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Sacerdócio e Advocacia (Abril de 2007)

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Revista mensal publicada originalmente em abril/2007 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          J. A. Trench (adaptado)

          Dicionário Bíblico Conciso

          J. A. Trench (adaptado)

          W. J. Prost

          Dicionário Bíblico Conciso         

          F. G. Patterson

          P. Wilson

          E. Dennett

          C. H. Brown, adaptado

J. N. Darby

          A. P. Cecil, Hinário Little Flock - 79, apêndice

 

O Sacerdócio de Cristo


O serviço atual do Senhor Jesus para os Seus redimidos é apresentado a nós de duas formas, primeiro como nosso Sumo Sacerdote para com Deus por tudo o que se conecta com nossa condição de fraqueza aqui, e então como Advogado para com o Pai em caso de pecado. A Epístola aos Hebreus nos dá Seu sacerdócio; a epístola de João, Seu lugar como Advogado. O sacerdócio é fundado na obra que o Senhor Jesus realizou na cruz, em cujo momento Ele era tanto Sacerdote quanto Vítima. Ele estava lá como “ser misericordioso e fiel Sumo Sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar [fazer propiciação – JND] os pecados do povo” (Hb 2:17). Contudo, Ele não entrou apropriadamente no sacerdócio até que Ele ocupou Seu lugar no alto. Isso é importante quanto ao lugar do sacerdócio, porque prova que não tem nada a ver com qualquer questão de pecado. O sacerdócio de Cristo é tomado pelo fundamento de uma redenção eterna que aniquilou o pecado para sempre de diante de Deus, e um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel exercendo-o para nós para que não pequemos.

 

Para nossa fraqueza 

O sacerdócio é para nossas fraquezas, que é nossa condição enquanto estivermos aqui. Supõe, então, um povo justificado e liberto, como Israel estava em figura, quando foi trazido a Deus através do Mar Vermelho, com o deserto estando diante deles e o descanso e a glória de Deus no final. Aquele que é o nosso Moisés, o Líder da nossa salvação, está nos conduzindo para lá como filhos de Deus. O caminho em que Ele nos sustenta pelo sacerdócio é o Seu próprio, no qual Ele trilhou antes. Três grandes características desse caminho nos são abertas na epístola: perfeita dependência“Porei n’Ele a Minha confiança” (Hb 2:13), obediência aprendida pelas coisas que Ele sofreu (Hb 5:8) e , da qual Ele é o grande Autor (Hb 12:2).

 

Nós lemos que “naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb 2:18). Com que realidade isso O traz diante de nós como tendo estado em nosso caminho, o saber que Ele foi tentado. No próprio início de Seu caminho público nos Evangelhos Ele teve que enfrentar as tentações de Satanás no deserto. Sua perfeição é vista no que Ele sofreu, sendo tentado, pois com Ele o efeito da apresentação de qualquer coisa contrária a Deus era apenas para produzir sofrimento. Se não nos considerarmos, por fé, mortos para o pecado e não andarmos em Espírito como sendo o poder da libertação que Cristo obrou por nós, haverá em nós a horrível resposta da carne interior quanto à tentação exterior apresentada. Não houve nada assim com Ele; Ele sofreu sendo tentado, e esse é o oposto absoluto do pecado. “Aquele que padeceu na carne já cessou do pecado”, como Pedro diz em sua primeira epístola (cap. 4:1), nos exortando a nos armar com a mesma mente de Cristo. Nós seremos tentados, mas quando na fraqueza tomamos o lado de Deus contra nós mesmos, recusando o mal, o poderoso socorro do Senhor vem para ser o nosso apoio, caso contrário, a fraqueza, sem apoio, se transformará em vontade e pecado.

 

Nos trajes de glória e ornamento de Arão, ele levava, como figura, os nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ônix sobre os ombros de força e também sobre o peitoral do juízo sobre o seu coração. Temos a realidade de ambos ao considerarmos o Sumo Sacerdote de nossa confissão, pois, além da força para socorrer, como no capítulo 2, o capítulo 4 traz a maravilhosa empatia de Seu coração. “Porque não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém Um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4:15). A fraqueza não é pecaminosa, porque Cristo foi crucificado em fraqueza. É na fraqueza que o nosso caminho tem que ser tornado bom para Deus em meio às tentações, sujeito aos assaltos do inimigo, oposto por todos os princípios do homem e do seu mundo, em perigo de ser fatigado e desmaiar em nossas mentes, e por meio de exercícios variados. Quão abençoado é que não haja um detalhe de nossa fraqueza, sob toda forma de prova e teste, que Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote, não participe, na perfeita empatia de um coração humano no trono de Deus e com toda a força divina de Sua compaixão. O trono onde Ele Se assenta se torna um trono de graça onde podemos nos aproximar ousadamente de cada fase de necessidade, para obter misericórdia e graça para ajuda (ou força) oportuna.

 

Ele esteve lá 

Mas uma questão pode surgir: Como Alguém tão exaltado como o Filho de Deus pode entrar em todos os detalhes de fraqueza e necessidade do Seu povo aqui em baixo? A resposta é dada no capítulo 5. Ele esteve aqui e em circunstâncias de pressão e tristeza que nunca caíram na porção de qualquer outro homem. Não que Ele esteja passando por elas agora, pois, se estou em circunstâncias difíceis, não sou tão livre para entrar nas de outro. Mas se eu tenho estado nelas e agora estou fora delas, posso empatizar plenamente com as provações dos outros. Quão infinito é o amor e a graça que trouxe o Filho de Deus ao caminho do teste! “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5:8). No Getsêmani, com toda a sua imensurável tristeza, a última e mais crucial de todas as cenas de testes e provações, temos um exemplo do que Ele teve que passar, e isso O fez perfeitamente apto para ser tudo o que precisamos em nosso Sumo Sacerdote. De Sua profunda experiência de tristeza e provação humana, temos a consciência de que não há nada pelo qual tenhamos que passar e que Ele não possa vir, para nos sustentar enquanto procuramos caminhar no mesmo caminho de Sua obediência.

 

Mas a verdade do sacerdócio vai além. Não me refiro aqui à sua ordem, pois o de Melquisedeque provou ser superior ao de Arão por tantos pontos de contraste no capítulo 7. Embora Seu sacerdócio seja, de fato, da ordem de Melquisedeque, o caráter de Melquisedeque de Seu sacerdócio, não será exercido até que Ele venha em glória milenar. O presente exercício de Seu sacerdócio é análogo ao de Arão. Mas no final do capítulo 6 Ele é apresentado como tendo entrado dentro do véu, como nosso Precursor, para que tenhamos uma garantia pessoal para seu cumprimento no lugar onde “nosso Precursor, entrou por nós, feito eternamente Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (v. 20), e isso também nos dá o santuário de Deus como refúgio e lar do nosso coração. Antes de tudo, Ele garantiu tudo o que era necessário para nós, na forma de socorro e empatia pelo caminho através do deserto. Agora Ele procura conduzir nosso coração para onde Ele está, para o Seu lado das coisas na brilhante cena da presença de Deus, de modo que seremos seguidores daqueles que pela fé e paciência herdam as promessas.

 

“Vivendo sempre” 

Ele também não está inativo lá, pois ainda estamos a caminho, e o amor O envolve para estar sempre ocupado conosco: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (cap. 7:25). Temos a vida dependente de Cristo em nós, sustentada pelos recursos da graça e da força que nos são ministrados por Sua intercessão e serviço sacerdotal. Se o exercício do sacerdócio cessasse por um momento, deveríamos descobrir em breve onde estávamos e o quanto dependemos dele. Mas não é possível, pois a Palavra diz: vivendo sempre para interceder” por nós, como se não tivesse mais nada a fazer além de pensar e cuidar de nós. Uma vez que nossos recursos estão fluindo momento a momento do que Cristo é, “feito mais sublime do que os céus” (v. 26), estamos preparados para o lado positivo e pleno do sacerdócio, que nos transporta de coração e espírito para as cenas celestes (cap. 8-10). Existe um sacrifício perfeito que nos leva ao perfeito santuário celestial, e nós somos introduzidos lá como adoradores aperfeiçoados, não tendo mais consciência dos pecados (cap. 10:12). O Espírito Santo é a Testemunha da obra do Filho de Deus para cumprir os conselhos da vontade divina que nos dá essa consciência perfeita – nossos pecados e iniquidades não mais são lembrados.

 

Nosso lar ligado ao céu 

E agora, no capítulo 10:19-22, o Espírito de Deus nos chama a assumir nosso lugar diante de Deus. “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne, e tendo um Grande Sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração”. Assim, mais uma vez, Cristo é apresentado a nós como Sacerdote, quando Ele aparece representativamente para nós na presença de Deus, nos ligando ao lar para conectar nosso coração da maneira mais íntima com tudo o que está lá.

 

A casa de Deus sobre a qual Ele é Sacerdote consiste de todos os que são de Cristo, “a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” (cap. 3:6). Cada verdadeiro Cristão então tem este lugar maravilhoso de acesso irrestrito a Deus no santuário de Sua própria presença. “Com um verdadeiro coração”, se acrescenta a “inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa” (cap. 10:22). Aplicado figuradamente temos as duas partes da consagração dos sacerdotes. Primeiro, temos perfeito descanso de consciência e coração quanto a todo o passado na presença de Deus por meio do sangue de Cristo e, segundo, a água da Palavra aplicada para nos trazer a uma natureza capaz e livre para desfrutar dessa presença santa. Nós somos, na verdade, um sacerdócio consagrado, mas não foi objeto da Epístola apresentar nosso sacerdócio, mas o de Cristo, e assim o assunto não é ampliado.

 

Que seja nossa, então, por Sua graça, realizar mais e mais, não apenas a bem-aventurança de ter todas as necessidades de nossa fraqueza atendidas pelo sacerdócio de Cristo, mas de nos tornarmos mais familiares com o santuário do qual Ele é o Ministro. Por sua obra na cruz, Ele nos deu o título e a aptidão para a presença de Deus, e nos mantém no gozo dele pelo Seu sacerdócio.

 

J. A. Trench (adaptado)

 

Sacerdotes por Chamado


Os Cristãos são sacerdotes por chamado, como sendo ressuscitados juntamente com Cristo, e tendo acesso a Deus: “E sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5).

 

Dicionário Bíblico Conciso

 

Advogado Junto ao Pai


Ao considerar a obra de intercessão do Senhor Jesus, descobrimos que é para nos manter, apesar da fraqueza aqui, consistentes com nosso chamado celestial. O sacerdócio não contempla o pecado no povo de Deus. É fundado na perfeição do sacrifício pelo qual os pecados foram removidos de diante de Deus para sempre e, portanto, removidos da consciência do crente. No entanto, pecamos e se não houvesse provisão para falha e pecado no crente, quão terrível seria.

 

Em infinita graça, esta primeira epístola de João introduz o ofício de Cristo como advogado. Vejamos o modo como o apóstolo apresenta Cristo neste caráter, considerando o que aconteceu antes. Dirigindo-se a toda a família de Deus no afetuoso termo de “filhos”, ele diz: “estas coisas vos escrevo para que não pequeis” (1 Jo 2:1). Ele se refere, é claro, ao que aconteceu antes em 1 João 1. Três coisas pertencem à posição Cristã. Primeiro, andamos na luz: A luz é Deus perfeitamente revelado e conhecido. Então, temos comunhão uns com os outros nessa luz. E, então, o sangue de Jesus Cristo, que nos purifica de todo pecado, é a base de toda a posição, o único que pode torná-la possível para pecadores como nós.

 

Relacionamento com o Pai

Tudo o que aconteceu antes em 1 João 1 é trazido sobre nossa alma em 1 João 2, para que não pequemos. Mas ele imediatamente acrescenta: “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E Ele é a propiciação pelos nossos pecados”. Mesmo quando o pecado de um dos Seus está em questão, o amor do Senhor Jesus não falha. Ele não nos deixa por nossa própria conta, mas assume nosso caso e age por nós, de acordo com nossa necessidade. Esta é a força da palavra “Advogado”. É a mesma palavra no original de “Consolador” aplicada ao Espírito Santo no Evangelho de João. É Aquele que age por nós em todas as nossas circunstâncias, onde quer que precisemos d’Ele. Note também que Ele é um “Advogado para com o Pai”. O pecado do crente não mudou o relacionamento no qual ele tem com o Pai. Nós nunca podemos ser rejeitados como tal. Isso torna o pecado uma coisa muito mais abominável – sendo cometido contra toda a luz, relacionamento e amor em que fomos introduzidos.

 

De acordo com Hebreus 10, não há mais consciência de pecados para aqueles que creem no testemunho de Deus quanto à perfeição da obra consumada de Seu Filho. Ou seja, a consciência nunca mais conecta o pecado com o julgamento futuro, mas sim com um julgamento que teve lugar na morte de Cristo e é para sempre passado.  A consciência repousa onde Deus repousa, e Ele não mais Se lembra de nossos pecados e iniquidades.

 

Comunhão quebrada 

Mas Satanás pode buscar ocasião para tentar aquele que caiu para fazê-lo pensar que nunca poderia chamar Deus de Pai novamente. Nesta mesma conexão, João apresenta o Advogado para com o Pai, para que possamos saber que o relacionamento é imutável. E além disso, é “Jesus Cristo, o Justo”. Ele está presente em toda a Sua perfeição pessoal e é “a propiciação pelos nossos pecados”, em toda a eficácia permanente de Sua obra. Nenhuma acusação pode estar contra aqueles a quem Deus justificou. Pelo contrário, o pecado interrompeu nossa comunhão, e o bendito serviço do Senhor como Advogado é restaurar essa comunhão. Nem é preciso que tenhamos que ir a Cristo para intervir por nós. “Se alguém pecar, temos um Advogado”. Ele age de Si mesmo para trazer para nós tudo o que é necessário para a restauração. Seu objetivo é nos levar a detectar e julgar em nós mesmos aquilo em que fracassamos – confessar nossos pecados, para que possamos conhecer o perdão de nosso Pai e sermos restaurados para o gozo da comunhão com Ele.

 

A lavagem dos pés de Pedro 

Este precioso serviço do Senhor para nós é ilustrado por Seu modo de lidar com Pedro no Evangelho de João. João 13:1-11 nos dá o princípio disso na significativa lavagem dos pés dos discípulos. Havia claramente algo muito mais profundo do que a mera lição de humildade. O primeiro verso nos mostra a nova posição que o Senhor estava tomando, e isso dá o caráter a todas as comunicações que se seguem. “Sabendo Jesus que já era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai”. Nós temos que atravessar o mundo do qual Ele teve que partir, mas Ele não Se esqueceria de nós em toda a nossa necessidade, pois “como havia amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”. Em Seu amor infalível foi encontrada a fonte de Sua ação que se segue, e Pedro foi autorizado a ouvir de um amor além de todos os nossos pensamentos, na mesma noite em que ele negou que O conhecesse. Aquele em cujas mãos o Pai tinha entregue todas as coisas compromete a causa daqueles que estão cercados de perigo em um mundo como este e estão tão sujeitos a falhar.

 

Pedro se ressente da humilhação do Senhor em inclinar-se para lavar os seus pés, até que ele aprende que é essencial para ele ter parte com Jesus onde Ele estava indo. E assim aprendemos que, enquanto o Seu maravilhoso serviço por nós inclui a recuperação do pecador e a restauração da alma, contudo, vai muito além em amor. Ele não pode suportar uma nuvem entre nós e Ele, e Ele provê a remoção de tudo o que pudesse atrapalhar a luz e o gozo de Sua presença. Pedro pensou que ter tal lavagem não era suficiente: “Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (Jo 13:9).

 

A água da Palavra 

Isso leva o Senhor a distinguir entre duas aplicações da água. Na figura, a água, na Escritura, representa a Palavra de Deus aplicada no poder do Espírito. A primeira é aquela pela qual nascemos de uma forma totalmente nova e nos tornamos participantes de uma nova vida e natureza. Esta aplicação nunca pode ser repetida. A segunda é o que implica a lavagem dos pés – a saber, a constante aplicação da Palavra para preservar, ou nos libertar, do que impediria a abençoada proximidade com Ele. Não nos é dito para aplicarmos ela a nós mesmos: “Se Eu te não lavar, não tens parte Comigo” (Jo 13:8).

 

Nós vemos isso conforme seguimos Seus caminhos com Pedro e com cada um de nós. Não houve evidência que levasse Pedro a suspeitar do perigo em que se encontrava – ele pensou que um coração caloroso o levaria a passar qualquer coisa pelo Senhor. Mas a energia da natureza irá falhar em tal caminho, e ele sucumbe diante da provocação de uma criada, negando repetidamente que conhecia o Senhor. “E, virando-Se o Senhor, olhou para Pedro” (Lc 22:61). Esse olhar partiu seu coração, pois falava sobre um amor que não conhece mudança. Ele sabia que foi perdoado antes mesmo da mensagem especial do seu Senhor já ressuscitado, ou do encontro pessoal que lhe foi concedido.

 

A comunhão totalmente restaurada 

Mas a comunhão era um assunto muito diferente e ele ainda precisava ser restaurado. Ainda havia a sensação de distância e um vazio em seu coração que ninguém além de Cristo poderia preencher. Ele volta para a antiga ocupação de pesca, levando outros com ele. Foi uma noite sem nenhum proveito, mas abriu caminho para o Senhor intervir em Seu poder e graça e levar Pedro à realidade daquilo que Ele não pôde entender quando o Senhor queria lavar seus pés. “Jesus Se apresentou na praia” (Jo 21:4). A rede agora estava bem cheia e trazida para a terra, onde já estava preparada uma refeição para eles pelo próprio Senhor. Quando acabou, Jesus disse a Pedro: “Simão, filho de Jonas, amas-Me mais do que estes?” (Jo 21:15). Quão gentil e irresistivelmente a pergunta o faria recordar de seu orgulho confiante – “Por ti darei a minha vida” (Jo 13:37). Quem havia falhado tão espantosamente quanto ele? O que ele pôde dizer? Para quem ele poderia se voltar, além d’Aquele a Quem ele negou? “Sim, Senhor; Tu sabes que Te amo” (Jo 21:15). Mas deve-se notar que Pedro não se contenta em usar a palavra geral para o amor que o Senhor empregou, mas usa a palavra para o amor especial de um amigo. “Tu sabes que estou ligado a Ti”, e assim novamente quando o Senhor repete a Sua pergunta. Mas ele havia O negado por três vezes. Foi um trabalho doloroso, mas a consciência deve ser profundamente sondada, e a raiz de seu fracasso exposta, para que a recuperação possa ser completa. Na terceira vez o Senhor traz a questão, mas com um toque de graça sem par, Ele adota a palavra de Pedro, já implicando que Ele confia nele. “Simão, filho de Jonas, estás ligado a Mim?” (Jo 21:17 – JND). Pedro não podia deixar de senti-lo, mas sob aquele olhar penetrante que o fitava em tal amor, ele só podia responder: “Senhor, Tu sabes todas as coisas; Tu sabes que estou ligado a Ti” (Jo 21:17 – JND). A obra estava finalizada. Os pés sujos são lavados, e o Senhor pode confiar a Pedro Seus mais preciosos interesses aqui – Seus cordeiros e ovelhas, para serem pastoreados e alimentados. E agora Ele permite, no poder da comunhão totalmente restaurada, que Pedro tome o caminho no qual uma vez ele havia fracassado completamente. Ele deveria seguir até a morte pelo Senhor.

 

A advocacia do Senhor 

Assim, nos é permitido ter uma preciosa amostra da ação do Advogado no caso de pecado nos Seus. É o Senhor Quem Se encarrega de aplicar a Sua Palavra à consciência e ao coração, para detectar e trazer à luz aquilo que interrompeu a comunhão ou impediu o gozo da Sua presença. Ele faz isso para que possamos confessar e julgar a nós mesmos. No momento em que esse ponto é alcançado, Ele é Fiel e Justo para nos perdoar os nossos pecados.

 

Quão abençoada é a revelação destes aspectos distintos do serviço do Senhor Jesus para conosco, seja como sacerdote para com Deus ou como Advogado junto ao Pai. Mas como isso deve nos fazer abominar as coisas que são contaminadas, seja elas quais forem, que tenha precisado do serviço do Filho de Deus para nos libertar dela. Ele deseja “a verdade no íntimo” (Sl 51:6), mas Ele deve trabalhar para produzi-la, para que possamos ter confiança diante d’Ele com um coração que não tem nada que nos condene.

 

J. A. Trench (adaptado)

 

Arão e Hur


“Então, veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim. Pelo que disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã, eu estarei no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão. E fez Josué como Moisés lhe dissera, pelejando contra Amaleque; mas Moisés, Arão e Hur subiram ao cume do outeiro. E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia; mas, quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia. Porém as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado, e o outro, do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o Sol se pôs. E, assim, Josué desfez a Amaleque e a seu povo a fio de espada” (Êx 17:8-13).

 

Nesta passagem, vemos que Josué, por ordem de Moisés, sai à frente dos homens escolhidos para a batalha. Josué traz diante de nós Cristo levando Seu povo ao conflito na energia do Espírito de Deus. A batalha é do Senhor, pois sem Ele não podemos esperar a vitória. Devemos contar com o Senhor em todas as situações, em vez de confiar na energia e esquemas dos homens. Não pode haver guerra bem-sucedida contra o inimigo à parte da energia do Espírito de Deus. “Maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1 Jo 4:4).

 

Vemos Josué levando seus homens abaixo na planície, enquanto Moisés sobe com Arão e Hur até o cume do outeiro. Moisés, desse modo, é um tipo de Cristo no céu em intercessão por Seu povo. Ele conduz Seu povo na energia do Espírito aqui embaixo, mas os mantém por Sua intercessão acima na presença de Deus. À parte de sua intercessão sacerdotal, eles não têm poder contra o inimigo, e a energia do Espírito está em relação a essa intercessão. Paulo pôde dizer: “É Cristo Quem morreu ou, antes, Quem ressuscitou dentre os mortos, o Qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8:34).

 

Arão – o grande sumo sacerdote 

Mas nenhum homem é uma figura perfeita de Cristo, e assim Arão e Hur também são necessários. As mãos de Moisés eram pesadas e ele foi ajudado por Arão e Hur. Arão, embora não tenha sido formalmente designado para o sacerdócio neste momento, é, sem dúvida, uma figura de Cristo como nosso grande Sumo Sacerdote. Por tudo que Cristo passou, Ele é capaz de interceder por nós. Ele experimentou neste mundo tudo o que um homem sem pecado poderia experimentar e, assim, é capaz de “compadecer-Se das nossas fraquezas” (Hb 4:15). Se nos valermos do Seu sacerdócio e estivermos dispostos a nos aproximar do trono da graça (Hb 4:16), certamente receberemos “misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4:16).

 

Hur – o advogado 

Também vemos que Hur é necessário e seu nome significa “branco” ou “pureza”. Ele é uma figura de Cristo como nosso Advogado, porque lemos em 1 João 2:1: “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo”. Se sentíssemos mais nossa debilidade e fraqueza e nos valêssemos do sacerdócio de Cristo com mais frequência, não pecaríamos. No entanto, se pecarmos, descobriremos que temos um Advogado em Cristo – Alguém que nos atende em nossa necessidade. A palavra traduzida como “Advogado” é a mesma que é traduzida como “Consolador” no Evangelho de João, e significa literalmente “aquele que vigia e cuida de todos os nossos assuntos”. Nós não podemos lutar a batalha contra o pecado em nossa consciência, e Deus nunca supõe que o crente deve pecar porque ele é fraco. No entanto, Deus fez provisão graciosa para o caso de pecarmos. O Mesmo que levou nossos pecados na cruz agora vai a Deus, em justiça, para agir por nossa restauração. Toda situação possível é coberta e a vitória é garantida! O Espírito de Deus é nosso Consolador ou Advogado aqui embaixo, pois Ele foi enviado quando o Senhor Jesus foi glorificado no céu. Mas quão maravilhoso é perceber que o Senhor Jesus é também nosso Consolador ou Advogado lá em cima, agindo por nós se pecarmos.

 

As duas mãos 

Há um belo detalhe a ser notado aqui. Quando a referência é feita primeiramente a Moisés, diz que “quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia”. Apenas uma mão é mencionada, embora tenha levado Arão e Hur juntos para levantar as mãos, no plural. Em figura, isso nos traz uma preciosa verdade sobre o sacerdócio e a advocacia do Senhor Jesus. Nem sempre chegamos ao trono da graça para desfrutarmos das funções sacerdotais do Senhor Jesus, pois nem sempre sentimos nossa necessidade. Não sentimos nossa fraqueza e, como resultado, nossa mão pode cair e perder a sempre fiel mão do sacerdócio do Senhor. Então Amaleque, uma figura da energia da carne no crente, pode prevalecer. Mas, por outro lado, a mão que é figura da advocacia ainda esta levantada; ela nunca falha. Não precisamos pedir ao Senhor que nos ajude em Sua capacidade de Advogado, pois Ele faz isso sem o nosso pedido. Nos é dito que nos aproximemos com ousadia ao trono da graça, mas se pecarmos, simplesmente diz que “temos um Advogado para com o Pai”. Assim que pecamos, mesmo que não tenhamos percebido toda a extensão do nosso fracasso diante de Deus, Cristo, como nosso Advogado, começa a agir para nos restaurar. Quão abençoado e reconfortante! Verdadeiramente, “pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus” (Hb 7:25)!

 

W. J. Prost

 

O Paracleto


A palavra “paracleto” significa aquele que assume a causa do outro. É traduzida por “Consolador” em referência ao Espírito Santo (Jo 14:16) e “Advogado” em referência ao Senhor Jesus (1 Jo 2:1). Cristo em glória é um Advogado de um filho do Pai se ele pecar. Ele é o Paracleto no céu, enquanto o Espírito Santo é o mesmo na Terra para assegurar o bem-estar espiritual dos filhos de Deus.

 

Dicionário Bíblico Conciso

 

Sacerdócio e Advocacia


O sacerdócio é a provisão divina da graça para sustentar aqueles que foram colocados na justiça de Deus diante d’Ele em Cristo. Ela reconcilia a condição de uma criatura pobre e fraca na Terra, sujeita a cair a qualquer momento, com a posição gloriosa que é dela em Cristo. Eu acredito que Hebreus é o complemento da Epístola aos Romanos – um nos coloca, por meio da redenção, diante de Deus em Cristo e o outro nos mantêm lá. Em seu aspecto primordial, é preventivo e sustentador. “Sustenta-me, e serei salvo”. Você encontra no final de Hebreus 4 as provisões feitas para que não caiamos no deserto – o poder sondador da Palavra de Deus para lidar com a vontade e o suporte do sacerdócio de Cristo para nos apoiar em nossa fraqueza.

 

O sacerdócio de Cristo é para nos sustentar em nossa fraqueza e nos impedir de cair. A advocacia de Cristo é para nos dar suporte diante de Deus se pecarmos. “Se alguém pecar, temos um Advogado” (1 Jo 2:1). Ele está comprometido diante e com o Pai por nós. O resultado de Sua advocacia é transformar a Palavra em seu poder de convencimento na consciência pelo Espírito. Quando a confissão é produzida, a alma, tendo se curvado sob Sua ação, então a restauração segue.

 

F. G. Patterson

 

O Sacerdócio de Melquisedeque 


Sacerdócio real 

Abraão deu o dízimo dos despojos a Melquisedeque (Gn 14:18-20). Ele era uma figura do Senhor Jesus. Este Melquisedeque é denominado rei e também sacerdote – “Rei de Salém” ou “Rei da paz” e “sacerdote do Deus Altíssimo”.

 

No Salmo 110:1, Deus Se dirige ao Senhor Jesus dizendo-Lhe: “Assenta-Te à Minha mão direita, até que ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés”. Isto é seguido por: “Jurou o SENHOR e não se arrependerá: Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (v. 4).

 

O Senhor Jesus no alto é agora um Sacerdote de acordo com a ordem de Arão, isto é, de intercessão e compaixão. Quando Ele aparecer no Milênio, Ele agirá no sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque, isto é, combinando o sacerdócio e a realeza em Sua Pessoa. Como Zacarias diz: Ele “será Sacerdote no Teu trono” (cap. 6:13). Será o que Pedro fala como sacerdócio “real”. Não será um sacerdócio de intercessão, mas distribuindo recompensas reais. Em Gênesis 14, Melquisedeque trouxe pão e vinho para refrigério e ânimo dos guerreiros vitoriosos.

 

O exemplo do rei Davi 

Em 2 Samuel 6, temos o relato de Davi levando para casa a arca de Deus que estava na casa de Obede-Edom, e ele “saltava com todas as suas forças diante do SENHOR; e estava Davi cingido de um éfode de linho” (v. 14). O éfode de linho era uma vestimenta sacerdotal, e assim, aqui Davi está agindo como rei e sacerdote (sacerdócio real). Então ele dispensa favores reais, como lemos: Ele “abençoou o povo em nome do SENHOR dos Exércitos. E repartiu a todo o povo e a toda a multidão de Israel, desde os homens até às mulheres, a cada um, um bolo de pão, e um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então, foi-se todo o povo, cada um para sua casa” (vs. 18-19). Esse também é uma figura de Cristo quando Ele Se assenta como Sacerdote em Seu trono. O Cristão antecipa esse tempo e pode atuar como um sacerdote real agora, espalhando as bênçãos reais à medida que ele sai e avança à frente. Em contraste, o sacerdócio “santo” está conectado com a entrada à presença de Deus para oferecer sacrifícios espirituais. Compare os versos 5 e 9 de 1 Pedro 2.

 

P. Wilson

 

Arão e Melquisedeque 


O serviço atual de Cristo como Sumo Sacerdote é segundo o modelo do serviço de Arão, mas quando Ele vier em Suas vestes de glória e majestade, Ele assumirá o caráter de Melquisedeque, pois Ele então será um Sacerdote em Seu trono. Quando Ele for Rei e Sacerdote, todos os crentes, em virtude de associação com Ele na graça de Deus, também serão reis e sacerdotes (veja Ap 1:56), e portanto os vinte e quatro anciãos são vistos assentados em tronos, vestidos com vestes sacerdotais e com coroas de ouro em sua cabeça (Ap 4).

 

E. Dennett

 

A Adoração do Sacerdócio Santo


Nós lemos sobre o sacerdócio no segundo capítulo de 1 Pedro; lemos sobre o sacerdócio santo e sobre o sacerdócio real. Os sacerdotes santos oferecem o sacrifício de Deus, o sacrifício de louvor a Deus continuamente, isto é, adoração. O sacerdócio santo precede o sacerdócio real. O sacerdócio real é sobre o testemunho, mas Deus coloca o santo sacerdócio em primeiro lugar.

 

Em João 4, naquele maravilhoso encontro com a mulher ali junto ao poço, encontramos Deus o Pai como Alguém que busca. O que Ele está procurando? Ele está procurando adoradores, adoradores que O adorarão em espírito e em verdade.

 

As coisas se tornaram tão confusas na profissão Cristã hoje que a própria palavra “adoração” muitas vezes não é entendida. Descobrimos que ministério é frequentemente confundido com adoração. O ministério pode criar adoração no coração, mas o ministério em si não é adoração. Em João 12:13 o Senhor é convidado a entrar na casa de Marta. Aqui temos um dos mais belos exemplos na Palavra de Deus de um verdadeiro adorador. Nós podemos aprender o que é ser um adorador nesta pequena cena em Betânia.

 

“Então, Maria, tomando uma libra de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (Jo 12:3)

 

Você consegue imaginar uma cena mais adequada para o deleite do céu do que o que temos diante de nós neste terceiro verso? Cristo é o centro da cena! Maria, esta querida e dedicada filha de Deus, está ajoelhada a Seus pés novamente. Ela não está lá com um pedido. Ela está ali apenas para derramar sobre aqueles benditos pés o melhor que ela tinha. Ela tinha esse vaso de unguento, muito precioso. Suponho que uma estimativa conservadora diria que aquele vaso de unguento valeria, em poder de compra, o equivalente a vários milhares de reais em nossa moeda de hoje, e ainda assim nada era suficientemente bom para Cristo. Ela estava lá ungindo Seus pés e enxugando-os com seus cabelos, e a casa se encheu do odor do unguento. Oh amados santos de Deus, não há odor semelhante – o odor que vem do reconhecimento da beleza da Pessoa de Cristo.

 

Toda a casa estava cheia do odor – adoração subindo a Deus. É isso que o Pai está buscando em primeiro lugar – adoradores. Se entramos em Sua presença como adoradores e habitamos como adoradores, isso enche nosso coração com a beleza de Cristo. Então, vamos querer sair em serviço e contar a alguém mais sobre o Salvador que encontramos.

 

C. H. Brown, adaptado

 

A Palavra de Deus e o Sacerdócio


Há duas coisas que Deus emprega ao nos guiar pelo deserto, como é dito em Hebreus 5. Uma é a Palavra de Deus e a outra é o sacerdócio do Senhor Jesus.

 

A Palavra e nossa carne 

A Palavra de Deus é usada para a detecção e discernimento dos pensamentos e intenções do coração. É “viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes... e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. O que quer que seja carne, a Palavra corta impiedosamente, e agradecemos a Deus por ela, porque carne é um obstáculo à nossa bênção. A advertência de que o apóstolo fala aqui, aludindo à história de Israel, é que seus corpos caíram no deserto. Eles haviam saído do Egito e, no entanto, seus corpos caíram no deserto. Existe, é claro, para nós, o perigo que corresponde a isso – um perigo muito real. Sem dúvida, Deus manterá os Seus até o fim, mas existe o perigo real, e, se somos mantidos, é pela fé. Agora, aquilo que tende a nos fazer cair no deserto é a carne, e os meios que Deus usa para não cairmos no deserto é a Palavra que é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes. O que não é um pensamento que vem de Deus e uma intenção que vai para Deus, a Palavra de Deus julga – isto é, tudo aquilo que surge naturalmente no coração do homem, tudo aquilo que vem da carne (que, é claro, é tudo num mero homem natural).

 

Quanto à aceitação com Deus, podemos dizer que a carne já está condenada. “Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne”. Assim, visto como uma questão de justiça na cruz de Cristo, Deus condenou o pecado na carne, e então, quando chegamos à jornada através do deserto, a Palavra de Deus julga o que não está de acordo com aquela Palavra. A cruz já tratou com a carne – tudo o que não convinha à morte de Cristo em pensamento ou ato era assim julgado e condenado. A Palavra de Deus é um meio para o cumprimento prático disso. O segundo meio empregado é o sacerdócio do Senhor Jesus Cristo.

 

O sacerdócio e nossas necessidades 

A Palavra de Deus, vimos, julga os pensamentos e intenções do coração, enquanto o sacerdócio se aplica a todas as fraquezas e fracassos. No momento em que é uma questão de um pensamento ou intenção do coração, tem que ser julgado como vindo da carne, e isso é feito pela Palavra de Deus, que é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes. Por outro lado, quando se trata de provações e fraquezas, você têm o sacerdócio do Senhor Jesus Cristo. A Palavra de Deus é o olho de Deus, julgando tudo em minha alma que não é segundo o que Ele é. E então “temos um Grande Sumo Sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus”. Quando há um momento de necessidade e dificuldade, é o Sumo Sacerdote cheio de ternura e misericórdia “para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”. Não pode ser, evidentemente, algo inconsistente com a Palavra de Deus. Não pode ser um a cortar e o outro a poupar a carne e, portanto, o sacerdote deve nos sustentar de acordo com a bênção que nos é dada inteiramente fora do alcance da carne. E é assim que Cristo Se torna o Sumo Sacerdote. Ele foi para o alto onde a carne não pode entrar. Este é o lugar no qual devemos falar para Deus, e portanto, como nosso Sumo Sacerdote, Ele tem que cuidar dos nossos assuntos na presença de Deus onde nada que é impuro pode entrar. Ele coloca o fundamento disso no sacrifício em virtude do qual Ele pôde ir lá, então este mesmo sacerdócio de Cristo é fundado em nossa aceitação.

 

A passagem pelo deserto 

Como uma figura, a redenção de Israel do Egito, que precedeu toda a jornada deles no deserto, é aqui usada. Nós não temos mais nenhuma relação com o Egito. O Mar Vermelho colocou morte e julgamento entre os viajantes e o Egito, e assim acontece com o santo agora. Morte e julgamento formam o ponto de partida do santo. Existe aquilo que o antecede no exercício do coração, e quando uma alma se propõe a deixar este mundo de ruína e condenação, frequentemente se encontra, como fez Israel, nas margens do Mar Vermelho, as águas na sua frente e seus inimigos atrás deles. Lá eles estavam completamente cercados por este julgamento, onde Satanás estava pressionando a eles. Mas no momento em que passaram pelo Mar Vermelho, tudo aquilo foi inteiramente e finalmente encerrado. O que tinha sido uma barreira quando Israel não poderia avançar mais, agora ficou totalmente para trás e serviu como uma barreira contra o Egito. E para nós, a morte e o julgamento são uma barreira segura entre nós e todos os que estão contra nós. Não é que não haja conflito depois – nenhum cansaço depois – mas não há dúvida de libertação depois disso. Se Israel não fosse fiel, eles falhariam em obter vitórias, mas não havia dúvida de que Deus não estava sendo contra eles.

 

Em seguida vem esta jornada pelo deserto, o julgamento da carne pela Palavra, e depois o sacerdócio de Cristo que é exercido por nós. E quando eu venho ver onde Cristo está, eu descubro que é Aquele que passou pela morte e julgamento que me eram devidos, e Ele tomou Seu lugar na presença de Deus, onde Ele está exercendo Seu sacerdócio. Ele estabeleceu o ponto onde eu pertenço – onde eu adoro – e é na presença de Deus que é o meu lugar. Tudo o que me pertence, como no primeiro Adão, ficou para trás em minha comunhão com Deus – não no que diz respeito ao conflito com ele, mas no que diz respeito ao meu lugar com Deus. A velha natureza ainda está lá, e a Palavra vem e julga todos os movimentos dela que me impediriam no meu caminho. Mas o lugar onde Cristo exerce Seu sacerdócio está totalmente fora da carne; está no céu. Israel tinha um lugar na Terra e um sacerdote na Terra; nós temos um lugar no céu e um Sacerdote no céu.

 

J. N. Darby

 

Nosso Grande Sumo Sacerdote          

 

Nosso grande Sumo Sacerdote está assentado

 À direita de Deus acima,

Para nós Suas mãos que sustentam,

Em empatia e amor:

Enquanto aqui embaixo, em fraqueza,

Seguimos em frente avançando nosso caminho;

Na tristeza, muitas vezes, e na doença,

Suspiramos, gememos e oramos.

 

Por meio de múltiplas tentações,

A minha alma segue o seu caminho;

A poderosa intercessão de Cristo

É o seu único recurso;

As súplicas do meu gracioso Sumo Sacerdote,

Quem na cruz verteu Seu sangue,

Traga a graça e as bênçãos de Deus,

Ajude em cada hora de necessidade.

 

Oh, Jesus, bendito Salvador,

Esperamos ver-Te em breve,

Quem uma vez na Terra sofreu,

Quem em breve virá por nós;

Foi o favor mais gracioso de Deus

O haver dado Seu Filho para morrer

Para viver como nosso Intercessor,

Para nos defender nas alturas.

 

A. P. Cecil, Hinário Little Flock - 79, apêndice

 

“Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E Ele é a propiciação pelos nossos pecados”

1 João 2:1

 

 

 

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