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O Homem Perfeito e Dependente (Janeiro de 2024)


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Revista mensal publicada pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          W. J. Prost

         F. W. Lavington, Christian Treasury, Vol. 5

          W. R. D. Christian Friend, Vol. 6 (adaptado)

         J. N. Darby – Synopsis, Lucas 22

         Bible Talks, Messages of God’s Love, 10/03/1954

         W. J. Prost

         H. Smith

         W. J. Prost

          J. N. Darby (adaptado)

          The Bible Student, Vol. 2, pág. 228

          Christian Truth, Vol. 16

          The Young Christian, Vol. 36

          C. A. Miles

 

O Homem Perfeito e Dependente 


A oração, como a conhecemos hoje, foi exemplificada pela primeira vez na vida de nosso bendito Senhor. Embora fosse plenamente Deus, Ele tomou o lugar do Homem perfeito e dependente. Ele era frequentemente encontrado em oração, de modo que Seus discípulos, vendo isso, fizeram o pedido: “Ensina-nos a orar” (Lc 11:1). Quando o Senhor Jesus estava prestes a ir para a cruz, Ele enfatizou aos Seus discípulos que a oração seria o recurso deles na Sua ausência. No chamado ministério do cenáculo, particularmente em João 16, Ele lhes disse: “Tudo o que pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá” (Jo 16:23). A oração ao Pai em Seu nome seria respondida. Seguindo essas exortações, temos abundante referência à oração nas epístolas, mostrando-nos a importância que Deus atribui a ela em nossa vida. Verdadeiramente, como foi dito: “Uma vida sem oração é uma vida sem poder”.

 

W. J. Prost

 

O Senhor Jesus em Oração


Várias passagens no Evangelho de Lucas trazem diante de nós o Senhor Jesus como um Homem perfeito, e dependente em oração. Vamos considerar essas orações.

 

“Sendo batizado também Jesus, orando Ele, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3:21-22). Aqui o Senhor acabara de Se identificar com os poucos judeus piedosos que reconheceram a necessidade de arrependimento para a remissão dos pecados, seja para si mesmos ou para a nação em geral. Nosso Senhor, é claro, não tinha pecados a confessar, mas como um judeu piedoso Se identificaria com eles como estando no terreno correto. Então, enquanto Ele orava, veio uma voz direta do céu: “Tu és o meu Filho amado; em Ti Me comprazo” (Lc 3:22 – ARA).

 

Sabemos que o Senhor era o “Filho unigênito”, e nenhum outro pode entrar naquele lugar, mas Ele nos trouxe à posição de filhos diante do Pai. À medida que estamos em dependência e oração diante de Deus, entramos mais na plenitude da posição que temos por meio de Sua graça.

 

Ele foi para o deserto para orar 

“Porém Ele retirava-Se para os desertos e ali orava” (Lc 5:16). Isso aconteceu depois que o Senhor curou o leproso. Esse é um exemplo de oração em relação ao serviço. O serviço que o Senhor tinha para o pobre leproso e para testemunho ao povo era perfeito. Mas Ele não somente fez a cura, Ele foi a Deus em oração sobre isso. Essa é uma palavra para nós. Depois de qualquer pequeno serviço que possamos fazer por Ele, por mais débil e fraco que seja, paramos para pedir Sua bênção sobre ele? Toda a bênção sobre isso deve vir d’Ele.

 

Antes da escolha de Seus discípulos, Ele, “subiu ao monte a orar e passou a noite em oração a Deus” (Lc 6:12). Ele bem sabia que todos eles muitas vezes falhariam, não conseguindo entrar em Seus pensamentos, e que a respeito de um deles (Judas Iscariotes), Ele diria mais tarde: “Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo”. Quem pode dizer o que custou ao Santo, o Senhor Jesus, estar em associação com aquele homem durante Seu ministério público aqui, sabendo bem qual seria o fim de seu caminho?

 

Ele esteve em oração com Seu Pai a noite toda antes de escolher aqueles com quem estaria associado. A lição para nós nisso é a oração em conexão com aqueles a quem nos associamos. O Cristão não é deixado aqui para estar sozinho. O livro de Atos fala dos apóstolos indo “para os seus”, e como ficamos felizes em encontrar aqueles com quem podemos andar aqui como estando com o Senhor e diante d’Ele. Precisamos estar em comunhão com o Pai quanto àqueles que estamos associados.

 

A transfiguração 

“E, estando Ele orando, transfigurou-se a aparência do Seu rosto, e as Suas vestes ficaram brancas e mui resplandecentes” (Lc 9:29). Essa passagem bem conhecida, da transfiguração de nosso Senhor, está registrada em três dos evangelhos, mas é apenas em Lucas que nos é dito, “estando Ele orando”. Sabemos, é claro, que o Senhor é visto aqui em Sua própria glória, mas está chegando o dia em que “seremos semelhantes a Ele; porque assim como é O veremos”. Mesmo agora, se quisermos ser mais parecidos com Ele aqui, o caminho para alcançar isso é estar em oração a Deus e em dependência d’Ele dia após dia. Quanto mais estivermos em comunhão secreta com o Pai, mais seremos semelhantes a Cristo e teremos poder para representá-Lo aqui.

 

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).

 

Ensina-nos a orar 

“Disse-lhe um dos Seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11:1). Isso aconteceu quando, “estando Ele a orar num certo lugar”. Pode ter sido que ver o Senhor envolvido em oração tocou a consciência deles e despertou um desejo neles de orar também; daí o pedido que fizeram. E assim o Senhor lhes deu uma oração perfeitamente adequada à condição deles naquele momento. Tal oração, embora comumente chamada de oração do Senhor, não pode ser a expressão do próprio coração do Senhor, nem está de acordo com a posição Cristã completa. Por exemplo, não está no nome do Senhor, como mostrado em João 16:23: “tudo quanto pedirdes a Meu Pai, em Meu nome”.

 

O que significa pedir em nome d’Ele? Isso não significa, como alguns pensam, apenas adicionar o nome do Senhor Jesus ao final de nossas orações. Ele está ausente do mundo agora e nós somos Seus representantes. Assim, o Pai procura receber de nós orações que estejam de acordo com a mente de Jesus. É, por assim dizer, pedir por aquilo que Ele pediria. Se for verdade quanto às nossas petições, o Pai Se deleitará em concedê-las. Às vezes são ouvidos pedidos e petições de todo tipo que não têm esse caráter, e então, o nome do Senhor é adicionado como que para lhes dar peso. Isso é algo muito solene e não é nada o que se entende por pedir em Seu nome (veja Filipenses 4:6-7).

 

Observe que, embora nosso Senhor ensinasse Seus discípulos a orar e os incitasse a fazê-lo, Ele não lhes pediu que orassem por Ele, nem orou com eles.

 

Homens devem sempre orar 

Todo homem tem “o dever de orar sempre e nunca desfalecer” (Lc 18:1). Você pode perguntar como é possível estarmos sempre em oração. É claro que é impossível para nós estarmos sempre na atitude externa de oração. Isso tem sido comparado à forma como os nossos corpos são sustentados pela recepção de ar fresco do exterior, que oxigena os nossos pulmões e é necessário para a nossa própria vida. Assim é quanto à nossa vida espiritual: devemos estar na atmosfera de constante dependência em Deus, nossos pensamentos se voltando para Ele habitualmente ao longo do dia. Então, se a provação ou dificuldade vier em nosso caminho, podemos fazer alguma “respiração profunda”, apenas levantando nossos pensamentos e nosso coração para Ele. Nosso coração será então sustentado; o desânimo passa e nossa força é renovada. O Senhor sempre foi assim. Ele orava sempre e nunca desfalecia.

 

O Senhor, "pondo-Se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, passa de Mim este cálice” (Lc 22:41-42). O que o Senhor tinha diante d’Ele era a cruz na qual ninguém, além d’Ele mesmo, poderia jamais entrar. A partir disso, podemos ver como é muito importante para nós aprendermos a dizer com nosso coração: “todavia, não se faça a Minha vontade, mas a Tua”. A menos que cheguemos a essa renúncia de nossa vontade em favor da d’Ele, não teremos aprendido totalmente nossa lição, e não haverá plena paz de espírito que Ele deseja que desfrutemos.

 

Seguimos o caminho do nosso bendito Mestre nessas conexões em oração. Temos que reconhecer os nossos fracassos. De fato, o estado falido da Igreja de Deus, exteriormente, na Terra, deve ser atribuído em grande parte à triste falta desse espírito de oração em nossa própria alma e entre Seu povo. Que aprendamos esta lição e busquemos cada vez mais seguir “Suas pisadas”.

 

. W. Lavington, Christian Treasury, Vol. 5

 

 

“Meus Ouvidos Abriste”


Ao discorrer com Seus discípulos após Sua ressurreição, o Senhor disse que  “convinha que se cumprisse tudo o que de Mim estava escrito na Lei de Moisés,  e nos  Profetas, e nos Salmos” (Lc 24:44), indicando a concordância do testemunho encontrado na Escritura do Velho Testamento a respeito d’Ele. O assunto da orelha furada é um deles.

 

O servo hebraico 

Em Êxodo 21, temos uma ordenança Judaica profundamente interessante. Ela estabeleceu que o servo hebreu que fosse comprado deveria cumprir a ordenação de seu termo de serviço, e ele posteriormente teria direito à sua liberdade, mas se ele tivesse adquirido, durante sua servidão, uma esposa e filhos, estes deveriam ser entregues ao seu senhor, e o escravo sairia sozinho. Caso, no entanto, sua afeição por seu senhor, por sua esposa e por seus filhos impedisse que ele os deixasse, havia provisão feita por Jeová para que ele assumisse o serviço para sempre. Seu senhor, na presença dos juízes, deveria então furar a orelha com uma sovela, procedimento pelo qual seu serviço seria para sempre. Nesse ato impressionante, vemos um belo tipo d’Aquele Servo incomparável – Aquele Bendito cujo serviço a Seu Pai (ou Senhor), à Sua Igreja (ou esposa) e a Seu povo terrenal (ou filhos) será tanto perpétuo, quanto profundo.

 

Se passarmos agora da “lei de Moisés” para “os Salmos” (veja Salmo 40), encontramos novamente os ouvidos abertos, ou cavados, do Servo devotado. Embora fosse Um pobre e necessitado, Ele era poderoso para salvar e forte para libertar, mas Ele é descrito aqui como a Testemunha triste e sofredora empenhada em fazer a vontade de Deus, no corpo que havia sido preparado para Ele. Ele esperou pacientemente no SENHOR Deus, deleitando-Se em fazer Sua vontade. Que figura é essa do Servo perfeito, o Enviado de Deus! E no meio disso lemos aquela bela exclamação que forma a resposta divina à especial figura de Êxodo 21: “Os Meus ouvidos abriste [ou cavaste].

 

O ouvido aberto 

Novamente, se acrescentarmos a isso o testemunho completo dos “profetas” (veja Isaías 50:4-6), obteremos uma descrição ainda mais completa da devoção deste Servo perfeito. “O Senhor JEOVÁ”, Ele diz, “Me deu uma língua erudita, para que Eu saiba dizer, a seu tempo, uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-Me todas as manhãs, desperta-Me o ouvido para que ouça como aqueles que aprendem. O Senhor JEOVÁ Me abriu os ouvidos, e Eu não fui rebelde; não Me retiro para trás. As costas dou aos que Me ferem e a face, aos que Me arrancam os cabelos;  não escondo a face dos que Me afrontam e Me cospem”. Certamente nenhuma linguagem poderia expressar de forma mais tocante o quão verdadeiramente Ele Se esvaziou para Se tornar o Homem dependente sobre a Terra! E aqui podemos observar quão adequadamente o ouvido, sendo aquele órgão por meio do qual os mandamentos são recebidos, é, nessas passagens, o tema do ensino profético a respeito do Servo fiel de Deus. Nada poderia ser mais belo do que a atitude do Senhor Jesus de ouvir manhã após manhã, com o ouvido aberto de uma vontade submissa, para receber instruções de Seu Pai!

 

Assim também podemos entender o que de outra forma poderia parecer inexplicável – Sua recusa em fazer algo que Ele realmente faz logo depois. Há três exemplos disso no evangelho de João. No segundo capítulo, Sua mãe, ao se sentarem juntos no casamento em Caná, diz-Lhe de maneira significativa: (Eles) não têm vinho”. Em Sua resposta, Ele afirma: “Ainda não é chegada a Minha hora”. Mas houve apenas uma pequena pausa antes que Ele fizesse o gentil milagre que manifestou Sua glória! Também no sétimo capítulo, quando Seus irmãos sugerem que Ele suba à grande festa dos tabernáculos, “Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o Meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto”, indicando-nos certamente que, enquanto eles faziam a própria vontade, Ele esperava a vontade de Outro. Então, Ele permanece na Galileia, mas um ou dois dias depois sobe a Jerusalém, e que mensagem Ele é encarregado de transmitir! Novamente no décimo primeiro capítulo, depois de receber das amadas irmãs de Lázaro a mensagem sobre sua doença, Ele permanece dois dias ainda no mesmo lugar onde estava. Depois disso”, Ele diz a palavra inesperada aos Seus discípulos: “Vamos, outra vez, para a Judéia”. Quando o comovente apelo da família entristecida O alcançou, Ele não recebeu nenhuma palavra do Pai e, consequentemente, resistindo aos impulsos de Seu amor, Ele permanece onde estava.

 

Como o Servo cingido, Ele deve esperar ordens por meio de um ouvido aberto. O que terá Ele sentido em Sua profunda compaixão e empatia humanas, enquanto em Sua onisciência, Ele seguia os efeitos da doença até o ponto culminante da morte, permanecendo durante os dois dias inteiros, esperando a Palavra que aguardava? Por fim, Ele recebe esse aviso de manhã; o Senhor Jeová despertou Seu ouvido para ouvir como o Aprendiz, e Ele dá o sinal para a partida.

 

Temores humanos 

Agora, porém, surge outra coisa. Seus discípulos, na timidez da incredulidade, trazem seus temores humanos e O desaconselham a retornar à Judéia; há um leão no caminho! Quão cheia de sabedoria divina e de luz celestial é a resposta pronta com a qual Ele não apenas silenciou as oposições dos discípulos, mas dissipou as ansiedades deles! “Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas se alguém andar de noite, tropeça, porque a luz não está nele” (Jo 11:9-10 – TB). E assim como Ele não seria induzido pelo amor precioso e terno de Seu coração humano a se mover em direção à Judéia até que tivesse a palavra de Jeová em Seu ouvido, por outro lado, Ele não seria impedido de voltar para lá por quaisquer apreensões de inimizade Judaica ou oposição satânica. A vontade d’Aquele que O enviou havia caído sobre Seu ouvido aberto, e foi suficiente.

 

O Servo perfeito 

Que lição de sujeição à vontade do Pai essas passagens nos transmitiriam se apenas tivéssemos um espírito ensinável como o d’Ele! Ele não Se comove com as sugestões de Sua mãe, com as súplicas de Seus irmãos e com os sussurros de Seu próprio coração, e igualmente não é impedido pelas dissuasões que vêm de Seus discípulos. Como o Servo perfeito, em absoluta submissão à vontade e perfeita entrega de Si mesmo, Ele espera pela palavra de Jeová e, tendo-a recebido, Ele trilha o caminho até então inexplorado de um homem perfeitamente obediente e dependente. Aquele que era companheiro de Jeová entregou-Se ao sofrimento e à servidão e não escondeu o rosto de vergonha e da cusparada. Precioso e inigualável Salvador!


Um corpo preparado 

Se, para concluir, pudermos acrescentar uma palavra sobre Seu caráter distinto de serviço a nós, três passagens bem conhecidas trarão seu passado, seu presente e seu caráter futuro divinamente diante de nós. Em Hebreus 10, o apóstolo se refere ao Salmo 40, uma Escritura que já vimos, onde as palavras “Abriste os Meus ouvidos” são citadas da Septuaginta, onde temos: “Mas corpo Me preparaste”. Naquele corpo Ele carregou nossos pecados e, por Sua morte, nos libertou da ira vindoura. Ele estava nos servindo ali, pois esta era a vontade de Deus, que por meio de tal serviço Ele O glorificasse e tomasse despojos do inimigo.

 

Em João 13, antes de partir, sabendo que o Pai havia confiado tudo à Sua mão, Ele deixa de lado Suas vestes e Se torna o Servo cingido de nossa necessidade diária presente. No mesmo ato, Ele repreende Seus discípulos por sua luta imprópria (compare Lc 22:24) e coloca diante deles quais deveriam ser Suas ministrações em favor de Seus santos durante a longa noite de Sua ausência. Ele seria um Padrão para o nosso cuidado e amor um pelo outro.

 

O Servo cingido 

E, por último, em Lucas 12 – onde Ele dá a cada verdadeiro santo o crédito de ser alguém que vigia por Seu retorno – Ele amorosamente alegra o coração deles com a revelação, até então inédita, de que Ele tinha um propósito profundamente desejado para cumprir na glória, ou seja, o de nos fazer sentar à mesa e Se apresentará Ele próprio então como o Servo cingido daqueles a quem Ele Se deleitará em servir para sempre. Que possamos ter o entendimento tão exibido por Ele quanto aos ouvidos abertos, para que pela graça possamos assimilar esta lição da lei de Moisés, dos Salmos e dos Profetas a respeito d’Ele. Somos habitados pelo mesmo Espírito. Que possamos exibir a mesma abnegação para a glória de nosso Senhor.

 

W. R. D., Christian Friend, Vol. 6 (adaptado)

 

O Homem Perfeito e Dependente no Getsêmani 


A perfeita dependência do Senhor como Homem é manifestada no Getsêmani da maneira mais impressionante. Em Lucas, toda a cena do Getsêmani e da cruz, é do Homem perfeito e dependente. Ele ora: Ele Se submete à vontade de Seu Pai. Um anjo O fortalece: esse era o serviço deles ao Filho do Homem. Depois, em profundo conflito, Ele ora mais intensamente: como o Homem dependente, Ele é perfeito em Sua dependência. A profundidade do conflito aprofunda Sua comunhão com o Pai. Os discípulos foram dominados apenas pela sombra daquilo que levou Jesus a orar. Refugiam-se no esquecimento do sono. O Senhor, com a paciência da graça, repete Sua advertência, e a multidão chega. Pedro, confiante quando advertido, dormindo na aproximação da tentação quando o Senhor estava orando, ataca com sua espada quando Jesus Se permite ser levado como uma ovelha ao matadouro, e então, ah! Nega a verdade enquanto Jesus a confessa. Mas, por mais submisso que o Senhor fosse à vontade de Seu Pai, Ele mostra claramente que Seu poder não se afastou d’Ele. Ele cura a ferida que Pedro infligiu ao servo do sumo sacerdote e, em seguida, permite ser levado preso, com a observação de que era a hora dos que O levam e o poder das trevas. Triste e terrível associação!

 

Conflito 

Há elementos do mais profundo interesse que aparecem na comparação deste evangelho com outros nesta passagem, e elementos que trazem à tona o caráter deste evangelho da maneira mais impressionante. No Getsêmani, temos o conflito do Senhor revelado de forma mais completa em Lucas do que em qualquer outro lugar, porém, na cruz temos Sua superioridade aos sofrimentos em que Ele estava. Não há manifestação dos sofrimentos: Ele está acima deles. Não é, como em João, o lado divino da figura. Lá no Getsêmani não temos agonia, mas quando Ele revela Quem é, eles recuam e caem no chão. Na cruz, em João, não há “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?”, mas Ele entrega o Seu próprio Espírito a Deus. Isso não é assim em Lucas. No Getsêmani, temos o Homem de dores, um Homem que sente em toda a sua profundeza o que estava diante d’Ele e olha para Seu Pai. “E, posto em agonia, orava mais intensamente”. Na cruz temos Aquele que, como Homem, Se curvou à vontade de Seu Pai e está na quietude d’Aquele que, em qualquer tristeza e sofrimento, está acima de tudo. Ele diz às mulheres que choram que chorem por elas mesmas, não por Ele – o madeiro verde –, pois o julgamento está por vir. Ele ora por aqueles que O estavam crucificando; Ele fala de paz e gozo celestial ao pobre ladrão que foi convertido. Ele estava indo para o paraíso antes que o reino viesse. O mesmo é visto especialmente no fato da Sua morte. Não é, como em João, entregar Seu Espírito; mas em Lucas diz: “Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu Espírito”. Ele confia Seu Espírito na morte, como um Homem que conhece e crê em Deus, Seu Pai, Aquele que Ele assim conheceu. Em Mateus, temos o abandono de Deus e Sua percepção disso. E, nesse caráter do Evangelho, revelando Cristo, de maneira inconfundível e perfeita, como Homem, e o Homem perfeito, está cheio do mais profundo interesse. Ele passou por Suas tristezas com Deus, e então em perfeita paz estava acima de todas elas. Sua confiança em Seu Pai era perfeita, mesmo na morte – um caminho não trilhado pelo homem até então, e que nunca será trilhado pelos santos. Se o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras no momento da sega, a arca nas profundezas do Jordão fez uma passagem seca em direção à herança do povo de Deus.

 

J. N. Darby – Synopsis, Lucas 22

 

Davi – Uma Figura de Cristo


1 Samuel 17:30-40 

Que bela imagem vemos em Davi, do Senhor Jesus Cristo, na passagem acima. Quando rejeitado pelos líderes do povo de Israel, o Senhor Se voltou para aqueles que esperavam por libertação, assim como Davi fez quando seus irmãos o desprezaram. O Senhor Jesus havia sido enviado por Seu Pai, em amor, para salvar Seu povo dos pecados por eles cometidos, mas Ele era odiado e desprezado pelos escribas e fariseus, que O invejavam. Qualquer um de nós também, que procura agradar ao Senhor no caminho de obediência, às vezes nos veremos acusados de orgulho, até mesmo por outros Cristãos, mas não nos ressentiremos disso. Sejamos graciosos e continuemos no caminho de obediência ao Senhor, independentemente do que os outros possam dizer. A obediência a Deus deve sempre vir antes de tudo. Haverá um tempo de manifestação algum dia, quando o Senhor recompensará tudo o que está de acordo com Sua mente, mesmo que tenhamos sido desprezados por isso. Esse encorajamento é dado àqueles que tremiam diante da Palavra de Deus (Is 66:5).

 

Sem temor 

Quando Saul ouviu que Davi não tinha medo do gigante Golias, mandou chamá-lo. Davi disse a Saul que o coração de ninguém desfalecesse por causa de Golias, pois ele subiria e lutaria com ele. Saul, o homem natural, pensou apenas em como Golias era um gigante e um homem de guerra desde a juventude, enquanto Davi era jovem e inexperiente. Ele não conseguia entender a coragem de Davi. Então Davi contou a Saul como o Senhor o havia capacitado a vencer um leão e um urso, que vieram roubar o rebanho de seu pai, e que aquele filisteu não era diferente, visto que ele havia desafiado os exércitos do Deus vivo. O pobre Saul não tinha fé e não conseguia entender Davi. Ele até se esqueceu de que o conhecia, embora Davi já tivesse tocado harpa em sua corte. No entanto, se Davi estivesse disposto a ir, Saul não impediria, então ele disse: “Vai-te, e o SENHOR seja contigo” (ARA).

 

Saul não sabia nada da força do Senhor e pensava apenas em meios naturais. Portanto, ele colocou sua própria armadura em Davi, e Davi pegou a espada de Saul na mão e começou a andar. Mas logo percebeu que as vestes e a espada de Saul não lhes serviriam, pois nunca as havia experimentado. Usar a armadura de Saul não era confiança no Senhor, mas na armadura, e então ele disse: “Não posso andar com isto, pois nunca o experimentei. E Davi tirou aquilo de sobre si”. Ele não havia experimentado a armadura, mas havia experimentado o Senhor e sabia que Ele era capaz!

 

Em fraqueza 

Davi então pegou o cajado e uma funda na mão e desceu ao riacho onde escolheu cinco pedras lisas que colocou no alforje do pastor. Cinco, na Escritura, é uma imagem de fraqueza, e isso nos falaria, creio eu, do Senhor Jesus que veio a este mundo em fraqueza. Foi na fraqueza que Ele derrotou todo o poder de Satanás. Ele enfrentou Satanás pela primeira vez no deserto, usando a Palavra que, como Homem, Ele havia escondido em Seu coração; lá Ele amarrou o homem valente e saiu para lhe saquear a casa (Mt 12:29). Ao aplicar isso a nós mesmos, vemos a importância da Palavra em enfrentar o poder de Satanás contra nós por meio da tentação. É claro que o Senhor Jesus, o bendito Filho de Deus, não podia pecar, mas a maneira como Ele enfrentou Satanás se tornou um exemplo para nós. Mesmo em Seu poder como Deus, o Senhor Jesus não desprezou Satanás, embora Ele pudesse ter feito isso, mas o enfrentou como um Homem perfeito e dependente deveria. Que possamos formar o hábito de enfrentar as perguntas e tentações de Satanás pela Palavra de Deus.

 

Bible Talks, Messages of God’s Love, 10/03/1954

 

 Jonas – Uma Figura de Cristo


Jonas era tanto um servo desobediente como também uma figura da nação de Israel. Ambos os personagens de Jonas nos proporcionam uma visão real dos maravilhosos caminhos de Deus, seja com Seus servos, individualmente ou com Seu povo terrenal, coletivamente. Mas, sem dúvida, a figura mais preciosa descrita em Jonas é aquela que reflete o próprio Cristo.

 

À primeira vista, dificilmente podemos pensar em alguém tão inadequado para ser uma figura de Cristo. Cristo era o Servo perfeito e obediente, Jonas foi voluntariamente desobediente. Cristo disse: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a Tua vontade” (Hb 10:9), Jonas claramente fez a sua própria vontade. Cristo veio em amor e misericórdia para aqueles que eram Seus inimigos, Jonas preferia ter visto a destruição de milhares de pessoas, bem como de animais, em vez de “perder seu prestígio”. Cristo nunca fez nada para agradar a Si mesmo, o coração de Jonas estava ocupado consigo mesmo.

 

Em morte e ressurreição 

No entanto, nosso bendito Senhor, enquanto estava na Terra, teve o prazer de Se comparar com Jonas de uma maneira distinta, e nesse único aspecto, Jonas nos mostra uma ilustração notável da obra de Cristo. Embora o caráter e o comportamento naturais de Jonas estivessem muito distantes do de nosso bendito Senhor Jesus, nesse único aspecto Jonas é uma figura da morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Quando nosso Senhor estava prestes a rejeitar Israel e estender a mão às nações, Ele pôde lembrar “uma geração má e adúltera” que, “não se lhe dará outro sinal, senão o do profeta Jonas” (Mt 12:39). Jonas foi um sinal para a nação de Israel de duas maneiras. Em primeiro lugar, ele era um sinal em sua pregação a Nínive. Nosso Senhor lembrou aos Judeus que “os homens de Nínive... se converteram com a pregação de Jonas; e eis aqui está Quem é maior do que Jonas” (Lc 11:32). Jonas pregou apenas um sermão curto, mas resultou no arrependimento de centenas de milhares de pessoas. No entanto, a pregação contínua do Senhor Jesus, ao longo de três anos e meio, trouxe o arrependimento de relativamente poucos em Israel. No entanto, nosso Senhor também foi uma figura para eles em Sua morte e ressurreição. Ele pôde lhes dizer: “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da Terra” (Mt 12:40). (Alguns podem argumentar que nosso Senhor não ficou tanto tempo na sepultura, mas ao fazer esse comentário sobre Si mesmo, o Senhor Jesus simplesmente aderiu ao modo judaico de calcular o tempo, que contava parte de um dia como um dia inteiro.)

 

Fidelidade e obstinação 

Jonas era um servo infiel e voluntarioso, e foi apenas por meio da amarga experiência de estar no ventre da baleia que ele aprendeu a obedecer à vontade de seu Senhor. Mas houve Um que veio a este mundo, não apenas em obediência à vontade de Seu Pai, mas em obediência de bom grado. Ele também sofreu, muito mais do que Jonas, mas sofreu pelos pecados dos outros. Foi por causa de Sua obediência e sofrimento na cruz do Calvário que Deus pôde agir em graça, não apenas em relação a Jonas, mas também em relação aos milhares na cidade de Nínive. Assim foi que Jonas, enquanto passava pelo que parecia ser uma prisão sem esperança no ventre da baleia, pôde ilustrar a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus.

 

Jonas no ventre da baleia corresponde ao nosso bendito Senhor sob a sentença de morte, e assim o Espírito de Deus dá a Jonas expressões em suas circunstâncias que excedem em muito qualquer mera terminologia humana. Por exemplo, ele disse: “Do ventre do inferno [Sheol – JND] gritei” (Jn 2:2), nosso bendito Senhor disse: “Pois não deixarás a Minha alma no inferno [Sheol – JND] (Sl 16:10). Jonas disse: “a corrente me cercou; todas as Tuas ondas e as Tuas vagas têm passado por cima de Mim” (Jn 2:3), nosso Senhor disse profeticamente: “Todas as Tuas ondas e vagas têm passado sobre Mim” (Sl 42:7). Jonas disse: “entrou a Ti a minha oração, no templo da Tua santidade” (Jn 2:7), nosso Senhor disse: “Eu, porém, faço a Minha oração a Ti, SENHOR, num tempo aceitável” (Sl 69:13). Todas essas expressões, e outras, foram sem dúvida ordenadas pelo Espírito de Deus, como sendo adequadas para alguém que era uma figura de nosso Senhor Jesus.

 

Comparações contrastantes 

Jonas também se assemelhava ao Senhor Jesus de outras maneiras. Com referência a Jonas, não poderia haver fruto – nenhuma bênção – do primeiro homem. Jonas, agindo na carne, fugiu da presença do Senhor e se recusou a ir a Nínive e pregar a mensagem que lhe foi dada. Foi só depois de passar pela tempestade no mar, e passar aqueles dias terríveis no ventre da baleia, que ele estava pronto para pregar ao povo de Nínive. Foi somente, figurativamente falando, após a morte e ressurreição, que ele foi capaz de trazer uma mensagem que resultou em bênção a milhares. Foi assim também com nosso bendito Senhor. Ele poderia dizer no final de Seu ministério terrenal: “Importa, porém, que Eu seja batizado com um certo batismo, e como Me angustio até que venha a cumprir-se!” (Lc 12:50). Assim também Ele disse a alguns gregos que desejavam vê-lo: “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto” (Jo 12:24). Nosso Senhor de fato instruiu “muitos em justiça” (Is 53:11 – JND), durante Seu ministério terrenal, mas foi somente em Sua morte que “as iniquidades deles” levou “sobre Si” (Is 53:11). Toda bênção, seja no céu ou na Terra, flui da morte e ressurreição de Cristo; o tempo de Jonas no ventre da baleia e o fato de ter sido vomitado em terra seca são uma figura disso.

 

O poder de Deus 

Finalmente Jonas reconheceu que, se fosse para ele ser libertado, deveria ser pelo poder do próprio Deus. Depois de todas as expressões em sua oração no ventre da baleia – expressões que, como vimos, se assemelham à linguagem profética de nosso bendito Senhor – Jonas finalmente diz: “do SENHOR vem a salvação” (Jn 2:9). O mesmo fez o Senhor Jesus. Como uma Pessoa divina, Ele pôde dizer: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei” (Jo 2:19). Como o Homem perfeito e dependente, Ele pôde dizer: “Salva-Me da boca do leão” (Sl 22:21), e: “Não Me leves no meio dos Meus dias” (Sl 102:24). Sua ressurreição foi o selo de que Deus, Seu Pai, havia sido plenamente satisfeito e glorificado em Sua obra na cruz.

 

Ao ser retratado como uma figura do Senhor Jesus, Jonas se junta a vários crentes do Velho Testamento cujas falhas também são registradas para nós. Homens como Isaque, Moisés, Arão, Sansão, Davi e Salomão, para citar alguns, são todos uma figura de Cristo de uma forma ou de outra, mas o fracasso, e às vezes o fracasso grave, é registrado na vida de cada um deles. Tudo isso apenas magnifica a graça de Deus, enquanto nos mostra que Deus procura o que é de Cristo em cada um dos Seus, e Ele ama registrar isso!

 

W. J. Prost

 

 O Lugar Secreto do Altíssimo


O Salmo 90 apresenta o homem mortal em contraste com o Deus eterno. O Salmo 91 apresenta Cristo como o Homem perfeitamente dependente em contraste com o homem mortal.

 

O Salmo 90 abre anunciando o grande fato de que o Senhor tem sido a morada de Seu povo em todas as gerações. O Salmo 91 declara a bem-aventurança daquele que habita na morada, pois aquele que habita no esconderijo do Altíssimo permanecerá à sombra do Onipotente. Se o Salmo 90 descreve a bem-aventurança da morada, o Salmo 91 apresenta a bem-aventurança do morador.

 

O Filho do Homem 

De bom grado reconhecemos o fato de que aquele que habita no esconderijo do Altíssimo deve habitar sob a sombra do Onipotente, mas onde podemos encontrar um homem que habite nesse lugar secreto? Adão, o primeiro homem, descrito no Salmo 90, deixando de habitar no esconderijo, foi levado a ser um errante, a murchar na noite de sua vida e, finalmente, “passa [é cortado – JND] (Sl 90:10). No Salmo 91, temos diante de nós outro Homem, Um sobre o Qual lemos: “Aquele que habita... descansará” (Sl 91:1). Quem pode ser senão Cristo, Aquele que, em Seu caminho por este mundo, sempre habitou no esconderijo do Altíssimo? Ele poderia falar de Si mesmo como “o Filho do Homem que está no céu” (Jo 3:13). Ele andou na Terra, mas habitou no céu.

 

Sabemos que Cristo é Aquele que fala no versículo 2 do Salmo 91, pois o Espírito de Deus, em Hebreus 2:13, afirma: “porei n’Ele a minha confiança” como sendo a linguagem de Cristo. É a aceitação por Cristo do proposto do versículo 1. Ele responde dizendo: “Direi do SENHOR: Ele é o Meu Deus, o Meu refúgio, a Minha fortaleza, e n’Ele confiarei”. Ele fará de Deus Seu refúgio em todas as tempestades e Sua defesa contra todos os inimigos. A necessidade de um “refúgio” e uma “fortaleza” prova que Cristo está falando nas circunstâncias de um Homem. Não haverá tempestades para agitar a calma do céu, nenhum inimigo para se opor. É um salmo do deserto e, nos dias posteriores, é usado pelo Espírito de Deus nas circunstâncias do deserto de nosso Senhor (veja Lucas 4:10 e Hebreus 1:14).

 

Os nomes de Deus 

Os nomes pelos quais Deus é mencionado nos dois primeiros versículos do Salmo 91, têm um significado especial. O “Altíssimo” fala da supremacia absoluta de Deus (Gn 14:18-20). O “Onipotente” fala de poder absoluto (Gn 17:1). Então aprendemos com os lábios de Cristo que Aquele que é Supremo em posição e Absoluto em poder é o Jeová de Israel – o Deus Eterno, o EU sou. Quão seguro então – quão certo da bênção deve estar aquele que habita em Seu esconderijo!

 

Nos versículos 3 a 8, o Espírito de Deus Se dirige a Cristo, revelando as bênçãos que fluem para aquele que habita no esconderijo do Altíssimo. Esses tais conhecerão o poder de Deus, livrando-os das ciladas do inimigo e da peste perniciosa do mal. Além disso, ele desfrutará do cuidado vigilante do amor, pois “Ele te cobrirá com Suas penas, e debaixo das Suas asas estarás seguro”. Como resultado, aquele que habita no esconderijo não terá medo do ataque secreto – “o espanto noturno” – nem da oposição direta e aberta – a “seta que voe de dia”. Mil cairão ao seu lado, mas a destruição não se aproximará daquele que confia no Senhor. Ele não terá parte no julgamento dos ímpios, a não ser para contemplá-lo com seus olhos.

 

Nenhum mal te sucederá 

Nos versículos 9-13, o Espírito de Deus falou: Agora, um dos piedosos de Israel, com quem Cristo Se identificou, é levado pelo Espírito a se dirigir a Cristo. Essa alma piedosa pode falar de Jeová como seu refúgio, e assim, com confiança, pode dizer a Cristo: “Porque tu, ó SENHOR... o Altíssimo é a Tua habitação, nenhum mal Te sucederá”. Os males e pragas que são comuns ao homem caído não se aproximarão de Sua “tenda”, mostrando claramente que é Sua jornada de peregrinação na Terra que está em vista. Além disso, os recursos do céu estão disponíveis para Ele em todo o Seu caminho terrenal. Os anjos são encarregados de guardá-Lo em todos os Seus caminhos. Além disso, Ele triunfará sobre todo o poder do diabo, seja vindo contra Ele como o leão, a serpente ou o dragão. Como o leão, o diabo exerce um poder destrutivo sobre o homem; como a serpente, ele engana os homens (2 Co 11:3); como o dragão, ele persegue (Ap 12). Assim, no caminho deste Homem perfeitamente dependente, os males da Terra não puderam se aproximar d’Ele, as hostes do céu servem a Ele e as forças do inferno são subjugadas debaixo d’Ele.

 

Seu amor 

Nos versículos 14 a 16, o Espírito por Quem Ele foi conduzido falou; a voz do remanescente, com quem Ele se associou, foi ouvida; agora temos o privilégio de ouvir o próprio Deus, enquanto Ele testifica do Homem em Quem está Seu prazer. Deus finalmente encontrou em Cristo um Homem em circunstâncias de deserto de Quem Ele pôde dizer: Ele “tão encarecidamente Me amou”, Ele “conheceu o Meu nome” e “Ele Me invocará”. Infelizmente temos colocado nossas afeições em qualquer pessoa, exceto em Deus; temos sido indiferentes a toda a bem-aventurança de Deus, conforme estabelecida em Seu nome; fizemos nossas próprias vontades em vez de andar em dependência d’Ele. Aqui, finalmente, está um Homem perfeito que, enquanto andava na Terra, colocou Seu amor inteiramente em Jeová, que conhece e Se deleita na bem-aventurança do nome de Jeová, e sempre expressou Sua absoluta dependência em Jeová invocando Seu nome. Para a perfeição pessoal desse Homem perfeito, Deus dará uma resposta perfeita. Deus pode dizer de Cristo:

 

Eu O livrarei,

 Eu O colocarei no alto,

 Eu Lhe responderei,

 Eu estarei com Ele,

 Eu O honrarei,

 Eu O satisfarei com abundância de dias, e

 Eu Lhe mostrarei Minha salvação.

 

H. Smith

 

 Verdadeira Dependência – O Que É Isso?


Em outros artigos nesta edição de O Cristão, o Senhor Jesus é retratado como o Homem perfeito e dependente. Como sempre, quando queremos buscar a perfeição em qualquer reino moral e espiritual, devemos trazer Cristo nisso. Ele foi Aquele que, como Homem, exemplificou a perfeição em dependência aqui neste mundo. No entanto, talvez pudéssemos explorar o que é a verdadeira dependência do ponto de vista prático, no dia em que estamos vivendo. Ou seja, o que é a verdadeira perfeição no que se refere àqueles que ainda têm vontade própria, que ainda possuem uma natureza pecaminosa e que talvez tenham alguma confiança em suas habilidades naturais? Quando os tempos são bons e as coisas estão indo bem, é fácil definir a dependência para nós mesmos, de uma maneira simplista, como aquele estado de espírito que não finge possuir alguma força própria, mas se apoia na força do outro. Talvez em nossa definição também possamos incluir que não devemos ter vontade própria, mas sim, procurar fazer a vontade do Senhor. Porém, quando os tempos ficam difíceis e as coisas não vão bem, podemos pensar de forma diferente sobre a dependência.

 

Antes de considerarmos o que constitui a verdadeira dependência, vejamos algumas atitudes que podem passar por dependência, mas não são realmente confiança no Senhor da maneira certa.

 

Descuido 

Em primeiro lugar, a dependência no Senhor não consiste em levar uma vida descuidada e desleixada e depois dizer: “Estou dependendo do Senhor”. Não, Deus é um Deus de ordem e disciplina, e não podemos esperar que o Senhor cuide de nós quando não somos diligentes em nossas responsabilidades do dia a dia. Lembro-me de visitar um querido irmão e sua família (há mais de 50 anos) e, mesmo quando jovem, pude ver que ele não estava administrando seus negócios da maneira certa. Eles estavam evidentemente sem dinheiro, mas quando o acompanhei em uma chamada de serviço para um cliente, vi-o prestar um bom serviço para alguém que certamente deveria ter pago por isso. No entanto, ele não cobrou do cliente e, quando comentei sobre isso durante a viagem de volta, sua resposta foi: “Meu pai cuidará de mim, mas não conte à minha esposa!” De certa forma, sua filantropia era boa, mas não é isso que a Escritura quer dizer ao nos dizer para sermos dependentes do Senhor.

 

A mente do Senhor 

Outro efeito desse tipo de pensamento é que podemos decidir o que queremos fazer, sem buscar adequadamente a mente do Senhor. Então podemos dizer que estamos dependendo do Senhor para nos capacitar a realizar o que nós decidimos. Lembro-me de uma jovem Cristã que queria se casar com um certo rapaz (aparentemente um crente), e a maioria de nós que o conhecia não achava que fosse uma boa ideia. Quando lhe falaram sobre como era desaconselhável o casamento, sua única resposta foi: “O Senhor é capaz”. Sim, o Senhor é certamente capaz, mas Ele não abençoa o que é produto de nossa própria vontade. O jovem casal prosseguiu com o casamento e, como havíamos previsto, terminou em desastre e divórcio.

 

Outro tipo de falsa dependência é quando sentimos a necessidade da ajuda do Senhor, mas então, em vez de esperar n’Ele, ficamos ansiosos e assustados, e talvez tentemos isso ou aquilo, querendo, à nossa maneira, lidar com o problema. Sim, como observamos anteriormente neste artigo, não devemos negligenciar nossas próprias responsabilidades em nossa vida, mas também há momentos em que, como Israel na margem do Mar Vermelho, devemos estar “quietos” e ver “a salvação do Senhor” (Êx 14:13). Quando parecia não haver saída humana para a dificuldade, você se lembrará de que os filhos de Israel ficaram com muito medo e até queriam voltar ao Egito como escravos novamente. Eles não perceberam que o Senhor tinha tudo sob controle. Novamente, isso não é dependência do Senhor.

 

Plano B 

Outro tipo comum de falsa dependência é fingir confiar no Senhor, mas depois ter o que é comumente chamado de “plano B” no fundo de nossas mentes. Embora possamos não admitir isso, mesmo para nós, isso está realmente dizendo que, como o Senhor pode não honrar minha fé, preciso ter algum outro plano para recorrer, caso o Senhor não cuide de mim. Novamente, isso não é real dependência no Senhor. Precisamos lembrar que, embora o Senhor possa testar nossa fé, Ele nunca decepcionará nossa fé. Se Ele não fizer o que pedimos, temos que entender que Ele nos ama muito e sempre agirá para o nosso bem e bênção.

 

Dependência 

O que é, então, a verdadeira dependência? É, antes de tudo, uma caminhada em comunhão com o Senhor. Sem isso, não pode haver real dependência n’Ele. Se somos verdadeiramente salvos, somos habitados pelo Espírito de Deus e podemos andar em comunhão contínua com o Senhor. Nosso Senhor Jesus Cristo foi o Exemplo perfeito disso e, assim, pôde discernir a vontade de Seu Pai, mesmo quando as circunstâncias pareciam indicar algum outro curso de ação. A força de Deus nos ampara quando estamos no caminho da Sua vontade, mas Ele não pode nos apoiar no caminho errado.

 

Em segundo lugar, a verdadeira dependência reconhece que, embora devamos cumprir fielmente nossas responsabilidades diárias, devemos sempre reconhecer nossa necessidade de dependência. Quando Pedro estava caminhando para o Senhor Jesus sobre a água, ele ficou assustado quando viu a força do vento. Mas sem o poder do Senhor, ele não poderia andar melhor em águas lisas do que em águas agitadas. Assim também não podemos lidar melhor com situações diárias normais do que com grandes problemas, sem depender do Senhor. O rei Asa (2 Cr 14) passou dez anos em paz fortalecendo Judá, mas quando os problemas vieram, ele enfrentou um exército muito maior do que o seu. Ele reconheceu sua necessidade da ajuda do Senhor e clamou a Ele. Como resultado, ele obteve uma grande vitória.

 

Espere em Deus 

Terceiro, a verdadeira dependência reconhece a necessidade de esperar em Deus e deixá-Lo lidar com a situação em Seu tempo. O rei Saul não percebeu isso, e ele “forçou-se” e ofereceu holocausto, quando Samuel não veio tão rapidamente quanto Saul esperava. Quantas vezes em nossa vida somos tentados a “nos forçar” por causa da falta de dependência no Senhor! Tanto Davi quanto Jó tiveram que aprender a esperar no Senhor, e tendo aprendido isso, Davi pôde dizer: “Espera no Senhor... espera, pois, no Senhor” (Sl 27:14). Jó foi sabiamente informado por Eliú: “E quanto ao que disseste, que O não verás, juízo há perante Ele; por isso, espera n’Ele” (Jó 35:14). O tempo de Deus está sempre certo.

 

Situações difíceis 

Quarto, a verdadeira dependência entende que às vezes o Senhor nos permite passar por uma situação difícil, em vez de nos livrar dela. Falamos com toda a reverência quando dizemos que o Senhor Jesus era perfeitamente dependente de Seu Pai quando disse profeticamente: “Em Ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste” (Sl 22:4). Mas então, Ele teve que dizer de Si mesmo: “Eu Sou... opróbrio dos homens e desprezado do povo” (Sl 22:6). Apesar de Sua dependência em Deus, Seu clamor foi ouvido, mas não respondido. Ele teve que passar pelo terrível sofrimento da cruz, mas havia aquela confiança perfeita de que Deus O conduziria até o fim.

 

Da mesma forma, o apóstolo Paulo pediu três vezes que o “espinho na carne” fosse removido, mas a resposta do Senhor foi: “A Minha graça te basta” (2 Co 12:8-9).

 

Força por meio da fraqueza 

Finalmente, devemos apreciar que o Senhor às vezes tira parte de nossa força natural para que possamos confiar mais em Sua força. Nosso coração natural não gosta disso, pois gostamos de nos sentir fortes e capazes de administrar nossa própria vida. Isso aconteceu com o apóstolo Paulo, como já vimos, e então ele pôde escrever, citando o que o Senhor lhe disse: “o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Se agirmos com nossa própria força, tendemos a levar o crédito por isso. Se algo é feito na força do Senhor, nós damos a Ele a glória. Ele deve ter toda a glória no final; vamos dar-Lhe glória enquanto ainda estamos neste mundo.

 

W. J. Prost

 

Considere-O


“Tu és o Meu Filho amado; em Ti Me comprazo” (Lc 3:22 – ARA).

 

Agora meu olhar está em Jesus: Eu vejo o Senhor do céu como um Homem. Depois, eu olho para mim mesmo? E para os lugares ao meu redor? Se eu fizer isso, o que eu vejo? O suficiente para partir meu coração, se houver em mim um coração a ser partido. Mas um descanso está aqui – um Homem que satisfez a Deus. Esse Homem bendito estava na Terra, na presença de Deus, olhando para Deus, e Ele era um Objeto para Deus! Ele não era, naquele momento, o Messias purificando Seu andar, mas Aquele em Quem os pensamentos e propósitos de Deus estão todos envolvidos. Ele era Jesus, o Filho do Homem, não apenas da descendência de Abraão e Davi, mas identificado – “que era o filho de Adão, que era o Filho de Deus” [Lc 3.38 – KJV]. Ele era o segundo Homem – o último Adão – o Espírito vivificador. Que alívio: pois o que é o homem? O que sou eu quando o pecado do coração é conhecido? Estaríamos tão propensos quanto nossos primeiros pais a desistir de Deus por um pedaço de fruta. Mas agora um Homem, um Homem abençoado, aparece e “Ele está orando”. Ele era o Homem dependente, pois a dependência é a essência de um homem perfeito. Verdadeiramente vemos Deus brilhando por toda parte, mas ainda brilhando em Jesus, o Homem dependente, no lugar e condição da perfeição como Homem. A raiz do pecado em nós é a vontade própria, a independência. Aqui, meu coração descansa n’Ele! Um Homem dependente em meio à tristeza, mas perfeitamente com Deus em tudo; na humilhação ou na glória, não faz diferença quanto a isso: o Dependente está sempre presente em perfeição. E quando Seu bendito coração expressou sua dependência, Ele não obteve resposta? Pelo contrário, “o céu foi aberto”. O céu se abre assim para mim? Sem dúvida, está aberto para mim de fato, mas eu oro porque o céu está aberto; Para Ele, abriu porque Ele orou. Posso olhar para cima porque os céus se abriram para Ele.

 

O Filho amado de Deus 

É realmente uma bela imagem da graça, e podemos ser ousados em dizer que o Pai gostava de olhar para baixo, em meio a todo o pecado, para Seu Filho amado. Nada além do que era Divino poderia assim despertar o coração de Deus; e, no entanto, era o Homem humilde e perfeito. Ele não toma o lugar de Sua glória eterna como o Criador, o Filho de Deus – em vez disso, Ele Se inclina e é batizado. Ele diz: “em Ti confio... Tu és o Meu Senhor” (Sl 16:1-2). Então o Espírito Santo desce como uma pomba sobre Ele – o emblema adequado daquele Homem imaculado! – o lugar de descanso adequado para o Espírito no dilúvio deste mundo. E como é doce, também, que Jesus seja apontado para nós como o Objeto de Deus. Eu sei o que o Pai sente por Ele. Fui levado a essa intimidade, e me foi permitido ouvi-Lo expressar Sua afeição por Seu Filho, para ver os laços refeitos entre Deus e o homem.

 

Assim, descanso e meu coração encontra comunhão com Deus em Seu Filho amado. É apenas o crente que desfruta disso, mas o elo está lá. E se eu encontrar em mim e ao meu redor aquilo que aflige a alma, tenho n’Ele aquilo que é gozo e conforto infalíveis. Com Ele, ainda que o céu e a Terra sejam virados de cabeça para baixo, ainda assim eu tenho um descanso. Que bem-aventurança para o coração ter o Objeto com o Qual o próprio Deus está ocupado!

 

J. N. Darby (adaptado)

 

Os Milagres de Cristo 


P. É um pensamento bíblico que Cristo fez todos os Seus milagres simplesmente como um Homem dependente? Ele não os realizou em virtude de ser o Deus-Homem? Se isto estiver correto, por que Ele disse em João 11:41: “Pai, graças Te dou, por Me haveres ouvido?

 

R. O poder era de Deus, mas nenhum milagre foi realizado a não ser em perfeita obediência à vontade de Seu Pai. O objetivo dos milagres era mostrar que Cristo era o Filho de Deus, portanto, eles são registrados para esse fim (Jo 20:30-31). Ele os operou pelo poder de Deus (Lc 11:20), mas Ele também tinha poder em Si mesmo em virtude de ser não apenas Homem, mas Deus (Jo 5:21; 10:18). Como homem, Ele disse João 11:41. Cristo, portanto, não fez milagres meramente como um Homem dependente, pois Ele tinha poder divino, nem os fez meramente como Deus Todo-Poderoso, pois Ele era um Homem dependente. Ele os fez em Seu caráter inseparável e misterioso do Deus-Homem, Cristo Jesus.

 

The Bible Student, Vol. 2, pág. 228

 

Constante Dependência 


Devemos ser mantidos momento a momento em um estado de dependência, porém, contando com a constante graça e ajuda de Deus. Não há bênção, gozo e conforto, onde não há o exercício de dependência no Senhor. Não é suficiente para a vitória que, na batalha, tenhamos nos colocado ao lado do Senhor. Você descobrirá que a tendência da carne, seja na oração, na pregação ou em qualquer outra coisa, é sair da dependência em Deus. Podemos estar dizendo coisas verdadeiras em oração ou em testemunho, mas se não estivermos percebendo nossa dependência do Senhor, não teremos Sua força na batalha. Então o Senhor precisa nos fazer aprender nossa dependência d’Ele, por meio da fraqueza, fracasso e derrota, porque nos recusamos a aprendê-la no gozo e confiança da comunhão com Ele.

 

Christian Truth, Vol. 16

 

Dependência e Circunstâncias


Quando o santo está em verdadeira dependência de Deus, ele recebe tudo como vindo diretamente de Deus; não é na circunstância que seu coração se detém, mas em Deus, que permitiu a circunstância. A natureza coloca as circunstâncias entre o coração e Deus: a fé coloca Deus entre as circunstâncias e o coração – tenha Deus entre você e tudo o que possa vir.

 

The Young Christian, Vol. 36

 

 A Senda de Submissão

 

O caminho que trilhei

Trouxe-me mais perto de Deus,

Embora muitas vezes conduzisse pelos portões da tristeza;

Embora não seja o caminho que escolho,

No meu caminho posso perder

O gozo que ainda me espera;

Não o que desejo ser,

Nem para onde desejo ir,

Pois quem sou eu para escolher o meu caminho?

O Senhor escolherá por mim;

De longe assim é melhor, eu sei,

Então deixe-O me mandar ir ou ficar.

 

A cruz que devo carregar,

Se eu usar uma coroa,

Não é a cruz que devo tomar;

Mas já que em mim está colocada,

Eu a tomarei sem medo,

E a carregarei por causa do Mestre;

Não o que desejo ser,

Nem para onde desejo ir,

Pois quem sou eu para escolher o meu caminho?

O Senhor escolherá por mim;

De longe assim é melhor, eu sei,

Então deixe-O me mandar ir ou ficar.

 

Submissão à vontade

D’Aquele que ainda me guia

A certeza de Seu amor é revelada;

Minha alma se elevará acima

Este mundo em que me movo;

Eu só venci quando me rendi;

Não o que desejo ser,

Nem para onde desejo ir,

Pois quem sou eu para escolher o meu caminho?

O Senhor escolherá por mim;

De longe assim é melhor, eu sei,

Então deixe-O me mandar ir ou ficar.

 

C. A. Miles

 

“Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade”

Hebreus 10:9

 

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