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Jardins (Abril de 2024)

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Revista mensal publicada pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          Tema da edição

         J. G. Bellett (adaptado)

          F. G. Patterson

         W. J. Prost

         W. J. Prost

         H. Smith (adaptado)

         H. Smith

         J. T. Mawson

          J. T. Mawson

          J. N. Darby

J. N. Darby

          L. Beckwith

 

Jardins 


Os jardins na Palavra de Deus são apresentados a nós como um lugar para frutos e comunhão, especialmente comunhão com Deus. Observe essas duas coisas ao considerarmos nesta edição algumas cenas diferentes do jardim. O que quebra o gozo da comunhão? O pecado. Veja o que acontece com o gozo no jardim quando o pecado entra. O resultado no jardim do Éden foi o homem perder as visitas que Deus lhe fazia para comunhão e ser expulso do jardim frutífero para enfrentar uma vida de espinhos e abrolhos. O lugar de gozo tornou-se o lugar da morte. No final de Sua vida, nosso Senhor Jesus foi a um jardim para ter comunhão com Deus sobre Seu iminente sofrimento e morte. Ele leva três discípulos com Ele, pois eles também estavam tendo o privilégio de ter comunhão com Ele, e com Deus, sobre o que estava à frente e de serem fortalecidos pela oração. Eles não estavam à altura disso, mas Ele estava. A morte traz a interrupção da frutificação e da comunhão. Na morte, nosso Senhor Jesus é levado para um jardim com um sepulcro e uma rocha selada para separar tudo d’Ele. Mas pela poderosa obra do Calvário, a vitória sobre tudo o que impede a frutificação para Deus e a comunhão com Deus é conquistada. O jardim da morte passa a ser o jardim da vida – “Não está aqui, mas ressuscitou”. Que cada um de nós tenha nossos momentos diários de comunhão e frutificação em nossos jardins com nosso Senhor. Já teve o seu momento hoje? Tive o meu?

 

Tema da edição

 

Adão e Eva – O Jardim do Éden 


O ato completo da criação sob a mão de Deus é detalhado em Gênesis 1. A obra da criação é novamente apresentada no capítulo 2, mas de forma muito mais resumida. A narrativa então se limita ao Éden, ou ao jardim do Éden, porque era o cenário da grande ação prestes a ser realizada. Tudo aqui está sob a mão do Senhor Deus em um caráter de relacionamento de aliança com o homem e a criação. O jardim é particularmente mostrado para nós; é descrito como o lugar de toda produção desejável e como a fonte daqueles rios frutíferos que deveriam percorrer toda a Terra. O próprio Adão é colocado lá “para o lavrar e o guardar”.

 

O lugar de Adão no jardim 

Assim, todas essas provisões eram para a felicidade do homem. Ele tinha todas as coisas desejáveis, via em sua habitação um manancial de bênçãos para a Terra, e ele próprio foi feito o principal naquele jardim, de onde ele obtinha seus prazeres. Ele foi feito tanto para dar como receber, e essas eram as diferentes características de uma feliz condição para uma mente bem ordenada como a de Adão. Tudo isso certamente era assim, mas com vantagens de uma ordem tão alta, ele precisava ser lembrado de que ainda era apenas uma criatura e que somente o Lavrador divino do jardim era Supremo. Assim, a voz de um Soberano foi ouvida no jardim; um mandamento foi dado: “da árvore da ciência [conhecimento – ARA] do bem e do mal, dela não comerás” (Gn 2:17). Mas essa voz não era uma dissonância. Tudo era uníssono no ouvido de uma criatura íntegra, pois, seja qual for a maneira ou esfera de atuação, Deus deve ser, e será, Deus – ocupando o principal lugar e não dando Sua glória a outro. Uma criatura que faz escolhas certas (neste caso, o homem) deve, portanto, se regozijar com qualquer testemunho da supremacia de Deus, confiando n’Ele para sua própria bênção. Tudo isso é felicidade harmoniosa e consistente, pois, no mandamento não há nada além do que é necessário. Não há imposição de nenhum outro fardo a Adão. Um mandamento é necessário e apenas um é dado. E este é, portanto, apenas mais um item no grande relato de sua felicidade. Lá, o Senhor Deus, para preencher a cena dessa felicidade, celebra para Adão um dia de coroação e um dia de desposório. A ordem da passagem é esta (Gn 2:18-22):

 

  1. O Senhor Deus primeiro Se aconselhou Consigo mesmo sobre o desposório de Adão.

  2. Ele então o apresentou aos seus domínios e soberania.    

  3. Por fim, Ele celebrou seu desposório e apresentou Eva a ele.


Coroação e bodas 

Esta é a ordem de sua coroação e de suas bodas, e é uma ordem que tem o seu significado. Acredito que o primeiro é o propósito mais rico de gozo no conselho de Deus, e o último em Sua manifestação. A Igreja estava na eleição e predestinação de Deus antes que o mundo começasse, mas outras eras e dispensações seguiram seu curso antes que o mistério “oculto em Deus” fosse feito conhecido (veja Efésios 3).

 

Há algo de singular beleza e significado na ordem dessa passagem. Não é o mero progresso de uma narrativa de fatos independentes, é o desígnio de um grande Mestre que sabia o fim desde o princípio. Mas não só isso, esse não é apenas o projeto de uma mente perfeita, mas também o bem conhecido caminho do amor. O primeiro pensamento do Senhor Deus foi sobre a melhor bênção de Adão. A companheira ajudante ao seu lado era para ser mais para ele do que as criaturas sujeitas a ele. O dia de seu desposório seria mais estimado para ele do que o dia de sua coroação. Assim, o Senhor o coroou, e isso foi feito imediatamente e resolvido. Mas, aquilo que seria o principal de seus prazeres era a imagem mais querida na mente de seu Senhor. Seu Senhor ponderou sobre ela. Ele a tornou familiar aos Seus pensamentos – falou sobre ela para Si mesmo, porque era para ser a imagem mais querida para Adão. Este era o caminho do amor. Entendemos que isso seja assim. Gostamos de pensar nas coisas que produzirão a felicidade de alguém que amamos; debruçamo-nos sobre elas em nossos pensamentos e, é assim que o Senhor Deus é representado aqui como comprometido com Adão. A maneira de formar o plano ou tomar o conselho foi assim bela, e o próprio plano, maravilhoso. Ele tinha o objetivo mais elevado: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora [companheira ajudadora – JND] que esteja como diante dele”.

 

Gozo para Jesus 

Jesus, o Filho de Deus, descobriu que isso é assim. Seu gozo é proporcionado da mesma maneira que o Senhor Deus aqui proporcionou o gozo para Adão. Como lemos: “O Reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho” (Mt 22:2). Quão excelente propósito, portanto, era esse! Estava fazendo nada menos do que o gozo divino ser o padrão e a medida, estava dizendo à criatura: “entra no gozo de teu Senhor”. E não apenas no plano, mas na execução do plano, o original divino é copiado. Adão dormiu um sono profundo, e de seu lado cerrado foi tirada uma costela, da qual a companheira foi feita – como a companheira do Senhor saiu de Sua labuta, Sua tristeza e Sua morte – e Ele sentiu e valorizou tudo isso.

 

Adão viu o trabalho de sua alma, por assim dizer, e ficou satisfeito. “Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne”, disse seu coração satisfeito, examinando o fruto de seu cansaço e de sua morte mística, e, novamente, esse é gozo divino. Há Outro, sabemos, que verá assim o trabalho de Sua alma e ficará satisfeito. É o descanso do homem que trabalha duro que é doce. É o pão comido com o suor do rosto que é agradável. Adão não havia ajudado na formação de nenhuma besta do campo. Eles não tinham sido vivificados por meio de nenhum sono seu. Mas Eva foi tirada de seu lado aberto. Ela tinha sido fruto de seu sono semelhante à morte e, portanto, ele a valorizava. E disse Adão: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada” (Gn 2:23 – ACF). Não apenas como sua ajudadora, sua companheira, mas porque ele tinha sido tão necessário para ela, ele a valorizou; ela foi formada do seu lado, assim como foi formada para o seu lado. A execução do plano teve como resultado ligar seu coração a ela, bem como o resultado.

 

E esse era o gozo divino; é o gozo de Jesus. O gozo em Sua Igreja é Seu principal gozo; ela é tanto para o Seu lado como do Seu lado. Os anjos não são do trabalho da Sua alma. Mas aquilo que Seu esforço e tristeza conquistaram para Si e que está preparado para a comunhão de Seus pensamentos e Suas afeições – isso será o mais querido. Cada coisa redimida no céu e na Terra certamente será para Ele o descanso do homem que trabalha duro e o pão comido com suor do rosto, mas é a Igreja que está destinada para o Seu lado, como Eva, assim como foi tirada dele.

 

J. G. Bellett (adaptado

 

Como o Homem Caiu – O Jardim do Éden


“E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado” (Gn 2.8).

 

Que jardim maravilhoso deve ter sido esse! Quatro rios convergindo, todo tipo de árvore e planta, “agradável à vista, e boa para a comida”, tudo plantado pelo próprio Deus, o Mestre Jardineiro. Havia somente uma ordenação: “mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17).

 

A natureza humana caída fala muito claramente, por todos os lados, que no momento em que uma proibição nos chega desde a mais tenra infância até o nosso último suspiro, imediatamente é despertado dentro de nós o desejo pela mesma coisa que ela proibia. Milhares de situações e exemplos podem ser apresentados para provar isso.

 

O teste da proibição 

Mas havia “lei” no paraíso antes que o homem caísse, e o homem era uma criatura responsável antes de se separar de Deus. Ele era responsável por obedecer à lei que o proibia de comer os frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal antes de se tornar um “transgressor”. Deus havia revelado Seus caminhos a ele, como Doador, na maior e mais ampla generosidade. Nada foi retido do homem. Os 10.000 ribeiros que contribuíram para sua felicidade no Éden falavam de um Deus que não reteria do homem nada que fosse bom. “De toda árvore do jardim comerás livremente”, proclamava a liberdade e a plenitude de uma mão da mais ampla bênção. O homem deveria desfrutar de tudo livremente. Uma pequena interdição proibia-lhe de comer do fruto de uma árvore – interdição essa que marcava a responsabilidade que, se transgredida, só acarretaria mal: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17). Ao observar essa proibição, ele expressava que sua vontade estava sujeita a Deus, que o havia colocado ali, e o cercado com todas as bênçãos da criatura.

 

Esse é o princípio de lei. Uma restrição sempre provará a vontade daquele a quem ela é destinada, estando este subordinado ou não a outro. A menor restrição é suficiente para isso. É a maneira de descobrir se o outro está sujeito a você ou não. Se não estiver sujeito, há a recusa da autoridade do outro e, como consequência, duas vontades estão se opondo, uma à outra. Enquanto ao homem que é testado reconhece, em sua consciência, que Deus tem o direito de ser obedecido.

 

A atenção de Satanás à proibição 

Ora, Satanás não começou chamando a atenção para a bem-aventurança com que o homem fora cercado, nem para o caráter de Deus dando todas as coisas ricamente para serem desfrutadas. Pelo contrário, aproveita a proibição, chamando a atenção apenas para a restrição: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ao passo que Deus dissera: “De toda árvore do jardim comerás livremente”. O grande golpe de mestre da serpente foi inculcar lentamente a concupiscência na alma, e a desconfiança em Deus – lançar uma suspeita sobre a plenitude e a liberdade de Sua natureza em conceder. Esse foi o veneno da serpente que permeou a humanidade desde aquele dia. Isso foi feito antes mesmo que houvesse um pecado cometido. O diabo interferiu e semeou a desconfiança no coração do homem, criando uma suspeita na alma e separando o homem e seu Criador pela perda de fé n’Ele.

 

É isso que os homens fazem entre si hoje em dia para alcançar algum objetivo que tenham em vista. Ouso dizer que talvez não pensem assim, mas muitas das tristezas entre os homens, ou mesmo entre irmãos, são causadas por alguma insinuação pelas costas, ou alguma história sussurrada à qual o coração dos outros está pronto para dar ouvidos, o que faz brotar desconfiança entre as almas. Uma vez gerada a desconfiança, segue-se a antipatia, mas sobretudo naquele que prejudicou o outro. É extremamente difícil confiar em um coração que você ofendeu. “A língua falsa odeia aos que ela fere” (Pv 26:28 – ACF). “mas o que renova a questão separa os maiores amigos” (Pv 17:9). “E o que ofendia o seu próximo o repeliu” (At 7:27). Essas passagens (semelhantes em seu caráter) são apenas os efeitos desse princípio do mal. Daí o verdadeiro ditado: “O ferido pode esquecer, o agressor, nunca”.

 

Restaurar o homem à perfeita confiança em Deus e enfrentar a afronta à Sua natureza foi a obra de Cristo na “consumação dos séculos”. (Hb 9:26)

 

A “vontade” 

O homem, então, era uma criatura responsável antes de cair. A desconfiança em Deus e a concupiscência foram incutidas na alma da mulher. A vontade foi colocada contra Deus, e no caso de Adão foi a vontade arrogante (pois Adão não foi enganado” – 1 Tm 2:14), e o homem caiu. Uma brecha tão larga quanto os polos surgiu imediatamente entre Deus e o homem – um abismo, impossível de ser reparado ou atravessado novamente. O homem tornou-se “um de Nós”, disse o Senhor, “sabendo o bem e o mal” (Gn 3:22). Isso ele nunca pode desaprender. Nunca mais voltará à inocência.

 

O que é então “sabendo o bem e o mal”? Isso é algo que se diz da Divindade também – “como um de Nós”, lemos, “sabendo o bem e o mal”. É sentar-se para julgar e dar sentença sobre o bem ou o mal que encontramos em nossa própria alma. Sobre Davi, o rei, foi dito pela sábia mulher de Tecoa: “como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para ouvir o bem e o mal” (2 Sm 14:17). Isso em referência às decisões de julgamento. Lemos isso de Salomão em 1 Reis 3:9 e de Israel em Deuteronômio 1:39; veja também Hebreus 5:14.

 

Esta é a obra da consciência – tomar conhecimento do mal praticado por uma vontade oposta a Deus, assentar-se para julgá-lo e condená-lo, e infelizmente, apreender o bem, e, ao mesmo tempo, opondo-se a ele – aprová-lo sem o poder para realizá-lo. Esse era um homem caído com consciência. Responsável antes de cair, ele desconfiou de Deus e transgrediu voluntariamente Suas ordens. Ele tinha a capacidade, mesmo quando caído, de sentenciar suas próprias ações pelo conhecimento do bem e do mal – o bem que ele não tinha o poder ou o desejo de praticar, e o mal que ele não era capaz de evitar! Então, finalmente, ele é expulso da presença de Deus, pois havia perdido seu lugar em tal terreno para sempre. Essas três coisas marcaram seu estado: a desconfiança de Deus, o pecado cometido nessa desconfiança e seu lugar irremediavelmente perdido. Essas três coisas são invertidas pelo evangelho. Sua confiança é restaurada pela fé n’Ele como Salvador, seus pecados, que haviam sido cometidos por desconfiança, são removidos e ele é levado para um novo lugar em Cristo, diante d’Ele.

 

F. G. Patterson

 

 O Jardim do Getsêmani


O jardim do Getsêmani é bem conhecido, não só nos círculos Cristãos, mas também entre muitos que não conhecem o Senhor. Encontra-se no lado oriental de Jerusalém, em uma encosta que se eleva suavemente do vale de Cedrom, a caminho de aldeias que estavam presentes quando nosso Senhor estava na Terra – Betânia e Betfagé. Assim que um viajante atingisse o seu cume, o terreno inclinava-se acentuadamente para baixo em direção a Jericó.

 

A área era bem conhecida há milhares de anos, pois Davi atravessou o ribeiro de Cedrom e “subiu Davi pela subida das Oliveiras” (2 Sm 15:30). Era um lugar onde Jesus “muitas vezes Se ajuntava ali com os Seus discípulos” (Jo 18:2). Era um lugar de refúgio do barulho e das multidões de Jerusalém que cercavam nosso Senhor e Mestre durante o dia, e não parece que essas multidões O seguissem até lá, como às vezes faziam ao redor do Mar da Galileia. O nome Getsêmani significa “lagar de azeite” ou “lagar de azeitona”, já que a encosta estava coberta de oliveiras. Na verdade, algumas oliveiras muito antigas ainda estão lá, provavelmente datando do século XII. Quaisquer oliveiras que lá estavam durante o tempo de nosso Senhor provavelmente foram cortadas pelos romanos durante o cerco de Jerusalém em 69-70 d.C.

 

Um lugar de paz 

Era um lugar de paz e sossego, e não só o Senhor ia lá com Seus discípulos, mas às vezes ia sozinho, para ter um tempo de oração e até mesmo para passar a noite – veja Lucas 21:37. Se havia um jardim separado do olival é difícil dizer, mas era evidentemente um lugar que era cuidado e cultivado – um lugar agradável para visitar!

 

No entanto, quando o nome “o jardim do Getsêmani” vem à mente, ele imediatamente traz diante de nós o tempo que nosso Senhor passou lá com três de Seus discípulos pouco antes de ir para a cruz. Que cena foi essa! E certamente inigualável nos anais do tempo, ou mesmo da eternidade! Na mesma noite em que Ele seria preso e finalmente crucificado, vemos o Criador e Sustentador do universo, como Homem, contemplando a cruz e tudo o que ela significava. Ele poderia dizer: “Agora, a Minha alma está perturbada” (Jo 12:27), e Marcos 14:35 registra que Ele “prostou-Se em terra”. Que agonia era a d’Ele, ao enfrentar a questão do pecado – uma questão que Ele resolveria por toda a eternidade! Finalmente, tudo isso resultou em “Seu suor... como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão” (Lc 22:44 – AIBB). Esta é uma condição médica muito rara chamada hematidrose, na qual, sob terrível estresse, pequenas quantidades de sangue saem dos vasos sanguíneos e se misturam com o suor. Quando pensamos em Quem nosso Senhor era, toca nosso coração em suas maiores profundezas, pensar que Ele passou por tudo isso.

 

O jardim do Éden 

Muito do que temos dito foi comentado em outras edições de O Cristão, mas como esta edição é sobre “Jardins”, vamos nos concentrar mais de perto nesse tema. Quando Deus criou o homem, Ele o colocou em um jardim – o jardim do Éden – onde tudo era belo e quando o pecado ainda não havia estragado este mundo. Aqui havia tudo para tornar o homem perfeitamente feliz e confortável, mas ele falhou no único mandamento que Deus lhe deu. Vários milhares de anos depois, Aquele de Quem havia sido profetizado a respeito de Satanás que “Este te ferirá a cabeça” (Gn 3:15 – ARA) também estava em um jardim.

 

Foi pela graça que Deus não permitiu que os efeitos totais da queda dominassem este mundo. Ainda havia jardins nos dias do ministério de nosso Senhor, e ainda há jardins hoje, embora estragados pelo pecado. É precioso pensar no nosso Senhor Se recorrendo ao jardim no monte das Oliveiras, mas como foi diferente daquilo que Adão e Eva experimentaram! O jardim era de descanso e alívio para Ele de tempos em tempos, mas agora, pouco antes da cruz, não devia experimentar o descanso, mas sim passar por toda a agonia da cruz com Seu Pai. Aqui eram as lágrimas, o medo, o suor, a oração para que Ele fosse libertado de beber aquele cálice de ira. Mas depois de nosso Senhor ter passado por tudo isso, Ele pôde submeter-Se calmamente à vontade do Pai. Quando mais tarde Ele enfrentou o mundo, tanto o Judeu como o gentio, Ele pôde fazê-lo em perfeita paz e no controle completo de todas as Suas circunstâncias.

 

Um tiro de pedra 

Nenhum dos Seus poderia seguir o Senhor Jesus ao ir para a cruz. Quando Ele passou pela angústia de enfrentar o que significava beber o cálice que Seu Pai havia dado a Ele, está registrado que, “apartou-Se deles cerca de um tiro de pedra” (Lc 22:41). No entanto, desde que a redenção foi realizada, muitos dos Seus passaram por uma agonia com Deus sobre o que estavam enfrentando em sua vida, e então eles foram capazes de passar por tudo isso com uma força e coragem que só Deus poderia dar. O mundo nunca viu as lágrimas e a agonia que enfrentaram em particular na presença de Deus, viram somente o resultado da calma e da paz.

 

Nosso Senhor, na presença de Seu Pai e em fervorosa oração a Ele, nunca sucumbiu à tentação como Adão e Eva. Ele foi Fiel e Obediente onde eles falharam, e Sua vitória na cruz do Calvário é o meio não apenas de nossa salvação, mas também de glorificar a Deus quanto ao pecado. No entanto, a agonia no jardim do Getsêmani não seria a última vez que o monte das Oliveiras veria o Senhor Jesus. Virá um tempo em que nosso Senhor realmente retornará àquele monte, o lugar chamado Getsêmani, mas então será em poder e glória. Grandes mudanças geográficas ocorrerão (veja Zc 14:4-5), das quais não falaremos agora. Mas Aquele que agonizou lá antes de ir para a cruz voltará para reivindicar Seu lugar de direito. Assim como nosso coração ficou admirado e reverente diante dessa cena de agonia, também podemos estar entre aqueles “que amam a Sua Aparição” (2 Tm 4:8 – JND).

 

W. J. Prost

 

O Sepulcro do Jardim


Muito tem sido escrito sobre o jardim do Getsêmani, onde nosso Senhor Jesus passou pela agonia da cruz com Seu Pai. É significativo que é apenas o evangelho de João que chama o monte das Oliveiras e o Getsêmani de jardim, e é apenas em João que a palavra “jardim” é usada em conexão com o sepulcro novo onde nosso Senhor foi sepultado. João registra que “havia um horto [jardim – ARA] naquele lugar onde fora crucificado” (Jo 19:41 ARA). Esse não era o jardim do Getsêmani, pois nosso Senhor quase certamente foi crucificado do lado de fora do portão de Damasco, no lado norte de Jerusalém, enquanto o jardim do Getsêmani ficava do outro lado do vale do Cedrom, a leste de Jerusalém. Muitas conjecturas foram oferecidas quanto ao lugar exato onde nosso Senhor foi crucificado, mas é impossível hoje ter certeza absoluta do local da crucificação ou do sepulcro de José de Arimateia. No entanto, sabemos pela Escritura que o jardim ao qual João se refere estava perto do lugar onde Jesus foi crucificado e que continha um novo sepulcro, de propriedade de José de Arimateia.

 

Embora não seja nosso desejo especular, é razoável supor que o jardim ao redor do sepulcro também era de propriedade particular de José, pois a Escritura observa que ele era um homem rico. Ele também era um conselheiro, um membro do Sinédrio Judaico, mas alguém que não havia concordado com o plano deles de matar o Senhor Jesus. O jardim provavelmente era seu próprio lugar para descanso e relaxamento, e o lugar onde ele já havia providenciado seu próprio enterro. Uma irmã piedosa em Cristo, há mais de 150 anos, talvez com um toque de imaginação, descreveu o sepultamento do Senhor desta forma:

 

“Lá as oliveiras cresciam e as palmeiras balançavam, e lá naquele jardim havia um sepulcro escavado na rocha sólida. Vi, no decorrer do tempo, alguns homens e mulheres que, com olhos marejados de lágrimas, um toque carinhoso e uma pressa silenciosa, colocaram um Corpo para descansar – um Corpo envolto em vestes mortuárias brancas como a neve...

 

“Mas aquele funeral, feito em tanto segredo, com tanta pressa... aquele funeral foi o mais grandioso que já houve na Terra. A criação perdeu seu fôlego em silente reverência; os anjos pasmaram, enquanto o Criador era colocado, por aquele punhado de Suas trêmulas criaturas, naquele sepulcro rochoso” (JJJ, Clay and Stone, págs. 86-87).

 

Sepulcro de José 

Embora o sepulcro de José seja mencionado no registro de todos os quatro evangelhos, já observamos que apenas no de João é mencionado que o sepulcro estava em um jardim. Além disso, é o único evangelho em que o Getsêmani é especificamente referido como um jardim. É significativo que, embora João use a palavra “jardim” em conexão com o Getsêmani, ele não registra a agonia e a oração do Senhor Jesus, embora tenha sido o único dos quatro escritores dos evangelhos que estava presente lá. 

 

Ao falar do motivo dessa última omissão, trilhamos terra santa, mas com reverência eu sugeriria que tudo isso está de acordo com a maneira como João apresenta o Senhor Jesus; Ele O apresenta como o eterno Filho de Deus. Como o Filho de Deus, Ele era superior a todas as Suas circunstâncias e, portanto, os únicos incidentes registrados no Getsêmani são as demonstrações de Seu poder. Primeiro, havia a referência a Si mesmo como o “Eu sou”, o que fez com que Seus pretensos capturadores recuassem e caíssem por terra. Em segundo lugar, houve uma demonstração de Seu poder em graça: Ele curou a orelha de Malco, que Pedro havia cortado.

 

Novamente falando com reverência, Deus não Se esqueceu do que era devido ao Seu Filho amado como Homem – Aquele que sempre fez Sua vontade. Ele primeiro forneceu um jardim no monte das Oliveiras, e agora Ele fornece um jardim para Seu amado Filho na morte. Uma vez que a obra da redenção estava completa, Deus nunca mais permitiu que mãos perversas tocassem a Pessoa de Seu Filho novamente. O último ato que o homem foi autorizado a fazer foi o soldado perfurar o lado do Senhor Jesus. Depois disso, apenas aqueles que tinham fé tocaram em Seu corpo.

 

O sepultamento de um homem rico 

Em Isaías 53:9, lemos: “E os homens designaram Sua sepultura com os ímpios, mas Ele esteve com o rico em Sua morte” (JND). Deus havia ordenado que Seu Filho tivesse o sepultamento de um homem rico e em um jardim, que fala de paz e descanso. Ainda hoje os homens muitas vezes tentam tornar os cemitérios o mais bonitos possível, com árvores, grama e flores, e aqueles cujos entes queridos descansam lá, muitas vezes colocam flores e outros ornamentos em lápides. Deus também honraria Seu Filho, mesmo que o homem O tivesse crucificado.

 

No entanto, mesmo que o homem possa embelezar um cemitério, ele continua sendo um lugar de sepulcros e morte. Mas com nosso Senhor Jesus, aquele sepulcro em que Ele foi colocado logo estaria vazio, pois Ele havia dito claramente que ressuscitaria. Assim também os que morreram, tendo depositado sua confiança n’Ele.

 

As especiarias 

Há algo muito especial a notar também sobre as especiarias que Nicodemos trouxe para embalsamar o Senhor. Está registrado em João 19:39 que Nicodemos levou “quase cem libras de um composto de mirra e aloés”. Juntos, José de Arimateia e Nicodemos sepultaram nosso bendito Senhor, um fornecendo o sepulcro novo e o outro as especiarias.

 

Mirra 

Mas em Salmo 45:8 lemos que, “Todas as Tuas vestes cheiram a mirra, a aloés e a cássia, desde os palácios de marfim de onde Te alegram”. A mirra é obtida de uma pequena árvore espinhosa, mas é necessário “ferir” continuamente a árvore cortando profundamente a casca para que a seiva “sangre”. Em seguida, forma uma resina gomosa e perfumada que tem sido considerada muito valiosa ao longo da história do mundo. Fala de fragrância por meio do sofrimento – aquilo que ascendeu a Deus na perfeita obediência de Seu amado Filho. Tem o caráter do cheiro suave do holocausto.

 

Aloés 

Aloés também é extraído da madeira de uma árvore. Tem a característica incomum de ser de sabor amargo, mas produzindo uma agradável fragrância. Isso nos fala da oferta pelo pecado, pois o sofrimento pelo pecado produziu a mais agradável fragrância. O resultado de toda essa amargura e sofrimento foi resolver toda a questão do pecado diante de um Deus santo e fornecer um caminho para a remoção do pecado, não apenas daqueles que creem, mas por fim, de todo o universo.

 

Cássia 

Finalmente, as vestes do Senhor foram permeadas com cássia, uma especiaria que é extraída dos galhos e casca da árvore de canela. Embora tenha um aroma forte e agradável, também foi bem reconhecida por milhares de anos como tendo propriedades medicinais e curativas. Eu sugeriria que ela fala de cura e conforto. Alguns podem perguntar: Por que então não estava presente nas especiarias trazidas por Nicodemos? A resposta é linda. Sem a ressurreição, não poderia haver salvação, cura e conforto. Preciosa como foi Sua obra na cruz, não teria sido suficiente para tirar o pecado, se Ele tivesse permanecido no sepulcro. É na ressurreição que temos a cássia, talvez mais bem descrita em João 20:17“Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus”. A cássia não é especificamente nomeada, mas o resultado é claro. Somos levados ao favor e ao relacionamento, não apenas com Deus, mas com Deus como nosso Pai. Nunca havia existido esse relacionamento antes, pois enquanto Deus sempre foi, em certo sentido, “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4:6), ainda assim Ele nunca havia sido conhecido pelo homem como Pai, no sentido íntimo desse relacionamento. Esse é, de fato, um relacionamento do qual fluem a cura e o conforto.

 

Aquele sepulcro está vazio agora, pois, como Ele havia dito, nosso bendito Senhor ressuscitou triunfante dentre os mortos e depois ascendeu ao Pai. Em breve, todos os redimidos se juntarão a Ele ali, para sempre, para celebrar Sua vitória sobre a morte e o sepulcro.

 

W. J. Prost

 

O Jardim do Senhor


Jardim fechado és tu, irmã minha, esposa minha,

manancial fechado, fonte selada.

Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes:

o cipreste e o nardo,

o nardo e o açafrão

o cálamo e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso,

a mirra e aloés, com todas as principais especiarias.

És a fonte dos jardins, poço de águas vivas, que correm do Líbano!

Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas.

 

Ah! Se viesse o meu amado para o seu jardim,

e comesse os seus frutos excelentes!”

 

Já vim para o meu jardim, irmã minha, minha esposa;

colhi a minha mirra com a minha especiaria,

comi o meu favo com o meu mel,

bebi o meu vinho com o meu leite.

Comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados. (Ct 4:12 – 5:1).

  

Com essas palavras escolhidas do livro de Cantares, o Noivo compara Sua noiva a um jardim de delícias. Provavelmente, todos os crentes, com o coração aberto para entender a Escritura, concordariam que no Noivo, ou no “Amado”, de Cantares, temos uma bela figura de Cristo. A maioria também admitiria que, na interpretação do Cântico, a noiva representa o povo terrenal de Cristo.

 

No entanto, embora a interpretação estrita da noiva tenha em vista o povo terrenal de Cristo, certamente estamos justificados em fazer uma aplicação à Igreja, a Noiva celestial de Cristo.

 

Além disso, se pudermos descobrir nesse jardim as excelências que Cristo encontraria em Sua Noiva celestial, não aprendemos ao mesmo tempo o que o amor de Cristo está procurando no coração daqueles que compõem a Noiva? Que possamos, então, meditar um pouco sobre esse jardim, com seu manancial, seu fruto, suas especiarias e suas águas vivas, como descrevendo o que o Senhor desejaria que nosso coração fosse para Ele próprio.

 

Meu jardim – Seu jardim 

Primeiro, notamos que o Noivo sempre fala do jardim como “Meu jardim”, enquanto a Noiva se deleita em possuí-lo como “Seu jardim”. “Levanta-te, vento norte... assopra no meu jardim”, diz o Noivo. A Noiva responde: “Ah! Se viesse o meu amado para o Seu jardim”. A aplicação é clara – o Senhor reivindica nosso coração para Si mesmo. “Dá-Me, filho Meu, o teu coração”, diz o Pregador (Pv 23:26). Não é simplesmente o nosso tempo, nossos meios, nosso cérebro e nosso serviço ativo que o Senhor deseja, mas primeiro e acima de tudo, Ele reivindica nossas afeições. O jardim deve ser o jardim d’Ele.

 

Ao lermos essa bela descrição do jardim do Senhor, observamos cinco características notáveis que estabelecem em figura o que o Senhor deseja que nosso coração seja para Si mesmo. Primeiro, o jardim do Senhor é um jardim fechado. Em segundo lugar, é um jardim regado com o seu manancial fechado e a sua fonte selada. Terceiro, é um jardim frutífero – um paraíso de romãs com frutos preciosos. Quarto, é um jardim perfumado com árvores de incenso e todas as principais especiarias. Por último, é um jardim refrescante de onde fluem “as águas vivas” e a fragrância das suas especiarias é espalhada para o mundo em redor.

 

O jardim fechado 

Se o coração deve ser mantido como um jardim para o prazer do Senhor, deve ser como um “jardim fechado”. Isso fala de um coração separado do mundo, preservado do mal e separado para Ele. Ouvimos nosso Senhor dizer a Seu Pai que os Seus são um povo separado, pois Ele pode dizer: “porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo” (Jo 17:14).

 

Será que o Pregador não nos exorta a manter nosso coração como um “jardim fechado”, quando diz: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração” (Pv 4:23)? Mais uma vez, fazemos bem em atender às próprias Palavras do Senhor. A menos que o cinto da verdade esteja cingindo nossas afeições e pensamentos, quão rapidamente nossa mente será atraída pelas coisas deste mundo, e o coração deixará de ser um “jardim fechado”.

 

Quão necessário, então, ter nosso coração separado do mundo e preservado do mal. No entanto, a recusa do mundo e da carne não será suficiente para constituir nosso coração num “jardim fechado”. O Senhor deseja que nosso coração seja santificado, ou separado para Seu prazer, por estarmos ocupados com a verdade e tudo o que está de acordo com Cristo. Será que Paulo não coloca diante dos filipenses um “jardim fechado” – um coração santificado para o Senhor – quando diz: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp 4:8)? Assim libertos de tudo o que possa vir entre a alma e Deus, nosso coração estará em liberdade para desfrutar das coisas de Cristo e nossa mente livre para “nisso pensai” – essas coisas santas e puras que devem marcar alguém cujo coração é um “jardim fechado”.

 

Um jardim regado 

O coração separado para o Senhor terá sua fonte oculta de refrigério e gozo. Será um jardim com um “manancial fechado” e uma “fonte selada”. Um manancial é um suprimento inesgotável; uma fonte que sobe de sua nascente. O Profeta pode dizer, de alguém que anda de acordo com a mente do Senhor, que sua alma será “como um jardim regado e como um manancial cujas águas nunca faltam” (Is 58:11). O mundo depende inteiramente das circunstâncias ao seu redor para sua passageira alegria, o crente tem um manancial de gozo interior – a vida oculta vivida no poder do Espírito Santo.

 

Como o manancial da vida, o Espírito Santo atende a todas as nossas necessidades espirituais, guiando-nos “em toda a verdade”; como a fonte da vida, Ele envolve nosso coração com Cristo acima. O Senhor pode dizer: “Espírito de verdade, que procede do Pai, Ele testificará de Mim” – Cristo em Seu novo lugar na glória. Assim, como o Manancial, Ele refrigera nossa alma com a verdade; como a Fonte que salta de sua nascente, Ele envolve nosso coração com Cristo.

 

Lembremo-nos, no entanto, de que o manancial, que é a fonte da bênção, é um “manancial fechado”, e a fonte é uma “fonte selada”. Isso nos lembra que a fonte de bênção no crente está selada a este mundo e totalmente separada da carne. O Senhor fala do Consolador como Aquele que “o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece; mas vós O conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (Jo 14:17). Novamente lemos: “a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se Um ao outro” (Gl 5:17). Podemos nos importar com as coisas da carne e nos desviar para o mundo, apenas para descobrir que entristecemos o Espírito para que nosso coração, em vez de ser como um jardim regado, se torne apenas um deserto seco e estéril.

 

Um jardim frutífero 

O “manancial” e a “fonte” transformarão o jardim do Senhor em um jardim frutífero – “um pomar de romãs, com frutos excelentes”. O Espírito não entristecido produzirá em nosso coração “o fruto do Espírito”, que, segundo o apóstolo, “é caridade [amor – ARA], gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança [controle próprio – JND] (Gl 5:22). O que, de fato, são esses preciosos frutos do Espírito senão a reprodução do caráter de Cristo no crente? A fonte, elevando-se de sua nascente, ocupa-se de Cristo e de Suas excelências e, contemplando a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória. Assim, o coração se torna um jardim do Senhor que produz frutos preciosos para o deleite de Seu coração.

 

Um jardim perfumado 

O jardim do Senhor não é apenas um jardim de frutos preciosos, mas um jardim de especiarias do qual surgem agradáveis odores. Na Escritura, o fruto fala das excelências de Cristo, mas as especiarias, com suas fragrâncias, falam da adoração que tem Cristo como seu Objeto. Na adoração, não há o pensamento em receber bênçãos de Cristo, mas em levar a Cristo a adoração de nosso coração. Quando os sábios do Oriente se encontraram na presença do “Menino”, eles se prostraram e “O adoraram”, e “apresentaram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2:11). Quando Maria ungiu Jesus com “uma libra de unguento de nardo puro”, ela estava lá como uma doadora para prestar a adoração de um coração cheio da percepção de Sua bem-aventurança. Quando ela está aos Seus pés como adoradora, com seu precioso unguento, lemos: “e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo” (Jo 12:1-3).

 

Em nossos dias, se nosso coração for para ser um jardim do Senhor, não nos esqueçamos de que o Senhor não apenas procura os preciosos frutos do Espírito, reproduzindo em nós algo de Seus adoráveis traços, mas também o espírito de adoração que se eleva a Ele como um cheiro suave.

 

Um jardim refrescante 

Por último, o Senhor gostaria que Seu jardim fosse uma fonte de refrigério para o mundo ao redor. Assim, o Senhor fala do crente, habitado pelo Espírito Santo, quando diz: “do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7:38).

 

Aprendemos em Cantares que o Senhor quer nosso coração como um jardim de deleites para Si mesmo. Ele deseja entrar e habitar em nosso coração. Se demorarmos a deixá-Lo entrar, Ele pode permitir circunstâncias adversas, provações e tristezas, a fim de nos levar a Si mesmo, para que possamos dizer como a noiva: “Ah! Venha o meu amado para o Seu jardim” (ARA). Se nos abrirmos a Ele, experimentaremos a verdade de Suas próprias Palavras: “se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, Comigo” (Ap 3:20).

 

Se, então, o coração do crente for mantido separado do mundo, preservado do mal e separado para o Senhor, ele se tornará como um “jardim fechado”. Nesse jardim será encontrado um manancial de gozo e frescor secretos que, como uma fonte, sobe de sua nascente. A fonte, brotando de sua nascente, produzirá frutos preciosos, as excelências de Cristo.

 

O fruto que fala dos traços morais de Cristo no coração do crente levará à adoração que se eleva como um cheiro suave ao coração de Cristo.

 

O coração que prossegue em adoração a Cristo se tornará uma fonte de bênção para o mundo ao redor.

 

À luz dessas passagens, podemos muito bem orar a oração do Apóstolo quando ele se ajoelha ao Pai e pede “para que, segundo as riquezas da Sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração” (Ef 3:16-17).

 

O Senhor reivindica a afeição não dividida de nosso coração. O jardim deve ser o Seu jardim. Além disso, se o Senhor reivindica nosso coração para ser um jardim para o Seu deleite, ele deve ter as marcas do jardim que está de acordo com a Sua mente.

 

H. Smith (adaptado)

 

A Escolha da Carne


Sob a influência de outros, Ló aceitou o caminho oposto: Deixado à sua própria escolha, ele mostrou que o mundo estava em seu coração (Gn 13:10-13). Sem buscar orientação de Deus, ele escolheu seu caminho de acordo com a vista. “Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão.” Era uma visão sedutora e prometia facilidade e abundância no presente. Em todos os lugares havia água para seus rebanhos, sem o trabalho de cavar poços. A planície era tão frutífera que era “como o jardim do Senhor”. O mais significativo de tudo, era como a terra do Egito”. Ai! Ló, tendo seguido Abraão até o Egito, adquiriu um gosto pelos prazeres do Egito e, assim, fortaleceu o desejo de facilidade e abundância mundanas.

 

Então Ló escolheu toda a planície do Jordão, desistiu do caminho separado pelo qual nunca teve fé pessoal e deixou para sempre a terra de Canaã. Não havia nada de grosseiro ou errado em escolher uma planície bem regada, mas provava que o coração não estava voltado para a terra invisível da promessa de Deus. Além disso, o perigo real das planícies bem regadas era que Satanás havia criado Sodoma no meio delas.

 

Abraão permaneceu na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície. Tendo deixado o caminho da fé e escolhido o caminho da vista e da facilidade mundana, seu caminho era sempre para baixo, pois lemos a seguir que ele “armou sua tenda em direção a Sodoma”. Desta cidade nos é dito: “os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o SENHOR”. Ainda aprenderemos que, para Ló, não houve recuperação. Mais e mais ele afundou, até que finalmente saiu de cena sob uma nuvem de vergonha e desonra.

 

H. Smith

 

O Prazer do Mestre


Lembro-me de quando tive um jardim pela primeira vez e não sabia nada sobre a cultura das rosas, como fiquei encantado quando notei um crescimento mais vigoroso em uma bela roseira. Procurei muitas flores perfumadas naquele galho que parecia se alongar em centímetros todos os dias, mas nenhuma rosa apareceu, e os outros brotos que traziam rosas começaram a definhar e deixar de florescer. Então percebi que esse crescimento mais promissor era o produto da raiz do espinheiro e, como ela não havia sido cortada, lamentavelmente a árvore havia sofrido. Para aquela estação, não apresentou nenhuma de sua beleza anterior. O eu em nós permanece o mesmo e permanecerá até o fim, e se a vida de Jesus for para ser manifestada em nosso corpo mortal, deve haver a mortificação de nossos membros que estão sobre a Terra. Devemos ser aqueles que não têm confiança na carne. O julgamento próprio deve ser a nossa regra. Muitos brotos promissores terão que ser cortados, e nós seremos feitos pequenos, se Cristo for para ser visto em nós. Muitas dessas experiências amargas na vida, quando coisas que apreciávamos e das quais podíamos nos orgulhar, que faziam algo de nós, mas que nos foram tiradas, foram simplesmente a sábia poda do Mestre para que Cristo pudesse ser magnificado em nós. Se fomos plantados para o prazer do Mestre em Seu jardim, devemos estar sujeitos ao Seu cultivo, ou então ocuparemos a terra inutilmente. Quantas vezes, sob esse cultivo, nosso orgulho foi repreendido e nossa vaidade ferida, e essa poda deve continuar até o fim; a experiência não é alegre enquanto dura, pois a afiada tesoura de poda parece cortar o âmago de nosso ser, mas tudo se destina a produzir depois aqueles frutos pacíficos de justiça, as rosas perfumadas que encantam os olhos do Mestre. Ah! Vamos nos render à mão do Mestre que sempre usa a tesoura para o nosso bem.

 

J. T. Mawson

 

Flores da Graça no Jardim do Senhor


O evangelho foi plantado no nosso coração para que possa desenvolver a sua beleza na nossa vida. Temos apenas que nos render ao bendito cultivo da graça de Deus e estar sujeitos ao próprio Senhor, de Quem somos lavoura, e a bem-aventurança do evangelho logo será vista. A mansidão e a gentileza de Cristo não serão meras frases em nossos lábios, mas belas realidades em nossa vida. O evangelho nos trouxe perdão, para que perdoemos aos outros; trouxe paz à nossa alma, para que sejamos pacíficos; colocou-nos em justiça diante de Deus, para que sejamos justos de maneira prática em nossos caminhos; trouxe-nos o conhecimento do amor de Deus, para que nos amemos uns aos outros e façamos o bem a todos os homens. E essas flores da graça não florescerão e murcharão em um dia como acontece nas flores em nossos jardins; elas são flores eternas. O próprio Deus as preservará, pois elas O glorificam, e aquilo que O glorifica, porque é o fruto de Sua própria Palavra, viverá e permanecerá para sempre. O poeta Gray disse em tom melodioso:

 

“Muitas flores nascem para desabrochar sem serem vistas

 E desperdiçar sua fragrância no ar do deserto”.

 

Mas essas flores da graça que adornam o evangelho na vida do povo de Deus não estão nessa categoria. Deus as vê e Se deleita em sua fragrância, mesmo que ninguém mais se importe. Mas outros também as veem, e muitos Cristãos cansados foram revigorados e abençoados por sua fragrância. Uma professora disse a uma amiga minha: “Seu jardim dá prazer a muitos. Eu trago minhas meninas todos os dias, pois gosto que elas apreciem coisas bonitas”. Ela falou de um jardim terrenal que está para desaparecer, mas aquelas são flores celestiais no jardim do Senhor que abençoam a alma. Elas floresceram bem na jovem assembleia em Antioquia. E Barnabé, que havia viajado todo o caminho de Jerusalém para ver o que Deus havia feito lá, ficou feliz quando viu a graça de Deus. O evangelho foi assim tornado visível lá (At 11).

 

J. T. Mawson

 

Diferença entre o Paraíso e o Terceiro Céu 


Há uma diferença entre o paraíso e o terceiro céu. O primeiro é o lugar das delícias, o jardim das delícias com o qual Deus rodeia a Si mesmo, o paraíso de Deus; o outro é aproximar-se do próprio Deus no lugar Santíssimo (ou Santo dos Santos), para onde Cristo Se foi.

 

J. N. Darby

 

Getsêmani – O Lugar da Dor


No jardim do Getsêmani, o assunto de Seu temor – esse terrível julgamento, no qual Satanás teve seu poder, se torna Sua gloriosa obediência, e Ele Se apresenta na calma de toda a Sua vida, e com tal evidência do poder divino que a acompanha, que Seus inimigos retrocedem e caem por terra. Ele Se entrega de acordo com a vontade do Pai. Satanás não tem nada a ver com isso. Isso foi muito glorioso. O Getsêmani, aquele lugar de tristeza, mas fonte de deleite e libertação para nós, cavado nas profundezas da alma de Cristo, já passou.

 

J. N. Darby

 

 O Jardim do Senhor

 

O Senhor te chamou, apartado apenas para Si mesmo?

Fechado apenas com a Sua presença?

Em um jardim fechado, você pode dar frutos preciosos,

Que apenas aos Seus olhos é conhecido.

 

Os frutos do Espírito, tão preciosos para Ele,

Não precisam de vida ativa para ser conhecidos,

Mas em quietude, descanso, paciência e paz,

Estes frutos em Sua presença são cultivados.

 

O amor e a gentileza, bondade, gozo, fé,

Que vêm de Seu grande coração de amor,

Só podem ser conhecidos, quando estamos descansando n’Ele,

Ocupados com Aquele lá em cima.

 

A paz e a longanimidade, a temperança também,

A mansidão, expressa por nosso Senhor,

Foram todas mostradas em Jesus, quando aqui na Terra

Ele andou como um Homem diante de Deus.

 

Lá em cima na glória, Ele vive por nós agora,

O Cordeiro, que uma vez veio a este mundo;

E procura pelo Seu Espírito, trabalhar nos Seus,

Para darem frutos para o Seu precioso nome.

 

Em um jardim fechado, fechado com Ele apenas,

É o lugar para essas graças crescerem;

Onde somos regados por rios e riachos de Seu amor,

E Sua presença é continuamente conhecida.

 

L. Beckwith

 

“E serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas nunca faltam”

 

Isaías 58:11

 

 

 

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