Qual o Teu Destino? (2ª parte)

Atualizado: Mar 8


Título do original inglês: Whither Bound? – Diversos Autores. Editado originalmente por A. C. Groth.


Índice - 2ª parte

  1. O perdão recusado

  2. Como foi nos dias de Noé

  3. Este mundo é como um navio prestes a afundar

  4. Céu ou inferno?

  5. "Perigo! Entrada proibida!"

  6. Livre da cova

  7. A porta assinalada com sangue

  8. Fique onde o fogo já queimou

  9. Salvo!

  10. O chão da casa

  11. Exemplo ou Substituto?

  12. Aventais de folhas ou túnicas de peles?

  13. O contraste entre a lei e a graça

  14. Acrescentando a lei à graça!

  15. O que significa "crer"?

  16. Cinco coisas que andam juntas

  17. Um pregador da antiga escola

  18. Um último aviso ou "por um triz"

  19. Boa noite ou... Adeus!

  20. Você pode ser salvo

QUAL O TEU DESTINO?

AVANÇANDO, tão depressa! Sim, mas que destino tens? Será para a glória eterna De felicidade e bens? Avançando, tão depressa, Sim, mas que destino tens? Avançando, tão ligeiros, — Nada o tempo pode sustar! — Alguns há que estão seguindo Para o glorioso Lar, Avançando! Bem alegres, Cristo é Guia pra os levar. Avançando, pra desgraça — Muitos seguem rumo tal, Desprezando o perigo Da sua alma imortal, Avançando, indiferentes, Para a perdição total. Eis veloz, com passo certo, Breve o tempo vai findar. Pecador! Ouve o convite, Cristo pode a vida dar Vem a Cristo, sem demora; Só Jesus pode salvar!


CULPADO PORÉM PERDOADO

EM TODAS AS PESSOAS existe um certo conheci­mento do bem e do mal; mas a tendência geral da maioria é a de tomar por padrão as normas que julgam estar ao seu alcance. Por exemplo, o bêbado acha não fazer mal beber demais, mas considera como um grande pecado roubar. O avarento, que habitualmente se serve da mentira "para con­seguir bons negócios", tranquiliza-se pensando, "todos têm que mentir, sem o que é impossível negociar; mas não me embriago como alguns". Outro, que se tem por muito sério e moral, julga ser cumpridor de todos os seus deveres e, olhan­do ao seu redor, despreza os que são abertamente pecadores; porém nunca se lem­bra de quantos maus pensamentos e desejos pecaminosos têm abrigado no seu íntimo, sem que outros o sai­bam; e que Deus julga o que se passa no cora­ção, embora o homem veja apenas a vida ex­terior. Assim, cada qual se felicita comparando-se com quem te­nha feito coisas piores.

Porém existe um padrão de justiça, que é o da justiça de Deus. Quando a consciência de alguém começa a despertar e a encarar o pecado da forma como ele é visto por Deus, então compreende que é culpado e que está arruinado; não tentará justificar-se procurando descobrir alguém que seja pior; antes, com toda a franqueza, confessará o seu pecado, condenando-se a si mesmo, e manifestará ansiedade por saber se é possível que Deus lhe perdoe.

Sim, o coração depravado do homem encontra alívio e consolação ao descobrir alguém que seja pior do que ele próprio! E, ainda mais, não pode suportar que Deus exerça a Sua graça. A GRAÇA — que significa o perdão NÃO ME­RECIDO de todo e qualquer pecado, sem que Deus exija coisa alguma à pessoa assim perdoada. É um princípio tão contrário a todo o pensamento humano, tão elevado acima do homem, que este o detesta, e no seu íntimo por vezes o classifica de injustiça. É muito humilhante termos de confes­sar que dependemos inteiramente da graça — que nada que tenhamos feito, ou possamos fazer, nos tomará aptos para Deus — antes, que tudo aquilo quanto temos que nos recomende à graça de Deus é tão somente a nossa miséria, pecado e ruína.

Quando Adão se reconheceu culpado, lá no jardim do Éden, foi se esconder; voltou as costas ao seu único Amigo, precisamente quando mais necessitava dEle. E assim é ainda hoje. O homem tem medo dAquele que é o Único realmente pronto a perdoá-lo. "Torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar" (Isaías 55.7).

Se você, querido leitor, deseja possuir o perdão pleno e gratuito que provém de Deus, importa que, antes de mais nada, como pecador culpado, se encontre a sós com Jesus, consciente da sua culpabilidade. Isto sem que primeiro você faça quaisquer promessas ou tentativas de melhorar a si mesmo. São os seus próprios pecados que o levam à presença dAquele que morreu pelos ímpios. "Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios" (Ro­manos 5.6).

Quando o príncipe de Gales procurava em certa ocasião descobrir um preso digno de ser perdoado, pôs de parte todos os que alegavam não serem culpados, mas escolheu um velhote que, chorando, confessou com franqueza e vergonha ser culpado, e que bem merecia ficar encarcerado. O Salvador que nos perdoa disse: "Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento" (Lucas 5.32).

O PERDÃO RECUSADO

NO ANO DE 1829, George Wilson, um homem de Filadélfia, foi julgado pelos crimes de homicídio e roubo de malas postais dos Estados Unidos da América. Constatada a sua culpa, foi condenado à forca. Os amigos obtiveram do presidente Jackson o seu perdão, porém Wilson recusou-se a aceitá-lo! O governador hesitou quanto a dar cumprimento à sentença. Como poderia mandar enforcar um perdoado?

Assim foi enviado um apelo ao presidente, o qual ordenou ao Supremo Tribunal que resolvesse a questão. O juiz respondeu: "Um perdão é um documento cuja validade depende de ser aceito pela entidade à qual diz respeito. Mas pode-se compreender que quem tenha sido sentenciado à morte se recuse a aceitar o perdão; porém, se recusar, já não é perdão. Importa, pois, que George Wilson seja enforcado". Assim, ele foi executado, apesar de seu perdão estar sobre a escrivaninha do governador.

Todos os que recusarem o bondoso perdão de Deus terão que sofrer eternamente o castigo imposto pela justiça divina. "E irão estes para o tormento eterno" (Mateus 25.43).

“Tenho-te proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição: escolhe pois a vida" (Deuteronômio 30.19). "Deus perdoador" (Neemias 9.17); "Nosso Deus, porque grandioso é em perdoar" (Isaías 55.7). "Cristo morreu por nossos pecados" (1 Coríntios 15.3). "Por este (Jesus) se vos anuncia a remissão dos pecados" (Atos 13.38). "Porque clamei, e vós recusastes; por­que estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção" (Provérbios 1.24), "E vos não julgais dignos da vida eterna" (Atos 13.46). "Não quiseram escutar, e me deram o om­bro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvi­dos... e fizeram os seus corações duros como diamante" (Zacarias 7.11,12).


COMO FOI NOS DIAS DE NOÉ

Gênesis 6 e 7 AS CONDIÇÕES DO MUNDO, hoje em dia, assemelham-se àquelas que prevaleciam nos dias de Noé, quando os homens tinham se corrompido a ponto de se frisar que "en­cheu-se a terra de violência"(Gênesis 6.11), e Deus teve que lavrar sentença de condenação contra ela.

Deus avisou aos de então: "Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem... farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substância que fiz" (Gênesis 6.3; 7.4). Porém aqueles homens não quiseram dar ouvidos, tal como sucede também hoje em dia.

Referindo-se àquele caso, o Senhor Jesus disse: "Por­quanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, co­miam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem" (Mateus 24.38,39). "E olhai por vós, não aconteça que... venha sobre vós de improviso aquele dia" (Lucas 21.34).

É provável que as pessoas de então julgassem estar vivendo numa época de esplêndido progresso. Muitos dos sábios daquela época diriam: "Você está completamente en­ganado, Noé; só você tem essa opinião, portanto é melhor deixar de trabalhar na construção desse navio gigante e parar de proclamar ideias tão estranhas. Venha aproveitar a vida; não seja um fanático, de mentalidade tão retraída. Será que você acha que todo o mundo está enganado e que só você conhece a verdade?" "E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra" (Gênesis 6.5). Igualmente, hoje em dia Deus toma conhecimento de todas as coisas vis e ferozes que se cometem.

Veio o dilúvio, e arrebatou-os a todos, com exceção daqueles que se haviam refugiado na arca com Noé. Todos quantos não estavam, com Noé, fechados dentro da arca, estavam do lado de fora daquela porta fechada. Para esses tais já não havia qualquer esperança de salvação; era já demasiado tarde!

De igual modo, as condições que logo hão de prevalecer serão exatamente semelhantes às dos dias de Noé; sim, para grande surpresa dos homens. O mundo será apanhado desprevenido, com tão grande espanto como o foi então. Apenas hão de escapar aqueles que se tenham refugiado no bendito Salvador. Deus está proclamando aos homens em alta voz: "E já está próximo o fim de todas as coisas" (1 Pedro 4.7). "Já a vinda do Senhor está próxima" (Tiago 5.8).


Embora terríveis, essas guerras mundiais são apenas as aflições preliminares da grande tribulação que se aproxima, "grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tão pouco há de haver" (Mateus 24.21). Não será um dilúvio, como nos dias de Noé, mas algo incomparavelmente pior.

Ah! terra orgulhosa! Que angústias por ti esperam! Tais como nunca antes no passado viste! Mais que as agonias que sempre te dilaceram, Desde as mais breves até aquela que ainda persiste.

Aquele que morreu na cruz do Calvário, o bondoso Salvador que hoje está na gloria, virá outra vez em todo o poder e majestade da Sua eterna divindade, para julgar aque­les que O tem rejeitado! (2 Tessalonicenses 1 e 2). Aqueles que se preocupam com o estado deste mundo estão perceben­do que os dias da atualidade são deveras ameaçadores. Os governantes estão consternados. "Homens desmaiando de terror na expectação das coisas que sobrevirão ao mun­do"(Lucas 21.26).

As nações mais privilegiadas têm se tomado, nestes últimos anos, materialistas, amantes dos prazeres, agindo, em todos os sentidos, como se a existência de Deus nada venha a influir em sua maneira de proceder. Deus dotou o homem com uma mente, de inteligência, da qual este se serve para argumentar contra Ele (e hoje mais do que nunca), para inventar armas de destruição diabólicas, com as quais possa matar os seus semelhantes!

No decorrer de todos estes séculos, os homens têm tentado em vão remendar o pobre mundo, por meio de edu­cação e instrução, da reforma, da legislação e toda a espécie de governos políticos. Porém, como o PECADO jaz no coração de todo homem, e "enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso" (Jeremias 17.9), todos os esforços da parte dos homens serão inúteis — nunca proverão remédio permanente para os males do mundo. Deus não Se esquece de que o mundo é culpado pela morte de Seu Filho, e disso brevemente pedirá contas. "E visitarei sobre o mundo a maldade"(Isaías 13.11). "O Seu sangue é requerido" (Gênesis 42.22). Contudo, na Sua graça, ainda apresenta Jesus, o crucificado, como o único meio de salvação.

ESTE MUNDO É COMO UM NAVIO PRESTES A AFUNDAR

IMAGINEMOS um barco que está afundando lá em alto mar, com o casco apodrecido e enchendo de água rapidamen­te. Da terra enviam um barco salva-vidas que vai atracar-se à embarcação condenada. O comandante do salva-vidas convi­da, em voz alta, a todos os tripulantes do velho barco a abandoná-lo o quanto antes. Porém todos se recusam obstinadamente. Um diz: "Este barco não é mau; apenas precisa de conserto e pintura". Outro diz: "Caiam fora com esse salva-vidas! Temos aqui um bom carpinteiro especializado em consertar navios”.

Os tripulantes continuam a jogar e a beber, enquanto alguns preparam ferramentas e tintas para consertar os bura­cos. Alguns, porém poucos, compreendem o perigo em que estão, e valem-se do único meio de salvação. O barco avaria­do acaba afundando logo depois.

Prezado leitor: se todos aqueles que desprezaram a salvação que lhes fora oferecida morreram afogados, a quem cabe a culpa? Foi enviado um barco salva-vidas em seu socorro, mas recusaram-se a fazer uso dele! Ora, Cristo é o barco salva-vidas. Veio para salvar a todos quantos queiram se valer dEle. "Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação?"(Hebreus 2.3).

Em 1912, o melhor e mais seguro navio jamais construí­do, o vapor Titanic, considerado incapaz de ser afundado, bateu em um bloco de gelo e foi para o fundo. "O fato mais surpreendente", comentou o editor de um jornal da época, "não foi o barco ter afundado, mas sim, ter ido para o fundo após horas de avisos, transmitidos pelo rádio por outros navios, de que havia gelo em sua rota. Ele continuou seguin­do a toda a velocidade, com a música a tocar, os passageiros a dançar e, aparentemente, sem que ninguém ligasse a míni­ma importância ao fato!"

Uma sombra negra paira sobre o mundo; Corações estão desmaiando de terror: Por detrás de aparente confiança, Aumenta sempre a ansiedade e horror. Esta sombra sobre o mundo nos avisa, Que de Deus a longanimidade vai findar; A grande expiação de Cristo, o Salvador, Ao homem nunca mais vai se apresentar.

CÉU ou INFERNO?

“LARGA É A PORTA, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela... Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" (Mateus 7.13,14).

Todas as pessoas gostam de acreditar que existe o CÉU, mas não gostam que lhes digam que há também o INFERNO. Sem qualquer fundamento, muitos tentam provar que o INFERNO não existe, ou, quando muito, negam que possa durar eternamente. Porém, o único que podia falar com autoridade, o Filho de Deus, que conhece a fundo o assunto, disse assim: "E irão estes para o tormento eterno" (Mateus 25.46). "Não temais os que matam o corpo, e depois não têm mais o que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no INFERNO, sim, vos digo, a Esse temei" (Lucas 12.4,5). "Para o INFERNO, para o fogo que nunca se apaga; onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga" (Marcos 9.43,44). "Ali haverá pranto e ranger de dentes" (Mateus 24.51). "Se não crerdes que Eu sou, morrereis em vossos pecados... Para onde eu vou não podeis vós vir" (João 8.24,21). "Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9.27).

Ao universalista, que não conhece outra autoridade se­não uma consciência universal, o apóstolo João avisa: "Aquele que não crê no Filho não verá a vida". E àquele que acredita no aniquilamento da alma, o mesmo apóstolo avisa que "a ira de Deus sobre ele permanece" (João 3.36). Destes o apóstolo Paulo escreveu que "por castigo padece­rão eterna perdição"(2 Tessalonicenses 1.8,9).

Na cruz de Cristo vemos que "Deus é amor" (1 João 4.8), mas também vemos que, quanto ao pecado, Deus é santo. Que Ele é misericordioso e longânimo, agora, manifesta-se no fato de ser "agora o dia da salvação" (2 Coríntios 6.2). "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida; mas a ira de Deus sobre ele permanece" (João 3.36).

Disse Jesus: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida" (João 14.6). "Tenho-te proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição: escolhe pois a vida" (Deuteronômio 30.1,19).

"PERIGO! ENTRADA PROIBIDA!"

NUMA TARDE DE VERÃO, em 1892, dois jovens, Charles e Gualter, desciam com todo o cuidado a encosta da serra perto do monte Pike, nos Estados Unidos. Tinham se conhecido casualmente havia pouco tempo, em Manitou, Colorado. Ao contornar um flanco da montanha, encontraram a entrada de uma caverna, que estava vedada, e por cima da qual havia um grande letreiro que dizia: "PERIGO! ENTRA­DA PROIBIDA!". Charles espreitou pelas frestas do tapume tentando ver na escuridão do interior da caverna, e disse: — Quero explorar esta caverna. Você vem comigo? — Não; de jeito nenhum — respondeu Gualter, rogan­do-lhe ainda que desistisse de tal intento. Mas Charles estava resoluto.

Quão típica das pessoas deste mundo foi a atitude daquele jovem! "Os homens amaram mais as trevas do que a luz" (João 3.19). Contudo, Deus colocou avisos bem claros: "O sa­lário do pecado é a mor­te" (Romanos 6.23); "vindo depois disso o juí­zo" (Hebreus 9.27). "Te­nho proposto a vida e a morte, a bênção e a mal­dição: escolhe pois a vida"(Deuteronômio 30.19); "Oxalá fossem sá­bios! que isto entendes­sem, e atentassem para o seu fim!" (Deuteronômio 32.29).

Ao chegar ao fim da descida do monte, Charles conseguiu uma lanterna, despediu-se do amigo e re­gressou à caverna. Acen­deu a lanterna e, arrancando algumas tábuas do tapume, penetrou com decisão na funda e escura caverna. A princípio a fraca luz da lanterna mal penetrava a intensa escuridão, mas à medida que a vista ia se acostumando ao ambiente, ia descobrindo os paredões, os rochedos escabrosos e um cami­nho, pelo qual seguia cautelosamente. "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos de morte"(Provérbios 14.12). Tudo parecia ir bem por algum tempo; mas, quando menos esperava, faltou-lhe o chão de­baixo dos pés e caiu no fundo de um precipício, onde ficou sem sentidos. Quantos há que se guiam pela fraca luz da inteligência e, quando chega a morte, dão um salto no escuro! "Quem anda nas trevas não sabe para onde vai" (João 12.35).

Quando recuperou os sentidos, descobriu que estava ferido, com contusões por todo o corpo. A lanterna, caída ao seu lado, estava feita em pedaços, pelo que estava cercado das mais densas trevas. Encontrou num bolso alguns fósfo­ros, que acendeu, um a um, mas depressa se acabaram. Com a luz que deram, viu o precipício onde havia caído, e verificou que seria impossível subir pelo paredão. Tremendo, com frio e medo, mal se atreveu a mexer-se, receoso de nova queda. Assim, foi se arrastando lentamente, gatinhando, até que suas calças se rasgaram e os joelhos começaram a sangrar. Sentindo-se sepultado vivo, estava convencido de que morreria!

Tomado de desespero e angústia, viu passar diante de seus olhos todos os pecados de sua vida, e pediu a Deus que tivesse misericórdia e que, se não fosse salvo o seu corpo, o que lhe parecia impossível, que ao menos lhe fosse salva a alma. Lembrou-se de passagens das Sagradas Escrituras, as quais por vezes tinha ouvido, sem que lhes tivesse dado importância, mas que agora lhe inundavam a alma com poder vivificador. "O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (1 João 1.7). "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa" (Atos 16.31). "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna"(João 3.36). Estas preciosas verdades iluminaram-lhe o coração tenebroso e frio, qual ardente luz do sol, e aceitou o Salvador como Aquele que por ele morrera.

No entanto, o seu estado físico lastimável não mudara, e resolveu continuar a mexer-se enquanto as forças se lhe não esgotassem. Perdeu a noção do tempo enquanto se arrastava sobre os rochedos e pedregulhos, sem qualquer esperança. Lembrou-se de sua mãe e, achando papel e lápis no bolso, escreveu, o melhor que pôde, algumas linhas dirigidas a ela, exortando-a a não lamentar a sua morte, antes, que se alegras­se, uma vez que esta terrível experiência havia sido o meio de o conduzir ao bendito Salvador, que o amava e havia Se entregado por ele, pelo que se sentia feliz, na certeza de estar dentro em breve com Ele. Colocou o endereço de sua mãe, pedindo que o seu cadáver lhe fosse enviado.

Arrastando-se debilmente, deu com uma corda, e seguiu, segurando-se nela, com a esperança renovada. Dentro em pouco, maravilhado, sentiu na face o que lhe pareceu ser ar fresco. Seria verdade? Seguiu até aparecer uma tênue luz, que foi aumentando até que pôde distinguir ao longe uma abertura, à qual chegou por fim, encontrando-se então já na plena luz do dia. O sol brilhava intensamente. Havia entrado na caverna às 16 horas, e era meio-dia do dia seguinte!

Quando um grupo que o buscava o encontrou, estava em péssimo estado. Esfarrapado, ensanguentado, sujo e enfra­quecido. Não tardou para se restabelecer, graças ao repouso e aos cuidados que lhe foram dispensados; porém a transfor­mação espiritual que experimentara, essa nunca deixaria de permanecer em sua alma, pois ele havia se convertido das trevas à luz, "e do poder de Satanás a Deus" (Atos 26.18).


Escute, leitor! "Ai deles... para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas"(Judas 11,13). "Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva: convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?" (Ezequiel 33.11).

LIVRE DA COVA

O MARINHEIRO ENFERMO era um jovem forte e de físico avantajado, de 22 anos de idade, mas a quem um acidente havia deixado estendido numa cama, inutilizado. — Entre; seja bem vindo. — disse tão logo me viu. — Meu amigo Henry disse-me que você viria e me contaria algo que me traria conforto. Os médicos dizem que nunca mais poderei me mover; e ai! pensar em ter que passar o resto da vida preso a um só lugar é de enlouquecer! Quando minha mãe chega em casa, ao fim de um dia de trabalho, não devo mostrar sinais de desânimo; já chega o que ela tem que passar todos os dias trabalhando para poder me sustentar. E pensar que eu contava poder ajudá-la a passar o resto de seus dias em conforto, sem ter que trabalhar...

Parou, sufocado por um soluço que era quase um gemi­do; porém, dominando dentro em pouco a emoção, contou- me que tinha sido carpinteiro a bordo de um navio. O mar era o seu encanto, e tinha feito muitas viagens proveitosas, apesar de haver passado por diversas tempestades. Quando, na última viagem, estava voltando, e já perto do porto de destino, fazia alguns consertos num mastro. Fazia bom tempo, mas, de repente, um pé de vento, vindo do lado da costa, atingiu o navio, fazendo-o estremecer e virar-se para o alto mar, afocinhando. O marinheiro foi colhido de surpresa, quando começava a descer. Não pôde segurar-se, e foi atirado com violência para o convés, caindo de costas, de uma grande altura.

— Quando já não podiam fazer mais nada no hospital, trouxeram-me para casa, e estou mais inútil do que um bebê, servindo só para dar trabalho e exigir cuidados. Quase me faz enlouquecer ver minha pobre mãe chegar tão pálida e cansa­da, e eu aqui deitado; no entanto, ela nunca se queixa; mas diz sempre que Deus o permitiu, e que o que Ele faz, ou permite, é sempre o melhor. Ainda bem que ela pode encarar as coisas assim, já que isto a anima; mas a mim parece-me que em vez de ser Ele o Deus da viúva e do órfão, como ela diz que é, esqueceu-Se dela e me impediu de ajudá-la. Meu pai morreu afogado no mar, quando eu não tinha mais do que três ou quatro anos. O Deus Todo-Poderoso nos tem tratado duramente. Duramente!

Senti-me impotente para tentar dar-lhe uma palavra de conforto, e apenas pedi a Deus que Se revelasse no Seu verdadeiro caráter de Salvador a este pobre desgraçado, que pensava tão mal dEle. — Decerto que a sua provação é muito grande, Andrew, e palavras humanas pouco valor poderão ter no caso, bem o sei, ainda que inspiradas por um sincero desejo de ajudar: mas há Um que pode auxiliá-lo e consolá-lo, e eu O conheço; mas vejo que você deixou que se apoderassem de si pensamentos amargos a Seu respeito. Acaso não tem nada a contar de positivo? Não se lembra de qualquer misericórdia que tenha recebido? De que altura caiu? — Quase 20 metros. — Não seria o bastante para estar morto? — Sim, de fato todos acham ter sido um milagre eu ter ainda ficado com vida. Dois amigos meus, quando estávamos na América do Sul, caíram de uma altura de talvez menos de 10 metros, e nunca mais falaram. — E se você nunca mais tivesse falado aqui neste mundo, onde se teria tomado a ouvir sua voz? Onde você se encontraria neste momento: no Céu ou no Inferno? — Certamente estaria no Inferno, pois o diabo naquele tempo me tinha bem seguro. — Sim, e procurava precipitá-lo na cova. Mas os olhos do Senhor não o perdiam de vista; sim, os olhos dAquele que você acusa haver Se esquecido da viúva e de ter tratado com aspereza o órfão. A Sua poderosa palavra de misericórdia se aplica a você: "Livra-o, que não desça à cova; já achei resgate"(Jó 33.24). Você diz que foi um milagre: foi o amor e a misericórdia do Senhor, buscando a sua alma, e, embora inválido, ainda está fora do Inferno; a porta do Céu está aberta e o Senhor Jesus ainda aguarda para ser misericordioso, oferecendo-lhe a salvação mediante o Seu precioso sangue, e dizendo: "Vinde a mim... e eu vos aliviarei" (Mateus 11.28). Ele lhe oferece a vida eterna. Ora, diga-me, Deus esqueceu-Se da viúva e do órfão, quando o salvou da morte? Não me esquecerei da mudança de expressão manifesta no seu rosto, ou antes, de como o seu semblante manifestou várias mudanças de expressão. Irromperam por fim estas palavras: — Sou o maior dos tolos aqui fora do Inferno. Nada tenho feito senão caluniar a Deus! — Exatamente, Andrew, mas — repeti, — "o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de TODO o pecado" (1 João 1.7). — Mas decerto isto não significa os MEUS pecados... — Quando Deus disse TODO o pecado, não saberia Ele o que estava dizendo? Não o diria Ele com sinceridade? Decerto que sim, e, oh! Ele também sabe, só Ele sabe, TODO o valor do sangue do Seu Filho. Após longa pausa, olhou de repente para cima e disse: — Parece demais, que Ele me perdoe por completo. Contei-lhe, então, de cor, a bem conhecida parábola do pai e do filho pródigo, que ele escutou com muita atenção, e, quando cheguei ao fim, ele chorava abundantemente. — Isso foi amor, sem dúvida, mas, oh; mesmo aquele rapaz nunca foi tão mau como eu. — Mas Andrew, não se trata de ser mais ou menos mau; mas sim de saber se basta o sangue do Filho de Deus para o purificar. Você acha que pode dizer que há alguns pródigos que regressam, mas que o amor do Pai não é suficiente para acolhê-los? Tenho que me retirar, mas quero deixar-lhe dois pequenos versículos, para que neles medite: "Deus é amor" e "O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de TODO o pecado" (1 João 4.8; 1.7). Ele repetiu estas palavras pausadamente, duas ou três vezes. Então, prometendo voltar no dia seguinte, se me fosse possível, parti.

No dia seguinte não me foi possível voltar lá, embora muito o desejasse. Mas quando depois consegui voltar a visitá-lo, ele quase que gritava: — Já o tenho! Já o tenho! — O que é que tem, Andrew? — Tenho quase tudo, a não ser a glória, mas é esse o meu porto de destino, e já tenho o Piloto a bordo; entreguei-Lhe o leme e Ele sabe muito bem passar pelo cabo e entrar a salvo no porto. — Conte-me tudo, Andrew. — Depois que você saiu, fiquei outra vez triste e desanimado como antes. Só via diante de mim os meus pecados e a negra ingratidão, e ontem todo o dia, quando você não veio, pensei que Deus já tinha me desamparado completamente, mas, à noite, quando estava desesperadíssimo, come­cei a lembrar-me de como, naquela história, o pai foi ao encontro do pobre homem que voltava na sua miséria, e tudo tão prontamente lhe perdoou; e então, quando os meus peca­dos voltaram a atormentar-me, qualquer coisa parecia dizer me no íntimo: "Andrew! Se você é maior pecador do que aquele homem, isso apenas serve para tornar Deus um maior Salvador, para poder salvá-lo". E então eu disse em voz alta: "E assim mesmo, Senhor; já tenho o perdão, apesar de ser um tão grande e vil pecador!" — E sua mãe já sabe da alegria que agora possui? — Sabe sim. Não a podia ocultar. Como vê, Seu grande amor é o que me arrebata com emoção e alegria. Depois ele me disse: — Fale-me outra vez a respeito de se ter livrado da cova. Li para ele o capítulo 33 de Jó, e depois, a seu pedido, tornei a lê-lo. Perguntei-lhe se os dias lhe pareciam muito compridos. — Isto sim; agora nunca estou só, pois Jesus está sempre junto a mim. E quanto a minha mãe, digo ao Senhor que sei que Ele tem por ela ainda maior amor do que eu, pelo que sei que posso viver confiante de que Ele cuidará dela. Em vista de todo o Seu amor, como poderia jamais duvidar d'Ele?

A PORTA ASSINALADA COM SANGUE

NO DECORRER de uma guerra sangrenta, um comandante jurou, na presença de suas tropas, que aniquilaria toda a população de certo povoado, e, no devido tempo, enviou mais solados contra aquele povo indefeso. Aconteceu, porém, que um dos habitantes observou vários soldados invadirem uma casa e assassinarem todos os seus moradores à espada. Ao sair da casa, um dos soldados ensopou um pano em sangue e com ele manchou a porta, para avisar outros seus companheiros do que já havia sido feito lá dentro.

Correndo a toda pressa, o fugitivo dirigiu-se a uma grande casa situada no centro da vila, onde se encontravam escondidos vários amigos seus e, ofegante, contou-lhes o que deviam fazer. No quintal da casa havia um cabrito, que foi morto em seguida e seu sangue passado sobre a porta. Mal tinham fechado a porta quando um bando de soldados entrou apressadamente naquela rua onde estava a casa. Mas, quando chegaram à porta assinalada com sangue, nenhuma tentativa fizeram para lá entrar. Pensaram que lá já havia entrado a espada mortífera e cumprido o seu terrível serviço. Assim, enquanto muitas pessoas eram mortas ao redor, todos os que se encontravam ao abrigo da porta assinalada com sangue foram salvos.

Isto faz-nos lembrar daquelas palavras de Deus que trazem salvação a muitas almas: "Vendo Eu sangue, passa­rei por cima de vós"(Êxodo 12.13). Sim, "Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós" (1 Coríntios 5.7). O sangue que Ele verteu suspendeu o golpe da espada do juízo divino para todo aquele que, pela fé, se abriga no Senhor Jesus.

FIQUE ONDE O FOGO JÁ QUEIMOU

O QUE HÁ de mais horrendo nas planícies do oeste da América do Norte é o medonho fogo de campina. Até que co­mecem as chuvas de ou­tono, o povo daquelas regiões vive em receio e ansiedade durante os meses secos de verão. Toda e qualquer aparência de névoa ou fumaça é observada atentamente. Mas, uma vez incendiado o mato, o fogo, levado pelo vento, avança com tal velocidade que infunde terror tanto nos homens como nos animais, pois por onde passa a tudo consome e arrasa. Muitas pessoas, não podendo fugir, têm morrido carbonizadas, fican­do suas propriedades reduzidas a cinzas. Outros, porém, com mais presença de espírito, vendo o perigo, têm usado de um método de salvação pelo qual têm conseguido escapar. Abai­xando-se, ateiam fogo à erva comprida e seca e logo que há um espaço queimado, vêm refugiar-se no lugar onde o fogo já queimou. Assim são salvos a tempo da chama devoradora que se aproxima. Como se vê, não há tempo para hesitação, pois é caso de vida ou morte certa.

Ainda mais solene e medonha será a ira de Deus que se aproxima, e o Seu julgamento deste mundo que crucificou o Seu amado Filho, desprezando Sua graça. "Os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo" (2 Pedro 3.7). "E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniquidade" (Isaías 13.11). "Vedes que se vai aproximando aquele dia" (Hebreus 10.25). “Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens... a fugir da ira futura... porque o nosso Deus é um fogo consumidor"(2 Coríntios 5.11; Mateus 3.7; Hebreus 12.29). Porque Deus amou o mundo (os seres humanos) de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna." "Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salva­ção." "Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salva­ção?" (João 3.16; 2 Coríntios 6.2; Hebreus 2.3). Mas, graças sejam dadas ao nosso Deus, tão bondoso, que nos preparou um lugar de refúgio e segurança, onde já passou o fogo. "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o Justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1 Pedro 3.18). Quando pendurado na cruz do Calvá­rio, Ele esteve, por assim dizer, envolto no fogo do justo juízo de Deus, a fim de salvar o pecador que, tremendo, tenha se refugiado nEle (Hebreus 6.18).

SALVO!

NAQUELA MANHA tão fresca, ainda pouca gente se encontrava na praia. Se tivesse havido espectadores, teriam visto um forte nadador lançar-se ao mar e afastar-se da praia com movimentos desembaraçados. Não tardou a chegar a grande distância. Como estava no maior vigor de sua saúde, nem pensou no perigo, e avançou sempre até que, já um pouco cansado, parou por uns momentos e pensou em regressar. Verificou então que tinha sido levado para muito mais longe do que havia tencionado nadar. Ao tentar voltar para a praia, desco­briu que a forte correnteza lhe era contrária, e pouco adiantava nadar, apesar de empregar o máximo esforço. Ainda assim, continuou a lutar, até esgotar por completo as forças e, então, virou-se de costas, e deixou-se boiar, considerando-se perdi­do.

Os pais tinham-no criado religiosamente; sim, e além do mais, ele próprio tinha sido pregador e ministro de uma importante congregação. A sua vida tinha sido regrada e até aquele momento tinha se considerado uma pessoa muito boa. Agora, porém, enfrentando a morte, sua alma despertou para o fato de que não tinha nenhuma esperança no tocante à eternidade; não estava pronto para morrer! Faltava-lhe uma coisa. Entre ele e Cristo não existia ligação alguma. O terror invadiu-lhe a alma. As ondas pareciam rugir aos seus ouvidos com a insistente repetição: "Para que pregan­do aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (1 Coríntios 9.27).

Sentiu que tinha anunciado um Cristo que nunca conhecera, que tinha falado aos outros de uma salvação que ele próprio não possuía! Sua vida causava-lhe agora repugnância, com todos os ritos e cerimônias exteriores, mostrando ter sido tudo vaidade. Nesse momento tudo aquilo tinha para ele apenas o seu verdadeiro valor: "obras mortas" (Hebreus 9.14), e reconheceu que a obra de salvação para a sua alma teria de ser feita a seu favor, e feita por outro.

Não foi com referência ao seu corpo, mas sim à sua alma, que gritou à tona do profundo oceano — ali, a sós com Deus, boiando nas ondas — um grito angustioso: "Salva-me, Se­nhor, senão estou perdido!" Um vil pecador. Clamando ele assim, veio logo a resposta: "O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado"(1 João 1.7). "Para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16). Então sussurrou: "Creio, Senhor, que foi vertido aquele precioso sangue, por amor de mim". Vida e paz se apodera­ram de sua alma, mas logo em seguida perdeu os sentidos. — Pai! Oh pai! Veja o que está ali adiante na superfície da água. O que será? Parece que é um homem — disse o filho do piloto de um barco de pesca. O pai olhou, pegou num remo e gritou aos tripulantes que remassem com toda a força. Remaram, pois, com o máximo de energia. O piloto viu afundar o corpo, voltando depois à superfície, já mais perto do barco. Novamente desapareceu, e desta vez poderia vir à tona bem perto do barco se remassem com mais força.

— Força! Mais força! — e todos remaram desesperada­mente. Quando o corpo tomou a aparecer, estava bem ao seu alcance. Braços fortes se estenderam e o agarraram, tirando-o da água sem sinais de vida. Logo aplicaram todos os meios possíveis para restabelecer a respiração. Mãos carinhosas levaram-no para terra, vivo, respirando, e não um cadáver. Vivo em dois sentidos; possuindo, agora, não apenas a vida natural, mas também a vida eterna. (João 6.47; 1 João 5.13)

Passados oito dias, embarcado no mesmo barco de pesca, ele recordou o que o Senhor tinha feito a favor da sua alma, quando a morte e o juízo eterno o ameaçavam. Falou de Jesus, o Salvador, aos que o tinham salvo da morte — da impossi­bilidade de fazermos o que quer que seja que contribua para a nossa própria salvação; que tal obra teve que ser feita tão somente por Ele — caso contrário ficaríamos perdidos para todo o sempre — e leu para eles a Palavra de Deus no seguinte trecho:

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)... não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2.4-9).

— Quando vocês me viram na água, naquela manhã, poderia eu ter feito o que quer que fosse em meu próprio auxílio? Em nada eu ajudei; vocês fizeram tudo e eu recebi o benefício. ELE FEZ TUDO, E NÓS RECEBEMOS TODO O BEM. Ora, meus amigos, não veem como isto esclarece o que sucede com o Senhor? Ele, que nunca pecou, tomou o nosso lugar; sofreu pelos nossos pecados, e oferece-nos o lugar que é Seu. Vocês acham que com o passar do tempo deixarei de sentir sempre profunda gratidão e amor para com os que tanto fizeram por mim? E com o meu Senhor dá-se precisamente o mesmo. Sabendo que me salvou a tanto custo, não posso já viver como antes vivia, como se tudo isso não tivesse importância. Desejo que minha vida manifeste bem a minha gratidão, amor e louvor!

Mais de um daqueles pescadores converteram-se ao Senhor Jesus. Amigo leitor, não há nada que você possa fazer para ser salvo, senão só crer no Senhor Jesus Cristo.

Nada, nem pouco nem muito; Que fazer, pecador, nada há: Pois Cristo fez tudo completo, Há muitos séculos já.

“Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios" (Romanos 5.6).

O CHÃO DA CASA

DURANTE uma visita que fiz ao Transvaal, África do Sul, em 1904, fiquei alojado num pequeno casebre em um lugar remoto do interior. À noite, ao me deitar, não pude deixar de notar que o chão do quarto estava extremamente sujo. Parecia que há meses não era esfregado. Resolvi que no dia seguinte chamaria a atenção da dona da casa para isso e lhe sugeriria que o esfregasse.

Na manhã seguinte, porém, notei o que na véspera não me havia chamado a atenção. É que o chão era de tal natureza que, por mais que se esfregasse, era impossível ficar mais limpo. Tinha sido feito de tijolos de barro secos ao sol, e socados até formarem uma superfície uniforme, tão nivelada e lisa como um piso normal. Logo se vê que desisti da minha intenção de pedir à dona da casa que mandasse esfregar aquele chão. Quanto mais se esfregasse, pior se tornaria. Por maior que fosse a quantidade de sabão e água que se lhe aplicasse, nenhum bem resultaria.

Ficará o leitor admirado, se lhe disser que aquele chão representa bem a sua própria condição aos olhos de Deus? Será que você estará disposto a reconhecer que, perante Deus, você é tão mau, tão imundo, tão corrupto, que lhe é tão impossível melhorar a sua condição, por qualquer forma, como o era limpar o chão daquele quarto, esfregando-o?

Esta é uma verdade que muitas pessoas não são capazes de reconhecer. Investem todos os seus esforços no erro, julgando que, se tão somente se esforçarem bastante, e perseverarem por bastante tempo, poderão tornar-se aptas para a presença de Deus. Tal ideia equivale a pensar que, se tão somente houvesse uma boa escova e bastante sabão e água, seria possível, por fim, melhorar a condição daquele chão. "Pelo que, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniquidade estará gravada diante de mim, diz o Senhor Jeová" (Jeremias 2.22).

Há multidões de homens e mulheres empenhados numa tarefa inútil desta espécie, e são muitos os vários tipos de escova empregados. Há, por exemplo, a escova do Domínio Próprio. Será que o leitor nunca usou esta escova? Você deve ter se esforçado em dominar o mau gênio, refrear a língua indisciplinada, agir de forma ponderada e reprimir as paixões. Isso é como se estivesse esfregando o chão de terra. Porém têm falhado por completo em conseguir um melhoramento positivo. Continua tão afastado de Deus como antes. O seu coração continua tão perverso quanto antes. Ou talvez seja com a escova de uma Vida Moral que está procurando fazer a limpeza. Você não xinga e nem procura enganar o próximo, e nem se embriaga. Não fala coisas obscenas. Nunca cometeu qualquer ato que pudesse ser considerado uma malvadeza. No entanto, meu amigo, nada disto altera a sua condição perante Deus. Sua vida, por moral que tenha sido, não terá conseguido transformar a má índole do seu coração. "Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?" (Provérbios 20.9).

Muitos imaginam que, quando têm falhado todas as demais escovas, então a escova da Religião conseguirá lim­par a alma. Leem a Bíblia e fazem orações. Frequentam regularmente os cultos e tomam os sacramentos. Talvez sejam cantores no coro. Podem até ser professores da Escola Dominical, ou catequistas. Mas tudo isso deixa sem alteração sua vida carnal. A capa da religião serve apenas para tapar a imundície interior.

Se a Escova da Religião pudesse limpar alguém, decerto que Saulo de Tarso teria ficado bem purificado por esse processo. Zeloso e inflexível na observância de cerimônias e rituais, muito além de todos os seus contemporâneos, fanático na sua obediência aos sacerdotes, poderia, com razão, intitu­lar-se o homem mais religioso do seu tempo.

No entanto, simultaneamente, reinava no seu coração ódio e amarga raiva contra o Senhor Jesus Cristo. Quando, afinal, se lhe abriram os olhos, e reconheceu quão terrivel­mente tinha estado enganado, confessou ser o principal dos pecadores. Apesar de ter sido tão religioso, teve de confessar que, "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Romanos 7.18).


Não queira você, portanto, fazer da religião uma escova, pois nunca tal coisa poderá limpar o pecador. Nunca poderá lavar as nódoas do pecado. Mas se, de fato, nem o domínio próprio, nem a vida moral, nem a religião, nem qualquer outra escova semelhante, for capaz de purificar você do pecado, há Alguém que pode fazer isso.

Não pelo meu trabalho, meu mal vou expiar; Tão fraco sou e néscio, nem sei onde começar. Mas sei que quando Cristo à morte Se entregou, Pra mim, por Ele feita, a redenção ficou!

O Senhor Jesus Cristo é o único Salvador. Há poder no Seu precioso sangue para purificar o coração de toda a nódoa imunda. "Necessário vos é nascer de novo"(João 3.7), são as palavras que confrontam cada alma sem Cristo. Foram dirigidas a um homem extremamente religioso. E continuam sendo tão verdadeiras hoje como sempre. O que o leitor precisa é nascer de novo. Nada menos do que isto terá valor. Confesse o seu estado tão excessivamente pecaminoso. Condene-se a si mesmo, sem reserva, sem procurar atenuar a culpabilidade. Depois, fite seus olhos tão somente em Cristo. "Aquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados" (Apocalipse 1.5). "O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (1 João 1.7). Feliz o coração que possa dizer:

Tal como estou, sem esperar, Da alma as manchas poder tirar A Ti, cujo sangue tudo pode limpar, Ó Cordeiro de Deus, venho eu!

EXEMPLO OU SUBSTITUTO?

HÁ ALGUM TEMPO, no final de uma pregação do evangelho em Germantown, nos Estados Unidos, um dos ouvintes dirigiu-se ao Dr. D. M. Stearns, dizendo: — Não gosto de sua mensa­gem. Não dou importância nenhu­ma à Cruz. Acho que, em vez de anunciar a morte de Cristo na cruz, seria bem melhor proclamar Jesus, como Mestre e Exemplo. — Se lhe falasse de Cristo como o Exemplo, você estaria pronto a segui-Lo? — perguntou o Dr. Stearns. — Sim, estaria pronto — respondeu o outro — seguiria Seus passos. — Vamos tomar, então, o primeiro passo — disse o Dr. Stearns. — "O qual não cometeu pecado"(1 Pedro 2.22). O amigo pode dar este passo? — Isso não — respondeu o outro com evidente confusão — pois eu peco, e confesso a minha falta. — Neste caso — disse o Dr. Stearns, — sua primeira necessidade quanto a Cristo, não é como Exemplo, mas sim como Salvador.

E todos têm idêntica necessidade. "Porque todos peca­ram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justifica­dos gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Romanos 3.23-26).

AVENTAIS DE FOLHAS OU TÚNICAS DE PELES?

A PRIMEIRA COISA que nos consta ter sido feita pelo homem foi um avental. Depois de Adão e Eva terem pecado, e a consciência lhes ter feito sentir a sua culpa, e a vergonha da sua nudez, "coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais"(Gênesis 3.7), procurando assim tornarem-se apresentáveis perante Deus, e esperando que os seus sinceros esforços merecessem a Sua aprovação.

Ora é precisamente isto que tanta gente se esforça por fazer. Dizem: "Faço o melhor que posso", "procuro respeitar os mandamentos da lei de Deus", "procuro seguir os exemplo de Jesus", etc. Esforços humanos! Esforços religiosos! O homem está sempre disposto a fazer o que quer que seja para evitar confessar a Deus a sua culpa. Tais aventais são muito apreciados entre os homens; porém, aos olhos de Deus são uma abominação. "Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque, o que entre os homens é elevado, peran­te Deus é abominação"(Lucas 16.15). "Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo de imundícia"(Isaías 64.6).

Deus não Se agradou dos aventais de folhas de figueira; mas, vejamos o que Ele fez: "E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles e os vestiu" (Gênesis 3.21). Foi isso, graça divina. Essas túnicas de peles são belas aos olhos da fé, pois nos falam da provisão gratuita e misericordiosa de Deus a favor dos pecadores, na morte de Cristo, "o Cordeiro de Deus" (João 1.29). Adão e Eva não tinham se lembrado da única coisa de sumaimportância, a saber: confessar humildemente a sua condição de culpados perante Deus, e reconhecer que lhes era devido o juízo e a morte.

“Cristo morreu por nossos pecados” (1 Coríntios 15.3). Medite nEle pregado lá na cruz, prezado leitor; desista dos seus esforços religiosos. "Estai quietos e vede o livramento do Senhor"(Êxodo 14.13). "Está consumado" (João 19.30). A obra foi perfeita e gloriosamente completa. "Nada se lhe deve acrescentar"(Eclesiastes 3.14). Aceite, pois, esta dádiva divina, prezado leitor, a obra de Cristo já consu­mada "para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez"(Apocalipse 3.18). "Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto" (Salmo 32.1)

Quão melhor é a salvação de Deus do que os aventais dos homens? "Vão é o socorro do homem"(Salmo 60.11). "Nem se poderão cobrir com as suas obras"(Isaías 59.6). "Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia" (Isaías 64.6). Deus não pode aceitar as obras de quem quer que seja, mas quer que todos aceitem a obra de Seu Filho.

Se Deus tivesse visto com complacência a tentativa de Adão e Eva de fazerem para si aventais, ou apenas mandasse que fizessem outros com maior perfeição, isso estaria de acordo com o pensamento da maioria. Pois nada há que tenha mais popularidade no mundo religioso do que a ideia errônea de que ao homem compete cumprir determinadas obras reli­giosas para merecer a salvação. Isto está profundamente arraigado na natureza humana. Por mais que tal ideia se refute, ela sempre aparece de novo, impondo-se de uma maneira ou de outra.

Essa tendência irrequieta, de querer fazer qualquer coisa, em vez de aceitar o dom gratuito de Deus, baseia-se no fato de que o homem não gosta de se reconhecer culpado, ou seja, de confessar-se desesperadamente arruinado, irreme­diavelmente perdido, e completamente incapaz de fazer seja o que for que possa contribuir para a sua própria salvação. No