Castigo (Novembro de 2021)

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INDÍCE

Castigo

Christian Truth

As Maneiras de Deus Lidar Conosco

W. J. Prost

Retribuição, Castigo e Purificação

Girdle of truth

Sofrer por Cristo e Castigo

Girdle of Truth

Lições da Aflição

J. N. Darby

O Consolo de Deus

J. N. Darby

Uma Reação Correta

W. J. Prost

Uma Raiz de Orgulho

Sound Words

A Firmeza do Amor na Disciplina

Girdle of Truth

Feito de Bom Material

J. N. Darby

Castigo

J. G. Deck



Castigo


O Senhor dá à nossa alma “descanso dos dias da adversidade” (TB) através da comunhão com Ele, não apenas comunhão na alegria, mas na santidade. As circunstâncias são usadas apenas para derrubar a porta e deixar Deus entrar. Deus está perto da alma quando Ele, na certeza do amor, entra nas circunstâncias e é conhecido como melhor do que qualquer circunstância.


O Senhor nunca castiga sem razão para isso, e mesmo assim, “Bem-aventurado é o homem a quem Tu castigas, ó SENHOR” (Sl 94:12 – KJV). Não existe palavra mais maravilhosa do que essa! Se a alma estiver julgando a si mesma, frequentemente haverá angústia e tristeza, mas os efeitos são abençoados. O que precisamos imensamente é de intimidade de alma com Deus, descansando com tranquilidade n’Ele, ainda que tudo seja confusão e tumulto ao nosso redor. “Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, Tuas consolações deleitam a minha alma” (Sl 94:19 – KJV).


Nossa porção não é apenas conhecer as riquezas da graça de Deus, mas o segredo do Senhor – ter intimidade de comunhão com Ele em Sua santidade. Então, por mais adversas que sejam as circunstâncias, a alma repousa tranquila e firmemente n’Ele.


Christian Truth (adaptado)



As Maneiras de Deus Lidar Conosco


O título desta edição da revista O Cristão é “Castigo”, mas nem todas as maneiras de Deus lidar conosco ao nos moldar e nos conformar à imagem de Cristo são castigo, estritamente falando. Na fala cotidiana, a palavra carrega o pensamento de correção por meio de punição, enquanto na Escritura a palavra é frequentemente usada em um sentido mais amplo e também pode se referir a disciplina ou treinamento, sem necessariamente definir as maneiras e meios que são usados. Há várias maneiras pelas quais o Senhor treina Seus filhos, todas descritas para nós na Palavra de Deus. Vamos dar uma olhada nelas e em alguns exemplos na vida de Seus filhos na Escritura. Usaremos cinco palavras[1] para definir essas maneiras de Deus lidar, todas começando com a letra “P”.


Preparatória

A primeira que iremos considerar é “preparatória”. Quando o Senhor tem algo para fazermos para Ele, ou talvez algo que suportaremos por Ele, geralmente Ele nos prepara para isso, colocando-nos em circunstâncias menores que nos fortalecem e nos permitem experimentar Seu amor e cuidado por nós. Ele nos mostra como essa “tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança” (Rm 5:3-4). Então, ao talvez enfrentarmos uma prova maior ou embarcarmos em uma obra para o Senhor, estamos prontos para agir ou perseverar com certo grau de confiança no Senhor, tendo experimentado Seu cuidado por nós no passado.


Como exemplo disso, vemos que Davi, embora tivesse sido ungido rei, foi obrigado a fugir de Saul e a passar vários anos como fugitivo, caçado como “uma perdiz nos montes”. Por vezes, ele foi provado com bastante severidade, a ponto de uma ou duas vezes sua fé vacilar, e ele desertar para os filisteus. Outras vezes, seus próprios seguidores se voltaram contra ele, e seu único recurso foi encontrar ânimo “no Senhor seu Deus” (1 Sm 30:6). Alguém colocou muito bem: “Aquele que iria ser rei e conduzir seu povo a um relacionamento mais íntimo com o Senhor deveria, antes de tudo, aprender a confiar apenas no Senhor quando todos falharam para com ele”. Vários salmos foram escritos durante esse período de rejeição de Davi, e a preparação valeu muito a pena.


Preventiva

Em seguida, encontramos o oposto de preparatória, que é “preventiva”. Nosso bendito Senhor e Mestre, que conhece o fim desde o princípio em nossa vida, às vezes pode intervir para evitar que fracassemos no futuro. Ele pode nos fazer passar por uma experiência que não entendemos no momento e para a qual parece não haver nenhum motivo particular. Pode acontecer de examinarmos nosso coração (e é bom que o façamos!), porém sermos incapazes de detectar, na presença do Senhor, qualquer coisa em que precisemos de correção. Mas, com o passar do tempo, nos vemos colocados em uma circunstância ou situação que realmente nos testa, e descobrimos que o que experimentamos da parte do Senhor nos impede de tomar uma decisão errada, ou talvez até mesmo de cair em pecado.


Encontramos um exemplo disso em Paulo, a quem foi dado “um espinho para a carne” (2 Co 12:7 – JND), depois de ter sido arrebatado ao terceiro céu. Enquanto lá em cima, ele não precisava desse espinho, mas, após ser trazido de volta à Terra, havia o perigo de que ele se “exaltasse pela excelência das revelações” (v. 7 – ACF). O “espinho para a carne” era para evitar essa exaltação indevida, mas era evidentemente muito penoso para Paulo. Ele rogou “ao Senhor três vezes” para que aquilo se afastasse dele, mas no fim aprendeu por meio de tudo a “gloriar-se nas [suas] fraquezas, para que o poder de Cristo repousasse sobre [ele] (v. 9).


Purificadora

Encontramos a palavra “limpa” em João 15:2: [...] todo o [ramo] que dá fruto [Ele] limpa, para que produza mais fruto” (ARA). Essa é uma ação do Senhor muito positiva, pois o agricultor poda cuidadosamente uma boa árvore que dá fruto para que ela possa dar ainda mais fruto. Assim, o Senhor treina, de uma forma muito cuidadosa, um crente que está dando fruto para Ele. Pode haver um traço de caráter, uma tendência carnal, ou mesmo uma atividade específica em que temos prazer, que não seja pecaminosa em si, mas que impede nosso crescimento espiritual e nossa utilidade ao Senhor. O Senhor pode trazer isso diante de nós de várias maneiras a fim de nos purificar (ou podar) daquilo que é prejudicial para nós.


Vemos um exemplo disso na vida de Abraão. Ele era um homem piedoso, cuja vida de fé é mencionada por toda a Palavra de Deus. Ainda assim, por duas vezes ele disse que sua esposa, Sara, era sua irmã – primeiro no Egito, e mais tarde para Abimeleque e seu reino. A repreensão de Abimeleque foi mais severa do que aquela que veio de Faraó no Egito, e evidentemente Abraão aprendeu a lição, pois não lemos que ele tenha dito isso novamente a respeito de Sara. Contudo, notamos que não houve uma repreensão direta do Senhor. A comunhão cuidou disso, e a repreensão de Abimeleque foi suficiente para podar aquela parte ruim do ramo.


Provadora

Esta maneira de Deus lidar conosco é talvez a mais difícil de entender, porém é a que o Senhor usa com os melhores de Seus filhos. Todos nós sabemos que, quando os homens desejam testar algo que fizeram, eles não testam apenas em condições ideais. Não, eles o testam em condições severas, para ver se resiste às cargas e às tensões dessas condições. O mesmo acontece com o Senhor, pois, se Ele sempre permitisse apenas condições de “tempo bom” entre o Seu povo, o mundo bem poderia dizer, como disse Satanás a respeito de Jó: “Porventura, teme Jó a Deus debalde? Porventura, não o cercaste Tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está aumentado na Terra” (Jó 1:9-10). Assim, o Senhor às vezes permite a pior das circunstâncias na vida dos melhores de Seus santos, a fim de mostrar o que Sua graça pode fazer e como um crente pode superar as mais severas provações em comunhão com Ele.


O próprio Jó é um exemplo disso, pois está registrado que “em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2:10), e Satanás foi totalmente derrotado. Mas talvez um exemplo melhor seja Estêvão em Atos 7, que, mesmo com uma multidão de judeus fanáticos tendo arremetido contra ele e o apedrejado até a morte, pôde fixar “os olhos no céu” e ver “a glória de Deus” (At 7:55). Suas últimas palavras foram: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (v. 60). Sua morte é um exemplo do que um crente pode suportar quando está andando com o Senhor e tem uma visão da glória vindoura. Quantas cenas assim têm sido testemunhadas ao longo dos séculos, quando crentes fervorosos morreram alegremente por Cristo ou talvez tenham suportado enfermidades dolorosas e prolongadas com alegria!


Punitiva

Finalmente, chegamos ao que podemos chamar de disciplina “punitiva”. Esse tipo de tratamento por parte de Deus com Seu povo é, sem dúvida, o que causa verdadeira tristeza ao Seu coração, da mesma forma que lidar com uma criança dessa maneira causa tristeza ao coração de pais piedosos. Há um governo na casa de Deus, e, quando seguimos deliberadamente uma conduta contrária à mente de Deus e à Sua Palavra, Ele pode acabar tratando conosco com séria disciplina. Tudo isso é em amor, pois “quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Co 11:32). Nesse capítulo em particular, a disciplina envolveu muitos dentre eles ficando “fracos e doentes” e muitos que morreram. Da mesma forma, João em seu ministério se refere a um “pecado para morte” (1 Jo 5:16), onde a conduta do crente é tão desonrosa para o Senhor que ele é levado para casa na morte. No entanto, essa disciplina pode não ir tão longe, mas pode, por exemplo, assumir a forma de doença, acidente ou reveses financeiros. Eu soube de um caso, muitos anos atrás, em que um irmão seguiu uma conduta obstinada e carnal, perturbando a paz de sua assembleia local e geralmente causando problemas. No fim, ele se envolveu em um grave acidente automobilístico que quase tirou sua vida. Felizmente, ele tirou proveito de tudo aquilo e foi restaurado em sua alma.