Passando a Tocha (Abril de 2022)

Baixe esta revista digital nos formatos:


PDF - EPUB - MOBI

 

ÍNDICE


Passando a Tocha

W. Kelly

Passando a Tocha

W. J. Prost

Sê um Exemplo

G. H. Hayhoe

Davi Servindo Sua Geração

The Present Testimony

Os Reis de Judá e Israel

W. J. Prost

Por Este Menino Orava Eu

D. C. Buchanan

A Capa que Elias Passou para Eliseu

D. C. Buchanan

O Ferro do Machado Perdido

Norman Berry

Passando a Tocha Hoje

W. J. Prost

A Fé dos Quais Imitai

H. E. Hayhoe

Provisão Moral Não Sucessão Oficial

C. Buchanan

A Tocha de Abel

Poema


 


Passando a Tocha


“Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da Sua graça; a Ele, que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados.” Quando a tocha é passada, deve ser sempre, antes de tudo, “a Deus e à palavra da Sua graça”. Sejam quais forem os dias de perigo, dificuldade e ruína, Deus permanece fiel, e o Salvador, imutável, Jesus Cristo o mesmo ontem, hoje e para sempre. Se todos os apóstolos, desde que eles e os profetas lançaram o fundamento, já se foram, as palavras da Sua graça permanecem, assim como o Espírito Santo enviado do céu. A fé brilha mais em um dia escuro.


Não há nada que se compare à Palavra da Sua graça na capacidade de nos edificar. Ousadia de pensamento e beleza de linguagem são todas vãs se não houver a verdade, e a verdade nunca é tão segura, forte e santa como em Sua própria Palavra, que é a verdade. Isso sonda a consciência, fortalece o coração, alimenta a fé e torna a bem-aventurada esperança abundante e poderosa no amor, que é a força de tudo o que é bom, pois o amor é de Deus, e Deus é bom, e, assim como Sua Palavra nos edifica agora, ela também nos dá a herança entre todos os que são santificados. A Palavra de Deus verdadeiramente recebida liberta do amor pelo presente século, pelo mundo e pelas coisas do mundo.


W. Kelly, Exposition of the Acts (adaptado)


 

Passando a Tocha


Ao longo da história do mundo, os homens têm continuamente “passado a tocha”, embora talvez nem sempre conscientes do que estejam fazendo. Desde que o pecado entrou no mundo através da desobediência do homem e, “pelo pecado, a morte” (Rm 5:12), os homens acabaram tendo que desistir de suas responsabilidades neste mundo e passá-las para outros. A expressão “passar a tocha” passou a estar associada a esse ato de transferir o trabalho, deveres ou informação de alguém para outra pessoa. A expressão é bem antiga, pois suas origens estão na idolatria grega. A tocha original era para homenagear uma deusa grega mitológica chamada Hera, e a chama deveria queimar continuamente no altar em seu templo. Mais recentemente, a expressão foi associada aos Jogos Olímpicos, onde a tocha é tradicionalmente acesa na Grécia e então carregada ao redor do mundo por meio de um revezamento de pessoas, até chegar ao país anfitrião das Olimpíadas para aquela série particular de jogos. As palavras também se tornaram conhecidas através da última estrofe do poema “Nos Campos de Flandres”, do Dr. John McCrae, escrito no final da Primeira Guerra Mundial:


Continuai nossa luta contra o inimigo; Com mãos fraquejando a vós lançamos A tocha; para que a segureis ao alto; Se trairdes a fé conosco que morremos, Não descansaremos, ainda que papoulas floresçam Nos campos de Flandres.


As palavras desse poema dizem respeito à guerra humana e representam os supostos sentimentos daqueles soldados que deram a vida na guerra, enquanto encorajavam outros a assumirem seu lugar. Como Cristãos, sabemos que “as armas da nossa milícia não são carnais” (2 Co 10:4), contudo essa alusão aos militares é usada às vezes na Palavra de Deus. Vemos isso em conexão com o batismo, que veremos mais adiante neste artigo.


A necessidade de passar obrigações

Não encontramos as palavras “passar a tocha” na Palavra de Deus, mas encontramos essa mesma ação ao longo de toda a história do homem, às vezes em um bom sentido e às vezes em um mal sentido. Como é fato que a fraqueza e, no fim, a morte alcançam a todos nós, precisamos ceder obrigações que assumimos neste mundo e passá-las para outros. A maioria de nós já assistiu a uma corrida de revezamento e viu o bastão sendo passado de um corredor exausto para um novo. Ele passa o bastão para um espectador sentado na arquibancada? Não! Ele passa para alguém que está na pista ao lado dele e que já está em movimento!


Duas grandes questões estão relacionadas a isso: O que passar e para quem passar? Alguns passaram uma boa tocha, e ela foi levada por aqueles que a valorizaram. Usando a expressão no poema acima, eles consideraram um grande privilégio “segurá-la ao alto”. Outros passaram a tocha, apenas para que outros a deixassem cair ou a ignorassem. Outros, ainda, passaram uma tocha ruim, e talvez ela também tenha sido segurada ao alto, para detrimento daquele a quem foi passada. Ainda outros receberam uma tocha ruim e, felizmente, reconheceram que não valia a pena levá-la. Eles não carregaram essa tocha errada, mas pegaram uma que era boa e correta e a carregaram no lugar daquela. Encontramos exemplos de todos esses casos na Palavra de Deus.


Batizado pelos mortos

Em 1 Coríntios 15:29, lemos: “Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam?”. Quando os crentes são batizados, eles tomam o nome de Cristo sobre si e O representam neste mundo. Mas vem a morte, e alguns crentes são levados para casa para estar com Cristo. A ilustração aqui é a de um exército que perde alguns de seus homens, seja por morte na batalha ou por morte natural. Mas o exército continua, conforme novos recrutas são trazidos para substituir aqueles que morreram. No Cristianismo, isso aconteceu especialmente quando os crentes foram martirizados por sua fé. Sua fidelidade, muitas vezes sob tortura e com uma morte cruel, foi usada pelo Senhor para trazer outros a Cristo. O testemunho Cristão tem sido mantido dessa maneira por quase 2.000 anos, e provavelmente há mais Cristãos vivos no mundo hoje do que em qualquer outro momento da história da Igreja. A “tocha foi passada”!


A palavra de Paulo a Timóteo

Encontramos um exemplo ainda mais explícito em Paulo e Timóteo. Aqui estava alguém com uma boa tocha, e ele estava confiante em poder passá-la para alguém que iria valorizá-la e “segurá-la ao alto”. Paulo tinha sido fiel e podia dizer aos anciãos de Éfeso: “Estou limpo do sangue de todos; porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20:26-27). Não era apenas uma questão da verdade do evangelho sendo passada adiante, mas também da preciosa verdade da assembleia que foi dada especialmente a Paulo por um Cristo ressurreto em glória. Mas agora, em 2 Timóteo, vários anos se passaram, e foi revelado a Paulo que ele não seria libertado da prisão desta vez. Ele pôde dizer: “O tempo da minha partida está próximo” (2 Tm 4:6). Alguns daqueles para quem ele poderia ter “passado a tocha” provaram ser indignos dela. Paulo teve que dizer: “Demas me desamparou, amando o presente século” (2 Tm 4:10). Mas de Timóteo ele pôde dizer: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado” (Fp 2:20). Foi a Timóteo que Paulo escreveu sua última epístola e a quem ele disse: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Tm. 2:2).


Não ouvimos nada mais a respeito de Timóteo na Palavra de Deus, mas podemos ter certeza de que ele executou a determinação que Paulo lhe deu. Infelizmente, sabemos pela história que, apesar da fidelidade de pessoas como Timóteo, a ruína entrou na Igreja rapidamente, tanto na doutrina quanto na prática.


No entanto, o que lemos aqui em 2 Timóteo 2:2 é a maneira de Deus de “passar a tocha” hoje, como tem sido ao longo de toda a história da Igreja. Sim, temos a Palavra de Deus e somos responsáveis pelo que ela diz, mesmo que ninguém passe a tocha para nós. No entanto, o exemplo piedoso e ensino daqueles que vieram antes são muito importantes, quer estejamos numa posição de passar a tocha quer a estejamos recebendo.


W. J. Prost


 

Sê um Exemplo


Em 1 Timóteo 4:12-16, lemos: “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”. Aqui está Paulo escrevendo para um jovem chamado Timóteo. Ele disse: “Ninguém despreze a tua mocidade”. Fiquei muito impressionado ao ler em Levítico 27 que Deus nos dá o valor que um homem tem em diferentes idades. Dos 5 aos 20 anos, Ele o avaliou em 20 siclos de prata; dos 20 aos 60 anos, Ele avaliou um homem em 50 siclos; a partir de 60 anos, Ele o avaliou em 15 siclos. À medida que envelhecemos, não valemos tanto. Vocês, jovens, são aqueles que, se o Senhor deixar aqui, terão a responsabilidade de continuar na verdade de Deus. É verdade que, quando os sacerdotes se aposentavam do serviço de tempo integral, aos 50 anos, eles deviam manter o encargo do Senhor. Eles eram como aqueles que seguravam as rédeas. Mas as rédeas não correm. São os jovens que correm. Queridos jovens, quero encorajá-los, assim como Paulo encorajou a Timóteo. Ele lhe escreveu: “Ninguém despreze a tua mocidade”. Não diga: “Bem, porque sou jovem, não há nada para mim”. Na avaliação em Levítico 27, se você já passou dos 20 anos, você vale três vezes mais do que quem tem mais de 60. Que lugar valioso é o seu! Que responsabilidade, que privilégio é o seu! Quando viajei de assembleia em assembleia, notei que a maior bênção que vi nas assembleias são os jovens que querem continuar para o Senhor Jesus. Os mais velhos são abençoados por eles. Em toda reunião em que os jovens perseveram no Senhor, os mais velhos se regozijam porque queremos ver vocês abençoados e felizes. Aqui é escrito para Timóteo, e ele é encorajado. Paulo disse: “Não deixe ninguém lhe dizer que não adianta porque você é jovem. Há algo para você fazer. Há um lugar para você preencher”. E eu quero encorajá-lo. Quero ver jovens queridos que tenham um coração para Cristo, que busquem continuar para Ele. Pode haver momentos em que ficamos desanimados. Pode haver momentos em que parece que estamos praticamente sozinhos, mas o Senhor valoriza essa devoção. Timóteo estava vivendo em uma época em que viu toda a Ásia se apartar de Paulo. “Os que estão na Ásia, todos se apartaram de mim” (2 Tm 1:15), disse Paulo. Mas ele escreve e diz: “Timóteo, não desista só porque houve um colapso. Prossiga, seja exemplo ‘na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza’. Se o inimigo não consegue convencer você a sair da assembleia, ele pode, talvez, levá-lo a ter um andar descuidado dentro, e, dessa forma, em vez de ser um exemplo, você será um empecilho. Assim, vemos que Timóteo é exortado a seguir em frente e ser um exemplo. Paulo o encoraja também sobre o dom que há nele. Há muitos jovens que têm um dom. Muitas vezes, quando olho para os jovens, vejo que eles realmente são jovens de habilidade. Sei que o diabo faz daqueles que têm esse tipo de habilidade um alvo especial. Não pediu o rei da Síria por todos os melhores que estavam na corte de Acabe (1 Rs 20:3)? Não pediu o rei Nabucodonosor para que os seletos que estavam na Babilônia crescessem na sabedoria dos caldeus, e com o mundo hoje não é a mesma coisa (Dn 1:3-4)? Ele está procurando os melhores dos nossos jovens. Está querendo que você se junte às fileiras para fazer deste mundo um lugar de maior progresso e de mais avanços, quando na verdade está apenas se preparando para o juízo. Porém, queridos jovens, o Senhor quer vocês. Então apenas encerro com aquelas palavras, “Tu, porém, persevera” (TB). “Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”. Que o Senhor o ajude nas ciladas e armadilhas da juventude. Que Ele o ajude e encoraje a viver para Ele. No final de sua jornada, você olhará para trás e O agradecerá por Sua graça preservadora. Nenhum crédito para nós mesmos, mas você agradecerá a Ele. Quando você vir, naquele dia da manifestação, o quanto Ele valorizou qualquer pouquinho de devoção a Ele, você e eu nos perguntaremos: “Por que é que não vivemos mais para Ele?” Ele fez tudo por nós. “Tu, porém, persevera”.


G. H. Hayhoe (adaptado de uma pregação)


 

Davi Servindo Sua Geração


“Davi, na verdade, havendo servido a sua própria geração pela vontade de Deus, dormiu” (At 13:36 – AIBB).


Davi serviu a sua geração quando o Senhor o tomou “da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses chefe sobre o Meu povo, sobre Israel” (2 Sm 7:8), e fez grande o nome dele na Terra. Foi o tempo da “angústia” de Davi, mas também foi o tempo de sua real grandeza e do seu mais importante serviço para a sua geração. Davi então engrandeceu o Senhor, e o Senhor engrandeceu Davi perante os olhos de todo o Israel. Andando diante do Senhor, Davi podia se permitir parecer vil aos olhos de Mical e de todos os que o desprezavam. Essas duas coisas – exaltação e humilhação – são moralmente opostas. Aqui verdadeiramente está a necessidade de “pés como os das corças” (Sl 18:33 – TB) para pisarmos em nossos lugares altos.


O desejo de edificar a Casa do Senhor

Davi continuou servindo a sua geração quando “o Senhor lhe tinha dado descanso de todos os seus inimigos em redor” (2 Sm 7:1). Naquele tempo, “estando o rei Davi em sua casa”, veio-lhe ao coração o pensamento de que não era adequado que a arca do Senhor morasse dentro de cortinas, enquanto ele morava em uma casa de cedro. Davi conhecia bem o valor da presença do Senhor e procurou assegurá-lo de uma maneira que parecia correta aos seus próprios olhos. Isso também pareceu bem ao julgamento de Natã, o profeta. Contudo, “quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-Lo?” (1 Co 2:16). Tanto o homem segundo o coração de Deus quanto o profeta inspirado são igualmente destituídos do verdadeiro conselho quando não estão andando por fé sob a imediata orientação do Espírito da verdade. O pensamento de Davi era um pensamento piedoso; era a expressão do desejo de descanso, sem conflito, na imediata presença de Deus. “Porquanto tiveste no teu coração o edificar uma casa ao Meu nome, bem fizeste, de ter isso no teu coração. Contudo, tu não edificarás a casa” (2 Cr 6:8-9). Zelo sem conhecimento e piedade sem real dependência de Deus são coisas igualmente perigosas para a obra de Deus. Deus em Sua graça Se agrada de prover “alguma coisa melhor a nosso respeito”. Não era papel de Davi edificar a casa que o seu filho edificou. Muitas almas são atraídas a Davi, enquanto poucas estão interessadas em Salomão. Davi, “em sua angústia”, encontra verdadeira empatia em nosso coração, mais do que “Salomão em toda a sua glória”. Vemos facilmente o que Davi teria perdido se tivesse agido em prol de outra geração, em vez de servir a Deus em sua própria.


Uma mensagem do Senhor

Natã é enviado a Davi com a mensagem do Senhor. A primeira grande verdade anunciada é que a vontade do santo não deve tomar a frente nas coisas de Deus; se isso fosse permitido, o resultado seria a “adoração da vontade”, um dos males mais terríveis na Igreja de Deus. Nossa parte é provar qual seja “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2). Já que Deus Se agrada de “andar em tenda e em tabernáculo”, não cabe a ninguém edificar uma casa para Ele. Salomão, segundo a promessa de Deus a Davi, seu pai, edificou uma casa para o Senhor; a casa encheu-se da glória do Senhor e foi chamada pelo Seu nome.


A próxima coisa anunciada por Natã foi o conselho determinado do Senhor, a Seu próprio tempo e maneira, para dar descanso ao Seu povo Israel de uma maneira muito além do desejo que tinham no coração.


O plano do Senhor

O Senhor pode passar sem nós, mas nós não podemos passar sem Ele. Se Ele se agrada de nos usar, é suficiente a honra de sermos servos de tal mestre, mas só servimos realmente a Ele quando fazemos o trabalho de nossa própria geração. No momento em que deixamos de servir por fé, consideramos a esfera do serviço como nossa, esquecendo que a lavoura e o edifício com que estamos ocupados não são nossos, mas d’Ele a quem servimos. Todo o pensamento do apreço de Davi torna-se pequeno comparado com a promessa do Senhor de fazer dele uma casa. O trabalho de Davi de fazer uma casa para o Senhor é agora substituído pelo pensamento mais feliz de Deus fazendo dele uma casa. Somos mais felizes e mais úteis servindo a nossa geração, e isso é feito dando ao Senhor o Seu devido lugar de preeminência. Quando Davi estava ocupado com o plano do Senhor, ele diz: “E isso ainda foi algo pequeno aos Teus olhos, Senhor Deus, mas Tu também falaste da casa de Teu servo para tempos distantes; é esta a maneira do homem, ó Senhor Deus?” (2 Sm 7:19 – KJV). A maneira do homem é se regozijar com a obra de suas mãos, buscando alcançar algo grande para fazer um nome para si. Mas o que Deus faz é para sempre. Davi serviu a sua geração e dormiu, mas a promessa de Deus a Davi, quando ele foi impedido em seu desejo de edificar uma casa para o Senhor, tornou-se o sustentáculo da fé ao longo de toda a triste história de Israel.


Sem se decepcionar

Mas quão diferentes são as últimas palavras de Davi! A lição que ele ensina não é apenas mais feliz, como também mais profunda: “Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo Ele fez comigo um concerto eterno, ordenado em todas as coisas e certo; pois esta é toda a minha salvação e todo o meu desejo, ainda que Ele não a faça crescer” (2 Sm 23:5 – KJV). Essas são palavras finais importantes, e assim sempre será a linha de pensamento daqueles que servem a sua própria geração. Não haverá regozijo em nenhum resultado do seu próprio serviço, pois o único resultado satisfatório será aquilo que o próprio Senhor fez. Nossas expectativas podem não se realizar, mas isso não gera decepção para aqueles cuja expectativa seja do Senhor. Se um resultado palpável presente é o objetivo que propomos a nós mesmos, certamente ficaremos desapontados. Mas se buscamos a honra de Cristo e não há nenhum resultado presente atendendo ao desejo de nosso coração, enquanto estamos profundamente humilhados diante do senso de nossa própria imperfeição, podemos nos consolar com a linguagem do único Servo perfeito: “Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças; todavia, o meu direito está perante o SENHOR, e o meu galardão, perante o meu Deus” (Is 49:4).


O Cristão servirá melhor a sua própria geração mantendo o seu próprio terreno e afirmando a bem-aventurança do conhecimento de Cristo justamente no momento em que o homem está engrandecendo a si mesmo. É bom, de fato, poder dizer de Cristo verdadeiramente que Ele é “toda a minha salvação”, e ainda mais abençoado acrescentar que Ele é “todo o meu desejo”, diante de tudo aparentando que Ele não está fazendo nossos desejos “crescerem”.


The Present Testimony (adaptado)


 

Os Reis de Judá e Israel


O título desta edição de “O Cristão” é “Passando a Tocha”, e talvez em nenhum lugar encontremos esse evento com mais frequência do que na sucessão de reis e rainhas. Os monarcas estão se tornando cada vez mais escassos no mundo do século XXI, mas por milhares de anos essa foi a forma aceita de governar uma nação ou um império. Normalmente, reis e rainhas seriam sucedidos por seus filhos, ou ocasionalmente por uma filha, e o que o monarca reinante passava para seu filho ou filha era muito importante.


Desde que os tempos dos gentios começaram com Nabucodonosor e o império babilônico em 606 a.C., Deus geralmente cumpriu os Seus propósitos permitindo que “o mais vil dos homens” governasse (Dn 4:17 – KJV). No entanto, podemos ser muito gratos que tenha havido exceções a essa forma e que, algumas vezes, bons governantes puderam ser de ajuda para aqueles que os sucederam.


Na história de Israel e Judá, vemos igualmente bons e maus governantes. Na história de Israel após a divisão da nação nos tempos de Roboão e Jeroboão, nunca houve um rei realmente piedoso, embora alguns tivessem certo grau de reverência a Jeová. Alguns, de fato, realizaram Sua vontade de forma limitada, mas nenhum realmente reverteu a séria idolatria que foi introduzida por Jeroboão.


Em Judá, houve uma variedade de bons reis, mas também alguns que eram decididamente maus. Vejamos alguns desses reis e que tipo de legado moral eles passaram para seus sucessores.


Os caminhos de Davi seu pai

Se começarmos com Davi, veremos que, em geral, ele passou uma boa tocha. É verdade que ele falhou seriamente em sua vida, mas, ao contrário de alguns de seus descendentes, ele sempre se arrependeu e voltou para o Senhor. Uma pessoa reta não é aquela que nunca falha, mas sim aquela que não finge ser o que não é. Como resultado, descobrimos que no caso de Josias, que ascendeu ao trono de Judá centenas de anos depois, foi dito a seu respeito: “E fez o que era reto aos olhos do SENHOR e andou nos caminhos de Davi, seu pai” (2 Cr 34:2). Aquela boa tocha que Davi passou ainda estava queimando quase 400 anos após Davi tê-la passado.


Um dos notáveis descendentes de Davi foi um rei piedoso chamado Josafá, que começou a reinar cerca de 100 anos depois da morte de Davi. Josafá nunca conhecera Davi, mas ele tinha um pai piedoso, Asa, que, sem dúvida, o havia criado nos caminhos do Senhor. Josafá realmente amava o Senhor e foi muito abençoado por causa disso, mas ele teve uma falha gritante que coloriu seu legado de uma forma errada.


Ele desejava muito estar em boas relações com as dez tribos, mesmo que Acabe, o rei delas, fosse um homem ímpio. Ele foi à guerra aliado a Acabe e, embora o Senhor graciosamente o tenha preservado, essa aliança com um rei ímpio resultou no casamento de seu filho, Jorão, com a filha de Acabe. Quando Josafá morreu, Jorão tornou-se rei, abandonou o caminho do Senhor e abraçou a idolatria. No fim, o Senhor o feriu com uma doença terrível, e ele morreu quando tinha apenas 40 anos. Esta nociva falha de Josafá teve outros resultados, pois o filho de Jorão, Acazias, também pereceu nas mãos de Jeú, que o Senhor levantou para destruir a casa de Acabe. Assim como uma boa tocha pode ter consequências de longo alcance para bênção, do mesmo modo uma tocha ruim pode ter efeitos de longo prazo para o mal.


Ele passou uma tocha ruim

Chegamos agora a um rei de Judá extremamente ímpio chamado Manassés. Ele era filho de outro rei piedoso, Ezequias, mas não conseguiu pegar a boa tocha que lhe foi deixada por seu pai. O longo reinado de 55 anos de Manassés foi caracterizado por um retorno à idolatria e mal de todo tipo. Ele, evidentemente, reverteu todo o bem que seu pai havia feito, e a Escritura registra que ele “fez errar a Judá [...] de maneira que fizeram pior do que as nações que o SENHOR tinha destruído de diante dos filhos de Israel” (2 Cr 33:9 – ARA). Mais tarde em sua vida, Manassés se arrependeu e se voltou para o Senhor, mas o estrago já estava feito. Ele passou uma tocha ruim para seu filho Amom, acerca de quem está registrado que “andou em todo o caminho em que andara seu pai; e serviu os ídolos, a que seu pai tinha servido” (2 Rs 21:21).


Ele reverteu os ornamentos do mal

Mas Deus estava com Seus olhos sobre a casa de Davi e, como já observamos, Ele poderia levantar um rei piedoso, mesmo que esse mesmo rei possuísse antecedentes maus. Josias tornou-se rei quando tinha apenas oito anos de idade e teve Amom por pai e Manassés por avô. No entanto, está registrado que ele “fez o que era reto aos olhos do Senhor” (2 Rs 22:2). Seu reinado se destacou pela fidelidade ao Senhor e por um desejo de seguir a lei do Senhor perfeitamente. Como tal, ele é uma das luzes mais brilhantes da história dos reis de Judá. Ele reverteu todos os ornamentos da idolatria que foram construídos ao longo de muitos anos, purificou a casa do Senhor e removeu os ídolos dos altos que datavam do tempo de Salomão. Ele celebrou uma maravilhosa Páscoa, tal como não se via desde os dias de Samuel.


Josias não recebeu uma boa tocha, mas, em vez de levar uma ruim, ele seguiu o Senhor e deixou uma boa tocha para os seus próprios descendentes. Infelizmente, eles não a levaram como deveriam, e assim sua posteridade não seguiu o Senhor. Foi sob o governo deles que Judá foi levado para o cativeiro.


Por fim, veremos dois dos reis de Israel, não como o reino era antes de ser dividido, mas como as dez tribos. As dez tribos são usadas frequentemente para se referir a Israel na história após a divisão da nação.


O rei que fez Israel pecar

O primeiro rei das dez tribos após a divisão foi Jeroboão. O Senhor lhe havia prometido o reino alguns anos antes da morte de Salomão. Ele recebeu uma estrita promessa do Senhor, através do profeta Aías, de que seu reino e dinastia seriam firmemente estabelecidos se ele seguisse o Senhor e andasse nos caminhos de Davi. Mas quando Jeroboão se tornou rei, ele raciocinou que se o povo subisse a Jerusalém para adorar, eles provavelmente iriam querer estar de novo sob o governo de Roboão, visto que Jerusalém permanecia sob o controle de Roboão. Jeroboão não confiou na palavra do Senhor, que disse que edificaria a ele “uma casa firme” se ele Lhe fosse fiel. Ele então fez dois bezerros de ouro e erigiu falsos altares e uma falsa adoração em Israel, em Dã e Betel.


Deus nunca esqueceu esse notório afastamento da lei de Moisés e a afronta ao próprio Deus, com a introdução das próprias ideias e métodos de Jeroboão na adoração a Deus. Ao se referir a muitos outros reis de Israel que seguiram Jeroboão, o Espírito de Deus fala constantemente deles como seguindo “Jeroboão, filho de Nebate, que fez Israel pecar”. Esta frase é repetida, com pequenas variações, 20 vezes na história dos reis subsequentes de Israel. Nenhum deles jamais reverteu de fato essa idolatria ou se livrou dos dois bezerros de ouro que Jeroboão fez. A tocha de Jeroboão era ruim, e ele nunca se arrependeu disso. Ela exerceu uma influência maligna por centenas de anos.


O rei que exterminou Acabe

O último rei sobre o qual falaremos é Jeú. À primeira vista, parece que ele era um homem piedoso. Ele foi ungido rei por Eliseu, que agiu conforme a palavra do Senhor e deu a ele um encargo de lidar com a ímpia casa de Acabe. Jeú era um homem de ação e foi implacável ao se livrar da família de Acabe, incluindo Acazias, rei de Judá, cuja mãe era filha de Acabe. Ele exterminou todos os que tinham parentesco com Acabe, e o Senhor o honrou por isso.


Jeú também lidou com os adoradores do ídolo Baal de forma decisiva convocando-os, porém dizendo-lhes, como uma artimanha, que seria uma reunião religiosa para Baal. Então ele matou todos os que se juntaram e destruiu a casa de Baal. A Escritura registra que Jeú “destruiu a Baal de Israel” (2 Rs 10:28).


No entanto, lemos que depois de tudo isso “Jeú não teve cuidado de andar com todo o seu coração na lei do SENHOR, Deus de Israel, nem se apartou dos pecados de Jeroboão, que fez pecar a Israel” (2 Reis 10:31). Jeú nunca eliminou os bezerros de ouro, nem restaurou a adoração a Deus segundo a lei de Moisés. As pessoas continuaram a adorar em Dã e Betel em vez de subirem a Jerusalém, praticando assim uma religião corrompida.


Por causa do zelo de Jeú por Jeová, o Senhor prometeu que os filhos dele se assentariam no trono de Israel por quatro gerações. Assim aconteceu, pois está registrado sobre seus filhos, um por um, que eles “fizeram o que era mau aos olhos do Senhor”. Jeú tinha zelo pelo Senhor, mas sua energia não se equiparava a um coração para o Senhor, e em sua vida faltava aquela verdadeira piedade que teria agradado ao Senhor.


Esses poucos exemplos nos mostram as consequências sérias e a longo prazo do tipo de tocha que passamos, de como ela é passada e de como é recebida por aqueles a quem a entregamos. Vemos também que não precisamos ser vítimas de uma tocha ruim, pois a história de Josias nos mostra como um homem muito jovem escolheu seguir o Senhor em vez de levar a tocha ruim de seu pai e de seu avô.


W. J. Prost


 

Por Este Menino Orava Eu


Muitas mães oraram por um filho com palavras semelhantes, mas bem menos deram seus filhos de volta para o Senhor com estas palavras. A realidade e propósito de coração dessa querida mulher, Ana, é admirável. Ela entendeu e queria cumprir seu papel de mãe, mas o Senhor havia fechado o seu ventre. As dificuldades e os exercícios que Ana passou para obter um filho podem seguramente encorajar cada mãe. Ela lidou com a rivalidade da outra esposa, Penina, e com a angústia que isso produzia em sua própria alma, e, embora seu marido a amasse, ele não entendia a necessidade dela; depois, Eli, o sacerdote, foi duro com ela. Nenhuma dessas adversidades a impediu de persistir. Ela foi ao Senhor em oração. Seu pedido foi atendido quando ela abdicou de ter um filho para satisfazer seus próprios desejos e prometeu dedicá-lo ao Senhor. Vemos mais tarde como o Senhor precisava daquela criança para testemunhar e substituir os falhos sacerdotes da família de Eli.


O marido, a outra esposa e o sacerdote

A família de Elcana era uma família piedosa que subia a Siló todos os anos. Mas o desejo de Ana por um filho era tão intenso que ela não conseguia estar feliz. Esse desejo de ter filhos era legítimo. A quem ela poderia recorrer com esse problema? Elcana, o marido, tinha filhos com sua outra esposa. Não nos é dito como ele veio a ter duas mulheres, mas seu comentário sobre ele ser melhor para ela do que dez filhos foi extremamente egocêntrico. Tampouco ele estava agindo como “coerdeiros da graça da vida” com Ana. Sim, ele a amava e deu a ela uma porção digna, mas ele não conseguia entendê-la ou ajudá-la com a dor de alma que ela sentia.


Para piorar as coisas, Penina, a outra esposa que tinha filhos, a provocava e tornava a vida miserável. Essa provocação fazia com que fosse difícil para Ana subir à casa do Senhor, pois ela não tinha filhos pelos quais agradecer ao Senhor como Penina. O melhor que Ana podia fazer nessa situação era orar ao Senhor somente.


É triste ver Eli, o sacerdote, sentado em uma cadeira junto ao templo. Ele deveria estar de pé e ministrando às necessidades do povo em vez de estar se esbaldando. Ele não teve um bom discernimento a respeito de Ana, e sua família era uma desonra para o Senhor. Todo o Israel podia ver essas falhas, mas nenhuma dessas circunstâncias impediu Ana de ir à casa do Senhor para orar. O Senhor ainda estava lá, e Ele podia responder orações. Quando Eli descobriu que ela era uma alma piedosa orando ao Senhor, ele prometeu a ela que o Senhor lhe daria a petição que ela havia feito. Ela creu na palavra e já não mais era triste. Sua humilde resposta é bela: “Ache tua serva graça em teus olhos”. Ela tratou a resposta como um ato da graça de Deus. “Bom é que o coração se fortifique com graça.” Este é um terreno de bênção garantido. Nós, com frequência, tratamos as respostas às nossas orações como algo merecido.


Consagração

O nome Ana significa “graça”. Ela fez jus ao seu nome. Quando o Senhor lhe deu um filho, ela não reivindicou o filho como seu, mas o consagrou ao Senhor. Isso não foi algum tipo de barganha com o Senhor por causa do que Ele faria ou havia feito, mas um ato voluntário de dedicá-lo ao Senhor para o Seu serviço. Aqueles de nós que são pais podem muito bem considerar esse exemplo no que diz respeito aos nossos filhos. Nós os criamos conforme nossos próprios desejos, ou para o Senhor?


Depois que Samuel foi desmamado, chegou o dia de apresentá-lo ao Senhor. Lemos, “E, havendo-o desmamado, o levou consigo, com três bezerros e um efa de farinha e um odre de vinho, e o trouxe à Casa do SENHOR, a Siló. E era o menino ainda muito criança. E degolaram um bezerro e assim trouxeram o menino a Eli” (vs. 24-25). Esses sacrifícios que acompanharam a apresentação da criança ao sacerdote têm uma lição para nós. Eles mostram que a propiciação que Cristo fez para Deus é o meio pelo qual a criança podia ser, de modo aceitável, apresentada a Deus. Os sacrifícios apresentados com o menino tornaram a criança digna de ser apresentada ao Senhor. Esta é a única base correta sobre a qual os pais podem dedicar seus filhos a Deus. Podemos pensar que o ato de consagrar nossos filhos ao Senhor seja, por si só, digno o suficiente para que sejam aceitos. E quanto mais um pai (ou mãe) piedoso investe em instruir e guiar seus filhos sem uma percepção consciente da obra de Cristo por eles e neles, mais o pai (ou mãe) será enlaçado por considerar seus filhos como aceitáveis a Deus à parte de Sua graça. Precisamos ver que tudo é por graça. Os sacrifícios que Elcana e Ana ofereceram ao dedicar a criança ao Senhor provam que eles, como pais, se apegaram ao princípio da graça.


Deixe-me repetir essas coisas de um outro ponto de vista. Quando nós, com tristeza, como pais, vemos que nossos filhos não seguem adiante no Senhor, não culpemos o Senhor por isso. Em essência, isso seria tratar tudo o que fizemos como algo que deveria ter sido aceitável a Deus. É cair da graça como a base de todas as bênçãos. Sim, somos responsáveis por fazer todo o possível para criar nossos filhos para o Senhor, mas mesmo o melhor que podemos fazer, ao consagrar nossos filhos ao Senhor, não é suficiente para torná-los aceitáveis a Deus. Perceber essas coisas nos manterá humildes e, ao mesmo tempo, nos tornará diligentes quanto à nossa família.


Humildade

Existe uma diferença entre humildade e autocondenação. Quando fracassamos com nossos filhos, devemos examinar nossos caminhos e reconhecer nossas falhas diante do Senhor. Mas arrependimento é mais do que admitir que falhamos em certas áreas, é reconhecer que tudo o que diz respeito a nós na carne é ruim. Condenar a nós mesmos pelo que fizemos é permanecer focado no objeto errado. Porventura acreditamos que, tendo uma segunda chance, faremos melhor? Vamos, antes, recorrer à graça de Deus para fazer o que não podemos fazer e, com humildade, aceitar as consequências de nossos fracassos, contando com Deus para trazer bênção.


Há também o lado soberano de Deus na questão a ser considerado. Ele tem um plano soberano de bênção para todos aqueles que Ele chamou, e nada impedirá Sua bênção. Ele é capaz até de tornar o mal em bem. O rei Davi falou disso quando percebeu que não havia mantido sua casa de maneira justa e ordenada. Ele disse, “Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo um concerto eterno, ordenado em todas as coisas e certo. Pois essa é toda a minha salvação e todo o meu desejo, ainda que Ele não a faça crescer” (2 Sm 23:5 – KJV). Davi reconheceu o seu fracasso, mas, assim como Ana, ele se apoiou, com fé, nas promessas de Deus de abençoar sua casa; ao mesmo tempo, foi submisso ao esperar até que fosse o tempo de Deus de fazê-la crescer. Que o Senhor nos dê essa paciência de fé n’Ele.


Adoração e louvor

Ana prosseguiu, dizendo: “Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor; eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, para orar ao SENHOR. Por este menino orava eu, e o SENHOR me concedeu a minha petição que eu Lhe tinha pedido. Pelo que também ao SENHOR eu o entreguei, por todos os dias que viver; pois ao SENHOR foi pedido. E ele adorou ali ao SENHOR” (1 Sm 1:26-28). O verdadeiro coração de mãe se satisfaz quando adoração ao Senhor é apresentada por seu filho, e ela é mantida em segundo plano. A adoração e o serviço de seu filho ao Senhor são o produto de anos de trabalho cuidando da criança para o Senhor.


É bonito ver que, após entregar seu filho para servir ao Senhor, Ana não retorna para a sua antiga tristeza. Quando ela entrega seu filho ao Senhor, Ele enche o coração dela de comunhão com Ele. Ela ainda tinha tudo pelo que havia trabalhado. Seu coração não estava centrado apenas no filho, mas no Senhor com seu filho. Seu coração se encheu de louvor ao Senhor, e ela o proclamou. Sua oração que vem em seguida é realmente uma canção de louvor. Assim é, quando as mães chegam ao topo de apresentar seus filhos ao Senhor como filhos espirituais para Ele, como neste instrutivo exemplo de Ana.


D. C. Buchanan


 

A Capa que Elias Passou para Eliseu


1 Reis 19

Tendo o poderoso testemunho de Elias acerca da lei falhado em trazer Israel de volta ao Senhor, ele voltou para Horebe e ouviu a voz mansa e delicada, “Que fazes aqui, Elias?”. Embora ele aparentasse ter percebido que seu ministério havia falhado, o testemunho de Deus a Israel não havia terminado. Três outros eram necessários para completar o testemunho de Deus a Israel – Hazael, Jeú e Eliseu. Dos três, Eliseu foi o único ungido por Elias. Ele devia seguir Elias com um ministério diferente para Israel. Os outros dois seriam usados para trazer juízo sobre Israel por sua impiedade. Vemos nisso como Deus passa a tocha de um para outro. No caso diante de nós, vemos como que, depois que a lei falhou, Deus trouxe bênção imerecida a Israel antes dos juízos que se seguiriam. Por isso é que Eliseu tem que cumprir seu ministério da graça antes de Jeú matar a casa de Acabe e Hazael destruir muitos em Israel. O caso desses dois últimos ocorreu depois que Eliseu terminou seu ministério.


O ministério da graça

Os ministros da graça de Deus na presente dispensação da graça podem tirar proveito observando como Elias transferiu a capa para Eliseu. A transferência começou com a palavra do Senhor a Elias. “E o SENHOR lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco, vem e unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar” (1 Rs 19:15-16). Vemos nisso como Deus levanta diferentes pessoas para fazer Sua obra. Ele pode, depois, colocá-las de lado. Nenhum de nós tem todos os dons ou é suficiente para fazer toda a obra do Senhor.


Quanto ao caso que estamos considerando, parece que o Senhor assumiu a reação de Elias, ao ser rejeitado, como a indicação de que o ministério dele havia terminado. Elias, então, após ouvir o que cada um dos três faria com Israel, escolheu ungir Eliseu primeiro. De Horebe, ele foi para Abel-Meolá (filho da dança), onde Eliseu estava lavrando. Sem dizer uma palavra, ele lançou sua capa sobre Eliseu, que entendeu aquilo como um chamado do Senhor para seguir. A ação de Elias não foi mais do que uma indicação externa do que Eliseu deveria fazer. O verdadeiro chamado deve vir do Senhor para o coração daquele que foi chamado. Eliseu respondeu de uma maneira que mostrou o exercício que ele tinha diante do Senhor. Este não foi um caso de ordenação humana ou uma simples sucessão de profetas. Em Lucas 9:62, o Senhor Jesus recita isso como um exemplo do verdadeiro discipulado. Eliseu voltou para se despedir de sua família, sacrificou tudo para servir ao Senhor e então seguiu Elias. Sem dúvida, havia coisas a serem aprendidas com Elias antes de começar seu próprio ministério. Elias não pediu a ele que fizesse isso; era a obra de Deus em sua alma. É bom quando os mais velhos incentivam os mais jovens no serviço destes para o Senhor, mas os mais velhos devem ter cuidado para não dominarem de uma maneira que tire o exercício individual por parte dos mais jovens. Devemos seguir a fé daqueles que nos precedem (Hb 13:7).


Eles deixaram Gilgal, um lugar homônimo da aliança da circuncisão

Até o momento em que Elias é levado ao céu, pouco é revelado sobre o período de discipulado de Eliseu com Elias, exceto que ele derramou água nas mãos de Elias (2 Rs 3:11). É bom aprender nas coisas simples como servir e esperar no Senhor. O percurso dos dois, de Gilgal ao deserto, nos ensina princípios importantes sobre a transição de um tipo de ministério para o outro. Sem esse processo de aprendizado da lei e as razões para o término da administração da lei, uma correta apreciação da verdadeira graça de Deus não pode ser entendida.


Em 2 Reis 2 temos descrita a jornada dos dois profetas. Ela começou na cidade que recebeu o nome do lugar onde os filhos de Israel foram circuncidados pela primeira vez, quando entraram na terra. Mas que benefício há em tal costume uma vez que eles eram idólatras? Deus não permitiria que O deturpassem dessa maneira. Os dois saem juntos do lugar. Elias havia desistido de seu ministério para com Israel e os estava deixando. É um teste para ver se Eliseu seguiria com ele. É necessário devoção ao Senhor para seguir esse caminho. O povo de Israel se apega à sua aliança, mesmo não a guardando.


Eles deixaram Betel, como a representante da casa de Deus

Quando chegaram a Betel, “a casa de Deus”, os filhos dos profetas possuíam um certo conhecimento do que estava acontecendo, mas não estavam dispostos a deixar seu lugar de identificação com “a casa de Deus”. Eles ficaram em Betel. O que é tal casa se o Espírito de Deus não está presente? Mais tarde, na época do Novo Testamento, o Senhor disse aos judeus, “Eis que a vossa casa vos ficará deserta” (Mt 23:38).


Eles deixaram Jericó, uma cidade ainda sob maldição

Depois, os dois profetas foram a Jericó, onde havia mais “filhos dos profetas”; estes também sabiam que o Senhor estava para tomar Elias. Eles pareciam ansiosos para informar isso a Eliseu, mas ele não aceitou a informação oferecida; ele andou por sua própria fé no Senhor. É triste quando há aqueles que sabem dos eventos proféticos, mas não estão dispostos a seguir um caminho consistente com essas profecias. Só Eliseu foi fiel em seguir Elias.


Jericó foi destruída quando Israel entrou na terra e havia sido colocada debaixo de uma maldição. Ela não deveria ser reconstruída; no entanto, eles a reconstruíram. Ela é uma figura do mundo sob maldição, o qual hoje os homens ainda tentam transformar em um bom lugar para se viver. Israel fez isso; e a Igreja também. O ministro da lei não mostrou interesse em consertar Jericó, e Eliseu mais uma vez jurou: “Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei” (ACF). Ele tinha em sua alma a consciência de que estava seguindo o Senhor vivo e Seu servo Elias.


Eles atravessaram o rio Jordão, o lugar de morte para a carne

Cinquenta filhos dos profetas pararam ao longe e viram Elias ferir o rio Jordão, dividir as águas e atravessar para o outro lado, mas somente Eliseu viu o que aconteceu depois disso. Essa ação miraculosa confirmou que Israel já não mais tinha as reivindicações de bênção dadas no tempo de Josué, quando as águas do Jordão se separaram para permitir que eles entrassem na terra. Elias, o servo do Senhor, saiu, deixando-os para trás. O rejeitado ministro estava sendo chamado ao céu. Ele é uma figura do Senhor Jesus, o Homem que ascendeu ao céu, por meio do qual Deus poderia enviar uma mensagem melhor de justiça através da graça. Um novo terreno de bênção estava prestes a se desenvolver.


Eliseu solicita uma porção dobrada, uma nova oportunidade para Israel

“Sucedeu, pois, que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” (2 Reis 2:9). Uma oferta incondicional foi feita. Ela não foi restringida pelas exigências da lei. Elias havia terminado a administração da lei como o meio de justiça. Eliseu, também, deixaria a lei para trás. Agora, com ousadia de fé, ele reivindica a generosidade da soberana graça. Tal coisa não poderia acontecer até que eles tivessem atravessado o Jordão. Não se pode misturar lei e graça.


Eliseu testemunha Elias sendo levado para o céu, uma nova base de bênção é estabelecida

Elias respondeu: “Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará. E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros! E nunca mais o viu” (2 Rs 2:10-12 – ACF). Tal saída de espírito assim tão livre parecia uma coisa difícil para o administrador da lei. O céu ainda não lhe havia revelado a sua provisão. A ascensão de um homem à glória muda a perspectiva. Quando Aquele que guardou perfeitamente a lei está no céu, a perspectiva muda. Temos o Senhor Jesus Cristo, um homem em glória, para interceder por nós. Não há impedimento para a bênção para aquilo que é de acordo com Ele.


Eliseu toma a capa e começa a abençoar Israel

Então Eliseu, “pegando as suas vestes, rasgou-as em duas partes. Também levantou a capa de Elias, que dele caíra; e, voltando-se, parou à margem do Jordão. E tomou a capa de Elias, que dele caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o SENHOR Deus de Elias? Quando feriu as águas, elas se dividiram de um ao outro lado; e Eliseu passou” (2 Rs 2:12-14 – ACF). A primeira reação de Eliseu é rasgar as próprias vestes, um reconhecimento de sua própria indignidade. Achar-se digno só impede o ministério da graça; quanto mais reconhecermos nossa verdadeira condição, mais livremente o ministério da graça fluirá.


O ato de ferir as águas do Jordão com a capa de Elias foi feito com fé. As palavras “Onde está o Senhor Deus de Elias?” podem parecer ter outro sentido, mas eu as entendo como Eliseu dizendo: “Todos esses anos Deus tem sido limitado em abençoar Israel, por causa da falha do povo em guardar os mandamentos; agora é hora de Deus mostrar Seu poder e bênção segundo o Seu desejo”. Esta é a verdadeira graça de Deus. Que possamos, cada um de nós, tomar posse disso e carregar essa capa conosco em submissão e obediência à graciosa vontade de Deus de abençoar, por causa de Jesus Cristo.


D. C. Buchanan


 

O Ferro do Machado Perdido


“E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar, para habitar ali. E disse ele: Ide. E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. E sucedeu que, derrubando um deles uma viga, o ferro caiu na água; e clamou e disse: Ai! Meu senhor! Porque era emprestado. E disse o homem de Deus: Onde caiu? E, mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez nadar o ferro. E disse: Levanta-o. Então ele estendeu a sua mão e o tomou.” (2 Rs 6:1-7)


Nos capítulos anteriores do livro, alguns desses mais jovens não estavam em um bom estado de alma, e não entenderam a mente do Senhor. Mas parece que eles agora estavam crescendo em sua alma. Eles disseram: “Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face é estreito demais para nós” (AIBB). Parece haver um desejo de se desenvolver, e eles consultam alguém mais velho.


Desejando a comunhão do homem mais velho

Então esses mais jovens disseram: “Vamos, pois, até ao Jordão”. O Jordão fala de nossa morte com Cristo; isso era certamente um progresso na alma deles. Mas perceba, eles se consultaram com ele. E disseram a Eliseu, “Vamos, pois, até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar, para habitar ali. E disse ele: Ide”. Que feliz aprovação! Há muito que se observou que os mais jovens que agem em independência, sem buscar a comunhão de seus irmãos, geralmente acabam em desastre. “E disse um: Serve-te de ires com os teus servos.” Eles amorosamente disseram: “Não iremos sem você, Eliseu”. Este é o caminho para a sabedoria e bênção. Ele respondeu: “Eu irei”.


“E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira.” Madeira na Escritura geralmente fala de humanidade, mas isso se aplica principalmente a Cristo. Ele, o eterno Filho de Deus, tornou-se um Homem. Que todos tenhamos o desejo de estar edificando o testemunho da Sua graça, para o bendito nome do Senhor Jesus Cristo.


Um teste

“Mas sucedeu que, ao derrubar um deles uma viga, o ferro do machado caiu na água.” (AIBB) Consideremos o ferro do machado como uma figura da verdade. Ele perde o ferro do machado na água. Ele pensa imediatamente no “homem de Deus” e confessa que era emprestado. A verdade não é nossa; ela nos é confiada como algo sob nossa custódia; podemos perdê-la. Que possamos valorizá-la bem como Aquele de quem ela fala! O “homem de Deus” pergunta: “Onde caiu?” Onde você o perdeu? Isso é muito importante. Se perdermos a verdade, não é apenas a perda imediata dela que precisamos temer, mas é onde o desvio começou. Nós não perdemos a verdade sem passar por muitos “sinais vermelhos”. Ele teve que voltar ao lugar do desvio. Quando negligenciamos isso, estamos a caminho de perder o discernimento e a própria verdade. “E ele lhe mostrou o lugar” (AIBB).


A sombra da cruz de Cristo

“E ele cortou um pau.” Que tocante! Precisamos voltar para a cruz – o princípio da nossa bênção e também onde encontramos a nossa restauração. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1:9). “E fez nadar o ferro.” Milagre! Oh, prove o Senhor, e descubra que Ele é fiel à Sua Palavra. Mas o ferro do machado não se prendeu ao cabo. “E [Eliseu] disse: Levanta-o. E ele estendeu a sua mão e o tomou”. Ele teve que se abaixar e se apoiar sobre as mãos e joelhos, e estender a mão para pegar o ferro do machado, e colocá-lo de volta no cabo. A verdade lhe foi restaurada, mas ele teve que tomar um lugar de humilhação.


Ferros de machado no Novo Testamento

Paulo, o mais velho, diz a Timóteo, o mais jovem: “Procura [diligentemente – JND] apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem [ou cortando em linha reta – JND] a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). Timóteo deveria ser um obreiro, cortando em linha reta com seu machado. “A Palavra da Verdade” deveria ser cuidadosamente manejada; ele não deveria perder o seu “ferro do machado”.


Outro ferro do machado

“Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade [amor], no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Tm 4:12-16)


“Ninguém despreze a tua mocidade.” Não é que Paulo estivesse dizendo a Timóteo: “Não deixe que abusem de você por você ser um irmão mais novo”; antes, Paulo estava dizendo a ele: “Consistência, Timóteo, consistência. Se você estiver vivendo em sua vida a verdade que está ensinando, eles não o desprezarão.” Consistência em nossa vida é muito importante! Todos nós temos uma tendência a deixar de “cortar em linha reta”. Pais e mães também precisam disso. Não há poder moral, pais e mães, se houver inconsistência em sua vida. É a aplicação desse “ferro do machado” consistentemente que trará honra ao Senhor Jesus Cristo em nossa vida.


Usar com cuidado o “ferro do machado” traz recompensa

Então Paulo diz (versículo 14): “Não desprezes o dom que há em ti [não sejas negligente – JND]. Cada um de nós recebeu um dom. Assuma as responsabilidades; se o Senhor nos deixar aqui por muito mais tempo, nós, os mais velhos, iremos embora. “Medita [ocupa-te com – JND] estas coisas.” “Estas coisas” refere-se à verdade celestial; não aos problemas desta vida. Certamente estamos cercados de problemas, mas a resposta é Cristo. Ele é a resposta para todos os problemas! “Dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja a todos manifesto” (AAIB). Como é encorajador ver os mais jovens crescendo em sua alma e assumindo a responsabilidade!


Mães: mantenham os olhos no ferro do machado

Vocês, mães, não desistam! Sejam exemplos e encorajamento para seus filhos e filhas, pequenos e grandes. Continuem! Lembrem-se da mãe de Timóteo e da avó dele.


Paulo diz: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina [ou ensino – JND]; persevera nestas coisas”. Ele advertiu em Atos 20 sobre os perigos de fora, mas também advertiu sobre os perigos de dentro.


Mais um ferro do machado

“Tu, porém, permanece nas coisas que aprendeste e de que foste inteirado [ou plenamente persuadido – JND], sabendo de quem o tens aprendido” (2 Tm 3:14). Não aprendemos a verdade com aqueles que não andam nela. Se estivermos extraindo a verdade daqueles que a compraram, e pagaram por ela em fidelidade à Palavra de Deus, e nos deixaram seus escritos, que são corroborados pelas Escrituras, então seremos estabelecidos na verdade. Defenda a verdade e você experimentará o cuidado preservador do Senhor; saberá o que é a alegria de viver num dia escuro para a glória do Senhor.


Segure o cabo do machado levemente

As palavras finais de Paulo a seu amado Timóteo são: “O Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito. A graça seja convosco. Amém” (2 Tm 4:22). O dia da fé terminará em breve – todas as provações e tristezas e os desejos da vida desaparecerão para sempre! O Senhor Jesus virá em breve!


Norman Berry (adaptado)


 

Passando a Tocha Hoje


Em outro artigo desta edição de “O Cristão”, falamos a respeito de “passar a tocha” e de como isso era feito no princípio da Igreja. Alguns podem estar se perguntando se o mesmo acontece hoje e se devemos nos preocupar com aqueles que podem continuar depois que os mais velhos forem levados para casa para estar com o Senhor. Permita-me expressar alguns comentários pessoais.


Há mais de 65 anos, lembro-me de estar numa conferência bíblica e ouvindo os comentários em uma reunião de leitura. Um dos irmãos mais velhos comentou que estivera falando com vários dos presentes que estavam em tempo integral na obra do Senhor, e descobriu que quase todos tinham mais de 65 anos de idade. Ele, então, levantou a questão quanto a se haveria jovens que teriam o desejo e a energia para continuarem na verdade, se o Senhor nos deixasse aqui e os mais velhos fossem levados para casa. Mesmo sendo eu ainda menino, o comentário dele alcançou meu coração, e eu senti o impacto do que ele disse.


Guarda o que tens

Alguns anos depois, a mensagem endereçada à assembleia de Filadélfia em Apocalipse 3 estava sendo abordada em uma conferência, e um irmão deu ênfase ao versículo 11: “Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Mais uma vez, esse comentário deixou uma impressão em mim, e provavelmente em outros também.


Mais tarde ainda, um querido irmão, agora já há muito com o Senhor, deu uma palavra para nós jovens que (descobri anos depois) afetou vários de nós, embora na época eu a tenha aplicado somente a mim. Ele falou sobre a pergunta que o Senhor fez a Pedro em João 21: “Amas-Me mais do que estes?” (v. 15). Mais uma vez, os comentários do irmão alcançaram nosso coração e nos despertaram quanto a se amávamos o Senhor o suficiente para desistir de algo nesta vida, e sair e servi-Lo. Não que olhemos para nosso amor pelo Senhor como sendo o fator motivador necessário; antes, confiamos que “o amor de Cristo nos constrange” (2 Co 5:14). Quanto mais vivemos no gozo do Seu amor, mais nosso amor fluirá de volta para Ele.


“Eu sei que sou salvo”

Alguns podem questionar por que é importante “passar a tocha” e continuar na verdade que desfrutamos. Lembro-me de um jovem Cristão que eu conhecia bem, mais ou menos da minha idade, que havia crescido em um lar piedoso. Ele expressou seus sentimentos sobre tudo isso em linguagem um tanto forte. Ele disse: “Eu sei que sou salvo e que vou para o céu. Isso é tudo o que eu preciso: Não estou interessado em mais nada”. Essa atitude não é nova, pois é essencialmente o que aconteceu enquanto o apóstolo Paulo ainda estava vivo. Ele disse em 2 Timóteo 1:15: “Os que estão na Ásia, todos se apartaram de mim”. Eles não tinham se afastado do Cristianismo, mas sim da vocação celestial que Paulo havia pregado. Paulo tinha sido o “porta-estandarte” do Cristianismo, para indicar o caminho que deveria caracterizar um crente nesta dispensação. Como parte da Igreja, o crente hoje tem um chamado e esperança celestiais, mas é enviado de volta ao mundo para ser uma testemunha disso. O mundo aceitará de bom grado um Cristão que exiba moral e virtudes Cristãs, mas não gosta de alguém que se separa dele por causa de sua vocação celestial.


Infelizmente, há alguns Cristãos hoje que exemplificam a atitude daquele jovem a quem me referi. Eles se contentam simplesmente em ter o seu “bilhete para o céu”, porém vivem para este mundo até serem chamados para casa. Alguns podem perguntar: “Por que é importante andar em toda a verdade que nos foi dada?”


Todo o conselho de Deus

Eu sugeriria que há pelo menos duas razões pelas quais devemos acolher e apreciar “todo o conselho de Deus”. Primeiro de tudo, há a questão da responsabilidade. Em qualquer momento da história deste mundo, Deus teve aqueles que eram Seus neste mundo que O honraram e procuraram agradá-Lo. Deus podia dizer a Abraão: “Anda em Minha presença, e sê perfeito” (Gn 17:1). Isso não significa que ele nunca pecou, mas, sim, que ele era maduro em seu entendimento acerca do que Deus estava fazendo durante aquela dispensação e qual deveria ser a resposta adequada dele. Abraão não sabia o que você e eu sabemos hoje, mas ele era fiel, e dele o Senhor pôde dizer: “Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do SENHOR” (Gn 18:19). Abraão assim fez e passou “uma boa tocha” para sua família. Eles nem sempre andaram no “bom” dela, mas o exemplo que ele deu de fé e obediência teve consequências de longo alcance em bênção.


Do mesmo modo, você e eu somos responsáveis hoje. Há quase 200 anos, o Senhor levantou aqueles que resgataram para nós a preciosa verdade da assembleia. Muitos a desfrutaram, mas muitos posteriormente a abandonaram, porque a acharam um caminho difícil. Mas isso nos leva à nossa segunda razão para “passar a tocha” e segurar essa tocha bem alto, por assim dizer. Isso nos traz de volta ao que já citamos de 2 Coríntios 5:14: “O amor de Cristo nos constrange”.


O amor de Cristo nos constrange

A verdade é algo maravilhoso, e especialmente aquela que está ligada a um Cristo ressuscitado em glória. O Senhor Jesus pôde dizer: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). A preciosa verdade de Deus realmente nos liberta de todos os pensamentos e propósitos do homem e nos capacita a andar com Deus conforme os Seus propósitos e conselhos. Mas a verdade por si só não nos manterá; nossas afeições devem estar envolvidas. É por isso que o Senhor Jesus disse a Seus discípulos, enquanto iam da cidade de Jerusalém para o Monte das Oliveiras: “Como o Pai Me amou, também Eu vos amei a vós; permanecei no Meu amor” (Jo 15:9). O gozo do amor de Cristo em nosso coração fará com que nosso próprio coração transborde de amor a Ele, e então qualquer coisa que tenha a ver com nosso bendito Salvador será de suprema importância para nós.


Em um contexto espiritual, “passar a tocha” não é apenas a manutenção de um acervo da verdade, por mais importante que seja. A assembleia de Éfeso, como diz o Senhor em Apocalipse 2, estava segurando a verdade e fazendo isso bem. No entanto, o Senhor teve que lembrá-los de uma falha notória: “Deixaste o teu primeiro amor” (Ap 2:4 – ACF). Este foi o início do declínio, e no fim resultou na remoção do castiçal ali. Quando nosso primeiro amor falha, seguem-se declínio espiritual e abandono da verdade. A tocha pode ser levada por um tempo, mas, se a força motriz para fazê-lo se for, a tocha logo será abandonada. Um irmão mais velho, já há muito com o Senhor, certa vez relembrou alguns daqueles sob cujo ministério ele tinha sido criado. Ele mencionou o dom deles, mas também disse que o que o impressionava mais do que o dom que tinham era a piedade deles e que essa piedade dava peso às palavras deles.


Concluindo, então, lembremo-nos de que somos responsáveis, em qualquer época que vivermos na história da Igreja, por manter aquilo que nos foi confiado. Da mesma forma, nossa resposta ao amor de Cristo não depende do quanto sabemos, mas sim de desfrutarmos o Seu amor e o que quer que Ele tenha confiado a nós. Ele terá um testemunho na Terra até que Ele venha – um testemunho de toda a verdade de Deus. Que seja o nosso sincero desejo fazer parte dele.


W. J. Prost


 

A Fé dos Quais Imitai


Lemos em Hebreus 13, onde o Senhor estava falando sobre os líderes que falaram a eles a Palavra de Deus, e Ele acrescenta essa pequena palavra: “a fé dos quais imitai”. Meu pai costumava dizer: “Lembre-se, não diz: ‘as falhas dos quais imitai’”. Vemos falhas em nós mesmos, e talvez também uns nos outros, e às vezes seguimos alguém que fez algo errado. Mas ali diz: “a fé dos quais imitai”. E então nos fala d’Aquele que nunca falha. Assim, depois de nos dizer que poderíamos imitar a fé daqueles que procuraram nos instruir nas coisas de Deus, Ele nos aponta novamente para este Amigo que não muda, “Jesus Cristo o mesmo ontem, e hoje e eternamente” (v. 8 – KJV). Certamente, irmãos, quando pensamos nisso, é tão encorajador para o nosso coração.


Acredito que é muito importante não só conhecer esta bendita Pessoa, mas perceber que Ele estabeleceu em Sua Palavra tudo o que precisamos para o nosso caminho. Estamos vivendo em um mundo de constante mudança. Creio que, se olhássemos de volta 50 anos atrás, nenhum de nós teria chegado aqui a esta conferência da mesma forma que o fizemos hoje; alguns chegaram de avião; outros chegaram de carro. É um mundo em mudança. Mas lembremos que valores morais e espirituais não mudam. Isto é, Deus tem certos padrões que Ele estabeleceu em Sua preciosa Palavra, e isso nos dá paz. Conhecemos este Amigo imutável que temos e sabemos que o conselho que Ele nos dá não precisa ser atualizado. Qualquer um que trabalhe no mundo dos negócios hoje sabe muito bem que o planejamento e o modo como as coisas são feitas estão sendo constantemente mudados. Novos comunicados sobre mudanças estão sendo emitidos o tempo todo. Mas não é magnífico podermos pegar um livro como este e saber que, embora a última parte dele tenha sido escrita há mais de 1900 anos, ele é ainda perfeitamente atual? Ele não precisa ser atualizado. É adequado para nós.


H.E. Hayhoe


 

Provisão Moral Não Sucessão Oficial


A vinda do Senhor é o que sempre é colocado diante do crente como uma esperança presente, e, por esta razão, não há provisão para sucessão oficial. “Cedo venho” é a linguagem d’Aquele que ordena a Igreja. Aqui não há tempo ou futuro, no pensamento de Deus, para sugerir qualquer necessidade de sucessão. Na antiga economia judaica, isso estava contemplado, mas não agora, neste dia da graça.


Com relação às duas declarações, “nos últimos tempos” e “nos últimos dias”, elas são vistas em um sentido moral como estando sempre presentes, e as igrejas são tratadas como prestes a encontrar seu Senhor no Seu retorno.


Existe, é claro, uma provisão no sentido moral para se ter ordem na igreja, mas não em cargos designados através de sucessão oficial. “Qualquer que deseje exercer a supervisão, deseja uma boa obra” (1 Tm 3:1 – JND). Observe que diz “qualquer que”. E então vêm as qualificações morais que são necessárias para suprir a necessidade desse serviço. O mesmo se aplica também aos diáconos. Assim, vemos a maneira como a graça hoje, e em cada geração, atende às necessidades da Igreja em um exercício moral das almas, e não de uma maneira oficialmente designada.


O que foi profetizado para suceder os apóstolos, encontramos em Atos 20:29-30: “Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”. Isso infelizmente era verdade e ainda é verdade. No entanto, cada geração, em seus dias, teve aqueles homens piedosos que foram levantados para atender à sua necessidade, e ainda é assim. Lemos em Hebreus 13:7, “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver”. Isso se refere aos amados servos fiéis que partiram, porém devemos nos lembrar da Palavra de Deus que eles nos ministraram. Um pouco mais adiante, diz: “Obedecei a vossos pastores [guias – ARA] e sujeitai-vos”. Esses são aqueles em nossa geração que estão servindo de acordo com sua capacidade moral e devoção a Deus e à Sua Palavra. Paulo encomenda os irmãos, em Atos 20, a Deus e à Palavra da Sua graça. Estes dois sempre permanecem para nos guiar.


C. Buchanan


 

A Tocha de Abel


“Mesmo depois de morto, ainda fala.” (Hb 11:4 – ARA)


Um ato de fé passado adiante

De tempos antigos a nós chegando;

Fala através dos tempos,

Com grande poder ecoando.


E o que pode ser essa mensagem,

Que pelos séculos verdadeira se mantém?

Um cordeiro foi morto e oferecido –

Vida e paz pra mim e pra você também.


Com Abel, foi acesa a tocha;

Por muitas mãos assim ela passou;

Grandes multidões de ofertas –

O grande desígnio que Deus engendrou.


O mundo está imerso em pecado,

E a graça de Deus está perto do fim;

O imaculado Filho de Deus sofreu –

Deixe então que Ele te atraia enfim.


Segure ainda mais alto a tocha,

Os perdidos sua chama verão!

É o sacrifício ainda falando –

A tocha não é em vão!


(Adaptado)


 

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”

(2 Tm 2:2)


436 visualizações

Posts recentes

Ver tudo