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Os Patriarcas - Isaque 1 - Parte 7/18

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ÍNDICE


 

Os Patriarcas

John Gifford Bellett

 

Isaque

Parte 1

 

Nos capítulos anteriores, intitulados “Enoque”, “Noé” e “Abraão”, segui o curso do Livro de Gênesis, até o final de Gênesis 24. Proponho agora retomá-lo a partir daqui e segui-lo adiante até Gênesis 25-27; Isaque, depois de Abraão, sendo a pessoa principal ali.


Há, no entanto, pouco em sua história e pouco em seu caráter. Em alguns aspectos isso não importa; pois, seja muito ou pouco, seu nome está na lembrança de todos nós que aprendemos os caminhos do Deus da graça, “o Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, que é Seu nome para sempre, Seu memorial por todas as gerações (Êx 3).


Tenda e altar 

Isaque era um estrangeiro na Terra, um estrangeiro celestial, como seu pai havia sido, e nós o vemos com sua tenda e seu altar, como vimos Abraão; e ouvimos o Senhor dando-lhe as promessas, como as havia dado a Abraão.


“Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa” (ARA).


Esta vida dos patriarcas em tendas tinha um grande caráter. Hebreus 11:9-10 nos ensina isso. Diz-nos que os pais se contentavam em viver na superfície deste mundo. Uma tenda não tem fundamentos. É montada ou desmontada a qualquer momento. E esses patriarcas estavam satisfeitos em ter e buscar apenas uma conexão leve e passageira com esta Terra e com a vida nela. Eles não procuravam uma cidade ou fundações, até que Deus Se tornasse um Construtor. Até que Sua construção fosse manifestada, eles eram peregrinos aqui, apenas atravessando a planície, ou superfície da Terra, sem estabelecer suas raízes nela.


Esta é a voz que se ouve desde as tendas destes pais peregrinos. E assim como suas tendas representavam este caráter de estrangeiro celestial, seus altares representavam sua adoração, sua verdadeira adoração; pois ergueram o seu altar Àquele que lhes havia aparecido. Eles não pretendiam descobrir Deus por meio de sua sabedoria e depois adorá-Lo à luz e aos ditames de seus próprios pensamentos. Eles não professaram, portanto, na loucura comum, serem sábios; mas eles conheciam a Deus e adoravam a Deus apenas de acordo com a revelação de Si mesmo. Portanto, não era um altar “ao Deus desconhecido” onde eles serviam; mas eles serviram ou adoraram em verdade. E na sua geração o altar patriarcal foi, desta forma, tão belo quanto a tenda patriarcal. A tenda os colocou no devido relacionamento com o mundo ao seu redor, o altar com o Senhor Deus do céu e da terra que estava acima deles.


Eleição e filiação 

Abraão, Isaque e Jacó eram semelhantes em tudo isso. Não houve, portanto, nenhum novo segredo dispensacional, nenhum novo propósito dos conselhos divinos, revelado em Isaque como havia sido em Abraão. (Veja o capítulo sobre “Enoque”, onde são considerados certos propósitos dispensacionais de Deus, em suas diferenças). É assim. Mas ainda assim, embora não tenha havido uma nova cena dispensacional revelada, houve uma revelação adicional das glórias associadas à dispensação ou chamado que já havia sido dado a conhecer em Abraão. E uma questão muito importante também – tal como, se tivéssemos afeições divinas, deveríamos valorizar profundamente. Quero dizer o seguinte: o chamado celestial ou a atitude de um estrangeiro na Terra era algo comum; mas caracteristicamente, a eleição foi ilustrada em Abraão, e a filiação ou adoção em Isaque.


Deus chamou Abraão para fora do mundo, da parentela, da pátria e da casa paterna, separando-o para Si mesmo e para Suas promessas. Mas Isaque já era alguém escolhido, chamado e santificado, enquanto estava na casa de seu pai. Ele estava em casa desde o seu nascimento e estava lá com Deus, tendo nascido de acordo com a promessa e por meio de uma energia que vivificou os mortos – e em todas essas coisas ele representou a filiação, como Abraão tinha representado a eleição. Em Isaque vemos aquela família daqueles que “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”, e que permanece em liberdade; como diz o apóstolo: “Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque”. Somos semente de Abraão, muitos Isaques, filhos da mulher livre, ou em adoção, se formos de Cristo.


Ora, este mistério de filiação ou adoção representado em Isaque, como o mistério da eleição foi dado a conhecer em Abraão, está na ordem divina. Pois a eleição de Deus é para adoção, como lemos: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para Si mesmo”; e sendo assim, esta elevada prerrogativa pessoal sendo representada em Isaque no decorrer de sua história, nos dá o mistério do filho da mulher livre muito abençoadamente, amplamente manifestado.


Filiação consciente 

Pois temos tanto o nascimento como o desmame. E cada um desses acontecimentos foi motivo de gozo na casa do pai. A criança nascida foi chamada de “Riso”, a criança desmamada era celebrada com um banquete.


Esses são segredos maravilhosos e graciosos. É o gozo do pai ter filhos, é o seu maior regozijo que os seus filhos saibam em si mesmos que são filhos. Este foi o nascimento e o desmame de Isaque no livro de Gênesis. E tudo isto, depois de tanto tempo, é revivido na Epístola aos Gálatas. Pois o que foi representado em Isaque se realiza em nós por meio do Espírito. Nessa epístola aprendemos que somos filhos pela fé em Cristo Jesus. E aí aprendemos também que, sendo filhos, recebemos o espírito de filiação. Somos desmamados e também nascemos. Paulo sofreu novamente as dores de parto por eles, como diz: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”. O Cristo desta passagem é Cristo, o Filho; e Paulo ansiava e trabalhava para que eles pudessem ser levados ao estado de Isaque, a liberdade da adoção consciente. Eles estavam sob a tentação de alimentar-se novamente das ordenanças que davam à luz a escravidão e que os tutores e curadores de uma dispensação anterior haviam ordenado. Mas, em oposição a isso, o apóstolo os atrairia novamente à liberdade, pois ele mesmo havia provado a virtude disso em sua própria alma. Agradou a Deus, como ele diz, revelar o Filho nele. A vida que ele viveu na carne ele viveu pela fé do Filho, que o amava. Ele poderia, portanto, descer para a Arábia, onde não tinha carne e sangue com quem conversar, nem Jerusalém ou cidade de solenidades, nem apóstolos ou ordenanças, nem sacerdócio segundo uma ordem carnal, nem santuário mundano, para apoiar, para selar, ou para aperfeiçoá-lo. Ele não queria o que alguém ou todos lhe pudessem dar, pois tinha o Filho revelado nele. Ele era um Isaque desmamado e gostaria que os gálatas fossem assim também; e ouvir a palavra que antigamente havia sido ouvida na casa de Abraão sobre Isaque: “Lança fora a escrava e seu filho, porque, de modo algum, o filho da escrava herdará com o filho da livre”.


Tudo isto nos é dado, misticamente, em Isaque, filho da mulher livre, cujo nascimento provocou risos e cujo desmame foi celebrado com um banquete. E este mistério é, portanto, ampla e expressamente revivido e aberto, em todo o seu caráter, como vemos na Epístola aos Gálatas.


Os ricos propósitos de Deus 

Não é apenas nas glórias que devemos pensar, quando pensamos na predestinação. Os propósitos de Deus a nosso respeito são ainda mais ricos. Somos predestinados a um estado de afeições satisfeitas, bem como a um lugar de glórias demonstradas – à “adoção de filhos” e a estarmos “diante d’Ele em amor” (ACF), bem como à herança de todas as coisas (Ef 1). E sendo já dado o Espírito, tão certamente está em nós o poder de clamar: “Aba, Pai”, como Ele é o selo do título da redenção vindoura.


Estamos propensos a esquecer disso. Pensamos no chamado e na predestinação, em conexão com a glória, e não em conexão com o amor, e o relacionamento, e o lar, e a casa do Pai.


E, no entanto, é o relacionamento que dará até mesmo à herança ou à glória o seu mais rico gozo. O filho mais novo da família tem um tipo diferente de desfrute do palácio do rei, do que tem o dignatário da mais alta posição do seu reino. O filho está lá sem uma posição, pois o seu título está no relacionamento – os senhores da terra podem estar lá, mas estão lá como na corte, pelo título da sua dignidade ou cargo. E o desfrute do filho no palácio não é apenas, como eu disse, de um tipo diferente, é de um tipo mais elevado – é pessoal e não oficial – o palácio é um lar para ele, e não apenas a corte da realeza.


Filho do louvor 

Agora é o filho, o filho em casa, o filho nos privilégios do relacionamento, que temos em Isaque. É isso aquilo que ele representa – isso é o que Isaque misticamente é. Isaque foi mantido em casa, servido pela família, nutrido e dotado; e a riqueza, bem como o conforto da casa de seu pai, eram dele; como lemos: “Abraão deu tudo o que tinha a Isaque. Mas, aos filhos das concubinas que Abraão tinha, deu Abraão presentes e, vivendo ele ainda, despediu-os do seu filho Isaque, ao Oriente, para a terra oriental”.


Olhando misticamente, Isaque está assim diante de nós, um filho, nascido da mulher livre, nascido da promessa, nascido de Deus, como está dito: “virei, e Sara terá um filho”. Isaque representa aquela família adotiva que se tornou “aceita no Amado”, que se revestiu de Cristo, que permanece em Seu gozo e respira Seu espírito.


Caráter moral 

Temos, contudo, de considerá-lo tanto moral como misticamente; isto é, em seu caráter, bem como em sua pessoa. Os elementos, no entanto, são poucos. Há pouca história ligada a ele. Existem poucos incidentes em sua vida e pouca divulgação de caráter. E isso é para nosso conforto. Às vezes encontramos entre os eleitos de Deus materiais naturais muito finos, um nobre porte de alma ou uma forma delicada e atraente de virtude humana; e novamente, em outras ocasiões, materiais humanos pobres ou mesmo muito ruins. E isto se torna um alívio para o nosso pobre coração. Porque achamos (a partir de um conhecimento melhor de nós mesmos do que dos outros) fácil reconhecer os materiais pobres e miseráveis que constituem o que nós mesmos somos; e então é nosso conforto (conforto de certo tipo) encontrar exemplos semelhantes da natureza em outros membros do povo de Deus.


Isaque estava carente de caráter. Ele não era de materiais naturais bons nem ruins. Havia nele muitas coisas que, como dizemos, eram amáveis e que, segundo uma estimativa humana, teriam sido atraentes. Mas ele estava carente de caráter. O estilo de sua educação pode explicar isso. Ele foi criado com ternura. Ele nunca esteve longe da mãe, filho de sua velhice, ele era filho único; e esses hábitos o relaxaram e mantiveram um temperamento naturalmente amigável em sua suavidade comum. A quietude e o isolamento, o temperamento que prefere se submeter do que se ressentir, e isso aliado à relaxante indulgência da vida doméstica, se não a mera vida humana natural, aparecem nele. Ele era inocente, podemos supor, piedoso e rigoroso na observância dos deveres familiares, como filho e como marido, e teria conquistado a boa vontade e os bons desejos de seus vizinhos; mas faltava-lhe aquela energia que o teria tornado uma testemunha entre eles, pelo menos; além da separação que acompanhou sua circuncisão, seu altar e sua tenda. E uma vida assim é sempre pobre. Ele era fiel à sua tenda e ao seu altar, até certo ponto; mas ele armava a primeira e levantava o segundo com uma mão muito fraca.


Jacó e Esaú 

Isaque tinha quarenta anos quando recebeu Rebeca como esposa. Durante vinte anos eles não tiveram filhos – mas sob esta provação eles se comportaram ainda melhor do que Abraão e Sara. Abraão e Sara não tiveram filhos, e Sara deu a sua serva ao marido. Isaque e Rebecca não tiveram filhos; mas eles suplicaram ao Senhor e esperaram por Sua misericórdia. Esta foi uma diferença e, por um momento, os últimos são os primeiros e os primeiros são os últimos; e tal variedade moral encontramos entre o povo de Deus até hoje. Mas os dois grupos de filhos sugerem mistérios divinos diferentes, assim como a maneira de agir dos pais de cada um proporciona ensinamentos morais diferentes.


Havia os dois filhos de Abraão – Isaque e Ismael; mas eles nasceram por meio de duas esposas: agora existem os dois filhos de Isaque – Jacó e Esaú; mas eles são da mesma esposa.


A inimizade entre os filhos de Abraão começou quando Ismael, um rapaz de quatorze anos, zombou do desmamado Isaque. Mas a luta entre os filhos de Isaque ocorreu no ventre. Duas nações estavam lá, como o Senhor havia dito a Rebeca: “Dois povos se dividirão das tuas entranhas”. E assim aconteceu. O homem de Deus foi encontrado em Jacó, o homem do mundo em Esaú; o princípio da fé estava em um, o princípio da natureza no outro. De fato, dois tipos de pessoas foram separados de suas entranhas e lutaram em seu ventre. “A amizade do mundo é inimizade contra Deus”. E este foi Esaú. Consequentemente, Esaú fez da terra o cenário de suas energias, de seus prazeres e de suas expectativas. Ele era um “varão do campo” e “varão perito na caça”. Ele prosperou em sua geração. Ele amava o campo e sabia como usá-lo. Ele colocou seu coração na vida presente e sabia usar suas capacidades em benefício de seus prazeres. Seus filhos rapidamente se tornaram príncipes e tiveram suas cidades; como os filhos de Ismael se tornaram príncipes e tiveram seus castelos. A sua dignidade e a sua grandeza procediam deles mesmos; e o mundo testemunhou-os na sua magnificência.


Mas Jacó era “varão simples”, um homem da tenda. Ele seguiu os passos de seus pais. Como Abraão e Isaque, ele era um estrangeiro aqui, peregrinando temporariamente na superfície da Terra, com seus olhos colocados na promessa. Seus filhos tiveram que vagar de uma nação para outra, sofrer as dificuldades e injustiças do opressivo Egito, ou atravessar, como peregrinos, o deserto árido e inexplorado, enquanto os filhos de Esaú eram príncipes, estabelecidos em seus domínios, sob o brilho de suas dignidades e riquezas.


Esaú era o “profano”. A sua esperança e o seu coração estavam ligados à vida neste mundo, e apenas a ele; pois ele diria: “Eis que estou a ponto de morrer, e para que me servirá logo a primogenitura?” Tal como os gadarenos e como Judas, Esaú venderia o seu título a Cristo. Mas Jacó tinha fé e estava pronto para comprar o que Esaú estava pronto para vender.


O mundo de Deus 

Dois povos foram, dessa maneira, separados das entranhas de Rebeca, como tudo isso nos diz. Assim que eles nasceram, isso ficou evidente; e seus primeiros hábitos, suas primeiras atividades, são característicos. Não eram apenas a escrava e a livre, ou os filhos dos dois concertos, como foram Ismael e Isaque; em Esaú e Jacó temos uma expressão mais completa das mesmas naturezas; uma, aquela coisa reprovável, que veio de Adão, profana ou mundana, que toma parte na Terra e não em Deus; a outra, aquela coisa divina, que veio de Cristo, que é crer, ter esperança, esperar pelas provisões de Deus e pelo reino.


Tudo isso sobrevive até os dias de hoje, e floresce abundantemente em diferentes exemplos no nosso meio, ou ao nosso redor. Eu poderia dizer que os Caim, os Ninrode, os Ismael e os Esaú ainda estão espalhados pela Terra, e essas narrativas e ilustrações têm lições para nossa alma. Esses exemplos são maravilhosos na sua simplicidade; mas são profundos demais para a sabedoria do mundo e puros demais para amá-lo.


Reuni essas coisas por causa da moral e do mistério que tanto abundam nelas. Mas meu assunto imediato é com Isaque.


A influência de Sara 

Isaque, como já notei, foi criado na tenda de sua mãe. Ele era, como posso dizer, mais filho de sua mãe do que de seu pai – o caso comum de todos nós em nossos primeiros dias. Mas com Isaque foi assim até a morte de sua mãe; e então ele devia ter muito mais de trinta anos de idade.


Ele sabia mais sobre a tenda de Sara do que sobre os locais movimentados e as ocupações dos homens. A tenda dela tinha sido sua professora, assim como sua ama, e essa educação deixou impressões em seu caráter que nunca foram apagadas. Temos um testemunho passageiro ou incidental, mas ainda assim muito seguro, da força da influência materna sobre ele, em Gênesis 24:67. “E Isaque trouxe-a (Rebeca) para a tenda de sua mãe... Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe”.


Isso sugere fortemente as tendências de sua infância. E assim se formou nele o caráter. Ele era o Isaque fácil, gentil e não resistente, piedoso, como já falamos, e, como já disse dele, irrepreensível e amigável.


Submissão divinamente produzida 

Mas com tudo isso, e embora eu não duvide que seja assim, pergunto: Foi apenas a natureza ou o caráter que o conduziu sem resistência ao longo do caminho para o Monte Moriá? (Veja Gênesis 22). Foi apenas a piedade filial que o dispôs a ser amarrado como um cordeiro para o matadouro, sem abrir a boca? Podemos assumir isso? Seria esta apenas a força do caráter? Eu digo que não. Isso era demais para a gentileza e submissão humanas, mesmo as que poderiam ter sido encontradas em Isaque ou na filha de Jefté. Devo antes dizer que a mão do Senhor esteve sobre ele naquela ocasião, assim como, muito tempo depois, esteve sobre o dono do jumentinho necessário para levar o Rei até a cidade, e depois sobre a multidão que O acompanhava e O saudava pelo caminho; ou, como aconteceu com o homem que levava o cântaro d’água, que preparou o cenáculo para a última Páscoa. Nessas ocasiões, a mão do Senhor foi forte para obrigar o material a se conformar e receber a impressão do momento. Como também nos primeiros dias de Samuel, quando as vacas levavam a arca de Deus direitamente no caminho de volta para casa, embora a natureza resistisse, suas crias foram deixadas para trás, pois o poder divino estava então sobre as vacas. E Isaque, da mesma maneira, estava sob o poder divino, sob a mão de Deus, nesta ocasião; de bom grado, eu concordo plenamente, mas disposto como em um dia de poder; pois ele seria a figura ou o prenúncio de Alguém maior do que ele.


O selo estava em mão forte e a impressão deveria ser feita de forma clara, profunda e legível. “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade”, está escrito no selo. “como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a boca”.


Esse foi um grande momento na vida de Isaque, uma ocasião de grande significado. Assim, em sua aceitação de Rebeca (Veja Gênesis 24). Ao tomar uma esposa, não dentre todas as que escolheu, mas da provisão de seu pai, podemos traçar a mesma mão forte sobre ele. Podemos certamente admitir que poderia facilmente ter havido mais submissão humana e piedade filial no recebimento da esposa, do que no caso do sacrifício no Monte Moriá; mas ainda assim este foi um momento de selamento tão bem quanto o outro. Este casamento foi uma figura ou um mistério, assim como aquele sacrifício. A esposa trazida para casa do filho e herdeiro do pai, pelo servo que estava em plena confiança e segredo do pai, isso era um mistério – e o material deveria se conformar novamente, e tomar a impressão da mão que estava usando isto. O oleiro estava fazendo vasos para uso doméstico, e o barro devia se render. Os filhos do profeta, séculos depois, receberam nomes conforme a vontade do Senhor, e o profeta teve que dizer deles: “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR, como sinais e maravilhas” (Is 8). E assim, Isaque e Rebeca, no dia e nas circunstâncias de seu casamento, foram uma figura, “como sinais e maravilhas”. Esta era a sua principal dignidade; eles contam os mistérios de Deus. São parábolas e também mistérios. Eram eventos estabelecidos no tempo ou no progresso da história da Terra, assim como o Sol, a Lua e as estrelas são estabelecidos nos céus, como sinais. Cada um deles tem uma inscrição escrita pela mão de Deus. “eis que Eu esculpirei a sua escultura, diz o SENHOR dos Exércitos”; pois nesses eventos Ele imprimiu a imagem de alguns de Seus conselhos eternos.


Verdadeira glória moral 

Mas embora essa natureza gentil e submissa que havia em nosso Isaque não estivesse à altura de sacrifícios e entregas tais como esses, mesmo assim a natureza gentil e submissa é a qualidade que lhe confere seu caráter. Às vezes age de maneira amigável e atraente; às vezes isso o trai tristemente. Mas em todos os momentos, sob todas as circunstâncias, em meio aos poucos incidentes registrados sobre ele, é o Isaque fácil, gentil e submisso que vemos. E, não preciso dizer que a presença de uma mesma virtude em todas as ocasiões é pobreza em termos de caráter. É uma combinação que revela caráter e obra divina; “o Reino de Deus... é... justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Ele é firme, assim como gracioso e alegre. E isto é glória moral; com muitos raios coloridos que nos dão o resultado imaculado na luz que desfrutamos e admiramos. Mas isso não brilha em Isaque. E em ninguém, certamente, em toda a sua beleza, exceto n’Aquele em Quem todas as glórias, em suas diferentes gerações, se encontram e brilham.


Jeremias, posso tomar a liberdade de dizer aqui, parece-me ter sido um homem de uma só paixão, assim como Isaque era um homem de uma só virtude. Quero dizer, é claro, às características de cada um deles, Isaque e Jeremias. Uma paixão piedosa, na verdade, foi a tristeza pelos estragos morais de Sião, que caracterizou Jeremias. Mas sendo assim sua única afeição, a paixão ou sentimento que, dessa maneira, possuía sua alma, torna-o geralmente muito envolvente e atraente ao coração; mas às vezes alia seu espírito com aquilo que o contamina. Ele está zangado com o povo que despertava as tristezas do seu coração. E ele murmura contra o próprio Deus. Falo, é claro, do caráter de Jeremias, conforme vemos demonstrado em seu ministério. Eu sei, certamente, naquele ministério, considerado em si mesmo, ele era o profeta de Deus e transmitiu as inspirações do Espírito Santo. Mas como homem falo dele; como homem, ele era um homem com uma só paixão; como eu disse de Isaque que ele era um homem de uma só virtude. Mas são aqueles em quem há um conjunto de virtudes que nos falam com mais segurança da obra divina, das árvores plantadas junto aos ribeiros de águas que produzem frutos na estação própria (Sl 1). Pois é esta sazonalidade que é a verdadeira beleza. Tudo é formoso em seu tempo, e apenas aí. A gentileza perde a beleza quando se exige zelo e indignação. O primeiro Salmo é uma descrição muito elevada para um homem de uma virtude; implica caráter, decisão e individualidade; mostra uma alma extraindo sua virtude de Deus. Ele “será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará”. Isto é da lavoura divina; mas não vemos isso em nosso Isaque. Na sua medida, esta combinação ou conjunto de virtudes, das quais já falei, aparece em Abraão, e certamente em contraste com Isaque; e essa diferença entre os dois pode ser vista em suas ações em circunstâncias semelhantes. Abraão em Gênesis 21, e Isaque em Gênesis 26 (Quanto ao pecado comum de Abraão e Isaque no que diz respeito à negação de suas esposas, chamando-as de irmãs, consulte o capítulo “Abraão”).


Perdão e fidelidade 

Isaque foi muito maltratado pelos filisteus. Um poço após o outro de sua própria escavação foi violentamente tirado dele, assim como os poços que seu pai havia cavado eram entulhados. Ele cedeu a essa injustiça com um espírito gentil e gracioso, num espírito que condizia bem com um dos estrangeiros e peregrinos de Deus aqui, que procuram cidadania em outro mundo. Ele ia de um lugar para outro, à medida que os filisteus disputavam continuamente com ele e o apertavam. Isto estava de acordo com a mente que o marca, como dissemos, em cada incidente de sua vida. Sofrendo, ele não ameaça – fazendo bem e sofrendo por isso, ele aceita pacientemente; e isso sabemos que é aceitável a Deus (1 Pedro 2:20). E então Deus aqui atesta isso; pois Ele reconhece Seu servo nisso e vem até ele à noite, como havia consolado Abraão. Mas quando, no devido tempo, os filisteus são levados a uma mente melhor, e Abimeleque, o rei, com seu amigo Ausate, e Ficol, seu capitão-chefe, procuram Isaque e se aliam a ele, eu pergunto: Seu caráter, à sua maneira, não o traí?


É claro que Isaque estava correto em recebê-los e lhes oferecer sua amizade, e trocar os bons ofícios, as promessas e as garantias de boa vizinhança que eles buscavam. Pois devemos perdoar, mesmo que seja setenta vezes sete por dia. Mas com isso deve haver fidelidade em seu devido tempo – tanto fidelidade quanto perdão; “se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe”. Mas Isaque não estava à altura desta virtude mais forte. Ele se queixa com Abimeleque, mas o faz em termos tão suaves e fáceis, que parece não trazer consigo nenhuma autoridade sobre a consciência. Nem foi assim que ele fez uma aliança com ele. Ele aperta as mãos prontamente e, posso dizer, de bom grado. Ele faz um banquete para o rei de Gerar e o despede como seu aliado, sem que ele seja levado a qualquer reconhecimento do mal que seu povo havia feito ao homem cuja amizade ele agora buscava e conseguia. Nem há nos lábios de Isaque qualquer contradição à afirmação de Abimeleque de que ele não fez nada além de bem a Isaque durante todo o tempo em que esteve em seu país. No que diz respeito a esta relação, e até onde podemos descobrir a mente do rei de Gerar, ele não foi convencido por Isaque, mas voltou para casa com seus amigos em paz consigo mesmo e com Isaque. Isaque não havia convencido a consciência de Abimeleque com a reclamação que ele havia feito ao seu ouvido – havia falta de caráter e força – ela fazia parte da própria natureza de Isaque.


Isso era apenas uma virtude pobre em Isaque. É apenas uma virtude pobre em nós mesmos, quando aparece – e alguns de nós temos que tratá-la como tal, e confessá-la como tal, às vezes. É agradável numa certa forma de natureza humana amável; mas não é serviço a Deus. Somos humilhados por causa disso à nossa maneira. É pobre, e nosso Isaque aqui nos dá, pelo menos em certa medida, uma amostra disso.


Justo aos olhos de Deus 

Foi, no entanto, diferente com Abraão. O rei de Gerar procurou Abraão em seus dias, e o procurou pelo mesmo motivo e com o mesmo desejo. Abraão o encontra com um espírito de perdão tão nobre quanto Isaque teria feito, com igual disposição de coração e mão para aceitá-lo e se comprometer com ele. Mas com tudo isso ele o repreende e o faz sentir as repreensões. “Abraão, porém, repreendeu Abimeleque”, como lemos, mas algo que não lemos no caso de Isaque. Abraão não o despedirá satisfeito consigo mesmo, como Isaque fez, com um orgulho não respondido em sua boca sobre as virtudes dele e de seu povo. Ele lhe assegurará, tão plenamente quanto Isaque poderia ter feito, seu pleno perdão e reconciliação; mas Abraão não esconderá isso dele, para que sua consciência tenha uma questão com ele, embora seu vizinho possa aceitá-lo e perdoá-lo; que há assuntos (como entre ele e o Senhor) que o banquete de Abraão e a amizade de Abraão nunca poderiam resolver.


Isto foi real, real diante de Deus, onde a realidade, amados, sempre nos coloca. Que possamos conhecer melhor esse segredo e sermos corretos diante d’Ele! Isso foi belo – e com isso Abraão estava abençoando Abimeleque, e não apenas o agradando. Mas não foi assim com Isaque e podemos deixá-lo nesta ocasião, em Gênesis 26, com algo desta indagação em nosso coração: Foi a mera natureza, ou a mente renovada do santo, que agiu dessa maneira? – uma questão que ainda ocorre.


Isaque era um eleito, tão certamente quanto Abraão era; um estrangeiro com Deus na Terra; alguém que usou seu altar como também o carregou. Ele estava meditando no campo quando recebeu sua Rebeca e orou por misericórdia, quando Esaú e Jacó lhe foram dados. Falamos de caráter nele apenas quando o contrastamos com outro dessa maneira. Falamos dos modos vivos e práticos de um santo; e vemos nele o que estava aquém de ser um testemunho de Deus no exterior, embora amável e devoto em casa. Isto é encontrado em Isaque e coisas semelhantes ainda são encontradas, posso dizer mais uma vez, como muitos de nós sabemos, para nossa humildade. Como alguém me disse uma vez: “Há muita coisa que é considerada espiritual por outros, porque é feita para os olhos e o gosto de nossos companheiros Cristãos, e não, como na presença de Deus, com um coração simples para com Ele".


Posição adequada 

Isso realmente é verdade; e isso sonda nosso coração em proveito próprio. Tais avisos sobre nossos hábitos comuns podem convencer, mas de modo algum precisam nos desanimar. Muito diferente; eles podem ser bem-vindos como uma bênção. A luz que penetra para dispersar nossas trevas deixa-se para trás para nos alegrar e tem o direito de afirmar o lugar como todo seu – de modo que devemos ser capazes, em espírito, de cantar sobre a luz presente e as trevas passadas, para saber o que fomos, e o que somos, e ainda cantar,


“Tudo o que eu era, meu pecado, minha culpa,

Minha morte foi toda minha –

Tudo o que sou devo a Ti,

Meu gracioso Deus, sozinho.

O mal do meu antigo estado

Era meu e só meu –

 

O bem no qual agora me regozijo

É Teu e somente Teu.

As trevas do meu antigo estado,

A escravidão, tudo era meu –

A luz da vida em que caminho,

A liberdade é Tua.”

 

Isto é permanência, não realização; é isso que a fé nos dá o direito de celebrar. A fé adota esta linguagem, e a alma certamente a ouve e a entende. Mas a fé é a fonte, no poder interior atuante do Espírito Santo. Como em Hebreus 11, do começo ao fim é a fé que se celebra. Enoque, e Moisés, e Davi, e os profetas, e os mártires de outros dias, podem ser apresentados ali em seus frutos e vitórias, mas é fé, e não o povo de Deus, que o Espírito pelo apóstolo está celebrando em aquele belo capítulo.


Mas devo voltar para Isaque.


O casamento de Esaú 

No final de Gênesis 26, lemos: “Ora, sendo Esaú da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu. E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito“.


Isso tem muito para nós em termos de advertência; mas para usá-lo corretamente, devo olhar para coisas relacionadas a isso, ou semelhantes, na história anterior de Abraão, e depois nas histórias futuras de Jacó e seu filho Judá.


O mandamento dado à nação de Israel logo no início foi o de guardar o caminho do Senhor, muito particularmente no que diz respeito ao casamento. Eles não deveriam de forma alguma dar suas filhas aos filhos dos cananeus, nem tomar as filhas dos cananeus para seus filhos (Dt 7:3). Se o fizessem, seria sob pena de não serem mais propriedade do Senhor (Js 23). De acordo com isso, os dias apóstatas de Salomão são marcados pela desobediência a exatamente isso (1 Rs 11); e depois disso, nenhuma verdadeira recuperação para Deus poderia ser admitida, sem um retorno à observância deste princípio no casamento deles (Ed 10; Ne 10).


A obediência, portanto, neste aspecto foi um teste peculiar do estado da nação. E é desta forma que vejo isso neste primeiro livro de Gênesis. Pois embora a lei divina não tenha sido então publicada, os princípios divinos foram então entendidos. Pode ser considerado o testemunho do estado da religião familiar naquela época, assim como o foi o testemunho do estado da religião nacional posteriormente.


A casa ordenada de Abraão 

Abraão, neste assunto, guarda notavelmente “o caminho do Senhor”; e então Eliezer, um de sua “casa”; e assim nosso Isaque, um de seus “filhos”. Pois Abraão envia uma embaixada especial a uma terra distante, a fim de conseguir uma esposa “no Senhor” para seu filho – Eliezer vai naquela embaixada com a mente pronta – e Isaque espera pacientemente pelo fruto disso, não buscando qualquer aliança com as pessoas mais próximas; e, embora triste e solitário, guarda-se para a companheira designada pelo Senhor. Como Adão, ele esperou por uma companheira da mão do próprio Senhor, embora isso lhe custasse paciência e dolorosa solidão. Isso é mostrado em sua meditação no campo ao entardecer. Ele suportou. Ele poderia ter tomado uma filha de Canaã; mas ele resistiu. Ele preferirá sofrer o adoecimento de seu coração por adiar sua esperança, do que não se casar “no Senhor”, ou tomar para ele uma esposa de qualquer uma que ele pudesse escolher. E tudo isso foi muito bonito nesta primeira geração desta família eleita. O pai, o servo e o filho, cada um a seu modo, testemunham como Abraão ordenou a sua casa segundo Deus, ensinando aos seus filhos e à sua casa o caminho do Senhor. (Veja Gênesis 18:19).


O descuido de Isaque 

Mas notamos um triste declínio e afastamento de tudo isso.


Isaque, por sua vez e geração, torna-se o cabeça da família. Mas ele é terrivelmente descuidado neste assunto, comparado com seu pai; como esta Escritura, no final do capítulo 26, nos mostra. Ele não vigia os caminhos de seus filhos, para antecipar o mal, como Abraão havia feito. Seu filho Esaú se casa com uma filha dos hititas. Isaque e Rebecca ficam tristes com isso, é verdade; pois eles tinham almas justas que sabiam como ficar “irritadas” com isso; mas então, foi seu descuido que lhes causou esse aborrecimento.


A indiferença de Jacó 

Isso não podemos dizer que foi belo. Mas ainda havia um sintoma feliz nisso. Havia uma alma justa a ser irritada, uma mente sensível à contaminação. E isso estava bem. Jacó, no entanto, declina ainda mais. Ele não antecipa o mal, como Abraão, nem, como Isaque, lamenta quando ele ocorre. Mas com um coração despreocupado, tanto quanto a história nos diz, ele permite que seus filhos formem as alianças que desejarem e tomem para eles esposas de todas as que escolherem.


Isso é triste. Não há gozo para o coração aqui, como na obediência de Abraão; não há alívio para o coração aqui, como na tristeza de Isaque e Rebeca.


Judá claramente em erro 

Mas Judá vai além de tudo isso de uma forma muito assustadora. Ele representa a quarta geração desta família eleita. Mas ele não apenas não antecipa o mal, como Abraão, ao ordenar sua família, nem se aflige com o mal quando trazido para ela, como Isaque, nem é simplesmente indiferente ao mal, seja ele trazido ou não, como Jacó, mas ele realmente traz isso para si mesmo! Pois ele faz nada menos do que tomar uma filha dos cananeus para ser esposa de seu filho Er!


Isso excedeu. Isso foi pecar com mão levantada. E, portanto, em tudo isto, nesta história das quatro gerações de patriarcas em Gênesis, notamos um declínio, um declínio gradual, mas solene, até atingir a completa apostasia do caminho do Senhor.


Declínio 

Mas se isto é sério e triste, como realmente é, não será proveitoso e oportuno? Não podemos reconhecer prontamente que “para nosso ensino foi escrito”? Como isso nos alerta sobre a tendência de nos afastarmos dos princípios de Deus! O que aconteceu na mesma família eleita, geração após geração, pode acontecer na mesma pessoa eleita, ano após ano. Os princípios de Deus podem ser abandonados por graduações sutis. Eles podem primeiro ser relaxados, depois esquecidos e depois desprezados. Eles podem passar de uma mão firme para uma mão frouxa, desta para uma mão indiferente, e finalmente serem rejeitados por alguém rebelde. Muitos inicialmente defenderam os princípios de Deus diante de dificuldades e fascínios, como Abraão – depois, apenas lamentaram a perda deles, como Isaque – depois, foram descuidados com sua perda ou manutenção, como Jacó – e, finalmente, com uma mão levantada os destruiu, como Judá.


Isto é sugerido pela cena no final de Gênesis 26. À medida que prosseguirmos a história de Isaque depois disso, descobriremos que sua natureza suave e flexível o alia não apenas às fraquezas, mas também à corrupção, a algumas das baixas indulgências de mera natureza animal. Quero dizer, na ação final de sua vida, sua bênção a Esaú e Jacó.


Esta é realmente uma cena solene, cheia de advertências e admoestações.


A influência de Esaú sobre o coração de Isaque 

Embora Isaque tenha ficado triste, como vimos, pelo casamento de Esaú com uma filha dos hititas, aprendemos imediatamente depois que é esse mesmo Esaú quem atrai e mantém as mais fortes afeições do coração de seu pai, ao qual aquele pai teria, se pudesse, sacrificado tudo. E isso foi muito triste. Isso me lembra Josafá. Josafá tinha sensibilidades piedosas, mas carecia de energias piedosas. Por vaidade ele pecou tristemente; primeiro unindo-se em afinidade com Acabe, rei de Israel, e depois indo para a batalha com Acabe. Mas ainda assim, ele tinha sensibilidades espirituais e de obra divina. Pois no meio dos profetas de Baal ele não estava tranquilo. Ele tinha uma testemunha interior de que isso não funcionaria; e ele perguntou: “Não há aqui ainda algum profeta do SENHOR, ao qual possamos consultar?” Mas ainda assim, e apesar de tudo isso, ele foi para Ramote-Gileade para a batalha, e isso, também, em aliança com aquele mesmo Acabe, que havia ferido tão dolorosamente os melhores afetos de sua alma, e aquele que, sob seus próprios olhos, enquanto eles estavam sentados juntos no trono, no espírito de profunda revolta contra o Deus de Israel, havia consultado os profetas de Baal.


Isto foi estranho e também terrível; mas este foi o rei Josafá. E exatamente da mesma maneira, nosso Isaque nesta ocasião tinha suas sensibilidades, mas não suas energias correspondentes. Com uma mente piedosa, ele lamentou o casamento de Esaú com uma filha de Hete; e, no entanto, aquele mesmo Esaú, que feriu o testemunho dentro dele dessa maneira, foi quem atraiu, manteve e ordenou as mais ternas simpatias de seu coração, de modo a impedi-lo de se libertar para agir por Deus.


Não foi por vaidade, como foi em Josafá, que Isaque, triste e estranhamente, falhou dessa maneira – foi antes, pela maldade comum de seu caráter, como vimos ser, um tom moral geral relaxado de alma. Mas, seja por meio disto ou daquilo, ele foi enredado, posso dizer, por um Acabe anterior, embora sua alma tivesse a sensação da apostasia daquele Acabe. Ele ajudaria Esaú a obter a bênção o tanto quanto pudesse, assim como Josafá ajudaria o rei de Israel o tanto quanto pudesse para a vitória em Ramote-Gileade.


Que visões são essas! Que lições e advertências!


J. G. Bellett

 

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