Força que Vem de Deus - Meditações Para o Nosso Tempo - Parte 5/5
- J. G. Bellett (1795-1864)

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ÍNDICE
Força que Vem de Deus - Meditações Para o Nosso Tempo Vindas de Esdras, Neemias e Ester
Parte 5/5
J. G. Bellett
Regozijo e Bênção Vindoura
Ester 8-10
Encerramos o livro de Ester com a libertação dos Judeus no exato momento em que a destruição os aguardava, com a sua exaltação no reino e com a celebração de seu regozijo.
Misteriosa é a obra da mão de Deus! O amalequita, o grande adversário, é derrubado e totalmente eliminado no momento de sua mais orgulhosa exaltação. O Judeu, sua vítima pretendida e esperada, quando estava a um passo da morte, foi livrado e, então, favorecido e honrado, e assentado ao lado do trono em posição e autoridade!
Que história! Verdadeira em todas as suas circunstâncias; típica em todas elas também. É significativa para os últimos dias da história dos Judeus e da Terra, dos quais os profetas falaram repetidamente: a queda do homem da terra e a exaltação do povo de Deus em Seu próprio reino!
Mardoqueu, em vez de ainda permanecer à porta do rei, agora comparece perante ele e toma de seu dedo o anel, selo do ofício e da autoridade. Assim é transformado o Judeu no fim. Toda a Escritura nos prepara para isso; e aqui isso é ilustrado. Aqui terminam as escrituras históricas do Velho Testamento e aqui, como numa figura, termina a história da Terra.
Principais características da história de Israel
Posso afirmar que as principais características da história de Israel são estas, conforme lemos nos profetas:
O atual exílio dessa nação e o ocultamento da face divina dela; e, no entanto, sua preservação providencial em meio aos gentios.
A eleição atual de um remanescente entre eles, e o arrependimento final, que os conduz nacionalmente ao reino.
O julgamento de seus adversários e opressores, com a queda especial de seu grande inimigo incrédulo.
Sua libertação, exaltação e bênção nos dias do reino, com sua liderança sobre as nações.
Essas são algumas das grandes coisas dos profetas; e essas coisas são encontradas neste pequeno livro de Ester. Assim, posso dizer novamente, que esta última menção histórica do Velho Testamento ao povo de Israel promete e simboliza sua preservação presente durante toda esta era de supremacia gentia, e sua glória nos últimos dias, quando o julgamento de seus inimigos se cumprirá.
Autoridade real na Terra
Certos aspectos marcantes do vindouro reino milenar também são aqui demonstrados: o temor dos Judeus recai sobre seus inimigos, sobre aqueles que os cercam; e eles são impedidos de qualquer tentativa de lhes causar dano. Tal situação já havia sido vista nos dias de glória da nação, e isso é prometido pelos profetas como sua porção novamente. Susã, a capital do mundo gentio naquela época, se regozija com a exaltação do Judeu; como toda a Escritura nos diz, o mundo inteiro se regozijará sob a sombra do trono de Israel no tempo do reino vindouro. Muitos do povo da terra se tornaram Judeus, como lemos repetidamente nos profetas. Assim, por exemplo: “Virão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos Seus caminhos, e andemos nas Suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor”. O trono que exaltou o Judeu e subjugou seu opressor exerce domínio universal, impondo tributo sobre a terra e sobre as ilhas do mar; sabemos que, em breve, o Rei em Sião “dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da Terra”.
E aqui, permitam-me acrescentar, que Assuero representa o poder e a autoridade real na Terra. Ele ocupou o trono que era supremo entre as nações. Ele era “o poder” e representa misticamente, ou em uma sombra, o poder que estará num Cabeça divino no dia do reino. É assim, reconheço, que o poder nas mãos deste persa foi exercido primeiramente para o mal: servindo, como ele fez, aos planos malignos de Hamã, embora agora ele esteja exaltando os justos. Ainda assim, ele representa o poder e a autoridade real na Terra. Assim como Salomão em Jerusalém, ele praticou o mal pessoalmente, embora possa ter se arrependido; mas seus caminhos pessoais ainda eram maus, assim como bons. Mesmo assim, de uma maneira geral e figurativa, ele representava o poder e era uma sombra de Cristo no trono de glória – aquele trono que governará o mundo em justiça.
Tudo isso está repleto de misteriosa beleza e significado. Aqueles dias de Assuero e de Mardoqueu foram como os dias de Salomão e da profecia, os dias milenares vindouros – os dias do reino de Deus na Terra e entre as nações. Foram como os dias de José no Egito: Mardoqueu na Pérsia foi como José no Egito. O primeiro e o último dos livros históricos do Velho Testamento nos oferecem essas diversas, porém semelhantes, menções daquilo que ocorrerá no encerramento e julgamento dos reinos dos gentios.
A alegria do triunfo
Os dias de Purim celebram tudo isso. Eles representam o triunfo após a vitória, alegria do reino após seu o estabelecimento. Os Judeus assumiram sobre si, segundo a palavra de Mardoqueu e de Ester, fazer dos dias 14 e 15 do décimo segundo mês, o mês de Adar, dias de festa e alegria, porque neles descansavam de seus inimigos, e seu pranto se transformava em alegria, luz e honra. Eram uma espécie de Páscoa, celebrando o livramento da terra da Pérsia, assim como aquela festa celebrava o livramento da terra do Egito. Se preferirmos, Purim foi outro cântico no Mar Vermelho, ou outro cântico de Débora e Baraque sobre a queda do cananeu. E antecipa o cântico que ainda será cantado junto ao mar de vidro em Apocalipse 15.
Novamente digo, se assim o quisermos, é a alegria de Israel nos vindouros dias do reino, quando tirarão água das fontes da salvação (Isaías 12). De fato, os Salmos 124 e 126, preparados para os futuros dias de glória e alegria de Israel, respiram o próprio espírito que deve ter animado Israel nos dias de Mardoqueu e Ester. É belo observar tudo isso e ver essas antecipações se repetirem enquanto avançamos pelo caminho, aguardando o coro completo de harmonias eternas na presença da glória que virá em breve. A Igreja recém-nascida em Atos 4, nesse espírito, respira e profere o segundo Salmo, preparado para o dia em que o Rei de Deus Se assentará no monte Sião, após a derrota do inimigo e quando os reis da Terra aprenderem a se curvar diante d’Ele. O Deus bendito Se agrada de Suas próprias obras: “Tu criaste todas as coisas, e por Tua vontade são e foram criadas”. Ele, portanto, preserva a obra de Suas mãos como seu Criador. Ele Se agrada dos conselhos de Sua graça e sabedoria. Ele, portanto, preservou até hoje a nação ou o povo dos Judeus, e os preservará até que o fruto de Seus conselhos se manifeste em Seu reino. Seu reino, assim, se erguerá sobre as ruínas e o julgamento das nações; e o mundo de Cristo, “o mundo vindouro”, brilhará em esplendor, pureza e bênção após este “presente século [mundo – ARA] mau” ser encerrado e desaparecer.
Indícios de uma bênção vindoura
Este reino vindouro, este mundo milenar, é mencionado pelos profetas em todas as formas de linguagem; mas também tem sido apresentado em todas as formas de exemplos, porções e amostras, em fragmentos da história desde o princípio. Aqui, vimos sua manifestação no final do livro de Ester. Ordenanças, profecias e relatos históricos, cada um à sua maneira, têm desempenhado esse papel.
Antes que os santos antediluvianos passassem desta vida, o espírito da profecia falou por meio de Lameque e dirigiu-lhes uma palavra de promessa referente à Terra: que nela, no tempo devido, haveria consolo em vez de maldição (Gênesis 5).
Em Noé, assim como no novo mundo, vemos uma ilustração desta profecia de Lameque: pois após o julgamento do dilúvio, a Terra ressurge como numa nova forma ou em ressurreição, e uma promessa, um prenúncio dos dias milenares, está diante de nós.
A terra do Egito sob o governo de José é “como uma verdadeira figura”.
Segundo a lei, temos um vislumbre do mesmo repouso milenar no sábado semanal, na festa anual dos tabernáculos e no jubileu, a cada cinquenta anos.
Por um instante, nos dias de Josué, quando as tribos de Israel tinham entrado na terra, celebraram a Páscoa como um povo circuncidado e, então, comeram pães asmos feitos com o trigo da terra, vemos, de outra forma, o mesmo feliz mistério (Josué 5).
Depois disso, o reinado glorioso de Salomão, de forma mais extensa e rica, revela-nos o mesmo segredo.
E, de fato, eu poderia ter notado que o encontro de Jetro com o Israel resgatado no monte de Deus, nos dias do deserto, era (embora de forma diferente) o prenúncio do mesmo dia de glória vindouro (Êxodo 18).
E assim, agora, nos dias da dispersão, por assim dizer, temos o mesmo, como vemos no final do livro de Ester. Profecias sobre profecias acompanham essas ordenanças e essas histórias; de modo que atos e palavras, não apenas de muitos, mas de várias testemunhas, nos confirmam o reino que ainda está por ser estabelecido e a glória que ainda está por ser revelada. Estas são prefigurações dos grandes e magníficos desfechos dos conselhos de Deus – daquele propósito que se manifestará na “dispensação da plenitude dos tempos”.
O Novo Testamento nos oferece ilustrações e promessas semelhantes. A transfiguração nos fala disso. A regeneração ou palingenésia[1] nos fala disso. A ação no Apocalipse primeiro prepara o terreno para isso; e então, no fim, resplandece diante de nós quando a cidade santa desce do céu trazendo consigo a glória de Deus, e quando as nações milenares caminharem na sua luz. [1] N. do T.: O significado literal da palavra grega, παλιγγενεσία (palingenesia), é “Gênesis novamente”. A velha criação passou e a nova criação foi estabelecida com base na redenção consumada. Things New and Old: Vol 21. A Palingenésia, ou Regeneração, de Mateus 19:28, é um estado ou condição já alcançado. A lavagem da Palingenésia, ou Regeneração, de Tito 3:5, indica o ato ou processo pelo qual um novo estado ou condição é alcançado; aquela operação espiritual que renova, recria ou regenera um pecador. Present Testimony: Vol 14, 1865.
Assim, o final de Ester se encontra em companhia de coisas desde o princípio até o fim, e ao longo de todo o livro, por meio de todos os atos e ditos de Deus no progresso da história deste mundo. É maravilhoso. Que testemunho dos escritos que se encontram nas Escrituras! Que prova do respirar do mesmo Espírito em todas as suas partes! Como isso nos diz que “conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as Suas obras”! Nós preenchemos o nosso lugar próprio e ocupamos o nosso momento próprio neste grande plano.
Conclusão
Ester 10:3
Tendo lido os livros de Esdras e Neemias separadamente, como a história dos cativos que retornaram, e o livro de Ester separadamente, como a história dos cativos dispersos, gostaríamos agora de meditar sobre eles juntos por alguns instantes. Eles nos apresentam, como podemos ver, dois grupos distintos de cativos, ou duas seções do povo Judeu. Ilustram diferentes aspectos do conselho e da sabedoria divina referentes a esse povo e ensinam lições muito importantes para nossa alma assimilar completamente.
Em cada uma dessas cenas, no meio de cada uma dessas seções do povo de Deus, temos, por assim dizer, uma plataforma separada erguida para a manifestação de várias ou distintas porções dos caminhos e da maneira como Deus trata com eles.
Os cativos que retornaram
Os cativos que retornaram são trazidos de volta para casa e deixados na terra para que possam ser testados novamente, pois testar o Seu povo, embora de maneiras diferentes, sempre foi o propósito de Deus desde o princípio. Israel já havia sido testado pelo dom do poder. Receberam uma terra fértil e boa, e foram conduzidos de força em força, até florescerem em um reino: um reino que atraiu os olhos dos reis da Terra e foi a admiração do mundo.
Mas eles haviam sido infiéis à sua mordomia. Haviam abusado do poder que lhes fora confiado e rebelaram-se contra os direitos supremos d’Aquele que assim os havia estabelecido e ordenado como principais e centro governante na Terra. E, consequentemente, o poder, a supremacia na Terra ou a principal autoridade entre as nações, foi-lhes tirado e dado aos gentios.
Agora, porém, eles estão de volta ao lar. O cativeiro a que sua infidelidade os levou está terminado, e há uma parte do povo de volta à terra de seus pais novamente. Pois é propósito divino prová-los com outra prova. Deus está prestes a enviar o Messias a eles. Sua missão e ministério serão a misericórdia curadora, uma proposta da graça que traz salvação, para que se saiba se eles têm resposta aos apelos do amor, visto que já provaram que não foram fiéis Àquele que lhes confiou o poder.
É isso que lemos no relato do retorno de Israel (ou Judá) da Babilônia. Eles são Judeus novamente em sua própria terra. Consequentemente, assim que retornam para casa, comportam-se como Judeus. Guardam os preceitos – erguem o altar nacional – reconstroem o templo – mantêm-se separados dos gentios – leem as Escrituras – observam o caminho do Deus de Israel, na medida em que a submissão ao poder nas mãos dos gentios o permite. O Deus de Israel os reconhece, os abençoa e os protege. Ele pode exercitá-los na fé e na paciência, mas ainda assim Ele está com eles. Como antigamente, Ele lhes dá líderes, libertadores e mestres; envia-lhes Seus profetas, concede-lhes dias de reavivamento – os dias da lua nova no sétimo mês.
De fato, sabemos tudo isso. Isso foi uma espécie de reforma em sua história religiosa. Depois disso, eles não praticaram idolatria. Mas outras corrupções rapidamente se instalaram e se intensificaram, como mostram não apenas os livros de Esdras e Neemias, mas, principalmente, a profecia de Malaquias. E a abertura das Escrituras do Novo Testamento confirma isso, pois o Evangelho de Mateus nos permite ver clara e plenamente que os cativos que retornaram eram profundamente incrédulos: tão infiéis às doutrinas e propostas de bondade quanto seus pais haviam sido à administração do poder. “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”. (Aqui, permitam-me sugerir o que acredito ser verdade, mas não o ensinaria com autoridade: que, entre as testemunhas da bondade que Deus deixou entre os cativos que retornaram, e que foram tantos prenúncios ou penhores de um Messias vindo em graça, está o tanque de Betesda. Foi, de fato, um testemunho extraordinário de “Deus, o Curador”.)
Graça para todo o mundo
De fato, assim é. Quando Israel foi infiel ao poder que Deus lhe deu, o poder foi entregue aos gentios. Assim também agora, visto que eles são infiéis à graça, a graça é dada a todo o mundo. Pois o evangelho é pregado e a salvação de Deus é apresentada aos olhos dos confins da Terra. E surpreendentemente consistente e belo é esse progresso nos caminhos da sabedoria divina, ou das dispensações de Deus. Toda provação termina em fracasso, e Deus deve agir por nós e não conosco. Esta nova provação, pelo ministério do Messias, apenas prova, como pela boca de outra testemunha, que o homem é incorrigível e incurável. Todo esforço para fazer algo dele, ou para fazer algo com ele, leva-o apenas a mais uma exposição de si mesmo, até que fique nu para sua vergonha. O reino não é alcançado por uma criatura provada, mesmo que a graça a tenha provado. O julgamento, como de “prata rejeitada”, é o resultado do processo. “Já o fole se queimou, o chumbo se consumiu com o fogo; em vão fundiu o fundidor tão diligentemente”.
Sim, de fato, o homem precisa ser salvo pela graça, e não meramente provado por ela. O primeiro advento do Messias, ou a proposta de salvação, não conduziu Israel ao reino: isso os deixou sendo um povo julgado, disperso e despojado, não salvo e sem a bênção – condenado com uma convicção mais plena do que nunca.
O povo disperso
Mas agora, vamos nos voltar para outro cenário. Devemos considerar outra parte do povo: os dispersos, e não os que retornaram. Pois neles se ergue outra plataforma, como ainda posso dizer, para ilustrar o caminho de Deus. Veremos neles os penhores e as testemunhas, não de um povo provado, mas de um povo salvo – salvo pela graça soberana e conduzido ao reino.
Este povo não aproveitou a oportunidade que teve de voltar para casa. Isso é um testemunho permanente contra eles. Permaneceram entre os incircuncisos. Representaram o papel do corvo na arca de Noé. Pareciam ter se envolvido com o mundo impuro. São como gentios, podemos dizer; não vemos festas, ordenanças ou a Palavra de Deus entre eles. Mas reconheço que ainda são Judeus. E a graça transborda para com eles. No meio dos gentios, eles ainda são mantidos vivos – outra sarça ardente que não se consome. Jeová não é visto como reconhecendo-os, como reconheceu seus irmãos que retornaram a Jerusalém. Mesmo assim, Ele tem os Seus olhos sobre eles, e eles são mantidos vivos; e isso, também, até que chegue o tempo devido para que Ele Se levante e os trate da maneira que todos os Seus profetas anunciaram.
Tudo isso vemos em Ester, aquele livro maravilhoso que encerra o volume histórico do Velho Testamento.
Um remanescente é visto ali. Deus trata com eles maravilhosamente, tanto por Sua mão quanto pelo Seu Espírito; mas Ele permanece não manifesto. Vimos isso ao meditar sobre Ester. E traçamos ainda mais o caminho de Deus com Israel em todas as eras de sua história em que eles se encontravam em um estado informal e anômalo: como exemplificado no casamento de José com uma egípcia, de Moisés com uma filha de Midiã, e outros semelhantes, e o casamento de Ester com Assuero, o persa. Pois esse era o caminho do próprio Deus com eles quando Lhe eram infiéis; Ele Se voltava para outros. Primeiro o poder, como vimos, e agora a graça e a salvação foram transferidas para outros, visto que Israel era desobediente e relutante. Quão consistente tudo isso é! Que constância, perfeição e unidade há nos caminhos de Sua santa sabedoria! Os irmãos de José lhe foram infiéis e o expulsaram. Ele se casou e tornou-se importante no Egito. Os irmãos de Moisés lhe foram infiéis e o forçaram a partir; ele se casou e foi feliz em Midiã. O povo de Jeová foi infiel a Ele, e Ele deu poder aos gentios. Os Seus foram infiéis ao Messias, rejeitando-O e não O recebendo; e agora Ele concede graça e salvação para o mundo todo.
Certamente o Senhor conhece o fim desde o princípio. Certamente o Seu caminho está diante d’Ele.
“Sua sabedoria sempre desperta,
Sua visão jamais se turva,
Ele conhece o caminho que trilha
E eu caminharei com Ele.”
Oh, que eu tenha a graça de dizer e fazer isso! E de caminhar com Ele também, pelo caminho da Sua sabedoria e pelos desígnios das Suas dispensações. De glória em glória, para “andarmos na luz, como Ele na luz está”.
E novas maravilhas ainda se revelam para nós nessas duas plataformas: na história dos que retornaram e na história dos que se dispersaram.
Como já observei, Malaquias começa a anunciar qual será o fim dos cativos que retornaram ou que foram postos à prova. Todos falharão, como todos têm falhado. As Escrituras do Novo Testamento confirmam aquilo que Malaquias anunciava. Os evangelistas confirmam as indicações e avisos dos profetas. Mas Ester nos revela o que acontecerá com a dispersão, ou com a porção que permaneceu entre os gentios. Eles serão finalmente acolhidos pela graça soberana, conduzidos através da “grande tribulação” e, por esse caminho, serão introduzidos no reino. Nessa história, ou nessa plataforma, vemos a nação Judaica levada à beira da destruição total, resgatada pela mão milagrosa de Deus e, então, assentada nos elevados lugares de honra, influência e autoridade pelo Poder que governa a Terra – todos os seus inimigos julgados e eliminados, ou buscando o seu favor e bênção. (A grande tribulação, “o tempo da angústia de Jacó”, da qual falam os profetas, encontrará os Judeus em casa, em sua própria terra, embora agora estejam dispersos como nos dias de Ester. Mas isso não importa. Como nação, eles passarão para o reino através da tribulação.)
O homem exposto e Deus manifestado
Nesses livros, ou nessas duas cenas de ação variada, estão os segredos que nos ensinam. O homem é testado e falha; o pecador é acolhido pela graça e salvo.
E estes são os segredos que nos foram destinados a aprender desde o princípio; e estamos destinados, abençoadamente destinados, a celebrá-los para sempre. O homem é exposto – Deus é manifestado. O homem é deixado completamente nu para sua vergonha – Deus é exaltado na mais elevada ordem de exaltação e manifestado na mais resplandecente luz de glória. Assim foi na história de Adão, logo no princípio. Ele foi provado e, sob a prova, falhou e arruinou a si mesmo. Então, foi acolhido pela graça e salvo pela morte e ressurreição de Cristo – pela fé na semente da mulher, ferida e que fere.
Assim foi novamente em Israel. Israel foi submetido à lei, mas a sombra dos bens futuros acompanhava a lei. Sob sua própria aliança, sob a lei, Israel, como Adão, foi arruinado. Mas Deus age em meio ao povo autodestruído, à ruína que ele mesmo causou; e por meio de ordenanças, profecias e promessas de muitos tipos, Ele sempre tem falado a eles da graça final e da salvação.
E agora, da mesma forma, o evangelho nos expõe completamente, mas nos salva plena, presente, perfeita e eternamente. E por todas as eras de glória, será proclamado que somos um povo lavado, um povo redimido, que deve tudo à graça e à redenção, embora glorificado para sempre.
Essas duas plataformas – a cena no meio dos cativos que retornaram e a cena no meio dos cativos dispersos – estão em companhia com todo o caminho divino desde o princípio, e com aquilo que deve ser lembrado e celebrado para sempre. Apenas nos maravilhamos, mais uma vez, com este novo testemunho do caminho de Deus, Seu caminho necessário e perfeito num mundo como este.
O caminho do Senhor
Quão completo tudo isso torna o volume divino e histórico do Velho Testamento! Esse volume termina aqui; e estamos muito satisfeitos de tê-lo assim.
O modo como o próprio Senhor age neste livro é especialmente maravilhoso. Aparentemente, Ele é negligente com o Seu povo. Ele permanece em silêncio para com eles. Ele não Se revela, e não há milagres. O Seu povo, mesmo em todos os exercícios do seu coração sob as circunstâncias mais difíceis, jamais O menciona.
Certamente, isto é maravilhoso. Mas é também admirável tanto como é maravilhoso. É perfeito em seu lugar e tempo. Pois, durante esta era gentia atual, Deus está separado de Israel, assim como José no Egito e Moisés em Midiã estavam separados de seus irmãos, como já mencionei – como muitas vozes dos profetas anteciparam. (veja Salmo 74; Isaías 8:17; 18:4; 45:15; Oséias 5:15; e assim por diante.) E o Senhor Jesus, falando como o Deus de Israel no final de Seu ministério, diz a eles: “Eis que a vossa casa vos é deixada deserta; Porque Eu vos digo que desde agora Me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mt 23:38-39)!
Mas Ele Se importa com eles. Seus nomes estão na palma de Suas mãos. Ele não revoga o julgamento; mas, no tempo devido, despertará para livrá-los. É Jesus dormindo no barco, sacudido pelos ventos e ondas. Mas, no momento preciso, Ele despertou e Se levantou para aquietar tudo aquilo que, crescendo em angústia, se enfurecia contra eles.
“Salve o Ungido do Senhor,
O Grande "maior Filho de Davi"!
Quando chegar o tempo determinado,
Os anos acabarem seu curso,
Ele virá para quebrar a opressão,
Libertar o cativo,
Eliminar a transgressão
E governar com justiça.”
J. G. Bellett

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