top of page

PRESSÃO – Normal e Necessária

Frederick W. Lavington (1873-1938)




Baixe este livro digital nos formatos:


 

ÍNDICE

 

  • Na angústia [pressão – JND] me deste largueza” (Sl 4:1)

Meu desejo é falar sobre o versículo, “Na angústia [pressão – JND] me deste largueza” (Sl 4:1). É um princípio dos caminhos de Deus que é infalível em sua aplicação, desde o princípio até o mundo vindouro. A palavra que é usada para pressão leva consigo o pensamento sobre tribulação, sofrimento ou provação. Somos todos familiarizados com estas palavras, e somos familiarizados com as próprias coisas. Desejo ver se podemos conseguir ajuda considerando a aplicação.


Há certas coisas que não existiriam hoje, se o pecado não tivesse entrado no mundo. Se o homem não tivesse afirmado sua vontade, em desafio à vontade de Deus, certas coisas não teriam acontecido – por exemplo, redenção, julgamento, e a capacidade de peneirar, e discernir de modo a colocar o bem de um lado e o mal de outro – [N do T: “Têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5:14)]. Se o pecado não tivesse entrado no mundo, a ocasião para essas e muitas outras coisas não teria surgido. Mas, tendo entrado o pecado, então Deus, o Deus que nos ama e a Quem amamos, estabeleceu um princípio à medida a qual Ele Se move, e sob a influência da qual viemos. O Primeiro que Se moveu nessa linha foi Deus, então, diria nosso Deus bendito, se o pecado entrar, e com o pecado a morte e muitas outras coisas entrarem; então, as atividades divinas devem se mover de determinadas maneiras. Se Deus disse isso, não devemos ficar surpresos se todos os tipos de coisas, que englobam o modo de vida e o próprio propósito do povo de Deus estar na Terra, seguir essa mesma linha. Assim, o primeiro movimento do Deus bendito, tendo entrado o pecado, é a indicação da parte de Deus de que Ele estava preparado para sofrer. Ele estava preparado para seguir, numa linha de sofrimento para que Ele possa efetuar a recuperação de uma forma de glória que transcende todas as possibilidades, já que o pecado entrou.


E, então, a primeira palavra do Deus bendito é: “Sua semente (a semente da mulher) (Gn 3:15) – Cristo – na linha de sofrimento, de amor e de sacrifício. Se assim é com o Deus bendito, então estamos preparados para que o mesmo seja verdade para o Filho de Seu amor, pois Eles vão “ambos juntos” (Gn 22:8). A partir do momento em que Deus anunciou “Sua semente (a semente da mulher), tudo desde aquele momento até a cruz indica que a própria mente divina Se conduziu a isso – sofrimento, sacrifício e submissão. O Senhor Jesus Cristo passou pelo caminho da morte. Assim, o Velho Testamento está repleto daquelas coisas que nos sugerem o amor do Senhor em sofrimento, a senda do Senhor sob pressão; e então, finalmente, aquela pressão suprema no jardim do Getsêmani, na cruz e no sepulcro. É nessa linha que Deus consagra o princípio: “Na angústia [pressão – JND] me deste largueza” (Sl 4:1), Ele mesmo dando o caráter a isso, e levando-o adiante. Se isso é assim, então, não devemos nos surpreender se entrarmos no caminho da pressão.


Pode-se ver, penso eu, que nos caminhos de Deus a pressão, a tribulação e a provação são os elementos que preservam a integridade e a pureza do corpo. É algo maravilhoso como funciona do começo ao fim. Tomemos, por exemplo, as primeiras palavras que o Deus bendito dirige à mulher: “Com dor terás filhos” (Gn 3:16). Basta pensar como isso se provou nas miríades de pessoas que vieram ao mundo! “Com dor terás filhos” (Gn 3:16). É inevitável que Deus devia estar nessa linha; não poderia ser de outra forma. E, o que gostaria de sugerir a você, é que não devemos olhar para a pressão, ou o sofrimento, ou a provação, ou a aflição como algo anormal – como o inesperado, ou aquilo que traz consigo a sensação de choque ou surpresa, mas que, no espírito de nossa mente, aceitemos como princípio da casa de Deus que a largueza produzida é proporcional à pressão.


Poderia colocar isso de outra forma: A largueza produzida traz consigo o pensamento da manifestação, ou expansão, da luz da glória que brilhará no “mundo vindouro”. Se não houvesse pecado, não haveria nenhum “mundo vindouro” (Hb 2:5; Hb 6:5; Lc 18:30; Mc 10:30 – TB). Suponho que a ocasião para isso dificilmente existiria. Mas o que é em sua essência, é que o Deus bendito reserva isso para o dia do Milênio, em que Ele dará a resposta a toda pressão, aflição e conhecimento de Si mesmo adquirido nessas coisas; Ele dará nesse dia à manifestação de luz, que consiste no conhecimento de Deus que foi apreendido no lugar de aflição e provação.


Nos ajudaria muito se deixássemos de olhar para a tribulação, a aflição e coisas semelhantes como calamidade, infortúnio ou imprevisto, e aceitar no espírito de nossa mente que é um elemento normal da casa de Deus. Pode-se chegar ao ponto de dizer que Deus mantém certa pressão ou sofrimento em Sua casa, entre Seu povo, como um componente necessário, sem o qual não poderíamos prosseguir. E se a virmos dessa maneira, talvez nos tornemos sujeitos a ela, ou a testemunhemos a outros, sem a sensação de que algo imprevisto ou calamitoso ocorreu. Gostaríamos de ao ver desta forma, que há alguém – este irmão, aquela irmã, eu mesmo – que está sob o terno e gracioso cuidado de Deus como uma parte essencial daquilo que deve ser mantido em Sua casa, que é a pressão.



Os propósitos da pressão são múltiplos; agora, por um lado, os propósitos são certamente de preservação – conservação.


Tome a si mesmo – tome a mim: Se eu estiver livre dos cuidados de Deus no caminho que chamamos de provação, dificuldade ou pressão; estarei muito predisposto a levar as coisas com calma, por assim dizer, aqui neste mundo. Estou muito predisposto, no exercício de uma saúde vigorosa ou de uma saúde fácil, de circunstâncias fáceis, ou de ambientes que são do meu agrado, a considerá-la com um estado de espírito bastante independente, sem, talvez, muita preocupação com os outros. Mas, então, a pressão vem como uma maravilhosa forma de conservação. Poderia ilustrá-la por Pedro. O princípio vem desde Abel, mas vou ilustrá-lo com Pedro. O Senhor disse a Pedro:

  • Quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos; e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus” (Jo 21:18-19).

Lá está Pedro: onde quer que vá, ele tem isso em mente. “O Senhor colocou pressão sobre mim”. Suponha que alguém venha a ele e fale: “Temos uma boa proposta para você – algo certo para arrumar sua vida nesse mundo”. Ele diz: “O Senhor me disse que vou morrer [e ele morreu, na cruz]. Não tenho tempo ou lugar para essas coisas”. Suponha que, de uma forma ou de outra, o poder do mundo tenha entrado; ele sempre pensaria: “Tenho a sentença de morte em mim mesmo; esta sentença de morte me leva dia a dia para um inevitável fim”. Mas como ele considera isso? Com serenidade; em paz.


Às vezes dizemos, “Fulano está resignado?” Talvez a resposta seja “sim”. Lamento muito ouvir isso. À luz de Cristo glorificado, e do Espírito que ilumina a casa de Deus, não creio que a resignação seja o espírito correto, pois a resignação implica em algum tipo de domínio das paixões – um tipo de sentimento que não se pode escapar, é inevitável – assim, devemos tomá-lo tranquilamente. Mas se virmos Pedro, como ele se dirige a nós em sua segunda Epístola, falando na paz e serenidade de um espírito perfeitamente à vontade com Deus, na contemplação do fato de “que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo” (2 Pe 1:14), isto não foi resignação; foi uma expressão serena de alguém em perfeita paz, nas mãos de Deus.


Agora, a largueza que veio a Pedro, o fez ser capaz de magnificar a grande glória de Cristo, como ele de fato fez, e que está assegurado para ele um lugar definitivo no “mundo vindouro”. A pressão é respondida pelo que é proporcionado no “mundo vindouro” (Hb 2:5; Hb 6:5; Lc 18:30; Mc 10:30 – TB).



Além de ser para conservação, penso que podemos ver como a pressão é educativa – a educação.


Como aprendemos a Deus? Aprendemos a Deus, por meio de Seu cuidado conosco. “O Senhor corrige o que ama” (Hb 12:6). Assim que aprendemos a Deus. Portanto, ao que parece aqueles que estiveram mais tempo no caminho, ao olharem para trás, estão preparados a dizer que as coisas que contribuíram para as bênçãos definitivas, e que mais colaboraram para moldar-nos no conhecimento de Deus, foram as tribulações, as provações, as aflições.


Como Davi, podemos dizer:

  • Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os Teus estatutos” (Sl 119:71);

  • Antes de ser afligido andava errado; mas agora guardo Tua Palavra” (Sl 119:67);

  • Bem eu sei, ó Senhor, que os Teus juízos são justos, e que em Tua fidelidade me afligiste” (Sl 119:75).

Portanto, é de grande benção para a alma poder dizer das coisas que nos sobrevieram, “Aqui está minha educação; Deus está me educando”. Siga nesta direção.



Há, então, outra grande característica em respeito à pressão – a influência.


Onde estaríamos se não tívéssemos, entre nós, a influência que vemos nas mãos de Deus, tocando uns e outros? Lembro-me, certa vez, o Sr. Stoney J. B. (1814-1897) dizer que ia visitar um doente, não tanto pelo enfermo, mas por si mesmo. Entendi o que quis dizer; ele quis dizer que quando nos envolvemos com as atividades do mundo, seus assuntos, as pessoas, e tudo relacionado ao mundo, nos tornamos pessoas endurecidas – quase imperceptível, mas certamente isso acontece. Então, você se afasta do mundo, vem para o lado de uma pessoa enferma em seu leito, deitada em sofrimento, e vemos a maneira que Deus Se faz conhecer em Seu terno amor por ela. Você e eu com frequência estamos nessa posição. Há muito pouco tempo atrás, estive com um querido irmão, agora com o Senhor; e a paz, e descanso no amor de Deus que foi manifestado nele foi muito maravilhoso.


Vejamos o caso de outro jovem com quem estive, há muito pouco tempo atrás. O médico veio até ele e disse: “Acho que você irá se recuperar, afinal”. O rapaz respondeu: “Você não está me trazendo boas notícias. Alguns dias atrás, você me disse que eu iria para casa, para estar com o Senhor, e agora você está tentando me trazer de volta!” A influência dessas coisas sobre nosso espírito são inestimáveis, levando-nos, por assim dizer, à respirar uma atmosfera que está em total divergência com esse mundo, e que tem a fragância do precioso apoio de Deus, o encorajamento de Deus, e o toque sacerdotal do Senhor Jesus Cristo! Você se separa de um lugar como este, e seu espírito é “purificado” (2 Tm 2:21 – JND), amolecido e moldado. Assim, a manutenção dessas coisas na casa de Deus é uma necessidade para sua integridade espiritual, para sua perfeição espiritual.


Eu me pergunto – Você enxerga como este princípio opera em toda a Escritura? Esperamos por um dia de glória; lemos sobre isso na primeira Epístola de Pedro. Essa é a grande Epístola do sofrimento, da pressão. Qual a resposta para isso? A resposta é – “o mundo vindouro”; um dia de glória, onde não haverá sofrimento. Falando com uma querida irmã que foi colocada de lado, em circunstâncias muito dolorosas, seu pobre corpo retorcido, onde tem estado deitada na mesma posição por muitos anos, disse a ela: “Você sabe que seus sofrimentos presentes não têm tanta relação com este mundo, como com 'o mundo vindouro'”. Ela queria saber como; eu disse: “No mundo vindouro ninguém conhecerá Deus em sofrimento; não haverá ninguém que seja capaz de dizer por experiência pessoal qual é o apoio do Sumo Sacerdote em circunstâncias como essas, mas você foi colocada de lado aqui, e aqui está há anos. Não é tanto pelo seu efeito neste mundo, mas sim na educação que você terá para que o Senhor lhe diga: 'Vá e diga a este, e aquele, e aquele outro, e aquele no mundo vindouro, que Deus tem estado com você em uma esfera de fraqueza e sofrimento'”. Ela disse: “Nunca pensei nisso dessa maneira; considero uma grande honra”. Está certo. “Na angústia [pressão – JND] me deste largueza” (Sl 4:1). Ela foi habilitada nesse sentido a apreender que Deus tem, no processo de treinamento, sob Seu próprio toque abençoado, aqueles que fornecerão às miríades do “mundo vindouro” uma forma de luz e educação que eles nunca poderiam obter de sua própria experiência prática.



Então, esse princípio é válido. Vejamos Isaque, por exemplo; vemos Isaque em sua juventude, amarrado e deitado para a morte sobre o altar – “Abraãoamarrou a Isaque, seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha” (Gn 22:9). De fato, deve ter sido uma grande pressão sobre ele. “Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22:7). E aí está ele, deitado e amarrado sobre o altar; você consegue imaginar o que se passava em sua mente e pensamentos – qual seria a visão desse mundo para alguém deitado ali naquela posição, como Isaque estava. Aquilo foi pressão, porém para a “largueza”. Ele voltou de entre os mortos, e “Bradou-lhe do céu o Anjo de Jeovácontinuou o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo e não lhe faças nada;sei que tu temes a Deus” (Gn 22:11-12 – TB), – e “o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez” (Gn 22:15), e disse, a respeito de Isaque, “Em tua semente serão benditas todas as nações da Terra” (Gn 22:18). Havia a pressão, e houve a “largueza”correspondente.


O princípio funciona em todos os sentidos. Veja José, na cova; sem água, o lugar da morte – “A cova estava vazia, não havia água nela” (Gn 37:24). – Ele é tirado de lá, e colocado na prisão. O ferro penetra sua alma. Ele jaz lá em grilhões. Mas qual foi a resposta para a cova e a prisão para José? – [“o senhor de Joséo entregou na casa do cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam presos” (Gn 39:20)] – Sua glória encheu toda a terra do Egito, de modo que todos os seres da terra, e também de outras terras, vieram e disseram: “Tu nos tens conservado a vida!” (Gn 47:25 – TB).


Veja Paulo, é um assunto fascinante a ser seguido. Aqui está Paulo em atividade, ele é preso e pressionado. Ele está trancado na prisão. Em toda sua intensa devoção, e atividades que eram dele por Cristo, ele é colocado na prisão. Há pressão, e agora? Da prisão vieram as mais preciosas de todas as Epístolas que temos – As Epístolas aos Colossenses, aos Efésios, aos Filipenses, a Filemon e a segunda Epístola a Timóteo. Aquela rica e gloriosa “largueza” que tem nutrido e alimentado toda a Igreja de Deus desde aquele tempo até agora, saiu da pressão na prisão.


O princípio funciona sempre, o tempo todo. Você pode ver, com aqueles que são nossos conhecidos. Por exemplo, nosso amado irmão Sr. Darby J. N. (1800-1882), que tive o privilégio de conhecer – o princípio funcionou com ele. Ele tinha ideias e pensamentos de onde nada estava acontecendo, e Deus Se agradou de colocá-lo de lado por três meses, naquilo que chamaríamos de acidente, ou infortúnio, ou calamidade. E, naqueles três meses deixado de lado, incapaz de fazer qualquer coisa além de pensar, formou-se em seu espírito aquela luz que se tornou claramente a luz da restauração para o dia presente. Houve a pressão, e a “largueza” veio de alguma maneira, não somente para sua benção, mas grandemente para nossa benção e enriquecimento.


Então, amados irmãos, gostaria de sugerir para você e para todos nós que, nos caminhos de Deus, estamos num ambiente em que todas essas coisas nos alcançarão. Gostaria de aplicar isso a você, que, por uma questão de observação, há mais provação e aflição entre o povo de Deus, do que há no mundo. O mundo tem suas vicissitudes [atribulações] que vêm em consequência do pecado e rebeldia do homem. Mas, além de sermos afetados por essas coisas, não podemos duvidar de que Deus faz a seleção em Seu próprio jardim, por assim dizer, dentre aqueles que Ele separa somente para a pura benção da casa de Deus – alma escolhida, alma que viva no amor de Deus – aqueles que, colocados de lado, você pode até dizer que o seu valor nas atividades acabou. Ah! Mas, colocados de lado, por assim dizer, sob as mãos de Deus, quem pode atribuir valor a isso?


Então, temos o privilégio de ver isso que Deus faz! Seleção daqueles que adornarão Sua casa, na senda de pressão, de tribulação, e de aflição. Devemos considerá-los, em certo sentido, como “vasos para honra” (2 Tm 2:21), enquanto, transmitimos a eles, nossa expressão de profunda compaixão. Eles são “vaso para honrapara uso do Senhor” (2 Tm 2:21). Houve um tempo em que costumava me perguntar se a pressão ou a aflição, eram a evidência dos tratamentos governamentais de Deus. Mas, penso ser mais correto ver que, ser colocado de lado no tratamento governamental de Deus, é a menor parte de aflição e de pressão que há entre o povo de Deus. Olhando dessa forma, quando você vai ao seu jardim e colhe as flores mais seletas, ou os melhores frutos, assim faz o Senhor a seleção daqueles que são Sua própria escolha no conhecimento de Si mesmo, e que, evidentemente, estão em grande comunhão com o Senhor, assim como O amando.



Podemos ver que, dos motivos sobre os quais somos colocados de lado, o cuidado governamental é apenas um lado; o outro lado é, certamente reconhecido, que possa haver luz na Cidade Celestial. Não pode haver luz na Cidade Celestial a menos que se adquira o conhecimento de Deus nestes dias. E o conhecimento de Deus é adquirido, principalmente, por meio de pressão, de sacrifício e de sujeição.


Mas, então, também é permitido e produzido na casa de Deus por sua influência. Pois nós, que somos ativos, seríamos muito diferentes em nosso espírito se não viéssemos de tempo em tempo, e nos colocássemos sob a influência daqueles a quem o Senhor tocou Seu dedo de pressão. Não sei como é para os mais jovens atualmente, mas certamente recomendo que considerem isso, como sendo um privilégio, e busquem uma oportunidade para se aproximar daqueles a quem o Senhor está pressionando; você aprenderá a Deus ao testemunhar a maneira pela qual Ele os capacita a suportar o sofrimento, a aprender, a orar e a tratar os exercícios da assembleia em seu coração.


Por exemplo, uma amada irmã, que muitos de nós conhecemos, faleceu há pouco tempo; ela tinha 97 anos de idade.1(*) Por quase 80 anos de sua vida, ela foi absolutamente surda, e boa parte desse tempo foi colocada de lado. Foi um privilégio estar e ter falado com aquela querida filha de Deus. Entre suas últimas palavras, ela disse, e também escreveu a mim: “Minha educação ainda não está completa!” Mas ela contribuiu com a educação, no espírito, de incontáveis filhos de Deus, que ela carregava em seu espírito de oração. Toda preocupação, que de largo modo, estava acontecendo na casa de Deus, veio a ela; e ela teve um pensamento e um julgamento sobre tudo isso. É simplesmente inestimável, o valor de uma mulher assim. Sobre ela, pode-se dizer: “Na angústia [pressão – JND] me deste largueza” (Sl 4:1).


O poema que ela escreveu, “A Nuvem e o Argumento”, mostrou como uma alma jovem em sua adolescência, poderia levar as coisas a Deus que, depois, sob intensa pressão, ela manteve por oitenta longos anos. Quando um irmão falou a outra querida alma, recentemente levada para casa,

  • “Porque você acha que o Senhor deixou você aqui por tanto tempo?”

  • Ela respondeu: – “Oh, isso é fácil de responder. Ele deixou-me aqui para orar”.

Essa querida alma, era brilhante em suas faculdades mentais, e 103 anos de idade quando voltou para casa recentemente.


O que podemos fazer sem tais coisas entre nós? Tome a companhia do povo de Deus aqui, se não tiver entre você aqueles que são sujeitos à pressão do Senhor em seu caminho, você está empobrecido. Se você os tem, considere-os como uma fonte de riqueza espiritual. Considere-os como bens de inestimável valor. Você não sabe o quanto é sustentado pelas orações, e pelo espírito daqueles que são “prisioneiros de Jesus Cristo” (Ef 3:1) nosso Senhor em seu caminho – sofrendo no corpo, no espírito, nas enfermidades, e assim por diante.



Suponho, que se possa dizer, que as pressões de Deus, pelas quais Ele nos dá largueza, seguem um certo curso, por exemplo – a pressão corporal.


De todas as coisas que o homem mais estima, suponho que seja a saúde de seu corpo. Portanto, não é de admirar que nosso Deus bendito Se agrade de quebrantar nossa saúde corporal de várias maneiras: esgotando nossa energia e força, nos convencendo que temos corpos de humilhação – [“o corpo em corrupção” (1 Co 15:42)], e nos colocando em dor e sofrimento. A quantia de instrução que obtemos do conhecimento de Deus por meio de nosso corpo é certamente muito grande, e nosso corpo, sendo cuidado dessa maneira por Deus, torna-se privilegiado por ser uma grande influência para a bênção espiritual do povo de Deus.



Outra medida de pressão que nos atinge, e rapidamente respondemos a ela, são nos nossos contratempos profissionais – a pressão no trabalho.


Quão rapidamente clamamos, quando o dedo de Deus nos toca, no que chamamos de nosso meio de vida – mas frequentemente, não é nosso meio de vida, mas o meio de satisfazer nosso gosto, nossa preferência, nossa vaidade; completamente além daquilo que Deus indica a nós, quando diz:

  • Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir” (Mt 6:25 – ARA).

Quantos já presenciaram, aqueles cujas carreiras foram arruinadas, pelo fracasso em considerar esse simples princípio:

  • Mas é grande ganho a piedade com contentamentoTendo, porém, sustento [alimento – TB], e com que nos cobrirmos [vestir – TB], estejamos com isso contentes” (1 Tm 6:6,8).

Em consequência disso, Deus veio; em Sua misericórdia e bondade, Ele aniquilou nossas preocupações com o trabalho – talvez até tenha aniquilado os nossos meios de ganhar a vida. Sei do que estou falando, já passei por isso, acredito que o que estou dizendo a vocês, especialmente para os mais jovens, pode ser de algum valor um dia.



Há, ainda, outras medidas de pressão – pressões segundo o mundo.


É um mundo hostil. Não permita que se torne um mundo amigável. Não permita Deus que o mundo seja amigável para nós. É um mundo hostil, e traz suas pressões.


Se você não é amigo do mundo, mas sofre a pressão segundo o mundo, há uma grande bênção para você.


  • Tenho-vos dito isto, para que em Mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo” (Jo 16:33).

  • Jesus falou assim:… Manifestei o Teu nome aos homens que do mundo Me desteRogo por eles: não rogo pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são Teus. … mas eles estão no mundo,guardava-os em Teu nome.… O mundo os aborreceu, porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como Eu do mundo não sou” (Jo 17:1-16).



Há, então, uma outra medida de pressão, que alguns de nós conhecemos algo a respeito – pressão em nossa família, em nosso relacionamento.


É algo de profunda admiração como Deus, em Sua divina sabedoria, pode transformar as coisas que estão mais próximas de nosso coração; assim, em nossa própria família, naquilo que é mais próximo de nós por natureza, somos trazidos à tristeza e à aflição. No entanto, de tudo isso, Ele nos dá largueza que, talvez, nesse mundo seja de grande bênção para outros na sua influência, e que certamente, terá uma resposta de Deus, no “mundo vindouro” (Hb 2:5; Hb 6:5; Lc 18:30; Mc 10:30 – TB).



Há outra linha de pressão para o crente, e que está identificada com a casa de Deus – a assembleia.


Que preocupação, que pressão, que provação, e que tristeza surge nessa esfera tão querida para nós! E, conforme Deus, amolece e molda nosso coração, colocando-nos individualmente sob aflição e pressão – ou, examinando aquilo que mais nos dói, em nossos entes queridos, ou outros que Ele separou para Si, dentre nós – entende-se como essas coisas preparam nosso espírito para que, sob a força de Cristo, possamos, adequadamente, manejar e cuidar daquilo que, em pequena medida, podemos tocar, como Paulo tocou em grande medida:

  • Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (2 Co 11:28).



Há uma outra linha de pressão, que cada um de nós, em determinado momento da vida responderemos – o luto.


O luto é algo a ser contemplado, pertencemos a uma congregação, o povo de Deus, que, no decorrer de todos os séculos, entrará no “mundo vindouro”, o estado eterno, tendo conhecido em maior ou menor grau a pressão vinda do luto.


Já que esta é a palavra definitiva, “Com dor darás à luz filhos” (Gn 3:16–ACF), então o versículo: “Na angústia [pressão – JND] me deste largueza” (Sl 4:1), se aplica, para que nenhum de nós padeça por esta questão, e para viver aqui entre outros, mas deve alcançar a constrição das afeições do coração, o latejar da dor, no luto. Ele vem para todos. É prerrogativa do Senhor nos tocar dessa maneira. Quanto essa constrição do coração nos dá largueza! Como o Senhor bendito poderia dizer no túmulo de Lázaro:

Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verá a glória de Deus?” (Jo 11:40).



Assim, em tudo que foi visto, descobrimos que o Deus bendito está executando Seu propósito não somente, ou principalmente de forma governamental. Antes de encerrar, explicarei um pouco mais sobre isso. Por “governamental”, penso que a mão de Deus vem sobre nós em pressão [com peso], onde nossa vontade é insubmissa e desafiadora à Sua vontade. Penso que isso não seja verdade para muitos; a maioria, falando pela observação dos filhos de Deus, não carregam uma vontade que seja, intencionalmente, desafiadora à vontade de Deus, ou, propositalmente, vá contra o que Ele mostra o que é certo.


Onde há enfermidade, fracasso, e ruína, geralmente há um bom motivo, mas não há entendimento, e não há um feliz relacionamento e comunhão com Deus. Mas, não é uma busca deliberada por uma determinada conduta que é contrária à mente de Deus. Quando digo: “Vou realizar esse objetivo a qualquer custo”, é aí que nossa vontade é, declaradamente, contra à vontade de Deus, e quando o tratamento governamental de Deus começa. Penso que se seguirmos este assunto através das Escrituras, encontraremos sempre desta forma. Mas, por outro lado, a maioria daqueles que são colocados de lado dentre nós, são aqueles que, em grande medida, aceitam à vontade de Deus. Muitos daqueles que são colocados de lado dentre nós, absolutamente, são aqueles que foram cuidadosamente escolhidos do rebanho. Com que frequência isso é confirmado!


Outro dia, vi uma querida irmã em seus quarenta e poucos anos, afligida pelo câncer, dor e sofrimento; sabendo que muito em breve, em algumas poucas semanas, ela estaria com o Senhor. Todos que puderam, se congregaram com ela ao lado de sua cama. Havia a impressão de que não podia deixar de ir lá, para obter as impressões dela de Cristo, pois ela estava nas mãos de Deus.


Mais uma vez, há um caso semelhante de uma querida irmã bem conhecida por mim, que está com o Senhor há muitos anos. Ela tinha peregrinações à sua cabeceira de todas as partes da Inglaterra. Seria um sacrilégio dizer que ela estava ali governamentalmente. Mas, porque ela foi colocada de lado no meio de seus anos, quando tanta atividade podia ser possível? Há atividade em abundância. É esse tipo de pressão, que coloca a pessoa de lado para meditar, para orar, para resistir, pode ser pelo nome, cada um individualmente onde estiver em sua própria companhia, a considerar para você em todas as suas circunstâncias, quando você, na agitação de sua vida, tem tempo escasso para dobrar os joelhos diante de Deus de manhã e à noite. Podem ter entre vocês, alguns colocados de lado a quem você vai, como um ato de misericórdia, visitar, mas que te consideram profundamente. Você pode ser o devedor daquele irmão ou irmã, que pode estar carregando você em oração diante de Deus, para que Ele possa preservá-lo nas tentações, nas tribulações e nas provas que você tem em sua atividade.


Portanto, não devemos considerar a pressão, a aflição e afins como calamidade ou infortúnio, mas sim um rico dom que procede do manancial que têm sua origem no coração do próprio Deus, que, no princípio, caminhando à medida de sacrifício e de submissão, entregando Seu Filho Amado à linha de sacrifício e de submissão, e mantendo Sua família, nessa mesma linha, até o “mundo vindouro” (Hb 2:5; Hb 6:5; Lc 18:30; Mc 10:30 – TB). Quão maravilhosamente isso é expresso nessas palavras:

  • Nós [também] devemos dar a vida pelos irmãos” (1 Jo 3:16)!

Nós devemos dar a vida por eles. Considere o que isso significa! Onde está a perfeição disso? Em Cristo! Em que espírito o Senhor bendito veio? No espírito que Deus Lhe deu.

Em vista dessas coisas, os motivos são esclarecidos, ações são purificadas, a atmosfera saudável da casa de Deus é mantida. As condições respiratórias, por assim dizer, são preservadas em um mundo que está repleto dos gases fétidos do inferno, da corruptibilidade e da violência; e uma atmosfera pura e doce é mantida ao longo da jornada que “Na angústia [pressão – JND] me deste largueza” (Sl 4:1).


Assim, Pedro se dirige aos amados santos do Senhor, para lembrá-los do atual lugar de provação:

  • Para que a prova de vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo; ao Qual, não O havendo visto, amais; no Qual, não O vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” (1 Pe 1:7-8).

Então, que possamos levar essas coisas para dentro de nós e não falemos muito de infortúnio – não falemos muito em calamidade – não falemos muito em ficar chocado quando algo assim acontecer – mas aceitemos em silêncio; serenidade pacífica de “paz com Deus” (Rm 5:1), pois é nessa direção que a alcançamos. Você conhece seu Salvador – Ele:

  • O Qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. [“O Qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitado para a nossa justificação” – AIBB] Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo Qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações” (Rm 4:25-5:3).

Coloco apenas isso para você: Você se gloria – você se vangloria – na tribulação? É isso? Será assim se você entender isso. Se você entender, que a tribulação, tem um lugar como um princípio comum nos caminhos de Deus, você:

  • também nos gloriamos [se gloriará] nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações [em nosso coraçãoARA] pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:3-5).

Então, esse é o vínculo perfeito. Deus, desde o princípio, moveu em Seu divino amor, para sacrificar a Si mesmo, e ao Seu bendito Filho Amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e Ele nos guia nessa mesma linha. O vínculo – o elo – o círculo – é perfeito. A tribulação termina no “amor de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5:5 – ARA).


 

(*) N. do T: o autor viveu de (1873-1938)

910 visualizações

Comments


bottom of page