A Família da Fé (Abril de 2013)
- Revista O Cristão

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Revista mensal publicada originalmente em abril/2013 pela Bible Truth Publishers
ÍNDICE
Tema da edição
E. Dennett (adaptado)
W. J. Prost
D. C. Buchanan
C. H. Mackintosh (adaptado)
J. G. Bellett (adaptado)
Spitta
A Família da Fé
Deus estabeleceu a “família” como um meio de realizar Seus próprios propósitos de amor, graça e responsabilidade. Ele próprio é um Chefe de família. Nós somos "da família de Deus" e "da família da fé". Cristo é um Chefe de família: "Cristo, como Filho, sobre a Sua própria casa".
O chefe de família tem privilégio e responsabilidade em relação àqueles que estão em sua casa. Eles são dependentes dele; ele é responsável perante Deus por seus cuidados. Os que estão em sua casa podem ter bênçãos ou sofrer perdas, por meio de sua fidelidade ou fracasso.
Toda casa é construída por alguém, "mas o que edificou todas as coisas é Deus". Somos responsáveis perante Deus como Seu servo por qualquer família que Ele nos confiou. "Cristo Jesus... sendo fiel ao que O constituiu". Moisés era fiel como servo em Sua casa. Atualmente, nosso Senhor Jesus está agindo fielmente na casa de Deus, na Igreja, intercedendo diante de Deus por todos e cada membro da família. Nós, que estamos na casa, devemos conservar “firme a confiança e a glória da esperança até ao fim”.
Que nós, que temos família, sejamos fiéis, contando com fé em Deus por Sua mão soberana de graça e misericórdia. Que nós, que estamos em uma casa, possamos dar alegria e encorajamento ao chefe de família.
Tema da edição
A Família como um Círculo de Graça
“Depois, disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim nesta geração” (Gn 7:1 – ARC). “Envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro, o qual te dirá palavras com que te salves, tu e toda a tua casa” (At 11:13-14). "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16:31).
Sempre existe uma tendência em nosso coração de limitar a graça de Deus. Portanto, há uma necessidade contínua de examinar os ensinamentos da Escritura, com o simples desejo de ser encontrado em completa sujeição à Palavra de Deus. Por exemplo, existem muitos santos amados que negligenciaram o significado e a força das palavras que o apóstolo usou em resposta ao carcereiro: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16:31). A necessidade de fé individual é vista e a promessa conectada de salvação individual, mas para todos os propósitos práticos a promessa adicional é muitas vezes esquecida. Da mesma maneira, quando a pergunta é feita: "O que devo fazer para ser salvo?" a resposta é quase universalmente dada como: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo", omitindo as palavras "e tua casa". É assim tanto na pregação quanto na escrita; consequentemente, há um estreitamento não intencional do círculo da graça de Deus.
Propomos, então, traçar o ensino bíblico sobre esse assunto – em conexão da família com o crente – e acho que veremos que o princípio se aplica tanto às dispensações passadas quanto à presente.
Noé
Vamos nos voltar, antes de tudo, para Gênesis 7:1: “Depois disse o Senhor a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca”. Esta passagem é extremamente importante, porque está redigida de tal modo que nenhuma dúvida pode ser levantada quanto ao seu significado expresso. A base sobre a qual o Senhor ordena que Noé entre na arca com os de sua casa é "porque te hei visto justo diante de Mim nesta geração" (ARC). E se alguém levantasse objeção afirmando que provavelmente todos os membros da família também eram “justos” diante de Deus, a história posterior de um deles – Cam (Gn 9:22‑25) – não permite tal pensamento. A força da afirmação, portanto, não pode de forma alguma ser diminuída, de que a família de Noé foi livrada do juízo do dilúvio por causa da fé de seu chefe. Assim, toda a família foi trazida, na graça de Deus, para fora do juízo e colocada na nova Terra por causa da fé de Noé. Não apenas isso, mas o círculo da graça de Deus ainda foi ampliado, pois descobrimos que as esposas dos filhos também foram incluídas nos propósitos misericordiosos de Deus, constituindo assim as oito pessoas das quais o apóstolo Pedro fala como tendo sido “salvas por intermédio da água” (1 Pe 3:20 – JND).
Abraão
Passamos agora para outro exemplo registrado em Gênesis 12: “Assim, partiu Abrão, como o SENHOR lhe tinha dito… e tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e chegaram à terra de Canaã” (Gn 12:4-5). Desejamos ressaltar o fato de que a casa de Abrão foi trazida consigo da Caldéia e de Harã para Canaã, e isso foi feito com o mesmo princípio que no caso de Noé, sendo a casa ligada a Deus por meio de seu cabeça.
Ló
Tomamos, em seguida, o caso notável de Ló, e é o mais impressionante porque ele se recusou a seguir o caminho da fé, abandonou o caráter de um peregrino e se tornou um cidadão de Sodoma. A longanimidade de Deus estava agora para transformar-se em justo juízo, porque o pecado das “cidades da campina” era muito grave. Novamente, descobrimos que o mesmo princípio se aplica: não foi apenas Ló, mas também sua família que foi poupada, ou teve a oportunidade de ser poupada, naquele dia de juízo de destruição. “Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo” (Gn 19:12‑13). Deve-se sempre lembrar que Ló, apesar de sua posição de aflição, era um “homem justo” (2 Pe 2:8), e, portanto, vemos, como nos outros casos, que Deus vinculou a família de Seu servo a ele mesmo, de modo que Sua misericórdia e graça se estenderam e abraçaram todos os que estavam conectados com o “homem justo”, oferecendo a eles salvação do juízo que estava prestes a cair naquela cena condenada, embora seus genros na incredulidade optassem por permanecer na cidade sob julgamento, em vez de escapar para salvar a própria vida.
Cornélio
Todos esses exemplos foram retirados do Velho Testamento. Voltemos agora à dispensação da graça. Vamos olhar primeiro para Atos 11. O apóstolo Pedro esteve com Cornélio, viu o Espírito Santo ser derramado sobre os gentios e, em virtude da comissão que lhe fora confiada, os admitiu na Igreja de Deus na Terra. Mas quando ele voltou a Jerusalém, “disputavam com ele os que eram da circuncisão, dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos, e comeste com eles” (At 11:2‑3). Em resposta a esta queixa, Pedro relatou todas as circunstâncias que o haviam levado àquela visita. Além disso, ele lhes disse como Cornélio havia sido instruído por um anjo a enviá-lo com estas palavras: “Envia homens a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro, o qual te dirá palavras com que te salves, tu e toda a tua casa” (At 11:4-14; compare 2:38-39).
O carcereiro
Aqui, então, logo no início do Cristianismo, reaparece a conexão da casa com seu cabeça e, passando para o capítulo 16, encontramos exatamente a mesma coisa declarada pelo apóstolo Paulo em resposta ao carcereiro. "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16:31). Assim, temos o princípio que, como vimos, se aplica a todas as dispensações passadas, declaradas na presente pelos dois principais representantes do Cristianismo. Devemos ter muito cuidado, no entanto, para não ir além da intenção divina e, portanto, devemos agora procurar verificar o significado da conexão.
Fé individual
Em primeiro lugar, portanto, observe com muita clareza que não significa que a fé do chefe de família assegura a salvação de seus membros. Nenhuma verdade é mais evidente nas Escrituras do que não pode haver salvação à parte da fé individual. Os exemplos de Cam, Esaú, dos filhos de Eli e de Samuel e Absalão são avisos solenes de que a fé dos pais não pode salvar seu filho. Que não haja equívocos ou erros nesse ponto, pois o erro aqui seria do tipo mais fatal.
Lugar dos privilégios e responsabilidade
Mas, em segundo lugar, embora não se trate de salvação individual, a casa do crente tem, aos olhos de Deus, um lugar especial de privilégio sobre a Terra. Os filhos estão ligados aos pais que creem e, portanto, são vistos como em conexão exterior com o povo de Deus – como separados para Ele na Terra e na esfera da ação imediata do Espírito Santo. Essa é, como julgamos, a força da Escritura em 1 Coríntios 7:14: "mas, agora, (os filhos de pais crentes) são santos". Santidade significa separação para Deus e, como neste caso não pode ser a santidade intrínseca (nem a santidade que o crente tem em Cristo), ela só pode significar separação exterior; isto é, eles são, por assim dizer, desligados do mundo e ligados àquilo que leva o nome de Cristo sobre a Terra e que é a morada de Deus em Espírito.
Portanto, em Efésios e Colossenses, a casa dos crentes – esposas, maridos, filhos, pais, servos e mestres – são incluídas nas exortações dadas, sendo cada classe abordada separadamente. E nesse fato reside o fundamento da responsabilidade do crente de governar sua casa para o Senhor. Se, portanto, admiramos, por um lado, a abundante graça de nosso Deus ao estender-se e abraçar nossa casa, não devemos esquecer, por outro lado, as responsabilidades que daí decorrem, pois privilégio e responsabilidade estão sempre juntos. Que o Senhor capacite a cada um de nós a aprender suas respectivas responsabilidades em Sua própria presença e nos conceda graça para cumpri-las de tal modo que o Seu nome seja glorificado em nós e em cada membro de nossa casa!
E. Dennett (adaptado)
O Lar Cristão – um Baluarte Contra o Mundo
Entre o povo de Deus, ao longo das eras da história do homem, Deus tem pretendido que o lar seja um refúgio de segurança, calor, piedade e amor. Quando a Igreja foi formada, Deus providenciou outro local de proteção contra a influência do mundo, a assembleia Cristã. Assim, hoje temos tanto o lar Cristão quanto a assembleia Cristã como locais de segurança e refúgio, longe das influências de um mundo ímpio. Satanás procurou constantemente destruí-los, principalmente nos últimos dias. No entanto, Deus ainda espera que o que Ele estabeleceu forneça proteção ao Seu povo, e Ele nos dará a graça necessária para mantê-los, se buscarmos a Ele. Visto que esta edição da revista 'O Cristão' diz respeito à família da fé, talvez possamos olhar para algumas das realidades práticas que devem caracterizar o lar Cristão, se ele for para ser um verdadeiro abrigo de tudo o que existe no mundo.
A Palavra de Deus
Antes de tudo, o lar Cristão deve ser um lugar onde a Palavra de Deus seja honrada, lida, explicada e faça parte da vida cotidiana. À medida que o mundo se desvia cada vez mais do que Deus nos deu em Sua Palavra, também precisamos cada vez mais estar familiarizados com os pensamentos de Deus, conforme revelados em Sua Palavra. Os pais devem incentivar isso lendo a Palavra de Deus juntos e com seus filhos. Embora toda exposição à Palavra de Deus seja proveitosa, a leitura em família não precisa ser simplesmente uma leitura formal e seca das Escrituras. Em vez disso, a Bíblia deve ser lida e, então, explicada em termos práticos e aplicada à vida cotidiana, dentro das idades e maturidade das crianças envolvidas. Além disso, todas as partes da Palavra de Deus devem ser lidas em um contexto familiar. Alguns pais podem estar relutantes em ler certas partes da Bíblia que lidam com pecados graves, mas, embora o Senhor não hesite em expor a maldade do coração natural do homem, Ele o faz trazendo-o à luz de Sua presença e alertando-nos sobre isto. A Palavra de Deus nunca excita a carne ou gera pensamentos pecaminosos.
As crianças também devem ser incentivadas a ler a Bíblia por conta própria. Se as crianças têm idade suficiente para ler, elas têm idade suficiente para ler a Palavra por si mesmas e permitir que o Senhor fale com elas através dela. Dessa maneira, a Palavra de Deus se entrelaça no tecido de nossa vida e, como costumava dizer um irmão mais velho, aprendemos a "pensar na linguagem das Escrituras".
Paz e descanso
Em segundo lugar, o lar Cristão deve ser um lugar de paz e descanso. Vivemos e nos movemos em um mundo de confusão e turbulência, e quase não há trégua. Estamos nos últimos dias. Cada vez mais, o egocentrismo, a cobiça e o ódio do coração natural do homem estão sendo manifestados. Podemos ter que viver e nos mover nesse mundo para obter educação ou ganhar a vida, mas não pode ser permitido que o caráter do mundo invada o lar Cristão. Nosso lar deve ser um refúgio de tudo isso, onde a alma e o espírito são revigorados e restaurados.
Os pais devem liderar tudo isso e promover uma atitude de calma, paz e encorajamento. Coisas como raiva, palavras duras, mau humor, atitudes pecaminosas e irritabilidade devem ser cuidadosamente evitadas. Se fomos maltratados no mundo e tivemos um dia difícil, é fácil levar tudo isso para casa conosco e corromper o ambiente doméstico também. Paulo poderia lembrar aos efésios: "Mas vós não aprendestes assim a Cristo" (Ef 4:20). Estamos começando a ver “o bramido do mar e das ondas” (Lc 21:25 – ARA), referindo-se, sem dúvida, ao estado inquieto e conturbado das nações, mas nosso lar deve ser um porto calmo, livre de tudo isso.
Um local de ordem
Terceiro, o lar Cristão deve ser um lugar de ordem. Deus é um Deus de ordem, e vemos isso antes de tudo na criação, depois em Sua ordenação de Seu povo terrenal no Velho Testamento e, finalmente, em Suas instruções para Sua Igreja. Como as reivindicações de Deus e Sua Palavra foram largamente deixadas de lado, o mundo se tornou cada vez mais um lugar de desordem. Em alguns círculos, até ficou na moda levar um estilo de vida desorganizado e um tanto desleixado, como se isso tivesse mais probabilidade de produzir um resultado adequado. Na verdade, é realmente, pelo menos na maioria dos casos, algo egoísta e manifesta falta de energia para fazer o que é certo. A disciplina é colocada de lado, e o resultado final geralmente é uma atitude indisciplinada em relação a tudo, incluindo assuntos espirituais. Nem todos os bons hábitos vêm naturalmente; eles devem ser cultivados e praticados.
Obviamente, isso pode ser levado ao extremo, o que deve ser evitado. Quando nosso Senhor estava na Terra, Ele teve que dizer a Marta que ela estava “ansiosa e afadigada com muitas coisas", porque "andava distraída em muitos serviços". É possível gastar tanto tempo em um aspecto de nossa vida que acabamos negligenciado algo que é mais importante. No entanto, isso é realmente uma falta de ordem, pois os arranjos adequados em nossa vida levaram em conta as prioridades e tratam com elas de acordo. Tudo isso apenas enfatiza a necessidade de disciplina e ordem no lar. Novamente, isso deve começar com os pais, que devem ensinar por preceito e exemplo, e às vezes por disciplina. Os pais devem lembrar que não podem ensinar aos filhos algo que eles mesmos não aprenderam.
Um lugar de santidade
Quarto, o lar Cristão deve ser um lugar de santidade. Deus nos predisse que no período da tribulação, logo após o Senhor vir e nos levar para casa, os dias serão como os de Noé e Ló, onde luxúria desenfreada, violência e corrupção eram excessivas. Ele também nos deu uma descrição forte dos últimos dias em 2 Timóteo 3:1‑7, uma condição de coisas que levarão ao período da tribulação. Deus não julga a iniquidade até que esteja totalmente madura, e sabemos que a maré de mal neste mundo chegará a um máximo antes que o juízo de Deus caia. Já estamos vendo essa terrível onda de pecado começar a subir e, novamente, é fácil permitir que isso afete nosso lar. Nenhuma família Cristã deseja a maldade do mundo em casa, mas a tecnologia moderna, como televisão, internet, filmes caseiros e outros dispositivos eletrônicos como tablets, todos tendem a trazer o mundo para dentro de casa. Não podemos eliminar totalmente o uso de pelo menos algumas dessas coisas, mas elas devem ser cuidadosamente controladas, percebendo que não é a própria tecnologia que causa danos, mas o uso que o homem faz dela. Quando somos expostos ao mundo dessa maneira, é muito fácil adotar o modo de pensar e falar do mundo – uma atitude que gradualmente nos privará de nosso gozo em Cristo.
Recreação e atividade
Isso nos leva ao nosso quinto ponto – recreação e atividades adequadas para nossa família. É um princípio de Deus que Ele nunca tira algo de nós sem primeiro nos dar algo muito melhor em troca, e deve ser da mesma maneira em nosso lar. As crianças precisam do que nos é mostrado na Escritura como uma figura: o mel. O mel fala da doçura da natureza e, ao longo do Velho Testamento, é apresentado como aquilo que ilumina e encoraja, se tomado com moderação. Quando Israel estava perseguindo os filisteus no tempo de Saul, Saul proibiu qualquer um de provar qualquer coisa até que seus inimigos fossem totalmente derrotados. Jônatas, sem conhecer o decreto, provou um pouco de mel que encontrou e foi revigorado. O resto do povo obedeceu à ordem de Saul, mas depois desonrou o Senhor comendo carne com o sangue, porque estavam desmaiando de fome. Em Provérbios nos dizem: “Achaste mel? Come só o que te basta" (Pv 25:16). Muito mel não é bom para o corpo, e muitas das coisas da natureza podem nos corromper espiritualmente. No entanto, proibir as crianças de terem recreação e o desfrute das coisas naturais também as prejudicará espiritualmente. Estamos mortos para o pecado e para a lei, mas a Escritura nunca diz que estamos mortos para a natureza, e é mais importante lembrar disso com nossos filhos. Os prazeres pecaminosos e mundanos devem ser cuidadosamente evitados, mas as crianças precisam de exercícios e brincadeiras, e os pais devem providenciar isso.
Aos filhos de Israel foi dada a seguinte instrução: “não cozerás o cabrito no leite de sua mãe” (Êx 23:19); isto é, eles não deveriam cozinhá-lo naquilo que foi destinado para seu alimento. Quando impomos a Palavra de Deus às crianças de maneira autoritária e legalista, ou a usamos de maneira que traga morte em vez de alimento, podemos ser culpados de agir no mesmo princípio. Procuremos, de todo modo, aproveitar cada oportunidade para colocar a Escritura diante delas, mas também forneçamos mel em quantidades adequadas. Jogos, passeios e outras atividades divertidas devem envolver os pais, se possível, e talvez outras crianças Cristãs. A Palavra de Deus sabiamente não dá regras sobre tudo isso, pois detalhes devem ser elaborados diante do Senhor, levando todas as nossas circunstâncias em consideração.
Ensinando por preceito e exemplo
Finalmente, o lar deve ser um local de ensino, não apenas por preceito, mas também por exemplo. Os pais devem ler a Palavra de Deus com seus filhos, mas os filhos também devem ser incentivados a ler as Escrituras por conta própria. Os pais devem ensinar aos filhos bons hábitos de trabalho e liderar pelo exemplo, em coisas como ordem, concluir um trabalho iniciado e manter o quarto limpo. Eles devem ser ensinados desde cedo o valor do dinheiro e o uso adequado dele. Os hábitos descontrolados de gastos e o endividamento de muitas sociedades hoje remontam a pais que não ensinaram seus filhos adequadamente, porque eles próprios eram indisciplinados nessa área.
Os pais devem ensinar os filhos a servir a outros. As crianças podem ajudar a cozinhar para outras pessoas menos capazes, e também podem realizar tarefas atenciosas para vizinhos ou amigos idosos. Eles precisam aprender desde cedo que a vida não é "tudo tem a ver comigo”.
No âmbito espiritual, as crianças devem ser ensinadas a evangelizar. Isso pode ser mais fácil para algumas famílias do que para outras, mas em 2 Timóteo 4, Paulo disse a Timóteo: "faze a obra de um evangelista". Cada um de nós deve ser encontrado “retendo a Palavra da vida” em nossa vida cotidiana; os pais ensinarão isso mais por exemplo do que por preceito.
Acima de tudo, uma família Cristã deve ser caracterizada por colocar o Senhor em primeiro lugar em todas as coisas, para que fique claro para todos que entrarem em contato com ela que "Cristo é tudo, e em todos".
W. J. Prost
Coloque Sua Casa em Ordem
"Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16:31). “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4). “Pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos” (2 Co 12:14).
Deus criou a unidade familiar e escolheu abençoar famílias inteiras, não apenas indivíduos. O significado das bênçãos de Deus para toda a família entrou em cena no momento do dilúvio, quando Deus considerou necessário julgar o mundo por causa da violência e corrupção da raça humana. “Depois, disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim nesta geração” (Gn 7:1 – ARC). Foi a fé e a obediência de Noé que foram instrumentos para salvar a casa inteira. Isso é confirmado no Novo Testamento: "Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé" (Hb 11:7). A fé de Noé fez com que ele trabalhasse muitos anos se preparando para o juízo vindouro; não era apenas um bilhete gratuito de fuga entregue a ele por Deus. A fé de Noé o levou a agir; ele preparou uma arca para salvar sua casa. Acaso todo chefe de família sincero que creu no que Deus disse a Noé faria algo para salvar toda a sua família, e não apenas a si mesmo?
Abraão
O segundo exemplo que desejamos considerar nos dá uma visão de por que Deus escolheu revelar Seus caminhos a Abraão e torná-lo um depositário de Suas bênçãos. Ele disse a Abraão: “Porque Eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:19). As bênçãos de Deus são inestimáveis e devem ser tratadas de acordo. Deus não lança suas pérolas aos porcos. Em vez disso, Ele as confia àqueles que O honram no uso delas. Isso inclui transmitir as bênçãos confiadas, da maneira correta, às gerações seguintes. O Salmo 78 afirma de uma forma bela: “Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a Sua força e as maravilhas que fez” (v. 4). Isso é feito com o objetivo de fazer com que cumpram os mandamentos do Senhor, como segue no versículo 7: "Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os Seus mandamentos". Isso só pode ser feito na medida em que andamos em obediência e no bem dessas coisas. Envolve todas as partes de nossa vida, como o Senhor disse a respeito de Abraão: “Ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele”. E então continua dizendo: “para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:19). Temos neste exemplo ampla evidência do que Deus procura naqueles a quem Ele confia Sua bênção. Deve estimular nosso interesse e fortalecer nosso desejo.
O fundamento da graça
Passamos agora a um exemplo na vida de Ezequias, que era um bom rei que confiava no Senhor Deus de Israel como nenhum antes ou depois dele. No entanto, há uma lição a ser aprendida de sua vida, a respeito de seu pedido para que sua vida fosse prolongada. O que vamos observar é possivelmente uma das armadilhas mais fáceis de cair, especialmente para alguém que tem sido usado pelo Senhor em bênção. Quando Isaías disse ao rei Ezequias que pusesse sua casa em ordem, porque ele estava prestes a morrer, ele chorou amargamente e orou ao Senhor para que Se lembrasse de como havia caminhado diante d'Ele em verdade e com um coração perfeito, fazendo o que era bom aos Seus olhos. Foi um apelo ao Senhor baseado em sua caminhada piedosa. Este não é um bom fundamento para se tomar diante de Deus; de fato, é muito arriscado. A graça de Deus é um fundamento melhor sobre o qual interceder com Deus. O Senhor acrescentou quinze anos à sua vida e prometeu livrar Jerusalém das mãos da Assíria por causa de Davi, seu pai. Parece que a referência do Senhor a Davi foi uma maneira de apontar Ezequias para o exemplo de como Davi intercedeu com o Senhor. Não foi com base em sua própria justiça. Em uma ocasião, Davi disse: “Se achar graça nos olhos do Senhor, Ele me tornará a trazer para lá e me deixará ver a ela e a Sua habitação” (2 Sm 15:25). Em outra ocasião ele disse: “Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo uma aliança eterna, que em tudo será bem ordenado e guardado” (2 Sm 23:5). Este é um exemplo de alguém que permanece no fundamento da graça.
Os tesouros
Depois de o Senhor ter restabelecido a saúde de Ezequias, o rei da Babilônia enviou-lhe cartas de condolências por sua doença. Ezequias recebeu os homens e mostrou-lhes todas as riquezas de sua casa. Que loucura para um rei que estava cercado por nações inimigas mais fortes que ele! Uma coisa é tornar públicos os tesouros de Israel em um tempo de grande força como o de Davi e de Salomão, mas outra bem diferente é fazer isso num dia de fraqueza. O profeta Isaías chama sua atenção para o resultado de mostrar seus tesouros a esses visitantes – os tesouros serão levados e seus filhos serão feitos eunucos no palácio da Babilônia. Ezequias, ao mostrar os tesouros, não deu a glória ao Senhor. Ele poderia defender esses tesouros por conta própria? Antes, quando Senaqueribe veio contra Jerusalém, Ezequias intercedeu de maneira tão bela diante do Senhor, reconhecendo sua própria falta de força (2 Reis 19).
A próxima parte da história, embora tão triste, revela uma lição importante para as famílias, pois revela os motivos de Ezequias. "Então disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse mais: E não haverá, pois, em meus dias paz e verdade?" (2 Rs 20:19). Que falta de cuidado com a próxima geração! O egocentrismo não contribui para o fortalecimento de um lar. O que Ezequias disse é muito pior do que o adesivo que diz: "Estou aposentado – gastando a herança de meus filhos". Muito mais em jogo do que dinheiro; a questão envolve o bem-estar moral e espiritual das gerações seguintes. É uma maneira de ensinar que achamos que é correto ser egoísta. Acaso é de admirar, neste caso, que Manassés, filho de Ezequias, não fosse um rei piedoso? Certamente Manassés também deve dar conta de seu próprio fracasso. Além disso, para ser justo em comentar a história, devemos lembrar que Ezequias não tinha a vantagem de um pai piedoso para ensinar-lhe essas coisas. Que cada um de nós, na medida em que vemos estas coisas, as pratique e dê graças ao Senhor por Sua misericórdia conosco, na medida em que somos preservados dessas armadilhas.
Nossas falhas e expectativas
Quantas vezes somos levados a sentir nossa fraqueza e falha ao colocar adequadamente em prática esses princípios em nossa casa! E, junto com isso, com que frequência temos expectativas não cumpridas! Em nossas tentativas de ordenar nossa família, o tempo passa e nem sempre vemos aqueles que estão em nossa casa do jeito que esperávamos. Então podemos ficar desanimados. Estar angustiado por desonra feita ao Senhor mostra um motivo certo, mas é fácil confundir isso com nossos próprios motivos. Vamos ter um espírito contrito e humilde nessas coisas. O Senhor promete habitar com tais (Is 57:15).
O inimigo é sutil em nos confundir, procurando nos fazer pensar que, por causa de nossas falhas, a graça de Deus cessará e nossa casa não será abençoada. Embora seja verdade que colhemos o que plantamos, isso não impede Deus de abençoar de acordo com Suas riquezas em Cristo Jesus. Vamos nos apegar à Sua promessa com fé. Nunca deixemos de confiar em Deus, não importa o que aconteça, pois, ao fazê-lo, estamos deixando o terreno da graça. Considere os do Velho Testamento que reivindicaram bênçãos para sua família e observe com que frequência os que tinham fé em suas famílias falhavam em como agiam. Noé ficou bêbado, Moisés matou um egípcio, Raabe mentiu e David teve uma lista de falhas graves. Sem dúvida, cada uma dessas falhas trouxe consequências governamentais, mas isso não impediu Deus de honrar a fé deles.
Mais uma palavra sobre o cumprimento das expectativas: "Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa" (Hb 10:35-26). Não podemos esperar ver todos os frutos de nosso trabalho nesta vida. Com alguns, como Moisés, Deus os deixa para treinar em Sua escola por um longo tempo. Sem dúvida, os pais de Moisés viram muito pouco de seus desejos realizados em sua vida. O objetivo final nisto não é para nós vermos o fruto agora, mas para que o Senhor o cumpra por Sua causa em Seu tempo. Fazer coisas como recompensa nesta vida não é a melhor opção. O Senhor falou disso a respeito daqueles que buscavam a glória diante dos homens e disseram: "já receberam o seu galardão". Que possamos ser encorajados a confiar no Senhor no que diz respeito a nossa família, "até que o Senhor venha, o Qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor" (1 Co 4:4-5)
D. C. Buchanan
A Necessidade da Palavra de Deus em Nosso Lar
“Tão somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos" (Dt 4:9).
Essas palavras colocam diante de nós duas coisas de importância indizível; ou seja, responsabilidade individual e familiar. O povo de Deus da antiguidade era responsável por manter o coração com toda diligência, para que não deixasse escapar a preciosa Palavra de Deus. E não apenas isso, mas eles também foram solenemente responsáveis em instruir seus filhos e netos. Certamente nós também somos imperativamente chamados a nos dedicarmos à cuidadosa leitura da Palavra de Deus; precisamos fazer da Bíblia nosso estudo supremo e que mais nos envolve.
É de se temer que alguns de nós lemos a Bíblia por uma questão de dever, enquanto encontramos nosso prazer e refrigério no jornal e na literatura leve. [Poderíamos hoje adicionar televisão, Internet e Facebook?] Precisamos nos maravilhar com nosso conhecimento superficial da Escritura? Como poderíamos conhecer alguma coisa sobre as profundezas vivas ou as glórias morais de um volume que meramente consideramos uma questão fria de dever, enquanto, ao mesmo tempo, algo mais é literalmente devorado?
O Senhor disse a Israel: “Ponde, pois, estas Minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos” (Dt 11:18). O “coração”, a “alma”, a “mão” e os “olhos” todos deviam estar dedicados à preciosa Palavra de Deus. Este era um trabalho verdadeiro. Não deveria haver formalidade vazia, rotina estéril. Todo o homem deveria ser entregue em santa devoção aos estatutos e juízos de Deus.
Nosso testemunho
Como Cristãos, entramos em palavras como esta? A Palavra de Deus tem um lugar assim em nosso coração, em nosso lar e em nossos hábitos? Aqueles que entram em nossa casa ou entram em contato conosco na vida cotidiana veem que a Palavra de Deus é primordial conosco? Aqueles com quem fazemos negócios veem que somos governados pelos preceitos da Escritura? Nossos filhos veem que vivemos na própria atmosfera da Escritura e que todo o nosso caráter é formado e nossa conduta governada por ela? É uma ilusão imaginar que a nova vida possa estar em uma condição saudável e próspera, onde a Palavra de Deus é habitualmente negligenciada.
Naturalmente, não queremos dizer que nenhum outro livro, a não ser a Bíblia, deva ser lido, mas nada exige maior vigilância do que a questão da leitura. Todas as coisas devem ser feitas em nome de Jesus e para a glória de Deus, e isso está entre as "todas as coisas". Não devemos ler nenhum livro que não possamos ler para a glória de Deus e sobre o qual não podemos pedir as bênçãos de Deus.
A leitura familiar
O chefe da casa deve refletir seriamente sobre esse assunto. Estamos totalmente convencidos de que em toda casa Cristã deve haver um reconhecimento diário de Deus e de Sua Palavra. Alguns podem, talvez, considerar uma escravidão, uma rotina religiosa, ter leituras e orações familiares regulares. Perguntaríamos a tais objetores: É escravidão da família reunir-se nas refeições? As reuniões de família ao redor da mesa são consideradas um dever cansativo? Certamente que não, se a família é bem ordenada e feliz. Por que, então, deveria ser considerado pesaroso para o chefe de uma família Cristã reunir seus filhos ao seu redor, ler alguns versículos da preciosa Palavra de Deus e proferir algumas palavras de oração diante do trono da graça? Acreditamos que seja um hábito em perfeita conformidade com os ensinamentos do Velho e do Novo Testamento.
O que pensaríamos de um Cristão professo que nunca orou e nunca leu a Palavra de Deus em particular? Poderíamos considerá-lo um Cristão feliz, saudável e verdadeiro? Certamente que não. Agora, se é assim com um indivíduo, como uma família pode ser considerada em um estado correto, onde não há leitura familiar, oração familiar e reconhecimento familiar de Deus ou de Sua Palavra?
De maneira alguma é necessário torná-lo um serviço longo e cansativo. Como regra, tanto em nossa casa quanto em nossa assembleia pública, exercícios curtos, frescos e fervorosos são de longe os mais edificantes.
Pode-se dizer que há muitas famílias que parecem muito particulares em suas leituras e orações matinais e vespertinas, e, no entanto, toda a sua história doméstica de manhã até a noite é uma flagrante contradição de seu assim-chamado serviço religioso. Sob circunstâncias tão dolorosas e humilhantes, o que é a leitura familiar? Infelizmente é uma formalidade vazia; ao invés de ser um sacrifício matutino e vespertino, é uma mentira matutina e vespertina.
Para a glória de Cristo
Deveríamos medir tudo em nossa vida privada, em nossa economia doméstica, em nossa história diária, em todas as nossas interações com os outros e em todas as nossas transações comerciais com esse padrão – a glória de Cristo. Nossa única grande pergunta deve ser: "Isso é digno do santo nome que é colocado sobre mim?" Caso contrário, não vamos tocá-lo; vamos dar as costas a isso com uma decisão severa e fugir disso com energia sagrada. Não vamos ouvir nem por um momento a pergunta desprezível: “Que mal há nisso?” Nenhum coração verdadeiramente dedicado jamais cogitaria tal pergunta. Sempre que você ouvir alguém falando assim, poderá concluir imediatamente que Cristo não é o Objeto governante do coração.
Todos nós precisamos muito considerar nossos caminhos – olhar bem para o estado real de nosso coração quanto a Cristo, pois aqui reside o verdadeiro segredo de toda a questão. Se o coração não é fiel a Ele, nada pode estar correto na vida privada, na família ou na assembleia – nada em qualquer lugar. Mas se o coração é fiel a Ele, tudo ficará bem. Certamente o amor a Cristo é a grande salvaguarda contra toda forma de erro e mal. Um coração cheio de Cristo não tem espaço para mais nada, mas se não houver amor por Ele, não há segurança contra o erro mais grosseiro ou a pior forma de mal moral.
C. H. Mackintosh (adaptado)
Caráter da Família
Aprendemos na Escritura que a família de Sem se tornou muito corrupta nos dias de Terá, a sexta ou sétima geração de Sem; eles estavam servindo deuses falsos. Mas o poder do Espírito e o chamado do Deus da glória foram ouvidos pelo coração de Abrão, filho de Terá, e o separaram dessa corrupção.
Também sabemos que uma influência piedosa se estendeu disso para outros membros da família. Terá, o pai, Sara, a esposa, e Ló, o sobrinho, se juntam a Abrão nisso, e todos eles deixam a terra da Mesopotâmia juntos. O irmão de Abrão, Naor, não entrou nessa influência. Ele e sua esposa continuam na Mesopotâmia e prosperam lá. Os filhos nascem para eles; seus bens e propriedades aumentam. Eles buscam uma vida fácil e respeitável, mas não crescem no conhecimento de Deus e não dão testemunho, ou apenas um testemunho indistinto.
O caráter da família de Naor foi assim formado. Eles não estavam em trevas e corrupção grosseiras, como os descendentes de Cam em Canaã, entre os quais Abrão agora tinha ido peregrinar. Eles tinham uma medida de luz derivada de sua conexão com Terá e Abrão, e como descendentes de Sem. No entanto, tudo isso foi tristemente obscurecido pelos princípios do mundo que haviam cultivado dos quais eles se recusaram a se separar, e um caráter de família foi formado.
A energia revigorante do Espírito
Betuel foi um dos filhos de Naor, e o mais destacado. Ele floresceu no mundo e teve um filho chamado Labão, que evidentemente sabia como administrar bem seus negócios. Ele parece ter conhecido o valor do dinheiro, pois a visão de ouro podia abrir sua boca com uma recepção muito calorosa e religiosa, até mesmo a um estranho (Gênesis 24). Aqui chegamos a um período significativo na história dessa família.
Uma nova energia do Espírito está prestes a visitar esta família. Eles foram trazidos a uma certa medida de luz. Agora, nos convém seriamente notar a natureza dessa visitação do Espírito, pois será encontrado um poder ou uma visitação que separa. Assim como o chamado do Deus de glória havia perturbado o estado das coisas na casa de Terá, então agora a missão de Eliezer perturbava o estado das coisas na casa de Betuel. Abrão havia sido separado de casa e parentes, e assim Rebeca também deve ser agora. Isso deixa a séria impressão de que uma família respeitável e professante talvez precise ser visitada pela mesma energia do Espírito como uma família mais mundana ou idólatra precise. O ministério de Eliezer, servo de Deus, assim como o de Abrão, veio à casa de Betuel para tirar Rebeca dela e conduzi-la naquela mesma jornada que, duas gerações antes, o chamado do Deus de glória levara Abrão. Uma família professante e decente pode ter que ser despertada e um novo ato de separação produzido no meio dela.
Caráter e mentalidade
Mas há outra lição nesta história à qual eu chamaria sua atenção. Rebeca aparece à chamada do servo de Abrão, mas um caráter já havia sido formado previamente, como acontece com todos nós, mais ou menos, antes de sermos convertidos. Podemos ouvir o chamado e o poder de separação do Senhor, mas o caráter e a mente derivados da natureza, da educação ou dos hábitos familiares que levamos conosco depois que nascemos do Espírito, e eles podem nos seguir da Mesopotâmia até a casa de Abrão.
Eu preciso apenas falar brevemente do que aconteceu; A história de Rebeca revela, de maneira triste, o que podemos chamar de caráter familiar. Labão, seu irmão com quem ela havia crescido, era um homem astuto, sagaz e mundano, e a única grande ação na qual Rebeca foi chamada a participar, dá ocasião a ela exercitar os mesmos princípios. Na obtenção da bênção para seu filho Jacó, vemos esse fermento de Labão trabalhando poderosamente. Sua mente estava muito pouco acostumada a repousar na suficiência de Deus e muito viciada em calcular e depositar suas esperanças em suas próprias invenções.
Nós também devemos vigiar contra a tendência peculiar de nossa própria mente e repreender severamente a natureza, para que sejamos sãos ou moralmente sadios na fé (Tt 1:13). Não devemos desculpar essa tendência de nossa natureza, mas, sim, mortificá-la por causa d’Ele, que nos deu outra natureza.
Essas lições aprendemos da história dessa distinta mulher. Além disso, seu caminho não é muito rastreado pelo Espírito. Ela colhe nada além de decepção com a semente que plantou. Ela perde seu filho favorito, Jacó, e nunca mais o vê depois que seus próprios planos e artifícios terminaram em seu longo exílio.
O caráter de Jacó
Mas tem mais; Jacó teve sua mente formada pela mesma influência antiga. Ele foi todos os dias um homem de coração lento e calculista. Seu plano em obter a primogenitura primeiro e depois a bênção, sua confiança em seus próprios arranjos, e não na promessa do Senhor, quando conheceu seu irmão Esaú, e sua permanência em Siquém e seu estabelecimento ali em vez de seguir a vida de um peregrino na terra como a seus pais – tudo isso revela a natureza e a operação do velho caráter da família. Quão importante é observar as primeiras sementes semeadas no coração!
O nascimento de Esaú e Jacó nos é dado no final de Gênesis 25 e, à medida que crescem, surge uma ocasião para observarmos a cena da família, que é realmente humilhante. Essa era uma das famílias de Deus na Terra naquela época – a mais distinta, na qual estavam as esperanças de todas as bênçãos para toda a Terra e onde o Senhor havia registrado Seu nome. Mas o que vemos? Isaque, o pai, havia afundado na corrente de desejos humanos; ele amava seu filho Esaú, porque comia sua carne de caça! Esaú, como filho da família, tinha o direito ao cuidado e provisão da casa, mas que Isaque o fizesse seu favorito porque ele comia sua carne de caça era, de fato, algo triste. Acaso não vemos aqui mais uma ilustração do nosso assunto? Isaque foi criado com ternura. Ele nunca esteve longe de sua mãe; ele era filho de sua velhice. Sua educação talvez o tenha feito brando demais, e ele aparece diante de nós como um homem brando e dado à complacência própria.
Que triste mal se abre diante de nossos olhos nesta cena familiar! Estaremos dizendo demais ao afirmar que um dos pais estava alimentando a natureza em um dos filhos, e o outro dos pais no outro filho? O amor de Isaque pela carne da caça pode ter encorajado Esaú na perseguição, pois a esperteza de Rebeca, trazida da casa de seu irmão em Padã-Arã, parece ter formado a mente e o caráter de seu filho favorito, Jacó. Que tristeza e causa de humilhação vemos aqui! Esta é uma família de fé? Esta é uma família temente a Deus? Sim, Isaque, Rebeca e Jacó são filhos da promessa e herdeiros do Seu reino, mas deram precedência a seus próprios desejos ao invés de agir com fé e obediência às promessas de Deus.
As consequências
Em outro momento e em outras ações, essa família nos deleita e nos edifica. Veja Isaque na maior parte do capítulo 26; sua conduta é totalmente digna de um estrangeiro celestial na Terra. Ele sofre e suporta pacientemente, e seu altar e sua tenda testemunham seu caráter santo e não terrenal. O mesmo acontece com Rebeca no capítulo 24; em fé, ela consente em atravessar o deserto sozinha com um estranho, porque seu coração estava colocado no herdeiro das promessas. Mas aqui no capítulo 27, que vergonha enche a cena, e ficamos corados e confusos ao ver que herdeiros da promessa e filhos de Deus pudessem se comportar assim!
Mas resta-nos ver a graça assumindo o seu elevado e triunfante lugar e posição. Isaque perde o seu intento quanto a Esaú, Rebeca tem que se separar de Jacó, e o próprio Jacó, em vez de obter o direito de primogenitura e a bênção à sua maneira, tem que sair como um exilado, sem um centavo, do lugar de sua herança. O único salário do pecado é a morte, mas a graça toma seu lugar elevado e resplandece através da ardente santidade de Jeová.
Jacó, filho e herdeiro, tem que se deitar sozinho, sem cuidados algum, sem abrigos, tendo as pedras do lugar como seu único travesseiro. Mas a graça está preparando um descanso glorioso para ele; ele ouve a voz do maravilhoso amor e lhes são mostrados mundos de luz neste lugar de solidão e trevas. Ele se vê a si mesmo, apesar de tão errante, tão pobre e tão vil, assim associado a uma glória que tudo premeia, cheia de misericórdias e consolações presentes. A santidade da graça ainda o deixa errante, mas as riquezas da graça lhe dirão o consolo presente e as futuras glórias seguras.
Existe então algo como o caráter familiar, e a lembrança disso, quando estamos tratando com nós mesmos, deve nos deixar vigilantes e zelosos de todos os nossos hábitos e tendências peculiares. Quando estamos tratando com outras pessoas, isso deve nos tornar atenciosos e com um espírito intercedente, lembrando que existe uma força de hábitos e educação antigos operando mais ou menos em todos nós. Mas não devemos esquecer que, se um certo caráter familiar se apega a nós ou hábitos com os quais o nascimento nos conectou, também devemos desenvolver o caráter com o qual nosso nascimento e educação na família celestial nos conectaram desde então.
J. G. Bellett (adaptado)
Ó Casa Feliz!
Ó, casa feliz! Onde Tu és amado acima de tudo,
Ó Senhor, tão cheio de amor e graça;
Onde jamais se encontra Hóspede tão bem-vindo e honrado;
Onde ninguém jamais poderá ocupar o Teu lugar;
Onde todo coração se dirige ao Teu encontro;
Onde todo ouvido escuta a Tua Palavra;
Onde todo lábio Te saúda com bênção;
Onde todos aguardam o seu Senhor.
Ó, casa feliz! Cujos pequeninos são entregues
Cedo a Ti em fé e oração,
A Ti, seu Senhor, que das alturas do céu
Os guarda com mais cuidado do que o de uma mãe;
Ó, casa feliz! Onde pequenas vozes
Amam levantar suas ações de graças,
E a língua infantil se alegra
Em trazer novas canções de amor e louvor.
Ó, casa feliz! E feliz servidão!
Onde todos igualmente reconhecem um só Mestre;
Onde o dever diário, seguido em Tua força,Nunca é tido por árduo ou penoso;
Onde cada um Te serve, humilde e manso,
Qualquer que seja a Tua missão,
Até que as tarefas comuns pareçam grandiosas e santas,
Quando são feitas como se fossem para Ti.
Ó, casa feliz! Onde Tu não és esquecido,
Quando a alegria flui plena e livre;
Ó, casa feliz! Onde toda ferida é trazida,
Médico, Consolador para Ti;
Até que, enfim, o trabalho dos dias na Terra termine,
Todos Te encontrem naquele lar celestial,
De onde vieste; agora ascendeste,
Ao Teu céu de glória e de amor!
Spitta
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”
Atos 16:31




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