Palavras de Edificação 24

(Revista bimestral publicada originalmente em Novembro/Dezembro 1989)

 

ÍNDICE


Você Parte o Pão?

Por Que?

Quando?

Onde?

Como?

Tempos Difíceis

A Mentira

O Menino da Porteira

A Salvação é para Sempre

Seguindo a Cristo

Sofrimento

 

VOCÊ PARTE O PÃO?

Por que, Quando, Onde e Como?


Na noite em que Jesus foi traído, após a ceia pascal, Ele tomou o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho (aos Seus discípulos), dizendo: Isto é o Meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22:19-20).


Jesus estava para ir à cruz, e ao Pai, deixando os Seus amados discípulos neste mundo. Ele estava indo preparar-lhes um lugar, para depois retornar e recebê-los para Si, para que onde Ele estivesse, eles pudessem também estar. Sabendo que seus corações facilmente se esqueceriam, e ciente da fria influência exercida pelo mundo, Ele lhes deixou, antes de partir, este simples e amável pedido: “Fazei isto em memória de Mim”.


Havendo Se oferecido, como a verdadeira Páscoa, sobre a cruz, e tendo sido sepultado, "Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai", e tomou o lugar que Lhe estava reservado à destra de Deus (Rm 6:4). Desde então, Ele continua falando com a mesma ênfase ao coração daqueles que são Seus, por intermédio de Seu servo Paulo (1 Co 11:23). Os escritos dos apóstolos são palavras que lhes foram ensinadas pelo Espírito Santo (1 Co 2:13).


Por quase dezenove séculos, Ele tem aguardado pacientemente em misericórdia e graça a favor do pecador. É por Sua paciência, querido leitor Cristão, que você e eu fomos alcançados. Que tamanha responsabilidade temos, então, para com Aquele que é nosso Salvador e que é tudo para nós! Não se trata de algo difícil o que Ele nos pediu, mas simplesmente de lembrarmos d’Aquele que nos amou, e Se entregou por nós (Ef 5:25). O Seu sangue precioso fez a paz, e agora Ele Se apresenta ao nosso coração. Como pode algum dos Seus queridos querer privá-Lo deste gozo, ao deixar de lado o Seu amoroso desejo?


É da máxima importância que cada Cristão possa conhecer o desejo do Senhor acerca desta bendita instituição que é a Ceia do Senhor, uma vez que a Cristandade em geral tem se distanciado cada vez mais da simplicidade das Escrituras, despojando a Ceia do Senhor e a Mesa do Senhor do seu verdadeiro significado, e levando muitos a ficarem confusos a respeito deste assunto. Os romanistas, com suas missas, e os protestantes, com seus sacramentos, têm ambos distorcido o verdadeiro caráter do lugar que a Ceia e a Mesa do Senhor devem ocupar na Igreja. Os católicos tratam da Ceia como um sacrifício repetido a cada missa, negando assim completamente a perfeição do único sacrifício de Cristo, feito uma vez para sempre. Os protestantes, com frequência, fazem dela um meio parcial de salvação, além do que, com frequência, permitem que pessoas não convertidas participem, quando a Palavra de Deus é categórica quanto ao fato de que a participação na Ceia do Senhor é um privilégio unicamente para verdadeiros Cristãos. E verdadeiros Cristãos são crentes em Jesus, possuem a “vida eterna” e o “Espírito Santo” (Jo 6:47; 1 Co 6:19). A Ceia nunca deveria ser tomada como um meio de se obter bênçãos, mas como uma grata lembrança de nosso Senhor, por aqueles que já receberam bênçãos. Uma verdadeira fé, e um andar em fidelidade, credenciam aqueles que são membros do corpo de Cristo a terem o seu lugar à Mesa do Senhor. Trata-se de um privilégio de todos os filhos de Deus que não estejam biblicamente desqualificados para tal.


Existem quatro questões para as quais eu gostaria de chamar a atenção do leitor: Por Que, Quando, Onde e Como devemos tomar a Ceia do Senhor? Primeiramente, vou responder a estas perguntas com trechos das Escrituras, para depois explicá-las mais detalhadamente.


Por Que?

Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22:19). “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:26).


Quando?

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão (At 20:7). “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:26). “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2:42).


Onde?

Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18:20). “Se pois toda a igreja se congregar num lugar (1 Co 14:23). ajuntando-se os discípulos para partir o pão,havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos” (At 20:7-8).


Como?

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o Meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:23-26).


Falo como a entendidos, julgai vós mesmos o que digo. Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão” (1 Co 10:15-17).


Havendo citado estas passagens das Escrituras, permita-me que o auxilie um pouco em dirigir o seu coração mais além, amado irmão em Cristo, para a simplicidade de tudo isto; para que nosso Senhor possa sentir gozo em observar a nossa amável sujeição à Sua bendita vontade, e para que você possa se regozijar por estar fazendo com que Ele Se alegre.


A primeira questão é: Por que devemos tomar a Ceia do Senhor? Em memória do Senhor Jesus, para que nosso coração possa trazê-Lo à memória. O partimento do pão nos fala do Seu corpo entregue por nós sobre o madeiro; o beber do cálice nos fala de Seu precioso sangue derramado por nós. Ao participarmos destes símbolos do Seu amor, anunciamos a morte do Senhor. Na presença de Deus, e dos anjos santos, e também circundados pelos poderes invisíveis das trevas e da maldade – Satanás e seus anjos – e por um mundo de pecadores culpados e perdidos, anunciamos o maravilhoso fato de que o Senhor da glória, Jesus, o Cristo de Deus, foi até à cruz do Calvário, sofreu, morreu e Seu sangue foi derramado. Nós anunciamos o mais esplêndido acontecimento já ocorrido na história do universo: como o Seu Criador Onipotente, como Homem (sem pecado), sofreu toda aquela terrível vergonha e dor, a fim de que Deus fosse glorificado; a fim de que o poder de Satanás fosse anulado, e a questão do pecado fosse resolvida de uma vez por todas.


Mas Deus O ressuscitou dentre os mortos, e Lhe deu glória, mostrando assim a todos a Sua estima pela oferta única e perfeita. Já está sentado, o poderoso e vitorioso Senhor, à direita da majestade nos céus, aguardando o glorioso momento, quando descerá nos ares para chamar os Seus amados para o Seu lar (1 Ts 4:15-18). Os Cristãos estarão, então, cumprindo as Suas palavras, fazendo isto em memória d'Ele, e anunciando, assim, a Sua morte “até que venha”.


Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra (Jo 14:23).

Quem não Me ama não guarda as Minhas palavras” (Jo 14:24).


A questão seguinte é: quando devemos tomar a Ceia do Senhor? A este respeito o Senhor não deixou qualquer mandamento específico, mas indicou claramente em Sua Palavra o que pensa a respeito disto, e o crente espiritual, cuja consciência está sendo exercitada, não demorará muito para discernir corretamente.


É bem evidente que todo coração verdadeiramente leal irá dizer: “Eu gostaria de lembrá-Lo com frequência”.


Vejamos o que as Escrituras nos esclarecem a respeito disto. Em Atos 2:42 lemos que três mil Cristãos, que acabavam de ser acrescentados, “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão (“partir do pão” era o termo normalmente empregado para uma refeição comum e algumas vezes é empregado com este sentido, enquanto em outras passagens diz respeito à Ceia do Senhor – veja Lc 24:30-35; At 20:11; 27:35,36), “e nas orações”. Esta passagem mostra claramente como eles compreenderam as palavras do Senhor, e que o partir do pão não era ocasional, mas algo praticado com frequência. Encontramos também em Atos 20:7 que, “E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles”.


O primeiro dia da semana”, ou o “dia do Senhor”, é o dia que se segue ao Sábado (Mt 28:1; Ap 1:10); é o dia no qual nosso Senhor ressuscitou dentre os mortos. E, aprendemos deste versículo, que era costume dos primeiros discípulos se reunirem neste dia para partir o pão em memória do Senhor. Este é o objetivo que os motivava a estarem reunidos. Paulo estava ali, e falou a eles; mas eles não estavam reunidos para ouvir Paulo pregar, mas para recordar o Senhor Jesus em Sua morte.


Alguns poderão pensar, ao lerem estas linhas, que não há nada que demonstre que os discípulos se reuniam todo primeiro dia da semana. Mas permita-me lembrá-lo, querido leitor, que anunciamos a morte do Senhor até que venha, e, assim, ao nos reunirmos no primeiro dia da semana, poderá ser a última vez que o estaremos fazendo. A volta de Cristo se encontra tão evidente nas Escrituras, que o Seu povo deve permanecer sempre em uma atitude de espera por Ele (Lc 12:35-36; 1 Ts 1:9-10). Então você nunca mais passará um dia do Senhor neste mundo, mas se, enquanto aqui, procurar em sua Bíblia, irá encontrar em Atos 20:7 que “no primeiro dia da semana ajuntando-se os discípulos para partir o pão.


Além do mais, encontramos em João 20:19,26, que em duas semanas sucessivas, no primeiro dia da semana, Jesus Se colocou no meio dos discípulos reunidos, e disse, “Paz seja convosco.


Também em 1 Coríntios 11:25-26, lemos, “Fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha”.


De um modo geral, a importância da Ceia do Senhor tem sido perdida de vista, sendo tratada como algo secundário. O púlpito é com frequência colocado em inigualável proeminência, e a bendita memória do Senhor é passada para uma posição inferior, como algo deixado para depois do culto, uma vez por mês, ou até mesmo com menor frequência. Que Deus, em Sua graça, possa guiar todo Cristão que ler estas linhas para que busque Sua bendita Palavra e a obedeça, ao invés de ser guiado pelas tradições dos homens.


Aprendemos, das passagens acima, que a vontade do Senhor, era que Seus santos partissem o pão ao menos no primeiro dia de cada semana, ou mesmo, se possível, com mais frequência, e assim perseverassem.


Nossa terceira questão é: Onde devemos tomar a Ceia do Senhor? Em Mateus 18:20 lemos, “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome (ou “para o Meu nome” – JND), aí estou Eu no meio deles”. Prezado leitor, pondere nestas palavras. Existe nelas um significado muito mais profundo do que você possa imaginar.


Cristo partiu deste mundo e o Seu desejo era que, durante a Sua ausência, Seus santos se reunissem, juntos, para o Seu nome. Atente para estas palavras, “em Meu nome”, (ou “para o Meu nome” – JND). Ali, e ali somente, o Senhor prometeu estar no meio. Onde? “Onde dois ou três (ou duzentos ou trezentos, se for o caso) estiverem reunidos em Meu nome”. Isto exclui todo tipo de associações voluntariamente criadas, e tudo aquilo que é feito sobre o fundamento de ser independente de outros Cristãos. Cristo não prometeu estar no meio de tais grupos. O homem criou seitas, partidos, sistemas e um sem número de organizações; existe hoje uma perfeita Babel de nomes espalhados pela Cristandade.


Em meio à toda confusão reinante, o nosso recurso continua sendo Deus e a Palavra de Sua graça; e a promessa permanece tão firme hoje como nos dias em que nosso Senhor a deu. Sua presença é no meio de “dois ou três reunidos ao Seu nome”. Em, ou ao, Meu nome, e em nenhum outro nome – o nome do Santo de Deus. Estarem reunidos como membros de uma igreja estabelecida por homens, ou em um sistema ou sociedade religiosa, por mais bem intencionados que sejam, não é a mesma coisa que estarem reunidos ao nome de Cristo. Porém alguns podem argumentar: – “Mas temos a presença do Senhor conosco”! É claro que sim, mas como indivíduos. Isto vale para todo Cristão, e muitos têm uma percepção mais clara disto quando se reúnem em qualquer lugar onde a Palavra de Deus seja pregada e onde Ele seja louvado. Mas a presença de Cristo no meio é algo completamente distinto disso, e a menos que você esteja dentre aqueles reunidos ao Seu nome (Mt 18:20), você nunca terá desfrutado da realidade desta preciosa verdade. Para o amado povo de Deus não há nada que possa ser comparado a isto em todo este mundo. Está você reunido ao nome de Cristo somente?


Permita-me acrescentar que a principal atividade, daqueles reunidos ao Seu nome, deveria ser a lembrança de Cristo em Sua morte. Os dois ou três, vinte ou trinta, duzentos ou trezentos, se for o caso, assim reunidos, se encontram sobre o fundamento daquilo que é a assembléia ou igreja de Deus. E em todas as ocasiões quando estiverem assim reunidos, Cristo estará ali. Isto é válido para todas as assembléias de Cristãos assim reunidos nas diversas partes do mundo. Embora milhares de quilômetros possam separar as diferentes assembléias de irmãos assim reunidos, cada uma delas tendo a responsabilidade de representar o todo, ainda assim todas fazem parte da única Igreja de Deus sobre a Terra. Todos os santos fazem parte da Igreja de Deus; enquanto que todos os santos reunidos ao nome de Cristo estão sob o fundamento da Igreja de Deus.


Cristo morreu a fim de: “reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos” (Jo 11:49-52). “Quem comigo não ajunta, espalha” (Mt 12:30). “O lobo as arrebata e dispersa as ovelhas” (Jo 10:12). Querido leitor, você está disperso nas muitas seitas ou reunido ao nome do Senhor?


Apesar do completo fracasso e obstinação do homem, e da confusão geral semeada pela Cristandade, a imutável Palavra de Deus continua afirmando que “Há um só corpo e um só Espírito” (Ef 4:4), e que a responsabilidade que o Cristão tem que “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”, nunca irá cessar enquanto ele estiver neste mundo (Ef 4:3). Todos os Cristãos são um com Cristo, e uns com os outros, “chamados em um corpo” (Cl 3:15). Pertencer ou frequentar uma seita é ser sectário. Ser benevolente, ou ter um grande coração (ou ser inter-denominacional, como se costuma dizer), aceitando tudo e todos, e frequentando todo e qualquer lugar onde Cristãos se reúnem, é ser todo-sectário. Estar reunido somente ao nome de Cristo, reconhecendo de uma forma prática que há um só corpo e um só Espírito, perseverando “na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2:42), é ser não-sectário. Qual destes você é – sectário, todo-sectário ou não-sectário?


Finalmente, como devemos tomar a Ceia do Senhor? Deixemos que a Palavra de Deus nos responda: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o Meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:23-26).


Se você examinar cuidadosamente esta passagem em 1 Coríntios 11:23-26, irá notar que nela não existe qualquer pensamento (e nem tampouco em qualquer parte do Novo Testamento) de que deveria haver um homem presidindo a ceia. Não há ali nenhum papa, cardeal, arcebispo, bispo, ancião, padre, pastor, reverendo, ministro ou diácono dirigindo a celebração. Trata-se da mesa do Senhor e da ceia do Senhor. Foi o próprio Senhor. Quem ocupou o lugar de destaque à mesa quando instituiu a ceia, e a mesa continua sendo d'Ele. Qualquer tipo de direção humana, seja qual for a forma que é exercida, e mesmo que seja com a melhor das intenções, é uma usurpação da autoridade de Cristo. O Senhor guia os Seus discípulos para preparem a Sua mesa, e os convida, como convidados de honra para participarem da Sua ceia, em Sua memória. Ele está ali para Se encontrar com os Seus discípulos, sentados ao redor da Sua mesa, tendo o Espírito Santo, que habita na assembléia, para dirigi-los em adoração, louvor e gratidão ao Pai e ao Filho (Jo 4:23; Hb 10:19-22; 13:15; 1 Pe 2:5). Ele é Todo-Suficiente, e guiará quem Ele escolher, para dar graças e partir o pão, o qual é passado de mão em mão para que cada um tire dele um pedaço e coma. Da mesma forma é feito com o cálice, para que cada um tome do vinho. Se o coração estiver sujeito ao Espírito Santo, Ele os guiará e manterá tudo em ordem para a glória de Deus. “Deus não é Deus de confusão (ou inquietação), senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (1 Co 12:7-11; 14:23-40).


Falo como a entendidos”, diz o apóstolo Paulo, “julgai vós mesmos o que digo. Porventura o cálice de bênção, que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão” (1 Co 10:15-17).


Ele se dirige aos Cristãos como pessoas entendidas, que têm discernimento, exortando-os a julgarem o que ele diz, e os versículos que se seguem mostram claramente como devemos tomar a Ceia do Senhor. Tudo ali se encontra no plural, e não existe qualquer idéia de um homem ministrando para outros, como é comum vermos em muitos lugares. O cálice que (nós) abençoamos, o pão que (nós) partimos; pois nós, sendo muitos, somos um só pão, um só corpo. A maneira que Deus estabeleceu é que, tanto o pão como o vinho, sejam passados de um para o outro. Fazendo assim, estamos todos demonstrando nosso comum interesse na morte de Cristo.


É ainda importante ressaltar que o apóstolo estava em Filipos, quando escrevia aos Coríntios, e ao falar do cálice e do pão, ele diz: “O cáliceque (nós) abençoamos, o pão que (nós) partimos”, e não que “vós” abençoais ou que “vós” partis, como se a assembléia em Corinto fosse independente da que estava em Filipos. E ele continua dizendo, “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo”, mostrando da maneira mais clara possível a unidade dos santos de Deus em todo lugar. Cristo é “a cabeça do corpo da igreja” (Cl 1:18). “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo assim é Cristo também. Por isso todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo (1 Co 12:12-13).


Nos dias do apóstolo Paulo, o Senhor tinha uma mesa estabelecida, e todos os santos de Deus, em todos os lugares, eram um, e recordavam o Senhor como participantes daquela mesa. O homem tem estabelecido muitas mesas desde então, mas o fracasso do homem, agindo segundo a sua própria vontade, de modo algum altera a Palavra de Deus. Cada filho de Deus tem a responsabilidade de procurar onde se encontra a mesa do Senhor, em meio à toda a confusão existente, para nela recordar a Sua morte.


O Cristão, ao desfrutar desse bendito privilégio, não deve se esquecer de julgar a si mesmo. Participar dos símbolos (pão e vinho), que trazem à memória o amor de Cristo, sem exercer um julgamento próprio, é “comer… e beber… indignamente”, falhando em discernir o “corpo esangue do Senhor” (1 Co 11:27-29). Isto com certeza trará sobre nós juízo no tempo presente, assim como acontecia com os Coríntios, para não sermos “condenados (ou julgados) com o mundo” (1 Co 11:30-32). “Examine-se pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (1 Co 11:28).


Muitos detalhes poderiam ser acrescentados no que diz respeito a esta verdade tão importante, mas o que foi apresentado será suficiente para o objetivo proposto. Que o Senhor, em Sua graça, possa guiá-lo, querido leitor Cristão, para que, a exemplo dos varões de Beréia, você medite a respeito do que foi escrito, “examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17:10-11). E, uma vez que você tenha certeza deste assunto, procure colocá-lo em prática, para a glória de Deus, custe o que custar.


Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” (Mt 6:22).

E. H. Chater (1845-1915)

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TEMPOS DIFÍCEIS

Passamos por tempos difíceis em nossa vida. Pode acontecer de ficarmos sem dinheiro, ou talvez perdermos algo ou alguém de grande valor para nós, ou mesmo passarmos por dificuldades em nossos estudos, ou em nosso trabalho. Pode ser que venham sobre nós, tempos de dificuldades tais que nunca foram experimentadas por outros. Mas devemos nos lembrar de que tudo o que nos acontece é permitido por Deus.


Deus tem um propósito em tudo aquilo que Ele permite que passemos. "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto" (Rm 8:28). "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente" (2 Co 4:17).


Em certas circunstâncias, nos fica difícil entender que bem pode existir nos tempos difíceis que Deus está permitindo em nossa vida. Isto pode acontecer, por estarmos pensando que este benefício deve ser algo visível, aqui neste mundo. A promessa de Deus não diz que o benefício será visível enquanto ainda estamos aqui neste mundo. Ele promete que nossa leve aflição ou tribulação, irá resultar em "um peso eterno de glória mui excelente". Quando chegarmos ao céu veremos o fruto dos tempos difíceis que experimentamos aqui neste mundo, os quais, aparentemente, não nos pareciam trazer qualquer benefício. As bênçãos que receberemos então serão muitíssimo maiores do que as dificuldades que tivemos aqui.


Alguém comparou isto aos ingredientes de um pão. Se comermos farinha crua, ela se nos pegará à boca e será difícil de engolir. O mesmo acontecerá com o óleo, que nos causará náuseas; o sal, que nos dará sede, ou o fermento, que deixará nossa boca amarga. Assim são as dificuldades isoladas que passamos neste mundo; não nos trazem nenhum prazer. Os ingredientes do pão devem ser misturados; a massa batida e revirada, e abandonada à ação do tempo para crescer, sendo então levada ao fogo. Só depois de tudo isso podemos saborear um delicioso pão. O mesmo acontece com os ingredientes das dificuldades que passamos. Quando os experimentamos isoladamente, não nos parecem saborosos ou benéficos; é necessário o tempo de uma vida neste mundo para que eles nos sejam acrescentados na medida certa e passem pelo fogo da provação, até que, no céu, possamos reconhecer que tudo o que nos sobreveio produziu um "peso eterno de glória mui excelente". Só então iremos saborear o produto final e reconheceremos que valeu a pena.


Mesmo quando passamos por tempos difíceis podemos ter paz por sabermos que o Senhor está cuidando de nós. "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós" (1 Pe 5:7).


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A MENTIRA


Mentir é falar algo contrário à verdade; é a expressão e manifestação contrária ao que alguém sabe, crê ou pensa. Pode-se crer na mentira, falar mentira e praticar a mentira. É o engano em seus diferentes aspectos; nocivo ao ser humano e ofensa grave diante de Deus. “O diaboé mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8:44) e, portanto, a mentira é um instrumento diabólico que o homem usa para sua própria perdição. O mais triste é que o homem ama a mentira, não ama a verdade pois ele é mau por natureza (Rm 1:25; Ap 22:15).


A juventude, em termos gerais, está sendo arrastada à perdição eterna pelo prazer transitório da inclinação à droga, sexo, etc. Tudo não passa de uma grande mentira; é enganoso, anormal, trazendo prejuízos físicos, morais e espirituais. Tais coisas, podem ser definidas como praticar a mentira. Esta prática abrange os mais variados aspectos da mentira como idolatria, homicídio, adultério, fornicação, cobiça, etc.


Falar mentira é um mal muito comum em todos os ambientes e esferas da vida. Algumas pessoas dizem que certas mentiras são benignas, mas isto não é correto. Toda mentira, pequena ou grande, é um instrumento do diabo, portanto é recomendável que o crente não se comprometa com coisa alguma que possa levá-lo a mentir. Todo verdadeiro crente deve tratar tudo de uma forma positiva; na verdade o seu falar deve ser "Sim, sim, Não, não, porque o que passa disto é de procedência maligna" (Mt 5:37).


Existe também a mentira doutrinária e a mentira teórica. O “espírito do erro” nega que Jesus Cristo veio em carne, nega que Cristo é Deus (1 Jo 4:6). Esta é uma mentira doutrinária. A teoria da evolução é uma mentira teórica, pois, nega a criação, negando assim o Criador que é Deus. Há pessoas que crêem nessas mentiras, e haverá muitíssimos que irão crer na mentira, por não terem dado crédito à verdade (2 Ts 2:10-12).


Quando Adão e Eva pecaram no Éden, o pecado entrou no ser humano; entrou a mentira, o mal e, consequentemente, a morte. "Porque o salário do pecado é a morte", mas graças a Deus que "o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6:23). Portanto, ao homem agrada, por natureza, crer na mentira; agrada-lhe praticar a mentira, e, ele até mesmo ama a mentira. Repito, a mentira é prejuízo ao homem e, com todos os seus horrorosos aspectos, o degenera e o leva à perdição. O diabo com seu instrumental de mentira rouba, mata e destrói o homem. Está escrito: "O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir" (Jo 10:10). O diabo lançou a sua mentira no mundo: "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida" (1 Jo 2:16).


Devemos aborrecer a mentira, em qualquer forma que se apresente, e não nos esquecermos que o primeiro pecado grave, pecado de morte, registrado na igreja, foi uma mentira (At 5:1-11). Temos que amar a verdade, a qual “está em nós, e para sempre estará conosco” (2 Jo 1:1-2). Procuremos praticar a verdade em nossas vidas, crer na verdade, falar a verdade e amar a verdade. Cristo disse: "Eu Sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por Mim" (Jo 14:6). "Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros" (Ef 4:25).


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O MENINO DA PORTEIRA


Há muitos anos, na Inglaterra, um fazendeiro estava trabalhando em seu campo quando viu um grupo de caçadores, montados a cavalo, se aproximando de sua fazenda. Havia um de seus campos de plantio que não poderia de maneira alguma ser pisoteado pelos cavalos, e ele ordenou a um de seus servos: "Feche a porteira daquele campo, e não a abra em hipótese alguma".


O menino correu para o local, e fez conforme lhe foi ordenado, e mal havia começado sua tarefa quando os cavaleiros se aproximaram e lhe ordenaram que a porteira fosse aberta. O menino se recusou a fazê-lo, mencionando as ordens que havia recebido, e deixou claro sua determinação em não desobedecê-las. Ameaças foram feitas e mesmo um suborno tentado, mas tudo em vão.


Depois de algum tempo um dos caçadores disse em tom de ordem, "Meu filho, você não me conhece. Eu sou o Duque de Wellington (1769-1852), e eu ordeno que abra essa porteira para que eu e meus amigos passemos". (Lembramos que o Duque de Wellington foi o general que venceu Napoleão (1769-1821) na batalha de Waterloo). O menino tirou o seu boné e, em sinal de respeito, permaneceu descoberto diante do homem que toda a Inglaterra se comprazia em prestar honras. Então, com firmeza, respondeu: "Tenho certeza de que o Duque de Wellington não gostaria que eu desobedecesse ordens. Devo conservar esta porteira fechada e impedir quem quer que seja de passar por ela, exceto com a permissão de meu patrão".


Bastante impressionado, o experiente soldado tirou seu chapéu e, fazendo uma reverência, disse, "Respeito o menino ou o homem que não pode sucumbir à ameaças e subornos para cometer um erro". E, jogando para o garoto uma moeda de ouro como recompensa por sua lealdade, o velho Duque virou seu cavalo e galopou de volta pelo mesmo caminho que tinha vindo.


Jovem crente, você foi chamado a guardar uma porteira, e a ordem do seu Senhor foi, "Sê fiel até à morte" (Ap 2:10). Você já foi tentado a beber, fumar ou tomar drogas? Mantenha a porteira de sua boca bem fechada. Quando tentado a mentir, agir com falsidade, ou desobedecer, mantenha a porteira do seu coração bem fechada contra tal tentação. "Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam" (Tg 1:12).

Christian Treasury


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A SALVAÇÃO É PARA SEMPRE


Deus prometeu que se crermos no Seu Filho, somos salvos da ira vindoura. Quão trágico é vermos crentes que temem perder sua salvação. Eles não compreendem uma das maiores promessas de Deus: nossa salvação é para sempre.


"Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus" (1 Jo 5:1). O novo nascimento é uma obra inteiramente de Deus. Nós estávamos "mortos em ofensas e pecados" (Ef 2:1). Não havia nada que pudéssemos fazer para ajudar a nós mesmos. Nosso novo nascimento não foi "da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus" (Jo 1:13). Tudo aconteceu pela vontade de Deus, não pela nossa própria vontade! Foi-nos dado vida pelo poder do Espírito Santo de Deus, e por meio da Palavra de Deus. "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito" (Jo 3:6,8). "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (1 Pe 1:23). Até mesmo a fé para crermos em Deus foi-nos primeiramente dada por Ele. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:8-9). Jamais teríamos a pretensão de reivindicar algum crédito por termos nascido em nossa família natural. Tampouco, podemos ter a pretensão de termos tido parte, em nosso nascimento na família de Deus. Somos nascidos de Deus!


"Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:15). Vida eterna não é apenas uma vida que não tem fim. É a vida de Deus que não tem começo nem fim. Quando nos tornamos participantes desta vida eterna, somos introduzidos em um parentesco eterno. "E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10:28). Se fosse possível perder esta vida eterna, ela deixaria de ser eterna. Nenhum daqueles que estiverem no inferno poderão olhar para traz e dizer: "Um dia eu tive vida eterna!"


"E esperar dos céus a Seu Filho, a Quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" (1 Ts 1:10). Só existe um inferno. Se somos libertos dele, é de uma vez por todas. Uma pessoa que não se encontra livre do inferno, não foi libertada de coisa alguma! Como seria ridículo alguém ser lançado no inferno e dizer: "Um dia eu estive a salvo de vir para este lugar". Este tipo de pensamento é por demais absurdo para perdermos mais tempo com ele. As Escrituras permitem que todos os crentes tenham a certeza de que estão salvos. Em primeira Coríntios 15:2 lemos: "sois salvos". (No versículo 2, onde diz "se não é que crestes em vão" significa ao menos que aquilo, ou aquele em que você creu é falso). O que cremos não é falso. É tudo verdade! Já estamos salvos! "O qual nos livrou de tão grande morte, e livrará" (2 Co 1:10).


"Como também nos elegeu n'Ele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d'Ele em caridade; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade" (Ef 1:4-5). Deus nos escolheu e deu-nos o Seu Filho a fim de nos redimir. Iria Ele voltar atrás na escolha que fez antes mesmo que o mundo existisse? Nunca! Ele nos "abençoou com todas as bênçãos", sendo que antes "nos elegeu" e "nos predestinou". Agora somos "agradáveis no Amado", havendo sido redimidos e perdoados (Ef 1:3-7). Nada disto pode ser desfeito.


"Pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina" (2 Pe 1:4). Esta divina natureza é uma nova natureza, a qual não é nada menos do que a natureza do próprio Deus. É a mesma natureza que tem o Senhor Jesus Cristo. Ele não podia pecar porque tinha somente esta natureza divina. "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado;e não pode pecar, porque é nascido de Deus" (1 Jo 3:9). Nossa nova e divina natureza não pode pecar. Evidentemente, sabemos que ainda temos uma velha natureza que é inclinada a pecar. Sempre que esta velha natureza age, ela peca! (o Senhor Jesus nunca possuiu esta velha natureza.) A nova natureza não pode pecar porque é divina. A velha natureza não pode agradar a Deus porque é pecaminosa.


"Em Quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Ef 1:13). O Espírito Santo selou o crente, garantindo assim a sua viagem rumo ao céu. O Espírito Santo nunca abandonará o crente.


"Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um, assim como Nós" (Jo 17:11). Será que Deus Pai não é capaz de guardar todo aquele que vem a Cristo? O Senhor Jesus os deixou sob os cuidados do Pai para que fossem guardados. Se algum se perdesse, Deus seria culpado de tê-lo perdido. Tal coisa nunca poderá acontecer! Jacó teve que confessar que não tinha sido capaz de guardar adequadamente as ovelhas de Labão (Gn 31:39). Ele perdeu algumas delas. Mas Deus Pai é infinitamente mais forte do que Jacó. Somos "guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo" (1 Pe 1:5).


"Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo" (1 Jo 2:1). O pecado não separa o crente de Cristo. Ele é nosso Advogado, e está sempre presente, para nos trazer arrependimento do pecado que permitimos que nossa velha natureza trouxesse à nossa vida. Quando nos arrependemos, somos restaurados à alegre comunhão com Ele. Quando permitimos que o pecado entre em nossas vidas, perdemos o gozo da comunhão, mas nunca perdemos nosso parentesco como filhos na família de Deus. Os filhos desobedientes de Deus são tratados como parte da família ao serem disciplinados. "Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?" (Hb 12:7). Os incrédulos não têm Cristo como seu Advogado. Tampouco têm eles a Deus com Pai.


"Porque somos membros do Seu corpo" (Ef 5:30). Cada crente é membro do corpo de Cristo. Iria o Senhor Jesus perder uma parte do Seu corpo? Poderia o Seu precioso corpo ser desmembrado? "Nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja" (Ef 5:29). É impossível que um verdadeiro crente perca o seu lugar como parte do corpo de Cristo. Perder nosso lugar no corpo de Cristo seria perder a vida eterna. E sabemos que isto é impossível.


"E nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Ef 2:6). Nossa posição diante de Deus é de quem está "em Cristo". Onde está Cristo agora? Ele está no céu. Por estarmos n'Ele, estamos lá também! Se não fosse assim, o que mais poderiam significar estes versículos? "Nisto é perfeita a caridade para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque qual Ele é, somos nós também neste mundo" (1 Jo 4:17).

Ron Reeves (1927-1998)


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SEGUINDO A CRISTO

"Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas" (1 Pe 2:21).


Pai, neste grande e vil deserto,

Que é o mundo tentador;

Guia-me, pois, no rumo certo,

Me guardando em Teu amor,

Enquanto sigo, bem de perto,

Os passos de Cristo, fiel Senhor!


Se você decidiu seguir a Cristo, terá que levar em conta o quanto isto lhe custará. Talvez você tenha que deixar amigos por amor a Ele; pode ser que tenha que deixar tudo, mas a questão é: devo deixar tudo ou deixar a Deus? "Você não poderá ter dois corações, um para o mundo e outro para Mim", é o que Cristo poderia lhe dizer. Tremo quando vejo pessoas que não têm levado em conta o quanto custa seguir a Cristo. Muitas vezes o próprio Deus lhes coloca uma barreira logo no princípio para ver se são capazes de saltá-la, e daí para frente tudo irá bem.


Cristo "manifestou o firme propósito de ir à Jerusalém" (Lc 9:51), pois conhecia a vontade do Pai e estava decidido a cumpri-la. Voltou o Seu rosto para a direção que era segundo a vontade do Pai, não olhando nem de um lado, nem de outro, mas Se dirigiu resoluto à Jerusalém. O mesmo deve acontecer conosco em meio às circunstâncias que passamos; se os nossos "olhos forem bons" (Mt 6:22), seguiremos o mesmo exemplo de conduta, indo resolutos até à cruz da provação. Com firmeza, com um só propósito; e na medida em que cumprirmos isto, aqueles que não quiserem fixar o rosto para a mesma direção irão se opor a nós. Mas o Senhor disse: "Se alguém Me serve, siga-Me" (Jo 12:26). O verdadeiro serviço não consiste em fazer muito, mas sim em seguir o Mestre, e isto não agrada aos Cristãos mundanos e de coração dividido. Sem dúvida há muito que fazer no mundo, porém a ordem é: "Se alguém Me serve, siga-Me".


"Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-Me" (Lc 9:23). “Cada dia”. Eis aqui a prova. Uma pessoa pode fazer isto heroicamente uma vez. Muita gente o honrará por tal motivo e até, quem sabe, escreverão livros contando de sua façanha. Porém, é extremamente difícil andar cada dia negando-se a si mesmo, e fazendo isto sem que outros fiquem sabendo.


As pessoas não gostam de fazer as coisas que o Senhor Jesus fez quando estava aqui. Por que há tanta discussão acerca do versículo em Mateus 5:39, "não resistais ao mal"? Por que nos agrada resistir ao mal quando alguém nos ataca? Sem dúvida concordamos de que se trata de uma exortação bíblica, porém temos que confessar que não nos agrada cumpri-la e, sempre que podemos, procuramos nos desviar dela.


Custe o que custar ao seu próprio "eu", procure amar como Cristo amou. "Amai a vossos inimigos" (Mt 5:44), é um preceito que pode nos custar muito. A Cristo custou a própria vida cumpri-lo. Seu amor foi um rio que, quando encontrava obstáculos pelo caminho, os repelia ou os deixava para trás, até chegar à cruz.


"Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz" (Mt 6:22). Se assim ocorre com você, pode estar seguro de que haverá luz no seu caminho. Luz não para dez anos, mas sim para o passo que está diante de você, e para o próximo, sucessivamente.

J.N.Darby (1800-1882)


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SOFRIMENTO


É necessário que Cristo esteja entre o nosso coração e o sofrimento, em vez deste último vir a colocar-se como uma parede entre nosso coração e Cristo. Quando passamos por uma provação, não nos esqueçamos de que, o que necessitamos não é ver nossas circunstâncias mudarem, mas sim obtermos uma vitória sobre nós mesmos. A aceitação de seguir a Cristo não significa colocar-se ao abrigo das provas e dos dissabores que gostaríamos de evitar. Como conseguiríamos manter uma vida sem sofrimento moral e físico em um mundo no qual nosso Senhor sacrificou Sua vida?


Mesmo quando Deus julga necessário que uma provação nos alcance, ela vem de uma mão que não erra jamais; e, de um coração cujo amor é perfeito. O crente não é um indiferente diante da dor, que desafia orgulhosamente sua provação e procura sofrer valorosamente, consciente de sua fidelidade e sabendo dominar a aflição. Ele sente, isto sim, os golpes, mas conhece Aquele que os permite. A paciência, o sustento e a ternura de Deus não poderão ser aprendidos no céu. É só aqui na Terra que podemos conhecê-Lo nestes aspectos. Deus é para nós como um amigo que conhecemos em nossas misérias e aflições, e, a Quem voltaremos a encontrar no céu com um gozo muito maior.

 

Pensamento:

Cada época da história da Igreja ilustra e demonstra a verdade do fato de que o "EU", com as suas obras odiosas, é a causa de toda contenda e divisão. Por outro lado, o negar-se a si mesmo e aos interesses egoístas é o verdadeiro segredo da paz, harmonia e amor fraternal.

C.H.Mackintosh (1820-1896)

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