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Neemias (Maio de 2018)




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Revista mensal publicada originalmente em maio/2018 pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


Tema da edição

J. N. Darby

N. Simon

W. J. Prost

W. J. Prost

P. E. House

J. T. Mawson (adaptado)

W. T. P. Wolston (adaptado)

Selecionado

 

Neemias

O cumprimento dos propósitos de Deus repousa sobre a Pessoa e a obra de um Homem – o Homem Cristo Jesus. O registro de Sua vida e morte mostra Sua perfeição. Em Sua perfeita sabedoria, Deus escolheu nos ensinar, nos humilhar e nos exercitar, registrando também para nós a vida e o serviço de muitos homens imperfeitos. Quando os consideramos, estamos vendo nossa própria natureza humana em exibição. Em alguns casos, a Palavra inspirada registra seus pensamentos, seus motivos e suas ações, mesmo quando estão escrevendo sobre suas próprias fraquezas e pecados. Jonas escreve o livro de Jonas. No entanto, quando o livro começa, ele está sem comunhão com o Senhor e quando o livro termina, ele está sem comunhão com o Senhor. Neemias é outro que registra coisas sobre si mesmo que mostram força e fraqueza e comportamentos que não são de acordo com os de Cristo. Podemos aprender muitas coisas meditando sobre a vida deles e aprender com seus fracassos e agradecer por seus atos de fé. E devemos ser como o apóstolo Paulo, que disse da sua própria vida: “Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá de Deus o louvor” (1 Co 4:4-5). Estou ansioso para estar presente quando Neemias receber seu louvor de Deus.


Tema da edição

 

O Caráter de Neemias


Vemos no próprio Neemias um coração tocado pela aflição de seu povo, um precioso sinal da graça de Deus, e Aquele que produziu esse sentimento dispôs o coração do rei para conceder a Neemias tudo o que ele desejava para o bem do povo e de Jerusalém. Vemos também em Neemias um coração que habitualmente se voltava para Deus, que buscava sua força n’Ele, e assim superava os maiores obstáculos. O tempo em que Neemias trabalhou pelo bem de seu povo não foi uma daquelas brilhantes fases que despertam as energias da fé e até mesmo a energia do homem, transmitindo-lhe seu próprio brilho. Foi um período que exigiu a perseverança que brota de um profundo interesse pelo povo de Deus, porque eles são o Seu povo – uma perseverança que, por essa mesma razão, persegue seu objetivo apesar do desprezo despertado pela obra, aparentemente tão insignificante, mas que não é nada menos do que a obra de Deus, e a persegue a despeito do ódio e oposição de inimigos e da falta de coragem dos companheiros de trabalho (Ne 4:8, 10-11), uma perseverança que, entregando-se inteiramente para a obra, frustra todas as intrigas do inimigo e evita toda armadilha, Deus cuidando daqueles que confiam n’Ele. Também é uma característica bonita no caráter de Neemias que, apesar de seu alto cargo, ele tinha todos os detalhes de serviço no coração e tudo o que dizia respeito à correta caminhada do povo de Deus.


A perseverança da fé

Essa história nos mostra, em primeiro lugar, como, quando Deus age, a fé imprime seu próprio caráter em todos os que a rodeiam. Os judeus, que há tanto tempo deixaram Jerusalém desolada, estão bastante dispostos a recomeçar a obra. Mais tarde, porém, eles ficaram um pouco desanimados com as dificuldades. Isso traz à tona a perseverança que caracteriza a fé verdadeira quando a obra é de Deus, mesmo que seja fraca em aparência. Todo o coração está focado nela porque é de Deus. Encorajados pela energia de Neemias, o povo está pronto para trabalhar e lutar ao mesmo tempo, pois a fé sempre identifica Deus e Seu povo no coração. E isso se torna uma fonte de devoção em todos os envolvidos.


Notemos que em tempos difíceis a fé não se mostra na magnificência do resultado, mas no amor à obra de Deus, por menor que possa ser, e na perseverança com que é conduzida através de todas as dificuldades que são inerentes a esse estado de fraqueza, pois aquilo com o que a fé é ocupada é a cidade de Deus e a obra de Deus, e essas coisas têm sempre o mesmo valor, quaisquer que sejam as circunstâncias em que são encontradas.


J. N. Darby

 

Neemias


O Livro de Neemias está intimamente ligado ao livro de Esdras, de fato, os dois formam um único livro nas Escrituras Hebraicas. Treze anos tinham se passado desde o retorno de Esdras a Jerusalém e ele ainda podia ser encontrado naquela cidade (Ed 7:7; Ne 2:1; 8:1). O Livro de Neemias, no entanto, inicia-se nas cortes do palácio de Susã (no atual Irã), onde encontramos Neemias, o copeiro, a serviço do rei Artaxerxes.


Temperamento

Ao comparar os indivíduos – Esdras e Neemias – descobrimos que eles são bem diferentes em relação ao temperamento. Esdras parece mais moderado; ele era o escriba preparado e o sacerdote de Deus. Esdras foi enviado a Jerusalém para restaurar as coisas eclesiásticas. Ele deveria indagar a respeito de Judá e Jerusalém de acordo com a lei de Deus e ensinar aqueles que não a conheciam (Ed 7:14, 25). Para essa obra, ele estava perfeitamente capacitado. Neemias, por outro lado, era um homem de ação e, ao que parece, um líder natural. Sua posição na corte do rei pode muito bem ter tido alguma influência sobre isso. Muitas vezes Deus usa circunstâncias aparentemente insignificantes em nossa vida para nos preparar para coisas maiores. Em contraste com Esdras, o retorno de Neemias a Jerusalém estava relacionado com a restauração do estado civil das coisas. Deve-se ter cuidado ao elevar um sobre o outro; cada um caminhava de acordo com a medida de fé que eles haviam recebido. Por que era necessário que Deus enviasse Neemias a Jerusalém quando Esdras já estava lá? Esdras tinha falhado? Não, cada um tinha um papel que o outro não poderia cumprir.


Papéis diferentes

Devemos evitar classificar nossos irmãos e, pior ainda, nos exaltar. “Porque não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas esses que se medem a si mesmos e se comparam consigo mesmos estão sem entendimento” (2 Co 10:12).


É da natureza humana mergulhar em coisas que não vimos e promover nosso senso de espiritualidade e superioridade, mas sejamos claros, isso não vem de Deus. “Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça” (Cl 2:18-19). Foi exatamente isso que levou aos erros gnósticos que o apóstolo João teve que combater por meio de suas epístolas no final de sua vida. Isso não quer dizer que todos os crentes são espiritualmente conscientes ou que todos exibem o mesmo grau de maturidade. Nós vemos isso claramente nos livros que estamos considerando agora. Aqueles que fizeram o sacrifício para deixar a Babilônia e voltar para a terra foram exercitados para fazê-lo. Alguns, no entanto, pareciam estar satisfeitos em apenas estar ali – eles estavam no centro de Deus, não estavam? Outros, no entanto, estavam dispostos a colocar suas mãos na obra, e de alguns lemos: “Se tinham achado fiéis” (Ne 13:13). É triste dizer que havia também aqueles para quem esse lugar de privilégio significava muito pouco, e seu comportamento apenas serviu para minar o débil testemunho que Deus em Sua graça havia permitido.


No Novo Testamento, Tiago, Pedro e João eram vistos como sendo os pilares na assembleia (Gl 2:9). Por outro lado, no entanto, ter uma visão superior de sua posição entre seus irmãos e dominar a herança de Deus é condenado pelo apóstolo Pedro (1 Pe 5:3). O Senhor não pediu a Pedro que abrisse mão de uma posição para alimentar Suas ovelhas, mas que isso fluísse da afeição de Pedro por Cristo. Qualquer coisa que exalte o homem, seja eu ou outro, diminui a importância de Cristo. “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30).




N. Simon

 

Esdras e Neemias – Uma Abordagem do Fracasso Entre o Povo de Deus



Neemias e Esdras viveram aproximadamente na mesma época, e ambos eram homens fiéis. Cada um tinha um coração voltado para o Senhor e ambos foram levantados pelo Senhor para um propósito específico. No entanto, é evidente que seus caráteres eram muito diferentes. Neemias chegou à Jerusalém alguns anos depois de Esdras ter chegado ali, e alguns sugeriram que houve um fracasso por parte de Esdras, que se concentrou em ensinar o povo e em lidar com seus pecados, enquanto os muros de Jerusalém estavam ainda em ruínas. Ele certamente havia visto todos os escombros e a desolação do muro, e alguns questionaram por que ele não tratou do assunto, assim como estava ocupado com o povo e o templo.


A isto só podemos responder que Deus usa Seus servos de acordo com o Seu próprio propósito, e era importante que o estado do povo estivesse correto antes que eles fossem exercitados para reconstruir o muro. Assim, Deus usou um Zorobabel para construir o templo, um Esdras para ensinar o povo e relembrá-los do Senhor, e um Neemias para construir o muro. Cada um foi escolhido pelo Senhor e preparado para o trabalho que Ele lhes havia dado.


No entanto, gostaria de sugerir que há uma lição importante que podemos aprender, se observarmos as diferentes maneiras pelas quais esses dois homens fiéis abordaram o fracasso e a dificuldade entre o povo de Deus. Ambos reconheceram o fracasso do povo de Deus e se identificaram com ele. Ambos tinham um desejo pela honra e glória do Senhor e procuraram diligentemente resolver os problemas que encontraram. Mas, novamente, cada um abordou essas dificuldades de uma maneira diferente e podemos aprender com a experiência deles.


A missão de Esdras

Esdras, que veio a Jerusalém uns treze anos antes de Neemias, teve que enfrentar um declínio no estado espiritual do povo que havia voltado para a terra de Israel. Quase cinquenta anos haviam se passado desde a dedicação do templo, e não havia mais a mesma energia para o Senhor e Seus interesses como havia acontecido quando “os filhos de Israel que tinham voltado do cativeiro, com todos os que a eles se apartavam da imundícia das nações da terra, para buscarem o SENHOR, Deus de Israel. E celebraram a Festa dos Pães Asmos os sete dias com alegria” e fortaleceram as suas mãos “na obra da Casa de Deus” (Ed 6:21-22). O mal tinha entrado, e foi relatado a Esdras que “O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas não se têm separado dos povos destas terras... porque tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a semente santa com os povos destas terras” (Ed 9:1-2).


A reação de Esdras é admirável, pois lemos: “rasguei a minha veste e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei atônito” (Ed 9:3). O resultado foi que “então, se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel” (v. 4). Esdras então caiu de joelhos, confessando o pecado da nação como sendo seu, e reconhecendo sua situação atual como sendo o resultado de um sério fracasso no passado. Por sua vez, o próprio Deus trabalhou no coração do povo para que desejassem corrigir o problema com o afastamento daquelas esposas pagãs, enquanto Esdras continuava em jejum e luto. O resultado dessa humildade de coração diante do Senhor foi um tratamento minucioso com o assunto, por mais doloroso que tenha sido. Foi uma obra de Deus e Ele recebeu a glória.


A missão de Neemias

Como temos notado, Neemias veio alguns anos depois de Esdras, e eles se conheceram, pois são vistos trabalhando juntos (veja Neemias 8:9). Neemias era um homem ativo – alguém que era prático em suas perspectivas e queria fazer as coisas. Como já mencionamos, ele também confessou o pecado de Israel como sendo seu, lamentando e jejuando, e especialmente quando um relato foi trazido a ele sobre o triste estado do muro e das portas de Jerusalém. Foi sua energia e entusiasmo que estimulou o povo a reconstruir o muro, que evidentemente estava em péssimo estado desde que fora derrubado por Nabucodonosor, mais de 130 anos antes.


Mais tarde, chamou à sua atenção que alguns dos nobres estavam oprimindo os pobres, exigindo sua usura e causando grandes dificuldades. Em vez de se sentar diante do Senhor, está registrado que Neemias estava “muito aborrecido” e registra que eu “considerei comigo mesmo” (Ne 5:6-7). Mais do que isso, concernente aos nobres, ele ajuntou “contra eles um grande ajuntamento” (v. 7). O Senhor trabalhou no coração desses nobres e a restituição foi feita àqueles que foram injustiçados, pelo que podemos agradecer ao Senhor. Mas, mais tarde, Neemias pôde dizer ao Senhor: “Lembra-Te de mim para bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo” (Ne 5:19). Em vez de o Senhor obter a glória, Neemias a tomou para si, querendo que o Senhor Se lembrasse de tudo o que ele havia feito.


A segunda visita de Neemias

Parece que depois de alguns anos em Jerusalém, Neemias voltou para a Pérsia, mas depois ele voltou a visitar seu povo “no ano trinta e dois de Artaxerxes, rei de Babilônia” (Ne 13:6). Mais uma vez, ele descobriu que um grave fracasso havia se desenvolvido em sua ausência, tanto na profanação do templo quanto em profanar o sábado. Além disso, parte do povo de Israel, incluindo os que eram governantes e sacerdotes, havia novamente se casado com esposas de outras nações, de modo que seus filhos falavam em dialetos de línguas misturadas.


Mais uma vez, a resposta de Neemias era característica de sua forte personalidade, pois está registrado: “E contendi com eles, e os amaldiçoei, e espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos” (Ne 13:25). Em relação a um dos principais ofensores, Neemias declara que “o afugentei de mim” (v. 28). Tudo isso foi, sem dúvida, justa indignação e foi bem merecido pelos malfeitores. Mas enquanto a glória do Senhor estava diante de Neemias, parece que o ego e a energia da natureza entraram em sua maneira de lidar com o mal. Novamente, a palavra final do livro é: “Lembra-Te de mim, Deus meu, para o bem” (v. 31).


Chamamos a atenção para tudo isso, não para lançar pedras em Neemias ou difamar seu caráter, mas simplesmente para salientar que é muito melhor se humilhar e permitir que o Senhor trabalhe em corações culpados, em vez de recorrer à energia humana. O Senhor em Seus caminhos pode permitir que a energia humana atinja Seu propósito, mas quanto melhor permitir que Ele trabalhe. Então corações frios são aquecidos e trazidos de volta a Ele, e finalmente Ele recebe a glória, não nós que podemos ser usados por Ele.


W. J. Prost

 

Construindo o Muro – Oposição


O assunto que preocupava grandemente Neemias enquanto ele estava na corte persa em Susã era um relato de que viram “o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo”, e que por causa disso o povo estava “em grande miséria e desprezo” (Ne 1:3), por sua vez, solicitou ao rei (Artaxerxes II da Pérsia) permissão para ir a Judá e reconstruir o muro e a cidade. O muro foi de fato construído e suas portas foram estabelecidas ao longo de um período de anos, porém durante “tempos difíceis”, como Daniel havia profetizado muitos anos antes.


A oposição não veio dos pagãos nem do Império Persa, antes, veio dos samaritanos – aqueles que habitavam o território mais ao norte de Israel. Estes eram um grupo misto de povos com uma religião confusa, pois quando os assírios levaram as dez tribos de Israel cativas por volta de 721 a.C., eles introduziram outros povos na terra. A religião naquela área, já corrompida por Jeroboão, acabou se tornando uma mistura ainda pior, consistindo de um conhecimento superficial do que Deus havia dado por meio de Moisés no princípio, mas combinado com muitos pensamentos do homem e muitos erros. Assim, muitos anos depois, o Senhor Jesus pôde dizer à mulher samaritana no poço de Sicar: “Vós adorais o que não sabeis” (Jo 4:22). Foi dessas pessoas e seus aliados que a maior parte da oposição veio.


Formas de oposição

Satanás estava por trás de tudo isso, assim como ele se opõe hoje a qualquer coisa que busque honrar a Deus e voltar à Sua Palavra para instrução e direção. A resistência tomou muitas formas diferentes, calculadas para desgastar, desencorajar e até assustar aqueles que procuravam agradar ao Senhor. Vejamos algumas das maneiras pelas quais Neemias e os que construíram o muro foram atacados.


Primeiro de tudo, Sambalate, o horonita (provavelmente moabita) e Tobias, o amonita, ouviram falar do plano de reconstruir o muro, e “lhes desagradou com grande desagrado que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel” (Ne 2:10). Mais tarde, esses dois homens se juntaram a Gesém, o árabe, e sucessivamente Neemias registra que (1) “zombaram de nós, e desprezaram-nos” (Ne 2:19), (2) nos acusaram de rebelião – “rebelar-vos contra o rei?” (Ne 2:19), (3) ira – “ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu dos judeus” (Ne 4:1), (4) ironia – “vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra” (Ne 4:3) e (5) pronto para lutar – “E ligaram-se entre si todos, para virem atacar Jerusalém” (Ne 4:8). Enquanto todas as tentativas de parar a construção foram frustradas, no entanto, essas ameaças tiveram o seu preço para o povo, pois lemos: “Então, disse Judá: Já desfaleceram as forças dos acarretadores, e o pó é muito, e nós não poderemos edificar o muro” (Ne 4:10).


E assim acontece hoje. Satanás ataca de muitas formas diferentes, mas se confiarmos no Senhor, podemos estar confiantes na vitória. No entanto, muitas vezes é desencorajador que Satanás tenha sucesso, pois se ele não pode parar a obra do Senhor pela força, ele opera no povo de Deus para que eles desanimem e desistam. Todos nós queremos paz e tranquilidade neste mundo, e se estivermos dispostos a fazer concessões e esquecer o muro da separação, podemos tê-las, pelo menos em alguma medida. Mas honrar o Senhor e continuar em fidelidade certamente trará problemas e dificuldades.


Astúcia

O muro finalmente termina, ou quase terminou, mas então o inimigo tentou uma nova táctica. Em vez de atacar como um “leão que ruge”, vemos “as artimanhas do diabo” sendo usadas. O mundo tem um ditado: “Se você não pode derrotá-los, junte-se a eles!” Uma reunião foi proposta, embora Neemias rapidamente tenha percebido que o motivo oculto era “fazer-me mal” (Ne 6:2). Quatro vezes uma reunião foi proposta, mas não em Jerusalém. Não, era para estar em uma aldeia na planície de Ono, a uns 30 quilômetros de Jerusalém. Quando Neemias firmemente recusou isto, seus inimigos levantaram um relatório falso, no sentido de que estava sendo amplamente divulgado que Neemias pretendia se rebelar e fazer de si mesmo um rei. Seus inimigos fingiram amizade, novamente querendo uma reunião, supostamente para tentar protegê-lo. Mais tarde ainda outro inimigo propôs uma reunião no templo, onde supostamente Neemias estaria a salvo de ataques. Neemias novamente recusou todas essas reuniões e seus inimigos ficaram frustrados em seu propósito.


Outra vez, nós vemos Satanás usando as mesmas estratégias hoje. Frequentemente a oposição à verdade vem daqueles que tem uma certa medida da verdade e assim se ressentem grandemente daqueles que buscam abraçar e andar em toda a verdade. Ao concordar em se reunir com eles, tendo em vista uma eventual união com eles, salvará suas consciências e neutralizará a resistência à verdade, mas uma união como esta sempre custará a verdade. Devemos estar sempre preparados para essas manobras da parte de Satanás e, como Neemias, ser capazes de ver através delas e recusar ser enlaçados na infidelidade.


Oposição séria

Finalmente, Neemias encontrou o que talvez fosse o mais sério tipo de oposição e, sem dúvida, o mais difícil de suportar. Em Neemias 12, encontramos o muro de Jerusalém completamente terminado e dedicado com muita alegria. Tudo isso foi acompanhado de cânticos, musicas e sacrifícios. Mas então, parece que Neemias, depois de ter sido governador da Judeia por doze anos, foi temporariamente chamado para ir a Susã pelo rei. Depois de algum tempo ele retornou a Jerusalém, somente para ver o quão rápido as coisas tinham se degenerado com sua ausência.


Primeiramente, ele descobriu que o sumo sacerdote Eliasibe, que era o supervisor da câmara dos pátios da casa de Deus, estava aliado com Tobias “fazendo-lhe uma câmara” (Ne 13:5) Esta era a câmara em que eles deveriam armazenar os dízimos do povo, para o uso dos sacerdotes e levitas. No entanto, agora era um lugar confortável para Tobias, um dos que se opuseram tenazmente à construção do muro. Como resultado de tudo isso, os levitas não tinham recebido os devidos cuidados e foram obrigados a fugir para seus campos para conseguirem sustento.


Mais do que isso, o filho de Eliasibe (Joiada) “era genro de Sambalate, o horonita” (Ne 13:28). Sambalate era outro forte opositor a construção do muro e, junto com Tobias e outros, planejara as tentativas anteriores de interromper o trabalho. Esse casamento com outras nações, que já havia sido tratado uma vez por Esdras alguns anos antes, evidentemente havia recomeçado. Encorajados pelo mau exemplo dado por seus líderes, outros judeus “tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas. E seus filhos falavam meio asdodita e não podiam falar judaico” (Ne 13:23-24).


O Sábado

Finalmente, em uma afronta direta a Jeová, o Sábado estava sendo profanado, de modo que Neemias viu alguns “que pisavam lagares ao sábado e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos” (Ne 13:15). “Também tírios... traziam peixe e toda mercadoria, que no sábado vendiam aos filhos de Judá e em Jerusalém” (Ne 13:16).


Neemias lidou com tudo isso, e de uma maneira muito convincente e eficaz, mas deve ter-lhe entristecido profundamente ver quão pouco o povo realmente valorizava a honra e a glória do Senhor. Sua presença manteve as coisas sob controle, mas assim que ele se ausentou, a decadência se instalou rapidamente.


Associações mundanas

Mais uma vez, devemos abaixar nossa cabeça envergonhados ao ver hoje um declínio similar, e todos devemos reconhecer a nossa parte nisso. Acontece frequentemente que a presença um crente forte e fiel manterá muitas más tendências contidas entre o povo do Senhor, mas se este crente for tirado, as coisas muitas vezes degeneram rapidamente. Um crente espiritual certa vez comentou que temia o mundanismo entre os santos mais do que temia a má doutrina. Não que a má doutrina não seja séria, mas pode ser mais facilmente identificada e tratada. Mundanismo e associações mundanas são traiçoeiros, pois devemos viver e nos mover neste mundo, e é muito fácil estarmos ligados àquilo que, embora tenha uma “forma de piedade”, realmente nega o poder dela. Os homens como Sambalate e Tobias tinham uma aparência de religião piedosa, mas realmente não queriam a verdade completa como Deus havia dado naquele dia. Portanto, hoje existem aqueles que de bom grado procuram estar conectados exteriormente com o povo de Deus, enquanto se opõem firmemente à separação do mundo e da religião mundana.


É somente tendo o próprio Senhor diante de nós que podemos honrá-Lo no confuso estado do mundo hoje, mas Ele nos dará a graça e a coragem moral para fazê-lo, assim como Ele deu a Neemias em seus dias. O Senhor notou aqueles como Esdras e Neemias, que eram fiéis em seus dias, quando muitos estavam desistindo. Ele também recompensará aqueles que procuram ser fiéis hoje!


W. J. Prost

 

As Torres de Jerusalém


Torres, na Escritura, falam de duas coisas principais. O primeiro é abrigo e segurança, e assim lemos: “Torre forte é o nome do SENHOR; para ela correrá o justo e estará em alto retiro” (Pv 18:10). O segundo é o reconhecimento e proteção. A posição do vigia na Escritura é muito importante, exigindo continuamente conscientização, diligência e perseverança (Veja 2 Reis 9:17-21).


Além das portas de Jerusalém mencionadas a nós no Livro de Neemias, a Escritura menciona várias torres no muro ao redor da cidade que também são muito instrutivas. Embora haja doze portas mencionadas em Neemias, apenas seis torres são citadas. O capítulo 3 nos mostra dez dos portões e todas as torres registradas.


A Torre de Meá

A primeira torre dada a nós está em Neemias 3:1 – a Torre de Meá. Meá significa “cem” e é a torre ao lado do portão das ovelhas. É a primeira torre mencionada, e talvez o pensamento seja que a salvação de uma alma é totalmente uma obra de Deus e que uma vez que uma alma é salva, é somente ficando perto do Senhor que um salvo pode ser feliz, frutífero e preservado. O Senhor deseja nos ter 100% para Si mesmo e, num dia vindouro, Ele recompensará a fidelidade.


A Torre de Hananel

A segunda torre mencionada é a Torre de Hananel, que também está intimamente relacionada com a torre de Meá no primeiro verso. Hananel significa “Deus é gracioso”, e podemos relacionar isso tanto com Sua graça salvadora quanto com Sua bondade conosco durante toda a nossa jornada como crentes (Ef 2:8; Gn 48:15; Sl 23:6).


A Torre dos Fornos

A próxima torre parece ter estado em mau estado de conservação, e assim está registrado no verso 11 que “reparou Malquias… e Hassube… a Torre dos Fornos”. Talvez isso falasse da necessidade de julgamento próprio em nossa vida. Sem dúvida, isso era necessário em Jerusalém para que as coisas corressem bem quando o muro estivesse terminado, a fim de se livrar do entulho. A falta de uso dela pode ter sido a razão pela qual a cidade entrou em declínio (Ne 4:10). Malquias significa “meu rei é Jeová” e Hassube significa “pensativo”, então esses homens eram voluntários muito adequados para reconstruir esta torre. Aqueles que amam o Senhor querem estar perto d’Ele e assim percebem a importância do julgamento próprio para ficar perto d’Ele (1 Co 11:28).


A Torre que sai da casa real superior

A próxima torre mencionada em Neemias 3 está no verso 25, e é a alta (JND) torre que sai da casa real superior. Que recurso temos em nosso Senhor Jesus! “O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em Quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação e o meu alto refúgio [minha torre alta – JND] (Sl 18:1-2). Os reis deviam estar sempre perto do Senhor por graça cuidadora, por proteção e direção. Não é de admirar que a torre alta estivesse junto à casa do rei, que ficava junto ao pátio da prisão.


A Torre Alta

A próxima torre no verso 26 é a Torre Alta, que estava próxima a Porta das Águas. Quando saímos para o mundo com o evangelho, precisamos nos lembrar de que, apesar da responsabilidade do homem de vir a Cristo, é a obra soberana de Deus na alma que concede nova vida e a salva (Rm 10:13; Ap 22:17, Jo 17:24-26, Ef 1:4-12).


A Grande Torre

A sexta e última torre mencionada em Neemias 3 é a Grande Torre no versículo 27. A Escritura menciona que ela também “se projeta” (TB). Nossos esforços por nossos irmãos precisam ter o Senhor e Sua glória como objeto. O Senhor Jesus é o bom Pastor, o principal Pastor e também o grande Pastor. Como “sub pastores”, nós O temos como um Exemplo para nossos caminhos com o Seu povo (Veja 1 Pe 5:1-4).


Muito antes do tempo de Neemias, Salomão estava ocupado com a manutenção e reparo dos muros de Jerusalém. Em 1 Reis 11:27, lemos que naquela época Jeroboão “levantou a mão contra o rei”. Ele “era varão valente” e também “laborioso [trabalhador] (v. 28), mas talvez seus pensamentos fossem para ele mesmo, e não para a defesa de Jerusalém e o bem do povo de Deus. Nós sabemos o que o maligno Jeroboão mais tarde introduziu em Israel. Que possamos valorizar a obra do Senhor em nossa vida e fazer nosso trabalho para o Senhor com mais percepção do Seu amor e do recurso que temos n’Ele.


P. E. House

 

As Dez Portas de Jerusalém


Quando o remanescente de Judá retornou a Jerusalém do seu cativeiro na Babilônia, eles eram poucos em número e tinham muitos inimigos, mas eles determinaram, no temor do Senhor, reparar as ruínas dos muros da cidade. Esta foi uma grande obra, mas foi “serviço de seu Senhor” (Ne 3:5), e Ele havia despertado seus corações para fazê-lo. Nenhuma parte do muro foi esquecida. Todos as portas foram reparadas e, quando construíram cada uma em seu lugar, eles tinham tudo à vista. Uma lição importante é ensinada aqui: Nada menos que todo o círculo da verdade e obra de Deus deve ocupar nossos pensamentos. Podemos não ser capazes de fazer grandes coisas, mas o que fazemos deve ser feito com todos os interesses de Deus em vista.


A Porta das Ovelhas

A primeira das portas a ser reparada foi a Porta das Ovelhas (ARA), e por esta porta todos devemos começar. Feliz aquela alma que ouviu a voz do pastor e pode dizer: “O Senhor é o meu pastor”. Ele veio em busca das ovelhas. Ele foi o Bom Pastor que deu a vida por elas (Jo 10:11). Em meio a todo o universo que Ele trouxe à existência pelo Seu poder, há um grupo que Ele chama de “Seu”, e você e eu, por meio da graça, fazemos parte deste rebanho. Ele deu a vida por nós e é por isso que devemos começar na Porta das Ovelhas. Observe também que não havia fechaduras e ferrolhos nesta porta, pois estava sempre aberta, assim como o caminho para Cristo.


A Porta do Peixe

“E a Porta do Peixe edificaram os filhos de Hassenaá” (Ne 3:3).


Esta parece ser a porta do evangelho. Quando somos estabelecidos na preciosa verdade de que somos ovelhas de Cristo, temos o privilégio de sair e pescar as almas. Deus realmente nos quer neste trabalho abençoado: O coração do Senhor foi colocado sobre esta obra, pois Ele disse aos Seus discípulos: “Vinde após Mim, e Eu farei que sejais pescadores de homens” (Mc 1:17).


Todos podemos ser de alguma utilidade neste serviço. Se não podemos pregar, podemos orar por aqueles que o fazem. Que possamos nos manter em contato com essa obra do Espírito de Deus e assim ajudar a construir “a Porta dos Peixes”. Mantê-la reparada e aberta para que as almas possam ser “adicionadas ao Senhor” diariamente.


Há uma nota importante e relacionada a isso: “os seus nobres não meteram o seu pescoço ao serviço de seu Senhor” (Ne 3:5). É um privilégio maravilhoso estar associado a Ele de alguma maneira; não sejamos como estes homens de posição que não põem os seus pescoços na obra do seu Senhor.


A Porta Velha

“E a Porta Velha repararam-na Joiada” (Ne 3:6).


A Porta Velha nos lembra da passagem: “perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para a vossa alma” (Jr 6:16). Há muitos santos de Deus que precisam ter a Porta Velha reparada, para serem edificados naquilo que foi estabelecido desde o princípio em Cristo. Que Deus possa remover o entulho e nos capacitar para edificarmos nossa alma na verdade que existe nos Seus propósitos eternos que são antes dos mundos. O homem muda, Deus não muda. Ele estabeleceu toda a bendita verdade na morte, ressurreição e ascensão de Seu amado Filho, e aqueles que por Sua graça são edificados n’Aquele que é desde o princípio são aptos a ajudar outros nos caminhos antigos.


A Porta do Vale

“A Porta do Vale, reparou-a Hanum” (Ne 3:13).


Podemos sentir nossa falta de poder, e quão frágeis são os desejos do nosso coração por Cristo, mas será que nos lembramos de que essas coisas só podem ser conquistadas no caminho do vale da humilhação? É um momento maravilhoso quando estamos dispostos a ser guiados pelo vale e termos parte com Deus ali. Sempre deve haver uma descida antes da subida, o vale antes da montanha, a cruz antes da coroa, a tristeza antes do reinado. Este é sempre o caminho de Deus, para que possamos estar “sempre levando no corpo a mortificação [o morrer – ARA] de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nosso corpo” (2 Co 4:10 – TB).


A Porta do Monturo

“E a Porta do Monturo, reparou-a Malquias, filho de Recabe” (Ne 3:14).


Paulo sabia algo sobre esse lugar; ele aceitou a cruz e, em sua experiência prática, tinha que dizer: “somos blasfemados e rogamos; até ao presente, temos chegado a ser como o lixo deste mundo e como a escória de todos” (1 Co 4:13). Podemos nos afastar dessa porta, mas o que diremos quando pensamos no caminho que foi trilhado pelo Filho de Deus? Ele, o Filho Eterno, o Infinito, foi expulso, rejeitado, desprezado e cuspido! Ele não tem outro lugar para nós aqui. “Basta ao discípulo ser como seu Mestre” (Mt 10:25).


A Porta da Fonte

“E a Porta da Fonte reparou-a Salum, filho de Col-Hozé” (Ne 3:15).


Se sabemos algo sobre o que é ser um rejeitado, há o portão da fonte – a fonte de João 4:14, saltando para a vida eterna. Esta porta, como nos mostra o restante de Neemias 3:15, está intimamente ligada ao jardim do rei junto ao tanque de Siloé e aos “degraus que descem da Cidade de Davi”, das quais Ele, o Enviado, desceu quando Ele deixou de lado a glória Messiânica, para que Ele pudesse abrir o caminho para os Seus no jardim de Seu próprio deleite – o amor do Pai (Jo 14:1).


Pode ser que nossa porção seja tirada aqui, mas no poder do Espírito podemos ter a antecipação das alegrias eternas. “Porque em Ti está o manancial da vida” (Sl 36:9).


A Porta das Águas

“A Porta das Águas, para o Oriente” (Ne 3:26).


Se existe a fonte de águas a jorrar de João 4:14, deve haver também as águas correntes de João 7:38. Se a fonte dentro de nós se eleva a Deus, haverá também o fluxo de correntes de água viva para as almas sedentas em volta. Quão grande privilégio de ser canais daquilo de que Cristo é a fonte! “E isso disse Ele do Espírito, que haviam de receber os que n’Ele cressem” (Jo 7:39). Graças a Deus, Seu Espírito ainda está conosco, e Ele não está menos ocupado com todos os interesses de Deus do que estava no início da Igreja.


A Porta dos Cavalos

“Desde a Porta dos Cavalos, repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa” (Ne 3:28).


O cavalo é usado na Escritura como o símbolo do poder, e o poder, seja para gozo, adoração, serviço ou perseverança, está sempre conectado com o Espírito de Deus. Ele é Quem nos recorda as palavras de nosso Senhor, nos conduz às profundezas de Deus e, desvendando o futuro, mostra-nos as coisas que estão por vir para que possamos abundar na esperança pelo poder do Espírito Santo e assim reparar a Porta Oriental.


A Porta Oriental

“Depois deles, reparou Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta Oriental” (Ne 3:29).


A Porta Oriental é o portão do nascer do Sol. Estamos esperando para ver a Estrela da Manhã surgir? Que possamos ser como homens que esperam pelo seu Senhor. É menos brilhante em nossa alma do que quando ela veio pela primeira vez a nós? Deveria ter se tornado mais brilhante, pois estamos mais perto do momento em que O veremos como Ele é. “Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20).


Há apenas uma porta a mais – dez ao todo – pois o muro em Neemias está conectado conosco em nossa responsabilidade aqui, e dez na Escritura significa isso. Há doze portas na cidade celestial do Apocalipse, pois tudo é perfeito – a verdadeira administração da vontade de Deus com os homens.


A Porta de Mifcade

“Depois dele, reparou Malquias, filho de um ourives... defronte da Porta de Mifcade” (Ne 3:31).


Essa palavra, “Mifcade”, é traduzida em 2 Samuel 24:9 por “número” e em Ezequiel 43:21, “lugar ordenado”. Amados santos, esse momento feliz está prestes a nascer quando Deus estabelecerá o número de Seus eleitos no lugar ordenado, logo o Senhor cumprirá Sua própria palavra por nós: “virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que, onde Eu estiver, estejais vós também” (Jo 14:3).


Que Deus nos conceda manter diante de nossa alma todo o círculo da verdade com que o Espírito de Deus está ocupado, e que Ele conceda que nosso coração se regozije em levar a sério qualquer parte daquela obra que recaia sobre nossas mãos.


Há apenas uma palavra para nossas irmãs em conexão com a construção do muro. Vocês encontrarão no versículo 12 que as filhas de um desses homens participaram da obra: “E, ao seu lado, reparou Salum... ele e suas filhas”. Eu acho que isso é muito precioso; todas têm algum trabalho a fazer, algo para construir de Cristo na alma de outro, por mais oculto que possa ser o seu lugar. Você tem a oportunidade de transmitir aquilo que se tem tornado precioso para sua própria alma, para aqueles com quem você entra em contato. O que quer que você mesma, querida irmã, tenha recebido de Cristo, passe-o adiante para que Seu nome seja glorificado.


J. T. Mawson (adaptado)

 

O Encorajamento da Fé em Dias Maus


Quando a história do povo de Deus se escurece, Deus sempre levanta uma luz; quanto mais profunda a escuridão, mais brilhante a luz. Este princípio é docemente ilustrado no Velho Testamento, e eu me volto para três Escrituras que mostram que quanto maior a ruína, mais brilhante a luz, onde a fé estava em operação.


Primeiro, 2 Crônicas 30. As coisas já eram ruins o suficiente nos dias de Ezequias, com as portas fechadas e lâmpadas apagadas, mas ele se dirigia ao povo de Deus, e eles se reuniram e celebraram a Páscoa no décimo quarto dia do segundo mês, aproveitando-se de um privilégio que Deus permitiu (veja Nm 9:13). Grande “alegria” prevaleceu, então eles decidiram ter outros sete dias, e lemos: “celebraram ainda sete dias com alegria” (2 Cr 30:23). Ezequias simplesmente achegou-se diante do Senhor e, como consequência direta e natural, “houve grande alegria em Jerusalém, porque, desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém” (v. 26).


Foram dias muito agradáveis no reinado de Salomão, sem dúvida, mas estes eram ainda melhores do que eles. Você descobre também que, quando todos estavam completamente felizes diante do Senhor, eles começaram a se ocupar com os interesses do Senhor. O povo trazia o dízimo de todas as coisas “em abundância”, e os sacerdotes e levitas eram “encorajados” (2 Cr 31:4-5). Quando começaram a dar, o Senhor começou a abençoar. À medida que a alegria no Senhor se eleva, o interesse e cuidado por Suas coisas irrompem, e “montões” (v. 6, 12) encontram o olhar do rei alegrado. O Senhor nos deu ânimo muitas vezes, mas, infelizmente, quão rapidamente nós afundamos. Assim foi também na história de Judá.


Um avivamento

Segundo, as coisas ficaram muito baixas até o tempo de Josias e então houve outro reavivamento. O mal foi julgado (2 Cr 34:3, 7); então “Hilquias, o sacerdote, achou o livro da Lei do SENHOR” e “Safã leu nele perante o rei” (v. 14, 18). A Palavra de Deus produziu arrependimento e humildade, e daí em diante “Josias celebrou a Páscoa ao SENHOR em Jerusalém” (2 Cr 35:1). E o registro é dado: “Nunca, pois, se celebrou tal Páscoa em Israel, desde os dias do profeta Samuel, nem nenhuns reis de Israel celebraram tal Páscoa como a que celebrou Josias” (v. 18). Foi a Páscoa mais notável desde que o reino foi estabelecido. Nem as celebradas por Salomão se aproximaram dessa. Que encorajamento para a fé!


Terceiro. Mas, infelizmente, a bênção desfrutada não guardará a alma a menos que os olhos estejam focados; uma falha mais profunda se segue; o povo se afasta novamente de Deus e então vão para o cativeiro. A graça de Deus, no entanto, nunca desiste dos seus, e, por meio da misericórdia, há uma recuperação parcial no tempo de Esdras. Um notável reavivamento ocorre e muitos retornam da Babilônia para o centro terrenal de Deus – Jerusalém. Este é apenas uma figura do que aconteceu em nossos dias, nos quais o Senhor operou de uma forma bendita por meio de Seu Espírito, reavivou o interesse em Sua Palavra e reuniu de volta Seus santos ao terreno divino. Neemias, seguindo Esdras, começa a construir o muro.


Um muro de separação

Isso era separação. Zorobabel construiu o templo, Neemias o muro, com muitos ajudantes verdadeiros. Quase todos estavam envolvidos na obra, até mesmo as irmãs. Novamente, a Palavra do Senhor tornou-se preciosa e foi atendida (Ne 8:1-8). “Este dia é consagrado ao Senhor”, frase duas vezes ouvida, e “a alegria do Senhor é a vossa força” foi a trombeta da chamada do Espírito. Se nosso coração está se deleitando em Cristo, sempre há força e poder, e entendimento também, então a próxima coisa é: Eles celebraram a festa dos tabernáculos. Eles anteciparam o Milênio, de fato, havia mais apreensão da mente do Senhor neste momento do que jamais havia ocorrido em sua história anterior – pois “E toda a congregação dos que voltaram do cativeiro fez cabanas e habitou nas cabanas; porque nunca fizeram assim os filhos de Israel, desde os dias de Josué, filho de Num, até àquele dia. E houve mui grande alegria” (v. 17). Nunca, no dia mais brilhante do poder real, tal coisa aconteceu. Apenas mostro este princípio na história do povo de Deus, que se houver fé e desejo de seguir a Sua Palavra, quanto mais escuro o dia, mais brilhante será a bênção, se houver obediência. Quanto mais na ruína você os rastreia, mais ousada se torna a fé em sua ação.


W. T. P. Wolston (adaptado)

 

Construção e Guerra


Havia esperança entre os escombros?

E as portas tão carbonizadas?

Poderia o povo construir, unido

Em uma cidade arruinada?


Força decaída, estranhos zombando –

Insultos e palavras cruéis;

Eles podem tanto construir, quanto lutar –

Formões, espátulas, espadas?


Mas seus corações eram fortes, encorajados,

Seu regozijo ... no Senhor;

Famílias, governantes trabalharam juntos

Levantamento de pedra e tábua.


Porta e porta e muro entre elas –

Vigiando as planícies;

Mal sabiam eles como trabalhadores

Que nós saberíamos seus nomes!


Então, hoje, a obra de Deus continua

E o registro d’Ele é reto;

Ele aprecia e honra

Construindo muros e portas.


Guerra e construção não são fáceis

Mas é uma tarefa necessária;

Podemos contar com a promessa d’Ele –

Por Sua força, pedimos.

Selecionado

 

“Então, lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável”

Neemias 2:18

 



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