Justiça (Março de 2013)
- Revista O Cristão

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Revista mensal publicada originalmente em março/2013 pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
Things New and Old, 33:74
The Bible Treasury
W. Kelly
Bible Treasury (adaptado)
W. W. Fereday
W. J. Prost
A. T. Schofield
W. Kelly
Words of Truth, Vol. 7:160
Autor desconhecido
G. H. Hayhoe
Hinário The Little Flock – Hino 67 Apêndice
Justiça

Duas coisas reveladas no evangelho são a justiça de Deus para a fé e a ira de Deus contra a injustiça. Deus mantém e manifesta Seu caráter justo nos Seus atos de amor e Seus atos de juízo. Cristo em Sua obra na cruz glorificou o amor de Deus ao morrer por nós e glorificou Sua justiça ao levar nossos pecados e ao ser feito pecado por nós. Deus glorificou ainda mais Sua justiça ressuscitando dentre os mortos e assentando ao Seu lado Aquele que tanto O glorificou na Terra. Essa obra para Deus e para o pecador é tão grande que Deus declara que Ele agora vê todos os que aceitam com fé o Salvador e Sua obra como estando “em Cristo” e todos os que estão “em Cristo” diante de Seus santos olhos são vistos como “justos” para sempre. O caráter justo de Deus estará para sempre visível no que somos agora em Cristo. A graça de Deus agora reina em dar o dom da vida eterna, sobre o fundamento justo de que o pecado foi tratado de maneira justa na morte de Cristo. Nós, que fomos feitos justos por Deus por meio da obra de Cristo, agora somos exortados a viver para a justiça. Nós, uma nova criação em Cristo Jesus, somos chamados a mostrar o caráter de justiça de Deus em nossa vida diária.
A justiça de Deus para com os pecadores
A Palavra de Deus pronuncia o homem como pecador e declara que entre Judeus e gentios “não há diferença”. “Não há um justo, nem um sequer” é uma afirmação abrangente; não faz exceção. Eu pequei, você pecou, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.
A Palavra de Deus também declara que “do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça”. Coloque essas duas verdades solenes juntas, e o que você vê? Todos culpados, todos condenados, todos sob a ira de Deus, e toda boca fechada. Mas, bendito seja Deus, embora os recursos do homem falhem, os Seus nunca falham. Os recursos de Deus são inesgotáveis. Ouça-O contar Seus próprios recursos benditos para o pobre pecador perdido, que é totalmente destituído de justiça: “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao Qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:21-26).
Aqui temos o anúncio da justiça divina, manifestada como Sua bendita resposta ao derramamento do precioso sangue de Seu próprio Cordeiro imaculado. O Cordeiro era a provisão de Seu amor e graça soberana, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito”. Por meio do sacrifício deste Cordeiro, Deus foi perfeitamente glorificado. Sua majestade e glória foram reivindicadas, e a manifestação de Sua justiça é a bendita resposta ao deleite que Ele encontrou nesse sacrifício.
O que é essa justiça?
A Palavra de Deus mostra claramente que é uma ordem diferente de justiça daquela que é pela observância da lei. Se fosse justiça da lei, seria a justiça do homem, pois a lei é a medida da justiça humana. Mas o homem falhou completamente quanto à justiça, e, portanto, algo mais era necessário, e é isso que temos aqui – a justiça de Deus. É outra ordem de justiça e contrasta com a do homem, como Paulo diz: “não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp 3:9). Aqui o contraste é claro. Não é, de modo algum, alcançada pelo cumprimento da lei. Não é com base nesse princípio. Não é um Superior vindo e dizendo: devo receber isso e aquilo, e a exigência sendo atendida. Não é algo elaborado para Deus porque é devido a Ele. Isso é o que teria sido por lei, mas o homem falhou neste teste. Então, o que é? É a consistência de Deus com Sua própria natureza e caráter em Seu trato com os outros: primeiro, com Seu próprio Filho; segundo, com aqueles que creem n’Ele. É o que Deus fez pelo homem, não o que o homem fez por Deus. É a justiça de Deus para com o homem, não a justiça do homem para com Deus. Se o homem tivesse sido justo para com Deus, isso teria sido apenas o que era devido a Deus. Mas a justiça de Deus para com um pobre pecador que crê em Jesus é algo totalmente imerecido. Não é conquistado ou merecido. Em vez de justiça, o que era merecido era a ira. A ira foi revelada do céu contra toda impiedade e injustiça. O homem era ímpio e injusto, e assim a ira de Deus estava sobre ele. Mas agora, pela graça, “a justiça de Deus” toma o lugar da “ira de Deus” para todos os que creem em Jesus. Como é então? É pelo favor imerecido de Deus. “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça”. Na maravilhosa graça de Deus, a ira que atingiu o pecador culpado é substituída pela justiça no caso de todo aquele que crê no evangelho, e essa não é a justiça do pecador, mas a justiça de Deus.
Qual é a base desta justiça?
Nós respondemos: o precioso sacrifício de Cristo. “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao Qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:24-26).
Deus agiu com tolerância em relação aos santos do Velho Testamento, não levando em conta seus pecados. Ao fazer isso, Sua justiça não foi então manifestada. Agora ela se manifesta por meio da cruz. O sangue de Cristo a declara. Deus estabeleceu Cristo como propiciatório (JND), apresentando Seu sangue como um objeto para a fé, para esse mesmo propósito. A justiça de Deus ao não levar em conta os pecados dos santos antes da cruz não é mais uma questão sombria.
O sangue de Cristo declara isso. Mas isso não é tudo. Deus não está agora levando em conta os pecados, mas justificando pecadores que creem no evangelho. Como Ele é justo ao fazer isso? É por meio do sangue de Cristo. Por meio do sangue de Seu próprio Cordeiro imaculado, Ele é Justo ao justificar aquele que crê. Sua justiça na justificação é assim declarada. O sangue de Cristo é a base de todas as ações de Deus em graça com os pecadores, e por meio desse sangue, Seus tratos em graça são declarados justos. Deus encontrou um motivo adequado no sangue de Cristo para mostrar graça aos pecadores e justificar aqueles que creem, e Ele é Justo em fazer isso, em virtude do sangue. A demonstração de Sua justiça na justificação é Sua bendita resposta ao derramamento do sangue de Cristo.
Como Deus trata os pecadores?
Deus está justificando pecadores e não pessoas justas. E, se Deus está justificando os pecadores, isso não pode ocorrer com base nas obras deles. As suas obras têm sido apenas pecado e, por essa mesma razão, eles necessitam de justificação. O motivo de Deus para fazer isso, portanto, deve ser encontrado em algo completamente fora do pecador. É encontrado em Cristo e no Seu sangue. Como se dá isso? É porque Cristo glorificou perfeitamente a Deus exatamente naquilo pelo qual o pecador O desonrou e por causa disso ele precisava de justificação. Isso Ele fez por meio do derramamento de Seu sangue na cruz. O Senhor Jesus Cristo glorificou a Deus em todos os aspectos, exatamente neste mundo onde Ele foi desonrado. Ele Se entregou como oferta pelo pecado, Se entregou livremente e bebeu o cálice de juízo até o final, não deixando uma só gota para que a bebêssemos.
Things New and Old, 33:74
O Que É a Justiça de Deus?
“A justiça de Deus” abrange toda a manifestação dos caminhos de Deus em Cristo. Se quisermos comparar as coisas que são totalmente perfeitas em seu lugar, uma das menores foi o cumprimento de Sua lei aqui embaixo, pois a lei não se destinava a expressar plena e absolutamente a natureza e o caráter de Deus. Ela afirmava, se assim pudermos dizer, os termos mais baixos sob os quais o homem poderia viver diante d’Ele. Era a exigência do que Deus requeria, mesmo de um israelita pecador, se ele pretendesse obedecer a Deus; ao passo que, embora o Senhor Jesus tenha sido feito sob a lei e, em Sua graça, submetido a todas as reivindicações dessa lei, Ele foi muito além dela, mesmo em Sua obediência em vida e infinitamente além dela em Sua morte. Para os justos, a justiça da lei proclama a vida como sua porção, e para os injustos proclama a morte. Mas a justiça de Deus é imensuravelmente mais profunda e mais elevada. É uma justiça justificativa, não condenatória, como a da lei deve ser para o pecador que não a possui. Portanto, o próprio Senhor estabeleceu as sanções da lei da maneira mais solene, sofrendo até a morte sob a sua maldição: Ele suportou a pena dos ímpios, cuja substituição a lei nada sabia e, portanto, morrer é graça. Não houve abrandamento, muito menos anulação da autoridade da lei.
A justiça divina proveu Aquele que podia e queria resolver para o pecador toda a sua questão com Deus. E isso não é tudo, pois Deus ressuscitou Cristo dentre os mortos. O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. Ele foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai; em resumo, o Seu ser moral, os Seus propósitos, a Sua verdade, o Seu amor, o Seu relacionamento, a Sua glória estavam em jogo no túmulo de Cristo. Mas Deus O ressuscitou e O colocou à Sua direita no céu, como parte de Sua justiça divina. Nenhum assento, nenhuma recompensa inferior a isso, poderia ser adequado para Aquele que havia vindicado a Deus em toda a Sua majestade, santidade, graça e verdade, Aquele que, por assim dizer, tornou possível a Deus realizar o Seu precioso desígnio de justificar o ímpio, permanecendo Ele mesmo Justo o tempo todo.
Para aquele que tem fé, não se trata mais de uma questão da lei ou de justiça legal, que repousava sobre a responsabilidade do homem, mas tendo Cristo descido à morte em expiação e, assim, glorificado a Deus ao extremo, o fundamento é mudado, e isso se torna uma questão de justiça de Deus. Se, pela lei, foi provado que o homem produziu ofensas, e somente ofensas, Deus deve ter Seus direitos, o primeiro dos quais é ressuscitar a Cristo dentre os mortos e dar-Lhe glória. Por isso, é dito em João 16 que o Espírito Santo convence o mundo da justiça, e isso não porque Cristo cumpriu o que violamos, mas porque Ele foi ao Pai e não é mais visto até que retorne em juízo. Não é a justiça na Terra, mas seu curso e caráter celestiais, na ascensão de Cristo, da qual aqui se fala.
Em 2 Coríntios 5, é em Cristo glorificado no céu que somos feitos, ou nos tornamos, justiça divina. É claro, então, que a expressão, embora sem dúvida inclua aquilo que os Cristãos querem dizer quando falam da justiça de Cristo imputada a nós, é algo muito maior e mais glorioso. Ela abrange não apenas aquilo que glorificou a Deus na Terra por meio de uma obediência viva, mas a morte de cruz, a qual, se ela atendeu às necessidades mais profundas do pecador, também quebrou o poder de Satanás em sua última fortaleza e estabeleceu o fundamento imutável para que a graça de Deus reinasse por meio da justiça.
Em Romanos 1:17, diz-se que a justiça de Deus é revelada no evangelho em contraste com a justiça do homem reivindicada na lei, e sendo revelada, é “de fé”, não de obras da lei – isto é, é uma revelação sobre o princípio de fé, não uma obra a ser feita com base na responsabilidade humana. Portanto, é “para a fé” (JND). Quem crê recebe a bênção. Em Romanos 3:21-22, é formalmente contrastado com qualquer coisa sob a lei, embora a lei e os profetas dessem testemunho a seu respeito. É “a justiça de Deus... sem a lei”, pela fé em Jesus Cristo e, portanto, “para todos” os homens, mas que só produz efeito “sobre todos os que creem”. Aqui ela está em conexão especial com a redenção, e, portanto, acrescenta-se que Deus estabeleceu a Cristo como uma propiciação (ou um propiciatório) por meio da fé em Seu sangue (Rm 3:24-26).
Em Romanos 10, isso se mostra incompatível com a tentativa de estabelecer a própria justiça. Sendo a justiça de Deus completa, o objeto da fé em Cristo deve ser submetido a ela ou não temos parte nela.
O capítulo 5 da segunda epístola aos Coríntios eleva-se mais alto e mostra o que o santo é, de acordo com o evangelho da glória de Cristo, feito justiça divina n’Ele ressuscitado e glorificado. Portanto, na epístola aos Filipenses, Paulo, arrebatado até o fim por essa nova e divina justiça, mostra-nos que, em comparação com ela, ele não quereria a justiça da lei, mesmo que pudesse tê-la, pois o que era da lei não tinha glória em seus olhos por causa da glória excelente – aquela que vem pela fé em Cristo, a justiça de Deus pela fé (Filipenses 3). Longe de anular a piedade prática, esta justiça de Deus em Cristo ataca raízes profundas no coração e brota em uma colheita de frutos semelhantes, que é por Jesus para glória e louvor de Deus (Fp 1:11).
The Bible Treasury
Cristo, a Lei e Justiça
Prevalece uma noção (desconhecida da Bíblia) de que Cristo estava fazendo nossa justiça enquanto esteve aqui embaixo. Ora, a vida de Cristo foi, eu não questiono, necessária para vindicar Deus e Sua santa lei, bem como para manifestar a Si mesmo e Seu amor, mas a justiça que somos feitos em Cristo é um pensamento totalmente diferente – não a lei cumprida por Ele, mas a justificadora justiça de Deus fundada na morte de Cristo, manifestada em Sua ressurreição, e coroada por Sua glória no céu. Não é Cristo simplesmente cumprindo nosso dever por nós, mas Deus perdoando minhas transgressões, julgando meu pecado e encontrando tal satisfação no sangue de Cristo que nada do que Ele fizer agora por nós será exagerado demais. Isso se torna, se assim puder falar, uma dívida positiva para com Cristo por causa do que Cristo sofreu.
A lei é a força do pecado, não da justiça. Se Cristo tivesse apenas cumprido a lei, nem tua alma nem a minha poderiam ter sido salvas, muito menos abençoadas, como somos. Quem quer que guardasse a lei, isso teria sido a justiça da lei, e não a justiça de Deus que não tem a menor ligação com obedecer à lei. Ela nunca é assim tratada na Palavra de Deus. Porque Cristo obedeceu até à morte, Deus introduziu um novo tipo de justiça – não a nossa, mas a Sua própria em nosso favor. Cristo foi feito maldição sobre o madeiro; Deus O fez pecado por nós, para que n’Ele fossemos feitos justiça de Deus. Se a doutrina comum sobre esse assunto fosse verdadeira, podemos esperar que se dissesse: Ele obedeceu à lei por nós, para que pudéssemos ter a justiça da lei imputada ou transferida para nós. A verdade se contrapõe em todos os pontos contra essas ideias. Certamente, a obediência de Cristo à lei não foi Deus O fazendo pecado. Assim, na passagem que é tão frequentemente usada, por Sua obediência muitos serão feitos justos. Como é que a Sua obediência aqui está relacionada à lei? O apóstolo introduz a lei no versículo seguinte como uma coisa nova e adicional vindo casualmente.
Além disso, Adão não teria conhecido o significado de “a lei” – embora, sem dúvida, ele estivesse sob uma lei que ele violou. O que Adão, por exemplo, em sua inocência, poderia ter feito com a palavra “não cobiçarás”? Esse sentimento não estava dentro de sua experiência. Consequentemente, como vemos, foi somente após a queda do homem que, no devido tempo, a lei foi dada para condenar a manifestação do pecado. Mas Cristo morreu por causa do pecado e sob o pecado – o nosso pecado. Qual a consequência? Todos os crentes agora, quer Judeus ou gentios, em Cristo Jesus são trazidos para um lugar totalmente novo. O gentio é tirado de sua distância de Deus; o Judeu, tirado de sua proximidade dispensacional; ambos desfrutam de uma bênção comum na presença de Deus nunca antes possuída. A velha separação se dissolve e dá lugar, pela graça, à unidade em Cristo Jesus.
W. Kelly
Graça, a Fonte da Justiça
Em 1 João 3:1‑3, temos uma espécie de parênteses que se interpõe entre o final do capítulo 2 e 1 João 3:4, onde o assunto da justiça é tratado de modo mais completo. João vinha exortando a família de Deus a permanecer em Cristo para que, quando Ele Se manifestar, os que trabalharam possam ter confiança e não se envergonhar diante d’Ele em Sua vinda. “Se sabeis que Ele é Justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido d’Ele”. Em seguida, ele aborda o assunto da justiça nos versículos seguintes, começando no versículo 4. É claro na leitura a partir desse ponto que ele está ocupado com a justiça prática. “Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como Ele é Justo”. Mas então o Espírito de Deus nos permite saber que não temos poder para sermos consistentes em nossos relacionamentos, que é o significado da justiça, a menos que sejamos fortalecidos pela graça de nosso Deus.
Sugiro que esse seja pelo menos um dos motivos pelos quais o apóstolo foi inspirado, ao entrar no assunto da justiça, para fazer esse parêntese. É algo digno do amor divino e seguramente com o mais profundo propósito e consideração para conosco. É para nos dar a verdadeira fonte e poder da justiça. Por isso João introduz o Pai aqui. Sempre que é uma questão de graça, ouvimos falar do Pai; onde é uma questão de justiça, é antes o nome de Deus que é usado. Deus tem reivindicações morais, e Ele não diminui essas reivindicações no caso de um Cristão. Pelo contrário, a responsabilidade de nossa parte deve aumentar em proporção à medida que Ele torna conhecida Sua graça e verdade.
Mas então não esqueçamos que Sua graça dá poder, algo que a justiça nunca faz. Você pode ter o mais pleno direito a algo, mas isso não garante que você receberá aquilo que lhe é devido; é necessário haver uma fonte de poder que capacite a pessoa satisfazer às suas demandas. Assim procede o nosso Deus conosco. Sua completa intenção é nos ter aqui segundo Cristo, enquanto esperamos ser perfeitamente segundo Ele no céu. Mas, para realizar tanto uma coisa como a outra, deve ser pelos tratamentos de Sua graça, e é dessa maneira que Ele opera. O Pai envia Seu Filho para que possamos vê-Lo e crer n’Ele para a vida eterna, e João tem uma percepção da eficácia de Cristo que, para ele, vê-Lo é ser semelhante a Ele. Se você O vê, diz ele, por assim dizer, certamente seguirá os Seus passos. João não admite que alguém que seja diferente de Jesus O tenha visto alguma vez. Ora, não há nada que dê uma ideia melhor do poder transformador de Cristo do que isso. João não admite que uma pessoa tenha visto Jesus sem ser semelhante a Ele. Isso pode ser impedido pela carne aqui, mas está chegando o dia em que todos os obstáculos terão desaparecido. Então O veremos perfeitamente, e seremos perfeitamente semelhantes a Ele quando isso acontecer.
Bible Treasury (adaptado)
Amor e Justiça
Há variedade no amor divino, conforme expresso nas Escrituras. Em João 3, temos o amor de Deus para com o mundo, mostrado na dádiva de Seu único Filho; em Efésios 5, o amor de Cristo à Igreja, pela qual Ele Se entregou a Si mesmo; em 1 João 3, o amor do Pai para com Seus filhos, gerados por Ele. Nas Escrituras também há variedade na verdade a respeito de nós mesmos: Nas epístolas de Paulo somos membros do corpo de Cristo, ligados a Ele que está no trono, nas epístolas de Pedro somos estrangeiros e peregrinos passando por este mundo em direção à nossa herança, incorruptível, imaculada e infindável, enquanto nos escritos inspirados de João somos filhos de Deus, trazidos ao relacionamento com Ele. Isto é o que é tão docemente expresso aqui: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3:1). Ainda não somos manifestados como tal ao mundo; por isso esperamos. Ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos.
Filiação
Enquanto isso, somos desconhecidos pelo mundo, assim como Ele era desconhecido. Esperamos a manifestação de nossa filiação, mas não a consciência dela. “Agora somos filhos de Deus”; disso temos a certeza. A fé sempre pode dizer: “Nós sabemos”; a fé trata com certezas divinas. A conformidade ao vê-Lo nos lembra 2 Coríntios 3:18: “E todos nós, contemplando a glória do Senhor, com o rosto desvendado, somos transformados de acordo com a Sua imagem de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito” (JND).
Isso, no entanto, é moral, e agora encontramos Sua imagem estampada em nós na medida em que O contemplamos lá em glória. Primeira João 3:2 é futuro, vai além do aspecto moral e inclui o corpo, pois ele será mudado e modelado como Seu próprio corpo de glória. E isso vai acontecer quando O virmos.
Agora, João começa a ser prático. “E qualquer que n’Ele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro” (1 Jo 3:3). A Palavra nos diz que a vida eterna que estava com o Pai se manifestou para nós. Somos chamados à comunhão com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo, e isso na luz, assim como Deus está na luz. Então, depois que a palavra adicionada sobre a provisão que a graça fez em caso de pecado, o Espírito começa a ser prático e diz: “E nisto sabemos que O conhecemos: se guardarmos os Seus mandamentos”. Então, aqui, nos é dito de nossa esperança, e depois somos lembrados da pureza que nos convêm em vista dela. Como posso manter a esperança sem me purificar? É possível valorizar o pensamento de que em breve serei como Ele, sem ter o desejo de ser como Ele moralmente em alguma medida agora? Observe que Cristo é o padrão de pureza, assim como Ele é puro. Cristo é sempre o padrão de Deus; Deus não põe outro diante de Seus santos. No capítulo 2, devemos andar como Ele andou. No capítulo 3:16, Ele é o padrão de amor, e aqui Ele é o padrão de pureza. De fato, se eu quiser saber como manifestar a natureza divina da qual sou participante, devo olhar para Ele em Quem ela é perfeitamente vista.
Prova de pureza pela prática
Se eu me purificar como Ele é puro, não devo praticar o pecado, e o pecado é aqui apresentado sob uma luz solene; é iniquidade. Que consideração séria para o Cristão! Somos santificados para a obediência e chamados a fazer a vontade de Deus, mas quando pecamos, cometemos iniquidade, ou seja, exercitamos nossa própria vontade. Além disso, duas razões importantes são dadas por que não devemos pecar. “E bem sabeis que Ele Se manifestou para tirar os nossos pecados; e n’Ele não há pecado”. Se eu realmente creio que meus pecados causaram Sua manifestação e morte, eu deveria odiar o pecado e, por outro lado, sabendo que o pecado é contrário à Sua natureza (e somos participantes dessa natureza), vejo a inconsistência de tal curso. Não é aquele que professa, mas é aquele que realmente nasceu de Deus. “Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como Ele é Justo” (1 Jo 3:7). Justiça prática é o que Deus espera que seja manifestado naqueles que professam ser nascidos d’Ele. É apenas por ações que demonstramos a qual família pertencemos – “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo”. O Senhor determinou em João 8 que somos filhos daquele cujas obras realizamos. Os Judeus naquele capítulo se vangloriavam de ter Abraão como pai, mas o Senhor, embora admitisse que eles eram descendência de Abraão, os repudiou como filhos do homem que se alegrava em ver Seu dia e que o via e se alegrava. “Se fósseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão”, e subsequentemente, Ele disse claramente: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (Jo 8:39, 44).
Amor fraterno
Mas um segundo teste é adicionado em nosso capítulo: “Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus” (1 Jo 3:10). Aqui temos uma rápida transição da justiça para o amor. É possível que estejamos enganados quanto ao primeiro teste? Podemos, por causa de nosso discernimento imperfeito, confundir, às vezes, retidão moral com a justiça que é o resultado de nascer de Deus, mas dificilmente podemos errar quanto ao amor. Podemos encontrar um homem meramente correto no aspecto moral, mas ele ama os irmãos? O homem nascido de Deus ama: “todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que d’Ele é nascido” (1 Jo 5:1). Até que ponto devemos amar? “Devemos dar a vida pelos irmãos”, e isso porque eles são irmãos. No entanto, para que não sejamos apenas sentimentais em nossas expressões, o apóstolo acrescenta: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?” (1 Jo 3:17 – AIBB). Podemos nunca ter oportunidade de demonstrar nosso amor dando vida, mas, por outro lado, a oportunidade ocorre todos os dias.
É impressionante observar como o amor pelos irmãos e o ódio do mundo estão conectados aqui. “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia”. O mesmo se observa no ensino do próprio Senhor em João 15. No versículo 17, Ele ordena aos Seus que se amem uns aos outros, e prossegue no versículo 18 para falar de ódio do mundo exterior. Todo o amor que encontramos no mundo atual é o que mostramos uns aos outros. Do mundo que deu ao Senhor apenas uma cruz, não esperamos nada além de ódio, rejeição e desprezo; no círculo santo da família de Deus, esperamos encontrar amor, e isso segundo um padrão divino. A ordem, no entanto, é divina: primeiro a justiça e depois o amor.
W. W. Fereday
A Necessidade de Justiça Prática
Justiça pode ser definida como conduta que está de acordo com aquilo que é correto. Em termos espirituais, é uma conduta que reconhece Deus e Suas reivindicações e age de acordo com tudo o que Deus é em Seu caráter. Ela reconhece o que é correto como Deus o vê, e não de acordo com a moral mutável deste mundo. Como podemos ver em outros artigos desta edição, o crente já é posicionalmente a “justiça de Deus... n’Ele [Cristo]”, enquanto espera por aquela justiça perfeita que será manifestada em todos os crentes na vinda do Senhor. Ao nos colocar nessa posição, Deus agiu perfeitamente de acordo com Seu santo caráter, pois a questão do pecado foi resolvida na cruz e de modo justo. “Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26).
Os efeitos extensivos da justiça
Também sabemos que a obra consumada de Cristo terá efeitos de longo alcance quanto à justiça. Porque Ele sofreu, não apenas pelos pecados, mas também pelo pecado, João Batista poderia dizer: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Do mesmo modo, lemos em Hebreus 9:26: “agora na consumação dos séculos uma vez Se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo”. Por causa de Sua obra de tirar o pecado, Deus exaltou soberanamente Seu Filho amado, e Ele será vindicado no dia em que “reinará um Rei com justiça, e dominarão os príncipes segundo o juízo” (Is 32:1). Por todo o dia do milênio, a justiça reinará, e o julgamento será executado todas as manhãs contra aqueles que pecarem abertamente.
Mais do que isso, chegará um dia eterno em que a profecia de João Batista será cumprida. A justiça reinará durante os mil anos do milênio, mas no estado eterno lemos sobre “novos céus e nova Terra, em que habita a justiça” (2 Pe 3:13). Todo pecado terá sido removido, e nunca mais poderá levantar sua cabeça novamente. Por toda a eternidade, a cena no céu e na Terra dará testemunho do fato de que a justiça habita.
A justiça sofre
Onde tudo isso nos deixa agora, neste mundo? É triste dizer que a justiça não reina nem habita no mundo atualmente. Antes, a justiça sofre, porque o “Sol da justiça” (Ml 4:2) foi rejeitado e crucificado. Os homens escolheram Barrabás em vez do Senhor Jesus, e com uma só voz disseram: “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lc 19:14). A razão foi claramente declarada pelo próprio Senhor: “O mundo não vos pode odiar, mas ele Me odeia a Mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más” (Jo 7:7). Até que o Senhor volte em poder e glória como o Sol da justiça, Satanás permanece o deus e o príncipe deste mundo, e a justiça sofre.
Infelizmente, encontramos nestes últimos dias que a injustiça está chegando a um ponto crítico. A descrição dada em 2 Timóteo 3:1‑7 é a da Cristandade, quando as reivindicações de Deus e a verdade da Palavra de Deus têm sido rejeitadas. Os detalhes apresentados são típicos do pior tipo de injustiça, que sem dúvida aumentará com o passar do tempo.
A influência da injustiça
Existe um sério perigo de que nós, como crentes, sejamos atraídos para esse vórtice e adotemos, em nossa vida cotidiana, as práticas injustas do mundo ao nosso redor. À medida que o mal continua a aumentar, a “ética situacional” e a conveniência política tornam-se a base sobre a qual as decisões morais são tomadas. O homem se recusa a reconhecer qualquer padrão objetivo de certo e errado. Requer cada vez mais diligência para andar de acordo com a verdade da Palavra de Deus e conduzir nossa vida de maneira justa. Alguns anos atrás, um crente foi preterido para uma promoção em sua empresa, embora ele fosse de longe o mais qualificado para o trabalho. Seu chefe simplesmente lhe disse: “Você é um homem bom demais”. A empresa percebeu que o crente em questão se recusaria a conduzir os negócios de maneira injusta e, portanto, ele não seria adequado para preencher a posição.
Graça e injustiça
No entanto, Deus nos deu tudo para que possamos manifestar justiça prática em nossa vida. O livro de Tito é conhecido por sua ênfase nas boas obras, não para obter a salvação, mas para mostrar os resultados dela em nossa vida. O poder de fazê-lo nos é dado claramente: “Porque a graça de Deus, que traz consigo salvação para todos os homens, apareceu, ensinando-nos que, tendo negado a impiedade e as concupiscências mundanas, vivamos sobriamente, e justamente, e piedosamente no presente curso das coisas” (Tt 2:11‑12 – JND). Podemos procurar refrear nossa tendência à injustiça por meio de um apelo à consciência ou à energia humana. No entanto, a força mais poderosa para impedir o crente de pecar é um sentido em sua alma da graça de Deus. Ela apareceu a todos os homens, embora muitos não creiam. Mas Deus Se revelou em Seu Filho, que não apenas manifestou justiça em Sua caminhada por este mundo, mas que fez um caminho para que todos se tornassem “a justiça de Deus n’Ele” (JND). Eu sugeriria que um dos testemunhos mais fortes deste mundo é uma caminhada justa, não em bases legais ou egocêntricas, mas por causa de nossa apreciação da graça de Deus. Tanto a graça quanto a justiça devem caracterizar o crente, como ele conduz seus negócios neste mundo.
W. J. Prost
Justiça Prática
Se olharmos para Romanos 3, descobrimos que a justiça de Deus é o tema constante, mas se olharmos para Romanos 6, apesar de encontrarmos justiça sobre a qual se fala continuamente, nunca é a justiça de Deus. A razão disso é que existem duas justiças, que são perfeitamente distintas. Uma é a de Deus e a outra é a do crente. No capítulo 3, a primeira é o tema (ligada à nossa posição); no capítulo 6 é a segunda (ligada ao nosso estado).
Para termos um exemplo dessas duas, vamos olhar por um momento a primeira pessoa de quem se diz claramente ter as duas. Repetidamente nos é dito que Noé era um homem justo e reto e também que ele foi um pregador da justiça. Sabemos que ele não era um pregador do que chamamos de “evangelho”, mas que sua pregação e prática eram caracterizadas pela justiça em sua conduta e caminhos. Isso é análogo à justiça de Romanos 6. Se agora nos voltarmos para Hebreus 11, descobrimos que Noé “foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé”. Observe cuidadosamente a linguagem. Em primeiro lugar, ele é um herdeiro dela, o que implica duas coisas: uma, que ele ainda não a possui e a outra, que ele não trabalhou por ela, pois ninguém pode trabalhar pelo que herdou. Segundo, essa justiça é pela fé. Voltando a Romanos 3:22, vemos claramente que a justiça que é pela fé é a justiça de Deus. Vemos, assim, que Noé viveu em uma justiça e foi feito herdeiro de outra justiça. A razão pela qual ele era apenas herdeiro da justiça de Deus é explicada em Romanos 3:25, onde é mostrado que Deus não podia declarar Sua justiça, ao não levar em conta os pecados de Noé, até que uma propiciação adequada fosse feita pela morte de Cristo. Ao considerar este caso, vemos que a justiça em que Noé se coloca (ou permanecerá) diante do trono é a justiça de Deus, como pode ser visto na obra perfeita de Cristo, enquanto que a que ele viveu e glorificou a Deus na Terra foi sua própria justiça prática. Em Efésios 4:24, lemos que o novo homem é criado “em verdadeira justiça e santidade”, ou em justiça e santificação práticas. Andar em novidade de vida (Rm 6:4) inclui essas duas coisas (veja Lucas 1:75), como é visto no final de Romanos 6, quando ambas estão ligadas como resultado de um caminhar piedoso (vs. 19, 22).
Justiça prática
Tomando primeiro a justiça prática, iremos considerar brevemente o que a Escritura diz sobre o assunto. Em 2 Coríntios 6:14, notamos esse fato notável de que ela é a primeira coisa mencionada na separação do mal. É também a primeira coisa que somos chamados a seguir (1 Tm 6:11; 2 Tm 2:22). Assim, em três ocasiões distintas, ela ocupa o primeiro lugar. Além disso, é a primeira das três coisas das quais se diz que o reino de Deus consiste praticamente (Rm 14:17). Em 2 Coríntios 6:7, é descrita de modo geral como a armadura do Cristão, enquanto em Efésios 6 é a couraça, ou aquilo que protege as partes vitais. Na prática, diz-se que ela produz uma boa consciência (1 Pedro 3:16), o que também é de suma importância. Os olhos de Deus estão sobre o homem justo na prática (1 Pedro 3:12), e que Seus ouvidos estão abertos ao seu clamor são vistos não apenas aqui, mas também em Tiago 5:16, onde a oração de um homem justo pode muito em seus efeitos. Em nenhuma dessas passagens a palavra “justo” se refere à nossa posição diante de Deus, mas aos atos e caráter individuais da vida do crente.
Justiça na vida cotidiana
Essa é uma breve revisão da maneira pela qual a Escritura fala dessa qualidade da nova natureza. Em que ela consiste então? Em perfeita retidão de comportamento e caminhos. Como é obtido? Vivendo diariamente à luz da presença de Deus. É o fruto da luz (veja Ef 5:8‑9 – ARA).
Você supõe, por um momento sequer, que o homem que vai para o seu trabalho diário e o realiza diante de Deus pode rebaixar-se a algum dos milhares de truques comerciais que permeiam todas as profissões – práticas que são comumente toleradas como conveniências ou abertamente permitidas, mas que não estão de acordo com o padrão de Deus do que é correto? Impossível. Ele deve fazer uma de duas coisas: Ou ele deve renunciar a todos esses métodos de comprar, vender e conduzir seus negócios de acordo com a luz perfeita em que ele permanece como Cristão, ou, virando as costas para a luz e fechando os olhos para ela, ele descerá ao nível da moralidade deste mundo e permitirá que muitas coisas passem em sua vida profissional que ele evitaria permitir em sua vida particular. Infelizmente, quão poucos são encontrados, em todas as coisas, realizando a primeira alternativa! Quantos debilitam sua alma, restringem sua vida espiritual e entristecem seu Senhor ao escorregarem para a segunda. Vamos considerar como tudo isso parecerá diante do tribunal de Cristo. Pode ser que não estejam ativamente empregados nos negócios, mas todos têm suas tentações à injustiça e, muitas vezes, das formas mais desleais. Viva como Paulo viveu, à luz da presença de Deus e da eternidade que se aproxima, e não permita que você se incline a nenhuma ação que não suporte essa luz, por mais vantajosa que seja para você, por mais elogiada e aconselhada por falsos amigos.
Seja justo em todas as coisas
É temível pensar quantos de nós vivemos diariamente em injustiça naquilo que chamamos de pequenas coisas e depois nos ousamos nos aproximar de Deus em oração e na mesa do Senhor sem confissão. Seus ouvidos estão abertos ao clamor do justo. Nada mais prende a atenção do mundo e o faz crer na realidade do Cristianismo como os atos justos que são uma desvantagem para a própria pessoa, pois não há como disfarçar a verdade de que: “não podeis servir a Deus e a mamom” (Lc 16:13). Você não pode temer a Deus e acumular riquezas para si mesmo. Você pode perder dinheiro e muitas oportunidades aparentemente boas se andar estritamente na justiça prática, mas quanto à eternidade, eu não preciso dizer quem será o ganhador. Se você desfruta e confia na “graça de Deus” que trouxe salvação a você e se lembra e pratica suas lições, viverá de maneira sobria, correta e piedosa neste mundo atual. Feliz, de fato, é o homem que, permanecendo diante de Deus na justiça que Ele proporcionou, caminha diante de seu companheiro naquela retidão prática que somente ela pode adornar a graça que o Acolheu.
A. T. Schofield
“O Corpo, na Verdade, Está Morto Por Causa do Pecado”
Não somente eu estou em Cristo (Rm 8:1), mas também, como um crente, Cristo está em mim (v. 10). O efeito de saber que estou em Cristo é que não há condenação; não apenas que eu não seja condenado por isso ou por aquilo, mas toda condenação é absolutamente anulada. Deus teria que condenar Seu próprio Filho se Ele condenasse aqueles que estão n’Ele, e todo Cristão está n’Ele. A medida da salvação de Deus é que, em primeiro lugar, quanto à nossa posição, somos colocados em Cristo ressuscitado dentre os mortos, que é a nossa vida no poder do Espírito. A seguir, há a operação ativa do Espírito de Deus no crente. É disso que se fala aqui: “E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça”. Se eu permitir que o corpo tenha vontade própria, não haverá nada além de pecado produzido. Como devo obter poder contra ele me arrastar para o pecado? Considere o corpo como morto; Essa é a prescrição. Ele não está falando de incrédulos, mas simplesmente de Cristãos. Para eles, a palavra é: “Se Cristo está em vós”. Lembre-se, é isso que você deve fazer – considerar o corpo como uma coisa morta; não o mime; nunca ceda a ele. Se for dada permissão para a vontade ativa nele, não será apenas o corpo; torna-se então simplesmente “carne”. Onde é dada liberdade à vontade, independentemente, é claro, da vontade de Deus, o corpo é apenas o instrumento do pecado, não da justiça.
Poder sobre o pecado
Assim, o caminho para o Cristão obter poder contra o pecado que está nele é considerar o corpo como morto. Acaso aquele que está morto permitirá que tal ou tal coisa má opere? Quando você deixa de considerá-lo como morto, há pecado, mas se o fizer, o Espírito opera com poder moral. “O espírito vive por causa da justiça”.
É somente na medida em que você não cede à sua própria vontade que o pecado é, na prática, nulo e sem efeito, e o Espírito de Deus age livremente. O apóstolo está considerando a efetiva operação do Espírito de Deus em nós. Não é a vida simplesmente considerada como nossa, mas como em exercício – uma questão de experiência dia após dia. O que há entre a libertação da alma (como nos versículos 1-2) e a ressurreição de nosso corpo? “E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça”. A justiça não se encontra simplesmente ao ver que eu estou em Cristo. Isso, por si só, não basta. Um homem que apenas fala sobre estar em Cristo e faz disso seu Cristianismo mostrar-se-á muito mau, de fato. Ele está apenas fazendo de Cristo um meio de escapar da condenação eterna e da responsabilidade presente, mas isso não servirá. Tão certo quanto você tem Cristo e você está em Cristo, Cristo está em você, e se Cristo está em você, tome cuidado para não permitir que o “eu” opere. Onde o corpo não é tratado como morto, mas vivo, e é permitido seguir seu caminho, o pecado será o resultado. Se você o trata como morto, sua carreira é abreviada, seu curso é encerrado e o Espírito de Deus Se digna a tornar-Se a única fonte do que você está procurando.
Liberdade Cristã
E ninguém suponha que isso seja escravidão; é liberdade Cristã. Um escravo trabalha dessa maneira porque ele é obrigado a agir assim; e nós também, quando estamos em um estado baixo, somos propensos a tornar tudo em lei. Quando as afeições não estão fluindo, somente somos preservados do que é abertamente mau porque há um temor servil de fazer o que nossa consciência sabe que é contrário a Deus. Nesse caso, estou esquecendo meu dever. Qual é ele? Mesmo agora, Cristo está em mim. Se Cristo está em mim aqui, sou responsável por fazer Sua vontade. Como isso deve ser feito? Eu tenho meu corpo; se eu permitir que ele siga sua própria vontade e caminho, isso me levará ao pecado. Trate-o como morto, e deixe que a única fonte do seu desejo seja aquilo que agrada ao Espírito Santo. “O espírito vive por causa da justiça”. Não há justiça prática produzida no Cristão, exceto pelo poder do Espírito de Deus. Se for permitido ao corpo uma rédea solta quanto ao que desejamos, é apenas pecado. O Espírito, pelo contrário, é vida no sentido prático, e esse é o único caminho de justiça para nossa caminhada.
W. Kelly
Justiça de Deus pela Fé
O que Paulo quer dizer quando fala de possuir a justiça de Deus? “Para que possa ganhar a Cristo, E seja achado n’Ele , não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp 3:8-9). O que está sendo feito “justiça de Deus n’Ele” (2 Co 5:21 – TB)?
A expressão em Filipenses 3:9 é antes “a justiça que vem de Deus”. Antes de tudo, o pecador que crê n’Aquele que justifica o ímpio é considerado justo, por Deus e pela fé. Não é que certa quantidade de justiça lhe seja atribuída; antes, ele próprio é considerado intrinsicamente justo diante de Deus (Rm 4). Deus age de maneira justa por meio do precioso sangue de Cristo, considerando-o assim. Cristo, à destra de Deus, é a prova de que a justiça de Deus se manifestou. Seu primeiro ato, quando Cristo atendeu todas as Suas justas reivindicações quanto ao pecado e O glorificou, foi colocar Cristo como Homem no céu. Seu próximo ato é considerar justos todos os que creem em Jesus.
Mas isso não é tudo. Ao crente foi comunicada uma nova vida – uma vida em Cristo ressuscitado dentre os mortos, cujo caráter é uma vida justificada. É uma vida do outro lado da morte e do pecado. Cristo ressuscitado é esta vida; nossa vida está “escondida com Cristo em Deus” (Cl 3:3). Cristo foi feito pecado por nós, para que pudéssemos ser feitos a justiça de Deus n’Ele, como exaltado. Ele está no céu, a justiça de Deus, e fomos tornados justiça de Deus, ou seja, a expressão dela, n’Ele (2 Co 5:21).
Até aqui vimos o que agora possuímos pela fé. Mas estamos em jornada para o céu para ganhar a Cristo e ser achados n’Ele, não tendo a nossa própria justiça (mesmo supondo que tivéssemos tudo o que Paulo podia vangloriar-se em Filipenses 3:4-6). Ele a joga de lado e considera escória e refugo, desejando e aguardando outra coisa quando atingir o alvo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé.
Assim, você descobre que, por um lado, ele já é justo; ele já está “em Cristo” pela fé, enquanto ele ainda está, ao mesmo tempo, prosseguindo para o alvo, como em Filipenses 3, para ser “achado” “em Cristo” no final e ter a justiça que vem de Deus naquele dia.
O estado contraditório do Cristão, “como nada tendo” em si mesmo, “e possuindo tudo” em Cristo, explica isso.
Words of Truth, Vol. 7:160
Justiça
A justiça de Deus é a manifestação da natureza de Deus em todos os Seus atos.
Nós, crentes, somos feitos justiça de Deus em Cristo (2 Co 5:21).
Ele, Cristo, é a nossa justiça diante de Deus (1 Co 1:30).
Não são os méritos de Cristo colocados em nossa conta, nem é Cristo guardando a lei para nós.
O julgamento justo de “pecado” (a raiz) e “pecados” (o fruto) foi visto na cruz.
O sangue de Cristo tirou nossos pecados (1 João 1:7). A morte de Cristo terminou nossa história como Adão diante de Deus (2 Co 5:17).
Agora, Cristo é a nossa vida (Colossenses 3:4).
Estamos “em Cristo” diante de Deus (Rm 8:1).
É um fato bendito que Cristo é a justiça do crente diante de Deus, para que ele rejeite toda a outra justiça como inútil. Leia atentamente o que Paulo diz em Filipenses 3:7‑9.
Que o Senhor conceda a cada um de nós desfrutar mais disso e louvar juntos a Sua graça!!
“Aquele que não conheceu pecado, O fez pecado por nós; para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5:21).
“Justo somente em Ti, Jesus, o Senhor!”
Tu serás o nosso refúgio, Jesus, nosso Senhor!
A Quem, então, devemos temer?
Quais problemas, tristezas ou preocupações,
Já que Tu estás sempre perto, Jesus, nosso Senhor?
G. H. Hayhoe
Perfeita Justiça
A perfeita justiça de Deus
É testemunhada no sangue do Salvador;
É na cruz de Cristo que encontramos
Sua justiça e maravilhosa graça.
Deus não podia ignorar o pecador;
Seu pecado exige que Ele morra;
Mas na cruz de Cristo vemos
Como Deus pode salvar e, ainda assim, ser justo.
O pecado recai sobre a cabeça de Jesus;
É em Seu sangue que a dívida do pecado é paga;
A justiça severa não pode exigir mais,
E a misericórdia pode distribuir sua abundância.
O pecador que crê é livre,
Pode dizer: “O Salvador morreu por mim”;
Pode apontar para o sangue expiatório
E dizer: “Isso fez a minha paz com Deus”.
Hinário The Little Flock – Hino 67 Apêndice
“Jesus nosso Senhor; O Qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus”
Romanos 4:25-5:1



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