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Aos Pais de Meus Netos - Parte 2



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ÍNDICE


 

Ismael


Antes de considerarmos a notável história de Jacó, gostaria de me voltar por um momento para Ismael; a um daqueles raios dourados da graça de Deus que estão ocultos ao leitor casual. Sabemos pouco de Ismael. Ele tinha, talvez, quinze ou dezesseis anos quando zombou de seu irmão mais novo, Isaque, que foi a causa de sua mãe e ele mesmo terem sido expulsos de sua casa paterna para se tornarem errantes, sem lar, sedentos. Você se lembra do desespero de Agar quando ela colocou o menino debaixo de uma das arvores e sentou-se a uma boa distância: pois ela disse: “Que não veja eu morrer o menino”; e ela assentou-se adiante dele, e levantou a sua voz e chorou. (Gn 21:16).


E o menino? Também ele evidentemente levantou a voz: não para chorar, mas em ira. Ele deveria ser um homem bravio (Gn 16:12) e talvez fosse um “menino bravo”, mas não havia vivido todos aqueles anos com seu querido pai, sem aprender algo sobre o valor da oração. E, de fato, você se lembra que o nome dele significa “Deus ouvirá”. Lembremo-nos disso e tenhamos em mente que Ismael provavelmente estava com ciúmes daquele menino que, em seu lugar, havia se tornado o “herdeiro de tudo”; e teria sido quase além do natural se sua reação não fosse assim. Lembrando-nos dessas coisas, é particularmente gratificante encontrar Ismael com Isaque enterrando seu pai (Gn 25:9). Certamente podemos ver que Deus estava trabalhando em seu coração.


Ismael e sua mãe podem ter sofrido muito por causa de sua expulsão daquele rico lar de sua infância, e havia muitos motivos para amargo arrependimento por seus pecados passados. Quão maravilhoso é, então, descobrir que o nome da filha de Ismael, Maalate (Gn 28:9) significa “PERDOADO”! (veja Dr. Edersheim). Essa menina provavelmente foi criada em circunstâncias muito diferentes daquelas que cercaram a infância de seu pai, e tudo por causa de seu pecado. Mas toda vez que ele olhava para ela, ele se lembrava novamente de que tudo estava perdoado. Existem muitos nomes graciosos para crianças nas Escrituras do Velho Testamento; mas não conheço nenhum que supere em beleza o nome da filha de Ismael, “Maalate”.


E isso não é tudo. Será que o coração de Ismael às vezes doía por seus filhos terem sido criados em um lar tão diferente daquele que ele desfrutou quando criança? Por meio da maravilhosa graça de Deus, encontramos em Gênesis 28:9 que esta mesma filha de Ismael, Maalate, é como uma noiva, trazida de volta ao lar que seu pai havia perdido por causa de seu pecado. Para mim, isso é encantador além de quaisquer palavras. Quem pode dizer o valor dessa palavra “PERDOADO”, senão aquele que conheceu algo de sua doçura pela amarga experiência do pecado? Mas quão duplamente doce, quando a restauração ao lugar perdido, segue o perdão. Que Ismael e Maalate consolem e encorajem você, como já me confortaram e encorajaram! Mas mesmo isso não é tudo. Esaú e Maalate tiveram um filho pequeno a quem chamaram Reuel. E Reuel, dizem-nos, significa “O amigo de Deus”. Este, você se lembra, é o lindo nome que Abraão, o bisavô do bebê, tinha. (Veja Tg 2:23; Is 41:8; 2 Cr 20:7). Para mim, é muito doce que eles tenham escolhido esse nome para seu filho.


O perdão que levou Ismael a chamar sua filhinha de “Perdoada”, tem sido chamado de “Perdão Restaurador”, pois mostrou que o Grande Pastor havia restaurado sua alma. O perdão que deu àquela filha o próprio lar que ele havia perdido por causa do pecado foi chamado de “Perdão Governamental”: mostrando que Deus, em Seus tratamentos governamentais, remiu a sua filha do castigo que ele sofreu por seu pecado. Há um terceiro perdão: um perdão que vem primeiro para o crente: o “Perdão Eterno” de Deus. É bom entendermos que, nos tratamentos de Deus com Seu povo, o perdão, deve ser visto nesses três aspectos. Será que não poderíamos esperar que ele tenha recebido o perdão eterno, bem como restaurador e governamental, visto que Ismael também era filho de Abraão (veja Lucas 19:9)? Mas embora pareça que Ismael recebeu toda essa graça de Deus: precisamos lembrar que ele era o avô de Amaleque, de quem “jurou o SENHOR, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração”. Não podemos pecar levianamente contra Deus e Seu povo sem que o resultado seja frutos muito amargos.


“Culpado”


Culpado! Foi assim que ficou o veredicto,

Culpado! Sim, culpado diante do meu Deus:

Culpado! Em pensamento, palavra e ação:

Culpado, Já condenado!


Culpado! Sem uma palavra a dizer,

Culpado! Sem um centavo para pagar,

Culpado! E irremediavelmente fora do caminho,

Sim, Culpado, Já Condenado!


“Perdoado”


Perdoado! Ó Alegria! Então o documento diz,

Perdoado! É apenas o que um culpado precisa,

Perdoado! Meus pensamentos, minhas palavras, minhas ações,

Perdoados pelo próprio DEUS!


Perdoado! Embora eu não tivesse nada a dizer,

Perdoado! Sem um centavo para pagar,

Perdoado! Embora irremediavelmente fora do caminho,

Sim, perdoado pelo próprio DEUS!

 

Esaú


Uma das histórias mais tristes e solenes de toda a Bíblia é a de Esaú. Ele era filho de Isaque, um dos mais honrados dos patriarcas. Ele tinha cerca de quinze anos quando seu avô, Abraão, morreu, e, quando era menino, deve ter sido muito influenciado por aquele que é o ‘Pai dos Fiéis’. Ele era o gêmeo mais velho de Jacó, a quem Deus mostrou tal graça indizível, e a Esaú pertencia a primogenitura e a bênção. Ele viu e conhecia o valor que seu avô, seu pai e seu irmão atribuíam às promessas de Deus: mas para ele elas pareciam não significar absolutamente nada: e ele “por um manjar [uma refeição – AIBB], vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb 12:16). Ele parece ter sido um homem totalmente desprovido de fé. O que ele não podia ver, não tinha valor aos seus olhos. As Escrituras o chamam de “profano”, e dele se diz: “Amei a Jacó, e odiei a Esaú” (Ml 1:2-3 – ACF). Eu sei que ele ilustra “o propósito de Deus, segundo a eleição” (Rm 9:11), mas não duvido que possamos traçar a razão para isso na própria conduta de Esaú. Desprezou as promessas de Deus, e “querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou” (Hb 12:17).


Você se lembra de que Esaú planejou matar seu irmão, e o que parece ter sido mais doloroso aos olhos de Deus foi o ódio implacável que a semente de Esaú nutria pela semente de Jacó, que era o povo de Deus. No entanto, podemos ver o anseio do coração de Deus sobre esses descendentes de Esaú, pois em Deuteronômio 23:7, Ele diz: “Não abominarás o edomita, pois é teu irmão”. Apesar de toda a rebeldia e pecado de Esaú e sua semente, o Senhor ainda quer que Israel se lembre da reivindicação fraternal que Edom tinha sobre eles. Mas mesmo essa graça foi desprezada e rejeitada, e o Senhor teve que dizer a Edom: “Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre” (Ob 1:10).


Nós, que somos pais Cristãos, devemos lembrar de que a indulgência própria na questão de comida parece ter sido o início da queda de Esaú, e já observamos que esse é o próprio pecado em que seu pai caiu. Quão indescritivelmente triste se em um dia vindouro for revelado que o exemplo de seu pai levou Esaú ao que veio a ser sua ruína! Que o Senhor nos guarde, pois não podemos nos guardar!


Mas devemos lembrar de que o mau exemplo de Isaque não diminui a responsabilidade de Esaú, nem o desculpa por não seguir a fé de seu pai, nem diminui o julgamento de Deus sobre ele. Para entender a severidade desse julgamento, devemos ir aos Profetas. Encontramos todo o livro de Obadias ocupado com isso, e frequentemente isso é referido nos outros profetas: veja, por exemplo, Jeremias 49:7-22. Edom será “exterminado para sempre” e “Será como a destruição de Sodoma e Gomorra e dos seus vizinhos, diz o SENHOR; não habitará ninguém ali” (Jr 49:18). Quando o resto do mundo estiver se regozijando, Edom ficará totalmente desolado.


Esaú e seus descendentes nos lembram filhos de pais Cristãos, filhos que recusaram o Evangelho. Eles tiveram o “direito de primogenitura” da salvação, mas o desprezaram. Eles ouviram e conheceram as benditas promessas de Deus e as rejeitaram. Eles tiveram avós, pais, irmãos ou irmãs, a quem viram dar grande importância àquilo que estes recusaram. Em alguns casos, infelizmente, eles se tornaram muito amargos com o povo de Deus: talvez com alguma razão: que motivo Esaú tinha para ser amargo com seu irmão! Mas isso não o desculpou.


Escrever tais palavras é mais doloroso do que posso dizer: mas que este triste exemplo traga a nós que temos filhos rebeldes, mais seriamente em oração diante de Deus em favor deles. E se os olhos de tal criança caírem nesta página, lembre-se de que a misericórdia de Deus ainda roga a você, e ainda há um caminho "para casa”. Será que é tão difícil dizer: “Pai, pequei...?

 

Jacó


A história de Jacó está cheia de lições profundamente instrutivas. Do começo ao fim, parece que vemos escrito sobre ele: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Ele enganou seu pai e trapaceou seu irmão. Por sua vez, ele foi enganado e trapaceado por seu sogro e, posteriormente, por seus próprios filhos. Mas tudo isso apenas faz com que a graça de Deus para ele brilhe ainda mais.


Você deve ter notado quanto espaço no livro de Gênesis o Espírito de Deus ocupa com a história de Jacó. E acho que nosso espírito intuitivamente se regozija por isso. Jacó é tão parecido com nós mesmos que nosso coração continuamente ecoam: “Este pode ser eu mesmo!” Os fracassos, a obstinação, os planos, a falta de fé, o desvio para o mundo, são, infelizmente, caminhos muito bem conhecidos por alguns de nós. E é por esta razão que nos regozijamos que nosso Deus tão constantemente fala de Si mesmo como “o Deus de Jacó”, e tão raramente como “o Deus de Abraão”. Veja, por exemplo, os Salmos 20:1; 24:6; 46:7, 11; 75:9; 76:6; 81:1, 4; 84:8; 94:7; 114:7; 146:5 e compare-os com o Salmo 47:9; Observe que 12 vezes encontramos nos Salmos: “O Deus de Jacó”, e uma vez “O Deus de Abraão”. E lembremo-nos de que “Jacó” significa “Trapaceiro”, “Enganador”, enquanto “Abraão” significa “O pai de muitas nações”.


Não devo tomar o tempo seguindo Jacó em toda a sua mais interessante história. O travesseiro de pedra onde o Sol se pôs, com mais de vinte anos de trabalho árduo antes de lermos sobre o amanhecer do Sol mais uma vez, e todos os sofrimentos em Harã. Tudo é claramente fruto de seu pecado contra seu pai e seu irmão. Também não podemos esquecer que Jacó tem duas esposas e duas concubinas, uma condição muito diferente de seu pai ou de seu avô. Ainda em Harã, vemos Rúben, seu primogênito, ainda criança, sendo envolvido numa negociata, onde somente o amor deveria entrar. Não é de admirar que esse mesmo filho, mais tarde na vida, manifeste sua falta de respeito por esses assuntos santos, deitando-se com Bilha, a concubina de seu pai. Esse único ato custou a Rúben seu direito de primogenitura, e mais ainda, custou a Jacó a mais amarga dor. Em Gênesis 49:45, perto do fim de sua vida, o horror desse ato perverso e impuro parece ser mais real e terrível para ele do que naqueles dias anteriores, quando Jacó seguia de longe, em vez de andar com Deus, como ele parece ter feito durante os últimos anos de sua vida. E, em certo sentido, é assim que deveria ser. É verdade que os pecados são perdoados, estão todos cobertos, somos justificados: e quando é Deus Quem justifica, quem é que condena? “O acusador de nossos irmãos” está muito ansioso para lançar esses antigos pecados contra nós e nos lembrar deles: mas graças a Deus, temos Um para nós, que está sempre pronto para dizer: “O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o Senhor... te repreenda; não é este um tição tirado do fogo?” (Zc 3:2 – ACF). E, no entanto, por tudo isso, o horror desses antigos pecados deve se tornar maior, pois sabemos melhor o que eles custaram ao nosso Redentor.


Abraão e Isaque eram peregrinos. Eles tinham sua tenda e seu altar. A única terra em Canaã pertencente a qualquer um desses patriarcas era apenas um túmulo; e Jacó deveria ter seguido seus passos, mas em Gênesis 33:17, 19 o encontramos construindo uma casa e comprando um terreno. Isso mostra uma mente muito diferente de seu pai e de seu avô. Nem sempre é fácil e agradável percorrer o caminho do peregrino. Aquele que disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8:20; Lc 9:58), nunca encontrou um lugar neste mundo para reclinar aquela santa cabeça, até que na cruz Ele dissesse: “está consumado” e inclinou Sua cabeça. (É a mesma palavra no Testamento Grego e estas são as únicas vezes que é usada desta forma no Novo Testamento). Já houve alguém que tenha trilhado esta Terra, em Quem o caminho do Peregrino brilhou tão intensamente? Todo homem pôde ir para sua própria casa, mas Jesus foi para o Monte das Oliveiras; pois Jesus não tinha um lar aqui para onde ir.


Jacó parece ter se cansado do caminho do Peregrino e cedeu à tentação de se estabelecer e construir um lar. E qual foi o fruto dessa ação? Sua filha Diná saiu para ver as filhas da terra. Tendo seu pai se estabelecido no mundo, em vez de ser um peregrino celestial que passa por ele, o que seria mais natural do que sua filha desejar ser amiga do mundo? O resultado triste e vergonhoso todos nós conhecemos. Quem poderia imaginar que a troca de uma tenda por uma casa pudesse render frutos tão amargos? Ainda assim é, e em nossos dias, a amizade do mundo ainda é inimizade com Deus, e se nos estabelecermos neste mundo e perdermos o espírito de um peregrino, dificilmente poderemos culpar nossos filhos se eles buscarem a amizade de aqueles entre os quais estabelecemos nosso lar.


A desonra ao nome de Deus, o horror e a vergonha de tudo isso, mesmo anos depois, vêm sobre a alma de Jacó, no capítulo 49 de Gênesis, com muito mais força do que parecem ter feito no momento do pecado, e ele clama: “Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; eu os dividirei em Jacó e os espalharei em Israel” (Gn 49:7). Levi foi espalhado em Israel como punição por aquele terrível pecado cometido séculos antes em Siquém. Mas agora, para nosso encorajamento, veja a graça de Deus. A própria punição, a dispersão em Israel, torna-se uma bênção indescritível. Esta tribo é escolhida para se aproximar de Deus, e eles estão espalhados em Israel com o resultado de que o conhecimento de Deus e Sua Palavra por meio deles também possam ser igualmente espalhados em Israel. Mais uma vez Ele fez com que a ira do homem pudesse louvá-Lo; e mais uma vez, “do comedor saiu comida”. Que encorajador!


Não devemos deixar de considerar Jacó e seus filhos sem notar a graça que deu ao pobre e fracassado Jacó um filho como José! Não me lembro de nenhuma falha registrada contra José. Quão podemos agradecer a Deus e ter coragem, ao vermos, repetidas vezes, Sua graça sobrepujando nossos pecados. É justamente com esta graça que nós, pais, devemos contar hoje. E a história de Jacó é a história dessa graça do começo ao fim.


“Jacó”


“Eis que estou sempre contigo!”

Comigo, cujo nome é “trapaceiro”?

Ó Senhor, isso não poderia ser!

Com Isaque, sim, meu Pai!

Mas nunca, Senhor, comigo!

Sim, “Eu estou sempre contigo!”


“Eu sempre te protegerei com segurança!”

Guardar a mim que roubei meu irmão?

Aquele que agora foge por sua vida!

Guardar a mim, ao que eles chamam de “enganador”?

Tu nunca, Senhor, me guardarás!

Sim, “Eu te guardarei em segurança!”


“E para tua casa eu te levarei!”

Levar a mim, “o verme chamado Jacó”?

Ó Senhor, que assim seja!

“E te darei comida e vestimentas,”

Então Tu serás meu DEUS!

Sim, “Para a tua casa Eu te levarei!”


"Jamais te abandonarei!"

Nem nunca te abandonarei

Sou o Deus de Jacó para sempre

Essas bênçãos cada um pode receber

Eu digo a cada crente –

"Não, jamais te abandonarei”

 

Anrão e Joquebede


Passemos a Anrão e Joquebede, pais de Moisés. Que história encantadora está no segundo capítulo de Êxodo. A esposa parece ter sido o espírito que move a cena aqui, e talvez isso não seja de se admirar, já que Joquebede era tia de Anrão (Êx 6:20). Mas não há nenhuma sugestão de que Anrão não tenha seu lugar de direito naquela pequena casa no Egito. Hebreus 11:23 nos diz: “Pela fé, Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei”. Aqueles de nós que viveram em uma terra dominada por um inimigo hostil podem apreciar melhor a magnífica coragem deste devotado casal, quando não temeram o mandamento do rei. Foi uma prova de sua fé; mas sabemos que era “muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo” (1 Pe 1:7). E como Deus honrou a fé deles! Cada um de seus três filhos tornou-se um de Seus próprios servos honrados.


Que ânimo para os pais hoje, tomar uma posição ousada ao lado do Senhor por seus filhos, contar somente com Ele e não temer ninguém. Certamente Ele ainda honrará tal fé hoje, assim como a honrou nos dias de Anrão e Joquebede.


Mas Joquebede nos ensina outra lição encantadora. Faraó ordenou a todo o seu povo, dizendo: Todo filho que nascer lançareis no rio. Joquebede obedece ao rei. Ela reconhece que a ordem do rei se aplica a seu filho, e ela o lança no rio: mas escondido em uma arca, para que nenhuma gota daquelas águas da morte pudesse tocá-lo. E Deus honra ricamente sua fé. Todos vocês conhecem a história. A filha do rei o acolhe, e a irmã do bebê corre para “chamar uma ama”, que nada mais é do que a própria mãe da criança. Com que gozo ela toma aquele pequenino dos braços da filha do rei: agora não para si mesma, mas para aquela pessoa que o salvou:


Assim é conosco. Todo pai Cristão tem o privilégio de reconhecer que o filho que Deus lhes deu está sob a sentença de morte. Ele pode colocar a criança naquelas águas da morte: reconhecendo que é aqui que a criança pertence: mas Outro passou por essas águas antes: e agora Aquele com Quem contamos para salvar nossos filhos, nos devolve a criança, dizendo: “Leva este menino e cria-Mo; Eu te darei teu salário”. Não é mais nosso. Aquele em cujas mãos o colocamos, o aceitou e agora o devolve para que o criemos para Si mesmo, na disciplina e admoestação do Senhor. Isso não significa que cada criança não precise de uma fé salvadora pessoal para si: mas, à maneira de Deus, confessamos que a criança está sob a sentença de morte: e temos o privilégio de contar com o Senhor que passou por aquelas águas profundas, para salvá-la. Recebemos a eles de volta de uma nova maneira, não mais como nossos, mas pertencendo a Ele para “criar” para Ele; e que rico salário Ele paga, se realmente procurarmos fazer isso para Ele mesmo.

 

Faraó


Dificilmente podemos ignorar a referência aos pequeninos que Faraó queria que ficassem no Egito (Êx 10:10). Foi um verdadeiro coração de pai que respondeu: “Havemos de ir com nossos meninos e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, e com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir”. Quantos pais estão contentes em estar eles mesmos fora do Egito, mas satisfeitos em deixar seus filhos permanecerem ali. Que Deus dê a nós, pais, a graça de fazer um corte bem delimitado entre o mundo e nossos filhos, assim como entre o mundo e nós mesmos e tudo o que possuímos.


O terrível julgamento que custou a Faraó a vida de seu filho mais velho foi inteiramente o resultado de sua incredulidade. Se os olhos de algum pai incrédulo percorrer esta página, que você possa fazer uma pausa e considerar, antes que seja eternamente muito tarde, o preço que seus filhos podem ter que pagar por sua incredulidade.


Antes de continuarmos a considerar a família de Arão, vamos parar por um momento e dar uma olhada na vida familiar no Egito, nos anos anteriores à época em que Israel deixou aquele lugar. Vemos Moisés em seu zelo natural defendendo sua própria nação contra seus opressores, pois “ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam” (At 7:25). Evidentemente, a expectativa de libertação encheu o coração de Moisés quarenta anos antes de chegar a hora de Israel deixar o Egito. De fato, pode ser que o Espírito de Deus estivesse despertando o coração de muitos em Israel nessa época, e os levando ao Deus de seus pais. Se lermos os nomes daqueles que eram “os chamados da congregação” (1:6) em Números e lembrarmos que “El” significa “DEUS”, não podemos deixar de ficar impressionados com o número de nomes dos quais “El” fazia parte. Por exemplo, em Números 1:5, Elizur significa “Deus é minha rocha”; versículo 6, Selumiel significa “Amigo de Deus”; versículo 8, Natanael significa “Dado de Deus”; versículo 9, Eliabe significa “Meu Deus é Pai”. E assim podemos continuar.


Esses homens nasceram muitos anos antes da libertação do Egito e, embora seus pais fossem pessoas piedosas, cuja esperança estava verdadeiramente em Deus, eles tiveram uma longa espera e, sem dúvida, muitos deles morreram, antes que a esperada libertação aparecesse. E há uma lição profundamente importante para nós nessa espera. Somos por natureza tão impacientes. É tão difícil para nós esperar. Nossa expectativa está em Deus e, se for da Sua vontade, Ele a cumprirá; mas muitas vezes Ele nos permite esperar muito, antes de transformar nossa expectativa em realidade. Que encorajamento para continuar a orar e continuar a esperar. Jacó podia dizer: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32:26); e em Oseias 12:4 o Espírito de Deus nos dá Seu comentário sobre este ato: “Como príncipe, lutou com o anjo e prevaleceu; chorou e lhe suplicou”. Nós facilmente nos cansamos da espera e “deixamos ir”. A urgência do desejo passa de nós, como aconteceu com Moisés; e quando finalmente chega a ordem de ir e fazer exatamente o que ele havia tentado fazer quarenta anos antes, ele quase se recusa a ir. Mas aqueles quarenta anos não foram anos perdidos, e agora ele vai na força do Senhor, ao passo que antes ia na sua própria força. E descobriremos que os cansativos anos de espera não foram anos perdidos, mas sim que Deus nos ensinou lições neste tempo de espera, que não poderiam ter sido aprendidas de outra maneira.

 

Arão


Vamos nos voltar para a família de Arão. Ele teve quatro filhos: Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Em Levítico, capítulos 8 e 9, temos um relato muito interessante e solene da consagração de Arão e seus quatro filhos. Eles foram levados ao lugar mais próximo de Deus do que qualquer outro em Israel; nenhum outro jovem possuía os privilégios que lhes foram concedidos.


Não apenas por parte de pai eram filhos do Sumo Sacerdote, mas por parte de mãe eram sobrinhos do Príncipe de Judá, a tribo real.


O capítulo 9 de Levítico termina com a culminação gloriosa de todos os oito dias de cerimônias de consagração: “o fogo saiu de diante do SENHOR e consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar; o que vendo todo o povo, jubilou e caiu sobre as suas faces”.


Quão terrivelmente triste é descobrir logo nos primeiros versículos do próximo capítulo que Nadabe e Abiú se aventuram a oferecer ao Senhor “fogo estranho”. E qual foi o resultado? “saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR”. O ato deles pode ter sido devido à embriaguez, a julgar pelo versículo 9 do capítulo 10; mas disso não podemos ter certeza. Que julgamento rápido e terrível para aqueles no lugar de maior privilégio, que se aventuram a se aproximar de Deus à sua maneira! Quão terrível é ver o filho mais velho, aquele na linhagem ao maravilhoso ofício de Sumo Sacerdote, cortado em um momento! Mas quanto maior o privilégio, maior a responsabilidade.


“Arão calou-se”. O coração de um pai se compadece de Arão com a maior empatia, percebendo um pouco da agonia daquele momento. Será que embora ele não tenha aberto a boca, a visão de sua mente não teria voltado cerca de um ano apenas, e ele não se viu fazendo o bezerro de ouro, e até mesmo deixando as pessoas nuas em seu horrível banquete diante de seus filhos? Que exemplo para dar a seus filhos! Era de se admirar que eles fossem descuidados quanto à glória de Deus quando viram seu próprio pai transgredir tão terrivelmente! Não alivia o golpe saber que sou em parte, ou totalmente, responsável pelo pecado e punição de meus filhos. Como Arão, podemos apenas nos curvar em submissão com o coração partido e “calar-nos”.


Mas há conforto e também advertência na família de Arão. Que maravilhoso ver Eleazar, seu filho, assumir o lugar de seu pai na hora de sua morte! E conforme seguimos o caminho de Eleazar desde aquela época pelo Livro de Josué, e vemos seu filho Fineias crescendo para seguir os passos de seu pai e avô, isso anima e conforta o coração. (Veja Josué 22). E, de fato, a honra do sacerdócio, por meio desses dois filhos, Eleazar e Itamar, continuou enquanto durou o sacerdócio “segundo a ordem de Arão”. Agora, outro Grande Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e não segundo a ordem de Arão, surgiu; e n’Ele não há falha.


Foi graça, pura graça, que deu a Arão esta grande honra e este gozo e bênção em seus filhos e neto, mesmo apesar de seu grave pecado e falha. Graças a Deus, temos o mesmo Deus e a mesma graça com a qual podemos contar, apesar de todos os nossos fracassos!

 

Moisés


Chegamos agora à família de Moisés; aqui também, como em algumas das famílias que já consideramos, com o mesmo sentimento de alguém que se envergonha de falar das faltas desses santos homens de Deus; e, no entanto, são para nossa advertência que esses registros foram deixados para nossa consideração. Você vai se lembrar que em Êxodo 2:21, lemos sobre o casamento de Moisés com Zípora, filha de Reuel (Êx 2:18), ou Jetro (Êx 18:5). Devemos lembrar que Zípora era uma mulher gentia; e espero que em algum momento cada um de vocês leia e aprecie as observações do Sr. J. G. Bellett sobre a linhagem de mulheres gentias famosas que entraram nos lugares mais ilustres de Israel. Zípora era uma dessas linhagens notáveis, que fala para aqueles que têm ouvidos para ouvir, da noiva gentia que nosso Senhor está preparando para Si mesmo no tempo presente.


Moisés teve dois filhos, Gerson (um estranho lá) e Eliézer (meu Deus é uma ajuda), nomes que dão testemunho brilhante do coração verdadeiro e fiel de seu pai. Em Êxodo 4:24, 26 temos uma indicação de que nem tudo estava bem na própria casa de Moisés, e evidentemente Zípora recusou-se a permitir que os filhos fossem circuncidados, pois para ela, aparentemente, parecia ser um costume cruel e desnecessário. Mas Zípora não apenas estava completamente fora de seu lugar de sujeição, mas também completamente errada em escolher seu próprio caminho, em vez de se curvar à ordem de Deus. Mas antes que Deus pudesse usar Seu servo, isso deve ser corrigido, e sua casa, assim como ele próprio, deve levar a marca que testifica da morte. Finalmente, para salvar a vida de seu marido, a própria Zípora realiza o ato em seus filhos, mas com a queixa: “Certamente me és um esposo sanguinário”. É bom lembrarmos que não podemos passar impunemente se deixarmos de lado a ordem de Deus, mesmo que prefiramos nosso próprio caminho. Tanto a família de Arão quanto a de Moisés nos dizem que não devemos brincar ou escolher nosso próprio caminho nas coisas de Deus. É realmente bom quando o pai e a mãe juntos, com um só coração, podem se unir para reconhecer, pelo método de Deus, que a morte e o derramamento de sangue são a única porção que é devida por direito à nossa descendência.


Os anos passam, e em Números 12:1 lemos: “E falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuxita, que tomara”. Conhecemos a severa repreensão que o Senhor administrou a Arão e Miriã, e o terrível castigo da lepra que caiu sobre Miriã, por falarem contra Moisés. Mas isso não justificou Moisés no que ele havia feito. Ao lembrarmos que Moisés foi usado por Deus para escrever esses livros, podemos ler seu próprio reconhecimento e confissão de seu ato nestas palavras: “porquanto tinha tomado a mulher cuxita”. Não nos é dito se Zípora já havia falecido, ou se Moisés havia tomado esta mulher, assim como sua própria esposa. Quando Moisés se casou com Zípora, ele não estava em posição de tomar uma esposa de seu próprio povo; mas agora não havia tal razão para tomar alguém de fora do povo de Deus. No entanto, a graça de Deus colocou um véu sobre todos os detalhes deste assunto, e não queremos nos juntar a Arão e Miriã para falar contra o honrado servo de Deus. É bom lembrar que o Espírito de Deus não tem prazer em expor as falhas do povo do Senhor. O amor encobre o pecado quando pode fazê-lo corretamente, e assim nosso Deus age misericordiosamente em relação a nós.


Mas embora muito esteja encoberto, talvez essas poucas alusões à vida familiar de Moisés nos deixem entrar em um triste, triste segredo do qual poucos, ainda hoje, estão cientes. Pode ser que Deus, em Sua misericórdia, tenha permitido que a amarga vergonha que veio ao neto de Moisés fosse encoberta para a maioria, exceto para aqueles que amam Seus escritos e se deleitam em escavar sob a superfície da Palavra. Seja como for, se você consultar Juízes 18:30 na tradução de J. N. Darby, ou na Tradução Brasileira, lá você lerá as trágicas palavras: “Jônatas, filho de Gérson, filho de Moisés, juntamente com seus filhos foram sacerdotes da tribo dos danitas até o dia do cativeiro da terra”. Se esta leitura estiver correta (e provavelmente está, embora talvez não tenhamos certeza absoluta disso), então o primeiro sacerdote idólatra registrado em Israel foi o neto de Moisés. É muito triste, muito trágico, para examinar; e talvez seja melhor deixá-lo, com apenas esta declaração simples, como Deus a deixou, sem comentários; mas não diz a todos os pais, não importa o quão honrado ele seja; não importa o quanto a graça o encubra dos olhos do homem – ainda assim, a triste colheita de sua própria loucura deve ser colhida.


Mas há gozo e também tristeza ao traçarmos os descendentes de Moisés, pois “Sebuel, filho de Gérson, o filho de Moisés, era maioral dos tesouros” (1 Cr 26:24). E Selomite, descendente de Eliézer, irmão de Gérson, era um dos que “tinham cargo de todos os tesouros das coisas sagradas” (1 Cr 26:26). Isso foi nos dias de Davi. É revigorante, de fato, encontrar esses filhos de Moisés encarregados de alguns dos trabalhos de maior responsabilidade no reino: especialmente quando lembramos que “Jônatas, filho de Gérson, filho de Moisés” ficou feliz em compartilhar o roubo dos tesouros da casa de Mica (Jz 18:18-20).

 

Calebe


É um gozo nos dirigir a Calebe e sua filha Acsa. Todos nós conhecemos a história de Calebe e como ele foi espiar a terra com Josué e outros dez. Os dez trouxeram um relato negativo sobre a terra, mas Calebe e Josué apresentaram um relato bom e instaram que Israel subisse para possuir Canaã imediatamente “porque certamente prevaleceremos”.


Conhecemos o restante da história e como todo o Israel se recusou a ouvir e teve que voltar para o deserto por quarenta anos. E Calebe teve que voltar com eles, mas acredito que o coração de Calebe estava em Canaã durante todos aqueles anos. E acho que muitas noites durante aqueles quarenta anos, quando o acampamento estava montado naquele grande e terrível deserto, com aquelas imensas montanhas, vermelhas e áridas, elevando-se até o céu, então a pequena Acsa assentava-se com seus irmãos (1 Cr 4:15), bem perto de seu pai; Eu imagino Acsa assentada em seu colo, e os seus braços em volta dela, e talvez eles tivessem próximos a uma fogueira, e então Calebe lhes contaria uma história, e posso vê-los ouvindo com interesse fascinado. Havia histórias de gigantes: reais, verdadeiras histórias de gigantes, gigantes que seu próprio pai vira com os próprios olhos, e depois contava sobre seus castelos e as cidades com muralhas até o céu; e ele contava sobre o fruto, um cacho de uvas que tinha que ser carregado em uma vara por dois homens; e o melhor de tudo, ele terminaria essa história contando aos filhos que, por meio de seu Deus, eles prevaleceram e foram capazes de vencê-los e que essas cidades e castelos um dia logo pertenceriam a Israel. Mas talvez a história favorita seja a história de Hebrom. Suponho que a história começaria nos dias de Abraão, quando seu sobrinho Ló escolheu em primeiro lugar a terra e foi morar perto de Sodoma; foi então que Abraão veio e armou sua tenda em Hebrom, e ali construiu um altar. E foi lá que Abraão comprou a Cova de Macpela, para sepultar Sara. Naquela mesma cova Isaque e Ismael sepultaram Abraão, seu pai, e ali Isaque e Rebeca foram sepultados, e ali Jacó sepultou Leia, sua esposa, e para a mesma cova o corpo de Jacó foi trazido do Egito.


E tenho certeza de que Calebe contaria a história de como Jacó enviou José, seu amado filho, do Vale de Hebrom; e toda a adorável história que vocês, crianças, tanto amavam quando eram pequenos, seria contada novamente para Acsa e seus irmãos. E o pai terminaria a história dizendo: “E essa é a nossa herança. Hebrom, o lugar mais querido de toda a terra de Canaã, é para nós! É nosso!” Pertence a vocês, filhos, e a mim! E ele contaria como Moisés jurou naquele dia, dizendo: “Certamente a terra que pisou o teu pé será tua e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir o SENHOR, meu Deus”. Sim, ele diria: “Hebrom é para mim e para meus filhos! Essa terra é sua.” E eu posso ver os olhos da pequena Acsa brilharem enquanto ela absorve tudo e torna tudo seu. Ela saberia tudo sobre aquele cacho de uvas que tinha que ser carregado por dois e ouvira tudo sobre os frutos da terra de Canaã. Sim, muito provavelmente ela tinha provado alguns desses frutos.


E assim, muito antes de seus olhos terem visto a terra de Canaã, seu coração aprendeu a amar suas colinas e vales, suas frutas e pastagens; e ela aprendera a valorizá-lo em seu verdadeiro valor. Pois aprendemos melhor a amar nosso próprio país quando somos crianças.



Ah, queridos e jovens pais, quão pouco valor damos a essas noites, talvez com os filhos em nosso colo, ou aos nossos pés, em frente à lareira, ou talvez depois quando estão na cama e dizem: “Conta uma história pra nós!" Essa é uma chance que vocês, mais tarde, dariam tudo o que possuem para ter novamente. E agora vocês a têm. Agora vocês podem ensiná-los a amar a Terra Celestial para a qual vocês estão se dirigindo. Agora é a chance de vocês ensinarem a eles o verdadeiro valor da Pátria Celestial. Os corações são jovens, e o amor está fresco e ardente, agora é sua chance; uma chance que vocês nunca, nunca mais terão. Eu sei que o dia foi bem cheio; eu sei que você está cansado, eu sei o quanto é mais fácil cantar “Jesus, Terno Pastor, ouça-me” e dar um beijo de boa noite, mas é uma oportunidade de ouro perdida, mais valiosa que todo o ouro deste mundo.


Quantas vezes só descobrimos as oportunidades maravilhosas que tivemos, quando essas oportunidades se foram, e as doces histórias de outrora perderam seu encanto pelo contato com as histórias sujas deste mundo.


Mas não foi apenas sua própria filha cujo coração foi conquistado por essas histórias; seu sobrinho Otniel, que era apenas um menino naquela época, também foi ganho. Talvez Otniel tenha aprendido a amar não apenas os campos de Canaã, mas também sua jovem e bela prima Acsa, naqueles dias cansativos no deserto: pois descobrimos que quando eles chegaram à terra prometida, e a luta por ela veio a sério, seu tio Calebe diz: “Quem ferir a Quiriate-Sefer e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher”. Então Otniel, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe, a conquistou; e Calebe lhe deu Acsa, sua filha, por mulher.


Acho que Otniel e Acsa tinham a mesma opinião sobre a terra de Canaã, e quando ela veio a ele, ela o levou a pedir um campo a seu pai: mas não havia necessidade de Otniel pedir em nome dela, pois o próprio pai a amava: e era um gozo absoluto para ele ter uma filha que amava a terra que ele amava.


Não é de se admirar, tendo um pai assim, que Acsa desejasse tudo o que pudesse obter dessa amada herança. E tenho certeza de que o coração do velho Calebe regozijou-se ao ver sua querida filha descer de seu jumento, quando ela se aproximou dele. Ele podia ver que ela queria algo, e então a pergunta: “Que desejas” (ARA). Você acha que ele ficou aborrecido com a ousadia de seu pedido: “Dá-me uma bênção, pois me deste terra seca [terra no Neguebe – AIBB ou Terra no sul – JND]; dá-me também fontes de águas” Ele responderia: “Já lhe dei uma terra ao sul; isso não é suficiente? Por que eu deveria lhe dar mais?” Não, não; Acsa era uma filha segundo o seu próprio coração, ela valorizava a terra de Canaã e queria algumas das fontes de Canaã, e ele deu a ela o dobro do que ela pediu! Isso é como nosso próprio Senhor! “E também até o que não pediste te dei” (1 Rs 3:13).


Que regozijo para o coração do velho tio deve ter sido aquele sobrinho! Ele era um homem segundo seu próprio coração: alguém digno da filha que tanto amava. E isso não foi tudo. À medida que os anos se passaram e Israel se afastou do Senhor, de modo que Sua ira se acendeu contra Seu povo, e Ele os vendeu nas mãos de seus inimigos. Quando clamaram ao Senhor, o Senhor levantou um libertador para os filhos de Israel, Otniel, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe. Sim, Otniel foi o primeiro daquela linhagem de Libertadores, aqueles Juízes, que Deus levantou para Israel em sua angústia. Gosto de pensar que Otniel e Acsa foram preparados para essas menções honrosas na Palavra de Deus, pelas histórias que ouviram no deserto da terra a qual não havendo visto, amaram.


Senhor, ajude-nos a ganhar o coração de nossos filhos!!


Eles nos dizem que o nome ‘Calebe’ significa ‘um cão’, e sabemos que Calebe era notável acima de tudo, porque ele seguia totalmente o Senhor seu Deus. Veja Números 14:24; Josué 14:8, etc. Um bom cão segue totalmente seu mestre e é absolutamente leal a ele. Talvez tenha sido esse “espírito” (Nm 14:24) em Calebe que influenciou tanto sua filha. Mas a piedade não é herdada e, infelizmente, encontramos Nabal, um homem grosseiro e mau em suas ações, da “casa de Calebe” (1 Sm 25:3).


G. C. Willis

 


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