top of page

A Casa do Pai (Junho de 2018)


Baixe esta revista digital nos formatos:


Revista mensal publicada originalmente em junho/2018 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


Tema da edição

G. V. Wigram

J. A. Trench

E. P. Corrin

H. R. de Christian Friend

Christian Friend

J. N. Darby

G. V. Wigram

W. J. Prost

Sra. J. A. Trench

 

O Coração do Nosso Pai


Ao nos contar a história de Abraão e sua vida, Deus, nosso Pai, nos dá um vislumbre de Seu coração de amor por Seu Filho e por nós. Em Gênesis 22, vemos o que o Pai e o Filho significavam Um para o Outro quando iam sozinhos “adorar”, enquanto os outros ficaram esperando por eles. Lá o Filho, em figura, passa pela morte e ressurreição. Quando essa poderosa obra está terminada, Abraão, o pai, está pronto para prover ao filho uma esposa. Quando nosso Senhor terminou Sua obra, chegou a hora de o Pai prover uma esposa para Ele. As exigências de Abraão para a esposa de seu filho refletem sobre as exigências de nosso Pai no amor por uma noiva adequada para Seu Filho, Seu único Filho a Quem Ele ama. O servo de Abraão foi informado de que o escolhido deveria ser “da minha família e da casa de meu pai”. Nosso Pai queria uma noiva tirada de Sua própria família e de Sua própria casa. Seu coração queria a melhor para o Seu Filho. E a melhor era aquela que, como família, poderia compartilhar e desfrutar com Ele e Seu Filho todas aquelas coisas que deleitam Seu coração e o coração de Seu Filho. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo... e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de [o bom prazer da – JND] Sua vontade” (Ef 1:3, 5).


Tema da edição

 

A Casa do Pai

João 14:1-3


Muito pouco é dito sobre a casa do Pai, salvo o que encontramos em João 14. Nunca estamos cansados desses versículos porque eles falam do amor pessoal do Senhor Jesus por Sua Igreja. A localização da casa não é definida, nem o pensamento do céu é apresentado como significando qualquer localidade em particular. Mas Jesus ergue os olhos para o céu!


Sempre que minha fé vai até lá, o que ela experimenta? O pensamento d’Aquele que uma vez esteve em todas as minhas circunstâncias de tristeza aqui embaixo – o pensamento de estar lá em casa com Ele. Oh, que sentimento caloroso e feliz o coração experimenta nesse pensamento – não pelas circunstâncias daquele lar, mas por estar ali com Ele. O coração de um homem está em sua casa, não por causa das circunstâncias dela, mas porque o objeto de sua afeição está ali presente. É o mesmo no que diz respeito ao céu. Encontro poucos detalhes quanto às circunstâncias ali, mas acho uma realidade imperecível em um ou dois versículos simples; por exemplo: “Se Me amásseis, certamente, exultaríeis por ter dito: vou para o Pai”. Que intensidade há nessa expressão! Cristo quer que entremos no gozo de Seu coração ao pensar na casa do Pai, dizendo, em essência: “Quero compartilhar com vocês esse pensamento do Meu regozijo; Eu quero que vocês se regozijem Comigo, porque daqui a pouco estarei com Meu Pai, e não somente isso, mas vocês também logo estarão Comigo”.


Se pudéssemos ver toda a glória do céu, seria pobre em comparação com o pensamento de ver o Filho assentado no trono de Seu Pai, e nós mesmos assentados juntos com Ele naqueles lugares celestiais. Que perfeito descanso de coração há nessa expressão: “nos fez assentar nos lugares celestiais”, trazendo-nos assim ao sabor abençoado da glória que Ele tem!


O caráter de nosso descanso e nosso poder de andar como homens ressuscitados são colocados em Colossenses 3. Quando os olhos de Deus olham para você, o que Ele vê? Que você é um daqueles que têm um lugar lá em cima. E quando Seus olhos repousam sobre Cristo, repousam como não esperando encontrar um borrão. Quão impossível é, quando o olho de Deus se volta a nós, que Ele encontre qualquer coisa além de imperfeição! Mas Ele Se volta para nos ver escondidos em Cristo e encontrar, naqueles que estão escondidos em Cristo, a perfeição de Cristo. Pela Sua obra e nessa perfeição, estamos preparados para a casa do Pai.


G. V. Wigram

 

O Céu – Nosso Lar


É uma coisa maravilhosa para nossa alma ter a casa do Pai revelada para nós, para que possamos já desfrutar dela antes de chegarmos lá. Não há ligação moral entre a casa do Pai e este mundo – não há possibilidade de colocá-los juntos em nosso coração. Sabemos alguma coisa da ruptura completa entre esses dois lugares? No momento em que o Senhor soube que Sua hora havia chegado, Seu primeiro pensamento foi dar, àqueles a quem Ele estava deixando neste mundo, uma parte com Ele mesmo aonde Ele estava indo.


Temos primeiro a comunicação da vida e natureza divinas que traz consigo a capacidade de que todas essas coisas entrem em nossa alma: A alma precisava do conhecimento do que Ele havia feito para entrar nelas. Mas Ele sabe a necessidade que encontramos em cada vez, e Ele provê para isso. Tudo isso é preliminar; até aqui a casa do Pai não tinha sido mencionada. Quando o Senhor Jesus foi capaz de perceber a tristeza do coração daqueles que sentiriam a falta d’Ele, Ele disse: “Não se turbe o vosso coração… Na casa de Meu Pai há muitas moradas”. Que revelação! Não houve tal coisa até esse momento na Escritura. Grande parte do ministério do Senhor havia preparado o caminho para isso; agora chegou o momento para a completa revelação se abrir para nós, um lar para onde Ele foi, Seu próprio lar, agora revelado para nós e tornado nosso.


O caminho

Então Ele prossegue e Se dirige aos Seus discípulos: “Mesmo vós sabeis para onde vou e conheceis o caminho”. Como eles saberiam disso? Filipe pensou que, se ao menos conhecesse o Pai, ele poderia conhecer a casa do Pai. Jesus diz: “Estou há tanto tempo convosco, e não Me tendes conhecido, Filipe? Quem Me vê a Mim vê o Pai”. Cada característica da bem-aventurança da casa do Pai foi revelada e resplandeceu na Pessoa e nos caminhos do Filho aqui embaixo. O coração que conhece o Filho também conhece o Pai, mesmo os pequeninos mais fracos, pois não é uma questão de conhecimento; o Senhor Jesus quer nos iniciar nisso. A verdade principal da revelação do Pai encontra-se no evangelho de João, como Aquele com Quem estou relacionado. Por esta razão, todos nós nos voltamos para o evangelho de João, pois ali temos toda a preciosa revelação do Pai na Pessoa do Senhor Jesus aqui.


A preparação

“Vou preparar-vos lugar”. Não há nada mais importante do que apreender o significado desta pequena sentença. Não é que alguma preparação esteja acontecendo agora, mas como é que eu consegui ter uma casa preparada lá em cima? A redenção realizada nos prepara para ela. O Senhor Jesus, ao encerrar toda a nossa história aqui, abre-nos um lar celestial, adequando essa casa para nós por Sua presença lá e nos ajustando perfeitamente a esse lar. Assim, logo no início de nossa jornada, podemos dar graças ao Pai, pois Ele nos tornou aptos. A verdade só se torna real para nós quando ela supre uma necessidade criada em nossa alma. Esta necessidade foi criada em Maria Madalena. Os discípulos ficaram satisfeitos quando inspecionaram o sepulcro, eles voltaram para suas casas, mas separados do Senhor; o coração de Maria não tinha casa para ir, e ela ficou fora, junto ao sepulcro chorando. Ele a tinha livrado do terrível poder de Satanás e o sentimento do que Ele era havia detido ela ali, até que Sua voz soou nos ouvidos dela. Ela desejou retomar a proximidade na qual O conhecera antes, mas Ele diz: “Não Me detenhas, porque ainda não subi para Meu Pai”. Ele iria introduzi-la a uma bênção muito mais profunda e completa do que ela poderia ter conhecido antes. “Vai para Meus irmãos e dize-lhes que Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Que acréscimo de luz é esse sobre tudo o que encontramos sobre a revelação da casa do Pai? Ele agora é capaz de nos abrir o lugar para onde Ele foi e associar-nos da maneira mais plena Consigo mesmo. “Virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que, onde Eu estiver, estejais vós também”. Como isso de maneira tão simples nos dá o nosso lugar; o ontem da minha vida se encerrou na cruz de Cristo, o amanhã é estar com Ele em glória, e o presente é tão maravilhosamente preenchido com tudo aquilo ao que fomos introduzidos, enquanto aqui. Estamos vivendo no poder das coisas que já são nossas? Sabemos o que é em uma pequena medida nos aquecer à luz do amor do Pai? Nós temos o Espírito Santo para ser o poder para desfrutarmos de todas estas coisas em nossa alma, enquanto estamos esperando ansiosamente Ele vir novamente, para que, onde Ele está, possamos estar lá também. O que eu procuro é que possamos entrar no poder que nos é dado para desfrutar essas coisas. “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que O amam” (1 Co 2:9). Conquistados por esse pensamento, muitos de nós paramos e colocamos tudo no futuro, mas o apóstolo apenas cita isso de Isaías para contrastar com o que temos: “Deus no-las revelou pelo Seu Espírito”. As coisas que Deus preparou em Seus eternos conselhos agora são reveladas a nós pelo Seu Espírito, que possamos conhecê-las e apreciá-las como nossa possessão presente, que nosso coração possa viver nelas como uma realidade presente.


Vendo o invisível

“Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem” (2 Co 4:18). Será que sabemos algo dessa atitude? Estamos olhando para as coisas que são vistas hoje ou para as coisas que não são vistas? Essas coisas são reveladas para que possamos olhar para elas. “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da Terra” (Cl 3:2). Associado a Ele, ressuscitado com Ele, assim pensai. As afeições e a mente são coisas distintas, o Espírito supõe que as afeições seguirão a Cristo até lá, mas a mente está lá? A cruz sobre a Terra responde à glória celestial. Quão fatal é a influência do homem que vem entre mim e aquele Cristo glorificado e ressuscitado. Está nosso coração se demorando na cena da qual Ele já Se foi? Ou nosso coração e mente estão voltados para Ele, onde Ele está na glória? “Mas a nossa cidade [pátria – TB] está nos céus” (Fp 3:20). A cidadania era tudo para um grego; isso vinha antes do relacionamento mais querido. Tudo o que forma a vida moral está no céu agora. Quão débil é a apreensão dessas coisas! Qual é o poder prático delas? Tudo sobre nós presta testemunho a elas, de modo que estamos apenas esperando que Ele venha, para nos levar a Si mesmo, em Quem todas as nossas alegrias e esperanças se concentraram enquanto estamos aqui? Nem uma coisa nos foi negada, e Ele está empenhado em servir-nos na glória, para que não haja impedimentos para desfrutarmos dessas coisas, de modo que possamos estar atravessando esse mundo sombrio com nosso rosto iluminados e em todos os eventos nosso coração cheio com o Seu amor. Encontramos o que nos satisfaz divinamente e para sempre.


J. A. Trench

 

A Casa do Pai

João 14:1-6


Não há porção das Escrituras com a qual estejamos mais familiarizados do que João 14. Certamente não há capitulo mais frequentemente lido e buscado para trazer conforto, e com razão. “Não se turbe o vosso coração”. O Senhor antecipa aos discípulos que se encontrariam em circunstâncias de tristeza e tribulação. É claro, Ele Se refere principalmente a Sua partida, pois quando Ele chega ao versículo 27 nos fala da Sua partida e da vinda do Espírito Santo, Ele novamente diz: “Não se turbe o vosso coração”.


A rejeição de Cristo

Cristo foi rejeitado, o homem não permitiria que Ele permanecesse aqui. Ele tinha o direito de ter tudo, tudo aqui, mas aceitou esse lugar de rejeição. Enquanto os discípulos tinham o abrigo de Suas asas, eles sabiam o que era habitar sob Sua sombra e ter um lugar de refúgio. Qualquer que seja a oposição e o problema que encontrassem, eles tinham Alguém a Quem poderiam ir para contar sobre suas tristezas, eles foram e falaram a Jesus. Ninguém pode dizer o que foi para aqueles discípulos andarem na presença do Salvador aqui. Quem pode dizer o que foi para eles ouvir a Sua voz, ter Seus ouvidos sempre prontos para escutá-los, e conhecer Seu cuidado e Sua presença? Pense o que foi para esses pobres homens, que andaram na companhia do Filho de Deus neste mundo, ouvir dizer que tinha que ir embora e que deixaria eles no mundo em que Ele mesmo foi rejeitado. Ele disse que não os deixaria sem consolo, mas eles, por sua vez, olhavam para o terrível vazio que a ausência de Cristo causaria em sua alma. Devemos nos colocar nas mesmas circunstâncias que os discípulos estavam naquele momento para entender isso.


“As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8:20). Ele não tinha um lugar aqui, mas ia falar-lhes sobre o céu, com o qual estava perfeitamente familiarizado. Ele sabia tudo o que havia lá, embora fosse uma revelação inteiramente nova para os discípulos. Onde você pode encontrar na Escritura alguma coisa dita antes sobre a casa do Pai? Nunca houve nada revelado sobre este lugar antes, e agora falamos sobre a casa do Pai como um lugar do qual ouvimos falar por toda a nossa vida! Mas pense na partida do Senhor e em deixar esses queridos que Ele atraiu para Si – talvez, mas eles amavam o seu Mestre.


Um lugar preparado

Em um dia anterior (João 6), quando o Senhor estava falando de Sua rejeição e alguns O abandonaram (homens que tinham estado próximos a Cristo e tinham visto o que nunca tinham visto antes, mas não tinham um vínculo real em sua alma para com Ele – apenas um interesse passageiro – e, quando chegou o momento da provação, eles se separaram de Cristo), mas ainda assim esses discípulos eram verdadeiros para com Ele e, quando Ele disse: “Quereis vós também retirar-vos?” veio aquela bela resposta: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna”. Eles poderiam responder com toda a certeza sobre o que aprenderam de Cristo, e eles poderiam responder corretamente. Eles talvez não tivessem entendimento, mas quando o coração de uma pessoa é fiel a Cristo, tudo o mais seguirá corretamente.


Cristo foi preparar um lugar para aqueles que são Seus neste mundo. Uma coisa é ter um lugar preparado fora deste mundo, e outra coisa é prepará-lo Nesse mundo. O evangelho de Deus não propõe preparar um lugar para nós neste mundo, há a revelação daquilo que é celestial, e não o que nos dá um lugar ou qualquer coisa aqui embaixo neste mundo. O Cristianismo nos dá as mais maravilhosas circunstâncias fora desde mundo, mas não propõe nos dar nada neste mundo.


Cristo, o Objeto e o Caminho

“Credes em Deus, crede também em Mim”. Nós temos Deus diante de nós como um Objeto de fé. O Deus invisível em Quem eles acreditaram. Agora o Senhor estava indo embora, e Ele também Se tornaria um Objeto invisível, mas Ele reivindica a fé deles. O Salvador que esteve nesta Terra agora está no céu, mas Ele é exatamente o mesmo Senhor Jesus e, no meio de nossa tristeza, podemos saber quão real é trazer para dentro de um conhecimento pessoal com Cristo no céu.


“Eu Sou o caminho, e a verdade, e a vida”. Não há outro caminho para Deus. O fato de Cristo dizer que Ele é o caminho declara que o homem perdeu o caminho. O que o homem queria era um caminho de volta para Deus, para o Pai, e Cristo diz: “Eu Sou o caminho”. E, Ele é “a verdade” quanto a tudo – a verdade em relação a Deus, em relação ao homem, em relação ao tempo, em relação à eternidade – e se você não conhece a Cristo, não sabe a verdade sobre nada. Seu julgamento das coisas neste mundo é um falso julgamento se Cristo é desconhecido para você. E Ele não é também “a vida”? Ele reivindica estas três coisas para Si mesmo.


Sua casa

Tendo reivindicado a fé deles, Ele fala de Seu Pai – algo novo para eles. Quem pode dizer o que é a casa do Pai? Era o lar para Cristo. Cristo não tinha um lar aqui, Ele veio do céu e mediu as coisas aqui por esse padrão. Ele viu a pobreza, a tristeza, a ruína e a morte, e desceu da glória celestial para nos contar o que o Pai era em Si mesmo, para abrir o caminho para Ele e para falar sobre a casa do Pai. Isso não é uma realidade divina? Supondo que fosse possível aniquilar os versículos iniciais de João 14, você se sentiria confuso quanto ao futuro? Supondo que você nunca os tenha lido antes, que essa revelação seria para você! O que poderia ser mais maravilhoso do que o Salvador nos contar sobre isso? É como se Ele dissesse: Eu não proponho preparar casas confortáveis aqui e proteger-vos de toda ansiedade, mas Eu abro um lugar para vocês no céu.


Um Lugar! Esse é todo o assunto deste capítulo. Nenhum lugar aqui, mas um lugar no céu, um lugar para o homem, um lugar na casa do Pai. E quando a alma aprende isso, ela se apossa das possessões divinas, das circunstâncias que Deus deu para o nosso conforto neste mundo.


O lugar que Cristo preparou para eles está preparado para todo crente em Cristo hoje. Nosso lugar foi preparado no momento em que Cristo foi para lá como Homem. Se Cristo é seu Salvador, aonde Ele vai você vai. Cristo nunca vai a lugar algum que o crente não tenha um lugar com Ele. Como um Homem no terreno da redenção realizada, Ele sobe para a glória e ali prepara um lugar. Temos um lugar no céu, não entre homens, mas um lugar presente no céu. No momento em que Cristo é nosso Salvador, Deus é nosso Pai e, em virtude do que Cristo fez, somos trazidos para a família de Deus, e aquilo que é próprio de uma família é o lar. Você nunca entra no pensamento do versículo 2 a menos que seja por meditação e oração diante de Deus. A casa do Pai é maior que a glória do reino.


Sua Vinda

Um Cristão é uma pessoa que pode estar neste mundo e dizer: estou pronto neste momento para entrar na casa do Pai. Tão certo e tão real como Cristo esteve nesta Terra e disse-lhes o que Ele iria fazer, tão seguramente Ele lhes disse que Ele voltaria. Você acredita que Cristo está vindo para você? Eu não estou perguntando se você acredita na segunda vinda, mas se Cristo está vindo para você? Se você acredita, isso resolveria dez mil coisas para você. É Bendito! É o coração de Cristo que achará neste mundo todo amado, onde quer que eles estejam; o coração, o olho, a mão e o poder todo-poderoso de Cristo os recolherão deste mundo. Essa, assim como a cruz, será a maior expressão de afeição divina. Você sabe que isso pode acontecer agora? Não há uma palavra da Escritura a ser cumprida antes que Ele venha, e, antes que outra hora se passe, Cristo pode estar aqui. Não sabemos quais possam ser as circunstâncias do restante de nosso caminho, mas sabemos que Cristo está chegando.


Nossa iminente expectativa

Você pesou e mediu tudo o que está conectado com você à luz da eternidade de Deus? Você pode dizer: Graças a Deus eu tenho um Pai e um lugar na casa do Pai, e graças a Deus eu tenho um futuro tão brilhante e tão abençoado que nada pode tocá-lo ou perturbá-lo? Não é maravilhoso que Cristo é realmente por nós, que apesar da pobreza do nosso testemunho para Ele, Seu coração não se esfriou, e Ele nunca amou Seu povo mais do que neste momento? Ele nunca esteve em maior atividade por eles. Você pode olhar para o céu e dizer: Cristo nunca me amou mais do que neste momento, e Ele está apenas esperando para me ter com Ele para sempre. Em um momento estaremos aqui e, no momento seguinte, estaremos lá em cima recebidos a Si mesmo. Então para sempre não haverá possibilidade de separação de Cristo. Isto não é maravilhoso?


Mas no momento em que Satanás consegue colocar algo entre nossa alma e a vinda de Cristo, Sua vinda não tem mais poder sobre nós. Se a vinda de Cristo é uma coisa próxima de você, ela tem poder. Pense que ela será somente amanhã e seu poder se foi; você deixa de esperar e vigiar. Cristo foi recusado aqui, mas Ele é aceito lá, e o santo mais fraco que sempre olhou para Ele é querido para Seu coração, e Ele virá para busca-lo.


Que Deus faça Sua vinda algo iminente para nós!


E. P. Corrin

 

A Casa do Pai


Lucas 9:34-36

Os discípulos tiveram permissão para desfrutar da glória de Cristo antes do momento de Sua manifestação. Naquele momento eles não entenderam a importância da cena que mais tarde serviu para apoiar a autoridade apostólica deles. Não tendo sido chamados a contemplar tal cena sob este ponto de vista, nós só a conhecemos por causa do testemunho dos discípulos; mas também estamos na possessão presente de uma cena de glória, pois é dito: “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Co 3:18).


A glória do monte e da nuvem

No entanto, o monte santo não é apenas a cena da visão futura, ou a presente contemplação da glória, mas dá aos discípulos uma porção próxima de Cristo. Pedro, que alguns dias antes provocou desagrado ao Senhor, é trazido pela graça com seus companheiros, onde o homem nunca havia entrado antes. Uma nuvem ofuscou os discípulos e eles entraram nela com Jesus. Para um judeu, era uma coisa terrível. O que eles poderiam sentir além de medo de penetrar na nuvem que era o sinal da presença de Jeová? Como não estremecer tendo a lembrança de que mesmo o sumo sacerdote, para não morrer quando entrava no santuário de Deus, tinha que se envolver com uma nuvem de incenso? Mas os discípulos puderam ser tranquilizados; a nuvem não era mais para eles a morada do SENHOR de Israel, mas a casa do Pai. A presença de Cristo com eles na nuvem era o meio de revelar-lhes o nome d’Aquele que habitava nela. Eles se tornaram companheiros não apenas do Filho do Homem em Sua glória, como Moisés e Elias, mas do Filho na casa do Pai. Habitar na glória é de fato uma bênção futura que nem mesmo um dos santos que dormiram já alcançou; habitar na casa do Pai é uma porção presente e futura. Se eu puder dizer, falando do futuro, “habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre” (Sl 23:6 – ARA), eu também posso clamar ao falar do presente: “Uma coisa pedi ao SENHOR e a buscarei: que possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do SENHOR e aprender no Seu templo” (Sl 27:4). O filho pródigo foi levado à casa do Pai quando se converteu; vestido com o melhor manto, e permanecendo na dignidade de um filho, a ele foi dado que compartilhasse de todas as posses do Pai, e no gozo que Ele tinha em comunicá-las a ele. Esta casa é a morada secreta da comunhão. Muitas coisas atraíram o olhar dos discípulos na transfiguração; o rosto de Cristo brilhando como o Sol; Suas vestes brancas como a luz; Moisés e Elias, dois homens célebres, aparecendo em glória. Não havia nada disso na nuvem. Como Paulo, levado ao paraíso, os discípulos nada viram, pois Moisés e Elias desapareceram; mas foi para que os discípulos pudessem dar atenção total a uma palavra na qual toda a mente de Deus é resumida.


A preeminência de Cristo

Pedro se esqueceu da preeminência de Cristo enquanto ele via Moisés e Elias. Ele disse: “façamos três tendas”. Ele queria colocar a lei e os profetas no mesmo nível de Cristo associando-os a Ele; e existem muitos Cristãos que inconscientemente fazem o mesmo. Pobre Pedro! Quão indigno ele se mostrou de ter esta visão! Sua linguagem, seu sono e seu grande medo, traíam o estado de sua alma, e quanto mais a perfeição de Jesus brilhava, mais as imperfeições de Pedro se multiplicavam. E vemos que isso é assim a todo o momento, até que Pedro tenha se julgado totalmente. O Espírito lhe dá poder, a carne o priva dele; o Espírito ilumina seu entendimento, a carne mostra sua ignorância, acima de tudo, concernente à cruz; o Espírito dirige seu olhar para a glória do reino, a carne reduz essa glória ao nível do homem falido. O mesmo acontece na cena do dinheiro do tributo, na ceia, no Getsêmani e na corte do sumo sacerdote, até que Pedro aprende o que é a carne e recebe o poder do alto. A glória excelente, longe de repelir os discípulos, os atraiu a Cristo e os colocou a Seus pés como discípulos, dizendo-lhes: “a Ele ouvi”. Assim, Pedro, com o restante, foi levado a desfrutar dos pensamentos do Pai em relação ao Filho do Seu amor, e a casa do Pai foi o cenário dessa revelação. Os discípulos, como dissemos, ouviram uma palavra, a breve expressão do que a presença do Filho fez brotar nos lábios do Pai, mas é uma palavra que nos permite penetrar nos segredos do Seu coração: “Este é o Meu Filho amado; a Ele ouvi”.


Essa é a nossa presente bênção. Nós fomos autorizados a compartilhar o segredo do Pai. Ele nos trouxe agora para a intimidade com Ele, a qual não pode ser excedida nem mesmo no estado eterno, embora, naturalmente, será desfrutada com mais perfeição. Veremos toda a exibição da glória de Cristo e seremos vistos nesta glória; mas agora somos os depositários dos pensamentos do Pai, revelando o Filho, o Pai revelado pelo Filho. “E, tendo soado aquela voz, Jesus foi achado só”. Ao ouvirmos essa voz, aprenderemos mais e mais o que o Pai é para Ele e para nós.


H. R. de Christian Friend

 

O Tabernáculo de Deus e a Casa do Pai


Salmo 84

O que corresponde agora para o Cristão os “tabernáculos”, no sentido mais completo do termo, é a casa do Pai. Deus tem Sua habitação por meio do Espírito na Terra, e muitas aplicações instrutivas podem ser feitas deste salmo para isto, mas nunca até que a casa do Pai seja alcançada entraremos na perfeita benção da ocupação eterna do louvor. É então o significado da figura que são os tabernáculos, com o pensamento adicional de relacionamento, revelado apenas no Cristianismo, que deve ser mantido em vista em nossas meditações sobre este belo salmo.


Observe, em primeiro lugar, que o essencial para nós, enquanto passamos pelo deserto, é ter nosso coração na casa do Pai. Esta é, de fato, a chave para o salmo, quando começa com as palavras: “Quão amáveis são os teus tabernáculos” (v. 1)! De fato, é algo imenso para a alma saber que ela não pertence a essa cena, mas sim ao lugar onde Cristo está – na casa do Pai – e, consequentemente, ter o coração já lá. Este, de fato, é o bendito segredo de estar moralmente fora de tudo pelo qual estamos cercados aqui. Ficando aquém dos benefícios que recebemos pela obra de Cristo, e não prosseguindo no gozo em conhecer Aquele por Quem a obra foi realizada, o coração dificilmente se retirará para fora deste mundo. Mas quando seguimos a Cristo para o lugar para onde Ele foi, meditando, deliciando-nos e adorando-O ali, nosso coração constantemente se voltará para Ele como sua porção única e que satisfaz.


Os anseios do coração

Como consequência, desejaremos estar onde Cristo está. Como o salmista prossegue: “A minha alma está anelante e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo” (v. 2). Deus habitou ali, e o salmista ansiava por estar onde Ele estava, não para obter alívio das tristezas do deserto, nem mesmo para entrar nas alegrias e bênçãos que enchiam o lugar, mas simplesmente porque o Deus vivo habitava ali. Então agora a alma que conhece a Cristo mais intimamente deseja estar onde Ele está, para estar com Ele mesmo. Como Paulo, ele deseja partir, se a morte estiver em perspectiva, para estar com Cristo, assegurado que, se ausente do corpo, ele estará presente com o Senhor. E isso está de acordo com a própria mente do Senhor, pois quando prometeu retornar para os Seus, Ele disse que o objetivo era: “para que, onde Eu estiver, estejais vós também”, e novamente, quando está falando ao Pai, “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo”. Não poderia ser diferente de que, se Cristo possui nosso coração, deveríamos estar com Ele onde Ele está.


As afeições

Ao entrar nisso, a bem-aventurança de morar na casa é imediatamente apreendida (v. 4). É sempre verdade que vivemos em espírito onde estão os objetivos de nosso coração. Assim, habitar pela fé na casa do Pai é inteiramente uma questão de afeição. É assim, como vimos, neste salmo. Primeiro, o coração está nos tabernáculos, então há o desejo de estar onde o Deus vivo está, e depois temos a bem-aventurança de habitar na casa. Alguém pode perguntar: O que é habitar em espírito na casa do Pai? É a mente, a mente do novo homem, os pensamentos, os desejos e as afeições estando continuamente ali, sempre voltando ao lugar onde o Pai está e onde Seu amado Filho está. Observe, além disso, que aqueles que habitam na casa têm apenas uma ocupação, e isso é louvor – incessantes louvores. Quando lemos sobre os cantores no templo: “de dia e de noite, estava a seu cargo ocuparem-se naquela obra” (1 Cr 9:33).


Um poço no deserto

Ter nosso coração na casa do Pai faz deste mundo um deserto e nós próprios peregrinos e forasteiros nele. Mas há bem-aventurança também nisso, se, como certamente será o caso, nossa força está em Deus, e os “caminhos”, os caminhos para a casa que está acima, estão em nosso coração. Pois a alma que já encontrou seu verdadeiro objeto e descanso é uma alma disciplinada; deixou de estar ocupada consigo mesma, depois de muitas provações e experiências cansativas, e aprendeu que não tem força senão em Cristo. É uma alma dependente e, como tal, valoriza os “caminhos” que levam à posse e realização de todas as suas esperanças e desejos. Mas haverá exercícios enquanto trilhar os caminhos; sim, tal alma encontrará a cena pela qual passa sendo o vale de Baca – de choro. O choro deve durar por toda noite moral deste mundo, e até o semeador deve semear em lágrimas. Haverá exercícios inumeráveis mas, por mais dolorosos que sejam, eles se tornarão um poço – uma fonte de vida, pois “Senhor, por estas coisas vivem os homens, E inteiramente nelas está a vida do meu espírito” (Is 38:16 – TB). Além disso, a chuva, a bendita chuva que é fertilizante vindo de Deus, também desce e enche os tanques. Ele abençoará o peregrino que chora por meio das ministrações de Seu Espírito no interior, e de cima Ele dará as bênçãos celestes.


De força em força

Embora a jornada dos peregrinos permaneça no vale de Baca, eles ainda vão de força em força. Isso não significa que eles adquirirão um aumento de força em si mesmos, mas que, a cada passo de seu caminho no deserto, aprenderão cada vez mais plenamente sua própria fraqueza e, junto com isto, que sua força está no Senhor. Uma maior percepção da dependência deve trazer maior força; somente deve ser lembrado sempre que a força nunca está em nós – nunca em nós como um fundo do qual podemos sacar recursos, mas sempre no Senhor, e apenas para ser recebido momento a momento de acordo com a necessidade. Esta é a bendita lição que o Senhor ensinou a Paulo quando Ele lhe disse: “Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Apoiado assim pela força divina, todo peregrino “em Sião aparece perante Deus”. Nenhum pode perecer pelo caminho. Cada filho, por qualquer problema que possa estar passando, deverá chegar à casa do Pai.


“Deixe que os cuidados, como um dilúvio selvagem, venham.

E tempestades de tristezas caiam;

Ainda assim a salvo alcançarei meu lar,

Meu Deus, meu céu, meu tudo”.


Sob a eficácia do precioso sangue de Cristo, no desfrute do relacionamento celestial com o Pai, em associação com Cristo, nenhum poder terrenal nem infernal pode impedir que um santo chegue a seu lar eterno.


Oração

Aprendemos também que, como o louvor é a ocupação daqueles que habitam na casa de Deus, também a oração caracterizará o peregrino no deserto. Na verdade, alguém dependente está sempre em oração, mas quando ele ora, ele não apresenta a si mesmo, mas a Cristo, como o único Fundamento eficaz sobre o qual ele pode esperar a resposta para seus clamores. “Olha, ó Deus,” ele diz “escudo nosso, e contempla o rosto do Teu Ungido” (v. 9). Que benção é estar protegido em Cristo, apresentá-Lo como nossa segurança e orar para que Deus olhe para a face gloriosa de Seu Ungido! Sim, é no Amado que somos aceitos e sabemos que isso nos dá ousadia e confiança. Em seguida, o santo orando derrama os deleites de seu próprio coração na contemplação dos átrios do Senhor. “Porque vale mais um dia nos teus átrios do que, em outra parte, mil. Preferiria estar à porta da Casa do meu Deus, a habitar nas tendas da impiedade” (v. 10). A liberdade de olhar para as alegrias da casa do Pai era infinitamente preferível a todos os prazeres que se acham nas moradas dos que são deste mundo. E nada desconecta tanto o coração das coisas presentes, ou então fortalece o caminho do peregrino, como a antecipação da bem-aventurança da casa de nosso Pai.


Graça e Glória

Tudo é baseado em três coisas. Primeira, o que Deus é em Si mesmo. Ele é um Sol e um escudo. Ele é a fonte de vida e luz para o Seu povo. Em Seus raios de glória, concentrados e expostos em Cristo como assentado à destra de Deus, em Cristo glorificado, é a fonte da vida, e em Sua luz vemos a luz. Segunda, Ele dará graça e glória. Ele dará graça para toda a jornada. Jamais poderemos estar em circunstâncias de qualquer tipo – de provação, tristeza ou tentação – nas quais Sua graça não será suficiente. E observe que Ele a dará, e assim, como em Hebreus 4, nós temos apenas que chegar com ousadia ao trono da graça para recebê-la – não precisamos conquistá-la. Como Tiago também diz, Ele dá mais graça – sempre mais, pois é graça sobre graça de sua plenitude inesgotável, como onda fluindo após onda, uma sucedendo a outra, do seio do oceano. Que provisão! Então, também, Ele dará glória no final, e a mesma glória que Ele mesmo recebeu do Pai (Jo 17:22). Por último, em Seu atual governo, Ele não reterá coisa boa alguma dos que andam retamente. Muitas coisas o Senhor é obrigado a reter de nós por causa de nossa condição prática e, portanto, como aprendemos aqui, nossa capacidade de recepção depende de nossa caminhada. Está sempre em Seu coração dar coisas boas para nós e, portanto, precisamos ser exercitados para manter um andar reto, a fim de que não haja impedimento para a recepção de Seus dons de bênção (veja Salmos 81:13-16).


A preciosidade de Cristo

O último versículo é quase uma admirável irrupção de adoração, pois é após a consideração de todos os detalhes da bem-aventurança conectada com os tabernáculos de Jeová e seu efeito sobre a alma que o salmista transborda de admiração na presença de tal graça inefável e fala das emoções de seu coração nesta palavra: “SENHOR dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em Ti põe a sua confiança”. E certamente nós, com mais luz, e ainda maiores bênçãos, de acordo com a mais completa revelação que Deus Se agradou fazer de Si mesmo em Cristo, podemos endossar essa declaração do salmista com nosso caloroso Amém.


Quanto mais você faz de Cristo, mais precioso Ele Se torna para a alma, mais você desfrutará de Sua presença e companhia.


The Christian Friend

 

A Casa do Pai e a Casa de Deus


A casa do Pai é diferente da casa de Deus, pois nos coloca em relacionamento como filhos. Quando Ele fala da soberania, é a casa de Deus; mas quando Ele fala da graça, é a casa do Pai (Jo 4:23-24). O Pai primeiro, depois Deus; assim também em 1 João 1:3-5.


J. N. Darby

 

Preparação para o Lugar Preparado


O Senhor Jesus nos compreende não apenas pelo que somos, mas pelo que seremos. É impossível, quando chegamos a conhecer a Cristo, ficarmos parados; nós passamos da infância para a juventude e para a paternidade. Todo santo separado está sendo preparado para um lugar já preparado na casa do Pai. Vendo isso, torna-se impossível se acomodar aqui com a questão do eu e de tudo relacionado a ele como esterco e escória – a questão do trabalho – o estabelecimento de Cristo diante de você, prosseguindo para o alvo da soberana vocação (ou chamado) de Deus n’Ele; essas questões só podem ser resolvidas em vista de nossa posição celestial – nossa vida lá em cima. Você está dizendo: “Cristo me ama, e eu devo prosseguir até que eu O veja; nada poderá me satisfazer até que eu O alcance”?


Cristo viu exatamente onde eu estarei na glória; a joia não será perdida, a qual deve ser colocada em Sua coroa. O crente pode andar neste mundo como aquele que é preso por Cristo para a glória. Seu coração está ocupado com Ele na glória? Isso será como um fluxo de bênção celestial em todos os problemas. O pensamento da minha alma é este de que estou lá em cima com o Filho de Deus na glória para a qual Ele me prendeu? Minha cidadania está lá em meio a todas as deficiências do meu próprio coração. Lá em cima, o filho de Deus pode ter repouso e paz presentes. Se eu tiver consciência de minha comunhão com Ele em vida lá em cima, haverá um pulsar de gozo em meu coração, fluindo da comunhão viva com o Cristo no céu, que deve fluir para todo o sempre, a qual remonta ao dia em que fui vivificado em Sua graça - Sua visa então fluindo em nós.


G. V. Wigram

 

Um Mundo em Turbulência e os Propósitos de Deus


Como crentes no Senhor Jesus Cristo, sabemos “no fundo” que os propósitos de Deus serão cumpridos, não importando quais sejam os planos e movimentos do homem. Os conselhos de Deus foram feitos em uma eternidade passada, e nada que o homem faça agora no tempo pode mudá-los. Eles sempre foram cumpridos perfeitamente no passado, e as profecias para o futuro na Palavra de Deus sempre foram cumpridas de acordo com o tempo de Deus. No entanto, no mundo incerto e caótico de hoje pode acontecer que até mesmo os crentes achem que seu coração está “desmaiando de terror”, pois estão “na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo” (Lc 21:26). E certamente há muito, humanamente falando, sobre o que se preocupar.


Coréia do Norte

Provavelmente, o problema mais sério é o atual confronto entre os EUA e a Coréia do Norte, pois as ramificações disso são enormes. Entre 2006 e 2017, a Coréia do Norte testou seis dispositivos nucleares e parece que há mais por vir. Seu líder, Kim Jong Un, dirigiu consistentemente sua retórica agressiva contra os EUA, enquanto de seu lado, líderes americanos deram avisos de que a Coreia do Norte não pode construir armas que ameacem o território americano. A China, o único país com o potencial real de “controlar” seu vizinho bélico, não está ansiosa por um confronto com os EUA, mas também não está nada feliz em ver uma forte presença americana no leste da Ásia. Embora a China esteja aplicando algumas sanções comerciais da ONU contra a Coréia do Norte, parece estar tentando aplacar a América, mas sem causar pressão suficiente para trazer o colapso total da Coréia do Norte. Se forçado a entrar em conflito, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu “fogo e fúria como o mundo nunca viu”, enquanto James Mattis, atual Secretário de Defesa dos EUA, comentou que um conflito coreano “provavelmente seria o pior tipo de luta na vida da maioria das pessoas”. Outro alto funcionário do governo norte-americano previu que 2018 será “um ano muito perigoso”, enquanto outro funcionário afirmou que “o potencial de conflito é muito alto”.


Status de superpotência

Mas há outras razões para o comportamento hostil entre as grandes potências da China, da Rússia e dos EUA. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os EUA desfrutaram do status de superpotência e tiveram a economia e as forças armadas mais fortes do mundo. Com mudanças na tecnologia e métodos de guerra, esta supremacia está sendo desafiada. O colapso da União Soviética atormentou a Rússia e, especialmente, seu atual líder, Vladimir Putin. Depois que a União Soviética desmoronou, Putin ficou muito irritado com o fato de a Rússia parecer ter sido relegada a uma posição de irrelevância estratégica pelo resto do mundo. Desde que chegou ao poder, seu objetivo foi colocar a Rússia no status de “grande poder” mais uma vez. Da mesma forma, a China, por diferentes razões, “amadureceu” e quer exercer sua influência em sua parte do mundo. Embora nem a Rússia nem a China estejam atualmente em posição de desafiar os EUA de maneira real, eles estão praticando o que tem sido chamado de “guerra híbrida”. Nas palavras de um funcionário, isso consiste em ações que “colhem alguns dos ganhos políticos e territoriais da vitória militar sem cruzar o limiar da guerra aberta”. Essa guerra é conduzida de maneiras que dificultam a tarefa de acertar a verdadeira parte responsável, usando táticas como ataques cibernéticos, sabotagem, forças de instigação, propaganda e, talvez, chantagem econômica.


Rússia e China

A Rússia está exercendo sua influência em lugares como a Ucrânia e outros países do antigo Bloco Oriental, enquanto a China está afirmando seu controle sobre o Mar do Sul da China, chegando ao ponto de construir ilhas artificiais que são fortemente fortificadas. Tudo isso tem a intenção de enfraquecer a influência ocidental e particularmente americana nas órbitas russas e chinesas e dar-lhes um lugar mais forte no mundo.


Oriente Médio

Finalmente, há o Oriente Médio, um caldeirão que ameaça constantemente transbordar. A Síria está no caos, com muitas nações diferentes se envolvendo. Recentemente a Turquia, com o segundo maior exército da OTAN, abriu uma nova frente nesta guerra, indo atrás dos insurgentes curdos que fazem fronteira com a Turquia. O problema palestino continua, com regimes instáveis em lugares como o Egito e o Iraque também. Além disso, há muitos outros “pontos quentes” no mundo, provocados pelo nacionalismo de vários grupos étnicos ou por disputas sobre certos territórios. Vemos, de fato, “bramido do mar e das ondas” (Lc 21:25), embora percebamos que a manifestação plena disso aguarda um tempo depois que a Igreja for chamada para o lar (O mar na Escritura geralmente tipifica as nações do mundo em movimento inquieto). A complexidade da guerra moderna, combinada com a capacidade dos terroristas de causar estragos em quase qualquer parte do mundo, deixou naturalmente muitos se perguntando se há algum lugar seguro deixado no mundo.


Dívida pública e privada

Até este ponto, consideramos principalmente as chances de conflito militar, mas existem outros problemas importantes e igualmente sérios no mundo. A dívida pública e privada continua sendo uma questão-chave na maioria dos países ocidentais, com os governos tendo que lidar com déficits cada vez maiores, enquanto cartões de crédito e outros métodos fáceis de viver além de seus recursos causaram aumentos astronômicos da dívida privada. Eventualmente, um dia de acerto de contas deve chegar, mas poucos estão dispostos a enfrentá-lo. Enquanto a dívida do governo muitas vezes “ganha as manchetes”, é a dívida privada que é muito maior no mundo hoje e é muito mais séria economicamente. No entanto, poucos estão dispostos a tomar o medicamento amargo que é necessário como remédio.


O declínio moral

Talvez mais sério do que todas essas coisas seja o declínio moral, especialmente em países que conheceram a Palavra de Deus e tiveram antecedentes Cristãos. Líderes procuram lidar com os problemas, apenas para ter suas carreiras arruinadas pela exposição de algum comportamento imoral ou ilegal em seu passado. A integridade pessoal e corporativa está desaparecendo rapidamente, com muitos simplesmente fazendo o mínimo possível em seus empregos, enquanto servem seus próprios fins. Onde outrora a justiça era comum, a “ética situacional” tornou-se a maneira de lidar com os assuntos. No Canadá, uma decisão recente do Supremo Tribunal da província de Ontário admitiu que uma lei específica violava de fato o direito individual à liberdade religiosa, mas ao mesmo tempo decidiu que a lei estabelecia um “limite razoável à liberdade religiosa, comprovadamente justificado em uma sociedade livre e democrática”.


O mandamento de Deus

Onde tudo isso deixa o Cristão? Somos lembrados de uma observação feita há mais de 100 anos por um irmão bem instruído. Ele disse, “Os caminhos de Deus estão atrás das cenas, mas Ele move todas as cenas por estar atrás delas. Temos que aprender isto e deixá-Lo trabalhar e não pensar sobre os movimentos com os quais os homens se ocupam: Eles realizarão os propósitos de Deus – o resto deles irá perecer e desaparecer. Temos somente que, em paz, fazer a Sua vontade”. O mundo está realmente em estado grave e não podemos negá-lo. No entanto, devemos também lembrar que logo no início dos tempos dos gentios, Deus humilhou Nabucodonosor até o ponto em que ele disse: “O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles” (Dn 4:17). Ao longo dos séculos desde aquela época, Deus geralmente elaborou Seus propósitos permitindo que o mais baixo dos homens governasse. Podemos ser gratos por algumas exceções a isso, mas na maior parte dos casos, os governantes nos tempos dos gentios não eram homens tementes a Deus e corretos.


Sabemos que durante o chamado período da Igreja, não é propósito de Deus retomar as rédeas do governo na Terra. Isso virá quando Cristo vier reinar, mas não antes. No entanto, Deus não deixou a Terra se entregar a maldade sem governo. Como é que Ele faz isso? Vamos citar um escritor bem conhecido do século XIX: “Ele os controla, não agindo diretamente, de modo a manter o testemunho de Seu caráter e Seus caminhos, mas por meio de instrumentos que Ele emprega o resultado de cuja atividade está de acordo com Sua vontade. O único Deus sábio pode fazer isso, pois Ele conhece todas as coisas e direciona todas as coisas para a realização de Seus propósitos. Esta é a razão pela qual vemos todos os tipos de coisas moralmente em desacordo com Seus caminhos em governo, que ainda assim têm sucesso: um caos no presente, mas cuja questão fornecerá uma pista, que tornará manifesta uma sabedoria ainda mais profunda e admirável do que o que foi exibida em Seu próprio governo imediato em Israel, perfeito como este foi em seu lugar”.


Uma perspectiva inteligente

O verdadeiro Cristão é o único que pode olhar para as condições deste mundo com verdadeira inteligência. Ele sabe onde isso terminará e sabe que, apesar do tumulto e da aparente confusão, Deus está no controle e está dando cumprimento a Seus propósitos em meio a tudo isso. Os planos e até mesmo a ira do homem podem ser evidentes, mas lemos que “Porque a cólera do homem redundará em Teu louvor, e o restante da cólera, Tu o restringirás” (Sl 76:10). Deus está guardando o homem da extensão total de seus maus propósitos, a fim de que Sua vontade seja cumprida.


Muitos anos atrás, um grupo de artistas foi desafiado a saber quem poderia pintar uma imagem que retratasse com mais precisão o tema “paz”. Um prêmio foi oferecido pela melhor pintura que foi produzida. Quando os resultados foram exibidos, havia muitas cenas encantadoras. Algumas eram de um pôr-do-Sol sobre águas calmas, algumas eram de um prado bonito, algumas de um lago calmo com árvores refletidas nele, e algumas de belos jardins. Mas aquele que ganhou o prêmio retratou uma tempestade terrível em uma praia, com um forte vento soprando, raios em ziguezague no céu e ondas batendo nas rochas. No meio de tudo isso, havia uma fenda no penhasco rochoso na praia, na qual havia um pequeno pássaro cantando de todo o seu coração. Esta foi a verdadeira paz – tornada mais evidente pelo contraste com tudo ao redor.


Paz

Assim, o crente pode caminhar por este mundo com paz no seu coração: paz quanto à sua salvação e paz eternas quanto às suas circunstâncias. Isso não significa que necessariamente teremos um caminho fácil; não, mas nos foi prometida tribulação neste mundo e também perseguição. Então Paulo poderia dizer que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). O sofrimento é temporário – por um momento – enquanto a glória é eterna.


Mais do que isso, se aceitarmos nossas circunstâncias como vindas do Senhor, poderemos levar nossas dificuldades para o Senhor. Novamente, isso não significa que obteremos alívio imediato das circunstâncias, mas podemos ter paz com elas, sabendo que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto” (Rm 8:28). Vale a pena passar por circunstâncias difíceis, pois é então que desfrutamos de uma comunhão mais íntima com o Senhor. Verdadeiramente, como Paulo pôde lembrar aos crentes coríntios, “Tudo é vosso... seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso” (1 Co 3:22).


W. J. Prost

 

Quão Abençoado é Esse Lar


Quão abençoado é esse lar, a casa do Pai!

Ali o amor divino repousa;

O que mais poderia satisfazer os corações

Daqueles em Jesus abençoados?

Seu lar se tornou nosso: o amor de Seu Pai

É a porção total do nosso coração que foi dada,

A porção do Filho Primogênito,

O pleno deleite do céu.


Oh, que lar! O Filho que conhece –

Ele somente - todo o Seu amor;

E nos traz como Seu bem-amado

Para aquele descanso brilhante acima;

Habita em Seu seio; sabendo tudo

O que naquele seio repousa;

E veio à Terra para torná-la conhecida,

Para que possamos compartilhar Suas alegrias.


Oh, que lar! Ali o amor mais completo

Flui através de seus átrios de luz;

As afeições divinas do Filho fluem

Em toda a sua profundidade e altura;

E a resposta completa o Pai dá

A encher de alegria o coração;

Nenhuma nuvem está lá para obscurecer a cena,

Ou sombra para transmitir.


Oh, que lar! Mas tal é Seu amor

Que Ele deve nos levar até lá,

Para encher aquele lar, para estar com Ele,

E Sua glória compartilhar;

A casa do Pai, o coração do Pai,

Tudo o que é dado ao Filho,

Feitos nossos, objetos de Seu amor,

E Ele, nossa alegria no céu.


Sra. J. A. Trench

 

“Virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que, onde Eu estiver, estejais vós também”

João 14:3

 

525 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

ความคิดเห็น


bottom of page