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Vencendo (Outubro de 2006)

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Revista mensal publicada originalmente em outubro/2006 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          Tema da edição

          W. J. Prost

          C. H. Brown, anotações de uma reunião

          F. G. Patterson (adaptado) de The Church of God

          J. A. Trench (adaptado) de Truth for Believers

          J. N. Darby

          Hino 186 - The Little Flock

 

O Vencedor


As palavras “ao que vencer” em Apocalipse 2-3 deveriam ser “ao vencedor”, isto é, a pessoa já está participando disso, o que significa que a ação de vencer já é a sua parte, enquanto que "aquele que vencer", como um tempo verbal, pode adiar a conexão da ação com a pessoa até que toda a ação de superação [vitória] seja aperfeiçoada. Isso é muito importante lembrar nas cartas endereçadas às sete Igrejas e em todos os lugares nos escritos de João.

 

Tema da edição

 

O Cristão Como um Vencedor 


A Palavra de Deus sempre supõe que o Cristão desejará ser um vencedor e nos mostrará que é inteiramente possível para ele vencer. Nisto o próprio Senhor Jesus é o Exemplo supremo, pois Ele diz: “Ao vencedor, fá-lo-ei sentar-se Comigo no Meu trono, assim como Eu venci e sentei-Me com Meu Pai no Seu trono” (Ap 3:21 – TB). No entanto, a Palavra de Deus também fala de um Cristão sendo vencido e nos alerta das consequências disso. Em 2 Pedro 2:19 nos é dito que "de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo”. Em Cristo, “não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor” (Rm 8:15), mas somos trazidos para a liberdade dos filhos de Deus e como tal, devemos caminhar por este mundo na liberdade e poder dessa posição.

 

A instrução para o crente neste mundo é resumida para nós em Romanos 12:21, onde lemos: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. Aqui encontramos os aspectos negativos e positivos do nosso testemunho Cristão reunidos, e ambos são necessários se vamos mostrar a Cristo em nossas vidas. Primeiro de tudo, como é que podemos “não sermos vencidos do mal”?

 

Vencendo o mal 

Em sua caminhada por este mundo, o crente é constantemente cercado pelo mal. Esse mal pode tentá-lo de diferentes maneiras, mas há três frentes no ataque – o mundo, a carne e o diabo. O mundo é o sistema de coisas iniciado por Caim e seus descendentes, que usaram suas energias para tornar esta Terra tão confortável quanto possível na presença do pecado, mas sem Deus. Este conceito nunca mudou em seu princípio, e o mundo de hoje é essencialmente o mesmo em sua visão como era nos dias de Caim. Quão facilmente isso pode nos vencer como Cristãos, pois todos nós temos em nós aquilo que responde às atrações do mundo. Desde a época em que este mundo rejeitou o Senhor Jesus, Satanás é chamado de seu deus e seu príncipe, e é Satanás que manipula o mundo (dentro dos limites de Deus) para alcançar seus próprios fins. Infelizmente, isso inclui procurar nos ocupar com o mundo e tudo o que nele existe.

 

O mundo 

Em 1 João 2:15 nos é dito: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele". Contudo, o Cristão deve viver e se mover pelo mundo, pois estamos no mundo, embora não sejamos do mundo. Não existe apenas “a sedução [fascinação – ARA] das riquezas”, mas também “os cuidados deste mundo”, e ambos podem ser uma armadilha para o crente. De fato, os cuidados com este mundo é talvez mais sutil e perigoso, pois uma certa quantia é necessária em conexão com ganhar o suficiente para a vida e cuidar de nossos negócios de uma maneira ordenada. É preciso verdadeira dependência do Senhor e uma caminhada em comunhão com Ele para que os crentes usem “deste mundo”, mas não sejam encontrados “se dispondo dele como seu fosse seu” (1 Co 7:31 – JND). Quão encorajador é lembrar as palavras do Senhor Jesus: “Assim como Eu venci” (Ap 3:21).

 

A carne 

Além disso, devemos lembrar que todos nós, como crentes, temos o velho eu pecaminoso – a carne em nosso interior. Embora estejamos posicionalmente mortos e ressuscitados com Cristo e mortos para o pecado, ainda temos em nós uma velha natureza que cobiça o mal. A carne também ama suas facilidades, e o pensamento de que eu devo estar constantemente em guarda neste mundo é desagradável para a carne. Existe a tendência de os Cristãos adormecerem em vez de vigiarem, e é quando estamos dormindo que estamos prontos para sermos vencidos. Tudo isso é uma luta constante, pois quanto mais queremos viver para o Senhor, mais a carne se afirma.

 

O diabo

Então existe o trabalho direto do diabo a partir de sua posição como deus e príncipe. Ele está constantemente buscando afastar os homens do evangelho e roubar os crentes de seu gozo em Cristo. Verdadeiramente ele “é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44). Sabemos que ele tentou fazer com que o Senhor Jesus deixasse o caminho da dependência e da obediência quando O tentou no deserto. O Senhor lhe respondeu a partir da Escritura   e o colocou em silêncio, mas muitas vezes em nós mesmos existe aquilo que ele pode usar para nos vencer. Seu tempo está se esgotando, e seus ataques nestes últimos dias são tão frequentes e tão difíceis que alguns crentes simplesmente desistem e acompanham o fluxo do mal neste mundo.

 

Concessões interiores 

Finalmente, devemos estar atentos para aquilo que vem, não tanto de fora da profissão do Cristianismo, mas  de dentro. Desde os dias dos apóstolos tem havido um forte declínio na Igreja e um abandono de muitas verdades. O Senhor concedeu graciosamente avivamentos e uma restauração daquilo que Ele deu no princípio, mas isso requer energia espiritual para andar nestas verdades. A tendência na grande casa da Cristandade é de fazer concessões, e isso também pode ser uma forte influência para fazer com que o crente seja “vencido do mal”.

 

Em todas essas coisas, devemos lembrar que a obediência ao Senhor e a afeição por Ele nos capacitarão a sermos vencedores. Ele já venceu  e podemos segui-Lo nesse caminho. Como Ele era superior a todas as Suas circunstâncias, podemos viver acima de nossas circunstâncias, em vez de sermos controlados por elas.

 

Vencendo o mal com o bem 

No entanto, o testemunho Cristão deve acrescentar algo, e isso é muito importante! Não basta apenas resistir ao mal e não ser vencido por ele. Não nos contentemos em fazer isso e simplesmente vivermos uma boa vida, moralmente corretas, tendo em vista irmos para o céu no final. Deus quer que sejamos testemunhas vivas no mundo. Ele quer que vivamos de tal maneira que não apenas evitemos ser vencidos, mas sim que vençamos o mal com o bem. Isso requer energia espiritual acima e além daquela que é necessária para simplesmente resistir.

 

Quando nosso Senhor estava na Terra, Ele encontrou todo o mal que havia acumulado por milhares de anos desde a queda do homem. Ele viu e experimentou exteriormente todos os terríveis efeitos do pecado neste mundo, tanto nos outros como dirigidos contra Ele mesmo. No entanto, em tudo isto, Ele não Se deixou ser vencido pelo mal somente, mas venceu o mal com o bem. Quando Ele viu homens famintos, Ele os alimentou. Quando Ele viu a doença e a morte, Ele os curou e os deu vida. Quando Ele viu homens como ovelhas sem pastor, Ele os ensinou. No entanto, a suprema vitória sobre o mal com o bem foi na cruz, onde todo o mal se juntou. Todo o horror do pecado, todo o poder de Satanás, toda a inimizade do homem contra Ele, toda a ira de um Deus santo contra o pecado – estava lá ao máximo. Ele triunfou sobre tudo e emergiu vitorioso sobre o pecado, sobre a morte e sobre Satanás.

 

Visto que Cristo obteve a vitória para nós, nós também podemos vencer o mal com o bem. É verdade que Deus não dá normalmente dons de sinais hoje, como o dom de cura, mas o Seu poder é o mesmo. Pode haver mal no mundo e até mesmo na grande casa da profissão Cristã, mas tudo isso não afeta a bondade de Deus e Sua graça. O crente é chamado para caminhar por este mundo, não apenas evitando ser vencido pelo mal, mas distribuindo o bem e a bênção. Isso requer mais energia espiritual do que simplesmente não ser vencido pelo mal. Mas Deus nos deu tudo o que precisamos para nos capacitar a vencer o mal com o bem. O mundo pode estar contra nós, mas, ao desistirmos do mundo, desfrutamos do amor do Pai (1 Jo 2:15). Se a carne ainda está lá para nos tentar, temos o Espírito de Deus dentro de nós, para que não façamos as coisas que a carne quer (Gl 5:17). Se Satanás está ativo em todos os momentos, sabemos que “para isso o Filho de Deus Se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 Jo 3:8). O Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos por nós! No entanto, precisamos de pelo menos três coisas em nossas vidas Cristãs para nos apropriarmos desse poder e sermos vencedores.

 

Três requisitos para vencer 

Primeiro de tudo, precisamos de obediência implícita. Todo o fracasso em nossas vidas como Cristãos (ou mesmo antes de sermos salvos), em última instância, brota da nossa incredulidade na bondade que está no coração de Deus. Como pecadores, pensamos que seremos mais felizes se vivermos em nossos pecados. Como crentes, não seguimos a Cristo plenamente porque pensamos que Ele não pode satisfazer completamente o nosso coração. Não é o conhecimento que mais precisamos, mas a obediência àquilo que sabemos. Então, se formos obedientes, descobriremos que “a qualquer que tiver lhe será dado” (Lc 8:18).

 

Segundo, precisamos de comunhão verdadeira com o Senhor e de ter nossas afeições atraídas a Cristo. O motivo mais forte para um crente vencer o mal com o bem é uma percepção do amor do Senhor em seu coração. Só então nossa vida não será tão influenciada pelo que encontramos, mas ela será antes caracterizada pelo que nós trazemos. Não iremos desmaiar nas dificuldades do caminho, pois estaremos “olhando para Jesus” e “considerai, pois, Aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra Si mesmo” (Hb 12:2-3).

 

Finalmente, precisamos nos vestir de "toda a armadura de Deus" (Ef 6:11). Nenhuma parte deve estar faltando, pois o inimigo sabe bem como se concentrar em nossos pontos fracos. Se formos capazes de “resistir no dia mau” e “havendo feito tudo, ficar firmes” (Ef 6:13), devemos estar dispostos a usar a armadura que Deus proveu para resistir aos muitos ataques que vem contra nós. “Resistir no dia mau” não é vencer o mal, mas é tendo "feito tudo, ficar firmes” é vencer o mal com o bem. Paulo traz isso diante de nós neste capítulo (Ef 6), pois depois de detalhar as várias partes da armadura que nos permitem “resistir”, ele pede oração “para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho” (Ef 6:19). Verdadeiramente um vencedor! Que esta seja nossa oração hoje.

 

W. J. Prost

 

O Vencedor nas Sete Igrejas 


Podemos ver o vencedor em Apocalipse 2-3 de três maneiras: histórica, profética e moral. Vamos considerar o vencedor em cada uma das cartas do ponto de vista profético.

 

Éfeso 

Éfeso retrata o início do período da Igreja. É o estado da Igreja logo após os dias dos apóstolos, e Ele diz a ela: "deixaste o teu primeiro amor" (cap. 2:4 – ACF).

 

“Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” (v. 7). A árvore da vida no jardim do Éden foi guardada, para que as pessoas não vivessem para sempre em seus pecados. Aqui a árvore da vida é Cristo, e não há restrições contra se alimentar dela.

 

Em um sentido real, todo Cristão é um vencedor. Todo crente compartilhará dos privilégios prometidos a cada igreja. Não há Cristãos que não comam da árvore da vida.

 

Esmirna 

A visão profética de Esmirna representa os anos desde o tempo dos apóstolos até o ano 313, durante o qual a Igreja estava passando por uma terrível perseguição.

 

Encontramos o vencedor em Esmirna, no versículo 11: "O que vencer não receberá o dano da segunda morte". Eles poderiam ser torturados aqui embaixo, mas Ele os conforta com o pensamento de que eles não teriam que morrer duas vezes. Alguém disse: "Se você nascer duas vezes, morrerá apenas uma vez, mas se você nascer apenas uma vez, terá que morrer duas vezes".

 

Pérgamo 

Pérgamo seguiu logo após o tempo da perseguição. Pérgamo significa “duas vezes ou muito casada”. Pérgamo era casada com o mundo. Constantino foi usado por Satanás para isso acontecer.

 

"Ao que vencer darei Eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe" (v. 17). O maná estava escondido na arca do Velho Testamento. Sobre a arca estava o propiciatório onde o sangue era colocado. O querubim olhava para baixo para ele. Eles prefiguram Deus olhando para baixo em julgamento.

 

O maná é uma figura de Cristo em humilhação. "E o pão que Eu der é a Minha carne, que Eu darei pela vida do mundo” (Jo 6:51). No céu, você e eu vamos nos alimentar d'Ele e desfrutar do fato de que Ele foi uma vez um Homem aqui embaixo, e Ele permanece um Homem para sempre, pois Ele era o Servo que teve Sua orelha furada para servir eternamente (Êx 21:16). O Senhor nunca deixará de ser Homem.

 

A pedra branca com o novo nome escrito mostra Sua aprovação secreta. Eu nunca saberei o seu, nem você o meu. É aprovação individual.

 

Tiatira 

Tiatira significa "incenso queimando", o que é bastante característico desse sistema, o catolicismo.

 

“Mas Eu vos digo a vós e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. Mas o que tendes, retende-o até que Eu venha. E ao que vencer e guardar até ao fim as Minhas obras, Eu lhe darei poder sobre as nações” (vs. 24-26).

 

Por que a recompensa do “poder sobre as nações” é dada a essa igreja e não às outras? A igreja católica tem lutado pelo poder mundial durante todos os seus dias. Mas existem alguns verdadeiros crentes nesse sistema, de modo que o vencedor receberá, em um dia futuro, o que o sistema deseja agora, “poder sobre as nações”. Em associação com o Senhor, o vencedor receberá o que a igreja está buscando hoje. Isso não nos mostra quão impróprio é para nós estarmos buscando poder agora? Os crentes terão um lugar muito mais elevado do que este mundo – vamos julgar os anjos. O Senhor quer que atravessemos esse mundo agora tão silenciosamente quanto pudermos.

 

Sardes 

Sardes começou com o que surgiu da Reforma. No princípio houve uma grande obra do Espírito, mas depois foi trazida a uma grande profissão de meras palavras. "Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes e Comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso" (cap. 3:4) Havia "em Sardes algumas pessoas". Mesmo nesse grande sistema haverá algumas almas salvas no final.

 

"O que vencer será vestido de vestes brancas". “Vestes brancas” significa justiça. “E de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus anjos” (v. 5). Houve um tempo depois da Reforma na Alemanha, quando todas as crianças, já quando nasciam, se tornavam membros da igreja; o livro da igreja se tornou um professo livro da vida, pois em seu catecismo eles afirmam: “Meu batismo no qual nasci de novo e me tornei membro do corpo de Cristo”. Assim, o registro do estado professa se tornar um registro daqueles que nasceram de novo e membros do corpo de Cristo. Muitos nomes foram apagados desse livro à medida que cresciam e se tornavam homens e mulheres ímpios. O Senhor não risca nenhum nome de Seu livro da vida. "Porquanto são dignas" (v. 4) se refere àqueles que verdadeiramente se arrependeram e eram verdadeiros.

 

Filadélfia 

Filadélfia significa “amor fraterno” ou “amor pelos irmãos”. Existem três características de Filadélfia: Eles têm pouca força, eles têm guardado a Sua Palavra, e não negam o Seu nome. Às vezes vemos nos cartazes dos homens mais fortes conhecidos, com os músculos inchados, mas não vemos fotos dos homens mais fracos. Filadélfia tem um pouco de força para fazer o mais importante – guardar a Sua Palavra.

 

"Eis que Eu farei aos da sinagoga de Satanás (aos que se dizem judeus e não são, mas mentem ), eis que Eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que Eu te amo" (v. 9). Quem são eles? Eles são os professores que dizem que são judeus se colocando sob a lei. O tempo está chegando quando o Senhor terá uma demonstração pública da verdade e fará o mundo conhecer e confessar a Sua justiça. Verdadeiros crentes serão guardados da grande tribulação.

 

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (v. 11). Ao longo dos últimos quarenta anos, encontrei grupos de jovens que ouviram essas coisas, mas, durante esse período, alguns desistiram,  venderam tudo e mergulharam no mundo. É muito triste ver pessoas desistindo. Aqui nos é dito para "guardar".

 

"A quem vencer, Eu o farei coluna no templo do Meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do Meu Deus e o nome da cidade do Meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do Meu Deus, e também o Meu novo nome" (v. 12). "Meu" é usado cinco vezes neste verso, e isso o torna muito íntimo. É algo como nos tornando "herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo". Vamos continuar caminhando sem um nome até que tenhamos este novo nome.

 

A “coroa” é a recompensa da aprovação do Senhor. Haverá um tempo em que esses santos que têm coroas não as usarão, mas as lançarão a Seus pés, pois perceberão que somente Ele é digno de todo louvor, pois tudo o que conquistamos foi por meio de Seu poder e graça. Esse é o vencedor em Filadélfia.

 

Laodiceia 

Laodiceia significa "voz do povo". É caracterizada por mornidão e indiferença. Isto é uma praga sobre toda a profissão de hoje – mornidão.

 

"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, Comigo" (Ap 3:20). Assim, descobrimos que, mesmo em Laodicéia, pode haver alguns que têm ouvidos para ouvir. Mas Ele está fora de todo o sistema e está batendo à porta de corações individualmente.

 

“Ao que vencer lhe concederei que se assente Comigo no Meu trono; assim como Eu venci, e Me assentei com Meu Pai no Seu trono” (v. 21). A recompensa do vencedor aqui não é tão alta quanto à de Filadélfia, mas ainda pode haver um vencedor em Laodicéia.

 

“Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da Minha boca” (v. 16). O Senhor vindo e tirando os verdadeiros crentes do mundo será o vomitar dos falsos. Muito se passa sob o nome de Cristo, mas O deixam de fora e isso é apenas formalismo morto e repugnante para Ele. Não há realidade, apenas indo com os movimentos. Não há coração para Cristo.

 

Estamos vivendo na era de Laodicéia, mas não precisamos ser laodiceanos. É preciso graça e verdade. Deus nos deu a graça, então sigamos em fidelidade para com Ele.

 

C. H. Brown, anotações de uma reunião

 

Vencendo 


Vivemos em um dia em que, se não vencermos, seremos vencidos. O mundo, a carne e o diabo estão constantemente trabalhando para nos vencer. Embora tenhamos sido libertos de seu poder pelo nosso Libertador, somos exortados a permanecer firmes contra a maré do mal que está inundando este mundo. Não devemos apenas nos opor a ela, mas devemos vencê-la com o bem.

 

Como os autores desta edição trazem diante de nós, nada menos que um olho simples – fixado no Senhor Jesus como o Objeto do coração e da fé – nos levará acima do dilúvio que ameaça nos arrastar e nos levar junto com a corrente que está varrendo o homem para o indiscutível julgamento.

 

Estamos sob constante pressão para desistir e abandonar o bom combate da fé. Mas a cada um de nós o Senhor, pelo Espírito, encoraja: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3:11).

 

Nosso Senhor Jesus venceu. Ele nos encoraja a fazer o mesmo. Então, com Ele, desfrutaremos da nossa porção eterna: “Quem vencer herdará todas as coisas, e Eu serei seu Deus, e ele será Meu filho” (Ap 21: 7).

 

Vencendo em um dia de desordem 

Fala-se muito da bênção para o vencedor. Qual é o significado de um vencedor? Ele não é uma pessoa que está em pé quando tudo está em ordem. Tome Adão no jardim; ele tinha que vencer alguma coisa? Não. Então, quando se torna necessário vencer, qual é a causa? As coisas caíram em desordem; a massa se desviou. Agora, quando as coisas estão assim, o vencedor tem que permanecer firme por Cristo, e ele é o mesmo a quem o coração de Cristo se estende de uma maneira que não poderia ter sido quando todo o corpo estava indo bem.

 

Foi no dia sombrio da ruína de Israel que Elias e Eliseu foram sustentados; não havia tais homens nos prósperos dias de Salomão. A fé que guiou Elias através de tais dias de ruína a favor de Deus foi respondida por ele ser levado para o céu em uma carruagem de fogo!

 

O vencedor era aquele que, quando descobriu que o povo de Deus estava se afastando de um estado adequado a Ele, estava se opondo a correnteza. Se você alguma vez nadou contra a maré, sabe o que aconteceria se deixasse de dar apenas uma braçada e pra onde a correnteza iria te levar. Uma coisa, amados amigos, é ter obtido uma base firme e outra é mantê-la – uma coisa é ter o conhecimento do lugar divino e outra completamente diferente é mantê-lo em poder.

 

As sete igrejas 

Nas mensagens às sete Igrejas, você não recebe instruções individuais sobre o que fazer. Você recebe recompensas prometidas ao vencedor, mas não é dito como vencer. Muitos dizem: Olhe para todo o mal que está nas sete Igrejas e coisas semelhantes, e o Senhor não diz ao Seu povo que eles devem sair delas! A razão é que você tem nelas apenas uma única direção quanto ao que você  deve fazer. Ou seja: "Ouça o que o Espírito diz". Então você encontrará a bênção prometida “ao que vencer”.

 

O chamado 

Em Efésios 4, encontro um chamado para o que temos que fazer. "Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há um só corpo e um só Espírito” (vs. 1-4). Há uma diferença entre o chamado (vocação) aqui indicado e aquele de Hebreus (cap. 3: 1). Em Hebreus é individual, aqui em Efésios está conectado com o chamado corporativo da Igreja – "um corpo" - uma "morada de Deus no Espírito". Ele os exorta a andar de modo digno disso. Ainda assim, preciso conhecer meu chamado antes de poder realizá-lo. Aqui está bem claro. Eu poderia muito bem dizer que minha salvação não tem importância, como dizem que o caminho de meu chamado não tem consequências como membro de Cristo. Ambos permanecem simples e imutáveis na Palavra de Deus. Se eu aceito um, sou obrigado a aceitar o outro. Não me atrevo a dizer, os Cristãos falharam em seguir o que foi dado, e isso me exonera. Tal raciocínio não ficaria de pé diante do Senhor nem por um momento. Se eu disser que as coisas estão num estado de confusão sem esperança, embora seja verdade, colocar a culpa nos outros não me exonera.

 

O Espírito Santo deixou a Igreja? O fato divino de que "há um só corpo e um só Espírito" mudou? Não. Ele está aqui e mantém a unidade do corpo de Cristo na Terra, tão verdadeiramente como sempre. A pergunta simples é: Ele falhou? Alguns podem dizer: “Mas todos estão espalhados; como posso corrigir as coisas?” Embora isso seja verdade, devo começar comigo mesmo e me corrigir. Esta é a primeira coisa. Assim como Jeremias fez em seu dia: A Palavra de Deus digerida em sua alma o isolou, mas não por muito tempo, pois ele deveria ser a boca de Deus para separar o precioso do vil.

 

Nós descobrimos, então, em Efésios 4, que o Espírito Santo manteve intacta essa unidade, não importa como os homens tenham externamente dividido a Igreja de Deus. Assim, encontramos algo definido para nos guiar, podemos nos reunir ao nome do Senhor, quando individualmente tivermos nos purificado do mal e da falsidade. Mesmo os mais fracos podem descobrir que o “um só corpo e um só Espírito” permanecem.

 

A unidade do Espírito 

Essa “unidade do Espírito” abrange todos os membros de Cristo que não estão sob disciplina, e até mesmo o próprio Cristo como Cabeça dela. É uma base que abraça e contempla toda a Igreja de Deus e, ainda assim, em seu caráter é adequada a Cristo. Não é apenas a unidade dos Cristãos, pois isto é relativamente fácil de ter. É fácil dizer: vamos deixar de lado as diferenças e ficar juntos, e depois vincular o nome de Cristo ao grupo e chamar isto de unidade. A moda da vez é fazer uma união e vincular Cristo a ela nominalmente. O Espírito de Deus, pelo contrário, vincula a unidade a Cristo.

 

As pessoas raciocinam: Não são todos os crentes membros do corpo de Cristo, não importa como andem? Sim, eles são membros do “um só corpo” e o Espírito de Deus mantém sua unidade. Mas quando chego à prática, não posso reconhecer que todos estão se esforçando "diligentemente para guardar a unidade do Espírito" (TB). Falo da prática, procurando diligentemente realizar, pelo poder do Espírito, aquela unidade na qual fomos formados.

 

O que Deus nos recomenda é aquela unidade que abrange todos os membros de Cristo e, no entanto, não permite nada que não seja adequado ao Chefe desta unidade, que é o próprio Cristo! Há uma diferença marcante entre estar no “um só corpo” e a observância disso na prática.

 

A casa de Deus 

Vamos examinar o que Paulo diz em 2 Timóteo 2. Ele vê a casa de Deus em ruínas quando escreve esta carta ao seu amado filho na fé. Em sua primeira epístola, encontramos as ordenações das coisas quando as coisas estavam em ordem, no segundo, o caminho do santo quando as coisas estavam em desordem.

 

Em 2 Timóteo 2:19, ele diz: “Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus, e qualquer que profere o nome de Cristo [do Senhor – JND] aparte-se da iniquidade".

 

Não podemos dizer que tudo está em ruínas, fomos entregues a essa corrupção. Não, a verdade fundamental não mudou e, embora a ruína não possa ser remediada, somos responsáveis por nossa ação nela. O Senhor vê uma grande massa da profissão e diz: Eu conheço os que são Meus nela. Então temos a responsabilidade daqueles que confessam o Seu nome: É dito a eles “aparte-se da iniquidade”. Isso é muito claro. Eu não preciso dizer outra palavra sobre isso. Então ele toma a analogia de uma grande casa, com vasos para honra e para desonra. O homem de Deus tem que se purificar destes vasos de desonra para que ele possa ser um vaso para honra, santificado, como Jeremias, e útil para o uso de seu Mestre. Ele não pode continuar com o que é falso, nem pode consertar as coisas, mas ele pode ser um "vencedor". Este deve ser o seu caminho na cena ao redor.

 

Ficando firmes no dia mau 

Vencer não é ficar firme quando as coisas estão em ordem, mas é voltar aos princípios divinos quando as coisas estão em desordem.

 

Deus faz todo o nosso caminho tão claro para nós, que não precisamos ter dificuldades em um dia mau. É um dia mau, mas o próprio mal torna o caminho mais claro para aquele tem que o olhar simples [ou bom].

 

O Senhor nos permitiu saber, em plena medida, o que é vencer. Todos nós e cada um de nós temos algo para fazer, e o melhor para cada um é fazer aquilo para o qual fomos deixados aqui por Cristo. Temos que buscar Sua mente e não discutir a conveniência e o que nós achamos que é certo.

 

Deus Se deleita em ver e guiar aquele que olha para Ele com um olhar simples. Quando nosso olhar é bom, todo o corpo está cheio de luz, não tendo partes escuras, e o coração caminha pacificamente com Deus. É devido a Cristo que assim deveria ser. Eu O amo? Então deixe-me guardar Seus mandamentos. Precisamos de devoção pessoal a Ele, e é algo humilhante o fato de que encontramos tão pouca devoção nos dias em que Ele transmitiu tal luz para nossa alma. Precisamos de um propósito de coração que se curva à Sua vontade na coisa mais triviais, e isso traz seu próprio gozo d'Aquele que nos disse: “Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos”.

 

F. G. Patterson (adaptado) de The Church of God

 

Ao Que Vencer 


Apocalipse 21:1-8 levanta o véu da eternidade e descreve o estado eterno. Aqui temos a mais completa descrição na Escritura da bem-aventurança do novo céu e da nova Terra, nos quais todas as coisas serão feitas novas. O tempo dos caminhos de Deus no governo se encerrou, e Deus descansa na bênção de Seu povo redimido de acordo com a perfeição de Sua natureza. Mas em maravilhosa graça o Espírito de Deus menciona um elo com as coisas que se passaram: “Quem vencer herdará estas coisas, e Eu serei para ele Deus, e ele será para Mim filho” (Ap 21:7 – JND). No estado eterno, não haverá mais vencedor, pois não haverá nada a ser vencido. Antes, essa nota de triunfo nos leva de volta ao campo de batalha do passado, onde os Seus lutaram nas batalhas sobre as quais Deus coloca Seu selo. Quem, a não ser Deus, poderia ter chamado a eles novamente? Se os próprios indivíduos tivessem recordado sua experiência no conflito, poderíamos esperar que o registro não passasse de fracasso e derrota. Mas na graça soberana esse é o caráter que Ele lhes dá e tudo o mais é esquecido. Alguma coisa poderia afetar nosso coração mais profundamente ou nos encorajar para o conflito que permanece? Se corretamente entendido, certamente a preciosa graça de Deus – além de todos os nossos pensamentos – é o mais forte incentivo para sermos vencedores!

 

Como Cristo venceu 

A expressão aqui é muito geral – nenhuma circunstância particular ou conflito é especificado. Mas, voltando-se para a Escritura para buscar luz quanto a isso, uma pista preciosa é encontrada em outra passagem deste livro. “Ao que vencer lhe concederei que se assente Comigo no Meu trono; assim como Eu venci, e Me assentei com Meu Pai no Seu trono” (v. 21). Esta pequena cláusula, “assim como Eu venci” tem uma doçura peculiar. Ela nos faz lembrar do Senhor Jesus em Seu caminho aqui e nos ocupa com a perfeição na qual Ele passou por conflitos. Podemos, então, aprender dos Evangelhos algo do caráter do conflito e da maneira pela qual Ele venceu?

 

Vencendo o mal com o bem 

Mas antes de nos voltarmos diretamente para eles, há uma expressão em Romanos que, embora não seja exatamente aplicada a Ele, só pode ser entendida quando vemos n'Ele a expressão perfeita dela: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:21). Poderia alguma coisa ser mais característica do caminho do bendito Senhor? Em um mundo mau, Ele foi a revelação da perfeita bondade de Deus. No poder desse bem Ele Se colocou acima de todo o mal e nunca foi vencido por ele. Nós temos que passar pelo mesmo mundo e somos testados em nossa experiência todos os dias. Devemos ser vencidos do mal, ou o infinito bem que conheço em Cristo tomou posse do meu coração de tal forma que, no poder d'Ele, eu venci? Em Sua força, somos capazes não apenas de resistir ao mal, mas por meio da graça de vencer o mal com o bem. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5:20).

 

O valente guarda armado 

Duas vezes nos Evangelhos o Senhor nos fala de Sua vitória. A primeira é em Lucas 11:21-22: "Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem. Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava e reparte os seus despojos". Aqui somos levados de volta ao conflito que nenhum outro olho, a não ser o de Deus, testemunhou e percebemos como Ele venceu, Aquele que Se provou ser o mais forte. Ele "foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4:1). Satanás O tentou de três maneiras diferentes, apresentando aquilo que apelava à concupiscência da carne, à concupiscência dos olhos e à soberba da vida. Em cada caso, nosso bendito Senhor venceu, mantendo o lugar que Ele havia tomado como Homem, de dependência e obediência. Em cada caso, Ele respondeu a Satanás com a Palavra de Deus e simplesmente disse: "Está escrito". O diabo não conseguiu obter nenhum ponto de apoio. Tudo quanto à glória de Deus e a realização de Seus propósitos na graça dependiam da questão daquele conflito, mas o Senhor Jesus Se ancorou completamente em “Está escrito”. Que exemplo para nós!

 

É significativo para nós que a ordem das táticas do inimigo com o Senhor seja a mesma contra a qual os jovens têm que estar prevenidos em 1 João 2. Eles venceram o maligno pela Palavra de Deus que habitava neles, mas o mundo é o perigo agora. É dito a eles: “Não ameis mundo” e, por causa da traição de nosso coração, acrescenta-se: “Nem o que no mundo há” (1 Jo 2:15). Não é a posse que está em questão, mas o que um homem espera possuir – o que o coração está determinado. Todos os objetos de Deus para nós estão centralizados em Cristo e encontrados onde Ele está. Deus não pode apresentar nada como um objeto para o coração que é de, ou em, um mundo que rejeitou Seu Filho. Se há algo aqui que nos atraiu e se tornou nosso objeto, é o tentador astuto que, afastado da porta da frente, deu a volta pela porta dos fundos e ganhou uma entrada pelo que desejamos para nós mesmos ou para nossas famílias. Como alguém disse: “um pouco de algo em uma vitrine pode fazer o seu trabalho”, mas se isso não acontecer, ele pode ampliar a isca até todos os reinos deste mundo. No entanto, na estimativa de Deus, não há nada neste mundo moralmente, além de  desejo e orgulho – o miserável desejo por aquilo que não temos ou o desprezível orgulho por aquilo que temos.

 

Vitória pela fé 

Mas como devemos vencer a armadilha do diabo do mundo? Em 1 João 5:4, lemos primeiro: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo”. Na própria vida e natureza que recebemos de Deus, temos um princípio de vitória sobre o mundo. Em segundo lugar, temos: "e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé" (1 Jo 5:4). Isto é, pelo objeto apresentado à fé nos tornamos vencedores. Terceiro, é perguntado: “Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (Jo 5:5). Nada menos do que a plena glória da Sua Pessoa como o Filho de Deus é suficiente. Precisamos do brilho total de Sua infinita glória como Filho de Deus para nos dar a vitória sobre o mundo e seus enganos. Então saberemos algo de um coração tão cheio d'Ele para adoração e serviço que, como com o Senhor quando Ele esteve aqui, não haverá espaço para qualquer objeto do mundo de Satanás.

 

Em nada vos espanteis 

A segunda ocasião em que o Senhor Se apresenta como vencedor é trazida diante de nós em Suas palavras finais com Seus discípulos em João 16:33: "Tenho-vos dito isso, para que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo". Este é outro lado do mundo. Não é o aspecto sedutor pelo qual Satanás esperava derrubar o Senhor e que é o perigoso para os jovens, mas antes o aspecto perseguidor – um mundo onde muita tribulação seria encontrada no caminho para a glória. É a nossa porção designada aqui, e há um perigo real de ceder diante da pressão dele e se tornar infiel. Se Satanás não pode seduzir o Cristão pelo mundo, ele irá persegui-lo, como em Esmirna.

 

Esse aspecto do mundo pode não ser tão traiçoeiro, mas é muito real, e nossa única segurança é manter os olhos n’Aquele que nos diz: “tende bom ânimo; Eu venci o mundo". Assim, novamente, as palavras "Assim como Eu venci", têm seu peso sobre o nosso caminho. Foi dito aos filipenses: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer n’Ele, como também padecer por Ele, tendo o mesmo combate" que viram em Paulo e viam estar também neles (Fp 1:29-30). Não era da vontade de Deus que eles ou nós fôssemos desencorajados – “E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus” (Fp 1:28).

 

O poder de Satanás 

Temos que nos confrontar com o poder de Satanás no mundo, mas é de um modo muito diferente daquele em que o Senhor o enfrentou. Naquela momento, o diabo estava orgulhoso com o sucesso de quarenta séculos. Nunca antes um homem foi capaz de se levantar contra ele, firme e completamente. Mas agora ele está completamente desconcertado. “E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se d’Ele por algum tempo”, e Jesus retornou no poder do Espírito, o mesmo poder em que Ele havia ido ao seu encontro, na Galileia (Lc 4:13-14). Se aquela temporada foi passada por Satanás reunindo todos os seus recursos para o último ataque sobre o Senhor Jesus, foi apenas para encontrar sua derrota final, pois pela morte Ele aniquilou aquele que tinha o império da morte, para livrar os que com medo da morte, como nos tempos do Velho Testamento, toda a sua vida estavam sujeitos à escravidão (Hb 2:14-15). Porque para a fé ele é um inimigo derrotado, pode-se dizer: “resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4:7). Ele não pode ficar em pé diante do mais fraco santo que levante o dedo mindinho da resistência, e em breve o Deus da paz esmagará Satanás debaixo de nossos pés.

 

Aquele que vencer terá a eternidade para desfrutar em paz a herança dessas coisas. "Eu serei Seu Deus, e ele será Meu filho" – a soma de toda a bem-aventurança. No entanto, essa palavra, característica daqueles assim abençoados, conta como Deus não havia esquecido os conflitos do passado, embora apenas lembrado pela graça que os tornou vencedores. Nós somos, de acordo com Romanos 8:37, “mais do que vencedores” (pois a palavra é a mesma traduzida como “vencedores”, embora com uma força maior) “por Aquele que nos amou”.

 

Que o Senhor, por Sua maravilhosa graça e pelo exemplo que Ele estabeleceu para nós, desperte todos os nossos corações para uma fidelidade mais séria e devota no conflito que ainda permanece, pois Ele pode dizer: “Assim como Eu venci”.

 

J. A. Trench (adaptado) de Truth for Believers

 

Vencendo o Mundo 


Nada vai vencer o mundo em meu coração, além da consciência profunda de como ele tratou Cristo. Tome meus filhos, por exemplo. Eu quero que eles se deem bem no mundo? Eu devo buscar boas posições para eles? Nada além de conhecer o lugar que Cristo tinha nele vai vencer o mundo em meu coração. Não há possibilidade de continuar com Deus, a menos que o mundo seja abandonado e o coração esteja satisfeito com Cristo. Cristo deve ser tudo.

 

J. N. Darby

 

Espírito do Vencedor 


Jesus, de Ti nunca nos cansaríamos;

O novo e vivo alimento

Pode satisfazer o desejo do nosso coração,

E a vida está em Teu sangue.

 

Se uma tal alegre canção à meia-noite

Nosso espírito cativo eleva,

Quais são as alegrias que causam, em breve,

Explosões eternas de louvor?

 

Olhar para dentro e não ver nenhuma mancha,

Para o exterior e não há maldição para rastrear;

Nenhuma lágrima derramar, nenhuma dor sentir,

Mas ver-Te face a face.

 

Encontrar cada esperança de glória conquistada,

Cumprida cada palavra preciosa;

E em tudo ter alcançado plenamente

A imagem de nosso Senhor.

 

Para isso ainda estamos avançando,

E nesta esperança seremos

Mais sujeitos à vontade do Pai,

Mesmo agora muito mais semelhantes a Ti.

 

Hino 186 - The Little Flock

 

 

“Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida”

 

1 João 5:12

 

 

 

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