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Justificação (Maio de 2007)

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Revista mensal publicada originalmente em maio/2007 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          Tema da edição

          A. Whitesmith

          Christian Truth, 12:3-18

          A. H. Rule

          R. H. Craggs, adaptado         

          W. Kelly

          J. N. Darby, adaptado de Collected Writings, 21:193-200

          J. G. Bellett, adaptado de Short Meditations

          Adaptado de The Bible Treasure

          E. B. Hartt

 

Justificação


Por meio da morte de Cristo há o completo julgamento e remoção para fora da vista de Deus tanto dos pecados do homem como do homem que pecou. Por meio da ressurreição de Cristo, o homem tem uma nova Cabeça em Quem ele vive diante de Deus. Essa obra e posição se aplicam a uma pessoa se e quando ele confia no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador.

 

Quando os pecados de um homem são removidos da vista de Deus, Deus julga o homem como sendo justo diante de Seus olhos, isto é, ele é “justificado do pecado”. Quando um homem pela fé aceita esta verdade de Deus, ele goza de paz com Deus e compartilha com Deus no gozo do que Cristo fez por Deus e do que Deus fez por ele.

 

Pela desobediência de um, Adão, a morte chegou a todos os homens. Por meio da obediência de um, Cristo, justiça e vida estão disponíveis para todos os homens. Deus está oferecendo a todos essa “justificação de vida”. Para receber esta vida em Cristo, o homem deve receber o dom da justiça oferecida por Deus em graça. Para todos, o pecado e a morte reinaram uma vez; agora, para todos os que creem em Cristo, a graça reina, pela justiça, para a vida eterna.

 

Esperamos que cada um não apenas desfrute da paz que o entendimento da nossa posição justa diante de Deus produz, mas também que cada um viva como Paulo, dizendo: “já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20).

 

Tema da edição

 

Justificação pela Graça, pelo Sangue e pela Fé


“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica” (Rm 8:33). Da Escritura acima aprendemos que ser justificado é estar livre da acusação de pecado. Até crermos no evangelho, a acusação contra nós era de que todos “pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, mas, tendo crido, temos o privilégio de saber que fomos “justificado de todas as coisas” (At 13:39 – ARA). Para qualquer um que questionasse nosso direito a essa posição ou que trouxesse qualquer acusação de pecado contra nós, a resposta divina é: “É Deus Quem os justifica”. Se Deus, o Deus contra Quem nós pecamos, nos justifica, quem é aquele que nos condenará? Na epístola aos Romanos, se diz que a justificação é (a) pela graça, (b) pelo sangue e (c) pela fé.


Justificação pela graça 

Até que a graça de Deus fosse revelada pela vinda de Cristo, o judeu estava sob a lei. Mas como Romanos 3:20 nos diz, a lei não justificava. De fato, teve o efeito oposto. A lei era um padrão pelo qual as deficiências do homem eram reveladas e, em vez de absolvê-lo da acusação de pecado, ela estabelecia sua culpa. Mas e o gentio? Está provado que ele também está "debaixo do pecado" (Rm 3:9). É verdade que ele nunca foi provado pela lei publicamente, mas o julgamento do judeu foi suficiente para provar que “nenhuma carne será justificada... pelas obras da lei” (nem judeu nem gentio) poderia ser justificada aos olhos de Deus. Todo esforço humano como meio de obter bênçãos é assim descartado e Deus revela que “por Sua graça” Ele pode justificar todos os que creem.

 

Justificação pelo sangue 

Nunca é o caminho de Deus, no entanto, agir em graça desprezando a justiça, nem justifica o pecador ignorando o seu pecado. O pecado é um desafio à justiça e supremacia de Deus, e para vindicar a Sua justiça, Deus precisa julgar o pecado. Mas como poderia Deus executar o julgamento sobre o pecado que Sua justiça exigia e ainda assim justificar o pecador de acordo com o desejo de Sua graça? É na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo que encontramos a resposta para essa pergunta. Na cruz, o julgamento implacável do pecado que a justiça de Deus requeria foi realizado e, assim, Sua atitude para com o pecado foi claramente declarada. Visto que o Senhor Jesus carregou todo o peso da ira divina contra o pecado, Deus é Justo em justificar todos os que têm fé naquilo que é o testemunho de Sua morte – o sangue.

 

Justificação pela fé 

Se diante de Deus a justificação é pela graça, diante do homem deve ser pela fé. A graça está em contraste com a lei; a fé está em contraste com as obras. Graça implica dom [presente] e ninguém trabalha por um presente. "Ora, àquele que faz qualquer obra” diz a Escritura, “não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida". Ou seja, se tivesse sido possível para os homens, por obras de justiça terem cumprido as exigências de Deus, então eles teriam direito à justificação. Mas, como vimos, a lei e as obras da lei são descartadas; portanto, se os homens devem ser justificados, deve ser pela graça no princípio de fé.

 

A. Whitesmith

 

Fonte, Base e Princípio da Justificação


Há três partes na minha justificação: Deus, Cristo e eu mesmo. Da parte de Deus existe graça: “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24). Da parte de Cristo, há o Seu sangue: "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira" (Rm 5:9). Da minha parte há fé: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1). A graça é a fonte, o sangue é a base, a fé é o princípio da minha justificação. Sendo assim, que crédito e glória Deus e Seu bendito Filho recebem, e que bênção plena é a porção do pecador que não obra mas crê! E aprendemos em outros lugares que não podemos dar crédito a nossa fé, pois é "o dom de Deus".

 

Christian Truth, 12:3-18

 

Como Somos Feitos Justos


  1. A justiça de Deus é revelada para o pecador em virtude de Cristo apresentado como uma propiciação pela fé em Seu sangue, e é sobre todos os que creem;

  2. Deus considera justo o ímpio pecador que crê (Rm 4:5);

  3. Não somente nos livramos da culpa pelo sangue de Cristo, mas pela Sua ressurreição também somos colocados num lugar limpo;

  4. Em virtude de estarmos n'Ele, o que Ressuscitou, o último Adão, não somos apenas justificados de todas as coisas, mas temos também justificação de vida. Isso nós temos por meio de Seu “um só ato de justiça”;

  5. Por Seu “um só ato de justiça” – Sua obediência até a morte – Ele é aceito como o último Adão diante de Deus, e nós, pobres pecadores que cremos, estando ligados a Ele, somos constituídos justos – aceitos na mesma perfeição como Ele mesmo – naquele cheiro suave que sempre subiu a Deus do Homem obediente;

  6. Deus fez de Cristo nossa justiça, e n'Ele, como nossa justiça, estamos diante de Deus. Que vestimenta! Certamente é a melhor vestimenta!

  7. Nós fomos feitos a justiça de Deus n'Ele. Em virtude dessa magnífica obra realizada por meio de Cristo, uma nova e eterna glória é acrescentada a Deus – uma glória exibida no último Adão, o Filho de Deus, o Homem na glória. Um olhar sobre a Sua bendita face pela fé deve ser o suficiente para fixar o coração sobre Ele para sempre.



A. H. Rule

 

Sete Resultados da Justificação


“Nós... os que cremos n’Aquele que dentre mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor, o Qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação”. "Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo Qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 4:24-25; 5:1-5).

 

Começamos com: "cremos n’Aquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus". Cremos n’Ele que é Deus, a fonte de tudo, agindo em poder divino, ressuscitando Aquele que foi entregue por nossas ofensas. Este ato é a aprovação e satisfação de Deus da obra de Cristo na cruz, correspondendo à figura do Mar Vermelho. O "sendo pois" de Romanos 5:1 é a primeira consequência dessa justificação. Esta é a justiça imputada a nós. O Justo Deus, em Sua própria justiça, de maneira justa nos conta justos sob o princípio de fé. Não somente nossos pecados são perdoados, mas Ele olha para nós em toda a perfeição do próprio Cristo. Por meio da obra de Cristo, como o pródigo, nos é dada “a melhor roupa”. Mérito, conquistas ou obras da nossa parte não têm lugar aqui. Isto constitui a posição do crente diante de Deus, baseada na obra de Cristo, e é, portanto, estabelecida e imutável.

 

A passagem agora coloca diante de nós sete resultados abençoados desta justificação que são divididos em duas partes – as três primeiras e as quatro últimas. As três primeiras, “Temos paz com Deus”, “entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes” e “nos gloriamos na esperança da glória de Deus” aplicam-se ao nosso passado, presente e futuro.

 

1: Paz com Deus 

“Temos paz com Deus”, a primeira consequência da justificação, é que Deus removeu, eternamente removeu o opróbrio da culpa em nossa consciência diante d’Ele que é santo. Não somos somente justificados diante de um Deus santo, mas o próprio Deus contra Quem nós pecamos, Ele mesmo foi Quem nos justificou. Os santos do Velho Testamento tinham perdão governamental e, portanto, apenas de maneira temporária ou limitada. Os três exemplos de perdão durante a vida do Senhor iriam além daquele que os santos do Velho Testamento tinham. O homem com paralisia em Lucas 5 certamente ensina o perdão governamental, mas também pode ter sido judicial. Os outros dois casos, a mulher que era pecadora em Lucas 7 e os discípulos em João 20:23, eram perdões judiciais e antecipavam a verdadeira posição Cristã – a obra de Cristo, Sua ascensão e a descida do Espírito Santo. Mas nós que vivemos na era Cristã somos eternamente e judicialmente perdoados, e Deus nunca levantará a questão de nossos pecados novamente. De fato, Ele nos olha agora como estando “em Cristo”. Isso é ter paz com Deus.

 

2: Acesso à verdadeira graça 

"Pelo Qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes". Nossa posição atual diante de Deus é em graça, e o favor e o amor de Deus descansam ininterruptamente sobre nós. Nada pode prejudicar ou impedir isso. Entramos nessa posição pela fé e certamente não por nossas próprias obras. Isso não é o gozo, pois se fosse, teria sido dito “pelo Espírito”. Sem dúvida, essa posição nos dá grande gozo, mas entramos nessa posição pela fé. Esta é a verdadeira graça de Deus em que estamos firmes (1 Pe 5:12).

 

3: A esperança da glória  

Isso nos leva ao terceiro resultado. O primeiro teve mais a ver com o passado, o segundo é a nossa posição atual e, sem dúvida, o terceiro tem o futuro em vista. "Nos regozijamos na esperança da glória de Deus". A manifestação futura da glória do reino é onde Cristo terá o lugar central e proeminente – a resposta de Deus à cruz. Esta é a nossa esperança e agora nos regozijamos nesta brilhante perspectiva futura, quando estaremos com e como Cristo.

 

Os três primeiros resultados da justificação têm a ver com o relacionamento da alma com Deus, mas os últimos quatro têm mais a ver com Deus entrando em nossa experiência no deserto em nosso favor. Estes quatro últimos são apresentados como uma experiência Cristã normal, com desenvolvimento da maturidade da alma e um profundo senso do amor de Deus pelo Espírito que habita em nós. Estes começam com: "E não somente isto". A justificação já nos deu resultados benditos, mas se seguem mais.

 

4: A tribulação produz a paciência 

“Mas também nos gloriamos nas tribulações”. O "mas" sugere algo contrário ao que é normal. Por quê? Por causa de Sua grande obra na cruz, podemos assim nos gloriar em meio a cenas de oposição e estresse pessoal. Há casos em que olhamos para trás com gratidão e louvor à libertação passada de Deus, e há muitos exemplos disso na Palavra. Mas este não é o caso aqui. Essa passagem nos informa que quando estamos realmente nessas adversidades, nos gloriamos. Nós nos elevamos acima do sofrimento e das tristezas quando estamos neles e não nos gloriamos com a satisfação própria, mas com Aquele em quem fomos conscientemente sustentados. “O qual, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte” (Sl 84:6).

 

Sabendo que “tribulação produz a paciência [ou ‘perseverança’]. É uma experiência mais profunda atravessar a tempestade com o Senhor no barco do que ver o Senhor exercer poder divino ao reprimir a tempestade. Tendo estado com Deus nas muitas e diversas provações que somos chamados a enfrentar, a perseverança é o resultado. Nas provações que nos tempos antigos nos teriam angustiado e nos deixado perplexos, agora são enfrentadas com Deus, e isso nos dá a valiosa característica moral da perseverança. As palavras: “Tu estás comigo” (Sl 23:4), tiveram sua recompensa conosco. Agora sabemos que a perseverança foi adquirida ao passar pela tribulação com o Senhor, e isso é valioso na história da alma. Tudo isso é baseado na justificação.

 

5: A paciência produz experiência 

"E a paciência, a experiência". Isso não significa que estamos ocupados com a experiência tanto quanto nos ensina o que a experiência produz e indica um conhecimento mais profundo do Deus a Quem fomos levados a conhecer; uma comunhão mais íntima com Ele cuja sabedoria, poder e amor aprendemos para saber em todas as circunstâncias adversas e Quem tem em vista apenas a nossa mais rica bênção. Isso nos aproxima de um Deus cujo ouvido está sempre pronto para nos ouvir e cuja presença incessante conosco é um conforto constante. Não é agora uma questão de provações, adversidades, ansiedades e tristezas, mas o Deus cujo amor temos aprendido tão bem em tudo isso e acima de tudo. De fato, é Ele mesmo e Sua presença que nos dá a experiência do mais rico valor. Nós O conhecemos desde o princípio, isto é, Cristo.

 

6: Experiência produz esperança 

“Experiência, a esperança”. Passando pelas muitas e variadas provações, exercícios e tristezas do deserto com Deus, aprendemos como é o mundo sem Deus, e ansiamos por um mundo melhor. Isso gera esperança; então, novamente, tendo passado pelo deserto com Deus e tendo sido acostumados ao Seu apoio e presença, a esperança surge diante de nós, de estar com Aquele que agora conhecemos tão bem, apenas em um ambiente e atmosfera mais agradável.

 

7: E a esperança não traz confusão 

"E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado". A esperança da glória vindoura da qual Cristo é o centro está assegurada ao nosso coração; portanto, não estamos confusos. Ser confiante em relação a essa esperança e saber que não seremos envergonhados nos dá segurança em nosso testemunho diante dos homens. O amor de Deus é a fonte de tudo. Isso, em primeiro lugar, trouxe nossa justificação em Cristo. Lá este amor é apresentado objetivamente, mas agora, bendito seja Deus, Seu amor é derramado em nosso coração. Aqui isto é subjetivo – que experiência! Que realidade! A primeira vez nesta epístola maravilhosa, que o amor de Deus é mencionado, ele é derramado em nosso coração. Nos diz que é pelo Espírito Santo que nos é dado. Aqui não é o novo nascimento, mas a habitação do Espírito, o resultado da aceitação da obra de Cristo. O princípio da Escritura é o “lavar com água”, “aspergido com sangue”, “ungido com óleo”. Este é um princípio divino e conclui os sete resultados da justificação.

 

R. H. Craggs, adaptado

 

Justificação Não pela Fé


"Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Aquele publicano de Lucas 18 desceu justificado, ao contrário do fariseu. Isso não se trata daquilo que é chamado de “justificação pela fé”, mas é a coisa certa que sempre acontece em uma alma convertida – a condenação própria diante de Deus. É a luz de Cristo que, entrando, produz isso.

 

W. Kelly

 

Justificação “dos Pecados” e “de Vida”


Nos primeiros oito capítulos de Romanos, recebemos o evangelho plenamente revelado. É a resposta para a pergunta: "Como pode um homem ser justo para com Deus?" Esta é a grande questão de toda a epístola. Nós não vemos a ressurreição com Cristo nesta epístola, nem há união. É a morte com Cristo e a vida por meio d’Ele. Quando você obtém ressurreição com Cristo, você está associado a Ele em vida, e quando a união é ensinada, você nunca encontra justificação. Uma nova criação claramente não necessita de justificação. Este é o ensinamento de Efésios, onde você não obtém nada sobre justificação, mas todos os privilégios e deveres da nova criação. Em Romanos, somos pecadores e necessitamos de justificação. Em Efésios, somos vistos como “mortos em delitos e pecados”.

 

As duas partes da justificação 

Existem duas partes da justificação – "dos pecados" e "de vida". A primeira é a limpeza do meu antigo estado, enquanto a segunda me coloca em um novo lugar diante de Deus. Essas duas partes são tratadas distintamente nesta epístola, dividindo os capítulos 1-8 em duas partes. A primeira parte termina no capítulo 5:11. No capítulo 1, vemos o terreno que exigia justificação: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade” (v. 18). Não é a ira governamental, mas a ira contra o pecador, “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Todos os tratamentos do Cristianismo estão neste terreno. Você deve andar na luz ou não terá nada a ver com Deus.

 

No capítulo 1, o primeiro fato que é declarado é que a justiça de Deus é revelada; no capítulo 2, a prova disso e a condição do homem. No capítulo 3, o apóstolo nos dá primeiro os privilégios do judeu, e então ele diz que exatamente aquilo que você se vangloria é o que te condena. Então todos são trazidos para debaixo do pecado. O que é preciso é aptidão para estar na presença de Deus e não ficar aquém da Sua glória.

 

A bondade do caráter de Deus 

Propiciação satisfaz a Deus como um Juiz justo e santo. Quando uma pessoa ofendeu ou prejudicou outra, ela requer propiciação. Deus provê a propiciação e define Cristo como tal. A morte de Cristo glorifica o próprio Deus. É de imensa importância ver o modo de Deus colocando de lado os pecados do velho homem; não pode haver paz sem isso. Outra coisa é ver como Deus faz um novo homem.

 

Temos dois caracteres distintos de bem-aventurança nesses capítulos: o primeiro, capítulo 5:1-11; o segundo, capítulo 8. No capítulo 5, tenho coisas mais elevadas sobre Deus do que no capítulo 8. No capítulo 5, descubro o que Deus é para o pecador; no capítulo 8 é o que Ele é para o novo homem em Cristo Jesus. Deus é mais plenamente revelado na bondade absoluta de Seu caráter no capítulo 5, porque ali Suas relações são com o pecador que é culpado diante d'Ele e está destituído de Sua glória. Mas o santo está em um lugar mais elevado no capítulo 8 – ali Deus é por mim. Em primeiro lugar (cap. 5), Deus é conhecido como o Justificador; no segundo (cap. 8), como Abba Pai. A parte 1 termina no capítulo 5:11; é assim que Deus lida com um pecador em relação a seus pecados. Agora chegamos à segunda parte. A parte 1 não tem nada a ver com experiência, pois lá tenho minhas dívidas pagas. Isso pode produzir sentimentos muito felizes, como vemos no capítulo 5. A parte 2 tem tudo a ver com experiência.

 

O fruto e a árvore 

É o fruto, e não a árvore, que é julgado na parte 1. A árvore em si é julgada na parte 2. Na parte 1, temos um homem que fez isso, aquilo e mais outro, e Cristo morreu por ele. Deus ressuscitou a Cristo e eu crendo n'Ele e sou justificado. É ratificado. A justificação não foi completada na cruz, embora a obra pela qual somos justificados foi. Não tenho a certeza disso até ver Cristo em ressurreição. A obra na cruz é aquela pela qual eu sou justificado, mas Ele foi ressuscitado para nossa justificação. Ele foi entregue, estando nossas ofensas diante de Sua mente. Ele foi ressuscitado, estando nossa justificação diante de Sua mente.

 

Então o capítulo 5 começa: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz". Aqui obtemos todo o passado, presente e futuro: justificados quanto ao passado, tendo paz com Deus e permanecendo no favor de Deus quanto ao presente, e nos regozijando na esperança da glória de Deus quanto ao futuro. Eu tenho aprendido por todo esse processo não apenas o que eu sou, mas o que Ele é. Eu tenho o Espírito Santo em mim, como consequência da justificação, derramando o amor de Deus em meu coração. Quando sei que tudo está resolvido e que estou reconciliado, então tenho paz.

 

O estado da raça 

Mas quando chegamos ao capítulo 5:12, chegamos à condição do homem. É o estado da raça e não do indivíduo. Eu fico mais preocupado com o pecado em mim do que com meus pecados passados. Mas aqui encontramos o remédio também – não que Cristo morreu pelos meus pecados, mas que eu morri com Cristo para o pecado. Esta é a justificação de vida aqui. Temos agora o lado ativo da justificação: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). Nos primeiros onze versículos do capítulo 5, vemos a bem-aventurança do crente como resultado do que o apóstolo estava trazendo na parte anterior da epístola, enquanto no capítulo 8 temos a bem-aventurança que é o resultado do que o apóstolo trouxe do capítulo 5:12 até o final do capítulo 7. Na parte 1, temos os pecados colocados de lado; na parte 2, é uma questão do que é o homem. Não encontramos perdão aqui. O pecado nunca é perdoado, mas condenado. “Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne" (Rm 8:3). Os pecados são postos de lado pelo sangue; o pecado é eliminado pela morte.

 

Nós vemos que a graça deve ter um aspecto tão grande quanto o pecado. A apresentação da graça é para todo o mundo, embora sua aplicação seja apenas para aqueles que recebem o dom. "Pois... por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rm 5:18). O dom da justiça é para todos. Como o pecado de Adão se dirige a toda a raça, assim também a justiça de Um. Aqui eu recebo justificação conectada com a vida.

 

Não somente o Senhor Jesus afastou o pecado, mas Ele levou todos os nossos pecados, os confessou como se fossem Seus, e todos eles se foram. Nunca é dito que Cristo morreu pelos pecados do mundo. Em Romanos 6-7, estou morto e justificado do pecado. Agora eu posso me considerar morto. Não sou eu; Eu já tive o suficiente do “eu”. Agora, Cristo é o “eu”. Se eu estou vivo por meio de Cristo, eu morri por meio de Cristo. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). O indivíduo é libertado do que era como filho de Adão e obtém os privilégios de um filho de Deus.

 

Perfeitamente livre 

Agora você está perfeitamente livre. Você foi um escravo do pecado: Agora entregue-se a Deus. No capítulo 7, temos o mesmo princípio aplicado à lei. Você não pode ter tanto a lei quanto a Cristo. No versículo 6 vemos: "morremos para aquilo em que estávamos retidos". Não é a lei que está morta, mas eu estou morto. A lei é o carcereiro; Eu sou o prisioneiro. O erro que as pessoas estão cometendo é que estão matando o carcereiro em vez do ladrão. O carcereiro não está morto; o ladrão está. Este capítulo é a experiência de uma alma vivificada que ainda está sob a lei. A experiência vem aqui, e não na primeira parte da epístola. Nos capítulos 2-3 é o que um homem fez. No capítulo 7, é o que ele é em si mesmo. Não é apenas que eu tenho feito coisas más, mas “eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum” (v. 18). Isso deve ser aprendido experimentalmente e não meramente conhecido como doutrina. A alma aqui aprende três coisas: primeiro, que em si mesmo, isto é, em sua carne, não há bem algum; segundo, ele vê que a carne não é ele mesmo, pois ele a odeia; terceiro, que ela é forte demais para ele, e ele clama por libertação. É Deus trazendo um homem ao pleno conhecimento de si mesmo; então ele diz: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7:24). Então Cristo Se apresenta e nós temos a libertação completa do capítulo 8.

 

Minha experiência

Este capítulo, então, é experimental e a verdade precisa ser aprendida, não apenas como uma teoria, mas experimentalmente. Dizer que meus pecados são perdoados não é experiência, mas se você me disser alguma coisa sobre mim mesmo, minha experiência responde a ela ou não. Nós nunca desistimos da carne até que tenhamos aprendido quão completamente má ela é. Preciso aprender a dizer: "Não sou eu", embora não o diga levianamente, porque, como filho de Adão responsável, sou eu, mas descobri outro eu. Quanto à carne, não há questão de perdão – eu quero ser libertado dela. Romanos 5:1-11, então, é o que Deus amava para o pecador. O capítulo 8 é a condição do crente com Deus.

 

J. N. Darby, adaptado de Collected Writings, 21:193-200

 

Vivendo Uma Vida Justificada


Na epístola de Paulo aos Gálatas, ele nos permite perceber, como em sua própria pessoa, que a “justificação pela fé”, que ele está ali defendendo, não é um mero dogma ou proposição que possa exercitar o intelecto ou dar um tema à mente para discutir. Ele nos permite saber que ele próprio provou ser uma verdade cheia de vida e poder. Existe essa diferença, entre outras, entre essas duas epístolas. Em Romanos, recebemos essa doutrina proposta em sua glória moral com suas implicações sobre a glória de Deus e sobre a condição do pecador crente, como já vimos.

 

Paulo vive isso

Em Gálatas, o apóstolo se mostra a si mesmo para nós em conexão com essa doutrina. Ele a vive, em vez de ensiná-la ou comprová-la, embora também faça isso. Ele está defendendo-a contra os que contestam e não simplesmente a propondo aos pecadores. No fervor do espírito, ele é conduzido por Deus a nos contar como essa doutrina, esse princípio de fé, ilustrou sua virtude em sua própria pessoa, e também, em relacionamentos variados, para com as criaturas ao seu redor, para com aos contestadores, como na própria presença de Deus, e em conexão com este presente século mal.

 

Quanto à criatura, essa doutrina ou princípio de fé o tornou independente. Ele poderia ir para a Arábia. Ele poderia virar as costas para Jerusalém e tudo o que estava lá para aprovar e revigorá-lo, e olhar para as solidões do deserto (Gálatas 1).

 

Quanto ao contestadores, ela o torna tão corajoso quanto um leão, não intimidado nem mesmo pela presença de um Pedro, que naquele momento, mais do que qualquer outro homem, tinha todo respeito na carne (Gálatas 2).

 

Como na presença de Deus, ela o fez livre e feliz, respirando ali o Espírito de adoção, e conhecendo a liberdade de alguém aceito no Amado (Gálatas 4).

 

Como em conexão com este presente século mal, ela lhe deu a vitória sobre ele. Ele foi crucificado para o mundo, e o mundo para ele (Gálatas 6).

 

A fonte de esperança e amor 

Estas são algumas das reflexões da doutrina da justiça divina, ou justificação por fé, na alma deste querido apóstolo. Não era a mera posse intelectual de um dogma que pode fazer essas coisas pela alma. Essa doutrina implica restauração a Deus – restauração pessoal e imediata. Adão, pelo pecado, O perdeu; o pecador, pela fé, O recupera. É a fonte de esperança e de amor – como ele nos diz nesta mesma epístola (Gl 5:5-6). A justificação por fé é a religião de um pecador na confiança pessoal e imediata em Deus.

 

Defendendo a verdade 

O apóstolo protege essa verdade contra todos os invasores, sejam eles chefes na criação, como anjos, chefes no ofício, como apóstolos, ou chefes nos caminhos de Deus, como a lei (Gl 1:8; 2:11-21; 4:19-31). Os anjos devem ser amaldiçoados, se quiserem negar essa verdade. Pedro deveria ser repreendido na cara sem ser poupado, se ele tentasse encobrir isso. A lei, que era a própria voz de Deus em seu tempo e lugar, deve permanecer em silêncio quando essa verdade se proclama.

 

Assim, vemos a riqueza daquele lugar para o qual a justificação pela fé traz o pecador. Isso o traz para a família de Deus, fazendo dele um filho. Isso o traz para a esperança ou perspectiva da glória como sua herança. Lá, nesses lugares ricos, ensina-o a respirar o ar da liberdade e do amor (Gl 3:26. 5:1, 5-6).

 

J. G. Bellett, adaptado de Short Meditations

 

Palavras Claras sobre a Justificação


Foi uma questão séria que foi colocada a Jó por um de seus amigos há mais de três mil anos: "Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce da mulher?" (Jó 25:4). Depois de todos esses séculos, podemos ainda perguntar: “Existe algo assim, justificação para com Deus?” Evidentemente, Bildade, o suíta (Jó 25), teria se inclinado a uma resposta negativa, pois prossegue, em linguagem patética: “Olha, até a Lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos Seus olhos. E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho!” (Jó 25:5-6). Se nos voltarmos para as palavras do salmista Davi, encontramos (Sl 143:2) que ele fala de uma forma similar: "E não entres em juízo com o Teu servo, porque à Tua vista não se achará justo nenhum vivente".

 

A luz do Novo Testamento 

Felizmente, vivemos à luz brilhante do Novo Testamento e, ao consultarmos suas páginas, não temos nenhuma perda para descobrir a verdadeira resposta à nossa pergunta. Aquele maravilhoso terceiro capítulo de Romanos, que cala toda boca e prova todo homem culpado diante de Deus, declara que “nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei” (v. 20). Não nos surpreende que Bildade e o salmista devam concluir igualmente que não havia justificação diante Deus. Para nós, ao contrário, quão bendito é descobrir que quando o apóstolo descreve sumariamente a condição e a culpa do homem nas breves palavras: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23), é apenas uma limpeza preparatória do terreno para a afirmação graciosa que segue no mesmo fôlego: “sendo justificados gratuitamente pela Sua graça”. Também lemos em Gálatas 3:8: “tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios”. E novamente, em Romanos 8:30, “aos que chamou, a esses também justificou”.

 

Quem é o Justificador? 

A justificação envolve um Justificador. Quem então é esse Justificador? Em Romanos 3:26 lemos essas palavras abençoadas: “Para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador daquele que tem fé em Jesus”. E novamente, em Romanos 8:30, “aos que [Deus] chamou, a esses também justificou”. Deus, então, é o Justificador, e a importância disto nunca será exagerada o suficiente, pois a quem Ele justifica deve ser justificado de fato! Não é uma obra falível, marcada e arruinada pela imperfeição humana, mas uma coisa completamente divina de valor incontestável e imutável para a eternidade. A magnitude e a grandeza desta porção da verdade divina incendiaram o coração do apóstolo quando ele exclamou: “É Deus Quem os justifica. Quem os condenará?" (Rm 8:33-34).

 

Quem é justificado? 

Nossa próxima pergunta é: quem são estes que são justificados? Se existe tal coisa como justificação, e o próprio Deus é o Justificador, é importante para nós entendermos quem Ele justifica. Novamente nos voltamos para Romanos 3:26 e lemos as palavras conclusivas de que Ele é o “Justificador daquele que tem fé em Jesus”. Nada poderia ser mais claro. É o crente e somente o crente a quem Deus justifica. Nós não hesitamos em dizer que nenhuma pessoa pode saber o que é ser justificado a não ser um crente n’Aquele Bendito – o Homem de dores uma vez, e o Homem de glória para sempre! Mas talvez se responda que, no próximo capítulo, lemos que Deus justifica “o ímpio”. A palavra descreve seu estado até o momento em que ele se torna um crente. Essa palavra "ímpio" descreve o estado do homem por natureza, e isso é totalmente revelado no quinto capítulo, onde três expressões são usadas descritivas de nossa condição natural. No sexto verso, estamos “sem força”, no oitavo versículo “pecadores” e no décimo “inimigo”. O primeiro desses termos mostra sua incapacidade – homem sem poder para fazer boas obras. O próximo mostra sua capacidade – ele é praticamente um trabalhador do mau, um pecador. O último é o pior de todos, pois ele tem um coração cujas fontes interiores estão em inimizade para com Deus. Isto foi claramente provado quando Cristo estava aqui na Terra, pois o próprio Deus Se manifestou em carne, habitando entre nós em perfeito amor ao homem, e foi odiado sem causa. Ele era a canção do bêbado, e por Seu amor eles lhe deram ódio. Tal é o homem! Não obstante, bendito seja o Seu nome: “e, por meio d’Ele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (At 13:39 – ARA). Isto é Deus!

 

O que é justificação? 

Mas é hora de fazer a pergunta: o que é justificação? Devemos nos referir a Romanos 4:3 para a resposta de Deus ao nosso questionamento: “Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado [considerado – JND] como justiça". Novamente, no verso 5: "Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada [considerada – JND] como justiça". E também no verso 9: "A fé foi imputada [considerada – JND] como justiça a Abraão". A resposta simples, então, é que justificação é justiça judicial; em outras palavras, Deus nos considerando ou nos declarando justos diante de Si mesmo – com base naquilo que veremos em breve. No presente, devemos ser claros quanto à coisa em si, e enfaticamente destacaríamos na mente do leitor essa verdade simples, mas profundamente importante, que a justificação significa alguém ser considerado por Deus e perante Deus judicialmente justo, que é a posição positiva, absoluta e imutável do crente agora e eternamente. Isso, e somente isso, é justificação. Assim, não é meramente perdão, que nos fala daquilo que nos foi tirado, mas um estado que fala do que obtivemos, da justiça realizada e sempre subsistente em Cristo diante de Deus, a Quem já somos levados pelo próprio ato de Deus, como o Justificador daquele que crê em Jesus.

 

A justiça prática de Cristo 

Aqui, notemos que a Escritura não apoia o pensamento de que a justiça prática de Cristo em Sua vida santa e inculpável na Terra é imputada em nossa conta para a justificação. Que Ele magnificou a lei e colocou honra sobre ela em Sua própria Pessoa é plenamente admitido, mas nada é encontrado na Escritura que dê aprovação à noção equivocada de que essa Sua justiça foi imputado a nós. A doutrina bíblica da justiça imputada significa simplesmente que somos considerados justos sem a observância da lei quanto ao princípio de justificação (Rm 3:21) e sem obras de qualquer tipo quando à prática (Rm 4:5). É a nossa posição judicial que é indicada por esta imputação de justiça, e é baseada somente em que “cremos n’Aquele que dentre mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor” (Rm 4:24 – ACF). Não é que as boas obras feitas por Cristo são colocadas em nossa conta, o que seria tornar a vida de Cristo algo vicário, mas sim que “como Ele é” (o Homem glorificado na presença de Deus), “somos nós também neste mundo” (1 Jo 4:17). Esta é a doutrina escriturística da imputação da justiça, e exibe maravilhosamente o caráter divino da nossa justificação.

 

Sobre o princípio da fé 

Além disso, nos deixe perguntar: Sobre o que somos justificados? Romanos 4:25 ensina que Jesus, nosso Senhor, foi ressuscitado para a nossa justificação; Romanos 5:1, que somos justificados pelo princípio de fé; versículo 9, que somos justificados no poder do Seu sangue. Cada um desses versículos nos ajuda a obter uma resposta. Em seu caráter intrínseco, nossa justificação está de acordo com o valor que o sangue de Cristo tem para Deus. Unicamente pelo sangue somos justificados para com Deus e, de acordo com seu inestimável valor, é o caráter de nossa aceitação e posição em Sua santa presença. Mas olhando para o homem, é por fé; isto é, obtemos justificação sob o princípio de fé e não de obras. Praticamente não somos e não podemos ser justificados até que a fé tenha sido exercitada por nós. Assim, lemos na linguagem peculiarmente incisiva de Romanos 4:5: "Mas, àquele que não pratica, porém crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada [considerada – JND] como justiça". Por conseguinte, Abraão, sem obras, mas proeminente por sua fé, é apresentado como o padrão de um homem justificado. Novamente, está em conexão direta com a ressurreição – a ressurreição de Cristo. Ele foi ressuscitado, lemos, para nossa justificação, e a menos que tenhamos parte em Sua ressurreição, não somos justificados. Deus é nosso Justificador, e o Cristo ressuscitado em Sua presença é nosso Representante na justificação, a expressão daquele estado de justiça alcançada que subsiste para sempre, no qual somos colocados como aqueles justificados de Deus em virtude da morte de Cristo (2 Co 5:21).

 

Finalmente, perguntaremos: quais são os resultados disso? Os versículos que estávamos examinando agora fornecem a resposta final. Primeiro, nossos pecados (ofensas) se foram todos, pois Aquele que foi assim ressuscitado havia sido entregue por eles. Ele foi entregue por causa dos nossos pecados e para que fossem colocados de lado, e tendo Ele sido ressuscitado, nossos pecados não têm mais lugar diante de Deus que os tratou com justiça. Segundo, tendo sido justificados, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. A paz é eternamente estabelecida entre nós e Ele mesmo! Terceiro, "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira" (Rm 5:9). O primeiro resultado tem a ver com o passado, pois os meus pecados foram apagados pelo Seu sangue; o próximo resultado com o presente, pois é agora que tenho paz com Deus; o último resultado com o futuro, pois a ira é a ira vindoura, e estou certo, no testemunho divino, de que estou tão limpo diante de Deus e tão aceito e estabelecido no amor que tenho o direito “para que no dia do Juízo tenhamos confiança” (1 Jo 4:17).

 

Quão maravilhoso, em todos os pontos de vista, é a nossa justificação diante de Deus! O Senhor nos dá uma apreensão verdadeiramente escriturística dela, “para louvor e glória da Sua graça, pela qual nos fez agradáveis a Si no Amado” (Ef 1:6).

 

W. Rickards, adaptado de The Christian Friend, 1879

 

O Evangelho da Justificação


O apóstolo Paulo desafia triunfalmente em Romanos 8:33-34: “É Deus Quem os justifica. Quem os condenará?" Cristo Jesus por Sua obra de sofrimento responde sozinho por isso. Nossos pecados proporcionaram uma base justa para que Deus fosse contra nós, mas Cristo os carregou em Seu corpo sobre o madeiro, e Sua ressurreição prova que eles se foram por completo e de forma justa. É a justiça de Deus, não só para ressuscitá-Lo dentre os mortos, mas para justificar todos os que n'Ele creem. O Espírito Santo prega e sustenta essas verdades fundamentais tanto para Deus quanto para a alma que crê em Cristo. Que esta seja sua porção por meio da graça soberana!

 

Adaptado de The Bible Treasure

 

Justificado

  

 Sou justificado por graça divina;

 Diante do meu Deus eu estou

 Sem uma acusação de culpa a temer,

 Ou julgamento de Sua mão.

  

 Sou justificado somente pelo sangue,

 Que Ele derramou no Calvário;

 Só esse sangue precioso vale

 Para pecadores perdidos e mortos.

  

 Sou justificado por fé simples,

 Em perfeita paz com Deus,

 Por Aquele que agora está assentado em glória,

 Quem uma vez pisou este deserto.

  

 Sou justificado pelas obras também,

 Diante dos olhos dos homens,

 Mas não diante dos olhos de Deus;

 Nenhuma obra é necessária então.

  

 A graça é a fonte e o sangue é a base,

E a fé é o meio simples,

E produz a prova do que Deus realizou,

Entre as cenas da Terra contaminada.


E. B. Hartt

 

 

“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica”

 

Romanos 8:33

 

 

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