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Semelhanças do Reino - Parte 3 (Março de 2021)


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Revista mensal publicada originalmente em março/2021 pela pela Bible Truth Publishers

 

ÍNDICE


Tema da edição

D. C. Buchanan

W. Kelly (adaptado)

E. Dennett (adaptado)

Faithful Words for Young and Old, vol. 3 (adaptado)

Christian Truth, vol. 9 (adaptado)

Autor desconhecido

F. B. Hole (adaptado)

H. C. Anstey (adaptado)

C. E. Lunden

G. Cutting

Autor desconhecido

Autor desconhecido

W. Kelly

C. H. Mackintosh

J. N. Darby

Paul Wilson

Selecionado

 

As Semelhanças do Reino - Parte 3


As últimas quatro parábolas do reino dos céus dão uma apresentação da presente dispensação enquanto o Rei está no céu até o tempo em que o Senhor, o Rei, virá – haverá um processo de separação do bem do mal. Em Mateus 18, o Rei perdoou gratuitamente, mas o servo mau abusou do perdão e caiu sob o governo de Deus. A parábola dos trabalhadores na vinha (cap. 20) descreve como Deus é o Dispensador da graça – Ele a dispensa da maneira que Lhe agrada. Mas a própria bondade de Deus chama a atenção para o mal no homem, que está pronto para acusar Deus de injustiça. A parábola do rei que fez um casamento para seu filho (cap. 22) é um convite para participar com o rei que está agindo de acordo com as riquezas de sua própria casa para glorificar seu filho. Tudo diz respeito a Seu Filho e Sua graça. A parábola das dez virgens (cap. 25) conta o que acontecerá quando o Senhor vier e como a Igreja ficaria sonolenta e dormiria, esquecendo-se de vigiar por seu Senhor. As sábias entram para as bodas.

Tema da edição

 

Perdão Fraternal


Devedores de dez mil talentos

O devedor de 10.000 talentos em Mateus 18 nos instrui sobre como somos perdoados e recebidos no reino dos céus. Todos nós, em nossa responsabilidade, fomos perdoados mais do que poderíamos retribuir. Por esta razão, cabe-nos sempre perdoar em nosso coração aqueles que nos ofendem.


A pergunta de Pedro: “Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei?” provocou uma resposta do Senhor em forma de uma parábola. A parábola nos ensina por que devemos perdoar e com que frequência. “Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete”. Sete é o número da perfeição e 70 (sete vezes dez) é a perfeição na responsabilidade. O real significado da resposta do Senhor não é apenas até 490 vezes, mas o número perfeito de vezes, que significa “sempre”.


“Por isso, o Reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos” (v. 23). A parábola é uma descrição geral de todos os que estão no reino dos céus; não foi apenas uma resposta para Pedro e os discípulos.


Uma parábola de ampla aplicação

A parábola tem uma ampla aplicação. Todos os que professam conhecer o Rei no céu fazem parte do reino dos céus. Todo aquele que entra no reino dos céus é recebido lá com base em ter sido perdoado. Todos os que estão no reino dos céus são como o devedor que foi perdoado. Ninguém entra com base no mérito próprio. A recepção no reino inclui aqueles que são verdadeiros crentes e aqueles que são meros professantes. Ambos estão no lugar de terem recebido o perdão governamental. Aqueles que são verdadeiros crentes e têm o Espírito Santo habitando neles também têm o perdão eterno. Mas aqui Ele está falando do perdão que todos recebem do Rei no céu. Eles são todos como o devedor que devia dez mil talentos.


“Começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos” (v. 24). Uma pessoa serve de exemplo para todos, porque “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Estamos todos reduzidos ao mesmo nível. E Deus oferece perdão a todos por meio do Senhor Jesus, que morreu por todos.


Quando o rei exigiu o pagamento, “então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei” (v. 26). As consequências de não pagar a dívida e sua incapacidade de pagar uma dívida tão grande obrigaram o devedor a implorar por tempo. Isso foi pelo menos um reconhecimento do que ele devia. O rei perdoou o devedor porque ele foi “movido de íntima compaixão”, não porque o devedor pudesse pagar a dívida. Isso o tornou devedor da misericórdia e perdão do rei em vez de devedor dos dez mil talentos. Ele ainda devia muito ao rei. A percepção disso nos ensina por que devemos perdoar. Embora Pedro achasse difícil perdoar muitas ofensas, isso o tornaria consciente do quanto Deus o havia perdoado e de sua obrigação de perdoar os outros por causa de Deus.


Uma atitude implacável

A seriedade de manter uma atitude implacável para com os outros é destacada nos versículos seguintes, onde o servo não perdoaria a seu conservo uma dívida muito menor. As mesmas palavras implorando por misericórdia foram agora dirigidas a ele: “Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei”” (v. 29), mas ele não perdoou. Ele “foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida”. Tal atitude era imprópria, embora os 100 denários fossem devidos. Ele se apropriou indevidamente do perdão que ele havia recebido do rei e, assim, o representou mal diante de seu conservo.


“Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? (vs. 31-33). O Senhor deseja que aqueles em Seu reino mostrem aos outros a mesma compaixão e perdão que receberam d’Ele. Se não perdoarmos, impediremos a manifestação do caráter e o propósito de Sua vontade.


O remédio para um espírito implacável

O versículo seguinte descreve o remédio para aqueles que não perdoam seus companheiros de serviço. “indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia” (v. 34). Este é o tratamento governamental de Deus, permitindo que “atormentadores” disciplinem aqueles que não perdoam os outros. Isso pode ser feito de muitas maneiras diferentes, como doença, perda de propriedade, perda de trabalho ou até mesmo a morte. Não é uma questão de saber se eles são verdadeiros crentes ou não. O soberano Rei controla todas as coisas e pode trazer correção para fazer com que Seus servos parem de abusar de Sua compaixão e perdão.


O Senhor Jesus termina a parábola com a admoestação: “Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas” (v. 35). Esta palavra é dirigida ao nosso coração. Embora seja verdade que não é apropriado mostrar perdão até que um erro seja confessado, este versículo fala do perdão do coração, independentemente da atitude do ofensor. Quando chega a hora em que o ofensor reconhece seu erro, então o perdão pode ser estendido publicamente. Devemos perdoar de coração, conforme expresso em Efésios 4:32: “Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”.


D. C. Buchanan

 

Graça em Recompensas


Mateus 19 termina com a frase: “muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros”. Isso claramente nos traz um senso de graça e, de acordo com esse tema, o Espírito de Deus Se refere neste capítulo (Mateus 20) à soberania de Deus - o contra-ataque à justiça própria que é encontrada até no coração de um discípulo. Pedro pôde dizer: “Eis que nós deixamos tudo e Te seguimos”, e o Senhor pode assegurar-lhe que isso não seria esquecido, mas imediatamente acrescenta a parábola do pai de família. Aqui você encontra, não o princípio de recompensas ou o justo reconhecimento de Deus pelo serviço prestado por Seu povo, mas Seus próprios direitos, Sua própria soberania. Portanto, não há diferenças aqui – ninguém é especialmente lembrado porque ganhou almas para Cristo ou deixou tudo por Cristo. O princípio é este, que embora Deus infalivelmente reconheça todo serviço e perda por causa de Cristo, ainda assim Ele mantém Seu próprio direito para fazer o que quiser. Pode haver alguma pobre alma trazida ao conhecimento de Cristo no dia de sua morte. Agora, Deus, o Pai, reivindica Seu próprio direito para dar o que Lhe apraz; a pessoa pode não ter feito nenhum trabalho, mas o direito de Deus Lhe é reservado para dar àqueles que não fizeram absolutamente nada (como podemos pensar) exatamente o que é bom aos Seus próprios olhos. Este é um princípio muito diferente do que tivemos no último capítulo, e extremamente contrário à mente do homem: “Porque o Reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro (ou denário) por dia, mandou-os para a sua vinha” (Mt 20:1-2).


Nossa contribuição

A aplicação comum desta parábola à salvação da alma é um erro. Pois é para isso que Cristo trabalhou, sofreu e vive, independentemente do homem. O pobre pecador tem apenas que se entregar para ser salvo por Cristo. Quando levado ao fim de si mesmo, reconhecendo que não merece nada além do inferno, quão doce Deus traz diante de tal alma que Jesus Cristo (e esta é uma palavra fiel) veio ao mundo para salvar os pecadores! Quando contente em ser salvo como nada além de um pecador e por nada além de Cristo, ali e somente então o verdadeiro descanso é dado por Ele. Sempre que sentirmos que devemos contribuir com a nossa parte, haverá apenas incertezas, dúvidas e dificuldades. E onde brilha a salvação de Deus? Somente Cristo é a salvação. O homem que é salvo não contribui com nada além de seus pecados. Mas Deus Se deleita (e não menos porque é fruto de Sua graça) em ouvir um pobre pecador reconhecer que Jesus é digno de levá-lo, liberto do pecado, ao céu. Mas nesta parábola a questão não é esta. Não há nada nisso sobre crer em Cristo ou em Sua obra. É um trabalho prático que é feito. Aí você pode pensar: Certamente o Senhor recompensará o trabalho de acordo com seu tipo e grau. Isso nós vimos, mas há outro princípio nem sempre entendido, a saber, que Deus reserva em Suas próprias mãos o direito de fazer o que Lhe apraz, e Ele nunca comete um erro. Pode parecer difícil que um homem esteja trabalhando duro por 50 anos e que outro, trazido apenas no final de sua vida, seja honrado no céu tanto quanto ele. Mas Deus é o único Justo, o único Sábio, Juiz do que é para Sua própria glória. Se Ele quiser, Ele colocará todos em pé de igualdade. Ele recompensará o trabalho que for feito, mas dará o que quiser.


A bondade de Deus

“E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro (ou denário) por dia, mandou-os para a sua vinha. E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça. E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram” (Mt 20:2-4). Não é graça no sentido de salvação aqui. “dar-vos-ei o que for justo” É Deus Quem julga o que é adequado. “Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo” E, surpreendentemente, “E, saindo perto da hora undécima”. De que coração isso fala! Que bondade infinita, esse Deus, que reconhece cada serviço e sofrimento feito por Si mesmo, mas mantém intacta a prerrogativa de sair no último momento para trazer as almas e ocupá-las com o que pode parecer um pequeno serviço! Mas Ele pode dar graça para fazer bem aquele pequeno serviço.


“E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia? Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha e recebereis o que for justo. E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos derradeiros [últimos – ARA] até aos primeiros” (Mt 20:6-8), “começando pelos últimos”. na perfeita sabedoria de Deus. E por que os “últimos” são tão enfatizados nesta parábola? O que torna ainda mais impressionante é que, no final do capítulo anterior, não era assim. Lá, “muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros” (Mt 19:30 – ARA). Mas aqui os últimos sempre são mencionados primeiro. Assim, o mordomo é instruído a começar do último até ao primeiro. E novamente, quando o próprio dono da vinha tem que falar, é a mesma coisa: “os últimos serão primeiros e os primeiros últimos”.


A soberania da graça

É a soberania da graça em dar o que Lhe agrada; não apenas em salvar, mas em recompensar no tempo de glória, pois é disso que se fala. Claro, os últimos receberam seus salários com gratidão. Mas quando os primeiros ouviram sobre isso, começaram a pensar que tinham direito a mais – eles que suportaram o fardo e o calor do dia. Mas o mestre os lembra que tudo estava combinado antes de iniciarem seu trabalho. Em seu egoísmo, esqueceram-se tanto dos termos quanto da justiça daquele com quem tinham de tratar. Se, pela liberalidade de seu coração, o pai de família quis dar aos últimos, que trabalharam 1/12 (um doze avos) do que eles fizeram, tanto quanto ele deu aos primeiros, o que isso lhes importava? Era assunto inteiramente do pai de família. Deus mantém Seus próprios direitos.


É da maior importância para nossa alma que nos apeguemos aos direitos de Deus em tudo. As pessoas vão argumentar se é justo que Deus eleja esta ou aquela pessoa. Mas se você considerar o terreno da justiça, todos estarão perdidos e perdidos para sempre. Agora, se Deus Se apraz em usar Sua misericórdia de acordo com Sua sabedoria, e para Sua glória, dentre esses pobres perdidos, quem deve disputar com Ele? Quem és tu, ó homem, que a Deus replicas? Deus tem o direito de agir de acordo com o que está em Seu coração, e “não faria justiça o Juiz de toda a Terra?” Ele tem o direito de agir por Si mesmo? Ele não pode agir a partir do homem com base na justiça. Não há fundamento sobre o qual Ele possa lidar dessa maneira; é inteiramente uma questão de Seu próprio beneplácito (ou bom prazer). E devemos lembrar que não há um homem que esteja perdido, que não rejeite a misericórdia de Deus – a despreze ou a use para seus próprios propósitos egoístas neste mundo. O homem que é salvo é o único que tem um verdadeiro senso de pecado, o único que se entrega a Deus como realmente perdido, mas depois recorre à Sua infinita misericórdia em Cristo para salvar um pecador perdido.


A queixa dos judaizantes

No caso que temos aqui, quando os primeiros vieram e reclamaram contra o pai de família, ele respondeu: “Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário? Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?” (Mt 20:13-15). Aí vem todo o segredo. O homem, mesmo um discípulo professo do Senhor, um trabalhador em Sua vinha, pode estar discutindo porque não deve ter mais do que outro que, em sua opinião, fez pouco em comparação com ele. Foi o mesmo princípio que deixou os judaizantes tão enciumados com a introdução dos gentios. Portanto, diz o Senhor, “os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos”.


Os “últimos” e os “primeiros”

Deixe-me apenas perguntar: Por que no capítulo 19 está escrito: “muitos que são primeiros, serão os últimos; e muitos que são últimos, serão os primeiros” (v. 30 – TB), e aqui, “os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos”? Ao falar sobre recompensas, de acordo com o trabalho realizado, o fracasso do homem é anunciado, pois de fato a fraqueza logo se mostra; o primeiro será o último. Mas nesta nova parábola está a soberania de Deus que nunca falha. Consequentemente, aqui “os últimos serão os primeiros e os primeiros os últimos”. “Demas me desamparou, amando o presente século [o mundo presente – TB]. Houve um primeiro, podemos dizer, que se tornou o último – um trabalhador para o Senhor, que não desistiu do Cristianismo, mas se cansou do caminho do serviço incessante a Cristo. Se, em vez de honra agora, os milhares daqueles que estão empenhados no serviço de Cristo recebessem apenas desprezo e perseguição, haveria um verdadeiro enfraquecimento de suas fileiras. A presente retribuição deveria ser vergonha e sofrimento. Isso deve ser buscado por aquele que inteligentemente procura servir fielmente ao Senhor neste mundo. Demas pode ter sido um crente, mas a provação e reprovação, o amor pela facilidade e outras coisas vieram fortemente sobre seu espírito, e ele abandonou o serviço do Senhor. “Todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus”: Existe um princípio semelhante.


W. Kelly (adaptado)

 

Os Trabalhadores da Vinha


As duas classes de trabalhadores

É essencial observar que esta parábola em Mateus 20 se refere ao serviço, pois os trabalhadores são enviados para a vinha. Também não há dúvida de que surgiu da pergunta de Pedro no capítulo anterior: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos; que receberemos?” Em resposta, o Senhor graciosamente disse a Seus discípulos que eles deveriam ter um lugar especial no reino e deveriam sentar-se em 12 tronos, julgando as 12 tribos de Israel; além disso, todos os que abandonaram qualquer coisa por causa de Seu nome deveriam ser abundantemente recompensados. Ele então acrescentou o importante aviso de que muitos dos primeiros deveriam ser os últimos, e os últimos, os primeiros. Isso Ele passou a explicar na parábola do capítulo 20, “porque”, diz Ele, “o Reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha” (Mt 20:1). Temos então uma descrição dos vários trabalhadores, com os diferentes horários a que foram contratados. Mas, na verdade, existem apenas duas classes – aqueles que concordaram com a quantia que deveriam receber e aqueles que se deixaram nas mãos do Mestre para dar o que ele considerava justo. Os primeiros, apreendemos, são os “primeiros” e os últimos os “últimos” de Mateus 19:30. Sem dúvida, os primeiros também representam o espírito de Pedro, conforme expresso em sua pergunta: “que receberemos?” O Senhor, portanto, traz diante de nós o correto e o incorreto espírito de serviço; o espírito errado encontra seu motivo na recompensa esperada, enquanto o espírito correto extrai a fonte de sua atividade da vontade do Mestre e se contenta em deixar todas as outras questões para a graça que o chamou. Um pensa no valor do trabalho prestado, o outro no Mestre para Quem o serviço é feito. Aqueles que concordaram com seu denário eram, em uma palavra, servidores legais, enquanto aqueles que se entregavam Àquele que os havia chamado estavam sob o poder da graça. Para o primeiro, o trabalho era um meio de recompensa; para o último, foi um privilégio e, portanto, eles o valorizam em si mesmo, sabendo algo da graça que o concedeu.


Os direitos soberanos da graça

Tudo isso é revelado quando o mordomo acerta com os trabalhadores. Em obediência ao seu senhor, ele começa com os últimos, e todos recebem um denário. Isso despertou a ira dos primeiros, pois se os últimos receberam um denário, com certeza tinham direito a mais. A resposta foi que eles receberam o que foi combinado, que o pai de família tinha o direito de fazer o que quisesse com aquilo que era dele e que os olhos deles não deveriam ser maus porque ele era bom. A exibição da graça, com todos os seus direitos soberanos, apenas despertou a inveja do coração natural. Portanto, vemos a inimizade do judeu quando o evangelho foi proclamado ao gentio e, assim, embora fosse o “primeiro”, ele também se tornou o “último”. O mesmo aconteceu com esses trabalhadores: aqueles que foram trabalhar por último na vinha saíram satisfeitos da presença do pai de família por sua bondade e assim se tornaram “primeiros”, enquanto aqueles que foram os primeiros em seus trabalhos deixaram sua presença com murmuração em seu coração e em seu lábio, ainda estranhos à graça. Daí a conclusão é: “Assim, os últimos serão primeiros (referindo-se a Mt 19:30), e os primeiros serão últimos: porque muitos são chamados, (como todos esses trabalhadores foram), mas poucos escolhidos”.


E. Dennett (adaptado)

 

Trabalhando por Amor


Algumas pessoas, e até mesmo pessoas pequenas também, trabalham por amor, outras por dinheiro. Feliz é a criança que sente verdadeiro prazer em ajudar seus pais ou ajudar aqueles que não podem ajudar a si mesmos! Conhecemos uma pobre Cristã que está doente e não pode fazer suas tarefas por conta própria, e conhecemos o garotinho que todas as manhãs vai ao seu quarto para fazer as tarefas dela. O rosto do menino gentil, ao visitá-la todas as manhãs, é como um raio de Sol para a inválida. Uma pessoa rica disse à mãe do menino: “Deixe-me pagar por sua bondade”, mas a mãe respondeu: “É nosso gozo fazer esta pequena coisa por nosso Senhor Jesus Cristo”. O Senhor se lembrará no céu de todos aqueles que trabalham por amor a Ele.


O que temos na parábola em Mateus 20:1-16? Vários homens trabalhando arduamente no lagar; alguns pisando as uvas, outros trazendo-as da vinha para serem pisadas, e na frente um homem recolhendo-as para lançá-las no lagar. O Senhor Jesus nos conta como um pai de família contratou homens para sua vinha – homens que estavam ociosos na praça. Eles eram como muitos Cristãos, pois não sabiam o que fazer, disse o pai de família a eles, e ele os enviou para trabalhar em sua vinha. Se você não deseja ficar ocioso, ouça a voz do Senhor e ouvirá o que deve fazer, pois Ele tem algum tipo de trabalho a ser feito por você e por mais ninguém no mundo. Há muito a ser feito e poucos para fazê-lo: “Ide vós também para a vinha”.


O pai de família era muito bom; ele foi primeiro de manhã cedo para as pessoas ociosas, ele foi novamente por volta das nove horas, novamente ao meio-dia, e então mais uma vez por volta das três horas, e toda vez que ele foi, ele encontrou pessoas ociosas. E quando o dia estava prestes a terminar e quando todas as oportunidades de trabalho estavam quase terminando, na undécima hora – isso seria pouco antes do pôr do Sol - novamente o pai de família saiu para os desocupados na praça e disse-lhes: “Por que estais ociosos todo o dia?” E assim, por sua própria preocupação pelo bem deles, ele enviou muitos para trabalhar em sua vinha. Se ele tivesse esperado até que essas pessoas ociosas batessem em seus portões para trabalhar, ele não teria muitos trabalhadores em sua vinha.


O Senhor é como este pai de família; Ele diz aos jovens, aos de meia-idade e aos velhos que O amam: “Ide vós também para a vinha”. Ele diz isso a todos os que O amam, desde o início da manhã até a décima primeira hora, pois Seu povo está tristemente entregue ao pecado da ociosidade. Crianças ociosas geralmente se metem em travessuras. Elas ficam egoístas, resmungando e brigando. Deus fez o homem para trabalhar, e o Senhor em Sua terna graça nos pede que trabalhemos para Ele.


Terminada a jornada de trabalho, vinham os trabalhadores para serem pagos. E alguns pensaram muito em todo o trabalho que haviam feito. Eles falaram do fardo e do calor do dia e pensaram que seu trabalho valia muito dinheiro. Pobres homens tolos! Era a graça do pai de família que era tão preciosa. Por que o Senhor deveria nos permitir o privilégio de fazer qualquer coisa para Ele? Por que Ele deveria Se dar ao trabalho de nos buscar e nos estimular a trabalhar para Ele? É seu privilégio trabalhar para o Senhor; o favor é d’Ele ao pedir que você vá e trabalhe em Sua vinha. Portanto, esses homens estavam completamente errados. Todos recebiam o salário ajustado, o denário, que era uma remuneração completa por um dia inteiro de trabalho. A lição que nos foi ensinada é que tudo é graça no Senhor que recompensa Seu povo, e Ele não Se esquece de um copo de água fria dado a um discípulo em Seu nome.


Alguns pensam em recompensa; eles estão trabalhando pelo denário. Outros têm seus pensamentos em seu Mestre; eles estão trabalhando por amor. Estamos trabalhando para o Senhor, ou ainda estamos ociosos na praça, tendo Satanás procurando algum dano para nossas mãos ociosas fazerem? E se estamos trabalhando na vinha, estamos trabalhando por amor ou recompensa?


O garotinho que cuidava dos pobres inválidos nos ensina uma lição, pois, como disse sua mãe: “Amamos fazer isso, servir ao Senhor Jesus Cristo”. Feliz é o povo de Deus que está trabalhando na vinha do Senhor por amor ao bendito Salvador que morreu por eles e que muito em breve os levará ao Seu descanso!


Faithful Words for Young and Old , vol. 3 (adaptado)

 

A Ceia das Bodas


“Então, Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: o Reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho. E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas” (Mt 22:1-3). Observe o caráter desta parábola. Não é Deus tratando com a consciência natural, nem Sua busca por frutos como o dono da vinha, como nas parábolas anteriores; é o rei pretendendo honrar seu filho com as riquezas de sua própria casa. O rei não está fazendo reivindicações;ele está dandoele está convidando. Aquele que dá um banquete fornece tudo. Além disso, o rei apresenta as vestes nupciais com as quais os convidados são honrados. Não deve haver nada que o rei não dê – sua generosidade suprirá ricamente tudo.


Honrar seu filho

Embora o pensamento principal do rei seja honrar seu filho, ainda assim ele deseja que os convidados entrem de coração em seu gozo. Ele deseja que haja plena bênção em sua mesa – rostos felizes ao seu redor – corações sem ansiedade. Esses devem ser aquilo que acompanha a ceia das bodas do filho do rei. Quão simples e evidente é a aplicação de tudo isso à luz do que aconteceu antes! O homem falhou completamente, mas Deus tem em Seu propósito, por meio do homem, glorificar Seu Filho, e Seus recursos efetuarão isso, apesar da ruína do homem.


Temos que considerar o tratamento dado ao convite por aqueles a quem foi enviado primeiro, e depois os conselhos posteriores de Deus. Um desígnio da parábola é trazer à tona a implacável inimizade da mente carnal contra Deus, em face dos maiores avanços de Seu amor.


O primeiro convite

O convite de Deus é feito primeiro àqueles que tinham “as promessas” – aos judeus. “E estes não quiseram vir”. Sob tais circunstâncias, não estaríamos inclinados a repetir a oferta, mas Deus a repete. Novos mensageiros são enviados novamente para chamá-los, e os preparativos são detalhados: “Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Porém eles, não fazendo caso, foram” pelos seus caminhos (vs. 4-5). Eles foram “um para o seu campo, e outro para o seu negócio”. Ainda pior: “e, os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram”.


A contrapartida de tudo isso pode ser encontrada no livro de Atos. A mensagem dos apóstolos após a crucificação foi: “Tudo está pronto”; a graça abundante ofereceu perdão até mesmo para aqueles que mataram o Príncipe da Vida. A estimativa dos judeus de tais boas novas pode ser encontrada na linguagem de Paulo (então Saulo de Tarso), antes de ser salvo: “E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando os matavam, eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui” (At 26:10-11). A conduta dos indivíduos pode ter variado, mas em princípio era a mesma. O descuido que faria um pecador menosprezar o convite do Rei para a festa é exatamente o mesmo que o levaria a matar Seus mensageiros, ou mesmo Seu Filho.


Os justos julgamentos de Deus certamente devem seguir, então neste caso, “E o rei, tendo notícias disso, encolerizou-se, e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade” (v. 7).


O segundo convite

Mas agora chegamos a uma verdade muito abençoada. Deus não desistiu de Seu amor ou Seu propósito em relação a Seu Filho. Sua casa deve estar cheia para honrar o casamento de Seu Filho. Novos convidados devem ser encontrados. “Então, disse aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial ficou cheia de convidados” (vs. 8-10). Aqui vemos o envio do convite aos gentios. Seu amor sai em graça simples para encontrar “tanto maus como bons” para participar da bondade de Sua casa. Esse é o princípio segundo o qual Deus está agindo no evangelho hoje.


Quando entendemos que Deus está glorificando Seu Filho Jesus, isso nos faz deixar de lado qualquer outro pensamento. Podemos ser os pecadores mais vis em nós mesmos, mas toda a ansiedade será tirada de nosso coração por causa do convite. É o convite de Deus, e Ele provê tudo o que é necessário.


Qualquer hesitação em aceitar o convite de Deus é desonrar Seu poder ou Seu amor. O convite é nosso único título e, vindo de Quem o conhece bem, merece toda a nossa confiança. É para todos nas “saídas dos caminhos”, quer nos encontre como mendigos ou príncipes. Os servos “ajuntaram todos quantos encontraram”. Nenhuma exceção foi feita; nenhum deveria ser passado sem ser convidado. A ordem do rei é clara: “convidai para as bodas a todos os que encontrardes”. A única pergunta real para aqueles que ouvem o convite do evangelho é: a consciência se submeteu à justiça de Deus? O convite é aceito como uma das mais puras graças? Se for assim, cabe a eles deixar de lado todas as ansiedades que o pecado ocasiona e entrar no gozo do Rei na feliz certeza de que seu lugar é sentar-se à Sua mesa. A bênção é garantida por meio de Sua suficiência e Sua graça.


A veste nupcial

Há um triste incidente que não deve ser esquecido. “E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu” (vs. 11-12). A graça foi zombada por este homem, pois ele não havia obtido a indispensável veste nupcial, sem dúvida pensando que a sua própria era boa o suficiente. A instrução disso é evidente. Deus, a um custo infinito, providenciou uma veste para nós, como a única adequada para Sua santa presença, e grande de fato é a presunção que despreza esta provisão graciosa. “Ele emudeceu”. O julgamento proporcional à culpa seguirá, e pesadamente cairá certamente nos casos dos quais este é um exemplo. “Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes” (v. 13).


Por outro lado, se reconhecermos nossa culpa e aceitarmos o que Deus nos dá, nossos temores desaparecerão e nossos lábios se abrirão para render a Ele a glória e regozijar-se em honrar Seu Filho. Nosso coração está assim no espírito do casamento? Nossos pensamentos estão em uníssono com os de Deus a respeito de Cristo? Se não, por mais próximos a Ele que imaginemos estar, não temos nada a ver com o casamento. O princípio de todo o assunto em questão é: “como entraste aqui, não tendo veste nupcial?”


O coração de Deus está colocado na glória de Cristo, e essa glória está relacionada com o gozo e bênção daqueles que se submeteram à Sua justiça e acolheram as riquezas de Sua graça. Se nosso coração estiver ocupado com a glória de Cristo, não estaremos pensando, em certo sentido, no que somos ou no que fomos; nossos pensamentos se concentrarão no Abençoador e na bem-aventurança para a qual fomos trazidos.


Christian Truth, vol. 9 (adaptado)

 

A Veste Nupcial


A parábola da ceia das bodas (Mt 22:1-14) traz diante de nós a extrema bondade de Deus e a oposição e inimizade sem esperança do homem. Deus está prestes a fazer um casamento para Seu Filho, e Ele envia Seus mensageiros para convidar homens para a festa de casamento. Seu objetivo é honrar Seu Filho. Não nos é dito nesta parábola nada sobre a noiva, ou a esfera das núpcias. É simplesmente uma comparação do reino dos céus. Sabemos Quem é o Rei e sabemos Quem é o Filho; o grande objetivo é mostrar a maravilhosa graça de Deus. A questão é: o homem virá à festa de casamento se for convidado?


Em breve veremos a resposta. “E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e estes não quiseram vir” (v. 3). Isso ocorreu na vida de nosso Senhor aqui na Terra. Ele enviou os doze e os setenta, exclusivamente para Israel. Mas, infelizmente, não havia coração para o Rei, nenhum coração para Seu Filho. O homem provou ser uma ruína sem esperança; ele não quer ter nada a ver com Deus ou Seu Filho, pois uma convocação para um casamento não oferece motivo possível para desculpa. Mas ninguém jamais será encontrado lá, se não for obrigado a vir. Não há, em toda a extensão do coração humano, um único desejo por Deus ou pelas coisas celestiais. O homem, se deixado a si mesmo, nunca viria a Deus. Ele não quer ir para o inferno, mas não deseja a presença de Deus.


O segundo convite

No segundo convite, o rei faz exigências muito mais fortes ao coração dos convidados. “Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas” (v. 4). Aqui temos ilustrado o segundo chamado a Israel, na pregação dos apóstolos no dia de Pentecostes. Após a morte e ressurreição de nosso Senhor, o Espírito Santo desceu, com novo poder para persuadir o povo com o bendito convite. A obra expiatória foi feita; todas as coisas estavam prontas. “Ressuscitando Deus a Seu Filho Jesus, primeiro O enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades” (At 3:26).


Qual foi o resultado, no que diz respeito à nação e seus líderes? Rejeição deliberada. Milhares se prostraram em verdadeiro arrependimento diante de Deus, mas a grande massa do povo “Porém eles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, e outro para o seu negócio” (Mt 22:5). No entanto, há mais do que indiferença; há inimizade positiva. “e, os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram” (v. 6). Isso está de acordo com o discurso solene de Estevão, pouco antes de seu martírio: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim, vós sois como vossos pais. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos e arremeteram unânimes contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam” (At 7:51, 57-58).


Graça divina

Todo esforço da graça divina é enfrentado pelo ódio determinado do coração humano – a lei quebrada, os profetas apedrejados, o Filho rejeitado e crucificado e o vaso do Espírito Santo martirizado. Nada restava a não ser que o julgamento seguisse seu curso. “E o rei, tendo notícias disso, encolerizou-se, e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade” (v. 7). Quão literalmente isso foi cumprido na terrível história de Jerusalém, quando foi destruída pelo general romano Tito em 69-70 d.C.! Os horrores daquele terrível cerco são bem conhecidos, conforme os lemos nas páginas da história. Mas tão certo quanto Jerusalém foi destruída pelos romanos, assim também certamente todos os que rejeitam o evangelho da graça de Deus terão que suportar a agonia daquele lugar onde a esperança nunca pode chegar. Um é tão verdadeiro quanto o outro e aparece com igual força e solenidade em nossa parábola.


A todos os que encontrardes

“Então, disse (o rei) aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial ficou cheia de convidados” (vs. 8-10). Aqui vemos a rica graça de Deus fluindo para os gentios. “esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão” (At 28:28 – TB). Em Lucas, temos outra expressão relacionada a esse assunto. “E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e atalhos e força-os a entrar, para que a minha casa se encha” (Lc 14:23). Deus diz ao pecador: “Eu o salvarei apesar de você mesmo. Eu vou obrigar você a vir. Estou determinado a encher Minha casa de convidados. Tomei todo o assunto em Minhas próprias mãos, do começo ao fim, e você será, por toda a eternidade, um monumento da Minha graça que salva, vivifica e convence”. Que graça incomparável! Deus encherá Sua casa de convidados que, se deixados a si mesmos, Lhe dariam as costas para sempre!


Responsabilidades santas

Mas há responsabilidades santas fluindo de toda essa graça maravilhosa. Se a graça nos compeliu a entrar no círculo da salvação de Deus, que tipo de pessoa devemos ser? Se recebemos a veste nupcial, não devemos usá-la? É triste dizer, mas há muitos professando coisas inúteis em nosso meio. Pode-se falar sobre as doutrinas da graça, mas quantos há que exibem uma mentalidade terrenal em sua vida privada diária! Alguns podem perguntar: O que tudo isso tem a ver com a parábola das vestes nupciais? Leiamos as frases finais. “E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (vs. 11-14).


Sem a veste nupcial

Quão solene é alguém aparecer entre os convidados e ainda não estar vestido com as vestes nupciais! É um insulto ao Rei, a Seu Filho e à festa nupcial – a mais alta ofensa contra a graça de Deus. A ideia de aparecer entre o povo do Senhor, professando pertencer a Ele, e ainda assim não estar realmente revestido com Cristo, a verdadeira veste nupcial, é um pecado que só pode ser encontrado entre as fileiras dos batizados professos. Infelizmente, é característico da Cristandade. Não há desculpa; o homem ficou emudecido.


Quão terrível é o fim disso! É a total rejeição de Cristo, a negligência da grande salvação, a recusa da veste nupcial; e, o tempo todo, professando ser Cristão. Como nada pode exceder a graça de Deus que agora é pregada, nada pode exceder a culpa daqueles que de coração a negligenciam, enquanto professam tê-la. “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2:3).


“Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes” (v. 13). A interpretação humana apenas enfraqueceria a força deste versículo. Deus conceda que possamos não apenas aparecer entre os convidados, mas realmente vestir as vestes nupciais, para o louvor daquela convincente graça à qual devemos nossa paz presente e glória eterna.


Autor desconhecido

 

Hora de Acordar do Sono


A peregrinação da Igreja está rapidamente chegando ao fim, e há uma necessidade de lançar, antes que termine, uma palavra de advertência e um grito de despertar para todos os nossos irmãos ao nosso alcance. Um inimigo muito furtivo e insuspeito está entre nós. Sua presença não é assinalada por pecados graves ou escândalos. Ele ganha ascendência e reina mesmo quando a vida religiosa externa do Cristão é conduzida com regularidade e suavidade. Seu nome é SONO.


O sono éevidentemente um inimigo caracterizado por peculiar tenacidade durante a presente dispensação, pela simples razão de que a vigilância é aquilo que deveria caracterizar este tempo. Estamos vivendo no momento em que o reino dos céus foi comparado pelo Senhor Jesus a “dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo”, e destas Ele disse: E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas” (Mt 25:5-7 – ARA).


O retorno do Noivo

A profecia de nosso Senhor nesta parábola foi devidamente cumprida. Rejeitado e condenado à morte por Seu próprio povo, e entregue por eles aos gentios pelos quais foi crucificado, Ele assumiu Seu lugar em glória ressurreta, fora de todas as instituições existentes na Terra. Consequentemente, aqueles que creram em Seu nome e se tornaram Seus seguidores também saíram de todas as instituições humanas existentes, compartilhando Sua rejeição e aguardando Seu retorno. Essa era a posição adequada e primitiva da Igreja. Elas “saíram a encontrar-se com o Noivo” (v. 1 – ARA).


Mais uma vez a profecia foi cumprida. O Noivo demorou e, consequentemente, o sono tomou conta de todas. Prudentes e tolas, “foram todas tomadas de sono e adormeceram” (v. 5 – ARA). A sonolência tomou conta do povo de Deus. O primeiro amor diminuiu, como encontramos no Apocalipse 2:4 e, consequentemente, as influências indutoras do sono do mundo prevaleceram contra eles. Eles caíram naquela condição de insensibilidade e letargia que é um sono de tipo espiritual. Como resultado da condição insensível do povo de Deus, todo tipo de corrupção invadiu a Igreja, e todas as abominações do sistema romano apareceram.


A esperança da vinda do Senhor

Podemos levar a parábola um passo adiante e indicar que o “clamor à meia-noite” foi ouvido. A vinda do Noivo tornou-se novamente uma expectativa e uma esperança e, consequentemente, mais uma vez seu poder separador foi conhecido. Os santos voltaram mais uma vez à posição original que haviam deixado, mas que deveria tê-los marcado o tempo todo. O clamor era: “Sai ao Seu encontro”; elas obedeceram e, consequentemente, encontraram-se onde estavam quando pela primeira vez "saíram a encontrar-se com o Noivo”.


E agora, especialmente onde esta preciosa verdade é bem conhecida, há sintomas graves que nos levariam a temer que o sono esteja novamente vencendo muitos. O mundo está tolerante, falta perseguição exterior e as circunstâncias são confortáveis em muitos países ocidentais. Quão fácil, então, sem fazer nada que possa ser contestado por outros Cristãos, tornar-se insensível às necessidades urgentes do momento e indiferente quanto aos interesses do Senhor. Podemos ser gentis, amáveis e corretos, e quanto às coisas de Deus regulares o suficiente e bastante dispostos a ajudar, se tal ajuda não envolver o abandono de nossos próprios interesses. No entanto, podemos estar dormindono sentido bíblico da palavra.


A necessidade de ficar acordado

Precisamos despertar da maçante indiferença e sacudir as influências sonolentas do mundo. A vinda do Senhor se aproxima! Devemos nós, então, que somos Seus e consequentemente identificados com Seus interesses e testemunho, desperdiçar a presente oportunidade de sermos totalmente para Ele, por imersão nas buscas e nos prazeres da época? Ouça as palavras do apóstolo: “E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia” (Rm 13:11-13).


Aqui a exortação para despertar é baseada no fato de que se aproxima o dia que significará nossa libertação total e final da presente era. Ainda estamos na noite, mas pertencemos a esse dia e devemos andar “honestamente” ou “adequadamente” como se já fosse aquele dia - não tomando os caminhos e costumes da noite como nosso padrão, mas andando de acordo com os caminhos e princípios do dia, antes que chegue o dia.


A hora tenebrosa da apostasia

O dia, que traz consigo a nossa salvação, está próximo! Nós realmente acreditamos nisso? Está claro para nós que a noite está se aproximando rapidamente de sua hora mais escura de apostasia e o consequente derramamento (uma vez que a Igreja se for) da ira de Deus reprimida desde há muito?


Os sinais dos últimos dias estão plenamente manifestados. Não temos o desejo de ocupar nossos leitores com os feitos do presente mundo mau, mas, por outro lado, é bom às vezes dar uma boa olhada nas condições como elas estão. Sem dúvida, muitos de nossos leitores aprenderam a bem-aventurança do verdadeiro caminho Cristão de separação do sistema mundano e, talvez por essa mesma razão, dificilmente percebem quão completamente o mundo está se aproximando dos dias de Noé e de Ló, porém, em uma escala muito maior. Os dias de Noé terminaram em um dilúvio de água; os dias de Ló em um dilúvio de fogo; o presente mundo em breve terminará em um dilúvio, não providencial nem provisório, mas do julgamento direto de Deus.


F. B. Hole (adaptado)

 

A Parábola das Dez Virgens


Mateus 25:1-13

É o Senhor Jesus Cristo, e nenhum outro, que é referido como o Noivo nesta parábola. As virgens saem ao Seu encontro; Ele é o referido no clamor da meia-noite: “Eis o Noivo!” Aqueles que estão prontos vão com Ele para as bodas. Mas o que significa a vinda do Noivo e quando Ele vem? É a vinda d’Aquele que disse a Seus entristecidos discípulos: “se Eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que, onde Eu estiver, estejais vós também” (Jo 14:3). É o cumprimento dessa promessa fiel.


Outras Escrituras confirmam isso abundantemente. Os anjos testemunharam isso enquanto os atônitos discípulos olhavam firmemente para o céu, seus olhos e corações seguindo seu Senhor que subia. “Este Jesus”, disseram eles, “que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu O vistes ir” (At 1:11). Foi uma partida visível e pessoal; será uma vinda visível e pessoal novamente.


A vinda do Senhor

A grande verdade da segunda vinda pessoal do Senhor brilha nas páginas da inspiração como uma grande estrela no céu da meia-noite. Como é triste que ela tenha sido tão esquecida! Mas o Senhor previu isso e o predisse. “tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram”. Não apenas as “loucas”, mas também “as prudentes” deixaram de vigiar e esperar. Com o tempo, a vinda do Senhor deixou de ser um objeto de alegre esperança e expectativa, e a promessa de Sua vinda foi espiritualizada e interpretada ou desapareceu completamente de vista. Nos primeiros dias do Cristianismo, no entanto, era muito diferente. A volta do Senhor, como um fio de ouro, foi entrelaçada com todas as outras verdades, e o mais jovem convertido foi levado a esperar imediatamente o Salvador. Como 1 Tessalonicenses 1:9-10 afirma: “como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a Seu Filho, a Quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”.


Alguns podem dizer: Sempre acreditamos que o Senhor Jesus viria em julgamento no fim do mundo; isso não é novidade. Não estamos falando, no entanto, dessa temível Aparição. Sem dúvida, Ele virá para julgar, pois nos foi dito que Deus “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do Varão que destinou” (At 17:31). Quando Ele aparecer, será em labaredas de fogo e com os anjos do Seu poder para Se vingar daqueles que não conhecem a Deus e que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Ts 1:7-8). Isso é solenemente verdadeiro, mas se explicássemos nossa parábola como se ela se relacionasse com a Aparição de Cristo, estragaríamos sua beleza e perverteríamos seu significado, pois ela se refere à vinda do Noivo, não do Juiz. Criminosos culpados podem ouvir com alarme a aproximação do Juiz, sabendo em si mesmos que a hora da punição está próxima, mas a vinda do Noivo é aguardada com sincero desejo por aqueles que estão seguros de Seu amor fiel. Consequentemente, no final do Apocalipse, quando o Senhor Jesus chama a Si mesmo de a resplandecente estrela da manhã, o Espírito e a noiva dizem a Ele: “Vem”. E a última palavra dita por Ele desde a glória é: “Certamente cedo venho”. A essa certeza, tão animadora e sustentadora, há a pronta resposta: “Amém”! Ora, vem, Senhor Jesus”. Quem poderia imaginar que tal linguagem seria usada se O esperássemos como Juiz?


O clamor da meia-noite

“À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!” (ARA). A partir disso, entendemos que um testemunho claro deveria aparecer imediatamente antes que o Noivo viesse. Certamente esse clamor já foi emitido e, quer os homens prestem atenção ou não, o fato de que o Senhor está voltando já foi divulgado em toda parte. A qualquer momento Ele pode vir, e então acontecerá que “o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4:16-17). Então se dirá: O Noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas.


O perigo do sono

Se cremos que o clamor da meia-noite já saiu e que o Noivo está às portas, quão necessário é que cuidemos que nossas lâmpadas estejam bem aparadas, para que possam queimar com uma chama mais brilhante, pura e constante do que nunca. “noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5:8). Novamente, o mesmo Espírito pelo mesmo servo nos diz: “porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade (ou do amor) e tendo por capacete a esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele” (1 Ts 5:5-10). Irmãos, faremos bem em atender à palavra de exortação do Espírito, chamando-nos, como ela o faz, à vigilância e à sobriedade de mente, ao exercício da fé, do amor e da esperança em vista da volta de nosso Senhor.


As loucas

As virgens loucas – as multidões que professam, mas sem Cristo – não estavam lá. Elas não tinham óleo em suas vasilhas com suas lâmpadas e descobriram sua deficiência apenas quando era tarde demais para supri-lo, pois enquanto iam comprar, o Noivo veio. Que tolice esquecer a única coisa que tornaria a lâmpada inútil! Podemos ter tomado nosso lugar com as virgens; podemos carregar a lâmpada da profissão Cristã e ser inscritos entre os seguidores de Cristo, mas quão sério é, se nossa lâmpada não tiver óleo! Nunca podemos ter óleo a menos que primeiro recebamos o perdão dos pecados pela fé em Jesus e sermos nascidos de Deus. O Espírito Santo habita apenas naqueles que confiam em Jesus. Ele continua a dizer: “vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço” (Is 55:1).


“O Noivo celestial logo virá,

Para reivindicar Sua noiva e levá-la para casa,

Para habitar com Ele nas alturas;

O Noivo vem, ninguém duvide;

Infelizmente! Para aqueles cujas lâmpadas estão apagadas:

Eles não encontrarão óleo para comprar.


H. C. Anstey (adaptado)

 

O Reino dos Céus Comparado a um Certo Rei


“Então, Pedro, aproximando-se d’Ele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete” (Mt 18:21-22).


O Senhor compara o reino dos céus a um certo rei para mostrar qual deve ser seu caráter em relação ao perdão. O rei revisou as contas de seus servos. Foi chamado um servo que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, ordenou que ele, sua família e seus pertences fossem vendidos para pagar a dívida. O homem implorou por tempo para pagar, prometendo pagar tudo. Sua promessa de pagar tudo era prova de que ele ainda não havia sido quebrantado. Ele nunca poderia pagar tudo. É uma imagem do judeu não arrependido agarrado ao seu orgulho. Seu senhor, o rei, perdoou-lhe a dívida, tendo compaixão dele.


Este servo (o judeu) tinha um conservo (o gentio) que lhe devia cem denários, uma dívida muito menor do que aquela que o judeu tinha para com o rei. O gentio rogou por misericórdia ao judeu, mas ele lançou as mãos sobre ele e o encerrou na prisão.


O Senhor do primeiro servo, ouvindo que ele se recusava a ter misericórdia de seu companheiro, chamou-o, repreendeu-o e entregou-o aos atormentadores até que pagasse tudo. O judeu agora está na prisão até que Jesus venha libertá-lo (Is 40:1-2). O Senhor disse: “Assim vos fará [aos judeus] também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão [incluindo os gentios], as suas ofensas”. Alguém assim implacável não conhece a Deus.


C. E. Lunden

 

Misericordioso


O Senhor aplica a parábola do servo implacável (Mt 18:23-35) ao dizer: “Assim vos fará também Meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas” (v. 35). Nem é preciso dizer que esta parábola não fala da salvação da alma, mas dos princípios do governo do Rei em Seu reino – princípios aplicáveis tanto ao que verdadeiramente possui a salvação quanto ao mero professante. É um fato imutável que na cruz Cristo levou as consequências eternas dos pecados de cada crente, mas quanto à nossa conduta neste mundo, é um princípio inalterável no governo de Deus que “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). Outro princípio geral de Seu governo é expresso no Salmo 18:25-26: “Com o gracioso Te mostras gracioso; com o homem correto Te mostras correto; com o puro Te mostras puro; e com o perverso Te mostras contrário” (JND). E novamente, em Mateus 5:7: “bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. Agora, qual de nós, ao revisar sua história passada, seja como santo ou pecador, e pensar nas consequências governamentais de tudo o que dissemos e fizemos, poderia dizer: “Não preciso da misericórdia governamental”? Será que cada um de nós não se sente mais como necessitando da misericórdia mostrada ao devedor de 10.000 talentos?


Lembremo-nos, então, se tentados a mostrar um espírito duro, impiedoso e não perdoador para com nossos irmãos, embora, pela graça de nosso Deus, Ele não Se lembre mais de nossos pecados e iniquidades, mas de acordo com Seu governo, “com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mt 7:2). Tenhamos em mente aquela preciosa exortação aos santos de Éfeso: “Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4:32).


G. Cutting

 

A Bondade de Deus


A parábola dos trabalhadores da vinha (Mateus 20) traz claramente o descontentamento do homem. Aqueles que concordaram com um denário, receberam um denário e, portanto, não poderiam ter uma causa justa para reclamação; e, no entanto, eles não podiam suportar ver os outros receberem tanto quanto eles. Aos tais foi dito: “é mau o teu olho porque eu sou bom?” Sim, a própria bondade de Deus chama a atenção para o mal no homem, que está, de muitas maneiras, pronto para acusar Deus de injustiça. Mas o Deus de toda a Terra certamente fará o que é certo; mas Ele é Soberano e distribuirá Seus dons quando e onde Lhe agrada. Em Sua graça, Ele chama alguns na décima primeira hora e dá a eles o mesmo que os chamados muito antes.


Autor desconhecido

 

Os Últimos Serão os Primeiros


Não temos dúvida de que há outra lição a ser aprendida com a parábola dos trabalhadores da vinha, por causa da última frase: “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (ARA). Deus é o Dispensador da graça, e Ele a dispensa como, quando e onde Lhe agrada. Os judeus foram os primeiros; agora são os últimos. Paulo era como alguém nascido fora do tempo e, no entanto, tornou-se um apóstolo principal. Deus não será injusto com ninguém, mas Ele chama quem Ele quer, e dentre eles Ele escolhe quem Ele quer, e Ele faz deles, em Sua graça, o que Ele quer. Que cada um se contente em ocupar o lugar em que Deus o colocou. Que cada um considere toda a graça de ser enviado por Deus para trabalhar em Sua vinha, e então procure ser fiel nela. Enquanto desfruta da graça assim concedida a ele, seja feliz em reconhecer a graça concedida a outros a quem Deus queira escolher e dotar com dons maiores do que os que ele possui. Que nossos olhos não sejam maus porque Deus é bom.


Autor desconhecido

 

Os Primeiros serão os Últimos


Pedro levanta uma questão com nosso Senhor: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos; que receberemos?” (Mt 19:27). Nosso Senhor mostra que Deus não será devedor de ninguém e que, por cada perda por causa de Seu nome, cada um receberá de novo cem vezes mais e herdará a vida eterna. Mas Ele acrescenta as palavras de advertência: Muitos primeiros serão últimos e os últimos serão primeiros. Pois como Cristo é o motivo onde está a fé, a recompensa é apenas o encorajamento para aquele que segue o Salvador; anima-o quando já está a caminho. Faça da recompensa o objeto, e tudo se torna mercenário. Mesmo onde Cristo é o poder constrangedor, existe o perigo de obscurecê-lo sob uma estimativa excessivamente grande de nossos sacrifícios por amor a ele. Em todos os casos, porém, Deus nunca esquece, mas com certeza retribui.


W. Kelly

 

Quatro Convites


Há quatro partes na parábola dos trabalhadores da vinha. Estas podem corresponder a: primeiro, a lei, que se um homem guardar, ele viverá; segundo, o ministério de Cristo; então, terceiro, o evangelho pelo Espírito Santo enviado do céu no início da história da Igreja; e agora, quarto, o presente testemunho da última hora imediatamente antes da vinda do Senhor, as riquezas de Sua graça, depois de séculos de rejeição sombria. Sim, é um ato de graça da parte de Deus nos últimos três casos. E o judeu que fez sua própria barganha, como sempre, murmura da graça de Deus. Em Sua vinha, a graça tem brilhado cada vez mais. Este é o tema de Jesus, mas quão pouco eles O entenderam! Ele estava a caminho de morrer por eles – para ocupar o lugar mais baixo possível. Eles estavam desejando tomar o mais alto do reino! Preciosa lição! Vida eterna para todos os que creram em Sua Palavra – tanto para o judeu quanto para o gentio, Deus é visto como Aquele que busca os necessitados.


C. H. Mackintosh

 

O Rei Glorifica Seu Filho


Esta parábola do rei que fez um casamento para seu filho (Mateus 22) não nos traz a questão de Deus lidar com a consciência natural do homem, nem a do dono da vinha procurando e não recebendo frutos (o Senhor encerrou isso completamente com o último capítulo – Mateus 21), mas sim o do rei agindo de acordo com as riquezas de sua própria casa a fim de glorificar seu filho.


Este foi o exato pensamento do rei ao preparar a ceia. Seria apenas porque ele iria deixar certas pessoas confortáveis? Não; era com respeito a seu filho. E para glorificar aquele filho ele deve ter plena bênção à mesa; como poderíamos dizer, rostos felizes ao seu redor, corações sem necessidade alguma, sem qualquer sombra de ansiedade sobre eles, e livres no pleno gozo de seu amor. O “casamento” de seu filho deve ser honrado por ter todas essas coisas que acompanhavam o evento.


A aplicação da parábola é tão simples quanto possível: isto é, a base sobre a qual Deus está tratando no evangelho, e não como reivindicando frutos. Eu não digo que Ele não produz frutos, mas não é um fundamento de reivindicação de forma alguma. O homem falhou completamente, não apenas por não produzir fruto, mas também por não reconhecer o direito que Deus tem sobre ele. E se ele reconhece a reivindicação, ele se desespera por causa dela. Mas agora tudo isso acabou, completamente acabado, e Deus é apresentado como glorificando a Si mesmo ao fazer os outros felizes ao redor de Seu Filho.


J. N. Darby

 

A Igreja Adormecida


A parábola das dez virgens conta como a Igreja se tornou sonolenta e adormeceu, esquecendo-se de vigiar por seu Senhor. As prudentes e as loucas dormiram juntas até que um clamor soou à meia-noite: “Eis o noivo.” Esta parábola não indica que todas elas iriam dormir novamente, mas o afastamento neste tempo presente da verdade dispensacional revelada está, em grande medida, colocando muitos para dormir. Se permitirmos que alguém coloque algo diante de nossa alma, o que deve acontecer antes que nosso Senhor venha, então a expectativa de esperança se foi. Não estamos então esperando e nem vigiando pelo Senhor.


Mas a verdade, por mais preciosa que seja, pode tornar-se enfadonha na alma e permanecer em uma fria forma intelectual. Quando isso acontece, o amor por ela logo é abandonado e, finalmente, até mesmo sua forma é abandonada. Isso é exatamente o que aconteceu e o que está acontecendo na Cristandade hoje. Muitos que outrora possuíam a esperança da vinda do Senhor para Seus santos, e dia a dia se emocionavam com a brilhante perspectiva, agora apenas sustentam a doutrina de Sua vinda antes da tribulação. Assim, não há poder de separação nela, e o mundo é abraçado em vez de ser tratado como era por Paulo – algo crucificado (Gl 6:14).


Paul Wilson

 

Serviço


“Pai, onde devo trabalhar hoje?”

E meu amor fluiu aquecido e livre;

Então Ele apontou para mim um pequeno ponto,

E disse: “Cuide disso para Mim”;

Respondi rapidamente: “Não, isso não;

Por que ninguém jamais veria,

Não importa o quão bem meu trabalho fosse feito;

Aquele lugarzinho para mim, não! ”

E a palavra que Ele falou não foi severa:

Ele me respondeu com ternura:

“Ah, trabalhador, esquadrinhe esse seu coração:

Você está trabalhando para eles ou para Mim?

Nazaré era um lugar pequeno,

Assim como a Galileia.

Se o trabalho flui de um coração amoroso,

Não importa o pagamento –

E se eu trabalhar apenas uma pequena hora

Ou suportar o calor do dia;

O Mestre é Justo e sempre Sábio;

Ele dá Suas recompensas com graça;

O primeiro é o último; o último é o primeiro;

Não há espaço para um lugar de destaque;

Eu pergunto a Ele: “Onde e como servir?”

Ele sabe exatamente onde eu deveria estar;

Se eu desejo Sua mente em fazer Sua obra,

Eu a encontrarei de joelhos.


Selecionado

 

“Não Me é lícito fazer o que quiser do que é Meu? Ou é mau o teu olho porque Eu sou bom?”

Mateus 20:15


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