Castigo (Novembro de 2021)

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INDÍCE

Castigo

Christian Truth

As Maneiras de Deus Lidar Conosco

W. J. Prost

Retribuição, Castigo e Purificação

Girdle of truth

Sofrer por Cristo e Castigo

Girdle of Truth

Lições da Aflição

J. N. Darby

O Consolo de Deus

J. N. Darby

Uma Reação Correta

W. J. Prost

Uma Raiz de Orgulho

Sound Words

A Firmeza do Amor na Disciplina

Girdle of Truth

Feito de Bom Material

J. N. Darby

Castigo

J. G. Deck


 

Castigo


O Senhor dá à nossa alma “descanso dos dias da adversidade” (TB) através da comunhão com Ele, não apenas comunhão na alegria, mas na santidade. As circunstâncias são usadas apenas para derrubar a porta e deixar Deus entrar. Deus está perto da alma quando Ele, na certeza do amor, entra nas circunstâncias e é conhecido como melhor do que qualquer circunstância.


O Senhor nunca castiga sem razão para isso, e mesmo assim, “Bem-aventurado é o homem a quem Tu castigas, ó SENHOR” (Sl 94:12 – KJV). Não existe palavra mais maravilhosa do que essa! Se a alma estiver julgando a si mesma, frequentemente haverá angústia e tristeza, mas os efeitos são abençoados. O que precisamos imensamente é de intimidade de alma com Deus, descansando com tranquilidade n’Ele, ainda que tudo seja confusão e tumulto ao nosso redor. “Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, Tuas consolações deleitam a minha alma” (Sl 94:19 – KJV).


Nossa porção não é apenas conhecer as riquezas da graça de Deus, mas o segredo do Senhor – ter intimidade de comunhão com Ele em Sua santidade. Então, por mais adversas que sejam as circunstâncias, a alma repousa tranquila e firmemente n’Ele.


Christian Truth (adaptado)


 

As Maneiras de Deus Lidar Conosco


O título desta edição da revista O Cristão é “Castigo”, mas nem todas as maneiras de Deus lidar conosco ao nos moldar e nos conformar à imagem de Cristo são castigo, estritamente falando. Na fala cotidiana, a palavra carrega o pensamento de correção por meio de punição, enquanto na Escritura a palavra é frequentemente usada em um sentido mais amplo e também pode se referir a disciplina ou treinamento, sem necessariamente definir as maneiras e meios que são usados. Há várias maneiras pelas quais o Senhor treina Seus filhos, todas descritas para nós na Palavra de Deus. Vamos dar uma olhada nelas e em alguns exemplos na vida de Seus filhos na Escritura. Usaremos cinco palavras[1] para definir essas maneiras de Deus lidar, todas começando com a letra “P”.


Preparatória

A primeira que iremos considerar é “preparatória”. Quando o Senhor tem algo para fazermos para Ele, ou talvez algo que suportaremos por Ele, geralmente Ele nos prepara para isso, colocando-nos em circunstâncias menores que nos fortalecem e nos permitem experimentar Seu amor e cuidado por nós. Ele nos mostra como essa “tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança” (Rm 5:3-4). Então, ao talvez enfrentarmos uma prova maior ou embarcarmos em uma obra para o Senhor, estamos prontos para agir ou perseverar com certo grau de confiança no Senhor, tendo experimentado Seu cuidado por nós no passado.


Como exemplo disso, vemos que Davi, embora tivesse sido ungido rei, foi obrigado a fugir de Saul e a passar vários anos como fugitivo, caçado como “uma perdiz nos montes”. Por vezes, ele foi provado com bastante severidade, a ponto de uma ou duas vezes sua fé vacilar, e ele desertar para os filisteus. Outras vezes, seus próprios seguidores se voltaram contra ele, e seu único recurso foi encontrar ânimo “no Senhor seu Deus” (1 Sm 30:6). Alguém colocou muito bem: “Aquele que iria ser rei e conduzir seu povo a um relacionamento mais íntimo com o Senhor deveria, antes de tudo, aprender a confiar apenas no Senhor quando todos falharam para com ele”. Vários salmos foram escritos durante esse período de rejeição de Davi, e a preparação valeu muito a pena.


Preventiva

Em seguida, encontramos o oposto de preparatória, que é “preventiva”. Nosso bendito Senhor e Mestre, que conhece o fim desde o princípio em nossa vida, às vezes pode intervir para evitar que fracassemos no futuro. Ele pode nos fazer passar por uma experiência que não entendemos no momento e para a qual parece não haver nenhum motivo particular. Pode acontecer de examinarmos nosso coração (e é bom que o façamos!), porém sermos incapazes de detectar, na presença do Senhor, qualquer coisa em que precisemos de correção. Mas, com o passar do tempo, nos vemos colocados em uma circunstância ou situação que realmente nos testa, e descobrimos que o que experimentamos da parte do Senhor nos impede de tomar uma decisão errada, ou talvez até mesmo de cair em pecado.


Encontramos um exemplo disso em Paulo, a quem foi dado “um espinho para a carne” (2 Co 12:7 – JND), depois de ter sido arrebatado ao terceiro céu. Enquanto lá em cima, ele não precisava desse espinho, mas, após ser trazido de volta à Terra, havia o perigo de que ele se “exaltasse pela excelência das revelações” (v. 7 – ACF). O “espinho para a carne” era para evitar essa exaltação indevida, mas era evidentemente muito penoso para Paulo. Ele rogou “ao Senhor três vezes” para que aquilo se afastasse dele, mas no fim aprendeu por meio de tudo a “gloriar-se nas [suas] fraquezas, para que o poder de Cristo repousasse sobre [ele] (v. 9).


Purificadora

Encontramos a palavra “limpa” em João 15:2: [...] todo o [ramo] que dá fruto [Ele] limpa, para que produza mais fruto” (ARA). Essa é uma ação do Senhor muito positiva, pois o agricultor poda cuidadosamente uma boa árvore que dá fruto para que ela possa dar ainda mais fruto. Assim, o Senhor treina, de uma forma muito cuidadosa, um crente que está dando fruto para Ele. Pode haver um traço de caráter, uma tendência carnal, ou mesmo uma atividade específica em que temos prazer, que não seja pecaminosa em si, mas que impede nosso crescimento espiritual e nossa utilidade ao Senhor. O Senhor pode trazer isso diante de nós de várias maneiras a fim de nos purificar (ou podar) daquilo que é prejudicial para nós.


Vemos um exemplo disso na vida de Abraão. Ele era um homem piedoso, cuja vida de fé é mencionada por toda a Palavra de Deus. Ainda assim, por duas vezes ele disse que sua esposa, Sara, era sua irmã – primeiro no Egito, e mais tarde para Abimeleque e seu reino. A repreensão de Abimeleque foi mais severa do que aquela que veio de Faraó no Egito, e evidentemente Abraão aprendeu a lição, pois não lemos que ele tenha dito isso novamente a respeito de Sara. Contudo, notamos que não houve uma repreensão direta do Senhor. A comunhão cuidou disso, e a repreensão de Abimeleque foi suficiente para podar aquela parte ruim do ramo.


Provadora

Esta maneira de Deus lidar conosco é talvez a mais difícil de entender, porém é a que o Senhor usa com os melhores de Seus filhos. Todos nós sabemos que, quando os homens desejam testar algo que fizeram, eles não testam apenas em condições ideais. Não, eles o testam em condições severas, para ver se resiste às cargas e às tensões dessas condições. O mesmo acontece com o Senhor, pois, se Ele sempre permitisse apenas condições de “tempo bom” entre o Seu povo, o mundo bem poderia dizer, como disse Satanás a respeito de Jó: “Porventura, teme Jó a Deus debalde? Porventura, não o cercaste Tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está aumentado na Terra” (Jó 1:9-10). Assim, o Senhor às vezes permite a pior das circunstâncias na vida dos melhores de Seus santos, a fim de mostrar o que Sua graça pode fazer e como um crente pode superar as mais severas provações em comunhão com Ele.


O próprio Jó é um exemplo disso, pois está registrado que “em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2:10), e Satanás foi totalmente derrotado. Mas talvez um exemplo melhor seja Estêvão em Atos 7, que, mesmo com uma multidão de judeus fanáticos tendo arremetido contra ele e o apedrejado até a morte, pôde fixar “os olhos no céu” e ver “a glória de Deus” (At 7:55). Suas últimas palavras foram: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (v. 60). Sua morte é um exemplo do que um crente pode suportar quando está andando com o Senhor e tem uma visão da glória vindoura. Quantas cenas assim têm sido testemunhadas ao longo dos séculos, quando crentes fervorosos morreram alegremente por Cristo ou talvez tenham suportado enfermidades dolorosas e prolongadas com alegria!


Punitiva

Finalmente, chegamos ao que podemos chamar de disciplina “punitiva”. Esse tipo de tratamento por parte de Deus com Seu povo é, sem dúvida, o que causa verdadeira tristeza ao Seu coração, da mesma forma que lidar com uma criança dessa maneira causa tristeza ao coração de pais piedosos. Há um governo na casa de Deus, e, quando seguimos deliberadamente uma conduta contrária à mente de Deus e à Sua Palavra, Ele pode acabar tratando conosco com séria disciplina. Tudo isso é em amor, pois “quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Co 11:32). Nesse capítulo em particular, a disciplina envolveu muitos dentre eles ficando “fracos e doentes” e muitos que morreram. Da mesma forma, João em seu ministério se refere a um “pecado para morte” (1 Jo 5:16), onde a conduta do crente é tão desonrosa para o Senhor que ele é levado para casa na morte. No entanto, essa disciplina pode não ir tão longe, mas pode, por exemplo, assumir a forma de doença, acidente ou reveses financeiros. Eu soube de um caso, muitos anos atrás, em que um irmão seguiu uma conduta obstinada e carnal, perturbando a paz de sua assembleia local e geralmente causando problemas. No fim, ele se envolveu em um grave acidente automobilístico que quase tirou sua vida. Felizmente, ele tirou proveito de tudo aquilo e foi restaurado em sua alma.


Um exemplo na Palavra de Deus pode ser o rei Josias. A respeito dele, está registrado que “antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao SENHOR com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a Lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro tal” (2 Rs 23:25). Ele foi um dos reis mais piedosos de Judá, e a Páscoa que celebrou no décimo oitavo ano de seu reinado foi o ponto alto de sua carreira. Mas os próximos 13 anos de sua vida são passados em silêncio, e, quando ele insistiu em sair à guerra contra Neco, rei do Egito, o Senhor permitiu que ele fosse morto. Está solenemente registrado que ele “não deu ouvidos às palavras de Neco, que saíram da boca de Deus” (2 Cr 35:22).


Sabemos que um verdadeiro santo de Deus nunca pode perder sua salvação, contudo é solene pensar em sermos colocados sob o governo de Deus por desobediência deliberada. Contudo, mais uma vez, vale muito a pena, se temos proveito com isso. Deus não nos leva embora na morte como a primeira voz para a nossa alma. Sem querer ir além da Escritura, creio que houve outras vozes menores da parte do Senhor a Josias durante os 13 anos anteriores à sua morte. Ele evidentemente não deu atenção a elas e, por fim, foi morto em batalha. Que possamos tirar proveito do que “dantes foi escrito”.


W. J. Prost


 

Retribuição, Castigo e Purificação


Quanto mais aplicarmos nosso coração à sabedoria, melhor entenderemos as maneiras como Deus trata conosco. Se estivermos atentos ao propósito dessas maneiras, descobriremos que a maioria delas está compreendida sob três aspectos, cada qual distinto em seu caráter, intenção e efeito produzido na alma. Antes de traçar os exemplos de cada ação na Escritura, permita-me declarar o que acredito serem suas respectivas características.


Retribuição considero como pertencente, nitidamente, ao governo de Deus no mundo e ao governo do Senhor na Igreja. O princípio está incorporado nesta passagem: “Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mt 7:2).


Castigo é de outra ordem e é mais quando negligenciamos nosso chamado, como Jacó em Salem; o Senhor vem para remover o peso que obstrui nosso caminho. Talvez haja uma posição errada que não queremos renunciar, mas à qual, sendo um obstáculo para o nosso progresso, alguma aflição é enviada para efetuar a correção necessária.


Purificação entendo ser a ajuda que alguém recebe para separar-se de uma associação no momento, durante o serviço. Ela nos permite realizar com mais eficácia o propósito da alma. A grande característica dessa ação é que a alma prontamente a aceita como uma ampliação no serviço em que está empenhada. Podemos agora examinar essas ações um pouco melhor.


Retribuição

Muitas vezes, é muito difícil identificar a causa da retribuição. Uma grande razão para isso é que Deus, em Sua misericórdia, muitas vezes permite que o tempo passe antes de infligir o que Seu justo governo exige. A morte é a primeira e maior retribuição: “No dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17). Essa é a primeira penalidade judicial associada a uma infração da justa lei do governo de Deus. A maldição de Caim é um exemplo de simples retribuição rapidamente instituída, enquanto o sofrimento de seus dois filhos foi um castigo a Adão, e vemos o fruto disso quando ele escolhe o nome de Sete. Tudo o que Abrão sofreu por causa de Agar era retribuição, pois, se ele não tivesse descido ao Egito, não teria encontrado com ela. Na história de Davi, encontramos um exemplo de cada. Quando, no caso de Bate-Seba, ele atenta contra Deus, ele sofre retribuição com a sentença de que a espada não se apartaria de sua casa; ele também é castigado, pois seu filho morre. A retribuição acontece à parte do castigo, mas a alma exercitada pode usá-la como castigo, embora possa não ser infligida primariamente por esse motivo. “Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” explica muitas provações pelas quais o povo de Deus passa.


Castigo

Quanto ao castigo, acho que podemos dizer que há três ordens de correção: a primeira e mais feliz é a denominada “purificação”, que iremos observar em breve. A segunda é aquela correção enviada para nos fazer renunciar ao que o fracasso nos conduziu e que está atrapalhando nosso progresso. Para isso, a alma é submetida a dor e exercício, e é “depois” que se produz o “fruto pacífico da justiça”. Isso é facilmente compreendido, pois nunca vemos nitidamente alguma coisa até que estejamos a uma certa distância dela. Essa ordem do castigo é sempre “de tristeza”, e, enquanto ele dura, há mais ou menos uma sensação de distanciamento entre o Pai e a alma. Com a “purificação”, não há absolutamente nenhuma.


Almas descuidadas

A terceira ordem da correção é quando Deus castiga os que são Seus, mas eles não percebem. Almas descuidadas são frequentemente admoestadas e nunca sabem o porquê, mas o Senhor faz isso para justificar Seu próprio cuidado, para que, quando os olhos delas forem abertos, possam se lembrar da correção d’Ele.


Este é, em certo sentido, trabalho infeliz e trabalho a contragosto, se assim posso dizer, para o Senhor, mas Ele deve justificar a Si mesmo, Seu cuidado e Sua correção, ainda que pouco apreciada. Mas Ele sempre corrige o mínimo possível e sempre corrige mais onde encontra mais aceitação dela.


Um exemplo notável desta terceira ordem do castigo pode ser encontrado nos primeiros sofrimentos de Ló em Sodoma – aqueles relatados em Gênesis 14, dos quais Abrão o libertou. Temos ali o Senhor tratando com uma alma não exercitada, e, embora isso não tenha sido aceito como correção na época, mais tarde, quando seus olhos foram abertos pela catástrofe final, Ló certamente deve ter percebido que Deus o estava alertando.


Purificação

Purificação foi como denominei o primeiro aspecto do castigo ou correção, tendo esta característica especial, de que a alma que é purificada está em plena afinidade com o Purificador e alegremente se aproveita do processo que remove seja o que for que impede seu serviço. É disso que o Senhor fala em João 15:2, onde Ele diz:“todo o [ramo] que dá fruto [Ele] limpa, para que produza mais fruto” (ARA). A alma convicta de sua culpa recebe com prazer os meios de se endireitar.


Moisés foi purificado quando lhe foi dito para tirar os sapatos dos pés, pois o lugar em que ele estava era terra santa. E Paulo, quando estava na prisão (resultado de sua própria falha), foi aliviado do medo pela visão à noite. Considero a bênção de Melquisedeque como uma purificação para Abraão, porque o separou das expectativas terrenas. Fixou-o no futuro de forma mais clara, e assim permitiu que ele, alguém que já dava fruto, a dar “mais fruto”, recusando todas as ofertas do rei de Sodoma. Quando procuramos realmente servir, somos libertados do que impediria nosso serviço, e isso é purificar devidamente. Não é necessariamente acompanhada de sofrimento, porque seu grande objetivo é dissociar a alma daquilo de que ela deseja livrar-se.


Efeitos

Quanto ao efeito produzido por essas maneiras de tratar, estou inclinado a pensar que, em casos de retribuição, não há maleabilidade da alma até que a tristeza passe. Os sofrimentos retributivos, quando aceitos, sempre nos levarão à humilhação em vez de real frutificação. Eles podem nos preparar para esta última, mas a tendência do homem natural ao passar por esse tipo de sofrimento é a autojustificação, e geralmente temos que ser ensinados a aceitar a punição pela nossa iniquidade não como uma compensação por ela, mas como um justo pagamento pela ofensa para com Deus. Podemos ter “procurado fazer em oculto”, como Davi fez, mas os inimigos do Senhor blasfemaram por causa disso. A experiência dele dada no Salmo 51 mostra-nos a condição adequada da alma em tais ocasiões, e [é] aquela que conduzirá à libertação total. Assim será com Israel nos últimos dias. Os sofrimentos retributivos de Davi foram seguidos de castigo, pois Absalão e outros de sua família morrem, mas ele retorna ao trono, trazendo o “fruto pacífico da justiça”.


Qualquer sofrimento é castigo ou correção, se o efeito disso é nos levar a Deus. E, quando o aceitamos como algo que nos leva para Ele, sabendo que é necessário para nós, então o castigo avançou para a purificação. A purificação frequentemente segue a ordem inferior da correção, não obstante é distinta dela e sempre produz alegria e vigor para a alma, maior produção de frutos e liberdade para o serviço.


Girdle of Truth, Vol. 6 (adaptado)


 

Sofrer por Cristo e Castigo


Hebreus 12:1-13

Quando olhamos para Jesus como um Homem na glória, vemos alguém que chegou ao fim do percurso. Ele correu todo o percurso da fé, passou por todas as provações; Ele começou e terminou. Você nunca se encontrará em algum lugar de provação, onde um crente pode ser encontrado no caminho da obediência, em que Cristo não tenha estado. Ele pisou todo o caminho e está sentado à direita do trono de Deus. É para lá que a estrada leva, então não desista da cruz. Jesus a carregou e assentou-se lá – é algo pelo que vale a pena correr. Ele veio em divino amor, mas andou no caminho em que nós devemos andar com todos os motivos que nos sustentam e animam. Ele tinha diante de Si a alegria de estar diante de Deus naquele bendito lugar. Que consolo no caminho da dificuldade e provação ver que Ele já tudo pisou e em tudo foi sustentado da mesma maneira que nós somos!


Sofrimento e castigo

Ao longo de todo o caminho, conforme passamos em direção ao descanso na glória, Deus está exercitando nosso coração para nos tornar participantes de Sua santidade. Esses exercícios têm um caráter duplo: “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado” (Hb 12:4). Aqui temos dois princípios que somente o Espírito de Deus poderia conectar: o primeiro, resistir até ao sangue, no qual seria sofrer até a morte por Cristo; o segundo, ao mesmo tempo sofrer em conflito contra o pecado, pelo qual ele é, na prática, julgado em nós. Deus conecta nossa luta contra o pecado com sofrer por Cristo; resistir até o sangue é morrer por Cristo, mas, como isso está no conflito com o pecado, não pode ser verdadeiramente levado adiante quando o princípio do pecado e nossa própria vontade estão ativos em nós. Consequentemente, esse mesmo sofrimento serve como disciplina, e assim no próximo versículo é acrescentado, “Filho meu, não desprezes o castigo do Senhor” (KJV). Quem iria pensar em Deus nos castigando justamente quando estamos sofrendo por Cristo? Mas é assim, pois o eu é muito sutil; ele se confunde até mesmo com o sofrimento por Cristo e atrapalha nosso serviço, e podemos temer até mesmo desonrá-Lo ao invés de servi-Lo. Somos propensos a ficar desanimados quando temos que nos julgar em meio ao conflito, e até podemos ser tentados a sentar e não fazer absolutamente nada. O julgamento de si mesmo é correto, mas não o desânimo. Suponha que eu esteja servindo a Cristo e fique desanimado na batalha. Por que isso acontece? Confiança no meu próprio mau uso de poder – falta de fé em Deus fazendo Sua obra. Agora, o que Deus está fazendo? Deus está usando o desânimo para me exercitar a julgar a mim mesmo. Não há uma etapa de nossa vida que não faça parte do processo no qual Deus está tratando conosco. É um processo para quebrar a carne para me fazer depender da salvação de Deus. Após essa libertação, é um processo de experiências para me exercitar a andar com Deus. A questão da libertação nunca precisa ser levantada novamente, mas há uma série de coisas a serem julgadas para que eu possa desfrutar da comunhão com Deus.


Moisés

Em Moisés, temos um exemplo dessas duas coisas; ele estava sofrendo por Cristo e também por causa de sua carne, ao mesmo tempo. O Espírito de Deus nos fala do brilhante caminho de fé em que ele estava andando quando se juntou aos filhos de Israel (Hb 11:24-26), mas a carne o acompanha, e, com uma mistura de energia humana, alimentada pela posição em que havia estado, ele mata o egípcio. Deus certamente permitiu isso para que a ruptura fosse completa, mas Moisés depois temeu a ira do rei. Em suas ações, ele olha para um lado e para outro, e quando o negócio é descoberto, ele foge. Ele estava, principalmente, sofrendo por Cristo – levando o vitupério de Cristo da maneira mais abençoada, mas havia muito para ser purificado e subjugado nele; e, se ele teve que fugir por ter-se identificado com o povo de Deus, ele teve que passar por aquela disciplina de 40 anos para se desgarrar de toda confiança na força humana. Quando isso se vai, vemos quão pouca coragem a carne consegue ter diante da dificuldade. Agora, embora a carne tenha de fato mostrado sua fraqueza, Moisés pode ser um deus (juiz) para o Faraó.


Paulo

Em Paulo, também, vemos a mesma coisa. Um espinho na carne é dado a ele, para que não fosse exaltado acima da medida. Vemos nele a ação da devoção na vida divina e a ação da carne sendo contida por aquilo que o tornaria passível de desprezo em sua pregação (veja Gálatas 4:13-14). Quando o apóstolo, portanto, sentia o espinho, ele estava realmente sofrendo por Cristo, contudo aquilo era necessário para conter a carne. Esse é o efeito dessa graça maravilhosa que usa aqueles que ainda precisam aprender para si mesmos como vasos da glória e verdade divinas para ensinar a outros. O vaso deve ser tratado, tanto quanto usado. Deus, num certo sentido, tendo dado ocasião ao perigo de exaltação própria de Paulo pela abundância da revelação concedida a ele, o protegeu do perigo.


Como é precioso esse constante cuidado de Deus! Ele está sempre cuidando de nós. Os hebreus estavam tornando-se mundanos, e a perseguição vem. É sofrer por Cristo, e ainda assim pelo pecado. E a mão de Deus está lá para dar, através de tudo isso, sentidos exercitados para discernir o bem e o mal. A obra está acontecendo, mesmo que eu não saiba tudo o que está acontecendo, e só saiba depois. Quando a obra termina, eu me torno mais espiritual e sou, então, capaz de ver o que Deus estava fazendo o tempo todo. A Sua obra Ele continua para a Sua glória. O castigo nem sempre é por causa de transgressão, mas, se não for, é por causa do princípio que produz a transgressão ou que poderia produzi-la.


Girdle of Truth, Vol. 3 (adaptado)


 

Lições da Aflição


É evidente que as aflições são provas de fé, bem como o castigo; portanto, não devemos supor que o que nos acontece é sempre com o propósito de castigo propriamente dito. Existe disciplina, bem como castigo; isso é o que purifica, o que ajuda a mortificar a carne, o que quebra a vontade e ajuda, por meio de uma obra interior, a nos proteger das tentações exteriores. Caso contrário, essas tentações nos surpreenderiam, por causa da leviandade inata do coração, que se entrega à vaidade tão facilmente se não houver nada para contrabalançar. Não falo de leviandade exterior, mas dessa tendência, tão natural para nós, de esquecer a presença de Deus. Então, há o castigo, a disciplina e a provação da fé. O castigo deve afetar a consciência, despertando-a para qualquer fracasso (por meio da operação do Espírito Santo que a acompanha), mas ao mesmo tempo a obra não está completa até que a raiz do fracasso seja descoberta na consciência, e isso se aplica a todos os tipos de disciplina.


Falta de dependência e orgulho

Falta de dependência de Deus e orgulho podem nos levar a muitos fracassos; a alma não é restaurada antes que aquilo que deu ocasião a esses fracassos seja julgado no coração. A disciplina se aplica mais à condição da alma. Existem coisas como negligência, orgulho, esquecimento interior de Deus – mil coisas que precisam da faca de poda do Lavrador –, e é mesmo necessário que as coisas que não estejam expostas diante da consciência sejam impedidas de agir no coração. A carne precisa ser assim controlada de antemão.


O aperfeiçoamento da nova criatura

Mas existe um aperfeiçoamento da nova criatura, o qual deixa espaço para provações: Cristo passou por elas. Embora o novo homem seja em si perfeito, ainda assim há progresso. Em nós, os vários tipos de provações estão misturados; em Cristo, havia apenas este último: a experiência do que Ele não havia passado antes. Não que Ele não tenha sido sempre perfeito, mas Ele “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (ARA); Sua fé e obediência foram postas à prova por circunstâncias cada vez mais difíceis, e isso até a morte. Sua perfeição não estava no agir, mas no sofrer; no sofrimento, houve uma entrega mais completa de Si mesmo. Foi assim também com o apóstolo Paulo; encontramos isso mais particularmente em Filipenses. Deus permite que o inimigo coloque dificuldades no caminho do novo homem. Uma provação vem; a energia do novo homem é exercitada por ela; ele é fortalecido por ela e, no final, obtém a vitória. Se uma pessoa não age segundo a fé, ela recua, perde a alegria, ou no mínimo a luz do Espírito Santo. O novo homem, embora perfeito em sua natureza, é um ser dependente. Esse é o lugar que Cristo assumiu.


O velho e o novo homem

Às vezes, provações externas são necessárias, para que possamos distinguir entre o que é do velho homem e o que é do novo, os quais frequentemente são confundidos em nosso enganoso coração. Quando permanece no coração qualquer gemido que não seja proferido a Deus como a um Deus de graça, qualquer falta de confiança n’Ele, é a carne e a obra do inimigo. Quando não seguimos em frente quando Deus apresenta o caminho, por causa de alguma dificuldade, a carne age e o Espírito é entristecido. Tenham confiança n’Ele e regozijem-se em Seu amor. Podemos estar abatidos às vezes (embora raramente não seja por falta de fé), e ainda assim todas as coisas continuam bem, se levarmos tudo a Deus. Se for apenas provação, certamente seremos consolados; se houver falha em nós, ela será descoberta ali. Não importa como as coisas estejam, vamos a Ele; Sua paz guardará nosso coração.


J. N. Darby (adaptado)


 

O Consolo de Deus


No Salmo 94, vemos, primeiro, o tumulto dos inimigos e, então, que Deus fez isso. Assim é constantemente com o santo na provação: ele vê a obra de Satanás, então vê a mão de Deus nela e recebe benção. Todo o presente efeito destas condutas do “ímpio” é: “Bem-aventurado é o homem a quem Tu castigas, ó Jeová, e a quem ensinas da Tua lei, para lhe dares descanso dos dias maus, até que se abra a cova para o ímpio” (Sl 94:12-13 – JND). A cova ainda não foi aberta; o trono da iniquidade ainda não foi derrubado. Se, por castigo, o poder do adversário está contra nós, o objetivo do Senhor em tudo isso é dar “descanso dos dias maus”.


Não falo apenas de sofrer por Cristo. Se somos envergonhados por causa do nome de Cristo, é somente para alegria e triunfo, e glória para nós, mas também me refiro àquelas coisas em que pode haver a “multidão de [...] pensamentos dentro” (ACF), porque vemos que temos andado de forma inconsistente e descuidada nos caminhos de Jeová. Ainda assim, “Bem-aventurado é o homem a quem Tu castigas, ó Jeová”. Jeová não castiga de bom grado sem necessidade para isso. E, quando houver fracasso ou inconsistência que trazem castigo, Ele transformará a ocasião do castigo em remoção do mal do coração que precisa ser castigado. No castigo, Jeová lança o coração de volta sobre as fontes que ocasionaram o mal. Com isso, a alma é despida para a aplicação da verdade de Deus nela, para que a Palavra possa voltar para casa com poder. Ela é ensinada por que foi castigada, e não apenas isso, mas também é trazida para o segredo do coração de Deus; ela aprende mais do caráter d’Ele, o Qual “não rejeitará o Seu povo, nem desamparará a Sua herança” (v. 14). O que Deus deseja para nós não é somente que tenhamos privilégios a nós conferidos, mas que tenhamos comunhão com Ele próprio. Por meio desses castigos, toda a estrutura do coração é colocada em associação com Deus. E isso o estabelece e firma na certeza da esperança que a graça oferece.


Olhe para Pedro depois que o inimigo o cirandou (peneirou). Embora sua queda tenha sido extremamente humilhante e amarga, por meio dela ele obteve um conhecimento mais profundo de Deus e um conhecimento mais profundo de si mesmo, para que pudesse aplicar a seus irmãos tudo o que aprendeu.


Descanso da adversidade

O Senhor dá à nossa alma “descanso dos dias da adversidade” pela comunhão com Ele – comunhão não apenas na alegria, mas na santidade. Somos assim trazidos para o segredo de Deus. As circunstâncias são usadas apenas para derrubar a porta e deixar Deus entrar. Deus está perto da alma quando Ele, na certeza do amor, entra nas circunstâncias e é conhecido como melhor do que qualquer circunstância.


Jeová nunca castiga sem razão para isso, e mesmo assim, “Bem-aventurado é o homem a quem Tu castigas, ó Jeová”. Não existe palavra mais maravilhosa do que essa! Não digo que um homem consiga dizer isso sempre enquanto debaixo de castigo, porque, se a alma estiver se julgando, frequentemente haverá angústia e tristeza, entretanto os efeitos são abençoados. O que queremos é que todos os nossos pensamentos, maneiras e ações da vontade sejam removidos e que Deus seja tudo. Todo castigo deve ter, em princípio, o caráter de governo nele, porque é Deus tratando com Seu povo em justiça (conforme é dito, “Se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um” – 1 Pe 1:17), e não nas soberanas riquezas da graça. É Deus não permitindo nada no coração que seja inconsistente com essa santidade da qual o crente foi feito participante. É, de fato, a mais abençoada graça que carrega todas as dores conosco, mas esse não é o caráter que o castigo assume.


Intimidade com Deus

O que precisamos, mais do que qualquer coisa, é de intimidade de alma com Deus, descansando com tranquilidade n’Ele, ainda que tudo seja confusão e tumulto ao nosso redor. Quando o homem deste salmo teve Deus perto de seu coração, embora a iniquidade abundasse, ela foi apenas o meio de tornar as “consolações” de Deus conhecidas à sua alma, como é dito, “Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, Tuas consolações deleitam a minha alma” (v. 19 – KJV). Nossa porção não é apenas conhecer as riquezas da graça divina, mas o segredo do Senhor – ter intimidade de comunhão com Ele em Sua santidade. Então, por mais adversas que sejam as circunstâncias, a alma repousa tranquila e firmemente n’Ele.


Se quisermos ter plena paz, desimpedida, e profundidade de comunhão com Deus e uns com os outros, se quisermos enfrentar as circunstâncias e tentações sem sermos perturbados por elas, deverá fluir disto: não apenas do conhecimento de que todas as coisas são nossas em Cristo, mas da familiaridade com o próprio Deus, conforme é dito, “frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1:10).


Que possamos, por meio da capacitação da graça, deixar Deus fazer tudo o que Ele quiser em nosso coração.


J. N. Darby (adaptado)


 

Uma Reação Correta


Em outros artigos desta edição de O Cristão, vimos que Deus disciplina e treina cada um de Seus filhos, frequentemente descrito na Escritura sob a ampla categoria do castigo. Também vimos que a palavra “castigo”, da forma como é usada na Palavra de Deus, incorpora todas as maneiras de Deus conosco, e não somente aquelas coisas que são corretivas ou punitivas. No entanto, nossa reação às maneiras de Deus conosco pode ser certa ou errada.


Frequentemente se tem dito, e com razão, que neste mundo existem ações erradas e reações erradas, e que “dois erros não fazem um acerto”. Embora os caminhos de Deus para conosco sejam sempre perfeitos, Ele pode ocasionalmente envolver um instrumento humano, ou mesmo Satanás, para realizar Seus propósitos. Logo, as formas e meios da ação não são perfeitos e podem facilmente provocar uma reação errada em nós. É triste dizer que mesmo os verdadeiros crentes, se não andarem com o Senhor, podem encontrar falhas, não apenas no instrumento, mas também no próprio Deus, e reagir de maneira errada.


Justificar a Deus

Antes de tudo, então, é muito importante justificar a Deus em todas as Suas maneiras conosco. Ele pode, ocasionalmente, permitir circunstâncias muito difíceis em nossa vida, como fez com Jó. Mas Jó teve que aprender da boca de Eliú que o caminho para a bênção era justificar a Deus, e então, se necessário, ir ao Senhor e dizer: “O que não vejo, ensina-mo Tu” (Jó 34:32). Quando Jó finalmente fez isso, ele realmente aprendeu o valor do castigo e obteve a bênção que Deus pretendia para ele.


Segundo, é importante não olhar para o instrumento que o Senhor possa usar. Tudo o que o homem faz está necessariamente manchado de fracasso e pode, em alguns casos, incluir muito daquilo que não é de Deus. No entanto, devemos aceitar como vindo do Senhor e aprender com isto. Um irmão mais velho, sob cujo ministério tive o privilégio de sentar-me quando adolescente, fez este comentário muitas vezes: “Se alguém diz algo desagradável a você ou a seu respeito, não olhe para a pessoa que disse. Pergunte ao Senhor por que Ele permitiu isso”. Foi um excelente conselho. Nós nos apressamos em dizer, entretanto, que, da parte daquele que diz algo desagradável, agir na carne para com um irmão na fé é sempre errado. O Senhor pode muito bem ter que lidar com aqueles que fazem isso. Esse foi o caso com os três amigos de Jó, porém Deus os usou para revelar um lado de Jó que precisava de correção. É significativo que Deus não “virou o cativeiro de Jó” até ele orar por esses mesmos amigos; então, eles, um após o outro, tiveram que ir a Jó e oferecer um sacrifício pelo que falaram de errado com ele (Jó 42:7-10). Entretanto, não somos responsáveis por uma ação errada dirigida a nós; somos responsáveis apenas por nossa reação. Quantos amados santos perderam a bênção que o Senhor tinha para eles em tempos de castigo, porque focaram nas ações erradas, ou no modo e meios errados daqueles que o Senhor escolheu usar no castigo. Vamos olhar além do instrumento e não cair nessa armadilha.


Desprezando o castigo

Há três principais reações ao castigo mencionadas na Palavra de Deus, todas em Hebreus 12. A primeira é, “Filho Meu, não desprezes o castigo do Senhor” (Hb 12:5 – KJV). Infelizmente, essa é uma reação comum e ruim. Alguém disse corretamente que o homem natural reage a qualquer tipo de problema tornando-se endurecido ou esmagado. Desprezar o castigo significa tornar-se endurecido e recusar-se a ouvir a voz do Senhor. Vemos muito disso no mundo ao nosso redor durante a atual pandemia de COVID à medida que as dificuldades se arrastam e o fim dela parece indefinido. Enquanto alguns parecem estar enfrentando razoavelmente bem, muito poucos parecem estar reconhecendo a voz de Deus para eles. A maioria está esperando pelo retorno ao normal o mais rápido possível, para que possam seguir com um estilo de vida mundano. Outros estão ficando furiosos, conforme “velhas mágoas” e frustrações são trazidas à tona, e o resultado é violência sob todas as formas.


Mesmo crentes verdadeiros não estão imunes a essa reação. Entre os que conhecem o Senhor, certamente esperamos ver mais respeito pelas maneiras do Senhor lidar conosco, porém é possível, mesmo para aqueles com nova vida, desprezar o treinamento de Deus e, assim, perder a lição que o Senhor tem para eles.


Desmaiando

A próxima reação está no mesmo versículo (Hb 12:5): “E não desmaies quando, por Ele, fores repreendido”. Aqui está a segunda reação do homem natural – ser esmagado pela mão de Deus e desmaiar. Essa é outra reação comum entre as pessoas mundanas, sendo o resultado de pensamentos errados a respeito de Deus. Quando o homem natural é trazido à presença de Deus e não quer se arrepender, muitas vezes o desespero é o resultado. Esse foi o caso com Caim, que reclamou, “Minha punição é maior do que eu posso suportar” (Gn 4:13 – KJV). Porém, não houve arrependimento ou o reconhecimento das reivindicações de Deus sobre ele.


Da mesma forma, até mesmo um crente hoje pode desmaiar sob os caminhos de Deus, embora sejamos lembrados em 1 Coríntios 10:13 de que “fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis”. A palavra “desmaiar” neste contexto (como é usada em Hebreus 12:5) tem a ideia de desistir e é o oposto de ter “cingidos os vossos lombos”. O Senhor sabe o que somos capazes de suportar e não impõe aquilo que é difícil demais para nós. Já mencionamos Jó, que possivelmente sofreu mais do que qualquer outro homem, exceto nosso bendito Senhor Jesus. Jó realmente desmaiou em alguns momentos, mas Deus não permitiu mais do que o necessário para produzir o resultado correto. No final, valeu a pena!


Exercitados por ele

Isso nos leva à reação final ao castigo, a que é correta: “Nenhum castigo, ao presente, parece ser de gozo, senão de tristeza; mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos que são exercitados por ele (Hb 12:11 – KJV). Ser “exercitados por ele” honra o Senhor, que enviou o castigo, reconhece Sua mão nele, O justifica e abre a porta para que Ele nos revele o motivo do castigo. Acredito que isso é o que está implícito, pelo menos em parte, na expressão: “Deus [...] vos não deixará ser tentados além do que podeis; mas, com a tentação, fará também a saída, para que podeis suportá-la” (1 Co 10:13 – JND). “Fazer a saída” sugeriria Deus mostrando por que permitiu o castigo, e, assim, não só sabemos que terá um fim, mas também que será para nossa bênção final.


É uma experiência abençoada estar na escola de Deus e aprender d’Ele coisas que não somente trazem benefícios presentes, mas que terão um efeito duradouro por toda a eternidade. Temos apenas esta vida para construir para a eternidade; não desperdicemos a oportunidade, desprezando ou desmaiando sob a mão de Deus sobre nós.


W. J. Prost


 

Uma Raiz de Orgulho


Se em meu espírito sou orgulhoso, perdendo assim o lugar de humildade diante de Deus, e alguma concupiscência se manifesta, Deus pode usar essa falha em particular para me atingir e castigar por essa raiz de orgulho ou vontade própria que parecia não ter relação alguma com a concupiscência que se manifestou. Assim foi com Pedro; ele confiava em si mesmo, e isso levou à sua queda. O Senhor em Sua graça a tinha previsto de antemão; Ele olha para Pedro, e isso parte o coração de Pedro. Depois disso, Ele não diz uma palavra publicamente sobre o particular fracasso, mas trata com Pedro da maneira mais próxima para trazer à tona essa confiança em si próprio. “Simão, filho de Jonas”, Ele diz, “amas-Me mais do que estes outros?” Uma segunda e uma terceira vez, Ele diz: “amas-Me?” Por fim, Pedro teve que se refugiar na onisciência do Senhor. Ele, que conhece todas as coisas, podia ver o amor que havia no coração de Pedro, mesmo que ninguém mais pudesse.


A alma que conhece e admite sua miséria e que não tem pretensão alguma de fazer qualquer reivindicação, antes coloca sua miséria diante de um Deus de bondade, é uma alma que Jesus nunca se recusa a confortar. Ele pode ser repelido pelas reivindicações de uma falsa e pretensa justiça, mas não pode ocultar-Se da miséria que busca o Seu favor e que não tenha qualquer apelo ou súplica, a não ser por misericórdia, pois a misericórdia habita no coração de Deus, e Jesus é a expressão dessa misericórdia e o canal por meio do qual ela flui.


É bom notar a rara e bela humildade de Paulo! 1) Como pecador, ele chama a si mesmo de principal. 2) Entre os santos, ele é menor do que o mínimo (TB). 3) Como apóstolo, ele não é digno do nome.


Sound Words, 1873 (adaptado)


 

A Firmeza do Amor na Disciplina


No real e perfeito amor, existe uma firmeza que uma natureza tranquila e amável não é capaz de apreciar ou exercitar. Vemos isso no Senhor Jesus. Ele manteve Sua disciplina ou instrução dos Seus discípulos (de Pedro, por exemplo) e não suavizou como alguém que sacrificasse a bênção deles por satisfação momentânea.


O Senhor não aliviará a mão ou a palavra que está castigando Seu servo, mas Seu coração está tão perto de Seu servo como sempre, e Seu propósito de honrá-lo e fazê-lo feliz, tão perfeito e fresco como sempre. Isso me lembra de Jesus e Pedro. “Eu roguei por ti”, diz o Senhor Jesus a Pedro, “para que a sua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22:32). Porventura isso não era colocar nova honra sobre um Pedro castigado e humilhado? Assim como antes, no período de Mateus 16:17, foi um Pedro repreendido que foi levado para o monte da glória.


Que história de amor divino e perfeito todas essas coisas nos contam. O Pedro repreendido é levado colina acima; o Pedro humilhado e castigado é comissionado para fortalecer seus irmãos; Moisés, que havia perdido Canaã, deve ordenar, dotar, instruir e dignificar seu sucessor – para fortalecer, mais do que fortalecer, seu irmão!


Este é o caminho do perfeito e divino amor. É firme, mas imutável em seu favor e seus objetivos. Uma mera natureza tranquila e amável, mais uma vez eu digo, não consegue apreciá-lo ou imitá-lo.


Girdle of Truth, Vol. 2


 


Feito de Bom Material


Quão maravilhoso para um homem na prisão como Paulo dizer: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fp 4:13). Muitos triunfaram na prisão pela graça de Deus, mas ainda tiveram a sensação de que foram excluídos do serviço e castigo tinha vindo sobre eles. Paulo estar na prisão pode ter sido, em certo sentido, um castigo, mas, no seu caso, o castigo veio, dizendo de forma simples, sobre bom material – sobre um homem com um olho simples – e, assim, apenas removeu impurezas e o fez ver mais claramente.


J. N. Darby


 

Castigo


“Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem,e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam [castigavam – KJV] como bem lhes parecia; mas Este, para nosso proveito, para sermos participantes da Sua santidade.” (Hb 12:9-10)


Meu Deus, é a Tua mão! Vem de Ti a minha dor: Curvo-me sob Tua vara de correção; Pois sei que são marcas de amor. Senhor, não cabe a mim murmurar; Fico mudo diante de Ti; Para murmuração evitar, Eu te peço: “Ajuda-me”. Teu nome é amor, meu Deus; De um Pai é a Tua mão; Em lágrimas olho para os céus “Tua vontade seja a minha”, clamo então Tua vontade é certa, eu compreendo, Ainda que severa aparente ser; Teu caminho, pura luz continua sendo, Ainda que escuro possa parecer. Jesus morreu por mim; Teu Filho Tu não poupaste: Nas mãos traspassadas, no sangue carmesim, Teu amor por mim declaraste. Aqui descansa meu pobre coração; A Ti se apega, e mais ninguém: Tua vontade é amor; Teu fim, de bênção: Tudo coopera para o meu bem.


J. G. Deck (adaptado para o português)


 

“Bem-aventurado é o homem a quem Tu castigas, ó SENHOR, e a quem ensinas a Tua lei”

(Sl 94:12 – ACF)


 

[1] N.T. Frase original, sem cortes: “Uma vez que esta publicação é distribuída primariamente em inglês, usaremos cinco palavras em inglês para definir essas maneiras de Deus, todas começando com a letra “P”.”

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