida (Pv 5:15-21).


Ao encerrar esta seção sobre as responsabilidades do marido de amar e honrar sua esposa, fazemos um apelo por uma maior demonstração disso no lar Cristão de uma maneira clara. Novamente, a moderação é necessária, mas às vezes a atitude encontrada nos lares Cristãos dá a entender que o casamento é um fardo ou uma provação necessária. Certamente o casamento baseado na ordem de Deus é uma instituição de regozijo. Talvez a modéstia vitoriana (N. do T.: Uma ordem valores morais imposta pela rainha Vitória, da Inglaterra (1837-1901) com estrito código de conduta que pregava, entre outras coisas, a restrição sexual e rígida forma de vestir.), não a modéstia bíblica, tenha feito com que o relacionamento amoroso entre marido e mulher fosse tão velado que até mesmo os filhos às vezes deviam se perguntar se ele realmente existia. Até mesmo psicólogos incrédulos nos dizem que a demonstração de amor em casa dá aos filhos uma segurança que não se encontra em nenhum outro lugar. Além disso, um mundo observador, onde o colapso do lar não é mais uma exceção, deve ficar impressionado ao ver o amor e o respeito dados por Deus demonstrados e aplicados na vida dos seres humanos de uma maneira que de outra forma seriam desconhecidos. Talvez se o amor do marido e sua honra à esposa tivessem sido mais visíveis no passado, a esposa moderna não se sentiria tão degradada e confinada.


Lembremo-nos de Isaque que “tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim, Isaque foi consolado” (Gn 24:67).

 

O Papel da Mulher na Ordem de Deus Parte 2


O papel que Deus deu ao marido em Sua ordem para a família Cristã foi considerado de uma forma geral. O assunto está longe de esgotado e temas mais específicos vêm à mente, mas no momento parece lógico nos voltarmos para as responsabilidades gerais da esposa.


Inicialmente deixe-me afirmar que o papel da esposa na ordem de Deus não é inferior ao do homem. E também que a mulher não é considerada inferior ao homem, embora seja um vaso mais fraco (1 Pe 3:7). Mas Deus deu a ela um papel diferente daquele do marido e que requer submissão ao marido para ser devidamente cumprido.


A importância do papel do homem e do papel da mulher pode ser avaliada unicamente pela oportunidade que eles oferecem para a bênção espiritual e o efeito subsequente em nossa vida. Nesse sentido, não há “nem homem nem mulher... em Cristo” (Gl 3:28 – ARA). No dia da ressurreição, quando as bênçãos forem desfrutadas em sua plenitude, não haverá homem nem mulher (Mt 22:30). Mas, por enquanto, lembremo-nos de que a bênção de Deus não é determinada pelo papel de cada um, mas pelo seu cumprimento de uma forma que Lhe agrade. Argumentar que a igualdade de oportunidades para bênção agora ou a eliminação de papéis no futuro seja motivo para cancelar a ordem de Deus em sua aplicação presente não é lógico nem justificável de acordo com as Escrituras.


A esposa como ajudante

A esposa é retratada nas Escrituras como objeto do amor do marido. Seu papel em relação ao marido é exemplificado no papel da Noiva de Cristo em relação a Cristo (Ef 5). O sono pesado de Adão para que ele pudesse ter uma ajudadora e não ficar sozinho (Gn 2:18-25) é uma figura de nosso Salvador indo para a morte para que Ele tivesse uma noiva e não ficasse sozinho (Veja João 12:24). A partir disso, vemos que o marido se sacrifica por seu Senhor e por sua esposa e filhos.


A esposa, por sua vez, deve responder com reverência e submissão a quem se entrega por ela. Onde poderia ser encontrada uma relação mais harmoniosa do que neste modelo de convivência familiar?


As feministas reagem com horror à ideia de que a esposa, como objeto de amor do marido, deve ser obediente a ele. Esse efeito, sem dúvida, se deve ao conceito que o mundo tem do ato de submissão. No mundo é sinal de fraqueza pessoal, de falta de autoestima, ou de admissão de inferioridade submeter-se a alguém. Para o Cristão que desfruta de bênçãos além de qualquer medida por causa da submissão de Cristo à vontade de Deus na cruz do Calvário (Is 53:7), o ato de submissão tem uma conotação totalmente diferente. Ao longo das Escrituras, a submissão é vista como o caminho da realização, da felicidade e da paz. “Aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mt 11:29). A sujeição de Cristo na vida e a submissão na morte devem ser nosso exemplo, seja homem ou mulher, se quisermos desfrutar das bênçãos de Deus em nossa vida.


É somente na medida em que a esposa está sujeita ao seu marido que ela pode cumprir seu papel de ajudante que lhe foi dado por Deus (Gn 2:18). As Escrituras ensinam inequivocamente a importância da sujeição e obediência da esposa ao marido. (Veja Efésios 5:22; Colossenses 3:18; Tito 2:5; 1 Pedro 3:1). O fracasso do marido em aceitar suas responsabilidades de liderança, sem dúvida, torna mais difícil para a esposa estar em sujeição. (Foi por esta razão que neste livreto as responsabilidades do marido foram consideradas antes das da esposa). No entanto, a esposa não pode desculpar sua falta de reverência ou sujeição com base nisso. Pedro deixa claro que mesmo que o marido fosse incrédulo, a esposa deveria estar em sujeição (1 Pe 3:1). A oposição a este princípio é tão forte que descobrimos que até os crentes, em vez de se submeterem a esse princípio, estão negando a inspiração das Santas Escrituras, a Palavra de Deus para nós nesta época como em todos os tempos. Que sejamos guardados de negarmos as Escrituras, seja por nossas palavras ou por nossas ações.


O princípio da sujeição da esposa ao marido às vezes é aplicado erroneamente. É, talvez, o oposto ao extremo da negação do princípio, quando a esposa, por ser o marido a cabeça da casa e deve ser obedecido, assume a atitude de que há pouca necessidade dela se exercitar perante o Senhor sobre questões, mas simplesmente submeter-se ao exercício do marido. Até mesmo no discernimento da vontade de Deus para a família, a esposa deve ser a auxiliadora do marido. Para esta função ela precisará ser diligente em buscar as Escrituras e em oração para que as orações conjuntas do casal não sejam impedidas (1 Pe 3:7). A esse respeito, é digno de nota que a vida de Moisés foi poupada por causa da fé de seus pais, não apenas da fé de seu pai (Hb 11:23). Também digno de nota é o fato de que em Êxodo 2:2-3 a mãe é a única mencionada na narrativa. Todo marido Cristão precisa do apoio, da iniciativa e da fé de uma esposa espiritual.


A esposa pode ser espiritualmente mais forte que o marido e, ainda assim, estar em completa submissão a ele. Uma comparação do relato da vida de Moisés em Êxodo 2 com Hebreus 11 nos levaria a crer que nesta família a esposa, em especial, era uma mulher de fé, mas agia com o marido. O resultado foi uma grande bênção não apenas para a família, mas para o povo de Deus. Alguns podem dizer que a mãe de Moisés era uma mulher de fé incomum. Isso pode ser verdade, mas considere Sara que, segundo os relatos das Escrituras, estava muito à sombra de seu marido e que teve de ser repreendida por sua falta de fé (Gn 18:13-15). Esta mesma “mulher incrédula” é registrada como uma mulher de fé. “Por fé também a própria Sara recebeu força para a concepção de semente, e isso além de uma idade apropriada; já que ela considerou Fiel Aquele que prometeu” (Hb 11:11 – JND). Este relato evidencia que mesmo aquela que é espiritualmente fraca e talvez carente de fé pode, por meio da graça soberana de Deus, ser usada para a bênção do marido, da família e do povo de Deus, desejando a vontade de Deus para sua família. Que encorajamento e ajuda deve ter sido para Abraão descobrir que sua esposa, que uma vez riu em descrença, mais tarde “considerou Fiel Aquele que prometeu”.


Na maioria dos casos, quando a fé de uma mulher é mencionada nas Escrituras, é em relação aos filhos. Veja 2 Timóteo 1:5; Hebreus 11; 1 Samuel 1 e 2. Essas Escrituras revelam que o papel da esposa envolve o bem-estar espiritual e físico dos filhos. Que desafio a ordem de Deus para a família Cristã apresenta à esposa! Particularmente hoje, quando a maioria dos homens trabalha fora de casa em uma atmosfera de tensão e competição, o marido se ausenta muito e mesmo quando presente pode estar mental e fisicamente exausto. Isso coloca uma grande carga de responsabilidade sobre a esposa e é uma razão importante pela qual, se possível, ela deve estar em casa e não em empregos externos. O papel de ajudante do marido pode ser comprometido se ela estiver muito cansada e exausta por deveres não diretamente relacionados com o cuidado dos filhos. A família não precisa de duas pessoas desempenhando os mesmos papéis, mas o que ela precisa é de um pai e uma mãe que se complementem um ao outro agindo nos papéis que Deus estabeleceu em Sua Palavra.


A esposa Cristã tem sido retratada como ajudadora espiritual na família. Essa responsabilidade pertence a toda esposa Cristã. Abraão foi instruído a ouvir o conselho de Sara (ver Gn 21:12). Sem dúvida, o marido se beneficiará ao seguir o conselho de uma esposa piedosa. Que a esposa de cada um de nós peça ao Senhor sabedoria para cumprir esse papel.


A esposa como mãe

Deus pode, em sabedoria divina, impedir filhos. Se Ele o fizer, isso traz um especial exercício e confiança em Si mesmo. Em geral, a família, nas Escrituras, inclui os filhos. O apóstolo Paulo foi inspirado a escrever: “Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos” (1 Tm 5:14). Esta Escritura por si só deixa claro que o casal Cristão deve planejar ter filhos. Terá que haver uma família para que as jovens “apeguem-se a seus filhos” (Tt 2:4 – JND). Deixar de obedecer a essas Escrituras roubará do lar o puro gozo que os filhos podem proporcionar. Também faltarão os exercícios e as lições espirituais que acompanham cada criança individualmente e que podem aproximar os pais um ao outro e do Senhor. Além disso, o deleite e o prazer que os netos trazem não podem ser possíveis se o casal optar por não ter filhos.


As consequências da recusa egoísta em aceitar a responsabilidade dos filhos serão sentidas entre os Cristãos de outras formas, além da simples ausência dos filhos na rotina diária do casal. As Escrituras designam duas instituições como aquelas com obrigação de cuidar dos idosos. Uma delas é a família (1 Tm 5:4) e a outra é a assembleia (1 Tm 5:9-11). Se a família não existe, não há ajuda disponível de uma das instituições designadas. A assembleia, por sua vez, tem o direito de buscar determinados pré-requisitos. Um deles, que a assembleia deve considerar com relação à sua obrigação de cuidar de uma viúva, é “se (ela) criou os filhos” (1 Tm 5:10). Se o Senhor nos deixar aqui, haverá muitos idosos sem filhos, solitários e necessitados, que não terão família e talvez não se qualifiquem para receber auxílio da assembleia. Essa necessidade, pelo menos em parte, está sendo assumida atualmente pelo poder público por meio de programas de bem-estar social. À medida que o número de famílias sem filhos aumenta simultaneamente com o envelhecimento da população do baby-boom pós-Segunda Guerra Mundial, a pirâmide etária da América do Norte se tornará mais pesada. Os economistas já estão alertando os governos sobre o perigo de que tais programas levem o tesouro público à falência. O fracasso em seguir a ordem de Deus só pode colher privações pessoais e caos econômico para a sociedade.


Em outra esfera, o resultado de casais Cristãos sem filhos será privar a Igreja e a assembleia local de bispos e diáconos. A fim de se qualificar para essas posições, um homem deve ter tido a experiência de criar os filhos em sujeição e de governar bem a sua casa (1 Tm 3). Certamente, se um casal deixou intencionalmente de ter filhos, o marido não poderia ocupar a posição de bispo ou diácono. Estes são ofícios a serem desejados; a preparação para eles não deve ser evitada ou negligenciada.


Visto que haverá filhos, a esposa Cristã, além de ser a ajudadora espiritual do marido, deve ser mãe. A história de Ana fornece instruções para as esposas que buscam os princípios das Escrituras para guiá-las nesse papel. Uma leitura cuidadosa de sua história (1 Samuel 1 e 2) revela vários aspectos diferentes do cuidado de Ana.


Ana orou muito! Suas orações consistiam em petições e louvores. Seja em amargura de alma (1 Samuel 1) ou em momentos de regozijo (1 Samuel 2), ela se voltava para o Senhor em oração. Certamente, para uma mãe sobrecarregada com a responsabilidade do cuidado diário dos filhos, haverá momentos de ambos. As tristezas e alegrias entram na perspectiva correta quando são trazidas à presença do Senhor.


A amamentação e o desmame de Samuel também desempenharam um papel significativo no início da história de Samuel, assim como as roupas de Samuel. Deixando de lado por enquanto as lições espirituais a serem tiradas dessas duas considerações, deve-se notar que nelas temos duas responsabilidades proeminentes de qualquer mãe – alimentação e vestuário das crianças. As duas responsabilidades também se destacam fortemente na vida da mulher virtuosa de Provérbios 31.


Nesta era da assim chamada libertação feminina, a sugestão de que a principal ocupação de uma esposa deve ser direcionada para o cuidado dos filhos e para as atividades relacionadas à alimentação e vestuário atrai o escárnio e o ridículo. Correndo o risco de atraí-los, é nossa opinião que esse é o direcionamento da Palavra de Deus. Estes não são campos limitadores, nem menos exigentes ou desafiadores do que as outras áreas em que as mulheres trabalham hoje. Apesar disso, muitas mulheres, inclusive Cristãs, casam-se com muito pouca preparação para essas atividades domésticas e de cuidados com os filhos. Felizmente para algumas, elas tiveram mães que estavam em casa e tiveram tempo para ensinar suas filhas. Tais situações não são tão comuns hoje como costumavam ser. Além disso, os sistemas escolares dão menos ênfase a esse tipo de treinamento para meninas. A jovem Cristã, que é cada vez mais pressionada a estudar além do ensino médio e a ingressar em carreiras públicas antes do casamento, deve refletir um pouco sobre quais áreas de estudo podem ser pertinentes e uma ajuda em seu papel de mãe e esposa.


Voltando agora ao significado espiritual da alimentação e vestimenta de Samuel, o papel da esposa é novamente observado. Ana não quis subir ao Senhor até que ela desmamasse a criança. O desmame parece significar cortar atitudes e hábitos naturais que são característicos da velha natureza da criança.


Certamente é o lar onde o fundamento para isso é lançado. É verdade que somente o novo nascimento pode realizar isso, mas recai sobre a mãe a responsabilidade de estar em casa e cumprir diariamente a tarefa de fornecer instruções das Santas Escrituras que são capazes de tornar uma criança sábia para a salvação por meio da fé que está em Cristo Jesus (2 Tm 3:14-15). Ninguém é capaz de influenciar a criança como sua mãe. Sem dúvida, é a isso que Paulo se refere ao lembrar a Timóteo da fé não fingida que havia nele, mas que habitou primeiro em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice (2 Tm 1:5). Este desmame de uma criança das atitudes e hábitos do mundo incrédulo ocorre em uma idade jovem – talvez muito antes de a criança confessar a Cristo como Salvador. A Palavra de Deus nos lembra que quando Ana desmamou Samuel, a criança era pequena (1 Sm 1:24) e que ainda não conhecia o Senhor (1 Sm 3:7). Quão importantes são os primeiros anos da vida da criança e quão necessário é que a influência constante das Escrituras seja exercida sobre a criança à medida que ela se desenvolve nesses tenros anos. Babás e creches provavelmente não farão isso. Somente uma mãe que está regularmente em casa está em condições de assumir essa responsabilidade e privilégio.


Depois que Samuel foi desmamado, lemos que sua mãe fazia para ele uma túnica pequena e trazia para ele ano após ano. Talvez no nível espiritual isso possa ensinar a mãe a estar constantemente atenta ao crescimento espiritual de seus filhos. Quantas vezes as mães se preocupam quando o desenvolvimento físico não parece estar progredindo como deveria. Certamente o crescimento espiritual dos filhos exige a atenção que só uma mãe percebe e pode dar. Em 1 Coríntios 13:11, lemos: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”. Este seria um desenvolvimento gradual, e os diferentes estágios de desenvolvimento no crescimento espiritual de uma criança certamente requerem reconhecimento e atenção que somente uma mãe observadora pode dar. Por exemplo, a criança em certa idade pode sentar-se apenas por um curto período de tempo para ouvir a Palavra de Deus ou memorizá-la, mas à medida que cresce tanto física como espiritualmente, tal instrução pode requerer mais tempo e profundidade. O marido é, talvez, menos propenso a notar essas coisas do que a mãe, que tem olhos aguçados e coração terno. Talvez mais exemplos pudessem ser usados, mas parece suficiente dizer que a mãe que busca a bênção do Senhor estará buscando crescimento em seus filhos – tanto físico quanto espiritual, e que quando o crescimento for notado, haverá nova instrução para sustentá-lo – túnicas pequenas de ano em ano!


A esposa Cristã tem sido considerada a ajudadora espiritual do marido e a mãe dos filhos. Nesta seção final ela é considerada, não tanto em um papel específico, mas do ponto de vista de certas coisas que devem caracterizar a esposa, de acordo com as Escrituras.


Vestuário modesto

Sem tentar definir o vestuário modesto em termos práticos, pode-se afirmar, no entanto, que a esposa Cristã deve ser caracterizada por ele. Nos primeiros dias da Igreja, o apóstolo Pedro, que também tinha uma esposa, comentou que o adorno das esposas Cristãs não deveria ser “o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura de vestes” (1 Pe 3:3). Com base nesta exortação, parece que havia uma tendência para as esposas daquele tempo, como existe hoje, de se preocuparem demais com a aparência exterior. Essa sugestão é fortalecida pelo fato de que o apóstolo Paulo, embora não tivesse uma esposa, foi compelido pelo Espírito Santo a exortar que “as mulheres, em comportamento e em vestidos decentes, se adornem com modéstia e discrição, não com cabelo franzidos e ouro, ou pérolas, ou vestidos caros” (1 Tm 2:9-10 – JND).


Numa época de fartura e afastamento da Palavra de Deus, o crente pode facilmente perder de vista os motivos divinos para o vestuário e comportamento. Se as modas deste mundo forem imitadas sem o exame minucioso e sério, a esposa Cristã pode facilmente cair na tendência contra a qual os primeiros apóstolos advertiram. Não devemos nos conformar com este mundo no vestuário ou em qualquer outro aspecto, e o fato de que os apóstolos, inspirados por Deus, fizeram esses comentários indica que há um grande perigo de a esposa Cristã se conformar com o vestuário e comportamento indecentes desta época. É significativo que isso tenha acontecido com as filhas de Sião em uma época de declínio espiritual (Is 3:16-26). Também é instrutivo do ponto de vista da família observar que, quando isso aconteceu, seus homens caíram pela espada. A conduta mundana só pode enfraquecer a família espiritualmente.


Por uma questão de princípio bíblico, deve-se notar que a modéstia e a discrição não implicam em extremos. Certamente na questão do vestuário, como em todos os outros assuntos, a mente do Senhor deve ser buscada. O motivo deve ser agradar ao Senhor sem atrair atenção. A mulher virtuosa de Provérbios 31 usava roupas finas (veja v. 22), mas ela não se caracterizava por essa vestimenta exterior. As Escrituras registram que “força e dignidade são os seus vestidos” (v 25 – ARA). Certamente pode-se deduzir deste exemplo que a esposa Cristã pode estar apropriada e razoavelmente vestida sem deixar que suas roupas tirem a glória do Senhor.


Um espírito manso e quieto

Pedro não apenas disse às primeiras esposas Cristãs o que elas não deveriam vestir, mas enfatizou que elas deveriam ser adornadas com “um espírito manso e quieto, que é precioso [de grande valor – ARA] diante de Deus” (1 Pe 3:4). É triste encontrar mulheres Cristãs que atendem ao aspecto da vestimenta dessa exortação sem dar a devida ênfase à parte positiva dela. Não basta estar moderadamente vestida. Será que é apenas pelo vestido que a esposa Cristã é conhecida na vizinhança como sendo uma Cristã? Em casa, o marido e os filhos reconhecem esse espírito? E na assembleia? O vestuário e o comportamento podem ser adequados ao testemunho Cristão, mas existe a manifestação prática daquilo que é de grande valor à vista de Deus? A mulher de Provérbios 31 falou com sabedoria e bondade (v. 26). Talvez ela pudesse fazer isso porque estava adornada com um espírito manso e quieto.


Bom trabalho

Paulo, assim como Pedro, não declarou simplesmente que as mulheres deveriam se vestir com modéstia. Considerando que Pedro acrescentou que elas deveriam ser adornadas com um espírito manso e quieto, Paulo insistiu que roupas modestas devem ser acompanhadas de boas obras. Mais uma vez, existe o perigo de os Cristãos enfatizarem indevidamente o aspecto do vestuário e deixarem de considerar a parte positiva da exortação.


Alguns podem estar inclinados a argumentar que todos os Cristãos, não apenas as mulheres, devem ser caracterizados por boas obras. Isso é verdade e as Escrituras certamente nos exortam a todos nessa área. Há, porém, certa linha de responsabilidades relacionadas com ser uma esposa Cristã que pode ser classificada como boas obras. A viúva de 1 Timóteo 5:10 não é uma mulher específica, mas sim uma representante daquelas que assumem o papel de esposa. As boas obras servem de testemunho ao seu direito ao cuidado da assembleia em sua velhice. Embora ela tenha seguido todas as boas obras, algumas específicas são mencionadas. Esta mulher de Deus exerceu hospitalidade. Isso acompanha o papel de ser uma esposa Cristã, assim como prover para a família acompanha o papel de marido. É algo que deve ser realizado para que o marido seja um bispo entre o povo do Senhor (1 Tm 3:2).


Em outras áreas, parece que a viúva havia sido, além de exercer a hospitalidade, uma serva prestativa para todo o povo do Senhor (lavando os pés). Talvez isso fale das pequenas coisas feitas que exigem sacrifício pessoal e espírito humilde: coisas que não chamaram muita atenção, mas coisas que foram ditas e feitas para o bem-estar de Seu povo. Além disso, ela deveria dar alívio onde fosse necessário. Quantos crentes e incrédulos precisam de algum tipo de alívio hoje!


Talvez Febe (Romanos 16:1-2) seja um exemplo bíblico específico do que é sugerido em 1 Timóteo 5:10. Paulo disse que essa irmã tinha ajudado muitos. A palavra “ajudadora” (JND) aqui é forte, implicando que ela tinha sido patrona de muitos. Um patrono é aquele que faz do nosso bem-estar total a sua responsabilidade: aquele que nos apoia nos fracassos e nas vitórias. Há uma grande necessidade de tais ajudantes em nossas assembleias – entre jovens e velhos. Suponho que Febe nunca teve que se perguntar o que fazer quando seu trabalho doméstico terminasse. A esposa que se caracteriza por boas obras tem um cargo de tempo integral!


Fiel em todas as coisas

Esse caráter deveria ser verdadeiro para todos os crentes, mas também é particularmente associado às esposas. Para se qualificar para a posição de diácono, um homem deve ter uma esposa que seja fiel em todas as coisas (1 Tm 3:11). Esta é uma grande responsabilidade e certamente abrange muitos aspectos da vida da esposa que são numerosos demais para serem mencionados. Parece implicar, entre muitas coisas, um pensamento especial para evitar de alguma forma trazer desonra ao Senhor: cuidado especial em criar seus filhos para o Senhor, energia especial em servir ao Senhor, preocupação especial apenas em falar a verdade sobre o povo do Senhor, esforços especiais para viver sobriamente, seriamente e discretamente diante dos olhos de um mundo observador.


A esposa de Provérbios 31 parece ser alguém que foi fiel em todas as coisas. Novamente, ela não é uma pessoa específica, mas personifica uma esposa que conhece seu lugar na família que age de acordo com as Escrituras. Ela é fiel em tudo: ao marido (vs. 11-12, 23, 28), aos filhos (vs. 15, 21, 27-28), às servas (v. 15), aos pobres e necessitados (v. 20), em seu trabalho em sua casa (vs. 13-24, 27), e em sua maneira de se vestir e falar (vs. 25-26).


Nesta época em que os homens falham em desempenhar seu papel na família como deveriam e as mulheres tentam se “libertar” de seu papel adequado, as esposas reclamam que só são conhecidas por quem são seus maridos e pelo que eles conseguem alcançar. Quão diferente é na família onde a esposa desempenha seu papel apropriado. Por causa de sua esposa, “Conhece-se o seu marido nas portas, quando se assenta com os anciãos da terra” (Pv 31:23). Por causa das virtudes de sua esposa, ele a elogia e honra, e seus filhos, em vez de se rebelarem como tantas vezes acontece hoje, levantam-se e a louvam. Que harmonia e felicidade existem na família onde há o desejo de manter a ordem na família segundo a Palavra de Deus.

 

Considerações finais


No princípio, Deus não apenas criou o mundo, mas também estabeleceu uma ordem pela qual tudo funcionaria sem problemas. Cada parte ou entidade foi distintamente definida e cada uma recebeu sua própria regra. Isso é verdade em cada domínio – o físico, a planta, o animal e o humano. É com este último que este livreto se ocupa.


As Escrituras ensinam que Deus em Sua sabedoria escolheu dividir o domínio humano, como Ele fez com alguns dos outros, em segmentos masculinos e femininos. Da mesma forma, as Escrituras estabelecem a ordem: a saber, que o homem foi criado primeiro e a mulher foi criada para ser sua auxiliadora. A ordem de Deus nunca muda. Tiago, um dos primeiros servos de Deus, foi inspirado a escrever: “O Pai das luzes, em Quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1:17). Aqui temos autoridade divina para manter uma ordem exatamente como Deus a estabeleceu.


O escritor não espera que o conteúdo deste livreto ganhe a aprovação de não-Cristãos. Uma das primeiras características registradas da natureza humana é a tendência à corrupção (veja Gênesis 6:11-12). É, portanto, consistente com a natureza de homens e mulheres não regenerados que a ordem que Deus estabeleceu seja corrompida. Não para nossa surpresa, homens e mulheres estão negando as distinções que Deus fez entre eles e estão simultaneamente definindo papéis para si mesmos que Deus nunca lhes deu.


O escritor ora para que este livreto seja usado para abençoar os crentes no Senhor Jesus Cristo. Pois embora tenhamos um novo nascimento, uma natureza que responde à ordem de Deus, temos dentro de nós a velha natureza que ainda tem todas as tendências que tinha antes de nossa conversão. Além disso, vivemos em uma atmosfera não Cristã. As práticas corrompidas desse ambiente nos contaminam e influenciam nosso pensamento. Por esta razão, Paulo nos advertiu: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento [da vossa mente – ARA], para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. (Rm 12:2). Se desejarmos algo menos do que aquela “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” na questão da ordem homem-mulher, certamente estamos nos conformando com o mundo. Se continuarmos a ignorar a direção e a ordem de Deus, isso nos levará a fazer parte da ordem corrompida que este mundo está estabelecendo. No princípio Deus estabeleceu uma ordem que Ele poderia abençoar: “Macho e fêmea os criou; e os abençoou” (Gn 5:2). Como é triste negar a nós mesmos e a nossas famílias essa bênção.


O assunto é abordado com considerável apreensão. Não é tanto o medo de ir contra a corrente do pensamento moderno que dá apreensão, mas sim o medo de polarizar e dividir os Cristãos pela menção do assunto. Nossa comunhão e base para adoração juntos são fundamentadas em verdades simples, mas maravilhosas, relativas à Pessoa e obra de nosso Senhor Jesus Cristo. No entanto, é muito frequente que ocorra divisão e a verdadeira comunhão seja quebrada por desacordo em questões muito menos fundamentais. Certamente, se nosso desejo é simplesmente cumprir Sua vontade, em vez de apoiar nossas próprias tradições ou estilos de vida atuais, podemos nos beneficiar de um exame do que as Escrituras dizem sobre o papel do homem e da mulher na ordem de Deus para família Cristã.


J. Dods

 




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