TROMBETAS (Janeiro de 2022)

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ÍNDICE

Trombetas

DBC

As Duas Trombetas de Prata

F. G. Patterson

O Som Alegre

Bible Treasury

A Trombeta e a Harpa

W. Brockmeier

A Festa das Trombetas

G. C. Willis

Festa de Sonido das Trombetas

P. Wilson

A Trombeta, a Lâmpada e a Espada

W. J. Prost

Tocando Sua Própria Trombeta

W. J. Prost

A Trombeta de Chifres de Carneiro, As Trombetas de Prata e a Última Trombeta

W. E.

O Alarme da Trombeta

E. Dennett

Os Juízos das Trombetas

H. Smith

O Uso de Duas Trombetas

J. L. Erisman

Você Está Pronto?

C. E. T.


 



Trombetas


Trombetas eram usadas em ocasiões alegres e nas guerras. Havia duas trombetas feitas de prata que os sacerdotes usavam, e instruções eram dadas de como tocar sons diferentes para reunir os príncipes, para convocar toda a congregação ou como um alarme para a guerra. Na dedicação do templo, Salomão tinha 120 sacerdotes tocando trombetas.


O uso de trombetas estabelece a proclamação pública dos direitos de Deus em Seu povo, seja em sua direção ou em seu relacionamento com Ele. Na promulgação da lei, um alto sonido de trombeta procedia do monte, mui forte, de modo que todo o povo estremeceu.


No exército romano, quando estava prestes a partir, a trombeta soava três vezes: na primeira trombeta, eles desarmavam suas tendas; na segunda, eles punham-se em ordem; quando a última trombeta soava, eles partiam. Quando o Senhor Jesus vier buscar os Seus santos, será com a voz de arcanjo e com a trombeta de Deus (1 Ts 4:16). A “última trombeta” soará na ressurreição dos santos (1 Co 15:52).


Dicionário Bíblico Conciso (adaptado)


 

As Duas Trombetas de Prata


Sendo completa a redenção, o Cristão é visto sob três condições distintas, que nunca são confundidas na Palavra de Deus.


Primeiro, ele é visto como possuidor da vida eterna em Cristo. “Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho” (1 Jo 5:11). Esse dom de Deus está baseado no fato de que toda a culpa do Cristão é removida. A morte não é mais para ele o salário do pecado, mas a entrada para o seu descanso eterno.


Segundo, ele também é colocado nos lugares celestiais na Pessoa de Cristo: Ele “nos vivificou juntamente com Cristo [...] e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2:5-6). Nisto, ele tem um novo lugar com Deus.


Terceiro, há uma jornada entre esses dois pontos – uma corrida para correr, um alvo para alcançar, embora já alcançado se ele olhar para si mesmo como estando em Cristo. O Cristão prossegue para o alvo pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Ele deve trabalhar para entrar no descanso de Deus e para conservar firme o princípio de sua confiança até o fim (Fl 3:14; Hb 3:6; 4:11).


A condição de três partes

Compreender essa visão de três partes do estado do Cristão é de grande importância para entender as Escrituras e tirar proveito dos seus ensinamentos de uma maneira correta. Há advertências e exortações dirigidas a ele durante a corrida que não se aplicariam à sua posição diante de Deus. Essas advertências e “ses” da Escritura provam seu coração se não estiver firmado na redenção, visto que para ele pareceriam fazer o fim algo incerto.


Israel também tinha essa condição de três partes. Mas eles não começaram como nós, com um novo lugar com Deus; eles tinham que alcançá-lo no final. Israel foi tirado, por redenção, do Egito e trazido para Canaã. Mas eles também tiveram que passar pelo deserto para o seu descanso.


As duas trombetas de prata

Antes de começar a jornada, Moisés recebeu ordem para fazer duas trombetas de prata: “Faze duas trombetas de prata; de obra batida as farás; e te serão para a convocação da congregação e para a partida dos arraiais” (Nm 10:2). A orientação visível de Deus pela coluna de nuvem e de fogo estava lá dia e noite continuamente. Então veio o testemunho de Sua Palavra nesta figura diante de nós, dado por meio daquelas trombetas de prata, pelas variadas notas que eram tocadas. Finalmente, a arca do concerto ia adiante do arraial.


Aquelas três coisas expressavam a direção de Deus para Israel – Seus mandamentos, em seguida Sua Palavra, e então Ele mesmo.


Mas havia mais nas trombetas de prata do que tudo isso. No livro de Números, descobrimos que elas são os únicos instrumentos que o Senhor indicou que fossem feitos neste livro, na jornada no deserto. A prata pode apontar para a redenção, quando o livro em questão trata de tal coisa. Mas em Números, onde é a jornada que está diante de nós, essas trombetas são o meio pelo qual Deus se comunicava com Seu povo. Eu sugeriria que a trombeta é o testemunho de Sua Palavra, enquanto a prata é a imutabilidade de Seus caminhos. A prata aqui, então, tem este significado: a imutabilidade de Seus caminhos, tão abundantemente provada durante a memorável jornada de Israel.


Lemos sobre quatro toques (ou notas) distintos dessas trombetas em Números 10 e encontramos essas notas ecoadas pelo Espírito na epístola aos Hebreus. Em Israel, o povo estava sob a liderança de Moisés e Aarão, o apóstolo e sumo sacerdote de Israel, em sua vocação terrenal. Agora, o Cristão certamente está sob a liderança de Cristo – o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão.


As notas das trombetas

A primeira nota das trombetas em Números era “para a convocação da congregação” de Israel, quando eles deveriam ser reunidos para as atividades necessárias daquele dia. Em Hebreus, isso encontra seu antítipo nas palavras: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia” (Hb 10:25).


O segundo toque era “para as jornadas da congregação”. “Segundo a ordem do SENHOR, se alojavam e, segundo a ordem do SENHOR, partiam” (Nm 9:23 – ACF). Quão abençoado saber que nenhum movimento era realizado e nenhum lugar de parada era escolhido no deserto, senão “segundo a ordem do Senhor”. Não importava para onde a direção da jornada apontava, “segundo a ordem do Senhor”, ou quanta demora parecia haver, até que outra ordem para marchar fosse soada do lugar de descanso, somente Canaã era o alvo! Aqueles toques das trombetas são uma figura do que temos em Hebreus: “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso” (ARA), [...] corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé”.


A terceira ocasião em que lemos sobre o som das trombetas, trata-se de um “alarme” (TB). Essa palavra foi traduzida no Salmo 89:15 como “o som alegre” (ACF), mas se trata de ambos, pois era ouvida quando o inimigo estava em movimento e, para o ouvido acostumado, era um “som alegre”. O Senhor dos Exércitos estava com Seu povo; nenhum inimigo poderia pegá-los desprevenidos. Mas era um “alarme” também, pois despertava os fiéis para a necessidade de vigilância contra um inimigo atento e, para o inimigo, era o “alarme” de iminente derrota e ruína.


Para o dia da alegria

“Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o SENHOR vosso Deus” (Nm 10:10 – ACF). Este era o quarto “sonido de trombetas” no deserto – os “dias de alegria” foram ali marcados, e sobre os “holocaustos” e “ofertas pacíficas” o som era ouvido. Quão repleto é o final de Hebreus (cap. 9-12) do valor d’Aquele em Quem todas as ofertas encontraram seu correspondente “uma vez” e “para sempre”! É um dia de alegria para o qual somos chamados ali: [...] comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força” (Ne 8:10). Ou, como a epístola aos Hebreus coloca: “Mas não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com outros, pois com tais sacrifícios é que Deus se agrada” (Hb 13:16).


Assim, encontramos Números com seus tipos e Hebreus com suas interpretações, encaixando-se com a perfeição das comunicações de Deus à nossa alma. “Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Co 10:11).


A trombeta caracterizava, então, o ponto de partida da jornada do povo de Deus. Se eles tivessem dado ouvidos ao seu alegre som, teriam conhecido a bem-aventurança do “povo que conhece o som alegre”. “Andará”, diz o salmista, “ó SENHOR, na luz da Tua face” (Sl 89:15).


F. G. Patterson (adaptado)


 

O Som Alegre


“Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó SENHOR, na luz da Tua face” (Sl 89:15). Qual é o som alegre falado aqui? A palavra hebraica é t’ruhah – o som de uma trombeta. Mas nem todo som da trombeta era assim chamado. Para reunir o povo à porta da tenda da congregação, tal som não era necessário. O toque de uma única trombeta para os príncipes se reunirem não era esse. Para chamar Israel para suas festas e jejuns, a trombeta soava, mas não com o toque como é referido aqui. Mas se fosse para a congregação desarmar as suas tendas, enquanto estava acampada no deserto, o acampamento ser desfeito e o povo se manter próximo ao símbolo da presença divina, uma vez que a arca precedia o arraial ou viajava em seu meio, então esse som especial era ouvido. Além disso, se a terra fosse invadida, eles deveriam soar o alarme, o qual parece ter participado do caráter deste som.


Além dessas ocasiões especiais, havia dois momentos em que o som t'ruhah da trombeta era regularmente ouvido: um, no quinquagésimo ano, no décimo dia do sétimo mês, para proclamar o advento do Ano do Jubileu (Lv 25:9-10); o outro, anualmente, no primeiro dia daquele mesmo mês, chamado o dia do sonido de trombetas (ARA) ou, como na KJV, um dia de tocar as trombetas (Nm 29:1).


Não é o anúncio das festas judaicas em geral, como muitas vezes é entendido; para elas, nenhum toque de trombeta como esse era soado. A referência é certamente ao primeiro dia do sétimo mês, quando, após uma pausa nas festas desde o dia de Pentecostes, a trombeta soava para anunciar ao povo o início de Tisri[1], em que o dia da expiação e a festa dos tabernáculos seriam celebrados, e o ano do jubileu seria, de tempos em tempos, proclamado.


Olhando para o salmo de um ponto de vista dispensacional, essa explicação será encontrada de acordo com as circunstâncias do povo neste, o terceiro, livro dos Salmos. Eles são restaurados à sua terra, os cativos regressam (Salmo 85); o dia do sonido das trombetas teve seu cumprimento; eles são reunidos novamente em torno do centro que Deus designou na Terra, mas ainda não se entra na bênção completa. Por isto, o salmista, pelo espírito de profecia, implora. Suas promessas a Davi não estão cumpridas. Mas, restaurados à sua terra, eles imploram por elas, de modo que podem dizer: “Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó SENHOR, na luz da Tua face”.


Bible Treasury, Vol. 6


 

A Trombeta e a Harpa


O toque da trombeta surpreende aqueles que estão adormecidos, mas a música da harpa ajuda a nos acalmar para dormir. A importância do ensino claro na assembleia para que todos possam ser edificados é comparada com as diferenças de sons dos instrumentos musicais, especificamente a trombeta e a harpa. “E mesmo coisas inanimadas que fazem som, seja flauta ou harpa, a menos que deem sons distintos, como se saberá o que se toca com a flauta ou com a harpa? Porque, se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha?” (1 Co 14:7-8 – KJV).


Na jornada de Israel pelo deserto, as trombetas foram um importante meio de comunicação. Era imperativo que houvesse uma distinção entre um chamado para congregar e um alarme. Os movimentos de Israel teriam sido marcados por caos e desordem se as trombetas não tivessem soado corretamente (Nm 10:1-10).


As trombetas eram feitas de prata, simbolizando os direitos do Senhor sobre nós pela redenção. A prata era usada como dinheiro de expiação (Êx 30:12,15; 38:25; 1 Pe 1:18). O autor do hino expressou essa verdade muito bem quando escreveu:


Eu amo reconhecer, Senhor Jesus, Tuas divinas reivindicações sobre mim; Comprado com Teu sangue mais precioso, De quem posso eu ser, senão Teu.


Os vários toques da trombeta

Os filhos de Israel deviam tocar a trombeta em várias ocasiões. Da mesma forma, o crente é responsável por declarar as reivindicações do Senhor sobre ele em todas as épocas, sejam dias de felicidade ou dias de angústia.


O ministério que nos exercita a reconhecer, na prática, a autoridade do Senhor em nossa vida pode ser comparado ao sonido de uma trombeta. O toque da trombeta surpreende aqueles que estão dormindo e é muito necessário quando há letargia e preguiça espiritual. O som da trombeta também é estimulante. Quão bom ouvir um ministério que nos dá direção, refrigera nosso espírito, acelera nossos passos e nos encoraja a seguir em frente.


Na Escritura, o toque da trombeta frequentemente está relacionado com a vitória (Js 6:20; Jz 7:20; 1Ts 4:16). É um grande testemunho quando as almas se posicionam publicamente a favor de Cristo e confessam Seu nome em meio ao escárnio e ao ridículo.


Mau uso da trombeta

Existe o perigo, no entanto, de mau uso da trombeta. Uma trombeta tocada na hora errada pode ser muito dissonante e rude. Também é importante que uma distinção seja feita em como ela é soada. Às vezes, uma trombeta é soada na esperança de energizar o povo de Deus a fazer progresso espiritual e unir-se nos interesses de Deus. Em vez disso, um alarme soou e o povo de Deus confunde o barulho com um chamado para a batalha. Equívocos e atrito são o resultado. Devemos lutar fervorosamente pela fé, mas com que cautela a trombeta deve ser usada para que uma mensagem errada não seja enviada!


O ministério dos profetas da antiguidade tinha o caráter de uma trombeta. A missão deles era chamar o povo de Deus ao arrependimento por meio de um ministério que lidasse fielmente com seu estado espiritual. A atitude do povo era de indiferença às reivindicações de Deus, enquanto continuavam em um curso obstinado de concupiscência, arrogância e impudência. No entanto, esses mesmos profetas trouxeram mensagens de alegria e esperança. É um tempo bem gasto examinar os escritos de Isaías, Jeremias, Joel, Ageu, Malaquias, bem como dos outros profetas, para encontrar essas palavras de consolo. Essa linha de ministério corresponderia à harpa.


O som da harpa

Enquanto uma trombeta despertaria alguém do sono, uma harpa ajudaria a adormecer. O Senhor Se deleita em que tenhamos descanso e paz em Sua presença. Davi usou a harpa para aliviar Saul do perturbador espírito maligno. Que influência que acalma é trazida por alguém que está andando em comunhão com o Senhor! Quão raro é o ministério da harpa!


Para que a harpa dê seu belo som, as cordas devem estar esticadas. O Senhor frequentemente aperta as cordas de nossa vida para que possamos dar um som belo e verdadeiro. Pode ser por meio de provações, problemas de saúde, dificuldades financeiras, tristezas familiares, problemas de assembleia, demandas seculares, pressões sociais, perda de entes queridos, rejeição, isolamento ou incompreensão. O Senhor trabalha em nós para que sintamos necessidade d’Ele e nos aproximemos d’Ele.


Paulo escreveu, em 2 Coríntios 1:4, sobre o consolo que recebeu de Deus, e isso o habilitou a ser um consolo a outros. Se alguém falasse, apenas em teoria, do consolo de Deus, sem alguma experiência prática de primeira mão, soaria tão discordante quanto uma harpa frouxamente afinada. Deus insiste em realidade. Precisamos tanto do ministério da trombeta para nos estimular quanto do ministério da harpa para nos acalmar. É necessário cuidado para não dedilhar a harpa quando a trombeta deveria ser tocada, nem tocar a trombeta quando o som suave da harpa é necessário. Que possamos buscar a mente do Senhor para saber como e quando usar as duas. “Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação [a trombeta] e consolação [a harpa] (1 Co 14:3).


W. Brockmeier


 

A Festa das Trombetas


As primeiras quatro festas aconteciam perto umas das outras no início do ano; isso fica claro a partir de Levítico 23. Em seguida, vinha o momento de colher até que o último molho fosse cortado (Pentecostes), mesmo que ainda houvesse bons grãos caídos nos cantos dos campos. Procuraremos agora, com a ajuda de Deus, examinar as três últimas festas. Todas elas aconteciam próximas umas das outras, no sétimo mês.


O mesmo Senhor que agora é glorificado no Céu como Cabeça da Igreja também reinará na Terra como Rei de Israel e Senhor de toda a criação. Ele será honrado acima nos Céus e embaixo na Terra, e todos se unirão para reconhecer a Jesus de Nazaré, “Senhor de todos”. Por essas razões, sugerimos que as últimas festas tenham talvez um duplo significado. Seu significado principal é, sem dúvida, uma exposição dos eventos que virão sobre esta Terra, mas parece que as últimas festas também têm uma aplicação secundária que pode predizer eventos relacionados com a Igreja no céu, pois nunca devemos esquecer que a porção de Israel é a Terra, mas a porção da Igreja é sempre nos céus.


A última série de festas

A Festa das Trombetas dá início à última série de “festas fixas de Jeová” (TB). Em Números 10:2, Deus ordenou a Moisés que fizesse duas trombetas de prata. Esta festa era um momento especial de soar essas trombetas. Foi chamada “um memorial de sonidos de trombetas” (Lv 23:24 – TB). Isso não nos fala daquela notável trombeta que será tocada em um dia vindouro? Então, “Ele enviará os Seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais ajuntarão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24:31 – ARA).


Lemos em Isaías 18:3-7, “Vós todos, habitantes do mundo e moradores da Terra, quando uma bandeira for levantada nos montes, olhai, e, quando uma trombeta for soada, ouvi! [...] Naquele tempo, será levado a Jeová dos Exércitos um presente de um povo disperso e assolado [...] ao lugar do nome de Jeová dos Exércitos, o monte Sião” (JND). Existem muitas outras passagens que nos mostram que a Festa das Trombetas prediz aquele toque da trombeta que chamará Israel de volta à sua própria terra.


A Festa das Trombetas

Mas, na Festa das Trombetas, não é o próprio Deus quem toca a trombeta? Se Deus, em Sua graça, fala em se lembrar novamente de Seu povo, não é verdadeiramente Deus que toca a trombeta para chamar Seu povo a se lembrar d’Ele? Israel se esqueceu de seu Deus e O abandonou, e agora parece que Deus se esqueceu, abandonou e rejeitou o Seu povo. Mas isso é somente na aparência. Paulo pergunta: “Rejeitou Deus o Seu povo?” E a resposta é clara e decisiva: “Deus não rejeitou o Seu povo, que antes conheceu” (Rm 11:1-2). O dia está próximo quando a trombeta soará, mostrando que Deus novamente se lembra de Israel e do Seu concerto com eles. Pobre Israel, quão pouco eles sabem sobre descanso e alegria agora, com toda a turbulência em sua terra! Mas, embora saibamos que Israel deve primeiramente passar pelos mais terríveis juízos, ainda assim, o seu descanso e alegria logo virão. Não pode ser possível que as primeiras notas daquela trombeta de prata, ou seu eco do alto, estejam começando a cair nos ouvidos de Israel?


O chamado da trombeta vindo do céu

Mas se até mesmo o eco das notas de longe estão começando a soar, nos dizendo que a trombeta de prata está “para tocar”, regozijemo-nos e levantemos a cabeça, e esperemos com mais anseio pela nota de outra trombeta que parece ser um repique curto e forte: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1 Co 15:52).


Não, não é a trombeta que chama Israel de volta à sua terra que nós, a Igreja, estamos esperando, mas pelo próprio Senhor Jesus, pois “o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4:16-17). E novamente: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co 15:51-52).


Que dia de gozo, alegria e descanso será para a Igreja! Então estaremos para sempre com o Senhor. Seremos como Ele, pois O veremos como Ele é. Então, já não mais através de um espelho, obscuramente, mas face a face! E os entes queridos que partiram antes serão ressuscitados primeiro, e estaremos juntos novamente para não mais nos separarmos!


A trombeta após a colheita


Na Festa das Trombetas, o Senhor adverte especialmente contra qualquer “obra servil” feita naquele dia. Quão diferente do ensino de alguns de que é somente por nossos próprios esforços em vigiar e vencer que podemos ao menos ter esperança de ver aquele dia ou ouvir aquela trombeta! Tais mestres pouco sabem o valor da redenção anunciada naquelas notas da trombeta de prata, tampouco sabem a inutilidade de sua própria obra servil em se fazerem aptos para aquele dia. Não, não é o medo de sermos deixados para trás naquele dia que Deus coloca diante de nós motivo para nos mantermos limpos aqui, mas a bendita esperança de vê-Lo e ser como Ele. “E qualquer que n’Ele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro” (1 Jo 3:3).


A Festa das Trombetas segue a colheita descrita em Levítico 23:22. Cremos que a colheita simboliza a vinda do Senhor para a Sua Igreja, mas as trombetas de prata desta festa não podem senão trazer à nossa mente a trombeta que chama a Igreja para estar para sempre com o Senhor e estão, evidentemente, intimamente relacionadas com ela. A Festa das Trombetas acontecia no primeiro dia do mês; esse é o período em que a lua fica mais escura e menor. A estrela da manhã aparece pouco antes do amanhecer, quando a noite é mais escura. Portanto, irmãos, conforme vemos a Igreja professa piorando, conforme a vemos ficando mais escura e mais fria, e cada vez mais parecida com o mundo, vamos olhar para cima e aguardar com mais fervor pela Estrela da Manhã e escutar mais atentamente o som da trombeta.


O Senhor sempre deixa claro que Sua vinda é iminente. “Porque ainda um poucochinho de tempo, e O que há de vir virá e não tardará” (Hb 10:37). Que estejamos sempre, diariamente e a cada hora, esperando por Ele, e que nosso coração sempre esteja clamando: “Amém! Ora vem, Senhor Jesus!”.


G. C. Willis (adaptado)


 

Festa de Sonido das Trombetas


As primeiras quatro festas de Jeová – a Páscoa, a Festa dos Pães Asmos, a Festa das Primícias e o Pentecostes – foram cumpridas na história de Israel. As últimas três, ainda a serem cumpridas – a Festa de Sonido das Trombetas, o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos –, começam com o que Israel hoje chama de Rosh Hashaná – o sonido das trombetas. (Para uma discussão mais completa das festas de Jeová, o leitor é direcionado à edição de maio de 2009 de The Christian (bibletruthpublishers.com/the-seven-feasts-may-2009/the-christian-volume-05/lpv24902-24907).


Embora os judeus celebrem esta festa como uma alegre ocasião em seu calendário de festas religiosas, eles mal percebem que ela também deve ter um cumprimento. O tempo de sua execução típica está se aproximando, mas duas coisas devem preceder sua realização: a vinda do Senhor para a Igreja e os sete anos agitados que se seguirão – dos quais a última metade é designada como “o tempo de angústia para Jacó”. Como estamos nas vésperas da volta da Igreja para casa, o verdadeiro “memorial de sonido das trombetas” para Israel está próximo. Tão certo como as primeiras festas tiveram um cumprimento literal, da mesma forma acontecerá com as três últimas.


Rosh Hashaná

O principal significado da figura de Rosh Hashaná é o chamado de retorno de Israel quando o Senhor vier com Seus santos em poder e grande glória. Então, “Ele enviará os Seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mt 24:31). “E será, naquele dia, que se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria e os que foram desterrados para a terra do Egito tornarão a vir e adorarão ao SENHOR no monte santo, em Jerusalém” (Is 27:13).


Ocasiões das trombetas

As trombetas eram tocadas em Israel em várias ocasiões, conforme descrito em Números 10. Elas poderiam ser usadas para convocar a congregação ou apenas para convocar os príncipes; podiam soar um alarme em preparação para a guerra, anunciar dias de alegria ou o início dos meses. Em Joel 2, está escrito: “Tocai a trombeta em Sião e soai o alarme no Meu santo monte; tremam todos os moradores da Terra, pois o dia do Senhor vem, pois está perto” (v. 1 – KJV). Esse versículo não é o que Rosh Hashaná significa, pois é um alarme a ser soado quando o Senhor voltar para executar juízo, quando Ele trará todas as nações contra Jerusalém para sua destruição. Isso precederá a convocação de Israel para o memorial de sonido das trombetas. Mais tarde, em Joel 2 (v. 15), outros sons da trombeta devem ser ouvidos: “Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembleia solene. Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu aposento. Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a Teu povo, ó SENHOR, e não entregues a Tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; […] Então o SENHOR terá zelo da sua terra, e se compadecerá do Seu povo” (vs. 15-18 – KJV).


Esta última citação significa uma humilhação nacional perante Deus em todos os aspectos – político, religioso e familiar. Quando o Senhor chamar os judeus de volta com Seu propósito de abençoar, será para humilhação e arrependimento. Ainda hoje, os judeus consideram os 10 dias após o Rosh Hashaná como dias de penitência e o sábado após a celebração deles do Ano Novo como “Shabat Shuvá” (o sábado do arrependimento).


P. Wilson


 

A Trombeta, a Lâmpada e a Espada


É muito claro, pela história de Gideão, que Deus usou um homem que era pequeno aos seus próprios olhos. Então o Senhor o humilhou ainda mais, até ao ponto em que ele teve que ouvir ele mesmo sendo comparado a um “pão de cevada” (Jz 7:13). As lições que ele aprendeu na escola de Deus o prepararam para o serviço, ao mesmo tempo em que faziam com que Gideão fosse nada e o Senhor tudo. Mas, por outro lado, a força e a glória do Senhor foram soberanas; a vitória foi conquistada, e o Senhor recebeu a glória.


Vemos os resultados de Deus trabalhando com Gideão na maneira como ele se aproximou da batalha. Com apenas 300 homens, ele não podia esperar obter, por força humana, a vitória sobre os midianitas e amalequitas, que estavam no vale “como gafanhotos em multidão”. Consequentemente, Gideão não arma seus homens da maneira normal, com armas tais como lanças e espadas. Não, ele reconheceu o poder do Senhor e os equipou: “na mão esquerda as tochas e na mão direita, as trombetas” (Jz 7:20 – ARA). Ambas as mãos estavam ocupadas; não havia mão com a qual segurar uma arma. Então, eles deviam tocar as trombetas e quebrar os cântaros que cobriam suas lâmpadas, enquanto clamavam: “Pelo SENHOR e Gideão!” (Jz 7:18). Nenhuma menção foi feita à espada, pois Gideão havia aprendido que seria o Senhor quem alcançaria a vitória. Assim foi, pois o inimigo se autodestruiu; os homens de Gideão não precisaram levantar uma arma.


Os trezentos

Mas então, quando os 300 homens seguiram as instruções de Gideão, os encontramos dizendo, “Espada do SENHOR, e de Gideão!” (Jz 7:20). Eu sugiro que há dois pensamentos aqui. Em primeiro lugar, Gideão é agora um tipo de Cristo – o único que sempre age com perfeição. Mesmo o mais fiel de Seus servos não age com a perfeição de seu Mestre. Os homens de Gideão, por mais fiéis que fossem e bravos soldados, não haviam passado pelo mesmo treinamento que Gideão. Eles mencionaram a espada, embora não tenham sido instruídos a fazê-lo. Eles não haviam conhecido o Senhor da mesma forma que Gideão.


Mas não havia uso para a espada? Sim, certamente, pois quando a vitória foi conquistada, ainda havia inimigos para lidar. Havia ainda 15.000 que restaram do exército dos midianitas e outros, os quais Gideão precisou perseguir. Os príncipes e reis de Midiã ainda estavam foragidos e precisavam ser capturados e executados. Também, é triste dizer, houve aqueles de Sucote e Penuel, em Israel, que negaram ajuda a Gideão quando ele perseguia os reis de Midiã. Foi tão somente justo que juízo fosse executado contra eles. As espadas certamente foram bem utilizadas em todas essas situações.


O tesouro em vasos de barro

Tudo isso tem uma lição para nós também. O equivalente Cristão à história de Gideão é encontrado em 2 Coríntios 4:6-7: “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. O tesouro é Cristo, assim como as luzes carregadas pelo exército de Gideão, mas é uma luz em um vaso de barro – nós mesmos. Com frequência, o Senhor precisa quebrar o vaso de barro para que a luz possa brilhar. Não é agradável ter nosso vaso de barro quebrado, mas vale a pena, pois assim Cristo brilha mais intensamente. Então o poder de Deus é manifestado e Ele recebe a glória.


Nossa força não é a nossa, mas a do Senhor, para que não alcancemos a vitória por meios humanos. A luz e a trombeta (que anuncia que Deus está trabalhando) são tudo o que é necessário. Mas então, quando a vitória é conquistada, temos o que a Escritura chama de “espada do Espírito” (Ef 6:17), que é a Palavra de Deus. Mais precisamente, é a Palavra de Deus que lemos, na qual meditamos e andamos. Nós a usamos na guerra espiritual, mas reconhecendo que a vitória já foi conquistada para nós por nosso Senhor e Mestre. Então, usamos a espada para manter nosso lugar no gozo das coisas celestiais e em conflito com as “hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6:12).


W. J. Prost


 

Tocando Sua Própria Trombeta


Muito frequentemente, constatamos, entre o povo de Deus hoje, que há um reconhecimento de uma dificuldade, mas nenhum poder para lidar com a situação – um reconhecimento, talvez, de que há algo errado em nossa vida; um reconhecimento, talvez, de que o inimigo tomou aquilo que pertence por direito ao Senhor; um reconhecimento de que coisas que não estão de acordo com a mente de Deus estão entrando sorrateiramente. No entanto, parece não haver poder para lidar com a situação. Aqui em 1 Samuel 13, encontramos um jovem chamado Jônatas. Não nos é dito quantos anos ele tinha, mas o encontramos tomando os mil homens que lhe foram entregues e ferindo a guarnição dos filisteus.


Digo aos jovens, e especialmente aos jovens irmãos aqui, que isto deve ser um encorajamento para o seu coração e para o meu. Jônatas evidentemente não estava preocupado com o número de homens com que tinha de lidar; ele saiu por conta própria com os mil homens que lhe foram entregues e obteve a vitória. O poder do Senhor ainda está lá! Portanto, não desanime pelo fato de você ver fracasso ao seu redor. Reconhecemos isso. Você verá fracasso em outros; você verá fracasso em seus irmãos; você verá fracasso nos jovens que andam com você; e, acima de tudo, você verá fracasso em si mesmo. Mas isso não deve nos desanimar, porque Deus nos deu as maneiras e os meios de lidar com isso. E, se há um coração verdadeiro e julgamento próprio diante de Deus, então Ele se deleita em conceder o poder para sair e lidar com a dificuldade ou problema.


Observe o que aconteceu aqui. Jônatas não contou a ninguém sobre a vitória. Os filisteus souberam dela sem nenhum problema. “Saul tocou a trombeta por toda a terra, dizendo: Ouçam os hebreus”. Qual foi o resultado? “Então, todo o Israel ouviu dizer: Saul feriu a guarnição dos filisteus”. Às vezes, quando você sai e faz algo para o Senhor, outra pessoa tenta levar o crédito por isso. Aqui vemos que um homem que não tinha ele mesmo a energia, que não tinha a mente do Senhor ou o poder espiritual para sair e lidar com a situação, quando seu filho saiu e fez isso, ele leva o crédito. Frequentemente vemos isso acontecendo nas coisas de Deus. Creio que esta é uma categoria com a qual precisamos ter cuidado – um homem que toma o crédito para si mesmo por aquilo que outros fizeram. Vamos nos certificar de que não caímos nessa categoria.


Por outro lado, não encontramos Jônatas levantando a voz para tentar esclarecer as coisas. Nunca tente se defender. Ainda me lembro de um irmão mais velho nos dizendo isso repetidas vezes: “Nunca se defenda!” Jônatas simplesmente segue em frente com o Senhor, contente em deixar o que ele havia feito para a aprovação do Senhor. Nos dias em que vivemos, vemos homens fazendo uma grande exibição das coisas, simbolizado aqui pelo toque de uma trombeta, e às vezes isso se arrasta para dentro da Igreja de Deus. Às vezes há mais exibição exterior do que poder espiritual por trás. Aqui estava um jovem que se contentou em agir para o Senhor e não se preocupou com quem soube disso ou como ficaram sabendo disso; ele deixou que o Senhor o justificasse.


W. J. Prost (de uma pregação para jovens, 1985)


 

A Trombeta de Chifres de Carneiro, As Trombetas de Prata e A Última Trombeta


1. A trombeta de chifres de carneiro – juízo

Abra em Josué 6 e veja aqueles sacerdotes marchando atrás dos homens armados ao redor da cidade de Jericó por sete dias, e no sétimo dia eles rodeiam a cidade sete vezes. Ouça aqueles sonidos altos, roucos, de despertar, que eles tocam com aquelas trombetas de chifres de carneiro. Esgotados e cansados de marchar ao redor da cidade, será que eles esperavam derrubar as fortes muralhas de Jericó com aqueles sonidos fracos?


Havia alguns que se abrigaram na casa de Raabe, o único lugar seguro naquela cidade, onde o cordão de escarlata estava pendurado na janela, mas a cidade, como um todo, desprezou os avisos. Finalmente, chega o momento – a última nota soou –, foi dada a ordem para levantar o grito de vitória; o grande poder de Deus derruba as paredes, enquanto a espada do juízo faz a sua obra mortal sobre os habitantes. Assim será com este mundo.


Agora veja outro exemplo no livro de Jonas. Jonas é enviado àquela grande cidade de Nínive para anunciar o juízo vindouro, porque a maldade dela subiu até Deus. Ouça a nota alta e alarmante que ele soa: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida”. Graças a Deus, a nota que Jonas soou foi eficaz. O povo ouviu, se arrependeu e foi salvo do juízo que ele anunciou.


Assim é neste grande mundo ímpio e perverso. Ouça novamente aquele longo e alto sonido, de assustar a alma, que o apóstolo soou em Atos 17:30-31: “Deus ordena a todos os homens em todos os lugares que se arrependam, porquanto designou um dia, no qual Ele julgará o mundo com justiça, por meio do varão que Ele ordenou” (KJV). A trombeta de chifre de carneiro já soou sua nota de aviso. Se você perecer no lago de fogo, você se lembrará de que ouviu o juízo ser anunciado, mas não deu atenção, e então você está perdido, eternamente perdido. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (At 16:31).


2. As trombetas de prata – graça

Agora que ouvimos os solenes sonidos de juízo, deixe-me voltar sua atenção para as doces notas da graça. Primeiro, leia Números 10, com suas duas trombetas de prata. A prata tipifica a graça na expiação. O povo de Israel tinha que dar metade de um siclo para fazer expiação por suas almas (Êx 30:11-16). Essas trombetas de prata eram para a convocação da congregação, bem como para outros usos, e somente os sacerdotes podiam tocar essas trombetas ou as de chifres de carneiros. Homens consagrados a Deus devem fazer a obra de Deus. E não está Ele reunindo Sua assembleia agora? Ele está fazendo com que Seus servos toquem, através das trombetas de prata, as doces notas da graça e reúnam os Seus amados – aqueles comprados por Seu sangue – neste mundo, antes que a última trombeta soe para chamá-los para outro mundo. Graças a Deus que Ele está fazendo isso.


Abra em Levítico 25:9-10 – “Farás passar a trombeta [...] no Dia da Expiação [...] e apregoareis liberdade na terra a todos os seus moradores [...] e tornareis, cada um à sua possessão, e [...] à sua família”. Como isso é precioso; as trombetas de prata soam sua doce nota no ano do Jubileu, no Dia da Expiação. Tudo é baseado na expiação. Que ano de alegria! Quão precioso para o pobre e cansado escravo, ao sair de sua servidão “um homem livre”. Ah, a liberdade só é valorizada quando a escravidão é sentida. A liberdade do evangelho só é mais apreciada quando o trabalho penoso e a escravidão do diabo foram experimentados.


Quão abençoado é ouvir o próprio Senhor soar aquela doce nota na sinagoga em Lucas 4:18: [Ele] enviou-me [...] para proclamar libertação aos cativos [...] para pôr em liberdade os oprimidos” (ARA). A redenção foi cumprida, e agora Ele diz a Seus servos: Ide e tocai a nota da graça, para “das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão dos pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em Mim” (At 26:18 – ACF). O evangelho da graça de Deus está ressoando por toda parte, suave e docemente por meio das trombetas de prata.


3. A última trombeta – glória

Agora, apenas uma palavra sobre a última trombeta (1 Co 15:51-52). “Eis aqui vos digo um mistério: [...] nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta”. Por meio da misericórdia do Senhor, alguns de nós fomos despertados pelos fortes, solenes e alarmantes sonidos de juízo; então, ouvimos as doces e abençoadas notas prateadas da graça e tivemos paz em nossa alma. Agora estamos esperando o soar da “última trombeta” para nos convocar à glória. Quão consolador, para os que confiaram em Cristo, saber que estaremos lá com Cristo para sempre. Esperamos o soar da última trombeta para nos chamar de volta.


Suponho ser isto uma figura romana. A primeira trombeta era para desmontar suas tendas; a segunda trombeta era para entrar em ordem de marcha; a última trombeta era para marchar. Quão precioso é o pensamento de que tudo está pronto para soar a última trombeta. Não esperamos a morte, nem procuramos sinais. Esperamos pelo próprio Senhor; aguardamos a última trombeta. Então as tristezas cessarão, então as provações terminarão, então os cansados peregrinos entrarão na casa do Pai e estarão para sempre com o Senhor.


Oh, a alegria de encontrá-Lo! Quem consegue expressá-la? E a última trombeta é o anúncio de que Aquele que vem chegou, e marchamos para encontrá-Lo – ou, como diz o Espírito, “Seremos arrebatados [...] a encontrar o Senhor nos ares” (1 Ts. 4:17). Quão precioso é o pensamento de que é Ele mesmo Quem está vindo: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu” (TB). Estou certo de que o anseio em nossa alma pela Sua vinda precisa ficar mais forte novamente. Ainda um pouquinho mais de tempo, e a nota de boas-vindas soará no ar. Num momento, teremos ido embora – arrebatados, transformados –, nosso corpo de humilhação conforme o Seu corpo de glória (Fp 3:21), e entraremos naquelas cortes acima, para compartilhar a glória para sempre. Estaremos com Aquele que nos amou e Se entregou por nós, e a Quem seja a glória para todo o sempre. Amém.


W. E.


 

O Alarme da Trombeta


Durante a construção do muro ao redor de Jerusalém nos dias de Neemias, havia o trompetista. “Aquele”, diz Neemias, “que tocava a trombeta estava ao meu lado” (Ne 4:18 – TB).


O uso das trombetas sagradas pode ser extraído de Números 10. Foi para “a convocação da congregação e para a partida dos arraiais”. Além disso, em tempos de guerra, um “alarme” devia ser soado – um alarme que não apenas reunia o povo, mas que também subia diante de Deus, chamando-O – para que eles fossem salvos de seus inimigos. E era uma ordem que somente os sacerdotes tocassem as trombetas – somente aqueles que, por sua proximidade, conheciam e estavam em comunhão com a mente do Senhor. Assim, aqui, aquele que tocava a trombeta deveria estar com Neemias, e, portanto, somente tocá-la por ordem de seu mestre. Era para Neemias discernir o momento de tocá-la e o trompetista captar a primeira indicação da mente e da vontade de Neemias. Da mesma forma, agora, somente aqueles que estão vivendo no gozo de seus privilégios sacerdotais, em proximidade e em comunhão com a mente de Cristo, sabem como soar um alarme. Tocar por sua própria vontade ou por sua própria apreensão do perigo seria apenas produzir confusão, afastar os edificadores do trabalho deles e, assim, fazer a obra do inimigo. Para serem capazes de soar no momento certo, eles devem estar com o seu Senhor e com os olhos sobre Ele.


E. Dennett


 

Os Juízos das Trombetas


A abertura do sétimo selo é seguida de silêncio no céu pelo espaço de meia hora; há algo intensamente solene nisso. Por longas eras, o mal tem aumentado, mas finalmente Deus está prestes a intervir, e o silêncio das eras será rompido pelas trombetas de Deus que anunciam Seus juízos.


Os juízos sob os primeiros selos foram de caráter providencial, mas, com a abertura do sétimo selo, vemos uma intervenção mais direta de Deus. O som de uma trombeta simbolizaria o fato de que Deus está anunciando diretamente que Seus juízos estão prestes a cair sobre o homem.


João vê sete anjos que estavam diante de Deus, aos quais são dadas sete trombetas. Parece, assim, que o último selo abrange todo o período dos juízos sob as sete trombetas e, então, nos leva até o tempo sob a sétima trombeta, quando os reinos deste mundo se tornam os reinos de nosso Senhor e do Seu Cristo (Ap 11:15-18).


O juízo da primeira trombeta

Este juízo sob o primeiro anjo, tocando a primeira trombeta, cai sobre a Terra, provavelmente usado como um símbolo para apresentar uma porção do mundo próspera e ordenada em contraste com as nações incivilizadas expressas pelo mar. A “terça parte” neste e nos três juízos de trombeta seguintes limitariam o juízo a uma área restrita. A partir do capítulo 12:4, isso parece indicar a esfera do Império Romano revivido. Pode ser a parte ocidental do Império Romano em contraste com a sexta trombeta, que está relacionada com o Eufrates ou porção oriental, enquanto a sétima trombeta nos fala de um juízo universal (Ap 11:15-18).


Este juízo recai sobre as árvores e a erva verde. Frequentemente, na Escritura, as árvores são usadas como um símbolo para mostrar grandes homens da Terra, enquanto a erva verde fala de prosperidade. Parece, portanto, que o juízo da primeira trombeta cai sobre a Europa, ou parte ocidental do Império Romano, lidando em juízo com os líderes e varrendo toda a prosperidade.


A segunda, terceira e quarta trombetas

No juízo da segunda trombeta, João viu “lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo”. Na Escritura, sabemos que uma montanha é usada para simbolizar um grande poder estabelecido há muito tempo. Esta trombeta, portanto, pareceria predizer a esmagadora destruição de um grande poder mundial que, em sua queda, trará ruína e morte sobre um terço das nações, visto que seu canal de subsistência é destruído pelo comércio sendo paralisado pela destruição dos navios.


O juízo que segue o soar da terceira trombeta é simbolizado pela queda de uma grande estrela sobre a terça parte dos rios. Porventura uma grande estrela não descreve algum líder de pensamento proeminente a quem os homens recorreram buscando orientação? A queda de uma grande estrela ardente parece indicar que, no juízo de Deus, algum líder intelectual tem permissão para apresentar falsos ensinos que envenenam a mente dos homens, trazendo amargura e morte moral, ou separação de Deus, sobre uma terça parte da Terra.


O juízo da quarta trombeta é apresentado sob a figura de uma terça parte do sol, e da lua, e das estrelas sendo ferida com escuridão. O sol, a lua e as estrelas são usados na Escritura para apresentar diferentes graus de autoridades governamentais ordenadas por Deus. Esses símbolos não sugerem que uma terça parte dos poderes políticos será ferida, deixando as pessoas em escuridão e confusão em todas as esferas da vida?


Os últimos três juízos de trombeta

Os três últimos juízos da trombeta são distintos dos primeiros quatro pelo anúncio do anjo voando pelo meio do céu, dizendo em alta voz: “Ai! Ai! Ai dos que habitam sobre a Terra, por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar!” (Ap 8:13).


Podemos notar que os primeiros quatro juízos de trombeta trataram sobretudo das circunstâncias da vida, simbolizadas pelas árvores, os rios, o sol, lua e estrelas. Os três últimos juízos de trombeta são mais severos e terríveis em seu caráter, na medida em que caem sobre os homens ao invés de suas circunstâncias. Eles trazem ai para aquela classe especial mencionada como os que habitam sobre a Terra – aqueles que, como Caim, saem da presença do Senhor e procuram construir um mundo sem Deus.


Nos tempos desses juízos, Deus selará como Seus um grande número de Israel, que será preservado para o reino de Cristo. O juízo da quinta trombeta, ou primeiro ai, cai sobre os “homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte” (ARA) – a porção apóstata da nação de Israel.


Engano satânico

Este terrível juízo parece ser um engano satânico que obscurece a mente dos homens. Este ensino maligno é apresentado sob o símbolo de um enxame de gafanhotos que, com poder irresistível, varre tudo diante deles, deixando miséria em seu rastro. O gafanhoto natural destrói a erva e tudo o que é verde e acaba com as árvores. Mas a influência maligna apresentada por esses gafanhotos simbólicos envenena as mentes dos homens, assim como um escorpião envenena o corpo. Tamanha será a miséria mental a que os homens serão levados que eles buscarão a morte, mas não a acharão. As mesmas pessoas que uma vez foram chamadas para ser testemunhas do Deus verdadeiro buscarão, ao caírem neste engano satânico, encontrar alívio para a mente tentando se livrar de todo o conhecimento de Deus.


Essa má influência afetará os homens por um período limitado, pois o poder de ferir durará apenas cinco meses. O líder desse terrível engano será Satanás, o anjo do abismo.


Não podemos concluir que os juízos da quinta e sexta trombeta apresentam o forte engano de que fala o apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 2:8-12?


Uma voz do altar de ouro

Uma voz vinda do altar de ouro diante de Deus chama o sexto anjo, ou segundo juízo de ai. Isso novamente nos lembra que todos estes juízos são dirigidos a partir do céu, e que o mal em sua plenitude é contido até ser chegado o momento para juízo.


Este juízo é muito semelhante ao último; mas é dito que este segundo ai cai sobre “a terça parte dos homens”, uma expressão que é usada no capítulo 12:4 para mostrar a esfera do Império Romano, que abrangeria a Cristandade professa.


A menção do Eufrates indicaria que esse juízo vem do Oriente, pois esse rio é a barreira natural entre o Oriente e o Ocidente. Parece que essa barreira será removida e alguma influência maligna do Oriente varrerá a esfera da Cristandade professa. Como resultado, a terça parte dos homens é morta, apresentando, provavelmente, não a morte física, mas que os homens são conduzidos a toda a miséria da apostasia, ou morte moral para com Deus. Aparentemente, haverá alguns que escaparão desse terrível engano, mas, mesmo assim, eles não se arrependem, pois é evidente no versículo final que, como nos dias anteriores ao dilúvio, o mundo estará entregue à violência e à corrupção.


A sétima trombeta

Para o soar da sétima trombeta, devemos passar para Apocalipse 11:14. Ela não traz algo novo sendo infligido semelhante às trombetas anteriores. Em vez disso, grandes vozes no céu proclamam aquilo que é o fim de todos os juízos de Deus – o estabelecimento do reino “de nosso Senhor e do Seu Cristo”. Aqui, toda a soberba oposição do homem é suprimida e o reino do Senhor por meio do Seu Ungido é estabelecido. Uma vez estabelecido, o Seu domínio permanece.


A reação no céu, simbolizada pelos vinte e quatro anciãos, é de adoração, mas na Terra “iraram-se as nações” (Ap 11:18), pois o coração natural do homem não mudou. Quando a era do evangelho se encerrar e a ira vier, trazendo consigo o justo juízo, ela se estenderá por um longo período, terminando apenas no “tempo dos mortos, para que sejam julgados” (Ap 11:18) – a cena final da ira no grande trono branco.


Todo pecado é destrutivo de uma forma ou de outra. Conforme o homem se tornou cada vez mais inventivo e obstinado, seus poderes de destruição aumentaram. Essas falsas ideias atingem o mundo moral, político e até mesmo o material, e hoje os líderes estão intoxicados com elas, resultando em violência incontrolável. “Os que destroem a Terra” (v. 18), sob o manto de melhorar as condições, seja materialmente, socialmente ou religiosamente, estão se tornando cada vez mais numerosos e poderosos. O estabelecimento do glorioso reino de nosso Senhor significará a destruição de todos eles. Então, finalmente, a era de ouro da Terra começará.


H. Smith (adaptado)


 

O Uso de Duas Trombetas


Em relação a levar questões perante a assembleia, sempre ouvi sendo ensinado por aqueles de uma geração passada que era preciso mais de uma voz para levar um assunto à assembleia. Um homem não poderia se levantar e dizer: “Agora, é isto o que devemos fazer”. Isso estava fora de ordem; precisava-se de duas vozes. O irmão Potter costumava se referir às trombetas de prata que foram feitas, em Números 10. Ali diz que, quando eles tocavam as duas trombetas, toda a assembleia seria reunida, mas uma trombeta reunia os anciãos. O irmão Potter costumava insistir nisso. Assim, um único irmão tentar convocar a assembleia realmente não está de acordo com o ensino da Escritura.


J. L. Erisman


 

Você Está Pronto?


Uma lição do exército romano

Nas colinas distantes o dia amanhece,

Uma branca neblina, do riacho, aparece,

No acampamento romano, um silêncio crasso,

Só o ronco do que dorme e, do vigia, o passo;

Mas ouçam esse som alto, claro e estridente,

Das notas da trombeta, acordando a todos de repente.


De ponta a ponta do arraial ressoa,

E, nas colinas ao longe, seu som ecoa;

Aquela cena tranquila se transforma agora,

Agitação e vida na quietude de outrora,

Com guerreiros saindo em sua armadura brilhante,

Saudando os primeiros raios do amanhecer vibrante.


Selas nos cavalos, bagagens embaladas,

Mastros empilhados, das tendas desmontadas,

Cavalos e homens, cavalaria e infantaria

Prontos, esperando quando a marcha se inicia;

Mas ouçam, outra vez, a trombeta tocando,

Disparado o acampamento, soldados se agrupando.


Sem quebrar a formação, agora é só aguardar,

O clangor da trombeta, terceira vez a tocar,

É ouvida; a terceira, a ÚLTIMA trombeta forte;

Antes que cessem suas notas ou seu eco se esgote,

Uma voz é ouvida; e clama, VOCÊS estão prontos?

Em alto e alegre tom, respondem: prontos ESTAMOS.

Mas o tempo se abrevia, está chegando a hora

Pode ser até mesmo antes da próxima aurora,

Quando o próprio Senhor, com Seu brado celestial,

Com voz de arcanjo e com a trombeta final,

Os Seus Santos, para si, nos ares, convocará;

Meu leitor ou ouvinte, você lá estará?


Pois o chamado da trombeta só poderá ser ouvido

Por quem, como Senhor, O tiverem recebido,

Por aqueles que, por simples fé, puderam ver,

Em Seu precioso sangue que Ele verteu ao morrer,

Que suas culpas são removidas, seus PECADOS PERDOADOS,

Passando das trevas à luz, em filhos do dia transformados.


“Ante a última trombeta” (pois a trombeta soará,

E de ponta a ponta do mundo seu som ecoará),

E os mortos em Cristo primeiro ressuscitarão

E os que estiverem vivos, ainda na Terra, serão

Arrebatados juntos com eles no ar.

Meu leitor ou ouvinte, VOCÊ lá estará?


C.E.T


 

“O mesmo Senhor descerá [...] com a trombeta de Deus: e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”

(1 Ts 4:16)


 

[1] N.T.: Primeiro mês do calendário civil judaico, geralmente coincidindo com partes de Setembro até Outubro.

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