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O Lar Cristão e Seus Deveres - Parte 4


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ÍNDICE


 

Servos


“Vós, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre” (Ef 6:5-8).


“Vós, servos, obedecei em tudo a vosso senhor segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus. E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis” (Cl 3:22-25).


“Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes, os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados” (1 Tm 6:1-2).


“Exorta os servos a que se sujeitem a seu senhor e em tudo agradem, não contradizendo, não defraudando; antes, mostrando toda a boa lealdade, para que, em tudo, sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2:9-10).


“Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor ao senhor, não somente ao bom e humano, mas também ao mau; porque é coisa agradável que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente” (1 Pe 2:18-19).


Há mais instruções dadas nas Escrituras para a direção e bem-estar dos servos do que para qualquer outra classe de pessoas. Essa não é uma honra pequena e é uma evidência do amor e do terno cuidado que Deus tem por todos que ocupam essa posição. Talvez a razão também possa ser encontrada no fato de que em todas as épocas da Igreja, desde os dias dos apóstolos até os dias atuais, um grande número de servos sempre foi, pela graça de Deus, contado entre Seus filhos. E visto que, pelo posto que ocupam, eles devem ser extremamente influentes para o bem ou para o mal – recomendando o evangelho àqueles com quem convivem ou desonrando o nome de Cristo –, sem dúvida esses conselhos e admoestações são dados para que eles possam ver a ênfase que é divinamente colocada em que eles sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador, em todas as coisas


O termo “servo”, como empregado nas epístolas de Paulo, é um pouco mais amplo do que o usado entre nós. “Escravo” ou “servo” é o equivalente exato da palavra, embora ‘servo’ seja a melhor interpretação de seu significado, pois os escravos do Oriente não eram de forma alguma como os escravos do Ocidente. Eles eram, geralmente, os empregados domésticos, homens ou mulheres; e nisso, diferentes de outros servos, que pertenciam a seus senhores, que os adquiriram por compra ou por guerra. Mas, embora escravos, eram em sua maioria tratados com bondade; na verdade, muitas vezes se tornaram membros da família, ocupando cargos de confiança e influência, como nos casos de Eliezer, mordomo de Abraão, e José, na casa de Potifar. Eles eram realmente domésticos; isto é, membros da casa; e, portanto, quaisquer que sejam as diferenças reais entre a posição deles e a dos empregados agora, estaremos mais em harmonia com o espírito das determinações dadas se entendermos que elas se aplicam aos empregados domésticos. Pedro, de fato, usa uma palavra diferente – que realmente significa “doméstico”. Isso é, sem dúvida, porque ele estava escrevendo para crentes judeus, em cujas casas seriam encontrados menos escravos do que “domésticos”. Todas as classes de servos, portanto, estão realmente incluídas; e, portanto, servos de todas as posições e em todos os graus encontrarão muito neste capítulo para aplicar às suas necessidades e posição; pois quem quer que esteja sob um mestre terrenal encontrará a vontade de Deus quanto ao seu serviço nas direções dadas nesta parte de Sua Palavra. Também não deve se esquecer que todos os crentes são, em um aspecto, servos do Senhor; portanto, embora essas passagens tenham sua aplicação primária à classe especial a quem são dirigidas, há instrução e edificação para todos. Mesmo Aquele, que nos deixou um exemplo que devemos seguir em Seus passos, tomou sobre Si “a forma de Servo” (Fp 2) e, assim, nos ensinou que o verdadeiro lugar de todo crente está na sujeição à vontade de outro. “Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós Sou como Aquele que serve” (Lc 22:27).


1) Como o próprio nome indica, o dever primário do servo é a obediência. Em cinco epístolas diferentes (Ef 6:5; Cl 3:22; 1 Tm 6:1-2; Tt 2:9; 1 Pe 2:18) esse dever é ordenado; e, como no caso das crianças, a obediência exigida é quase ilimitada. “Vós, servos, obedecei em tudo a vosso senhor segundo a carne” (Cl 3:22). A única limitação é encontrada em suas obrigações mais elevadas para com o Senhor; pois, embora isso não seja declarado diretamente, está claramente implícito quando se diz: “a Cristo, o Senhor, servis” (Cl 3:24). Até este ponto – desde que a ordem dada não passe por cima daquilo que o servo deve ao Senhor como Seu servo – toda a obediência deve ser dada ao senhor ou à senhora. Dizemos senhor ou senhora; embora todos observem que as senhoras não são mencionadas nessas Escrituras. Isso ocorre porque o termo ‘senhor’, aos olhos de Deus, inclui o de ‘senhora’, assim como homens e mulheres são frequentemente compreendidos sob o termo “homem”, ou, mais provavelmente, porque a autoridade da senhora é delegada a ela por seu marido – ele sendo a cabeça da família e responsável por seu governo diante de Deus, mas confiando seus afazeres domésticos à esposa como senhora. Isso, portanto, deve ser entendido que senhores e senhoras estão ambos incluídos no primeiro termo, e que a obediência a ser prestada é devida a um ou a ambos, de acordo com a posição do servo.


É possível que haja um pouco de hesitação em aceitar tal descrição, do dever dos servos, como essa obediência quase ilimitada. Mas as palavras da Escritura não admitem nenhuma interpretação mais restrita. Examine-as o mais de perto possível, o significado é simples e distinto. A obediência, de fato, é necessária pela respectiva posição. O senhor governa e o servo deve obedecer, ou a casa seria uma cena de contínua perturbação e conflito. Isso será visto mais claramente quando for lembrado que todo lar Cristão deve ser uma apresentação da ordem ou governo de Deus. Como o servo ao senhor, assim é o crente ao Senhor. Portanto, é o governo do Senhor na casa, realmente exercido por meio do senhor a quem Ele responsabiliza por sua conduta e ordem. Assim, o apóstolo disse: “a Cristo, o Senhor, servis”; vocês recebem os mandamentos por meio de seus senhores terrenais, mas, ao obedecê-los, estão servindo ao Senhor, porque Ele os colocou onde estão e ordena obediência a vocês nessa posição. Servir seria muito mais fácil se essa verdade fosse reconhecida de maneira plena e de coração – um meio de graça, de fato – se o servo, ao receber a ordem do senhor, ouvisse sempre a voz do Senhor. Pois assim a tentação de rejeitar a ordem dada, de questionar sua razoabilidade, de condenar sua indelicadeza, seria evitada, e a fonte da alegre obediência estaria sempre presente na alma. É possível que haja dificuldades, injustiças ou mesmo crueldades; mas o incômodo de tais provações desaparecerá quando a ordem é recebida, como é privilégio do crente fazer, diretamente do Senhor, quando Sua vontade for reconhecida e aceita com submissão.


Nem a obrigação de obediência é enfraquecida pelo caráter do senhor. “Vós, servos,” o apóstolo Paulo escreveu, “sujeitai-vos com todo o temor ao senhor, não somente ao bom e humano, mas também ao mau” (1 Pe 2:18). Servir – obediência – nesse caso será muito mais difícil. Há senhores que conquistam tanto o coração de seus servos que estes consideram um prazer atender seus pedidos mais exigentes e que demandam o maior sacrifício próprio. Há, por outro lado, senhores que são habitualmente tão indelicados que suas menores exigências são consideradas uma dificuldade. A vontade do servo é correr para obedecer ao primeiro senhor; e retardar, ou às vezes até se recusar, a obedecer ao senhor indelicado. Mas, como esta passagem mostra, o dever de obediência é inteiramente independente do caráter do senhor. Esquecer isso seria esquecer que você serve a Cristo, o Senhor e também cair no pecado do servir à vista, como para agradar aos homens, em vez de como, “servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor, e não como aos homens” (Ef 6: 6,7; veja também Cl 3:22-23).


Se agora indicarmos as características da obediência, como aqui dadas, o dever será tornado menos pesado por estar diretamente conectado com o Senhor.


a) “Não servindo à vista, como para agradar aos homens”. Os olhos não devem estar no semblante do senhor. Se for, a tentação será necessariamente agradá-lo e, assim, agradar ao homem. O menor dever é roubado de seu valor diante de Deus, se feito aos homens em vez de fazer a Ele. Isso é andar por vista, e não pela fé.


b) “Mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre“ (Ef 6: 5-8; veja também Cl 3: 22-24).


Assim, os servos são colocados na presença do Senhor. Eles são servos de Cristo, e devem fazer a vontade de Deus de coração, e seus olhos devem estar fixos somente no Senhor. E lembrar-se disso é o segredo de todo serviço agradável e prazeroso, de toda obediência verdadeira e também de ser totalmente independente do caráter de seus senhores. Os servos Cristãos evitariam muitas armadilhas, se isso fosse mantido diante da mente deles; e, assim, exaltando a Cristo em seu serviço, de fato, honrariam a doutrina de Deus, seu Salvador, em todas as coisas.


2) A próxima direção da Escritura é quanto ao comportamento. Isso, de fato, está ligado ao dever já descrito; pois onde há obediência alegre e voluntária, certamente haverá um comportamento correspondente. Mas pode servir para mostrar sua importância, bem como colocar o assunto sob uma luz mais distinta, se a atenção for direcionada às declarações específicas da Palavra de Deus.


a) Os servos “estimem a seus senhores por dignos de toda a honra” (1 Tm 6:1). Eles devem lhes prestar todo o respeito adequado à sua posição; e essa exigência também é totalmente independente do caráter pessoal do senhor. Assim, de fato, como Deus exige que prestemos honra aos reis e por aqueles que estão em posição de autoridade por causa do cargo que ocupam, assim também Ele ordena que os servos reverenciem seus senhores por causa de sua posição. A sabedoria e a propriedade dessa ordem são evidentes; pois nada é mais conveniente por parte do servo, e nada honra e recomenda tanto seu serviço, quanto a admiração respeitosa que é aqui ordenada; e nada será mais fácil de prestar se tivermos em mente que deve ser prestada, não com o servir à vista como para agradar aos homens, mas com boa vontade quanto ao Senhor, e não aos homens.


b) Humildade também deve ser exibida. Os servos devem obedecer “com temor e tremor” e “com todo o temor” (Ef 6:5; 1 Pe 2:18). Ou seja, eles devem valorizar aquela humildade de mente que teme ofender e se sujeitem a “seu senhor e em tudo agradem” (Tt 2:9). Eles devem, portanto, cuidadosamente evitar dar causa de ofensa, e dentro dos limites já definidos, sempre procurar agradar.


c) “Não contradizendo” (Tt 2:9). A tolerância quanto às palavras deve ser exercitada; a língua mantida sob controle para evitar palavras rápidas e precipitadas. Todo servo sabe quantas são as tentações nesse sentido. Coisas afiadas e até injustas podem ser proferidas pelos senhores em um momento de irritação, e a tendência é a resposta com palavras do mesmo padrão; e então, quando o fogo da disputa é aceso, não é tão facilmente extinto. E o que é mais natural? Mas Deus, em Sua Palavra, nos mostra um caminho melhor; e, portanto, instruiu Seu servo a escrever: “Não contradizendo”. O apóstolo Pedro, reforçando a mesma coisa, aponta para o exemplo de Cristo: “Porque que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas, se fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas, o Qual não cometeu pecado, nem na Sua boca se achou engano, o Qual, quando O injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-Se Àquele que julga justamente” (1 Pe 2:20-23). O Senhor assim suportou com paciência diante de Deus e, portanto, desviando o olhar dos rostos dos homens, “não contradisse”, confiando a Si mesmo e Sua causa Àquele que julga com justiça. Assim é com os servos. Tratados com indelicadeza, e mesmo injustamente, eles devem se sujeitar a tal tratamento severo com paciência diante de Deus, e olhar para Ele em busca de alívio da angústia. Um caminho impossível para a natureza, mas que, quando trilhado na dependência do Senhor com os olhos fixos n’Ele, produzirá frutos indescritíveis de paz e bênção. O bendito Senhor mesmo andou por ele; e assim, sabendo o que é, Ele é capaz de socorrer e socorrerá aqueles que O seguem nele. É ter comunhão com Ele em Seus sofrimentos; e “se é certo que com Ele padecemos, para que também com Ele sejamos glorificados” (Rm 8:17).


3) Fidelidade também é ordenada: “não furtem; pelo contrário, deem prova de toda a fidelidade” (Tt 2:10 – ARA). Nessa determinação, os servos são considerados como sendo mordomos: eles devem lidar fielmente com tudo o que é confiado aos seus cuidados. Os bens da casa estão constantemente sob as mãos dos servos e, portanto, é dito: “não furtem; pelo contrário, deem prova de toda a fidelidade”. Eles não devem furtar ou usar para si mesmos qualquer coisa que pertença a seus senhores. Isso pode ser mais bem entendido se o significado exato da palavra “furto” for declarado. Somos informados de Ananias e Safira, (At 5), que pecaram contra Deus retendo parte do preço da possessão que haviam vendido, e cujo produto professavam ter dedicado ao Senhor. Isso mostra o significado de furto; pois a palavra ali traduzida como “reter” é a mesma que é dada em Tito como furto. Furto não é, portanto, exatamente o que é chamado roubo, mas é a apropriação pelo servo, para seu próprio uso, daquilo que pertence ao senhor ou à senhora. Muita propriedade – comida, roupas e outras coisas – deve passar pelas mãos e estar sob os cuidados de cada servo da casa. Deus exige de todos os servos que sejam fiéis neste particular, e não se permitam tomar o menor bem que for sem permissão. Tudo na casa pertence ao senhor ou à senhora, e deve ser mantido pelo servo como algo santo que foi confiado. Eliezer, o mordomo de Abraão, e José, na casa de Potifar, nos são dados como exemplos de servos fiéis, que não furtaram; enquanto o Salvador descreve alguém que até desperdiçou os bens de seu senhor, na parábola do “mordomo infiel” (Lc 16:1). Todo servo faria bem em prestar atenção a esses exemplos; pois também, neste assunto, a tentação é muitas vezes forte e, se uma vez cedida, aumentará em poder e poderá ser a causa da ruína total. Que esta palavra divina, “não furtem”, seja a luz do caminho do servo, e ele escapará da armadilha.


4) Uma orientação especial é dada para atender a um caso especial. “Todos os servos que estão debaixo do jugo”, disse o apóstolo, “E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes, os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados” (1 Tm 6:1-2). O Cristianismo ensina que Um é nosso Mestre, o Senhor Jesus Cristo, e que todos nós somos irmãos; e, considerando o fato de que Deus não faz acepção de pessoas, alguns, e especialmente a Igreja primitiva e que estavam “debaixo do jugo”, entendendo mal a nova verdade, poderiam afirmar sua igualdade com seus senhores e, com base na unidade em Cristo, fossem induzidos a reivindicar dispensa do serviço exigido. Essa exortação tinha o propósito de se opor à tentação e ensinar que, na realidade, as distinções terrenais permanecem intocadas pelo fato da igualdade de posição em Cristo. É verdade que o senhor e o servo, se forem crentes, são irmãos; mas também é verdade que, no que diz respeito a este mundo, eles ainda são senhor e servo. As disposições e distinções sociais, longe de serem alteradas ou eliminadas, são preservadas e consolidadas pelo Cristianismo. “E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes, os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados”. O próprio fato de sua unidade em Cristo, e do laço fraternal que consequentemente os une, devem ser um novo motivo para o serviço diligente e voluntário; pois, embora em diferentes posições temporais, eles agora podem se alegrar em saber que é apenas uma diferença temporal, que desaparecerá para sempre à luz da eternidade; e assim senhores e servos reconhecerão, nas posições que ocupam, a vontade do Senhor deles. A atenção nessa direção salvará os servos de muita decepção. Mesmo agora, aqueles que são Cristãos são levados a esperar demais de seus senhores e senhoras com base em um Cristianismo comum. O senhor ou a senhora podem, de fato, não se lembrar disso o suficiente, mas, se assim for, os servos crentes devem ter o cuidado de mostrar que o único efeito produzido sobre eles, por serem um na fé, é torná-los melhores e mais humildes como servos. Pois, por mais exigentes que sejam as demandas que tal serviço possa às vezes fazer, o serviço é prestado não aos homens, mas Àquele a Quem eles se deleitam em chamar de seu Senhor, e Ele dará a recompensa.


5) Foi escrito o suficiente para mostrar o caráter minucioso das instruções dadas. À pergunta feita: Qual é o objetivo do que foi escrito? A resposta é dupla. É, em primeiro lugar, aos servos “para que, em tudo, sejam ornamento da [honrem a – TB] doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2:10), e, em segundo lugar, “para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6:1). Isto é, que a vida dos servos não demonstre ser uma pedra de tropeço, trazendo desonra, mas que eles devem ser de tal caráter que louvem o nome de seu Senhor. Um grande número de servos, como já foi observado, são Cristãos, e, por isso a insistência para que andem dignos de seu nome Cristão, pois sua posição é muitas vezes muito difícil. Suas falhas são muitas vezes ampliadas, e suas virtudes tão negligenciadas, que nada menos que a perfeição convencerá muitos senhores e senhoras de que seus servos são realmente crentes. Por outro lado, também deve ser admitido que os servos Cristãos, às vezes, são muito negligentes; e quando este é o caso, o nome de Deus e Sua doutrina, por causa deles, são blasfemados. Mas Deus é Fiel, e quaisquer que sejam as dificuldades de sua posição, se houver somente dependência d’Ele, Ele os sustentará; e se pelo comportamento deles honrarem a doutrina de Deus, o Salvador, Ele fará com que o cheiro do nome de Cristo se espalhe, por meio deles, como uma doce fragrância em toda a casa em que habitam.


6) Em seguida, há encorajamentos e advertência.


a) Encorajamento. “servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre” (Ef 6:7-8). “Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis” (Cl 3:24). Todo serviço, qualquer que seja seu caráter, é assim feito com responsabilidade para com o Senhor; e aqui reside o encorajamento, que Seu olhar está sobre o servo fiel, anotando todos os seus desânimos, provações e tristezas, e sustentando-o por Sua aprovação atual e pela perspectiva do “galardão da herança” que ele finalmente receberá das mãos de seu Senhor. Pois não está muito distante o tempo em que Ele fará as contas com todos os Seus servos; e quando então, em Seu próprio tribunal (2 Co 5:10), cada um de nós receberá o que tiver feito por meio do nosso corpo, de acordo com o que fizemos, seja bom ou mau.


Há também o encorajamento – e como é abençoado – surgindo do exemplo de Cristo. Esta é a força especial do ensinamento de Pedro, pois assim que ele começa suas exortações aos servos, ele conecta tudo com o caminho e os sofrimentos do Senhor Jesus. A razão é que Ele era o Servo Perfeito – Aquele que nunca fez Sua própria vontade, mas sempre esteve em sujeição a Outro. Como Ele mesmo diz: “Porque Eu desci do céu não para fazer a Minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou” (Jo 6:38); e embora Ele fosse um Filho, ainda assim aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Se, portanto, os olhos estiverem fixos n’Ele, as dificuldades desaparecerão e a força será recebida para o caminho mais árduo; sim, e assim pode haver comunhão com Cristo em Seus sofrimentos por causa da justiça. “Olhando para Jesus” será, portanto, um antídoto para as tristezas e um incentivo a perseverar em fidelidade no caminho do servo.


b) Há uma advertência. “Pois quem faz injustiça receberá a paga da injustiça que fez; e não há acepção de pessoas” (Cl 3:25 – AIBB). Aqui também a responsabilidade é trazida para impedir o mal. Com que cuidado, portanto, o Senhor tomou providências para a necessidade dos servos! E com que ternura o fez. Ele traz os servos e seus deveres à luz de Sua própria presença, para que tudo possa ser feito como para Ele. Se os encorajamentos e as advertências tiverem o efeito de fazer com que cada servo viva somente para Sua aprovação, então o fardo mais pesado se tornará leve, e a situação mais difícil será cumprida com gozo.


7) Por último, não podemos deixar de lembrar aos servos de sua oportunidade de bendizer a casa em que são colocados. Há muitas famílias que terão que louvar a Deus por toda a eternidade pelos servos Cristãos. Que honra o Espírito de Deus colocou sobre a pequena menina levada cativa de Israel, que foi assim instrumento para abençoar Naamã (2 Rs 5); e desde aquele tempo até os dias atuais, agradou a Deus usar muitos servos para a conversão dos membros da família em que serviram. Um capitão do exército, bem conhecido pelo escritor, voltava da Índia em ignorância e incredulidade. Ele tinha um servo negro crente. A bordo do navio de tropas havia muito lazer, e o servo aproveitou a oportunidade para recomendar a seu senhor o evangelho da graça de Deus. Seu testemunho foi abençoado e seu senhor desembarcou na Inglaterra como soldado da cruz de Cristo. Ele imediatamente abandonou a profissão das armas e se dedicou ao ministério do evangelho; e muitas vezes o escritor viu o povo a quem ele estava pregando, em demonstração do Espírito e com poder, curvar-se diante de suas palavras como as árvores se curvam diante do vento. Milhares de tais exemplos têm seu registro no alto; e somente a luz da eternidade revelará quantos senhores e senhoras, ou seus filhos, foram salvos por meio do humilde testemunho de servos crentes, recomendado por seu andar e modo de vida.


Que Ele conceda a todo servo Cristão que leia estas palavras, possa perceber e cumprir, pela graça de Deus, a responsabilidade de sua posição.

 

Senhores


“E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef 6:9).


“Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus” (Cl 4:1).


“Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo, então, que faria eu quando Deus Se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia?” (Jó 31:13-14).


“Senhores”, como explicado no capítulo anterior, é usado como um termo para incluir senhoras e, portanto, pode ser entendido como aplicável a todos os chefes de família; pelo menos a todas as famílias onde haja servos. Muito menos espaço é dado a eles na Escritura do que aos servos; mas, embora as instruções sejam menores, elas são extremamente abrangentes e significativas. Além disso, muitos exemplos de bons senhores são exibidos e, consequentemente, há uma grande quantidade de instrução indireta. Isso deve ser combinado com os mandamentos especiais, por todos os que entendem a vontade de Deus a respeito daqueles a quem Ele colocou no lugar de autoridade sobre outros.


1) Deve-se notar especialmente que tanto em Efésios quanto em Colossenses os senhores são lembrados de que seu Senhor está no céu. Em Colossenses há uma ligeira adição, que, no entanto, é de grande importância: “sabendo que também tendes um Senhor nos céus”. Isso é para lembrar aos senhores que seu lugar de autoridade é apenas temporal; que enquanto nesta vida eles podem ter uma posição de comando, com outros lhes estando sujeitos, diante de Deus e em relação a Ele, tanto eles quanto os que lhes estão sujeitos são servos da mesma maneira. Duas ou três diferentes coisas são aqui indicadas.


Primeiro, que, comandando outros, eles estão agindo simplesmente como delegados do Senhor. Em outras palavras, eles devem preencher sua posição de senhores como servindo ao Senhor. Isso imediatamente coloca os senhores face a face com sua responsabilidade para com Deus, e não é demais dizer que ninguém pode preencher o lugar de senhor corretamente, a menos que ele tenha o Senhor diante dele; pois então nunca será uma questão de sua própria vontade ou inclinação, mas o que o Senhor deseja que ele faça. Ele sentirá a solenidade do seu lugar, da responsabilidade de governar a sua casa para Deus. O reconhecimento dessa responsabilidade influenciará todos os detalhes da administração dos assuntos de sua casa e dará a chave para o ajuste de todas as dificuldades que possam surgir e para a resolução de cada contenda. É incerto se os senhores Cristãos estão suficientemente atentos ao fato de que eles têm que servir seu Senhor ao comandar seus servos. É geralmente reconhecido que aqueles que ensinam e pregam, todos de fato que servem ao Senhor em conexão com a Igreja, ou o evangelho, só podem cumprir sua responsabilidade permanecendo em Cristo, estando constantemente na presença de Deus; mas não é menos verdade que os senhores e senhoras Cristãos só podem servir no governo da família quando estão diante do Senhor, com Ele diante da alma, com a consciência de sua necessidade e desamparo, para que, na dependência d’Ele, possam receber a sabedoria e a força necessárias. Assim como foi com Salomão, deve ser com todo senhor Cristão. Quando o Senhor apareceu a ele, em sua sucessão ao trono de seu pai, e disse: “Pede o que quiseres que Eu te dê”, ele respondeu: “Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo; porque quem poderia julgar a este Teu tão grande povo?” (2 Cr 1:7-12). Da mesma forma, senhores, designados para seu posto pelo próprio Senhor, devem olhar para Ele para capacitá-los a governar como à Sua vista e para Sua glória.


Em segundo lugar, eles são lembrados de que seus servos são, assim como eles, servos do Senhor, “sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu”. Isso necessariamente afetará todo o caráter no comando de seus servos, pois enquanto governarem e o fizerem com firmeza, como deveriam, porque sua autoridade lhes foi confiada por Deus – eles se lembrarão de que aqueles que estão sujeitos a eles estão sob responsabilidade direta de seu Senhor no céu; que, junto com eles mesmos, são servos do Senhor; e que, portanto, há neste aspecto igualdade, apesar da diferença em suas respectivas posições na Terra. Isso, por si só, impediria toda a dureza e garantiria aquela terna consideração que, misturada com o firme exercício da autoridade, deveria sempre caracterizar todo o governo Cristão.


Novamente, lembrando-se de seu relacionamento comum com o Senhor, os senhores nunca poderiam exigir de seus servos qualquer coisa que pudesse comprometê-los ou coloca-los em uma posição defensiva da responsabilidade pessoal deles. Eles os usariam como servos do Senhor; e sabendo que, embora estivessem em posição de sujeição a senhores quanto a coisas terrenais, ainda deveriam ser fiéis ao Senhor em todas as coisas. Se, portanto, os senhores ordenassem a eles fazer qualquer coisa inconsistente com seu caráter de servos do Senhor, eles teriam que responder como Sadraque, Mesaque e Abednego fizeram a seu senhor, Nabucodonosor, quando se recusaram a adorar a imagem que ele havia estabelecido no campo de Dura (Dn 3). Pois fica claro a partir do princípio contido nas palavras: “sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu”, que a autoridade dos senhores é limitada e, de fato, está em sujeição à autoridade do Senhor. Embora os senhores sejam supremos em seu próprio domínio e, portanto, possam exigir obediência até esse ponto, se procurarem penetrar no círculo mais amplo em que somente o Senhor é Supremo, seus servos serão liberados de suas obrigações. A fidelidade ao Senhor deve ser o guia de ambos; e onde quer que esse princípio seja constantemente reconhecido, todas as dificuldades cessarão, porque nesse caso é o desejo de senhores e servos manterem uma consciência livre de ofensa para com Deus e para com os homens.


2) Tal é o fundamento – o princípio fundamental na manutenção do comando sobre os servos, e agora podemos considerar as instruções especiais.


“E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles” (Ef 6:9). Novamente, “senhores, dai a vossos servos o que é de justiça e equidade” (Cl 4:1 – AIBB). Eles são, portanto, exortados a tratar seus servos com o espírito de equidade, fazendo a eles o que gostariam que fizessem a si mesmos; e não fazendo nada por parcialidade ou favoritismo, mas mantendo seu governo em justiça e equidade para com todos – uma ordem a ser muito lembrada nas famílias onde disputas geralmente ocorrem entre filhos e servos, ou entre os próprios servos. Então, isso é o que os senhores têm que se lembrar de maneira especial, ou seja, de sua responsabilidade de dar o que é justo e igual, agindo como diante de Deus e lidando com paciência e justiça com todos sob seus cuidados, pois os senhores têm que governar e nenhuma quantidade de bondade compensará a ausência de justiça imparcial no que diz respeito ao governo. De fato, as relações dos diferentes membros da família logo serão totalmente desorganizadas, se essa exortação for esquecida. Conduzir isso exigirá muita paciência; mas lembrar-se de que é o Senhor Quem o ordena, e que é Seu governo que deve ser mantido, manterá o senhor naquele espírito de dependência que é a condição necessária para o cumprimento de sua responsabilidade.


A Palavra diz, “Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus” (Cl 4:1). Ou seja, os servos têm direito perante seus senhores quanto a isso; e aquele que for justo e imparcial incluirá tratamento e salários. Eles não têm uma voz ativa e são especialmente dependentes de seus senhores, não podendo recorrer do tratamento deles, exceto, é claro – devido às circunstâncias alteradas dos tempos modernos – na forma indesejável de deixar seu serviço. Sua própria posição constitui, portanto, uma reivindicação sobre seus senhores por aquilo que é justo e imparcial, para que eles possam, com segurança e confiança, se entregar nas mãos de seus senhores, na plena certeza de que seus interesses serão considerados e guardados. E os senhores são exortados a isso, por saber que eles têm um Senhor no céu – Aquele que nota toda a conduta dos senhores e os responsabiliza quanto ao tratar seus servos fielmente. Não há acepção de pessoas com Ele; e cada um de nós, como Seus servos, receberá, no tribunal de Cristo, pelas coisas feitas por meio do corpo, sejam boas ou más (2 Co 5:10).


“Deixando as ameaças”. Essa proibição aponta para pecados da língua ao comandar os servos – uma tentação que é comum em todos os momentos, mas deve ter sido ainda mais comum nos casos em que os servos eram escravos e, portanto, propriedade de seus senhores. Todos sabem o quão fortemente os senhores são tentados, quando desagradados por negligência intencional ou descuido involuntário, a falar asperamente e até mesmo a ameaçar punição. Quantos servos valiosos foram demitidos dessa maneira! Os sentimentos foram despertados e as palavras proferidas; e talvez por orgulho, houve a recusa de voltar atrás, e o servo foi embora. A Escritura mostra um caminho melhor – deixar as ameaças. Mantenha os sentimentos, o temperamento, sob controle – sim, o crente deve se considerar morto para o pecado, é não dar em absoluto qualquer lugar ao ego – e então, se chamado a agir, mesmo sob a maior provocação, será como à vista de Deus. Muito maior influência será assim exercida sobre a mente dos servos, pois o mal é repreendido por uma santa calma de alma, e muito pecado será evitado; pois “ameaças” incomodam e irritam e, assim, provocam sentimentos de raiva, ou talvez palavras, que acendem um fogo que não se apaga facilmente.


3) Não se deve esquecer que cada senhor tem uma responsabilidade especial por toda a sua casa; pois os senhores governam, como já indicado, para o Senhor. Por isso, seja nos servos da casa ou nos filhos, nada incompatível com o lugar que ocupam deve ser permitido. Os senhores Cristãos quase não se apercebem disso. Pois quantas vezes isto é tolerado nos servos – nos modos e vestimentas mundanos e, em alguns casos, na introdução de livros perniciosos, que nem por um momento seriam tolerados em seus filhos. Mas todo o círculo da casa deve estar sujeito à autoridade do Senhor. Esse princípio é exemplificado tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Assim, encontramos Jacó dizendo à sua casa: “Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio” (Gn 35:2-3). Josué e Daniel da mesma maneira falam de suas casas diante de Deus; e nos Atos dos Apóstolos encontramos menção frequente, como foi mostrado em um capítulo anterior, de casas que pertencem ao Senhor. Portanto, também há a responsabilidade de cuidar do bem-estar espiritual dos servos. Por que eles foram trazidos para esse relacionamento especial? Certamente, não para que possam prestar serviço temporal a seus senhores, mas também para que os senhores possam vigiar e cuidar da alma de seus servos. Essa responsabilidade foi muito mais sentida em tempos passados do que atualmente, quando os laços entre senhores e servos foram muito afrouxados por uma liberdade contratual excessiva. Então não era incomum que os servos fossem realmente membros da família. Eles eram cuidados na doença como tal; encontravam em seus senhores e senhoras seus amigos mais verdadeiros, e raramente partiam, a não ser para mudar sua condição de vida. Mas agora isso é alterado em quase todos os lugares. Em muitos casos, os servos permanecem pouco tempo em um só lugar, e a consequência é que o interesse mútuo entre senhores e servos é muito fraco. Ainda assim, isso de forma alguma diminui a responsabilidade daqueles que têm servos. As dificuldades podem ter aumentado; mas, mesmo assim, todo senhor Cristão que se lembra de que tem um Senhor no céu, zelará diligente e fielmente pelos interesses espirituais de seus servos.


Admitindo a responsabilidade, uma pergunta pode ser feita: Como ela deve ser cumprida? Tal pergunta só pode ser respondida plenamente por cada um de nós; ou melhor, por cada um olhando para o Senhor em busca de sabedoria para enfrentar isso, e então Ele logo mostrará o caminho e, ao mesmo tempo, dará força para andar nele. No entanto, uma sugestão ou duas podem ser dadas. Em primeiro lugar, em vista de uma responsabilidade tão solene, é necessário que os senhores não retenham servos em sua casa que se recusem a estar em sujeição, pois é impossível ocupar o lugar de um senhor ou senhora para o Senhor se a obediência não for prestada por todos sob seus cuidados. Conduzir esse princípio envolverá sacrificar o descanso e o conforto; mas, como o crente sabe, o ego nunca deve ser seu objetivo. Nesse assunto, como em tudo o mais, a fé e não a visão deve governar a caminhada; e fazendo do Senhor a primeira consideração, exaltando-O em nossa casa, Ele proverá tudo o que é necessário, até mesmo servos, para aqueles que assim buscam Sua glória. Tendo, então, uma família governada pela autoridade do Senhor, a leitura familiar pode se tornar um meio muito útil de instrução espiritual; pois então todos estão na presença de Deus e estão preparados para ouvir o que Ele pode falar com eles por meio de Sua Palavra. Além da leitura familiar, o senhor ou a senhora Cristão buscará outras oportunidades de instrução direta da Escritura; e dessa forma, lendo ou conversando juntos, muito se aprenderia sobre as necessidades e provações especiais do servo, e muita orientação e edificação poderiam ser ministradas. Ambos sentados juntos aos pés de Jesus e ouvindo Sua palavra, aprenderiam mais sobre suas respectivas responsabilidades para com Ele como Senhor e sobre seus deveres, como Seus servos, em suas respectivas posições; e assim cada um seria levado a desejar fazer de Sua Palavra a luz para seus pés e a lâmpada para seu caminho em toda a vida doméstica. Além disso, o senhor e senhora podem ser assim transformados em mediadores de bênção para aos da casa, de modo que seus membros sejam levados a amá-los ainda mais como cuidadores de suas necessidades espirituais, ao mesmo tempo os respeitando e honrando como seus chefes terrenais.


O governo correto de uma casa é, portanto, uma tarefa muito pesada, exigindo muita sabedoria, diligência, paciência e graça. Ela é de fato um solene encargo do Senhor. E se todos os que ocupam a posição responsável de senhores ou senhoras, receberem esse encargo como vindo de Suas próprias mãos, eles então estarão familiarizados com o segredo da fidelidade em sua administração, bem como com a fonte de onde apenas a graça e a força necessárias podem ser recebidas. Então, também, eles não procurarão sua recompensa na gratidão e fidelidade de seus servos (embora essas misericórdias possam ser graciosamente concedidas); mas seu único desejo será, em todas as coisas, buscar apenas a aprovação de seu Senhor.

 

Conclusão


“Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da Terra” (Sl 72:8).


“E, chegando-Se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-Me dado todo o poder no céu e na Terra” (Mt 28:18).


Passamos agora em revista o ensino da Escritura sobre as relações no lar e a respectiva posição de cada membro da família do crente; e vimos como Deus Se agradou em Sua graça de designar a cada um o seu lugar e ordenar a conduta adequada a cada um, de acordo com Sua vontade. Sua própria autoridade é suprema; e cada um individualmente a reconhecendo, o lar apresentaria uma imagem do governo divino. Sua glória seria assim promovida, e a paz e a bênção do lar seriam asseguradas. No Milênio, o mundo inteiro será colocado sob o domínio de Cristo. “Nos Seus dias florescerá o justo, e abundância de paz haverá enquanto durar a Lua. Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da Terra… E todos os reis se prostrarão perante Ele; todas as nações O servirão” (Sl 72:7-11). Mas é privilégio do crente antecipar este tempo, no que diz respeito à sua própria casa, exaltando nela a autoridade de Cristo e reconhecendo-O como Senhor. Se isso fosse feito com mais fidelidade, esta cena pela qual estamos passando, já sob julgamento porque rejeitou a Cristo, seria intercalada aqui e ali com testemunhos brilhantes da autoridade e senhorio de Cristo. Como algum vasto deserto árido, que é aliviado aqui e ali por oásis espalhados – porções verdes de refrigério, que tornam tudo mais brilhante por seu contraste com a desolação ao redor, então essa cena de trevas e confusão seria aliviada pelos pontos de luz e governo ordenado apresentados pela casa dos santos. Não é suficiente, portanto, durante o pouco tempo em que estamos esperando o retorno de nosso Senhor, testemunhar a graça de Deus; devemos também dar testemunho da autoridade de um Cristo rejeitado, mas agora glorificado e ausente. Deve ser uma pergunta solene com cada um ocupando o cargo de chefe de família, até que ponto isso está sendo feito. Os dias estão se tornando mais tenebrosos, e o momento da apostasia se aproxima em ritmo acelerado: tudo indica que muito em breve o Senhor Se levantará de Seu assento, à direita de Deus, para voltar a buscar os Seus. A hora já é avançada; portanto, devemos despertar para a importância de um testemunho mais brilhante durante o pouco tempo que nos resta.


Que o Senhor nos dê graça para sermos mais fiéis no julgamento próprio e nos capacite a começar por nós mesmos e por nossa casa, para que, colocando tudo sob a aplicação da cruz, o próprio Senhor possa ser assim mais plenamente reconhecido e glorificado diante de um mundo hostil.

 

Oh, Lar Feliz!


Oh, lar feliz! Onde Tu és mais amado,

Ó Senhor, tão cheio de amor e graça;

Aonde nunca vem um hóspede tão bem-vindo e honrado;

Onde ninguém pode preencher o Teu lugar;

Onde todo coração sai para Te encontrar,

Onde todo ouvido atende a Tua Palavra,

Onde todo lábio com bênção Te saúda,

Onde todos estão esperando em seu Senhor.


Oh, lar feliz! Onde marido e mulher de coração,

Na fé e na esperança são um;

Que nem a vida nem a morte podem separar

A santa união aqui começou; [1]

Onde ambos estão compartilhando uma salvação,

E vivem diante de Ti, Senhor, sempre,

Na alegria ou na tribulação,

Em dias felizes ou maus.


Oh, lar feliz! Cujos pequeninos são dados

Cedo a Ti em fé e oração

A Ti, seu Senhor, que das alturas do céu.

Guarda-os com mais do que o cuidado da mãe.

Oh, lar feliz! Onde pequenas vozes

Suas alegres ações de graças adoram levantar,

E a língua balbuciante da infância se alegra

Trazer novas canções de amor e louvor.


Oh, lar feliz! E servidão feliz!

Onde todos são iguais, um Mestre possuem;

Onde o dever diário, em Tua força perseguida,

Nunca é difícil nem penoso conhecido;

Onde cada um Te serve, manso e humilde,

Seja qual for a Tua designação,

Até que as tarefas comuns pareçam grandes e santas,

Quando elas são feitas como para Ti.


Oh, lar feliz! Onde Tu não és esquecido

Quando a alegria está fluindo plena e livre;

Oh, lar feliz! Onde cada ferida é trazida

Médico, Consolador para Ti.

Até que, finalmente, o trabalho do dia da Terra termine,

Todos Te encontrem naquele lar acima,

De onde vens, onde ascendeste,

Teu céu de glória e de amor.[2]

Spitta


 

[1] N. do E.: Isso só é verdade para a união com Cristo; o casamento é, naturalmente, dissolvido pela morte. [2] N. do E.: Este poema, escrito por um autor alemão conhecido, foi alterado aqui e ali para torná-lo mais em conformidade com a verdade. Ainda assim, é defeituoso, embora sem erro positivo, mas é apresentado como uma descrição marcante e bela de um lar em submissão a Cristo como Senhor. Ele se baseia na Escritura: "Hoje, veio a salvação a esta casa" (Lc 19:9).

 

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