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Mares (Maio de 2024)

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Revista mensal publicada pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


          M. Allan

         J. N. Darby (adaptado)

          C. H. Mackintosh (adaptado)

         C. H. Mackintosh

         The Remembrancer, 1902

         Hamilton Smith

         Paul Wilson

         W. J. Prost

          E. Dennett

          J. G. Deck

 

Mares


A água é essencial para a vida física e espiritual. Mais de 50% do nosso corpo é água. É uma figura para nós da vida espiritual também. O Senhor disse para a mulher sedenta no poço: “aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. Ela respondeu: “Senhor, dá-me dessa água”. E ela a recebeu. Estou ansioso para vê-la na glória. No final da Palavra de Deus, o Espírito e nós repetimos Seu apelo: “E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida”. A única fonte desta água da vida eterna é o próprio Deus. “E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro”. De sua fonte, flui para os outros como um rio e, em seguida, os rios fluem para os mares. Agora, o rio Jordão deságua no Mar Salgado, agora chamado Mar Morto, pois hoje ele não pode sustentar a vida. Mas quando tudo for corrigido por Deus, ele poderá. “Depois disso, me fez voltar à entrada da casa (o templo milenar em Jerusalém) e eis que saíam umas águas de debaixo do umbral da casa, para o oriente... Então me disse: Estas águas saem... e, sendo levadas ao mar, sararão as águas. E será que toda criatura vivente que vier por onde quer que entrarem esses dois ribeiros viverá” (Ez 47:1, 8-9).

 

Bênçãos junto ao mar 

Eu sempre gostei do mar. Meus primeiros anos foram na Nova Escócia, Canadá, onde nossa família pôde desfrutar do Oceano Atlântico no Estreito de Northumberland durante o verão e o inverno. Nunca me cansei de olhar para o horizonte, de apreciar a sequência das ondas se quebrando, de procurar conchas, de deixar a areia escorrer pelos dedos ou de admirar o maravilhoso projeto do Criador. “E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu Deus que era bom” (Gn 1:10).

 

No verão passado, nossa família se reuniu à beira-mar na Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá. Antes dessa visita, um versículo que foi lido na escola dominical contendo as palavras “junto ao mar” despertou minha curiosidade de pesquisar versículos semelhantes e analisar seu contexto. Como resultado, fiquei impressionado com as coisas maravilhosas da Palavra de Deus (Sl 119:18). Em cada caso em que as palavras “junto ao mar” foram usadas, houve um maravilhoso evento, orquestrado pelo Senhor, que rendeu ricas bênçãos não apenas aos indivíduos em questão, mas também a mim pessoalmente.

 

Contagem junto ao mar 

Uma das maiores promessas já feitas foi a Abraão, em referência à contagem dos grãos de areia junto ao mar. Em Hebreus 11:12 lemos, “Pelo que também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar”. Essa é uma extraordinária história de realização que é tecida ao longo de milhares de anos e ainda não está terminada! Podemos vê-la se desdobrar ainda hoje. Nessa promessa, vemos a bênção fluindo de Deus por meio dos descendentes de Abraão e, finalmente, por meio da oferta do Filho de Deus. Dessa promessa vêm bênçãos ilimitadas, incontáveis, não apenas para Abraão em bênçãos terrenais, como visto na areia do mar, mas também em bênçãos celestiais para a noiva celestial, como visto nas estrelas dos céus – todas fluindo do Criador diretamente para o pecador salvo, incluindo eu!

 

Acampando junto ao mar 

Um dos maiores livramentos já feitos foi enquanto se obedecia à ordem do Senhor de acampar junto ao mar. Em Êxodo 14:1-2 e 13-14, lemos: “Disse o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, que... vos acampareis junto ao mar... e Moisés disse ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR que, hoje, vos fará” (ARA). Os filhos de Israel foram perseguidos pelo exército dos egípcios por trás, cercados pelo deserto de ambos os lados e parados pelo Mar Vermelho à sua frente. Mas o Senhor honra a obediência deles e luta a batalha por eles, salvando milhões por meio de Seu supremo poder. O resultado é uma irrupção em um cântico de louvor em Êxodo 15:2: “O SENHOR é a minha força e o meu cântico; Ele me foi por salvação”. E nessa libertação vemos o maravilhoso plano, por meio do Cordeiro de Deus morto (Êx 12), de conduzir o Seu povo das garras deste mundo para ricas bênçãos, para além do acampamento temporário junto ao mar. Essas bênçãos se estendem não apenas aos filhos de Israel na terra prometida de Canaã, mas também a cada crente em nosso prometido lar acima com nosso Salvador!

 

Andando junto ao mar 

Um dos maiores “chamados” foi feito pelo Senhor enquanto Ele caminhava junto ao mar. Isso aconteceu para dois simples pescadores, Pedro e André. Em Mateus 4:18-20, lemos, “E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens. Então, eles, deixando logo as redes, seguiram-n’O”. Este incidente junto ao Mar da Galileia mudou para sempre a vida desses dois homens. Foi tão radical que eles dedicaram a vida deles a contar aos outros sobre Jesus e estavam dispostos a morrer por Aquele que os chamou. E nesse chamado, vemos o mesmo chamado ecoando para cada um de nós vindo do Senhor, que morreu e ressuscitou, para que as boas novas possam ser compartilhadas com o mundo. Esse chamado, feito andando junto ao mar, eclipsa todos os outros chamados terrenais e resulta em bênção eterna!

 

Assentando junto ao mar 

Uma das maiores mensagens já dadas pelo Senhor Jesus foi quando estava assentado junto ao mar. Em Mateus 13:1-2, lemos: “Tendo Jesus saído de casa naquele dia, estava assentado junto ao mar. E ajuntou-se muita gente ao pé d’Ele, de sorte que, entrando num barco, Se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia”. Essa mensagem foi dada depois que o Senhor foi rejeitado como o Messias prometido. Ela foi estendida não somente aos judeus, mas também aos gentios. Nessa mensagem, ouvimos a parábola do Semeador, juntamente com outras parábolas e semelhanças preciosas que mostram a posição abençoada em que cada pecador salvo é colocado. Que mensagem dada enquanto estava assentado junto ao mar e compartilhada por um Messias rejeitado, a caminho da cruz para comprar a pérola de grande valor! Graça indizível!

 

Hospedagem junto ao mar 

Uma das maiores purificações já mostradas foi revelada a Pedro enquanto ele se hospedava junto ao mar. Em Atos 10:5-6, lemos: “Agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro. Este está (hospedado - ARA) com um certo Simão, curtidor que tem casa junto ao mar. Ele te dirá o que deves fazer”. Aqui o Senhor deixa claro como a mensagem e a promessa de Deus na salvação não eram apenas para o povo escolhido de Deus (Israel), mas para os impuros, estranhos às promessas diretas de Deus a Abraão e seus descendentes. Nesta pequena habitação junto ao mar, a porta é aberta para que as bênçãos fluam para qualquer um que aceite a mensagem da salvação de Deus por meio da obra consumada de Cristo em ressurreição. Elas são estendidas a um centurião, um empregado de um dos mais brutais de todos os impérios, que se humilha ao reconhecer quem ele é diante de Deus. Essa purificação junto ao mar os levou a “magnificar a Deus”. Isso mudou para sempre o curso da história tanto para o escritor quanto para o leitor!

 

Bênçãos junto ao mar 

Esses cinco casos em que o termo “junto ao mar” é usado destacam alguns dos eventos mais impressionantes da história dos quais fluem ricas bênçãos! Cada vez que nos assentamos, ficamos de pé, caminhamos, acampamos ou nos hospedamos junto ao mar, lembremo-nos de que fomos “abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais” (Ef 1:3).

 

M. Allan

 

A Passagem pelo Mar Vermelho


A primeira coisa, quando Deus desperta a alma para a percepção de pecado aos Seus olhos, é a questão de como ela pode ser protegida contra o justo julgamento do pecado. Então ela vê o sangue nos umbrais das portas e fica em paz. Portanto, se eu perder de vista o sangue, Deus ainda é, no entendimento da minha alma, um Juiz. Ora este não é, de forma alguma, o lugar apropriado para um crente estar. Há a justiça de Deus, e “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22). Se posso dizer que o sangue que foi derramado satisfez essa justiça, posso ver que Deus não é mais um Juiz, Sua justiça foi satisfeita. Mas se, por outro lado, Sua justiça ainda tem que ser satisfeita, Deus ainda é um Juiz.

 

O poder do mal 

Os israelitas ficaram tão aterrorizados, angustiados e desanimados, tão subjugados pelo poder do mal que era contra eles, que entraram na questão prática de saber se Deus ou Satanás é que deveria tê-los. E assim é constantemente com os santos. Temos sido tão escravizados pelo poder de Satanás que não temos consciência da redenção para Deus. Havia Faraó (Satanás para nós), o poder do mal, perseguindo-os e conduzindo-os até este ponto, até que a morte e o julgamento (dos quais o Mar Vermelho é o símbolo) os encararam. A questão deve ser resolvida, se eles conseguirem passar pela morte e pelo julgamento. Eles não conseguiram sair da dificuldade por conta própria: O Mar Vermelho estava diante deles, e eles não conseguiam passar por ele. O Faraó e todo o seu exército estavam atrás deles, e não havia como escapar por outro caminho. Eles estavam completamente fechados e levados à sensação de que deveria haver um libertador ou estaria tudo acabado para eles. Tudo isso era extremamente alarmante em si mesmo, mas era a maneira de Deus libertar. “Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos e vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre” (Êx 14:13). Você não pode ir para trás nem para frente; você deve apenas ficar quieto e ver a salvação do Senhor. “O SENHOR pelejará por vós, e vos calareis” (Êx 14:14).

 

O Senhor intervém e Se coloca entre Satanás e Seu povo. “E o Anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, Se retirou e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles e se pôs atrás deles. E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era escuridade para aqueles e para estes esclarecia a noite; de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro” (Êx 14:19-20). Antes de dar o conforto da libertação, Ele sempre cuida para que Satanás não nos toque.

 

O poder sobre o mar 

Então, o que acontece com Israel? Versículo 21: A própria coisa que parecia ser a sua destruição torna-se a sua salvação. “Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o SENHOR fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram como muro à sua direita e à sua esquerda” (vs. 21-22). Não foi uma batalha de Israel contra Faraó. “E os egípcios seguiram-nos, e entraram atrás deles todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até ao meio do mar. E aconteceu que, na vigília daquela manhã, o SENHOR, na coluna de fogo e de nuvem, viu o campo dos egípcios; e alvoroçou o campo dos egípcios, e tirou-lhes as rodas dos seus carros, e fê-los andar dificultosamente. Então, disseram os egípcios: Fujamos da face de Israel, porque o SENHOR por eles peleja contra os egípcios. E disse o SENHOR a Moisés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros. Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao amanhecer, e os egípcios fugiram ao seu encontro; e o SENHOR derribou os egípcios no meio do mar,  porque as águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nem ainda um deles ficou. Mas os filhos de Israel foram pelo meio do mar em seco: e as águas foram-lhes como muro à sua mão direita e à sua esquerda. Assim, o SENHOR salvou Israel naquele dia da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar” (vs. 23-30).

 

Morte 

A morte é o salário do pecado; não há escapatória; o Mar Vermelho deve ser atravessado. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb 9:27). Isso é a consequência natural do pecado. Não importa se são egípcios ou israelitas, a morte e o julgamento atingem a todos. O Mar Vermelho deve ser atravessado. Mas se formos recebidos em graça, como foi o caso de Israel, veremos que exatamente isso é nossa libertação completa e pura. Lá, o pobre Israel se levantou e olhou para a derrota eterna de seus inimigos. Quando os egípcios estavam mortos na praia, Israel estava seguro, cantando o cântico da redenção. É verdade que o deserto tinha que ser percorrido, Amaleque ser combatido, e assim por diante, mas eles estavam fora do Egito.

 

Tentando passar pelo Mar Vermelho 

E agora sobre a “tentativa” de passar pelo Mar Vermelho: É isso, infelizmente, o que muitos estão fazendo no presente momento. Não estou falando agora dos inimigos declarados de Deus, mas daqueles que estão “tentando” passar pela morte e pelo julgamento à sua maneira. Só porque eles estão em um país Cristão e entre Cristãos, eles esperam, com o nome de Cristo, chegar ao céu em companhia do povo de Deus. Mas se chegamos ao Mar Vermelho, a morte e o julgamento devem ser atravessados, e onde estaremos com toda a nossa sabedoria e conhecimento egípcios, com todos os nossos carros e cavaleiros, diante da morte e do julgamento? Se a questão da morte e do julgamento ainda não está resolvida (como foi para Israel quando “pela fé passaram pelo Mar Vermelho como por terra seca”), isso deve ser nossa destruição. As pessoas confessam que têm que morrer e que após a morte há um julgamento, mas se elas estão “tentando” fazer isso com suas próprias forças, será então, positivamente, uma destruição.

 

Todos nós devemos, convertidos ou não convertidos, desistir do mundo. O mais forte admirador do mundo deve, mais cedo ou mais tarde, desistir de suas vaidades e prazeres, suas esperanças e interesses; ele deve desistir dessas coisas. A única diferença é que o Cristão as abandona por Deus, o mundano as abandona porque não pode mantê-las. O rei do Egito abriu mão do Egito e da corte egípcia, assim como Moisés, mas há uma diferença: o rei do Egito abriu mão dele por julgamento, Moisés abriu mão dele por Cristo.

 

J. N. Darby (adaptado)

 

O Mar de Fundição


Salomão “fez também o mar de fundição, de dez côvados de uma borda até à outra, redondo, e de cinco côvados de alto; cingia-o em roda um cordão de trinta côvados. E por baixo dele havia figuras de bois, que ao redor o cingiam, e por dez côvados cercavam aquele mar ao redor; e tinha duas carreiras de bois, fundidos na sua fundição. E estava sobre doze bois; três que olhavam para o norte, e três que olhavam para o ocidente, e três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente; e o mar estava posto sobre eles, e as suas partes posteriores estavam para a banda de dentro E tinha um palmo de grossura, e a sua borda foi feita como a borda de um copo ou como uma flor-de-lis, da capacidade de três mil batos... porém o mar era para que os sacerdotes se lavassem nele” (2 Cr 4:2-6).

 

Para ter um entendimento claro da doutrina que nos é ensinada nesta bela e significativa figura, três coisas exigem nossa atenção, a saber, o material, o conteúdo e o objeto. Que Deus, o Espírito, guie nossos pensamentos e fale ao nosso coração enquanto nos ocuparmos com essas coisas!

 

O material – cobre 

O mar fundido de Salomão era feito de cobre, que é o símbolo adequado da justiça divina exigindo julgamento sobre o pecado, como no altar de cobre, ou exigindo julgamento sobre impureza, como no mar de fundição. Isso explicará por que o altar onde o pecado era expiado e o mar onde a contaminação era lavada eram ambos feitos de cobre. Tudo na Escritura tem o seu significado!

 

É muito reconfortante ter certeza de que o pecado que Deus perdoa gratuitamente e a impureza que Ele remove também gratuitamente foram ambos totalmente julgados e condenados na cruz. Nem um único traço de impureza foi ignorado; tudo foi divinamente julgado. “A misericórdia triunfa sobre o juízo” e “a graça (reina) pela justiça” (Tg 2:13; Rm 5:21). O crente é perdoado e purificado, mas sua culpa e impureza foram julgadas na cruz. O conhecimento dessa verdade mais preciosa funciona de uma maneira dupla: Ela torna o coração e a consciência perfeitamente livres, ao mesmo tempo em que nos leva a abominar o pecado e a impureza. O altar de cobre contava, em uma eloquência muda, mas impressionante, sua dupla história: a culpa havia sido divinamente condenada e, portanto, poderia ser divinamente perdoada. O mar de fundição deu testemunho silencioso, mas claro, do fato de que a impureza havia sido divinamente julgada e, por esse motivo, poderia ser divinamente lavada.

 

Que profunda e santa consolação para o coração em tudo isso! Não posso olhar para o antítipo do altar e cometer pecado levianamente. Não posso olhar para o antítipo do mar de fundição e, indiferentemente, contrair contaminação. Deus foi perfeitamente glorificado; o pecado e a impureza foram perfeitamente condenados. Estou eternamente livre, mas a morte de Cristo é a base de tudo. Tal é a lição consoladora, mas santa, que nos foi ensinada no material do altar de cobre e do mar de fundição. Nada é deixado de lado por Deus e, no entanto, nada é imputado a mim, porque Cristo foi julgado por todos.

 

O conteúdo – água 

Consideremos agora, em segundo lugar, os conteúdos do mar de fundição de Salomão. “da capacidade de três mil batos” de água. Se no altar eu vejo cobre em conexão com sangue, no mar eu encontro cobre em conexão com água. Ambos apontam para Cristo. “Este é Aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue” (1 Jo 5:6). “Um dos soldados Lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (Jo 19:34). O sangue que expia e a água que purifica ambos fluem do Salvador crucificado. Verdade preciosa e solene!

 

Mas o mar de cobre continha água, não sangue. Aqueles que se aproximaram já haviam provado o poder do sangue e, portanto, só precisavam da lavagem da água. Um sacerdote sob a lei, cujas mãos e pés haviam se contaminado, não precisava voltar para o altar de cobre, mas se dirigir ao mar de fundição. Ele não precisava novamente aplicar o sangue, mas apenas lavar com água, para permitir que ele cumprisse suas funções sacerdotais. Então, agora, se um crente falha, se ele comete pecado, se ele contrai contaminação, ele não precisa ser novamente lavado no sangue, mas simplesmente a ação purificadora da Palavra, pela qual o Espírito Santo aplica à alma a lembrança do que Cristo fez, para que a contaminação seja removida e a comunhão restaurada. “Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo” (Jo 13:10). Isso faz pouco da contaminação? Exatamente o contrário. A provisão de um mar de fundição, com seus 3.000 batos de água, fez pouco da contaminação sacerdotal? Pelo contrário, isso não provava que era um assunto sério no julgamento de Deus?

 

Pecados e contaminações diárias 

Muitos Cristãos sinceros entram em trevas e problemas espirituais quanto à questão dos pecados e contaminações diárias. Por não verem sua plenitude divina por meio do sangue de Cristo, sentem que devem, a cada nova ocorrência, voltar ao altar de cobre, como se nunca tivessem sido lavados. Isso é um erro, pois quando um homem é purificado pelo sangue de Jesus, ele está limpo para sempre. Posso perder a noção disso, o poder disso, o gozo disso. Pedro fala de alguns que se esqueceram de que foram purificados de seus antigos pecados. Se o pecado for tratado com indiferença e o ego não for julgado, é difícil dizer a que ponto um Cristão pode chegar. Que o Senhor nos dê que andemos suave e ternamente diante d’Ele, para que não fiquemos sob a influência cegante do pecado!

 

Mas, lembre-se, a salvaguarda mais eficaz contra a obra e a influência do pecado é ter o coração estabelecido em graça e clareza sobre nossa posição em Cristo. Quando sei que todos os meus pecados e todas as minhas contaminações foram julgados e condenados na cruz e que sou justificado e aceito em Cristo ressuscitado, então estou no verdadeiro terreno de santidade. E, se eu falhar, posso levar meu fracasso a Deus, em confissão e juízo próprio, e conhecê-Lo como Fiel e Justo para perdoar meus pecados e me purificar de toda injustiça. Eu julgo a mim mesmo sob o fundamento que Cristo já foi julgado diante de Deus pela própria coisa que eu confesso em Sua presença.

 

A verdade é que, se errei, devo confessar e me julgar a mim mesmo. Um único pensamento pecaminoso é suficiente para interromper minha comunhão. Mas é como alguém purificado que eu confesso. Não sou mais visto como um pecador, estou agora na posição de um filho que deve prestar contas a Deus como Pai. Ele fez provisão para minha necessidade diária, uma provisão que não envolve a negação da minha posição ou a ignorância da obra de Cristo, mas uma provisão que me diz imediatamente da santidade e graça d’Aquele que a fez. Não devo ignorar o altar porque preciso do mar, mas devo adorar a graça d’Aquele que proveu tanto um como o outro.

 

O objetivo – lavagem 

Agora, algumas poucas palavras serão suficientes quanto à finalidade do mar. “O mar era para que os sacerdotes se lavassem nele”. Ali iam os sacerdotes, dia após dia, lavar suas mãos e pés, para que pudessem estar sempre em uma condição apta para realizar seu trabalho sacerdotal. Uma figura marcante, essa, dos sacerdotes espirituais de Deus, isto é, de todos os verdadeiros crentes cujas obras e caminhos precisam ser purificados pela ação da Palavra. Tanto a pia de cobre, no tabernáculo, quanto o mar de fundição no templo prenunciavam aquela “lavagem da água pela Palavra” que Cristo agora está realizando pelo poder do Espírito Santo. Cristo, em Pessoa, está agindo no céu por nós, e, por Seu Espírito e Palavra, Ele está agindo em nós e sobre nós. Ele nos restaura quando nos desviamos; Ele nos purifica de toda a impureza; Ele corrige cada um de nossos erros.

 

Somos salvos pela Sua vida. Tudo está seguro n’Ele. “Cristo amou a Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra, para a apresentar a Si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:25-27).

 

E agora, uma palavra sobre os “bois” que sustentavam o mar de fundição. O boi é usado na Escritura como o símbolo do paciente trabalho árduo e, portanto, seu lugar significativo sob o mar de fundição. De qualquer lado que o sacerdote se aproximasse, ele se deparava com a expressão adequada da paciente labuta. Não importava quantas vezes ou de que forma ele viesse, ele nunca poderia esgotar a paciência que era dedicada ao trabalho de purificá-lo de todas as suas contaminações. Que figura preciosa! Nunca podemos cansar a Cristo com a nossa presença frequente. Ele não Se cansará até que nos apresente a Si mesmo sem mancha, ruga ou qualquer coisa semelhante.

 

Que o nosso coração adore Aquele que é o nosso Altar, a nossa Pia, o nosso Sacrifício, o nosso Sacerdote, o nosso Advogado, o nosso Tudo!

 

C. H. Mackintosh (adaptado)

 

O Santuário e o Mar: Os Dois Caminhos de Deus

 

Salmos 77:13, 19 

Seu caminho está “no santuário”, e Seu caminho é “no mar”. Ora, há grande diferença entre essas duas coisas. Em primeiro lugar, o caminho de Deus está no santuário onde tudo é luz, tudo é claro. Não há nenhum erro lá. Não há nada em menor grau que perturbe o espírito. Pelo contrário, é quando o pobre perturbado entra no santuário e vê as coisas lá na luz de Deus que ele vê o fim de tudo o mais – tudo o que está emaranhado, cujo fim ele não consegue encontrar na Terra.

 

Temos a mesma coisa no Salmo 73. “Quando pensava em compreender isto, fiquei sobremodo perturbado; até que entrei no santuário de Deus; então, entendi eu o fim deles”. Ou seja, no santuário de Deus tudo é entendido, não importa o quão difícil, penoso e doloroso, no que diz respeito a nós mesmos ou aos outros. Quando entramos lá, estamos no lugar da luz de Deus e do amor de Deus, e então, qualquer que seja a dificuldade, entendemos tudo sobre ela.

 

Mas não é apenas o caminho de Deus no santuário (e quando estamos lá, tudo é descanso e paz), mas o caminho de Deus está no mar. Ele caminha onde nem sempre podemos seguir Seus passos.

 

No mar 

Deus se move misteriosamente às vezes, como todos sabemos. Há caminhos de Deus cujo propósito é nos provar. Não preciso dizer que não é como se Deus tivesse prazer em nossas perplexidades. Nem é como se não tivéssemos um santuário para nos aproximar, onde possamos nos elevar acima delas. Mas ainda há muito nos caminhos de Deus que deve ser deixado inteiramente em Suas próprias mãos. O caminho de Deus é, portanto, não apenas no santuário, mas também no mar. E, no entanto, o que encontramos mesmo em conexão com Suas pegadas no mar é: “Guiaste o Teu povo, como um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão” (v 20). Isso foi através do mar; depois, foi através do deserto. Mas, primeiramente, tinha sido através do mar. O princípio dos caminhos de Deus com Seu povo foi lá, porque do início ao fim Deus precisa ser a confiança do santo. Essa pode ser uma lição inicial de sua alma, mas nunca deixa de ser a coisa a ser aprendida.

 

No Santuário 

Quão feliz é saber que, enquanto o santuário está aberto para nós, e o próprio Deus está lá, Ele está ainda mais perto de nós. Como foi dito: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o Justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1 Pe 3:18). Isso é uma coisa muito preciosa, porque estamos imediatamente no santuário e levados ao próprio Deus. E atrevo-me a dizer que o próprio céu seria apenas uma pequena coisa se não fôssemos levados a Deus. Isso é melhor do que qualquer livramento das provações, melhor do que qualquer bênção, estar na presença d’Aquele a Quem pertencemos, Aquele que é Ele mesmo a fonte de toda bênção e gozo. O fato de sermos levados a Ele agora é infinitamente precioso. Lá estamos nós no santuário levados a Deus.

 

Mas ainda existem outros caminhos de Deus fora do santuário – no mar. E lá muitas vezes nos encontramos perdidos. Se estivermos ocupados com o próprio mar ou tentando esquadrinhar as pegadas de Deus ali, então elas não serão conhecidas. Mas a confiança no próprio Deus é sempre a força da fé. Que o Senhor nos conceda aumento de simplicidade e tranquilidade no meio de tudo o que passamos, por causa do Seu nome.

 

C. H. Mackintosh

 

O Mar da Galileia


Que momento deve ter sido, quando o Senhor acalmou o vento e o mar no lago da Galileia (Mc 4:37-41)! Que expressão de pronta obediência houve naqueles elementos furiosos! Deve ter sido maravilhoso e belo ter testemunhado isso! As pessoas podem falar da força necessária dos princípios, das leis da natureza ou do curso das coisas, mas certamente é a lei da natureza obedecer ao seu Senhor em meio aos seus cursos mais selvagens. Como aqui, em um piscar de olhos, o mar da Galileia sentiu a presença d’Aquele que transfigura a Seu bel-prazer o curso da natureza, ou que por um toque desequilibra tudo.

 

Quando o mesmo Jesus (Sl 104) finalmente rugir sobre Sua presa como um leão, o trovão, embora estivesse dormindo no momento anterior, pronuncia Sua voz (Ap 10), pois todas as forças da natureza estão igualmente, imóveis ou ativas, a Seu bel-prazer. E assim, no final, quando entronizado em vestes brancas ou trajado para julgamento, os céus e a Terra, com a mesma prontidão instintiva, fugirão da Sua presença (Ap 20).

 

O Senhor ouviu Josué 

Observo uma diferença no estilo da ação em Josué, quando o Sol e a Lua pararam no meio do céu. Foi o Senhor Quem ouviu a voz do homem ali. Josué orou e teve o poder de Deus ao seu lado, e a ocasião foi cheia de admiração, nenhum dia foi como esse.

 

Mas Jesus age imediatamente e de Si mesmo, e nenhuma surpresa é expressada pelo evangelista inspirado. Todo o espanto que seguiu à ocasião surge de corações despreparados tanto dos homens como dos discípulos.

 

Muitos ventos, posso dizer, sopraram sobre a mesma água desde o dia de Marcos 4, e o coração de muitos discípulos alarmados clamou novamente, mas não houve resposta. Muitas e muitas tempestades de aflição, penosas e terríveis ainda varrem o caminho do povo de Deus, e não há nenhuma ordem para isso d’Aquele que ainda tem direito e poder. Mas assim podemos aprender que, embora haja “necessidade de paciência”, e Jesus pareça ainda estar dormindo, Ele está conosco agora tão verdadeiramente quanto estava com os discípulos diante do perigo naquela época.

 

A presença de Jesus 

E essa mesma água nem sempre foi conturbada. Muitas vezes, testemunhou a pesca bem-sucedida dos discípulos de Jesus. Ao comando do mesmo poder que agora acalmava as águas, elas repetidamente produziam seus tesouros, e redes cheias eram dadas a eles sem qualquer esforço deles. Como agora, no cenário mutável da vida, pode haver paz e abundância, e também perigo, perturbação e medo. Mas, oh, o conforto, se pudéssemos apenas abraçá-lo! É a presença do mesmo Jesus que a fé tem o direito de conhecer, seja em águas suaves, em águas tranquilas ou em águas que ainda se enfurecem e se avolumam sem uma voz que as comande. Ele pode estar ativo em um caso e parecer adormecido no outro, mas Ele está igualmente no barco, em ambos os casos.

 

E tenho pensado que a comunhão que os discípulos tiveram com o seu Senhor depois de O terem despertado não era igual àquela que teriam tido se a sua fé O tivesse deixado dormindo. Eles estavam, é verdade, sem mais seus temores do vento e desfrutando do fruto de Seu poder, mas eles tinham temores em relação a Ele mesmo e não estavam à vontade em Sua presença. Ele os repreendeu, e eles não podiam deixar de se lembrar de que O haviam inquietado. Se eles O tivessem deixado dormir, poderiam ter se assentado e olhado para Ele em Sua almofada, e por meio desse olhar teriam aprendido a intimidade de Seu interesse com o deles, e se veriam atados “no feixe dos que vivem” com Ele. Mas agora tudo isso estava perdido para eles: perdedores espiritualmente, ganhadores providencialmente. O mesmo acontece conosco muitas vezes. O Senhor desce ao nosso nível, ao lugar que nossos temores O trouxeram, nas operações libertadoras de Sua mão, mas é com a perda da luz daquela elevação onde Ele estava – o lugar até onde a fé nos teria levado. Será que nossa alma não conhece algo sobre isso?

 

O medo ou a incredulidade às vezes impedem a comunhão com o Senhor e separam a alma do gozo do que Ele é para nós.

 

Egoísmo 

Pior ainda é quando o impedimento é o egoísmo. Nós mesmos conhecemos essas coisas e ouvimos falar delas nas experiências registradas de outros. Numa cena anterior no Mar da Galileia (Mc 4), os discípulos, por medo, perderam o que seu Senhor teria sido para eles; aqui, no mesmo mar, eles O perderam por egoísmo (Mc 6:31-52). Eles haviam retornado a Ele depois de um dia de trabalho árduo, e Ele Se retirara com eles, para que pudessem descansar e se refrescar. Mas a privacidade deles logo foi perturbada pela multidão. Na perfeição de Seus caminhos, Ele imediatamente Se afastou deles para atender a necessidade mais profunda do povo. Eles eram como ovelhas sem pastor, e Ele começa a ensiná-los. Isso era perfeito e, portanto, o único caminho que o Filho de Deus poderia tomar. Ele passa da necessidade menor para a maior – do cansaço dos discípulos para as necessidades espirituais da multidão. Ao tomar essa direção, os discípulos sofrem. Mas isso não é culpa de seu Mestre, mas o resultado da perfeição de Seu caminho.

 

Isso acontece continuamente conosco, e ficamos ressentidos. Nosso egoísmo nos torna atentos à nossa parte no grande cenário que nos rodeia, e não estamos com Ele, em sabedoria e amor, examinando o cenário e considerando-o em todos esses relacionamentos. Assim foi nessa passagem com os discípulos: Eles se ressentem com a multidão que está sendo assim servida, e propõem ao seu Mestre, depois de algum tempo, que Ele os mande embora. Portanto, houve uma ruptura moral entre Ele e eles. O egoísmo deles, e estreiteza de coração, causaram isso. Ele não pode seguir o curso que eles prescrevem. Ele alimenta, em vez de despedir, a multidão.

 

A disciplina, então, vem no devido tempo. Depois de alimentar o povo, o Senhor diz aos discípulos para irem a bordo e atravessarem o Mar da Galileia. Assim como o egoísmo deles de bom grado O teria separado do povo, Sua disciplina deve agora separá-los do gozo e da força de Sua presença. Eles se lançam ao mar, e Ele segue Seu caminho perfeito, despedindo-Se do pobre rebanho sem pastor, retirando-Se para o monte para orar, e depois descendo para caminhar sobre o mar, que todo esse tempo, por causa de ventos contrários, custou aos discípulos árduo trabalho no remo.

 

Separação de Sua presença 

Isso foi separação, de fato. Eles veem, mas não compartilham o triunfo de seu Senhor. Em princípio, isso traz consigo toda a diferença entre julgamento e salvação. Por um momento, a alma dos discípulos teve que provar um pouco disso. Por não discerni-Lo, eles clamam. Estão muito impressionados, e maravilhados. Eles veem seu Senhor no lugar de força e vitória, mas não estão com Ele lá. Essa é a verdadeira separação. Eles, com medo, O contemplam andando sobre toda aquela poderosa agitação e tempestade, que lhes causava tanto trabalho árduo e angústia.

 

Salvação e julgamento 

Isso traz consigo toda a diferença entre salvação e julgamento. Pois o que é a salvação senão uma participação na vitória do Filho de Deus? E o que será o julgamento, senão ver essa vitória em seu glorioso fruto sem uma participação nele, e sim expulso de sua presença com confusão e espanto?

 

O Mar da Galileia pode retratar a vida do Cristão para nós. A superfície era calma às vezes, agitada às vezes, requerendo trabalho duro no remo às vezes, proporcionando um velejar propício e pesca bem-sucedida às vezes, e às vezes despertando medo. Mas, por mais que mudasse, Jesus estava lá com Seu povo. Os Seus caminhos podem variar, mas Ele está sempre com eles ou Se junta a eles. Ele pode às vezes estar enchendo suas redes, dirigindo seus trabalhos, dormindo como se Ele não estivesse cuidando deles, a companhia de sua suave travessia, ou caminhando em força acima daquilo era demais para eles. Mas Ele ainda está com eles: Seja navegando, pescando, remando ou combatendo o vento com medo, Ele está sempre com eles.

 

The Remembrancer, 1902

 

De Mar a Mar


O reino milenar de Cristo é a resposta aos sofrimentos de Cristo causados pelas mãos dos homens, que são apresentados no Salmo 69. O cumprimento dos desejos de Cristo, expressos no Salmo 70, seguindo a restauração de Israel, é predito no Salmo 71. Então o reino milenar de Cristo é descrito para nós no Salmo 72.

 

O Salmo 72 abre (v. 1) com uma oração a Deus, para que o Rei seja guiado pela justiça divina e, assim, seja capaz de dar decisões ou julgamentos, de acordo com a vontade de Deus. Assim, percebe-se que a bênção do reino depende totalmente de um Rei que realiza os julgamentos de Deus de acordo com a justiça de Deus. Esse Rei será encontrado apenas em Cristo – o Filho de Davi, de Quem Salomão era apenas uma figura.

 

O caráter do reino 

Segue-se (vs. 2-11) a apresentação do caráter do reino que resulta de haver um Rei de acordo com a mente de Deus. Ele será marcado pela paz como o fruto da justiça, segundo a qual “os pobres”, “os necessitados” e “os oprimidos” ficarão sob o cuidado especial do Rei. Além disso, estabelecido em justiça, não será apenas um reino de paz, mas um reino duradouro, marcado pelo temor de Deus por todas as gerações (v. 5).

 

Além disso, será um reino de prosperidade espiritual e material. A influência do Rei sobre Seu reino será como chuvas que regam a Terra. Em Seus dias, os justos florescerão e haverá abundância de paz (vs. 6-7). Em extensão, Seu reino será universal, de mar a mar, e do rio até as extremidades da Terra (v. 8).

 

Poder supremo 

Além disso, se universal em extensão, será supremo em poder. Todo inimigo se submeterá ao Rei e demonstrará sua sujeição com presentes, curvando-se diante do Rei e servindo-O (vs. 9-11). Segue-se a razão pela qual esse glorioso reino, marcado por justiça e paz, longevidade, prosperidade, universalidade e supremacia deve ser dado a Cristo (vs. 12-14); somente Ele é digno de receber riquezas, honra, glória e poder, pois todas essas coisas Ele usará para livrar os necessitados e os pobres quando clamarem, para ser o Ajudador dos desamparados e o Redentor dos homens da corrupção e da violência, e aos Seus olhos a vida dos pobres e dos desamparados serão preciosas.

 

Além disso (vs. 15-16), temos a certeza de que este Rei, que assegura tal bênção para o mundo, nunca será cortado pela morte, pois “Ele viverá”. A Ele serão dadas as riquezas do mundo, para Ele será feita oração para que a bênção de Seu reino continue, e a Ele será oferecido louvor diariamente. Assim, a abundância de bênçãos será garantida para todas as partes da Terra – os vales, as montanhas e as cidades.

 

Fama eterna 

A glória e a bênção de Seu reino (v. 17) levarão à fama eterna de Seu Nome, pois todos serão abençoados n’Ele, e Ele será bendito por todos.

 

Por último (vs. 18-20), o louvor do Rei levará ao louvor de Deus. Então o homem dirá, “Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só Ele faz maravilhas. E bendito seja para sempre o Seu nome glorioso”. Assim, por meio do reino de Cristo em justiça, toda a Terra se encherá da glória de Deus. Na expectativa dessa perspectiva gloriosa, Davi pode dizer: “Findam aqui as orações de Davi, filho de Jessé”. O que mais, de fato, resta para Davi orar? Resta-lha apenas dizer, com todos os outros, “Amém e amém”.

 

Hamilton Smith

 

Providência Divina


Em Daniel 7, o profeta disse: “Eu estava olhando, na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu combatiam no mar grande. E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar”. Foi-lhe dado ver os efeitos dos ventos sobre o mar. Esses ventos representam os tratamentos providenciais de Deus com a Terra – eles são “os quatro ventos do céu”. São correntes que Deus permite que afetem o curso das nações. Políticas e opiniões públicas, circunstâncias, grandes e aparentemente triviais, todas cumprem Sua vontade. O mar representa as massas inquietas de pessoas que agem influenciadas por essas coisas. Quando João, olhando adiante, vê esses quatro ventos em Apocalipse 7, eles estão sendo retidos até que um remanescente de Israel seja selado antes do tempo da angústia de Jacó. João fala dos ventos como “os quatro ventos da Terra”. A diferença entre Daniel e João é que o primeiro falou da fonte de onde eles vêm, e o último, o objeto sobre o qual eles agem.

 

Os ventos sobre os mares 

Em Daniel 7, a atividade desses ventos sobre os mares produz a agitação que produz grandes impérios, e essa comoção sempre precedeu grandes mudanças entre as nações. Às vezes, acontecimentos aparentemente não relacionados provam ser apenas o trabalho de uma providência divina produzindo certas situações complexas das quais surgem grandes líderes e grandes nações. Olhe para trás na história e veja o pano de fundo de onde surgiram as grandes bestas de Daniel 7 – os impérios babilônico, persa, grego e romano. Todos surgiram da agitação dos povos, que foram provocados pelos ventos providenciais do céu.

 

Os ventos do céu 

Então, quando chegamos a Apocalipse 13, descobrimos que a futura besta – o grande e terrível império romano do futuro – surgirá do mar, sem dúvida perturbada pelos ventos do céu agindo sobre a Terra. Certamente os últimos anos testemunharam o sopro dos ventos do céu sobre a Terra, e as mudanças foram importantes e drásticas. Ventos tempestuosos têm cumprido Sua vontade, e logo os atores finais nesta cena dos dias do homem sairão prontos para cumprir suas partes designadas. Mas não nos esqueçamos de como a imagem da profecia em todos os lugares se encerra com a vinda e o reino de nosso Senhor Jesus Cristo. Daniel diz, ao contemplar os quatro reinos gentios, especialmente o império romano revivido, que “nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre” (Dn 2:44).

 

Paul Wilson

 

Um Mar de Vidro


Como vimos em outros artigos nesta edição de “O Cristão”, a palavra “mar” pode ter diferentes significados na Palavra de Deus: Às vezes, o significado é literal e, outras vezes, simbólico. Em Apocalipse, no entanto, temos duas vezes mais uma expressão incomum: um “mar de vidro”. Lemos em Apocalipse 4:6 que “havia diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal”. O referido trono é, sem dúvida, o trono em que nosso Senhor Jesus Se assenta no dia vindouro, mas é cercado por “vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas” (v. 4). Então, em Apocalipse 15:2, temos outra referência a um mar de vidro: “E vi um como mar de vidro misturado com fogo e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro e tinham as harpas de Deus”. O que tudo isso significa e, em particular, o que se entende por um mar de vidro?

 

Dois grupos 

É claro que dois grupos diferentes de pessoas estão em vista aqui, e em momentos diferentes, mas ambos associados a um mar de vidro. O primeiro grupo é chamado de anciãos e eles são mencionados no início do livro do Apocalipse. É geralmente aceito que eles representam os santos celestiais que são arrebatados quando o Senhor volta para nos levar para casa para Si mesmo – todos aqueles que morreram em Cristo, tanto antes como depois da cruz de Cristo, bem como aqueles que estão vivos em Sua vinda e arrebatados sem passar pela morte. A imagem é a do sacerdócio levítico, que foi dividido por Davi em 24 turmas. Agora, esses santos foram chamados ao céu na vinda do Senhor por eles, e estão assentados em tronos ao redor d’Aquele que os amou e morreu por eles. Eles estão associados a Ele e estão se preparando para reinar com Ele.

 

O outro grupo vem depois, pois eles “saíram vitoriosos da besta” – o líder que surge durante o período da tribulação. Ele é um homem terrivelmente mau, que, junto com o anticristo, leva o mundo ao auge da iniquidade diabólica e que traz idolatria tal como nunca visto antes. Qualquer um que seja fiel ao Senhor sofrerá muito sob ele, pois é “o dragão” (Satanás) quem lhe dá seu poder. Ele também “abriu a boca em blasfêmias contra Deus” (Ap 13:4-6). Qualquer um que deseje honrar a Deus durante esse tempo sofrerá terrível perseguição sob ele, mas será uma provação especial para o remanescente piedoso entre os judeus.

 

A lavagem da água 

O mar de vidro parece se referir a outra característica do Velho Testamento – o mar de fundição situado fora do templo de Salomão, no qual os sacerdotes lavavam as mãos e os pés antes de entrar no templo. Isso corresponde à pia, que ficava diante do tabernáculo. Ambos nos dão uma imagem da lavagem dos pés que o Senhor instituiu com Seus discípulos em João 13 e que é mencionado em Efésios 5:26 – “a lavagem da água, pela Palavra”.

 

Essa contínua lavagem moral e julgamento próprio foram necessários para os santos durante sua jornada no deserto, quando entraram em contato com um mundo pecaminoso, mas tudo isso já passou. Eles foram levados no arrebatamento para estar com o Senhor para sempre. O mar de vidro é descrito como “semelhante ao cristal”, talvez enfatizando a perfeição da santidade e pureza que agora caracterizam os santos celestiais. A lavagem não é mais necessária, sua pureza, retratada no vidro, está consolidada para sempre. Como isso é precioso!

 

Os mártires no céu 

No entanto, em Apocalipse 15, vemos santos de um tempo posterior. Eles também estão no céu, e desta vez eles “estavam em pé sobre o mar de vidro” (TB). Mais do que isso, o mar de vidro está “misturado com fogo”. Eles obtiveram a vitória sobre a besta, pois não adoraram sua imagem nem receberam sua marca. Como resultado, eles foram martirizados e, embora não façam parte da Igreja ou daqueles levados no arrebatamento, eles compartilham do reino na posição celestial. O fogo misturado com o mar de vidro traz diante de nós a terrível tribulação pela qual eles passaram, mas eles são vitoriosos. Eles escaparam da ira da besta, assim como Israel escapou da ira do Faraó ao passar pelo Mar Vermelho. Assim, é apropriado que eles cantem o “cântico de Moisés” (v. 3), pois era então, e é agora, o cântico da vitória, mas também é o cântico do Cordeiro. Sendo o grupo um remanescente piedoso no meio do Israel apóstata, eles não têm a inteligência espiritual da Igreja. No entanto, eles reconhecem o Cordeiro como Aquele por Quem eles sofreram. É interessante que o cântico de Moisés em Êxodo 15 seja a primeira menção de canto na Bíblia, enquanto o registrado aqui em Apocalipse 15 é a última menção de canto na Bíblia.

 

A pureza desse grupo agora também está consolidada, pois eles estão no céu, onde nenhum pecado pode entrar. No entanto, as palavras “semelhante ao cristal” são omitidas aqui; em vez disso, o fogo pelo qual eles passaram é enfatizado. Sua pureza não pode ser menos do que perfeita, mas o Espírito de Deus escolhe enfatizar sua experiência de tribulação em vez de sua pureza.

 

Como deve emocionar nosso coração perceber que naquele dia futuro (talvez muito em breve!), estaremos em um lugar aonde o pecado nunca pode vir, onde nossa velha carne pecaminosa se foi para sempre e onde Cristo preenche toda a cena feliz! “Ora, vem, Senhor Jesus!”.

 

W. J. Prost

 

O Mar Já Não Existe 


Após a cena solene do julgamento eterno, revelada no final de Apocalipse 20, uma visão da beleza refulgente do estado eterno de bem-aventurança é exibida diante de nossos olhos no capítulo 21. O contraste é tão abrupto quanto magnífico. Assim que João registrou a condenação daqueles que apareceram diante do grande trono branco, ele prossegue: “E vi um novo céu e uma nova Terra. Porque já o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe” (v. 1). Isaías é o primeiro a fazer menção tanto de novos céus quanto de uma nova Terra. Ele diz, falando em nome do Senhor: “Porque eis que Eu crio céus novos e nova Terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65:17). E novamente: “Porque, como os céus novos e a Terra nova que hei de fazer estarão diante da Minha face, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is 66:22). No entanto, embora as palavras “novos céus” e “nova Terra” apareçam na profecia de Isaías, é evidente, a partir do contexto das passagens citadas, que elas não contêm o mesmo significado que em nosso capítulo. Em Isaías, na verdade, significa nada muito além de os céus e a Terra serem moralmente novos durante o Milênio. Como os céus serão limpos de Satanás e do poder de Satanás (Ef 6:12; Ap 12:10), e a Terra será libertada em grande medida dos efeitos da maldição (Sl 67 e 72), eles serão “novos”, nesse sentido. O apóstolo Pedro fornece a ligação entre Isaías e Apocalipse. Retomando, como guiado pelo Espírito Santo, a profecia de Isaías e dando-lhe um significado mais profundo, Pedro diz, depois de descrever a dissolução de todas as coisas: “Mas nós, segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e nova Terra, em que habita a justiça” (2 Pe 3:13). Isso, como será imediatamente percebido, vai muito mais além do que o reino durante os mil anos, cuja característica é que a justiça reinará (Sl 96-99; Is 32). No entanto, Pedro fala de uma cena em que a justiça habitará. Isso não poderia ser outro senão o estado eterno, falando de uma cena exterior e uma cena interior as quais condizem com tudo o que Deus é, uma cena que é, de fato, a consumação da nova criação.

 

A nova Terra 

O primeiro céu e a primeira Terra são, assim, substituídos para sempre. (Na verdade, como aprendemos em 2 Pedro 3:10-12, eles serão destruídos pelo fogo.) Nota-se especialmente que não havia mais mar. Esse fato pode ter um duplo significado. O primeiro e mais proeminente pensamento é que, uma vez que o mar interpõe uma barreira que impede que estejamos juntos, isso indica que não haverá mais separação. Então, ao nos lembrarmos do significado simbólico da Terra e do mar neste livro, que a Terra fala de governo ordenado e o mar de massas não sujeitas e desorganizadas de povos ou nações, isso nos ensina que cada parte da nova Terra estará em sujeição ordenada e sob o controle governamental de Deus. Tudo será a expressão perfeita de Sua própria vontade, e então será cumprida aquela petição de longo alcance na oração que o Senhor ensinou a Seus discípulos, “Seja feita a Tua vontade, tanto na Terra como no céu” (Mt 6:10). Isso foi assim feito pelo próprio nosso Senhor, mas nessas “novas e abençoadas cenas”, isso também será feito por cada um dentre toda a incontável multidão dos redimidos.

 

E. Dennett

 

Jesus Junto ao Mar da Galileia 

“Sou Eu; não temais”  (Mc 6:47-51).

 

A noite é escura; os ventos são fortes;

Nuvens negras e em revolução obscurecem o céu;

Feroz irrompe a tempestade que varre o mar

De tuas praias verdes, ó Galileia:

Em vão vocês, barqueiros, manejam os remos,

E labutam para ganhar a costa desejada.

 

Oh, nunca, desde que os primeiros marinheiros corajosos

Aventuraram-se a confiar na onda traiçoeira,

O barco continha uma carga tão rica,

Nem nunca carregará  uma tão rica novamente

Como aquela agora jogada de um lado ao outro no mar,

De tuas margens verdes, ó Galileia.

 

Nenhuma seda, ou pérolas, ou pó de ouro,

Aquele pequeno barco a remo agitado pela tempestade pode segurar;

Nenhum homem de riqueza, ou poder, ou nascimento,

Os sábios e poderosos da Terra:

Os olhos do homem não podiam ver mais

Do que os pescadores da Galileia.

 

Abalroador é o vento, as ondas estão altas,

Seus remos cansados em vão manejam,

Quando eis uma forma maravilhosa de luz

Rompe na escuridão da noite,

E caminha sobre as grandes profundezas,

Como se o mar fosse terra firme.

 

Com corações palpitantes, em espanto selvagem,

Os barqueiros assustados olham trêmulos:

“É um espírito”, eis! Eles clamam,

Do seu barco, Seus passos se aproximam;

Tais visões da noite, mais sombrias

Para corações mortais, do que espada ou lança.

 

“Não temais: Sou Eu; não temais”,

Com voz bem conhecida, seu Mestre fala;

“Não temais: Sou Eu; tenha bom ânimo,

Nem deixe seu coração dar lugar ao medo;

Eu ando sobre a onda líquida,

Jesus, Emanuel, forte para salvar.”

 

“É o Senhor!” Eles alegres clamam

Que alegria sucede sua agonia!

“É o Senhor! Nosso Salvador perto,

Que lugar há para o cuidado ou o medo?

Toda a Terra e o inferno podemos desafiar

Se soubermos que nosso Senhor está próximo.”

 

J. G. Deck

 

“E vi um novo céu e uma nova Terra. Porque já o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe” 

Apocalipse 21:1


 


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