Governos

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ÍNDICE

Governo

O Cristão

Governo na Terra

W. J. Prost

O Fracasso de Israel Sob Governo

J. N. Darby

Governos Contrastantes: Israel e Gentios

J. N. Darby

Governo Gentio e Seu Final

G. Cutting

O Fracasso do Governo Hoje

W. J. Prost

Democracia à Luz da Escritura

F. B. Hole

Verdade e Retidão

W. Kelly

Semeando e Colhendo

Bible Searcher

Sofrimento e Governo

R. Beacon

O Governo Ainda Não É Justo

Bible Treasury

Governos Representantes de Deus

Bible Treasury

O Governo Direto de Deus

Bible Treasury

Levantai vossas Cabeças, Eternos Portais

E. L. B.


Governo


Onde existe pecado, precisa haver governo. Sem ele, a Terra tornou-se tão violenta e corrupta que Deus teve que destruí-la com uma inundação e recomeçar. Para conter o homem, a espada da justiça foi colocada em sua mão. Foi dito para Noé: "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado." (Gn 9:6). O governo envolve poder, como Pilatos disse ao Senhor Jesus: "Não sabes Tu que tenho poder para Te crucificar e tenho poder para Te soltar?" (Jo 19:10). Quando os filhos de Israel entraram em sua terra da promessa, eles tinham Quem os governava sob o título, "O Senhor de toda a Terra". Com o tempo eles O rejeitaram, querendo ser como as nações ao seu redor. Finalmente, por causa de seus pecados e recusa em se arrepender, Deus se afastou deles e os colocou sob o governo dos gentios, começando com Nabucodonosor. Sendo o pecador que é, dar poder ao homem o leva a se exaltar e se afastar de Deus para a idolatria. Qual é a resposta de Deus para a desordem que o homem fez? “Ao revés, ao revés, ao revés a porei, e ela não será mais, até que venha Aquele a quem pertence de direito, e a Ele a darei” (Ez 21:27). “Um Filho se nos deu; o governo está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso [...] Deus Forte [...] Príncipe da Paz. Para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim" (Is 9:6-7 ARA). E qual é a nossa resposta à solução de Deus? "Ora, vem, Senhor Jesus!" (Ap 22:20).


O Cristão

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Governo na Terra


Parece claro, pela Palavra de Deus, que não havia governo na Terra até depois do dilúvio de Noé. Em vez disso, lemos que, "a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gn 6:5). Mas Deus iria provar o homem sob diferentes formas de Sua ordenação, para ver se havia algo de bom no homem caído. Não porque Deus precisasse ser convencido da ruína total do homem; antes, Deus provaria ao homem qual era sua real condição.


Assim, depois do dilúvio, lemos que, "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a Sua imagem" (Gn 9:6). Não parece que Deus especificou qualquer forma particular de governo; Ele simplesmente o estabeleceu como um freio aos desejos pecaminosos do homem. Podemos notar, no entanto, que Deus viu em Noé, como chefe de sua família, o líder na execução do governo na Terra renovada. Deus sabia que mesmo a lembrança do terrível julgamento do dilúvio não restringiria o mal no mundo, pois "a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice" (Gn 8:21). Mas o homem, na pessoa de Noé, falhou quase imediatamente, e então mais tarde, o orgulho exibido na construção da torre de Babel, tornou necessária a confusão da linguagem do homem. Isto foi o começo das nações na Terra.


Cidades-estado e pequenas nações


No mundo antigo, havia cidades-estado e pequenas nações, governadas principalmente por reis, embora nações maiores, como o Egito, gradualmente subissem ao poder. Deus, então, escolheu a nação de Israel, que inicialmente era governada pelo próprio Senhor, por meio de homens escolhidos a quem Ele levantou. Mas Israel rejeitou o governo de Deus e insistiu em ter um rei, querendo ser como as outras nações ao seu redor. Naquela época o Senhor lembrou a Samuel: "[...]pois não te tem rejeitado a ti; antes, a mim Me tem rejeitado, para Eu não reinar sobre ele" (1 Sm 8:7). Por fim, Israel falhou sob os juízes, profetas, sacerdotes e depois sob os reis. A história deles, como nação soberana, terminou com a palavra “Lo-Ami “(não Meu povo) sendo escrita sobre eles.


As nações gentias


Seguiu-se, então, os tempos dos gentios, quando o poder e a autoridade no mundo lhes foram confiados. Babilônia, sob Nabucodonosor, foi a primeira nação e é descrita na estátua de Daniel 2 como "a cabeça de ouro". Em grande parte, isso se devia ao fato de Nabucodonosor ser um governante supremo, cuja vontade e palavra podiam sobrepor-se às de todos os demais. Outros governos que se seguiram (como o medo-persa, o grego e o romano) eram de constituição inferior, pois normalmente a vontade de outros entrava no governo.


Ao longo da duração dos “tempos dos gentios” (os tempos em que ainda vivemos), o homem tem tentado várias formas de governo, sempre procurando encontrar algo que funcione perfeitamente. Tais governos geralmente têm sido imperialistas ou democráticos, mas nenhuma das duas formas têm funcionado bem. Os governos imperialistas, embora geralmente tenham um governante supremo, frequentemente têm um pequeno grupo de pessoas que cercam o governante supremo e que também detém o poder. Em sua disputa por influência, o ego assume o controle e a opressão do povo é o resultado mais comum.


Governo democrático


As formas democráticas de governo podem parecer funcionar, mas, como alguém observou, "democracia é liberdade de escolha, mas é a liberdade de serviço autoescolhido e de sacrifício autoimposto". A democracia, de um modo geral, tem funcionado desde que uma porcentagem razoável das pessoas tenha integridade moral, e a influência do Cristianismo no mundo tem muito a ver com isso. Mesmo em nações que não abraçaram amplamente o Cristianismo, a moralidade cristã e o altruísmo surtiram efeito e, portanto, possibilitaram a sobrevivência de formas democráticas de governo. No entanto, isso começou a mudar durante os últimos 50 anos ou mais, e como a Palavra de Deus foi gradualmente removida do domínio público, o impacto da moralidade e virtude cristãs diminuiu. Tal como acontece com os governos imperialistas, o interesse próprio tem sido cada vez mais característico do governo nas democracias ocidentais. Além disso, muitos reconhecem que as administrações democráticas hoje têm estado quase paralisadas e ineficazes, pois procuram satisfazer os interesses amplamente diferentes daqueles que os elegem. Em vez de integridade moral e retidão, a corrupção se instalou, causando mais desilusão ao eleitorado, cuja moralidade geralmente não é melhor do que a de seu governo. Em vez de um forte senso de certo e errado, baseado na irrefutável Palavra de Deus, uma atitude egocêntrica se desenvolveu gradualmente. Assim, as decisões do governo são baseadas em: "O que me tornará popular junto ao eleitorado e me fará eleito novamente?” Entre o eleitorado, a atitude muitas vezes é: "O que isso traz para mim"? em vez de: "O que é certo e o que é para o bem do país"?


É reconfortante saber que o Senhor está acima de toda essa aparente confusão, pois lemos em Daniel 4:17 que, "o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles". A história dos tempos dos gentios mostra claramente que, na maioria das vezes, Deus cumpriu Seus propósitos ao permitir que o mais vil dos homens governasse.


A ascensão da besta


Pelo menos no Ocidente, eventualmente, tudo isso culminará com a ascensão da besta, o chefe do Império Romano revivido, que terá autoridade suprema, mas de uma forma perversa. Em sua associação com o anticristo, ele controlará o mundo ocidental por um curto período. Mas Deus terá a palavra final. Como lemos em Daniel, "Estavas vendo isso, quando uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o cobre, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra que feriu a estátua se fez um grande monte e encheu toda a terra" (Dn 2:34-35). A pedra é, obviamente, nosso Senhor Jesus Cristo, que em Sua manifestação destruirá todos os reinos dos homens e instituirá um governo justo na Terra durante o Milênio. Então, por 1.000 anos, o homem viverá sob um regime perfeito e justo, com prosperidade e justiça.


O milênio


Mas o homem ficará satisfeito com isso? Não! No final daquele Milênio maravilhoso, Satanás será solto novamente e instigará uma rebelião contra Cristo que assumirá proporções terríveis. Os números envolvidos serão “como a areia do mar” (Ap. 20:8), enquanto procurarão derrubar o único governo justo que o mundo já teve. Mas eles serão destruídos, pois "desceu fogo do céu e os devorou" (Ap 20:9).


Em seguida, virá o que muitas vezes é chamado de “Estado Eterno”, onde Deus será “tudo em todos”, onde o pecado será banido para sempre e onde nenhum governo será necessário. O reino de Deus em seu pleno efeito moral estabelecido, porém nenhum reino de governo evidente. Haverá "novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2 Pe 3:13).


Por enquanto, Deus reconhece até mesmo governos injustos e ordena que Seu povo os obedeça, a menos que eles nos ordenem que façamos o que desonra a Deus (Rm. 13:1-2). Mas, nas palavras de um hino: "Esperamos por Ti, ó Filho de Deus, e ansiamos pela Tua Aparição!" (Hino nº 325, Hinário Little Flock).


W. J. Prost

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O Fracasso de Israel Sob Governo


Eli era o sumo sacerdote, o juiz e chefe de Israel, mas a glória de Israel foi lançada por terra (1 Sm 4:11), a arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, foram mortos. Nos versículos 18-21, o próprio Eli morreu, e sua nora chamou a criança que nasceu dela, Icabô, dizendo: "Foi-se a glória de Israel, porquanto a arca de Deus foi levada presa e por causa de seu sogro e de seu marido".


Depois disso, Deus levantou Samuel, o primeiro dos profetas, e governou Israel por ele, mas Israel logo o rejeitou (1 Sm 8:7-8). "E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te disser, pois não te tem rejeitado a ti; antes, a Mim Me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele. Conforme todas as obras que fez desde o dia em que o tirei do Egito até ao dia de hoje, pois a Mim Me deixou, e a outros deuses serviu, assim também te fez a ti". Foi então que Deus "deu-lhes um rei em Sua ira", e sabemos o que aconteceu ao rei da escolha do povo. O julgamento é pronunciado: "Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; porquanto rejeitaste a palavra do SENHOR, já te rejeitou o SENHOR, para que não sejas rei sobre Israel" (1 Sm 15:26).


Davi é levantado no lugar de Saul: Deus fez essa escolha em Seu trato em graça. Davi, uma figura de Cristo, pois ele é o pai de Cristo segundo a carne, foi o presente de Deus para Israel. Assim, é unicamente pela bondade de Deus que Israel se torna rico e glorioso sob Davi e Salomão. Mas, ainda assim o povo transgrediu novamente sob esses dois príncipes: "Pelo que o SENHOR se indignou contra Salomão, porquanto desviara o coração do SENHOR, Deus de Israel" (1 Rs 11:9). No entanto, por causa da promessa de Deus a Davi, uma luz foi preservada em Judá até o tempo de Zedequias.


O desgosto do homem por Deus


É um assunto infeliz pensar nessa constante aversão do coração do homem por Deus, sob todas as condições em que ele é colocado; esta é a lição que devemos tirar da história dos filhos de Israel. Posteriormente, eles se dividiram em duas partes distintas, e as dez tribos tornaram-se totalmente infiéis. Foi na pessoa de Acaz que a família de Davi, o que tinha humanamente restado das esperanças de Israel, começou a se tornar idólatra (2 Rs 16: 10-14). O pecado de Manassés foi o golpe final em todas as suas más condutas (2 Rs 21:1-16). Tal foi, em poucas palavras, o comportamento de Israel, e mesmo de Judá, até o cativeiro. O Espírito de Deus resume a história dos crimes do povo e de Sua paciência nesta linguagem impressionante: "E o SENHOR, Deus de seus pais, lhes enviou a Sua Palavra pelos seus mensageiros, madrugando e enviando-lhos, porque se compadeceu do Seu povo e da sua habitação. Porém zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e escarneceram dos seus profetas, até que o furor do SENHOR subiu tanto, contra o Seu povo, que mais nenhum remédio houve" (2 Cr 36:15-16).


Este foi o fim da existência do povo judeu na terra de Canaã, onde foram introduzidos por Josué. O nome de “Lo-Ami” (não Meu povo) foi finalmente escrito neles.


J. N. Darby (adaptado)

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Governos Contrastantes: Israel e Gentios


Quando a queda da nação judaica foi completa, Deus transferiu o direito de governo aos gentios, mas com esta diferença: Esse direito foi separado do chamado e da promessa de Deus. Em Israel, as duas coisas estavam unidas - o chamado de Deus e o governo na Terra. Essas coisas se tornaram distintas a partir do momento em que Israel foi posto de lado. Em Noé e Abraão eles eram distintos; governo em um, chamado em outro.

Israel falhou e deixou de ser capaz de manifestar o princípio do governo de Deus, porque Deus em Israel agiu em justiça. O Israel injusto não poderia mais ser o depositário do poder de Deus.


O chamado terrenal de Israel


Mesmo assim, quanto à vocação terrenal, Israel continuou a ser o povo chamado, "porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Rm 11:29 ARA). De fato, existem aqueles que são chamados de entre as nações, mas é para os céus que eles são chamados. O chamado terrenal de Deus nunca será transferido para as nações; ele permanece com os judeus. A partir do momento em que a igreja perde de vista sua vocação celestial, humanamente falando, ela perde tudo.


O que aconteceu às nações por terem o governo entregue a elas? Elas se tornaram os “animais” opressores do povo de Deus, sobre os quais é falado em Daniel, capítulo 7. O quarto império, Roma, consumou seu crime no mesmo instante em que os judeus consumaram o seu, matando Aquele que era Filho de Deus e Rei de Israel. O poder gentio está em um estado decaído, assim como o povo chamado, judeus. O homem falhou em lidar com o governo e com o chamado, e o julgamento está escrito em ambos, nas mãos do homem.


Os judeus, o povo chamado, tornaram-se rebeldes. As nações estão se tornando igualmente rebeldes, mas o governo permanece com elas, embora em estado de ruína. Mas a paciência de Deus está sempre operante, até a união da igreja com o Senhor nos lugares celestiais. O governo do quarto império ainda existirá, mas sob a influência e direção de seu último chefe, e os judeus se unirão a ele, em estado de rebelião, para fazer guerra ao Cordeiro.


A Igreja levada para o céu


No final, quando a igreja for reunida e chamada para o alto, Deus tomará as coisas em Suas próprias mãos. Ele começará a agir para restaurar tudo de acordo com Sua própria ordem. Consequentemente, assim que a igreja for recebida por Cristo, haverá uma batalha no céu, a fim de que o poder do governo seja removido de Satanás, o agente ativo dos males da humanidade e de toda a criação. Satanás será expulso do céu e lançado à Terra. Daí em diante, o poder será estabelecido no céu de acordo com a intenção de Deus.


Mas na Terra será completamente diferente, pois quando Satanás for expulso do céu, ele incitará toda a Terra e levantará, em particular, a parte apóstata dela, que se revoltou contra o poder de Cristo vindo do céu. Então, os céus criados serão ocupados por Cristo e Sua igreja, e Satanás, em grande ira sobre a Terra, terá apenas um curto período de tempo. Sob a conduta do anticristo, o quarto império se tornará a esfera na qual a atividade de Satanás será exibida, que unirá os judeus ao império apóstata contra o céu. Jesus Cristo destruirá o poder de Satanás naquele governo, o qual, vimos, foi confiado aos gentios. Tanto a besta romana quanto o Anticristo serão destruídos pela vinda do Senhor dos senhores e Rei dos reis, e Cristo ocupará o lugar principal de governo em Jerusalém, que se tornará o local do trono de Deus na Terra.


Israel restabelecido na Terra


O Senhor, então, purificará Sua terra de todos os iníquos. Isso será feito pelo poder de Cristo em favor de Seu povo, restabelecido por Sua bondade. As pessoas serão colocadas em segurança na terra, e então Cristo mostrará a Si mesmo, não como o Cristo do céu, mas como o Messias dos judeus.


A bênção para os gentios será a consequência da restauração dos judeus e da presença do Senhor. A Igreja terá sido abençoada; a apostasia do quarto império não existirá mais. O iníquo será eliminado, assim como os judeus incrédulos, e a terra de Israel estará em paz.


Posteriormente, haverá o mundo vindouro, preparado e introduzido por esses julgamentos e pela presença do Senhor, queocupará o lugar do iníquo. Todas as promessas de Deus sendo cumpridas e o trono de Deus sendo estabelecido em Jerusalém, esse trono se tornará a fonte de felicidade para toda a Terra.


O governo nos céus


Neste momento, Satanás estará preso. Em vez do adversário e seu governo nos lugares celestiais, Cristo e Sua igreja estarão lá, fonte e instrumento de bênção. O governo nos lugares celestiais será a segurança, e não o obstáculo, da bondade de Deus. A igreja glorificada encherá os lugares celestiais com sua alegria e, em seu serviço, constituirá a felicidade do mundo, para a qual será o instrumento da graça da qual desfrutará ricamente.


Enquanto isso, sobre a Terra estará a Jerusalém terrenal, centro do governo e do reino da justiça de Jeová, seu Deus. Ela será o lugar de Seu trono, o centro do exercício da justiça. Nesse estado de glória terrenal, a cidade será a testemunha do caráter de Jeová, assim como a Igreja é do Pai. Deus também efetuará toda a força deste nome – "O Deus Altíssimo, Possuidor dos céus e da terra" (Gn 14:19 JND). Cristo cumprirá todas as funções de Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque que, depois da vitória conquistada sobre os inimigos do povo de Deus, bendisse seu Deus em nome do povo e o povo em nome de Deus (Gn 14:18-20). A verdadeira separação do mundo deve ser o fruto do entendimento de todas essas profecias!


J. N. Darby (adaptado)

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Governo Gentio e Seu Final


Há uma grande diferença entre legislar e governar. A lei expressa a vontade de um governante; o governo exige cumprimento. Após o dilúvio de Noé, Deus instituiu o governo; a partir do qual a violência deveria ser contida e a vida humana deveria ser respeitada. "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado" (Gn. 9:6). A inquisição por sangue foi colocada nas mãos do homem, e Deus o apoiou nisso.


A necessidade de governo


A necessidade de governo aponta para seu uso: a contenção da ilegalidade e o apoio àquilo que é correto. "Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por Ele enviados para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem" (1 Pe 2:13-14).


Para apreciar corretamente o presente uso do governo por parte de Deus, devemos ter em mente que é apenas uma provisão temporária até que o cetro seja dado ao "Príncipe da Paz". "Seu reino não terá fim" (Lc 1:33). Nesse ínterim, Deus tem dois objetos de interesse na Terra - Israel e a Igreja. Mas Israel, a semente natural de Abraão, deve esperar até que a Igreja seja reunida em casa. Paulo podia dizer: "O Senhor [...] guardar-me-á para o seu Reino celestial" (2 Tm 4:18). Mas um remanescente da nação judaica será preservado para o reino terrenal.


Até que Seus desígnios para ambos sejam cumpridos, Deus fará com que o mundo seja mantido em uma medida de ordem, embora, se achar necessário, Ele pode permitir perseguições, conflitos nacionais ou levantes comerciais para impedir que tanto os judeus como a Igreja se estabeleçam aqui na Terra, pois, nenhum deles ainda está na posição para a qual foram destinados. O lugar de Israel é Canaã; a casa da Igreja é o céu, e Deus está nos bastidores agindo por ambos.


O ideal de Deus no governo


O ideal de Deus no governo é ter todo o poder colocado nas mãos de um homem - o único Cabeça (Ef 1:10; Sl 2:6-8). Ele deu a Nabucodonosor o controle absoluto, mas em vez de usá-lo para a glória de Deus e a bênção do homem, ele usou tal controle para sua própria glória e destruição do homem. Em pouco tempo o domínio absoluto será dado a outro homem - Cristo. Então a vontade de Deus "será feita na terra como é no céu", e "os homens serão abençoados n’Ele" (Sl 72:17,19).


Considere a estátua no sonho de Nabucodonosor. Nela, vemos num relance todo o propósito do governo gentio como Deus previu até o seu fim. Quatro potências imperiais são representadas na estátua pelos quatro materiais principais que a formam (Dn. 2:38-43). A cabeça é de ouro fino, o peito e os braços de prata, o tronco e as coxas de cobre, as pernas de ferro, com uma combinação de "barro de oleiro" na extremidade mais baixa — "seus pés parte de ferro e parte de barro" (v. 33).


A cabeça de ouro


O poder de Nabucodonosor foi absoluto. Ouro fino representa isso (Dn 2:38; 5:18-19). "Tu és a cabeça de ouro." Os poderes posteriores vão ficando cada vez mais inferiores, até os dedos dos pés. É importante notar isso, pois podemos medir a presente posição do governo gentio apenas à luz do verdadeiro segredo de seu declínio.


Diz-se de Nabucodonosor, rei da Babilônia, "A quem queria matava e a quem queria dava a vida" (Dn 5:19). Mas Dario o medo-persa não tinha tal autoridade suprema. Ele tentou ao máximo libertar Daniel da cova dos leões, mas falhou (Dn 6). Por quê? Pela interferência de outros interesses. Esse princípio tem se desenvolvido gradualmente desde sempre, até hoje não são poucos os interesses apoiados por consentimento real (ou outro chefe de estado), mas milhões de interesses - fortes e fracos (ferro e barro). Esses interesses estão fazendo sua voz ser ouvida por representação, para fazer leis que se adéquem a eles mesmos, e as quais o rei (chefe de estado) deve colocar seu selo! “Quando os súditos governam e os reis se submetem, nós estamos nos aproximando do exato oposto do ideal de Deus e, de acordo com a estátua, o fim do governo gentio”


Mas, pare aqui um momento para notar uma coisa. A figura do “barro de oleiro” está associada na Escritura com a supremacia da vontade de Deus sobre o homem. "Não tem o oleiro poder sobre o barro?" (Rm 9:21), Deus terá a última palavra; Aquele que estabeleceu o governo gentio irá, em Seu próprio tempo, colocá-lo de lado para sempre. É quando a extremidade máxima da "estátua" é alcançada, que a "pedra cortada sem mão" destruirá completamente a estátua inteira, e os átomos serão levados como palha (Dn 2:35).


A pedra


A pedra que fere a estátua encherá toda a Terra. Davi nos Salmos (Sl 118:22), Isaías (Is 8:14-15), e os apóstolos Pedro (At 4:11-12) e Paulo (Rm 9:33), todos declararam que a “Pedra” é Cristo. E isso é confirmado pelo próprio Senhor, pois Ele diz: "[...]e aquele sobre quem ela [Pedra] cair, será feito em pó" (Lc 20:18).


Se ter comunhão com a estátua e a “Pedra” será uma impossibilidade absoluta portanto, por que tentar isso agora? Gastar o nosso melhor naquilo que certamente será demolido não é verdadeira sabedoria e só pode diminuir nosso interesse pelo Reino "que jamais será destruído" (Dn 2:44). É muito melhor seguir o conselho do bendito Salvador: "Buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6:33). Uma grande ajuda para isso é ver a importância do sonho de Daniel no capítulo 7 do seu livro.


O sonho de Daniel


Neste sonho, os mesmos quatro poderes são apresentados a nós, mas dessa vez sob a figura de quatro animais. O "animal" neste contexto é o símbolo de Deus do governo terrenal, mas a figura não tem a intenção de sugerir qualquer desprezo pessoal pelo próprio rei (ou governante), pois Deus diz: "Honrai o rei" (1 Pe 2:17). Os primeiros três poderes são claramente identificados: babilônico, medo-persa e grego. O quarto e último, o Império Romano, é identificado no Novo Testamento (Lc 2:1). Esse poder prevaleceu durante a vida do Senhor e de Seus apóstolos. Foi criado um pouco antes da primeira Aparição de Cristo e será encerrado por Sua segunda Aparição. Esse grande império foi dividido em muitos reinos, mas será novamente unido sob um chefe político, chamado em Apocalipse 13 de besta que emerge do "mar". A massa saudará de bom grado seu advento como o homem certo que estavam procurando!


Os animais


Na “estátua” de Daniel 2, o pensamento proeminente parece ser a soberania da vontade de Deus no governo terrenal. Nos "animais", é mais a devastação da vontade do homem. O símbolo é simples. Com exceção do quarto animal, eles são todos animais predadores: impuros, mas com poder de dominar.


Um animal segue naturalmente a inclinação de sua própria vontade, sem qualquer referência a Deus, ou mesmo ao homem, a não ser para sua própria proteção. O próprio Senhor fornece-nos uma chave para o entendimento dessa figura de um animal. O juiz injusto em Lucas 18 "nem temia a Deus, nem considerava o homem", e um juiz é claramente representante do poder governante. Por questão judicial, o juiz ignorou o recurso da viúva. Foi só quando ela lhe importunou, que ele interferiu por ela. Quanto à motivação, ele quis servir a si mesmo; como resultado, ele a serviu. Assim acontece com esse símbolo de Deus.


Os homens no poder podem pensar que suas políticas servem seus próprios fins. Mas eles esquecem que, muito antes do esquema deles ser pensado, Deus tinha Seus próprios desígnios secretos para o futuro. Por meio da vinculação oculta com o plano deles, pode dar cumprimento aos Seus próprios desígnios. “Se os poderes governantes não realizarem, por escolha, a