Palavras de Edificação 24

(Revista bimestral publicada originalmente em Novembro/Dezembro 1989)

ÍNDICE


Você Parte o Pão?

Por Que?

Quando?

Onde?

Como?

Tempos Difíceis

A Mentira

O Menino da Porteira

A Salvação é para Sempre

Seguindo a Cristo

Sofrimento

VOCÊ PARTE O PÃO?

Por que, Quando, Onde e Como?


Na noite em que Jesus foi traído, após a ceia pascal, Ele tomou o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho (aos Seus discípulos), dizendo: Isto é o Meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22:19-20).


Jesus estava para ir à cruz, e ao Pai, deixando os Seus amados discípulos neste mundo. Ele estava indo preparar-lhes um lugar, para depois retornar e recebê-los para Si, para que onde Ele estivesse, eles pudessem também estar. Sabendo que seus corações facilmente se esqueceriam, e ciente da fria influência exercida pelo mundo, Ele lhes deixou, antes de partir, este simples e amável pedido: “Fazei isto em memória de Mim”.


Havendo Se oferecido, como a verdadeira Páscoa, sobre a cruz, e tendo sido sepultado, "Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai", e tomou o lugar que Lhe estava reservado à destra de Deus (Rm 6:4). Desde então, Ele continua falando com a mesma ênfase ao coração daqueles que são Seus, por intermédio de Seu servo Paulo (1 Co 11:23). Os escritos dos apóstolos são palavras que lhes foram ensinadas pelo Espírito Santo (1 Co 2:13).


Por quase dezenove séculos, Ele tem aguardado pacientemente em misericórdia e graça a favor do pecador. É por Sua paciência, querido leitor Cristão, que você e eu fomos alcançados. Que tamanha responsabilidade temos, então, para com Aquele que é nosso Salvador e que é tudo para nós! Não se trata de algo difícil o que Ele nos pediu, mas simplesmente de lembrarmos d’Aquele que nos amou, e Se entregou por nós (Ef 5:25). O Seu sangue precioso fez a paz, e agora Ele Se apresenta ao nosso coração. Como pode algum dos Seus queridos querer privá-Lo deste gozo, ao deixar de lado o Seu amoroso desejo?


É da máxima importância que cada Cristão possa conhecer o desejo do Senhor acerca desta bendita instituição que é a Ceia do Senhor, uma vez que a Cristandade em geral tem se distanciado cada vez mais da simplicidade das Escrituras, despojando a Ceia do Senhor e a Mesa do Senhor do seu verdadeiro significado, e levando muitos a ficarem confusos a respeito deste assunto. Os romanistas, com suas missas, e os protestantes, com seus sacramentos, têm ambos distorcido o verdadeiro caráter do lugar que a Ceia e a Mesa do Senhor devem ocupar na Igreja. Os católicos tratam da Ceia como um sacrifício repetido a cada missa, negando assim completamente a perfeição do único sacrifício de Cristo, feito uma vez para sempre. Os protestantes, com frequência, fazem dela um meio parcial de salvação, além do que, com frequência, permitem que pessoas não convertidas participem, quando a Palavra de Deus é categórica quanto ao fato de que a participação na Ceia do Senhor é um privilégio unicamente para verdadeiros Cristãos. E verdadeiros Cristãos são crentes em Jesus, possuem a “vida eterna” e o “Espírito Santo” (Jo 6:47; 1 Co 6:19). A Ceia nunca deveria ser tomada como um meio de se obter bênçãos, mas como uma grata lembrança de nosso Senhor, por aqueles que já receberam bênçãos. Uma verdadeira fé, e um andar em fidelidade, credenciam aqueles que são membros do corpo de Cristo a terem o seu lugar à Mesa do Senhor. Trata-se de um privilégio de todos os filhos de Deus que não estejam biblicamente desqualificados para tal.


Existem quatro questões para as quais eu gostaria de chamar a atenção do leitor: Por Que, Quando, Onde e Como devemos tomar a Ceia do Senhor? Primeiramente, vou responder a estas perguntas com trechos das Escrituras, para depois explicá-las mais detalhadamente.


Por Que?

Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22:19). “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:26).


Quando?

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão (At 20:7). “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:26). “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2:42).


Onde?

Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mt 18:20). “Se pois toda a igreja se congregar num lugar (1 Co 14:23). ajuntando-se os discípulos para partir o pão,havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos” (At 20:7-8).


Como?

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei: isto é o Meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue: fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Co 11:23-26).


Falo como a entendidos, julgai vós mesmos o que digo. Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão” (1 Co 10:15-17).


Havendo citado estas passagens das Escrituras, permita-me que o auxilie um pouco em dirigir o seu coração mais além, amado irmão em Cristo, para a simplicidade de tudo isto; para que nosso Senhor possa sentir gozo em observar a nossa amável sujeição à Sua bendita vontade, e para que você possa se regozijar por estar fazendo com que Ele Se alegre.


A primeira questão é: Por que devemos tomar a Ceia do Senhor? Em memória do Senhor Jesus, para que nosso coração possa trazê-Lo à memória. O partimento do pão nos fala do Seu corpo entregue por nós sobre o madeiro; o beber do cálice nos fala de Seu precioso sangue derramado por nós. Ao participarmos destes símbolos do Seu amor, anunciamos a morte do Senhor. Na presença de Deus, e dos anjos santos, e também circundados pelos poderes invisíveis das trevas e da maldade – Satanás e seus anjos – e por um mundo de pecadores culpados e perdidos, anunciamos o maravilhoso fato de que o Senhor da glória, Jesus, o Cristo de Deus, foi até à cruz do Calvário, sofreu, morreu e Seu sangue foi derramado. Nós anunciamos o mais esplêndido acontecimento já ocorrido na história do universo: como o Seu Criador Onipotente, como Homem (sem pecado), sofreu toda aquela terrível vergonha e dor, a fim de que Deus fosse glorificado; a fim de que o poder de Satanás fosse anulado, e a questão do pecado fosse resolvida de uma vez por todas.


Mas Deus O ressuscitou dentre os mortos, e Lhe deu glória, mostrando assim a todos a Sua estima pela oferta única e perfeita. Já está sentado, o poderoso e vitorioso Senhor, à direita da majestade nos céus, aguardando o glorioso momento, quando descerá nos ares para chamar os Seus amados para o Seu lar (1 Ts 4:15-18). Os Cristãos estarão, então, cumprindo as Suas palavras, fazendo isto em memória d'Ele, e anunciando, assim, a Sua morte “até que venha”.


Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra (Jo 14:23).

Quem não Me ama não guarda as Minhas palavras” (Jo 14:24).


A questão seguinte é: quando devemos tomar a Ceia do Senhor? A este respeito o Senhor não deixou qualquer mandamento específico, mas indicou claramente em Sua Palavra o que pensa a respeito disto, e o crente espiritual, cuja consciência está sendo exercitada, não demorará muito para discernir corretamente.


É bem evidente que todo coração verdadeiramente leal irá dizer: “Eu gostaria de lembrá-Lo com frequência”.


Vejamos o que as Escrituras nos esclarecem a respeito disto. Em Atos 2:42 lemos que três mil Cristãos, que acabavam de ser acrescentados, “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão (“partir do pão” era o termo normalmente empregado para uma refeição comum e algumas vezes é empregado com este sentido, enquanto em outras passagens diz respeito à Ceia do Senhor – veja Lc 24:30-35; At 20:11; 27:35,36), “e nas orações”. Esta passagem mostra claramente como eles compreenderam as palavras do Senhor, e que o partir do pão não era ocasional, mas algo praticado com frequência. Encontramos também em Atos 20:7 que, “E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles”.