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O Divino Terreno de Reunião - Parte 3

Conferência em Montreal - Canadá - 1976

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ÍNDICE


 

João


Vamos ler João 4. Acompanhamos no Velho Testamento, o testemunho que Deus estabeleceu em Jerusalém, por um período de aproximadamente mil anos, que se caracterizava pelo fato de o nome do Senhor estar ali. Era um lugar de adoração, um lugar onde decisões obrigatórias poderiam ser tomadas para o povo de Deus e onde a oração poderia ser feita coletivamente em conexão com o que Deus havia levantado em Jerusalém.


Descobrimos que esse testemunho foi mantido apesar da fraqueza e do fracasso, e que aqueles que estavam lá em Jerusalém no tempo de Esdras ofereceram um sacrifício em nome de todo o Israel, mostrando diante de Deus que ainda reconheciam que eram uma nação, composta de doze tribos. Então, descobrimos que cerca de quinhentos anos depois, em Jerusalém, ainda havia um grupo fraco que reconhecia que o centro de Deus estava ali. Vemos Maria e José subindo a Jerusalém para apresentar Jesus diante do Senhor. Encontramos Simeão, Ana, Zacarias e Isabel, e encontramos, por último, naquele pequeno quadro que nos é dado em conexão com o Senhor Jesus, aos doze anos de idade, que ao partir de Jerusalém, o centro de Deus, alguns deixaram o Senhor para trás. Somente retornando a Jerusalém eles poderiam mais uma vez se encontrar onde o Senhor estava no meio.


Mas aquela história do Velho Testamento, dada a nós por Deus para nosso ensino, encontra uma conclusão em certo sentido aqui em João 4:20-23:


“Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-Me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem”.


Descobrimos aqui que Deus não desistiu de Seu desejo por adoradores. Ele nos diz especificamente: “Porque o Pai procura a tais que assim O adorem”, mas não seria mais em Jerusalém. O Senhor Jesus diz: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade”, e “a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai”. Portanto, descobrimos que, tendo passado pelas muitas passagens referidas no Velho Testamento e tendo reunido muitos princípios que serão de vital importância para nos instruir – na direção de nossa busca no Novo Testamento, o fato é que Jerusalém como o centro, onde o nome do Senhor foi colocado, é posta de lado. O lugar para onde o povo deveria ir como adoradores, para onde a oração deveria ser dirigida e onde decisões obrigatórias deveriam ser buscadas, não deveria mais estar em Jerusalém. Jerusalém deveria ser posta de lado. “Mas a hora vem, e agora é”, em que o centro não deveria ser Jerusalém. Deus iria introduzir aquilo que substituiria Jerusalém, onde muitos dos mesmos princípios que já notamos se aplicariam, onde Deus ainda teria um povo que Ele reuniria em torno de Si na Pessoa do Filho, e onde o Senhor Jesus teria aqueles que seriam o gozo de Seu coração reunidos em torno de Si, mas não em um lugar geográfico como Jerusalém.


Mateus


Mateus 16:13-18

“E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os Seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes Ele: E vós, quem dizeis que Eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas Meu Pai, que está nos céus. Pois também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.


Antes de considerarmos esta passagem, gostaria de comentar sobre a expressão “a Igreja”. A palavra “Igreja” significa simplesmente “assembleia”. Nunca se refere a um edifício. Isso nunca se refere a alguma denominação de crentes professos em particular. Igreja é a assembleia. Em alguns exemplos na Palavra de Deus, ela é a assembleia composta por todo crente na face da Terra – o corpo de Cristo – a assembleia. Em outros casos, refere-se à expressão local desse grupo, ou seja, a assembleia local. Lemos sobre as Igrejas ou assembleias na Galácia, por exemplo. Isso se refere àquelas reuniões locais dos filhos de Deus, reunidos biblicamente de acordo com a mente de Deus, que agem em suas reuniões locais em nome do único corpo de Cristo.


Não muito tempo atrás, um servo de Cristo encontrou um ministro ordenado que ele sabia ser um filho de Deus, e esse homem perguntou ao nosso irmão: “A que igreja você pertence?” A resposta que ele deu, pensei, foi extremamente sábia. Ele disse: “Irmão, eu pertenço à mesma Igreja que você”. Depois que o homem superou sua surpresa inicial, de repente disse: “Ah, entendo o que quer dizer. Você está falando sobre a Igreja no sentido amplo”. A resposta do nosso irmão a isso foi: “Não, estou falando da Igreja no único sentido em que a Palavra de Deus fala da Igreja”.


Quando o Senhor Jesus fala aqui e diz: “Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja”, isso se refere à assembleia composta por todos os crentes no Senhor Jesus Cristo na face desta Terra. Ele estava prestes a construir algo novo que nunca tinha existido no mundo antes – a assembleia. Agora encontramos aqui em Mateus 16 o que corresponde no Novo Testamento ao que encontramos em Gênesis 22 no Velho Testamento. Encontramos aqui diante de nós, da maneira mais maravilhosa, o Pai e o Filho. Encontramos Pedro confessando Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo. Encontramos o Senhor Jesus confessando o Pai. Ele diz: “não foi carne e sangue quem to revelou, mas Meu Pai, que está nos céus”. Como em Gênesis 22, tivemos o Pai e o Filho, então aqui temos o Pai e o Filho. Em Gênesis 22, tivemos o homem de fé, na pessoa de Abraão, que agiu de acordo com o que lhe havia sido revelado. Ele agiu de acordo com a revelação: “Em Isaque será chamada a tua descendência”. Aqui temos o homem de fé em Pedro, que age de acordo com a revelação que lhe foi feita: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Por fim, em Gênesis 22, descobrimos que Deus tinha um lugar. Deus estava prestes a estabelecer sobre aquele Monte Moriá aquilo que levaria Seu nome, e para onde Ele levaria o Seu povo. Aqui descobrimos que o Senhor Jesus fala daquilo que Ele em breve estabeleceria – “Edificarei a Minha Igreja”.


Quando voltamos aos princípios do Velho Testamento, descobrimos que Deus escreveu, para nosso ensino, o que vemos confirmado no Novo Testamento, que Deus ainda nos apresenta o Pai e o Filho e o maravilhoso relacionamento entre Eles quando ambos foram ao Calvário para que o Filho fosse oferecido em sacrifício. Vemos no Novo Testamento que ainda é uma questão de fé, de agir de acordo com a revelação que Deus deu, mas que deve haver Sua Igreja aqui neste mundo, levantada por Deus, edificada pelo Senhor Jesus Cristo, que substituiria o judaísmo e Jerusalém.


Então, Ele nos diz em Mateus 18 algo mais sobre essa Igreja ou assembleia.


Mateus 18:15-20

“Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à Igreja; e, se também não escutar a Igreja, considera-o como um gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na Terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na Terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus. Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles”.


Você se lembrará de que em Deuteronômio 16 nos foi dito que, no caso de o pecado ser introduzido entre o povo de Deus, pela boca de duas ou três testemunhas ele deveria ser tratado, e aquele que era culpado deveria ser expulso. Ele deveria, no caso de Israel, ser apedrejado. Encontramos aqui em Mateus 18 que novamente o princípio se aplica: “Pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada”.


Encontramos em Deuteronômio 17 que, em caso de dificuldades que eles não pudessem responder, eles deveriam ir para o lugar onde o Senhor havia colocado Seu nome, e lá eles receberiam a decisão que deveria ser obrigatória a eles, e que eles deveriam agir de acordo com a decisão.


Aqui vemos que a Palavra de Deus diz: “tudo o que ligardes na Terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no céu”. O mesmo princípio, a mesma direção, a mesma ordem, mas agora seria a assembleia que exerceria aquele governo, aquela direção, aquela decisão que, então, seria obrigatório, porque ele foi ratificado no céu.


Além disso, notamos em 1 Reis 8, como essa oração estava conectada ao templo que foi construído em Jerusalém. Quando a oração era dirigida ao centro de Deus em Jerusalém, eles deviam reconhecer coletivamente, mesmo em oração, que o centro de Deus estava lá. Agora encontramos, novamente, a oração conectada com a assembleia, pois diz: “se dois de vós concordarem na Terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus”.


Por fim, notamos que em conexão com o lugar, estabelecido por Deus, o nome do Senhor estava lá. Ele escolheu colocar Seu nome lá. Agora descobrimos que a Palavra de Deus retoma esse assunto no Novo Testamento e diz: “onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome [ou numa tradução melhor, “para o Meu nome”], aí estou Eu no meio deles”. Nada mudou – ”em Meu nome”. A oração ainda está conectada, as decisões obrigatórias ainda estão conectadas e, acima de tudo, adoração, onde os Seus são reunidos, mas nenhum templo. Não há nada que os olhos possam ver fisicamente, mas uma promessa dada pelo próprio Senhor Jesus de que “onde dois ou três estiverem reunidos [para] o Meu nome, aí estou Eu no meio deles”. Sem templo, sem coral, sem sacerdócio ordenado, sem cultos luxuosos, mas a presença prometida do Senhor Jesus Cristo no meio!


Agora vamos voltar, por um momento em nossos pensamentos, para o que tínhamos no Velho Testamento. Descobrimos lá que Deus havia escolhido o lugar, e Israel estava expressamente proibido de fazer o que parecia correto aos seus próprios olhos. Em vez disso, eles receberam instruções específicas para reconhecer onde Ele escolheu colocar Seu nome. Agora Ele nos diz que Seu nome deve ser novamente identificado com aquele lugar onde dois ou três devem ser reunidos. Notamos, também, que aqui não se faz qualquer referência simplesmente ao ato de se reunirem. Abraão, em Gênesis 22, recebeu orientação específica, e ele foi conduzido, conforme orientação de Deus, ao lugar escolhido por Ele. Aqui em Mateus nos é dito: “estiverem reunidos em [para o] Meu nome”.


Agora, vamos voltar novamente à história de Israel por um momento. Jeroboão não gostou da ideia do único centro em Jerusalém, então ele estabeleceu o seu próprio, e convidou os filhos de Israel a irem para os centros que ele havia estabelecido. Deus nos mostra repetidas vezes que aqueles centros que Jeroboão estabeleceu não só não tinham Sua aprovação quando foram estabelecidos, mas cem anos depois eles ainda não tinham Sua aprovação. O passar do tempo não mudou nada. O centro de Deus estava em Jerusalém, e agora nos é dito que Deus novamente tem um centro. Não é um lugar geográfico, mas, no entanto, é um centro onde “dois ou três estiverem reunidos em [para o] Meu nome, aí estou Eu no meio deles”.


O que significa estar reunido ao Seu nome? Bem, obviamente, a primeira coisa é que todos os outros nomes são colocados de lado, de modo que devemos nos recusar a nos reunir em qualquer outro nome ou a ser identificados por qualquer outro nome, exceto o precioso nome de Jesus. Devemos nos reunir, reunidos pelo Espírito de Deus, ao nome do Senhor Jesus, apegando-nos à Sua promessa pela fé: “aí estou Eu no meio deles”. Quando Abraão seguiu as instruções, conduzido passo a passo pela liderança de Deus em Gênesis 22, ele foi levado ao lugar onde encontrou o “carneiro travado pelos seus chifres, num mato” (ACF). Aqui é dito que nós também, guiados pelo Espírito de Deus, reunidos ao nome do Senhor Jesus Cristo, descobriremos também que Ele está lá no meio dos dois ou três assim reunidos.


Atos 2


Atos 2:1, 14, 41-42

“Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.


“De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas; E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”.


Então, descobrimos que aquilo que o Senhor Jesus havia falado em Mateus 16 é agora um fato consumado. Novamente, o paralelo no Velho Testamento, o que para a minha própria alma, é maravilhoso. Aquilo que o Senhor havia apresentado no princípio em Gênesis 22 encontrou seu cumprimento quando Salomão construiu seu templo, e havia um lugar onde o Senhor havia estabelecido Seu nome. Mateus 16 nos disse que Ele iria edificar a Sua Igreja. Mateus 18 nos fala das coisas que a caracterizariam, e agora Atos 2 nos revela que isso aconteceu. O Espírito de Deus veio. Aquele vento veemente e impetuoso era o símbolo do Espírito de Deus, que viera ao mundo para viver como uma Pessoa divina na Terra. O resultado foi que naquele dia foi criado algo que nunca havia existido na Terra antes – o corpo de Cristo, composto por todos os crentes habitados pelo Espírito de Deus. Esses crentes saíram e pregaram o evangelho naquele dia e três mil almas foram salvas.


É notável como Deus novamente traz diante de nós este número “três”. Três mil almas foram salvas. Diz: “e, naquele dia, agregaram-se quase três mil almas”.


O que essas três mil almas iriam fazer? A Palavra de Deus traz diante de nós as três coisas em que eles continuaram: (1) a doutrina e comunhão dos apóstolos, isto é, a verdade que haviam recebido dos apóstolos, (2) o partir do pão, aquela preciosa ceia de lembrança que o Senhor havia instituído enquanto Ele estava aqui na Terra na qual os Seus iriam se lembrar d’Ele, e (3) oração. E essas coisas estavam agora conectadas com a assembleia. E nisso eles “perseveravam”!


Irmãos, a que eles se agregaram? A qual organização eles se agregaram? Se você olhar para os versículos 46-47 por um momento, diz: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar”.


Quem os acrescentou à Igreja ou à assembleia? Foi o Senhor. Naquele dia, foram acrescentados três mil. Eles não tinham algo a que se agregar; eles já haviam sido agregados pelo Senhor. Eles não precisavam inscrever os seus nomes em algum cadastro. Eles já haviam sido agregados àquilo que Deus havia levantado.


Vemos o esboço mais simples e precioso da verdade aqui no próprio início. Aqueles que foram salvos, que foram agregados à Igreja (a assembleia), simplesmente continuaram juntos nessas três coisas que deveriam ser as características de onde o Senhor havia colocado Seu nome – oração, adoração e ordem piedosa.


1 Coríntios 12


1 Coríntios 12:12-13

“Pois assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, constituem um só corpo; assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber dum só Espírito” (TB).


Temos aqui a explicação do que aconteceu no dia de Pentecostes. Não tenho dúvidas de que, se você tivesse perguntado a Pedro o significado do que havia acontecido naquele dia, isto seria tudo o que ele teria sido capaz de dizer: “Foi a promessa do Pai – o Espírito Santo veio para que pudesse estar conosco e em nós”. O Senhor lhe havia dito.


Mas agora o apóstolo Paulo é usado para revelar o significado do que aconteceu naquele dia de Pentecostes. “Em um só Espírito fomos batizados todos nós em um só corpo” (TB). Não é que não fossem crentes antes. Não é que não fossem salvos, mas eles não tinham sido reunidos em um só corpo. Para que isso acontecesse, o Espírito de Deus tinha que vir, e isso teve que esperar pelo dia de Pentecostes. Mas agora nos é dito que naquele dia, um corpo foi formado e, pela maravilhosa graça de Deus, o Espírito de Deus não apenas uniu todos os crentes juntos em um só corpo, por mais precioso que isso seja, mas também nos uniu à Cabeça, que está no céu – o Senhor Jesus Cristo. É por isso que diz aqui em 1 Coríntios 12: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também”. Isso significa que o corpo tem um nome e esse nome é Cristo. Isso não é uma coisa maravilhosa?


Você se lembra do que a Palavra diz sobre Adão e Eva, que Deus olhou para eles e “e lhes chamou pelo nome de Adão”. Eva estava identificada com Adão que ela tomou o nome dele. Aqui encontramos o corpo tão intimamente identificado com a Cabeça. A Cabeça está no céu e o corpo aqui na Terra. Você e eu estamos tão intimamente identificados com a nossa Cabeça no céu – o corpo é tão um com a Cabeça – que a Palavra de Deus dá à Cabeça e ao corpo um nome. Esse nome é Cristo. “Assim é Cristo também”. “Em um só Espírito fomos batizados todos nós em um só corpo” (TB).


Você pertence ao Senhor Jesus Cristo? Você já creu no evangelho da sua salvação? Se sim, então a Palavra de Deus diz que você está selado com o Espírito Santo da promessa. Naquele momento em que você aceitou a Cristo como seu Salvador e creu no evangelho da sua salvação, o Espírito de Deus veio habitar em você. Você foi selado pela habitação do Espírito de Deus e, no mesmo momento, foi feito parte do corpo de Cristo. Pela habitação do Espírito de Deus, você foi trazido para aquilo que foi formado no dia de Pentecostes, e se você pertence a Cristo, o Espírito habita em você e forma um elo divino, que o liga, não apenas a todos os outros crentes na face da Terra, mas à sua Cabeça que está no céu.


1 Coríntios 12:25-27

“Para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele”. “Ora vós sois corpo de Cristo, e individualmente um de seus membros” (TB).


Você se lembra de que lemos em Deuteronômio 16 como Israel foi instruído a cuidar uns dos outros? Os olhos de Deus estavam sobre eles, e eles deveriam cuidar para que provessem uns aos outros, e esse cuidado deveria caracterizá-los como uma nação. Aqui descobrimos que o Senhor fala da mesma coisa. Não é uma nação agora, mas um corpo, e como membros uns dos outros, somos chamados a ter esse cuidado uns pelos outros.


Efésios


Efésios 4:1-4

“Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor; procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação”.


O que aconteceu no dia de Pentecostes foi que o corpo de Cristo foi formado, mas agora nos é dito que não é apenas o fato de que havia um corpo, mas que um só corpo. Isso hoje é tão verdadeiro quanto era no dia de Pentecostes: “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação”.


No dia de Pentecostes, os crentes estavam todos juntos, unanimemente, em um lugar, mas o fato de estarem todos juntos não os transformou em um corpo. Os três mil não foram feitos membros do único corpo de Cristo porque perseveraram uns com os outros. Eles foram feitos parte do corpo de Cristo pela habitação do Espírito Santo, e no dia de Pentecostes, quando uma alma foi salva, ela foi habitada pelo Espírito de Deus, e quando uma alma é salva hoje, ela é habitada pelo mesmo Espírito de Deus. No dia de Pentecostes, a alma salva foi agregada à assembleia e a alma que é salva hoje é imediatamente agregada à assembleia de Deus pelo Espírito de Deus. Nada mudou, no que diz respeito a Deus e no que diz respeito ao que é vital, ainda há um corpo e um Espírito.


Quando você e eu olhamos em volta hoje, vemos muito pouca evidência externa de que há um corpo, mesmo assim, um corpo. O Espírito de Deus tem mantido o que Ele formou no dia de Pentecostes. O Espírito de Deus não foi fragmentado – falo isso com reverência. O Espírito de Deus não teve Sua obra demolida pela fragilidade e fracasso do homem. O que Ele formou ainda existe, mas a Palavra de Deus diz: “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:3 – ARA). Esforçando-se diligentemente para preservá-la. Deus formou pelo Seu Espírito a unidade do corpo e ela é inquebrável. Mas a unidade do Espírito – que é representar perante este mundo que o único corpo de Cristo é uma realidade – embora você eu saibamos o quão está tristemente fragmentada hoje está essa unidade.


O fato de o testemunho da verdade do único corpo de Cristo, que Deus pretendia ser visto neste mundo, parece estar tão fragmentado, não deixa de lado, de nenhuma forma, a sua responsabilidade e a minha de nos esforçar diligentemente “para manter a unidade do Espírito no vínculo da paz”.


1 Coríntios 10


1 Coríntios 10:15-21

“Falo como a sábios; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do mesmo pão. Vede a Israel segundo a carne; os que comem dos sacrifícios não são, porventura, participantes do altar? Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”.


Deus formou esse corpo pelo Seu Espírito. Somos instruídos a nos esforçar para manter a unidade do Espírito – fazer o que pudermos, pela graça de Deus, para agir de tal maneira em nosso relacionamento uns com os outros, de uma forma bíblica com relação à verdade daquilo que Deus formou por Seu Espírito. Deus formou um corpo e, ao nos esforçarmos para manter a unidade do Espírito, queremos agir de tal forma a mostrar que existe um corpo formado pelo Espírito de Deus.


Uma das maneiras, na verdade a principal, que Deus deu ao Seu povo para manifestar que há um só corpo está em todos os crentes participarem do mesmo pão. Encontramos em 1 Coríntios 10 que, “o cálice da bênção que abençoamos...a comunhão do sangue de Cristo”, é mencionado primeiro porque, antes de podermos dar o passo que nos levaria à mesa do Senhor, precisamos conhecer a base para nossa aceitação lá, e esse é o precioso sangue de Cristo. Ao sermos salvos pelo precioso sangue de Cristo, somos habitados pelo Espírito Santo. Por sermos habitados pelo Espírito Santo, somos feitos membros do corpo de Cristo e, por sermos membros do corpo de Cristo, nosso lugar é na mesa do Senhor – Ter comunhão com o Senhor à mesa do Senhor.


Em seguida, lemos sobre o corpo: “O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo?”. Irmãos. Quando contemplamos aquele pão sobre a mesa, vemos representados ali – naquele pão - cada membro do corpo de Cristo – todos ali representados – um pão, um corpo! Lemos ainda no versículo 17: “Nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo” – um pão! Olhamos para aquele pão na manhã do Dia do Senhor, e o que vemos lá é o símbolo que Deus nos deu para representar o que Deus formou pelo Seu Espírito: o único corpo de Cristo. E o versículo ainda diz: “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do mesmo pão”“um só pão”!


Em Corinto eles estavam verdadeiramente participando de um pão! Mas e hoje? Quantos lugares haverá no próximo Dia do Senhor nesta cidade onde haverá um pão e um cálice de vinho sobre a mesa? E cada um desses grupos alegarão que estão “reunidos ao nome do Senhor Jesus Cristo”. Eles alegarão que aquela é a mesa do Senhor e que estão mostrando que há um só corpo. A Palavra de Deus, no entanto, afirma na linguagem mais forte possível que há apenas uma forma pela qual pode ser manifestado que todos somos membros de um só corpo, e esta maneira é participando de um só pão – não uma dúzia de pães ou vinte ou cinquenta, mas um pão.


Agora, muito obviamente, não é uma questão de todos tentando entrar em um único edifício. Alguém pode dizer: “Como você pode reunir todos os crentes da cidade em um edifício”? Irmãos, essa não é a dificuldade. A dificuldade é que muitos participam de diferentes pães. Não pode ser que dois grupos possam participar de dois pães, independentes um de outro grupo, e ambos expressem a verdade de que existe um só corpo. Se isso for verdade, digo reverentemente que devemos então tirar o capítulo 10 de 1 Coríntios de nossas bíblias.


Um corpo. Se você é verdadeiramente salvo, então é habitado pelo Espírito de Deus e é membro do corpo de Cristo. Você está representado no único pão. Se, na manhã do Dia do Senhor, você não participar do pão, você está dizendo na prática que não é membro do corpo de Cristo nem está representado no pão. Agora você diz: “Não quero dizer isso”, mas a Palavra de Deus diz aqui: “Nós, sendo muitos, somos um só pão, e um só corpo: pois todos participamos do mesmo pão”.


Em 1 Coríntios 10, lemos sobre a mesa do Senhor – não mesas – e à mesa do Senhor, reunidos biblicamente, nós participamos em comunhão com o Senhor à Sua mesa. Ali temos comunhão com Ele. Agora também lemos sobre as mesas dos demônios. A referência aqui é a Deuteronômio 32:15-17. A sugestão de que as mesas que os homens estabeleceram, onde muitos queridos filhos de Deus se reúnem, sejam “mesas de demônios” não é apenas antibíblica – , é assustadora. É uma coisa terrível até mesmo sugerir tal coisa. Deus nunca pretendeu que pensássemos na verdade de Deus dessa maneira.


Quando Ele fala da mesa dos demônios, Ele estava falando aqui, especificamente em Corinto, daqueles que estavam participando daquilo que era oferecido aos ídolos, e Ele fala daquilo que era oferecido aos ídolos como vindo da mesa dos demônios. Pode haver, e sem dúvida há, muitas mesas que são do homem, mas nunca sequer pensemos em nosso coração que onde o povo do Senhor se reúne, mesmo em divisão, poderia ser chamado de mesas de demônios.


1 Coríntios 11


1 Coríntios 11:23-32

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o Meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de Mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem. Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”.


Você se lembrará, de como falamos anteriormente, do próprio fundamento da verdade que consideramos como sendo a morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. O que vimos como a primeira figura em Gênesis 22 foi o pai e o filho indo juntos para o lugar do sacrifício. Descobrimos repetidas vezes como Deus traz o número “três” diante de nós. Este é um lembrete muito marcante de que entrar na verdade ou andar nela, em qualquer medida que seja, sem que o afeto do coração esteja envolvido e sem que a fé esteja envolvida, só pode levar à tragédia.


Descobrimos, quando chegamos ao Novo Testamento, que Deus, por Seu Espírito, estendeu o maravilhoso privilégio, disponível a todos os filhos de Deus que andam separados do mal, de participar da ceia do Senhor à mesa do Senhor. Aquele que nos convidou para lá é o próprio Senhor. Essa é a mesa d’Ele. Paulo não estava presente na noite em que isso foi instituído e, portanto, o Senhor lhe dá uma revelação especial. Ele a recebeu do Senhor, não de Pedro. Deveria haver um memorial do Senhor Jesus feito de um pão e um cálice. Essas são as coisas mais simples e, no entanto, quão precioso é ver esse pão e reconhecer que Deus está nos dizendo, nesse pão, que nosso lugar está lá porque somos membros do único corpo de Cristo. Vemos no pão partido (dado) o corpo do Senhor Jesus em Sua morte no Calvário, aquele corpo que foi preparado para Ele – a lenha que foi colocada sobre Isaque. Ao participar desse único pão eu me lembro do Senhor Jesus em Sua morte, e expresso, deixo claro e ajo sobre a verdade de que faço parte desse único corpo retratado nesse único pão.


Encontramos em Corinto que havia muitas coisas que entristeceram o coração do apóstolo e que entristeceram ainda mais o coração do Senhor Jesus – algumas condutas ali eram trágicas. O apóstolo Paulo escreve a eles sobre este memorial do Senhor e os faz ver que, agindo na ordem bíblica e participando do único pão e do cálice, eles anunciavam a morte do Senhor até que Ele voltasse. Eles anunciavam naqueles emblemas aquilo que apresentava a imagem da morte: o sangue separado do corpo. Então, o Espírito de Deus traz diante deles a gravidade de se participar daquilo que simbolizava a morte para tirar o pecado e ainda assim continuar andando em pecado. Assim, lemos no versículo 27: “Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente” – isto é, de uma maneira que não era digna do Senhor – “será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. Tal pessoa falhava em perceber, em agir e em demonstrar que foi preciso o corpo e o sangue do Senhor (Sua morte) para tirar aqueles próprios pecados nos quais ele ainda estava andando.


Quando falamos sobre a mesa do Senhor e sobre a ceia do Senhor, estamos falando sobre o que é infinitamente precioso, e ainda assim devemos estar sempre conscientes da verdade de que “a santidade convém à Tua casa, SENHOR, para sempre”. É dito a eles no versículo 28: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice”. Eles deveriam examinar a si mesmos e deixar de lado o que era contrário à Palavra de Deus, e então deveriam participar deste pão e beber deste cálice.


Mas, irmãos, o que aconteceu na Cristandade hoje? O homem examina a si mesmo ou aos outros e diz: “Não gosto disso. Acho que essas pessoas são muito rígidas. Vou começar minha própria mesa e vou reivindicar a presença do Senhor também. Vou alegar que vou me reunir em nome do Senhor também”. Ou talvez a disciplina – que deve caracterizar e fazer parte daquilo que leva o nome do Senhor – aconteça e o resultado seja que o homem que é posto fora estabeleça sua própria mesa, como Jeroboão fez. Então, olhamos em volta hoje e vemos os santos de Deus divididos em tantos grupos. A Palavra de Deus, em linguagem que não pode ser mais clara, nos mostra que só pode haver um testemunho, reconhecido por Deus, da verdade de que há um só corpo. Só pode haver um pão do qual se participa que expressa que há um só corpo.


Existem problemas e dificuldades que afligem o povo do Senhor ao agir de acordo com esse princípio, mas o fato que ainda permanece é que Deus, por Seu Espírito, ainda está reunindo ao nome do Senhor Jesus Cristo. Aquilo que deve caracterizar aqueles que estão assim reunidos permanece o mesmo: consistência em seu andar um esforço para manter a unidade do Espírito no vínculo da paz, uma separação do mal e uma percepção consciente do nome ao qual estamos reunidos e de Sua presença lá. Lá será uma casa de oração, um lugar onde a disciplina é exercida para manter a santidade, e um lugar, acima de tudo, onde o Senhor é adorado.


Se você e eu soubéssemos, sem sombra de dúvida, que o Senhor Jesus Cristo estaria em determinado lugar da cidade, onde estaríamos hoje? Creio que posso dizer com segurança que todos e cada um de nós estaríamos onde Ele estivesse, e estaríamos lá porque Ele estaria lá. Mas suponhamos, por um momento, que o Senhor Jesus dissesse que hoje Ele estaria em vinte lugares da cidade. Acredito que estaríamos espalhados em vinte lugares diferentes – alguns em um, alguns em outro; alguns mais perto da casa deles, outros onde eles gostam mais das pessoas. Por uma variedade de razões, escolheríamos um ou outro. Por que estaríamos separados? De quem seria a culpa de não estarmos juntos, se isso fosse verdade? A resposta honesta não é que a culpa seria do Senhor? Ele Se colocou em vinte lugares diferentes e, portanto, Ele deve esperar que Seu povo se reúna em vinte lugares diferentes. Mas o Senhor já nos mostrou que Seu desejo é que eles estejam juntos. Em João 17, o Senhor Jesus orou “para que todos sejam um...para que o mundo creia que Tu Me enviaste”. Esse era o Seu desejo – de que todos fossem um.


Nunca devemos esperar que o Senhor Jesus faça aquilo que frustraria Seu próprio propósito e Sua própria oração. Ele é, e ainda vai tornar-Se o centro para o qual Ele reúne e reunirá todo o Seu povo ao Seu redor, onde eles podem e poderão participar de um pão e expressar que eles são um corpo.

 


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