Tristeza e Alegria (Fevereiro de 2022)

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ÍNDICE


Tristeza e Alegria

Christian Truth

Equilíbrio entre Tristeza e Alegria

W. Potter

Alegria Misturada com Tristeza

R. Klassen Jr.

Semeando com Lágrimas, Ceifando com Alegria

W. J. Prost

Circunstâncias Humanas e Divinas

W. T. Turpin

José e Benjamim

W. Kelly

Amor que Sofreu Toda a Dor

J. T. Mawson

O Coração dos Homens Falhando por Medo

W. J. Prost

Como Entristecidos, mas Sempre Regozijando

Christian Truth

Empatia em Sua Dor

Nenhuma Tristeza Lá

O Homem de Dores, Paciência e Alegria

G. V. Wigram

O Que é Importante

J. N. Darby

Confiando em Nossa Força

J. N. Darby

Atento às Tuas Lágrimas

E. Dennett

Agora e Depois

F. R. Havergal


 



Tristeza e Alegria


Se problemas e cuidados tentam nos afligir, não temos nada a fazer ou dizer a eles, senão lançá-los todos sobre Aquele que “tem cuidado” de nós e é quem os domina. Deveríamos nos regozijar e poder dizer, “Sim, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado” (ARA). “Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas.” Seja o sopro quente ou frio, “Eu sou do meu Amado, e o meu Amado é meu”. Somos responsáveis perante Deus por ser refrigério e animar uns aos outros e por consolar uns aos outros com o consolo que temos de Deus; é uma obra e um testemunho para Ele no meio de um mundo sem alegria e ingrato. Em vez de deixar tudo sob a guarda de nosso Deus amoroso, escurecemos o presente com as sombras do futuro e sofremos as muitas tristezas da incredulidade. Esquecemos que, quanto mais “nos alegramos em Deus” (KJV), mais motivos de alegria Ele nos dará – que, quanto mais O louvamos, mais O glorificamos. Um coração cheio de Cristo é um coração cheio de alegria, não a minha própria, mas a d’Ele. “Tenho-vos dito isso para que a Minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa”. Deixe a alegria d’Ele reinar em seu coração e ser “brilho de sol no lugar sombrio”[1].


Trechos de “As Sorrowful, Yet Always Rejoicing”, Christian Truth, Vol. 8


 

Equilíbrio entre Tristeza e Alegria


Em Filipenses 2:26, lemos, [Epafrodito] tinha muitas saudades de vós todos”, e isso nos dá a atmosfera da epístola aos filipenses. Eles ouviram que Epafrodito estivera doente, e isso despertou suas afeições – as afeições da natureza divina.


Você vê como Deus usou essas circunstâncias: “E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus se apiedou dele” (v. 27). Por que o apóstolo não se alegrou? Alguém poderia ter dito: “Qual é o problema com você, Paulo? Na parte anterior da epístola, você disse: ‘partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor’, e agora você está falando de ‘tristeza sobre tristeza’. É importante manter o equilíbrio a esse respeito.


Há às vezes uma falta de se entrar nas reais circunstâncias dos santos. Julgam que é espiritual dizer, “todas as coisas contribuem juntamente para o bem”. É muito fácil dizer isso quando é outra pessoa.


Resultados divinos pretendidos

Deus pretende que essas circunstâncias produzam certos resultados, certos exercícios. Deus permitiu que esse servo devotado, Epafrodito, ficasse tão exausto com aquela jornada que ele esteve quase à morte. Por que Deus permitiu isso? Foi uma jornada empreendida em amor a Paulo, seu conservo. Isso pode ter sido permitido para que os filipenses pudessem exercer afeição – pudessem desenvolver essa graça. Havia resultados divinamente pretendidos com o apóstolo, com Epafrodito e com os filipenses.


Alguns dizem que nenhuma lágrima deveria ser derramada em um funeral, mas não há equilíbrio nisso. Quando entramos na presença da morte, há os dois lados disto, e Esdras 3:11-13 deveria ser visto em todas essas ocasiões – canto e choro se misturando. Há ambos os lados disso. Há, frequentemente, uma falta do misto da compaixão divina e humana com o povo de Deus; elas andam juntas. Quando fomos salvos, não deixamos de ser humanos. A natureza humana tem suas afeições apropriadas e seus relacionamentos apropriados.


Companheirismo

Filipenses 2:25 nos mostra os relacionamentos. Primeiro “irmão”, depois “companheiro”; essa é a próxima melhor coisa. Companheirismo é o que o coração humano valoriza e não pode viver sem. O coração que não valoriza a companhia humana, no lugar que lhe é próprio, tem algo de errado com ele. “Meu companheiro nos trabalhos” (KJV), servo, companheiro nos combates… “para prover às minhas necessidades”. Temos o Senhor dando ao Seu velho e preso servo copos de água fresca para animá-lo. Veja o contraste em 2 Timóteo 1:15. Não há muita água fresca nisso, há? Há tristeza, não refrigério. Agora veja o contraste no versículo 16: “O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes me recreou e não se envergonhou das minhas cadeias; antes, vindo ele a Roma, com muito cuidado me procurou e me achou”. Isso é muito bonito. Presumo, a partir disso, que ele teve alguma dificuldade em achá-lo. Então, no versículo 18, temos o apóstolo apreciando isso: “O Senhor lhe conceda que, naquele Dia, ache misericórdia diante do Senhor. E, quanto me ajudou em Éfeso, melhor o sabes tu”.


Hebreus 6:10 dá uma bela palavra a respeito do amor demonstrado para com o Seu nome. Ali ele usa uma expressão notável, “Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor” (ACF), e deseja que isso continue. Ali ele usa uma palavra ousada: seria injusto Deus esquecer.


É bom ver o valor que o Senhor coloca em um copo da água fresca. De uma maneira especial, o Dia de Cristo manifestará isso. É importante como encontramos o Senhor tendo prazer nas pequenas coisas e não nas grandes. Ele não fala muito sobre doações de milionários em coisas como bibliotecas e universidades. Esses têm sua recompensa neste mundo, pois é este mundo e seus benefícios que tais doadores têm diante de si; nada relacionado a Cristo.


José de Arimateia

É bom notar José de Arimateia. “Nem muitos nobres que são chamados” (1 Co 1:26) – não diz, nenhum. Ele era um discípulo, mas, por medo dos judeus, não O confessava. No final, dois homens piedosos, importantes (supomos que ambos eram membros do Sinédrio), encarregaram-se do sepultamento do Senhor. Isso os expôs. Não temos nada sobre José até que o Senhor entregou o Seu espírito, mas soubemos de Nicodemos antes. A verdade quanto à morte de Cristo testará se um homem é discípulo ou não. Esse é um dos testes, como também a verdade quanto ao caráter expiatório da morte de Cristo. Muitos reconhecerão que Ele morreu como um mártir, mas quando se trata de admitir que Sua morte foi expiatória, muito provavelmente esses mesmos se oporão e zombarão.


José teve que ir implorar pelo corpo. Ele teve que obter permissão de Pilatos. Pilatos admirou-se de que Ele já estivesse morto e não deu o corpo até saber pelo centurião que Ele estava morto. Há dignidade naqueles dois homens, mestres em Israel, encarregados do corpo de Cristo. Semana passada, alguém chamou a atenção para o fato de que eles se apresentaram depois que os outros O abandonaram. Isso foi de Deus. Aqueles outros pobres discípulos não tinham túmulo novo! Isso torna tudo ainda mais impressionante. Aqui estava alguém que tinha um túmulo já preparado.


O coração e o intelecto

Há momentos em que a confissão de Cristo e a obra expiatória de Cristo testam o coração e revelam quem é verdadeiro. Você encontra almas pobres e simples reconhecendo a Cristo como seu Salvador e que não sabem nada inteligentemente sobre Sua morte, mas quando você a traz diante delas, elas a reconhecem com gratidão. Negação e ignorância são duas coisas diferentes. Muitas almas foram trazidas à paz apenas descansando no que Deus diz, sem saber o valor da expiação ou qualquer coisa do gênero, e isso é muito importante em conexão com o evangelho. Apenas apresente isso diante das almas como a verdade de Deus na qual se pode descansar, porque Sua Palavra é a verdade. É uma experiência muito feliz conhecer o fundamento sobre o qual Deus pode salvar o pobre pecador. O intelecto pode saber tudo sobre o fundamento e nunca ter descansado nele.


“Éreis cuidadosos”

“Recebei-o, pois, no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra: porque, pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida, para suprir para comigo a falta do vosso serviço” (Fp 2:29-30). Eles não podiam ir ao correio e despachar a comunicação, enviando-a para Paulo em Roma; tinham que ter um mensageiro para carregá-la. Eu concluo, de Filipenses 4:18, que deve ter sido um pacote bem pequeno que ele teve que levar.


Parece uma pequena repreensão aos filipenses. Na parte anterior do capítulo, ele diz: “Regozijei-me grandemente no Senhor por, finalmente, o vosso cuidado por mim ter florescido novamente; porque já éreis cuidadosos, mas vos faltava oportunidade” (Fp 4:10 – KJV). Ele sentiu não ter recebido notícias deles. Não era a oferta, mas ele queria a afeição que a oferta expressava. Ele ameniza dizendo, “vos faltava oportunidade”. “Éreis cuidadosos”, mas precisavam de alguém para levá-la.


W. Potter (adaptado)


 

Alegria Misturada com Tristeza


Durante a minha infância, houve várias vezes em que uma ocasião feliz era planejada e, então, quando estava bem próximo de se realizar, inesperadamente um triste evento se apresentava. Nosso pai nos dizia que, nos caminhos de Deus, Ele às vezes permite que essas duas (isto é, ocasiões de alegria e tristeza) estejam justapostas uma à outra. Na época, lembro-me de ficar me perguntando por que deveria ser assim, por parecer que isso impediria alguém de entrar totalmente na alegria como resultado de ela estar temperada com a tristeza. Talvez, no pequeno livro de Habacuque, tenhamos uma resposta.


Habacuque é um tanto singular como um dos profetas menores, visto que a ele não é dado tanto um peso do Senhor para transmitir a um certo povo, mas, antes, escreve sobre uma obra que Deus fez em sua própria alma como Seu servo. Na abertura do livro, Habacuque está clamando ao Senhor, angustiado pela violência, disputa e contenda que estão se acumulando entre o povo de Deus. A “lei” (Escritura) parecia não ter nenhum peso, e a justiça não estava sendo executada, mas os ímpios estavam prevalecendo sobre os justos. Quando um reto juízo era buscado, ele era “pervertido”. Isaías 59:13-15 (JND) diz, “Concebendo e proferindo do coração palavras de falsidade. E o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a retidão não pode entrar. E a verdade desfalece; e quem se afasta do mal faz de si mesmo uma presa”. Não vivemos em uma época em que falar a verdade parece não ter valor e, em vez disso, o engano e a mentira aberta parecem estar na ordem do dia? Se alguns clamam contra essa injustiça, tornam-se um alvo.


Os “pavorosos e terríveis”


Deus responde à aflição de Habacuque quanto ao estado de Seu povo informando-o de que Ele fará uma incrível obra. Ele levantaria ao poder um povo amargo e imprevisível que confiscaria aquilo que não era seu. Ele os descreve como “pavorosos e terríveis” (ARA) – um povo que agiria sem qualquer referência a Deus. Por causa de seu êxito, por serem levantados por Ele, mas não tendo temor d’Ele, seu poder torna-se o seu deus. Isso soa familiar? Ao saber disso, Habacuque fala ao Senhor: “Não és Tu desde a eternidade, Jeová, meu Deus, meu Santo? Não morreremos. […] Por que razão olhas Tu para os que procedem traiçoeiramente e te conservas em silêncio quando o ímpio traga aquele que é mais justo do que ele?” (Hc 1:12-13 – TB). Quando tal injustiça e impiedade parecem prosperar e avançam sem controle, a fé e a confissão do crente são testadas. Habacuque se perguntou a mesma coisa: “Tu fazes os homens como os peixes do mar, [...] que não têm quem os governe. Ele […] apanha-os com a sua rede, e os ajunta na sua rede varredoura” (Hc 1:14-15 – JND).


Designado para correção

Ao contemplar isso, Habacuque chega à conclusão de que Deus permitiu esse empoderamento do mal para deter Seu povo em seu curso e ganhar sua atenção. “Tu, Jeová, puseste este povo para juízo; e Tu, Rocha, o puseste para correção” (Hc 1:12 – TB). Em resposta a isso, Habacuque diz: “Sobre a minha guarda estarei, e sobre a torre me colocarei, e vigiarei para ver o que Ele dirá a mim e o que eu responderei quanto à minha repreensão” (Hc 2:1 – JND). Com as dramáticas mudanças e desenvolvimentos que estão ocorrendo atualmente, é fácil nos encontrar pesquisando as diferentes fontes de notícias e ficando cada vez mais perturbados com o que ficamos sabendo. Habacuque entendeu a importância de estar isolado em solidão (“minha guarda”), bem como num ponto elevado de separação para o Senhor (a torre), se era para ele aprender a mensagem específica do Senhor no que Ele estava permitindo. Habacuque também entendeu, assim como Jó, a importância de responder ao Senhor ao receber Sua repreensão. “Depois disto, o SENHOR respondeu a Jó [...] Agora cinge os teus lombos como homem; e perguntar-te-ei, e, tu, responde-Me” (Jó 38:1,3). Foi quando Jó, quebrantado, respondeu à repreensão do Senhor que ele ganhou a grande bênção que Deus tinha para ele.


O Senhor ensina a Habacuque que sua preservação será viver pela fé. Em seguida, relata solenemente a atitude e as ações por causa das quais Ele julgará este mundo, cada qual precedida pela palavra “Ai”. Elas são as seguintes: (1) Endividar-se profundamente a fim de obter aquilo que está além de seus meios. (2) Adquirir riqueza por vias injustas a fim de ganhar imunidade em tempos de escassez. (3) Sacrificar o que é de real valor para edificar o que será queimado. (4) Comer e beber com o bêbado. (5) Idolatria em todas as suas formas sutis.


Intercessão e avivamento

Na seriedade de tudo isso e sabendo que o povo de Deus havia sido afetado por essas mesmas coisas, Habacuque começa a interceder diante de Deus por Seu povo (Hc 3:1-2,13). Então, uma mudança maravilhosa ocorre na alma de Habacuque, embora nada tenha mudado em suas circunstâncias. Tendo levado sua tristeza ao Senhor e, em serena solidão, ouvido Sua voz e conhecido Seu coração e mente, ele encontrou “descanso no dia da angústia”. A mesma obra de Deus que antes o afligia, ele agora pede para Deus “avivar”, conhecendo seu glorioso resultado. E, enquanto aguarda sua conclusão certa (Hc 2:3), ele é emancipado do medo de perder tudo aquilo que habitualmente buscava para o seu sustento. Ele encontra sua alegria e regozijo no Senhor e em tudo o que foi assegurado para ele pelo Deus da [sua] salvação (Hc 3:17-19).


Habacuque começa clamando em angústia e termina cantando. Na verdade, Deus não coloca a tristeza ao lado da alegria para diminuir a nossa alegria, mas antes para que nosso coração naturalmente contraído possa ser expandido para entrar mais na “plenitude d’Aquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1:23 – ARA). A porção de Habacuque está aberta a todo crente!


“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 8:37-39)


R. Klassen Jr.


 

Semeando com Lágrimas, Ceifando com Alegria


No Salmo 126:5-6, temos expressados alguns pensamentos muito preciosos, mas devemos entender a semeadura e a ceifa para obter o benefício deles. Aqui estão os versículos:


“Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.” (Sl 126:5-6)


Nos tempos em que os agricultores cuidavam de sua própria semente em vez de comprá-la a granel dos negociantes de sementes, eles usavam parte da safra do ano como mantimento, e uma parte era reservada como semente para semear para a safra do próximo ano. No modo de cultivo mediterrâneo, na terra de Israel, eles estavam acostumados a verões quentes e secos e invernos amenos, porém úmidos. Eles geralmente semeavam o trigo no outono (o que chamamos de “trigo de inverno”). Ele brotava um pouco no outono, mas ficava dormente durante todo o inverno. Na primavera, ele voltava a ficar verde, e uma ceifa normalmente era o resultado.


Mas, às vezes, as coisas davam errado. Um mau tempo poderia vir e estragar o novo crescimento, ou chuvas mais fortes do que o normal poderiam afogá-lo. Ou poderia não haver chuva alguma, e então o trigo não crescia. Várias doenças de plantas também podem afetar o crescimento do trigo, da cevada e de outros grãos. Qualquer uma dessas coisas poderia resultar em uma safra muito pobre, ou talvez nenhuma safra.


A única solução era pegar alguns dos grãos que tinham sido reservados para mantimento e semear uma segunda vez no ano seguinte. O agricultor bem podia chorar enquanto fazia isso, pois já o trigo que ele havia semeado anteriormente fora perdido. Seria este segundo lote perdido também? Era certamente uma “preciosa semente” que ele estava semeando. Era difícil aventurar-se e semear novamente, com a incerteza de que também esta safra poderia fracassar. Mas o Senhor dá a garantia de que ele certamente, “voltará [...] com alegria, trazendo consigo os seus molhos”.


A segunda ceifa não fracassa

Sem dúvida, essa ilustração tem sua principal aplicação a Israel num dia vindouro. Deus semeou uma primeira safra com Israel, e ela fracassou, porque o homem natural não pode fazer nada aceitável a Deus. Todos os Seus esforços com eles fracassaram em produzir qualquer safra útil. No final, Ele teve que dizer: “Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? E como, esperando Eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?” (Is 5:4).


Mas então Cristo veio, e em muitas lágrimas Ele semeou novamente. O plural é usado no versículo 5, mas o singular no versículo 6, pois é Cristo quem está em vista. Por um tempo Ele está deixando Israel de lado hoje e trazendo a Igreja para a bênção. São os molhos que Ele traz consigo quando toma Israel novamente e os introduz na bênção do milênio aqui na Terra. A segunda ceifa não fracassa, porque está baseada em Cristo e Sua obra, e não no homem natural!


Expectativas que fracassam

Há uma bela e encorajadora aplicação para nós também, em nossa vida Cristã. Podemos ter tido aspirações e desejos quando éramos jovens, e talvez fossem desejos corretos diante do Senhor também. No entanto, ao longo dos anos, nossa semeadura pode não ter produzido uma boa ceifa, ou pode parecer que não há quase ceifa nenhuma. As coisas podem não ter dado muito certo para nossas famílias, ou nossa carreira pode ter sido uma decepção para nós. Talvez nossa vida de assembleia não tenha sido o que esperávamos, e a bênção coletiva que esperávamos simplesmente não se materializou.


Acredito que o Senhor nos encoraja a “semear novamente”, talvez com lágrimas. Não, não podemos voltar no tempo e ter nossa família ou nossa carreira novamente, mas podemos nos colocar de joelhos e orar. O Senhor é gracioso, e talvez o primeiro “fracasso de ceifa” tenha sido permitido para que, como será o caso de Israel num dia vindouro, tudo seja manifestamente por graça. Sabemos que tudo de bom em nossa vida se deve à graça de Deus e que não podemos receber nenhum crédito por nenhuma bênção em nossa vida, em nossa família ou na assembleia. Se tudo corresse bem da primeira vez, poderíamos ficar inclinados a fazer isso. Quando semeamos em lágrimas pela segunda vez, talvez com temor e tremor, Ele tem prazer em abençoar “muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Ef 3:20). Em um dia vindouro, o Senhor virá novamente, trazendo-nos com Ele como os molhos. Ele quer que também nós, mesmo nesta vida, voltemos, trazendo conosco os nossos molhos, depois de semearmos pela segunda vez.


Anos sem frutos

Deixe-me encerrar com uma história real do passado, quando o comunismo se espalhou pela Europa Oriental. Um Cristão devoto pregou o evangelho por muitos anos durante aquele período difícil. Muitos crentes queridos sofreram muito, especialmente aqueles que pregavam publicamente, mas esse homem nunca foi preso. Ele pregou fielmente por toda a vida e, por fim, se foi para estar com o Senhor. Ele tinha seis filhos, e, embora respeitassem o pai, nenhum deles jamais foi salvo. Era uma terrível dor para aquele homem fiel que, embora muitos outros aceitassem a Cristo por causa de sua pregação, nenhum de seus meninos estivesse interessado. Ele morreu sem ver sequer um deles vir a conhecer o Senhor como Salvador.


No funeral, outro Cristão fiel pregou um bom evangelho, e o homem que me contou essa história, um dos filhos do homem que morreu, de repente se viu condenado. Ele sentiu que precisava ser salvo. Contudo, no seu simples entendimento naquele instante, ele pensou que precisava se ajoelhar para aceitar a Cristo como Seu Salvador. Ele pensava: “Como posso fazer isso?” Então, lembrou-se de que era costume o caixão permanecer aberto até pouco antes de ser colocado na cova. Assim, os filhos (ou sobrinhos, ou netos) da pessoa falecida ficam de joelhos e efetivamente parafusam a tampa do caixão. Ele pensou, “É nesse momento que serei salvo”, e aceitou a Cristo, bem ali no cemitério, enquanto fechava o caixão do pai.


Mais tarde, depois de a família ter tomado um lanche em casa, ele e seus irmãos tiveram que se retirar para um quarto nos fundos para tratar de negócios relacionados à propriedade do pai. O irmão que me contou a história sentiu que precisava contar aos irmãos o que havia feito; então, enquanto se sentavam juntos, revelou para eles: “Hoje fui salvo enquanto parafusava a tampa do caixão do pai”. Outro irmão, do outro lado da sala, olhou para ele e seus olhos se arregalaram. “Você também?”, disse ele. “Eu fui salvo hoje também.” Então falou outro irmão, dizendo: “Eu também fui salvo, ao lado do túmulo do pai”. Cada um do grupo falou, e descobriu-se que todos os seis haviam sido salvos naquele dia. Todos estão vivendo bem para o Senhor agora. Não hesitemos em semear novamente, pois Aquele que assim faz “voltará, sem dúvida, com alegria”.


W. J. Prost


 

Circunstâncias Humanas e Divinas


O contraste entre as circunstâncias de Paulo em 2 Coríntios 1 e 2 Coríntios 12 é bem marcante. No capítulo 1, ele está em circunstâncias humanas, cercado por apertos, dificuldades e perigos, que lhe sobrevieram vindos de fora. Mas no capítulo 12 ele é visto completamente nas circunstâncias de Deus, arrebatado ao terceiro céu, ao Paraíso, e, então, como consequência, incapacitado por um espinho na carne e enviado de volta a este mundo para passar por ele como um pobre vaso, quebrado e despedaçado. No entanto, ele nunca foi tão eficiente para o propósito de Deus como quando estava nessa fraqueza, tanto que, quando seus primeiros pensamentos são deixados de lado pela comunhão, ele se curva ao golpe e diz: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2 Co 12:9). É maravilhoso ver claramente como isso altera tudo conosco; até mesmo um Paulo é mudado, de rogar ao Senhor três vezes que o espinho se afastasse dele, para não apenas aceitá-lo, mas gloriar-se nele!


A fonte

No início do capítulo 1, é impressionante como Paulo começa da maneira oposta àquela que normalmente nos caracteriza. É natural, para nós, começar com nossos próprios problemas e então passar a falar do consolo a nós ministrado por Deus, mas o apóstolo começa com o “Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias”, começando, assim, não no ribeiro, mas no Próprio bendito manancial. Então ele desce ao ribeiro, “para que também possamos consolar”. Faz uma enorme diferença em qual ponta começamos. A necessidade humana, por maior que seja, não é medida do Seu consolo.


Em meio a tudo o que encontramos no deserto, é abençoado saber que houve Um, somente Um, que provou angústia e tristeza sem medida; no nosso caso, é tudo medido, e com competência e cuidado também. Ele não coloca sobre o vaso nenhum peso além do que este pode suportar: Ele conhece exatamente a sua capacidade e dá também o Seu poder, a Sua força, para sustentar. Tudo acontece sob Suas mãos; nenhuma quantidade, nem mesmo da consolação dada por Deus em meio às aflições aqui, jamais poderia ser a medida de Seu coração.


Paulo parte da fonte de tudo, isto é, do próprio Deus bendito, em quem está a perfeita plenitude e divina suficiência. Então ele passa para o que é ministrado dessa fonte através de vasos de soberana escolha; aquilo pelo que ele mesmo havia passado era a preparação necessária para esse ministério por meio dele. Que ministério! Exercícios de coração dentro, pressão e dificuldade fora, tudo feito afluir para o seu cumprimento.


O servo é afligido

Mas, além disso, veja como os coríntios estavam na mente do Deus bendito, por isso o servo é afligido, passa por alturas e profundezas de provação, por toda variedade de circunstâncias (2 Co 11:22-33), a fim de que nele fosse manifestado o poder de Cristo, e que o mesmo poder igualmente pudesse sair através dele e os alcançasse.


Assim, também, o próprio servo aprende o que Deus é para ele em tais momentos, tanto o que o Senhor pode ser quanto fazer. Então o apóstolo disse: “Ninguém esteve comigo na minha primeira defesa” (KJV). Ele foi desamparado por todos, mas nenhum pensamento duro repousou em seu peito. “Que isto lhes não seja imputado!”. Mas então, marque bem o que se segue: “Não obstante, o Senhor esteve comigo e me fortaleceu” (KJV). Sua presença vem primeiro – “O Senhor esteve comigo” –, depois o que o Senhor fez por Seu servo – “e me fortaleceu” (2 Tm 4:16-17).


O “é necessário”

Além do mais, há uma razão, um “é necessário”, para todas essas aflições e conflitos. Primeiro, do nosso lado, é “para que não confiemos em nós” (ARA); este é um grande ponto. Aqueles que conhecem seu próprio coração sabem da profunda autoconfiança que está enraizada ali. Devemos entrar na escuridão da sepultura, por assim dizer, e passar para o túmulo, para que possamos sair no florescer da ressurreição. Assim, semeamos em lágrimas para ceifar com alegria. O peso dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã.


Em seguida, há também um “é necessário” do lado de Deus para todas essas peneiradas e provações: são Suas oportunidades para mostrar-Se no amor que nunca esquece os Seus. Ele se aproxima em tais momentos e se faz conhecido como “o Deus de toda consolação” – essas são Suas próprias graciosas palavras no passado, e elas não são menos verdadeiras hoje. Assim, Ele faz com que as tristezas e aflições dessas cenas ruins sirvam ao Seu propósito, exibindo nelas uma ternura e compaixão que não ignora ninguém. Ele tem prazer em mostrar como pode curar um coração partido, bem como sustentar um corpo fraco. A primeira coisa não está além d’Ele; a segunda não está abaixo d’Ele.


É assim que somos educados e treinados na escola de Deus, a fim de que, como servos e vasos de Sua propriedade, estejamos aptos para Seu uso. Tudo deve ser totalmente testado e provado. Se estamos andando com Deus na vida secreta de nossa alma dentro de nós, devemos estar cientes do quão pouco somos capazes de ajudar uns aos outros. É doloroso observar o quão capazes somos em descobrir os pontos fracos uns dos outros, mas a habilidade, através da graça, de removê-los é outra coisa. Quão abençoado é o serviço que tem esse objetivo e é prestado nesse espírito! Qualquer que seja a necessidade ou demanda, seja conforto ou consolo, tudo igualmente flui, na graça de Cristo, de quem aprendeu na escola de Deus. Alguém que, por assim dizer, andou no grande hospital de sofrimento que é este mundo, e tendo ele mesmo provado o bálsamo da consolação que o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação lhe ministrou, é capaz de consolar aqueles que estão em qualquer aflição com o consolo com o qual ele mesmo é consolado por Deus. Que nosso coração, pelo poder do Seu Espírito, seja divinamente receptivo a tão abençoados caminhos de nosso Deus Pai, por amor de Cristo.


W.T. Turpin (adaptado)


 

José e Benjamim


“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5). Assim será com Israel quando as sombras existentes se renderem à realidade; a aparição de Cristo inaugurará a glória de Deus. Assim foi com o alvorecer de luz e benção celestial em Cristo para os Cristãos, e assim será quando esta era terminar e uma nova começar para Israel e as nações da Terra.


“E os varões tomaram aquele presente e tomaram dinheiro dobrado em suas mãos e a Benjamim; e levantaram-se, e desceram ao Egito, e apresentaram-se diante da face de José. […] Vendo, pois, José a Benjamim com eles, disse ao que estava sobre a sua casa: Leva estes varões à casa, e mata reses, e prepara tudo; porque estes varões comerão comigo ao meio-dia. E o varão fez como José dissera e o varão levou aqueles varões à casa de José. Então, temeram aqueles varões, porquanto foram levados à casa de José e diziam: Por causa do dinheiro que da outra vez voltou nos nossos sacos, fomos trazidos aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome por servos e a nossos jumentos. Por isso, chegaram-se ao varão que estava sobre a casa de José, e falaram com ele à porta da casa, e disseram: Ai! Senhor meu, certamente descemos, dantes, a comprar mantimento; e aconteceu que, chegando nós à venda e abrindo os nossos sacos, eis que o dinheiro de cada varão estava na boca do seu saco, nosso dinheiro por seu peso; e tornamos a trazê-lo em nossas mãos. Também trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos nossos sacos. E ele disse: Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de vosso pai, vos tem dado um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro me chegou a mim. E trouxe-lhes fora a Simeão. Depois, levou o varão aqueles varões à casa de José e deu-lhes água, e lavaram os seus pés; também deu pasto aos seus jumentos. E prepararam o presente, para quando José viesse ao meio-dia; porque tinham ouvido que ali haviam de comer pão. Vindo, pois, José à casa, trouxeram-lhe ali o presente que estava na sua mão; e inclinaram-se a ele até à terra. E ele lhes perguntou como estavam e disse: Vosso pai, o velho de quem falastes, está bem? Ainda vive? E eles disseram: Bem está o teu servo, nosso pai vive ainda. E abaixaram a cabeça e inclinaram-se. E ele levantou os olhos, e viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e disse: Este é o vosso irmão mais novo, de quem me falastes? Depois, ele disse: Deus te abençoe, meu filho. E José apressou-se, porque o seu íntimo moveu-se para o seu irmão; e procurou onde chorar, e entrou na câmara, e chorou ali. Depois, lavou o rosto e saiu; e conteve-se e disse: Ponde pão. […] E eles beberam e se regalaram com ele.” (Gênesis 43:15-34)


A bondade leva ao arrependimento

A inspirada narrativa, em sua própria bela simplicidade, nos mostra Deus trabalhando na consciência dos filhos de Israel. Quão pouco eles ainda entendiam que Sua bondade os estava conduzindo ao arrependimento e que o irmão que eles tão profundamente injustiçaram e amargamente odiaram estava apenas realizando o melhor para eles por meio dos exercícios pelos quais eles passaram! O fato de terem sido convidados a entrar na casa do governador os encheu de apreensão. “Então, temeram aqueles varões, porquanto foram levados à casa de José e diziam: Por causa do dinheiro que da outra vez voltou nos nossos sacos, fomos trazidos aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome por servos e a nossos jumentos”. Daí sua ânsia de contar a história de sua misteriosa descoberta e devolver o dinheiro que não era deles. Mas o mordomo assegurou-lhes que tudo estava certo quanto a isso, sem maiores explicações. Deus iria trabalhar mais profundamente ainda.


Afeição por Benjamim

Enquanto isso, Simeão se junta a eles; e todos são tratados com a gentil atenção devida aos convidados, e os seus animais de carga também. Eles prepararam o presente para ser apresentado a José quando ele aparecesse. Muito ilustrativo é o encontro e as perguntas da parte dele por causa do amor que sentia, enquanto eles se curvavam repetidamente em reverência. “E ele levantou os olhos, e viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e disse: Este é o vosso irmão mais novo, de quem me falastes? Depois, ele disse: Deus te abençoe, meu filho. E José apressou-se, porque o seu íntimo moveu-se para o seu irmão; e procurou onde chorar, e entrou na câmara, e chorou ali.”


Quem pode deixar de perceber isso como uma cena de sentimento humano? Mas também tem um caráter muito mais profundo para aquele que lê com fé e conhece a bendita importância da graça a ser estendida por Um muito maior do que José quando Ele restaurar Seus culpados irmãos, e há muito alienados, ao conhecimento d’Ele próprio e de si mesmos! Que consequências gloriosas quando a bênção estiver sobre a cabeça de Jesus “naquele Dia” que está chegando e sobre a coroa da cabeça d’Aquele que foi separado de Seus irmãos!


Cristo não é apenas a chave para a verdade, mas é a plenitude dela, que, aqui, tão de perto está relacionada, não à Igreja dos lugares celestiais, mas ao povo terrenal de Deus, que deve estar interiormente preparado para o lugar a que está destinado diante de todas as nações da Terra, “a glória do Teu povo Israel”. Pois, figurativamente, Benjamim, o filho da destra de seu pai, deve ser unido a José, aquele que foi “separado de seus irmãos”, para a concretização da glória deles, que aguarda ser cumprida em seu próprio tempo.


W. Kelly (adaptado)


 

Amor que Sofreu Toda a Dor


Quanto mais profundamente conhecemos o amor de Jesus, mais impossível de conhecer descobrimos que ele é: quanto mais consideramos a sua maneira, mais maravilhados ficamos com sua sabedoria e seu calor. Não é um amor cego que pode despertar para encontrar, em seus objetos, falhas e defeitos que não conhecia, pois conheceu desde o princípio, com certeza onisciente, tudo sobre os amados. Conheceu também, com o infalível conhecimento de Deus, todo o caminho de dor que precisa ser trilhado para realizar o seu desejo. É um amor que não fica decepcionado ou alarmado e que, quando as grandes provas vieram, não vacilou nem fugiu. Não precisamos temer que ele irá ruir ou mudar agora: ele foi completamente provado.


“Deixai ir estes”

Considere aquela grande crise na vida do Senhor, quando Judas veio com “um bando de homens e oficiais [...] com lanternas, e tochas, e armas” (Jo 18:3 – KJV). Quão hedionda era a aparência da traição e do ódio do coração humano naquele clarão de tochas! Entretanto, aquele bando era apenas uma vanguarda, uma coluna voadora[2] enviada para fazer reconhecimento: por detrás deles estavam as hostes das trevas, esperando para esmagá-Lo e subjugá-Lo. Eles eram apenas como a névoa de um oceano tempestuoso lançada sobre a praia: atrás deles surgiam os mares da tristeza, assustadores e insondáveis. Mas como Ele enfrentou a crise? Ele a enfrentou dizendo: “Deixai ir estes”. Ele podia ter escapado do que estava adiante, por um ponto de vista, pois duas palavras Suas foram suficientes para paralisar Seus inimigos. Mas Ele não usaria Seu poder divino para salvar a Si mesmo, pois, se Ele tivesse feito isso, teria perdido Seus amados. Em sua fervorosa devoção, Seus discípulos bem poderiam ter colocado aquele bando em fuga, mas Ele não os deixaria lutar. De que adiantariam seus braços frágeis contra tudo o que estava por trás daquele bando de homens que tinha ido buscá-Lo, tendo Judas como líder? Ele viu o que havia por trás deles – a terrível tristeza, a malignidade de Satanás, o juízo de Deus – e disse: “Deixai ir estes”. Ele viu o lobo se preparando para devorar as ovelhas. Ele viu, também, a espada da justiça que havia despertado contra os pecados de Seu povo e disse: “Deixai ir estes, para se cumprir a palavra que tinha dito: Dos que Me deste nenhum deles perdi” (Jo 18:8-9).


Ele Se entregou por mim

Ele suportaria todo o sofrimento sozinho. Nem uma só pontada de dor eles deveriam sentir de todas aquelas dores que Ele iria suportar por eles: nem um só golpe de todo aquele juízo que Ele iria suportar deveria cair sobre eles. Nem uma só gota daquele amargo cálice deveria passar por seus lábios: Ele beberia até a última gota e beberia sozinho por eles. Ele lhes seria um escudo contra o sofrimento: ficar entre eles e o inimigo ameaçador: tornar-se seu Substituto sob o juízo e sacrificar-Se por eles. Esse era o único caminho, e Seu amor O conduziu por esse caminho, com firmeza e deliberação, para que pudesse para sempre guardar para Si aqueles que o Pai Lhe havia dado. E nós estávamos representados ali naqueles de quem Ele disse: “deixai ir estes”. E podemos dizer, cada um de nós de si próprio: “[Ele] me amou e Se entregou a Si mesmo por mim”.


J. T. Mawson

 

O Coração dos Homens Falhando por Medo


Recentemente, saiu um novo livro no Canadá intitulado “Em Declínio”, escrito por um homem chamado Andrew Potter. No livro, ele levanta a questão do porquê, desde 2016, cada ano parece estar se tornando pior para este mundo. Aqui está uma amostra do que ele escreveu:


“E assim um padrão pareceu estar estabelecido: o colapso de uma estável ordem internacional em meio a renovadas maquinações de Grandes Potências, retração populista e decadência, entre as democracias estabelecidas, alimentadas por notícias falsas e manipulação russa, ataques terroristas no exterior e assassinatos em massa em casa, e a constante ameaça de uma iminente catástrofe ambiental. Por trás de tudo isso, marcando o tempo como um baterista em uma marcha da morte, estava a batida constante... nos lembrando que o conhecido velho mundo estava sendo substituído por algo novo e incerto.”


Os noticiários de dezembro nos jornais concordaram amplamente que “2016 foi o pior ano de todos os tempos. E, no entanto, todos os anos desde então também pareceram o pior ano de todos, ao ponto em que afirmar que o ano atual é pior do que o anterior tornou-se uma espécie de clichê de mídia social”.


Ele continua dizendo mais:

“As bases econômicas, políticas, demográficas, ambientais e culturais de nossa civilização estão todas debaixo de enorme tensão, e nosso dispositivo de segurança de longa data – o caráter essencialmente racional de nossa resolução de problemas e tomada de decisões – está em crise.”


Ele então fala sobre alguns dos problemas que o mundo enfrenta – guerras, incêndios florestais, vulcões, pragas de gafanhotos, mudanças climáticas, secas, inundações, furacões e, finalmente, a COVID-19, com todo o caos e medo que ela trouxe ao mundo. Ele termina dizendo: “É hora de aceitarmos que estamos em um estado de declínio.”


A reação

Provavelmente, pouquíssimas pessoas contestariam que estamos em um estado de declínio; é a reação a esse fato alarmante o que varia. Alguns diriam que tivemos situações como essa antes, referindo-se a eventos como a assim chamada pandemia de gripe espanhola 100 anos atrás ou a Grande Depressão dos anos 1930. Eles afirmariam que o mundo sobreviveu, se endireitou e até ficou melhor. Outros estão entrando em desespero ou recorrendo à violência, como evidenciado pelo número crescente de suicídios, crimes brutais e assassinatos em massa no mundo. Outros, ainda, estão assumindo a atitude trazida pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 15:32: “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. O futuro parece horrível, dizem eles, então vamos aproveitar a vida ao máximo, enquanto podemos.


O problema com a visão otimista, nas palavras de alguém, é que “uma das características mais salientes de nosso momento atual é que tudo parece estar dando errado ao mesmo tempo”. O mundo certamente enfrentou desastres de grande escala no passado, incluindo duas guerras mundiais no século passado, mas a situação atual parece ser a de uma série implacável de eventos, aparentemente não relacionados, mas todos se combinando para nos arrastar inexoravelmente ladeira abaixo. Parece não haver fim à vista, e o clamor geral é: “Quando as coisas vão voltar ao normal?”


O aviso

O título desta edição de O Cristão é “Tristeza e Alegria”, e o que vemos ao nosso redor, como crentes, é uma fusão desses dois pensamentos. No momento, Deus está, sem dúvida, permitindo que o homem tenha um gostinho (muito pequeno!) do que este mundo enfrentará depois que a Igreja for chamada ao lar e a semana da tribulação começar. Isso culminará na Grande Tribulação, os 3 anos e meio finais, quando este mundo experimentará angústia tal como nunca se viu antes. O que estamos vendo agora é o aviso de Deus para aqueles que ouvirem. Num dia vindouro, durante esse período de tribulação, os judeus piedosos reconhecerão o aparecimento do Anticristo e fugirão de Jerusalém para se salvarem. Da mesma forma, hoje, aqueles que estão dispostos a ouvir o aviso de Deus, sejam gentios ou judeus, podem vir a Cristo e ser salvos antes que caia o juízo.


Para aqueles que são crentes, sim, nós, também, sentimos a tristeza pela qual este mundo está passando e também sofremos com isso. Não estamos imunes a essas dificuldades. Mesmo entre os crentes, vidas foram interrompidas, jovens tiveram seus estudos e carreiras encurtados, a comunhão Cristã foi restringida por regulações da COVID e viagens foram grandemente limitadas. Questões sobre a segurança ou não das vacinas contra a COVID dividiram crentes, bem como incertezas sobre até onde ir na aplicação da Escritura: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29). Tudo isso é permitido por nosso Senhor para exercitar nosso coração e nos aproximar d’Ele.


A tristeza e a alegria

Lembro-me de ter lido uma carta escrita há mais de 100 anos por um irmão piedoso, que há muito está com o Senhor. Ao assinar a carta, ele disse: “Seu irmão nas tristezas, bem como nas alegrias destes últimos dias”. Compartilhamos das tristezas destes últimos dias, porém devemos ficar desanimados? Não, de maneira nenhuma! Compartilhamos das alegrias também! Verdadeiramente, “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30:5). Este é o dia do mundo, mas a noite do crente. Mas, “vai alta a noite, e vem chegando o dia” (Rm 13:12 – ARA). Somos “filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” (1 Ts 5:5). Sim, podemos ter que passar por tempos difíceis e até incertos, mas sabemos onde tudo isso acabará! Acabará em glória, uma glória que imediatamente suplantará todas as tristezas e dificuldades do caminho.


Mais do que isso, também esperamos a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo, “a qual, em seu próprio tempo, o bendito e único Soberano mostrará, o Rei dos que reinam, e o Senhor dos que exercem senhorio [...] a quem seja honra e poder eterno. Amém” (1 Tm 6:15-16 – JND). Hoje os homens estão trabalhando duro para se fazerem importantes neste mundo, e as nações estão se esforçando juntamente umas com as outras, cada uma querendo ser a mais rica, a mais poderosa e a mais influente. Mas Deus também tem Seus planos, e Seus propósitos nunca falharão; o que Deus decidiu sempre acontecerá. Deus se propôs a honrar e glorificar Seu amado Filho, e, no final daquele terrível período de tribulação, o Senhor Jesus voltará para julgar este mundo. No final de tudo, “os olhos altivos do homem serão abatidos, e a altivez dos varões será humilhada, e só o SENHOR será exaltado naquele dia” (Is 2:11). Assim, que nosso coração possa dizer: “Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20).


W. J. Prost


 

Como Entristecidos, mas Sempre Regozijando


“Como entristecidos, mas sempre regozijando” (2 Co 6:10 – AIBB)


Se problemas e cuidados tentam nos afligir, não temos nada que fazer ou dizer a eles, senão lançá-los todos sobre Aquele que “tem cuidado” de nós e é quem os domina. Nossa única função para Deus aqui é glorificá-Lo em cada passo do caminho que Sua graça traçou para nós. Cristo é por nós no céu (Hb 9:24), e nós somos por Ele aqui (Jo 17:18); de modo que aconteça o que acontecer, deveríamos nos regozijar e poder dizer: “Sim, ó Pai; porque assim foi do Teu agrado” (Mt 11:26 – ARA).


Levanta-te, vento norte

“Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas” (Ct 4:16). Seja o sopro quente ou frio, “Eu sou do meu Amado, e o meu Amado é meu”.


“Nuvens podem parecer passar entre nós,

Não há mudança n’Ele lá em cima.


Por que, então, estás abatido, ó aflito e provado? “Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração?” (Lc 24:38). Jesus conhece e sente a menor de suas aflições. Tão precioso é você para Ele que até mesmo os cabelos de sua cabeça estão todos contados. O que afeta você, afeta a Ele, pois você é osso de Seus ossos e carne de Sua carne.


“Tristeza em demasia é suicídio do coração e enterra um homem com a cabeça para baixo.” Ansiedade demais sobre um problema é como a sepultura para enterrar centenas de misericórdias. Levante-se, então, ó muitíssimo amado, de seu desânimo, saia da sombra escura, não desonre mais o seu Senhor e deixe seu coração ser como a alegre fonte que jorra no meio do deserto, para que o viajante cansado possa achar refrigério até mesmo ao avistá-lo. Somos responsáveis perante Deus por ser refrigério e animar uns aos outros e por consolar uns aos outros com o consolo que temos de Deus; é uma obra e um testemunho para Ele no meio de um mundo ingrato e sem alegria.


Como alguém disse: “Se o vento leste soprar, coloque outro botão em seu casaco”; enfrente a onda de provação como alguém que, na força do Senhor, é mais do que páreo para ela. “Sê forte, sim, sê forte” (KJV). Deus é por você, com você e em você. Você pode estar na fornalha, e a única perda que sofrerá será suas ataduras, e em sua companhia estará o “Filho de Deus”. Você pode não ser capaz de dizer, muito menos fazer, qualquer coisa. A fraqueza tem um apelo especial sobre Deus, e Deus tem uma bênção especial para ela. “Os que Me honram Eu honrarei.” Honramos a Deus perseverando pacientemente. “Não se turbe o vosso coração: credes em Deus.” Dê lugar à preocupação, e ela logo provará ser seu mestre, e você escravo dela.


O santo desanimado – uma anomalia na graça

Alguém comentou que, “assim como o santo desagradável, o santo desanimado é uma anomalia na graça”. Que triste espetáculo, um filho de Deus que faz o jovem se sentir velho, o velho se sentir mais velho e o triste se sentir mais triste. Alguns corações estão cheios de falso sentimentalismo e sentimentos mórbidos; eles parecem se esquivar de serem felizes e preferem ser infelizes; outros têm medo de ser felizes, como se Deus ficasse ressentido com a felicidade de Seus filhos. Em vez de deixar tudo sob a guarda de seu Deus amoroso, eles escurecem o presente com as sombras do futuro e sofrem as muitas tristezas da incredulidade. Eles esquecem que quanto mais se alegram em Deus, mais motivo de alegria Ele lhes dará; que quanto mais O louvam, mais O glorificam.


“Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos” (Fp 4:4). “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4:6-7 – ARA).


Enquanto retemos Deus em nosso coração, não há lugar para nada mais a não ser a Sua paz. Um coração cheio de Cristo é um coração cheio de alegria, não a minha própria, mas a d’Ele. “Tenho vos dito isso para que Minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15:11). Deixe a alegria d’Ele reinar em seu coração e ser “um brilho de sol no lugar sombrio”.


Nosso corpo – o lugar de Seu tesouro

Um homem sábio disse: “Sejamos nós o que for, e não podemos ser piores do que somos, não se deve permitir que nada em ou sobre nós interrompa a tranquilidade da vitória consciente, ou impeça o nosso poder de desfrutar do que, de Deus, Cristo foi feito para nós (1 Co 1:30) e do que Deus nos fez ser n’Ele (Cl 2:10; Ef 1:6)”. O inimigo pode acusar, e a consciência cobrar, mas nada poderá nos separar do amor de Deus: somos o que somos, criados em Cristo Jesus, para “que nem a morte, nem a vida” precisem causar um só momento de desalento (leia Romanos 8:31-39). Tudo pode parecer estar contra nós, mas Deus é por nós, e nós estamos aqui para Ele. “Filhinhos, [vós] sois de Deus” (1 Jo 4:4), e Ele criou e encheu nosso coração para bater por Ele e para Ele, de modo que Sua própria alegria pudesse neles e deles fluir. “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Co 6:19,20 – ACF). Deus criou nosso corpo para colocar dentro o Seu tesouro, para mostrar aos homens e aos anjos o que é o Seu poder em nós, e por nós. “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Fp 2:13). E Seu único prazer é nos ver ocupados com o Filho de Seu amor e desfrutando d’Ele. Se sofremos, é para Ele; se nos regozijamos, é para Ele; se suportamos dor, é para Ele; tudo o que fazemos e dizemos é para Ele, porque somos para Ele, bem como d’Ele, e Ele é para nós. Cristo em você, você em Cristo e Cristo em Deus; de modo que, aconteça o que acontecer, podemos levantar a cabeça como aqueles que têm o direito de serem felizes e cantar:


O Cordeiro é Meu Pastor, O Senhor vivo que morreu; Com todas as coisas boas sempre Por ele suprido sou.


Ele alimenta ricamente minha alma Com bênçãos do alto, E me leva onde correm os rios De amor sem fim.


Christian Truth, Volume 8 e Volume 38


 

Empatia em Sua Dor


O texto a seguir foi adaptado de uma carta de J. N. Darby escrita a um marido cuja esposa tinha partido para estar com o Senhor, deixando-o com quatro filhos.


“Eu sinto que mundo de dor é e quão real é a sua parte nessa dor, mas um mundo onde, se o pecado e a dor entraram, a graça entrou após eles. Agora, o amor se levantou acima de todo pecado e dor e, tendo entrado no pior de tudo que isso poderia trazer sobre nós, nos deu um lugar fora de tudo isso. No lugar de onde ele fluiu, o espírito de sua querida esposa entrou, e ela está com Aquele que entrou em toda aquela dor aqui, para que Ele pudesse nos livrar de tudo isso. Se você permanecer nas cenas dele aqui embaixo, esse mesmo amor se revelou descendo àquelas cenas, para que pudéssemos tê-lo aqui. Jesus foi um homem de dores e, certamente, ninguém passou por dor como a d’Ele. E Seu amor é perfeita empatia tanto quanto libertação.


Olhe para isto, querido irmão, e você encontrará empatia em sua tristeza, e levantando você para fora dela, não pela destruição do sentimento, mas entrando nele, tirando toda a vontade humana daquilo que causa pesar e amargura, e trazendo a vontade d’Ele para dentro dela, e a Ele mesmo em amor conosco nela. Sua graça é certa e em seu caminho ela não falha; nada escapa ou acontece sem ela. Este é um grande consolo; primeiro, nossa vontade, sutil como ela é, e interferindo com as melhores afeições, é quebrada e há sujeição; então vem o senso de amor positivo. Qualquer senso de fracasso, mesmo de nossa parte, caso exista, é perdido no senso do perfeito amor e do ordenamento de Deus. Ele toma o lugar de nossa mente raciocinando, e tudo é paz. Essa é uma coisa maravilhosa, pois, afinal, mesmo quanto aos nossos caminhos, não podemos responder a Ele nem explicar um sequer dentre mil. Ele usa todos para endireitar nosso coração e dá suave paz como um rio.”


 

Nenhuma Tristeza Lá


Um escarnecedor, um incrédulo, estava correndo para pegar um bonde quando sua atenção foi atraída por um menino que estava sentado na soleira de uma porta cantando,


“Não haverá tristeza lá; Não haverá tristeza lá.”


“Onde?”, perguntou o cético, que ficou impressionado com as palavras. “Onde é que não haverá tristeza?” O menino respondeu nos versos do hino:


“No céu lá em cima Onde tudo é amor, Não haverá tristeza lá.”


O homem subiu no bonde, mas as simples palavras daquele coro se alojaram em sua mente. Ele não conseguia afastá-las de seus pensamentos; estavam fixas. Ele conhecera muitas tristezas em sua vida, e será que havia um mundo onde não há tristeza? Essa era a grande ideia que enchia sua mente.


Ele ficou considerando aquilo e repassando continuamente em seus pensamentos até que um desejo de saber sobre aquele lugar se apossou dele. Isso foi usado pelo Espírito de Deus para conduzi-lo ao Salvador que morreu pelos perdidos, culpados, arruinados – cujo sangue precioso purifica de toda mancha do pecado e os torna aptos para aquele mundo onde pecado e sofrimento são desconhecidos.


Você estará lá, querido amigo? Não, a menos que você venha ao Salvador que o incrédulo encontrou pronto e disposto a recebê-lo. Gostaria de ter essa perspectiva diante de você quando deixar este mundo de pecado, tristeza, sofrimento e morte? Bem, ela pode ser sua enquanto você lê. Num momento você pode passar da morte para a vida, do poder de Satanás, que o tem mantido cativo, para pertencer ao Senhor Jesus que morreu para redimi-lo e quer abençoá-lo.


 

O Homem de Dores, Paciência e Alegria


Cristo está à destra de Deus, agora o Homem da paciência, outrora o Homem de dores, e no futuro será o Homem de alegria – três manifestações muito diferentes de Cristo. Em Cristo aqui embaixo – o Bebê na manjedoura, desprezado e rejeitado e familiarizado com a dor –, vemos o Homem de dores, entretanto em nenhum lugar recebemos tamanha glória divina como na cruz. Como pecador, de onde fui tirado e para onde fui levado por essa cruz? Onde está o Cristo agora, cuja morte fez tudo isso? Ele está à destra de Deus, onde, como o Homem da paciência, tem esperado quase 2.000 anos pela glória e pelo povo, os Seus, como a recompensa por tal serviço. E o que Ele está fazendo? Ora, virando-se para nós e dizendo: “Estou ocupado com você na glória; tenho uma entrada para todas as suas tristezas; vire seus olhos aqui para cima; abra seu coração para Mim; deixe-Me ver tudo. Como pastor, estou ocupado com cada ovelha, atando cada ferida, consertando cada corte e rasgo na lã.”


Mas, a partir de agora, muito abençoado é o pensamento de ver Aquele que aqui embaixo foi enfaticamente o Homem de dores como o Homem de alegria, ungido “com óleo de alegria” mais do que a Seus companheiros! Mas é bom muitas vezes pensar n’Ele como o Homem de dores em conexão com o que estamos passando. Amontoe todas as suas tristezas, até não conseguir mais amontoar; depois, volte-se para Ele, cujo coração se partiu em aflição, e fale de suas tristezas e de tudo que o tem consumido. Se você puder fazer isso, então, em Sua presença, poderá ouvi-Lo dizer: “Considerai e vede se há dor igual à Minha, que veio sobre Mim, com que o SENHOR Me afligiu no dia do furor da Sua ira” (Lm 1:12 – ARA). Ainda assim, Ele será o Homem de alegria.


O pensamento da alegria de Cristo é doce para o nosso coração? Você ama pensar que não haverá nenhum rosto tão belo, nenhum coração tão radiante e perfeito em sua alegria como o d’Ele? Nada como Sua beleza! Toda a glória ali então será apenas como o engaste daquela pedra.


E aquele novo nome d’Ele será escrito em você! Certamente isso deve dar um pouco de paciência enquanto você passa pelo deserto, provado pela aspereza do caminho, como se Ele dissesse: Anime-se! Só mais um pouco, e escreverei em você o meu nome de alegria. O coração de Cristo não é alimentado com as exterioridades da glória, mas com a alegria de servir a Deus; será a alegria de todos os filhos que Deus deu a Ele, ao serem trazidos para casa – o novo nome neles escrito. Essa será a alegria de Cristo.


G. V. Wigram (adaptado)


 

O Que É Importante


Você não deve dar demasiada importância à sua alegria [...] nem à sua angústia. […] Você não pode acrescentar nada, por meio da alegria ou da tristeza, à obra perfeita de Cristo. […] Se alguém pagou minhas dívidas, minha tristeza pela insensatez que as contraiu, ou minha alegria por terem sido quitadas, nada acrescenta ao pagamento da dívida, ainda que ambas sejam naturais e justas.


J. N. Darby


 

Confiando em Nossa Força


Se confio na minha própria força na hora da tentação, eu desmorono; mas se aprendi, pela graça, a lançar-me sobre Cristo, encontro n’Ele tudo para me ajudar e para passar ileso pela tentação. Devo aprender a lição. Se eu a aprendo com o Senhor, sou poupado da peneira; mas se não, devo ser peneirado. Se não é em comunhão com o Senhor, deve ser com Satanás. “Mas”, diz o Senhor, “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça”. É abençoado crer que Deus nos ama, apesar de todo nosso fracasso. Vale a pena (não qualquer pecado, mas) qualquer tristeza para aprender isso.


J. N. Darby


 

Atento às Tuas Lágrimas


O apóstolo Paulo tinha fervorosa afeição por seu amado filho na fé; isso é revelado na expressão que ele escreveu a Timóteo: “Desejando muito ver-te, lembrando-me das tuas lágrimas, para me encher de gozo” (2 Tm 1:4). Recordar a afeição de Timóteo inflama a sua própria, e, ao expressá-la, consolo é, sem dúvida, ministrado ao seu próprio coração. Não era um laço comum que unia o coração desses dois servos do Senhor. A ocasião das lágrimas de Timóteo não é revelada, mas provavelmente foi no momento de alguma separação, ao se despedir de Paulo. Pode ter sido ao deixá-lo na prisão, enquanto Timóteo partia para o seu próprio serviço. Quando quer que tenha sido, mostra claramente que a afeição de Paulo era totalmente correspondida. Foi a lembrança dessa despedida, combinada com o seu próprio amor ardente, que o levou a desejar ver Timóteo, para que ele se enchesse de gozo, pois com ele o apóstolo podia aliviar o coração e achar refrigério no gozo do amor e da comunhão de Timóteo. Muitos servos, em tempos de declínio, assim aprenderam a doçura e o encorajamento da verdadeira comunhão de coração relacionada à obra do Senhor.


E. Dennett


 

Agora e Depois



“Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.” (Sl 126:5 – ARA)



Agora, a semeadura e o choro,

Trabalhar duro, muito esperar;

Depois, a colheita de ouro,

Gratos cantando de volta ao lar.


Agora, a poda, afiada, implacável,

Flor espalhada, broto ensanguentado!

Depois, o fruto agradável

Do Mestre, em abundância gerado.


Agora, o longo dever, a labuta

Pedra por pedra esculpir e trazer;

Depois, a beleza perfeita

Do palácio do Rei então ver.


Agora, a afinação e a tensão,

Tons de lamento, forte desarmonia;

Depois, a grande ascensão

De Aleluias, perfeita melodia


F. R. Havergal (adaptado)


 

“Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão”

(Sl 126:5 – ARA)


 

[1] N. do T.: Tradução do título do livro Sunshine in The Shady Place, de Edith Milner. [2] N.T.: Do inglês, flying column, uma coluna voadora consiste em uma força de tropas equipada e organizada para se mover com rapidez e de forma independente de uma unidade principal à qual está ligada.

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