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O Reino (Março de 2007)

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Revista mensal publicada originalmente em março/2007 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          Christian Truth, vol. 7, pág. 136

          A. P. Cecil

          J. N. Darby

          A. P. Cecil, adaptado de The Kingdom and the Church, e Dic. Bíblico Conciso

          Adaptado de Dicionário Bíblico Conciso

          J. A. Savage, de The Kingdom of God and of Heaven

          Adaptado do livro Pastor Hsi

          D. T. Grimston, adaptado de Words of Truth

          W. J. Prost

          J. G. Deck, Hinário Little Flock, 28

 

Apoderando-se do Reino pela Força 


“E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao Reino dos céus, e pela força se apoderam dele” (Mt 11:12).

 

Esta expressão é encontrada nesse capítulo de Mateus, que declara especialmente a rejeição do bendito Senhor em Sua missão a Israel: “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”. O Sermão da Montanha (Mateus 5-7) seguiu a exibição dos poderes do reino como visto n’Ele e detalhado em alguns versos surpreendentes no final do capítulo 4, versículos 23-25. A fama de Jesus se espalhou por toda a terra. Esse “sermão”, como foi chamado, anunciava o caráter do reino, tão diferente do que a multidão carnal esperava e procurava; supõe que Sua rejeição e Seus seguidores sejam um espetáculo para o mundo e governados por princípios celestiais, e que eles deviam esperar por uma recompensa celestial.

 

Então o capítulo 10 de Mateus detalha a missão dos “doze” para Israel e sua rejeição. Eles seriam como cordeiros no meio dos lobos. Em seguida, segue o capítulo 11, no qual se encontra a passagem em questão. O reino dos céus sofreu “violência” desde os dias de João Batista; ele havia pregado o reino (cap. 3:2) e havia sido lançado na prisão (cap. 4:12). Nacionalmente, então, a partir daquele momento, o reino foi recusado. Daí em diante, como foi recebido apenas individualmente, o indivíduo tinha que lutar contra tudo para entrar nele, ele se tornou, de fato, “o violento”. Ele teve que passar pela ruptura dos laços nacionais, religiosos e familiares. Se ele amava pai ou mãe mais do que Jesus, ele não era digno d’Ele. Então, em vez de uma entrada no reino, estabelecida sob a proteção divina, que trazia a pessoa abençoada para a bênção com passos suaves e sem dificuldades ou obstáculos a serem superados, o reino sofreu “violência”, para usar as palavras do Senhor, e “os violentos” (como Ele chama aqueles que entraram) “pela força se apoderam dele”, isto é, eles eram obrigados a forçar seu caminho através de cada barreira e considerar todas as coisas como perda para que o objetivo pudesse assim, a qualquer custo, ser ganho.

 

Christian Truth, vol. 7, pág. 136

 

As Fases do Reino


Um reino é um círculo de países e pessoas que reconhecem um rei como seu chefe de governo, como a Grã-Bretanha. O reino de Israel nos dias de Davi era o povo de Israel, que se submetia ao governo de Davi. Ele era o rei deles. O reino dos céus significa um círculo de pessoas na Terra que reconhecem o domínio do céu; o reino de Deus, o governo de Deus. O primeiro é mais objetivo, o segundo é subjetivo – isto é, o primeiro está relacionado com o Rei, que está no céu, e o último com a presença de Deus na Terra. Estes são os dois títulos gerais dados ao reino nos Evangelhos.

 

Quando o trono do Senhor foi removido de Jerusalém, devido Israel ter abandonado Jeová para se entregarem à idolatria, o governo da Terra foi entregue aos governantes gentios, dos quais Nabucodonosor, rei da Babilônia, foi o primeiro e a melhor figura. Para ele, o Deus do céu dava poder, domínio e autoridade, mas não a Sua presença, como Ele fez pela Shekinah – a nuvem de glória – em Jerusalém. Ele Se nomeia o Deus do céu, não o Deus da Terra, como fez quando as tropas triunfantes de Josué atravessavam o Jordão. Mas os governantes gentios perverteram a autoridade que Deus lhes deu; muitas vezes agiram como os animais selvagens sem consciência para com Deus. Quando Cristo vier novamente, eles saberão que o céu governa.

 

As três formas do reino 

Temos três formas que o reino tomou na Escritura do Velho Testamento, como visto nos livros de Reis, Crônicas e Daniel: primeiro, o reino do Senhor nas mãos de Davi, Salomão e seus sucessores até o cativeiro babilônico. Segundo, o reino que foi entregue ao governo gentio e continuado por quatro impérios sucessivos: babilônico, medo-persa, grego e romano. Terceiro, o Deus do céu no final estabelecendo um reino que nunca será destruído, isto é, o reino milenar, sobre o qual Cristo, o Filho do Homem, reinará em poder e glória.

 

Antes que o Rei de Deus pudesse vir para reinar, Ele tinha que vir como Salvador-Jeová para sofrer, como o Evangelho de Mateus claramente traz à tona. Ele veio no devido tempo, de acordo com a profecia, o verdadeiro Filho de Davi e Filho de Abraão, o herdeiro do trono de Jerusalém e das promessas feitas a Israel como nação, mas que foi rejeitado por Israel. O reino foi, portanto, adiado e assumiu uma nova forma após Sua rejeição; as chaves foram confiadas a Pedro como o grande administrador dele; o reino tomou uma forma misteriosa por causa de o Rei rejeitado estar no céu e longe da esfera dele, e o reino deveria ir para todas as nações. Judeus, samaritanos e gentios, que se submetessem às reivindicações do Rei pelo batismo, se tornariam Seus súditos.

 

O reino vindouro 

O reino cresceu até chegar ao que a Cristandade é agora. Mas depois que a Igreja for reunida, o que está acontecendo ao mesmo tempo, haverá um processo de purificação, toda a iniquidade será eliminada, o julgamento será derramado, Israel será restaurado e o Rei voltará e estabelecerá o reino em poder e reinará com Sua noiva por mil anos. “E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre” (Ap 11:15).

 

Depois disso, quando todo poder, autoridade e governo que são contrários a Cristo forem abatidos, os ímpios mortos serão ressuscitados, julgados e lançados no lago de fogo, e o Filho entregará Seu reino a Deus e Pai, para que Deus seja tudo em todos.

 

A. P. Cecil

 

O Reino dos Céus


Temos o reino dos céus como sendo um estado de coisas durante o período em que o Filho está assentado no trono do Pai. Durante este período, os filhos estão no reino do Filho, mas herdeiros do reino do Pai – um período durante o qual o mundo não é ordenado de acordo com o poder correto e judicial do reino do Filho do Homem – o intervalo entre a rejeição do Filho do Homem sobre a Terra e Seu reinado sobre a Terra.

 

J. N. Darby

 

O Reino e a Igreja 


O livro de Atos nos dá o estabelecimento do reino dos céus e da Igreja entre os Judeus e os gentios, após a rejeição do Rei pelos Judeus. O Senhor, em resposta à pergunta que Seus discípulos fizeram a Ele sobre se este seria o tempo em que Ele restauraria o reino de Israel, respondeu que não pertencia a eles saber os tempos e as estações que o Pai havia estabelecido pelo Seu próprio poder. Mas eles deveriam receber o poder depois que o Espírito Santo viesse sobre eles e que deveriam ser testemunhas de Cristo, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia, em Samaria, e até os confins da Terra. Ele assim anunciou que a presença do Espírito Santo na Terra seria para um intervalo para substituir o Judaísmo e que não seria até depois daquele intervalo que o reino seria restaurado para Israel e estabelecido em poder. O Senhor então subiu ao céu, e os discípulos retornaram à Jerusalém para aguardar a promessa do Pai. Atos 2 nos relata a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes e a formação da Igreja de Deus.

 

Pedro, o administrador 

Pedro, como administrador do reino, é proeminente no testemunho. Ele prega sobre os três nomes, Jesus, Cristo e o Senhor, estabelecendo as glórias da Pessoa de Quem falava. Ao acusar os Judeus do pecado de terem rejeitado Jesus, Ele declara que Deus O fez, a Quem os Judeus rejeitaram, tanto Senhor como Cristo. Ele era a mesma Pessoa de quem Davi falou, ressuscitado dentre os mortos para Se assentar no trono de Davi, e Ele estava assentado à direita de Deus, até que Seus inimigos fossem postos como escabelo de Seus pés. Três mil receberam a Palavra e foram batizados ao nome do Rei rejeitado de Deus, confessando assim também o Seu senhorio. Por Sua morte e ressurreição, eles foram trazidos para um novo terreno, tendo assim se salvado da nação Judaica como um todo.

 

Todos os que no batismo se curvaram às reivindicações d’Aquele que Deus fez Senhor e Cristo se tornaram os súditos professos do Rei rejeitado. Em Atos 3, Pedro acrescenta ao testemunho – que se a nação Judaica se arrependesse, Deus enviaria Jesus novamente e estabeleceria o reino em poder sobre Israel. Este testemunho foi rejeitado e terminou com o martírio de Estevão.

 

Depois da morte de Estêvão, toda a assembleia em Jerusalém foi dispersada, exceto os apóstolos. Filipe desceu a Samaria e pregou sobre O Ungido para eles. Seu testemunho, sem dúvida, era a respeito d’Ele como o Rei de Deus rejeitado pelo mundo, mas exaltado no céu e que virá novamente para reinar. Ele pregou o Cristo a eles.

 

O povo deu atenção, entre eles, o mago Simão, o mágico. E quando eles creram, Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, foram batizados, tanto homens como mulheres. Simão o mágico foi trazido para o reino e para o círculo da profissão Cristã (hoje chamado Cristandade), mas não para a verdadeira Igreja. Aqui nós temos um círculo exterior de privilégio e responsabilidades, onde Jesus era reconhecido como Ungido e Senhor. Pedro, tendo as chaves do reino, vem a Samaria. Ele abre a porta para eles e eles recebem o Espírito Santo.

 

Batismo 

O batismo é uma ordenança inicial que coloca o que é batizado em uma nova posição. Está sempre conectado com um status na Terra e não com privilégios celestiais. Com Pedro, o batismo Cristão parece mais ligado ao reino dos céus (veja Mateus 16:19; Atos 2:38; 10:48), já com Paulo, está mais ligado à casa de Deus quando ele fez uso dele. Paulo recebeu um novo comissionamento. Ele não é encontrado, como Pedro, ministrando no meio de um povo conhecido que tinha promessas, chamando almas dentre eles para arrependimento, para que elas recebessem remissão e fossem separadas da geração perversa.

 

Paulo foi levantado como mensageiro especial de Deus, e ele, não negligenciando a pregação do Rei rejeitado, como vemos em seus discursos em Tessalônica e Corinto, e vendo que os convertidos foram trazidos para o reino pelo batismo, ao mesmo tempo foi feito o grande ministro da Igreja em seu duplo aspecto da casa de Deus e do corpo de Cristo. Com ele, não foi só que os gentios foram admitidos pelo batismo no reino dos céus na Terra, mas que eles tinham privilégios comuns e uma parte comum com os crentes Judeus, como coerdeiros, membros do corpo de Cristo e participantes de Sua promessa em Cristo pelo evangelho. Ele foi o grande administrador da Igreja, o corpo de Cristo. Isso é desenvolvido na Epístola aos Efésios.

 

Diferenças entre o reino e a Igreja 

É importante distinguir entre o reino dos céus, estabelecido e administrado pelo ministério de Pedro, e a Igreja composta apenas daqueles a quem Cristo construiu, pedras vivas, aqueles habitados pelo Espírito Santo. O reino dos céus abrange, durante o seu aspecto atual, todos aqueles que professam sujeitar-se a Cristo, o Ungido, durante o tempo de Sua rejeição. Pedro era o administrador dele, e os doze deveriam fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Ele abriu a porta para os Judeus que se arrependeram e para Cornélio, o gentio, depois, e eles foram admitidos pelo batismo. Filipe fez o mesmo com o samaritano, e Paulo reconheceu o reino em Tessalônica, Corinto e em outros lugares, embora não fosse o ministro dele.

 

A Igreja, como a esfera do ministério de Paulo, era um círculo dentro do reino no presente, mas antes que o Senhor volte novamente, ela deve ser retirada do reino. Judeus e crentes gentios eram coerdeiros, membros de um só corpo, participantes da promessa de Deus em Cristo pelo evangelho. Existe uma esfera exterior da Igreja, agora chamada de a “grande casa”, composta de todos que são batizados e professam ser seguidores de Cristo. Esta grande casa está cheia de vasos, alguns para honra e outros para desonra. A palavra para todo Cristão verdadeiro agora é: “O Senhor conhece os que são Seus, e qualquer que profere o nome de Cristo [do Senhor – ARA] aparte-se da iniquidade” (2 Tm 2:19). Portanto, embora o mal no reino não seja retirado agora, mas será deixado até o tempo em que o Filho do Homem colherá do Seu reino tudo o que causa escândalo, os santos são responsáveis por se afastarem da iniquidade, para se reunirem no verdadeiro fundamento da Igreja, somente ao nome de Cristo, reconhecendo a presença do Espírito Santo na assembleia. Devem exercitar a disciplina, afastar o mal do seu meio se ele entrar, expressar a comunhão com Cristo e uns com os outros, como membros de Seu único corpo à mesa do Senhor, e partir o pão em lembrança d’Ele.

 

A. P. Cecil, adaptado de The Kingdom and the Church, e Dic. Bíblico Conciso

 

O Reino e a Paciência


Os Judeus tendo recusado seu rei, o reino não foi estabelecido de modo manifesto naquele tempo. Enquanto isso, é “reino, e na paciência de Jesus Cristo” (Ap 1:9). Cristo é representado como tendo ido receber um reino e voltar (Lc 19:12). Enquanto isso, o reino tem existido e segue seu curso em sua misteriosa forma (Mt 13:11). Há multidões que professam obediência a Deus e ao Senhor Jesus e que olham para o céu como o trono de onde provêm todas as suas bênçãos.

 

Adaptado de Dicionário Bíblico Conciso

 

O Reino do Pai 


Neste aspecto, o Senhor Jesus apresenta o reino especialmente a Seus discípulos como o reino do Pai, pois é sempre o reino de Deus o Pai, sobre o qual Cristo foi designado pelo Pai como seu Rei e Administrador, em seu futuro estabelecimento na Terra. E nas poucas passagens (Mt 6:9-10, 13:43, 26:29; Lc 11:2, 12:32), em que esse aspecto é dado, todos claramente relacionado ao milênio, o propósito particular de nosso bendito Senhor ao proferir estas palavras graciosas e consoladoras aos Seus discípulos parece indicar a eles a maravilhosa certeza de que devem ser participantes com Ele na glória vindoura do reino, no mesmo relacionamento com o Pai como Consigo mesmo e como ajudantes na administração do Seu Reino e do Pai – uma confirmação milenar das palavras memoráveis em João 20:17: “Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus”.

 

J. A. Savage, de The Kingdom of God and of Heaven

 

O Reino


Estamos ansiosos para nos unirmos à grande multidão que triunfantemente clama: “Aleluia! Pois o Senhor nosso Deus, o Todo-poderoso, tem tomado para Si mesmo poder real” (Ap 19:6 – JND), e para proclamar: “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-Lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro” (v. 7). Este é o nosso gozo e privilégio futuros.

 

Enquanto esperamos ansiosos por tais eventos futuros, a vida de Paulo registrada em Atos nos lembraria de nosso atual privilégio e responsabilidade com relação ao reino. Na última visita de Paulo aos anciãos efésios, ele lhes disse: “E, agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o Reino de Deus, não vereis mais o meu rosto”, e as últimas palavras em Atos a respeito de Paulo mostram ele “pregando o Reino de Deus e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo”.

 

Nós vivemos na Terra hoje no reino de Deus. Nós somos parte disso. Como Paulo, temos a responsabilidade presente de pregar as coisas concernentes a esse reino e viver de maneira justa sob o governo de Deus. Nós confiamos que o foco deste tema nos ajudará a entender e cumprir nossas responsabilidades presentes enquanto aguardamos o dia que se aproxima, quando o Filho do Homem reinará sobre a Terra em poder e glória.

 

O reino em palavra e ação 

Um Cristão bem instruído não é necessariamente aquele que adquiriu um extenso conhecimento da Escritura, embora tal conhecimento possa ser um meio para o fim de se tornar um Cristão bem instruído. A Bíblia é como um mapa, na medida em que nos mostra o caminho a ser seguido e manter uma caminhada com Deus. Eu posso ter uma excelente familiaridade com o mapa de um determinado país ou continente, mas ainda ser um explorador muito pobre. Da mesma forma, as pessoas podem possuir uma grande quantidade de conhecimento bíblico e ser capazes de falar de maneira bela sobre as coisas mais profundas e a vida superior, quando, ao mesmo tempo, sua experiência pode ser superficial e sua vida uma desonra para Deus. “Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes” (Jo 13:17).

 

Os ensinamentos de nosso Senhor no Sermão da Montanha para aqueles que querem entrar no reino, por exemplo, não são sugestões que podemos aceitar ou rejeitar. O próprio Cristo age de acordo com esses princípios. Sua Palavra deve habitar em nós, controlando constantemente nossa vida. Então, e não até então, estaremos permanecendo n’Ele.

 

É muito importante, ao ler a Bíblia, lembrar que nosso objetivo deve ser mais do que apenas visões claras da verdade. Eu posso perceber um grande significado interior no sacrifício de Isaque por Abraão, mas em minha vida eu também tenho um monte Moriá. Isso é para mim o assunto realmente importante. Da mesma forma, eu posso entender a progressão na experiência de Jacó, em que Betel marcou um estágio e Peniel outro completamente diferente, e que muito se passou entre esses dois. Mas eu também preciso percorrer esse mesmo caminho.

 

A Palavra de Deus deve estar diante de nós o tempo todo, não para copiamos, mas para reproduzirmos a verdade. Não devemos ser encorajados a simplesmente acumular conhecimento bíblico e a pensar que, por sabermos muito, somos capazes de ensinar outros que talvez tenham estudado menos.

 

Sim, essa ilusão é comum e não apenas entre alguns. Mas o mero ensinamento não nutre a alma, a verdade deve ter controle completo em nossa vida. Deus sempre nos colocará em circunstâncias nas quais a Sua Palavra nos testará. O caminho que nosso Senhor Jesus seguiu O conduziu à cruz, e a pergunta ao longo do caminho será sempre: “Estamos dispostos a seguir esse caminho com Ele?” Significa morrer para si mesmo, diariamente. Estamos dispostos a deixar que Ele viva em nós? Não há outra maneira de trazer bênçãos aos outros.

 

Adaptado do livro Pastor Hsi

 

Vários Aspectos do Reino


Vários aspectos do reino são mencionados na Palavra de Deus, e é bom entender a diferença entre eles. Nós temos o reino de Deus, o reino dos céus, o reino do Pai, o reino do Filho do Homem, o reino do Filho de Seu amor e o reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

O reino de Deus 

Somos apresentados ao primeiro em conexão com o Senhor Jesus na Terra, quando os fariseus perguntaram: Quando o reino de Deus deveria vir (Lc 17:20). Ele lhes disse: “Porque eis que o reino de Deus está entre vós” (Lc 17:21). O reino de Deus pode ser descrito como a manifestação do poder dominante de Deus sob quaisquer circunstâncias. É um estado moral que caracteriza o reino de Deus. Na Pessoa de Seu Filho, Deus estava mostrando Seu poder dominante naquele tempo – Deus estava n’Ele.

 

O reino de Deus é também mencionado como existente no tempo presente. Nós lemos: “porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17) e novamente: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude” (1 Co 4:20). Aqui o poder dominante de Deus é novamente exibido, não no Filho, mas pelo Espírito, que, por meio de Sua presença na Terra, produz justiça prática naqueles que creem e dá poder aos Seus servos para corrigir o mal onde for necessário. O reino foi visto em Cristo enquanto Ele estava na Terra, mas agora é visto pelo Espírito. Até que Ele tivesse subido ao céu, ninguém além d’Ele poderia estar no reino. Depois de Sua ascensão, o Espírito Santo desceu e abriu a porta para os outros entrarem. Assim, o poder dominante de Deus é agora manifestado naqueles que são habitados pelo Espírito Santo.

 

No entanto, o termo “o reino de Deus” também é aplicado na Escritura ao que o homem fez daquilo que Deus deu no princípio – o que conhecemos como Cristandade. A “árvore” e o “fermento” de Lucas 13:18-21 nos dão suas dimensões exteriores e condição interior. O que era apenas um grão exteriormente, no Pentecostes, se tornou uma grande árvore que abriga até mesmo os emissários do diabo, enquanto o mal interior e a doutrina corrupta permeiam aquilo que era destinado ao alimento dos crentes. Que descrição da Cristandade – um vasto sistema, mas podre por dentro!

 

Assim, Romanos 14:17 e 1 Coríntios 4:20 descrevem o aspecto divino do reino de Deus, enquanto Lucas 13:18-21 descreve sua condição exterior.

 

O reino dos céus 

O termo “o reino dos céus” é usado somente em Mateus, pois aqui a verdade é recomendada às consciências Judaicas. Em essência, é o domínio dos céus sobre a Terra. Os Judeus estavam familiarizados com esse pensamento das Escrituras do Velho Testamento. Por exemplo, foi profetizado a Nabucodonosor que seu poder continuaria depois que ele soubesse “que o céu reina” (Dn 4:26). O Senhor ensinou Seus discípulos a orar para que a vontade de Deus fosse “feita a Tua vontade, tanto na Terra como no céu” (Mt 6:10). Assim, quando João Batista veio para anunciar o Messias, ele disse que “está próximo o reino dos céus” (Mt 3:2 – ARA). Assim também o próprio Jesus faz a mesma afirmação (Mt 4:17 – ARA) e depois os doze (Mt 10:7 – ARA). No entanto, o Rei legítimo foi rejeitado e, consequentemente, o reino dos céus assume uma forma misteriosa – a de um reino com um Rei ausente. O Senhor Se torna um Semeador, e o reino dos céus assume um novo caráter que os profetas não contemplaram – uma esfera invadida pelo mal e com uma colheita mesclada. Alguns são verdadeiros súditos, enquanto outros aceitam a autoridade de Cristo apenas nominalmente, como professos.

 

João Batista não estava no reino dos céus, pois a porta não foi aberta até que Pedro a destrancou no dia de Pentecostes. Então “os violentos” (Mt 11:12) – aqueles realmente determinados – alcançaram o objetivo que eles buscavam desde os dias de João Batista. Quanto às formas interior e exterior, algumas semelhanças são aplicadas tanto ao reino dos céus como ao reino de Deus – a semente de mostarda se tornando a grande árvore, e as medidas da massa se tornando levedadas.

 

Exteriormente, então, o reino dos céus é como um campo de joio, uma árvore e um fermento – uma mistura do povo do Senhor com os de Satanás. É a esfera da profissão Cristã na Terra – um sistema de amplo alcance, exteriormente poderoso, mas internamente corrupto. Mas para a fé existe uma forma interior ou divina, e isso é visto no “tesouro” e na “pérola” (Mt 13:44-46). Estes últimos são o reino dos céus do ponto de vista de Deus. Assim o reino dos céus é propriamente o governo dos céus sobre a Terra. Foi recusado pelo homem e assim existe hoje de uma maneira misteriosa. Essa forma do reino continuará até o início do Milênio, quando tomará sua forma apropriada. Naquele tempo, será conhecido em parte como o reino do Pai e em parte como o reino do Filho do Homem.

 

O reino do Pai e o reino do Filho do Homem 

Ambos começam simultaneamente. O reino do Pai se relaciona com as coisas acima, e o reino do Filho do Homem com as coisas abaixo.

 

Os santos celestiais, incluindo os do remanescente Judeu piedoso, então “resplandecerão como o Sol, no reino de seu Pai” (Mt 13:43). Da mesma forma, o Senhor, ao falar aos discípulos quando instituiu a Sua recordação, poderia dizer: “E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de Meu Pai” (Mt 26:29 – ACF). O reino do Pai é para o povo celestial.

 

Por outro lado, o reino do Filho do Homem é para o povo terrenal, assim que Ele assuma a liderança de tudo abaixo, o lugar que Adão perdeu. Como Filho do Homem, Ele executa o juízo e, como Filho do Homem, acolha em Seu reino os benditos de Seu Pai – as ovelhas (Mt 25:32-34) que foram fiéis a Ele em Sua ausência.

 

Assim, o reino milenar “de nosso Senhor e do Seu Cristo” (Ap 11:15) tem um aspecto celestial e terrenal. Uma é a esfera da glória do Pai; o outro, a cena do governo do Filho do Homem.

 

O reino do Filho do Seu amor 

Finalmente, devemos notar as expressões “o reino do Filho do Seu amor” (Cl 1:13) e “o reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1:11). Estes são distintos daqueles que já mencionamos e nos dão o pensamento de posição ao invés de manifestação. Cada um deles é mencionado apenas uma vez na Escritura e mais para serem sentidos do que descritos. Cristo tem um reino presente, aquele que o amor do Pai concedeu a Ele, o Filho de Suas afeições, e para este reino nós, os que cremos, já fomos transladados. É a região de bênção da qual Cristo é o centro.

 

O outro, o “reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, está diante de nós e é um abençoado contraste com as coisas que estão desaparecendo ao nosso redor. É eterno e nós o compartilharemos com Ele. Seu desejo é que nós devamos entrar, como podemos dizer, “à toda vela”. Que esteja em nós adicionar à nossa fé todas estas coisas que 2 Pedro 1:5-7 contém, de modo que uma entrada abundante nesse reino nos seja ministrada.

 

D. T. Grimston, adaptado de Words of Truth

 

Teologia do Pacto Hoje


O sistema de pensamento que atualmente é chamado de “teologia do pacto” ou “teologia da aliança” começou na época da Reforma com homens como Calvino e Zwinglio, embora alguns traçassem suas raízes desde Agostinho e outros dos primeiros pais da Igreja. Mais tarde influenciou o pensamento daqueles conhecidos como os puritanos, como evidenciado na confissão de Westminster de 1647. O movimento foi particularmente forte na Escócia e, finalmente, na área da Nova Inglaterra nos EUA. Sempre houve aqueles que sustentavam esses princípios, mas nos últimos cinquenta anos tem havido um crescente interesse em seus princípios. Isso provocou muitas controvérsias entre teólogos aliancistas e aqueles que foram chamados de dispensacionalistas.

 

O básico 

Quais são os princípios da teologia do pacto? Isso pode ser mais bem resumido em uma citação de um de seus mais fortes defensores:

 

“A espinha dorsal da Bíblia... é a revelação no espaço e no tempo da imutável intenção de Deus de ter um povo na Terra a quem Ele relacionaria por alianças com Ele e Sua alegria”.

 

“As promessas do evangelho, oferecendo a Cristo e Seus benefícios aos pecadores, são, portanto, convites para entrar e desfrutar de um relacionamento de aliança com Deus”.

 

Basicamente, eles acreditam que existe e sempre existiu apenas um povo de Deus. Eles acreditam que Israel era a Igreja no Velho Testamento e que a Igreja é o Israel do Novo Testamento. Eles acreditam que tudo na Escritura se centra em torno de duas alianças, ou pactos, ou concertos, o pacto da lei e o pacto da graça. No entanto, estes não são vistos como sendo diferentes, mas como diferentes aspectos da mesma aliança.

 

Ênfase nas obras 

Os teólogos do pacto enfatizam fortemente as obras como sendo necessárias para a salvação, e eles não acreditam que o pacto da graça tornou obsoleto o pacto das obras. No entanto, eles veem as obras dos crentes como tendo sido feitas por Cristo em seu favor, porque todos sob Adão falharam em guardar a lei. Eles creem na obra de Cristo para salvação, mas enfatizam Sua obediência à vontade de Deus como a base principal para nossa “justiça imputada”. Outro defensor moderno deste pensamento coloca desta forma:

 

“Sabemos que Cristo expiou a desobediência de Adão e nossa desobediência na cruz, mas muitas vezes esquecemos que a obra de Cristo não era meramente negativa ou ‘passiva’ (suportando a maldição). Nosso Senhor também foi ‘ativamente’ obediente, cumprindo a lei em nosso favor. Os que se uniram a Cristo não são apenas neutros ou livres de culpa diante do Pai, mas, na verdade, como aqueles reconhecidos positivamente justos, como se nós mesmos tivéssemos vestido os nus, alimentado os famintos e guardado toda a lei. Como o criminoso na cruz, fizemos estas coisas ‘em Cristo’“.

 

Cristãos reconstrucionistas 

Como resultado desse pensamento, a teologia da aliança enfatiza a necessidade de os crentes se envolverem no aperfeiçoamento deste mundo, pois os teólogos da aliança às vezes se chamam de “Cristãos Reconstrucionistas”. Embora haja alguma variação em seu pensamento, a maioria não acredita que o Senhor virá até depois do fim do Milênio, e alguns nem sequer acreditam em um Milênio literal de 1.000 anos. A maioria dos teólogos da aliança acredita que o que a Escritura chama de “grande tribulação” realmente ocorreu por volta de 69-70 d.C, quando o general romano Tito destruiu Jerusalém, e que já estamos no Milênio, trabalhando para aperfeiçoar o reino de Deus neste mundo. Outro de seus adeptos disse: “O reinado de Cristo não é um evento futurista, mas um que Ele cumpriu e mantém até agora”. Sua forte ênfase está na extensão do reino de Deus para abranger o mundo inteiro, por meio da pregação do evangelho. Eles não esperam que o Senhor volte por algum tempo – não até que o mundo inteiro seja levado ao ponto em que o caráter de Seu reino seja exibido em toda parte.

 

O sal perdeu seu sabor 

O testemunho Cristão em geral deve assumir alguma responsabilidade pelos erros da teologia da aliança e pelo reavivamento do interesse por ela. A Igreja não andou na luz que Deus deu a ela. Muitas vezes a graça tem sido enfatizada de maneira errada, resultando no que Judas chama de os que “convertem em dissolução (concupiscência desenfreada) a graça de Deus” (Judas 4). Os crentes descansaram na certeza da obra consumada de Cristo, enquanto negligenciaram a importância do discipulado. Eles se glorificaram no evangelho da graça de Deus e esqueceram que Paulo também pregou o reino de Deus – um estado moral consistente com aqueles que reconhecem o Senhor Jesus como o legítimo Rei. Em vez de serem embaixadores de Cristo no caminho correto e, portanto, ser o “sal da Terra”, o sal “perdeu o sabor” (Mt 5:13) e, portanto, muitas vezes foi rejeitado pelo mundo. A retidão moral foi substituída pelo descuido em nossa vida Cristã, enquanto a devoção a Cristo foi substituída pelo egoísmo e comodidade.

 

O que a Escritura tem a dizer sobre tudo isso? À primeira vista, aqueles que apoiam a teologia da aliança podem ter algumas Escrituras do lado deles. É verdade que a Escritura gira em torno da história de dois homens, Adão e Cristo, como cabeças, respectivamente, de uma raça decaída e uma nova. É verdade que Deus dará ao Seu Filho o Seu lugar de direito neste mundo e que haverá um reino visível que exibirá o caráter de Deus. É verdade que Deus espera ver na vida dos crentes o fruto daquela nova vida que Ele lhes deu e que Deus quer “purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2:14). No entanto, a teologia do pacto fica aquém de toda a verdade de Deus em vários pontos importantes e, se abraçada, tende a arrastar o crente para baixo espiritualmente e reduzi-lo ao nível da revelação do Velho Testamento.

 

Os reinos celestial e terrenal 

Primeiro de tudo, tal sistema ignora a verdade de Efésios: “de acordo com o Seu bom prazer o qual Ele propôs em Si mesmo para a administração da plenitude dos tempos; encabeçar todas as coisas em o Cristo, as coisas nos céus e as coisas sobre a Terra” (cap. 1:9-10 – JND). Deus não só vai ter um reino na Terra, mas tem em Seus propósitos a bênção da Igreja no céu. A Igreja não é uma companhia terrenal e, por essa razão, ela não está em um relacionamento de aliança com Deus. É verdade que ela tem parte no bem da nova aliança, em que suas bênçãos são baseadas na obra de Cristo na cruz, mas ela não está em um relacionamento de aliança com Deus. Uma aliança sempre tem a ver com a Terra e um povo terrenal, e a Igreja é uma companhia celestial. “Mas a nossa cidade está nos céus” (Fp 3:20). A teologia do pacto nega o chamado celestial da Igreja.

 

A esperança da vinda do Senhor 

Segundo, e conectado a isso, a teologia do pacto praticamente destrói a vinda do Senhor como uma esperança viva e presente para o crente. Eles não esperam que o Senhor venha a qualquer momento, mas sim esperam que o reino de Deus em poder seja estabelecido antes que o Senhor venha. Sua esperança não é a vinda do Senhor para nós, mas sim para ser usada na promoção do reino de Deus neste mundo. A Escritura nos ensina que aqueles que são salvos hoje são salvos “para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a Seu Filho” (1 Ts 1:9-10).

 

Justificação pela obediência de Cristo 

Terceiro, a teologia do pacto diz erroneamente que a justiça de Cristo em guardar a lei é imputada a nós e que a nossa justiça existe porque Ele foi perfeitamente obediente a Deus o Pai. É verdade que, como o Homem perfeito e sem pecado, Cristo guardou a lei, mas em nenhum lugar na Escritura é dito que a justiça de Cristo em guardar a lei nos é imputada. Pelo contrário, a justiça é imputada porque Cristo satisfez plenamente as justas reivindicações de um santo Deus na cruz e porque Deus “O fez (o Senhor Jesus) pecado por nós”, nós somos feitos “a justiça de Deus” n’Ele (2 Co 5:21).

 

Israel e a Igreja 

Quarto, a teologia do pacto nega a diferença fundamental entre Israel e a Igreja. É verdade que Deus trará Israel de volta às bênçãos terrenais no Milênio, mas, como vimos, a Igreja está destinada à bênção celestial. A teologia do pacto praticamente desconsidera a posição única da Igreja como corpo e noiva de Cristo. A Igreja era um mistério ou segredo escondido em Deus, um segredo que não foi revelado até que Paulo recebeu as revelações especiais a respeito dela. Ao procurar fundir a Igreja com Israel, esses privilégios especiais da Igreja são ignorados. A menos que vejamos que a Igreja não é o assunto da profecia, propriamente falando, nunca seremos capazes de entender a profecia, nem ver como tudo na Palavra de Deus se encaixa em Seus propósitos.

 

Melhoramento do mundo 

Quinto, a teologia do pacto espera que o mundo gradualmente se torne melhor, como o Espírito de Deus (supostamente) trabalha para trazer almas para o Seu reino. Um famoso teólogo aliancista fez esta declaração: “Cristãos modernos... preferem minimizar sua responsabilidade, chamando os homens para fora do mundo, em vez de chama-los para governar o mundo sob a autoridade de Jesus Cristo”. Pelo contrário, Paulo e outros como Pedro e Judas predisseram que a presente era terminaria com o fracasso da parte da Igreja como um testemunho público e com uma iniquidade sem precedentes em relação ao mundo. Paulo também repreendeu os coríntios, dizendo-lhes: “Já estais fartos! Já estais ricos! Sem nós reinais” (1 Co 4:8). Hoje é uma hora para o crente seguir um Salvador rejeitado, não ocupar um lugar no reino, pois ele é, de fato, chamado para fora deste mundo. Quanto à bênção vindoura para este mundo, a teologia do pacto postula que uma hipotética “aliança da graça” trará uma ordem social transformada pela pregação do evangelho. A Palavra de Deus diz: “havendo os Teus juízos na Terra, os moradores do mundo aprendem justiça” (Is 26:9). Somente pelo julgamento este mundo será purificado e o reino estabelecido.

 

O evangelho da graça e do reino 

Sexta, a teologia da aliança confunde o evangelho da graça de Deus e do evangelho do reino. Ao torná-los o mesmo, grande confusão é trazida. Homens (como João Batista e os discípulos) pregaram o evangelho do reino quando não esperavam que Cristo sofresse e morresse. O evangelho da graça de Deus é baseado na morte, sangue e ressurreição de Cristo. É verdade que toda bênção, seja sob o evangelho do reino ou o evangelho da graça de Deus, precisa ser fundamentada na obra consumada de Cristo, mas equacionar as duas mensagens é introduzir grande confusão na Escritura. O evangelho do reino é para a Terra e prega bênçãos terrenais, enquanto o evangelho da graça de Deus prega as bênçãos celestiais e chama os homens para fora deste mundo.


A lei e a graça 

Finalmente, a teologia do pacto, levada a sua conclusão lógica, coloca o crente de volta à lei. Em vez de ver a lei mosaica como sendo nosso tutor para Cristo (Gl 3:24), a teologia da aliança insiste que devemos continuar a mantê-la. Romanos 7:4 nos diz que nos tornamos “mortos para a lei pelo corpo de Cristo”. A justiça da lei deve ser cumprida em nós, mas não é por estar debaixo de lei. Pelo contrário, é andando no Espírito e permitindo que a nova vida que Cristo nos deu para se mostrar em nossas vidas.

 

Mais poderia ser dito, mas talvez isso nos dê uma imagem suficiente para nos mostrar a falácia do sistema da aliança. Estar debaixo dele é glorificar o homem e, finalmente, estar em escravidão. “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão” (Gl 5:1).

 

W. J. Prost

 

Digno é o Cordeiro de Reinar

  

Cordeiro de Deus! Tu agora estás assentado

No alto, no trono de Teu Pai;

Toda a Tua graciosa obra concluída,

Toda Tua poderosa vitória conquistada;

Cada joelho no céu está dobrado

Ao Cordeiro por pecadores morto;

Cada voz e coração estão se expandindo,

“Digno é o Cordeiro de reinar.”

 

Senhor, em todo Teu poder e glória

Ainda assim, Teus pensamentos e olhos estão aqui;

Vigiando o Teu povo resgatado

Tão querido ao Teu coração gracioso;

Tu, por nós, estás intercedendo,

Eterno é o Teu amor;

E um abençoado descanso estás preparando

Na casa de nosso Pai acima.

 

Cordeiro de Deus! Quando Tu em glória

Deverás regressar a esta triste Terra,

Todos os Teus inimigos tremerão diante de Ti,

Todos os que agora Te desprezam, chorarão;

Então devemos em Tua Aparição

Contigo em Teu reino reinar;

Teu o louvor e Tua a glória,

Cordeiro de Deus, pelos pecadores morto.

 

J. G. Deck, Hinário Little Flock, 28

 

“E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre”

 Apocalipse 11:15


 

 

 

 

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