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Alimento Espiritual e Exercício (Agosto de 2017)



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ÍNDICE


Tema da Edição

W. J. Prost

P. Wilson (adaptado)

Bible Herald (adaptado)

Verdade Cristã (adaptado)

W. J. Prost

H. H. Snell (adaptado)

E. Dennett (adaptado)

H. C. Anstey (adaptado)

W. Kelly (adaptado)

Verdade Cristã

J. N. Darby

J. D. Smith


 

Alimento Espiritual e Exercício


“Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram... e naquela noite nada apanharam”. A busca por alimentos e exercícios espirituais sem o Senhor é um desperdício de tempo e energia e não produz nada. “E, sendo já manhã, Jesus Se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus”. Quando deixamos o Senhor fora de nossa vida, rapidamente O perdemos de vista. “Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.” Seja honesto com o Senhor; Ele sabe que os seus esforços sem Ele não têm produzido nada. “E Ele lhes disse: Lançai a rede à direita do barco e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes”. Precisa de comida? Adquira isso fazendo o que o Senhor diz. “Logo que saltaram em terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Vinde, jantai”. Aceite o convite d’Ele. Coma a comida que Ele preparou para você. “Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lho, e, semelhantemente, o peixe”. Nunca! Jamais coma alimentos que você não pode comer com o Senhor. “E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro... Apascenta os Meus cordeiros”. Você não pode alimentar os outros a menos que tenha primeiro comido do alimento dado pelo Senhor e esteja desfrutando da comunhão com Ele. (João 21).

 

Apetite, Comida e Exercício


Alguns aspectos de dietas e exercícios parecem estar na capa de quase todas as revistas de hoje em dia! As pessoas estão muito preocupadas com sua saúde e seu bem-estar natural. Com a grande variedade de alimentos disponíveis nos países ocidentais hoje, muitos estão se voltando para dietas incomuns e às vezes bizarras, pensando que elas são o segredo para uma boa saúde. O exercício também tem um lugar cada vez maior na vida de muitos, seja correndo na rua ou em uma esteira todos os dias ou algo mais sério, como musculação ou maratonas.


No entanto, lemos em 1 Timóteo que “o exercício corporal para pouco [tempo se] aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir” (1 Tm 4:8). É importante cuidar do nosso corpo natural, mas ainda mais importante para nós é nos mantermos em boa saúde espiritual.


Apetite

Um indivíduo com uma boa saúde natural tem um apetite por comida, e isso se aplica ainda mais para alguém que se exercita regularmente. Um corpo saudável tem um apetite saudável e o mesmo acontece espiritualmente. Um crente saudável também tem um bom apetite espiritual. De acordo com Pedro, o crente em Cristo deseja “o genuíno leite espiritual” (1 Pe 2:2 – ARA), assim como um bebê saudável quer leite natural. Precisamos de alimento para crescer naturalmente e precisamos de alimento espiritual para crescer espiritualmente. Mas há uma grande diferença entre comer do natural e comer do que é espiritual. Nas coisas naturais, comer satisfaz; nas coisas espirituais, quanto mais você come, mais você quer!


Há três razões pelas quais um indivíduo pode não ter apetite pelo alimento espiritual. Em primeiro lugar, ele pode não ser um verdadeiro crente de forma alguma. Um incrédulo pode se disfarçar como sendo um crente por um longo tempo e pode até mesmo ler a Palavra de Deus intelectualmente, mas não há interesse real nela. “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2:14). Não pode haver crescimento se não houver uma nova vida.


Segundo, um crente pode não ter apetite por uma boa comida espiritual por estar espiritualmente doente. Ele pode ter se afastado do Senhor e se entregou a algo que destruiu seu apetite. Neste caso, ele precisa de remédio, e isso é encontrado na Palavra de Deus, assim como nossa comida é encontrada lá. Mas ele pode precisar de alguém para administrá-la a ele, pois pode não perceber exatamente o que precisa. Como um médico bem treinado pode administrar remédios a alguém que está doente no sentido natural, alguém com o dom de pastor pode administrar remédio espiritual a um crente que precise dele. O remédio não nutre nem produz crescimento, mas restaura a saúde, de modo que quem a recebe pode voltar a ser capaz de ingerir alimentos.


Em terceiro lugar, um crente pode estar cheio de alimento espiritual de má qualidade e, portanto, não tem apetite pelo alimento bom. Ceder à uma leitura superficial ou que promova a má prática ou a má doutrina, ou ambas, são exemplos de má alimentação. É triste dizer que muitos crentes hoje estão saciados com comida ruim e, portanto, não têm apetite por boa comida. “E ninguém, tendo bebido o vinho velho, quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho” (Lc 5:39).


Alimentos

Nós já falamos da Palavra de Deus como sendo nosso alimento, e também sobre alimento bom e ruim. Entretando, também podemos mencionar que enquanto nosso alimento é encontrado por meio da Palavra de Deus, o próprio Cristo é a nossa comida. Nosso Senhor pôde falar de Si mesmo como sendo o Pão da vida em conexão com a Salvação, “Eu Sou o pão da vida” (Jo 6:35), mas Ele também fala de Si mesmo como sendo a comida do Cristão em sua vida aqui, “Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, assim quem de Mim se alimenta também viverá por Mim” (Jo 6:57). Alimentando-nos constantemente de Cristo, alimentamos a nova vida e isso é absolutamente essencial para o crescimento espiritual.


Nós nos alimentamos de Cristo em mais de uma maneira, e isso é representado pelos israelitas em sua jornada, saindo do Egito até Canaã. Eles se alimentaram de Cristo como o cordeiro assado no Egito, em conexão com a salvação deles. Então, se alimentaram d’Ele no deserto como sendo o maná, falando de Sua perfeita Humanidade, e assim Ele é nosso alimento perfeito para o deserto. Finalmente, eles se alimentaram d’Ele como o “o trigo da terra, do ano antecedente” quando entraram na terra de Canaã. Poderíamos chamar isso de alimento para o conflito, pois, para gozar da terra, eles deveriam se engajar na guerra. Assim, se quisermos desfrutar de nossas bênçãos celestiais, devemos estar preparados para o conflito espiritual, alimentando-nos de um Cristo ressuscitado e glorificado.


Maneiras adequadas de comer

Assim como há maneiras adequadas de comer o alimento natural, também existem maneiras adequadas para comer espiritualmente. Primeiramente, a alimentação deve ser regular, em quantidades razoáveis, e não apressadamente. Devemos também meditar no que comemos, como os animais chamados ruminantes, que mastigam o alimento que retorna do seu estômago.


Segundo, é bom comer com outras pessoas e não comer sempre sozinho. Outros podem prover ajuda e alimento para nós e o desfrute de Cristo juntos não apenas aumenta nosso apreço por Ele, mas também aumenta nosso crescimento espiritual.


Em terceiro lugar, a oração é muito importante, pois nos leva à presença de Deus e, entre outras coisas, nos permite desfrutar do alimento espiritual que temos comido. Também nos dá forças para colocar em prática o que temos aprendido.


Finalmente, devemos lembrar que é necessário esforço para se obter boa comida espiritual. Nós apreciamos mais o que exigiu algum esforço para conseguir. Para termos boa comida, precisamos de disciplina e diligência, assim como os israelitas precisavam dessas coisas para obter o maná. Também podemos aproveitar o que outra pessoa juntou, assim como é bom experimentar o que outras pessoas prepararam nas coisas naturais. Mas fazer isso continuamente não está certo nas coisas naturais nem nas espirituais; todos devemos procurar colher nosso próprio alimento. O clero desenvolveu-se, em parte, porque os crentes estavam com preguiça de procurar por sua própria comida; eles preferem pagar alguém para fazer isso por eles.


Exercício

Nós todos sabemos que, nas coisas naturais, o crescimento é o resultado de uma boa dieta e exercício. No entanto, devemos lembrar que, nas coisas espirituais, o crescimento será mais visto naquilo que somos, e não no que fazemos. Se a nossa vida está em ordem, então o nosso serviço seguirá. Mas, para ser saudável, tanto natural como espiritualmente, o exercício é necessário. Falando em um sentido espiritual, não devemos apenas digerir o que comemos, mas devemos andar conforme o que comemos. Então somente assim o alimento é verdadeiramente nosso. Se não andarmos naquilo que aprendemos, vamos perdê-lo, pois Deus não permitirá que tenhamos a teoria da verdade em nossa cabeça sem sua prática em nossa caminhada.


O exercício espiritual não é tão visto nas grandes coisas, mas é visto nas decisões e ações cotidianas da vida. Muito do nosso Cristianismo será vivido em nossa caminhada diária onde estaremos preparados para grandes conflitos. Vemos isso em Davi, que primeiro teve que aprender a lutar contra o leão e o urso fora dos olhos do público antes que ele pudesse enfrentar Golias. Se em nossa caminhada diária estivermos em comunhão com o Senhor, estaremos em boa forma espiritual para os conflitos ocasionais que possam acontecer. Mas mesmo se, em algum momento particular, não estivermos enfrentando conflito direto, ainda assim descobriremos que “em razão do costume” teremos nossos “sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5:14). Devemos também lembrar que é preciso muita força espiritual – e talvez mais – para sofrer por Cristo do que, talvez, fazer grandes coisas por Ele.


Finalmente, assim como a ingestão de alimentos deve ser regular, o mesmo deve acontecer com nosso exercício. Estamos todos familiarizados com aqueles que, em coisas naturais, ficam chateados por causa de sua condição física flácida e realizam um vigoroso programa de exercícios por algum tempo. Mas logo se cansam da disciplina necessária para mantê-la e voltam a um modo de vida sedentário. Nas coisas espirituais, assim como nas coisas naturais, é mais fácil observar os outros fazendo exercício, do que fazê-los nós mesmos. Um atleta que deseja se destacar em seu campo de atuação, subordina todo o resto de sua vida a esse objetivo; o crente deve fazer o mesmo se deseja correr “com paciência [perseverança], a carreira que nos está proposta” (Hb 12:1). Em um mundo de pecado e com o “pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb12:1), precisamos de controle próprio em todas as áreas de nossa vida.


Nosso Senhor Jesus Cristo definiu o caminho para nós e, assim como o Seu caminho terminou em glória, também estamos destinados à glória eterna. O esforço vale a pena!


W. J. Prost

 

Crescimento Espiritual


Nada entristece mais o coração de um verdadeiro servo de Cristo do que ver jovens santos que não fazem progresso espiritual. É prazeiroso encontrá-los tendo um bom começo, e não menos, vê-los crescendo e se tornando homens fortes em Cristo. Vê-los com pouco crescimento e atrofiados é um desgosto profundo demais para se expressar com palavras. O verdadeiro evangelista gosta de ouvir falar de seus conversos florescendo. Mas, quando este não é o caso, ele deve sentir um profundo pesar.


Se não houver crescimento, devemos tomar cuidado para que também não haja declínio. Às vezes, a decadência se instala antes que estejamos conscientes disso. A Efraim da antiguidade foi dito: “as cãs [cabelos brancos] se espalharam sobre ele, e não o sabe” (Os 7:9). Estar em declínio sem estar consciente disso é o pior estado de todos. É como um homem de negócios que está prestes a falir e ainda não sabe sua situação. Ele tem medo de fazer um balanço ou examinar seus livros. Quem não clamaria contra esse caminho tolo?


Existem três coisas necessárias para o crescimento espiritual. Primeiro, nutrição adequada. Em segundo lugar, exercício saudável. Em terceiro lugar, uma atmosfera pura.


A comida apropriada

Todos nós sabemos que o que nutriria e sustentaria um homem provavelmente arruinaria um bebê. Por outro lado, o que fortaleceria e ajudaria o crescimento de um bebê não capacitaria um homem a ter um dia duro de trabalho. Os bebês em Cristo devem ter o leite do evangelho e estar bem estabelecidos antes de estar preparados para entrar nas profundas coisas de Deus. Sabemos que muitos estão longe de ser estabelecidos na simples verdade do que é estar “em Cristo”, onde não há condenação. Seu gozo varia muito, e a maioria não conhece a respeito da paz estabelecida e do sólido descanso do coração na presença de Deus.


Aqueles que amam e cuidam das almas devem, em nossa opinião, prestar atenção ao tipo de comida que colocam diante delas. Carne na época certa é o que é correto a se dar. Paulo disse aos coríntios, que eram apenas bebês que precisavam de leite, “Todavia, falamos sabedoria entre os perfeitos”, o que significa plenamente desenvolvido [adulto] em contraste com os bebês. A mesma coisa é vista no bendito Senhor, quando disse aos Seus discípulos: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora”. A sabedoria divina é mais generosa e é mostrada ao ir ao encontro das almas onde elas estão. O próprio Senhor e Paulo, que estava cheio do espírito de seu Mestre, são exemplos disso.


O mesmo tipo de comida nem sempre pode ser o adequado para aqueles que podem não ser exatamente chamados de bebês. Nós nos sentamos à mesa de um amigo a quem foi ordenado viver principalmente com pão sem fermento, enquanto ele próprio tinha que repartir com os outros o que era muito mais palatável. Desta forma, ele foi mantido em boa saúde.


Exercício

Da mesma forma, se quisermos ser mantidos no gozo da saúde espiritual, devemos frequentemente nos abster do que pode ser mais tentador. Por exemplo, existem alguns tipos de livros em que pode não haver muito mal. Grande cuidado e sabedoria são necessários aqui. Muitos jovens santos foram enredados nessa direção e como consequência tinham a alma mal alimentada. Como resultado, tornaram-se tão fracos quanto os outros homens e foram levados a um grave perigo. Então, sinceramente dizemos: Tenham cuidado!


Um santo não exercitado é aquele que foi dormir. O sono não é a morte, mas indica uma falta de vigor espiritual. Tal era o estado de Pedro antes que ele negasse seu Senhor e Mestre. Ele estava dormindo quando seu Mestre estava em agonia. Isso não demonstrou falta de amor por seu Mestre, mas que seu amor não estava ativo. “Simão... nem uma hora pudeste vigiar Comigo?” Quão profundamente comovedor é este apelo! Se Pedro tivesse sido divinamente exercitado, isso teria traspassado sua alma como se fosse uma espada.


Vigiar é o contrário. O que vigia está completamente acordado. Todas as suas faculdades espirituais estão em exercício. Isso é o mais necessário, porque o inimigo de nossa alma está sempre em alerta para nos prender numa armadilha de algum tipo. Muitas vezes somos pegos desprevenidos porque não estamos vigiando em oração.


Nós perdemos muito, e talvez de forma irrecuperável por não estarmos exercitados e prontos para responder ao Senhor quando Ele fala conosco. Assim como a noiva em Cantares 5: “Já despi as minhas vestes; como as tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?” Que indiferença isso indica! Ele tinha batido, dizendo: “Abre-me, irmã minha, amiga minha, pomba minha, minha imaculada, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos, das gotas da noite”. Ela foi quem perdeu. Para sua perda, ela descobre que Seu amor era tão zeloso que não aceitava indiferença. Ela pôde sentir sua própria apatia. Ele não gosta que Seu amor seja desprezado. Não é que o amor do Senhor mude para com os Seus, mas Ele pode achar conveniente mudar Seus modos para produzir o exercício do coração e levá-los a julgar tudo o que impediria que Ele fosse tudo para eles.


Às vezes Ele tem que nos permitir passar por aflições e profunda tristeza de algum tipo quando Ele vê que nada mais ajudará em nosso estado. Os santos aflitos são geralmente os mais brilhantes. Nunca saberemos o quanto fomos ajudados em nossa senda Cristã por coisas que naturalmente não gostamos, até que olhemos para traz e vejamos nossas histórias à luz de Sua bendita presença em glória.


O Senhor nos guarda acima de todas as coisas de estarmos não exercitados e do declínio de alma!


A atmosfera do amor

Se habitualmente procurarmos viver na atmosfera pura do amor de Deus, isso terá um efeito muito saudável e estimulante sobre nossa alma. Tudo nessa atmosfera é revigorante. O desfrute da presença de Deus eleva nossa alma acima de tudo que está no mundo. “Porque a Tua benignidade é melhor do que a vida”. Isto é, o desfrute do amor de Deus é melhor que a maior bênção terrenal. “Bem-aventurado o homem cuja força está em Ti”. E não é de admirar, pois ele encontra todo o seu recurso em Deus e é fortalecido e feito feliz. “Na Tua presença há abundância de alegrias”. A plenitude de alegria é a satisfação perfeita e, portanto, somos preservados de desejar o que não satisfaz. “Uma coisa pedi ao SENHOR e a buscarei: que possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do SENHOR e aprender no Seu templo.” Ele Se deleita em tornar-Se conhecido para a alma que O busca. Ele nunca desilude qualquer um cujo desejo é real. “Pois fartou a alma sedenta e encheu de bens a alma faminta”.


A atmosfera do amor é encontrada na companhia dos santos. Se amarmos a Deus e nos deleitarmos em Sua presença, amaremos aqueles que são nascidos d’Ele. Se os amamos, preferiremos sua companhia a qualquer companhia mundana por mais agradável que pudesse ser. Tudo isso nos dá força e promove o crescimento de acordo com Deus.


Se encontrássemos santos que não tivessem muito desejo pela companhia e comunhão do povo de Deus, certamente diríamos que seria um mau sinal. Se eles preferissem se associar àqueles que, por mais agradáveis e refinados que fossem, pertencem ao mundo, não deveríamos hesitar em dizer que, nessa situação, deve haver declínio interior.


Costuma-se dizer que as pessoas são conhecidas por aqueles com quem andam, e há muita verdade nisso. A alma verdadeiramente sincera e piedosa sempre cultivará a convivência com aqueles que são mais espirituais do que ela. Vamos, então, procurar crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a Quem seja glória para todo o sempre.


P. Wilson (adaptado

 

Graça com Exercício Espiritual


Com relação ao nosso estado espiritual diante de Deus, se acharmos que estamos fracos e sem comunhão, devemos considerar isso seriamente e não prosseguir em uma condição sem gozo. Se fôssemos ameaçados com uma doença grave, adiaríamos o uso dos remédios necessários? Então, por que não parar quando nossa alma está em desordem e resolver as coisas antes que qualquer doença espiritual severa nos atinja? A libertação de um estado não espiritual de alma só pode ser remediada pelo Espírito Santo, dando um novo exercício para a alma e novas revelações de Jesus em Sua atração para o coração. Além disso, quando a comunhão é interrompida, deve haver confissão e, sob a ação graciosa da advocacia celestial de Cristo, ela será restaurada. O principal é abandonar a tentativa de conseguir isso por nós mesmos. Confessemos tal estado mau e a falta de gozo no Senhor, e nos ponhamos diante d’Ele em toda nossa infelicidade, mas no reconhecimento e confissão de nossa real condição, e deixemos que Ele lide conosco como Ele achar melhor. Se tudo for lançado a Deus na confiança de fé e verdadeira dependência, Ele nos concederá graça e nos encherá com a luz e gozo de Sua própria presença.


As respostas

Se somos levados a agir assim da parte de Deus, a mudança pode ser instantânea. O Senhor pode estar trabalhando para nos deixar de joelhos, porque Ele quer nos dar novas bênçãos no Espírito. Mas isso pode durar algum tempo antes que a bênção do Senhor seja concedida. E mesmo que haja demora, vamos esperar inteiramente em Deus; a bênção virá no devido tempo. Temos um notável exemplo de demora no caso de Daniel, pois lemos que “eu, Daniel, estive triste por três semanas completas” (Dn 10:2). Mas quando a resposta chegou, lemos: “Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia, em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras” (Dn 10:12). O exercício continuou por “três semanas completas”, mas agora ele é informado de que suas palavras foram ouvidas desde o primeiro dia. Eu me referi a essa notável experiência de Daniel para mostrar que nossas “palavras” podem ser ouvidas “desde o primeiro dia”, e ainda assim o exercício da alma que nos esmaga até o chão e tira toda a nossa força pode continuar e a resposta pode vir somente depois de algum tempo.


A experiência de Paulo

Não podemos dizer que essa é uma experiência judaica somente, pois lemos sobre o apóstolo Paulo passando por um exercício semelhante e experimentando uma demora similar. “Foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar” (2 Co 12:4). E ele nos diz: “E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim” (2 Co 12:7-8). A expressão “três vezes “, fala da súplica contínua e da demora da resposta. E quando veio, não foi a remoção do espinho, mas a graça suficiente para suportá-lo. “E disse-me: A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9).


Paulo recebeu uma coisa muito melhor do que aquilo que havia pedido. O aumento do poder de Cristo para suportar o espinho e para ser forte no poder de Cristo eram certamente bênçãos bem maiores do que a remoção da fonte de sua fraqueza. O espinho o levou a orar ao Senhor; a demora trouxe exercício espiritual à alma e exigiu repetidas orações. Mas quando a voz do Senhor é ouvida, transmite tanta segurança a ponto de Paulo se gloriar em suas fraquezas, para que o poder de Cristo possa repousar sobre ele. Mas seja “Daniel o profeta” ou “Paulo o apóstolo”, a lição é a mesma – que somos lançados inteiramente nos braços do Senhor quanto ao trato divino, ao exercício espiritual e à libertação espiritual. Nós mesmos devemos ser reduzidos a nada; “nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Co 1:9). Isso é descrito de maneira mais detalhada mais adiante na mesma epístola: “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte” (2 Co 4:7-12). Esta foi a experiência do apóstolo em conexão com o evangelho da glória de Cristo e o seu ministério. O “vaso” contendo o tesouro de um Cristo glorificado foi quebrado em pedaços para que a luz pudesse brilhar.


A vida de Jesus

Quanto mais peso e pressão sobre o homem exterior, mais a vida de Jesus era manifestada. Quanto mais o vaso era quebrado, mais o testemunho de Cristo brilhava, e quanto mais a fraqueza do homem era sentida, mais o poder de Deus era experimentado. Toda o livre viver espiritual é consequência da sentença de morte em nós e da confiança em Deus, pois é na medida em que trazemos em nosso corpo a morte de Jesus que a vida de Jesus se manifesta em nosso corpo. A vida Cristã era, para Paulo, uma coisa muito séria: “Porque para mim o viver é Cristo” (Fp 1:21). A vida Cristã para ele era “Cristo” – ele estava vivendo uma vida de fé e comunhão, e expressou os traços de Cristo em sua vida diária. Nossa vida, motivo, poder, objetivo e fim é Cristo. Temos Cristo diante de nós como nosso Objetivo e nosso Prêmio, e nosso gozo está n’Ele. “Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos” (Fp 4:4), e naquele momento o homem que disse isso estava na prisão! Ele mostrou tal superioridade às circunstâncias, na energia divina em que atuava, que a prisão não era nada para ele. Seu desejo era alcançar o objetivo em glória e tê-Lo lá como ganho.


Bible Herald (adaptado)

 

Provando que o Senhor é Benigno


Tendo já provado “que o Senhor é benigno”, chegamos à Sua Palavra e recebemos d’Ele aquilo que precisamos para consolar, nutrir e renovar nossa alma. A Palavra vem sempre com sabor d’Ele mesmo. É conhecida como “a Palavra da sua graça”. Eu posso estudar a Palavra muitas vezes, mas a menos que eu entre em comunhão com Ele por dela, isso não me trará proveito, pelo menos não no momento.

Deus não revela Suas coisas “aos sábios e instruídos”, mas aos “pequeninos”. Não é a força da mente do homem que julga “as coisas de Deus” que recebe a bênção d’Ele; é pelo espírito do bebê que deseja “o genuíno leite espiritual”. Ele diz: “Abre bem a tua boca, e ta encherei” (Sl 81:10). A mente mais preparada deve chegar à Palavra de Deus como um “bebê recém-nascido”. E assim também falando da verdade de Deus: Sempre que não podemos falar “segundo as Palavras de Deus”, por meio do poder da comunhão, é nosso dever ficar em silêncio. Devemos ser cautelosos para não brincar com a verdade sobre a qual estamos incertos; Nada impede mais o crescimento do que isso, pois somos tentados a agir como mestres e não como aprendizes. Nossa posição em relação à verdade de Deus deve ser sempre a dos recém-nascidos que desejam “o genuíno leite espiritual”, para que “vades crescendo”.


Mas não há nada tão difícil para nosso coração como ser humilde, nada tão fácil como sair deste estado de humildade. Não é apenas por preceitos que somos levados a esse estado ou preservados nele; mas é provando “que o Senhor é benigno” (1 Pe 2:3). É bem verdade que Deus é um Deus que julga; Ele executará vingança contra Seus inimigos, mas não é desse modo que Ele Se posiciona em relação ao Cristão. Ele é conhecido por nós como “o Deus de toda graça”, e a posição em que estamos colocados é a de provar “que o Senhor é benigno”.


O coração natural

Como é difícil para nós acreditar nisso – que o Senhor é benigno! O sentimento natural de nosso coração é: Sei “que és homem rigoroso”. Se nossa vontade for frustrada, tenderemos a brigar contra os caminhos de Deus e ficaremos irados porque não podemos ter nosso próprio caminho. Talvez aconteça que esse sentimento não se manifeste, mas ainda assim, em todo caso, há a falta e a necessidade em todos nós, naturalmente, do entendimento da graça de Deus – a incapacidade de apreendê-la. Veja o caso do pobre pródigo no Evangelho; o pensamento da plenitude da graça de seu pai não tinha entrado em sua mente quando ele partiu de novo para sua casa, e, portanto, ele só contava em ser recebido como um “empregado contratado”. Mas o que o pai diz? Quais são os sentimentos do seu coração? “Trazei depressa a melhor roupa, vesti-lho, ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés; e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado” (Lc 15:22-24). Isso é graça – graça gratuita.


Assim também no caso da mulher samaritana que não conhecia o caráter d’Aquele que falava com ela. O Senhor lhe disse: “Se tu conheceras o dom de Deus e Quem é o que te diz: Dá-Me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva” (Jo 4:10). Se você apenas tivesse entendido o que é a graça, você teria pedido, e Eu teria dado.


Verdade Cristã (adaptado)

 

"Junk Food" – Comida Ruim


Todos nós estamos familiarizados com a chamada “junk food” [comida ruim]. Embora o termo seja provavelmente antigo, seu uso difundido começou por volta de 1972, e é geralmente atribuído a Michael Jacobson, dos EUA, que era diretor do Center for Science in the Public Interest [Centro para a Ciência no Interesse Público]. “Junk food” se refere ao alimento que tem pouco valor nutritivo, mas tem frequentemente quantidades elevadas de gordura, de açúcar, de sal e de calorias. A produção maciça desse tipo de comida apareceu em meados do século XX como resultado da mecanização, quando a manufatura começou a fazer comida processada com ingredientes mais baratos e menor valor nutricional. O método para produzir este tipo de alimento diminuiu seu valor nutricional.


Não precisamos dizer que esse tipo de alimento é mais fácil de se achar, mais fácil de preparar, e satisfaz razoavelmente, mesmo que apenas por um momento. Mas também é algo viciante, pobre em valor nutricional, e frequentemente cheio de calorias. O resultado foi quase uma epidemia de obesidade, aliada à má nutrição e ao aumento de distúrbios relacionados, como diabetes, doença da vesícula biliar e hipertensão.


“Junk Food” espiritual

Eu sugeriria que há uma contrapartida espiritual para tudo isso – o que poderíamos chamar de “junk food espiritual”. Assim como precisamos de uma dieta natural equilibrada, precisamos de uma dieta espiritual equilibrada. Precisamos daquilo que ministra Cristo à nossa alma e ocupa nosso coração com Ele. Podemos ter uma dieta de alimento espiritual que nos enche por um momento, talvez seja viciante, e também seja saborosa, e ainda assim não nutrir nossa alma da maneira correta. O que então é a “junk food espiritual”? Eu sugeriria que é uma dieta que nos ocupa constantemente conosco mesmo – nosso estilo de vida, nossos problemas, nossos relacionamentos; em suma, são coisas em que focamos mais do que em Cristo. Cristo pode ser levado a esse ministério, mas Ele é retratado principalmente como um generoso para com outros que está lá para nos guiar, suprir nossas necessidades, nos ajudar a lidar com crises e nos tirar de problemas.


Para ter certeza, nosso Senhor Jesus Cristo está lá para nos ajudar com as nossas necessidades e nos guiar nas dificuldades da vida. Ele quer que venhamos a Ele com problemas, pois Ele disse: “invoca-Me no dia da angústia: Eu te livrarei, e tu Me glorificarás” (Sl 50:15). Mas se vamos até Ele somente quando tivermos uma necessidade, então perderemos uma das principais bênçãos do Cristianismo. A Escritura nos diz que somos um com Cristo, já que agora estamos “em Cristo” quanto à nossa segurança eterna. Somos o Seu corpo, “porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos” (Ef 5:30 - ACF). Nós também somos Sua noiva, pois Paulo disse: “vos tenho preparado... como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (2 Co 11:2). Deus nos escolheu para fazer de nós um presente a Seu Filho e, como tal, é nossa companhia que Ele deseja acima de tudo.


Os propósitos de Deus

Mais do que isso, os propósitos de Deus são todos centralizados em Seu Filho amado, e é Ele Quem deve ter o primeiro lugar. Se vemos tudo apenas do nosso próprio ponto de vista, nossos pensamentos nunca podem se elevar acima de nós mesmos – nossas necessidades, nossos desejos e nossos problemas. Mas quando somos guiados pelo Espírito para ver tudo do ponto de vista de Deus, que visão se abre diante de nós! Nós vemos Seus propósitos em Cristo e como Ele está destinado a ser Cabeça sobre todas as coisas, tanto no céu quanto na Terra. Vemos Deus glorificado na obra de Cristo, não apenas por nossa causa, mas por ter removido o pecado do universo todo para sempre. (Isso ainda não aconteceu, mas a obra foi feita para que isso aconteça). Ansiamos, não apenas pela vinda de Cristo para nós, mas também por Seu aparecimento, quando Ele terá o Seu lugar de direito. Tudo isso não tira o nosso alimento espiritual, mas o aumenta. Uma dieta espiritual equilibrada sempre nos ocupa com Cristo. Aquele que está ocupado consigo mesmo nunca é feliz.


Com certeza, nem sempre é errado estarmos ocupados com nós mesmos, assim como coisas como rosquinhas e batatas fritas são boas para comer de vez em quando. No meio da tribulação ou quando pecamos, é necessário estar ocupado com o problema em nossa vida e ir ao Senhor para tratar disso. Mas mesmo em tudo isso, a honra e a glória de Cristo devem estar diante de nós, e não meramente nossa própria necessidade. O que aprendemos no meio de uma tribulação é mais importante do que a própria tribulação.


Bênçãos e misericórdias

Além disso, uma vez que Ele nos “abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3), não é errado estar ocupados com essas bênçãos. Mas note que essas são bênçãos, não misericórdias, e estão em lugares celestiais, ou talvez mais precisamente, “nos celestiais”. Como tais, elas estão conectadas com um Cristo ressuscitado em glória, e seu desfrute nos leva a uma esfera onde Ele é exaltado. O gozo dessas bênçãos nunca nos ocupa com nós mesmos ou com nossos problemas e dificuldades; em vez disso, nos eleva acima deles.


Essas coisas boas que estão conectadas com a vida aqui são denominadas de “misericórdias” na Escritura, não “bênçãos”, porque as misericórdias são temporárias. Elas são, é claro, dadas por Deus, pois Ele é chamado de “Pai das misericórdias” (1 Co 1 3), e nós O agradecemos por elas. Mais uma vez, porém, devemos nos lembrar de que a ocupação constante com misericórdias temporais não alimenta nossa alma nem nos ministra Cristo. Elas são certamente outro aspecto do cuidado do Senhor por nós, mas essas misericórdias nos são dadas “ocasionalmente” como uma ajuda e encorajamento. Nossa verdadeira ocupação é ter Cristo diante de nós e aprender mais sobre Ele.


Em grande parte da Cristandade de hoje, “junk food” espiritual é abundante na forma de vários livros de auto-ajuda, vídeos, leituras sem conteúdo, sites da Internet, música e afins. Mais uma vez, enfatizamos que há valor em nos alimentar deles, e eles podem ser de alguma ajuda. Às vezes, um donut rápido e uma xícara de café é um bom estimulante! Mas como uma dieta regular, não é boa para nós. Como a Escritura nos lembra, precisamos “tomar cuidado” (Lc 8:18) com a forma como ouvimos e comer uma dieta espiritual equilibrada. Só então haverá crescimento verdadeiro em nossa vida espiritual.


W. J. Prost

 

Preguiça Espiritual


Talvez uma das primeiras marcas externas do declínio interior de um Cristão seja a prontidão de arranjar desculpas para não ter devoção e diligência no serviço do Senhor. A mente humana pode facilmente imaginar ou inventar obstáculos para o serviço devotado e que honra a Deus, e quando isso é feito, em vez de permanecer na verdade a todo custo, um lugar de facilidades é prontamente encontrado. Quando perdemos a autoridade da Palavra em nossa consciência, que “a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer n’Ele, como também padecer por Ele” (Fp 1:29), podemos facilmente pensar em nossas facilidades pessoais e nos tornarmos fracos e impotentes quanto às coisas divinas. Em tal condição, não só deixamos nosso primeiro amor, mas também nos afastamos daqueles que defendem a verdade de Deus a todo custo. No entanto, estranho dizer, com todo esse declínio e indiferença à honra do Senhor, “Mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem” (Pv 26:16).


Marcas da preguiça

Outra marca de um homem preguiçoso é que ele não assa aquilo que ele pegou na caça (Pv 12:27). Ele pode associar-se com os santos de Deus, ouvir a Palavra ministrada com frescor e poder e até mesmo ficar impressionado com sua bem-aventurança e adequações a si mesmo, mas quando vai para o seu aposento, fica tão absorvido pelas coisas terrenais que não se interessa mais por elas. Como o prêmio do caçador, não lhe traz nenhum verdadeiro benefício, porque ele é indolente demais para se ocupar com isso meditando sobre a verdade para seu proveito presente. Ler ou ouvir a Palavra é uma coisa, mas “meditar nela dia e noite”, para o proveito de nossa alma é outra coisa.


Também nos é dito que “O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos” (Pv 15: 19 – ARA). Enquanto um Cristão espiritual e fervoroso pode se empenhar em aproximar-se de um crente nesta condição, ele pode concluir que somente Deus pode romper o “cercado de espinhos”. Quão verdadeiro também é dizer: “Também o negligente na sua obra é irmão do desperdiçador” (Pv 18:9). Oportunidades de honrar ao Senhor são perdidas, e os meios confiados à nossa mordomia são usados erroneamente; o tempo é mal gasto, e a saúde e a força desperdiçadas na rotina ou nos divertimentos dessa presente século mau. Qual é o dano disto ou daquilo? diz o homem preguiçoso, pouco pensando que alguém que está praticamente vivo para Deus e buscando a Sua glória nunca faria tal pergunta.


Desfrutar do amor

Quando deixamos de desfrutar do amor de Deus e quando o próprio Cristo não é mais o Objeto e a Esperança de nossos corações, começamos a ser Cristãos preguiçosos. Se sim, quão solene e esquadrinhadora é a advertência à vigiar e orar para que não entremos em tentação. O pensamento de alguns é: “Eu sei que estou salvo”, mas consideramos que, se o Espírito de Deus é entristecido ou extinto (Ef. 4:30; 1 Ts 5:19) pela nossa vida e caminhada, podemos perder o conforto e gozo de tais preciosas verdades, e até mesmo esquecer que nós somos salvos?


As Escrituras que temos examinado em geral têm uma aplicação individual, mas a assembleia de Deus é composta de indivíduos; é impossível estarmos corretos com Deus em um sentido corporativo, a menos que estejamos também individualmente. Uma assembleia reunida ao nome do Senhor sempre manifestará as qualidades morais daqueles que a compõem individualmente. As Escrituras nos lembram novamente que: “Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa” (Ec 10:18 – ARA). Onde existe sinceridade no serviço do nosso Senhor e caminhar fiel daqueles que estão esperando por Sua vinda, geralmente há conforto e bênçãos coletivamente. Mas onde, antes de tudo, há um conhecimento superficial da Escritura, combinado com uma falta de oração sincera e unida, aí haverá pouco cuidado espiritual manifestado pelos membros de Cristo, e a vida e poder da assembleia terá desaparecido.


Preguiça espiritual

Novamente, somos admoestados quanto a isso pelo homem sábio. Ele diz: “Passei pelo campo do preguiçoso... eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas” (Pv 24:30-31). Aqui vemos “espinhos”, o emblema do desprazer de Deus, em vez das árvores de Sua própria plantação; “urtigas” em vez de ramos frutíferos; e a “parede de pedra” de separação, outrora sólida, mas agora “em ruínas”, de modo que as más associações são facilmente encontradas e os maus que entram não são excluídos. Tudo isso está relacionado à indolência espiritual.


Mas podemos bem olhar para cima e encorajar nosso coração em Deus, enquanto nos encomendamos uns aos outros “ao Senhor e à Palavra da Sua graça” (At 20:32), Seu amor paternal não diminuiu. O Senhor ainda está conosco e todos os Seus recursos estão abertos à fé. Portanto, podemos exortar uns aos outros a sermos “firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1 Co 15:58).


H. H. Snell (adaptado)

 

Ministério Adequado: Leite ou Alimento Sólido?


Qual é o ministério adequado para os crentes neste momento? Uma Escritura citada frequentemente em resposta a essa pergunta está em 1 Pedro 2:2: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo”. É alegado por muitos que isso significa que “leite” é o alimento adequado para o jovem crente. No entanto, o ponto na Escritura é simplesmente que, assim como bebês recém-nascidos desejam leite, o crente deve desejar a Palavra de Deus.


O estado dos coríntios

Se nos voltarmos agora para outra passagem, teremos mais luz sobre nosso assunto. O apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios, diz: “Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens?” (1 Co 3:2-3). É claro, neste caso, que Paulo alimentou esses crentes com “leite” por causa de sua má condição, e se eles estivessem respondendo mais plenamente à graça de Deus, ele os teria alimentado com “alimento sólido” (ARA). Assumir, portanto, que os santos precisam apenas de “leite” é supor que eles estão em um estado igual ao dos coríntios. Aprendemos, além disso, que o ministério adequado a uma assembleia em um estado pode ser inteiramente inadequado para outra que está em um estado diferente. A questão pode ser levantada se houve o exercício suficiente de discernimento espiritual, quanto ao estado das almas, como um guia para o seu ministério. Nada é mais claro que isso, pois seria um erro total levar a verdade de Éfeso à uma assembléia em Corinto, ou a verdade coríntia à uma assembleia em Éfeso.


O estado dos hebreus

Outra Escritura pode ser mencionada. Começando a falar de Melquisedeque, Paulo se desvia e acrescenta: “Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das Palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na Palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal. Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição” (Hb 5:11-14; 6:1).


Há vários pontos aqui que precisam de muita atenção. O apóstolo lamenta a incapacidade dos santos de receber a verdade que ele tinha para lhes comunicar. Eles eram inábeis no uso da Palavra e se tornaram anões em seu crescimento. Eles ainda eram bebês e, por isso, a fervorosa exortação com a qual o capítulo 6 se abre. Que mestre poderia calmamente aceitar o estado deles e continuar os alimentando com leite, como se nada mais fosse necessário? Precisamos de Cristo em todo caráter, aspecto e ofício em que Ele é apresentado, e se falharmos em reconhecer isso, nos tornaremos tão pequenos quanto esses crentes hebreus.


Os tessalonicenses

Certamente alguém poderá retrucar: “mas lembre-se de quantas almas recém-convertidas existem. São verdadeiros bebês, e você não os alimentaria com “leite”? Nosso único guia é a Palavra de Deus, e temos no mínimo duas maneiras pelas quais o Espírito de Deus ministra aos tais. A epístola aos tessalonicenses foi escrita logo após a igreja haver se formado ali – provavelmente um ano após os santos terem se convertido dos ídolos. E o que nós encontramos? Na primeira epístola temos o retorno de nosso bendito Senhor apresentado em toda variedade de aspectos, e isto também, claramente distinto de Sua vinda para o mundo, além de uma grande quantidade de instrução prática para a edificação daqueles santos em sua santíssima fé. Na segunda epístola, o apóstolo vai ainda mais longe, ensinando o caráter pleno da Aparição de Cristo, a verdade do homem do pecado e o fato abençoado de que a Igreja deve ser tirada deste cenário antes que esse filho da perdição seja revelado. Ora, estes dificilmente podem ser chamados de assuntos elementares, mas foram destinados à instrução e conforto daqueles “bebês”, e eram de fato necessários para o entendimento do Cristianismo.


A família de Deus

Temos outro exemplo na primeira epístola de João. Dividindo toda a família de Deus em pais, jovens e crianças [filhinhos], de que maneira ele se dirige a essa última classe, a mais nova dentre os filhos de Deus? “Filhinhos”, começa ele, “é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo... (1 Jo 2:18). Ele então prossegue apontando o perigo que surge dos anticristos que já tinham aparecido. E coloca os “filhinhos” em guarda, dando os sinais do anticristo, e os leva à fonte de sua segurança em ter a unção do Santo e da Palavra de Deus. É, de fato, uma notável correspondência com o ensinamento de Paulo em 2 Tessalonicenses.


Aqui, então, temos sabedoria divina para nos guiar no ensino de “bebês”. Eles devem ser nutridos com a Palavra de Deus, devem ser fortalecidos contra o perigo pelas revelações e advertências que a Palavra proporciona, e devem ter um Cristo completo em tudo o que Ele é em Si mesmo, em tudo o que Ele é para Deus, e em tudo o que Ele é para eles, revelado assim para que eles possam crescer. Pode-se acrescentar que a manutenção da simplicidade na maneira de instruir é inteiramente consistente com a forma de guiar as almas no conhecimento de sua porção em Cristo, bem como dos perigos do caminho. Mas os tesouros divinos não devem ser para sempre retidos dos santos. Devemos deixar de apresentar, mesmo para os bebês, a verdade da morte e ressurreição com Cristo? Se assim for, os fundamentos do Cristianismo se irão, e nós facilmente voltaremos ao terreno judeu e a uma experiência judaica.


Que o Senhor nos faça a todos, seja qual for nosso estágio de crescimento, cada vez mais desejosos de segui-Lo, de modo a alcançar aquilo para o que também fomos alcançados por Cristo Jesus! (Fp 3:12 – AIBB)


E. Dennett (adaptado)

 

Crescimento Impróprio - Nanismo, Segunda Infância e Deformidade


Crescimento é o avanço natural dos filhos de Deus do estado de bebês para se tornarem “jovens e pais” em Cristo – ver 1 João 2:12-14. Mas esse crescimento pode ser impedido, regressivo ou não natural, e o estado espiritual consequentemente pode se tornar totalmente errado. Assim, há três estados deficientes de alma, ou estágios de crescimento deformados, nos filhos de Deus, a serem encontrados na Escritura, e também discerníveis entre os Cristãos em nossos dias. Todos os três são maus, porque todos surgem de um crescimento interrompido ou não natural. Primeiro, o estado anão – permanecer na condição de bebês; segundo, o estado da segunda infância, ou retornando a essa condição; e terceiro, o resultado de ambos – deformidade.


Bebês

O primeiro é ilustrado pelos coríntios, que ainda permaneciam na condição de bebês quando o apóstolo dirigiu sua primeira epístola a eles. “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis” (1 Co 3:1-2). A expressão “porque ainda” mostra que eles nunca haviam estado em nenhuma outra condição; eles tinham permanecido na condição de bebês. Os Cristãos nesse estado geralmente estão perfeitamente satisfeitos consigo mesmos e com o que sabem; eles nunca são encontrados andando na companhia de Paulo, como em 1 Coríntios 8:2.


Segunda infância

Em segundo lugar, há o estado da segunda infância; isso nós vemos na condição dos hebreus. Quando o apóstolo se dirigiu a eles, eles eram um pouco semelhantes aos coríntios, mas com esta diferença, os hebreus avançaram, mas depois retornaram ao estado de bebês. “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das Palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na Palavra da justiça, porque é menino” (Hb 5:12-13). “E vos haveis feito tais” mostra que eles haviam voltado a essa condição.


Nesse estado, você tem um crescimento não natural; o interior não acompanhou o ritmo exterior. É mais difícil de detectar, pois há toda a aparência externa de sabedoria e hombridade, mas é o entendimento e o poder que falta. O que pode ser mais triste do que ver a impotência e a inabilidade de ajudar na cabeça grisalha – a cabeça que deveria ter refreado a impetuosidade da juventude por seu prudente conselho, ou encorajado os débeis passos do bebê cambaleante?


Deformidade

Passo adiante para notar agora o terceiro estado – deformidade, cujo estado é algo repulsivo ao olho espiritual. Tomo como exemplo dos que estão nessa condição os santos abordados em 1 Coríntios e em Gálatas. É claro que, nas coisas naturais, a deformidade pode ser mental ou física; a da mente que é interna, ou a do corpo que é externa e mais visível. Isso também é verdade nas coisas de Deus, e ambas são ilustradas nessas duas epístolas. A doutrina estava errada com os gálatas e a prática com os coríntios; a deformidade interior é muito mais séria e solene que a outra. Com todo o terrível mal moral existente em Corinto, Paulo não dirige tão solenes advertências como dirige aos gálatas. Tendo começado no Espírito, os gálatas voltaram atrás e então foram impedidos de avançar. Obras legalistas foram adotadas, e eles não estavam mais “obedecendo à verdade” (Gl 3:1).


Não precisava de grande discernimento espiritual para detectar a deformidade em Corinto. Aquilo que era permitido entre eles era um escândalo “tal, qual nem ainda entre os gentios” (1 Co 5) se ouvia falar.


Recuperação

É uma questão de conforto que as almas nos três estados que estivemos considerando não estejam em um estado onde não há recuperação pela aplicação da Palavra no poder do Espírito de Deus, pois temos todas as três dificuldades abordadas nas passagens que tivemos diante de nós. Nada além da sabedoria divina pode ajudar essas almas em tal estado, mas outros têm o dever e o privilégio de ajudá-las a se recuperar.


O verdadeiro crescimento sempre se manifesta no aumento da ocupação da alma com a Pessoa de Cristo. Quando João escreve sobre os “pais”, ele diz que escreveu para eles porque “conheciam Aquele que é desde o princípio”. Isso é tudo o que ele diz sobre os pais; ele não lhes acrescenta mais nenhum conselho, não lhes dá mais ocupação. Mas ao não acrescentar nada, as instruções ficam claras, pois as poucas palavras que ele diz para eles ainda estão em vigor: “Vocês já começaram ocupando-se do céu e da eternidade, e eu não conheço mais nada além disso”. Assim, o verdadeiro crescimento foi manifestado. Não há crescimento senão pela Palavra. Se a princípio ela me deu vida, deve efetivamente funcionar agora em mim no que preciso crescer.


H. C. Anstey (adaptado)

 

Piedade


O exercício do exterior beneficia o físico, ou, como diz Paulo, “exercício corporal para pouco aproveita”. A piedade é um exercício espiritual e exige tanta vigilância constante quanto o santo controle próprio, como sujeição completa à vontade revelada de Deus, pois o treinamento para os jogos exige a abstinência habitual de todo hábito de relaxamento e prática diária em direção ao fim que se tem em vista. Quão pouco há do exercício da piedade, comparado ao exercício físico!


A piedade é proveitosa para todas as coisas, tendo a promessa da vida que é agora e da que está por vir. O Cristianismo não pode permitir nenhuma reserva, ainda que tudo seja por graça, por sua própria natureza precisa ter o homem por inteiro, morto para o pecado e vivo para Deus, desde a vida presente até a eternidade. E esse escopo prático da piedade é visto preeminente nas epístolas pastorais; não tanto o privilégio celestial ou o aspecto dispensacional, mas sim uma vida sadia e devotada de acordo com a piedade. Isso o apóstolo diz a Timóteo, como Timóteo foi orientado a dizer a outros.


W. Kelly (adaptado)

 

Vivendo pela Palavra


Na proporção em que desejamos o leite genuíno da Palavra, crescemos.


Precisamos tirar constantemente da fonte da vida – a fonte abençoada da verdade de Deus. Ali encontraremos nosso alimento diário ou o estimulante, o unguento e o remédio adequados à nossa necessidade. Seu poder no coração produz a expressão na vida.


Até que a Palavra tenha seu devido lugar no coração do crente, não há estabilidade; somos conduzidos por sentimentos, e quando eles falham, escassez e esterilidade vêm porque nós falhamos, assim, em cultivar nossa força, bebendo o leite genuíno da Palavra de Deus. A verdade não nos mantém; somente a dependência d’Aquele que é o Autor dela pode manter nossa alma avivada hoje. É um dia difícil para o povo de Deus, tão pouca energia e zelo, e o pior de tudo, negligência demais no estudo de Sua preciosa Palavra. Só isso é vida e medula para a alma, uma lâmpada para guiar, leite para amamentar e alimento para fortalecer.


Verdade Cristã

 

Crescimento


Se estamos crescendo pelo “genuíno leite espiritual” ... precisamos do ensinamento do Espírito Santo, e para isso deve haver o exercício de nós mesmos para a piedade – “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências”, para que o Espírito Santo não Se entristeça. O Cristão permitiu que a inveja, a astúcia e as hipocrisias trabalhassem em seu coração? Não pode haver crescimento no verdadeiro conhecimento das coisas de Deus.


O grande segredo do crescimento é olhar para o Senhor como sendo Benigno.


J. N. Darby

 

Vinde, jantai ( João 21:12)


O alimento na praia aquela manhã foi deixado

– “Tens comida, ó cansados? A Mim respondei”

Frustrados, nenhum peixe na rede foi encontrado

Porém, Ele, com amor os convida: “Vinde, comei”.


O que fez daqueles peixes especiais em seu sentido?

Do que falam a nós, carentes, até hoje quando ouvimos?

Que lição profunda há, que ensino a nós provido?

Através dum simples peixe, que atitude discernimos?


O alimento Ele deu, ficou claro Seu cuidado!

Não pela força do homem, que nada de si mesmo tem:

Ansioso, sempre falho, se por sua conta deixado –

Mas lá na praia, se lembre, tinha pão e um peixe também.


Se um dia, esquecendo do Seu chamado e cuidado

Do serviço que Ele pede: “Filhos, tal coisa fazei?”

Também Ele falharia no amor que a nós sempre é dado?

Ou nos poria uma mesa, dizendo: “Vinde, comei?”


J. D. Smith

 

“Abre bem a tua boca, e ta encherei”

Salmo 81:10


 



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