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Aos Pais de Meus Netos - Parte 5



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ÍNDICE


 

Salomão


Já falamos longamente sobre o triste fracasso de Davi que resultou em Bate-Seba se tornar sua esposa. Vimos que o filho mais velho de Bate-Seba morreu ainda bebê. Salomão era o irmão mais novo desse bebê. Seu nome significa “Pacífico”, “e o Senhor o amou” (2 Sm 12:24, 25). E porque o Senhor o amava, ele tinha um segundo nome. Jedidias, que significa “Amado do Senhor”.


Vocês conhecem a história muito bem para que eu precise contá-la. Vocês sabem como as perspectivas eram brilhantes no começo. Vocês se lembram de como ele pediu sabedoria quando Deus lhe deu a surpreendente oferta de escolher o que ele quisesse. Nosso próprio Senhor falou de “Salomão em toda a sua glória”. Talvez nunca tenha havido alguém com uma perspectiva tão brilhante em seus primeiros anos como Salomão.


E, no entanto, desde os primeiros anos de seu reinado, havia algo que indicava que nem tudo estava certo. Foi bem no início de seu reinado que Salomão se aparentou com Faraó, rei do Egito, e tomou a filha de Faraó e a trouxe para a cidade de Davi (1 Rs 3:1). Salomão não tinha nada que tomar uma esposa do Egito. Ela era quase certamente uma idólatra, e não demorou muito para que Salomão percebesse que esta mulher não era adequada para o “santo monte de Sião”, e assim lemos: “E Salomão fez subir a filha de Faraó da Cidade de Davi para a casa que lhe tinha edificado; porque disse: Minha mulher não morará na casa de Davi, rei de Israel, porquanto santos são os lugares nos quais entrou a arca do SENHOR” (2 Cr 8:11). Salomão devia saber que uma mulher que não era adequada para morar na cidade de Davi não era adequada para ser sua esposa. Nos dias de Esdras, os judeus foram compelidos a repudiar as esposas pagãs que haviam tomado. Vemos a graça de Deus demonstrada neste dia de graça em 1 Coríntios. 7:14, onde descobrimos que a esposa crente santifica o marido incrédulo; e o marido crente santifica a esposa incrédula. E assim nossos filhos são santos, mesmo que apenas um dos pais seja crente. Mas precisamos lembrar que isso não nos dá garantia para nos casarmos com um incrédulo. “Contanto que seja no Senhor” é a palavra clara de Deus (1 Co 7:39).


Já que estamos falando de casamento, gostaria de chamar sua atenção para um assunto que deixamos de lado nas primeiras páginas dessas meditações. Ultimamente, fiquei impressionado com o cuidado sincero que Abraão deu ao casamento de seu filho. Quão determinado ele estava para que Isaque não se casasse com nenhuma mulher das nações ao redor! Tampouco Isaque deveria voltar para aquelas terras de onde seu pai havia vindo. Quão levianamente os filhos de Isaque esqueceram a seriedade de seu avô nesses assuntos, e aparentemente não era preocupação de Isaque que Esaú tomasse esposas das nações vizinhas e que Jacó voltasse para a terra que seu pai havia sido proibido de voltar. Este foi talvez um crescimento em liberdade, mas não um crescimento em graça ou santidade.


Seus pequeninos podem ser muito jovens no momento para vocês pensar em casamento, mas vocês ficarão surpresos com a rapidez com que os anos passam, aqueles anos preciosos quando vocês têm seus filhos com vocês; e antes que vocês percebam, esta pergunta, uma das mais importantes da vida deles, estará sobre vocês. Que Deus os ajude e lhes dê sabedoria e fidelidade a Ele neste assunto tão difícil.


Mas devemos retornar a Salomão. Parece que ele não aplicou a sabedoria que Deus lhe deu para sua própria caminhada. E quantas vezes somos mais capazes de dizer a outra pessoa como andar corretamente do que seguir o caminho correto para nós mesmos. Salomão poderia escrever: “Dize à Sabedoria: Tu és minha irmã; e à prudência chama tua parenta; para te guardarem da mulher alheia, da estranha” (Pv 7:4-5). “E o rei Salomão amou muitas mulheres estranhas, e isso além da filha de Faraó, moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, das nações de que o SENHOR tinha dito aos filhos de Israel: Não entrareis a elas, e elas não entrarão a vós; de outra maneira, perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor. E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o SENHOR, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai, porque Salomão andou em seguimento de Astarote, deusa dos sidônios, e em seguimento de Milcom, a abominação dos amonitas. Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do SENHOR e não perseverou em seguir ao SENHOR, como Davi, seu pai. Então, edificou Salomão um alto a Quemos, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom. E assim fez para com todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses” (1 Rs 11:1-8).


O brilho da perspectiva inicial apenas faz com que a tragédia da terrível queda pareça mais sombria. Notamos, ao considerar a história de Davi, que Deus havia ordenado especialmente ao rei a quem Ele deveria escolher, não multiplicar esposas (Dt 17:15, 17). Vimos que as terríveis provações e angústias pelas quais Davi passou foram causadas por não obedecer a esse claro comando. Salomão teve esta lição solene diante dele, bem como este mesmo mandamento de Deus, mas ele deliberadamente desafiou o mandamento de Deus e andou em aberta desobediência.


Essa desobediência custou a seu filho Roboão dez das doze tribos de Israel. E desde aquele dia até hoje, os frutos amargos da desobediência de Salomão ainda estão em evidência, conforme ouvimos os homens tentarem adivinhar onde essas dez tribos estão nos dias atuais. Ninguém além do próprio Deus pode responder a essa pergunta, mas, apesar do pecado de Salomão e de todas as falhas do homem, sabemos que chegará o dia em que o próprio Deus encontrará essas dez tribos e as trará de volta à terra que há tanto tempo perderam. Veja, por exemplo, Ezeqiel 37:15-28 e Jeremias 16:16. E assim, mesmo em meio às tristezas do fracasso de Salomão, encontramos a graça de Deus sobrepujando o pecado do homem e finalmente trazendo a restauração. Mas que longa noite de trevas essas dez tribos experimentaram; e fazemos bem em lembrar que tudo foi causado pela desobediência do mais sábio dos homens, um homem que tinha, talvez, as maiores esperanças de qualquer homem que já viveu, no que diz respeito às coisas desta terra.

 

Roboão


Deixamos Salomão com o coração aflito, mas quando descobrimos que seu filho Roboão tinha como mãe “Naamá, amonita” (2 Cr 12:13), não ficamos surpresos por ele não ter se tornado um homem melhor. Como seu pai e seu avô, ele multiplicou esposas, dezoito esposas e sessenta concubinas. O comentário Divino sobre este homem é que ele desejou para seus filhos “uma multidão de mulheres”. Sua esposa favorita era Maaca, filha de Absalão; mas do capítulo 13, versículo 2, concluímos que este não era Absalão, filho de Davi. Ele designou Abias, filho desta mulher Maaca, para ser rei em seu lugar. Aprendemos de 1 Reis 15:13, que ela era uma idólatra e “tinha feito um horrível ídolo à Aserá”. Que mulher foi escolhida para ser mãe do futuro soberano do povo de Deus!


 

Abias


Embora Abias tivesse uma mulher de Israel como mãe em vez de uma amonita (como seu pai Roboão), essa mulher era, como acabamos de ver, uma que adorava ídolos. Não precisamos, então, ficar surpresos ao ler sobre ele: “andou em todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele; e seu coração não foi perfeito para com o SENHOR, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai. Mas, por amor de Davi, o SENHOR lhe deu uma lâmpada em Jerusalém, levantando seu filho depois dele e confirmando Jerusalém” (1 Rs 15:3-4).


Vemos neste registro que foi o mau exemplo de seu pai que desviou este rei. Que voz para nós que somos pais! Que o Senhor nos impeça de deixar um rastro de pecado para nossos filhos seguirem! Pois foi exatamente isso que Roboão fez por Abias.


Mas não foi apenas o pai que levou esse filho a caminhos de pecado: o próprio fato de o Espírito de Deus registrar com tanto cuidado o nome e o caráter de sua mãe nos diz que ela também teve parte na formação de seu caráter. E ao lermos as histórias desses antigos reis, não podemos deixar de ficar impressionados com o fato de que, na maioria dos casos, o nome da mãe nos é dado, insinuando que a responsabilidade pelo caráter da criança recaía em grande parte sobre a mãe. Naqueles dias de infância, quando as impressões que vão durar a vida toda estão sendo gravadas no caráter da criança, é a mãe, muito mais do que o pai, ou qualquer outra pessoa, que geralmente lida com a criança. Isso não diminui a responsabilidade do pai, mas aumenta a responsabilidade da mãe.


Mas mesmo neste rei perverso, a misericórdia e a graça de Deus brilham fortemente, e sob sua mão houve uma medida de libertação para Judá, “porque confiaram no Senhor Deus de seus pais” (2 Cr 13:18).


Uma das coisas notáveis sobre esse homem era que, embora ele andasse “em todos os pecados que seu pai tinha cometido”, ele tinha um bom filho, Asa. Muitas vezes isso é um enigma para muitos, mas encontramos a solução na Escritura citada: “Mas, por amor de Davi, o SENHOR lhe deu uma lâmpada em Jerusalém, levantando seu filho depois dele e confirmando Jerusalém” Aquele bom filho Asa foi dado por causa de Davi. E Davi era o tataravô de Asa! Até a quarta geração, os caminhos de Davi trouxeram bênçãos sobre seus descendentes. E sabemos também que Deus visita as iniquidades dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração (Êx 20:5). Que consideração extremamente solene para cada um de nós é esta, lembrar que nossa caminhada, dia após dia, pode resultar em bênção, ou não, para nossos filhos, por até três, ou mesmo quatro gerações, ou por um tempo muito mais longo.

 

Asa


É notável, tanto quanto sei, nenhuma menção da mãe de Asa é feita, mas em vez disso é falado sobre sua avó. É verdade que ela é chamada de “mãe” (1 Rs 15:10), mas uma observação à margem da versão King James indica que na verdade ela era a avó. E esta é uma pequena palavra de advertência e encorajamento para as avós. Elas também têm uma influência: uma influência para o bem ou para o mal, na vida dos jovens com os quais elas entram em contato. Que Deus nos ajude, que chegamos a esta fase de nossa vida quando somos avós, a dar o melhor exemplo para aqueles queridos pequeninos, para os quais estas páginas foram preparadas.


Mas é triste relatar que a avó de Asa não lhe deu um bom exemplo. Em vez disso, a encontramos fazendo “um horrível ídolo a Aserá”. Seu bravo jovem neto a removeu, por este pecado, de ser rainha, destruiu seu ídolo e o queimou perto do riacho Cedrom (1 Rs 15:13). Que gozo para o coração de Deus deve ter sido esse ato, e lemos o comentário divino sobre esse rei: “foi o coração de Asa reto [perfeito – TB] para com o SENHOR todos os seus dias” (1 Rs 15:14). Como é invejável tal registro; que contraste com o de seu pai no versículo 3, “seu coração não foi perfeito para com o SENHOR”.


E, no entanto, em sua velhice, até mesmo Asa “padeceu dos pés”. Suponho que a lição aqui é para nós que estamos envelhecendo. Com pés doentes, não se pode andar direito. “Ele guardará os pés dos seus santos” (1 Sm 2:9 – TB). Que Ele mantenha nossos pés saudáveis e limpos até a velhice.

 

Josafá


O filho de Asa era Josafá, um dos melhores reis de Judá. “o nome de sua mãe Azuba, filha de Sili. E andou em todos os caminhos de Asa, seu pai, não se desviou deles, fazendo o que era reto aos olhos do SENHOR” (1 Rs 22:42). “O SENHOR foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não buscou baalins. Antes, buscou ao Deus de seu pai e andou nos seus mandamentos e não segundo as obras de Israel. E o SENHOR confirmou o reino nas suas mãos, e todo o Judá deu presentes a Josafá; e teve riquezas e glória em abundância. E exaltou-se [encorajou-se – AIBB] o seu coração em seguir os caminhos do SENHOR e ainda tirou os altos e os bosques de Judá” (2 Cr 17:3-6). Novamente é dito dele: “preparaste o coração, para buscar a Deus” (2 Cr 19:3), embora “povo não tinha ainda preparado o coração para com o Deus de seus pais” (2 Cr 20:33). O Senhor parece deleitar-Se em amontoar Seus louvores a este bom rei. Leiam vocês mesmos a história do rei Josafá em 2 Crônicas desde o início do capítulo 17 ao primeiro versículo do capítulo 21, e bebam do puro gozo e alegria dos poderosos, vitória sobre os filhos de Moabe e os filhos de Amon, e os outros que vieram contra Josafá, conforme registrado no capítulo 20. Ouça as nobres palavras de forte fé: “Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros [sereis estabelecidos – TB]; crede nos Seus profetas e prosperareis”. E essa fé irrompe (como de fato acontece conosco em ocasiões menores) em cânticos de louvor: “E aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o SENHOR, que louvassem a majestade santa [em santo esplendor – JND], saindo diante dos armados [do exército – ARA] e dizendo: Louvai o SENHOR, porque a Sua benignidade dura para sempre” E tudo isso foi antes que Deus operasse por eles, derrotando seus inimigos. Vocês acham que Deus poderia permitir que eles fossem derrotados com aquele cântico de louvor, erguido pela fé, vindo diante d’Ele? Impossível! “E, ao tempo em que começaram com júbilo e louvor, o SENHOR pôs emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judá e foram desbaratados. Porque os filhos de Amom e de Moabe se levantaram contra os moradores das montanhas de Seir, para os destruir e exterminar; e, acabando eles com os moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se” E assim houve uma grande vitória, e levou três dias para levar o despojo, e no quarto dia eles se reuniram no Vale da Bênção; porque ali eles bendizeram ao Senhor.


Abençoado caminho de fé e cântico, que sempre leva à vitória; (pois, “a alegria do Senhor é a vossa força”); e depois para o Vale da Bênção. Que cada um de nós conheça cada vez mais esse caminho abençoado. Há muito tempo, antes de qualquer um de vocês nascer, nossa casa estava cheia de canções. Uma querida amiga nos deu um lindo canário em uma gaiola de latão como presente de casamento, e isso nos deu um bom exemplo, que sua mãe gostava seguir. Mas, de uma forma ou de outra, os cânticos diminuíram e então cessaram; embora não tenhamos notado, até que nosso canário seguiu nosso exemplo e desistiu de cantar. E então percebemos que algo estava errado e pela misericórdia de Deus os cânticos voltaram para nossa casa mais uma vez. Que vocês, queridos, nunca percam os cânticos de seu coração e de seu lar!


Eu gostaria que pudéssemos terminar a história de Josafá aqui, mas infelizmente não podemos, pois o registro diz: “Porém, depois disso, Josafá, rei de Judá, se aliou com Acazias, rei de Israel, que procedeu com toda a impiedade” (2 Cr 20:35). Eles fizeram navios juntos para ir a Társis, mas o Senhor os quebrou e “não puderam ir a Társis”. Em 1 Reis 22:49, parece que Josafá aprendeu a triste lição de que não podemos nos unir aos ímpios, e descobrimos que nessa ocasião ele se recusou a se juntar a Acazias.


Mas o Espírito Santo parece encobrir parte do fracasso de Josafá, pois o amor cobre uma multidão de pecados, e não é até chegarmos a 2 Crônicas 21:6 que descobrimos que o filho de Josafá, Jorão, teve por esposa a filha de Acabe. E esta filha de Acabe fez o filho deste bom rei Josafá se desviar. Jorão “fez o que era mal aos olhos do SENHOR”. Como poderia ser diferente? Ele reinou em Jerusalém oito anos e partiu sem deixar saudades. Triste registro de um rei perverso: filho de um dos melhores de todos os reis de Judá: e tudo por causa de sua esposa. E aquela esposa veio por meio da aliança profana de seu pai, talvez apenas por um curto período de tempo, com um homem mau. Que lição solene para nós. Ele perdeu seu filho por causa dessa aliança com Acazias.


Mas esse não é o fim da trágica história. O filho de Jorão era Acazias, (talvez o nome de seu tio, o rei perverso de Israel, sua mãe era Atalia, filha de Acabe, uma das mulheres mais perversas que já viveu. O neto de Jorão era Joás, o rei bebê salvo por sua tia Jeoseba, (que palavra de encorajamento para as tias!) e seu bisneto era Amazias. Se nos voltarmos para o primeiro capítulo do Evangelho de Mateus, descobriremos que esses três reis Acazias, Joás e Amazias foram excluídos do “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. Eles não são contados de forma alguma na genealogia de nosso Salvador. Mas ali lemos a respeito de Jorão e Uzias (Mt 1:8). A vergonha disso, a tragédia, a perda eterna, para este grande e bom homem; e tudo por causa de ser amigo do mundo; talvez por causa de tomar um pouco do ouro de Társis. O preço que ele teve que pagar foi muito, muito alto para o ganho que esperava obter. E assim, queridos, isso é o que vocês encontrarão, se, como Josafá, se aventurarem na amizade do mundo. Davi trouxe bênçãos para sua família por quatro gerações: Josafá trouxe uma maldição. Que Deus nos guarde, pois não podemos nos guardar.


Não vou parar para falar da vil ingratidão de Joás (2 Cr 24:17-22), ou do coração dividido de Amazias, seu filho (2 Cr 25:2). Que o próprio Deus nos guarde desses males aos quais também somos igualmente propensos. Vocês notarão que Joás foi morto por seus próprios servos, e um deles era filho de uma amonita, e o outro filho de uma moabita – um comentário solene e silencioso da Escritura sobre a desobediência que não apenas permitia tais casamentos (estritamente proibidos nas Escrituras), mas que até trazia seus filhos para servir na corte.


Vocês notarão nestes capítulos quantas vezes o nome da mãe é registrado: como nos capítulos 25:1; 26:3; 27:1. Queridas mães: que peso de responsabilidade repousa sobre seus ombros; e você não pode entregá-lo a outro, não, nem mesmo se você fosse uma rainha; ainda é sua responsabilidade especial treinar esses preciosos entes queridos, enquanto seu coração ainda é jovem e terno, da maneira que o Senhor deseja que eles sigam. Os anos passarão muito rapidamente; e antes que você perceba, descobrirá que é tarde demais, se não aproveitar a oportunidade que o Senhor lhe dá enquanto os filhos são pequenos. Todo o ouro de Társis não pode compensar a perda, se seus nomes forem riscados do Livro da Vida do Cordeiro, porque você estava muito ocupada aqui e ali para treiná-los para o seu Senhor.

 

Ezequias


Ezequias foi outro dos bons reis de Judá. “e era o nome de sua mãe Abia, filha de Zacarias” (2 Cr 29:1). Por toda a eternidade esse registro permanecerá, contando-nos anos de treinamento e influência pacientes, silenciosos e ocultos, desde o berço até o trono. E ao lermos sobre todo o bem que Ezequias fez a seu país e a seu povo, sabemos que, aos olhos de Deus, muito disso foi devido a Abias, filha de Zacarias. Que encorajamento para vocês, mães! Seu pai era um homem perverso.


Aqui está outra história que vocês devem ler por si mesmos e beber no conforto com o qual ela está repleta. Ezequias foi um verdadeiro pai para seu povo. Quão doce é ouvir que “Ezequias falou benignamente [de forma a consolar – JND] a todos os levitas que tinham entendimento no bom conhecimento do SENHOR”. E novamente, quando confrontado com um inimigo esmagador, nós o ouvimos dizer ao seu povo: “Esforçai-vos e tende bom ânimo; não temais, nem vos espanteis por causa do rei da Assíria, nem por causa de toda a multidão que está com ele, porque há Um maior conosco do que com ele. Com ele está o braço de carne, mas conosco, o SENHOR, nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear nossas guerras. E o povo descansou nas palavras de Ezequias, rei de Judá” (2 Cr 32:7-8).


Mais uma vez, poderíamos desejar que nossa história terminasse aqui, mas, novamente, há mais para contar. Deus, por algum propósito bom e sábio, enviou uma mensagem a Ezequias, ainda jovem, provavelmente com apenas 39 ou 40 anos, que chegara a hora de ele morrer. Os caminhos de Deus são os melhores; mesmo em um assunto como este: mas Ezequias virou o rosto para a parede e orou ao Senhor .... e Ezequias chorou muitíssimo. Foi uma oração desesperadamente sincera; mas temo muito que não houvesse nele nenhum pensamento quanto a “seja feita a tua vontade”. E Deus deu a ele o que ele pediu, como Deus às vezes nos dá, quando estamos determinados a tê-lo, e acrescentou à sua vida quinze anos. Infelizmente, aqueles quinze anos não brilharam tanto quanto os quatorze anos que acabaram de passar. Em primeiro lugar, surgiu o orgulho (2 Cr 32:25-26). E depois de três anos um filho pequeno entrou em cena e chamou seu nome de Manassés, que significa “Esquecimento”. Alguém quase pensaria, baseado em 2 Crônicas 32:25, que Ezequias havia esquecido “o benefício que se lhe fez”. E este pequeno filho, quando os quinze anos adicionados à vida de seu pai terminaram, tinha apenas doze anos de idade e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém; mas fez o que era mau aos olhos do Senhor, como as abominações dos gentios, que o Senhor havia expulsado de diante dos filhos de Israel. Porque tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, havia derribado, e levantou altares para os baalins, e fez bosques, e adorou todo o exército do céu, e os serviu. Ele também construiu altares na casa do Senhor, sobre a qual o Senhor havia dito: “Em Jerusalém estará o meu nome para sempre. Edificou altares a todo o exército dos céus, em ambos os pátios da Casa do SENHOR”. E assim continua o registro, versículo após versículo dos terríveis pecados deste rei ímpio, filho de um dos melhores reis de Judá, mas, infelizmente, um filho nascido de vontade própria e orgulho. O registro em 2 Reis é mais terrível ainda: “enchendo a Jerusalém de sangue inocente; por isso, o SENHOR não o quis perdoar” (2 Rs 24:4). “E Manassés tanto fez errar a Judá e aos moradores de Jerusalém, que fizeram pior do que as nações que o SENHOR tinha destruído de diante dos filhos de Israel. E falou o SENHOR a Manassés e ao seu povo, porém não deram ouvidos. Pelo que o SENHOR trouxe sobre eles os príncipes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam Manassés entre os espinhais, e o amarraram com cadeias, e o levaram à Babilônia. E ele, angustiado, orou deveras ao SENHOR, seu Deus, e humilhou-se muito perante o Deus de seus pais, e Lhe fez oração, e Deus Se aplacou para com ele, e ouviu a sua súplica” (2 Cr 33:9-13). Foi então que “reconheceu Manassés que o Senhor era Deus”.


E embora seu pecado não pudesse ser perdoado em certo sentido, e por seu pecado Jerusalém foi destruída (Jr 15:4), ainda assim, mesmo um pecador como Manassés pode pessoalmente receber um perdão gratuito e completo do Deus de Israel. E Deus valorizou tanto aquela oração por perdão, na prisão na Babilônia, que Ele fez com que fosse registrada, para o encorajamento de outros pecadores arrependidos que voltariam novamente, ao mesmo Deus “porque Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-Se, e grande em beneficência e Se arrepende do mal” (Jl 2:13). E, meus queridos, se algum de vocês alguma vez se desviar do caminho estreito: lembrem-se, o caminho de volta é largo, bem aberto; com o beijo de perdão do Pai que vos espera; e nem uma única palavra de reprovação: sabemos bem o que merecemos, e não podemos entender por que não o recebemos; de fato, é difícil acreditar que Deus seja um tal Deus, e ainda assim é verdade. Manassés O achou Fiel à Sua palavra: sim, ele O encontrou mais do que isso, como sempre encontramos; e Deus deu àquele rei iníquo que se humilhou, um netinho, Josias, que provou ser um dos melhores da longa linhagem de reis de Judá. Tal é a graça de Deus.


Aquele netinho de Manassés tinha apenas seis anos quando seu avô morreu: mas podemos muito bem acreditar que a profunda humilhação e arrependimento do velho rei, juntamente com sua energia na remoção dos ídolos que ele havia feito e na reparação do altar do Senhor (2 Cr 33:12-16) causaram uma impressão tão profunda na criança que, sob a boa mão de Deus, elas podem ter sido o meio de virar seu rosto com tanta ousadia na mesma direção. É triste, de fato, ver que o próprio filho de Manassés, Amom, embora tivesse apenas vinte e dois anos quando seu pai morreu, não foi influenciado por seu arrependimento, mas apenas seguiu os pecados de seus primeiros anos: ele “não se humilhou perante o SENHOR, como Manassés, seu pai, se humilhara; antes, multiplicou Amom os seus delitos” (2 Cr 33:23). Que mensagem solene e urgente é esta para nosso coração, para nos certificarmos de que conduzimos nossos filhos no caminho correto, desde a infância. E lembremo-nos, eles seguem para onde nós os conduzimos.

 

Josias


Josias tinha apenas oito anos quando começou a reinar, mas quando ainda era apenas um moço de quinze ou dezesseis anos, ele “começou a buscar o Deus de Davi, seu pai”. Aqui está outra história sobre a qual o Espírito Santo Se deleita em Se estender. Observe quanto espaço na Bíblia é dado a Josafá, Ezequias e Josias; e entenderemos o deleite do coração de Deus em encontrar um homem que verdadeiramente O buscasse. É um regozijo para o coração ver o jovem rei, quando o sacerdote Hilquias encontra o livro da Lei do Senhor perdido e esquecido por tantos anos, quando eles estavam limpando a Casa do Senhor e reparando-a. Josias nunca tinha visto ou ouvido falar disso antes. Essa era a condição a que Judá havia chegado; e que lição para nós. O Senhor havia dito muito antes: “Ponde, pois, estas Minhas Palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a Terra” (Dt 11:18-21). Mas nos dias de Josias e nos dias de seu pai, esse abençoado Livro foi tão negligenciado que nem o rei nem o sacerdote sabiam de sua existência. Não é de se admirar que a nação tenha se desviado. Uma nação sem a Bíblia não pode fazer mais nada, e uma família sem a Bíblia fará o mesmo. Meus filhos, esta é uma mensagem urgente para vocês. Isso é algo que muito me condena; mas vocês, queridos, ainda têm a oportunidade. Que o Senhor os ajudes a tornar seus filhos mais familiarizados com a Bíblia do que nunca fiz com vocês. Sim, que aprendam a amar esse querido Livro, e que o escondam, não no pó e nas ruínas, como o povo de Jerusalém fez, mas em seu próprio coração. Mas são vocês, pais, que devem liderá-los (não coagi-los), a conhecer, amar e honrar este abençoado Livro.


Hilquias, o sacerdote, deu o Livro a Safã, o escriba, e este o levou ao rei, e o leu em voz alta; (assim como meus pais faziam conosco, até fazerem as histórias se tornarem vivas diante de nossos olhos); o rei, é claro, nunca tinha ouvido nada parecido com isso em sua vida, pois nunca tinha visto uma Bíblia antes. Qual foi o resultado? Ele rasgou suas vestes e chorou diante do Senhor (2 Cr 34:27). Mas ele fez mais, enviou Hilquias e Safã e alguns outros à profetisa Hulda. Talvez Hulda tivesse uma Bíblia, não sei, mas ela tinha uma triste e solene mensagem para o bom e jovem rei: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim: Assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre este lugar e sobre os seus habitantes, a saber, todas as maldições que estão escritas no livro que se leu perante o rei de Judá. Porque Me deixaram e queimaram incenso perante outros deuses, para Me provocarem à ira com toda a obra das suas mãos; portanto, o Meu furor se derramou sobre este lugar e não se apagará. Porém ao rei de Judá, que vos enviou a consultar ao SENHOR, assim lhe direis: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, quanto às palavras que ouviste: Como o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo as Suas Palavras contra este lugar e contra os seus habitantes, e te humilhaste perante Mim, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante Mim, também Eu te tenho ouvido, diz o SENHOR. Eis que te ajuntarei a teus pais, e tu serás recolhido ao teu sepulcro em paz, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar e sobre os seus habitantes” (2 Cr 34:23-28).


Tal era a triste, triste mensagem. Mesmo um rei como Josias, embora pudesse adiar o terrível castigo, não poderia evitá-lo. O arrependimento do rei e do povo de Nínive adiou o julgamento daquela cidade por muitos anos; mas o julgamento finalmente caiu. E Josias foi tirado do juízo vindouro, sendo ainda jovem, com apenas 39 anos; exatamente a idade em que Deus disse a Ezequias que ele deveria morrer. Quão melhor teria sido para Israel se Ezequias pudesse confiar em seu Deus; então Manassés nunca teria nascido. Pois Manassés foi na realidade a causa da queda final de Israel. Foi a vontade própria que foi a causa da morte de Josias. Ele estava determinado a lutar com Neco, rei do Egito. Deus o advertiu para não fazer isso, mas ele seguiria seu próprio caminho, como Ezequias antes dele, e ele “não deu ouvidos às palavras de Neco, que saíram da boca de Deus; antes, veio pelejar no vale de Megido. E os flecheiros atiraram no rei Josias; então, o rei disse a seus servos: Tirai-me daqui, porque estou gravemente ferido” (2 Cr 35:22-23). Ele morreu e todo o Judá e Jerusalém prantearam por Josias. E Jeremias lamentou por Josias.


Bem, eles podem prantear e lamentar, pois com a morte de Josias o tempo da história de Judá quase se esgotara. Deixamos apenas o triste, triste registro de seus filhos e netos. E a velha pergunta voltará: Por que um rei tão bom deveria ter filhos tão ruins? Suponho que a primeira resposta seja a vontade própria que deve ter agido com frequência antes, ou dificilmente teria sido repentinamente tão forte a ponto de causar a morte do rei. E a vontade própria é uma coisa muito sutil: muitos e muitos santos de Deus que se orgulham de sua santidade, na realidade estão andando em vontade própria. É gostar do meu jeito: e qual de nós pode se declarar “inocente” de tal acusação? Isso nos humilha a todos, e temos que admitir que é a causa de muitas de nossas quedas. Não é uma lição fácil dizer com sinceridade: “não se faça a minha vontade, mas a Tua”!


Mas há, talvez, outra razão que nos é dada na Escritura, escondida, como tantas vezes acontece com os pecados dos santos, que quase nos envergonha expô-la. O profeta Sofonias profetizou durante o reinado de Josias: e ele tinha algo especial a dizer sobre os jovens príncipes, e também sobre os filhos do rei, (sobre aqueles muito jovens, que em pouco tempo se tornariam reis, e sobre suas irmãs também). “Hei de castigar os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de vestidura estranha” (Sf 1:8). Estes são dias em que nossos jovens são muito tentados a se vestir com roupas estranhas. Mas eles farão bem, e seus pais farão bem, em lembrar que foi esse traje estranho que em parte foi a causa da terrível queda do Reino de Judá. A Tradução Brasileira traz: “trajes estrangeiros”, e vemos que, talvez 150 anos antes, Isaías havia advertido solenemente a Israel sobre o julgamento que viria porque “eles estão cheios do que vem do oriente” (Is 2:6 – JND). Entenderemos essas referências um pouco melhor se nos voltarmos para Ezequiel 23:14-17 – TB; onde descobrimos que Judá ficou encantado com as imagens dos homens da Assíria “pintados de vermelho; cingidos os seus lombos de cintos, tendo largas tiaras tingidas sobre as cabeças, todos príncipes no parecer, à semelhança dos filhos de Babilônia na Caldéia, terra do seu nascimento. Logo que os viu, apaixonou-se por eles, e mandou-lhes embaixadores à Caldéia. Vieram ter com ela os filhos de Babilônia...”


Vimos que o início da história de Israel em sua própria terra foi manchado por uma vestimenta babilônica (Js 7:21); como é estranho que, novamente, seja uma vestimenta babilônica que encerra essa história. Babilônia nos fala do mundo. É o mesmo lugar de Babel, que significa Confusão. E se trouxermos as coisas deste mundo para as coisas de Deus, só pode haver confusão. Nos primeiros dias da história de Israel, havia energia espiritual para afastar o mal; mas, infelizmente, mesmo nos dias de Josias, mesmo em sua própria família, não havia tal energia; e os filhos do rei usavam abertamente aquele estranho, aquele traje estrangeiro (escondido na tenda nos primeiros dias da história de Israel), mas agora corajosamente, abertamente usado, o distintivo e marca e prova de onde seu coração pertencia. E as roupas que nossos filhos usam são o distintivo, a marca e a prova de onde o coração pertence, se o que deveria ser seu ar nativo do céu ou do mundo e suas modas e caminhos. Infelizmente, o mundo encontrou um lar bem-vindo e pronto, no palácio do bom rei de Judá, e o julgamento deve cair. “Não sabei vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4:4). Deus chama tais “adúlteros e adúlteras”. Poderia a linguagem ser mais solene? Oh, meus filhos, como vocês amam seus pequeninos, deixem que essas verdades importantes penetrem profundamente em seu coração.


Não tentarei rastrear o naufrágio da casa de Josias. É muito triste, e vocês sabem disso tão bem quanto eu; ou vocês podem ler por vocês mesmos. Isso quase encerra a história de Israel e Judá. Mas ainda temos mais duas ou três histórias que podemos examinar, antes de encerrarmos essas meditações sobre o Velho Testamento.

 

Daniel


Propriamente falando, Daniel não é um daqueles que devemos considerar, pois não sabemos nada sobre seus pais: mas ele viveu mais ou menos na mesma época que os jovens príncipes que acabamos de considerar e ele era um jovem, quando eles eram jovens: ele foi exposto às mesmas tentações diante das quais eles caíram, tanto em sua terra natal de Judá, quanto depois na terra da Babilônia; pois o próprio Daniel provavelmente era um daqueles jovens príncipes a quem o profeta Sofonias havia falado em tons tão solenes. Vocês se lembram de como Daniel e seus amigos recusaram até mesmo a comida da Babilônia e, em vez disso, viveram de legumes e água. “Daniel assentou em seu coração não se contaminar” (Dn 1:8). É essa “firmeza [propósito – ACF] de coração” que Daniel tinha, e que foi encontrado na Igreja primitiva (At 11:23) que vocês e eu precisamos hoje. Que nossos filhos vejam em nós que estamos absoluta e totalmente fora do mundo e fora para Cristo, e que haja um corte absolutamente claro com o mundo e suas modas e maneiras, não importa se roupas ou comida ou bebida ou qualquer outra coisa. Como o velho Paulo, cada um de nós seja capaz de dizer: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo” (Gl 6:14).


Paulo e o mundo eram inimigos mortais, eles não tinham nada a dizer um ao outro. Ponderem, meus filhos, esses príncipes de Judá, e que Deus lhes dê graça para trazer cada um de seus pequeninos para seguir Daniel, e não os filhos de Josias.

 

Mardoqueu


Uma pequena palavra sobre Mardoqueu para animar o coração dos Tios. Vimos o consolo que Otniel foi para seu tio Calebe, e há outros que poderíamos ter examinado. Que gozo o jovem Jônatas deve ter sido para seu tio Davi em 2 Sm 21:21, quando ele matou o gigante com seis dedos em cada mão e cada pé; mas muito provavelmente foi o exemplo de seu tio Davi que lhe deu coragem para fazê-lo. E vocês, queridos, são tios e tias, assim como pais e mães.


Mas que gozo Ester deve ter sido para seu tio durante aqueles dias sombrios da vida no palácio de Susã, onde a sorte deles foi lançada. E Mardoqueu criou a jovem sobrinha órfã para temer o Deus de Israel, e quando ela cresceu, mesmo na corte do rei, ela não se afastou daquele treinamento inicial. Não vou parar para contar a história, pois todos vocês a conhecem: mas gostaria de lembrá-los deste brilhante exemplo desse versículo em Provérbios 22:6: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele”.


Parece que Ester e Mardoqueu viveram depois que o templo de Jerusalém foi reconstruído; e parece estranho que pessoas como essas duas não tenham retornado à Terra de seus pais. Pode ser que seja uma daquelas coisas que Deus permite, talvez nossa própria falta de fé, ou de devoção, que nos impede de escolher o melhor caminho, mas Deus aceita o que temos, e nos usa no lugar que nós mesmos escolhemos, mesmo que não seja o lugar de Sua escolha. É muito reconfortante e encorajador para nosso coração fraco – ainda mais quando descobrimos o quanto falhamos – que sabemos que Deus faz todas as coisas contribuírem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus. Que exemplo brilhante é o Livro de Ester para esta verdade bendita, embora nem o nome de Deus, nem a palavra “Deus”, apareçam no livro, nem mesmo uma vez.

 

Salum e Suas Filhas


Não posso encerrar essas meditações sobre os pais do Velho Testamento e seus filhos sem dar uma olhada em Salum. Foi talvez uns trinta anos depois de Mardoqueu e Ester que Neemias, o copeiro do rei, subiu a Jerusalém para construir o muro. O templo havia sido concluído alguns anos antes, mas o muro ainda estava em ruínas, e Neemias ficou aflito com tristeza de coração sobre o assunto, de modo que colocou em perigo sua cabeça para como o rei. Mas Neemias era um homem de oração, e Deus não apenas o livra, mas lhe dá o desejo de seu coração, para que ele possa ir a Jerusalém para construir o muro. Não vou parar para contar a história, que tenho certeza que todos vocês conhecem, e espero que gostem dela. O nobre espírito de Neemias despertou o coração do povo, e eles se uniram para o trabalho. Os detalhes minuciosos que o Espírito Santo registra, de alguns que construíram duas partes, alguns que “não meteram o seu pescoço ao serviço de seu Senhor” (Ne 3:5), todos são do maior interesse. Mas é em Salum, governante da metade de Jerusalém, e em suas filhas que quero pensar por um momento. Provavelmente ele era um homem rico, sendo governante de metade de Jerusalém. Essas moças provavelmente foram criadas em uma boa casa, com criados para fazer o trabalho. É muito possível que suas mãos fossem claras e macias e não estivessem acostumadas ao trabalho pesado; mas, ao chamado para construir o muro de Jerusalém, Salum sai pessoalmente, não com seus servos, não com experientes pedreiros contratados, mas com suas próprias filhas (talvez ele não tivesse filhos), e essas moças, não duvido, vestiram de bom grado suas roupas velhas, e levaram o lixo, juntaram as pedras e trouxeram a argamassa; e o Senhor olhou e registrou para as eras eternas que as filhas de Salum estavam prontas para ajudar seu pai no trabalho que os homens deveriam estar fazendo. Corajosas, boas meninas! Que suas filhas sejam exatamente como elas! E eu não tenho nenhuma dúvida de que suas mãos ficaram doloridas e com bolhas, cortes e hematomas, mas elas continuaram construindo o muro. Corajosas, boas meninas! Eu amo as filhas de Salum. Conheci um jovem que tinha várias recomendações excelentes, mas aquela de que mais se orgulhava era bem pequena: “Ele não tem medo de sujar as mãos”. As filhas de Salum poderiam ter recebido a mesma recomendação.


Pelo que sei, essas meninas são o último relato de filhos com seus pais, que vemos na história do Velho Testamento, a menos que pensemos nas crianças cujas mães eram pagãs e que não podiam falar a língua de Canaã corretamente; e não tenho ânimo para falar delas; e parece-me que a imagem dessas meninas, trabalhando com seu pai no trabalho para o Senhor, é a imagem mais bonita e mais adequada que poderíamos ter para encerrar nossas meditações. É o que desejei, não apenas para minhas filhas, mas também para meus filhos, que juntos, com um só espírito e uma só mente, pudéssemos lutar juntos pela fé do evangelho (Fp 1:27). Que Deus me conceda; e que Ele conceda isso a vocês!


“Sabeis que provas deu ele de si; que, como filho ao pai, serviu comigo a favor do evangelho” (Fp 2:22 – AIBB).

 

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